Católicos e o Ecumenismo – considerações do Cardeal Siri.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Teresa M. Freixinho – Fratres in Unum.com - [A] diferença entre católicos e não católicos, por mais que eles desejem a fraternidade, reside no nível da Fé. Precisamos ter a coragem de dizer isso e dizê-lo continuamente. O uso de táticas evasivas (mesmo que educadas), que obscurecem todas as fronteiras em um crepúsculo embaçado que elimina os aspectos embaraçosos, não está colocando o ecumenismo em prática.

Principal líder da comunidade anglicana dá uma suposta benção sacerdotal ao Papa. Igualmente, o líder foi abençoado pelo Papa. Roma, 16 de junho de 2014

[O ecumenismo verdadeiro] é aquele em que, com o exercício da virtude, sacrifício pessoal, paciência inflexível e terna caridade, os termos são estabelecidos claramente. Haveria acaso um retorno à plena unidade entre os crentes em que o caminho seja pavimentado de incompreensões e meias-verdades?

Evidentemente, é claro que esta ponte – [o verdadeiro entendimento e a aceitação plena do] primado de Roma – precisa ser atravessada e, se não o for de maneira consciente, a meta do verdadeiro ecumenismo não será alcançada. E aqui surge o perigo real sobre esse tema empolgante. Há algumas pessoas que representam esse perigo ao transformarem o ecumenismo em uma confusão de doutrina retalhada. Há escritores que abusam do nome de teólogo ou da dignidade da erudição para minar, uma após a outra, as verdades da Fé Católica, violando e ignorando o Magistério. Eles criam dúvida com relação ao conhecimento de que a verdade de Deus é una e perfeita, e se ela for negada em um ponto – tal é a sua lógica e harmonia interiores – é inevitável que o resto [também] seja negado.

Eles não compreendem que Deus confiou tudo ao Magistério, que é tão certo e divinamente garantido que podemos afirmar, «quod Ecclesia semel docuit, semper docuit» [Que aquilo que a Igreja ensina uma vez, ela ensina sempre.] Talvez eles também tenham esquecido que a visibilidade da Igreja e sua realidade humana não a comprometem de jeito algum, e a mão de Deus é demonstrada no fato de que, caso ela fosse confiada a mãos humanas, ela já estaria morta desde os tempos imemoriais e não estaria de pé nos dias de hoje.

Nossos irmãos estão nos aguardando, mas eles estão aguardando à luz do dia, não em meio às sombras incertas da noite.

Cardeal Giuseppe Siri

Renovatio, XII (1977), livreto 1, pp. 3-6

[Fonte On-line: Blog Cordialiter, Traduzido a partir da tradução para o inglês de: Francesca Romana. Osservatore Romano imagens recolhidas pelo Sr. Christopher Lamb, do The Tablet.]

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5 Comentários to “Católicos e o Ecumenismo – considerações do Cardeal Siri.”

  1. Uma citação de São Jerônimo: “No mosteiro exercemos a hospitalidade de todo o coração, recebemos de rosto alegre e lavamos os pés de todos os que vêm até nos, EXCETO OS HERÉTICOS”.

  2. O ecumenismo, em sua natureza, não é algo ruim em si, tampouco o próprio diálogo entre religiões distintas. A Igreja nunca está ameaça ao ouvir demais confissões, mesmo que sejam elas heréticas e pagãs. O objetivo disto em si, é sempre poder unir-se para um bem maior, maior que nossas diferenças. A Igreja hoje, pode e é obrigada a unir-se com os hereges e cismáticos para defender a família, que é a causa urgente da realidade. Isto não é pecado, pois não há negação de dogma e apostasia, mas sim, exceção de causa contextual. A Igreja não deve e nem pode isolar-se em sua soberania para lutar sozinha pela família, a ignorar a força social das heresias; apenas cérebros de minhoca pensam assim, dentre os protestantes os mais comuns são os congregacionistas do ramo calvinista, que só auxiliam os seus, mesmo que o “infiel” esteja a morrer de fome de seu lado. A mesma heresia deste “mundinho fechado e perfeito” e individualista existente naquela seita, está presente hoje, na mentalidade dos católicos conservadores. E olha, eu sou um deles, hein?

    O Vaticano II, em sua mais interna intenção, visava justamente isto, continuar a descartar as laranjas podres, mas usando os pedaços saudáveis que possam haver nelas. Na minha família costuma-se cortar a parte em decomposição para aproveitar a parte ainda sadia. Isto chama-se justiça. Jesus não descartou a prostituta da Madalena, mas removeu o podre e usou o bom. O que há é extremismo, um lado quer descartar tudo e condenar uma coisa só porque ela tem um bolorzinho; e o outro lado quer incluir tudo, tanto a parte bolorenta quanto à sadia, sem dar-se conta que uma laranja podre contamina dez saudáveis, como diz o ditado. Nem inclusão nem exclusão, mas sim discernimento.

    O que falta é que entendamos que ecumenismo e diálogo inter-religioso não é relativismo religioso; e que liberdade religiosa é apenas uma forma contemporânea de lembrar-se do livre arbítrio. Nisto, a Igreja poderá se for necessário, usar dos separados para agir em prol ao que temos em comum, o que é verdadeiramente o ecumenismo e diálogo inter-religioso. Jamais a autenticidade da Igreja, e a salvação atribuída aos filhos dela, serão diminuídos ou esquecidos. O catolicismo é o verdadeiro, mas isolar-se nisto sem a devida compreensão, é tolice. Cabe-nos lembrar ainda que liberdade religiosa não tem nada a ver com passividade e ausência de apologética e proselitismo, mas sim com o simples fato de que a pluralidade contemporânea não é tão eficaz para obrigar um e outro a aderir à fé verdadeira; todavia, nós temos o dever de erguer o estandarte que “fora da Igreja não há salvação”, e que esta fé apostólica é a que conduz ao Cristo, assim, evangelizar como nos primórdios, e levar o Evangelho às almas, segundo a Santa Doutrina, sem, portanto, individualismo e exclusivismo, ou pluralismo e relativismo, mas sim, com a Soberania da Igreja Católica que usa de todos os meios para converter os infiéis e pagãos, mesmo que nisto, use-se propriamente da atividade destes para tal fazê-lo.

    Alguns dirão que estou sendo modernista e progressista; todavia, defendo a tradição bilenar da Igreja, confesso subordinação ao Santo Padre, e total repugnância aos cismáticos, hereges, apóstatas, infiéis e pagãos, sem no entanto, achar que os mesmos são incapazes de lutar por nossa causa, que pode estar de alguma forma, presente no entendimento deles.

  3. A verdade é que a palavra ECUMENISMO como agora é utilizada nunca foi usada antes na história da Igreja. A palavra original vem do grego “OIKOUMENE”, que designa todo o mundo habitado. Assim a Igreja usava o termo “ecumênico” pra significar “geral, pertencente a todo o mundo”.
    Um Concílio Ecumênico era um Concílio onde se reuniam os Bispos Católicos de toda a “oikoumene” para tratar de assuntos referentes à fé Católica. Lá pelos anos de1920 a idéia de se reunir hereges, cismáticos e pagãos pra discutir temas referentes à Doutrina era algo impensável até entre o Católico mais liberal. Até mesmo quando os primeiros passos foram dados no início dos anos 1920 , ninguém os chamou de “ecumenismo “, ou mesmo “diálogo ecumênico”; a designação foi ” conversações “.
    E foi assim que teve lugar as “Conversações Malines, um projeto do famoso Cardeal Desiré Mercier de Malines- Bruxelas e seu teólogo modernista Lambert Beauduin, que trouxe Lord Halifax da Grã-Bretanha para a Bélgica para discutir com certos membros da Universidade de Louvain, a viabilidade de uma aproximação entre Anglicanos e Católicos.
    O fato dessas “conversações” se estenderem intermitentemente durante 1924 e 1925, atraiu protestos acirrados da hierarquia católica da Inglaterra que citava, com razão, o decreto de Leão XIII que declarava as Ordens anglicanas ” absolutamente nulas e sem efeito “.
    Cardeal Mercier e Pe. Beauduin continuaram usando seus talentos no esforço de transformar a Universidade jesuíta de Louvain num centro para avançadas especulações teológicas, enquanto o Papa Pio XI, ao perceber para onde estavam descambando as tais “conversações” com heréticos, resolveu por um freio nessas iniciativas ao escrever seu último pronunciamento solene do Vaticano sobre a questão da singularidade do Catolicismo como a única e verdadeira fé.
    Mortalium Animos foi uma clara condenação das teses que as Conversações Malines estavam promovendo:

    “Aproximem-se, portanto, os filhos dissidentes da Sé Apostólica, estabelecida nesta cidade que os Príncipes dos Apóstolos Pedro e Paulo consagraram com o seu sangue; daquela Sede, dizemos, que é “raiz e matriz da Igreja Católica” (S. Cypr., ep. 48 ad Cornelium, 3), não com o objetivo e a esperança de que “a Igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade” (1 Tim 3, 15) renuncie à integridade da fé e tolere os próprios erros deles, mas, pelo contrário, para que se entreguem a seu
    magistério e regime”.

    Hoje o termo “ecumenismo” passou a ter outro significado e bem pior do que aquele já condenado na Mortalium Animus. Significa encontros de tudo quanto é herético, pagão e cismático do mundo habitado ( OIKOUMENE) pra ditar à Igreja o que ela deve mudar pra se adaptar melhor ao mundo moderno. O resultado é que nenhum deles se converte à Igreja depois dessas mudanças e o número de Católicos que sai da Igreja só aumenta.

  4. O Cardeal Siri quis mostrar o que é o verdadeiro ecumenismo, o ideal e interpelar acerca do defendido pelos adeptos do “ecumenismo” que rola por aí, e esse seria na verdade mais um esquema de mix de religiões para, dentre essas, obter um denominador comum entre todas, o mesmo pretendido pela Nova Era.
    Excetuando-se a Igreja católica, já que sem exceção todas as outras religiões são de fundamentação humana e não possuem a verdade, portanto relativistas, se não se dispuserem a aceitarem-lhe a doutrina e a Cristo como determina a Igreja, forçar uma união com esses seria, no mínimo, aderir ao sincretismo religioso, desatendendo o real ecumenismo pretendido, formando-se cismas, seitas paralelas ou até outra religião.
    De como haver um união, por ex., com os muçulmanos se não aceitam a Cristo como Deus, odeiam mortalmente os cristãos e são apegados a Alá que, na verdade, é a antiga deusa da lua, uma das divindades pagãs das antigas tribos árabes – escolhida dentre 360 deuses – relembrada pelo quarto crescente das mesquitas e noutras referencias muçulmanas?

  5. Se aprovado, publicar apenas o do Cardeal Siri