21 julho, 2014

5 minutos de coragem…

E a tibieza de sempre voltou.

Arquidiocese volta atrás e libera curta de Padilha com Cristo Redentor

UOL – A Arquidiocese do Rio de Janeiro voltou atrás e não vai se opor ao uso da imagem do Cristo Redentor no curta dirigido por José Padilha e com Wagner Moura para o longa “Rio, Eu te Amo”. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (21), a assessoria da produtora Conspiração Filmes avisou que a cúpula religiosa reavaliou o episódio e entendeu que não houve desrespeito.

Há duas semanas, a própria Conspiração havia publicado um texto dizendo que o filme de Padilha, “Inútil Paisagem”, não entraria na versão final do longa porque aArquidiocese do Rio não cedeu os direitos de uso da imagem da estátua do Cristo Redentor, “peça fundamental da história de José Padilha”. Como justificativa ao veto, a Cúria Metropolitana teria dito que considerou o filme “ofensivo” à imagem de Cristo.

Em “Inútil Paisagem”, o personagem de Wagner Moura voa de asa delta em torno da estátua e faz um “desabafo”, usando o Cristo Redentor como interlocutor. Ele reclama, ainda segundo a produtora, de problemas pessoais e também de problemas da cidade, como a pobreza.

No novo comunicado, enviado aos produtores pelo vicariato, os integrantes da Arquidiocese “entenderam que o episódio não visou interesse religioso no trato à imagem do Cristo Redentor, portanto não houve desrespeito ao Cristo ou à religião católica”. Ainda de acordo com o texto, apesar do prazo apertado para a entrega do longa, “os produtores vão trabalhar intensamente e esperam poder incluir o episódio [de Padilha] na versão para os cinemas brasileiros”.

No início do mês, a Conspiração informou ao UOL que a história havia sido vetada em abril pela Arquidiocese do Rio e, desde então, a produtora lutava para que o órgão religioso voltasse atrás. Como o filme tem contrato com distribuidoras internacionais e precisava ser concluído até o final deste mês, os produtores decidiram “jogar a toalha” e resolveram lançar o longa sem “Inútil Paisagem” –o cartaz oficial já excluía a produção.

Parte da série de filmes “Cities of Love” –que já inclui “Paris, Eu te Amo” e “Nova York, Eu te Amo”–, “Rio, Eu te Amo” tem estreia marcada para 11 de setembro. O longa traz no elenco 24 estrelas nacionais e internacionais, entre elas Harvey Keitel, Emily Mortimer, John Turturro, Fernanda Montenegro, Rodrigo Santoro, Wagner Moura, Vincent Cassel, Vanessa Paradis, Ryan Kwanten e Jason Isaacs, entre outros, em histórias curtas dirigidas por renomados diretores de cinema.

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21 julho, 2014

Cardeal Cañizares: Summorum Pontificum estabelece igualdade de condições entre as formas do Rito Romano.

Autoridade Litúrgica Suprema, em texto inovador, diz: - Summorum Pontificum prevê condição de igualdade para ambas as Formas

- As condições para a participação na Missa Tradicional são as mesmas da Missa nova

- e muito mais 

Por Rorate-Caeli | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com: Em 25 de julho de 2013, festa do Santo Padroeiro da Espanha, São Tiago o Grande, o Cardeal Cañizares Llovera, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, assinou o prefácio de uma obra notável, a tese de doutorado apresentada por seu confrade espanhol, o Padre Alberto Soria Jiménez, O.S.B., dedicada a uma profunda consideração canônica da natureza jurídica do motu proprio Summorum Pontificum, suas disposições relativas às formas e usos do Rito Romano, e a história que levou a ele.

Santa Cruz del Valle de los Caidos

Santa Cruz del Valle de los Caidos

O padre Soria é um monge da abadia de Santa Cruz do Vale dos Caídos (Santa Cruz del Valle de los Caídos), uma fundação de Solesmes perto da capital espanhola, e sua tese foi defendida e aprovada na Faculdade de Direito Canônico da Universidade de San Dámaso, a casa principal para a formação de sacerdotes e teólogos que pertence à Arquidiocese de Madri, em 29 de maio de 2013. A tese foi publicada há poucos dias pela editora espanhola Ediciones Cristiandad sob o título “Los principios de interpretación del motu proprio Summorum Pontificum”, razão pela qual só agora o texto do Cardeal se tornou disponível.

O prefácio do Cardeal Cañizares faz uma longa apresentação do livro e obviamente inclui muitas referências à própria obra – mas o que o torna particularmente especial é a profundidade da avaliação do Cardeal sobre o motu proprio e sua defesa (que sempre foi defendida por nós que apreciamos profundamente a natureza de Summorum Pontificum) de que aquilo que o motu proprio estabeleceu em lei não foi nada menos do que a igualdade jurídica de ambas as formas do Rito Romano. Trata-se de um texto inovador, e abaixo traduzimos os trechos mais importantes do original em espanhol.

* * *

PREFÁCIO DO CARDEAL CAÑIZARES À TESE DE DOUTORADO DO PADRE ALBERTO SORIA JIMÉNEZ, O.S.B.

Cardeal Cañizares Llovera

Cardeal Cañizares Llovera

Estamos diante de um trabalho que aborda, em termos científicos, um tema que nos últimos anos tem sido objeto de controvérsias acirradas. Todavia, desde o início duas características de sua obra devem ser levadas em consideração: seu caráter acadêmico e a pertença do autor a uma comunidade fiel aos grandes princípios da liturgia, mas na qual a forma extraordinária do Rito Romano não é celebrada. Isso lhe permitiu observar a situação de fora”, tornando possível a grande objetividade refletida em sua pesquisa.

A concepção, claramente presente tanto no motu proprio como nos documentos relacionados, de que a liturgia herdada é uma riqueza a ser preservada deve ser entendida no espírito do movimento litúrgico na linha de Romano Guardini, a qual Bento XVI deve tanto de sua relação pessoal com a liturgia desde sua juventude. A história detalhada e documentada do processo, desde seu início nos anos 70 até os dias de hoje, que o autor dessa obra nos apresenta, mostra como essa legislação não foi um resultado momentâneo de pressão, nem uma reflexão da opinião pessoal e isolada do Papa, mas que outras pessoas haviam desejado por muito tempo uma solução semelhante. Esses critérios do jovem padre Joseph Ratzinger foram consolidados e purificados ao longo dos anos, e foram assumidos por João Paulo II, que havia considerado a possibilidade de oferecer uma legislação apropriada.

O clima entre os cardeais designados para refletir sobre esse tema era favorável [Nota do Rorate: referência à comissão de 1986 - cf a nossa postagem de 2007 sobre a revelação feita pelo Cardeal Castrillón Hoyos]. A comissão cardinalícia constituída por João Paulo II, na qual a influência do Cardeal Ratzinger era inegável, havia proposto, eliminar a impressão de que cada missal é o produto temporal de um época histórica, e havia afirmado que, as normas litúrgicas, não sendo verdadeira e propriamente ‘leis,’ não podem ser ab-rogadas, mas sub-rogadas: as precedentes nas subsequentes. A demonstração muito relevante, e que está presente nesta investigação, é que a atitude de Bento XVI não é tanto uma novidade ou mudança de direção, mas sim uma realização do que João Paulo II já havia empreendido — com iniciativas, como, por exemplo, a consulta da comissão cardinalícia, o motu proprio Ecclesia Dei e a criação da Comissão Pontifícia de mesmo nome, a missa do Cardeal Castrillón Hoyos em Santa Maria Maggiore, em 2003, ou as declarações do papa à Congregação para o Culto Divino naquele mesmo ano.

A história do processo revela que, desde o início, o desejo de preservar a forma tradicional da missa não se limitava aos integristas, mas que pessoas do mundo da cultura ou escritores, como, por exemplo, Agatha Christie e Jorge Luis Borges, assinaram uma carta solicitando a sua preservação, e que São Josemaría Escrivá fez uso de um indulto pessoal concedido espontaneamente pelo próprio Arcebispo Bugnini. Deve-se observar também a preocupação de Bento XVI em enfatizar que a Igreja não descarta o seu passado: ao declarar que o Missal de 1962, nunca foi juridicamente ab-rogado, ele tornou manifesta a coerência que a Igreja deseja manter. De fato, ela não pode se permitir negligenciar, esquecer ou renunciar aos tesouros e à rica herança da tradição do Rito Romano, porque a herança histórica da liturgia da Igreja não pode ser abandonada, nem tudo pode ser estabelecido ex novo sem a amputação das partes fundamentais da mesma Igreja.

Outro aspecto importante resulta da leitura da narrativa histórica em sua obra: os avanços que ocorreram ao longo desses anos em relação à sensibilidade pastoral por esses fiéis, a maior atenção às suas pessoas e a seu bem-estar espiritual. Na verdade, no princípio, a legislação era [nota do Rorate: Indulto Agatha Christie, indultos pessoais, Quattuor abhinc annos, Ecclesia Dei adflicta] muito limitada, levava em conta somente o mundo eclesiástico e praticamente ignorava os fiéis leigos, considerando que a primeira preocupação era disciplinar: controlar a possível desobediência à legislação recém-promulgada. Com o passar do tempo, a situação assumiu um aspecto mais pastoral, a fim de atender às necessidades desses fiéis, o que acaba se refletindo na forte mudança de tom da terminologia que está sendo usada: é assim que o problema dos padres e fiéis que permaneceram ligados ao chamado rito tridentino não é mais mencionado, mas sim a riqueza que a sua preservação representa.

Dessa forma, o que se criou foi uma situação análoga àquela que havia sido normal por tantos séculos, porque devemos recordar que São Pio V não havia proibido o uso das tradições litúrgicas que tivessem pelo menos 200 anos de idade. Muitas ordens religiosas e dioceses, portanto, preservaram o seu rito próprio; como Arcebispo de Toledo, pude viver essa realidade com o Rito Moçárabe. O motu proprio modificou a situação recente, ao deixar claro que a celebração da forma extraordinária deveria ser normal, eliminando toda restrição [todo condicionamiento] relativa ao número de fiéis interessados, e deixando de fixar outras condições para a participação na referida celebração além daquelas normalmente exigidas para qualquer celebração da missa, o que permitiu acesso amplo a essa herança que, enquanto por lei constitui um patrimônio espiritual de todos os fiéis, é, na verdade, ignorada por grande parte deles. Na verdade, as restrições atuais à celebração na forma extraordinária não diferem daquelas em vigor para qualquer outra celebração, seja qual for o rito. Aqueles que desejam ver, na distinção feita pelo motu proprio de cum e sine populo, uma restrição à forma extraordinária, esquecem que, com o missal promulgado por Paulo VI, a celebração cum populo sem autorização e anuência do pároco ou reitor da igreja também não é permitida.

Por outro lado, a possibilidade, expressamente contemplada no motu proprio, de que na celebração sine populo a presença espontânea de fiéis seja admitida sem obstáculos (uma expressão que havia causado mais do que uma observação irônica por parte dos críticos do documento) simplesmente possibilitou o fim das circunstâncias estranhas pelas quais, embora celebrada por um sacerdote em situação canônica completamente regular, esta missa permanecia fechada à participação dos fiéis simplesmente por causa da forma ritual utilizada, uma forma que por outro lado era plenamente reconhecida pela Igreja. A situação dos anos 70 — em que os sacerdotes que não podiam adotar o novo missal por motivos de saúde, idade, etc, foram condenados a nunca mais celebrar a Eucaristia com a comunidade, por menor que fosse — também foi evitada, o que seria visto, de acordo com a sensibilidade atual, como discriminatória. Por outro lado, a restrição deliberada da missa cum populo, limitando na prática a celebração da forma extraordinária sine populo, seria uma contradição às palavras e intenções da constituição conciliar: Sempre que os ritos comportam, segundo a natureza particular de cada um, uma celebração comunitária, caracterizada pela presença e activa participação dos fiéis, inculque-se que esta deve preferir-se, na medida do possível, à celebração individual e como que privada” (Sacrosanctum Concilium, 27).

É por essa razão que absolutamente não tem cabimento declarar que as prescrições do Summorum Pontificum deveriam ser consideradas como um ataque contra o concílio; uma afirmação desse tipo demonstra uma grande ignorância do próprio concílio, porque o fato de oferecer a todos os fiéis a chance de conhecer e apreciar a multiplicidade de tesouros da liturgia da Igreja é precisamente o que esta grande assembleia desejava ao declarar: “O sagrado Concílio, guarda fiel da tradição, declara que a santa mãe Igreja considera iguais em direito e honra todos os ritos legitimamente reconhecidos, quer que se mantenham e sejam por todos os meios promovidos” (Sacrosanctum Concilium, 4)

Outro aspecto para o qual essa obra que apresentamos chama a atenção, e que é imperativo que nunca se perca de vista, é a repercussão negativa que esses debates intra-eclesiais podem ter no campo do ecumenismo. Dentre a controvérsia, sempre se esquece que as críticas feitas contra o rito recebido da Tradição Romana também se aplicam a outras tradições, antes de tudo aos ortodoxos: quase todos os aspectos litúrgicos que aqueles que tem se oposto à preservação do missal antigo atacam fortemente são precisamente os aspectos que tínhamos em comum com a Tradição Oriental! Um sinal que confirma isso, por outro lado, são as expressões entusiasticamente positivas que chegaram do mundo ortodoxo com a publicação do motu proprio. Dessa maneira, esse documento torna-se um aspecto chave para a credibilidade do ecumenismo porque, de acordo com a expressão do presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch, na verdade, ele promove, se assim o pudermos chamar, um ‘ecumenismo intra-católico’. Consequentemente, poderíamos dizer que a premissa ut unum sint pressupõe o ut unum maneant, de modo que, como o referido Cardeal escreve, se o ecumenismo intra-católico falhou, a controvérsia católica sobre a liturgia também se estenderia ao ecumenismo.

Bento XVI demonstrou, com a sua legislação, o seu amor paternal e compreensão por aqueles que são especialmente ligados à tradição litúrgica romana e que se arriscaram a se tornar, de maneira permanente, eclesialmente marginalizados; é dessa maneira que, falando sobre o assunto, ele recordou claramente que, ninguém é demais na Igreja, demonstrando a sensibilidade que antecipou a preocupação do atual Papa Francisco pelas periferias existenciais. Todos esses fatos indubitavelmente apresentam um forte sinal para os irmãos separados.

Mas o motu proprio também produziu um fenômeno que para muitos é assustador e constitui um sinal verdadeiro dos tempos: o interesse que a forma extraordinária do Rito Romano suscita, em particular dentre os jovens que nunca a experimentaram como uma forma ordinária e que manifestam sede por linguagens que não são mais as mesmas e que nos impelem em direção a horizontes novos e, para muitos pastores, imprevistos. A abertura da riqueza litúrgica da Igreja a todos os fiéis tornou possível a descoberta de todos os tesouros deste patrimônio por aqueles que ainda os ignoravam, os quais sentem-se comovidos com essa forma litúrgica, mais do que nunca, numerosas vocações sacerdotais e religiosas no mundo todo, dispostas a dar suas vidas para o serviço da evangelização. Isso se refletiu de maneira concreta na peregrinação a Roma em novembro do ano passado [2012], em gratidão pelos cinco anos do motu proprio, que reuniu peregrinos de todo o mundo sob o sugestivo motto “Una cum Papa nostro” e que era, devido a sua grande exibição, sua grande participação, e, acima de tudo, devido ao espírito que inspirou seus participantes, uma confirmação mensurável de como esta legislação estava correta, o resultado de tantas décadas de amadurecimento.

A impressão mais forte deixada após a leitura desta obra é que a estrutura jurídica fundada pelo motu proprio não está fadada a ser uma resposta a um problema delimitado no tempo, mas está respaldada em princípios teológicos e litúrgicos permanentes, criando, assim, uma situação jurídica sólida e bem definida que torna a questão independente tanto das correntes de opinião como das decisões arbitrárias. Dessa maneira, enquanto para uns e outros o problema e o debate durante anos girou acerca de uma decisão sobre uma matéria que, no final das contas, era de natureza histórica, Bento XVI, acima do debate teórico, tentou enfatizar a necessidade de alcançar coerência teológica e, acima de tudo, obter um importante resultado pastoral.

Na verdade, se a partir de ambas as formas de celebração surgir claramente a unidade da fé e a singularidade do Mistério, isso somente pode ser motivo de profunda alegria e gratidão. Portanto, quanto melhor for vivida a liturgia, cada um em sua própria forma, com abertura de coração que supera exclusões e preconceitos, então será possível viver aquela unidade na fé, liberdade nos ritos, caridade em tudo.

Confiamos à Mãe de Deus o tempo da graça em que estamos vivendo. Ela irá nos conduzir ao Filho, em quem podemos confiar. Será Ele que irá nos conduzir, inclusive em tempos turbulentos, para que possamos redescobrir o caminho da fé e assim iluminar cada vez mais claramente a alegria e o entusiasmo renovado do encontro com Cristo. O presente livro do Pe. Alberto Soria, O.S.B., sem dúvida contribuirá para essa finalidade, uma grande obra de pesquisa que prestará um importante serviço à reconciliação litúrgica e, consequentemente, à nova evangelização, e para uma unidade que cresce a cada dia, real e eficaz, no seio da Igreja. Mais uma vez meus parabéns e minha grande gratidão ao autor por esta obra magnífica, um grande serviço que, ademais, é tão apropriado a um filho de São Bento.

Antonio Cañizares Llovera

Cardeal Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos

Roma, 25 de julho de 2013

São Tiago Apóstolo, Padroeiro da Espanha

21 julho, 2014

Bispo austríaco: Papa disse-me que a “ideologia de gênero é demoníaca”.

Por John-Henry Westen – Life Site News | Tradução: Fratres in Unum.com – O Papa Francisco condenou duramente a “ideologia de gênero” em uma conversa privada com o bispo austríaco Andreas Laun, no início deste ano, relatou o próprio bispo em um artigo.

Ao fazê-lo, o Papa segue as pegadas de seu predecessor, o Papa Bento XVI. Ao fim de seu pontificado, o papa emérito falou duas vezes sobre a ideologia de gênero como “uma tendência negativa para a humanidade” e uma “profunda falsidade”, sobre “a qual é um dever dos pastores da Igreja” colocar os fiéis “em alerta”.

Dom Laun, bispo auxiliar de Salzburg, escreveu sobre as palavras do Papa Francisco em março, em um artigo para o portal de notícias católica alemão Kath.net. Dom Laun declarou a LifeSiteNews que se encontrou com o Papa brevemente, em 30 de janeiro, como parte da visita ad limina dos bispos austríacos, um encontro que os bispos devem ter a cada cinco anos. Laun acrescentou que ele foi o último dos bispos a falar com o Santo Padre.

“Ao responder minha pergunta, Papa Francisco disse, “a ideologia de gênero é demoníaca!”. Laun escreveu em seu artigo, acrescentando que o Papa não exagerava em seu comentário. “De fato, a ideologia de gênero é a destruição das pessoas, e é por isso que o Papa tinha razão em chamá-la de demoníaca”, disse.

Escrevendo sobre a ideologia de gênero, Dom Laun explicou que a “tese central desse doentio raciocínio é o resultado final de um feminismo radical que o lobby homossexual fez seu”.

“Ele sustenta que não há apenas homem e mulher, mas também outros ‘gêneros’. E mais: toda pessoa pode escolher o seu gênero”, acrescentou.

“Hoje”, afirmou, “a ideologia de gênero é promovida por governos e pessoas importantes, e um montante substancial de dinheiro é lançado para difundi-la, mesmo em materiais de ensino de jardins de infância e escolas”.

Para mais informações a respeito, Dom Laun indicou a leitura do último livro da famosa socióloga alemã Gabriele Kuby, Die globale sexuelle Revolution: Zerstörung der Freiheit im Namen der Freiheit (“A revolução sexual global: destruição da liberdade em nome da liberdade”, tradução livre).

Kuby, uma conhecida de longa data do Papa Bento XVI, presenteou o agora Papa emérito com uma cópia do livro em novembro de 2012. “Graças a Deus que a senhora escreve e fala (sobre esses assuntos)”, disse o Papa Bento a ela.

Para Kuby, não é chocante chamar a ideologia de gênero de demoníaca.

“A ideologia de gênero é a mais profunda rebelião contra Deus possível”, declarou Kuby a LifeSiteNews. “A pessoa não aceita que é criada como homem ou mulher, não, e diz, ‘Eu decido! É minha liberdade!’ — contra a experiência, a natureza, a razão, a ciência!”

“É a última das perversões do individualismo”, explicou. “Ela rouba o homem do último fragmento de sua identidade, isto é, o ser homem e mulher, depois de ter perdido a fé, a família e a nação”.

“É realmente diabólico”, concluiu, “que uma ideologia, que toda pessoa pode discernir como uma mentira, possa capturar o senso comum das pessoas e se tornar uma ideologia dominante em nossos tempos”.

Em seu discurso de 21 de dezembro de 2012 à Cúria Romana, o Papa Bento XVI lançou uma ampla advertência quanto ao uso do “termo ‘gênero’ como nova filosofia da sexualidade”.

“De acordo com tal filosofia, o sexo já não é um dado originário da natureza que o homem deve aceitar e preencher pessoalmente de significado, mas uma função social que cada qual decide autonomamente, enquanto até agora era a sociedade quem a decidia”, afirmou. “Salta aos olhos a profunda falsidade desta teoria e da revolução antropológica que lhe está subjacente”.

Continuava o Papa:

O homem contesta o facto de possuir uma natureza pré-constituída pela sua corporeidade, que caracteriza o ser humano. Nega a sua própria natureza, decidindo que esta não lhe é dada como um facto pré-constituído, mas é ele próprio quem a cria. De acordo com a narração bíblica da criação, pertence à essência da criatura humana ter sido criada por Deus como homem ou como mulher. Esta dualidade é essencial para o ser humano, como Deus o fez. É precisamente esta dualidade como ponto de partida que é contestada. Deixou de ser válido aquilo que se lê na narração da criação: «Ele os criou homem e mulher» (Gn 1, 27). Isto deixou de ser válido, para valer que não foi Ele que os criou homem e mulher; mas teria sido a sociedade a determiná-lo até agora, ao passo que agora somos nós mesmos a decidir sobre isto. Homem e mulher como realidade da criação, como natureza da pessoa humana, já não existem. O homem contesta a sua própria natureza.

Bento XVI notou o dano dessa filosofia à dignidade humana, à família e às crianças. “Onde a liberdade do fazer se torna liberdade de fazer-se por si mesmo, chega-se necessariamente a negar o próprio Criador; e, consequentemente, o próprio homem como criatura de Deus, como imagem de Deus, é degradado na essência do seu ser”.

O Papa Bento abordou a ideologia de gênero novamente, um mês mais tarde, em 19 de janeiro de 2013. “Os Pastores da Igreja — a qual é «coluna e sustentáculo da verdade» (1Tm 3,15) — disse Bento — têm o dever de alertar contra estas derivas tanto os fiéis católicos como qualquer pessoa de boa vontade e de razão reta”.

“Trata-se de uma deriva negativa para o homem, não obstante se disfarce de bons sentimentos, no sinal de um progresso hipotético, ou de supostos direitos ou ainda de um presumível humanismo”, afirmou. “Por isso, a Igreja reitera o seu grande sim à dignidade e à beleza do matrimônio, como expressão de aliança fiel e fecunda entre um homem e uma mulher, e o seu não a filosofias como aquela do gênero se motiva, pelo fato de que a reciprocidade entre masculino e feminino expressa a beleza da natureza desejada pelo Criador”.

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19 julho, 2014

Summorum Pontificum no Brasil: Santa Missa na Paróquia Santa Isabel de Portugal, Interlagos, SP.

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18 julho, 2014

Padre austríaco menciona inferno e purgatório aos alunos: diocese, então, o proíbe de lecionar.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.comThomas Ladner (na foto) é um sacerdote austríaco de 36 anos de idade, que geralmente veste batina e auxilia na paróquia de Stans, no Tirol, uma cidadezinha de 1.500 habitantes, onde também ensina religião em uma escola primária. Antes do final do ano letivo, ele foi informado da suspensão de sua licença para lecionar pela diocese de Innsbruck. A falta do padre, de acordo com o gabinete da escola diocesana, teria sido a de falar a seus jovens alunos sobre Os Novíssimos, entre os quais ele mencionou o inferno e o purgatório, “lições que não são adequadas a crianças de sua faixa etária”; de ter abordado temas sobre a família em “termos que não são mais atuais” e de ter usado “linguagem retórica,” ou melhor, muito tradicional.

A reação desta vez veio dos próprios paroquianos, que apreciam a maneira humana e o trabalho pastoral do Padre Ladner, sobretudo, com os jovens. Os pais lançaram um petição, enquanto o prefeito escreveu uma carta dura à Cúria reclamando a respeito da agitação na cidade causada por essa “decisão inaceitável.”

A história foi noticiada em um jornal local, o Tiroler Tageszeitung. Porém, apesar do clamor, a diocese e o bispo, Dom Manfred Scheuer, até agora, não demonstraram quaisquer sinais de terem mudado de ideia.

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18 julho, 2014

Mártires do passado e do futuro?

Por Christine L. Niles – The Catholic Thing | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com – No ano passado, centenas de milhares de cidadãos franceses invadiram Paris para caminhar a favor do matrimônio tradicional. Eles estavam participando da Manif Pour Tous – a “Manifestação para Todos” – em reação ao projeto de lei Mariage Pour Tous, que legaliza o casamento de pessoas do mesmo sexo. Reconhecendo que o casamento não é meramente “o amor entre duas pessoas, mas uma instituição que protege a dignidade de pais e filhos, e que rege o parentesco”, as passeatas do Manif têm impressionado pelo número de participantes, superando grandemente manifestações semelhantes nos Estados Unidos.

Prestando pouca atenção à vontade das pessoas, o governo levou a cabo a legislação – a despeito do clamor público disseminado. Além desse espetáculo de força legislativa, houve demonstrações de força física, e manifestantes (incluindo mulheres, crianças, idosos e até mesmo padres) foram aspergidos com gás lacrimogêneo e spray de pimenta, apanharam ou foram presos por soldados da tropa de choque.

Um percurso escolhido pelos manifestantes começou na Place de la Bastille e seguiu até a Rue Diderot, terminando na Place de La Nation, onde os discursos finais foram feitos antes que os participantes se dispersassem de maneira pacífica. Essa praça, há pouco mais de dois séculos, é o mesmo local onde cidadãos franceses – tanto ricos quanto pobres — que se opunham ao recém-fundado regime tiveram que derramar seu sangue em prol da République. Dentre as vítimas havia um grupo considerável de freiras carmelitas.

Muitos conhecem a história (que foi tema de uma peça de Georges Bernanos e uma ópera de Francis Poulenc). No dia seguinte à Festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo, 1794, dezesseis carmelitas de Compiègne subiram o patíbulo uma por uma, cantando o Veni Creator – o hino entoado em sua profissão religiosa, e foram decapitadas. O Tribunal Revolucionário havia produzido como prova de sua traição um gravura do Sacratíssimo Coração de Jesus, juntamente com a gravura de um dos reis depostos, que foram tiradas da parede do convento.

Quatro anos antes, a Assemblée Nationale havia exigido que a Ordem Carmelita justificasse a sua existência. Madre Nathalie de Jesus dirigiu-se à assembléia assim:

No mundo eles gostam de difundir que os mosteiros contêm somente vítimas lentamente consumidas por arrependimentos; mas proclamamos diante de Deus que se existir na terra a felicidade verdadeira, nós a possuímos na penumbra do santuário, e que, se tivéssemos que escolher entre o mundo e o claustro, nenhuma de nós deixaria de ratificar com grande alegria a sua primeira decisão.

A longa temporada penitencial para as Carmelitas começa na Festa da Exaltação da Santa Cruz e dura até a Páscoa. Em 1792, as freiras de Compiègne foram separadas e forçadas a deixar seu querido Carmelo e voltar ao mundo. Apenas poucos meses antes, elas haviam concordado juntas em oferecer-se como vítimas à justiça divina para restaurar a paz na França e na Igreja. Elas renovavam a sua oferta diariamente, continuando a se encontrar secretamente durante dois anos, vestidas como leigas e se reunindo para a oração em comum.

Elas foram descobertas em junho de 1794 e aprisionadas na Conciergerie, onde outros clérigos e religiosos aguardavam seu destino sob a lâmina da Madame La Guillotine. (Ironicamente, uma Carmelita de sangue real escapou à morte porque por acaso estava ausente; ela se tornou a primeira historiadora das mártires.) Em 17 de julho, um dia após a Festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo, elas foram chamadas diante do tribunal e, na mesma cidade onde Santa Joana d’Arc três séculos antes havia sido abandonada e entregue ao inimigo, foram condenadas à morte.

A Reverenda Madre Émilienne, Superiora Geral das Irmãs da Caridade de Nevers, escreveu:

A mais jovem dessas boas Carmelitas foi chamada primeiro. Ela se ajoelhou diante de sua venerável Superiora, pediu sua benção e permissão para morrer. Em seguida, ela subiu ao patíbulo cantando Laudate Dominum omnes gentes [o salmo entoado por Santa Teresa de Ávila 190 anos antes na fundação do novo Carmelo]. Então, ela mesma colocou-se debaixo da lâmina. Todas as demais fizeram a mesma coisa. A Venerável Madre foi a última sacrificada. Durante o tempo todo, não havia um único rufar de tambores; mas reinava um silêncio profundo.

Outra testemunha disse que as freiras pareciam radiantes, como se elas estivessem indo para seus casamentos.

Dez dias mais tarde, Robespierre seria executado no mesmo local, e o governo revolucionário interino chegaria ao fim. O sacrifício das Carmelitas – juntamente com incontáveis outras pessoas assassinadas pela fé na França revolucionária – haviam ascendido como uma doce oblação a Deus.

Em 1906, o Papa São Pio X beatificou as mártires Carmelitas, cujos corpos foram sepultados em uma sepultura comunitária no Cimetière de Picpus, a 500 metros da Place de la Nation. Uma placa discreta na parede do cemitério lhes serve de epitáfio, e o nome de cada irmã morta pela Fé está gravado nela.

A história delas é apenas uma dentre muitas que ocorreram em toda a França durante o Reinado de Terror, quando uma república fundada nos altivos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade – livres de todas as amarras cristãs – inevitavelmente acabou esmagando a oposição indefesa sob os pés.

E hoje em dia vemos sinais perturbadores da Quinta República seguindo as pegadas da Primeira, estabelecendo um regime, em nome de uma “igualdade” criada pelo homem, que só pode acabar destruindo a civilização, ao destruir a família. E o fato mais perturbador ainda é que o governo tem se mostrado muito disposto a usar quaisquer meios políticos necessários – e se isso falhar, quaisquer meios físicos necessários – para impor a sua vontade.

Como de costume, os meios de comunicação em grande parte fazem vista grossa, comprovando que a bandeira tricolor segurada ao alto por Marianne* na famosa pintura de Delacroix – que serve como lema tripartite da república – hoje em dia é, como era naquela época, um pouco mais que propaganda.

Talvez se possa dizer – e talvez mais cedo do que possamos imaginar – que os mártires de ontem servirão de testemunha para os mártires de amanhã. E não somente na França.

Christine Niles diplomou-se pela Universidade de Oxford e pela Faculdade de Direito de Notre Dame. Ela é a apresentadora na Forward Boldly Radio, cujos episódios podem ser encontrados aqui.

 * * *

Nota da Tradutora: Marianne é a figura alegórica (uma mulher) que representa a República Francesa, sendo portanto uma personificação nacional. Sob a aparência de uma mulher usando um barrete frígio, Marianne encarna a República Francesa e representa a permanência dos valores da república e dos cidadãos franceses: Liberté, Égalité, Fraternité (Liberdade, Igualdade e Fraternidade). Marianne é a representação simbólica da mãe pátria, simultaneamente enérgica, guerreira, pacífica e protectora e maternal. O seu nome provém, provavelmente, da contracção de Marie e de Anne, dois nomes muito frequentes no século XVIII entre a população feminina do Reino de França. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Marianne

 

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17 julho, 2014

A guerra dos liberais contra Dom Cordileone.

Por Gercione Lima | Fratres in Unum.com – Quando o arcebispo Salvatore Cordileone desembarcou no Aeroporto Internacional de San Francisco pra assumir aquela Arquidiocese, trouxe uma bagagem pesada demais para os liberais suportarem: pró-vida, pró-família e pró-liturgia tradicional.

Dom Cordileone segura faixa em Marcha pelo Casamento: "Toda criança merece uma mãe e um pai".

Dom Cordileone é um dos que seguram faixa em Marcha pelo Casamento Tradicional: “Toda criança merece uma mãe e um pai”.

Cordileone tornou-se líder nacional de um movimento religioso contra o casamento gay. Ele dirige a Subcomissão para a Promoção e Defesa do Matrimônio da Conferência dos Bispos dos EUA e teve um papel fundamental na arrecadação de  fundos para aprovação da famosa Proposição 8, um plebiscito que proibiu o casamento entre pessoas do mesmo sexo, no Estado da Califórnia, em 2008.

A medida mais tarde foi derrotada por ativismo judicial e considerada inconstitucional, permitindo que os casamentos homossexuais voltassem a ser realizados no estado.

Embora tendo perdido essa primeira batalha, Cordileone continuou firme em sua oposição franca ao chamado “casamento gay” ao declarar: “O combate final do Maligno é o ataque ao casamento” .

Desta vez, quem está por trás dos ataques ao Arcebispo Cordileone é a líder dos Democratas e pseudo-católica Nancy Pelosi que, citando a famigerada frase do Papa Francisco: “quem sou eu pra julgar”, resolveu declarar guerra aberta ao Arcebispo e encabeçar uma campanha de difamação e ataques contra o líder da Igreja em San Francisco.

O motivo da celeuma foi a participação do Arcebispo na Marcha pelo Casamento Tradicional, que aconteceu no ultimo dia 19 de junho em Washington DC.

A Marcha pela Familia é um evento que atrai milhares de americanos e organizações que apoiam o casamento tradicional. A multidão faz o percurso que vai do prédio do US Capitol ao prédio da US Suprema Corte.

Mas, quem, afinal é o Arcebispo Salvatore Cordileone? Salvatore Joseph Cordileone (“Coração de Leão”) nasceu no dia 5 de junho de 1956 em San Diego, Califórnia, numa família de origem italiana. Estudou no St. Francis Seminary de San Diego, no North American College e na Universidade Gregoriana de Roma. Foi ordenado sacerdote no dia 9 de julho de 1982 e fez pós graduação em Direito Canônico em Roma entre 1985-1989.

Entre 1985-1991 serviu como oficial do Tribunal da Diocese de San Diego e de 1989 a 1991 como secretário do Bispo diocesano. Entre 1991-1995, foi pároco em Nossa Senhora de Guadalupe em Calexico, California.

Entre1995-2002, foi chamado a servir como oficial do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica em Roma, onde foi fortemente influenciado por seu amigo e mentor Cardeal Burke.

No dia 05 de julho de 2002, foi apontado por João Paulo II como Bispo auxiliar de San Diego e, em Julho de 2012, Papa Bento XVI o nomeou Arcebispo de San Francisco na Califórnia.

A indicação do Arcebispo Cordileone foi vista pelos ativistas gays como uma estaca cravada no coração do movimento gay americano e como o último golpe de Bento XVI contra esse movimento.

De fato, a chegada de Dom Salvatore Cordileone foi como um terremoto naquela Arquidiocese, que por anos se viu dominada por toda sorte de liberais. Uma de suas primeiras medidas foi coibir a Associação Católica de Ministérios para Gays e Lésbicas, ou CALGM, ao obrigá-los a assinar um termo de compromisso ou juramento de adesão à Doutrina Católica.

Outra medida foi a proibição de missas com a presença de drag queens e, finalmente, o seu amplo apoio para a celebração da Missa Tradicional em latim, bem como a sua participação ativa em várias dessas celebrações.

OREMUS PRO EPISCOPO NOSTRO Salvatore Cordileone! Que Deus confirme em sua graça esse Coração de Leão e que lhe ilumine com a sabedoria do Salvador para salvar as almas de boa vontade da Arquidiocese de San Francisco!

17 julho, 2014

“O crucifixo é obrigatório”, diz o prefeito de Pádua.

Escolas e prédios públicos exibem símbolo doado pela cidade 

Por ANSA | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com- Pádua, 25 de junho – O prefeito de Pádua, no norte da Itália, declarou na quarta-feira que todos os prédios públicos devem exibir um crucifixo católico.

“Agora todo gabinete e toda escola receberão um belo crucifixo obrigatório doado pela cidade. Tirem as mãos do crucifixo ou vocês terão problemas”, escreveu o prefeito Massimo Bitonci, que pertence ao partido da Liga do Norte Anti-imigrantes, em sua página no Facebook.

Ele também postou uma foto sua em 2009, sentado enquanto distribuía crucifixos gratuitos na cidade vizinha de Abano Terme, onde uma escola pública removeu um crucifixo a pedido da família de um aluno.

Enquanto a Constituição de 1948 diz que a Itália é um Estado secular e que todas as religiões são iguais perante a lei, o governo nunca ab-rogou explicitamente os decretos que tornam os crucifixos obrigatórios que datam o regime fascista precedente.

Consequentemente muitos hospitais, tribunais e escolas ainda exibem o símbolo católico.

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16 julho, 2014

Aberta a temporada de caça aos conservadores.

Tomara que estejamos errados, como às vezes nos acontece, por sorte; mas, a partir de uma série de pequenos sinais, temos a impressão de que, na Igreja de Papa Francisco, abriu-se a temporada de caça aos “conservadores”, termo que, como sempre nestes casos, é bastante genérico, e serve para ser usado contra uma ampla gama de pessoas.

Por Marco Tosatti - La Stampa | Tradução: Fratres in Unum.com - O caso mais flagrante continua a ser o dos Franciscanos da Imaculada. Uma ordem dada pela autoridade com modos de extrema dureza e sem que se tenham dado razões claras. Nada além de uma genérica acusação de pertença tradicionalista.

Admito que, antes da decapitação, os Franciscanos da Imaculada não tinham nenhum lugar em minha vida; bons católicos, pessoas – certamente não tradicionalistas – ligadas à Igreja falavam-me bem deles; outros sublinhavam alguma excentricidade ou personalismos excessivos do fundador (mas quantos fundadores de ordens, antigas e recentes, não têm estes mesmos excessos?).

Em suma, pela falta de motivos sérios e relevantes, devo pensar que se tenha tratado de uma guerra interna, combatida em nome do Papa, com a crueldade típica dos ambientes fechados e de tudo que diz respeito à liturgia. A despeito da misericórdia.

Mas, além do caso exemplar dos Franciscanos da Imaculada, há uma proliferação de casos individuais, coisas pequenas ou nem tanto, que intriga qualquer um que tenha mais prática do mundo eclesiástico, fazendo pensar que esteja em curso um processo não declarado, mas nem por isso menos eficaz. Pensa-se que o Papa não ame propriamente tudo o que signifique tradicionalismo, particularmente na liturgia; que também se defenda oficialmente as decisões de João Paulo II e Bento XVI neste campo – escolhas, certamente, de abertura para com aquele mundo… Mas, no fundo, bem no fundo, ele tem uma sensibilidade diferente.

O bispo tcheco Jan Graubner, falando da audiência de 14 de fevereiro passado, declarou à Rádio Vaticana: “Quando estávamos discutindo que aqueles que amam a liturgia antiga desejam voltar a ela, era evidente que o Papa falava com grande  afeto, a atenção e a sensibilidade de todos para não fazer mal a ninguém. Todavia, fez uma declaração muito forte quando disse que compreende quando a velha geração deseja voltar àquilo que viveu, mas não consegue entender que as gerações mais jovens desejam voltar ao que se foi. ‘Quando busco mais a fundo – disse o Papa –, acho que é mais um tipo de moda (em língua tcheca, “mòda”; em italiano, “moda”). E, tratando-se de uma moda, não convém dar muito peso a isso. É necessário mostrar apenas um pouco de paciência e gentileza para com as pessoas que são dependentes de um certo modo de fazer, mas considero muito importante ir com profundidade às coisas, para que não se aprofundem essas temáticas. Nenhuma forma litúrgica, seja esta ou aquela, pode nos salvar’”.

Haveria algo a se objetar sobre este ponto, também observando quais são as ordens religiosas que desfrutam de mais simpatia por parte dos jovens, do ponto de vista das vocações. Mas interessa-nos observar que talvez não erra quem atribui ao Papa pouca simpatia por esse mundo. E, na Cúria – que continua sendo uma Corte, mesmo quando o Soberano, ao invés de habitar no Apartamento, vive na casa dos Mosqueteiros do Rei –, são muito hábeis aqueles que respiram essa atmosfera, e tiram as consequências.

Assim, têm-se notícias de sacerdotes julgados muito conservadores por suas próprias ordens, aos quais não se permitiu professarem aqueles votos particulares, típicos da própria ordem; promoções – e regressões – nos dicastérios da Cúria, julgados com base no “progressismo” ou “conservadorismo” dos interessados; até de possíveis decisões em níveis muito mais altos, relativos à mudança de cardeais julgados “conservadores” para dioceses de nível médio, ao contrário de ad majora.

Uma das últimas notícias veio de Nova York, onde um sacerdote sul-africano, ligado à representação da Santa Sé junto à Nações Unidas, apaixonado pela Missa segundo o Rito antigo (a Missa na forma extraordinária), pronunciou um sermão no qual sublinhava o necessidade de haver sacerdotes que tivessem amor e sensibilidade pelo Rito antigo. A homilia apareceu na internet. Depois que o sacerdote desdisse todo o seu esforço por celebrar a missa, parece que voltará logo para a África do Sul.

Pequenas coisas… Mas, costuradas em conjunto, dão um tapete.

A impressão é que o trabalho levado a cabo por Bento XVI para devolver a cidadania às várias sensibilidades dentro da Igreja está para ser destruído. Uma pena! Justamente, Vitório Messori nos ensinava, muito tempo atrás, que a Igreja Católica se baseia no et-et-, na convivência de católicos que, em sua diversidade, permanecem unidos, e que as seitas praticam o aut-aut (ndt. ou-ou, quer dizer, isto ou aquilo, sem nenhuma possibilidade de conciliação). Seguramente, Papa Bergoglio não quer uma Igreja do aut-aut, mas talvez seja este um problema dos “bergoglistas”, de convicção ou oportunistas, que pensam estar fazendo uma cruzada em seu favor.

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16 julho, 2014

Flos Carmeli, vitis florigera, splendor Coeli, Virgo puerpera, singularis!

Por Padre Élcio Murucci

Bem podemos dizer que a veste da graça foi tecida pelas mãos benditas de Maria Santíssima. A Santa Madre Igreja proclama-a Corredentora. Se deu inteiramente a si mesma, em união com o seu Filho, pela nossa redenção. Uma tradição popular fala da túnica inconsútil que a sempre Virgem Maria teceu para Jesus; mas para nós fez realmente muito mais: cooperou para nos conseguir a veste da nossa salvação eterna. Maria Santíssima nunca deixou de nos seguir com o seu olhar maternal para proteger em nós a vida da graça. Cada vez que nos convertemos a Deus, nos levantamos de uma culpa – grande ou pequena – ou progredimos na graça, sempre o fazemos por intermédio de Maria Santíssima. O escapulário que a Senhora do Carmo nos oferece não é mais do que o símbolo exterior desta sua incessante solicitude maternal; símbolo, mas também sinal e penhor de salvação eterna. “Recebe, amado filho – disse Nossa Senhora a São Simão Stock – este escapulário… quem morrer com ele não padecerá o fogo eterno”. A sua poderosa intercessão maternal dá-lhe direito a repetir em nosso favor as palavras de Jesus: “Pai Santo… conservei os que me deste e nenhum deles se perdeu”.

O Carmelo é o símbolo da vida contemplativa, vida toda dedicada à busca de Deus, toda dirigida para a intimidade divina; e quem melhor realizou este ideal altíssimo foi a Virgem, Rainha e Decoro do Carmelo. Diz o profeta Isaías XXXII, 16-18: “No deserto habitará a equidade, e a justiça terá o seu assento no Carmelo. A paz será a obra da justiça e o fruto da justiça é o silêncio e a segurança para sempre. O meu povo repousará na mansão da paz, nos tabernáculos da confiança”. Estas palavras do profeta mostram o espírito contemplativo e retratam a alma de Maria Santíssima. Carmelo em hebreu significa jardim. A alma de Nossa Senhora é um jardim de virtudes, é um oásis de silêncio e de paz, onde reina a justiça e a santidade, oásis de segurança, todo cheio de Deus.

São as paixões e os apegos que fazem barulho dentro de nós, tirando a paz da nossa alma. Só uma alma completamente desprendida e que domina inteiramente as suas paixões, poderá, como Maria Santíssima, ser um “jardim” solitário e silencioso, um verdadeiro Carmelo, onde Nosso Senhor Jesus Cristo encontre suas delícias.

“Ó Maria, flor do Carmelo, vinha florida, esplendor do céu, Virgem fecunda e singular, Mãe bondosa e intacta, aos carmelitas dai privilégios, Estrela do mar!” Em latim: “Flos Carmeli, vitis florigera, splendor Coeli, Virgo puerpera, singularis! Mater mitis, sed viri nescia, Carmelitis da privilegia, Stella Maris!”

Publicado originalmente na festa de Nossa Senhora do Carmo de 2012.

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