Archive for ‘Atualidades’

13 março, 2015

Dois anos com Bergoglio. Dois anos de terror.

Como está abandonada a cidade tão povoada!
Assemelha-se a uma viúva a grande entre as nações
”.
(Lam. I,1)

Por Padre Cristóvão e Padre Williams – Fratres in Unum.com

Sexta-feira treze. Dois anos da eleição de Bergoglio. Concidência triste, mas superlativamente apropriada.

A Igreja, outrora resplandecente de beleza, ornada com a coroa da sabedoria, o esplendor da doutrina, agora jaz saqueada, banalizada, desfigurada e fútil, sob a batuta de um… papa.

Difícil era prever que chegaríamos a este ponto! Mesmo com os resvalos, pessoais e eclesiais, de Paulo VI, nunca havíamos testemunhado tamanho esvaziamento da sacralidade católica, da mínima fidelidade à fé, e, não cansamo-nos de nos pasmar, até mesmo da lucidez quanto às verdades da lei natural!

francisco

Depois do Concílio Vaticano II, foi pública a trepidação na Igreja acerca da profissão do dogma, a deserção, o silenciamento, a desinformação, a apostasia, silente ou não, grotesca em muitos casos, mas em todo orbe sentida. Contudo, também é inegável a firmeza com que os papas posteriores, quase que agarrados aos últimos destroços da nau, em meio ao mar encapelado que a tragava, quase que soçobrando à torrente, anunciaram com desassombro os “princípios inegociáveis” da vida e da família, agora desdenhados por Francisco.

Recebendo transexuais,escarnecendo dos anti-abortistas ao chamá-los de obcessionados, favorecendo o sacrilégio eucarístico aos adúlteros, ele se traveste de uma falsa misericórdia, não daquela que salva o pecador, mas desta que o diz, tergiversando as palavras do Evangelho, “vai, e continues a pecar!”.

Como não ouvir aquelas severas palavras proféticas, que parecem descrever aquilo que testemunhamos em agonia, ante nossos olhos, turvos de lágrimas?:

Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas, que tornam doce o que é amargo, e amargo o que é doce! Ai daqueles que são sábios aos próprios olhos, e prudentes em seu próprio juízo! Ai daqueles que põem sua bravura em beber vinho, e sua coragem em misturar licores; daqueles que, por uma dádiva, absolvem o culpado, e negam justiça àquele que tem o direito a seu lado! Por isso, assim como a palhoça é devorada por uma língua de fogo, e como a palha é consumida pela chama, assim a raiz deles sucumbirá na podridão e sua flor voará como a poeira, porque repudiaram a lei do Senhor dos exércitos, e desprezaram a palavra do Santo de Israel” (Is. V,20-24).

Enquanto muçulmanos assassinam brutalmente cristãos, para Papa Bergoglio, “os maiores males que afligem o mundo nestes dias são o desemprego dos jovens e a solidão dos idosos” (Entrevista a Scalfari). Há algo de muito errado em tudo isso… Uma escandalosa inversão de valores.

O que dizer de um Papa que faz continuamente uma citação que atribui aos Padres da Igreja, mas que nunca foi documentada por ninguém?… Trata-se da famosa frase dita em seu discurso aos Cardeais na Sala Clementina: “Lembro-me de um Padre da Igreja que O definia assim: ‘Ipse harmonia est’”.

O que dizer de suas homilias diárias, nas quais dispara críticas a todo mundo, fala o tempo todo de fofocas, mexericos, futilidades, colocando-se como que por cima de todos? Alguém já viu um papa que vive jogando os fieis contra os seus pastores, dividindo a Igreja?

O que dizer de um papa que despe o papado enquanto se beneficia, às custas disso, dos hosanas de toda a opinião pública, e até de uma revista semanal, na linha “Contigo”, insuflando purpurina para a sua tietagem?

O que dizer de um papa que publica uma versão personalizada dos “dez mandamentos” para uma vida feliz na qual a palavra “Deus” ou ao menos uma menção indireta a Ele não aprece sequer uma única vez?

O que dizer de uma papa para o qual a salvação da alma de uma criança vale menos que um pedaço de pão? Ou não é isso que disse em sua primeira entrevista depois da eleição, nada mais, nada menos, que para a Rede Globo?: “Se há uma criança que tem fome, que não tem educação, o que deve nos mobilizar é que ela deixe de ter fome e tenha educação. Se essa educação virá dos católicos, dos protestantes, dos ortodoxos ou dos judeus, não importa. O que me importa é que a eduquem e saciem a sua fome”. Esta afirmação não parece com a de alguém que disse a Cristo, “se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães” (Mt. IV,3)?

O que dizer de um papa que lava os pés de uma muçulmana e ainda diz, em homilia na ilha de Lampedusa, justamente o porto onde milhares de maometanos chegam, infiltrando-se na Itália com a ameaça explícita de matarem cristãos?: “um pensamento dirijo aos queridos imigrantes muçulmanos que, hoje, à noite, estão iniciando o jejum do Ramadã, com o desejo de abundantes frutos espirituais. A Igreja vos é próxima na busca de uma vida mais digna para vós e as vossas famílias. A vós: o’scià!

O que dizer de um papa que se confraterniza com mega-esquerdistas (defendendo amplamente a agenda esquerdista, e agora até o financiamento público de campanhas eletivas!) e ironiza sobre si mesmo auto-definindo-se comunista? “Terra, teto e trabalho. É estranho, mas se eu falo disso, o Papa é um comunista. Não se compreende que o amor pelos pobres é o centro do Evangelho”.

Sobre o próximo Sínodo, muitos se agitam com uma eventual apostasia formal da maior parte dos bispos e inclusive do papa, outros minimizam o problema e, quase que cruzando os dedos e fazendo um pensamento positivo, garantem que não acontecerá nada…

Mas poucos percebem que o fato mesmo de se discutir a hipótese de dar a comunhão aos adúlteros é já, em si mesma, um escândalo de dimensões devastadoras. Para parte significativa do episcopado, a doutrina católica se tornou matéria variável.

Nunca um papa foi tão blindado como Jorge Mario Bergoglio. Os novos papistas fazem-lhe histéricas declarações de amor, fingindo ao mesmo tempo veemente escândalo ante qualquer um que lhes manifeste uma mínima perplexidade! Os mesmos que crucificavam João Paulo II e Bento XVI, agora incensam Francisco com turíbulos de ouro.

Fala-se da ordenação dos padres casados e, consequentemente, da readmissão daqueles que abandonaram o ministério por amor a um “rabo-de-saia”. Imaginem. Aqueles mesmos que passaram décadas curtindo ódio pela Igreja, ensinando heresia, chafurdando-se no mais descarado anti-catolicismo, intoxicando-se do pecado e da rebelião, agora, retornando literalmente pela porta da frente, celebrando a Santa Missa, ouvindo confissões e, sobretudo, pregando sermões!

Seriam estes o novos clérigos de Bergoglio, aqueles que fariam sua nova Igreja prosperar, visto que os atuais padres, formados nos trinta e cinco anos anteriores pelos seus predecessores se manifestam pouco afeitos às suas inovações?…

Alguns aludem à hipótese do Papa herege, sustentada por São Roberto Belarmino, como possibilidade de desfecho para o caso Bergoglio. Para o Santo Doutor da Igreja, caso o Papa caísse em heresia, se deporia ipso facto do Pontificado e deixaria de ser cristão…

Entretanto, a antiga tese de São Roberto Belarmino não pode ser aplicada diretamente ao caso atual. Não sejamos ingênuos: Bergoglio não cairá em heresia formal, pois assim explanou São Pio X, na Pascendi, modus operandi modernista:

“Nos seus escritos e discursos parecem, não raro, sustentar ora uma ora outra doutrina, de modo a facilmente parecerem vagos e incertos. Fazem-no, porém, de caso pensado. É por isto que nos seus livros muitas coisas se encontram das aceitas pelo católicos; mas, ao virar a página, outras se vêem que pareceriam ditadas por um racionalista”.

Por isso, não precisamos esperar mais explícitas desgraças para a Igreja. Elas já estão em curso, devendo, porém, tornar-se mais profundamente instaladas na estrutura eclesiástica pela infiltração de clérigos com esta mesma mentalidade e pelo afastamento dos católicos, e também alastrar-se com mais amplidão pela Igreja.

Não sejamos otimistas. A única coisa que nos pode livrar deste cenário terrificante é uma intervenção extraordinária de Deus, que precisamos merecer pela nossa oração, pelos nossos sacrifícios e, sobretudo, pela nossa resistência.

Sobre Jerusalém, imagem da Igreja, continua o profeta: “Ela chora pela noite adentro, lágrimas lhe inundam as faces, ninguém mais a consola de quantos a amavam. Seus amigos todos a traíram, e se tornaram seus inimigos” (Lam. I,2).

Não abandonemos nossa Santa Madre Igreja, não nos tornemos seus inimigos pela infidelidade, pelo abandono da fé. Consolemo-la. Estamos em meio a uma convulsão, ao terror. É sexta-feira treze. “Agora é a hora e o poder das trevas” (Luc. XXII,53).

* * *

Com este post, inauguramos a página “O Pontificado de Francisco“, que trará um sumário, sempre atualizado, das publicações mais importantes da era Jorge Mario Bergoglio.

Tags:
11 março, 2015

Cardeal Sarah: “Faço parte daqueles – e somos muitos – que não permitirão que a pastoral substitua a doutrina”.

Família, Homossexuais, divorciados recasados. “A Igreja já está aberta, e sem doutrina é uma casa que desmorona».

Cardeal Robert Sarah, nº 4 da Cúria, fala do Sínodo. E não só: “É uma pena que o amor pelo Papa Francisco fique apenas num nível superficial.”

Cardeal Sarah

Cardeal Sarah

Por Tempi.it | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: “Eu faço parte daqueles – e somos muitos – que não permitirão que a pastoral substitua a doutrina”. Assim o Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, declarou ao Journal du Dimanche, em uma longa entrevista. O cardeal Africano, definido como “o número quatro da Cúria”, conselheiro do Papa Francisco no que diz respeito à sua viagem à África em dezembro, se estendeu sobre os temas da família, da política e do Sínodo Ordinário e Extraordinário.

“A TRADIÇÃO É UM TESOURO.”  A quem lhe pergunta se a Igreja Católica deve abrir-se sobre temas como a comunhão aos divorciados novamente casados, uniões gays ou novas famílias, responde: “Mas a Igreja já é aberta! Os divorciados têm o seu lugar, assim como seus filhos. Mesma coisa para os homossexuais, que devem ser acompanhados em seu caminho de fé. Mas, agora se fala de abri-la ainda mais. A tradição é um tesouro a ser preservado (…). Por que a Igreja, que agora está entrando no terceiro milênio de sua história, deveria mudar? Sobre essas questões acima citadas, Deus é claro. A família é composta por um homem e uma mulher. João Paulo II falou de forma inequívoca sobre os que se casaram novamente. Eles não podem receber a comunhão. “

“É O PAPA QUEM DECIDE”. Sarah foi nomeado bispo em Guiné há 34 anos por João Paulo II e feito cardeal em 2010 pelo Papa Bento XVI. O arcebispo emérito de Conakry é bem preciso a respeito do Sínodo: “O Sínodo não tem qualquer poder doutrinal, mas apenas pastoral. Os bispos fazem discretamente algumas propostas ao papa. Trata-se de exortações. O cuidar de alguém é tarefa da pastoral, mas a composição do medicamento diz respeito à doutrina. Em última análise, é o Papa quem decide. A doutrina é o fundamento sem o qual a casa se desmorona”.

“CONTRA A ONU”. Como africano, o cardeal tem muitas críticas a fazer ao Ocidente: “Pessoalmente, estou empenhado contra a chantagem das Nações Unidas, que quer impor o culto da ideologia de gênero aos países africanos em troca de ajuda ao desenvolvimento. Procuram impor uma visão da família ocidental. (…) Toda a moralidade, todos os valores cristãos foram relativizados. Os jovens já não têm mais pontos de referência. Não é atacando a família que se protege a sociedade. Eu diria que é o contrário. A família é a célula humana mais atacada no Ocidente, até mesmo do ponto de vista financeiro e econômico. Eu acho que, como cristão, é hora de colocar Deus no centro da sociedade.

“A IGREJA NÃO FAZ POLÍTICA”. Na verdade, neste momento o Ocidente vive “uma crise antropológica”, “uma sociedade sem Deus, uma sociedade secularizada não pode satisfazer as necessidades do homem”. Mas a Igreja não faz política, Jesus “não se ocupou com o Império Romano”, “nossa batalha é Cristo, o nosso ponto de referência é o Evangelho”. Isso não significa não se preocupar com o que acontece na sociedade. Na França, vocês se manifestaram contra a vontade de legislar e impor aos outros essa visão ocidental do mundo”. Assim como na Guiné “eu resisti a um poder que queria destruir a Igreja.” Mas a Igreja não envia mensagens políticas”, deve “formar, educar, tratar.”

“AMOR SUPERFICIAL”. Segundo o cardeal Sarah, é isso que ocorre com o Papa Francisco: “Os meios de comunicação decidiram que este Papa é político. Mas para mim não é assim. (…) Nós estamos muito contentes [por sua enorme popularidade]. Embora às vezes eu lamente que esse amor é um tanto superficial”. Os fiéis se esmagam para ver o Papa, para tocá-lo, tirar fotografia, mas logo em seguida os padres italianos constatam que suas igrejas estão se esvaziando… “.

11 março, 2015

Biografia de Plínio Corrêa de Oliveira continua repercutindo nas altas esferas eclesiásticas: desta vez, elogio é de Dom Athanasius Schneider.

Por Manoel Gonzaga Castro – Fratres in Unum.com: Depois do Cardeal Raymond Leo Burke, foi a vez de Dom Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Santa Maria em Astana, Cazaquistão, tecer um grande elogio ao pensador católico brasileiro Plínio Corrêa de Oliveira. A ocasião do elogio de Dom Schneider é a mesma que a de Dom Burke: o agradecimento, por carta, ao Sr. Mathias von Gersdorff, diretor da TFP da Alemanha, que presenteou os prelados com uma biografia recém escrita por ele a respeito do fundador da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição Família e Propriedade.

Dom Athanasius Schneider confere a ordenação sacerdotal aos jovens brasileiros Renato Coelho (esq.) e Luiz Fernando Pasquotto (dir.), do Instituto do Bom Pastor (Courtalain, dezembro de 2013).

Dom Athanasius Schneider confere a ordenação sacerdotal aos jovens brasileiros Renato Coelho (esq.) e Luiz Fernando Pasquotto (dir.), do Instituto do Bom Pastor (Courtalain, dezembro de 2013).

Segundo Dom Athanasius, amigo de longa da data dessa associação – a construção da belíssima catedral de Karaganda, obra de Dom Athanasius, contou com grande apoio dos membros da TFP de todo o mundo –, “a vida de Plinio Corrêa de Oliveira mostra que a Providência Divina jamais abandona a sua Igreja, suscitando também leigos que sabem interpretar os ‘sinais dos tempos’ e agir em consequência”.

A elogiosa carta de Dom Schneider foi publicada na íntegra pelo site do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira em 07 de março último:

Alegrei-me sobremaneira com a nova biografia em alemão de Plinio Corrêa de Oliveira. Ela resume de modo sucinto a vida do escritor e homem de ação brasileiro, sem deixar de abordar as etapas essenciais de sua vida e suas obras mais importantes.

Naturalmente me agradou de modo especial que o Autor tenha sublinhado o engajamento de Plinio Corrêa de Oliveira em prol dos católicos de além Cortina de Ferro. Numa época em que não poucos no Ocidente se conformaram com o fato de que uma importante parte da humanidade tenha sido obrigada a viver sob o jugo comunista, Corrêa de Oliveira lutou incansavelmente contra esta ‘vergonha do século XX’, como a denominou o Cardeal Joseph Ratzinger.

A vida de Plinio Corrêa de Oliveira mostra que a Providência Divina jamais abandona a sua Igreja, suscitando também leigos que sabem interpretar os ‘sinais dos tempos’ e agir em consequência.”

Dom Athanasius Schneider, Bispo-auxiliar de Astana (Cazaquistão)

Dom Athanasius, em visita, celebra a Santa Missa no Colégio São Mauro, auxiliado pelos seminaristas do IBP e ex-alunos do colégio, José Luiz Zucchi (de pé à esq.) e Tomás Parra (de pé à dir.), filhos do presidente e da vice-presidente da Associação Cultural Montfort, Alberto Zucchi e Duclerc Parra.

Dom Athanasius, em visita ao Brasil, celebra a Santa Missa no Colégio São Mauro, em São Paulo, auxiliado pelos seminaristas do IBP e ex-alunos do colégio, José Luiz Zucchi (de pé à esq.) e Tomás Parra (de pé à dir.), filhos do presidente e da vice-presidente da Associação Cultural Montfort, Alberto Zucchi e Duclerc Parra.

Dom Athanasius tem se destacado por sua luta contra os abusos litúrgicos, especialmente a comunhão na mão, e tem sido tema de várias postagens recentes aqui no Fratres in Unum, entre elas:

  1. Fratres in Unum entrevista Dom Athanasius Schneider;
  2. Dia histórico para a Missa Tradicional em São Paulo: pontifical e crisma por Dom Athanasius Schneider;
  3. Dom Athanasius Schneider em São Paulo: lançamento do livro “A Sagrada Comunhão e a Renovação da Igreja”;
  4. Dom Athanasius Schneider: “estamos na quarta grande crise da Igreja”;
  5. Dom Schneider pede ao Papa um novo Syllabus;

Em sua recente viagem ao Brasil, Dom Athanasius pediu aos grupos católicos, em particular os de São Paulo, que não desenvolvam uma disputa fratricida, baixando as armas e deixando para trás feridas do passado.

Fratres in Unum tem acompanhado atentamente esse processo de paz promovido pelo prelado e aguarda qual será a tomada de posição das lideranças leigas admoestadas por Dom Athanasius. Que elas possam debater e sanar suas divergências com caridade e sem sectarismos, acolhendo dócil e filialmente os conselhos de um bispo fiel à Santa Igreja, confiantes em sua graça de estado.

11 março, 2015

O imparável Summorum Pontificum.

Mensagem do reverendíssimo Pe. Gian Paulo Ruzzi, cuja gentileza agradecemos:

Sou leitor frequente e gostaria, em primeiro lugar, de felicitá-los por este apostolado.

Agradeço a divulgação que postaram da missa Tridentina que foi celebrada em minha paróquia no dia 7 de março. Estiveram presentes entre 350 a 400 pessoas, paroquianos meus e de outras paróquias da Diocese de Campo Limpo. Muitos outros afirmaram que gostariam de ter participado, mas não puderam por causa do horário (sábado pela manhã).

Esta missa foi cantada pelo Revmo. Pe. Jefferson Pimenta de Paula, da diocese de Santo André. Caso os frequentadores se tornem estáveis e colaborem pastoralmente com a paróquia, comprometo-me em celebrar na forma extraordinária todos os domingos às 17h.

A próxima missa será no dia 18 de abril, às 10h.

Se, eventualmente, julgarem oportuno publicar algumas fotos e demonstrar como na periferia também é possível realizar este trabalho apostólico, seguem abaixo os links onde podem baixá-las.

Parabéns ao Pe. Gian e ao Pe. Jefferson pela iniciativa!

10 março, 2015

Um Padre responde ao documento Preparatório para o Sínodo da Família de 2015: – “Vago, secular, ingênuo, sentimental, desencorajador”.

Por James W. Jackson, FSSP – Rorate-Caeli | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Em resposta ao Lineamenta, o documento preparatório sobre o Sínodo da Família, apresentado ao reverendíssimo Padre Michael Pavlakovich, VF, a pedido do arcebispo de Denver:

1. No Prefácio, a vontade expressa é de “encontrar soluções concretas para as muitas dificuldades e inúmeros desafios que as famílias devem confrontar”. Eu sugiro que se deveria concentrar em uma ou duas dificuldades, e tentar resolver essas primeiramente.

Por exemplo, se a Igreja Universal resolvesse pôr um freio na coabitação de casais e fosse bem sucedida nessa tentativa, então muitos dos outros problemas iriam melhorar. Isso significaria um esforço conjunto, com pelo menos o Papa e os bispos trabalhando juntos. Mas, tentar resolver todos os problemas descritos na Relatio ao mesmo tempo não é ser realista.

2. A linguagem do pecado e da redenção está ausente dos documentos.

Em vez disso, nós fomos brindados com frases como “O desafio para a Igreja é assistir os casais em seu amadurecimento emocional e desenvolvimento afetivo.” Este é um exemplo de tentar substituir a Palavra de Deus e a Doutrina da Igreja por sociologia e psicologia e tais exemplos podem ser encontrados em todo o documento.

3. Muitas das afirmações são demasiado vagas para serem compreendidos.

Por exemplo, “… uma reflexão capaz de reformular as grandes questões sobre o sentido da existência humana pode ser uma resposta sensível às expectativas mais profundas da humanidade”. Eu não sei o que isso significa. E parece haver pouco no documento sobre a nossa obrigação de responder às expectativas do Senhor.

4. Ao longo do documento, há uma noção sentimentalista de misericórdia que pode ser muito enganadora.

Por exemplo, “Jesus olhou para os homens e mulheres que ele encontrou com amor e ternura… Ao proclamar as exigências do Reino de Deus”. Exceto quando Ele fez o contrário, pois as palavras que Ele usou para condenar os fariseus não eram mesmo palavras de ternura.

5. Parece que os redatores desses documentos fazem grandes rodeios para evitar falar sobre o pecado.

Por exemplo, “…a Igreja se volta com amor para aqueles que participam da vida eclesial de um modo incompleto… etc”. Se não há pecado, então não há necessidade de salvação. E é por isso, eu suponho, que a sentença continua com “… reconhecendo que a graça de Deus opera também em suas vidas, dando-lhes a coragem de fazer o bem, de cuidar uns dos outros e de ser útil para a comunidade em que vivem e trabalham”. Ora, não há salvação na “coragem de se fazer o bem, etc.”, já que os pagãos fazem o mesmo.

6. Não consigo encontrar nenhuma distinção entre metas a curto prazo e metas a longo prazo, ou mesmo uma menção ao desejo de se fixar tais metas.

7. No nº 32, havia um chamado à conversão missionária por todos na Igreja.

Mas, para que isso ocorra, é necessário que haja unidade doutrinária – uma unidade da fé – pelo menos entre o papa e os bispos. No documento não há nenhuma menção a isso.

8. No mesmo parágrafo, lemos: “… a crise de fé levou a uma crise no casamento e na família…”

Eu não consegui encontrar uma definição do que é esta crise de fé, nem quais são as suas causas, neste documento. Se isso não for esclarecido, é como dar voltas em círculos, sem nenhuma indicação de como podemos avaliar o progresso. O parágrafo posterior afirma: “Diante de uma fé forte, a imposição de certas perspectivas culturais que enfraquecem a família e o casamento não causam nenhum dano.” Isso também é indefinido, e na minha opinião, ingênuo.

Existem elementos da cultura secular ocidental que podem corroer totalmente os fundamentos da fé e torná-la quase impossível de ser praticada. A pornografia é um desses elementos, pois ela parte a família ao meio e destrói a vocação ao matrimônio. No entanto, ela sequer é mencionada na Relatio, nem os outros elementos como a atual confusão sobre gênero, ou ramificações de feminismo que são totalmente opostos à Igreja.

9. A partir do # 33, uma lista de soluções é proposta.

“Proclamação.. ao propor valores…”, “… por meio de uma abordagem mais positiva da riqueza das diversas experiências religiosas”, e denunciar a pobreza decorrente da “lógica do mercado”.

Eu não tenho a menor idéia do que isso significa.

Ler a Bíblia, aumentar a catequese, casais mais velhos dando uma mão na formação, tudo isso é mencionado, e ao mesmo passo que tais iniciativas fazem sentido, parece-me que isto já vem acontecendo há algum tempo. “Liturgias significativas” são mencionadas, mas isso é vago e sentimental.

10. O “trauma do rompimento da  família” é mencionado, juntamente com uma proposta para agilizar o processo de nulidade matrimonial.

Como essa agilização do processo de nulidade pode possivelmente ajudar a tratar do problema do trauma, não é discutido. Podemos simplificar o processo de nulidade o máximo que quisermos, que o trauma para os filhos do divórcio irá permanecer.

11. A admissão dos divorciados novamente casados [no civil] aos sacramentos (passando por cima até mesmo do processo de nulidade) propõe, em si, uma outra questão, a saber, por que não liberar de uma vez os sacramentos a todos, por qualquer motivo, não importa o que eles fizeram ou em que estado suas vidas se encontram?

[12]. A seção sobre pessoas com tendências homossexuais (# 55) é extremamente vaga, com exceção do # 56.

[13]. Foi um alívio ler os parágrafos # 57-58, onde é claro o ensino em relação à transmissão da vida humana. Foi a única parte do documento que ficou clara para mim.

Em suma, eu achei o documento vago, secular, ingênuo e sentimental. Foi desanimador ler esse documento.

Atenciosamente,

Rev. Pe. James W. Jackson, FSSP
9 março, 2015

Breve documentário da EWTN sobre a peregrinação das Irmãs Dominicanas de Fanjeaux a Roma. Mons. Arrieta: “Eles têm o coração em Roma”.

Neste mês de fevereiro, um grupo de duzentas meninas acompanhadas de freiras e alguns padres fizeram uma peregrinação singular à Basílica de São Pedro, em Roma.

As freiras são as Dominicanas de Fanjeaux, dedicadas à educação de meninas. Elas celebraram uma ocasião muito especial com crianças de suas escolas dos EUA, França e Alemanha. Trata-se do 40º aniversário da congregação.

Trata-se é um momento único na história da comunidade. As irmãs são uma congregação amiga da Fraternidade de São Pio X.

Palavras da Irmã Julia Maria: “Roma é a expressão externa da Igreja espiritual, que se materializa aqui, por assim dizer, que se torna tangível ao redor do Papa e das relíquias de São Pedro.”

Assim comentou Monsenhor Juan Ignacio Arrieta, secretário do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos: “Imediatamente após o Concílio, as relações com Roma começaram a esfriar e houve um mal entendido de ambas as partes, o que congelou a situação. Podemos dizer que o problema com a Fraternidade é somente um problema de confiança, porque eles são pessoas que rezam, que creem nas mesmas coisas que cremos. A Fraternidade tem vivido um processo de estagnação, de separação das estruturas romanas, mas eles têm o coração em Roma. Posso lhes assegurar isso, porque os conheço bem.”

Tags: ,
7 março, 2015

Filial Súplica – Assine!

6 março, 2015

Igreja e sociedade atual segundo Dom Damasceno.

Prof. Hermes: Há muitos projetos de “reforma política” em tramitação no Congresso Nacional. Por que justamente o que favorece o PT é apoiado pela CNBB? Como convergir doutrina e pastoral no Sínodo dos Bispos? A reforma da cúria romana viabilizará a autonomia das conferências episcopais, acenada na Evangelii Gaudium? Estas e outras questões responde Dom Raymundo Damasceno Assis

* * *

Presidente da CNBB fala sobre Reforma Política, Sínodo dos Bispos, reforma da cúria romana e outros temas.

hermesSão Paulo, 04 de Março de 2015 (Zenit.org) Prof. Hermes Rodrigues Nery –  Na segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015, às 10:30, estivemos, com Flávia Camargo, na residência do Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis, Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e Presidente também do Sínodo dos Bispos, a realizar-se em outubro deste ano, no Vaticano. Dois temas foram objeto de atenção especial na audiência: 1º) a Reforma Política e 2º) o Sínodo dos Bispos. Inicialmente, queríamos já gravar a conversa, mas Dom Damasceno preferiu primeiro que apresentássemos os nossos questionamentos e discorrêssemos sobre o assunto, ao qual ele faria suas colocações, para, em seguida, fazer uma súmula do que havia sido conversado, em forma de uma breve entrevista. Foi o que ocorreu. Ficamos por quase duas horas tratando dos temas acima mencionados, e somente, ao final, em quase trinta minutos, ele expôs sua posição sobre os temas, em entrevista gravada. Ainda, foi possível acrescentar na entrevista rapidamente o tema da reforma da cúria romana e o aceno que se faz na Evangelii Gaudium de autonomia às conferências episcopais.

5 março, 2015

Entrevista do Cardeal Burke ao Rorate-Caeli.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com – Na semana passada, Rorate caeli entrevistou o Cardeal Raymond Burke por telefone a respeito de diversos temas. Nada ficou fora de discussão nessa entrevista, e Sua Eminência foi incrivelmente generoso com o tempo dele. Ele mostrou-se brilhante e ainda muito humilde. Temos que reconhecer e apreciar seu cuidado e preocupação para com os católicos tradicionais.

Nesta entrevista abrangente, Sua Eminência falou sobre tópicos extraídas de notícias, como, por exemplo: Autoridades do Vaticano que ameaçam processar blogueiros; mais sacerdotes que se submetem à sua autoridade, o desmantelamento dos Franciscanos da Imaculada; e como os católicos tradicionais podem salvar suas almas neste mundo moderno — e obter para seus filhos os sacramentos no rito tradicional em face dos bispos dissidentes; o celibato sacerdotal; a confusão diária do Papa Francisco; e muito, muito mais.

Archbishop Raymond Burke

AUTORIDADES DO VATICANO AMEAÇAM PROCESSAR BLOGUEIROS

Rorate Caeli: Eminência, muito obrigado por ter aceitado nos conceder esta entrevista. Como o blog internacional mais lido por católicos tradicionais, acreditamos que esta entrevista dará muita esperança aos nossos leitores, assim como aos católicos de mentalidade tradicional em todo o mundo. A nossa primeira pergunta é a seguinte: Recentemente, os católicos tradicionais ficaram atordoados com a notícia de que dois funcionários do Vaticano ameaçaram processar blogueiros e jornalistas tradicionais católicos. O senhor concorda com essa abordagem, e o senhor acha que devemos estar preparados para ver essa atitude com mais frequência no futuro?

Cardeal Burke: A não ser que o blogueiro tenha difamado o bom nome de alguém de maneira injusta, certamente, não acho que esse seja o modo como nós, católicos, devemos lidar com essas questões. Creio que devem ser feitos contatos. Presumo que o blogueiro católico tenha agido de boa fé, e se houver alguém na hierarquia que esteja chateado com ele, a maneira de lidar com esse assunto seria, em primeiro lugar, abordar a pessoa diretamente e tentar resolver o problema dessa forma. No Evangelho de São Paulo aos Coríntios, Nosso Senhor nos orienta a não levarmos nossas contendas à esfera civil e diz que devemos ser capazes, como católicos, de resolver essas questões entre nós. (cf. Mt. 18:15; 1 Cor. 6:1-6)

CONFUSÃO VINDA DO PAPA FRANCISCO

Rorate Caeli: Após oito anos sob o Papa Bento XVI, o clero, os leigos e até mesmo a mídia se habituaram à clareza. Com tanta confusão gerada a partir das declarações diárias do Papa Francisco, confusão vinda do Sínodo, etc., será que não seria melhor nos concentrarmos mais em nível local e paroquial e na Tradição da Igreja, em vez de buscarmos orientação específica de Roma em questões atuais?

Cardeal Burke: Sim, penso que, de fato, o Papa Francisco tenha dado essa indicação. Por exemplo, em sua Exortação Apostólica, Evangelii Gaudium, ele diz que não a considera um ensinamento magisterial. (Cf. 16) Com alguém como o Papa Bento XVI, tínhamos um mestre, que nos dava catequese extensa sobre vários temas. Agora eu digo às pessoas que, se elas estão se sentindo confusas por causa do método de ensino do Papa Francisco, o importante é nos voltarmos para o catecismo e para aquilo que a Igreja sempre ensinou, e ensinar essas coisas, promovendo-as em nível paroquial, a começar pela família. Não podemos perder a nossa energia nos sentindo frustrados com uma coisa que achamos que deveríamos estar recebendo e não estamos. Em vez disso, sabemos com certeza o que a Igreja sempre ensinou, e precisamos nos basear nesse ensinamento e concentrarmos nossa atenção nele.

COMUNHÃO PARA ADÚLTEROS E ATAQUE À DOUTRINA

Rorate Caeli: E por falar nesse ensinamento e no que temos ouvido, o senhor tem dado o que falar ultimamente ao anunciar que vai resistir a qualquer ensinamento heterodoxo sobre o matrimônio, e que os católicos devem reagir, o que nos leva a toda uma questão sobre a qual estávamos indagando. Qual deve ser a resposta dos fiéis católicos se houver uma mudança na disciplina referente à Sagrada Comunhão para divorciados e adúlteros?

Cardeal Burke: Eu estava respondendo a uma pergunta hipotética. Algumas pessoas tentaram interpretar minha resposta como um ataque ao Papa Francisco, o que não era o caso, de jeito algum. Essa foi uma pergunta hipotética que me foi apresentada, e eu simplesmente disse: “nenhuma autoridade pode nos ordenar a agir contra a verdade, e, ao mesmo tempo, quando a verdade está sob qualquer tipo de ameaça, temos que lutar por ela.” Isso é o que eu quis dizer quando falei aquilo. Quando a seguinte pergunta hipotética me foi apresentada: “E se essa agenda for imposta? “. Eu respondi: “Bem, eu simplesmente terei de resistir a ela. Esse é o meu dever.”

Rorate Caeli: Como um fiel católico pode contra-atacar? Seria em seu lar? Seria em um blog?

Cardeal Burke: Penso que vocês têm que continuar ensinando, em seus lares e em suas próprias vidas pessoais, conservando a verdade da fé da maneira como a conhecem, e também falando claramente sobre ela, assim como comunicando ao Santo Padre a sua profunda preocupação, de que na realidade vocês não podem aceitar uma mudança na disciplina da Igreja, o que equivaleria a uma mudança em seu ensinamento sobre a indissolubilidade do matrimônio. Nesse ponto creio que é muito importante tratar da falsa dicotomia que foi elaborada por alguns que dizem: “Oh, não, estamos apenas mudando disciplinas. Não estamos mexendo na doutrina da Igreja”. No entanto, se alterarmos a disciplina da Igreja no que tange o acesso à Sagrada Comunhão por parte daqueles que estão vivendo em adultério, então, certamente, estamos alterando a doutrina da Igreja sobre o adultério. Estaremos dizendo que, em algumas circunstâncias, o adultério é admissível e até mesmo bom, se as pessoas puderem viver em adultério e ainda receber os sacramentos. Trata-se de uma questão muito séria e os católicos têm de insistir para que a disciplina da Igreja não seja alterada de maneira que, na verdade, venha a enfraquecer a nossa doutrina sobre uma das verdades mais fundamentais, a verdade sobre o matrimônio e a família.

BISPOS DISSIDENTES E O SUMMORUM PONTIFICUM

Rorate Caeli: Falemos agora de algo que está bem no controle de Vossa Eminência, como podemos cumprir a promessa e o mandato do Summorum Pontificum neste momento particular da Igreja, e qual é o papel que o Direito Canônico desempenha ao disponibilizar a Missa Tradicional em cada paróquia?

Cardeal Burke: A lei está em vigor uma vez que ela foi dada pelo Papa Bento XVI, e ela não foi alterada. O documento para a sua implementação foi emitido pela Pontifícia Comissão Ecclesia Dei. Todas essas prescrições ainda estão em vigor. Todas essas prescrições insistem na ideia de que quando houver o desejo da Missa tradicional dentre um grupo estável de fiéis, ela lhes deve ser concedida.

Rorate Caeli: De acordo com Summorum, para as famílias cujos filhos nunca foram expostos ao Novus Ordo, embora seu ordinário local não vá atender aos mandatos do Summorum concedendo-lhes a Confirmação no rito tradicional, caso essas famílias levem seus filhos à diocese vizinha ou a uma paróquia pessoal como a da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP), a fim de que eles sejam confirmados no rito tradicional?

Cardeal Burke: Certamente, eles têm o direito de receber os sacramentos no rito tradicional, na Forma Extraordinária. Se eles não puderem recebê-lo em sua própria diocese, então, certamente, eles poderiam solicitar ao seu pároco para dar-lhes uma declaração dizendo que a criança está apta a ser confirmada e, em seguida, levá-las para serem confirmadas em outro local onde a confirmação no rito tradicional seja permitida.

DESMANTELAMENTO DOS FRADES FRANCISCANOS DA IMACULADA

Rorate Caeli: Provavelmente o senhor sabe que temos feito a cobertura dos relatos desanimadores e assustadores do desmantelamento dos Frades Franciscanos da Imaculada (FIs) no ano passado. Vossa Eminência acha que o comissário, Padre Volpi, foi justo? E o que Vossa Eminência acha da declaração de mediação do tribunal feita pelo Padre Volpi relativamente à família do fundador?

Cardeal Burke: Realmente, não tenho o tipo de informações diretas sobre as quais eu possa formar um juízo sobre o assunto. Devo dizer que, apenas como opinião de alguém de fora, Padre Volpi tomou algumas medidas muito fortes de maneira muito rápida. Aparentemente, também li a história, ele teve que admitir que a acusação que fez contra o Padre Stefano Manelli, o fundador dos Freis da Imaculada, e os membros de sua família, de que de alguma forma eles estavam usando indevidamente os bens dos Frades da Imaculada, não era verdadeira. Sem dúvida, esse é um assunto muito sério. Muitos frades estão saindo, e ao que parece, deve haver alguma maneira de lidar com toda a situação para que a própria ordem não desmoronasse, porque eles eram pujantes, tinham muitas vocações e têm muitos apostolados. Na minha opinião, essa é a parte preocupante.

Rorate Caeli: Há relatos, e sinceramente recebemos relatos pessoais sobre esse assunto, de que os padres FIs estariam dizendo que eles estão “fugindo”, eles estão “se escondendo”, usando essas palavras dos atuais FIs sob o padre Volpi. Há também relatos de bispos que estão acolhendo os padres FIs sacerdotes que buscam refúgio em suas dioceses. Vossa Eminência encorajaria esses outros bispos a fazer o mesmo?

Cardeal Burke: Se houver um padre que deseje deixar a sua comunidade religiosa, e se ele for um bom sacerdote e não houver nada em contrário à aceitação deste pelo bispo, creio que um bom bispo certamente aceitaria esse sacerdote e tentaria ajudá-lo a se tornar um padre de sua diocese. Existe um processo; leva tempo. O padre que está querendo deixar sua comunidade religiosa precisa encontrar um bispo acolhedor. Quando um bispo é capaz de acolher um padre, penso que ele deveria se sentir feliz em fazê-lo, pois com isso ele ajudaria um bom sacerdote a ser capaz de continuar exercendo o seu ministério sacerdotal.

PADRES TRADICIONAIS REPRIMIDOS POR BISPOS DISSIDENTES

Rorate Caeli: Na opinião da Vossa Eminência, o que os bons padres que estão sendo reprimidos por seus bispos deveriam fazer? Sabemos de muitos, embora não vamos dizer seus nomes publicamente. Alguns atualmente não têm qualquer função, e eles estão vivendo de doações e ajuda de familiares e amigos. Alguns pensam que é preciso se unir a grupos independentes. Que conselho Vossa Eminência dá aos sacerdotes que simplesmente querem viver, pregar e celebrar a missa da maneira como todos os sacerdotes fizeram antes do Concílio?

Cardeal Burke: Eu simplesmente os exortaria a procurar um bispo que esteja receptivo a esses padres e que tentasse ajudá-los, se possível, ou se ele mesmo não puder ajudá-los diretamente, que os ajude a encontrar outro bispo que lhes permita levar uma boa vida sacerdotal. Isso é tudo o que se pode fazer. Obviamente, há também o recurso à Congregação para o Clero. Se o sacerdote considera que ele está simplesmente sendo tratado de maneira injusta, então, ele poderá pedir a intervenção da Congregação para o Clero.

Rorate Caeli: Há relatos de que, no afã de resolver o problema que acabamos de discutir, uma Administração Apostólica para sacerdotes e religiosos tradicionais talvez seja a saída, a fim de resolver muitos desses problemas com que se deparam, em termos de viver sua vocação estritamente de acordo com o Summorum Pontificum. Vossa Eminência poderia comentar sobre em que ponto do processo isso poderia ocorrer– o futuro de uma Administração Apostólica?

Cardeal Burke: Isso é possível. Não estou ciente de que haja alguma coisa a caminho a esse respeito. Talvez esteja, eu apenas não ouvi nada sobre esse assunto. Certamente essa é uma possibilidade e seria uma maneira de assistir aqueles padres e fiéis que lhes estão vinculados para permanecer em comunhão com a Igreja.

MAIS PADRES SENDO ELIMINADOS. AUTORIDADE DE BURKE 

Rorate Caeli: Agora Vossa Eminência talvez seja tendencioso sobre essa questão, mas será que a Ordem Militar Soberana de Malta teoricamente seria capaz de atuar como uma Administração Apostólica, concedendo faculdades a padres e religiosos tradicionais?

Cardeal Burke: Bem, a Soberana Ordem Militar de Malta, os Cavaleiros de São João de Jerusalém, tem incardinado sacerdotes. Mas ela o fez como uma ordem militar soberana, não como uma Administração Apostólica. A Ordem tem um Prelado, nomeado pelo Santo Padre, que participa do governo da Ordem. Ele é claramente o superior legítimo de quaisquer padres incardinados na Ordem. Precisamente agora, estamos estudando toda a situação, porque temos pedidos de mais padres que desejam ser incardinados na Ordem. Mas, certamente, isso aconteceu no passado, e não há razão para que não possa continuar acontecendo, não em razão do estabelecimento de uma Administração Apostólica, mas em razão da natureza da Ordem.

CELIBATO SACERDOTAL

Rorate Caeli: Já estávamos pensando em fazer essa pergunta meses atrás, quando começamos a elaborar as perguntas da entrevista, e então ouvimos dizer que o Papa falou ontem mesmo que a questão dos padres casados está “em sua agenda”. Será que o celibato sacerdotal para os padres ocidentais está sob grave ameaça com este pontificado?

Cardeal Burke: Esse seria um assunto muito sério porque ele envolve o exemplo do Próprio Cristo, e a Igreja sempre valorizou o seguimento do exemplo de Cristo em seus padres, também em Seu celibato. Ouvi esses relatos, mas não sou capaz de verificá-los, mas essa seria obviamente uma questão muito séria. O assunto já foi analisado por um sínodo mundial de bispos no final dos anos sessenta, e naquele sínodo havia uma reafirmação muito sólida do ensinamento de Cristo sobre o celibato. Eu não me refiro ao celibato como uma disciplina porque ele tem a ver como aquilo que desde os primeiros séculos a Igreja entendeu como sendo o mais adequado para os seus padres. Trata-se de algo mais do que uma disciplina, e, portanto, creio que é muito difícil imaginar que haveria uma mudança nessa questão.

ESTÍMULO AOS CATÓLICOS TRADICIONAIS

Rorate Caeli: Que palavras de encorajamento Vossa Eminência pode dar aos católicos tradicionais que estão lutando para salvar suas almas e as almas de seus filhos no mundo moderno, e, sem qualquer ajuda de Roma, como muitas vezes parece ser o caso?

Cardeal Burke: Costumo dizer para aqueles que me escrevem expressando desânimo ou que estão pedindo orientação a respeito do que parece ser uma situação muito conturbada que, quando estamos em momentos como este, parece haver certa confusão no governo da Igreja, então, mais do que nunca precisamos nos embeber do magistério constante da Igreja e transmiti-lo aos nossos filhos e fortalecer a nossa compreensão desse magistério em nossas paróquias e famílias. E Nosso Senhor nos garantiu — Ele não nos disse que não haveria ataques à Igreja, mesmo desde dentro, mas Ele nos assegurou que as portas do Inferno nunca prevaleceriam sobre a Igreja. Em outras palavras, Satanás, com seus enganos, ao final nunca prevalecerá sobre a Igreja. Temos de ter essa confiança sobre nós e agir conforme ela com grande alegria e grande determinação, ao ensinar a fé, ou dar testemunho com apologética às almas que não compreendem a fé, ou que ainda não se tornaram membros da Igreja. Sabemos que as portas do inferno não prevalecerão, mas, entretanto, o nosso caminho é o caminho da Cruz. E quando temos que sofrer por amor àquilo em que acreditamos ser verdadeiro, podemos abraçar o sofrimento com o conhecimento do resultado final: isto é, que Cristo é o Vencedor. Ele é Aquele que, em última análise, supera todas as forças do mal no mundo e restaura a nós e o nosso mundo para o Pai. É assim que eu tento encorajar os fiéis. Creio que também seja importante que os católicos tradicionais devotos conheçam uns aos outros e se apoiem mutuamente, carregando os fardos uns dos outros, como diz as Escrituras. Devemos estar preparados para fazê-lo, e sermos sensíveis às famílias que possam estar sofrendo algumas dificuldades específicas a este respeito, e tentarmos estar o mais próximos possíveis uns dos outros.

CONCÍLIO VATICANO III?

Rorate Caeli: Obrigado. Temos apenas mais algumas perguntas. Há alguns relatos esparsos, mas de fontes confiáveis, de que Francisco estaria considerando a convocação de um Concílio Vaticano III. Vossa Eminência ouviu alguma coisa a esse respeito?

Cardeal Burke: Não, de maneira alguma.

PROCESSO DE ESCOLHA DE BISPOS

Rorate Caeli: As nomeações episcopais nos Estados Unidos eram, em geral, mais conservadoras sob Bento XVI. Isso não acontecia em todos os lugares. A partir desse aspecto decorre uma clara lacuna com os padres e fiéis praticantes da nova geração que são amplamente conservadores, vinculados ao catecismo verdadeiro, à lei moral da Igreja Católica, a uma Liturgia Sagrada reverente. Vossa Eminência é a favor de uma nova orientação na nomeação dos bispos dos Estados Unidos e outros países? Em sua opinião, o método atual de seleção dos bispos é bom?

Cardeal Burke: Penso que sim. Ele envolve a consulta não só a outros bispos e sacerdotes da diocese, mas também a fiéis leigos. E sempre existe a possibilidade de que os membros individuais do laicato ou grupos de fiéis leigos expressem seus receios à Congregação para os Bispos e ao Núncio Apostólico. Acho que o mais importante é que o Núncio Apostólico saiba, quando houver nomeação de um bispo sendo considerado para uma diocese, que há muitíssimos fiéis com necessidades específicas e que expressam essas necessidades.

PAPEL ATUAL NA IGREJA

Rorate Caeli: Qual é o enfoque principal de trabalho de Vossa Eminência nesses dias?

Cardeal Burke: Meu enfoque principal está na Ordem Militar Soberana de Malta, ajudando o Grão Mestre com a governança da Ordem, especialmente na dimensão espiritual. A Ordem tem uma finalidade dupla: a defesa da fé e o cuidado dos pobres. As duas coisas honestamente caminham muito juntas. Eu o estou ajudando em questões sobre a estrutura da própria Ordem, a fim de cumprir mais eficazmente as duas finalidades, mas também a lidar com questões que inevitavelmente surgem em qualquer organização católica no que diz respeito à doutrina e à moral. Esse é o meu enfoque principal. Também estou tomando tempo para estudar e escrever sobre questões importantes da Igreja contemporânea.

TRADICIONALISTAS RESTAURANDO A IGREJA

Rorate Caeli: O senhor percebe que os católicos tradicionais estão assumindo um papel de liderança, no futuro, para a restauração da Igreja?

Cardeal Burke: Penso que sim. Cada vez mais encontro famílias católicas fortes que são devotas da Missa tradicional, e acho que as famílias vão ter cada vez mais influência daqui pra frente. Se essas famílias influenciarem outras famílias, então, obviamente há um ímpeto que cresce.

Rorate Caeli: Será que existe algo mais que não abordamos e que Vossa Eminência gostaria de acrescentar?

Cardeal Burke: Só para encorajar todos a serem devotados à Sagrada Liturgia, que é a expressão máxima de nossa fé católica, a expressão máxima de nossa fé em Deus, e sermos muito devotados ao estudo do Catecismo da Igreja Católica, e ao ensino da fé em nossos lares e em nossas comunidades locais. A Igreja tem sofrido terrivelmente por décadas de má catequese, de tal forma que os fiéis, as crianças e jovens, até mesmo adultos, não conhecem a sua fé, e precisamos resolver isso, porque as duas coisas caminham juntas. Quando conhecemos bem a nossa fé, então, temos um forte desejo de prestar culto de acordo com a nossa fé e, ao mesmo tempo, o nosso culto nos faz desejar mais conhecer a nossa fé. E então, obviamente, tudo isso fica expresso em ação pela caridade das nossas vidas, especialmente em favor de todos aqueles mais necessitados.

Rorate Caeli: Isso leva a uma última pergunta. Vossa Eminência mencionou a família no lar muitas vezes. Será que João Paulo II foi profético quando falou sobre a Igreja doméstica?

Cardeal Burke: Oh, sim. Ele disse que a Igreja vem até nós através da família, e isso é verdadeiro. O Próprio Cristo vem através da família. Ele foi profético no sentido de que pronunciou novamente aquilo que a Igreja entende desde o início. Essa expressão, Igreja doméstica, é muito antiga, e ela foi repetida no Concílio Vaticano Segundo. Trata-se de uma terminologia muito antiga para a família. Ele foi profético nesse ponto, no sentido de que ele estabeleceu aquilo que o próprio Deus nos ensina sobre a família.

Rorate Caeli: Isso é tudo que temos para Vossa Eminência. Muito obrigado pelo seu tempo hoje e seu incrível serviço à Santa Madre Igreja.

3 março, 2015

Cardeal Raymond Burke faz grande elogio a Plínio Corrêa de Oliveira, fundador da TFP.

image

Cardeal Burke e fiéis brasileiros por ocasião da peregrinação Summorum Pontificum de 2014.

Por Manoel Gonzaga Castro | Fratres in Unum.com: Em 16 de fevereiro último, o Cardeal Raymond Leo Burke, patrono da Soberana Ordem de Malta e atualmente sob os holofotes por causa de sua resistência às ondas inovadores do Sínodo da Família, teceu grande elogio ao pensador católico brasileiro Plínio Corrêa de Oliveira (1908 – 1995).

O elogio foi feito em carta ao Sr. Mathias von Gersdorff, diretor da TFP da Alemanha, que presenteou o cardeal uma biografia recém escrita por ele sobre o fundador da TFP.

Segue a carta, publicada no site do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, entidade sucessora da TFP após a dissidência dos Arautos do Evangelho, liderados por Mons. João Scognamiglio Clá Dias:

16 de fevereiro de 2015

Caro Mathias,

Meus cordiais agradecimentos por sua amabilíssima carta de 13 de janeiro passado que o senhor deixou na minha residência, por ocasião de sua visita a Roma. Obrigado por incluir junto à carta o presente da biografia de Plinio Correa de Oliveira, Begegnung mit Plinio Correa de Oliveira – Katholischer Streiter in stürmischer Zeit, que vem de ser publicada.

Cardeal Burke e membros da TFP na Marcha pela Vida, em Roma.

Cardeal Burke e membros da TFP na Marcha pela Vida, em Roma.

Dou-lhe minhas congratulações cordiais pela publicação da biografia do grande leigo católico brasileiro, o qual, como o senhor corretamente observa, é sob tantos aspectos um modelo para nós nestes tempos difíceis na vida da Igreja! Fico muito agradecido por um exemplar deste livro.

Agradeço-lhe especialmente por suas orações por mim. Por favor, continue assim, porque tenho muita necessidade delas.

Invocando a benção de Deus para o senhor e todos os seus labores, e confiando suas intenções à intercessão de Nossa Senhora de Altötting, de São Miguel Arcanjo, de São José e dos Santos Pedro e Paulo, permaneço

seu devotadamente no Sagrado Coração de Jesus
e no Imaculado Coração de Maria

Cardeal Raymond Leo Burke