Reforma da Cúria encontra cada vez mais resistências.

IHU – O Papa Francisco reuniu entre os dias 28 a 30 de abril o seu “C8″, os oito cardeais que o aconselham para a reforma da Cúria Romana. Responsáveis dentro da administração vaticana tentam frear a reorganização em curso. As iniciativas do novo papa não encontram unanimidade, mas a sua popularidade e a sua determinação dificultam qualquer resistência real.

A reportagem é de Sébastien Maillard, publicada no jornal La Croix, 29-04-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Os rumores correm desde o início do novo pontificado. A Cúria Romana freia as reformas iniciadas pelo Papa Francisco. O último exemplo disso veio na sessão de trabalho do “C8″, o conselho de oito cardeais externos à Curia do qual o papa jesuíta se cercou expressamente para reformar o governo da Santa Sé.

Em pauta – e certamente assim será também na próxima sessão no início de julho – está inscrita a racionalização dos 12 Pontifícios Conselhos, os dicastérios (equivalentes a pequenos ministérios) que, com nove congregações (para aDoutrina da Fé, as Causas dos Santos, o Culto Divino etc.) constituem a Cúria.

O elevado número de tais conselhos, o intrincamento das suas áreas de competência e a sua falta de coordenação foram destacados, particularmente durante os debates que antecederam o último conclave. Por exemplo, aqueles que tratam de questões sociais, como a saúde, os migrantes, o “Cor unum” (que trabalha contra a pobreza) e o “Justiça e Paz”, poderiam se fundir. Ou ao menos ser unidos em um único polo, com um coordenador.

Mas, na prática, nenhum chefe de dicastério deseja ver desaparecer o seu próprio ente. “O nosso presidente toma todas as iniciativas possíveis para se mostrar absolutamente necessário”, observa, sorrindo, um prelado que trabalha em um Pontifício Conselho. Um zelo para melhor resistir à diminuição das estruturas romanas desejada pelo Papa Francisco.

Outros se voltam diretamente para as pessoas próximas ao novo papa para defender a sua administração. Por exemplo, o cardeal Fernando Filoni, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, que falou com o cardealOscar Maradiaga, coordenador do “C8″, durante a última sessão, para tentar manter prerrogativas financeiras no seu dicastério.

A reunificação destas últimas dentro de um novo “Secretariado para a Economia” provocou intervenções na direção contrária por parte da Secretaria de Estado, onipotente com o Papa Bento XVI. De acordo com diversas fontes, o secretário de Estado da Santa Sé, o cardeal Pietro Parolin, tem sido pressionado pela sua equipe para tentar, em vão, não perder o controle das finanças em benefício do novo secretário para a economia, o cardeal australiano George Pell.

Mas a resistência na Cúria não se concentra só na reforma da qual ela é objeto. Visa também ao próprio Papa Francisco, cujo estilo e cujos modos não encontram unanimidade. “Criticar o papa não é algo que se costuma fazer quando se trabalha na Santa Sé”, observa uma fonte entre os colaboradores.

Por exemplo, toda a semana de retiro em silêncio no início da Quaresma, imposta fora de Roma pelo papa, não convenceu todos os presentes. Até então, eles estavam bastante acostumados a se contentar com um breve período espiritual dentro da sua agenda de trabalho.

Para além dessas iniciativas, as críticas internas ao novo papa também dizem respeito a assuntos de fundo. E não só dentro da Cúria. O consistório extraordinário sobre a família convocado para o fim de fevereiro passado pelo papa mostrou isso claramente. A divisão dos cardeais, que lá discutiram principalmente sobre o problema do acesso aos sacramentos dos divorciados em segunda união, mostra a sua hesitação antes de seguir o papa no caminho de uma evolução nessa matéria.

“Os bispos se irritam ao ver a sua autoridade posta em discussão, contestada, porque se opõe a eles o que o papa diz”, é o que Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio, ouve dos seus contatos: “Para eles,Francisco tira a verticalidade da Igreja”.

“Muitos dos altos prelados da Cúria eram intocáveis”, acrescenta o padre Jean-Paul Muller, tesoureiro-geral dos salesianos: “Vendo esse papa tão próximo e acessível das pessoas, eles se assustam, porque entendem que já não são mais intocáveis, que ele vai questioná-los, que vai lhes pedir contas”.

“Se o conclave fosse refeito, ele não seria mais reeleito”, afirma um cardeal eleitor da Cúria, que participou do último conclave. Mas não é apenas nos mais altos escalões da Igreja que há pessoas que aceitam a mudança de má vontade. Os empregados do Vaticano também se preocupam. Chegou a hora do rigor, agora que o verdadeiro estado das finanças foi exposto claramente depois das auditorias externas dos grandes escritórios internacionais.

Desde fevereiro, as novas contratações estão bloqueadas, as horas extras não são mais pagas, e foi introduzida a obrigação de “bater o cartão”. A progressão na carreira não parece estar mais garantida como antes. Daí se percebe um clima social que une o descontentamento com a tradição de lealdade em relação ao pontífice.

Nesse ambiente, o Papa Francisco, ao invés, continua, lenta mas seguramente. “Ele não se precipita em nada. Prorrogou os cargos de muitas pessoas. De longe, a impressão que se tem é de que tudo continua sendo um pouco vago, mas isso é estratégico para o seu sucesso. Ele está convencido do fundamento das reformas e sente desde a sua eleição uma expectativa por parte do restante da Igreja a esse respeito”, garante Michel Roy, secretário-geral daCáritas.

“Tornou-se muito difícil resistir a esse papa”, afirma o padre Muller, porque, se Bento XVI estava sozinho, Franciscotem o povo do seu lado, e essa é a sua força”.

18 Comentários to “Reforma da Cúria encontra cada vez mais resistências.”

  1. Pelo que eu entendi, tudo bem resistir a Bento XVI, pois ele estava sozinho. Agora não dá para resistir a Francisco porque ele tem os meios de comunicação e o povo a seu favor. Está sendo levado a cabo as profecias de Akita: “bispo se oporá a bispo, cardeal se oporá a cardeal”. Isso desde o Vaticano II até os dias de hoje. Temo que muitas coisas ruins podem vir a acontecer por causa desse vindouro Sínodo.

  2. É o mesmo esquema Obama: coloque a mídia e o povo fanatizado no bolso e pode descer o martelo nos descontentes. Enfim, a mesma estratégia dos esquerdistas no mundo inteiro: crie um líder carismático, blinde-o contra toda crítica, associe-o com as políticas da Nova Ordem Mundial que tem amplo respaldo popular e assim vai se criando o consenso e preparando o terreno para um Governo Mundial.
    Estão descontentes agora? Acharam que seus cargos e sua indolência seriam recompensados quando venderam seus votos por um prato de lentilha? Bergoglio é perigoso!! O artigo acertou na mosca:

    “Ele não se precipita em nada. Prorrogou os cargos de muitas pessoas. De longe, a impressão que se tem é de que tudo continua sendo um pouco vago, mas isso é estratégico para o seu sucesso.”

    Só cego não vê isso! O blogger Orlando Braga está certíssimo em sua análise quando fala dessa estratégia bergogliana:

    “O discurso deste Papa é perigoso porque ele inventa problemas onde não existem problemas; ele tem uma necessidade compulsiva de criar problemas para depois os “resolver” através da alienação da ética cristã mas, alegadamente, essa alienação é justificada e invocada em nome do Cristianismo.

    Essa criação artificial de problemas é feita pelo Bergoglio através da chamada “falácia do espantalho”, quando, por exemplo, ele se refere aos clérigos (a tal “preocupação exagerada pela liturgia”, que o Bergoglio refere sistematicamente) como não sendo compatíveis com a vida das pessoas. O argumento do Bergoglio é non sequitur: não se segue que “a preocupação com a liturgia” signifique que o clero se afaste necessariamente da vida das pessoas.

    Outro exemplo da falácia do espantalho por parte do Bergoglio é quando ele diz que “os sacramentos da Igreja Católica devem estar disponíveis para todos”, e que “as portas da Igreja devem estar abertas” — mais uma vez, ele cria um problema (falácia do espantalho) que não existe, porque se existe hoje, na nossa sociedade, uma instituição com as portas abertas, é a Igreja Católica.

    E quem se queixa da Igreja Católica das “portas fechadas”? Os homossexuais, as feministas, os divorciados, os sexualmente promíscuos, e as pessoas de outras religiões. São estes a quem o Bergoglio quer estender os sacramentos.

    Por exemplo, e por um lado, o Papa exalta o valor do casamento; mas, por outro lado, exalta a alienação do valor do casamento através da aceitação dos divorciados na Eucaristia. Este Papa defende sistematicamente uma coisa e o seu contrário. É nisto que ele é luciferino. Através de uma postura de uma alegada “abertura ao mundo”, ele mascara uma hostilidade profunda em relação à tradição católica.

    As ideias do cardeal Bergoglio, expressas no luciferino texto Evangelii Gaudium, segundo as quais “a Igreja Católica é, em primeiro lugar, para os pobres”; que “a Igreja Católica é culpada de excessivo clericalismo”; que “a autoridade da Igreja deve ser descentralizada” — à maneira protestante — e “a autoridade do Papa diminuída”; que “a tradição e o esplendor monarquista da Igreja Católica é imoral”; que “a Igreja Católica desprezou a mulher”; que “o capitalismo é, em si mesmo, mau e que o secularismo pode corrigir a maldade do capitalismo”; que o Islamismo é uma religião tão boa quanto o catolicismo — tudo isto é pura Teologia da Libertação.

    O ataque do Bergoglio à liturgia católica é sistemática e permanente. Ele quer uma Igreja de acção política mediante a transformação do catolicismo em uma espécie de religião política — a alusão da “Igreja das ruas” (a por ele invocada “teia das obsessões e procedimentos”) e contra “a Igreja das igrejas”.

    Quando o Bergoglio ataca o capitalismo e a desigualdade natural entre os homens, considerando-os, em si mesmos, como um Mal, ele confunde capitalismo e a desigualdade natural, por um lado, com neoliberalismo, por outro lado. Mas essa “confusão” do Bergoglio é propositada e intencional.

  3. Essas pessoas que idolatram tanto a figura de Bergoglio poderiam dar uma olhada na situação da Arquidiocese de Buenos Aires, às vésperas de sua eleição…seminário quase vazio, desestímulo vocacional, os padres rezando pela sua breve aposentadoria e a Santa Missa Tradicional perseguida. Por sua vez, o arcebispo adorava ficar passeando de metrô e lavando a própria roupa, para externar humildade e, aos domingos, visitando ex-bispos casados e suas esposas…Quem não conseguiu dar pujança à vida eclesial de uma arquidiocese irá fazê-lo em relação à Igreja Universal?

  4. “Tornou-se muito difícil resistir a esse papa”, afirma o padre Muller, porque, se Bento XVI estava sozinho, Francisco tem o povo do seu lado, e essa é a sua força”.

    E eu digo: “A voz do povo é a voz do DIABO!”

  5. Não há nada de anormal em fazer certos tipos de reformas. O próprio Papa Pio X fez uma grande reforma na cúria, para principalmente tentar acabar com algumas anomalias de autoridade e competência. Um exemplo: havia uma Sagrada Congregação para Indulgências e Relíquias com o seu cardeal prefeito, mas quem devia assinar os documentos de autenticidade das relíquias era o cardeal Vigário Geral de Roma. Então pra que servia a congregação? Pio X passou então suas competências para a Sagrada Congregação dos Ritos. Essa é só uma das anomalias que havia.
    Hoje ainda é possível observar esse tipo de coisa. Ex: criaram uma Secretaria para a Economia mas não desativaram a Prefeitura de Assuntos Econômicos da Santa Sé, sem contar outros organismos relacionados à assuntos econômicos que parecem ter competências muito semelhantes entre si.
    Se o objetivo do Papa Francisco for corrigir esse tipo de coisa não há mal algum, pelo contrário, faz parte do desenvolvimento da Santa Igreja de Cristo.

  6. FRATRES:
    Quais as novidades da “reforma da Cúria-espúria”?
    Nenhuma!
    Afinal, são “tutti buona gente!”

  7. Para conhecer Bergoglio.
    Perfil do Cardeal segundo a análise de um argentino.
    MONS. BERGOGLIO DESENMASCARADO, por Antonio Caponnetto y un comentario.

    http://www.labotellaalmar.com/vercorreo_lector.php?id=3130

  8. “se o conclave fosse refeito, o papa não seria reeleito” isso é muito importante, para entender os mecanismos da ultima eleição papal

  9. Multiplicação de órgãos e comissões, controle processual de atividades, controle de entrada e saída com máquina de bater cartão. Em resumo, o Vaticano se transformou em uma Organização Estatal Burocrática bem ao gosto da CNBB.

    • Na verdade, o Vaticano parece estar combinando os piores aspectos da burocracia estatal (multiplicação de órgãos e comissões, bem ao gosto da CNB do B) com os piores aspectos da gestão corporativa privada (não pagamento de horas extras).

  10. Graças a Deus ainda há resistência….

  11. Agora estão arrependidos de ter eleito ele, agora é tarde! E pelo que eu sei a saúde dele é de ferro e não tem perfil que renunciará por conta de doença ou idade avançada.

  12. “Se o Conclave fosse feito hoje, ele não seria re-eleito”.
    Ora, num primeiro momento, fico pensando, por que os senhores Cardeias não deram votos a quem fosse mais fiel à Doutrina então? Eram eles inocentes tais como criancinhas? Aí num segundo momento, me pergunto, mas por quê? Por qual o motivo dizem isso agora? O motivo é que o Santo Padre não é fiel ao Magistério da Santa e ÚNICA Igreja ou pelo fato dele ter cortado benefícios e carreirismo? Ora, que impasse…Entre os Cardeais revoltosos “sem causa” e o Papa, fico com o segundo, pois ao menos este tem opinião formada.

  13. GERCIONE! Buon giorno! Come stai?…. bene? DIO te benedica! Que le BON DIEU te bénisse toujours!
    Of course! yes!

    Sempre admirei teus escritos….! Mas este aqui,………..?????…!!!!! Hum?…….????????????????…!!!

    Você tem c e r t e z a ,….. mesmo ,…..do que escreveu?….Achei estranho chamares o Papa de….”luciferino”….
    Será que não exageras demais?…….! Cuidado…….!

    Não se zangue comigo! sei que és inteligentissima e culta; exatamente, por isso te envio essas perguntinhas…….
    Deus te abençôe muiito! Amém!
    PAZ e BEM!

  14. Que tal a gente rezar nas intenções do Santo padre o papa Francisco, de modo a vencer as suas dificuldades e aflições tanto internas (divisão na igreja) como externas, como a revelada abaixo:

    http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/papa-chorou-ao-saber-sobre-cristaos-crucificados-na-siria

  15. O Santo Padre é ambivalente. Ou morno, se utilizarmos linguagem bíblica. Numa hora ele era colaborador da ditadura argentina. Na outra é marxista, como disseram alguns caras do Fox News, republicana que só. No fundo, Papa Francisco é bem próximo do predecessor Paulo VI, que também era bastante diplomático, acenando para todas as correntes, sejam progressistas ou conservadoras. Diplomático até demais. Se Paulo VI barrou diversas reformas (ou seriam deformas?) do Vaticano II, foi ele o responsável pela reforma litúrgica da Igreja, com a introdução do vernáculo na liturgia.

    Na quarta-feira passada o cardeal Raymundo Damasceno disse na missa de abertura da assembleia-geral da CNBB que a Igreja manterá sua opção preferencial pelos pobres, que são o tema preferido dos discursos do Papa Francisco. E na mesma quarta-feira o Papa nomeou um padre da Opus Dei para ser bispo auxiliar de São Paulo: Carlos Lema Garcia.

    Papa Francisco está mais próximo de Paulo VI do que de São João XXIII, que dizem ser o grande inspirador do papa argentino.

  16. Vale lembrar que o suposto fato de o então padre Bergoglio ter colaborado com a ditadura argentina é alegado por alguns detratores conterrâneos. Inclusive por aliados daquela presidenta incompetenta que foi direto para o Vaticano tomar mate com o Papa Francisco horas depois do conclave de 2013. A suposição dos detratores não é algo que eu subscreva.

  17. Mariana, leia novamente aquela parte do texto. Eu postei a análise do blogger Orlando Braga e concordo que ele está certíssimo em sua descrição da estratégia bergogliana.
    Quando ele fala que essa estratégia é “luciferina”, ele se baseia nas palavras do próprio Jesus Cristo que disse:

    “Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não'; o que passar disso vem do Maligno … ( Mateus 5:37)

    Ora, só cego não vê que quando se trata de divorciados adúlteros, sodomitas, aborto, eutanásia, etc., o Papa Bergoglio sempre adota uma posição ambígua que já se tornou sua marca registrada: por um lado, diz que é um erro querer resolver o problema da família através da casuística (dizendo que a casuística é o método dos fariseus), mas, por outro lado, serve-se da sua crítica à casuística para implicitamente minar o valor das Sagradas Escrituras (seja o que diz Novo Testamento, seja as epístolas de S. Paulo) como sendo o fundamento ético da Doutrina da Igreja Católica:

    http://pt.radiovaticana.va/news/2014/02/28/a_armadilha_da_casu%C3%ADstica_–_o_papa_falou_sobre_o_amor_matrimonial_na/por-777308

    Quer outro exemplo de discurso luciferino? Basta você comparar o Mandato de Jesus aos Apóstolos:

    “Foi-me dado todo o Poder no Céu e na Terra. Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E eis que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” — S. Mateus, 28, 18-20

    com o que disse esse Papa na famosa entrevista ao jornalista ateu Eugenio Scalfari:

    “O proselitismo é um absurdo solene, não faz sentido.”

    Se pra ele, “fazer discípulos para Jesus em meio de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo que Jesus mandou” é um absurdo solene, que não faz sentido” porque vai ofender Judeus, Muçulmanos etc, por que mesmo ele se tornou padre, Bispo, Cardeal e agora Papa? O discípulo não é maior do que o Senhor. Se fazer discípulos pra Jesus é um absurdo solene, do que se trata mesmo essa “nova evangelização” do Vaticano II ?
    A contradição mais contundente é que pra ele, qualquer um tem direito aos Sacramentos da Igreja, qualquer um pode ser batizado: até filhos de lésbicas ou mães solteiras. Mas quando se trata de obrigá-los como compromisso batismal a cumprir tudo o que Jesus mandou, aí já não pode porque isso é o método dos fariseus.
    Bergoglio está reduzindo o Papado a um bispado quando faz questão de se apresentar apenas como BISPO DE ROMA: o seu estilo e comportamento estão levando à dissolução do papado na sua estrutura formal. E, do ponto de vista do conteúdo da mensagem do cardeal Bergoglio, os erros filosóficos e teológicos objetivos são gritantes e auto-evidentes. A única garantia que temos é que o Espírito Santo não permite que essas asneiras sejam proclamadas ex-cathedra!
    Enquanto ele diz aos jornalistas que 300 imigrantes africanos que morrem tentando ingressar ilegalmente na Itália são uma desgraça, não tem coragem de dizer que é uma desgraça maior o fato de 300 crianças serem abortadas diariamente só nos hospitais da Itália. Pra Bergoglio, a Igreja não pode ficar “obsecada” com temas como aborto. Ora, até nisso ele consegue contradizer o Papa que ele mesmo canonizou impondo-o como modelo a ser seguido!
    João Paulo II uma vez concedeu uma entrevista ao jornalista Vittorio Messori, que lhe perguntou se ele não seria porventura «obsessivo» na sua pregação contra o aborto. O Santo Padre retorquiu-lhe:

    «A legalização da terminação da gravidez é apenas a autorização dada a um adulto, com a aprovação de uma lei estabelecida, de tirar a vida de crianças ainda não nascidas e por isso incapazes de se defenderem. É difícil conceber uma situação mais injusta, e é muito difícil falar de obsessão nesta matéria, pois trata-se de um imperativo fundamental de toda a consciência reta – a defesa do direito à vida de um ser humano inocente e indefeso».
    ( João Paulo II em Atravessando o Limiar da Esperança, 1994, livro-entrevista baseado nas perguntas de Vittorio Messori)

    Pra piorar temos a novidade de dois Papas na Igreja, sendo que Bergoglio em tudo contradiz Ratzinger e assim vão fazendo jus ao ditado português: “com papas e bolos se engana os tolos”.