Apologia da Tradição (I): Apresentação – A crise Ariana do século IV.

Lançado em 2011 na ItáliaApologia da Tradição – Post-scriptum do livro O Concílio Vaticano II – Uma história nunca escrita chega agora ao Brasil pela editora Ambientes e Costumes que, muito gentilmente, concedeu ao Fratres in Unum.com a exclusiva honra de divulgar alguns excertos deste trabalho.

978-85-61749-37-8 - Apologia da Tradicao_webO sucesso da publicação do livro “O Concílio Vaticano II – Uma história nunca escrita” suscitou um vivo debate. Roberto De Mattei, desejoso de aprofundar o tema, oferece neste seu novo trabalho elementos de reflexão histórica e teológica sobre os temas desse debate. Pode-se discutir pessoas e acontecimentos que pertençam à história da Igreja, trazendo à luz eventuais limites e sombras? Pode-se dissentir (Quando? Em que medida?) das decisões da suprema Autoridade eclesiástica? Qual é a regula fidei da Igreja nas épocas de crise e confusão?

Para o autor, o principal caminho a reencontrar é a Sagrada Tradição, da qual, neste volume faz uma documentada apologia.

Com base na teologia mais segura, como o é aquela da Escolástica (e de São Tomás de Aquino em particular), da Contrarreforma e da Escola Romana dos séculos XIX e XX, a qual se estende até o XXI graças à extraordinária figura de Monsenhor Brunero Gherardini, e com base no Magistério dos Sumos Pontífices, de Mattei se faz repetidor da posição da Tradição da Igreja, aquela que a torna Santa e Imaculada. Este estudo é a melhor resposta para aqueles que buscaram confutar, com argumentos pobres e às vezes mesquinhos, a obra O Concílio Vaticano II. Uma história nunca escrita, que valeu ao seu autor o Prêmio Acqui Storia 2011.

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Athanasius Contra Mundum: Rebelde, Fanático e fora da comunhão com Roma.

Ario, padre de Alexandria, afirmava que o Verbo, segunda Pessoa da Santíssima Trindade, não era igual ao Pai, mas criado por Ele como meio termo entre Deus e o homem, e, portanto, tinha substância diversa da substância divina do Pai. Constantino convocou no ano 325, em Niceia, o primeiro grande Concílio ecumênico da Igreja. Graças à contribuição decisiva de Santo Atanásio, bispo de Alexandria, ali foi definida a doutrina da “consubstancialidade” de natureza entre as três pessoas da Santíssima Trindade.

Mal haviam transcorrido dez anos do Concílio de Niceia, o arianismo já havia penetrado profundamente no seio da Igreja, tanto que duas assembleias de bispos, em Cesareia e Tiro (334-335), condenaram Atanásio por rebelião e fanatismo. O paladino da ortodoxia da Fé foi deposto de sua cátedra episcopal, sendo-lhe proibido pisar no chão de Alexandria, pelo resto da vida. Entre o “partido” intransigente de Atanásio e o partido dos arianos surgiu um “terceiro partido”, o dos “semi-arianos”. Estes, divididos, por sua vez, nas seitas dos Anomei, dos Omei e dos Omoiusiani, que reconheciam alguma analogia entre o Pai e o Filho, mas negavam que este fosse “gerado, não criado, consubstancial ao Pai”, como afirmava o Credo de Niceia.

Santo Atanásio.

Santo Atanásio.

Atanásio foi duramente perseguido pelos seus próprios confrades, e por cinco vezes, entre 336 e 366, foi obrigado a abandonar a cidade da qual era bispo, vivendo longos anos no exílio e enfrentando lutas extenuantes em defesa da Fé. No ano 341, enquanto um Concílio de 50 bispos, em Roma, proclamava Atanásio inocente, o grande Concílio da dedicação a Antioquia, do qual participaram mais de 90 bispos, ratificou os atos dos sínodos de Cesareia e de Tiro, e elegeu um ariano para a sede episcopal de Atanásio. As fórmulas de Fé desse Concílio, segundo o cardeal Hergenröther, “nada continham de herético; mas também não proclamavam inteiramente a verdade católica”.

O subsequente Concílio de Sardica, no ano de 343, terminou com uma cisão. Os Padres ocidentais declararam ilegal a deposição de Atanásio e revalidaram o Concílio de Niceia; por sua vez, os orientais que se reuniram paralelamente, condenaram não apenas Atanásio, mas também o papa São Júlio I (337-352), que o tinha apoiado. Constâncio, único titular do Império depois da morte dos irmãos, sob a influência de seus conselheiros semi-arianos, reuniu uma série de novos sínodos para destruir a heresia dos que apoiavam o Concílio de Niceia. O Concílio de Sírmio, no ano 351, procurou um meio termo entre a ortodoxia católica e o arianismo. No Concílio de Arles, em 353, os Padres conciliares, incluindo o legado do Papa Libério (352-366) que havia sucedido a São Júlio I, subscreveram a condenação de Atanásio. São Paulino, o bispo de Trier, foi praticamente o único que lutou pela Fé de Niceia e foi exilado na Frígia onde morreu em seguida sob os maus tratos recebidos dos arianos. Dois anos depois, no Concílio de Milão (355), mais de trezentos bispos do Ocidente subscreveram a condenação de Atanásio e do outro Padre ortodoxo, Santo Hilário de Poitiers, também este banido na Frígia em razão de sua intransigente fidelidade à ortodoxia. Em 357, o Papa Libério, vencido pelos sofrimentos do exílio e pela intransigência dos seus amigos, mas igualmente movido pelo “amor à paz” subscreveu a fórmula semi-ariana de Sírmio. Rompeu a comunhão com Santo Atanásio e o declarou separado da Igreja de Roma em decorrência da adoção do termo “consubstancial”, como nos atestam quatro cartas enviadas por Santo Hilário. Sob o pontificado do próprio Papa Libério, os concílios de Rimini (359) e de Selêucia (359), que constituíram um único grande Concílio representando o Ocidente e o Oriente, abandonaram o termo “consubstancial” de Niceia e criaram uma equívoca “terceira via” entre os arianos e Santo Atanásio. Parecia que a heresia difundida tinha vencido a Igreja.

São Roberto Bellarmino não considera herege o Papa Libério, ainda que admita que ele pecou em seu comportamento externo, favorecendo a heresia. Os Concílios gêmeos de Selêucia e de Rimini, convocados pelo Imperador e tidos como ecumênicos, como o de Niceia (325), hoje são enumerados pela Igreja entre os oito concílios ecumênicos da Antiguidade. Eles contaram com aproximadamente 560 bispos, a quase totalidade dos Padres da Cristandade e foram tidos como ecumênicos pelos contemporâneos. Escreve Hergenröther: “os perseguidores da Igreja não eram mais inimigos externos, mas os seus seguidores, os seus filhos. A aparência oficial contrastava em tudo com a realidade. Foi então que São Jerônimo cunhou a expressão segundo a qual ‘o mundo gemeu e, com estupor, se deu conta de ter se tornado ariano’”. Contudo, a Igreja continuava a ser não só una et sancta mas catholica, isto é universal, porque universal permanecia a sua mensagem, capaz de reunir todos os homens e todas as gentes, ainda quando eles se distanciavam dela como aconteceu durante a crise.

Somente o Concílio de Constantinopla, convocado pelo Imperador Teodósio o Grande, no ano 381, sob o papa São Dâmaso (367-384), assinalou o fim do arianismo no Império. Ele definiu que o Espírito Santo é verdadeiramente Deus, como o Filho e o Pai. Apesar de não tê-lo convocado, Dâmaso confirmou os cânones do Concílio, exceto o terceiro, porque lesivo aos direitos da Igreja de Roma. O Concílio de Constantinopla foi, pois, reconhecido como o segundo dos Concílios ecumênicos. Graças ao Imperador Teodósio, o Cristianismo foi declarado religião do Estado. A obra iniciada com a vitória de Constantino em Saxa Rubra, no dia 28 de outubro de 312, pôde dizer-se verdadeiramente cumprida.

Santo Ambrósio havia enunciado o sacrossanto princípio Ubi Petrus, ibi Ecclesia, mas quem quisesse seguir este princípio ao pé da letra, naquela época, teria acompanhado o erro de Libério e abandonado a ortodoxia. “Pedro” é a instituição imutável, não o homem, que pode errar. No espaço de sessenta anos decorridos entre o Concílio de Niceia e o Concílio de Constantinopla, o Magistério vivo da Igreja cessou de reafirmar com clareza a verdade católica, sem jamais contudo cair em heresia formal. Teria cessado por isso o Espírito Santo de assistir a Igreja? Não, porque a Fé foi mantida por uma minoria de santos e indômitos bispos, como Atanásio de Alexandria, Hilário de Poitiers, Eusébio de Vercelli e, sobretudo, pelo povo fiel que não acompanhava as diatribes teológicas, mas conservava, pelo simples sensus fidei, a boa doutrina.

Apologia da Tradição, Roberto De Mattei, páginas 25 a 28, Ambientes & Costumes Editora, 2013, São Paulo

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Roberto de Mattei nasceu em Roma, em 1948. Formou-se em Ciências Políticas na Universidade La Sapienza. Atualmente, leciona História da Igreja e do Cristianismo na Universidade Europeia de Roma, no seu departamento de Ciências Históricas, de que é o diretor. Até 2011, foi vice-presidente do Conselho Nacional de Investigação de Itália e, entre 2002 e 2006, foi conselheiro do Governo italiano para questões internacionais. É membro dos Conselhos Diretivos do Instituto Histórico Italiana para a Idade Moderna e Contemporânea e da Sociedade Geográfica Italiana. É presidente da Fundação Lepanto, com sede em Roma, e dirige as revistas Radici Cristiane e Nova Historica e colabora com o Pontifício Comitê de Ciências Históricas. Em 2008, foi agraciado pelo Papa com a comenda da Ordem de São Gregório Magno, em reconhecimento pelos relevantes serviços prestados à Igreja.

Onde encontrar:  Editora Ambientes e Costumes – R$ 30,00

22 Comentários to “Apologia da Tradição (I): Apresentação – A crise Ariana do século IV.”

  1. Reblogged this on Allan L. Dos Santos and commented:
    Comprem este livro! É excelente!

  2. Professor Roberto de Mattei é mesmo um excelente escritor católico, o que é raríssimo de se encontrar na atual Igreja do novus ordo missae.

  3. Qualquer semelhança com os tempos atuais, trocando-se o arianismo pelo modernismo, não é mera coincidência, pois os erros são fomentados pelo mesmo “pai da mentira”.

    • Concordo, Pedro, e Monsenhor Lefebvre é Santo Atanásio de nossos dias. Excomungado injustamente, e de forma desleal, juntamente com Dom Antonio de Castro Mayer.

    • Concordo com você Pedro, embora acredite que a crise que enfrentamos atualmente tenha um agravante que a torna ainda pior que a crise ariana: nos tempos de Santo Atanásio – conforme citação do Prof. Roberto de Mattei – o povo não seguiu os desvarios do clero pois mantinha o sensos fidei… Hoje, infelizmente, 95% do povo foi na onda do modernismo… Não é a toa que todo católico que comigo conversa diz que vivemos a “melhor fase da Igreja em todos os tempos com o Papa Francisco”…

  4. “No espaço de sessenta anos decorridos entre o Concílio de Niceia e o Concílio de Constantinopla, o Magistério vivo da Igreja cessou de reafirmar com clareza a verdade católica, sem jamais contudo cair em heresia formal. ”
    Então, vou continuar rezando aqui e aguardar até 2025, pra ver se as coisas vão melhorar…

  5. Status dos católicos fiéis: Sem comunhão com a Roma modernista para estar em comunhão com a Roma eterna. Santo Atanásio, ora pro nobis!

    A Fé meus caros amigos, a fé católica, esse é nosso bem mais precioso!

  6. Grande!! Grandíssimo Santo Atanásio!! Estou lendo sua obra sobre a Incarnação e aconselho a todos fazer o mesmo. Não sei se tem uma versão em português aí no Brasil. Mas quem quiser baixar a versão Kindle pela Amazon em inglês custa só 1 dolar : De Incarnatione Verbi Dei.
    Que falta nos faz um Santo Atanásio nos dias de hoje!

  7. Lendo esse artigo sobre a crise ariana que durou tantos anos e que levou a Igreja a se reunir em diversos Concílios Ecumenicos por causa de uma só palavrinha: CONSUBSTANCIAL, eu me ponho a pensar no quão mornos nos tornamos no tocante à questões de fé e Doutrina.
    Chegamos ao ponto em que até mesmo um Papa diz que “Jesus é CONSUBSTANCIAL à Mãe” e ainda há quem ache graça.
    Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?

  8. Sabendo sobre Santo Atanásio, podemos ver que além de sua história ser parecida com a de Dom Lefebvre, é também semelhante com a de Cristo, pois quando Jesus curava os doentes nos sábados, os fariseus O questionavam, chamando a Nosso Senhor de desobediente, praticamente de herege, de rebelde, porque a lei mosaica proibia fazer qualquer coisa aos sábados. Então os fariseus, com medo e inveja de Jesus, usavam o preceito para O atrapalhar.

    Agora (como no século IV) tem um monte de imitadores dos fariseus que acusam os que preferem obedecer a Deus, fazer o bem – e zelar pela Doutrina é um grande bem – como Nosso Senhor Jesus Cristo, antes de servir a leis e coisas perecíveis do mundo.

    Que Deus ajude a Igreja rápido, como no passado!

    • Há uma diferença substancial entre Santo Atanásio e Dom Lefebvre. Enquanto Santo Atanásio permaneceu obediente às condinções impostas pela Santa Sé, embora injusta, Dom Lefebvre, ao contrário, reagiu com total desobediência, teimando em sagrar bispos e ordenar sacerdotes ilicitamente. Essa foi a razão da sua excumunhão, e não porque defendia a tradição. Por isso, Santo Atanásio é santo, porém Dom Lefebvre jamais o será.

  9. Tenho tanto “O Concílio Vaticano II – uma história nunca escrita” como “Apologia da Tradição” autografados.

    A propósito, a Ambientes e Costumes publicou também o livro “Pio XII – O Papa dos Judeus”, de Andrea Tornielli. Justiça e equidade em juízo sobre as operações do pontificado do Pastor Angelicus a favor dos judeus. Indico a todos!

  10. Caro Robson, eu acredito que a excomunhão e marginalização dos que defendem a tradição começou quando Paulo VI, o papa liberal, impôs, sobre todos os bispos do mundo, o novus ordo missae, que é um rito simplesmente inventado, e muito mal fabricado, que saiu da cabeça modernista de Paulo VI, e de mais 6 pastores protestantes. Monsenhor Lefebvre já vinha tirando o sono dos bispos modernistas do Vaticano desde o final dos anos 60. A Consagração dos bispos foi simplesmente usado como estopim.
    Monsenhor Marcel Lefebvre, foi sim, um Grande Santo, e creio que com o Auxílio de Jesus e de Nossa Senhora, um dia Roma voltará á tradição apostólica, e o elevará aos altares como um grande defensor da fé católica. Que lutou contra o modernismo e a atividade satânica no Concílio Vaticano II. Que até poderia ter sido feito em favor da Igreja, mas foi usado por satanás para demolir a Igreja de Cristo.

  11. Robson, o que Dom Lefebvre fez foi o mesmo que Jesus Cristo fez ao curar nos sábados.

    A Lei Divina é clara, deve-se guardar o sábado(hoje o domingo), não fazendo nada nesse dia, porque disse o Senhor: Lembra-te de santificar o dia de sábado. Trabalharás durante seis dias, e farás neles todas as tuas obras. O sétimo dia, porém, é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nele obra alguma, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu gado, nem o peregrino que está dentro das tuas portas. (Êxodo 20, 8-10)

    Jesus curou os enfermos nos sábados e foi chamado pelos fariseus de desobediente… Mas mais vale fazer o bem que cumprir um preceito sem discerni-lo.

  12. Boa tarde, Salve Maria,

    Meus caros, quais as reais ações do Papa Libério com relação a heresia ariana e Santo Atanásio, tendo em vista o link abaixo e o comentário do leitor, A. Carlos, que transcrevo?

    Ainda: Santo Atanásio desobedeceu ou não o Papa Libério?

    http://fratresinunum.com/2012/05/02/na-festa-de-santo-atanasio/

    “A. Carlos
    2 maio, 2012 às 2:38 pm
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    A história de Santo Atanásio está mal contada no Denzinger. Ele não foi exilado pelo Papa São Libério, ele foi exilado com São Libério por traição do procurador do Papa, o infeliz Vicente de Cápua, que contra a vontade expressa do Sumo Pontífice subscreveu a condenação de Santo Atanásio em seu nome, a pedido do imperador Constantino II, que era a favor dos arianos. Constantino II sabia muito bem que São Libério logo anularia o decreto falsificado. Então ele o exilou para a Trácia (atual Turquia) e “entronizou” na sé de Pedro o farsante Félix II. Santo Atanásio foi exilado para o Egito (por Constantino II).

    Alguns anos depois, o imperador permitiu que São Libério retornasse a Roma, achando que já mais nada poderia fazer agora que quase todos acreditavam que Félix II era o verdadeiro papa. Mas enganou-se pois o povo romano lembrava-se claramente do seu verdadeiro bispo e ainda o tinha em grande estima, e assim que São Libério entrou em Roma, foi vigorosamente aclamado e Félix II foi expulso de Roma.

    Então o Papa São Libério, após a morte do imperador, anulou os decretos do conciliábulo de Arles e, por consequência, a condenação sem cabimento de Santos Atanásio e Hilário (que estava exilado na Frígia, também atual Turquia).

    O Papa Pio IX explica o engano sobre a condenação de Santo Atanásio na Quartus Supra: São Libério foi falsamente acusado pelos arianos de tê-lo condenado, mas na verdade ele se recusou a fazê-lo e rejeitou solenemente a heresia ariana. O Papa São Libério na verdade nunca condenou, excomungou ou exilou Santo Atanásio, nem nunca assinou a fórmula ariana, foi tudo uma trama dos arianos com o imperador. O Papa Santo Anastácio, na epístola Dat mihi plurimum, relata que São Libério enfrentou santamente o exílio pela defesa da Fé. O Acta Sanctorum o lista como santo e data a comemoração de sua festa no dia 23 de setembro (no calendário antigo obviamente, sabe-se lá onde foi parar a festa de São Libério com a “reforma” litúrgica conciliar).

    Vale lembrar que Santo Atanásio enfrentou ainda mais dois exílios por causa dos imperadores romanos apóstatas Juliano e Valente.”

    Atenciosamente.

  13. Quando Santo Atanásio detonou os arianos e melecianos, no Concílio de Nicéia, Santo Atanásio NÃO ERA BISPO. OU o livro que deixei o link está errado ou o professor de Mattei errou. E no final do Concílio – 20 de maio a 25 de agosto de 325 -, quem foi exilado foi Ário.

  14. Lembremos sempre da passagem de Nosso Senhor acalmando as águas(Mateus 8;Marcos 4;Lucas 8). Sempre a interpretação da barca sendo a Igreja de Cristo, o mar a vida terrestre, as ondas o vendo as pertubações que perseguem a Santa Igreja e por conseguinte os seus filhos. Onde está Nosso Senhor? Está lá, no canto da barca, descansando. Mas está presente, sempre junto da Sua Igreja. Ainda que os tripulantes se joguem fora da barca, ainda que muitos deixem a nau; Nosso Senhor estará sempre lá, presente, aguardando o momento certo: “Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”Mateus 28:20
    Agora só falta saber se nós estamos na Santa Igreja. Durante séculos os inimigos atacaram a Santa Igreja de fora, e sempre que eram detectados, eram corrigidos de maneira dura e caridosa. Ainda que se contem fatos de castigos, mortes, sempre se preocupou com a “Salus Animarum”. Infelizmente os inimigos descobriram que por fora, não conseguiriam destruir a Igreja de Deus: pois bem, vamos minar por dentro. Como faremos isso? Vamos misturar ao seu alimento um pouco de veneno, assim, vamos desvirtuar sua Fé, sua Doutrina, sua Moral e seu Fim. Hoje o que vemos? Hoje o que temos? O relativismo tornou a mola mestra dos ensinamentos nas casas de formação, institutos, seminários, dicastérios e até nos documentos oficiais que saem de Roma. Muitos mártires, seriam martirizados pela nova doutrina, se houvesse a “DESCANONIZAÇÃO”, outros tantos missionários, doutores, confessores,virgens, viúvas seriam acusadas de falta de caridade por tentar converter, reprovar tantos pecadores com seus pecados. Precisamos vigiar, para não cairmos nessa cilada de religião do bem, e orar para mantermos a nossa fidelidade a verdadeira Religião. sim Verdadeira Religião,pois só há um Senhor, uma Só Fé e um Só Batismo. Ainda que por ignorância, falta de conhecimento, foi pela Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, que fomos resgatados da morte eterna. Portanto, só há um caminho para chegarmos a Ele. O resto é do maligno!

  15. É a história que se repete com o concílio Vaticano II.

  16. O texto de De Mattei simplifica de maneira tendenciosa os acontecimentos que seguem o Concílio Niceno. Primeiramente Nicéia I não definiu “a doutrina da ‘consubstancialidade’ de natureza entre as três pessoas da Santíssima Trindade”, tratando, praticamente, apenas das relações entre o Pai e o Filho: a divindade do Espírito Santo seria definida no Concílio de Constantinopla I, evitando explicitamente o termo “homoousios” = consubstancial. Os problemas com a recepção de Nicéia (fora as questões políticas) se referem principalmente ao uso desse termo.
    O uso do “homoouios” fora condenado no 2º Sínodo de Antioquia (ano 268), porque Paulo de Samósata o empregava para negar que o Filho tivesse subsistência pessoal (ou seja, negava que fosse uma Pessoa distinta do Pai) e porque tinha origem na filosofia pagã (Plotino, Porfírio). No âmbito cristão, “homoousios” era usado pelos gnósticos, indicando “semelhança no ser”. Além disso, o que lhe fazia valer pior condenação, o uso do “homoousios” era considerado um afastamento da tradição de se empregar apenas terminologia bíblica.
    No mais, o texto de Nicéia I, em razão dos limites da terminologia da época, não foi dos mais claros. Com efeito, primeiramente afirmava que o Filho era homoousios (da mesma “ousia” = substância) do Pai, depois, no 4º anatematismo, parecia identificar “ousia” com “hipóstase” (= pessoa), o que sugeria modalismo (nesse caso, na Trindade, haveria apenas uma Pessoa, que se mostraria em 3 “modos” diferentes). Não é à toa que Marcelo de Ancira, abertamente modalista, defendia o termo. Também por isso Santo Atanásio, por cerca de 30 anos, evitou o seu uso. A fórmula de Sírmio de 351, assinada pelo Papa Libério, aparece nesse contexto, não precisando, necessariamente ser interpretada em sentido herético (o erro principal de Libério foi aceitar a condenação de Atanásio pelo Sínodo de Tiro de 335).
    Quanto a Atanásio, foi apenas quando Valente de Mursa e Ursácio de Singidunum e outros bispos (na “blasphemia Sirmiensis” de 357) afirmaram explicitamente a inferioridade do Filho em relação ao Pai, que ele se voltou para a fórmula nicena. Mesmo assim, no Sínodo de Alexandria de 362, Atanásio tratou com afabilidade Melécio de Antioquia e os demais “homeousianos” (que afirmavam que o Filho era “semelhante” ao Pai segundo a substância), em razão da incerteza terminológica que ainda reinava. A partir daí, porém, cresceu a tese da “suficiência nicena”, que levou a recepção do termo “homoousios” pelo Concílio de Constantinopla I (381), tornando-o patrimônio comum das Igrejas do Oriente e do Ocidente, mesmo não sendo um termo da “tradição” (pelo que não foi assumido na profissão de fé relativa ao Espírito Santo).
    Em resumo, a solução frente às crises que sucederam ao Concílio Niceno I, foi adotar, apesar das dificuldades, O TEXTO DO CONCÍLIO e se a história posterior a Nicéia tem algo a nos ensinar é justamente isso: afastar-se do Concílio é arriscar-se cair na heresia ou no cisma.

  17. Me desculpem alguns, mas a verdade e a memória impõe aqui um comentário.

    Dom Antonio de Castro Mayer e Mons. Marcel Lefebvre e outros, assinaram o Concílio Vaticano II…! Não se organizaram o suficiente antes, não previram a catástrofe chegar, não souberam colocar em cheque as manobras de seus adversários. O livro “O Concílio Vaticano II – Uma história nunca escrita” conta que pelo menos um (o abbé de Nantes) lhes sugeriu promover em sala conciliar um gesto de indignação pública e eles não tiveram coragem de o fazer. Dom Sigaud até achava que o Concílio “ia ser a salvação da Igreja” e Mons. Lefebvre fundou várias Conferências episcopais em países da África, ajudando na campanha prévia dos articuladores da grande fraude conciliar…

    Mais. Apesar de terem estudos teológicos e gente de peso ao seu lado, nunca publicaram documentos exaustivos e concatenados para contrarestar os documentos conciliares. Limitaram-se a publicar Cartas Pastorais diocesanas (no caso de D. Mayer) e promover sua Congregação (no caso de Mons. M. Lefebvre), sem nunca assumir o comando de um confronto universal dentro da Santa Igreja.

    Querer agora atribuí-los o papel do grande Santo Atanásio, com todo o respeito, é não ver a dimensão da coisa. A tragédia os engoliu e eles não a mediram senão parcialmente.

  18. Na verdade Monsenhor Lefebvre é o grande defensor da tradição católica nos tempos da heresia modernista; e a Fraternidade por ele fundada é a grande esperança da Igreja: Gratias multas tibi damus propter virtutem tuam, Episcope noster!