Papa retira Dom Odilo Scherer e mais três cardeais de comissão que supervisiona Banco do Vaticano.

O grupo anterior, nomeado há menos de um ano, deveria permanecer no cargo até o fim de 2018

O Globo | CIDADE DO VATICANO – O Papa Francisco adotou nesta quarta-feira novas medidas para reorganizar o Banco do Vaticano e renovou quatro dos cinco cardeais de uma comissão responsável por supervisionar as operações financeiras da instituição, dentre eles o brasileiro Dom Odilo Scherer e Tarcisio Bertone. Somente o cardeal francês Jean-Louis Tauran permaneceu no cargo. O grupo anterior, nomeado há menos de um ano, deveria permanecer no cargo até o fim de 2018.

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Francisco praticamente anulou o decreto de Bento XVI, substituindo Bertone e outros membros da comissão do banco, chamado oficialmente de Instituto de Obras Religiosas. Em 16 de fevereiro de 2013, dias antes de anunciar sua renúncia, Bento XVI havia confirmado os membros do conselho de supervisão do banco por cinco anos. Entre eles estava o assistente e secretário de Estado, o cardeal Tarcisio Bertone, que foi amplamente culpado por muitas das falhas administrativas do Vaticano, sob o comando de Bento. De acordo com fontes do Vaticano​​, Bertone havia pedido ao Pontífice para ser mantido na presidência da comissão, mesmo depois de sua saída do cargo.

Francisco nomeou outros quatro cardeais, incluindo seu secretário de Estado, Pietro Parolin, e Santos Abril e Castello, um amigo. Os outros membros são o cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, e o cardeal Thomas Collins, arcebispo de Toronto. No meio do ano passado, o Papa já havia indicado um amigo de confiança, o monsenhor Battista Ricca, para ocupar o cargo de supervisor e designou uma comissão de investigação independente para examinar as atividades do banco e seu status legal.

Em 2012, Ettore Gotti Tedeschi, então presidente do banco, foi demitido sob acusação de incompetência e de não fazer o seu trabalho corretamente. A comissão de peritos, nomeada no verão passado por Francisco, deverá apresentar as primeiras conclusões na próxima reunião do “G8” (grupo de oito cardeais encarregados de reformas no Vaticano), em fevereiro.

Processo de mudanças

Em vários setores, o Papa está desmantelando o círculo do ex-secretário de Estado Tarcisio Bertone, frequentemente culpado pelas turbulências no papado de Bento XVI e que, para muitos, foram o principal motivo de sua renúncia em fevereiro de 2013. Em setembro, por exemplo, Francisco retirou o cardeal Mauro Piacenza, um italiano conservador aliado de Bertone, do comando da poderosa Congregação para o Clero. Piacenza foi nomeado ao cargo em 2010. Hoje, está na Penitenciária Apostólica, um tribunal para assuntos internos do Vaticano.

As mudanças são parte de um amplo processo de remodelação da Igreja Católica conduzido por Francisco de forma constante e gradativa em pouco menos de um ano de pontificado, sem afetar, no entanto, a doutrina da instituição. De forma mais ampla, o Pontífice vem combatendo a tradicional proximidade entre políticos italianos conservadores e religiosos do país. O Vaticano continua a ser uma instituição desproporcionalmente italiana – o país ostenta o maior bloco de cardeais ao mesmo tempo em que responde por apenas 4% dos católicos do mundo.

Segundo religiosos, funcionários da Santa Sé, políticos e diplomatas ouvidos pelo jornal “New York Times”, o atual clima dentro do Vaticano varia de adulação à incerteza, profunda ansiedade ou até mesmo paranoia.

12 Comentários to “Papa retira Dom Odilo Scherer e mais três cardeais de comissão que supervisiona Banco do Vaticano.”

  1. Realmente, é difícil discordar do Papa Francisco no que tange ao Tarcísio Bertone!

  2. Sua Eminência , Christoph,Cardeal Schönborn, Arcebispo de Viena, é um dos cardeais mais ecumênicos e modernistas, que Francisco poderia nomear, Além de ser um defensor de sodomitas. É só ver o estado deplorável da Arquidiocese de Viena. Tudo o que vem dessa gentalha ecumenista defensora dos “direitos humanos”, não pode ser coisa boa.

  3. Ah, essa gente toda, no fundo, no fundo, a começar do Bertone, são” tutti buona gente”!

  4. O banco do Vaticano-IOR é a “coroa de espinhos” do papa. Desde Judas, o banqueiro de Jesus, visto que era responsável pela “bolsa”, há problemas de todo o tipo: lavagem de dinheiro, corrupção. Estranhamos que o Secretário de Estado, Tarsício Bertone, tenha conseguido nomear presidente do IOR um fabricante de navios de guerra, o alemão Ernst von Freyberg (advogado que administra um grupo dono de estaleiros militares) substituindo INEXPLICAVELMENTE o competente e dedicado Ettore Gotti Tedeschi, que durante anos foi o maior executivo do Banco Santander na Itália e simpatizante da Opus Dei. Realmente, “há algo de podre no reino da Dinamarca”, já dizia Willian Shakspeare (Hamlet). Por que não extinguir – pura e simplesmente – este órgão corrupto da santa Sé, utilizado como lavandeira (esquentar e lavar o dinheiro sujo proveniente de atividades ilícitas) pelos arqui-inimigos de sempre da Igreja (a maçonaria, a máfia italiana, dentre outros)?
    Parabéns, Sua Santidade! Já passava da hora de fazer uma FAXINA (auditoria) no órgão.

  5. Porque o Papa Bento XVI protegia tanto o Tarcísio Bertone?

  6. Bertone não deixará saudades.

  7. Está ai mais uma prova de quem conduz a Igreja é o Espírito Santo. Francisco fazendo as mudanças necessárias na Igreja!

  8. Cá entre nós, nada foi provado contra Bertone. Ele foi vítima de uma rede de fofocas da imprensa anti-católica e foi prejudicado por isto. É a velha tática comunista: repita muitas vezes uma mentira até ela se tornar verdade. Foi o que aconteceu com Bertone e infelizmente vejo até católicos espumarem contra Bertone, ai quando pergunto o porque eles não gostam do sr. cardeal, respondem: “Porque vi numa reportagem…”. É isso mesmo que a mídia quer, manipular o povo, principalmente os católicos.

    • Parece-me que foi Bertone o responsável pelo pecado original, pela guerra Franco Prussiana, pela ascensão de Lenin, pela morte de Lenin, pela seca no nordeste, pela crise econômica de 2008, pela saúde do Genoíno e pelo preço do tomate em 2013.
      Bertone é o exemplo da pior pessoa na face da Terra em todos os tempos. Quando morrer ele será enterrado na Lua para não contaminar o solo.
      Francamente! Pobre cardeal! Bertone é o menor dos problemas da Igreja atualmente, mas é mais fácil jogar a culpa nele.

  9. Sorte deles, os excluídos. Deo Gratias.

  10. Depois do prounciamento sobre o aborto, acabou a “trégua” dos filhos das trevas com a figura do Santo Padre. Agora voltaram a repisar “os escândalos do Banco do Vaticano” e as histórias de abusos contra menores por parte de clérigos, com direito a 1ª chamada no Jornal Nacional do grupo Time.

  11. Danilo e Pedro Rocha: concordo inteiramente com os dois. Eu sempre repito isso. Ai quando falo essas coisas, me chamam de paranóico e conservador.