Duro ataque do Cardeal Müller a grupo de religiosas americanas investigado pela Santa Sé.

Apesar de toda “caridade” (leniência cúmplice) do responsável pelos religiosos, Cardeal Braz de Avis, com sua lenga-lenga dialogante, o Prefeito do Antigo Santo Ofício não se omite. Sinais dos tempos: na Cúria de Francisco, até Müller ganha destaque por defender a Fé…

Congregação vaticana questiona religiosas americanas por não cooperarem

IHU – O responsável doutrinário do Vaticano acusou as líderes religiosas dos EUA de não cumprirem a agenda de reformas que a Santa Sé impôs à Conferência de Liderança das Religiosas (Leadership Conference of Women Religious – LCWR, em inglês) após uma avaliação doutrinária.

Religiosas do LCWR.

Religiosas da LCWR.

A reportagem é de Dennis Coday, publicada por National Catholic Reporter, 05-05-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, disse à articulação das religiosas que seus membros estavam ignorando os procedimentos para a escolha dos palestrantes tendo em vista a conferência anual a ocorrer em agosto, e questionou se os programas destas irmãs não estariam incentivando a heresia.

Usando a linguagem mais direta e de confronto desde que o Vaticano começou a controlar, há dois anos, a LCWR,Müller disse às organizadoras da conferência que elas devem ter seus programas aprovados por um supervisor nomeado pelo Vaticano antes que as agendas e os palestrantes sejam finalizados.

Müller também disse às religiosas que as escolhas que elas fizerem em relação aos palestrantes e aos materiais impressos que serão disponibilizados aos demais membros das ordens religiosas o fizeram se questionar sobre se a LCWR tem a “capacidade de verdadeiramente ‘sentire cum Ecclesia (sentir com a Igreja)”.

“Esta preocupação é ainda mais pertinente do que a crítica da Avaliação Doutrinal feita à LCWR de não fornecer um contraponto durante as apresentações e assembleias, quando os palestrantes divergem do ensinamento da Igreja”, afirmou Müller. “A Avaliação Doutrinal preocupa-se com os erros positivos da doutrina vistos à luz da responsabilidade da LCWR em apoiar uma visão de vida religiosa em harmonia com a da Igreja e em promover uma base doutrinária sólida para a vida religiosa”.

Uma cópia do discurso de Müller às lideranças da LCWR foi disponibilizada no site do Vaticano (1). O texto tem data de 30 de abril, quando o grupo das irmãs estava em Roma realizando sua visita anual ao Vaticano.

O encontro do dia 30 de abril no Vaticano incluiu as lideranças da LCWR (as irmãs Carol Zinn, Florence Deacon,Sharon Holland, Janet Mock, diretora executiva da LCWR), Müller e funcionários da Congregação para a Doutrina da Fé, além do arcebispo de Seattle J. Peter Sartain, o delegado nomeado pelo Vaticano para participar da LCWR.

Um comunicado publicado segunda-feira pela LCWR disse que as observações de Müller “refletem com precisão o conteúdo das diretrizes enviadas à LCWR em abril de 2012. Como dito pelo cardeal na ocasião, estas observações foram feitas no intuito de estabelecer um contexto para o debate que daí se seguiu”. O debate que ocorreu posteriormente, lê-se no comunicado da LCWR, “foi uma experiência de diálogo, respeitoso e envolvente”.

A porta-voz da LWCR disse, na segunda-feira ao National Catholic Reporter, que a organização não iria conceder entrevistas.

Müller contestou, especificamente, as líderes da LCWR por decidirem dar o seu Prêmio Liderança de Destaque 2014 “à teóloga criticada pelos bispos dos Estados Unidos por causa da gravidade dos erros doutrinários presentes nos escritos de tal teóloga”. Embora não chegue a citar o nome, Müller está se referindo à Irmã Elizabeth Johnson, teóloga da Universidade de Fordham.

“Esta é uma decisão que irá ser vista como uma outra provocação aberta contra a Santa Sé e a Avaliação Doutrinal”, disse Müller. “Além do mais, afasta a LCWR dos bispos”.

A sua crítica mais severa, no entanto, estava reservada à promoção – pela LCWR em suas assembleias e em seus materiais impressos – da “evolução consciente”, o que Müller comparou com o gnosticismo, termo que descreve várias seitas surgidas no século II as quais exaltavam o conhecimento arcano, misturando crenças cristãs com especulações e teorias pagãs. “Gnosis” é a palavra grega para conhecimento.

Por repetidas vezes, temos visto na história da Igreja os resultados trágicos decorrentes do partilhar deste fruto amargo”, Müller acrescentou. “A evolução consciente não oferece nada que vá nutrir a vida religiosa como um testemunho privilegiado e profético enraizado em Cristo, que revela o amor divino a um mundo ferido”.

Há dois anos, uma das palestrantes principais da conferência anual da LCWR foi a destacada pensadora da evolução consciente Barbara Marx Hubbard. Desde esta ocasião, disse Müller, “todos os artigos presentes em seus informativos, newsletters, discutem evolução consciente de alguma forma. Temos também visto alguns institutos religiosos modificarem seus textos orientadores para incorporar conceitos e termos da evolução consciente”.

“Novamente, peço desculpas se acaso isso parece franco demais, porém o que eu devo dizer é muito importante para ficar escolhendo melhores formas de linguagem”, disse Müller num dos vários pedidos de desculpas pela linguagem franca empregada. “As teses fundamentais da evolução consciente se opõem à Revelação cristã”.

Em abril de 2012, o Vaticano nomeou o arcebispo de Seattle, Dom J. Peter Sartain, como o “arcebispo delegado” da LCWR e lhe deu autoridade para revisar seus estatutos e programas. No comunicado de Müller, lê-se que esta nomeação foi criticada como uma “interferência pesada nas atividades do dia a dia da LCWR. De seu ponto de vista, a Santa Sé não compreenderia esta atitude como uma ‘sanção’, mas sim como um lugar de diálogo e discernimento”.

Que a LCWR não discutisse com Sartain a premiação de liderança destaque 2014 “é, de fato, lamentável e demonstra claramente a necessidade de provisão de que os palestrantes e apresentadores dos programas principais estarão sujeitos à aprovação do delegado.

“Devo, pois, informá-las de que esta provisão deve ser considerada em vigor. (…) Após a assembleia de agosto, há uma expectativa da Santa Sé de que J. Peter Sartain tenha um papel ativo nos debates sobre os palestrantes convidados e nas premiações”, disse Müller.

Müller concluiu com este aviso: “Nesta fase de implementação da Avaliação Doutrinal, estamos em busca de uma expressão mais clara daquela visão eclesial e daqueles sinais mais substantivos de colaboração”.

Nota da IHU On-Line:

1.- Para ler na íntegra o texto do cardeal G. Müller, intitulado “Meeting of the Superiors of the Congregation for the Doctrine of the Faith with the Presidency of the Leadership Conference of Women Religious (LCWR)”, clique aqui.

12 Comentários to “Duro ataque do Cardeal Müller a grupo de religiosas americanas investigado pela Santa Sé.”

  1. Seria bom que Dom Muller e outros prefeitos questionassem os impressos e materiais de catequese oficiais da CNBB. Garanto que muitas heresias ali seriam encontradas. As crianças não devem, acaso, também “sentir com a Igreja”?

    • Perfeito Julio !!! Tem barbaridadea ali!!!

    • Quem ainda tem medo da CDF? Acho que só os tradicionalistas.

      O Cardeal Kasper certamente não tem. Mal as palavras de Muller tornaram-se conhecidas, o teólogo preferido do Papa Francisco já retrucou:

      “Asked about Johnson and another feminist theologian, Elisabeth Schussler Fiorenza, whose views have also been disputed by the hierarchy, Kasper said that he has known them both for years and added: “I esteem them both. (…) Kasper also praised an American feminist theologian, Sister Elizabeth Johnson, who is scheduled to be honored by the U.S. sisters and whom Mueller singled out for criticism.”

      http://www.religionnews.com/2014/05/06/cardinal-kasper-popes-theologian-downplays-vatican-blast-u-s-nuns/

      Se o Cardeal Muller fosse tão duro com as freiras feministas como D. Aviz está sendo com os FFI, talvez houvesse possibilidade real de melhora. Do jeito como está, parece mais aquela música antiga: Caramelos, bombons, chocolates e parole, parole, parole…

  2. A foto retrata religiosas ou solteironas do Femen?

  3. Não esqueçamos de tomar cuidado ao denominar qualquer pecado de insubordinação à Doutrina de heresia. Não é bem assim que a banda toca. NÃO ESTOU DEFENDENDO nenhum puxa-saco do CVII, mas não banalizemos o conceito de heresia, que é bem mais estrito e compreende um tipo de doença espiritual bem particular.

    Proponho que revejam essa aula do Pe. Paulo Ricardo:

  4. O comportamento delas é insubordinação. O que defendem é gnóstico. E o Gnosticismo é heresia. É a isso a que se refere Dom Müller.

  5. O Vaticano não fez com elas que deveria mudar o nome para “franciscanas do papa francisco”, nem 1% do que estão fazendo com os Franciscanos da Imaculada, que diga-se de passagem nada fizeram algo que contrarie a Fé Romana.

  6. Bento XVI sabia o que estava fazendo quando colocou Muller no cargo onde por tantos anos ele defendeu a fé católica.

  7. Em outros tempos essas “freiras” não passariam da porta de um convento…hoje tem seu lugar. Na Igreja dialogal tudo tem lugar menos a Tradição. São os estertores históricos da Igreja: ela sobreviverá mas ns catacumbas.

  8. Lésbicas e feministas viraram sinônimo e pra formar a sacrílega trindade, junte aí “freiras modernistas”.
    Comecei a ler o livro “Chutando o Hábito” da ativista lésbica e ex-freira Jeanne Cordova que joga uma luz no que se transformaram os conventos e ordens femininas americanas depois do Concílio:

    Calma lá gente! O livro não é nenhuma obra “pornô/gay” cheio de literatura erótica…rs
    Estava meio reticente porque gente que milita por essa causa geralmente é obscena, mas pra minha surpresa ela relata o itinerário de sua vida de postulante das Freiras do Instituto do Imaculado Coração para a vida de ativista do Movimento Homossexual.
    O livro nos faz mergulhar no que era o ambiente, a atmosfera dentro de uma comunidade religiosa antes da tempestade do Vaticano II e o que se tornou depois.
    Me chamou atenção em especial, o capítulo 10 dedicado a João XXX intitulado: ” Como o Papa destruiu a minha vida”. Ela começa assim esse capítulo:

    Eu estou certa de que Catolicismo é genético. Eles dizem que você o adquire no Batismo, mas eu suspeito que em algum lugar existe um cromossoma Católico escondido. A Santa Igreja Católica, Apostólica e Romana parecia eterna. Nada havia mudado na Igreja desde que eu nasci e eu tinha certeza que nada mudaria, especialmente aqui no meu convento em Montecito.
    Mas era o ano 1966, a era de Aquário e ninguém parecia saber direito em que planeta estávamos. Os Estados Unidos estava envolvido numa guerra obscura num certo país que ninguém conseguia pronunciar direito o nome. Estudantes de uma universidade californiana chamada Berkeley estavam usando drogas pesadas, fazendo demonstrações e se tornando promíscuos. Eles chamavam isso de “revolução”. O presidente Johnson não conseguia convencer como substituto de Kennedy e em Roma, até o Papa estava proclamando que “as sandálias do Pescador precisavam de um solado novo”.

    A partir daí ela começa descrever como tudo mudou na disciplina do convento, a eliminação do latim, da obrigatoriedade de assistir missa todos os dias, as freiras foram empurradas a se misturar com o povo, a serem ativas, palestrantes heréticos tinham acesso ao Convento, o ecumenismo com os protestantes…etc.
    No final ela descreve sua abertura ao lesbianismo com um diálogo que ela teve com outra ex-freira ainda quando estavam no convento onde a parceira de promiscuidade desabafava seu drama de consciência:
    _ Jeanne você deveria dizer ao Papa e não há mim. Vá até ele e diga : “Santo Padre, Vossa Santidade deveria reavaliar sua posição infalível no tocante à blasfêmia do homossexualismo”.
    Ao que ela responde:
    _ Não seria má idéia, pois não é a primeira vez que a Igreja Católica está totalmente errada. Espere pois no próximo século eles mudarão suas idéias sobre anticoncepção. [...] Eles mudaram tudo, pra mim o latim era tão imutável como o Papado. Era parte do meu nome. A Igreja Católica sobreviveu a séculos de perseguição e se tornou a religião de seus perseguidores em Roma. A Igreja reinou suprema na Europa desde as Cruzadas à Revolução Industrial. E o latim de Julius Cesar se tornou a voz do mundo civilizado. Todos os doutores da Igreja escreveram suas obras em latim. E todas aquelas horas praticando canto gregoriano? De repente como eu iria aprender a rezar em inglês?

    Resumo da ópera, se a Igreja podia mudar no que era tido como mais sagrado e imutável como não poderia mudar no tocante aos relacionamentos humanos? Que o diga o Cardeal Kasper!!
    O que antes era o Convento da Imaculado Coração de Maria, hoje se tornou “La Casa de Maria Centro de Retiros” que abriga retiros até pra seguidores da New Age. O Convento perdeu seu status canônico e as irmãs se dispersaram. Algumas se tornaram vozes do Movimento Feminista, Gay e New Age. Outras se casaram com padres que também chutaram a batina e as que ainda continuaram como “freiras” se tornaram ativistas dentro da própria Igreja pra mudar totalmente a Instituição. Se tornaram esse exemplo triste que o Cardeal Muller está tentando em vão disciplinar, pois foram eles mesmo é que criaram os corvos.