27 outubro, 2014

Recado aos bispos católicos.

Senhores bispos católicos, saibam que sua omissão em se posicionar contra o governo Dilma é responsável pelos 3 milhões de votos que tiraram a vitória de Aécio. Saibam também que os senhores serão os primeiros a sofrer a conseqüência disso. Sua covardia lhes custará caro, bem como aos católicos de nossa nação.

Estamos desorientados. Ovelhas sem pastor.

“Ai dos pastores de Israel que só cuidam do seu próprio pasto” (Ez. XXXIV,2).

Pe. Cristóvão

27 outubro, 2014

“Estarei espiritualmente com vocês”.

São as palavras do Papa emérito Bento XVI aos participantes da Peregrinação Summorum Pontificum, concluída ontem, em Roma, festa de Cristo Rei no calendário tradicional. Convidado para estar presente na Santa Missa Pontifical celebrada na Basílica de São Pedro pelo eminentíssimo Cardeal Raymond Leo Burke, Bento XVI respondeu aos organizadores por carta:

Benedictus XVI

Papa emeritus

Città del Vaticano

10-10-2014

Ilustríssimo Delegado-General,

Finalmente encontrei um tempo para agradecer-lhe pela sua carta do último dia 21 de agosto. Estou muito contente que o Usus antiquus agora viva em plena paz dentro da Igreja, também entre os jovens, apoiado e celebrado por grandes cardeais.

Estarei espiritualmente com vocês. Minha condição de “monge enclausurado” não me permite uma presença que também é exterior. Deixo o meu claustro somente em casos particulares, [quando] pessoalmente convidado pelo Papa.

Em comunhão de oração e amizade.

No Senhor,

Bento XVI

Não deixa de ser significativa, como que um aparente ato de reconhecimento em quase desagravo, a menção a “grandes cardeais” que hoje celebram a Missa Tradicional. Desgraçacadamente, eles têm sido as maiores vítimas do pontificado bergogliano. Burke, que nas últimas semanas despontou como a grande liderança da “ala conservadora”, realmente, parece dar adeus a Roma, e recebeu também o apoio do ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal William Levada, que declarou ter ido à Missa em São Pedro “em amizade ao Cardeal Burke”.

25 outubro, 2014

Consagração a Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira e Rainha do Brasil.

Ó Maria Imaculada, Senhora da Conceição Aparecida, aqui tendes, prostrado diante de vossa milagrosa imagem, o Brasil, que vem de novo consagrar-se à vossa maternal proteção. Escolhemo-vos por especial Padroeira e Advogada da nossa Pátria; queremos que ela seja inteiramente vossa: vossa é a sua natureza sem par; vossas são as suas riquezas; vossos, são os campos e as montanhas, os vales e os rios; vossa é a sociedade; vossos são os lares e seus habitantes, com seus corações e tudo o que eles têm e possuem; vosso é, enfim, todo o Brasil.

Sim, ó Senhora Aparecida, o Brasil é vosso!

Por vossa intercessão temos recebido todos os bens das mãos de Deus, e todos os bens esperamos receber, ainda e sempre, por vossa intercessão.

Abençoai, pois, o Brasil que Vos ama; abençoai o Brasil que Vos agradece; abençoai, defendei, salvai o vosso Brasil!

Protegei a Santa Igreja; preservai a nossa Fé, defendei o Santo Padre; assisti os nossos Bispos; santificai o nosso Clero; socorrei as nossas famílias; amparai o nosso povo; esclarecei o nosso governo; guiai a nossa gente no caminho do Céu e da felicidade! Ó Senhora da Conceição Aparecida, lembrai-Vos de que nós somos e queremos ser vossos vassalos e súditos fiéis. Mas lembrai-vos também de que nós somos e queremos ser vossos filhos. Mostrai, pois, ante o Céu e a Terra, que sois a padroeira poderosa do Brasil e a Mãe querida de todo o povo brasileiro!

Sim, ó Rainha do Brasil, ó Mãe de todos os brasileiros, venha sempre mais a nós o vosso reino de amor e, por vossa mediação, venha a nossa Pátria o reino de Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor Nosso. Amém.

A NOSSA SENHORA APARECIDA

Ó Senhora Aparecida, Mãe querida, tenho tanta confiança em Vós, que espero a vossa proteção e vosso amparo em todos os passos de minha vida e na hora da morte. Amém.

Fonte: Khristianós

25 outubro, 2014

Depois da derrota no Sínodo, os liberais já pedem mudança no Governo da Igreja.

Começarão os expurgos mais cedo do que se imagina. Entrevista com o fundador da Comunidade de Santo Egídio e historiador do Cristianismo. “Na cabeça dos dicastérios é necessário pessoas em sintonia com Francisco”.

Por Giacomo Galeazzi – Vatican Insider | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: “Do Sínodo emergiu a necessidade de se reformar o governo central da Igreja. Na condução dos dicastérios Francisco tem que ter pessoas em sintonia com ele”. Segundo o professor Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio e historiador do Cristianismo, “é um erro interpretar as discussões sinodais baseados nas categorias de liberais e conservadores.” É necessário “uma nova hermenêutica do Sínodo.”

Onde está o erro na interpretação do Sínodo sobre a família?

“Se faz necessário começar a partir do discurso de Francisco no encerramento do Sínodo, ao se distanciar tanto de liberais como conservadores. O Pontífice não quer voltar àquele clima pós 1968, a uma polarização entre liberais e conservadores, e por isso quis reafirmar que é ele o Papa, que o Papa se chama Francisco, desfazendo a tentativa dos tradicionalistas de conectarem-se à figura do Papa Emérito Bento XVI “.

Foi o Papa que dirigiu a discussão dos Padres Sinodais sobre  os divorciados recasados e uniões de fato?

“Francisco não teve um papel de direção no Sínodo. Entre as proposições que foram derrubadas haviam até mesmo trechos do Catecismo e textos de Bento XVI. Quem votou não conduziu uma batalha tentando bloquear o desenvolvimento da  pesquisa sinodal ou intimidar, por exemplo: ‘Se você tocar nessas questões, vai ter problema’. Mas, na realidade, o que se viu rejeitada foi a própria idéia do sínodo, ou seja, o fato de que tais questões fossem abordadas no Sínodo. Mas, então, não se entende que sentido teria em convocar o Sínodo”.

O governo da Santa Sé deve ser mudado?

Sim. O atual governo de Francisco permaneceu sendo aquele de Bento XVI. E é precisamente na estrutura de seu governo que Francisco encontra a resistência mais forte às mudanças. A sua reforma da Cúria não pode limitar-se à incorporação de um dicastério (uma cópia do governo italiano). Papa Bergoglio precisa de colaboradores em sintonia com ele. Até mesmo João XXIII tinha uma cúria hostil às mudanças, por isso se concentrou na Convocação do Concílio, iniciando um processo de renovação que o ajudou a superar as dificuldades. Paulo VI, no entanto, introduziu um mandato de cinco anos para os ministros do Vaticano e desde então ninguém fica mais no cargo pela vida toda, mas por decisão do Papa”.

O que seria um exemplo de uma colaboração eficaz com o Pontífice?

“A forte intervenção do Secretário de Estado, Pietro Parolin no Consistório do Papa dedicado à dramática situação no Oriente Médio, demonstra o quão crucial é para Francisco ter as pessoas certas no lugar certo.

25 outubro, 2014

Papa Francisco: “pela abolição da pena de morte em todas as suas formas”.

Bispo de Roma faz firmes condenações a pontos pacificamente condenados pela agenda politicamente correta. No entanto, nenhuma menção à pena de morte imposta às crianças inocentes e indefesas no ventre de suas mães. “Todos os cristãos e homens de boa vontade são chamados a lutar não apenas pela abolição da pena de morte, legal ou ilegal, em todas as suas formas, mas também para que melhorem as condições carcerárias e respeitem a dignidade humana da pessoa que perdeu sua liberdade”, afirmou o Papa ao receber no Vaticano uma delegação da Associação Internacional do Direito Penal.

Papa Francisco: o direito penal deve respeitar a dignidade da pessoa humana

O Santo Padre recebe a Associação Internacional de Direito Penal e fala de pessoas, pena de morte, prisão perpétua, tortura e tratamentos degradantes

Cidade do Vaticano, 24 de Outubro de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora – O papa Francisco recebeu nesta quinta-feira uma delegação da Associação Internacional de Direito Penal, para os quais fez um importante discurso sobre situações degradantes e dignidade humana.

Pena de morte, presos sem julgamento, “bodes expiatórios”, condições deploráveis dos presídios em boa parte do planeta, tortura, tratamento humilhante, tráfico de pessoas, escravidão e corrupção estiveram entre os males destacados pelo papa. Já “o respeito pela dignidade humana” foi indicado por ele como o ponto de referência para se limitarem as arbitrariedades.

Os meios de comunicação ressaltaram, a propósito deste encontro, “a condenação absoluta da pena de morte, que, para um cristão, é inadmissível”. Neste contexto, o papa falou também das chamadas “execuções extrajudiciais”, apresentadas como consequência indesejada do uso razoável, necessário e proporcional da força para a aplicação da lei.

Francisco recordou que a pena de morte é utilizada nos regimes totalitários como “um instrumento de supressão da dissidência política ou de perseguição das minorias religiosas e culturais”. Ele considerou ainda que a prisão perpétua “é uma pena de morte velada”.

Outro dois pontos enfatizados pelo papa Francisco foram a necessidade de se adotarem instrumentos legais e políticos que não caiam na “lógica mitológica do bode expiatório”, ou seja, do indivíduo acusado injustamente pelas desgraças que afetam uma comunidade e por eles sacrificado. O papa também pediu que se rejeite a crença de que a sanção penal conseguiria gerar benefícios, pois as mudanças só podem ser conseguidas de fato mediante políticas sociais e de inclusão social.

O pontífice não se esqueceu dos presidiários, entre os quais os presos sem condenação e os condenados sem julgamento, afirmando que a prisão preventiva, quando usada de forma abusiva, constitui mais uma forma contemporânea de pena ilícita oculta.

Francisco também falou das condições deploráveis dos presídios em boa parte do planeta: às vezes ela se deve à carência de infraestrutura, mas em muitas outras ocasiões é resultado do “exercício arbitrário e impiedoso do poder sobre as pessoas privadas de liberdade”.

O papa também falou da tortura e de outros tratamentos desumanos e degradantes, afirmando que, em nossos dias, as torturas são administradas não só como um meio para fins particulares, como a confissão ou a delação, mas constituem um sofrimento adicional aos males próprios da detenção.

A doutrina penal como tal tem importante responsabilidade por ter permitido, em certos casos e sob determinadas condições, a legitimação da tortura e dos seus conseguintes abusos.

O papa abordou ainda a aplicação de sanções penais a crianças e idosos, condenando ambos os casos, e falou de formas de criminalidade que ferem gravemente a dignidade da pessoa e o bem comum, como o comércio de pessoas e a escravidão, “reconhecida como crime contra a humanidade e crime de guerra tanto pelo direito internacional quanto por muitas legislações nacionais”.

Entre as formas de criminalidade, Francisco citou também a pobreza absoluta em que vive mais de um bilhão de pessoas, assim como a corrupção. “A escandalosa concentração da riqueza global é possível por causa da conivência dos responsáveis pela coisa pública. A corrupção, em si mesma, é um processo de morte, um mal maior do que o pecado. Um mal que, mais que perdoado, precisa ser sanado”.

“A cautela na aplicação da pena deve ser o princípio reitor dos sistemas penais”. Além disso, “o respeito da dignidade humana não só deve funcionar como um limitador da arbitrariedade e dos excessos dos agentes do Estado, como também deve ser critério de orientação para se perseguirem e reprimirem as condutas que representam os mais graves ataques contra a dignidade e a integridade da pessoa”.

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24 outubro, 2014

“O diálogo não pode substituir a missão”.

Bento XVI reconhece que as religiões não são um “fenómeno unitário”, e que por si mesmas não são necessariamente só positivas, podendo conter: “coisas bonitas e nobres, mas também baixas e destrutivas”.

Por RR – A evangelização continua a ser o objectivo primordial da Igreja e não deve ser substituída pelo simples diálogo, considera o Papa emérito, Bento XVI.

Bento XVI numa das suas mais recentes aparições públicas: Ettore Ferrari/EPA

Bento XVI numa das suas mais recentes aparições públicas: Ettore Ferrari/EPA

O antigo Papa foi convidado a dar uma aula de abertura oficial do ano lectivo na Universidade Urbaniana, em Roma. Embora não tenha ido pessoalmente, Bento XVI enviou um texto que foi lido pelo seu secretário pessoal, o padre Georg Gänswein.

No texto, o Papa questiona o sentido de falar-se em missão nos dias de hoje:“Não seria mais apropriado as religiões encontrarem-se em diálogo e servirem juntos a causa da paz no mundo?”

Mas logo responde à sua própria questão. “Hoje muitos consideram que as religiões deviam respeitar-se e, em diálogo, fazer esforços comuns para a paz. Esta forma de pensar, na maioria das vezes, pressupõe que as diferentes religiões são variantes de uma única e mesma realidade”, escreve.

O efeito deste tipo de pensamento relativista é de que “a questão da verdade, que no princípio movia os cristãos mais do que qualquer outra coisa, aparece entre parênteses”, pelo que “esta renúncia da verdade parece real e útil para a paz entre as religiões do mundo. Mas isto é letal para a fé”.

“De facto, a fé perde o seu carácter vinculativo e a sua seriedade se tudo se resumir a símbolos”, diz o Papa emérito.

Bento XVI reconhece, neste seu texto, que as religiões não são um “fenómeno unitário”, e que por si mesmas não são necessariamente só positivas, podendo conter: “coisas bonitas e nobres, mas também baixas e destrutivas”.

O discurso representa uma rara manifestação pública do pensamento do anterior Papa, que resignou ao cargo em 2013 e, desde então, vive em relativa reclusão dentro do Vaticano.

* * *

A íntegra do discurso pode ser lida aqui.

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24 outubro, 2014

Dom Mario Oliveri, bispo “neo-tradicionalista” de Albenga, novo alvo do Vaticano.

Por La Porte Latine | Tradução: Fratres in Unum.com - Savona Il Secolo estampa em sua edição de 22 de Outubro:

“Diocese de Albenga-Imperia, o bispo dos escândalos ladeado por um comissário”, que “terá a função de bispo auxiliar encarregado oficialmente de o ajudar, mas que, de fato, está ali para substituí-lo.”

Dom Mario Oliveri, bispo diocesano de Albenga-Imperia (Itália)

Depois dos Frades Franciscanos da Imaculada, Roma acaba de atingir o bispo Mario Oliveri [foto acima], que errou, em primeiro lugar, ao ver com benevolência os sacerdotes e fiéis da sua diocese que permanecem fiéis ao rito de São Pio V.

Seria o próprio Papa em pessoa que assim teria disposto, após queixas de alguns fiéis e padres progressistas que acusam Dom Oliveri de ser “anacrônico e ultra-tradicionalista” e, particularmente, em seu seminário diocesano, censurando-lhe o uso de vestes pré-conciliar e de problemas diversos entre o reitor e seus seminaristas.

Inicialmente, o núncio apostólico Dom Adriano Bernardini, que tinha sido escolhido para “apoiar”, na verdade, substituir, o Ordinário de Albenga, que não demonstrou grande docilidade apesar do fechamento de dois conventos dos Franciscanos da Imaculada [em sua diocese], ordenados pelo Padre Volpi, também Comissário nomeado por Roma para disciplinar os religiosos muito “cripto-lefevbristas”!

Este novo ataque contra um bispo “neo-tradicionalista” parece totalmente surreal, no momento em que o antigo reitor do seminário em questão, padre Antonio Suetta, foi nomeado bispo de Ventimiglia-San Remo por decisão do próprio papa Francisco. Como escreveu Notions Romaines em sua edição de 22 de Outubro:

“Claramente, a incoerência parece ser a característica do governo bergogliano, principalmente pelo fato de que esta visitação foi ordenada por ninguém menos que o próprio Sumo Pontífice.”

Diante da consternação suscistada pelo desejo de descartar um bispo favorável ao Motu Propio de Bento XVI sobre a “forma extraordinária do rito chamado de São Pio V”, o Vaticano parece querer aliviar as tensões que ele mesmo provocou.

Com efeito, é necessário saber que – “indiretamente” – seria Dom Alberto Maria Careggio, bispo emérito de Ventimiglia-San Remo, Piemonte, de 77 anos, o convidado para “ajudar” Monsenhor Oliveri “muito cansado”…

Dom Carregio é “famoso” por ser o guia de montanha do falecido Papa João Paulo II. Ele também é conhecido, sobretudo, como um oponente notório ao mundo da Tradição e um verdadeiro amigo progressista de Francisco.

Se é ele o escolhido para “socorrer” Dom Oliveri, isso significaria que a Santa Sé tem uma noção por demais ambígua de “socorro ao próximo”, e pode-se facilmente compreender que sobre a futura ajuda se escreve com toda franqueza: “Timeo Danaos et dona ferentes ” ["Temo os gregos ainda quando oferecem presentes"].

* * *

Tal como feito com Dom Rogelio Livieres, no Paraguai, também a mídia anuncia supostos escândalos morais e financeiros na diocese que seriam, certamente, a razão da “solicitude paternal” do Papa Francisco… solicitude, curiosamente, só demonstrada para com conservadores, não é mesmo? De uma hora para outra, os que promovem todo tipo de depravado inveterado, tornam-se bastiões da moralidade eclesial!

Enfim, Dom Oliveri já apareceu no Fratres em outras ocasiões expressando propósitos assaz escandalosos:

23 outubro, 2014

Escândalo no Céu: João Baptista descanonizado!

A principal queixa contra o dito Baptista prende-se com a sua ausência de sentido pastoral e a sua falta de misericórdia para com o rei Herodes Antipas, a quem acusou de viver em adultério.

Por Pe.  – Observador: Graças à grande trapalhada informática com o Citius, veio ter ao meu computador, procedente do Supremo Tribunal de Justiça do Céu, uma cópia da acção de descanonização de São João Baptista, intentada por alguns católicos, que se fizeram representar pelo seu advogado. Alega o causídico que o dito João, filho de Zacarias e de Isabel, foi precipitadamente elevado às honras dos altares e que, à luz da misericórdia pastoral, recentemente descoberta pelos referidos fiéis, é muito duvidosa a sua santidade.

A verdade é que a dita mãe do referido João, Isabel, era prima de Maria e, portanto, o filho desta, Jesus, era parente próximo do Baptista, o que indicia favorecimento na sua canonização, cujo processo, por sinal, não consta nos arquivos da congregação para as causas dos santos. Também se teme que o alegado santo tenha sido ilicitamente beneficiado pelo facto de dois dos seus discípulos, André e João, terem depois seguido Cristo (tráfico de influências?). Por outro lado, não se conhece nenhum milagre, comprovado científica e canonicamente, que seja devido à sua intercessão. Acresce o facto de viver nas dunas, de se cobrir com peles de animais (quiçá de espécies protegidas), comer gafanhotos (que, desde as pragas do Egipto, estão em vias extinção) e de se alimentar de mel silvestre (produto não autorizado pela ASAE), o que indicia comportamentos anti-ecológicos e, em consequência, dignos de grave censura social e eclesial.

Contudo, a principal queixa contra o dito Baptista prende-se com a sua ausência de sentido pastoral e a sua falta de misericórdia para com o rei Herodes Antipas, a quem, publicamente, acusou de viver em adultério com a sua sobrinha, Herodíade, mulher de seu irmão Filipe e mãe de Salomé. Ainda que os autos provem ser verdadeira essa convivência marital, é absolutamente lamentável que, em vez de acolher misericordiosamente o simpático governante, João o tenha condenado eticamente, incorrendo assim na santa ira de Herodíade. Ora, numa perspectiva mais inclusiva e gradual, não só se deveria ter abstido de tais pronunciamentos moralistas, como deveria ter participado misericordiosamente no banquete natalício de Herodes Antipas, segundo a famosa tese que afirma que nenhum convidado para uma ceia pode ser legitimamente impedido de nela comer.

Embora os exegetas discutam se este princípio teológico-gastronómico, muito em voga em certos jornais, já constava nas tábuas da Lei, dadas por Deus a Moisés, ou se decorre de algum sermão de Santo Agostinho, ou ainda se se encontra na Suma Teológica, ninguém duvida de que é de fé divina e católica.

Por outro lado, a união de Herodes com a cunhada era, indiscutivelmente, uma relação amorosa e, sendo a caridade a principal virtude cristã, deve prevalecer a atitude pastoral de valorizar esse amor, tendo também em conta o bem da jovem e bela Salomé, que de tão amorosa mãe e do seu extremoso consorte recebia, como bailarina, uma esmerada educação artística, que deve ser também estimulada.

Por último, a forma rude como o dito João tinha por costume dirigir-se às autoridades eclesiásticas, como os fariseus e os doutores da lei, não condiz com o estilo pastoral pós-conciliar, o qual, em vez de apelar à conversão, ou julgar, proibir ou condenar actos objectivamente contrários à doutrina cristã, acolhe, abençoa e louva todas as atitudes de quaisquer seres humanos.

Por tudo isto e o mais que fica por dizer, entendem os queixosos que a sentença não pode ser outra senão a da descanonização de João Baptista, correndo a cargo do demandado as custas processuais, sem hipótese de recurso nem apelo, excepto em sede de juízo final.

À margem, lê-se ainda nos autos: aconselha-se vivamente que seja também revisto o processo de um tal Tomás More, que se opôs ao divórcio de Henrique VIII e foi, por esse motivo, executado, sendo portanto igualmente suspeito de atitudes contrárias à misericórdia cristã. Recomenda-se ainda a abertura dos processos de canonização de Herodes Antipas, de Salomé e de Herodíade, padroeiros do amor livre, bem como de Henrique VIII, vítima do fundamentalismo católico. Assinado: o advogado do diabo, bastante procurador e representante dos referidos católicos*.

*Aviso à navegação: com este texto irónico não se pretende negar a prática da misericórdia em relação a todos os homens e, por maioria de razão, a todos os fiéis cristãos, quaisquer que sejam as suas circunstâncias pessoais e familiares, mas apenas recordar que a caridade pressupõe a justiça e que não há pior injustiça do que a de tratar todos por igual. O acolhimento misericordioso que a todos os cristãos, sem excepção, deve ser dispensado, não pode ser feito à custa da verdade moral objectiva, nem do propósito de conversão, que a Igreja a todos convida, como requisito necessário para a salvação.

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22 outubro, 2014

Agora se inicia um ano dramático para a Igreja.

A “Revolução de Outubro” do Sínodo falhou, e com ela acabou também a primeira parte do pontificado bergogliano. Qual será a segunda parte? 

Por Antonio Socci | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: O discurso de encerramento feito no sábado por Francisco nos leva a intuir. Talvez aquele que se inicia será um dos anos mais dramáticos e confusos da história da Igreja.

MAQUIAVELISMO

Antes de mais nada, o Papa Bergoglio descarregou sobre o Cardeal Kasper (e companhia) toda a responsabilidade pela derrota, após tê-lo usado como testa de ferro para quebrar a resistência dos cardeais ortodoxos, tanto no Consistório de fevereiro como no Sínodo.

A maioria rejeitou a “revolução” que Kasper, a mando de Bergoglio sugeria. Assim o Papa em seguida se distanciou de suas teses, desqualificando-as como “a tentação do “bonismo” destrutivo, que em nome de uma misericórdia enganadora, enfaixa as feridas sem antes curá-las e medicá-las; que trata os sintomas e não suas causas e raízes”.

Pena que foi exatamente sobre essas absurdas teses kasperianas que ele permitiu que a Igreja fosse traumaticamente dividida por meses e também por meses seguidos tais teses foram divulgadas pelos meios de comunicação como a grande novidade do pontificado de Bergoglio, sem qualquer desmentido.

Pena que foi o próprio Papa Francisco que impôs o mesmo Kasper como relator único para o Consistório de fevereiro e ainda elogiou sua tese como sendo  “teologia de joelhos” (Kasper sempre declarou, sem ser desmentido, que tinha feito tudo combinado com o Papa).

A fina flor dos intelectuais e jornalistas Católicos que há um tempo atrás se classificavam como “ratzingerianos”, agora ansiosos por uma recolocação abraçaram e aplaudiram as revolucionárias teses kasperianas. Assim como todos os jornais seculares.

Ver agora a ruptura que faz Bergoglio deveria ser humilhante para todos aqueles papólatras apressados.  E deveria também levar a imprensa marron laica como_ La Repubblica_ a reconhecer que errou feio.

Ao invés disso, ninguém teve coragem de fazê-lo. Evidentemente porque todos acreditam que a disassociação tardia de Bergoglio da tese derrotada é só uma questão tática.

No entanto constatam que, tanto do Consistório de fevereiro como do Sínodo de outubro, o único que saiu derrotado e “desacreditado” foi o próprio Bergoglio.

Claro, que existem ainda os últimos “japonêses” ( alusão aos japoneses que ainda não acreditavam que a Guerra tinha acabado) os quais ressaltam que sobre temas controversos como a comunhão para divorciados novamente casados e homossexuais (parágrafos 52, 53 e 55), embora não tendo atingido os dois terços dos votos (resultando em sua rejeição pelo Sínodo ), há no entanto a maioria absoluta e, portanto não se trata de uma derrota. Mas este argumento é risível porque aqueles eram textos que já haviam sido corrigidos e emendados, não eram as explícitas teses “kasperianas” e “fortianas.”

Na verdade, o “Relatio post disceptationem,” da metade do Sínodo, aquela “revolucionária”, foi rejeitada e re-escrita. E a “Relatio Synodi” é um outro texto (“mais equilibrado, balanceado e desenvolvido”, como deixou claro o próprio Padre Lombardi).

SURPRESA

Assim, o resultado do Sínodo é uma verdadeira e própria “surpresa de Deus” e se o Papa Bergoglio fosse de fato aberto a tais surpresas, reconheceria que não é possível um “desalojamento” scalfariano do Catolicismo, que acabaria por atropelar os sacramentos, os mandamentos e o magistério.

Como ele mesmo disse: “esta é a Igreja, nossa mãe! E quando a Igreja, na variedade dos seus carismas, se expressa em comunhão, não pode errar: é a beleza e a força do “sensus fidei”, que é doado pelo Espírito Santo.”

Então, por que não reconhecer serenamente o que emergiu a partir do Sínodo? Por que não acolher o sopro do Espírito?

Na realidade, ao que parece, o papa argentino não gosta muito  destas “surpresas de Deus”, que fizeram naufragar a sua “revolução” e – de acordo com alguns observadores – estaria disposto a ganhar por baixo da mesa a partida que ele perdeu em campo.

CONTRA OS CATÓLICOS

E isso pode ser visto a partir dos pontos sucessivos em seu discurso conclusivo. Na verdade, mesmo antes de tomar distância de Kasper, ele condenou (mais uma vez) como “endurecimento hostil” na “letra” (isto é, o Evangelho sem subterfúgios) a posição dos Católicos que se opunham à Kasper.

Ele rotulou como “tradicionalistas” e “intelectualistas” aqueles que simplesmente recordaram o Magistério de sempre da Igreja, os Evangelhos e São Paulo, e até Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI.

Mas se os Católicos, apostólicos romanos que professam a posição da Igreja de todos os tempos e de todos os papas anteriores, para Bergoglio são dignos de condenação, então não está claro quem seria pra ele seu rebanho e o magistério católico (no entanto, também é verdade que o mesmo Bergoglio disse a Scalfari que “Deus não é católico” …)

O PAPA REI

Logo em seguida, no discurso de encerramento, o Papa recorda aquele argumento que seus “adversários” usaram para lhe opor, o argumento vencedor: o Papa não é o dono do Evangelho, da doutrina e da tradição da Igreja, mas o seu servidor. Ele reconheceu, concordando. Mas logo em seguida, acrescentou um final surpreendente.

Ele disse: a Igreja é de Cristo – é a sua esposa – e todos os bispos, em comunhão com o Sucessor de Pedro, têm a missão e o dever de custodiá-la e de servi-la, não como donos, mas como servidores. O Papa, neste contexto, não é o senhor supremo, mas sim um supremo servidor – o “servus servorum Dei”; a garantia da obediência e da conformidade da Igreja à vontade de Deus, ao Evangelho de Cristo e à Tradição da Igreja, deixando de lado todo arbítrio pessoal, mesmo sendo – por vontade do próprio Cristo – o “Pastor e Doutor supremo de todos os fiéis” (Can. 749) enquanto gozando “da potestade ordinária que é suprema, plena, imediata e universal na Igreja” (cf. Cann. 331-334). “

A primeira parte desta citação desmente os bergoglianos mais fanáticos que tanto na mídia católica como secular, nas últimas semanas espalhavam a teoria de que o Papa poderia fazer o que ele quisesse até com sacramentos (alguém chegou a chamá-lo de “senhor absoluto”).

Nossos leitores se lembarão que exatamente nessa mesma coluna, no dia 5 de outubro do ano passado, eu havia escrito citando uma página de Joseph Ratzinger: “O papa não pode dizer: A igreja sou eu, ou: a tradição sou eu, mas, pelo contrário, ele tem precisas restrições, incorpora uma obrigação da Igreja em conformar-se à palavra de Deus. “

Recebi insultos e investidas dos fanáticos como se eu tivesse deslegitimado o Papa. Bem, sábado à noite Francisco repetiu a mesma coisa.

Ele acrescentou, no entanto como uma surpresa, a citação do Código de Direito Canônico que lhe dá um poder inquestionável sobre todos os fiéis e sobre a Igreja universal.

Aquele Francisco que foi ostensivamente apresentado como “Bispo de Roma” e evitava o título de Papa a todo custo, de repente redescobriu as prerrogativas de poder mais pesadas do Pontífice, as prerrogativas do Papa Rei.

Na verdade, já no Sínodo ele exerceu o seu poder através da estrutura de gestão, a fim de orientá-lo e controlá-lo, de uma forma muito pouco sinodal ou conciliar. Tanto foi, que conseguiu suscitar fortes protestos por causa do “amordaçamento”.

A própria decisão de fazer com que cheguem às dioceses um documento que contém os três pontos que o Sínodo rejeitou sobre os divorciados recasados e gays, dá a impressão de que ele se sobrepôs ao próprio Sínodo e quer continuar a batalha (em Roma se diz que ” nun ce vonno sta ” ou seja: “se não querem, vai assim mesmo” ). Recomeça o caos.

EXPURGOS

Um observador como John Allen acredita que agora se passará aos “ajustes de contas”  ou seja, as demissões ou rebaixamentos daqueles que mais se opuseram à revolução Kasper-Bergoglio, começando pelos cardeais Burke e Mueller.

Se assim for, aquela citação do Código significaria: “vocês me dizem que eu não posso tocar a Doutrina, mas lhes recordo que eu posso decidir a sua sorte.”

Seria o início dos expurgos e depurações realmente vergonhosos, que só serviriam para deixar ainda mais desconcertados um povo cristão já em estado de choque.

A confusão em que a Igreja se viu nos últimos meses se tornaria realmente dramática. Será que é isso que ele quer?

Allen registrou os comentários pós-sinodo de um Cardeal: “Eu não acho (que Bergoglio) seja um grande estrategista… Pensava que havia um plano por trás do caos… agora eu me pergunto se não é justamente o caos o seu verdadeiro plano.”

Só podemos esperar por uma surpresa de Deus: a de que o Papa Bergoglio inverta a sua direção.

Antonio Socci

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22 outubro, 2014

Ter uma fé clara…

… segundo o Credo da Igreja, frequentemente é rotulado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar pra lá e pra cá por qualquer vento de doutrina, parece ser o único comportamento à altura dos tempos atuais. Vai-se construindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que deixa como última medida só o próprio eu e suas vontades.

Nós, pelo contrário, possuímos uma outra medida: o Filho de Deus, o verdadeiro homem. É ele a medida do verdadeiro humanismo. “Adulta” não é uma fé que segue as ondas da moda e a última novidade; adulta e madura é uma fé profundamente radicada na amizade com Cristo. É essa amizade que nos abre a tudo aquilo que é bom e nos dá o critério para discernir entre verdadeiro e falso, entre engano e verdade. É esta fé adulta que devemos amadurecer e é para esta fé que devemos guiar o rebanho de Cristo. E é esta fé — só esta fé — que cria unidade e se realiza na caridade. São Paulo nos oferece a este propósito — em contraste com as contínuas peripécias daqueles que são como crianças sacudidas pelo balanço das ondas — uma bela palavra: fazer a verdade na caridade, como fórmula fundamental da existência cristã. Em Cristo coincidem verdade e caridade. Na medida em que nos aproximamos de Cristo, também na nossa vida, verdade e caridade se fundem. A caridade sem verdade seria cega; a verdade sem a caridade seria como um címbalo que retine” (1 Cor 13, 1). [...]

Joseph Ratzinger, homilia da Missa Pro Eligendo Pontifice, 18 de abril 2005 

Fonte: Il Timone | Tradução: Gercione Lima

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