Aberta a temporada de caça aos conservadores.

Tomara que estejamos errados, como às vezes nos acontece, por sorte; mas, a partir de uma série de pequenos sinais, temos a impressão de que, na Igreja de Papa Francisco, abriu-se a temporada de caça aos “conservadores”, termo que, como sempre nestes casos, é bastante genérico, e serve para ser usado contra uma ampla gama de pessoas.

Por Marco Tosatti – La Stampa | Tradução: Fratres in Unum.com – O caso mais flagrante continua a ser o dos Franciscanos da Imaculada. Uma ordem dada pela autoridade com modos de extrema dureza e sem que se tenham dado razões claras. Nada além de uma genérica acusação de pertença tradicionalista.

Admito que, antes da decapitação, os Franciscanos da Imaculada não tinham nenhum lugar em minha vida; bons católicos, pessoas – certamente não tradicionalistas – ligadas à Igreja falavam-me bem deles; outros sublinhavam alguma excentricidade ou personalismos excessivos do fundador (mas quantos fundadores de ordens, antigas e recentes, não têm estes mesmos excessos?).

Em suma, pela falta de motivos sérios e relevantes, devo pensar que se tenha tratado de uma guerra interna, combatida em nome do Papa, com a crueldade típica dos ambientes fechados e de tudo que diz respeito à liturgia. A despeito da misericórdia.

Mas, além do caso exemplar dos Franciscanos da Imaculada, há uma proliferação de casos individuais, coisas pequenas ou nem tanto, que intriga qualquer um que tenha mais prática do mundo eclesiástico, fazendo pensar que esteja em curso um processo não declarado, mas nem por isso menos eficaz. Pensa-se que o Papa não ame propriamente tudo o que signifique tradicionalismo, particularmente na liturgia; que também se defenda oficialmente as decisões de João Paulo II e Bento XVI neste campo – escolhas, certamente, de abertura para com aquele mundo… Mas, no fundo, bem no fundo, ele tem uma sensibilidade diferente.

O bispo tcheco Jan Graubner, falando da audiência de 14 de fevereiro passado, declarou à Rádio Vaticana: “Quando estávamos discutindo que aqueles que amam a liturgia antiga desejam voltar a ela, era evidente que o Papa falava com grande  afeto, a atenção e a sensibilidade de todos para não fazer mal a ninguém. Todavia, fez uma declaração muito forte quando disse que compreende quando a velha geração deseja voltar àquilo que viveu, mas não consegue entender que as gerações mais jovens desejam voltar ao que se foi. ‘Quando busco mais a fundo – disse o Papa –, acho que é mais um tipo de moda (em língua tcheca, “mòda”; em italiano, “moda”). E, tratando-se de uma moda, não convém dar muito peso a isso. É necessário mostrar apenas um pouco de paciência e gentileza para com as pessoas que são dependentes de um certo modo de fazer, mas considero muito importante ir com profundidade às coisas, para que não se aprofundem essas temáticas. Nenhuma forma litúrgica, seja esta ou aquela, pode nos salvar’”.

Haveria algo a se objetar sobre este ponto, também observando quais são as ordens religiosas que desfrutam de mais simpatia por parte dos jovens, do ponto de vista das vocações. Mas interessa-nos observar que talvez não erra quem atribui ao Papa pouca simpatia por esse mundo. E, na Cúria – que continua sendo uma Corte, mesmo quando o Soberano, ao invés de habitar no Apartamento, vive na casa dos Mosqueteiros do Rei –, são muito hábeis aqueles que respiram essa atmosfera, e tiram as consequências.

Assim, têm-se notícias de sacerdotes julgados muito conservadores por suas próprias ordens, aos quais não se permitiu professarem aqueles votos particulares, típicos da própria ordem; promoções – e regressões – nos dicastérios da Cúria, julgados com base no “progressismo” ou “conservadorismo” dos interessados; até de possíveis decisões em níveis muito mais altos, relativos à mudança de cardeais julgados “conservadores” para dioceses de nível médio, ao contrário de ad majora.

Uma das últimas notícias veio de Nova York, onde um sacerdote sul-africano, ligado à representação da Santa Sé junto à Nações Unidas, apaixonado pela Missa segundo o Rito antigo (a Missa na forma extraordinária), pronunciou um sermão no qual sublinhava o necessidade de haver sacerdotes que tivessem amor e sensibilidade pelo Rito antigo. A homilia apareceu na internet. Depois que o sacerdote desdisse todo o seu esforço por celebrar a missa, parece que voltará logo para a África do Sul.

Pequenas coisas… Mas, costuradas em conjunto, dão um tapete.

A impressão é que o trabalho levado a cabo por Bento XVI para devolver a cidadania às várias sensibilidades dentro da Igreja está para ser destruído. Uma pena! Justamente, Vitório Messori nos ensinava, muito tempo atrás, que a Igreja Católica se baseia no et-et-, na convivência de católicos que, em sua diversidade, permanecem unidos, e que as seitas praticam o aut-aut (ndt. ou-ou, quer dizer, isto ou aquilo, sem nenhuma possibilidade de conciliação). Seguramente, Papa Bergoglio não quer uma Igreja do aut-aut, mas talvez seja este um problema dos “bergoglistas”, de convicção ou oportunistas, que pensam estar fazendo uma cruzada em seu favor.

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18 Comentários to “Aberta a temporada de caça aos conservadores.”

  1. Estão caçando os conservadores, mas se esquecem que nós conservadores é que temos as armas do sacramento e se soubéssemos usa-los devidamente os liberais estariam já em pedaços.

  2. O sagrado cede cada vez mais ao profano…..a vida mais fácil por aqui encobre os abusos e as liberalidades até de prelados…..O modelo de vida dos santos torna-se contos de fadas!!!!

  3. Deixem que eles perseguem , quanto mais perseguidos mais frutos e prósperos serão que o diga os cristão das antigas catacumbas, Em BSB no último domingo a Capela de nossas senhora das dores do Pe Daniel do IBP , foi abençoada no rito segundo o Pontifical Romano Tradicional feito por sua Excelência Reverendíssima Dom Jose Aparecido Bispo Auxiliar de Brasília, fotos neste link http://missatridentinaembrasilia.org/ Deus sempre derrama graças nos que de coração realmente o segue, Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

  4. Joelhos no chão, minha gente!!!!!!!!!
    Pelo amor de Nosso Senhor… que o Papa não nos prive jamais de nossa Santa Missa!!! Não sejamos ingênuos… ele não pode tomar providências contrárias, mas pode sim, complicar nossas vidas… Oremos fervorosamente! Não nos esqueçamos disso em nossas petições!!!

  5. Pitorescos com dias contados….

  6. Macaco vê, macaco faz! Como já dizia São Pio de Pietralcina: Il pesce puzza dalla testa. ( o peixe começa feder é da cabeça).
    Por que vocês acham que o padre herege, a gorda estranha e o efeminado de Aparecida estão com a corda toda pra meter o malho nos tradicionalistas?
    No Pontificado de Bento XVI eles nem chiavam, mas agora ao mirarem no exemplo que vem do alto, os hereges ganharam tanta asa que se alguém ainda tentar ir reclamar com o Bispo eu tenho certeza que vai ser como reclamar do ladrão para o chefe da quadrilha.
    Infelizmente a Igreja está parecendo com uma organização política, muda-se a direção e os puxa-sacos de plantão logo se aliam à nova gestão muito mais por uma questão de oportunismo do que convicção ideológica.
    Ab ira et odio et omni mala voluntate, libera nos, Domine.

  7. Os protestantes tiveram mais dignidade. Cindiram com a Igreja e tomaram o seus rumos. Os hereges de hoje são piores; permanecem na Igreja contaminando o organismo, a metástase já chegou no cérebro. Jamais tomara a Alma.

  8. Eu me lembro dos filmes em “preto e branco” com aquelas “estórias das Arabias” e seus “tapetes mágicos e voadores”. Bons tempos aqueles da inocência. Há hoje bispos (Até em Roma) costurando pequenos pedaços de mulambos rotos e fazendo seus “tapetes voadores”. Muita gente não se dar conta de que o inferno de cada herege e profano onde “aterrizam esses tapetes rotos” é logo ali.

  9. Eu li em algum lugar – não me lembro – que pode haver uma intervenção papal na diocese paraguaia de Ciuadad del Este. E isso já nesse mês…

  10. Cada vez mais vemos os cristãos desunidos… até dentro da Igreja Católica há desunião… Cristo pregava a união dos povos, se nós católicos não podemos ser unidos, como poderemos buscar o diálogo e a convivência com outras denominações cristãs? E onde ficará o diálogo interreligioso? A diversidade é boa e deve existir, mas precisa existir respeito. Parece que existem várias igrejas dentro da Igreja Católica. Renovação carismática de um lado, conservadores de outro e por aí vai. Penso que é interessante ter o conservadorismo mas também é preciso avançar… Penso que deveríamos respeitar o jeito que cada um pensa. Mas no que diz respeito à Igreja, conforme o que nos foi ensinado temos que respeitar as decisões do papa e da cúria… É muito fácil apontar o dedo para o outro e dizer que ele é herege. Penso que quem está contra o papa o é também… Penso que Cristo não está feliz com o rumo que o cristianismo está tomando (desunião).

    • Paula, não pode haver união entre a verdade e o erro; assim como não pode haver acordo entre Cristo e o demônio.
      Não pode haver acordo entre a Igreja de Cristo e as falsas religiões, sejam elas pagãs, com seus deuses falsos, sejam elas heresias inventadas pelos homens (pretendendo cada uma ser uma igreja de Cristo). Essa verdade, testemunhada pela Sagrada Escritura e pela Doutrina Católica, especialmente pelo Catecismo Romano, é hoje esquecida em favor de um engano chamado “diálogo interreligioso”, que põe a Igreja de Cristo no mesmo nível das falsas religiões e das falsas igrejas cristãs.
      Quanto ao problema da desunião dentro do catolicismo, os que querem a salvação das almas não podem se unir com os que procuram perdê-las (ainda que seja possível muitos desses terem boa intenção, que só Deus conhece). E não importa quão altos sejam os cargos exercidos por estes dentro da Igreja. Se estão trabalhando contra a Fé, que sejam denunciados, criticados, advertidos, mesmo pelos simples fiéis, seus inferiores, pois isso é ato de misericórdia. A doutrina da Fé já está consolidada na Escritura Sagrada, na Tradição dos Apóstolos, repetida por dois mil anos pelos Papas e pelos Concílios infalíveis, estando os fiéis, os padres, os Bispos e o próprio Papa obrigados a segui-la, e não a reinventá-la. Muito menos a perseguir quem a defende e sustenta.
      Não nos deve afligir o falso problema da “falta de união”. E como seria essa união? Acaso os que buscam a salvação das almas passariam a pensar como os que trabalham para a perdição das mesmas e a apoia-los? Para que unir-se com quem está demolindo a Igreja? Para quê unir-se com quem está destruindo a Fé? Essa união seria inútil, pois não serviria para convertê-los, mas para fortalecê-los na sua ação demolidora. Não é possível apoiar nem ter a mesma intenção de quem está destruindo a Igreja. Foi nesse sentido que Cristo declarou trazer, não a paz, mas a espada sobre a Terra. Por ser inevitável a separação entre os que defendem a doutrina de Cristo e os que a combatem, embora as portas do perdão e da misericórdia divina estejam sempre abertas aos que se arrependem de sua má conduta e a abandonam.
      Você também diz que é preciso avançar… Sim, se esse “avançar” for para a virtude, não para o pecado, não para o erro. Pois se avançamos para o pecado, temos de parar e voltar. Retroceder não é algo ruim. Às vezes, é bem necessário. O filho pródigo só obteve o perdão após ter parado de “avançar”, pois seu avanço o fazia afastar-se do seu pai. Era um “avanço” mau, pois era para o pecado, para o precipício, e para a morte (eterna). Ele teve de voltar para alcançar o perdão e a vida.
      Quanto às decisões do Papa e da Cúria, estas devem ser respeitadas, a não ser que visem destruir a Igreja. Nesse caso, é lícito opor-nos a determinadas decisões da Hierarquia e criticá-las, se estas prejudicam a Fé (salvaguardado sempre, é claro, o respeito filial para com o Papa e os Bispos).
      Que Deus a ilumine. Fique com Deus.

  11. A missa tradicional tem dois mil anos…uma moda pode durar dois mil anos? Esse pontificado é tétrico.

  12. Deus nos ajude! Rezemos muitissimo!

    SM.

  13. Se o Papa ceder ao mal de alvura da religião católica, tornar-se-á negrura da religião católica.

  14. A “igreja” conciliar é mesmo um poço sem fundo de incoerências e contradições.

    Nos prolixos e diplomáticos (leia-se ambíguos) documentos do “concilio” vaticano 2 existe liberdade religiosa (condenada desde o Pentateuco até o Glorioso Papa Pio XII), ecumenismo (condenada desde o Pentateuco até o Glorioso Papa Pio XII),igualdade (condenada desde o Pentateuco até o Glorioso Papa Pio XII, pois não somos iguais, somos essencialmente iguais,diferentes em nossos acidentes), vemos até que o homem possui a semente divina dentro de nós (tese gnóstica,diga-se de passagem).

    Na “igreja” conciliar roncaliana,montiniana,wotjtiliana, ratzingueriana e bergogliana existe até a famigerada pastoral da diversidade.Ora, se existe pastoral da diversidade e consequentemente a unidade na diversidade,como pode as “autoridades” da “igreja” conciliar abrir a temporada de caça aos conciliares, dessa mesma “igreja”, que são conservadores ?

    Pode isso Arnaldo ?

    A “igreja” conciliar roncaliana,montiniana,wotjtiliana, ratzingueriana e bergogliana é mesmo um poço sem fundo de incoerências e contradições igual a qualquer seita da heresia protestante.

    Agora sei porque os conciliares chamam os hereges protestantes de “irmãos separados”.

    In Corde Jesu, semper,
    Leonardo Santana de Oliveira, o sedevacantista inquisidor.

  15. “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (São Mateus 16,18).

    Confio no papa Francisco. Ele é a pessoa certa, na hora certa, no local certo e que toma decisões certas, para o bem da construção do Reino de Deus.

  16. Leonardo Santana de Oliveira, você tem toda a razão, e direito, em discordar das novidades que os papas desde o Vaticano II dizem, e sobretudo das ações do papa Francisco que são visivelmente contrárias à Fé Católica. Contudo, a nenhum católico é concedido se intitular sedevacantista, porque Francisco é Papa, o conclave o elegeu, portanto devemos-lhe obediência e amor, embora estejamos salvaguardados pelo estado de necessidade e não devemos nada a ele quando pronuncia palavras ou gestos que se opõem à Igreja de Cristo.

    Nosso Senhor disse: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” e logo depois disse ao mesmo Pedro, quando ele quis contrariar a vontade de Deus para fazer a dos homens: “Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um escândalo; teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens!” (São Mateus 16)

  17. RENATO DE ASSIS! Eu,….e r a assim como você:confiante, esperançosa! Mas, depois de ler “entrevistas” e mais “entrevistas”….depois de ver “aquele” primeiro LAVA-PÉS ( na 1ªQUINTAFEIRA SANTA, a do ano passado) aonde o Papa beijou os pès dos…muçulmanos,..esses mesmos” invitati” para “orar” nos jardins vaticanos,…”esses” “tipos” que matam cristãos, crucificando-os, degolando-os na SÍRIA….e outras “fotos” esquisitas, declarações bombásticas e desmentidos de temas biblicos, etc e tal, bem como a constante exposição voluntária de..”caridade explícita e midiática”…depois das infrações liturgicas e das perseguições aos FRANCISCANOS DA IMACULADA…. dopo ,os desmentidos criativos do “PADRE-BOMBEIRO”……..bem,..er….desisti de acreditar nessa pessoa! Oro por ele, e..só.
    DEUS nos acuda!