O Papa dialoga com os jovens Franciscanos da Imaculada.

O encontro, que durou uma hora e meia, ocorreu na terça-feira, 10 de junho, na capela de Santa Marta. Sobre o Concílio, Francisco disse que a hermenêutica correta é a proposta por Bento XVI.

Por Andrea Tornielli | Tradução: Fratres in Unum.com – O encontro ocorreu na manhã de 10 de junho, na capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, apesar da indisposição do Papa que havia provocado o cancelamento de alguns compromissos no dia anterior. Francisco esteve durante uma hora e meia com cerca de sessenta frades Franciscanos da Imaculada. A Santa Sé nomeou, no ano passado, um comissário apostólico para resolver alguns problemas internos da ordem fundada pelo padre Stefano Manelli, relativos ao governo, administração, relação com o ramo feminino e uso quase exclusivo do missal antigo e a interpretação do Concílio. Na reunião, estiveram presentes cerca de quarenta seminaristas, noviços e estudantes de teologia e filosofia, junto com seus formadores e com o comissário pontifício, o pe. Fidenzio Volpi.

Os Franciscanos cantaram a Ave Maria de Fátima e renovaram, nas mãos do Papa, seus votos de total consagração à Imaculada. Depois, fizeram perguntas a Francisco sobre os temas mais espinhosos relacionados à vida interna do instituto. O Papa Bergolgio se mostrou informado de tudo, segue os acontecimentos de perto e demonstrou seu apreço em várias ocasiões pelo pe. Volpi, desmentindo, assim, que as ações do comissário e de seus colaboradores sejam feitas sem o seu conhecimento.

Depois da intervenção por parte da Santa Sé e a restrição do uso do missal antigo, que, contrariamente ao que prevê a norma do motu proprio “Summorum Pontificum”, no caso dos Franciscanos da Imaculada pode ser usado com solicitação de autorização prévia aos superiores, produziram-se deserções entre os frades e seminaristas. Dos 400 religiosos em todo o mundo, cerca de quarenta pediram dispensa dos votos, sendo quase metade deles seminaristas e, portanto, ainda estudantes que só haviam proferido os votos temporários.

Sobre o motu proprio, o Papa Francisco disse que não queria se separar da linha de Bento XVI, e insistiu em que também os Frades Franciscanos da Imaculada têm a liberdade de celebrar a missa antiga, embora no momento, haja vista a polêmica sobre o uso exclusivo daquele missal — elemento que não forma parte do carisma da fundação do instituto — é necessário “um discernimento” com o superior e, com o bispo, se se trata de celebrações em igrejas paroquiais, santuários e casas de formação. O Papa explicou que deve haver liberdade tanto para quem quer celebrar o rito antigo como para quem quer o rito novo, sem que o rito se conversa em uma bandeira ideológica.

Houve também uma pergunta sobre a interpretação do Concílio Vaticano II. Francisco voltou a expressar seu apreço pela obra do arcebispo Agostino Marchetto, definindo-o como o “melhor hermeneuta” do Concílio. E assim respondeu à objeção segundo a qual o Vaticano II seria um concílio pastoral que só provocou danos à Igreja. O Papa disse que apesar de ter sido pastoral, ele contém elementos doutrinais e é um concílio católico, reiterando a linha da hermenêutica da reforma na continuidade do único sujeito Igreja apresentada por Bento XVI no discurso à Cúria Romana em dezembro de 2005. Recordou que todos os concílios causaram ruídos e reações, porque o demônio “não quer que a Igreja se fortaleça”. E disse também que é necessário ir adiante com a hermenêutica teológica e não ideológica do Vaticano II.

Francisco disse que foi ele quem quis o fechamento do instituto teológico interno dos Franciscanos da Imaculada (STIM), para fazer com que os seminaristas estudem nas faculdades pontifícias teológicas romanas. Precisou depois que a ortodoxia está garantida pela Igreja através do sucessor de Pedro.

Não faltaram momentos em que Bergoglio citou recordações pessoais, falando do frei Anselmo, um frade da Imaculada de origem filipina que conheceu quando era cardeal, frequentando a igreja de Maria Santíssima Annunziata em Lungotevere, onde o encontrou pela primeira vez com um balde nas mãos enquanto fazia limpeza. O frade Anselmo hoje está na Nigéria. “Me ensinou a humildade, me fez muito bem”, disse Francisco.

Ao final do encontro, o Papa saudou pessoalmente a todos os presentes. Dois deles manifestaram sua perplexidade pelo tratamento que havia sido dado ao fundador, o padre Stefano Manelli. Um destes dois seminaristas, vários dias depois do encontro, anunciou sua decisão de deixar o noviciado porque era contrário ao Concílio Vaticano II.

Nota do Fratres: Tornielli, lamentavelmente, insinua uma associação entre defender o fundador e ser contrário ao Concílio. Primeiro, pe. Manelli nunca foi contrário ao Vaticano II e sequer impôs, como Tornielli mesmo faz questão de difundir, a Missa Tradicional como “quase exclusiva” aos Frades. Depois, porque o tratamento dado a ele é uma questão de ordem moral, de envergonhar até um não cristão pela indecência do ponto de vista meramente humano e natural. Não há nada relacionado a ser pró ou contra o Concílio Vaticano II.

7 Comentários to “O Papa dialoga com os jovens Franciscanos da Imaculada.”

  1. Aff. E daí que eles celebram só a missa antiga? Por acaso esses lunáticos não celebram só na missa nova? Que tolice. O papa só não foi mais extremista porque ele tem de engolir o Bento XVI, porque é muito evidente que ele é contra o restauracionismo…

  2. Bem, agora o Francisco não poderá mais se comportar como o Lula dizendo que não sabia de nada.

    Baseado na Misericória segundo se abstrai de Santa Fautina Kowalska, Francisco tem que desfazer tudo o que o cardeal brasileiro D. Aviz fez e destituí-lo de seu cargo.

  3. Constância e doutrina católica são “entes” à pessoa de Bergoglio.

  4. Com a celeuma que os modernistas estão criando contra a Missa que todos os Santos participaram, neste caso, eles, os modernistas não pertencem mais a mesma Igreja? Se é assim, o Papa Bergoglio seria o sumo pontífice de uma outra, e nova igreja? Ou os Santos, foram todos enganados?

  5. Infelizmente existem incorrecções tendenciosas neste artigo. Tornielli, o jornalista do Vatican Insider tem demonstrado ser pouco honesto nas considerações que faz sobre este tema e escolhe apenas a parte que lhe interessa comentar. Aconselho o autor deste blog a publicar a tradução de artigos dos jornais Corrispondenza Romana e La Stampa onde existem outras versões da mesma história. A verdade é que o Instituto dos FFI está a ser desmantelado e ninguém explica porquê. Até o Pe. Lombardi, porta-voz do Vaticano veio trazer uma intervenção pública pouco esclarecedora, onde mistura a questão dos FFI com os Legionários que Cristo que, como é sabido tiveram denunciados e provados problemas de imoralidade com o seu fundador mas também com outros membros. Ora, os FFi não têm nada que ver com isso, e não existem entre eles problemas desta natureza. O que foi feito não tem explicação nem precedentes na história da Igreja: foi fechado o seminário dos FFI, foram deportados todos os conselheiros do Pe. Manelli e até fecharam o fundador, impedindo-o sequer de celebrar uma missa pelos seus pais, sem nunca lhe darem oportunidade de se defender de acusações que ninguém sabe quais são de facto. O Vetus Ordo nunca foi utilizado em exclusivo pelos FFI, nunca se manifestaram contra o Vaticano II e nunca desobedeceram ao Papa. Existem de facto frades a abandonarem o seminário mas por causa do tratamento que têm recebido desde que o Pe. volpi tomou conta do instituto e pelo clima de desconfiança que se gerou. Mesma esta visita ao Papa foi rodeada de mistério e, de acordo com o revelado por um dos frades, os frades que participaram na visita foram escolhidos a dedo pelo Pe. volpi sem saber o que iam fazer, tendo-lhes sido informado que iam fazer uma peregrinação em Roma. Foi-lhes também dito que o Papa não poderia falar com ninguém nem ninguém se poderia dirigia a Sua Santidade. Após o um dos Frades de ter dirigido ao Santo Padre, o Pe. Volpi segredou ao Santo Padre. dois dias depois este frade abandona o Instituto. A incorrecção mais no grave no seu artigo é sobre os frades que saíram após a visita ao Santo Padre. Nenhum deles saiu por estar contra o Vaticano II e um deles (Matteo Momi) até publicou as suas razões, que se devem ao sofrimento por que passava espiritualmente dadas estas divisões e incertezas no futuro. Fica também por explicar porque é que este encontro se realizou em segredo no dia 10 de Junho e só foi tornado público passados 13 dias.

  6. Realmente, o Pe. Stefano não parece ser contrário ao concílio. Li alguns livros dele e, neles, há vários raciocínios teológicos fundamentados nos textos do concílio.

  7. Dear friends in Christ, here you are a new international petition directly addressed to our Beloved Pope Francis. I ask you to actively and massively promote this email campaign:

    https://pray4thefriars.wordpress.com/2014/06/18/international-petition-pope-francis-please-meet-the-founders/