Archive for ‘Atualidades’

6 março, 2015

Igreja e sociedade atual segundo Dom Damasceno.

Prof. Hermes: Há muitos projetos de “reforma política” em tramitação no Congresso Nacional. Por que justamente o que favorece o PT é apoiado pela CNBB? Como convergir doutrina e pastoral no Sínodo dos Bispos? A reforma da cúria romana viabilizará a autonomia das conferências episcopais, acenada na Evangelii Gaudium? Estas e outras questões responde Dom Raymundo Damasceno Assis

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Presidente da CNBB fala sobre Reforma Política, Sínodo dos Bispos, reforma da cúria romana e outros temas.

hermesSão Paulo, 04 de Março de 2015 (Zenit.org) Prof. Hermes Rodrigues Nery –  Na segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015, às 10:30, estivemos, com Flávia Camargo, na residência do Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis, Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e Presidente também do Sínodo dos Bispos, a realizar-se em outubro deste ano, no Vaticano. Dois temas foram objeto de atenção especial na audiência: 1º) a Reforma Política e 2º) o Sínodo dos Bispos. Inicialmente, queríamos já gravar a conversa, mas Dom Damasceno preferiu primeiro que apresentássemos os nossos questionamentos e discorrêssemos sobre o assunto, ao qual ele faria suas colocações, para, em seguida, fazer uma súmula do que havia sido conversado, em forma de uma breve entrevista. Foi o que ocorreu. Ficamos por quase duas horas tratando dos temas acima mencionados, e somente, ao final, em quase trinta minutos, ele expôs sua posição sobre os temas, em entrevista gravada. Ainda, foi possível acrescentar na entrevista rapidamente o tema da reforma da cúria romana e o aceno que se faz na Evangelii Gaudium de autonomia às conferências episcopais.

5 março, 2015

Entrevista do Cardeal Burke ao Rorate-Caeli.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com – Na semana passada, Rorate caeli entrevistou o Cardeal Raymond Burke por telefone a respeito de diversos temas. Nada ficou fora de discussão nessa entrevista, e Sua Eminência foi incrivelmente generoso com o tempo dele. Ele mostrou-se brilhante e ainda muito humilde. Temos que reconhecer e apreciar seu cuidado e preocupação para com os católicos tradicionais.

Nesta entrevista abrangente, Sua Eminência falou sobre tópicos extraídas de notícias, como, por exemplo: Autoridades do Vaticano que ameaçam processar blogueiros; mais sacerdotes que se submetem à sua autoridade, o desmantelamento dos Franciscanos da Imaculada; e como os católicos tradicionais podem salvar suas almas neste mundo moderno — e obter para seus filhos os sacramentos no rito tradicional em face dos bispos dissidentes; o celibato sacerdotal; a confusão diária do Papa Francisco; e muito, muito mais.

Archbishop Raymond Burke

AUTORIDADES DO VATICANO AMEAÇAM PROCESSAR BLOGUEIROS

Rorate Caeli: Eminência, muito obrigado por ter aceitado nos conceder esta entrevista. Como o blog internacional mais lido por católicos tradicionais, acreditamos que esta entrevista dará muita esperança aos nossos leitores, assim como aos católicos de mentalidade tradicional em todo o mundo. A nossa primeira pergunta é a seguinte: Recentemente, os católicos tradicionais ficaram atordoados com a notícia de que dois funcionários do Vaticano ameaçaram processar blogueiros e jornalistas tradicionais católicos. O senhor concorda com essa abordagem, e o senhor acha que devemos estar preparados para ver essa atitude com mais frequência no futuro?

Cardeal Burke: A não ser que o blogueiro tenha difamado o bom nome de alguém de maneira injusta, certamente, não acho que esse seja o modo como nós, católicos, devemos lidar com essas questões. Creio que devem ser feitos contatos. Presumo que o blogueiro católico tenha agido de boa fé, e se houver alguém na hierarquia que esteja chateado com ele, a maneira de lidar com esse assunto seria, em primeiro lugar, abordar a pessoa diretamente e tentar resolver o problema dessa forma. No Evangelho de São Paulo aos Coríntios, Nosso Senhor nos orienta a não levarmos nossas contendas à esfera civil e diz que devemos ser capazes, como católicos, de resolver essas questões entre nós. (cf. Mt. 18:15; 1 Cor. 6:1-6)

CONFUSÃO VINDA DO PAPA FRANCISCO

Rorate Caeli: Após oito anos sob o Papa Bento XVI, o clero, os leigos e até mesmo a mídia se habituaram à clareza. Com tanta confusão gerada a partir das declarações diárias do Papa Francisco, confusão vinda do Sínodo, etc., será que não seria melhor nos concentrarmos mais em nível local e paroquial e na Tradição da Igreja, em vez de buscarmos orientação específica de Roma em questões atuais?

Cardeal Burke: Sim, penso que, de fato, o Papa Francisco tenha dado essa indicação. Por exemplo, em sua Exortação Apostólica, Evangelii Gaudium, ele diz que não a considera um ensinamento magisterial. (Cf. 16) Com alguém como o Papa Bento XVI, tínhamos um mestre, que nos dava catequese extensa sobre vários temas. Agora eu digo às pessoas que, se elas estão se sentindo confusas por causa do método de ensino do Papa Francisco, o importante é nos voltarmos para o catecismo e para aquilo que a Igreja sempre ensinou, e ensinar essas coisas, promovendo-as em nível paroquial, a começar pela família. Não podemos perder a nossa energia nos sentindo frustrados com uma coisa que achamos que deveríamos estar recebendo e não estamos. Em vez disso, sabemos com certeza o que a Igreja sempre ensinou, e precisamos nos basear nesse ensinamento e concentrarmos nossa atenção nele.

COMUNHÃO PARA ADÚLTEROS E ATAQUE À DOUTRINA

Rorate Caeli: E por falar nesse ensinamento e no que temos ouvido, o senhor tem dado o que falar ultimamente ao anunciar que vai resistir a qualquer ensinamento heterodoxo sobre o matrimônio, e que os católicos devem reagir, o que nos leva a toda uma questão sobre a qual estávamos indagando. Qual deve ser a resposta dos fiéis católicos se houver uma mudança na disciplina referente à Sagrada Comunhão para divorciados e adúlteros?

Cardeal Burke: Eu estava respondendo a uma pergunta hipotética. Algumas pessoas tentaram interpretar minha resposta como um ataque ao Papa Francisco, o que não era o caso, de jeito algum. Essa foi uma pergunta hipotética que me foi apresentada, e eu simplesmente disse: “nenhuma autoridade pode nos ordenar a agir contra a verdade, e, ao mesmo tempo, quando a verdade está sob qualquer tipo de ameaça, temos que lutar por ela.” Isso é o que eu quis dizer quando falei aquilo. Quando a seguinte pergunta hipotética me foi apresentada: “E se essa agenda for imposta? “. Eu respondi: “Bem, eu simplesmente terei de resistir a ela. Esse é o meu dever.”

Rorate Caeli: Como um fiel católico pode contra-atacar? Seria em seu lar? Seria em um blog?

Cardeal Burke: Penso que vocês têm que continuar ensinando, em seus lares e em suas próprias vidas pessoais, conservando a verdade da fé da maneira como a conhecem, e também falando claramente sobre ela, assim como comunicando ao Santo Padre a sua profunda preocupação, de que na realidade vocês não podem aceitar uma mudança na disciplina da Igreja, o que equivaleria a uma mudança em seu ensinamento sobre a indissolubilidade do matrimônio. Nesse ponto creio que é muito importante tratar da falsa dicotomia que foi elaborada por alguns que dizem: “Oh, não, estamos apenas mudando disciplinas. Não estamos mexendo na doutrina da Igreja”. No entanto, se alterarmos a disciplina da Igreja no que tange o acesso à Sagrada Comunhão por parte daqueles que estão vivendo em adultério, então, certamente, estamos alterando a doutrina da Igreja sobre o adultério. Estaremos dizendo que, em algumas circunstâncias, o adultério é admissível e até mesmo bom, se as pessoas puderem viver em adultério e ainda receber os sacramentos. Trata-se de uma questão muito séria e os católicos têm de insistir para que a disciplina da Igreja não seja alterada de maneira que, na verdade, venha a enfraquecer a nossa doutrina sobre uma das verdades mais fundamentais, a verdade sobre o matrimônio e a família.

BISPOS DISSIDENTES E O SUMMORUM PONTIFICUM

Rorate Caeli: Falemos agora de algo que está bem no controle de Vossa Eminência, como podemos cumprir a promessa e o mandato do Summorum Pontificum neste momento particular da Igreja, e qual é o papel que o Direito Canônico desempenha ao disponibilizar a Missa Tradicional em cada paróquia?

Cardeal Burke: A lei está em vigor uma vez que ela foi dada pelo Papa Bento XVI, e ela não foi alterada. O documento para a sua implementação foi emitido pela Pontifícia Comissão Ecclesia Dei. Todas essas prescrições ainda estão em vigor. Todas essas prescrições insistem na ideia de que quando houver o desejo da Missa tradicional dentre um grupo estável de fiéis, ela lhes deve ser concedida.

Rorate Caeli: De acordo com Summorum, para as famílias cujos filhos nunca foram expostos ao Novus Ordo, embora seu ordinário local não vá atender aos mandatos do Summorum concedendo-lhes a Confirmação no rito tradicional, caso essas famílias levem seus filhos à diocese vizinha ou a uma paróquia pessoal como a da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP), a fim de que eles sejam confirmados no rito tradicional?

Cardeal Burke: Certamente, eles têm o direito de receber os sacramentos no rito tradicional, na Forma Extraordinária. Se eles não puderem recebê-lo em sua própria diocese, então, certamente, eles poderiam solicitar ao seu pároco para dar-lhes uma declaração dizendo que a criança está apta a ser confirmada e, em seguida, levá-las para serem confirmadas em outro local onde a confirmação no rito tradicional seja permitida.

DESMANTELAMENTO DOS FRADES FRANCISCANOS DA IMACULADA

Rorate Caeli: Provavelmente o senhor sabe que temos feito a cobertura dos relatos desanimadores e assustadores do desmantelamento dos Frades Franciscanos da Imaculada (FIs) no ano passado. Vossa Eminência acha que o comissário, Padre Volpi, foi justo? E o que Vossa Eminência acha da declaração de mediação do tribunal feita pelo Padre Volpi relativamente à família do fundador?

Cardeal Burke: Realmente, não tenho o tipo de informações diretas sobre as quais eu possa formar um juízo sobre o assunto. Devo dizer que, apenas como opinião de alguém de fora, Padre Volpi tomou algumas medidas muito fortes de maneira muito rápida. Aparentemente, também li a história, ele teve que admitir que a acusação que fez contra o Padre Stefano Manelli, o fundador dos Freis da Imaculada, e os membros de sua família, de que de alguma forma eles estavam usando indevidamente os bens dos Frades da Imaculada, não era verdadeira. Sem dúvida, esse é um assunto muito sério. Muitos frades estão saindo, e ao que parece, deve haver alguma maneira de lidar com toda a situação para que a própria ordem não desmoronasse, porque eles eram pujantes, tinham muitas vocações e têm muitos apostolados. Na minha opinião, essa é a parte preocupante.

Rorate Caeli: Há relatos, e sinceramente recebemos relatos pessoais sobre esse assunto, de que os padres FIs estariam dizendo que eles estão “fugindo”, eles estão “se escondendo”, usando essas palavras dos atuais FIs sob o padre Volpi. Há também relatos de bispos que estão acolhendo os padres FIs sacerdotes que buscam refúgio em suas dioceses. Vossa Eminência encorajaria esses outros bispos a fazer o mesmo?

Cardeal Burke: Se houver um padre que deseje deixar a sua comunidade religiosa, e se ele for um bom sacerdote e não houver nada em contrário à aceitação deste pelo bispo, creio que um bom bispo certamente aceitaria esse sacerdote e tentaria ajudá-lo a se tornar um padre de sua diocese. Existe um processo; leva tempo. O padre que está querendo deixar sua comunidade religiosa precisa encontrar um bispo acolhedor. Quando um bispo é capaz de acolher um padre, penso que ele deveria se sentir feliz em fazê-lo, pois com isso ele ajudaria um bom sacerdote a ser capaz de continuar exercendo o seu ministério sacerdotal.

PADRES TRADICIONAIS REPRIMIDOS POR BISPOS DISSIDENTES

Rorate Caeli: Na opinião da Vossa Eminência, o que os bons padres que estão sendo reprimidos por seus bispos deveriam fazer? Sabemos de muitos, embora não vamos dizer seus nomes publicamente. Alguns atualmente não têm qualquer função, e eles estão vivendo de doações e ajuda de familiares e amigos. Alguns pensam que é preciso se unir a grupos independentes. Que conselho Vossa Eminência dá aos sacerdotes que simplesmente querem viver, pregar e celebrar a missa da maneira como todos os sacerdotes fizeram antes do Concílio?

Cardeal Burke: Eu simplesmente os exortaria a procurar um bispo que esteja receptivo a esses padres e que tentasse ajudá-los, se possível, ou se ele mesmo não puder ajudá-los diretamente, que os ajude a encontrar outro bispo que lhes permita levar uma boa vida sacerdotal. Isso é tudo o que se pode fazer. Obviamente, há também o recurso à Congregação para o Clero. Se o sacerdote considera que ele está simplesmente sendo tratado de maneira injusta, então, ele poderá pedir a intervenção da Congregação para o Clero.

Rorate Caeli: Há relatos de que, no afã de resolver o problema que acabamos de discutir, uma Administração Apostólica para sacerdotes e religiosos tradicionais talvez seja a saída, a fim de resolver muitos desses problemas com que se deparam, em termos de viver sua vocação estritamente de acordo com o Summorum Pontificum. Vossa Eminência poderia comentar sobre em que ponto do processo isso poderia ocorrer– o futuro de uma Administração Apostólica?

Cardeal Burke: Isso é possível. Não estou ciente de que haja alguma coisa a caminho a esse respeito. Talvez esteja, eu apenas não ouvi nada sobre esse assunto. Certamente essa é uma possibilidade e seria uma maneira de assistir aqueles padres e fiéis que lhes estão vinculados para permanecer em comunhão com a Igreja.

MAIS PADRES SENDO ELIMINADOS. AUTORIDADE DE BURKE 

Rorate Caeli: Agora Vossa Eminência talvez seja tendencioso sobre essa questão, mas será que a Ordem Militar Soberana de Malta teoricamente seria capaz de atuar como uma Administração Apostólica, concedendo faculdades a padres e religiosos tradicionais?

Cardeal Burke: Bem, a Soberana Ordem Militar de Malta, os Cavaleiros de São João de Jerusalém, tem incardinado sacerdotes. Mas ela o fez como uma ordem militar soberana, não como uma Administração Apostólica. A Ordem tem um Prelado, nomeado pelo Santo Padre, que participa do governo da Ordem. Ele é claramente o superior legítimo de quaisquer padres incardinados na Ordem. Precisamente agora, estamos estudando toda a situação, porque temos pedidos de mais padres que desejam ser incardinados na Ordem. Mas, certamente, isso aconteceu no passado, e não há razão para que não possa continuar acontecendo, não em razão do estabelecimento de uma Administração Apostólica, mas em razão da natureza da Ordem.

CELIBATO SACERDOTAL

Rorate Caeli: Já estávamos pensando em fazer essa pergunta meses atrás, quando começamos a elaborar as perguntas da entrevista, e então ouvimos dizer que o Papa falou ontem mesmo que a questão dos padres casados está “em sua agenda”. Será que o celibato sacerdotal para os padres ocidentais está sob grave ameaça com este pontificado?

Cardeal Burke: Esse seria um assunto muito sério porque ele envolve o exemplo do Próprio Cristo, e a Igreja sempre valorizou o seguimento do exemplo de Cristo em seus padres, também em Seu celibato. Ouvi esses relatos, mas não sou capaz de verificá-los, mas essa seria obviamente uma questão muito séria. O assunto já foi analisado por um sínodo mundial de bispos no final dos anos sessenta, e naquele sínodo havia uma reafirmação muito sólida do ensinamento de Cristo sobre o celibato. Eu não me refiro ao celibato como uma disciplina porque ele tem a ver como aquilo que desde os primeiros séculos a Igreja entendeu como sendo o mais adequado para os seus padres. Trata-se de algo mais do que uma disciplina, e, portanto, creio que é muito difícil imaginar que haveria uma mudança nessa questão.

ESTÍMULO AOS CATÓLICOS TRADICIONAIS

Rorate Caeli: Que palavras de encorajamento Vossa Eminência pode dar aos católicos tradicionais que estão lutando para salvar suas almas e as almas de seus filhos no mundo moderno, e, sem qualquer ajuda de Roma, como muitas vezes parece ser o caso?

Cardeal Burke: Costumo dizer para aqueles que me escrevem expressando desânimo ou que estão pedindo orientação a respeito do que parece ser uma situação muito conturbada que, quando estamos em momentos como este, parece haver certa confusão no governo da Igreja, então, mais do que nunca precisamos nos embeber do magistério constante da Igreja e transmiti-lo aos nossos filhos e fortalecer a nossa compreensão desse magistério em nossas paróquias e famílias. E Nosso Senhor nos garantiu — Ele não nos disse que não haveria ataques à Igreja, mesmo desde dentro, mas Ele nos assegurou que as portas do Inferno nunca prevaleceriam sobre a Igreja. Em outras palavras, Satanás, com seus enganos, ao final nunca prevalecerá sobre a Igreja. Temos de ter essa confiança sobre nós e agir conforme ela com grande alegria e grande determinação, ao ensinar a fé, ou dar testemunho com apologética às almas que não compreendem a fé, ou que ainda não se tornaram membros da Igreja. Sabemos que as portas do inferno não prevalecerão, mas, entretanto, o nosso caminho é o caminho da Cruz. E quando temos que sofrer por amor àquilo em que acreditamos ser verdadeiro, podemos abraçar o sofrimento com o conhecimento do resultado final: isto é, que Cristo é o Vencedor. Ele é Aquele que, em última análise, supera todas as forças do mal no mundo e restaura a nós e o nosso mundo para o Pai. É assim que eu tento encorajar os fiéis. Creio que também seja importante que os católicos tradicionais devotos conheçam uns aos outros e se apoiem mutuamente, carregando os fardos uns dos outros, como diz as Escrituras. Devemos estar preparados para fazê-lo, e sermos sensíveis às famílias que possam estar sofrendo algumas dificuldades específicas a este respeito, e tentarmos estar o mais próximos possíveis uns dos outros.

CONCÍLIO VATICANO III?

Rorate Caeli: Obrigado. Temos apenas mais algumas perguntas. Há alguns relatos esparsos, mas de fontes confiáveis, de que Francisco estaria considerando a convocação de um Concílio Vaticano III. Vossa Eminência ouviu alguma coisa a esse respeito?

Cardeal Burke: Não, de maneira alguma.

PROCESSO DE ESCOLHA DE BISPOS

Rorate Caeli: As nomeações episcopais nos Estados Unidos eram, em geral, mais conservadoras sob Bento XVI. Isso não acontecia em todos os lugares. A partir desse aspecto decorre uma clara lacuna com os padres e fiéis praticantes da nova geração que são amplamente conservadores, vinculados ao catecismo verdadeiro, à lei moral da Igreja Católica, a uma Liturgia Sagrada reverente. Vossa Eminência é a favor de uma nova orientação na nomeação dos bispos dos Estados Unidos e outros países? Em sua opinião, o método atual de seleção dos bispos é bom?

Cardeal Burke: Penso que sim. Ele envolve a consulta não só a outros bispos e sacerdotes da diocese, mas também a fiéis leigos. E sempre existe a possibilidade de que os membros individuais do laicato ou grupos de fiéis leigos expressem seus receios à Congregação para os Bispos e ao Núncio Apostólico. Acho que o mais importante é que o Núncio Apostólico saiba, quando houver nomeação de um bispo sendo considerado para uma diocese, que há muitíssimos fiéis com necessidades específicas e que expressam essas necessidades.

PAPEL ATUAL NA IGREJA

Rorate Caeli: Qual é o enfoque principal de trabalho de Vossa Eminência nesses dias?

Cardeal Burke: Meu enfoque principal está na Ordem Militar Soberana de Malta, ajudando o Grão Mestre com a governança da Ordem, especialmente na dimensão espiritual. A Ordem tem uma finalidade dupla: a defesa da fé e o cuidado dos pobres. As duas coisas honestamente caminham muito juntas. Eu o estou ajudando em questões sobre a estrutura da própria Ordem, a fim de cumprir mais eficazmente as duas finalidades, mas também a lidar com questões que inevitavelmente surgem em qualquer organização católica no que diz respeito à doutrina e à moral. Esse é o meu enfoque principal. Também estou tomando tempo para estudar e escrever sobre questões importantes da Igreja contemporânea.

TRADICIONALISTAS RESTAURANDO A IGREJA

Rorate Caeli: O senhor percebe que os católicos tradicionais estão assumindo um papel de liderança, no futuro, para a restauração da Igreja?

Cardeal Burke: Penso que sim. Cada vez mais encontro famílias católicas fortes que são devotas da Missa tradicional, e acho que as famílias vão ter cada vez mais influência daqui pra frente. Se essas famílias influenciarem outras famílias, então, obviamente há um ímpeto que cresce.

Rorate Caeli: Será que existe algo mais que não abordamos e que Vossa Eminência gostaria de acrescentar?

Cardeal Burke: Só para encorajar todos a serem devotados à Sagrada Liturgia, que é a expressão máxima de nossa fé católica, a expressão máxima de nossa fé em Deus, e sermos muito devotados ao estudo do Catecismo da Igreja Católica, e ao ensino da fé em nossos lares e em nossas comunidades locais. A Igreja tem sofrido terrivelmente por décadas de má catequese, de tal forma que os fiéis, as crianças e jovens, até mesmo adultos, não conhecem a sua fé, e precisamos resolver isso, porque as duas coisas caminham juntas. Quando conhecemos bem a nossa fé, então, temos um forte desejo de prestar culto de acordo com a nossa fé e, ao mesmo tempo, o nosso culto nos faz desejar mais conhecer a nossa fé. E então, obviamente, tudo isso fica expresso em ação pela caridade das nossas vidas, especialmente em favor de todos aqueles mais necessitados.

Rorate Caeli: Isso leva a uma última pergunta. Vossa Eminência mencionou a família no lar muitas vezes. Será que João Paulo II foi profético quando falou sobre a Igreja doméstica?

Cardeal Burke: Oh, sim. Ele disse que a Igreja vem até nós através da família, e isso é verdadeiro. O Próprio Cristo vem através da família. Ele foi profético no sentido de que pronunciou novamente aquilo que a Igreja entende desde o início. Essa expressão, Igreja doméstica, é muito antiga, e ela foi repetida no Concílio Vaticano Segundo. Trata-se de uma terminologia muito antiga para a família. Ele foi profético nesse ponto, no sentido de que ele estabeleceu aquilo que o próprio Deus nos ensina sobre a família.

Rorate Caeli: Isso é tudo que temos para Vossa Eminência. Muito obrigado pelo seu tempo hoje e seu incrível serviço à Santa Madre Igreja.

3 março, 2015

Cardeal Raymond Burke faz grande elogio a Plínio Corrêa de Oliveira, fundador da TFP.

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Cardeal Burke e fiéis brasileiros por ocasião da peregrinação Summorum Pontificum de 2014.

Por Manoel Gonzaga Castro | Fratres in Unum.com: Em 16 de fevereiro último, o Cardeal Raymond Leo Burke, patrono da Soberana Ordem de Malta e atualmente sob os holofotes por causa de sua resistência às ondas inovadores do Sínodo da Família, teceu grande elogio ao pensador católico brasileiro Plínio Corrêa de Oliveira (1908 – 1995).

O elogio foi feito em carta ao Sr. Mathias von Gersdorff, diretor da TFP da Alemanha, que presenteou o cardeal uma biografia recém escrita por ele sobre o fundador da TFP.

Segue a carta, publicada no site do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, entidade sucessora da TFP após a dissidência dos Arautos do Evangelho, liderados por Mons. João Scognamiglio Clá Dias:

16 de fevereiro de 2015

Caro Mathias,

Meus cordiais agradecimentos por sua amabilíssima carta de 13 de janeiro passado que o senhor deixou na minha residência, por ocasião de sua visita a Roma. Obrigado por incluir junto à carta o presente da biografia de Plinio Correa de Oliveira, Begegnung mit Plinio Correa de Oliveira – Katholischer Streiter in stürmischer Zeit, que vem de ser publicada.

Cardeal Burke e membros da TFP na Marcha pela Vida, em Roma.

Cardeal Burke e membros da TFP na Marcha pela Vida, em Roma.

Dou-lhe minhas congratulações cordiais pela publicação da biografia do grande leigo católico brasileiro, o qual, como o senhor corretamente observa, é sob tantos aspectos um modelo para nós nestes tempos difíceis na vida da Igreja! Fico muito agradecido por um exemplar deste livro.

Agradeço-lhe especialmente por suas orações por mim. Por favor, continue assim, porque tenho muita necessidade delas.

Invocando a benção de Deus para o senhor e todos os seus labores, e confiando suas intenções à intercessão de Nossa Senhora de Altötting, de São Miguel Arcanjo, de São José e dos Santos Pedro e Paulo, permaneço

seu devotadamente no Sagrado Coração de Jesus
e no Imaculado Coração de Maria

Cardeal Raymond Leo Burke

3 março, 2015

O caso do desaparecimento do prefácio de Bento XVI.

Por Katholisches.info | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com: (Roma) Os defensores da doutrina católica sobre o matrimônio e a família atualmente  estão enfrentando tempos difíceis. Os editores que publicaram livros em defesa do sacramento do matrimônio estão sendo pressionados. Os livros em defesa do matrimônio e da moral católica que estavam a caminho do Sínodo no Vaticano desapareceram. Ataques públicos contra os cardeais que se opõem à proposta de Kasper, aprovada pelo Papa Francisco, são desferidos para prejudicar-lhes a reputação. Demissões e destituições estão ocorrendo.

Onde está o prefácio?

Onde está o prefácio?

Não se pode dizer facilmente em que proporção isso está acontecendo por obediência antecipada ou por ordem direta de instâncias superiores. Contudo, muitos indícios apontam para um firme centro de comando ao redor do Papa Francisco. Há um objetivo em mente e é preciso alcançá-lo em outubro de 2015. Nos bastidores, a rica igreja alemã aumentou sua pressão sobre RomaO Cardeal Reinhard Marx mandou o recado de que a Alemanha pode mudar a prática da Igreja por si caso Roma reverta o Sínodo novamente, como fez em outubro de 2014. Será que Marx é uma sombra do Papa em Munique? Na Roma argentina, estão querendo pegar – se não fosse pelos incômodos “conservadores” – aqueles que não querem acompanhar o progresso.

Dentre eles encontra-se o cardeal africano Robert Sarah. Recentemente, a editora francesa Fayard lançou um livro-entrevista com o Cardeal Sarah. Nele encontramos a seguinte afirmação: “A ideia de deixar o Magistério em uma bela caixa e assim separá-lo da prática pastoral, e, em seguida, dependendo das circunstâncias, desenvolvê-lo de acordo com as modas e paixões, é uma forma de heresia, de esquizofrenia patológica. Afirmo solenemente que a Igreja da África se oporá a qualquer forma de rebelião contra o Magistério de Cristo e da Igreja.”

Um livro com um enigma

Um livro que oferece um enigma. A editora o anunciou com um “Prefácio do Papa Emérito Bento XVI”, e o nome de  Bento XVI foi publicado na capa do livro (veja a foto acima), mas ele sumiu. O livro foi publicado sem o prefácio. “Muito possivelmente, Bento XVI escreveu um prefácio para o livro; caso contrário, a página de título não seria concebida com esse aviso, que poderia ser usado para fins publicitários”, disse [o blog francês] Benoit et moi . O porquê da retirada do prefácio segue sendo um mistério. “Que ideias politicamente corretas ganharam a última palavra na editora Fayard para considerar imprudente a publicação de um prefácio do Papa Emérito em um novo livro?”, indagou Benoit et moi, esperançoso de que o Cardeal Sarah divulguasse o prefácio escrito por Bento XVI.

As razões para a retirada do prefácio, obviamente, não devem recair sobre a editora francesa. Por enquanto, o que temos é a suspeita de pressão e intimidação contra aqueles que defendem a doutrina e a ordem católica, para que essa defesa seja denunciada como “ataques” contra o Papa.

Cardeal Sarah

Cardeal Sarah

O Cardeal Sarah atuou por 22 anos como arcebispo de Conakry, na Guiné. Ele sabe como lidar com situações difíceis sem se exasperar de imediato. Seu predecessor fora encarcerado por nove anos pelos comunistas que na época governavam a Guiné. Em 2001, o Papa João Paulo II o chamou a Roma e o designou Secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos. Em 2010, o Papa Bento XVI o nomeou Presidente do Pontifício Conselho Cor Unum e o criou cardeal no mesmo ano. Ao final de 2014, o Papa Francisco o nomeou como o novo Prefeito da Congregação para o Culto Divino. Na busca de um sucessor para o ratzingeriano Cardeal Cañizares, pesaram sua origem e dedicação no contexto das obras de caridade da Igreja a favor dos africanos. O fator determinante parece ter sido que após a gafe verbal do Cardeal Walter Kasper durante o Sínodo, o Papa Francisco esforçou-se para fazer gestos de boa vontade em relação à África. Desde então, a Presidência do Pontifício Conselho Cor Unum está vacante, o que facilita a fusão proposta dos Conselhos Pontifícios como parte da reforma da Cúria.

2 março, 2015

E que tal Henrique VIII?

O Cardeal George Pell, secretário para a Economia, tem sido alvo de ataques no que alguns chamaram de retorno dos Vatileaks. Evidentemente, isso só ocorre por conta de seu claro posicionamento em favor da família. Não se vê vazamentos nem torpedos contra Kasper, Paglia, Marx…

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Por Cardeal George Pell | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com: Curiosamente, o rígido ensinamento de Jesus de que “portanto, não separe o homem o que Deus uniu ” (Mt 19: 6) não ocorre muito tempo depois de sua insistência a Pedro sobre a necessidade do perdão (cf. Mateus 18: 21–35).

Cardeal George Pell.

Cardeal George Pell.

É verdade que Jesus não condenou a mulher adúltera que fora ameaçada de morte por apedrejamento, mas Ele não lhe disse para continuar do mesmo jeito ou ir levando a vida sem se modificar. Ele lhe disse para não mais pecar (cf. João 8: 1–11).

Uma barreira intransponível para aqueles que defendem uma nova disciplina doutrinal e pastoral a fim de receber a Sagrada Comunhão é a unanimidade quase completa de dois mil anos de história católica sobre esse assunto. É verdade que os ortodoxos têm uma tradição de longa data, embora diferente, que lhes foi imposta originalmente por seus imperadores bizantinos, porém, essa nunca foi a prática católica.

Alguém talvez alegue que as disciplinas penitenciais nos primeiros séculos antes do Concílio de Nicéia eram muito rigorosas, uma vez que eles discutiam se os culpados de assassinato, adultério ou apostasia poderiam ser reconciliados pela Igreja com suas comunidades locais uma única vez — ou nunca. Eles sempre reconheceram que Deus poderia perdoar, mesmo quando a capacidade da Igreja de readmitir pecadores à comunidade era limitada.

Esse rigor era a norma no tempo em que a Igreja estava se expandindo em número, apesar da perseguição. Não se pode ignorá-los, tanto quanto não se pode ignorar os ensinamentos do Concílio de Trento ou de São João Paulo II ou Bento XVI sobre o matrimônio. Será que as decisões que se seguiram ao divórcio de Henrique VIII foram totalmente desnecessárias?

1 março, 2015

Foto da semana.

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Em 21 de fevereiro, o Arcebispo de Lviv, Mieczysław Mokrzycki, levou seus confrades bispos para encontrar Bento XVI por ocasião da visita Ad Limina dos bispos da Ucrânia. Dom Mokrzycki foi segundo secretário tanto de João Paulo II como de Bento XVI, até ser designado e sagrado bispo pelo hoje Papa emérito na Basílica de São Pedro. Bento XVI convidou, então, seu ex-secretário para almoçar e expressou o desejo de ver os bispos ucranianos. O encontro ocorreu na gruta de Lourdes, nos jardins do Vaticano.

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28 fevereiro, 2015

Efeito “Quem sou eu para julgar?” – Pais e alunos protestam contra Moral Católica em escolas… Católicas!

Pais e alunos de escolas Católicas de San Francisco protestam contra cláusulas de moralidade nos contratos de Professores.

Por CBS | Tradução: Fratres in Unum.com – SAN FRANCISCO (KPIX 5) – Pais e alunos de escolas controladas pela Arquidiocese Católica de San Francisco participaram de um protesto em frente à Catedral de Santa Maria, na Quarta-Feira de Cinzas, alegando que a Igreja deveria ficar fora dos quartos dos professores e retirar as cláusulas de moralidade propostas nos contratos com os professores.

Assista ao vídeo aqui.

Na Quarta-Feira de Cinzas, um dos dias mais sagrados no calendário católico, os alunos e pais esperavam que o Arcebispo Salvatore Cordileone mudasse de ideia sobre as cláusulas, uma vez que nesse dia a Igreja inicia um período de 40 dias de reflexão quaresmal.

Pais e alunos protestaram contra cláusulas de moralidade propostas para a Arquidiocese de San Francisco em frente à Catedral de Santa Maria, no dia 18 de fevereiro de 2015. (CBS)

Pais e alunos protestaram contra cláusulas de moralidade propostas para a Arquidiocese de San Francisco em frente à Catedral de Santa Maria, no dia 18 de fevereiro de 2015. (CBS) – Num dos cartaz se lê: “Quem sou eu para julgar?”

“Estamos aqui porque se Jesus estivesse vivo hoje em dia, ele estaria de pé bem perto de nós”, disse Mairead Ahlbach, uma aluna da escola do Sagrado Coração, à multidão.

O que está em discussão são os contratos de moralidade propostos pelo arcebispo aos professores, que incluem cláusulas como oposição ao homossexualismo e contraceptivos.

Do lado de fora da catedral, o padre John Piderit da Arquidiocese disse: “O arcebispo está reiterando a doutrina católica tradicional. E a reclamação feita por diversos políticos e alguns pais e professores é que essa atitude é discriminatória. Na realidade, a nossa abordagem é a mesma para rapazes e moças, para heterossexuais e gays.”

Mas as diferenças sobre a doutrina e sua aplicação são profundas.

“A única coisa que estamos fazendo nesta noite é pregar valores católicos,” disse Ahlbach.

Ao serem indagados sobre se a proposta do arcebispo se enquadra na doutrina católica, outra aluna que participava do protesto disse: “Sim, ela efetivamente se enquadra na doutrina católica, mas achamos que se ela for implementada talvez muitos de nossos professores saiam da escola.”

“Não queremos que os nossos professores saiam e talvez até mesmo abandonem a fé. Apenas achamos que a Igreja Católica deveria se tornar mais progressista, assim como a Igreja Anglicana,” disse a aluna.

* * *

Nota do Fratres: Além dos protestos de pais e alunos das escolas de San Francisco, Dom Cordileone enfrenta protestos da Fundação da Campanha de Direitos Humanos, o braço educacional da maior organização americana de direitos civis de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais, que apela à Arquidiocese de San Francisco que retire a linguagem anti-LGBT de seu novo contrato com os professores.

“As novas ‘cláusulas morais’ propostas no contrato pelo Arcebispo Salvatore Cordileone contrastam de maneira gritante com a mensagem de inclusão promovida pelo Papa Francisco”, disse Lisbeth Melendez Rivera, diretora da Latina/o e Iniciativas Católicas para o Programa de Religião e Fé da Fundação HRC. “Ao impor algo que equivale a um teste de pureza anti-LGBT, o arcebispo está fechando a porta a profissionais dedicados, muitos dos quais são católicos fiéis – gays e heterossexuais -, cujos códigos morais não incluem discriminação.”

Por sua vez, em carta aos professores de ensino médio, o Arcebispo Cordileone falou que o documento não tem por objetivo demitir ninguém, mas como acontece com muitas questões polêmicas relacionadas à fé e moral, ele percebeu que era importante ajudar os professores a oferecer perspectivas a seus alunos que estejam lutando em áreas como moralidade sexual e disciplina religiosa.

27 fevereiro, 2015

Sínodo: o mistério do livro desaparecido.

A agência alemã Kath.net informou e logo em seguida vários sites de língua inglesa; também aqui recontamos um episódio do Sínodo, em 2014, que se for mesmo verdade, como parece ser, não pode deixar de suscitar algumas perplexidades.

Por Marco Tosatti – La Stampa | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: A agência alemã Kath.net informou, e logo em seguida vários sites de língua inglesa. Também  aqui recontamos um episódio do Sínodo, em 2014, que se for mesmo verdade, como parece ser, não pode deixar de suscitar algumas perplexidades.

51jX-noL9nL._SY344_BO1,204,203,200_Lembram-se do livro “Permanecendo na verdade de Cristo. Matrimônio e comunhão na Igreja Católica”, publicado pela Cantagalli no ano passado, em que cinco cardeais de grande peso, incluindo o prefeito da Doutrina da Fé e outros especialistas e estudiosos defendiam tudo aquilo que até agora o Magistério ensinou sobre casamento, divórcio, etc? O texto, que na versão em Inglês é intitulado “Remaining in the Truth of Christ: Marriage and Communion in the Catholic Church”, foi impresso em três línguas e enviado (Inglês e Italiano certamente) aos participantes do Sínodo dos Bispos sobre a família de Outubro de 2014. As intervenções, algumas das quais precedentes ao consistório em que o cardeal Walter Kasper tinha enunciado sua tese e que foram objeto do debate, sobre a possibilidade de os divorciados novamente casados  receberem a comunhão, eram certamente contrárias à posição assumida pelo cardeal alemão e apoiado pela Secretaria do Sínodo.

O Sínodo de 2014 diferia de todos os outros anteriores, porque a Secretaria não quis que as intervenções dos bispos e cardeais participantes se tornassem públicas; uma decisão que foi julgada contrária à transparência de que tanto falam. O livro foi despachado individualmente para cada bispo participante do sínodo, mas nunca chegou. E de acordo com o que está sendo escrito, quando os organizadores do Sínodo tomaram conhecimento, simplesmente fizeram com que o pacote com o livro desaparecesse das caixas de correio dos membros do sínodo. Apenas dois ou três prelados o teriam recebido.

O artigo de Kath.net, que atribui ao Cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário do Sínodo, a responsabilidade por este gesto, diz entre outras coisas: “Este incidente teve lugar no Vaticano e não no Kremlin. Como eu relatei a um amigo que naqueles dias estava prestes a voltar para a África, ele sorriu docemente e disse: ‘Por que você se preocupa? Aqui no Sudão as coisas não estão melhores'”.

Padre Joseph Fessio, SJ, diretor da Ignatius Press, que publicou a edição americana do livro, confirma que dezenas de cópias foram enviadas e recebidas pelo correio do Vaticano (administrado pelo Governatorato), mas nunca chegou aos destinatários.

27 fevereiro, 2015

Cardeal Marx diz que a Igreja da Alemanha não é uma filial de Roma e que Sínodo não pode dizer-lhes o que devem fazer.

O presidente da Conferência Episcopal Alemã, cardeal arcebispo de Munique, Reinhard Marx, declarou que «não somos uma filial de Roma. Cada conferência episcopal é responsável pelo cuidado pastoral em sua cultura e devemos, como tarefa própria, anunciar o evangelho por nossa conta». Quanto à pastoral, o cardeal disse que «o Sínodo não pode prescrever em detalhes o que devemos fazer na Alemanha».

Por Il Foglio/Cathcon/InfoCatólica | Tradução: Marcos Fleurer – Fratres in Unum.com Em declarações à imprensa, o cardeal dá por fato que após o sínodo seguirá uma comissão (em seu país) que analisará os temas mais relevantes já que, segundo ele as polêmicas teológicas sobre o matrimônio, a família e a moral sexual não poderão ser solucionadas em três semanas.

No Sínodo, indica, devemos encontrar um texto base que «conduziria a um maior progresso» na discussão. Também deve se buscar uma posição comum sobre questões fundamentais.

Sobre a doutrina, o cardeal disse que se deve estar em comunhão com a Igreja, mas em questões individuais de atenção pastoral, «o Sínodo não pode prescrever em detalhes o que devemos fazer na Alemanha». Portanto, acrescenta, os bispos alemães tem a intenção de publicar sua própria carta pastoral sobre o matrimônio e a família depois do Sínodo.

O ofício dos bispos não é esperar e receber permissão. «Não somos só uma filial de Roma.Cada conferência episcopal é responsável pelo cuidado pastoral em sua cultura e devemos, como tarefa própria, anunciar o evangelho por nossa conta. Não podemos esperar até que um sínodo estabeleça algo, como temos feito até aqui, para abordar a pastoral familiar».

25 fevereiro, 2015

Pe. Michael Rodríguez: Fé e Coragem a toda prova.

Perseguições, provações e tristezas. Isso é uma graça porque é o que nos faz santos e amigos de Cristo. Se você realmente quer ser um santo, se você realmente quer ser um amigo de Cristo, você tem de sofrer perseguições, provações e tristezas” 

Com muita satisfação apresentamos o belíssimo vídeo produzido pela JMJ Productions do último sermão público do reverendíssimo Padre Michael Rodríguez, na igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Shafter, Texas. Como é do conhecimento dos nossos leitores, padre Rodríguez foi destituído de sua paróquia, no dia 10 de novembro do ano passado, devido à sua defesa intransigente da Fé Católica em sua doutrina, liturgia e moral.

Apresentamos este vídeo não apenas para consolo de seus admiradores brasileiros, mas especialmente para que ele sirva de estímulo e encorajamento aos seus irmãos sacerdotes diocesanos, que, uma vez tendo conhecido a magnificência do Rito Antigo, sentem receio de implementá-lo em suas próprias paróquias.

Padre Michael Rodríguez ficou mundialmente conhecido não somente por sua profunda piedade e amor à Tradição Católica, mas, sobretudo, por fazer o que precisava ser feito, com coragem e coerência, ao amparo dos documentos magisteriais, sobretudo do Motu Poprio Summorum Pontificum. Embora tenha sempre acatado as decisões de seus superiores e os sofrimentos que lhe foram impostos, o heróico sacerdote percebeu que não poderia deixar de oferecer a seus fiéis o bem mais precioso na face da Terra – o Santo Sacrifício da Missa em sua forma mais bela, ortodoxa e reverente.

O recolhimento sabático a que o referido sacerdote foi submetido no ano passado chegará ao fim em 10 de abril. Até lá, não teremos como informar mais a seu respeito. Aos leitores que quiserem oferecer-lhe orações, terços, missas ou outros dons espirituais, pedimos que os mencione na caixa de comentários e os faremos chegar a pessoas próximas do padre.

Aos que quiserem recapitular os acontecimentos que culminaram no recolhimento sabático do padre Rodríguez, indicamos nossa última postagem sobre o assunto.

Tradução e legendas: Fabiano Rollim