A roleta “francisquista”.

Por InfoCaótica | Tradução: Fratres in Unum.com – Todos, de um modo ou de outro, tendemos a buscar uma explicação monocausal para os distintos fenômenos que percebemos. Isso se deve, em parte, ao pecado original e a um dos pecados capitais: a preguiça. Pelo que ninguém está isento de simplificar excessivamente acerca dos fatores que concorrem como causas de um fato. Ademais, muitas vezes incidem em nós doutrinas que pretendem explicar tudo em termos monocausais e que procuram conquistar a lealdade de gente mais empenhada em perder tempo as defendendo, e atacando a seus rivais, do que se dedicando a uma investigação original. A verdade é que a explicação completa de algo é muitas vezes multicausal. Contudo, é certo também que muitos fatos simples podem se reduzir a uma só causa, que opera como a principal e mais relevante, pois tampouco é razoável embarcar-se em profundas investigações sobre cada um dos acontecimentos que conhecemos em nossa vida cotidiana.

Parece algo evidente que a Igreja tem inimigos. Uma parte importante deles se encontra nos meios de comunicação de massa. Os meios inimigos, com muitíssima frequência, manipulam a informação relativa ao Papa. Tergiversam fatos e frases com um viés terminado por suas ideologias e interesses. Ou o fazem por ignorância e temeridade. As motivações são diversas e as disposições podem estar na boa ou má fé das pessoas que informam ou opinam.

Devemos admitir que, não poucas vezes, a manipulação periodística é um fato simples, que pode se atribuir a uma só causa. Outras vezes, esta manipulação se produz por diversos fatores. Uma tarefa importante dos meios católicos é prover informação verdadeira e dissipar a confusão criada pela manipulação dos meios de comunicação que, ou são abertamente inimigos da Igreja, ou carecem de formação religiosa necessária para informar adequadamente sobre questões eclesiais.

No entanto, um defeito recorrente nos meios de comunicação católicos é a tendência a dissipar a manipulação periodística através de explicações insuficientes. Por afã apologético parece que têm uma roleta de explicações pré-fabricadas. Às vezes, a roleta cai na explicação monocausal; em outras, admite várias causas; mas nunca inclui entre seus números, como fator possível, seja único ou concorrente com outros, o erro, a imprudência ou a ambiguidade da parte do Romano Pontífice. Cai-se, assim, no fetichismo africano.

Vejamos uma lista, não exaustiva, dos números dessa roleta de explicações:

1. Tradução deficiente.

2. Palavras fora de contexto.

3. Quando disse X é claro que provavelmente quis dizer Y.

4. A fonte não é confiável.

5. A informação não é de primeira mão.

6. Devemos ver o assunto desde a perspectiva cultural argentina.

7. A imprensa deformou o que disse.

8. Não pode ser verdade, porque contradiz o que disse em oportunidades anteriores.

9. O pe. Lombardi desmente.

Às vezes essa roleta acerta em dar uma explicação adequada à realidade. Contudo, toda inteligência católica pode se perguntar se, além desses fatores enumerados, que podem ser verdades parciais, a confusão eclesial não se deve também a outro fator: Francisco com suas “bergogliadas” (gestos) e seus “bergoglemas” (frases). Em nossa opinião, deve-se buscar sempre a verdade, de forma completa, sem preconceitos monocausais, inspirados na papolatria (“amiga”) ou na papofobia (“inimiga”). Res sunt, ergo cognosco.

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5 Comentários to “A roleta “francisquista”.”

  1. Para aqueles que não sabem o que é uma ENCÍCLICA, aqui vai um esclarecimento da Wikipedia:

    “A carta encíclica, ou apenas vulgarmente encíclica (Litterae Encyclicae1 ) é uma circular papal, um documento pontifício, dirigido aos bispos de todo o mundo e, por meio deles, a todos os fiéis. O termo “epistola encyclica” parece ter sido introduzido pelo Papa Bento XIV (1740-1758).
    A encíclica é usada pelo Papa para exercer o seu magistério ordinário.
    Geralmente as encíclicas se dirigem aos Patriarcas, Arcebispos, Bispos, Presbíteros, Filhos e Filhas da Igreja, os fiéis; todavia o círculo pode-se alargar para compreender todo o “homem de boa vontade”.
    Trata de matéria doutrinária em variados campos: fé, costumes, culto, doutrina social, etc.
    A matéria nela contida não é formalmente objeto de fé. Mas, a ela, se deve o religioso obséquio do assentimento exterior e interior. Logo, uma “encíclica não define um dogma, mas atualiza a doutrina católica através de um ensinamento ou um tema da atualidade e é vista como a posição da Igreja Católica sobre um determinado tema. Normalmente, uma encíclica é designada pelas suas primeiras palavras a partir do texto em latim”.

    Então era assim que os Papas até Bento XIV se dirigiam ao mundo Católico para tratar de assuntos relativos à fé, costumes, culto, doutrina social, etc. O documento oficial com o selo da Santa Sé evitava toda essa roleta de explicações absurdas:

    1. Tradução deficiente.

    2. Palavras fora de contexto.

    3. Quando disse X é claro que provavelmente quis dizer Y.

    4. A fonte não é confiável.

    5. A informação não é de primeira mão.

    6. Devemos ver o assunto desde a perspectiva cultural argentina.

    7. A imprensa deformou o que disse.

    8. Não pode ser verdade, porque contradiz o que disse em oportunidades anteriores.

    9. O pe. Lombardi desmente.

    A partir do momento que Bergoglio escolheu a imprensa mundana como tribuna oficial de suas “bergogliadas” (gestos) e seus “bergoglemas” (frases), nenhuma das desculpas acima procede e tudo o que ele fala está sujeito sim a críticas e reações adversas.
    Mídia mundana nunca foi lugar para um Papa exercer o seu magistério ordinário. As matérias que são ali publicadas não são objeto de fé e nem devemos dar-lhe o religioso obséquio do assentimento exterior e interior.
    Se o Pontífice em exercício optou por um magistério de Facebook e Twitter, que ele se prepare pra receber um monte de “não curti” e “não seguindo”.

  2. O problema dos que sofrem com o comunismo é tentar sempre viver como se o comunismo não estivesse mandando. Não é só isso que a InfoCaótica descreve e, na verdade, ela pode estar comprometida também por uma visão monocausal. Tem de ser dito como o comunismo usa a informação e a contrainformação ou desinformação e que os comunistas fabianos dominam os meios de comunicação e que dominam a Igreja mesma. Não pode ir contribuindo para a ingenuidade. Se o comunismo usou de sua falsa dialética para dar impulso extraordinário à mentira através da propaganda e, como Jesus mandou acautelar-nos dos homens e dos doutores, só nos cabe averiguar todas as hipóteses como que juntando peças de uma quebra-cabeça e nisso não vai nenhum mal, de forma alguma, mas o cumprimento do dever de prudência e de zelo apostólico pela Verdade. Um papa jamais pode falar em tom de propaganda, dizendo uma coisa para querer que signifique outra e mesma a Cúria tem de ser evangelicamente correta, simples e exata, para evitar a manipulação de suas palavras. Se foge do Evangelho ou do estilo evangélico ou papal de sempre, prudente se mostra quem desconfia e checa os bastidores e a possível propaganda. O que a InfoCaótica deveria dizer é que, com o comunismo, a propaganda se tornou a linguagem oficial e não mais o esclarecimento exato dos fatos ou da verdade verificável até pela lógica no discurso. Falta-nos Santo Tomás e sua lógica e a culpa não é do povo.

  3. Wikipedia….?!?!?!?

  4. Existe um ditado que diz “Em política não existem acasos” agora com a subida de Bergoglio ao trono podemos dizer que esta máxima se aplica também à religião católica em particular para esta papa.
    Já faz um ano que o papa deixou aquela boca “quem sou eu para julgar os homossexuais”, estas palavras foram interpretadas como se quis, os católicos e bispos menos ortodoxos resolveram logo interpreta-la como uma aceitação da homossexualidade, e os reflexos tem se ouvido em todas as partes do mundo fora e dentro da Igreja católica. Daqui poderíamos dizer que “Quando disse X é claro que provavelmente quis dizer Y”, mas uma coisa é certa já passaram quase 12 meses e ainda não ouvimos uma palavra do papa a esclarecer esta situação, nem uma palavra acerca da gravidade do pecado contra a natureza. O que podemos inferir daqui? É que o papa não está interessado em esclarecer e convém-lhe que esta situação continue.
    Outra situação diz respeito às declarações de Kasper acerca da comunhão dos “recasados”, estas declarações foram graves e têm gerado muita polémica e muitos padres e bispos têm na apoiado. Podemos perguntar porque é que o papa não faz uma declaração formal para acabar com este espírito de rebelião e confusão daqueles que apoiam kasper e declara inequivocamente o que a igreja acredita e põe um ponto final a esta situação? Se calhar comover-lhe esta situação.
    Se o papa não cumpre com o seu dever, podemos inferir duas coisas ou é um péssimo papa, ou pelo contrário tudo o que faz é com uma intenção, envenenar a Igreja e destruir tudo o esta tem de bom. Não há justificação (visível) para a sua “falta de cuidado” nas suas declarações nem nas suas omissões.
    Como não tendo a buscar uma explicação não causal para os distintos fenômenos que percebo, nem sou preguiçoso deduzo que existe uma intenção para todas as declaração(e omissões) do papa e esta é a de minar a Igreja já desde cima .

  5. Gercione, a quem tanto admiro, permita-me fazer uma pequena indagação. Você escreveu: “Então era assim que os Papas até Bento XIV…”, mas acho que você quis dizer até Bento XVI, não é?