O Sangue dos fiéis Católicos jorrará nos santuários.

Um perito no Concílio Vaticano II fala sobre o que realmente aconteceu.

(Nota do Editor: Monsenhor Bandas, durante o Concílio Vaticano II, foi membro de duas comissões, uma sobre dogmas e outro sobre seminários. Ele freqüentou todas as sessões do Concílio, e morreu em 26 de junho de 1969. O editor e fundador do “The Remnant”, Walter L. Matt, que foi um amigo próximo de Mons. Bandas, costumava dizer que, em um sentido muito real, o Vaticano II trouxe a morte precoce deste padre brilhante e santo, que morreu com o coração ferido em virtude do Concílio. Mons. Bandas, depois de seu regresso do Vaticano II, predisse que, antes que tudo isso venha a acabar, “o sangue dos fiéis católicos jorrará nos santuários.” Que as palavras a seguir, inspiradoras e ainda preocupantes do falecido, do grande Mons. Bandas, permaneçam sempre conosco, e que nunca nos esqueçamos desses heróis caídos da antiga fé. O texto que segue é uma reprodução do publicado no The Remnant, 12 de fevereiro de 1968. Michae J.Matt)

Por Monsenhor R. G. Bandas | The Remnant  – Tradução:  Alexandre Semedo de Oliveira – Fratres in Unum.com:  Durante os três anos de Seu ministério público, Nosso Senhor rapidamente alcançou uma imensa popularidade. Enormes multidões O saudavam de todos os lados, seguiam-nO, apertando-O, tanto que, numa ocasião, apenas através de uma abertura no telhado é que um paralítico pôde ser colocado diante de Jesus.

jesus-flageladoO entusiasmo das pessoas atingiu o seu ponto mais alto no Domingo de Ramos, quando as multidões gritavam alegremente: “Hosana ao Filho de Davi, bendito o que vem em nome do Senhor” (Matt.21 : 9). Mas, ninguém imaginaria que, infelizmente, em poucos dias, estes admiradores do Homem-Deus transformar-se-iam em uma multidão hostil, gritando com raiva: “Crucifica-O”.

E quando o Salvador do mundo foi crucificado no Monte Calvário, apenas um pequeno resto permaneceu fiel aos pés da Cruz. Em uma declaração triste, São João nos diz: “Estavam junto à cruz de Jesus, Sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena”. Todos os demais estavam ausentes. E lá embaixo, no vale, podiam-ser ouvir as blasfêmias e os insultos das multidões massificadas.

Quando a Igreja decidiu dramatizar em sua Liturgia Latina este cenário único, bem como profético, ela usou uma linguagem que, apesar de simples, é incomparável em seu pathos: popule meus, quid feci tibi? “Oh, meu povo, o que eu te fiz?” E então, nas chamadas improperia ou “censuras”, Nosso Senhor enumera cada uma as bênçãos que Ele trouxe à humanidade, bênçãos que, infelizmente, foram retribuídas apenas por ingratidão, insultos e até mesmo perseguição.

Dentro das Improperia da liturgia latina, a Igreja colocou sua música mais requintada. Se é verdade que Marguerite, no Fausto de Goeth, desmaiou e tornou-se uma mulher diferente depois de ouvir as tensões penetrantes do Dies Irae, também é verdade que ninguém pode ouvir a música dos Improperia latinos na sexta-feira e continuar a ser a mesma pessoa.

Quase dois mil anos se passaram desde esses eventos memoráveis ​​em Jerusalém. E, hoje a história está se repetindo. Quando, durante os cinco anos em que participei das sessões do Concílio Vaticano II, vi bispos de todas as partes do mundo convergindo para Roma, eu, com grande entusiasmo, muitas vezes disse a mim mesmo: “Vejo a Igreja Católica em todo seu esplendor, equilibrando-se entre a renovação e um crescimento sem precedentes”.

Mal sabia eu, então, que, em poucos anos, as pessoas, antes admiradas, novamente converter-se-iam em um populacho hostil, gritando ferozmente: “Fora com Ele, fora com Sua Mãe, fora com a Sua Igreja, fora com Seus ensinamentos”. Mas a multidão agora é diferente. Não se constitui mais de escribas, de fariseus e de soldados romanos. Não. Agora, ela é composta de ex- freiras, ex-padres , ex- seminaristas, falsos “peritos” e reformadores selvagens.

A cruz do Calvário novamente se agiganta contra um céu de chumbo, e, nela, a Vítima do mundo renova Suas censuras gentis: “Oh, Meu povo, o que eu te fiz? Responda-me.”

“Eu vos dei minhas bênçãos especiais, mas vós, ao invés de vos dirigirem a mim com vossa língua excelente, saudai-Me em mero vernáculo com o título rude e grosseiro “o cara”[1]. E, e muitas vezes aproximam-se de Mim com música mais apropriada à taberna do que ao templo.

“Dei-vos o meu Sacrifício da Cruz para ser renovado diariamente nos altares de vossa Igreja, mas, acatando a sugestão do traidor inglês da Reforma Protestante, o apóstata Arcebispo Cranmer, vós destruís os altares sagrados.”

“No meu amor sem limites, eu quis habitar no meio de vós, no Santíssimo Sacramento, mas vós rejeitais os tabernáculos, convertendo-os em locais de usos profanos e de brinquedos para as crianças, enquanto meus filhos fiéis estão vagando em meus templos vazios, ansiosamente reclamando, como Maria Madalena: ‘levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram.’”

“Eu vos dei a oração das orações: o Cânon Romano da Missa – uma oração que se desenvolveu a partir dos ensinamentos e sofrimentos dos Meus primeiros bispos, os Apóstolos; que foi selada com o sangue de Meus mártires no Coliseu, e que era a consolação dos cristãos nas catacumbas. Hoje, o ímpio diário francês Le Monde sarcasticamente Me provoca: ‘Caiu este último bastião da Vossa Igreja.’”

 “Eu vos pedi que deixasseis as criancinhas virem a mim, porque delas é o reino dos céus. Mas vós as impedis de participar da Missa, dos meus Sacramentos, das celebrações do amor de Meu Sagrado Coração nas primeiras sextas-feiras, e de se simpatizar com Meus sofrimentos através das Estações da Cruz.”

“E junto à cruz, estava sua Sua Mãe ” – São João diz que lá ela estava – e que não desvaneceu ou desmaiou – cheia de coragem, de confiança e de reparação. Ela viu e sabia que estavam fazendo com o seu Filho – o mesmo que hoje estão fazendo para com Ele nas missas hootenanny[2]e botlegged[3] -, mas ela não O deixou. Não! Antes, ofereceu todas estas blasfêmias em reparação a Deus, embora ela pudesse muito bem dizer : ” Todos vós que passais pelo caminho, assisti e vede se há dor semelhante à minha dor.”

Ela é o exemplo e esperança nossa, os degredados filhos de Eva. Quando, há alguns anos os alunos de uma escola secundária católica estavam encenando a Paixão, e, quando finalmente chegou à cena em que Judas, desesperado, estava já fora de si, uma menina na fila da frente virou-se para a mãe e sussurrou: “Por que ele não buscou a Mãe de Jesus?”

Nesta “hora de trevas”, um resto mantém-se vigilante sob a Cruz, resto este que não prosseguirá por muito tempo sendo a Igreja do Silêncio, perseguida e caluniada. Este resto surgirá como o primeiro remanescente; crescerá com velocidade milagrosa e, purificado, tornar-se-á a Igreja. Pois a verdade é poderosa e prevalecerá. “Ainda que andemos no meio da sombra da morte, não temeremos nenhum mal, porque Tu estás conosco”. “E se Deus é por nós, quem será contra nós?”

O Rei da história já está vindo a nosso encontro, através das ondas furiosas, trazendo-nos a mensagem encorajadora: “Não temais, pequeno rebanho, porque aprouve a vosso Pai dar-vos um reino.”

[1] “Fellow”, no original.

[2] Hootenanny é uma celebração típica do sul dos estados Unidos

[3] Botlegged é uma técnica de gravação em que sons e imagens são captados ao vivo.

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12 Comentários to “O Sangue dos fiéis Católicos jorrará nos santuários.”

  1. A parábola dos evangelhos que resume bem esse período da Igreja é a do “Joio e do Trigo”, onde o agricultor cultivou o Trigo, mas veio inimigo e colocou o joio na calada da noite. Isso é o Concílio Vaticano II. Todos os participantes, inicialmente, estavam ortodoxamente e confiantementes alegres com o evento. Isso era o Trigo!

    Veio o inimigo e plantou o Joio e vimos uma Igreja refém dela mesma. Os documentos do Arquivo Secreto do Vaticano, só podem ser abertos depois de 80 anos. Já se passaram 50, faltam 30. No Futuro, a Igreja dará uma palavra definitiva sobre os protagonistas, os vilões e os heróis do Concílio.

  2. Aí está… Para que se despertem todos aqueles que ainda insistem em querer ver algo de bom numa coisa intrinsecamente má.

  3. Magnífico. Chorei.

  4. Farta-me saber que o amigo, já tão distante, Alexandre SemMedo, nunca abandonou as lides!!! Dá-nos, como um presente de regresso e boas-vindas este belíssimo texto cheio de Esperança, a mais teimosa e impertinente das virtudes.
    Como não podia deixar de ser é para enfrentarmos o inimigo, realmente, sem medo, pois não prevalecerá; mas não sem sangue, suor e lágrimas!
    Obrigado, meu amigo, por abastecer os nossos corações, neste tempo de dor e agonia, com o que mais necessitamos: Esperança – Ele ressuscitará!!!

  5. Se em 1.968, Monsenhor Bandas já dizia isso, o que não diria hoje?

  6. Excelente artigo!

  7. “Não temais, pequeno rebanho, porque aprouve a vosso Pai dar-vos um reino.”

    Realmente, ficará somente um PEQUENO REBANHO:

    – Fiel às tradições cristãs,
    – Profecias bíblicas;
    – Aos ensinamentos de Cristo e a doutrina dos Apóstolos.

  8. Caro Marcos,

    Espero que você esteja bem.

    Jamais poderia eu abandonar as lides. Um verdadeiro católico não vive sem lutar. O estado da Igreja neste mundo é de militância e as lutas hão de ser uma constância em nossa vida.

    Lutas externas, defendendo a Igreja de seus inimigos e esforçando-nos por expandir suas fronteiras.

    E lutas internas, para nossa santificação pessoal e (cá entre nós) para manter a fé, especialmente nestes dias de trevas em que a alta hierarquia da Igreja parece ter perdido de vez o juízo.

    Um fortíssimo abraço,

    Alexandre.

  9. A situação dos Católicos Tradicionais diante do lamentável estado em que se encontra a Igreja de Cristo se resume a uma passagem:
    “Ó vós todos que passais pelo caminho, parai e vede se há dor semelhante à minha”.

  10. Sem palavras…é um texto de se compungir o coração sem precedentes!

  11. Quando a internet ainda engatinhava no Brasil Dr. Alexandre Semedo e Marcus Pimenta foram os primeiros católicos a defender a fé virtualmente falando, ajudando muitas pessoas a conhecer e a amar o catolicismo, bem como o Alessandro Lima. Direta ou indiretamente, todos devemos muito a estes três “dinossauros”.

    Apenas tomando carona no comentário feito acima sobre a “perca de juízo” da alta hierarquia (ou seja, mais propriamente perca da fé) entendo que logo-logo não existirá mais partidarismos dentre os católicos, estaremos todos visivelmente na mesma posição, pertencendo ao pequeno rebanho. Neste sentido, Bergoglio é uma benção!

  12. Caríssimo Semedo, a vida é luta neste vale de lágrimas é uma constante: seja contra os inimigos externos, seja conosco mesmo: é pelo Altar que lutamos todos. Entronizar a Cristo na sociedade; entronizar a Cristo nos nossos corações!
    Acho que é a segunda luta a mais difícil no mais das vezes…
    Lutemos, pois, aguerridamente, pelo Império de Cristo nas almas daqueles que mais precisam!!!
    Muito me honra ombrear contigo, grande cavaleiro da Santa Cruz!
    Ao Sandro Pontifex. Agradeço imensamente a lembrança daquelas lutas. Trazem boas memórias de um tempo que já se foi e que muito prometia, mas que findou… Essas suas palavras fazem valer a pena revisitar o passado e saber que não foi um tempo desperdiçado: foram frutuosas sementes lançadas no espaço virtual que germinaram de verdade nas mentes e corações das pessoas, e que se tornaram frondosos ramos enxertados na Videira!
    Saudações jurássicas;
    MMLP