Flos Carmeli, vitis florigera, splendor Coeli, Virgo puerpera, singularis!

Por Padre Élcio Murucci

Bem podemos dizer que a veste da graça foi tecida pelas mãos benditas de Maria Santíssima. A Santa Madre Igreja proclama-a Corredentora. Se deu inteiramente a si mesma, em união com o seu Filho, pela nossa redenção. Uma tradição popular fala da túnica inconsútil que a sempre Virgem Maria teceu para Jesus; mas para nós fez realmente muito mais: cooperou para nos conseguir a veste da nossa salvação eterna. Maria Santíssima nunca deixou de nos seguir com o seu olhar maternal para proteger em nós a vida da graça. Cada vez que nos convertemos a Deus, nos levantamos de uma culpa – grande ou pequena – ou progredimos na graça, sempre o fazemos por intermédio de Maria Santíssima. O escapulário que a Senhora do Carmo nos oferece não é mais do que o símbolo exterior desta sua incessante solicitude maternal; símbolo, mas também sinal e penhor de salvação eterna. “Recebe, amado filho – disse Nossa Senhora a São Simão Stock – este escapulário… quem morrer com ele não padecerá o fogo eterno”. A sua poderosa intercessão maternal dá-lhe direito a repetir em nosso favor as palavras de Jesus: “Pai Santo… conservei os que me deste e nenhum deles se perdeu”.

O Carmelo é o símbolo da vida contemplativa, vida toda dedicada à busca de Deus, toda dirigida para a intimidade divina; e quem melhor realizou este ideal altíssimo foi a Virgem, Rainha e Decoro do Carmelo. Diz o profeta Isaías XXXII, 16-18: “No deserto habitará a equidade, e a justiça terá o seu assento no Carmelo. A paz será a obra da justiça e o fruto da justiça é o silêncio e a segurança para sempre. O meu povo repousará na mansão da paz, nos tabernáculos da confiança”. Estas palavras do profeta mostram o espírito contemplativo e retratam a alma de Maria Santíssima. Carmelo em hebreu significa jardim. A alma de Nossa Senhora é um jardim de virtudes, é um oásis de silêncio e de paz, onde reina a justiça e a santidade, oásis de segurança, todo cheio de Deus.

São as paixões e os apegos que fazem barulho dentro de nós, tirando a paz da nossa alma. Só uma alma completamente desprendida e que domina inteiramente as suas paixões, poderá, como Maria Santíssima, ser um “jardim” solitário e silencioso, um verdadeiro Carmelo, onde Nosso Senhor Jesus Cristo encontre suas delícias.

“Ó Maria, flor do Carmelo, vinha florida, esplendor do céu, Virgem fecunda e singular, Mãe bondosa e intacta, aos carmelitas dai privilégios, Estrela do mar!” Em latim: “Flos Carmeli, vitis florigera, splendor Coeli, Virgo puerpera, singularis! Mater mitis, sed viri nescia, Carmelitis da privilegia, Stella Maris!”

Publicado originalmente na festa de Nossa Senhora do Carmo de 2012.

Tags:

3 Comentários to “Flos Carmeli, vitis florigera, splendor Coeli, Virgo puerpera, singularis!”

  1. Republicou isso em Totus tuuse comentado:
    Dia de Nossa Senhora do Carmo

  2. OS EXTRAORDINÁRIOS BENEFÍCIOS DO ESCAPULÁRIO DO CARMO

    O QUE É O ESCAPULÁRIO DO CARMO

    Uma das devoções mais difundidas é o escapulário do Carmo. Ele consiste em duas peças retangulares de tecido (de lã, como se diz logo a seguir; as imagens que normalmente trazem não são essenciais), unidas por duas fitas ou cordões levados sobre os ombros (‘scapula’, em latim; daí a origem do nome).

    O tecido do escapulário do Carmo é de lã marrom (a mais comum) ou preta. O seu valor reside precisamente nesse tecido, com a bênção apropriada, não nas imagens. Pode ser lavado, podem-se mudar os cordões, pode ser revestido de plástico para não sujar, etc.: o importante é que o tecido esteja em boas condições.

    Há fiéis que preferem usar medalhas-escapulários, que duram mais. Isso foi permitido pelo Papa São Pio X, que em 16 de dezembro de 1910 concedeu que o escapulário – uma vez imposto [notar bem: na imposição deve ser usado o de pano] – pudesse ser substituído por uma medalha que tivesse de um lado uma imagem de Nossa Senhora do Carmo e do outro lado, uma imagem do Sagrado Coração de Jesus.

    ORIGENS E BENEFÍCOS DO ESCAPULÁRIO DO CARMO

    O costume de usar o escapulário data da Idade Média. Naquela época, era frequente permitir-se aos leigos ingressarem nas ordens religiosas como ‘oblatos’ ou membros associados. Esses ‘oblatos’ participavam das orações e boas obras dos monges, e era-lhes permitido usar o escapulário monástico. O escapulário era então uma longa peça de pano igual à que se enfia pela cabeça do monge, cobrindo-lhe a frente e as costas, sobre a túnica. Para ficarem mais práticos, os escapulários usados pelos membros leigos das ordens terceiras começaram a diminuir de tamanho, até chegarem às pequenas dimensões dos escapulários de hoje.

    Nos nossos dias, há um total de dezoito tipos de escapulários difundidos entre os católicos, cada um originado numa ordem religiosa diferente. Mas o mais usado é o escapulário marrom da ordem Carmelita, cuja especial padroeira é a Virgem do Carmo. A popularidade do escapulário marrom é devida, em parte, às graças específicas que estão associadas a ele e prometidas pela própria Virgem Maria nas suas aparições a São Simão Stock e ao Papa João XXII: a garantia de que todo aquele que o usar devotamente não morrerá em pecado mortal, e o privilégio sabatino, que se explica adiante.

    A visão de São Simão Stock e a graça da perseverança final

    São Simão Stock nasceu na Inglaterra (provavelmente em Aylesford) por volta do ano 1165; aos 12 anos de idade retirou-se para viver em solidão acompanhado de um crucifixo e de uma imagem de Nossa Senhora. Anos mais tarde, acaba por conhecer um grupo de religiosos eremitas, originários do monte Carmelo (na Terra Santa), que foram para na Europa fugindo da perseguição muçulmana; sentindo-se enormemente atraído por essa vocação, decide juntar-se a eles. Após estudar em Oxford e assumir diversos cargos de direção, é nomeado sexto geral (superior) da ordem do Carmelo, no ano de 1245.

    Já nesse cargo, via as dificuldades e as perseguições intensas a que seus irmãos estavam sendo sujeitos, tendo a Ordem perdido muitos dos seus membros por isso. Decide recorrer à proteção de Nossa Senhora invocando-a com o título de “Flor do Carmelo”.

    [...]

    Nossa Senhora atende a sua súplica e aparece-lhe, rodeada de anjos e segurando o escapulário da ordem. Em seguida, faz-lhe uma promessa: “Isto será um privilégio para ti e para todos os Carmelitas. Quem morrer com este escapulário, não experimentará a pena do fogo eternamente, e, se morrer com ele, será salvo”.

    Embora a data da aparição seja incerta, situa-se dentro do generalato de São Simão (1245-1265) e é anterior ao dia 13 de janeiro de 1252, em que o Papa Inocêncio IV expediu a bula “Ex parte dilectorum”, em que testemunha a veracidade deste privilégio. Tradicionalmente, acredita-se que ocorreu a 16 de julho de 1251 – que ficou sendo a data da festa de Nossa Senhora do Carmo –, estando o santo em Cambridge.

    É preciso entender corretamente o conteúdo dessa promessa feita pela Virgem: a perseverança final – isto é, a salvação – para quem morrer usando o escapulário. A graça que Nossa Senhora concede aos que usam o escapulário e morrem com ele é a de se arrependerem de todos os pecados cometidos em vida, já que é uma verdade de fé que só se pode salvar quem estiver em estado de graça na hora da morte.

    Em suma, para alcançar o privilégio da perseverança final é preciso:

    1) Usar o escapulário do Carmo, imposto e abençoado devidamente pelo sacerdote.

    2) Usá-lo piedosamente, ou seja, esforçando-se por cumprir os deveres cristãos.

    3) Levá-lo posto na hora da morte.

    A visão de São Simão Stock é uma tradição piedosa e não matéria de fé; não é algo em que devamos crer necessariamente, embora haja bastante evidência histórica apontando para a sua veracidade. Por exemplo, o relato aparece já desde o século XIV em documentos internos da Ordem Carmelitana aprovados pelos papas da época.

    Além disso, devemos ter presente que muitos papas fomentaram o uso do escapulário do Carmo e lhe concederam indulgências, como devoção grata a Santa Maria que é: ao usá-lo, ficamos sob o seu amparo maternal; e aqueles a quem foi imposto pelo sacerdote participam das missas, orações e boas obras da ordem Carmelitana. Como já dissemos acima, o Papa Inocêncio IV (1243-1254) publicou uma bula em que fala do tema. E um pouco mais tarde, há a bula ‘Sacratissimo ut culmine’ (março de 1322), do Papa João XXII, em que o Pontífice não apenas recomenda vivamente o escapulário como relata uma aparição da Virgem para si.

    O Papa João XXII e o privilégio sabatino

    Conta-se que o Papa João XXII teve uma visão de Nossa Senhora a 3 de março de 1322. Nela, Nossa Senhora teria prometido a libertação do purgatório, no primeiro sábado após a morte, a todo aquele que cumprir as seguintes condições:

    1) Usar o escapulário do Carmo, imposto e abençoado devidamente pelo sacerdote;

    2) Usá-lo piedosamente, ou seja, esforçar-se por cumprir os deveres cristãos;

    3) Levá-lo posto na hora da morte;

    4) Observar o sexto e o nono mandamentos de acordo com o seu estado de vida, isto é, não pecar contra a castidade e não cometer adultério;

    5) Recitar o Pequeno Ofício de Nossa Senhora, ou, se iletrado, jejuar quando manda a Igreja e também abster-se de carne nas quartas-feiras e nos sábados. A recitação do Pequeno Ofício pode ser comutada por um padre que tenha faculdade para tal; geralmente é substituída pela recitação de uma parte do santo rosário diariamente. Aqueles – sacerdotes em sua maioria – que já recitam o Ofício Comum de Nossa Senhora também satisfazem a condição.

    Indulgências plenárias associadas ao uso do escapulário

    Além dos dois privilégios especialíssimos do escapulário, a Igreja concede indulgência plenária nas datas que se indicam a seguir àqueles fiéis que cumprirem as condições habituais para tanto (Confissão Sacramental, Comunhão Eucarística e a oração em intenção do Sumo Pontífice em dias próximos a essas datas):

    1. No dia da imposição do escapulário;

    2. Na solenidade de Nossa Senhora do Carmo (16 de julho);

    3. Na festa de São Simão Stock (16 de maio);

    4. Na festa de Santo Elias, profeta (20 de julho);

    5. Na festa de Santa Teresa de Jesus (15 de outubro);

    6. Na festa de São João da Cruz (14 de dezembro);

    7. Na festa de Santa Teresa do Menino Jesus (1 de outubro);

    8. Na festa de todos os santos da ordem do Carmo (14 de novembro).

    (“O escapulário do Carmo”. Cultor de Livros)

  3. Para mim, que nada sou, apenas um pobre devoto de Nossa Senhora, é uma tristeza e escândalo verificar e testemunhar que aos oitenta e quatro anos de vida, sempre católico (embora muitas vezes omisso), nunca ouvi nas homilias da Santa Missa ou em outras cerimônias, referências ao que disse a Nossa Mãe a São Simão Stock : “Recebe, meu amado filho, este escapulário. Quem morrer com ele não padecerá o fogo eterno”. Na verdade, quantas outras recomendações da Virgem Santíssima em aparições públicas ou particulares, importantíssimas para a salvação das almas, não são mencionadas pela maioria absoluta do clero? Estou convicto de que a decadência da Igreja, a atual apostasia, não teria tanta extensão e profundidade se não tivesse ocorrido essa lacuna nos sermões e catequese da Igreja.