Cardeal Baldisseri: Vaticano promoverá “pastoral de misericórdia” para os divorciados e casais do mesmo sexo.

Vaticano, 26 Jun. 14 / 05:52 pm (ACI/Europa Press).- O Vaticano anunciou que promoverá uma “pastoral de misericórdia” para aqueles casais que estão em situações de irregularidade canônica, como os que convivem, os divorciados, os desquitados, os divorciados que voltaram a casar pelo civil, as mães solteiras ou casais do mesmo sexo e o cuidado a ser dado aos eventuais filhos adotivos. O conteúdo do anúncio foi feito pelo cardeal Lorenzo Baldisseri durante a apresentação do Instrumento de trabalho que será usado pelos bispos de todo o mundo durante Sínodo sobre os desafios pastorais para a Família, que se celebra entre os dias 5 e 19 de outubro.

O Instrumento de trabalho, que será estudado durante o Sínodo pelos prelados e demais participantes, constitui um diagnóstico da preocupação pelas situações familiares, fruto das respostas enviadas ao Vaticano por episcopados, congregações e movimentos de todo o mundo.

Deste modo, o secretário geral do Sínodo dos bispos, Cardeal Lorenzo Baldisseri, assinalou que serão consideradas de maneira particular as situações pastorais difíceis que se referem, entre outras, às situações de “convivência e uniões de fato, casais desquitados e divorciados (que casaram pela Igreja) e voltaram a casar”, aqueles que se encontram em condições de “irregularidade canônica” ou que pedem casar-se pela Igreja “sem ser crentes ou praticantes”.

Sobre os casais que se uniram em matrimônio religioso e após o divórcio estão impedidos de casar pela Igreja ou aceder aos sacramentos, o Secretário do Sínodo e Ex-Núncio apostólico no Brasil reconheceu que estes “vivem com sofrimento sua situação de irregularidade na Igreja” e afirmou que a Igreja “sente-se interpelada a encontrar soluções compatíveis com sua doutrina, que guiem uma vida serena e reconciliada”.

Assim, manifestou a “relevância” de “simplificar e agilizar os processos judiciais de nulidade matrimonial”.

Sobre os que se casam “sem fé explícita”, reclamou “maior atenção da pastoral eclesiástica” e uma “melhor qualidade” nos cursos de preparação do matrimônio para que os esposos possam continuar sendo “recém casados depois das bodas”.

Cuidado dos filhos de casais do mesmo sexo

Sobre os casais do mesmo sexo, o Cardeal Baldisseri distinguiu contextos, segundo a legislação civil seja “mais ou menos favorável”, e insistiu na necessidade de um “cuidado pastoral das Igrejas particulares”, sobretudo pensando em “questões relacionadas com os eventuais filhos”, referindo-se ao contexto das uniões civis de mesmo sexo que em diversos países, em um número crescente, podem adotar filhos.

“Urge permitir às pessoas feridas curar-se e reconciliar-se, encontrando de novo confiança e serenidade”, acrescentou.

Por isso, promoveu a necessidade de uma pastoral capaz de oferecer a “misericórdia que Deus concede a todos sem medida”, e evidenciou que a Igreja deve “propor e não impor”, “acompanhar e não empurrar” e “convidar e não expulsar”.

Do mesmo modo, o Cardeal Baldisseri reconheceu que “a convivência e as uniões de fato” estão em crescente difusão e atribuiu o fato a “diversas razões sociais, econômicas e culturais”.

“A Igreja sente o dever de acompanhar estes casais na confiança de poder sustentar uma responsabilidade como é a do matrimônio”, disse.

Por sua parte, o relator Geral da III Assembléia Geral Extraordinária do Sínodo de Bispos e Arcebispo de Budapest, Hungria, Cardeal Peter Erdo, comentou que o documento de trabalho oferece “uma panorâmica da situação da pastoral da família”, a partir da perspectiva do nível da consciência, que proporcional ao conhecimento, “dos ensinamentos de Cristo e da Igreja sobre o matrimônio” e do nível relativo “ao comportamento real das pessoas”, onde se apresentam as “situações críticas”.

O Cardeal Erdo expressou que muitas das respostas evidenciam que as pessoas, em geral, “casam-se cada vez se casa menos, também de maneira civil”. “Tal fenômeno se insere no contexto do individualismo e do subjetivismo prático”, acrescentou.

Sobre o tema dos divorciados que voltaram a casar, o Cardeal Erdo manifestou que em algumas partes do mundo se fala de “um sofrimento causado por não receber os sacramentos” e que a pergunta “o que pedem os divorciados à Igreja?” em outras partes do mundo a resposta mais frequente é que “não pedem nada, ou porque ignoram que não podem participar dos sacramentos ou se mostraram indiferentes tanto antes como depois do matrimônio civil, inválido desde o ponto de vista eclesiástico”.

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Atenção: Blog em recesso.

9 Comentários to “Cardeal Baldisseri: Vaticano promoverá “pastoral de misericórdia” para os divorciados e casais do mesmo sexo.”

  1. “Casais” do mesmo sexo? Já estão chamando este negócio de “casal” lá pelo Vaticano???

  2. Na teoria é lindo. Na prática, o que farão?

  3. Cardeal Baldisseri: Vaticano promoverá pastoral da “COMPLACENCIA COM O ERRO” para casais e divorciados do mesmo sexo; não seria isso?
    Admite-se que muitos termos usuais da Igreja católica estão ideologizados, relativizados, e um dos mais badalados é a palavra misericórdia, disputando ao lado de outras a primazia, como “doçura, ternura, brandura” e mais “uras”.
    Uma das características do anti Cristo seria o apregoar de uma doutrina cristã falsificada, cheia de sofismas e sutis conveniências, no entanto, escamoteando a verdade.
    Assim, esse termo, se aprovada for a pastoral específica desses citados com admissão à S Comunhão para não serem “discriminados” – não há inconvenientes em a doutrina da Igreja ser pisoteada – pode ter certeza que isso não pertence à Igreja católica, mas de membros que se excluíram e fundaram outra paralela, mas dissimulando-lhe pertença, assim não fosse, ela não seria “una”, como professamos no Credo.
    O filho que sai da casa do pai, à sua saída a casa não caiu; se retornar, ela estará de pé como antes.
    No entanto, que o “Politicamente Correto ou Conveniente” da “Ditadura do Relativismo-DR” está cada dia mais perceptível é fato, e um dos sinais é o fato de aparecerem falsos arautos da verdade apregoando uma doutrina transmutada, mas aparentando provir da Igreja e a imoralidade desenfreada, tendo como ex., as muitas moças, mulheres e até idosas que, pelas vestes, tranquilamente desfilando exibindo-se, não se distinguem das prostitutas nas boites.
    Se for o caso de aprovação do elencado acima, surgiu mais um novo cisma ou heresia dos “progressistas” da alta hierarquia proveniente da DR, apesar das aparências de provir da Igreja e muito poderão cair nessas ciladas.

  4. Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

  5. Danou-se !!!

  6. Assuntos como esses são extremamente polêmicos. O importante que eu vejo é que a igreja através do Papa e do colégios dos bispos estão tendo coragem de abordar essa questão e procurar sempre sob a luz da fé católica meios de salvar as almas das pessoas, pois é essa a missão primeira da Igreja.

  7. Qual é a maior misericórdia para eles. ´Dar todos os meios para a sua conversão. Foi assim Que o Divino Mestre disse aos pecadores :” Vai e não peques mais”. Assim deveria fazer os homens da hierarquia da Santa Igreja. Todos nós pecadores devemos cada dia tratar seriamente da nossa conversão. Ou seja: Seguir mais de perto o nosso Divino Redentor. Para aqueles que estão impossibilitados de frequentar os sacramentos. Roma deveria chama-los a conversão. Ou seja. Uma mudança de vida. E não ratificando no erro.. Esta é a verdadeira caridade, a verdadeira misericórdia para quem estar no erro. Como alguém que rouba, a caridade consiste em tirar esta pessoa deste vício e torna-lo, um verdadeiro cidadão. Agora estes homens da Igreja. Querem legalizar os seus pecados. Então, para que praticar a virtude? Se o erro e a verdade estão certo?

  8. São João Batista, rogai por nós.
    São Thomas Moore, rogai por nós.
    São João Fisher, rogai por nós.