Arquivo para ‘Atualidades’

17 abril, 2014

Deus, Deus meus, réspice in me: quare me dereliquísti?

O Salmo 21, que ouvimos da boca de Nosso Senhor na liturgia de hoje, Quinta-feira Santa, durante a comovente desnudação do altar, pode ser ouvido, também em nossos dias, no clamor de nossos irmãos sírios. 

Maalula, Síria: igrejas devastadas e ícones profanados

Rádio Vaticano – Após a reconquista do povoado cristão de Maalula – 55 quilômetros a nordeste de Damasco – pelo exército sírio, as imagens e as descrições divulgadas por fontes governamentais e também por agências de notícias internacionais, mostram os danos sofridos pelos lugares de culto cristão, durante os quatro meses em que a cidade esteve sob a ocupação das milícias rebeldes.

Em particular, foram infringidos graves danos ao Santuário Greco-melquita de Mar Sarkis, onde a Igreja aparece devastada, o chão coberto por objetos religiosos, imagens e livros sagrados danificados. Além disto, desapareceram ícones conservados na sacristia, os sinos, e a cruz que estava colocada sobre a cúpula do convento Greco-melquita. Antes da guerra civil, viviam em Maalula cerca de 5 mil sírios, a grande maioria cristãos Greco-católicos e Greco-ortodoxos.

O Santuário, fundado no final do século V, é dedicado aos Santos Sergio e Bacco, militares romanos martirizados pela sua fé, sob o Imperador Galerio (250-311 d.C.).

Maalula é um dos poucos locais onde ainda se fala o aramaico, a língua de Jesus.

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16 abril, 2014

Dom João Bosco é nomeado bispo de Osasco (SP).

Por CNBB – O papa Francisco acolheu o pedido de renúncia apresentado por dom Ercílio Turco, em conformidade com o cânon 401.1 do Código de Direito Canônico, e nomeou hoje, 16, como bispo da diocese de Osasco (SP), dom João Bosco Barbosa de Sousa, OFM, transferindo-o da sede episcopal de União da Vitória (PR).

Trajetória

Dom João Bosco Barbosa de Sousa é natural de Guaratinguetá (SP), membro da Ordem dos Frades Menores (OFM). Foi nomeado bispo em 03 de janeiro de 2007, sendo ordenado no dia 23 de março do mesmo ano. É bispo de União da Vitória desde 30 de março de 2007. O lema “Cristo nossa vitória” conduz a missão episcopal de dom João Bosco que atualmente é presidente do Regional Sul 2 da CNBB.

Com formação em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) e Comunicação Social pela União Católica Internacional de Imprensa, dom João Bosco dedica-se aos trabalhos da Pastoral da Comunicação, com experiências em mídias audiovisuais, rádio e televisão. Em 2013, integrou a comissão do texto base da 51ª Assembleia Geral da CNBB.

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12 abril, 2014

Prossegue a batalha pela família – II.

Novo adiamento da votação do Plano Nacional de Educação na Câmara dos Deputados. A sessão foi tensa, pesada, difícil, um verdadeiro combate espiritual.

Por Hermes Rodrigues Nery | Fratres in Unum.com - Ainda na manhã da terça-feira (8), na Comissão de Constituição e Justiça, enquanto aguardávamos a liberação do plenário para o início da sessão de votação do Plano Nacional de Educação (PNE), o deputado petista Molon (relator na Câmara, do Marco Civil da Internet), segurou o braço do deputado Marcos Rogério, dizendo num tom meio ameaçador: “Me queira bem, deputado!, não colida comigo, divirja em alguma outra questão muito pontual e raramente, mas não colida, me queira bem!” Marcos Rogério não se intimidou com isso e continuou firme em sua posição contra a ideologia de gênero no PNE, não apenas com o uso da palavra, mas nos encaminhamentos de requerimentos que se faziam necessários.

8 de abril de 2014: Providas defendem a Lei Natural na Câmara

8 de abril de 2014: Providas defendem a Lei Natural na Câmara

O fato é que o ambiente naquele dia estava muito carregado, nunca havia sentido um ar tão pesado a prenunciar uma sessão muito tensa. O plenário estava cheio de deputados e assessores, e o pessoal da UNE foi chegando e tomando os lugares, em vários pontos. Pe. Pedro Stepien chegara cedo também, e fazia a leitura do seu breviário. Estávamos próximos da fileira permitida pelos seguranças, e o pessoal da UNE encostou-se quase colado a nós. Um brucutu deles ficou praticamente encostado comigo, de costas, enquanto ficamos aguardando acabar a sessão que estava transcorrendo, já passava das treze horas, para que pudesse começar a da votação do PNE.

Vieram nos dizer que o Presidente da Câmara dos Deputados já estava na Casa e aguardando dar quorum para começar a sessão no grande plenário e, se isso ocorresse, cessariam as sessões deliberativas nas Comissões, adiando mais uma vez a votação do PNE. Outra desinformação lançada foi a de que talvez a sessão não ocorreria mais no plenário 1, onde estávamos, mas no 2, ao lado; ao que muitos provida foram para lá, abrindo mais campo para o pessoal da UNE ir adensando volume no plenário 1. Continuamos, no entanto, no mesmo lugar, no aguardo de poder ocupar os assentos, com as nossas faixas, espaço aquele também disputado pelo pessoal da UNE, que queria ficar também bem perto dos deputados, para na hora da votação, exibir suas faixas e poder soltar seus gritos de guerra.

E aos poucos, o brucutu ia falando no seu celular e mais gente da UNE ia entrando, enquanto os provida ficaram lá fora, alguns no plenário 2, aguardando. Foi quando vieram nos dizer que o segurança avisou que éramos para deixar a sala, pois que assim que acabasse a sessão, ele fecharia as portas, e reabriria somente às 14h30, para o início da votação do PNE, como fizeram na sessão anterior. Intuímos que aquilo era um blefe, mas para não desatender o que o segurança solicitara, deixamos a sala, e ficamos no aguardo logo na entrada. Mas o pessoal da UNE não saiu, pelo contrário, não demorou muito para encherem o plenário, ocuparem quase todos os lugares, quando outro segurança, meia hora depois, questionado se a sala seria fechada, disse que não precisaria fechar, porque a sessão estava para começar. Quando questionado que haviam solicitado aos provida saírem, porque fechariam a sala, conforme feito da outra vez, o segurança respondeu que iriam fechar, mas que a sessão já começaria e não haveria necessidade mais daquele procedimento.

Os deputados já estavam na mesa, o Presidente, o relator e os demais, e quando a sessão começou, os provida entraram e se espalharam pelas laterais, uns aqui, outro ali, com o plenário já quase inteiramente tomado pelo pessoal da UNE. Muito rapidamente alguns conseguiram ainda assentos no meio deles, e não foi possível, dessa vez, ficarmos mais agrupados, daí que, ao menos no início da sessão, a UNE estava com mais força para se manifestar. E assim que o Presidente abriu a sessão, eles interromperam com seus gritos de guerra por uma educação libertária e anárquica, livre da moral cristã.

"Por uma educação que promova os verdadeiros valores da família!"

“Por uma educação que promova os verdadeiros valores da família!”

Fiquei ao lado de uma das feministas da UNE, que erguia o seu cartaz cobrindo as nossas faixas, e querendo nos provocar. Do meu outro lado estava Paola, com uma faixa assim escrito: “Sou Mãe, eleitora, represento as mães e crianças. Digam não à ideologia de gênero”. Eu estava no meio das duas, quase exprimido também por outros, quando o pessoal da UNE interrompia a fala de algum deputado para novo grito de guerra, em furor descomunal. Comentei com Paola, ao meu lado, dizendo; “Temos que encontrar um grito nosso, agora, como resposta!” E então, todos os provida começaram a rezar a Ave-Maria, bem alto e em voz uníssona, o que cobriu o grito de guerra da UNE, e, em seguida, acalmaram um pouco as coisas. “Realmente fantástico, o poder da Ave-Maria“, comentei com ela.

“O Estado é laico, o corpo é meu”, gritavam, e do meu outro lado, uma feminista ostentando um cartaz pela educação pública e laica, e que abraçou com efusão a deputada comunista Alice Portugal. No meio deles, permanecia o valente Pe. Lodi, sempre de prontidão no campo de batalha. A evangélica Rosangela Justino erguia dois pequenos cartazes: “PNE sem ideologia de gênero e a orientação sexual” e ainda: “Os cristãos vão se lembrar de V. Excia. nas eleições”. O líder LGBT Toni Reis parou para discutir com a psicóloga Marisa Lobo. Também do outro lado, duas feministas tentavam jogar suas faixas cobrindo as que a liderança provida de Minas Gerais, Adrian Paz, empunhava, com apenas duas palavras: “Gênero, não!”. Alguns jovens provida conseguiram entrar mais para dentro do plenário e foram se juntando, mesmo em meio ao pessoal da UNE, e responderam aos gritos de guerra deles, dizendo também: Educação, sim! Gênero, não!

O interessante a ser observado é que ao conversar com alguns jovens da UNE, muitos quase não sabiam explicar bem porque estavam ali. No máximo respondiam com chavões e frases feitas, dizendo que defendiam 10% do PIB para a educação pública. Sobre as questões de gênero não sabiam do que se tratava, mas que eles eram contra o preconceito, o racismo e o fascismo. “Mandaram a gente vir aqui, mas não sabia que eles querem acabar com a família na rede de ensino“, respondeu outro, interessado em entender afinal do que se tratava a questão de gênero. Lembrei as palavras de João Paulo II: “Uma liberdade sem responsabilidade constitui-se a antítese do amor”. E mais, conforme Gratissimam Sane:

“No contexto da civilização da exploração, a mulher pode tornar-se para o homem um objeto, os filhos um obstáculo para os pais, a família uma instituição embaraçante para a liberdade dos membros que a compõe. Para convencer-se disso, basta examinar certos programas de educação sexual introduzidos nas escolas, não obstante o frequente parecer contrário e até os protestos de muitos pais; ou então, as tendências pró-abortivas que em vão procuram esconder-se atrás do chamado ‘direito de escolha’ (pro choice) por parte de ambos os cônjuges e particularmente por parte da mulher”.
Ao incluir a ideologia de gênero no Plano Nacional de Educação, querem dar legalidade a esta “nova antropologia” ou pseudo antropologia que quer impor às nossas crianças nas escolas a utopia do igualitarismo, cujo hedonismo conduz à inteira desumanização. Era possível, então, mesmo aos gritos de guerra e os pronunciamentos dos deputados, conversar com eles e esclarecer algumas dúvidas, ainda também dos deputados.
O valente Pe. Lodi, sempre de prontidão no campo de batalha

O valente Pe. Lodi, sempre de prontidão no campo de batalha

Realmente, havia uma mistura e uma confusão conceitual no discurso não apenas dos jovens da UNE, como também dos deputados que fizeram uso da palavra para debater o PNE, especialmente na sessão do dia anterior, quando houve mais de 40 inscritos para falar. Um deles, o deputado comunista Chico Lopes (PCdoB/CE), disse se orgulhar de, aos 74 anos de idade, ser marxista convicto e defender as bandeiras libertárias e emancipacionistas. Era preciso, segundo os deputados governistas, combater a discriminação, o preconceito e o fundamentalismo. Com isso, fugiam do cerne da questão, que é exatamente o apelo à não-discriminação como retórica para justificar a promoção de uma ideologia que nega a natureza humana, e quer estimular nas escolas, desde a mais tenra idade, o anarquismo sexual, discriminando, sim, os princípios e valores cristãos.

As falas dos deputados se estendiam, principalmente os da base governista, interrompidas às vezes por gritos de guerra de ambos os lados, bradando: “Vota, vota!” O relator propôs primeiro a votação do PNE por inteiro, depois os destaques. Mesmo assim, havia uma impressão de que interessavam protelar ao máximo o início da votação, certamente porque haveria uma incerteza em relação ao resultado, e o governo não queria se arriscar a perder naquela matéria. Talvez também pela pressão do pessoal da UNE, em peso lá, com seus agressivos gritos de guerra, fizeram o presidente evitar colocar em votação o quanto antes, pois que o problema seria a votação dos destaques, quando novamente viria à discussão e à deliberação a questão da ideologia de gênero no PNE. Talvez o relator Vanhoni quisesse mesmo postergar, para dar mais tempo ao governo de rearticular com os deputados e buscar uma forma de garantir a aprovação do seu relatório, mantida a inclusão da ideologia de gênero.

A turba da UNE em furor.

A turba da UNE em furor.

Tudo isso tornava a sessão carregada, tensa, pesada, difícil, um verdadeiro combate espiritual. Parecia haver forças malignas no ar, tal o esgotamento físico que se abateu, estávamos de pé o tempo todo, e indo para o lado da outra lateral da sala. A todo instante havia uma tensão de que algum membro da UNE fosse provocar ou se colidir com os jovens provida, enquanto não se avançava para a votação. E novos gritos de guerra emergiam, ensurdecedores, dos dois lados, com vozes já bastante enrouquecidas. E então, ocorreu o que temíamos. O Presidente já iria colocar em votação o PNE, mas ainda houve mais algumas colocações de questões de ordem e encaminhamentos regimentais. Enfim, e, de modo súbito, ele disse que teria de encerrar a sessão, porque o Presidente da Casa comunicou a todos que iria começar a sessão no grande plenário, pois já havia quorum. Feito isso, o regimento exigiu que os deputados da Comissão fossem para lá. E novamente, tanto o pessoal da UNE, quanto os provida se movimentaram pelo plenário com gritos de guerra e posicionamentos.

Em um dos gritos de guerra da UNE, assumiram que o que querem mesmo é implantar o comunismo em toda a América Latina, enquanto o deputado Jair Bolsonaro fez ecoar um sonoro e longo “Vão pra Cuba, vão pra Cuba!” Ainda assim, naquele momento final da sessão, com os ânimos exaltados, e todos misturados por ali, foi possível ver o furor da UNE, com ativistas dispostos a voltar na próxima sessão, marcada para 22 de abril. Ainda antes de sair, lembrei-me do que o deputado petista Molon disse a Marcos Rogério, ainda antes da sessão: “Me queira bem, deputado!, não colida comigo, divirja em alguma outra questão muito pontual e raramente, mas não colida, me queira bem!”
12 abril, 2014

Ainda o encontro de Francisco com Dom Erwin Kräutler. O caso dos ‘viri probati’.

A matéria abaixo dá mais detalhes sobre o diálogo divulgado, em primeira mão, pelo Fratres no último domingo.

Papa Francisco: homens casados podem ser ordenados sacerdotes se os bispos estiverem de acordo

Por Secretum Meum Mihi | Tradução: Fratres in Unum.com - Um novo tema ressurgiu a partir da audiência de Dom Erwin Kräutler com o Papa Francisco (além de sua referida colaboração na encíclica sobre a ecologia). Trata-se dos viri probati, tema esse que acreditávamos que já estivesse arquivado.

Tradução feita a partir da tradução do Secretum Meum Mihi da parte principal de um artigo publicado no The Tablet, de 10 de abril de 2014.

Papa Francisco: homens casados podem ser ordenados sacerdotes se os bispos estiverem de acordo

10 de abril de 2014 por Christa Pongratz-Lippitt - Um bispo que se reuniu com o Papa Francisco em uma rara audiência privada, no dia 4 de abril, disse em uma entrevista que os dois discutiram o tema da ordenação de homens casados “provados” — viri probati — de uma maneira séria e positiva.

Dom Erwin Kräutler, bispo de Xingu, na selva tropical do Brasil, conversou com o Papa a respeito da próxima encíclica de Francisco sobre o meio ambiente e o tratamento dos povos indígenas, porém, a desesperadora escassez de sacerdotes na grande diocese do bispo veio à tona na conversa. De acordo com uma entrevista que o bispo, nascido na Áustria, deu ao diário Salzburger Nachrichten, no dia 5 de abril, o Papa estava com a mente aberta a respeito de encontrar soluções para o problema, dizendo que as conferências episcopais poderiam ter um papel decisivo.

“Disse-lhe que, como bispo da maior diocese do Brasil, com 800 comunidades eclesiais e 700.000 fiéis, só tinha 27 sacerdotes, o que significa que nossas comunidades só podem celebrar a Eucaristia, no máximo, duas ou três vezes ao ano”, disse o bispo Kräutler. “O Papa explicou que não podia tomar tudo nas mãos pessoalmente estando em Roma. Nós, os bispos locais, que estamos mais familiarizados com as necessidades de nossos fiéis, devemos ser corajudos, ou seja, ‘valentes’ em espanhol, e dar sugestões concretas”, explicou. Um bispo não deveria atuar sozinho, disse o Papa a Kräutler. Ele deu a entender que “as conferências episcopais regionais e nacionais deveriam dar um jeito de encontrar um consenso sobre a reforma e logo deveríamos levar a Roma nossas sugestões para reforma”, disse Kräutler.

Ao ser indagado se ele havia perguntado na audiência sobre a ordenação de homens casados, o bispo Kräutler respondeu: “O assunto da ordenação de viri probati, ou seja, dos homens casados provados que poderiam ser ordenados ao sacerdócio, surgiu quando estávamos falando da difícil situação de nossas comunidades. O mesmo Papa me falou de uma diocese no México, em que cada comunidade tinha um diácono, porém, muitas não tinham nenhum sacerdote. Havia 300 diáconos ali que, naturalmente, não podiam celebrar a Eucaristia. A questão era como as coisas poderiam continuar nessa tal situação”.

“Cabia aos bispos apresentar sugestões, disse novamente o Papa”.

Então, perguntaram a Dom Kräutler se agora dependia das conferências episcopais no que tange às reformas da Igreja prosseguirem ou não. Ele respondeu que “Sim”, “Depois da minha conversa pessoal com o Papa, estou absolutamente convencido disso”.

[...]

A referência a “uma diocese no México” é precisamente a diocese mexicana de San Cristobal das Casas, onde falta tudo, menos diáconos [Nota do Fratres: Bento XVI mesmo chegou a proibir oficialmente a ordenação de mais diáconos naquela diocese, pois via-se claramente que o propósito era promover o diaconato permanente em detrimento das vocações sacerdotais]

O artigo também faz referência a uma entrevista no Salzburger Nachrichten de 5 de abril de 2014. Porém, na realidade, ele é de 8 de abril de 2014, página 9 (ver imagem acima, clique para ampliar; cópia do artigo aqui).

* * *

[Atualização - 12/04/14 às 12:37] Nota do Fratres: Dom Erwin poderia pedir umas dicas à FSSPX sobre como manter uma taxa de crescimento de sacerdotes nos últimos anos. Achamos que seu método seja um tanto ineficiente, não é Dom Erwin? Talvez seja realmente uma daquelas mazelas trazidas do Velho Mundo por Brancos Viciados

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11 abril, 2014

“O diabo existe também no século XXI. Aprendamos do Evangelho a combatê-lo”.

Cidade do Vaticano (RV) – Como todas as manhãs, o Papa Francisco presidiu à Santa Missa na capela da Casa Santa Marta.

A homilia desta sexta-feira foi toda dedicada à luta contra o demônio. “A vida de Jesus foi uma luta. Ele veio para vencer o mal”, disse o Pontífice, que advertiu: trata-se, porém, de uma luta que todo cristão deve enfrentar. 

Também nós somos tentados, também nós somos objeto do ataque do demônio, porque o espírito do Mal não quer a nossa santidade, não quer o testemunho cristão, não quer que sejamos discípulos de Jesus. E como faz o espírito do Mal para nos afastar da estrada de Jesus com a sua tentação? A tentação do demônio tem três características e nós devemos conhecê-las para não cair nas ciladas. A tentação começa levemente, mas cresce: cresce sempre. Depois, cresce e contagia outra pessoa, passa a outro, tenta ser comunitária. E, no final, para tranquilizar a alma, se justifica. Cresce, contagia e se justifica”.

A tentação, observou o Papa, parece uma sedução. Quando é rejeitada, cresce e se torna mais forte, envolvendo outras pessoas. Assim aconteceu com Jesus, o demônio envolveu os seus inimigos. Quando Ele fala na Sinagoga, seus inimigos tentam menosprezá-lo, dizendo: “Mas este é o filho de José, o carpinteiro, o filho de Maria! Nunca foi à Universidade! Mas com qual a autoridade fala? Não estudou!”. A tentação, disse, “envolveu todos contra Jesus”. E o momento “mais forte da justificação é o do sacerdote”, quando diz: “Não sabem que é melhor que um homem morra para salvar o seu povo?”: 

“Temos uma tentação que cresce: cresce e contagia os outros. Pensemos numa intriga, por exemplo: sinto inveja de uma pessoa. Primeiro é um sentimento pessoal, mas depois tenho que compartilhá-lo com o outro. Cresce e vai contagiando… Mas este é o mecanismo das intrigas e todos nós somos tentados a fazê-las! Talvez alguns de vocês não, se são santos, mas também eu sinto esta tentação! É uma tentação cotidiana. Mas começa assim, suavemente. Depois cresce e, no fim, se justifica”.

Estejamos atentos, disse ainda o Pontífice. “Quando no nosso coração sentirmos algo que acabará por destruir as pessoas, se não pararmos a tempo, esse sentimento crescerá e nos restará justificar: 

“Todos somos tentados, porque a lei da vida espiritual, a nossa vida cristã, é uma luta: uma luta. Porque o príncipe deste mundo – o diabo – não quer a nossa santidade, não quer que sigamos Cristo. Alguém de vocês, talvez, poderá dizer: ‘Mas, Padre, como o senhor é antigo, falar do diabo no século XXI!’. Mas, olhem que o diabo existe. Existe. Inclusive no século XXI! E não devemos ser ingênuos, eh? Devemos aprender do Evangelho como se faz a luta contra ele”.

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10 abril, 2014

Encontro com Francisco.

Uma conversa com o Papa sobre as Comunidades Eclesiais de Base e a reabilitação de Giordano Bruno e Mestre Eckhart

Por Frei Betto – O Globo: Em 13 de janeiro deste ano, já prevista minha ida à Itália, em abril, para uma série de conferências pastorais, escrevi ao papa Francisco solicitando um contato. Encaminhei a mesma carta por quatro vias diferentes. Talvez todas tenham ajudado, mas sei que deu resultado a remetida via meu amigo Antonio Vermigli, um dos coordenadores da Rete Radié Resch, ONG operária italiana solidária com movimentos sociais em países da periferia do mundo.

O encontro se deu por intervenção de Raffaele Luise, vaticanista da TV italiana, na audiência pública da manhã de quarta, 9 de abril, à porta da Basílica de São Pedro, na área reservada às autoridades e aos convidados especiais. Após percorrer, a bordo do papamóvel, a multidão que lotava a praça de São Pedro, Francisco veio na direção em que eu me encontrava.

Falei-lhe da carta que remeteu, em janeiro deste ano, ao 13º encontro das Comunidades Eclesiais de Base, em Juazeiro do Norte (CE), na qual se refere às CEBs como “movimento” na Igreja. Tudo indica que a carta, assinada por Francisco, foi redigida no Brasil, contrariando a visão de Igreja das CEBs:

— Santo Padre — disse eu —, as Comunidades Eclesiais de Base estão muito agradecidas pela carta que o senhor enviou em janeiro. Elas não querem ser consideradas um movimento na Igreja, e sim o próprio modo de a Igreja ser na base popular e de a base popular ser na Igreja.

Segurando a minha mão, Francisco sorriu. Prossegui:

— Como pai amoroso, dialogue sempre com a Teologia da Libertação, que é uma filha fiel à Igreja. E tenha sempre presente a defesa dos povos indígenas.

Assediado por tanta gente que o rodeava, o Papa continuou atento. Completei:

— Como frade dominicano, ponho em suas mãos a reabilitação de Giordano Bruno e Mestre Eckhart.

Poucos meses após a morte de Eckhart, em 1328, e como resultado das tensas polêmicas entre dominicanos e franciscanos da época, quinze de seus artigos foram condenados por Roma. Eckhart, em si, nunca foi condenado. Como no caso de Tomás de Aquino e outros, seus escritos superaram vários séculos de investigação escrupulosa e, hoje, são considerados aporte fundamental da teologia mística alemã medieval. A Ordem dos Dominicanos, em seu Capítulo Geral de 1980, iniciou um processo oficial para estudar e avaliar de novo os escritos, dando atenção especial aos artigos que foram condenados na bula de 1329.

Giordano Bruno tinha uma visão panteísta do mundo. Via na abóbada celeste o infinito cósmico. Foi um humanista, integrante da corrente filosófica do Renascimento, cujo principal representante é Erasmo. A filosofia do seu tempo estava baseada nos clássicos antigos, principalmente Aristóteles, e Bruno teorizou contrariamente a eles. Defendia a tese do astrônomo alemão Johannes Kepler (1571–1630) de que a Terra girava em torno do Sol, o que lhe custou a condenação. Tinha caráter místico e proclamou a seus algozes, que em 1600 o queimaram vivo no Campo dei Fiori, em Roma: “Vocês pronunciam esta sentença contra mim com um medo maior do que eu sinto ao recebê-la.”

Francisco reagiu à minha solicitação:

— Ore por isso.

Ao final, me dirigi a ele, primeiro em latim, e logo traduzi para o espanhol:

— Extra pauperes nulla salus. Fora dos pobres não há salvação.

Francisco sorriu:

— Estou de acordo — disse ao se afastar.

10 abril, 2014

Um novo bispo para o Ordinariato Militar.

Steiner e Pedro Casaldáliga.

Steiner e Pedro Casaldáliga.

Por Fratres in Unum.com – É iminente a nomeação do novo Arcebispo para o Ordinariato Militar do Brasil. E o nome dele poderia ser Leonardo Ulrich Steiner, atual secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e bispo-auxiliar de Brasília. A confirmar-se tal possibilidade, Steiner, ultra progressista que esteve perto da Arquidiocese de Porto Alegre — dizem que indiscrições da imprensa geraram uma reviravolta na nomeação –, sucederia a Dom Osvino José Both. Hoje, o Ordinariato Militar conta com um bispo auxiliar, Dom José Francisco Falcão de Barros, e vários sacerdotes considerados conservadores, formados no seminário da Legião de Cristo, na região metropolitana de São Paulo. Com Steiner, provavelmente, todos eles teriam que passar por um curso de reciclagem em São Felix do Araguaia…

9 abril, 2014

Os tiros dos sermõezinhos e a anti-formalidade francisquista.

Por Padre Terzio | Tradução: Fratres in Unum.com - Desde que começaram, dizíamos o que pensávamos: que os sermõezinhos das Missas de Santa Marta eram impróprios ao Papa, inapropriados a seu ministério e a suas circunstâncias. Não me recordo de um que não tenha sido decepcionante, tratando-se de quem se trata. O Papa não é, nem pode ser, um cura de paróquia que improvisa e alinhava uma reflexão desde o ambão. Francisco não pode ser Padre Jorge. Mas, empenha-se em não deixar de sê-lo, para consternação de quem mantemos que o Papa se deve a si mesmo uma dignidade incompatível com as formas francisquistas.

Não é a primeira vez que PP Franciscus arremete contra certos supostos estilos, perfis, paradigmas, atitudes alegadamente críticas ou identificadoras de certo clero católico – ele saberá qual. Particularmente, intuo, por experiência, por trinta anos suportando esse tipo de arremetidas críticas, contra quem se dirigem. Em muitos lugares, escutei muitas vezes essas descrições, pinceladas negativas silhuetando um tipo que, mais que real, era uma colagem, uma composição de retalhos, como o monstro mal feito do dr. Frankestein, porém, com o resultado de um ser clérigo fantasmagórico, produto de uma seletiva e crítica elucubração, muito tendenciosa e preconceituosa.

No sermãozinho de outro dia, voltou ao mesmo, insistindo, a respeito do Evangelho de São João, o da cura no sábado do paralítico de Betesda.

Sempre me pareceu problemático extrapolar as censuras, muito concretas, que faz o Senhor aos fariseus, saduceus, herodianos, etc. Nos Santos Evangelhos se diz, expressamente, que Cristo se refere a eles, a seu comportamento, seus costumes. PP Franciscus, por sua parte, não tem problema em reconhecer na Igreja atual aqueles defeitos:

“… Cristãos hipócritas como estes. A eles só interessam as formalidades. Era sábado? ‘Não, não podem fazer milagres no sábado, a graça de Deus não pode atuar no sábado! Fecham as portas à graça de Deus! Temos muitos desses na Igreja, temos muitos!”

Quando o Papa diz isso, sente-se bastante mal-estar. Não somos tontos e pressentimos a onde e a quem ele aponta o tiro (porque é um tiro, um tiro que causa feridas e deixa feridos). Já disse que tenho trinta sacerdotais anos para reconhecer-me apontado, alvejado e ferido. Injustamente, irreverentemente, impiamente. Sem caridade, sem aquela caridade pastoral que se fala tanto falando tanto ao falá-la e não praticá-la.

O paradoxo é que não é verdade que ao PP Franciscus não importe tanto as formas, [tanto] que veta formas e impõe formas.  Se elas não importassem para ele, não teria enfrentado as formas desde a sua apresentação Urbi et Orbi, quando saiu ao balcão sem mozeta e sem estola. Ele, que não valoriza as formas, não repara nas formas. Informal, muitíssimo mais que o PP Franciscus, foi João Paulo II, que pulava todas as formas com uma consciente inconsciência muito longe da estudada determinação de PP Franciscus.

Nunca me senti – confesso-o – nem apontado, nem alvejado, nem ferido sacerdotalmente por João Paulo II. Com PP Franciscus, todavia, digo-o.

E digo também que a claque francisquista aplaude, também apontando, disparando e ferindo. Imagino as cenas, alfinetadas e cutucões, risadinhas e chacotas que os sermõezinhos de Santa Marta propiciarão em seminários, residências sacerdotais, reuniões arciprestais e demais foros e ocasiões clericais.

Que pena. E que vulgaridade, quanta triste vulgaridade.

Por fim, como um cômico estrambote, essa informalidade custa muito caro, pois seu preço é o respeito, o déficit de respeito.

Por exemplo, sem ir longe demais, a descortês cena de hoje mesmo [4 de abril]: a Rainha da Grã-Bretanha se atrasa por vinte minutos e faz PP Franciscus esperar, que havia agendado, previamente, um encontro “informal”. E assim foi tratado, a seu gosto, com toda uma régia informalidade.

No summum da não-formalidade, o presente da Queen ao Sumo Pontífice: uma cesta com um pote de mel, suco de maçã e uma garrafa de uísque. Para rubor e vergonha dos que estavam presentes.

E velha Queen da Grã Bretanha presenteava o Sumo Pontífice com uma cesta de comida: é o que é mel, suco, uísque. O [príncipe] consorte da Queen sorria socarrão. PP Franciscus olhava pasmo.

A visita, troca de presentes inclusive, se deu de pé, em 15 minutos.

A tão não-senhor, tal desonra.

O pior é que não se espera a mudança, não há sinais de correção dos erros (nem os superficiais anedóticos, nem os outros, mais profundos).

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8 abril, 2014

Obelisco maçônico em Aparecida?

É o que podem questionar muitos que visitam a cidade de Aparecida, SP, mais especificamente o Hotel Rainha dos Apóstolos, pertencente ao Santuário Nacional — hotel alvo de pesadas críticas de hoteleiros da cidade, por pretender se beneficiar de isenção fiscal concedida à Igreja para as suas atividades.

Comenta um leitor: “Infelizmente, não tenho fotos dos outros lados do obelisco, mas lembro-me de que figuram vários papas e, no lado contrário da pirâmide, as chaves de Pedro”.

7 abril, 2014

Francisco convida Ervin Kräutler, bispo do Xingu, como colaborador na elaboração da encíclica sobre ecologia.

Ufanismo austríaco-branco-viciado: o “Prêmio Nobel Série B” sai de audiência com Francisco fanfarreando – “Vou ajudar a escrever uma encíclica”. 

IHU – Erwin Kräutler, bispo de origem austríaca, missionário no Brasil, foi chamado pelo Papa Francisco para ajudá-lo na redação da próxima encíclica sobre os pobres e o cuidado do ambiente, como ele mesmo informou na entrevista concedida ao Orff Journal. A notícia foi divulgada pela agência KathPress.

A informação é de Maria Teresa Pontara Pederiva, publicada por Vatican Insider, 06-04-2014. A tradução é da IHU On-Line.

Kräutler, nascido em Hohenems (Vorarlberg), em 1939, primogênito de seis irmãos, pertence à Congregação dos Missionários do Preciosíssimo Sangue. Depois dos estudos de filosofia e teologia em Salzburg, em 1965 partiu como missionário na Amazônia e em 1980 foi nomeado bispo na maior diocese, em extensão geográfica, do Brasil: a diocese de Altamira-Xingu, tornando-se bispo auxiliar do seu tio Eurico, e, um ano depois, o seu sucessor.

De 1983 a 1991, Kräutler foi presidente do Conselho Indigenista Missionário – CIMI, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB. Em 2006, quando D. Gianfranco Masserdotti, presidente em exercício morreu num acidente, Kräutler foi reconduzido à presidência do CIMI.

Em 1997 foi um dos quinze delegados eleitos para participar do Sínodo para a América e naquela ocasião foi o porta-voz do povo brasileiro cujo território estava sendo brutalmente saqueado.

Sempre na primeira linha na defesa das populações locais ameaçadas pelo desmatamento ao longo dos rios da Amazônia, o bispo austríaco recebeu, em 2010, o Prêmio Nobel alternativo “pelo seu compromisso a favor dos direitos humanos das populações indígenas e pela sua luta pela conservação da floresta pluvial na Amazônia”.

Muitas vezes ameaçado de morte (em 1987 sobreviveu a um atentado onde foi morto o seu motorista), continuou a se posicionar ao lado das populações na defesa da dignidade humana e do ambiente da Amazônia.

A relação pobres-ambiente, muito cara a Papa Francisco desde o início do seu pontificado, para o bispo Kräutler é algo que está presente na sua ação cotidiana com a mais genuína Teologia da Libertação: a sua luta é contra a pobreza para que seja garantido a cada pessoa um trabalho e um salário justo acompanhado da promoção do reconhecimento dos direitos fundamentais, como a saúde e a defesa do território.

Kräutler, que no próximo mês de julho completa 75 anos, provavelmente apresentou ao papa Francisco, na audiência da última sexta-feira, 5-04-2014, a sua demissão. Os temas da audiência foram, segundo Orf, os direitos dos povos indígenas, as ameaças a que são submetidos os povos indígenas com a construção das grandes barragens, os impactos e as consequências da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e algumas propostas para enfrentar a falta de padres numa diocese que tem a extensão geográfica equivalente à Alemanha. Kräutler informou que o Papa esperava dele “propostas corajosas e audazes”.

Sobre a encíclica, se de um lado a nomeação de Kräutler (em alemão se fala de “Mitautor”, isto é, co-autor, mas na realidade tratar-se-á de uma colaboração estreita) faz pensar na articulação que o Papa Bergoglio  reconhece entre o cuidado da criação e a promoção da justiça (são os pobres que sofrem as mais dramáticas consequências), como o Papa lembrou na recente entrevista aos jovens flamengos, por outro lado, trata-se de um sinal que a redação da encíclica está em curso, ou, pelo menos, em fase de estudos.