Dom Fellay (FSSPX) fala sobre o Papa Francisco: “Ele leu duas vezes a biografia do Arcebispo Lefebvre – e gostou.” E outras importantes revelações.

Por Rorate-Caeli| Tradução: Fratres in Unum.com* – Em visita à cidade francesa de Fabregues no dia 11 de maio (dia seguinte a esta postagem), o Superior Geral da Sociedade de São Pio X, Bispo Bernard Fellay, falou detalhadamente sobre diversos assuntos de relevância para a Fraternidade. A parte mais importante foi a relacionada à pessoa do Papa Francisco:

Marcel Lefebvre, the biography - Mons. Bernard T. de Mallerais

Marcel Lefebvre, the biography – Mons. Bernard T. de Mallerais

O papa atual, por ser um homem prático, olha as pessoas. O que uma pessoa pensa, em que acredita, é, no fim das contas, indiferente para ele. O que importa é que esta pessoa seja compreensiva de acordo com sua visão, ou, pode-se dizer, que pareça correto para ele.

Por essa razão, ele leu duas vezes o livro do Bispo Tissier de Mallerais sobre o Arcebispo Lefebvre, cujo conteúdo o agradou; ele é contrário a tudo o que representamos, mas sua vida, isso o agradou. Quando, enquanto Cardeal, ele estava na América do Sul, o Superior do Distrito [Pe. Christian Bouchacourt] veio solicitá-lo por causa de um favor de ordem administrativa, sem relação com a Igreja; um problema de visto, de residência permanente. O governo argentino, que é muito esquerdista, se vale do acordo estabelecido para proteger a Igreja, com a finalidade de contrariar-nos de maneira bastante séria, e nos diz, “vocês dizem ser católicos. Desse modo, vocês necessitam da assinatura do bispo, a fim de que possam residir no país.” O Superior do Distrito, então, veio apresentar-lhe o problema: havia uma solução simples, que seria declararmo-nos uma igreja independente [perante a lei civil], mas nós não queríamos, porque somos católicos. E o Cardeal disse-nos, “não, não, vocês são católicos, isto é evidente; eu os ajudarei;” ele escreveu uma carta ao governo em nosso favor, governo este tão esquerdista que fez a manobra de buscar uma carta de oposição por meio do núncio. Assim, empate de zero a zero. Agora ele é o papa, e nosso advogado teve a oportunidade de ter um encontro com o Papa. Ele lhe disse que o problema com a Fraternidade persistia, e pediu-lhe que benevolamente designasse um bispo na Argentina junto de quem poderíamos resolver o problema. O Papa disse-lhe, “Sim, o bispo sou eu, eu prometo ajudar, e eu o farei.”

Ainda estou esperando por isso, mas de qualquer modo ele o disse, da mesma forma que afirmou, “aquelas pessoas, elas acham que vou excomungá-las, mas estão enganadas;” ele disse outra coisa interessante: “Eu não vou condená-los, e eu não impedirei ninguém de visitá-los” [literalmente, “d’aller chez eux”.] Mais uma vez, quero esperar para ver.

* Nosso agradecimento a um gentil leitor pela tradução fornecida. A íntegra da conferência de Dom Fellay pode ser lida aqui.

13 Comentários to “Dom Fellay (FSSPX) fala sobre o Papa Francisco: “Ele leu duas vezes a biografia do Arcebispo Lefebvre – e gostou.” E outras importantes revelações.”

  1. Interessante a parte em que Dom Fellay fala de um possivel cisma para o sinodo de outubro se for aprovada a comunhão para divorciados.Aguardemos.

  2. Com todo respeito, mas acho que o Fratres podia ter destacado também esse trecho: “ele é contrário a tudo o que representamos”. É óbvio, Francisco é contrario ao catolicismo da Fraternidade, já que é o pontífice da “igreja” conciliar…

  3. Agradou!! rsrs até parece!

  4. O problema não é : “ele é contrário a tudo o que representamos” mas sim, se estão no caminho certo. Pelo visto, estamos há 50 anos fora do rumo e muitos fazem questão de dizer que está tudo muito bem, (inclusive o Papa).

  5. O destaque é apenas um texto fora do contexto. Em termos de progresso entre Roma e a SSPX não significa absolutamente nada, pois lá na frente Dom Fellay descreve com precisão qual é a situação real:

    […} Então o que a gente constata é que o papa diz que ele não quer nos condenar, é (isso) o que chamam de uma tolerância de sua parte. Se isso nos abre de tempos em tempos uma ou outra igreja para uma peregrinação, não somos contra, mas isso não quer dizer que nos humilhamos diante de Roma!
    Eles misturam tudo, eles falseiam tudo! Tolerar-nos não é sequer dito, e hoje numa igreja eles nos toleram, em outra, eles nos enxotam. Esta é a situação, simplesmente. Esta é a situação. Em alguns lugares dá certo, em outros não. Por quê? Porque a situação da Igreja se desarticulou, e alguns, um pouco mais próximos de nós, nos oferecem algumas facilidades. Mas se eles tentarem se mostrar conosco, imediatamente eles se queimam.
    Alguns bispos estão conosco, e nos dizem isso, mas em segredo. (É) Dizer simplesmente seus nomes, e está acabado: eles são torrados! Tal é a situação da Igreja. […]

    A verdade é que existem os “Nicodemos” que se encontram com a Fraternidade às escondidas ou por meio de emissários. Há Cardeais em Roma que procuram os Bispos da Fraternidade com as mãos na cabeça, mas da parte de Bergoglio está mais do que claro: “ele é contrário a tudo o que representamos”, ou seja princípios, doutrina, ortodoxia, tradição.
    A atitude desse Pontífice em relação aos Franciscanos da Imaculada é um claro exemplo disso.
    Por se considerar como um grande admirador de São Francisco, embora sendo um Jesuíta ele resolveu adotar o nome Francisco. Paradoxalmente ele é contra tudo o que representa o ramo mais tradicional dos Franciscanos. É tão contra que os persegue e oprime com virulência.
    Se Dom Lefebvre não tivesse fundado a SSPX, se não tivesse criado um verdadeiro movimento de resistência durante os anos de abalo sísmico pós-Vaticano II, sua vida ainda assim seria digna de admiração. A família Lefebvre durante o século 19 deu à Igreja um Cardeal, um Bispo, um grande número de padres, monges e freiras.
    Dizer que esse Papa admira a vida de santidade e de costumes de Dom Lefebvre é chover no molhado. Agora pergunte pra ele se ele admira o exemplo de luta e princípios! Aí toma pelagianismo, restauracionismo, “faccia de imaginetta”…etc.

  6. Para quem leu a íntegra da conferência, a parte mais relevante na minha opinião é aquela que fala de um possível cisma no sínodo dos bispos. Também partilho desse temor, era o pior que podia acontecer à Igreja nesta altura. Rezemos pelo Papa e pelos Bispos

  7. Fratres, a parte principal que deveria ser postada é a que ele fala de um possível cisma dos Bispos no Sínodo de outubro por causa da comunhão aos divorciados. Isso é sério, porque muitos Bispos com certeza vão se recusar a dar a comunhão aos divorciados recasados se isso for aprovado, além de por em risco a assistência do Espírito Santo e a infalibilidade doutrinal.

  8. Posso estar enganado, e como…Mas penso que jamais o Papa seria louco de provocar um cisma, ele pode ser tudo, menos tonto…Cada vez mais vemos que ele mede cada gesto…cada passo…ele sabe onde quer chegar… Com suas falas entrevistas, com suas palavras não medidas, ditas de propósito, ele já está alcançando o que quer, ou seja, mais relativismo e desobediência na Doutrina. Se já havia padres até com o placet do Bispo, que davam, ou melhor dão a “absolvição” a amasiados de segunda, terceira, décima união, incentivando-os a comungar, imagina agora com o “fazer teologia KAPETIANA de joelhos” dito pelo Papa…Adeus Doutrina…adeus CIC, adeus CDC…

    A Igreja, humanamente falando, não está desarticulada, está AVACALHADA mesmo, está totalmente confusa, a começar de cima. Meu Deus… Paulo VI JÁ AFIRMOU ISSO NA DÉCADA DE 70, ele perdeu totalmente o controle da situação, além de ser um MODERNISTA de carteirinha….

    Não sou da FSSPX, mas quando D. Fellay disse que agora a Igreja cai sem os paraquedas que Bento XVI havia colocado, alguém pode negar???

    Mas, quanto pior a situação, maior se mostra a fundação divina da Igreja, é Ele que a sustentou e a sustentará até o fim….

    As palavras da Mãe estão cada vez mais atuais: “POR FIM MEU IMACULADO CORAÇÃO TRIUNFARÁ”!!!

  9. O cisma está chegando então. Quando ele acontecer, provavelmente a divisão entre tradição e modernismo acontecerá. E aí sim a verdadeira batalha e a fé nossa será provada. Não sei se será Outubro ou não, mas acho que até os Padres já sabem que esse cisma vai acontecer uma hora ou outra;

  10. Cada cabeça, tal sentença. Pelo meu míope entendimento, o cisma tão temido e deplorável já é uma realidade. Apenas, não está formalmente legalizado. Mas tudo indica que o será em breve, e salve-se quem estiver com a verdadeira Igreja fundada por Jesus.

  11. Este é o meu papa, o pontífice da misericórdia!