22 julho, 2015

Por que certos pastores querem propor o impossível?

Por Le Salon Beige | Tradução: FratresInUnum.com – Dom George Gänswein, Prefeito da Casa Pontifícia e secretário de Bento XVI, foi entrevistado longamente por Zenit. Benoît-et-moi publicou uma parte que trata de comunhão para divorciados que contraíram nova união:

“Há 20 anos, João Paulo II, depois de longas e difíceis tratativas, não aceitou que os cristãos recasados ​​tivessem acesso à Eucaristia. No momento, não podemos ignorar o seu ensinamento e mudar as coisas. Por que alguns pastores querem propor o que é impossível? Eu não sei. Talvez eles se rendam ao espírito do tempo, talvez se permitam guiar por aplausos humanos causados pela mídia… Ser contrário à mídia é, certamente, menos agradável; mas, um pastor não deve decidir com base em aplausos ou não dos meios de comunicação; a medida é o Evangelho, a fé, a sã doutrina, a tradição“.

22 julho, 2015

“Opção preferencial pela família” – Importantíssima obra lançada agora em português.

Mais informações para aquisição aqui.

[Atualização: aqueles que adquirirem a obra, poderão tê-la autografada por um de seus autores, Dom Athanasius Schneider, que estará em São Paulo no dia 22 de agosto para ordenações sacerdotais do Instituto do Bom Pastor – conforme antecipado com exclusividade aqui].

21 julho, 2015

Summorum Pontificum no Brasil: Santa Missa na Catedral de Santo Amaro, SP.

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21 julho, 2015

Carta a um jornal diocesano (dito católico).

Carta enviada à redação do Jornal Diocese em Foco da Diocese de Tubarão, SC, a respeito da afirmação do Pe. Agenor Briguenti, referindo-se à Igreja pré conciliar como Igreja-massa e caduca.

Laguna, 02 de junho de 2015

Não posso deixar de expressar minha indignação às palavras do pe. Agenor Brighenti no Jornal Diocese em Foco, edição 49, nº 361, junho de 2015. Diz esse padre na página 11 do referido jornal que o Vaticano II foi um resgate de uma ‘Igreja-comunidade’ e a consequente superação do velho e caduco modelo de uma Igreja-massa. Lendo essas coisas hilárias deste doutor em teologia, fico a imaginar por que todos os santos, inclusive os mártires, entregaram suas vidas por este modelo caduco.

Por que será que Santa Teresinha do Menino Jesus, formada neste modelo caduco da Igreja-massa, continua sendo fonte de inspiração para todos os católicos nascidos pós Concílio Vaticano II? Como explicar isso? Não consta sequer uma palavra que esta santa tenha se revoltado contra esse modelo! Como explicar que todos os padroeiros e padroeiras de nossas paróquias também beberam desta “caduquice” e todos os anos o povo continua festejando suas palavras e atos?

Ainda em relação a isso, não vou muito longe: por que nossa Diocese lutou para beatificar Albertina, sabendo que ela havia sido doutrinada no modelo caduco? As virtudes desta filha de Deus vieram de onde? Aprendeu com seus pais, diriam alguns, mas onde os pais desta jovem foram doutrinados? Incrível, não? A pergunta que não cala: Poderia este modelo velho e caduco, conforme o pe. Agenos Brighenti, suscitar a santidade nesta menina tão invocada pelo nosso povo?

Das duas uma: ou todos os santos doutores e papas estavam errados e o Dr. Brighenti está certo, ou vice-versa. Afinal, pode-se perguntar:  toda esta gente que viveu antes de 62 não conseguiu ver que a Igreja estava caduca e mofada e precisava de ares novos? Será que todos esses homens e mulheres estavam também caducos? Será que todos os Concílios realizados antes de 62 não perceberam estas coisas? Pode a caduquice durar mais de dois mil anos?  Não é muito tempo para se sustentar a caduquice?

Pe. Brighenti se ufana de que os primeiros cristãos se reuniam nas casas. Afinal, o que tem de mais nisso? Jesus não era assim um ferrenho opositor dos templos de pedra, ao contrário, chegou mesmo a defende-lo com chicotes contra os mercadores, dizendo claramente que ali era um lugar de oração.

Fazendo uma analogia com a medicina, sabemos que nos primeiros tempos as pessoas eram tratadas em casa, mas hoje recorre-se aos estabelecimentos de saúde. Tenho a mais absoluta certeza de que o Dr. Brighenti e seus apoiadores não recusarão um tratamento especializado num destes locais, caso venham a necessitá-lo, em detrimento de serem tratados em casa com orações e ervas, como acontecia nas primeiras comunidades.

Quando os expoentes e propagadores da Nova Teologia dizem que a Igreja precisa “voltar às origens”, é como se estivessem dizendo nas entrelinhas que o Espírito Santo esteve ausente nesses dois mil anos de história. Assim, não se consegue entender o que motivou Santa Teresa de Ávila a fundar tantos conventos com a ajuda de São João da Cruz. Teria sido para fomentar a caduquice da Igreja? Impressionante que esses dois luminares da Igreja, em razão do que disseram e fizeram foram aclamados como doutores. Santa Teresa, inclusive, foi feita doutora por Paulo VI, um dos papas que ajudou a Igreja a sair da “caduquice”. Como explicar tudo isso, se esta santa mulher viu no protestantismo uma ameaça em oposição aos doutores de hoje que, na contramão, aclamam Lutero e aguardam festejar os quinhentos anos da reforma que já gerou mais de 35 mil denominações diferentes pelo mundo?

É muito fácil encher as páginas dos jornais com afirmações genéricas e assim desmontar todo um trabalho construído ao longo dos séculos, como se tudo não passasse de um castelo de cartas. Não se quer dizer com isso que não tenha havido erros, mas querer chamar as práticas da Igreja de caducas e grupos de massa, é de uma insensibilidade e ignorância a toda prova. Não vejo uma linha escrita por este doutor enaltecendo alguma coisa de bom neste longo período. Será que não houve nada?

Pergunto: qual das duas Igrejas é melhor? A que produziu uma beata Albertina ou esta que exibe um padre cowboy de calças justas que tem levado mulheres e homens ao delírio, ou alguns desses padres televisivos que possuem comunicação direta com Deus usando para isso uma língua estranha, chamada Xandari…cantari, la, la chanta cantari, la, la, la e tudo isso embaixo da marquise da CNBB.

Termino estas considerações perguntando ao pe. Agenor Brighenti, se ele teria coragem de expor na imprensa que a educação que recebeu de seus pais na infância também não passava de um modelo ultrapassado e caduco e se a sua família era uma “família-massa”. É lamentável que textos como esses possam ser impressos, pois afinal de contas, fazem com que os católicos sintam vergonha do passado da Igreja.  Por outro lado, quem irá contrapor este padre, uma vez que ele é doutor formado em Roma e perito de conferências?

Seja como for, talvez seja melhor morrer caduco do que bailar nas noitadas “evangelizadoras” patrocinadas por esses padres que foram resgatados da “caduquice” e salvos pelo gongo do Concílio Vaticano II.

Ir. Bonifácio

Laguna, SC

20 julho, 2015

Cardeal George Pell golpeia encíclica sobre meio ambiente do Papa Francisco.

Por The Wanderer | Tradução: FratresInUnum.com –  O responsável pelas finanças do Vaticano, Cardeal George Pell, deu um passo incomum ao criticar a revolucionária encíclica sobre o meio ambiente do Papa Francisco, argumentando que a Igreja Católica “não tem competência particular em ciência”.

Cardeal George Pell

Cardeal George Pell

Após ser trazido, há cerca de 18 meses, ao Vaticano pelo Papa Francisco e incumbido de reformar as questões financeiras da cidade-estado, o cardeal australiano deu uma entrevista ao Financial Times, golpeando o histórico documento de seu chefe.

“Ela tem muitos, muitos elementos interessantes. Há partes dela que são belas”, afirmou. “Mas a Igreja não tem competência particular em ciência… a Igreja não recebeu mandato do Senhor de se pronunciar em matérias científicas. Nós cremos na autonomia da ciência”, Pell declarou ao Financial Times na quinta-feira (16 de julho).

Na carta papal, lançada no mês passado, Francisco instou a uma ação global sobre as mudanças climáticas e criticou os líderes globais por não abordar o assunto de modo urgente, como seria necessário. Enquanto o Papa recebeu o louvor de ativistas ambientais, outros argumentaram que ele não deveria se inserir no debate político e científico.

Até agora, Pell permanecera calado sobre o conteúdo da encíclica, apesar de gozar da reputação de “negacionista” das mudanças climáticas na Austrália. Em 2011, ele bateu de frente com o então chefe do Departamento de Meteorologia da Austrália, Greg Ayers, que afirmou que Pell estava “enganado” em suas opiniões sobre mudanças climáticas.

Apesar das críticas do cardeal à abordagem sobre o meio ambiente do Papa, Pell observou que a encíclica foi “muito bem recebida” e declarou que Francisco “lançou nossas obrigações para com as gerações futuras de nossas obrigações com o meio ambiente de maneira muito bela”.

Desde a publicação do documento, o Vaticano promoveu um encontro de alto nível sobre o meio ambiente, enquanto Francisco levou sua mensagem em sua viagem pela América Latina.

20 julho, 2015

Bispo: Vaticano é livre para trabalhar com qualquer um, a ONU não é o demônio.

Por Carol Glatz – Catholic News Service | Tradução: FratresInUnum.com – As Nações Unidas não são “o demônio”, portanto os representantes do papa são livres para colaborar com o  corpo internacional, bem como com pessoas de qualquer posição política, disse o Bispo Marcelo Sanchez Sorondo, chanceler da Academia Pontifícia de Ciências.

A Igreja vai continuar a colaborar com as Nações Unidas em qualquer projeto conjunto que “não vá contra a doutrina da Igreja”, disse em uma coletiva de imprensa em 15 de julho.

A academia do Vaticano está patrocinando um simpósio de um dia em 22 de julho com a iniciativa global da ONU, a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável, liderada pelo economista americano Jeffrey Sachs. A academia também está patrocinando uma oficina correlata com duração de um dia em 21 de julho, reunindo 60 prefeitos e representantes de grandes cidades de todo o mundo [ndr: dentre os quais, Fernando Haddad e Eduardo Paes…] para tomar passos concretos contra formas modernas de escravidão em suas comunidades. Muitos prefeitos também participarão o evento do dia seguinte no Vaticano com a esperança de somarem a sua voz e apoio às metas de desenvolvimento sustentável que serão apreciadas na ONU em setembro.

É o segundo encontro que a Academia Pontifícia organizou este ano com importantes líderes e consultores das Nações Unidas.

Enquanto alguns apresentaram objeções à cooperação do Vaticano com organizações e indivíduos que promovem controle populacional através de meios que claramente violam o magistério da Igreja, o Bispo Sanchez disse que a Igreja trabalha com todos, para que possa unir forças em torno de preocupações em comum.

“O convite é aberto a todos. Se você quiser convidar outras pessoas, será para nós uma satisfação”, o Bispo respondeu a um jornalista que perguntou por que os 12 prefeitos italianos participando da conferência eram, na sua maioria, de partidos ou coalizões políticas de centro-esquerda.

“Todos os seus amigos da direita, ou mesmo se não são seus amigos, em todo caso, todos seriam bem-vindos; não temos nada contra”, ele disse ao jornalista.

Em resposta a uma questão sobre se o Vaticano estava se deixando tornar uma plataforma para a ONU promover a sua própria agenda, o Bispo Sanchez disse que a idéia do encontro e a sua organização vieram da Academia Pontifícia, com o apoio adicional da rede de desenvolvimento da ONU.

A ONU não é o demônio. Aliás, bem pelo contrário,” declarou.

O Beato Papa Paulo VI, o primeiro papa a visitar as Nações Unidas, disse à Assembléia Geral em 1965 que a organização mundial representava o caminho obrigatório da civilização moderna e da paz mundial, o Bispo Sanchez afirmou. Papas sucessivos mostraram o mesmo tipo de apoio, inclusive com suas visitas à ONU, ele disse.

“Portanto, eu não vejo como poderia haver qualquer problema” em colaborar com a ONU, especialmente porque a Academia já trabalhou com muitas outras organizações e líderes mundiais, afirmou.

Ver o demônio nas Nações Unidas, o que alguns da direita tendem a fazer, não é a posição da Santa Sé”, disse.

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19 julho, 2015

Foto da semana.

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Castel Gandolfo, sexta-feira, 3 julho de 2015: Bento XVI recebe doutorado Honoris Causa da Pontifícia Universidade João Paulo II e da Academia de Música de Cracóvia.

Juntos novamente: na imagem, Bento XVI, seu fiel secretário George Gaiswen e o general Domenico Giani, comandante da Gendarmeria, chefe da segurança do Pontífice.

Imagem: L’Osservatore Romano.

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18 julho, 2015

Bispo mexicano e seu clero: iremos para a prisão em vez de abençoarmos ‘casamentos’ gays.

Por Notifam – Após uma declaração da Suprema Corte Mexicana que anulou as leis estaduais que proibiam o “casamento” de pessoas do mesmo sexo, o bispo Gustavo Rodríguez Vega, de Nuevo Loredo, publicou com o clero de sua diocese uma declaração garantindo aos fiéis que ele será preso em vez de cooperar com tais uniões.

“Eles não podem exigir que uma instituição como esta Igreja vá contra seus princípios”, afirma o clero arquidiocesano, em uma citação que aparece em várias notícias locais e nacionais. “Que a Suprema Corte mande os bispos e os sacerdotes para a cadeia, quem eles quiserem, mas a Igreja não pode ir contra a lei de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

“Sabemos que podemos ir para a cadeia se alguma dupla quiser se casar no civil, e nos negarmos a abençoar a união. Essa lei não pode obrigar a Igreja, ela pode não ir contra seus princípios e na verdade os únicos que virão até a Igreja serão aqueles que compartilham os nossos princípios”, acrescentaram.

O clero da diocese afirma que sua posição “baseia-se em razões científicas, antropológicas, sociais e religiosas”, que provam que o matrimônio é entre “um homem e uma mulher (…) como afirma a bimilenar tradição jurídica ocidental; é a união de um homem e uma mulher que desejam procriar”. Eles chamam a decisão da Suprema Corte para criar o “casamento” homossexual de “divisora de águas, e nem o mundo inteiro nem a Igreja estão de acordo com essa definição”.

No dia 12 de junho, a Suprema Corte do país emitiu uma declaração pretendendo anular as leis estaduais que restringem o matrimônio a um homem e uma mulher ou que a limitam a instituição à procriação, alegando que tais leis são “inconstitucionais”.

De acordo com decisões recentes da Suprema Corte, é “discriminatório” vincular “as exigências do matrimônio a preferências sexuais”, já que isso “exclui injustificavelmente os casais homossexuais – que estão em condições semelhantes às dos casais heterossexuais – do matrimônio”, afirmou a Corte. Ela também acrescentou sua alegação de que é “inconveniente considerar que o propósito do matrimônio seja a procriação”, e afirmou que o “único propósito constitucional que esse decreto reconhece é a proteção da família como uma realidade social”.

Tradução: Guilherme Ferreira Araújo

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18 julho, 2015

Bispo fiel ao Vaticano desafia autoridades chinesas e aparece em público com anel e barrete.

BEIJING, 14 Jul. 15 / 02:31 pm (ACI).- O Bispo de Zhouzi, Dom Wu Qinjing, ordenado com a aprovação da Santa Sé, mas não reconhecido pela Associação Patriótica Católica Chinesa, conhecida também como a Igreja Cismática por não reconhecer a autoridade do Papa, desafiou as autoridades chinesas ao vestir-se com barrete e anel em um ato público na catedral de sua diocese. Em algumas províncias da China a vestimenta clerical, a batina, a faixa, o anel e o barrete, está proibida em lugares públicos e a pena pode ser a prisão.

Conforme informou o jornal South China Morning Post, Dom Wu celebrou a Eucaristia vestido como sacerdote, mas utilizou um barrete roxo e o anel próprios da sua condição de bispo, diante dos fiéis para a inauguração de uma nova cruz na catedral de Zhouzhi. O ato foi encarado como uma afronta às autoridades do país que dispuseram a proibição das vestimentas clericais para os bispos.

Dom Wu foi ordenado bispo de Zhouzhi, na província do Shaanxi, pelo antigo Bispo de Xian, Dom Anthony Li Duan, no mês de outubro do ano passado, mas, sua nominação não foi publicada até a semana passada, pouco antes do falecimento do bispo Li Duan.

O jornal assinala também que vários candidatos a bispo da Associação Patriótica Católica Chinesa, para as dioceses de Hubei, Hebei e Mongólia Interior estão prontos e poderiam ser ordenados nos próximos meses, sem a aprovação da Santa Sé.  “Muitas dioceses na China estão sem bispo. Não podemos esperar que as relações com o Vaticano melhorem para as preenche-las”, declarou a EFE Liu Bainian, Vice-presidente da Associação.

Caso sucedam estas ordenações, o fato agravaria ainda mais a tensa situação diplomática entre a Santa Sé e o governo de Pequim, pois, segundo o direito canônico somente o Papa pode nomear bispos mediante um decreto, tornando as ordenações episcopais feitas pela Associação Patriótica Chinesa ilícitas com pena de excomunhão para ordenados e ordenantes.

As relações diplomáticas entre a China e o Vaticano se romperam em 1951, dois anos depois da chegada ao poder dos comunistas que expulsaram aos clérigos estrangeiros.

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17 julho, 2015

Quando Martini disse a Ratzinger: “A Cúria não muda. Você tem que sair”.

IHU – O relato do padre Silvano Fausti: no conclave de 2005, o ex-arcebispo de Milão apontou para o alemão para evitar jogos sujos de um papável “rastejante”.

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 16-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O padre Silvano Fausti contava que o momento tinha sido quando Bento XVI e Carlo Maria Martini se viram pela última vez. Milão, Encontro Mundial das Famílias, dia 2 de junho de 2012, o cardeal, doente há algum tempo, saíra do Aloisium de Gallarate para ir ao encontro do papa.

Foi então que se olharam nos olhos, e Martini, que morreria no dia 31 de agosto, disse a Ratzinger: a Cúria não se reforma, não lhe resta senão sair.

Bento XVI havia voltado exausto da viagem a Cuba no fim de março. No verão, ele começou a falar a respeito com os colaboradores mais próximos que tentavam dissuadi-lo. Em dezembro, convocou um consistório no qual criou seis cardeais e nenhum europeu para “reequilibrar” o Colégio. No dia 11 de fevereiro de 2013, declarou a sua “renúncia” ao pontificado.

Renúncia “já programada” desde o início do papado – se as coisas não andassem como deveriam –, desde que, no conclave de 2005, Martini deslocou os seus consensos para Ratzinger, para evitar os “jogos sujos” que visavam a eliminar os dois e eleger “um da Cúria, muito rastejante, que não conseguiu”, revela o padre jesuíta.

Silvano Fausti morreu no dia 24 de junho passado, aos 75 anos, depois de uma longa doença. Biblista e teólogo, uma das vozes mais ouvidas e lidas do pensamento cristão contemporâneo, era a pessoa mais próxima de Carlo Maria Martini. O cardeal o escolhera como guia espiritual e confessor, confiava nele.

Esses bastidores, confidenciados três meses antes de morrer ao sítio GliStatiGenerali.com – a entrevista em vídeo foi agora divulgada na rede – corresponde àquilo que o padre Fausti contava em privado na sua casa de campo de Villapizzone, na periferia de Milão, onde vivia há 37 anos com outros jesuítas na comunidade que tinha fundado.

Quase um testamento que, sobre Ratzinger e Martini, remonta aos dias do conclave de dez anos atrás. Eram as duas personalidades mais proeminentes e, conta Fausti, “os dois que tinham mais votos; Martini um pouco mais” (já então doente de Parkinson), um pelos “conservadores” e o outro pelos “progressistas”.

Havia uma manobra para “derrubar a ambos” e eleger um cardeal “muito rastejante” da Cúria. “Descoberto o truque, Martini foi à noite ao encontro de Ratzinger e lhe disse: ‘Aceite amanhã se tornar papa com os meus votos’.” Tratava-se de fazer limpeza. “Ele lhe dissera: ‘Aceite você, que está na Cúria há 30 anos e é inteligente e honesto: se conseguir reformar a Cúria, bom, senão vá embora”.

Martini, revela Fausti, disse que o papa, depois, fez um discurso “que denunciava essas manobras sujas e fez muitos cardeais corarem”. No dia 24 de abril de 2005, na homilia de início de pontificado, Bento XVI disse: “Rezem por mim, para que eu não fuja, por medo, diante dos lobos”.

O padre Fausti lembra também o gesto que Ratzinger faria no dia 28 de abril de 2009, na cidade de Aquila, devastada pelo terremoto. Estava prevista apenas uma homenagem, mas Bento XVI semeou o pânico cruzando a Porta Santa da basílica periclitante de Collemaggio para depositar o seu pálio na teca de Celestino V, o papa da “grande recusa”.

Ratzinger e Martini, embora diferentes, se reconheciam e se estimavam. “Sempre tentavam colocá-los contra, para gerar notícia. Enquanto, com Wojtyla, Martini apresentava todos os anos a renúncia…”

A renúncia de Bento XVI eram uma possibilidade desde o início do seu pontificado, explica Fausti. Até que, em Milão, naquele dia, Martini lhe disse: “É precisamente agora, aqui não se consegue fazer nada”. Na última entrevista, Martini falou de uma Igreja que “ficou 200 anos para trás: como é possível que ela não se sacuda?”.

Ratzinger não fugiu diante dos lobos, apesar dos ataques e dos venenos internos que, até o Vatileaks, marcaram o pontificado. Ele sabia que era urgente agir e fazer limpeza, mas sentia que não tinha mais forças. Era preciso uma sacudida.

Na sua renúncia “em plena liberdade”, ele diz que, “para governar o barco de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor tanto do corpo quanto da alma”, que, “nos últimos meses”, veio a lhe faltar.

O conclave, dali a um mês, elegeria Jorge Mario Bergoglio. Padre Fausti, no vídeo, sorri: “Quando vi Francisco como bispo de Roma, cantei o Nunc dimittis, finalmente! Eu esperava desde os tempos de Gregório Magno um papa assim!”.