15 dezembro, 2014

A oração da ruptura. Por CNBB.

O informe abaixo nos chega de uma secretaria paroquial.

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A hermenêutica da ruptura, segundo os neo-modernistas; ou  Igreja pré-conciliar x Igreja pós-conciliar.

Quem nunca ouviu “antes do Concílio Vaticano II era assim… hoje é desse modo…”? Pois bem, desta feita é a própria CNBB, através do material que as comunidades católicas vão usar na Quaresma, que faz uso dessas comparações, evidenciando assim a linha neo-modernista de interpretação do Concílio Vaticano II como ruptura para com a Tradição e História da Igreja, hermenêutica que fora rechaçada por Bento XVI, em 2005.

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No que será o Sexto Encontro da Quaresma, os católicos do Brasil inteiro que aderirem aos grupos de orações nas casas, seguindo o material enviado pela CNBB, serão obrigados a dizer que antes do Concílio Vaticano II as pessoas só olhavam para Deus no céu e não viviam a fraternidade, com uma fé vertical, esquecendo-se da horizontalidade (sic!).

Somente com e a partir do CVII é que os católicos despertaram para uma fé com compromisso com Cristo, na pessoa dos irmãos e irmãs! E isso foi um resgate do evangelho. Ou seja, por quase dois mil anos de história a igreja não produziu nenhum efeito de sua fé. Nunca teve e manteve instituições de caridade, como hospitais, escolas, asilos, nunca proporcionou educação para os povos, nunca salvou as almas dos fiéis pela administração dos sacramentos, nunca teve santos que cuidassem das coisas celestes e terrestres de forma perfeita… só depois do CVII é que a Igreja passou a viver o Evangelho. E as piedosas almas que na Quaresma só queriam rezar os mistérios dolorosos do Rosário ou a Via-Sacra, e fazer sim caridade, são obrigadas a dizer que a fé de seus antepassados era descompromissada com a realidade, com os “irmãos e irmãs”.

Detalhe, tudo isso encontra respaldo numa pessoa: o Papa Francisco! Pela primeira vez na história da Campanha da Fraternidade um papa ganha as capas dos materiais relativos à mesma campanha. A CNBB está promovendo S.S Francisco com qual interesse? De onde veio esse súbito amor ao Papa?

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14 dezembro, 2014

Foto da semana.

fabiola

A Bélgica chora a Rainha Fabiola, “mãe de todos os belgas”, que deixa sua herança aos pobres.

Por Religión en Libertad | Tradução: Fratres in Unum.com: Uma grande soberana e uma grande cristã morreu em 5 de dezembro, no Castelo de Stuyvenberg, em Bruxelas, aos 86 anos de idade. Ao voltar para o Pai, a quinta rainha dos belgas se reúne também com aquele por quem sofreu durante 21 anos, o amor de sua vida, o rei Balduino. “Ela costumava dizer que só esperava uma coisa: encontrar-se com Balduino. Que esse seria um dia de alegria para ela” (Voici).

Esta rainha católica impressionou o mundo todo ao assistir as exéquias de seu esposo, em 7 de agosto de 1993, vestida totalmente de branco, como sinal de sua esperança na ressurreição. Balduino morreu repentinamente aos 62 anos, depois de reinar por 42 anos, durante suas férias na Espanha. “A última aparição pública da rainha, cuja saúde era cada vez mais frágil, foi por ocasião do 20º aniversário da morte de Balduino” (L’Express).

Um matrimônio de amor entre católicos fervorosos

Nascida em Madri, em 11 de junho de 1928, Dona Fabiola de Mora e Aragão, filha da nobreza espanhola, havia sido enfermeira antes de se casar com o mais jovem soberano da Europa, em 6 de dezembro de 1960.

Foi em Lourdes onde Balduino pediu a mão de Fabiola (…) procedente do catolicismo espanhol mais puro. Fabiola “foi eleita pela Santíssima Virgem para ser minha esposa”, escreveu o soberano. Ela esteve sempre a seu lado como um apoio tão discreto quanto inquebrantável, sobretudo quando o rei Balduino rechaçou heroicamente, em 1990, assinar a lei que autorizada o aborto na Bélgica.

Sua maior dor foi não poder ter filhos. Fabiola perdeu cinco bebês antes de nascer. “Compreendemos que nosso coração tornou-se livre para amar às crianças, absolutamente todas”, confidenciou certo dia. A rainha multiplicou desde então suas ações caritativas, criando a Fundação Fabiola para a Saúde Mental. Consagrou-se também à luta contra a prostituição e a emancipação das mulheres nos países em desenvolvimento.

“Fez de Balduino o rei que a Bélgica precisava”

“A Bélgica perde uma grande Rainha. Uma Rainha de Amor. Uma Rainha Branca. Uma Rainha de coração”, escreve o diário La Libre Belgique em um vibrante editorial: “…rapidamente, nesta Bélgica cinzenta, ela levou o sol de seu país, o sorriso de sua família, a força de sua educação. Em poucos meses, ela ajudou seu esposo a amar o seu dever de rei. Em pouco tempo, ela se converteu em mais belga que os belgas”.

“Rapidamente, aprendeu o holandês e se fez amar por todo um povo, os valões, os bruxelenses, os flamencos, os germanófonos. Ela, que nunca pôde ter filhos, fez de todos os filhos da Bélgica a sua grande família. Assim, graças a ela, a seu amor, a sua presença, mas também a sua distância, fez de Balduino o Rei que a Bélgica precisava. Um rei que acompanhou a transformação do país. De unitária, a Bélgica se fez federal, através de sucessivas reformas. Sem feridas, sem violência”.

“Hoje é [o dia é de] dor para todos os belgas”, declarou Didier Reynders, vice-primeiro ministro e ministro de Assuntos Exteriores. Ela “marcou várias gerações. É uma página de nossa história que se vira”, acrescentou.

“Todos sabiam de suas convicções, de seu compromisso, de sua atenção aos mais fracos, tanto durante seus 33 anos de reinado como depois da morte do rei Balduino”, declarou Benoit Lutgen, chefe do partido de centro CdH, de inspiração cristã. “Ela mostrava claramente que era católica e praticante. A missa diária era o mais importante”, recorda Benoît Lobet, “padre da Rainha”. (RTBF).

Cheia de vida e humor até o final

Assediada pelos anticlericais, ela se encontrou no centro de uma polêmica a propósito de sua fundação privada destinada a ajudar a seus sobrinhos e sobrinhas, e a obras culturais ou sociais que promoviam suas convicções católicas.

Foi acusada de utilizar um pretexto caritativo como meio de escapar dos direitos de herança. Proclamando sua inocência, ela renunciou a esta fundação e se retirou ainda mais da vida pública, no mesmo ano da transferência de poder entre seu cunhado, o rei Alberto II, e seu sobrinho Felipe.

Longe de ser uma “estraga prazeres”, Fabiola estava cheia de vida e de humor. “Esta mulher de personalidade alegre, apaixonada pela música e pela dança, devolveu o sorriso a Balduino, conhecido como ‘o rei triste’, depois de sua ascensão ao trono em 1951 em condições muito difíceis depois da abdicação de seu pai Leopoldo III” (Le Point).

Ela conservou seu bom humor até o final. Em resposta a uma carta anônima que a ameaçava de morte com uma flecha durante a festa nacional de 21 de julho de 2009, ela exibiu uma maçã verde, em alusão a Guilherme Tell!

“Ela falava com todos deixando de lado o protocolo”, conta Stéphane Bern. A rainha Fabiola considerada a todos igualmente, e dizia sempre que estimava tanto a donzela que a ajudava a se vestir como a um chefe de Estado ou a um ministro”.

Deixa seu patrimônio aos mais desfavorecidos

A rainha Fabiola deixou todo o seu patrimônio privado à fundação “Obras da Rainha”, criada em 1960, na época de seu matrimônio com o rei Balduino e cujos beneficiários são as pessoas desfavorecidas, que precisam de ajuda limitada e urgente, na Bélgica. O diário “Le Soir” confirmou esta informação em fontes oficiais do Palácio, que, todavia, não quiseram dar detalhes sobre isso, tendo em conta que ainda deve ser realizado um inventário com esses bens privados.

O anúncio do conteúdo do testamento da rainha Fabiola, informa o diário Abc, ocorre após um período em que ela foi acusada de tentar se esquivar de obrigações fiscais em benefício de seus sobrinhos. Contudo, as fundações que havia criado então foram dissolvidas. “O testamento constitui um ponto final de sua resposta às críticas” das quais fora objeto, segundo afirma o diário de Bruxelas.

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13 dezembro, 2014

20% das crianças britânicas creem que Jesus Cristo é um jogador do Chelsea.

O diário britânico The Independent publica uma pesquisa com um surpreendente resultado, realizada com 1.000 crianças em um centro comercial situado às arredores de Londres. À pergunta «Quem é Jesus Cristo?», umas 20% das crianças pesquisadas selecionaram a opção de que se trata de um jogador do Chelsea.

Por InfoCatólica | Tradução:  Tradução: Airton Vieira de Souza – Fratres in Unum.comUm total de 1000 crianças foram entrevistadas para a pesquisa, realizada para o Brent Cross Shopping, da que se faz eco o Independent.

As outras possíveis respostas eram o filho de Deus, um apresentador de TV, um participante de “Factor X” ou um astronauta.

O Chelsea é um clube de futebol do oeste de Londres capital, fundado em 1905 e que joga na Premier League, máxima competição futebolística do Reino Unido.

NdT:

1) “Mas quando vier o Filho do Homem, julgais que encontrará fé sobre a terra?” (Lc XVIII,8)

2) “Porém o que escandalizar um destes pequeninos, que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço a mó que um asno faz girar, e que o lançassem ao fundo do mar.” (Mt XVIII,6)

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13 dezembro, 2014

Psicólogo analisa os riscos que correm os menores nas seitas.

Por Luis Santamaría – Rede Ibero-americana de Estudo das Seitas | Tradução: Airton Vieira de Souza – Fratres in Unum.com: No âmbito do Maister Universitário en Criminología y Seguridad da Universidade de Valência, em 26 de novembro passado, teve lugar a exposição “Os menores ante as seitas”. Esteve a cargo do psicólogo José Miguel Cuevas Barranquero, professor na Universidade de Málaga, vice-presidente da Asociación Iberoamericana de Investigación del Abuso Psicológico (AIIAP) e diretor da revista sobre abuso psicológico Traspasos.

Os principais trabalhos de Cuevas giram em torno à validação da persuasão coercitiva, assim como na perícia e abordagem de casos de sectarismo. Assiste a vítimas de seitas no setor público, através do Organismo Autônomo Local “Marbella Solidaria”, na província de Málaga. É autor de várias publicações em torno do fenômeno sectário e colabora com distintas organizações preventivas e informativas.

Insistindo nos danos das seitas aos menores, o psicólogo repassou alguns aspectos relevantes desta problemática, abordando-os de forma prática e com úteis recomendações. Para isso repassou alguns exemplos de fenômenos destrutivos que têm afetado diretamente a menores.

Riscos para as crianças em seitas

José Miguel Cuevas também expôs os habituais riscos e danos demonstrados pelos menores que veem forçados sua passagem por estes grupos, sendo educados em habituais pautas disciplinantes, com férreos esquemas rígidos e com uma probabilidade real elevada de sofrer negligências, tanto de abandono físico e afetivo, como de riscos para a saúde (em algumas ocasiões, com o abandono de práticas sanitárias obrigatórias como a vacinação, negação de auxílio sanitário, desenvolvimento exclusivo de medidas “sanitárias” alternativas…) que em casos extremos podem chegar a fazer correr perigo à vida do menor.

Estes menores são educados em pautas de submissão e obediência extrema à liderança das estruturas das organizações, alterando os papéis educativos paternos, que ficam relegados a uma ordem inferior ao da estrutura hierárquica grupal. O autor expôs os riscos mais importantes classificados em quatro subgrupos de técnicas coercitivas (ambientais, emocionais, cognitivas e dissociativas).

Quanto aos riscos ambientais, Cuevas citou alguns como a sobreproteção e rejeição de responsabilidades, a exploração infantil, o abandono material e afetivo, o abandono do rol paterno/materno-filial, a perturbação dos papéis de autoridade (já que a única autoridade é a hierarquia sectária), as dificuldades para a relação com os iguais externos ao grupo, o isolamento de familiares não sectários, o isolamento social e a dependência.

Indo aos riscos emocionais que correm os menores nas seitas, o psicólogo se referiu ao autoritarismo marcado, o risco de negligências e abusos, a imaturidade afetiva e racional, a indução de fobias sociais e outros medos, o fomento da culpa, a ansiedade obsessiva e o perfeccionismo.

Como riscos cognitivos citou o fomento da visão de um mundo injusto e catastrófico, o possível atraso educativo, a indução de crenças fundamentalistas e acientíficas, a rigidez mental, o fomento do chamado “pensamento mágico”, o fomento da obediência junto ao déficit do pensamento crítico, a alteração do processo de atribuição (todo o bom é pelo grupo, todo o mal vem da sociedade), etc.

Por último, apontou a dissociação, que inclui diversas atitudes: a participação em rituais de intensa emotividade, os abandonos e negligências sanitárias, a consideração extrema da sexualidade (o bem com a perversão e abuso, o bem com a demonização), os problemas de autoestima e identidade, a vulnerabilidade da liberdade e do desenvolvimento da pessoalidade e, em alguns casos, o uso de drogas.

Em um momento posterior, José Miguel Cuevas repassou as evidências científicas encontradas em distintas investigações de outros colegas, e que confirmam os graves riscos demonstrados por estes grupos. Também descreveu o panorama real de uma sociedade pouco comprometida e sensível com estas constantes agressões, em grande parte à ignorância entorno ao funcionamento e à prevalência real e elevada destes fenômenos, que afetam a uma parte importante da população (todos estamos sujeitos a estes riscos).

Problemas legais e jurídicos

Neste sentido, repassou alguma jurisprudência legal sobre estes grupos e as dificuldades encontradas na luta contra estas organizações coercitivas. Cuevas deu suas recomendações, com base nas evidências que tem recopilado na experiência em sua associação, especificando algumas ferramentas de avaliação específicas e validadas para medir a manipulação, o abuso e a persuasão coercitiva. Ferramentas como a escala GPA, que mede o abuso psicológico grupal, e que foi validada na Espanha pela doutora Carmen Almendros, ou a entrevista do psicólogo expositor, a EPC, validada recentemente como ferramenta fiável para detectar a presença de persuasão coercitiva.

Recomendou também que qualquer perito que aborde temas sectários deve tratar de especializar-se neste setor tão complexo. E que de uma maneira ou outra há de se avaliar familiares e ex-vítimas, não só pessoas que seguem dentro do grupo, que habitualmente costumam ser testemunhas pouco fiáveis, acostumados a ser condescendentes com o grupo, obedecendo, como sempre, à hierarquia a que estão submetidos.

Com efeito, quando se trata de prejudicar os interesses do grupo os membros raramente colaboram, fazendo justamente esforços reativos sumamente defensivos, como ocorreria com qualquer outro grupo delitivo que fosse investigado: seus integrantes estão motivados para dar uma versão interessada. Desta maneira, quando se avalia diretamente as vítimas que ainda sigam dependendo do grupo, há que se partir da hipótese de que resulta mui provável que tentem simular, dar uma versão e um contexto socioemocional favorável aos interesses do grupo.

Portanto, segundo este psicólogo, seria conveniente abordar com eles algumas ferramentas que detectem casos de simulação, como a entrevista clínico-forense e outras ferramentas avaliativas concretas para detectar casos de possível simulação. Desta maneira, se poderia detectar se realmente os integrantes do grupo dão uma versão realista em torno do grupo controvertido a que pertencem.

Com efeito, estas ferramentas, segundo o psicólogo, raramente são aplicadas por parte de seus colegas, sendo necessária a especialização e a abordagem para evitar avaliações predestinadas a ser manipuladas em favor dos interesses sectários. Também deu outras recomendações periciais para incrementar o rigor na avaliação pericial psicológica e psiquiátrica.

Entre os casos de grupos coercitivos históricos que hão atentado contra menores, fez um repasso de casos clássicos em Espanha: Meninos de Deus, Edelweiss, CEIS, Raschimura, etc., assim como também alguns casos recentes na atualidade internacional, alguns deles com protagonismo espanhol: o caso Antares da Luz, o assassinato de Dylan por parte de sua mãe Katherina (em Torrevieja, Alicante), os abusos sexuais do “Mestre Amor”, recém processado, a escola de karatê de Torres Baena, o Pastor de Salém, os Defensores de Cristo e um largo etcétera.

Não deixou passar o psicólogo a ocasião de descrever alguns dos habituais problemas e consequências psicopatológicas de passar por estes grupos, descrevendo algumas das lesões psicológicas que geram estes grupos, como o transtorno de estresse agudo, o transtorno de estresse pós-traumático, o transtorno dissociativo, indução de fobias, transtornos emocionais… e a importância de vinculá-los ao dano manipulativo gerado dentro das dinâmicas grupais.

José Miguel Cuevas insistiu na necessidade de que todas as partes implicadas deem um passo adiante nesta matéria: políticos, agentes judiciais, policiais, peritos, cidadania em geral… e a necessidade de proteger com mais veemência e força a estas vítimas de abuso e mau trato, independentemente do contexto em que tenham sofrido estas manipulações: grupos, seitas, casais, etc.

Destaques do original.

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13 dezembro, 2014

Papa exalta legado de Mandela em mensagem aos Nobel da Paz.

Por Rádio Vaticano – “Que o legado de não violência e reconciliação de Nelson Mandela possa continuar a inspirar o mundo”. É o que se lê em uma mensagem do Papa, assinada pelo Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, enviada na manhã desta sexta-feira, (12/12) aos membros do 14º Encontro dos vencedores do Prêmio Nobel da Paz, que acontece em Roma e recorda a memória de Nelson Mandela, Nobel da Paz em 1993.

Entre os participantes estão Sua Santidade o 14º Dalai Lama, que recebeu o prêmio em 1989, o Arcebispo anglicano da África do Sul, Desmond Tutu, em 1994, e José Ramos-Horta, em 1996. A mensagem afirma ainda que o Papa “reza para que todos os premiados possam ter novo fôlego e coragem para levar adiante tão importante serviço e que os trabalhos possam se converter em uma grande colheita de paz para o mundo”.

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12 dezembro, 2014

Um momento no Espírito do Concílio em São Pedro.

Misa Criolla, uma composição argentina da década de 60, celebrada hoje, festa de Nossa Senhora de Guadalupe, pelo Papa Francisco. Justiça seja feita, tal celebração já havia ocorrido em 2011 com Bento XVI.

Perfeita hermenêutica da reforma na continuidade, não?

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12 dezembro, 2014

Papa volta a pedir opinião aos católicos sobre os desafios que a família enfrenta.

Novo questionário a enviar às dioceses mostra que Francisco quer prosseguir caminho de abertura iniciado com o sínodo de Outubro. Perguntas servirão de base à reunião prevista para o próximo ano.

Por Público – Pela segunda vez, o Papa volta a pedir a opinião dos católicos para o debate sobre as questões da família, enviando um novo inquérito às dioceses que servirá de base ao sínodo dos bispos marcado para Outubro de 2015. Mas o Vaticano deixa claro que a discussão não deve começar do zero, antes prosseguir o caminho de abertura iniciado na reunião deste ano, em que a resistência dos sectores mais conservadores travou as propostas mais polémicas sem conseguir fechar a porta à renovação pastoral defendida por Francisco.

Francisco não esconde que continua apostado em promover uma mudança na forma como a Igreja lida com os católicos que se divorciaram e voltaram a casar-se, os que vivem em uniões civis ou os homossexuais. Deixou-o claro na entrevista ao jornal argentino La Nación, publicada no fim-de-semana, em que lamentou a situação de exclusão em que vivem os fiéis recasados. “Não estão excomungados, é verdade. Mas não podem ser padrinhos de baptismo, não podem ler nas missas, não podem dar a comunhão, não podem ensinar catequese (…). Se começarmos a contar, parecem estar excomungados de facto”, disse Bergoglio, insistindo que a Igreja tem de encontrar formas de os integrar, mesmo que o sínodo de Outubro não tenha aprovado a proposta para que fossem autorizados a comungar.

Na mesma entrevista, o Papa assegurou que os bispos não debateram o casamento entre pessoas do mesmo sexo, tão-só o apoio que a Igreja deve dar às famílias católicas confrontadas com a homossexualidade de um filho. Também o parágrafo relativo à necessidade de acolher “com respeito e delicadeza” os gays não obteve a maioria de dois terços necessária à aprovação, mas, ao decidir divulgar na íntegra as propostas votadas pelo sínodo, Francisco abriu a porta à mudança e deixou claro que pretende manter o debate em aberto, apesar das críticas proferidas pelos bispos mais conservadores.

A confirmação chegou terça-feira, quando o Vaticano anunciou o envio de um novo questionário às dioceses para preparar a segunda parte dos trabalhos que, depois do sínodo sobre “Desafios pastorais da família”, terá como lema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. E se o inquérito sublinha que é necessário encontrar formas de valorizar o casamento católico e “a dignidade da família”, fica também claro que o Vaticano espera “que sejam as dioceses e os católicos a outorgarem, ou não, um impulso ao Papa no seu espírito reformista”, escreveu o diário espanhol El País, recordando que o primeiro inquérito confirmou o grande hiato existente entre as opiniões e práticas dos crentes e aquela que é a doutrina oficial da Igreja.

Na introdução que antecede as 46 perguntas agora enviadas, o Vaticano pede aos bispos para evitarem respostas baseadas unicamente na doutrina oficial e se “deixem guiar pela viragem pastoral que o sínodo extraordinário começou a traçar”. Exortando as dioceses a envolverem na discussão movimentos laicos, organizações académicas e associações religiosas, o documento insiste que no debate sobre os desafios que a família enfrenta “é necessário tudo fazer para que não se recomece do zero, mas se assuma como ponto de partida o caminho já feito”. Além da “viragem pastoral” iniciada em Outubro, o inquérito aponta como guias o Concílio Vaticano II e “o magistério do Papa Francisco”.

E, apesar do incómodo dos conservadores, o Vaticano volta a pedir a opinião dos crentes sobre o apoio a dar às “famílias feridas”: pergunta como deve a Igreja acolher os católicos que voltaram a casar-se, se os processos para a anulação do matrimónio devem ser agilizados e mais acessíveis, ou como pode contribuir para o fim da “injusta discriminação” dos homossexuais.

Mas Francisco sabe que tem de equilibrar o impulso de abertura com a necessidade de evitar rupturas. Por isso, na audiência geral desta quarta-feira, voltou a dizer que, em nenhum momento, foram postos em causa “os verdadeiros fundamentos do sacramento do matrimónio, seja a indissolubilidade, a unidade, a fidelidade e a abertura ao dom da vida”. “Tudo acontece na presença do Papa, o garante da ortodoxia [da discussão]”, sublinhou perante 13 mil fiéis reunidos em S. Pedro.

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12 dezembro, 2014

O Sínodo e o Magistério ordinário da Igreja.

Por Roberto de Mattei – Corrispondenza Romana | Tradução: Fratres in Unum.com - Enquanto o Sínodo de 2015 se aproxima, carregado de incógnitas e de problemas, levanta-se uma questão fundamental: – Qual é a autoridade dos documentos eclesiásticos produzidos pelo magistério ordinário de um Papa ou de um Sínodo?

Os progressistas – ou, melhor dizendo, os neo-modernistas – atribuem um caráter infalível a todos os atos do atual Pontífice e aos resultados do próximo Sínodo, sejam eles quais forem. A esses atos  – dizem – devemos obedecer, porque, como no caso do Concílio Vaticano II, o Papa, ou os bispos unidos a ele, não podem errar. Por outro lado, esses mesmos progressistas negam valor infalível aos ensinamentos da encíclica Humanae Vitae de Paulo VI e afirmam que a moral tradicional no campo conjugal deve ser atualizada, adequando-se às “convicções vividas” por aqueles católicos que praticam a contracepção, a fecundação artificial ou formas de convivência extraconjugal.

No primeiro caso eles parecem admitir a infalibilidade do Magistério ordinário universal, identificando-o com o Magistério vivo do Papa e dos bispos depois do Vaticano II; no segundo caso, negam a infalibilidade do verdadeiro conceito de Magistério ordinário universal, expresso pela Tradição da Igreja segundo a conhecida fórmula de Vicente de Lerins: quod semper, quod ubique, quod ab omnibus.

Estamos diante de uma evidente inversão da verdade de fé sobre o Magistério eclesiástico. Com efeito, a doutrina da Igreja ensina que quando o Papa, sozinho ou em união com os bispos, fala ex cathedra, ele é certamente infalível. Mas, para que um seu pronunciamento possa ser considerado ex cathedra, são necessários alguns requisitos: 1) ele deve falar como Papa e pastor da Igreja universal; 2) a matéria sobre a qual se expressa deve dizer respeito à fé ou aos costumes; 3) ele deve pronunciar sobre esse objeto um juízo solene e definitivo, com a intenção de obrigar todos os fiéis.

Se faltar uma só dessas condições, o Magistério pontifício (ou conciliar) continua autêntico, mas não é infalível. Isso não quer dizer que ele seja errado, mas apenas que não está imune de erro: é, em uma palavra, falível.

Importa entretanto acrescentar que a infalibilidade da Igreja não se limita ao caso extraordinário do Papa que, sozinho ou em união com os bispos, fala ex cathedra, mas estende-se também ao Magistério ordinário universal.

Para esclarecer esse ponto, recorremos a um escrito do padre Marcelino Zalba (1908-2009), intitulado Infallibilità del Magistero ordinario universale e contraccezione (Infalibilidade do Magistério ordinário universal e contracepção), publicado na edição de janeiro-março de 1979 da revista “Renovatio” (pp. 79-90), do Cardeal Giuseppe Siri.

O autor, considerado um dos moralistas mais seguros de seu tempo, recordava que dois outros conhecidos teólogos norte-americanos, John C. Ford e Gerald Kelly, tinham estudado em 1963, cinco anos antes da promulgação da encíclica Humanae Vitae de Paulo VI, o grau de certeza e de verdade que se deveria atribuir, no campo teológico, à doutrina católica tradicional sobre a imoralidade intrínseca e grave da contracepção (John C. Ford SJ, Gerald Kelly, SJ, Contemporary Moral Theology, vol. 2, Marriage Questions, Newman, Westminster 1964, pp. 263-271).

De acordo com os dois teólogos jesuítas, tratava-se de uma doutrina que devia ser considerada normativa para a conduta dos fiéis. Seria de fato inconcebível que a Igreja Católica, assistida pelo Espírito Santo para a preservação da doutrina e da moral evangélicas, afirmasse explicitamente em numerosas intervenções que os atos anticonceptivos são uma violação objetiva e grave da lei de Deus, se realmente eles não o fossem. Por sua errônea intervenção, a Igreja teria dado origem a inúmeros pecados mortais, contradizendo a promessa da assistência divina de Jesus Cristo.

Um dos dois moralistas, o padre Ford, em colaboração com o filósofo Germain Grisez, aprofundou esse problema em um posterior escrito: Contraception and the Infallibility of the Ordinary Magisterium, (“Theological Studies”, 39 [1978], pp. 258-312). Eles concluíram que a doutrina da Humanae Vitae poderia ser considerada como infalivelmente ensinada, não em virtude de seu ato de promulgação (que foi menos solene e categórico, por exemplo, do que o da Casti Connubii de Pio XI), mas porque confirmou o Magistério ordinário universal dos Papas e dos bispos no mundo. Embora não fosse em si mesma infalível, a Humanae Vitae o tornou-se quando, ao condenar a contracepção, reafirmou uma doutrina proposta desde sempre pelo Magistério ordinário universal da Igreja.

A constituição Dei Filius, do Concílio Vaticano I, em seu terceiro capítulo, estabeleceu que há verdades que devem ser cridas na Igreja com fé divina e católica, sem necessidade de uma definição solene, por terem sido ensinadas pelo Magistério ordinário universal. As condições necessárias à infalibilidade do Magistério ordinário universal se dão quando se trata de uma doutrina relacionada com a fé ou a moral, ensinada com autoridade em repetidas declarações pelos Papas e pelos bispos com um caráter indubitável e obrigatório.

A palavra universal deve ser entendida não no sentido sincrônico de uma extensão no espaço num período histórico específico, mas no sentido diacrônico de uma continuidade do tempo, para exprimir um consenso que abraça todas as épocas da Igreja (Card. Joseph Ratzinger, Nota dottrinale illustrativa della formula conclusiva della Professio fidei del 29 giugno 1998, nota 17).

No caso, por exemplo, da regulação dos nascimentos, desde o século III a Igreja condenou os métodos artificiais. Quando, no início do século XIX, este problema começou novamente a se manifestar, as declarações dos bispos em comunhão com o Papa propuseram sempre, como doutrina definitiva e vinculante da Igreja, que a contracepção é pecado mortal. As declarações explícitas de Pio XI, de Pio XII e de todos os seus sucessores confirmaram o ensinamento tradicional. Paulo VI reafirmou na Humanae Vitae esta doutrina do Magistério ordinário “fundada sobre a lei natural, iluminada e enriquecida pela revelação divina” (n. 4), refutando as conclusões da Comissão Pontifícia que havia estudado este problema, porque elas “se afastavam da doutrina moral sobre o matrimônio, proposta com firmeza constante, pelo Magistério da Igreja” (n. 6).

A argumentação que o padre Zalba, o padre Kelly, o padre Ford e o professor Grisez desenvolveram sobre a contracepção pode estender-se à inseminação artificial, às uniões de fato ou aos divorciados recasados. Mesmo na ausência de pronunciamentos extraordinários da Igreja sobre estes problemas morais, o Magistério ordinário universal da Igreja tem-se pronunciado no decurso dos séculos de forma coerente, constante e cogente: ele pode ser considerado infalível. E, no campo moral, a prática jamais poderá estar em contradição com aquilo que foi estabelecido definitivamente pela doutrina do Magistério universal da Igreja.

Bem diversa é a conclusão relativa às novidades doutrinárias incluídas nos documentos do Vaticano II. Nesse caso, não só faltou um ato ex cathedra do Pontífice em união com os bispos, mas nenhum dos documentos foi exposto de forma dogmática, com a intenção de definir uma verdade de fé ou de moral, de obrigar os fiéis ao assentimento.

De infalível nesses documentos não pode haver senão algumas passagens nas quais se confirma a doutrina de sempre da Igreja. De fato, católico – ou seja, universal – não é aquilo que é crido “em todo lugar” e por todos, em dado momento, como pode acontecer durante um Concílio ou um Sínodo; mas é aquilo que sempre e em todo lugar foi crido por todos, sem equívocos nem contradições. O debate hermenêutico ora em curso sobre as novidades dos textos do Concílio Vaticano II confirma o seu caráter provisório e discutível, de nenhum modo vinculante.

Como podem, então, exigir uma obediência cega e incondicional às novidades falíveis do Concílio Vaticano II e do Sínodo sobre a família, aqueles mesmos que pretendem contradizer os ensinamentos infalíveis do Magistério ordinário universal da Igreja em matéria de moral conjugal?

11 dezembro, 2014

“Você vai se assustar”: É muito “know how” na evangelização do beijinho doce dos “santos de calça jeans”.

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11 dezembro, 2014

Véu e Desvelo.

Por Andrea Grego de Álvarez | Tradução: Airton Vieira de Souza – Fratres in Unum.com: Li faz uns dias um belo artigo chamado “O véu, uma honra para a mulher”[1], que enumerava ali três razões, tomadas entre outras, para explicar por que o véu nas mulheres:

1ª. Porque é bela. O véu lhe recorda que não deve deixar-se levar pela concupiscência da beleza, nem arrastar a outros. É signo de pudor e recato, da modéstia no ornato com que sempre há de viver e apresentar-se ante Deus.

2ª. Porque é mãe. De uma forma especial, a mulher foi unida à obra criadora de Deus por sua própria maternidade. O véu lhe recorda que sua maternidade é sagrada e por isso ela se cobre, para indicar que ao estar coberta o mundo não pode feri-la nem ela se deixar sê-lo.

3ª. Por sua maternidade espiritual. Este é um aspecto importantíssimo e desconhecido pela mulher. A mulher pudorosamente vestida, coberta com seu véu em silêncio orante, é fiel reflexo da imagem da Santíssima Virgem, que com seu silêncio e seu véu orava incessantemente por seu Filho e meditava sobre Sua obra redentora. O recolhimento dentro da igreja da mulher com o signo distintivo de seu véu tem um fruto riquíssimo para a Igreja, para a santidade sacerdotal, à sustentação moral e espiritual do clero e para o fomento das vocações. A maternidade espiritual é uma grandíssima e formosíssima vocação feminina, muito desconhecida, desgraçadamente, mas de um valor que me atreveria a dizer “estratégico” dentro da Igreja.

Os três pontos mencionados deixou-me pensando… Porque nossos tempos fazem a renúncia explícita desses três valores. Renuncia à beleza, substituída pelo feio, pelo carente de harmonia, pelo provocador, dissonante, obscuro, agressivo.

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A maternidade física é afastada e desprezada, relegada pelo êxito material, profissional, temporal, acadêmico, econômico. A maternidade é suplantada pelo conforto, pela imagem, pela comodidade, pelo bem-estar, pelos caprichos.

A maternidade espiritual é ignorada e em seu lugar fica uma profunda e insondável esterilidade e frigidez espiritual que se encobre de ativismo oco que não deixa marca na alma de ninguém.

Assistimos hoje ao processo de destruição da família, da sociedade e da cultura. Um tempo que desafia a Deus e repete e grita em cada gesto e em cada ação: “Não queremos que Ele reine sobre nós”. Todos sabemos até que ponto o ataque à mulher, a seu verdadeiro ser e condição é a causa desta destruição a que assistimos. Toda tarefa de restauração da família, da sociedade e da cultura deverá passar pela recuperação do verdadeiro rol e dignidade da mulher.

Pensei naquela tremenda e magnífica profecia de Santa Hildegarda de Bingen, forte em sua plasticidade e sentido, quando escreve:

“Vi uma mulher de uma tal beleza que a mente humana não é capaz de compreender. Sua figura se erguia da terra até o céu. Seu rosto brilhava com um esplendor sublime. Seus olhos miravam ao céu. Levava um vestido luminoso e radiante de seda branca e com um manto crivado de pedras preciosas (…). Mas seu rosto estava coberto de pó, seu vestido estava rasgado na parte direita. Também o manto havia perdido sua beleza singular e seus sapatos estavam sujos por cima. Com grande voz e lastimosa, a mulher alçou seu grito ao céu: ‘Escuta, céu: meu rosto está manchado. Aflige-te, terra: meu vestido está rasgado. Trema, abismo: meus sapatos estão sujos (…). As chagas de meu esposo permanecem frescas e abertas enquanto estiverem abertas as feridas dos pecados dos homens. Que permaneçam abertas as feridas de Cristo é precisamente culpa dos sacerdotes. Eles rasgam meu vestido porque são transgressores da Lei, do Evangelho e de seu dever sacerdotal. Retiram o esplendor de meu manto, porque descuidam totalmente os preceitos que impõem. Sujam meus sapatos, porque não caminham pelo caminho reto, isto é, pelo duro e severo caminho da justiça, e também porque não dão um bom exemplo a seus súditos. No  entanto, encontro em alguns o esplendor da verdade’. E escutei uma voz do céu que dizia: ‘Esta imagem representa a Igreja.  Por isso, ó ser humano que vês tudo isso e que escutas os lamentos, anuncia-o aos sacerdotes que hão de guiar e instruir ao povo de Deus e aos que, como aos apóstolos, foi fito: ‘Ide ao mundo inteiro e proclamai o Evangelho a toda a criação”[2].

Seu rosto, que devia estar coberto por um véu, está coberto de pó. Perdeu-se o pudor que a reservava, a sacralidade que a preservava? A imagem, como diz Santa Hildegarda, é representação da Igreja; mas poderia ser também representação da mulher caída da dignidade que lhe outorgava o cumprimento fiel da vontade de Deus?

Pensei também em tantas “desveladas” conhecidas e desconhecidas, cujo maior esforço é precisamente a ruptura da ordem, a ruptura da fidelidade, a ruptura da missão. Desveladas para não velar por nada que valha a pena, desveladas para impedir que outras tantas mulheres sejam altar do Criador e levem em seu seio o fruto do verdadeiro amor.

Desde os anos 60, estenderam-se pelo mundo, tanto no campo liberal como no socialista, as ideias da “libertação” feminina. Libertação de quê? Do rol principalíssimo da mulher como esposa e mãe (não é casual que os anos 60 foram os da explosão da pílula). Libertação da maternidade, libertação da ternura, libertação de seu lugar e seu papel exclusivo, que ninguém poderia substituir. Essa ideia afetou também a Igreja e nela a libertação teve seu signo na abolição do véu. Só as religiosas o mantiveram como signo da maternidade espiritual (hoje também assistimos ao “desvelamento” das religiosas e o tempo nos vai dizendo de sua infecundidade espiritual).

Pensei no significado de estar velada, coberta, solene, sublinhando o mistério que se oculta debaixo do véu. Pensei no desprezo de nossos tempos pelo mistério profundo, elevado. Tudo deve ser explícito, tudo deve ser mostrado. Mas a ânsia infantil de mistério, o afã do assombro existe e então é suplantado por uma caricatura: a literatura e o cinema de mistério, suspense, terror.

O mistério verdadeiro que oculta o véu, é o dessa mulher velada que submete livremente sua vontade, entrega-se como a noiva ante o altar e ali, no segredo, oferece seus muitos e variados desvelos pelo filho, por cada filho, pelo esposo, pela vida que ainda não pulsa, pela vida que vai crescendo e toma seu rumo, pelos filhos espirituais, pelos amigos.

O véu, igual ao que cobre o altar para o santo sacrifício, cobre o altar do coração da mulher, onde oferecerá o sacrifício diário de sua virgindade ou de sua Paternidade, o sacrifício diário de sua fecundidade espiritual.

[1] Publicado por: Padre Juan Manuel Rodríguez da Rosa, 9 novembro, 2014 em: www.adelantelafe.com

[2] Hildegarda de Bingen, Carta a Werner von Kirchheim, ano 1170.

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