29 janeiro, 2016

Exortação apostólica do Papa sobre a Família vai ser publicada até março.

Informação foi avançada no Algarve por D. Vicenzo Paglia, responsável por este setor na Santa Sé

Faro, 27 jan 2016 (Ecclesia) – A exortação apostólica do Papa Francisco sobre o Sínodo dos Bispos dedicado à Família vai ser publicada até ao próximo mês de março.

A informação foi avançada à Agência ECCLESIA pelo presidente do Conselho Pontifício para a Família, D. Vicenzo Paglia, durante as jornadas de atualização do clero da Província Eclesiástica do Sul, que estão a decorrer até esta quinta-feira em Albufeira, no Algarve.

O arcebispo italiano mostrou-se convencido de que o documento do Papa mostrará uma Igreja Católica “em saída” e próxima das famílias em todos os momentos da vida.

“Estou convencido que a exortação será um hino ao amor, a um amor que quer zelar pelo bem das crianças, que sabe estar perto das famílias feridas para lhes levar força, que quer estar junto dos mais idosos, a um amor que toda a humanidade precisa”, salientou.

Subordinadas ao tema “Família: Centralidade, Renovação e Continuidade”, as jornadas de atualização do clero da Província Eclesiástica do Sul têm este ano como pano de fundo o último Sínodo dos Bispos dedicado à Família.

A iniciativa conta com cerca de uma centena de sacerdotes inscritos, e respetivos bispos, vindos das dioceses do Algarve, Beja, Évora e, pela primeira vez, da diocese de Setúbal.

Na sua reflexão, D. Vicenzo Paglia destacou a importância das comunidades católicas serem mais interventivas junto dos problemas e dos desafios das famílias, sobretudo daquelas que estão a começar a sua caminhada, os jovens casais.

“Hoje infelizmente, vemos uma grande brecha entre a família e a paróquia: as famílias são muito pouco eclesiais, já que se voltam facilmente, para si mesmas, e as paróquias são pouco familiares, porque se encontram abafadas pelo peso da burocracia, ou envelhecidas pelo funcionalismo. Há pouco calor, pouco acolhimento, pouco acompanhamento”, sublinhou.

Sobre a atuação da Igreja perante casos como o das pessoas divorciadas, recasadas ou que vivem em união de facto, questão que mereceu largo destaque mediático durante o Sínodo, o responsável do Vaticano frisou que todas estas pessoas podem e devem ser integradas na vida da comunidade.

“O desafio dos cristãos é estar ao lado deles, não rotulando, não criticando (…) a Igreja tem de falar para mudar. Teria sido dramático se Jesus não tivesse falado com a samaritana. Esta é a atitude do Papa Francisco, estar ao lado, não condenar, procurar o lado positivo da questão e fazê-lo crescer”, referiu.

D. Vicenzo Paglia lembrou ainda as muitas famílias que vivem hoje momentos “dramáticos” por causa da guerra, da pobreza, do desemprego ou da instabilidade social, especialmente as que foram obrigadas a viver na condição de refugiadas.

“Muitos governos não têm uma política familiar e isso é gravíssimo”, acusou o arcebispo italiano, recordando que “a solidez de uma sociedade está na família”.

29 janeiro, 2016

Padre Pedro Stepien recebe ameaças.

Por Hermes Rodrigues Nery | FratresInUnum.comPe. Pedro Stepien acolhe, há vários meses, em sua paróquia em Novo Gama, uma família de perseguidos por milicianos do Rio de Janeiro, e recebeu ontem a seguinte mensagem pelo whatsapp:

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Pe. Pedro Stepien

Leia com bastante atençao , temos seu telefone celelar , seu telefone de casa ______________ zap de Roberto , telefone de Rosana e Carla grampeados , nos lemos e ouvimos tudo que e falado, estamos de olho em sua casa e desta vez viemos em mais soldados nao seremos presos,queremos somente levar conosco Roberto e familia, Rosana, e Djanira e vamos levar , sabemos que estao perto de sua igreja Roberto e inteligente mais vai falhar , estamos a partir de agora vigiando tudo , entao peço que o senhor me diga por aqui como chegamos as casas que eles estao e tudo termina rapido , nao substime nossa inteligencia , policia nao vai adiantar pois estamos de olho em tudo , aguardo sua resposta que ela seja positiva , caso seja negativa tomaremos outras providencias ,
Obss: Deputados e Senadores nos devem muitos favores entao nao perca o seu e o nosso tempo, A Liga.”

Diz Pe. Pedro Stepien:

Ele me ameaçou!

Amigos este carro vectra cinza com placa do Rio de Janeiro LNN 9131 e outro vectra cinza escuro quase preto placas do Rio de Janeiro LCT 1591, estão rodando Lago azul e Novo Gama a procura de familias fugitivas da milicia do Rio de Janeiro,peço ajuda de todos que divulguem ,e peço aos nossos valorosos Policiais Civis e Militares do estado de Goias e DF que abordem com cautela estes carros e tentem identificar seus ocupantes, Rezo por nosso povo e Rezo por nossos policiais que nos protegem com tanto afinco,confiamos na rapida soluçao de tao grave situaçao,que Deus proteja a todos nos,Deus abençoe a todos.”

PS: liguei agora para o Senado para falar com a Dra. Damares Alves, que conhece bem essa situação, enquanto aguardamos, acompanhando o caso, em oração.

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29 janeiro, 2016

Papa critica manipulação e destruição de embriões humanos.

Francisco deixa alertas em audiência à Comissão Nacional para a Bioética da Itália

Cidade do Vaticano, 28 jan 2016 (Ecclesia) – O Papa lançou hoje um alerta contra a manipulação ou destruição de embriões humanos na investigação científica e pediu que a vida humana seja respeitada em todas as suas fases.

“Temos o desafio de contrariar a cultura do descarte que tem muitas expressões, entre elas a de tratar embriões humanos como material descartável, bem como as pessoas doentes e idosas que se aproximam da morte”, denunciou, numa audiência à Comissão Nacional para a Bioética da Itália que decorreu no Vaticano.

Francisco pediu um esforço cada vez maior a nível internacional para harmonizar as “regras das atividades biológicas e médicas”, de forma a promover o reconhecimento de “valores e direitos fundamentais”.

Admitindo que existem “complexas questões humanas e éticas” neste campo, o Papa saiu em defesa dos mais fracos, em particular dos que “ainda não pode fazer ouvir a sua voz”.

O discurso realçou a importância de respeitar “a integridade do ser humano” desde a sua conceção até à morte natural, considerando a pessoa “na sua singularidade, sempre como um fim e nunca simplesmente como um meio”.

“Este princípio ético é fundamental também no que diz respeito às aplicações biotecnológicas no campo da medicina, as quais nunca devem ser utilizadas de forma lesiva para a dignidade humana”, advertiu o Papa.

Francisco condenou, por isso, as investigações que são “orientadas unicamente por fins industriais e comerciais”, sem qualquer outra referência do que “a utilidade e o lucro”.

A intervenção concluiu-se com uma referência à degradação do meio ambiente e à necessidade de promover uma reflexão bioética também neste campo, “para a proteção das gerações futuras”.

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29 janeiro, 2016

FSSPX na tradicional Marcha pela Vida em Washington, EUA.

Vídeo divulgado pelo distrito norte-americano da Fraternidade São Pio X sobre a sua participação na tradicional Marcha pela Vida, ocorrida em Washigton, EUA, no último dia 22, e que reuniu milhares de pessoas contra o aborto.

Créditos: Fiéis Católicos de Ribeirão Preto

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28 janeiro, 2016

A penitência: desejada pelo Céu e odiada pelo mundo.

Por Roberto de Mattei – Corrispondenza Romana | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.comSe há um conceito radicalmente oposto à mentalidade moderna é o da penitência.

ihs-305x278O termo e a noção de penitência evocam a ideia de um sofrimento que infligimos a nós mesmos para expiar os nossos pecados ou os de outras pessoas e nos unirmos aos méritos da Paixão redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo. O mundo moderno rejeita o conceito de penitência por estar imerso no hedonismo e professar o relativismo, que é a negação de qualquer bem pelo qual vale a pena sacrificar-se, exceto a busca do prazer. Só isso pode explicar episódios como o furibundo ataque midiático em curso contra os Franciscanos da Imaculada, cujos mosteiros são descritos como locais de tortura, só porque neles se pratica uma vida de austeridade e penitência. Usar o cilício ou gravar o monograma do nome de Jesus no peito é considerado uma barbárie, enquanto praticar o sadomasoquismo ou tatuar indelevelmente o próprio corpo é considerado hoje um direito inalienável da pessoa.

Com toda a força de que os meios de comunicação são capazes, os inimigos da Igreja repetem as acusações anticlericais de sempre. O que é novo é a atitude das autoridades eclesiásticas, que em vez de defender as freiras difamadas, as abandonam ao carrasco midiático com secreto comprazimento, fruto da incompatibilidade entre as regras tradicionais que essas religiosas estão decididas a observar e os novos padrões impostos pelo “catolicismo adulto”.

Mesmo que o espírito de penitência tenha pertencido desde o início à Igreja Católica – como o recordam as figuras de São João Batista e de Santa Maria Madalena – qualquer incitamento às práticas ascéticas antigas é considerado hoje intolerável até por muitos eclesiásticos. No entanto, não há doutrina mais razoável do que aquela que fundamenta a necessidade de mortificação da carne. Se o corpo está em revolta contra o espírito (Gl 5, 16-25), não é razoável e prudente reprimi-lo? Nenhum homem está livre do pecado, nem mesmo os “cristãos adultos”. Não age portanto segundo um princípio lógico e salutar quem expia seus pecados mediante a penitência?

As penitências mortificam o “eu”, dobram a natureza rebelde, reparam e expiam os próprios pecados e os dos outros. Se, pois, considerarmos as almas que amam a Deus, que buscam a semelhança com o Crucificado, então a penitência se torna uma exigência do amor. São famosas páginas de De Laude flagellorum de São Pedro Damião, o grande reformador do século XI, cujo mosteiro de Fonte Avellana se caracterizava por uma extrema austeridade nas regras. Escrevia ele: “Quero sofrer o martírio por Cristo, mas não tenho ocasião; submetendo-me às flagelações, pelo menos manifesto a vontade de minha alma ardente” (Epístola VI, 27, 416 c.).

Toda reforma na história da Igreja foi feita com a intenção de reparar os males do tempo por meio da austeridade e da penitência. Nos séculos XVI e XVII, os Mínimos de São Francisco de Paula praticaram (e o fizeram até 1975) um voto de via quaresmal que lhes impõe a abstenção perpétua não só de carne, mas de ovos, de leite e de todos os seus derivados; os Recoletos consomem a própria refeição no chão, misturam cinza nos alimentos, prosternam-se diante da porta do refeitório sob os pés dos religiosos que entram; os Irmãos hospitalares de São João de Deus estabelecem na sua constituição “comer no chão, oscular os pés dos irmãos, sofrer repreensões públicas e acusar-se publicamente”. Análogas são as regras dos Barnabitas, dos Escolápios, do Oratório de São Felipe Neri, dos Teatinos. Não há instituto religioso, como documenta Lukas Holste, que não inclua em sua constituição a prática do capítulo de culpas, a disciplina várias vezes por semana, os jejuns, a diminuição das horas de sono e de repouso (Codex regularum monasticarum et canonicarum, (1759) Akademische Druck und Verlaganstalt, Graz 1958).

A essas penitências “de regra” os religiosos mais fervorosos juntavam as chamadas penitências “superrogatórias”, deixadas a critério de cada um. Santo Alberto de Jerusalém, por exemplo, na Regra escrita para os Carmelitas e confirmada pelo Papa Honório III em 1226, depois de descrever o gênero de vida da Ordem e as respectivas penitências a praticar, conclui: “Se alguém no entanto quiser dar mais, o próprio Senhor em seu retorno o recompensará”.

Bento XIV, que era um Papa meigo e equilibrado, confiou a preparação do Jubileu de 1750 a dois grandes penitentes, São Leonardo de Porto Maurício e São Paulo da Cruz. Frei Diego de Florença deixou um diário da missão realizada por São Leonardo de Porto Maurício na Praça Navona, em Roma, de 13 a 25 julho 1759. Com uma pesada corrente em volta do pescoço e uma coroa de espinhos na cabeça, o santo se flagelava diante da multidão, gritando: “Ou penitência ou inferno” (São Leonardo de Porto Maurício, Obras Completas. Diário de Fra Diego, Veneza, 1868, vol. V, p. 249). São Paulo da Cruz terminava sua pregação infligindo-se golpes tão violentos, que com frequência algum fiel não resistia mais ao espetáculo e saltava no palco, com o risco de ser atingido, para deter-lhe o braço (Os processos de beatificação e de canonização de São Paulo Cruz, Postulação geral dos Padres Passionistas I, Roma 1969, p. 493).

A penitência foi praticada ininterruptamente durante dois mil anos pelos santos, canonizados ou não, que com suas vidas têm ajudado a escrever a história da Igreja; por Santa Joana de Chantal e Santa Veronica Giuliana, que gravaram com um ferro quente o cristograma no peito, e por Santa Teresinha do Menino Jesus, que escreveu o Credo com o seu sangue, no final do livrinho dos Santos Evangelhos que trazia sempre sobre o coração.

Contudo, essa generosidade não caracteriza somente as monjas contemplativas. No século XX, dois santos diplomatas iluminaram a Cúria Romana: o cardeal Merry del Val (1865-1930), Secretário de Estado de São Pio X, e o Servo de Deus Mons. José Canovai (1904-1942), representante da Santa Sé na Argentina e no Chile. O primeiro usava sob a púrpura cardinalícia uma camisa de crina trançada com pequenos ganchos de ferro. Do segundo, autor de uma oração escrita com sangue, o cardeal Siri escreve: “As correntes, os cilícios, as flagelações horríveis com lâminas de barbear, as feridas, as cicatrizes aumentadas pelas sucessivas lesões, não são o ponto de partida, mas de chegada de um fogo interior; não a causa, mas a eloquente e reveladora explosão desse fogo. Tratava-se da clareza com a qual ele via em si e em cada coisa um meio para amar a Deus, e com a qual, no lancinante sacrifício do sangue, via garantida a sinceridade das demais renúncias interiores” (Memorial para a Positio de beatificação de 23 de Março 1951).

Foi nos anos cinquenta do século XX que as práticas espirituais e ascéticas da Igreja começaram a declinar. O padre João Batista Janssens, Geral da Companhia de Jesus (1946-1964), interveio mais de uma vez para chamar os próprios irmãos a retornar ao espírito de Santo Inácio. Em 1952 ele lhes enviou uma carta sobre a “mortificação contínua”, na qual se opunha às posições da nouvelle théologie, tendentes a excluir as penitências reparadoras e impetratórias, e escrevia que jejuns, flagelação, cilícios e outros rigores deviam permanecer escondidos dos homens, segundo a norma de Cristo (Mt 6, 16-18), mas deviam ser ensinados e inculcados nos jovens jesuítas até o segundo noviciado, chamado de terceiro ano de aprovação (Dizionario degli Istituti di Perfezione, vol. VII, col. 472). Ao longo dos séculos, as formas de penitência podem mudar, mas não o espírito, que é sempre oposto ao do mundo.

Prevendo a apostasia espiritual do século XX, Nossa Senhora em pessoa recordou em Fátima a necessidade da penitência. Penitência não é senão a recusa das falácias do mundo, a luta contra os poderes das trevas, que disputam com as forças angélicas o domínio das almas, e a mortificação contínua da sensualidade e do orgulho, enraizados no mais profundo do nosso ser. Somente aceitando essa luta contra o mundo, o demônio e a carne (Ef 6, 10-12), podemos compreender o significado da visão cujo centésimo aniversário celebraremos dentro de um ano. Os pastorinhos de Fátima viram “ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fogo na mão esquerda; ao cintilar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência!” (Roberto de Mattei)!

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27 janeiro, 2016

Quando a Igreja era acusada de impiedosa.

Por Rino Cammilleri – La Nuova Bussola Quotidiana | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: Fabrizio De André retornava com muito gosto ao tema do “suicídio”. A primeira vez, em La ballata del Miche’, onde atacava a Igreja, acusando-a de impiedosa porque negava o funeral religioso aos suicidas. Na passagem escrita em memória de Luigi Tenco, que havia cometido suicídio, ele se lançou contra a “Igreja impiedosa” dizendo com toda certeza que o Paraíso acolhe a todos, “porque o inferno não existe no mundo de um Deus que é bom.” Finalmente, na obra Andrea, jogou a toalha e não fez mais comentários metafísicos sobre o suicídio do protagonista.
img-_innerart-_cam2_30Mas será que era realmente impiedosa aquela Igreja “Constantiniana”, que não admitia suicidas em seus cemitérios? Hoje, a ciência psiquiátrica moderna nos informa que, mais frequentemente do que se pensa, uma pessoa que comete suicídio não está totalmente em posse de seu juízo normal, assim a sua responsabilidade pessoal é no mínimo duvidosa. E o (velho) catecismo nos diz que para um pecado mortal é necessário que haja “plena consciência e consentimento deliberado”. O homem moderno já nem sequer sabe o que significam palavras como “pecado” e, muito menos, “mortal”, talvez por isso os sistemas antigos precisem realmente de uma reavaliação. Talvez Papa Francisco se sinta como Jonas em Nínive, cujo povo “não conseguia distinguir a direita da esquerda”. Como os homens de hoje, os ninivitas só compreendiam a linguagem do porrete  (“Quarenta dias mais e Nínive será destruída”). Aliás, o homem de hoje nem isso; daí a estratégia da “misericórdia”.
Mas, insisto, realmente a Igreja “pré” era impiedosa quando negava o último viático a um desesperado? Ou, pelo contrário, usava isso como uma advertência extrema, daquele tipo “se você tocar o fio de alta tensão morrerá” (adesivo completo com caveira e ossos cruzados para os analfabetos)? Pode haver algo pior que o sofrimento – naquele momento – sem via de saída? Isso era o que significava aquele gesto de rejeição para aqueles que acreditavam, mas que foram enganados pelo Enganador (“mendax et homicida ab initio’), para que pudessem encontrar a paz eterna. Assim, o homem que estava sendo tentado a cometer aquele gesto extremo tinha uma última chance de dissuasão: o medo de acabar num estado muito “pior”, em um buraco, e só para esclarecer, sem uma cruz encima. Isso é chamado estratégia de dissuasão. Hoje, no entanto, as cabeças mudaram, ao que parece.
Assim, a uma pobre mulher que morreu enquanto fazia um aborto, a uma que acabou assassinada durante uma escapada extraconjugal, a um ateu famoso, ou a um suicida são oferecidos misericordiosamente funerais em uma cerimônia católica, juntamente com as suas guitarras, os seus cachorrinhos de estimação, as bandeiras do clube de futebol de coração… etc. É isso mesmo, os tempos estão difíceis e, se assim não se faz, a Igreja, de fato, é taxada de impiedosa. Uma pergunta, no entanto não quer calar: será que os tempos eram menos “difíceis” quando Cavour enfiava nas prisões arcebispos e cardeais que se recusavam a entoar o solene Te Deum para as glórias da Patria Risorgimentale? O Beato Pio IX excomungou todos os Padres da Itália Unificada e suspendeu “a divinis” o frade que, contrariando suas ordens, administrou os últimos sacramentos a Cavour sem que ele tivesse se arrependido de seus confiscos e espoliações.
Vittorio Emanuele II, que vivia em concubinato com a “bela Rosin”, na propriedade real de San Rossore quando, por uma forte influenza, se viu à beira da morte (naquele tempo não haviam antibióticos), mandou chamar o Arcebispo de Pisa, o qual enviou-lhe uma mensagem dizendo que se ele quisesse os sacramentos, deveria: a) se casar regularmente; b) se retratar de tudo o que ele tinha feito contra a Igreja e o Catolicismo. Mas, notem bem, o prelado sabia bem que ele corria sério risco de retaliação, tanto para ele pessoalmente como para tudo o que ele representava. Mas, o rei acabou capitulando, pedindo apenas que o assunto não vazasse. Negócio fechado, porque naquela Igreja “impiedosa” interessava apenas a salvação de sua alma.
Mas, como já foi dito, eram tempos diferentes. Hoje, os tempos – me desculpem a tautologia – são diferentes e talvez o homem contemporâneo não merece ser levado tão a sério assim, tratado como um adulto ao invés de um molecão que nunca cresceu. Alguns me dirão que assim ele permanece em sua inocência de infância. Mas, não cabe a mim decidir estratégias e modus operandi. Como repórter, no entanto, eu apenas registro o que vejo. E vejo uma desconexão entre a classe dominante e o povo, tanto no âmbito secular como no lado religioso. As pessoas, como nos dias do socialismo real, estão votando com os pés. Tanto nas praças, como em direção aos santuários marianos. Mas, talvez seja muito cedo para uma avaliação: a Igreja pensa em termos de séculos.
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26 janeiro, 2016

Não confundir a família com outras formas de união – Papa.

Rádio Vaticano – No discurso aos membro do Tribunal da Rota Romana, o Papa Francisco recomendou que não se confunda a família com outras formas de união…

O Papa relançou esta prerrogativa histórica ligando-a ao magistério mais recente focalizado pela Igreja sobre o tema da família e sublinhando uma certeza que não mudou:

No percurso sinodal sobre o tema da família, que o Senhor nos concedeu realizar nos dois anos transactos, pudemos fazer, em espírito e estilo de efectiva colegialidade, um discernimento sapiencial, graças ao qual a Igreja mostrou ao mundo que não pode haver confusão entre a família desejada por Deus e qualquer outros tipos de união”.

Depois retomando palavras do Papa Pio XII que considerava o Tribunal da Rota Romana, o Tribunal da Família, o Papa Francisco acrescentou que deve ser também o “Tribunal da Verdade do Vínculo Sagrado”. À Igreja toca mostrar tanto o “amor misericordioso de Deus em relação às famílias, de modo particular as feridas pelo pecado e pela provações da vida”, como também proclamar  – disse – a “a irrenunciável verdade do matrimónio segundo o desígnio de Deus”, segundo “o sonho de Deus”, aquele sonho que atribui ao matrimónio a missão de transmitir a vida e o amor recíproco e legítimo entre homem e a mulher, chamados “a completar-se reciprocamente numa doação mútua não só física, mas sobretudo espiritual”.

Por isso, concluiu, a Igreja com renovado sentido de responsabilidade continue a ajudar a compreender isso e a propor o matrimónio nos seus elementos essenciais: prole, bem dos cônjuges, unidade, indissolubilidade, sacramentalidade”.

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26 janeiro, 2016

Ecumenismo: Papa Francisco participará de celebração de 500 anos da Reforma na Suécia.

Papa Francisco visita a Suécia no mês de outubro

Rádio Vaticano – Está confirmado: o Papa Francisco visitará a Suécia no próximo mês de outubro. A informação foi confirmada nesta segunda-feira dia 25 de janeiro pelo Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, o padre Federico Lombardi.

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Francisco e uma “bispa”: Sugestiva foto escolhida pela Rádio Vaticano para ilustrar a matéria.

No centro desta visita, agendada para a cidade de Lund no dia 31 de outubro, estará uma celebração conjunta entre a Igreja Católica e a Federação Luterana Mundial no âmbito dos 500 anos da Reforma.

A Federação Luterana explica numa nota que o Papa Francisco, o Bispo Munib A. Younan e o Reverendo Martin Junge, Presidente e Secretário Geral da Federação, respetivamente, vão presidir juntos à celebração ecuménica. Uma celebração que dará destaque aos “progressos ecuménicos entre católicos e luteranos”.

Recordemos que foi recentemente publicado um guia litúrgico católico-luterano com o nome “Oração em Comum”.

O Papa Francisco seguirá o exemplo de S. João Paulo II que no Verão de 1989 visitou a Suécia e também a Noruega, a Islândia, a Finlândia e a Dinamarca.

* * *

Benção conjunta – Papa, ortodoxo e anglicano

Ontem, 25 de janeiro de 2016, por ocasião da Festa da Conversão de São Paulo, o Santo Padre celebrou vésperas na Basílica de S. Paulo fora de Muros juntamente com representantes ortodoxos, anglicanos e de outras confissões cristãs que passaram a Porta Santa Jubilar com o Papa Francisco. Ao fim, o bispo de Roma convidou os representantes ortodoxo e anglicano para dar junto com ele a benção (ver aos 2:45 do vídeo):

Convém recordar que, após diligente estudo e reflexão, o Papa Leão XIII, em sua Encíclica Apostolicae Curae, declarou, infalivelmente, serem inválidas as ordenações anglicanas:

“Por isto, e aderindo estritamente, neste caso, aos decretos dos pontífices, nossos predecessores, e confirmando-os mais completamente, e, como o foi, renovando-os por nossa autoridade, de nossa própria iniciativa e de conhecimento próprio, pronunciamos e declaramos que as ordenações conduzidas de acordo com o rito Anglicano foram, e são, absolutamente nulas e totalmente inválidas.” (Papa Leão XIII, encíclica Apostolicae Cureae, 36)

25 janeiro, 2016

Afinal, somos todos filhos de Deus?

Por João Pedro Oliveira | FratresInUnum.com – À parte o escândalo que é ter um vídeo, publicado pelas próprias fontes oficiais vaticanas e protagonizado por ninguém menos que o Papa, insinuando uma certa igualdade entre Cristo e algumas religiões pagãs, é preciso fazer uma consideração especial a respeito de uma afirmação do Santo Padre, cujo teor não parece ter sido devidamente apreciado pelos sítios católicos que visito.

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Trata-se da afirmação de que “somos todos filhos de Deus”.

Com esta postagem, não pretendo “adivinhar” as intenções do Sumo Pontífice, embora seja muito sensato que os fiéis católicos, como filhos da Igreja, procurem dar um sentido católico àquilo que ele fala, pois um Papa não tem sentido fora da Igreja e da comunhão com os seus predecessores.

Sem mais delongas, consideremos, com Santo Tomás de Aquino, que a filiação divina pode ser tomada em vários sentidos (cf. Suma Teológica, I, q. 33, a. 3).

Propriamente falando, filho de Deus é um só: Jesus Cristo. É o que confessamos no Credo, quando dizemos crer em “Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor”; é o que dizem em várias passagens os Evangelhos; é o que o Símbolo Niceno-Constantinopolitano exprime por meio da expressão “consubstancial ao Pai”. Jesus Cristo tem a mesma natureza divina do Pai, e isto o torna filho de Deus de uma forma que nenhuma criatura o é. Por isso, no Evangelho de S. João, quando anuncia aos Seus discípulos que deve partir, Cristo diz: “Subo para o meu Pai e vosso Pai”, como se dissesse: A minha filiação não é a mesma que a vossa.

A grande novidade da religião cristã – e que não está nem no budismo, nem no islamismo, nem no judaísmo – é que, através da fé, Deus vem dar ao homem o poder de se tornar filho de Deus, participando na própria natureza d’Ele.

Esse modo especial de filiação acontece pela graça e começa com o Batismo, mas só se consuma e se torna definitiva na glória do Céu e, por isso, é possível dizer que os Santos, depois de Jesus, são os que com maior razão podem ser chamados de filhos de Deus, seguidos por nós, que pertencemos à Igreja e procuramos perseverar na graça.

A lista não para por aí, pois todos os seres humanos, enquanto formados à imagem, uma vez que a semelhança se perdeu com o pecado original, também podem ser chamados de Seus filhos. Mais abaixo, vêm todas as demais criaturas, enquanto plasmadas pelas mãos do Criador, e que também podem ser consideradas Suas filhas.

O abismo que existe entre esta filiação e aquela, no entanto, é o mesmo que separa a Terra do Céu, a Criação da Redenção, o natural do sobrenatural, a razão humana da Revelação Divina. É verdade que, enquanto criaturas humanas, “somos todos filhos de Deus”, mas essa está longe de ser “a única verdade” que conhecemos: pelo Filho de Deus Encarnado, somos chamados a uma elevação, a um upgrade fora do comum, a uma felicidade para muito além de nossa natureza.

Então somos todos filhos de Deus? Somos. Santo Tomás poderia concordar tranquilamente com essa afirmação.

O que ele, bem como a multidão de santos e doutores da Igreja, certamente não aceitariam, é esse silêncio e esse reducionismo em relação à verdadeira mensagem do Evangelho, apresentada ambígua e parcialmente, que temos visto acontecer de forma muito clara dentro da Igreja, ao longo dos últimos anos.

Considerando que foi para elevar os homens à vida de Deus, à filiação divina pela graça, que o Verbo veio ao mundo e que a Igreja foi fundada, falar simplesmente que “somos todos filhos de Deus” – ou mesmo que “só há uma certeza” que compartilhamos com os membros de outras religiões –, sem maiores distinções ou nuances, é trair aos Apóstolos, é jogar no lixo as missões, é menosprezar os esforços de um São Francisco Xavier ou de um São José de Anchieta na catequização e santificação dos pagãos.

Se é apenas para dizer aos homens que eles já são criaturas do Deus que servimos, calando sobre a necessidade da Fé e do Batismo para a vida eterna, transformamo-nos em uma religião natural, como qualquer outra. Se é só para pedir o fim do aquecimento global ou o cuidado do mundo criado que gastamos a nossa saliva e a nossa ira, transformamo-nos em uma ONG há muito tempo, e ainda não percebemos.

A Igreja foi fundada para falar de Deus e levar os homens à comunhão com Ele. Se for preciso, que voltemos no tempo ou revisemos as nossas “estratégias pastorais” para devolvermos as coisas ao seu verdadeiro lugar, que seja. Mas que a Igreja seja o que é, o que Deus quis que ela fosse, não o que o mundo quer que ela seja. Isso não pode ser pedir demais.

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24 janeiro, 2016

Foto da semana.

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Charlene de Monaco: Deus lhe deu a Fé.

A princesa se tornou uma católica fervorosíssima. Em visita oficial ao Vaticano, ao lado de seu marido, o príncipe Albert II, Charlene de Mônaco viveu sua conversão ao Catolicismo depois de cinco anos como uma revelação. A princesa teria encontrado na meditação e na oração o seu equilíbrio…

Por Gala.fr | Tradução: FratresInUnum.com – A princesa se tornou uma católica fervorosíssima.

Esses são seus pequenos encontros, se não secretos, discretos. Momentos de comunhão que transfiguram a máscara de timidez por detrás da qual ela se esconde…

Nesta segunda-feira, 18 de janeiro, a princesa Charlene de Mônaco acompanhou o Príncipe Albert II ao Vaticano. Que a esposa do chefe do principado, onde a religião católica prevalece como religião de estado, junte-se à visita oficial que comemora os laços muito estreitos entre Mônaco e a Santa Sé, segue, à primeira vista, uma lógica protocolar.

Em janeiro de 2013, menos de dois anos depois de seu casamento em julho de 2011, o herdeiro Grimaldi tinha já apresentado a princesa ao Papa Bento XVI, da mesma forma que seu pai, Rainier, apresentou Grace Kelly a Pio XII.

Em março de 2013, o novo casal real do Mônaco chegou a interromper uma estadia na região do Pacífico para participar da Missa inaugural do Papa Francisco, novo sumo pontífice do Vaticano.

Finalmente, em novembro passado, a princesa assegurou a promoção de sua fundação para o desenvolvimento das crianças através do esporte no coração da cidade papal.

Mas, hoje, há no assiduidade com que Charlene acorre às audiências com sua Santidade, o Papa Francisco, a manifestação de um verdadeiro fervor.

“Charlene abraçou a religião católica e está muito inspirada por ela. É uma fiel devota e muito praticante”, garantiu recentemente uma pessoa próxima à revista People.

Na verdade, nascida no Zimbábue e criada na África do Sul na religião protestante, a princesa se converteu ao catolicismo dois meses antes de seu casamento com Albert II, na primavera de 2011. “Uma conversão desejada”, assegurou no verão passado. “Porque o catolicismo é a religião de Estado em Mônaco”, mas também “porque” (ela) dá muita força”.

O nascimento prematuro dos príncipes gêmeos Gabriella e Jacques, em 10 de dezembro de 2014, teria contribuído para fortalecer sua fé católica. Uma das primeiras saídas de Charlene do serviço hospitalar neonata do hospital Princesa Grace teria sido motivada pela necessidade de rezar na capela da instituição.

“Criei o hábito de rezar por todos, mas eu queria agradecer ao Senhor de modo especial. Eu me sinto tão devedora, eu me casei com um homem maravilhoso e sou uma mãe de dois filhos saudáveis​”, confirmou ela alguns meses mais tarde essa informação de nossos colegas da Paris Match.

Seu envolvimento em todos os detalhes do batismo de Jacques e Gabriella, Catedral de Notre-Dame-Imaculée, em Mônaco, 10 de maio de 2015, foi ocasião para a princesa demonstrar a sua devoção. Ou seu proselitismo. Escolhida como padrinho de Jacques e Gabriella, Gareth Wittstock, irmão mais novo de Charlene, por sua vez, converteu-se ao catolicismo um mês antes dos gêmeos receberem seu primeiro sacramento.

Desde então, acompanhada de seu esposo e, mais recentemente, dos filhos, a princesa freqüenta regularmente a missa em um, por escolha, dos muitos edifícios religiosos de Mônaco. Sua preferência é a Catedral de Notre-Dame-Imaculée, onde a princesa, na maior discrição, muitas vezes deixa flores em memória do príncipe Rainier.

Para um “veterano de Mônaco”, como cita a revista People: “Ela adora ir à igreja. Esta espiritualidade faz parte de seu equilíbrio e enriquece a vida da princesa”.

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