Cardeal Burke sobre a exortação Evangelii Gaudium: “Não creio que haja a intenção de fazer parte do magistério papal”.

Da entrevista do Cardeal Raymond Leo Burke, Prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, a Raymond Arroyo, da EWTN, em 13 de dezembro de 2013:

Questionado se a exortação apostólica “Evangelii Gaudium” está em continuidade com o ensinamento de João Paulo II e Bento XVI ou se há apenas uma mudança de tom, Burke respondeu — aos 20m47s:

“Eu não sei. Creio que quando olhamos para a introdução do próprio documento e, parece-me [...], que o Santo Padre fez uma afirmação muito clara no início, que se trata de várias reflexões e que está dizendo que não tem intenção de que isso faça parte do magistério papal [...] que são sugestões, diretrizes, planos, e assim, para mim, para esse tipo de documento, não sei perfeitamente como qualificá-lo, mas não creio que haja a intenção de fazer parte do magistério papal. Essa é a minha impressão”.

O Cardeal também falou sobre os “assuntos essenciais” (aborto, defesa da vida, etc) e a reforma da Cúria após o “efeito Francisco”. Agradeceremos aos leitores que puderem transcrever outros trechos da entrevista.

13 Comentários to “Cardeal Burke sobre a exortação Evangelii Gaudium: “Não creio que haja a intenção de fazer parte do magistério papal”.”

  1. Senhores.
    Encontrei a transcrição de alguns trechos nesse link: http://www.praytellblog.com/index.php/2013/12/15/cardinal-burke-on-pope-francis-and-church-reform/
    Fiz uma rápida tradução (não revisei):

    Foco excessivo em questões morais?

    Cardinal Burke foi questionado sobre as palavras do Papa Francisco em sua exortação apostólica Evangelii Gaudium, bem como as proferidas alhures, segundo as quais a Igreja deveria focar no essencial e não falar muito de questões como aborto e casamento gay. O cardeal disse:

    “Bem, não é isso que diz a declaração do Papa. Na verdade é um texto que não é inteiramente fácil de se interpretar. Mas a minha resposta é, o que poderia ser mais essencial do que a lei moral natural? … Então, para mim, o Papa não pode estar dizendo, eu não consigo interpretar aquela frase dele, como dizendo que essas coisas não são essenciais. Não estou exatamente certo por que ele mencionou isso. Tem-se a impressão, ou pelo menos a mídia leva a interpretarmos assim, de que ele pensa que estamos falando muito de aborto, muito da integridade do casamento como sendo entre um homem e uma mulher. Mas tudo o que falarmos disso nunca será suficiente!”

    Papa Francisco é claramente contra o aborto. Na Evangelii Gaudium, ele diz no número 214, “não é ‘progressivo’ tentar resolver problemas mediante a eliminação de uma vida humana. Por outro lado, também é verdade que fizemos pouco para adequadamente acompanhar mulheres em situações muito difíceis, nas quais o aborto aparece como solução rápida para suas profundas angústias, especialmente quando a vida que se desenvolve nelas é resultado de estupro ou situações de extrema probreza. Quem pode ficar impassível diante de situações tão dolorosas?”. Mas o Cardeal Burke assume um tom diferente em seus comentários:

    “Em nossa sociedade, vidas humanas inocentes e vulneráveis estão sendo atacadas da forma mais bárbara, quero dizer, é literalmente um massacre dos nascituros… Nunca poderemos falar o suficiente disso, porque se não entendermos isso corretamente, se não entendermos que a vida humana inocente e vulnerável é uma dignidade inviolável, então como entenderemos qualquer outra coisa corretamente em relação ao cuidado dos doentes ou qualquer outra coisa parecida?”

    SE EVANGELII GAUDIUM CONSTITUE ENSINAMENTO PAPAL

    Cardeal Burke minimizou a importância da exortação apostólica recente do Papa Francisco, enfatizando que não deveria ser considerado ensinamento papal.

    “Parece-me que o Santo Padre fez uma afirmação muito clara no começo, dizendo que essas são uma série de reflexões dele, que ele não pretende que elas sejam parte do magistério do Papa… São sugestões, ele as chama de diretrizes… Eu não penso que a intenção era que fossem parte do magistério papal. Pelo menos é a minha impressão.”

    REFORMA DA CÚRIA ROMANA

    O presidente do comitê de cardeais encarregada de reformar a Cúria Romana, Cardeal Oscar Rodriguez Maradiaga, disse que o sistema atual chegou a seu fim e que é tempo de algo diferente. Em uma entrevista com o National Catholic Reporter [N.T. publicação cismática] ele disse que, “Não é só pegar a constituição Pastor Bonus e mudar isso ou aquilo. Não, a constituição acabou. Agora é tempo de algo diferente. Nós precisamos escrever algo diferente.” A Pastor Bonus, de 1988, é a constituição de João Paulo II que trata da Cúria.

    Mas o Cardeal Burke, que não está no comitê de cardeais, tem uma visão diferente das possíveis reformas. Ele disse:

    “Eu não consigo imaginar uma reforma da Cúria Romana que não fosse de alguma forma contínua com Pastor Bonus, a constituição apostólica que regeu a Cúria Romana desde, eu acho, 1988, quando o Beato JPII reformou a Cúria Romana, porque a Igreja é um corpo orgânico… Então eu não consigo imaginar que de algum modo a Cúria Romana vá tomar uma forma completamente diferente. Simplesmente não faz sentido.

    O Cardeal também disse algo surpreendente sobre a Cúria Romana:

    “O serviço da Cúria Romana é parte da própria natureza da Igreja, então isso tem de ser respeitado.”

    Já que a Cúria Romana não exisita nos primeiros séculos da Igreja, teólogos normalmente não a consideram como sendo parte essencial da natureza da Igreja.

    ESTILO DO PAPA

    A EWTN [N.T: rede de TV da entrevista] citou os comentários do Arcebispo Georg Gänswein, que é tanto secretário do Papa Emérito Bento XVI quanto prefeito da residência papal sob o Papa Francisco. Gänswein disse “é uma dureza, encontrar o meu lugar nesse novo papel. Eu tenho essa impressão de que vivo em dois mundos. Espero todo dia por alguma inovação, por algo que será diferente.”

    O Cardeal Burke disse:

    “Existe um tipo de imprevisibilidade sobre a vida em Roma nesses dias. Parece ser uma questão de um certo estilo, e todos os Santos Padres são diferentes. Então é bem diferente do Papa Bento XVI que era, que respeitava muito um certo protocolo, e também uma disciplina de agenda e assim por diante, então tem um elemento “disso”, isso está claro.”

    SUMMORUM PONTIFICUM

    O Cardeal Burke não enxerga como possível que o Papa Francisco venha a alterar a permissão universal de 2007 para utilizar o rito de missa, não reformado, anterior ao Vaticano II, porque essa decisão do Papa Bento XVI é “legislação universal”:

    “Eu não vejo essa possibilidade por uma série de razões. Nº1, é legislação universal, e revertê-la seria algo muito sério por parte do Santo Padre, e ele teria de ter a mais séria das razões. Seguindo, o Papa Francisco não demonstrou qualquer inclinação para mudar qualquer coisa relativamente à celebração da Forma Extraordinária. Ele até fez, na exortação, ele faz um comentário sobre pessoas que estão muito preocupadas com a sagrada liturgia e tal, mas eu não penso que isso possa ser interpretado como uma afirmação negativa em relação à SUMMORUM PONTIFICUM…. Eu mesmo, desde que o Papa Francisco assumiu o ofício, celebrei publicamente Missas solenes na Forma Extraordinária e não recebi nenhum repreensão.”

  2. Ah como queria ver o Cardeal Burke como Papa. Mas só Deus para conceder essa graça.

  3. Onde diz na Exortação que ela não faz parte do Magistério Papal?

    • Prezado Marcus,

      Se por Magistério Papal se entende a Infalibilidade do Romano Pontífice, observe que, na Evangelii Gaudium, número 16, o Papa afirmou:
      “(…) Penso, aliás, que não se deve esperar do magistério papal uma palavra definitiva ou completa sobre todas as questões que dizem respeito à Igreja e ao mundo”.

      No número 17:
      “Aqui escolhi propor algumas directrizes que possam encorajar e orientar, em toda a Igreja, uma nova etapa evangelizadora, cheia de ardor e dinamismo”.

      E no número 18:
      “(…) não o fiz com a intenção de oferecer um tratado, mas só para mostrar a incidência prática destes assuntos na missão actual da Igreja”.

      Já sobre a infalibilidade papal, na Pastor Aeternus, Pio IX proclamou:
      “O Romano Pontífice, quando fala ‘ex cathedra’, isto é, quando no exercício de seu ofício de pastor e mestre de todos os cristãos, em virtude de sua suprema autoridade apostólica, define uma doutrina de fé ou costumes que deve ser sustentada por toda a Igreja, possui, pela assistência divina que lhe foi prometida no bem-aventurado Pedro, aquela infalibilidade da qual o divino Redentor quis que gozasse a sua Igreja na definição da doutrina de fé e costumes. Por isto, ditas definições do Romano Pontífice são em si mesmas, e não pelo consentimento da Igreja, irreformáveis”.

      Parece-me que, optando expressamente por apenas “propor directrizes”, quis o Santo Padre deixar claro que se recusava a revestir o referido documento do caráter de infalibilidade.

    • Marcus Rezende,

      Não se diz exatamente que não se trata de um Magistério Papal, na verdade, o que se diz é:
      “Penso, alias, que não se deve esperar do magistério papal uma palavra definitiva ou completa sobre todas as questões que dizem respeito à Igreja e ao mundo” (EvG.16). Assim, o Bispo de Roma quer mostrar a importância de uma “descentralização”, dando maior autonomia aos episcopados locais.

  4. “Não creio…”, “não sei…”, “é difícil de imaginar…”, “o texto não é inteiramente fácil de se interpretar…”. Um dos frutos do Concílio Vaticano II: a ambiguidade, ou melhor dizendo, o relativismo. Por via das dúvidas, Eminência, siga a parte da Exortação mais condizente com o Ensinamento Perene da Igreja – se é que existe. Valha-nos Deus!

  5. Eminência, não tente compreender a tal Exortação porque ela é essencialmente incompreensível.

  6. Tomara que o Papa Francisco se esqueça da Missa Tridentina. É melhor deixar tudo como está do que piorar as coisas.

    Enquanto isso, Pedro vacila com seus disparates doutrinários, que deveriam permanecer em seu “querido diário” e nem trazidos a público.

  7. Agora eu entendi, muito obrigado!

  8. Os artigos 70, 94, 63, 103, 104, 53, 54, 41, 42, 46, 49 , 87, e os de 247 até 258 ( arts. 247,248,249,250,251,252, 253, 254, 255, 256, 257 e 258 !!!!!!!!) da “EVANGELII GAUDIUM”……………………são tristes……..estranhíssimos!!!!……” mucho estraños”….valha-nos DEUS!

    Não senti n e n h u m a …. “alegria” em lê-los!!! UHHH!…..argh!

    SALVE MARIA!!! SAO JOSÉ, valei-nos! Socoooorro SAO MIGUEL ARCANJO! Vinde ESPIRITO SANTO!

    MARANATHA!

  9. Eu nem perco meu tempo em ler “Reflexões” nem de Papa, nem de Bispo e nem de ninguém. Reflexões são divagações e quando se trata da Doutrina Revelada não tem nada o que refletir: é pegar ou largar.
    O que o Católico tem que refletir é sobre sua vida pessoal, se ela está ou não de acordo com os 10 Mandamentos.
    O que o Católico tem que refletir é sobre seu Exame de Consciência antes da Confissão. O que o padre, Bispo, Papa tem que refletir é se suas idéias e proceder está edificando almas e levando-as pra Deus ou se está colocando em risco sua salvação eterna.
    Quando eu vejo membros da Hierarquia divagando sobre a Doutrina da qual receberam o mandato:

    “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; (Mateus 28:19-20)

    eu só consigo pensar até que ponto chega a soberba do homem em querer subverter não só o mandato como sua ânsia em adulterar a mensagem diluindo-a com suas “reflexões”.

  10. CONCORDO contigo Gercione!

    Todas as noites faço meu EXME DE CONSCIENCIA ( aprendi com o Movimento FOCOLARES!) e como membro do APOSTOLADO da ORAÇAO, eu confesso-me toda a primeira sexta-feira de cada mês, ou…..quando acende uma luzinha vermelha ,em minha consciencia……,e também quando é o primeiro sabado mariano ( sou Consagrada pelo METODO MONFORT!).

    Mas,…gosto, e tenho o costume , de ler os Doumentos da IGREJA! e,…fiquei estarrecida com o que li em alguns artigos da……”EVANGELIII GAUDIUM”!!!! Tristeza pura!!! Argh!

    VEM SENHOR JESUS!!!!….urgente! Vinde renovar a TERRA! Amém! ALELUIA!