20 janeiro, 2015

“Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou…”

A chamada Grande Revelação foi feita a Margarida Maria durante a oitava da festa do Corpus Domini de 1675. Mostrando o seu Coração divino, Jesus confiou à Santa:

Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou, até se esgotar e se consumir para lhes testemunhar seu amor. Como reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidões, pelas suas irreverências, sacrilégios, e pela tibieza e desprezo que têm para comigo na Eucaristia. [1]

Depois da impiedosa comunhão no copo plástico distribuída na Jornada Mundial da Juventude de 2013, no Rio de Janeiro, mais uma vez uma Missa Pontifícia se tornou cenário de aberrante profanação do Santíssimo Sacramento. Desta vez, em Manila, Filipinas, no último final de semana.

Rezemos em profundo desagravo contra tão ultrajantes ofensas a Nosso Senhor.

[1] http://www.asc.org.br/site/devocao/promessas.htm

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19 janeiro, 2015

Eis o que seria necessário saber do Cardeal Pell.

O ex-presidente do Banco do Vaticano conta a sua versão pela primeira vez.

Por Ettore Gotti Tedeschi – The Catholic Herald | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Com todo respeito e devoção, gostaria de fazer uma pergunta à Sua Eminência Reverendíssima Cardeal George Pell, o qual, como prefeito da Secretaria de Economia, está  gerenciando a reforma das finanças da Santa Sé.

Ettore Gotti Tedeschi, ex Presidente do Banco do Vaticano de 2009 a 2012 (AP)

Sua Eminência, tem certeza de ter sido suficientemente informado sobre a história recente do Banco do Vaticano, do qual eu fui presidente entre 2009 e 2012, quando me demitiram?

Em um artigo nesta revista, no mês passado, o Cardeal Pell explicou porque ele acredita que as finanças da Santa Sé estão em bom estado e que agora finalmente tudo está sob controle. Ele também explica, entre outras coisas, que a situação financeira do Vaticano é muito mais saudável do que se imagina, uma vez que reapareceram as centenas de milhões de euros que antes haviam sumido dos balanços oficiais do Vaticano.

O artigo do Cardeal certamente terá tranquilizado os fiéis que fazem sacrifícios consideráveis para manter a Igreja, e também terá dado alívio a muitas organizações religiosas que contam com esses recursos para fazer face às despesas. No entanto, o artigo parece não ter acalmado o porta-voz da Sala de Imprensa do Vaticano, que “corrigiu” o cardeal Pell, ao invés de pedir-lhe diretamente que esclarecesse, explicando que os fundos que foram deixados fora dos balanços oficiais não são fundos “ilegais, ilícitos ou mal administrados”.

O Cardeal citou-me explicitamente no artigo, ressaltando que os últimos anos do Pontificado de Bento XVI foram muito turbulentos para o Instituto para as Obras de Religião (IOR), conhecido popularmente como Banco do Vaticano. “O presidente do banco, Ettore Gotti Tedeschi, foi destituído pelo Conselho Laico”, escreveu Pell, “e uma luta pelo poder no Vaticano levou ao vazamento de informações”. Esta declaração deixa a entender que foi o Conselho Laico que pediu a minha cabeça e que até eu estaria envolvido nessa “luta pelo poder”. Se isso fosse mesmo verdade, por que então não foi convocado imediatamente uma comissão de inquérito?

Por isso, gostaria de sugerir algumas reflexões que espero que sejam úteis para o Cardeal, bem como para toda a Igreja, muito embora a cada dia que passa, mais tenho a impressão de que estão fazendo de tudo para que se esqueça esses fatos “ocorridos”, mas que para mim são parte importante da minha vida. Uma vida que foi tragicamente mudada por esses mesmos fatos. Eu mantive o silêncio por dois anos e meio desde a minha remoção, mas creio que agora é chegada a hora de colocar algumas coisas (só algumas) em claro.

O Cardeal Pell tem toda a razão ao dizer que a Santa Sé tem como principal desejo respeitar os padrões internacionais de transparência financeira. E isto é exatamente o que Bento XVI tinha decidido fazer quando lançou a grande reforma das finanças do Vaticano.

Estes novos padrões são tão importantes que eu mesmo os estabeleci em um documento intitulado “Os Pactos Lateranenses do século XXI”. Eles visavam fazer com que a Santa Sé se enquadrasse num contexto de transparência de acordo com as normas financeiras internacionais, as quais nenhuma organização pode mais ignorar, principalmente depois dos acontecimentos de 11 de Setembro de 2001, nem mesmo citando razões de alegada confidencialidade ou “sigilo”.

Foi o próprio Bento XVI que me pediu para que atingisse essa meta de modo “exemplar”, a fim de assegurar a credibilidade da Igreja como autoridade moral universal. Por isso, procedemos com este processo, juntamente com o Cardeal Attilio Nicora, presidente da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica e com os maiores especialistas tanto internos como externos ao Vaticano.

O Cardeal Pell em seu artigo mencionou o famoso sequestro dos 23 milhões de euros do Banco do Vaticano feito pelo Banco da Itália. Ele disse que o dinheiro foi congelado porque “as autoridades que supervisionaram o Banco do Vaticano não agiram de modo suficientemente rápido” na aplicação das leis internacionais contra a lavagem de dinheiro.

O sequestro dos fundos ocorreu quando eu mal acabava de ser nomeado Presidente do Banco do Vaticano e tão logo eu havia começado a implementar as reformas ordenadas pelo Papa Bento XVI. Antes da minha nomeação, o nível de transparência do banco era considerado por todos como insuficiente.

O sequestro dos  23 milhões de euros e a sucessiva investigação posterior por parte do Ministério Público de Roma foram resultado da falta de uma lei contra lavagem de dinheiro, falta de procedimentos adequados e de uma autoridade dedicada que supervisionasse todas as questões ligadas à transparência financeira. Estas garantias são exigidas de todos os bancos que operam nos países que querem ser incluídos na chamada “lista branca” – ou seja, os países comprometidos a combater o terrorismo e lavagem de dinheiro sujo.

Com a aprovação explícita do Secretário de Estado e Presidente da Comissão de Cardeais, o Cardeal Bertone, decidiram que eu, juntamente com o Diretor do Instituto, fôssemos interrogados pelo Ministério Público de Roma. Era uma coisa incomum para um funcionário do Vaticano, mas estávamos determinados a mostrar que a partir daquele momento não queríamos ter nada a esconder e que não queríamos esconder nada. Papa Bento XVI havia pedido uma transparência total.

O dinheiro sequestrado foi então colocado à disposição do Instituto – contanto que se providenciasse para que as regras relativas à transferência de fundos fossem obedecidas — graças à competência e credibilidade de minha advogada, Professora Paola Severino, que mais tarde tornou-se ministra da Justiça. Ela foi capaz de convencer o Ministério Público a respeito da determinação da Santa Sé em atingir as três metas tangíveis até ao final de 2010: a aprovação de uma lei contra a lavagem de dinheiro, a introdução de procedimentos internos no Banco do Vaticano (e das outras instituições interessadas da Santa Sé) e a criação de um órgão de supervisão geral, a Autoridade de Informação Financeira Vaticana (AIF). Em 31 de dezembro de 2010, Bento XVI assinou o Motu Proprio com o qual ratificou a lei contra lavagem de dinheiro, constituiu a Autoridade de Informação Financeira Vaticana e nomeou o Cardeal Nicora como seu Presidente.

O Cardeal Pell não pode imaginar quanto esforço, quantos conflitos e com quantas dificuldades nos deparamos quando em 2011 começamos a implementar a lei contra lavagem de dinheiro e a AIF começou a operar. Esses esforços foram reconhecidos quando os curadores da MONEYVAL, o órgão de monitoração do Conselho da Europa, fez a primeira visita de avaliação em novembro de 2011 e os resultados foram muito positivos. Os próprios encarregados da MONEYVAL expressaram surpresa com o nosso empenho e a nossa eficiência.

Eu suspeito que o cardeal Pell também não tenha conhecimento do que aconteceu imediatamente depois. Em dezembro de 2011, logo após a visita bem sucedida da Moneyval, foi feito com uma pressa surpreendente o esboço de uma nova lei que iria modificar tanto a lei contra lavagem de dinheiro como o papel da AIF.

Eu fui informado dessas alterações apenas em janeiro de 2012 pelo presidente da AIF, e mesmo assim só depois que o esboço da lei tinha sido feito. Em suma, o ponto chave dessas mudanças, além de alguns itens modificados, foi que AIF deixou de ser um órgão independente para terminar sob a supervisão da Secretaria de Estado, confundindo assim o papel do controlado com o do controlador. Isso colocou tanto o cardeal Nicora, como eu e todo o Conselho da AIF numa situação muito difícil. O Presidente da AIF, então, escreveu um memorando manifestando discordância e desconcerto ao Cardeal Bertone, memorando esse que depois acabou misteriosamente sendo publicado por um dos principais jornais italianos.

O sistema bancário internacional ficou muito intrigado com a repentina aplicação da nova lei que impedia a troca necessária de informações e a considerou como uma mudança de rota no que diz respeito ao caminho de transparência previamente combinado e aos resultados tangíveis prometidos. Como resultado, a Moneyval fez uma segunda visita no início de 2012 e expressou fortes dúvidas com relação à situação — especialmente com relação à perda de independência da AIF.

MONEYVAL então escreveu um segundo pré-relatório, de 27 de abril de 2012, em que destacava que de fato tinha sido feito um “passo atrás”. Será que o Cardeal Pell foi devidamente informado desses eventos? Como resultado na mudança da lei, o sistema bancário internacional foi obrigado a interromper todas suas transações com o Banco do Vaticano. Dois dos principais bancos italianos fizeram com que chegasse diretamente às minhas mãos e por escrito as suas preocupações. O Cardeal Pell, por acaso, teve acesso a essas explicações documentadas? Ou, se já tiver sido informado, considera que estas informações são irrelevantes?

Quando então o Presidente da AIF pediu ao Secretário de Estado para que suspendesse a ratificação das alterações, que eram consideradas pela AIF como lesivas e arriscadas, foi feito exatamente o contrário: tais mudanças foram imediatamente ratificadas pela Secretaria de Estado, quase um mês antes do prazo de expiração formal que era de três meses. Não é curiosa essa velocidade?

Gostaria ainda de esclarecer, para que seja de utilidade para o Cardeal Pell, a relação que existe entre o Banco do Vaticano e o chamado escândalo Vatileaks, em que o mordomo do Papa, como foi provado, vazou documentos sensíveis fora dos muros do Vaticano. Os jornais italianos publicaram um documento interno do Banco do Vaticano (sobre a relação entre a AIF e IOR) e o referido documento escrito pelo cardeal Nicora endereçado ao Secretário de Estado.

A fim de minar a minha credibilidade, acusaram-me de ser o “corvo” e de ter sido eu a vazar os documentos. Ora, isso obviamente é falso, e por isso eu pedi uma investigação imediata. Nada aconteceu. Posteriormente, foi provado que os documentos tinham sido divulgados pelo mordomo do Papa.

Depois disso, deram nove razões enganosas para minha posterior remoção. Entre elas, fui acusado de não ter cumprido o meu dever, de não ter informado o Conselho do IOR e de ter tido um mau relacionamento com a gerência. Uma das razões se referia também ao vazamento de documentos, embora tenha sido, em seguida, provado que tinha sido responsabilidade de outra pessoa.

O Cardeal Pell, provavelmente, também precisa ser informados sobre o que eu considero como um motivo que pode explicar, em parte, a decisão do Conselho do IOR de me demitir.

Em abril de 2012, a Comissão de Cardeais reconfirmou a minha nomeação, mas no dia 24 de maio, o Conselho me demitiu. Nunca me deram a oportunidade de explicar isso, mas eu acho que a razão para este gesto foi uma decisão minha (informada com antecedência às autoridades competentes) de apresentar ao Conselho uma proposta que teria mudado completamente o governo do Banco. Esta mudança era absolutamente necessária devido aos eventos anteriores.

No entanto, o cardeal Pell pode não saber que a Comissão de Cardeais não ratificou o voto de censura contra mim por parte do Conselho do IOR. Alguns cardeais, de fato, apoiavam-me nos meus esforços e pelo meu profissionalismo e recusaram-se a aprovar uma decisão desse tipo.

Talvez nem mesmo se sabe que jamais tive permissão para responder pessoalmente às nove razões do voto de desconfiança, apesar dos inúmeros pedidos da minha parte e não obstante uma nota escrita de próprio punho a esse respeito e que nunca foi considerada.

O Cardeal Pell é conhecido por sua competência, por sua coragem e por sua honestidade intelectual e moral. Eis porque eu tenho certeza de que ele jamais teve acesso aos documentos e às explicações que são essenciais para compreender os eventos que sucederam antes mesmo que ele fosse nomeado para Roma.

Entre esses documentos, eu sublinho, em particular, três:

• O pré-relatório da MONEYVAL de abril de 2012, comparando-o com o Relatório de 4 de Julho (ver acima);

• Vários relatórios da Deloitte de 2011, relativos aos obstáculos à implementação dos novos procedimentos;

• O relatório sobre as razões de encerramento da conta do JP Morgan (Março de 2012).

Se o cardeal Pell pudesse ler esses documentos, iria entender qual a responsabilidade que pesou sobre os meus ombros durante esse período. Se pudesse ler a minha nota em resposta às nove razões para o voto de desconfiança, poderia compreender a verdadeira natureza do meu sofrimento.Sofrimento que só cresceu nos últimos tempos, devido à indiferença para com a minha súplica pela busca da verdade.

Gostaria de incentivar Sua Eminência a ler a entrevista do secretário do Papa, Arcebispo Georg Gänswein, publicado no  “Il Messaggero” em outubro de 2013, em que ele diz que Bento XVI ficou “muito surpreso” com o voto de desconfiança, e que mantinha em “alta estima” a minha pessoa. Deveria também tomar conhecimento do que o Secretário de Estado me transmitiu pessoalmente da parte de Bento XVI, no dia 07 de fevereiro de 2013: o Papa havia decidido imediatamente me reabilitar — uma decisão que jamais foi implementada após a renúncia de Bento XVI. Queria que Sua Eminência soubesse também o quanto eu sinto falta do Papa Bento XVI…

Por fim, acredito que o cardeal Pell deveria desvendar também esses quatro mistérios, embora eu tenha certeza de que é tarde demais, pelo menos para mim:

1) Quem mudou a lei contra lavagem de dinheiro do Vaticano, em Dezembro de 2011, e por quê?

2) Quem realmente decidiu que eu tinha que ser removido pelo Conselho Laico como presidente do Banco do Vaticano no dia 24 de maio de 2012, e por quê?

3) Quem foi que desobedeceu Bento XVI, o qual queria a minha reabilitação?

4) Quem decidiu que meus pedidos e súplicas para que eu fosse interrogado sobre os fatos acima deveriam ser ignorados? Quem não quer que venha a público a minha versão da verdade, e por quê?

Ettore Gotti Tedeschi, ex-presidente do Banco do Vaticano 2009-2012

Esta é uma versão estendida do artigo de Gotti Tedeschi, traduzida em italiano e aprovada pelo Autor.
19 janeiro, 2015

Summorum Pontificum no Brasil: Santa Missa na Catedral de Santo Amaro, SP.

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18 janeiro, 2015

Foto da semana.

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Por Will Goodman | Tradução: Fratres in Unum.com – Em 12 de dezembro de 2014, o Cardeal Raymond Leo Burke presidiu a “Benção da Estátua do Anjo da Guarda no Memorial do Nascituro”, localizado no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, em La Crosse, Wisconsin. Essa bela nova peça de arte sacra foi criada pelo renomado artista Anthony Visco, sendo um acréscimo motivador ao caráter solene desse local sagrado especial no solo do Santuário, que proporciona um testemunho vivo ao ensinamento da Igreja sobre a dignidade inviolável da vida humana e do grande amor de Deus Todo-Poderoso por cada pessoa humana. A estátua do Anjo da Guarda, reconhecida como uma obra prima no Memorial, revela um anjo altaneiro segurando gentilmente uma criança em seus braços fortes, ao mesmo tempo em que permanece vigiando duas crianças inocentes como se as tivesse guiando e protegendo ao longo dos caminhos da santidade.

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Cerca de cem peregrinos incluindo famílias, religiosos e padres de toda a nação reuniram-se no frio do lado de fora do Memorial do Nascituro na Solenidade de Nossa Senhora de Guadalupe. O Coro da Basílica entoou hinos piedosos enquanto sua Eminência abençoava e incensava a nova estátua do Anjo da Guarda. Em um sermão inspirado e comovente, o Cardeal Burke recordou aos presentes que o amor de Deus Todo-Poderoso por cada pessoa feita a Sua imagem e semelhança é confirmado no dom de um Anjo da Guarda dado por Deus para proteger o nosso dom da vida e assistir a cada um de nós em nossa vocação à santidade pessoal. Relembrando os restos terrenos das crianças preciosas que faleceram antes do nascimento e que estão sepultadas nesse Memorial pró-vida, Sua Eminência testemunhou a realidade de seus anjos, bem como o de nosso próprio, que está diante da Face de Deus dia e noite adorando a Majestade Divina e nos protegendo em sua fidelidade ao plano amoroso do Pai Todo-Poderoso. O Cardeal Burke concluiu suas observações convidando os peregrinos a se unirem a ele na recitação da oração amada, aprendida desde a mais tenra infância, ao Anjo da Guarda: “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, Se a ti me confiou a piedade divina. sempre me rege, me guarda, me governa e me ilumina. Amém.” Ao final da qual, a procissão solene e alegre de peregrinos seguiu sua Eminência, os padres concelebrantes, os Cavaleiros de Nossa Senhora e os Acólitos até a Igreja principal para o Santo Sacrifício da Missa, celebrando o milagre da gloriosa aparição de Nossa Senhora de Guadalupe a São Juan Diego em 1531.

17 janeiro, 2015

O que significa ser acólito.

Vídeo da paróquia da Encarnação, em Tampa, Flórida, Estados Unidos.

16 janeiro, 2015

Cristo crucificado, escândalo para os muçulmanos e loucura para os laicistas…

Por Roberto de Mattei | Tradução: Fratres in Unum.com: Marcher contre la Terreur, Marcia contro il Terrore, foi o título com o qual “Le Monde”, “Corriere della Sera” e os grandes jornais ocidentais apresentaram o grande desfile laicista de 11 de Janeiro. Nunca um slogan foi mais hipócrita do que esse, imposto pelos meios de comunicação de massa como reação ao massacre de Paris de 7 de janeiro. Com efeito, que sentido há falar de Terror sem adicionar ao substantivo o adjetivo “islâmico”?

O ataque à redação de “Charlie Hebdo” foi perpetrado ao grito de “Allah akbar!” para vingar Maomé ofendido pelas caricaturas e por detrás dos Kalashnicovs terroristas há uma visão precisa do mundo: a muçulmana. Só agora as agências de inteligência ocidentais começam a levar a sério as ameaças de Abu Muhamad al Adnani, contidos em um comunicado multilíngue difundido em 21 de setembro de 2014 pelo quotidiano online “The Long War Journal”.

“Conquistaremos Roma, espezinharemos suas cruzes, faremos escravas suas mulheres com a permissão de Alá, o Altíssimo”, declarou a seus sequazes o porta-voz do “Estado islâmico”, que não simplesmente repetiu que exterminará os “infiéis” onde quer que estiverem, mas mostrou também de que modo: “Colocai explosivos em suas estradas. Atacai suas bases, irrompei em suas casas. Cortai suas cabeças. Que eles não se sintam seguros em nenhum lugar! Se não conseguirdes encontrar os explosivos e as munições, isolai os infiéis americanos, os franceses infiéis ou não importa quais outros de seus aliados: esmagai seus crânios a golpes de pedra, matai-os com uma faca, atropelai-os com os vossos carros, jogai-os no precipício, sufocai-os ou envenenai-os”.

Há uma ilusão de que a guerra atual não é aquela declarada pelo Islã ao Ocidente, mas uma guerra travada dentro do mundo muçulmano, e que a única maneira de salvar-se seria ajudar o Islã moderado a derrotar o Islã fundamentalista, como escreveu no “Corriere della Sera” em 11 de Janeiro Sergio Romano, um observador que entretanto passa por inteligente. Na França, o slogan mais repetido é o de evitar o “amálgama”, ou seja, a identificação entre o Islã moderado e o radical. Mas o fim comum a todo o Islã é a conquista do Ocidente e do mundo. Quem não compartilhar esse objetivo não é um moderado, simplesmente não é um bom muçulmano.

As divergências, quando existem, não dizem respeito ao fim, mas ao meio: os muçulmanos da Al Qaeda e do ISIS abraçaram a via leninista da ação violenta, enquanto a Irmandade Muçulmana utiliza a arma gramsciana da hegemonia intelectual. As mesquitas são o centro de propulsão da guerra cultural, que Bat Ye’or define como soft-jihad, enquanto com o termo hard-jihad ela define a guerra militar para aterrorizar e aniquilar o inimigo. Pode-se discutir, e certamente se discute dentro do Islã, sobre a escolha dos meios, mas há concórdia quanto ao objetivo final: a extensão para o mundo da sharia, a lei corânica.

O Islã é em qualquer caso um substantivo verbal traduzível por “submissão”. A submissão para evitar o Terror, o cenário do futuro europeu imaginado pelo romancista Michel Houellebecq em seu último livro – Soumission – apressadamente retirado das livrarias francesas. Não ao Terror significa para os nossos políticos não à submissão violenta dos jihadistas e sim a uma submissão pacífica, que conduz suavemente o Ocidente a uma condição de inferioridade.

O Ocidente se diz disposto a aceitar um Islã “com face humana”, mas na realidade o que ele rejeita no Islã não é só a violência, mas também o seu absolutismo religioso. Para o Ocidente há uma licença para matar, não em nome de valores absolutos, mas em nome do relativismo moral. Por isso, o aborto é praticado de forma sistemática em todos os países ocidentais e nenhum dos chefes de Estado que marcharam em Paris contra o Terror jamais o condenou. Mas o que é o aborto senão a legalização do Terror, o Terror promovido, encorajado, justificado pelo Estado? Que direito têm os líderes ocidentais de marchar contra o Terror?

Em “La Repubblica” de 13 de Janeiro de 2015, enquanto Adriano Sofri, ex-chefe de Lotta Continua [NdT: formação maoísta turinense, uma de cujas facções juntou-se às organizações terroristas], celebra a Europa que renasce sob a Bastilha, a filósofa pós-moderna Julia Kristeva, cara ao cardeal Ravasi, afirma que “a praça Iluminista salvou a Europa”, e que, “diante dos riscos que estavam correndo, liberdade, igualdade e fraternidade deixaram de ser conceitos abstratos, encarnando-se em milhões de pessoas”. Mas quem inventou o Terror senão a França republicana, que o usou para esmagar toda a oposição à Revolução Francesa? A ideologia e a prática do terrorismo apareceram pela primeira vez na História com a Revolução Francesa, especialmente a partir de 5 de setembro de 1793, quando o “Terror” foi colocado na ordem do dia pela Convenção e se tornou parte essencial do sistema revolucionário. O primeiro genocídio da História, o da Vendéia, foi perpetrado em nome dos ideais republicanos de liberdade, igualdade e fraternidade. O comunismo, que pretendeu completar o processo de secularização inaugurado pela Revolução Francesa, colocou em vigor a massificação do terror em escala planetária, provocando, em menos de 70 anos, mais de 200 milhões de mortes. E o que é o terrorismo islâmico senão uma contaminação da “filosofia do Alcorão” com a prática marxista-iluminista importada do Ocidente?

Desde a sua fundação, “Charlie Hebdo” é um jornal em que a sátira foi posta a serviço de uma filosofia de vida libertária, cujas raízes provêm do Iluminismo anticristão. O jornal satírico francês tornou-se famoso por suas caricaturas de Maomé, mas não devemos esquecer suas repugnantes caricaturas blasfemas publicadas em 2012 para reivindicar a união homossexual. Os editores de “Charlie Hebdo” podem ser considerados a expressão extrema mas coerente da cultura relativista difundida agora em todo o Ocidente, assim como os terroristas que os assassinaram podem ser considerados a expressão extrema mas coerente do ódio contra o Ocidente de todo o vasto mundo islâmico.

Aqueles que afirmam a existência de uma Verdade absoluta e objetiva são equiparados pelos neo-Iluministas aos fundamentalistas islâmicos. Porém, é o relativismo que se equipara ao islamismo, porque ambos estão unidos pelo fanatismo. O fanatismo não é a afirmação da verdade, mas o desequilíbrio intelectual e emotivo que nasce do distanciamento da verdade. E só há uma verdade em que o mundo pode encontrar a paz, que é a tranquilidade da ordem: Jesus Cristo, Filho de Deus, em função do qual todas as coisas devem ser ordenadas no Céu e na Terra, a fim de que se realize a paz de Cristo no Reino de Cristo, apontada como o ideal de todo cristão pelo Papa Pio XI em sua encíclica Quas Primas de 11 de dezembro de 1925.

Não se pode combater o Islã em nome do Iluminismo, e menos ainda do relativismo. Só se lhe pode opor as leis natural e divina, negadas pela raiz tanto pelo relativismo quanto pelo Islã. Por isso levantemos ao alto aquele Crucifixo que o secularismo e o islamismo rejeitam e façamos dele uma bandeira de vida e de ação. “Nós – dizia São Paulo – pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios” (I Cor 1, 23). Poderíamos repetir: “Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os muçulmanos e loucura para os laicistas”.

16 janeiro, 2015

Segredos do Vaticano: jornal dos Bispos Italianos “Avvenire” revela que “houve uma conspiração para forçar a renúncia de Ratzinger”.

Por Antonio Socci | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Ontem, ficamos sabendo – nada menos a partir das páginas de “Avvenire”, o jornal da Conferência Episcopal Italiana (CEI) – algo que nem mesmo eu cheguei a escrever no meu livro “Não é Francisco”, sobre a (até agora) misteriosa “renúncia” de Bento XVI.

De fato, na página 2 do jornal da Conferência Episcopal se podia ler, na íntegra, que houve “ambientes que, pelas razões habituais de poder e opressão, traíram e conspiraram para eliminar o Papa Ratzinger, apesar de reconhecê-lo como um excelente ‘teólogo’, e o “forçaram à renúncia”.

Você leu bem. É uma notícia perturbadora. Afirma-se – sem nenhuma condicional – que existem “ambientes” que “traíram e conspiraram para eliminar o Papa Ratzinger” e até mesmo “levá-lo à renúncia.”

A este ponto se torna absolutamente obrigatório citar nomes e dizer abertamente quem são eles.

Pois isso não se trata de coisa de pouca monta. Cabe aqui ressaltar que, se tudo aconteceu exatamente assim, aquela “renúncia” é inválida porque – para ser válida, sob o direito canônico – deve ser totalmente livre de condicionamentos e restrições de qualquer tipo (e, portanto, o sucessivo conclave também teria sido inválido).

O aspecto surpreendente da controvérsia é que essas linhas estão contidas em um artigo juntamente com outro e são expressamente confirmadas pelo diretor de “Avvenire”, Marco Tarquinio, que, sobre os dois artigos, escreve que eles “oferecem pensamentos e colocam questionamentos sérios”.

Nas palavras de Tarquinio, não há o menor distanciamento da notícia – dada como algo certo – sobre a “conspiração” que levou à “renúncia” de Ratzinger.

Evidentemente que Tarquinio foi também levado pela onda de ataques a Vittorio Messori – o qual  foi o alvo direto dos dois artigos – e assim, na página 2, acabou publicando esta “bomba” com a qual querem que acreditemos, com grande descaso pelo ridículo, que os “inimigos” de Francisco são exatamente os mesmos “inimigos” de Bento XVI.

De fato, esse foi o título que “Avvenire” deu ao artigo: “Messori: Inimigos de Francisco e de Bento”.

Caso Messori

Ora, o excesso de zelo de vez em quando prega umas peças bem feias, pois até as crianças estão cansadas de saber que aqueles que boicotaram incessantemente Papa Ratzinger hoje são todos defensores ardorosos de Bergoglio.

E é o que demonstra as notícias e crônicas publicadas atualmente. Tudo isso é de uma evidência solar, não apenas no mundo católico, mas também no secular, onde, entre os partidários do Papa Bergoglio, estão na linha da frente Eugenio Scalfari e Marco Pannella. Além do mais, se é ridículo afirmar que os “inimigos” de Ratzinger são os mesmos opositores de Bergoglio, mais inaceitável ainda é insinuar que Vittorio Messori poderia ser contado entre os “inimigos” de Bento XVI. Isso é realmente uma piada.

A parceria intelectual que o liga a Ratzinger é de longa data e começa com o livro que marcou época “Rapporto sulla fede”, um livro-entrevista com o então cardeal bávaro que marcou um ponto de virada na Igreja pós-conciliar porque pôs um freio na onda de “autodemolição” progressista e modernista dos anos 70 e expôs os fundamentos da reconstrução da era Wojtyla, que é a redescoberta da fé de todos os tempos.

Esse livro, entre outras coisas, fez com que ambos, tanto o cardeal como o jornalista, se tornassem alvos dos furiosos ataques dos círculos progressistas habituais. Eis como lembrou Messori em um de seus artigos: “O ‘Rapporto sulla Fede’ saiu em 1985.  Faltavam apenas quatro anos para a queda do Muro de Berlim, mas, apesar disso, dentro da Igreja vastos setores estavam ainda vivendo uma fase de enamoramento por um comunismo que haviam descoberto com paixão, igualmente tardia. Tudo naquele livro provocou a indignação de quem se dizia ‘progressista’ (e que estava prestes a acabar na contra-mão da história). Tudo, mas antes de qualquer outra coisa, a nova definição do marxismo segundo Ratzinger: ‘Não esperança, mas a vergonha nosso tempo'”.

A associação intelectual entre Ratzinger e Messori é de uma sincera estima recíproca e, com o tempo, eu creio que se tornou também uma amizade profunda.

Se tem um intelectual que podemos indicar como um símbolo da época Ratzinger (ou seja, do renascimento e reconstrução da ortodoxia) é justamente Messori. Assim, o fato de que hoje, o jornal da Conferência Episcopal Italiana ter como alvo Messori (pela enésima vez), além do mais por meio de artigos publicados (com a covarde estratégia de jogar a pedra e esconder a mão) com esse título:”Messori: ‘inimigos’ de Francisco e Bento”, me deixa literalmente indignado.

De resto, tenho certeza que Messori não se sente e não é “inimigo” nem mesmo de Francisco, pelo qual – juntamente com alguma apreciação – se limita a expor algumas de suas perplexidades.

Nas últimas décadas, os papas (de Paulo VI a João Paulo II e Bento XVI) foram “bombardeados” sem que ninguém reclamasse. Hoje, ao invés, chegamos então a um ponto de intolerância tão forte que um grande intelectual católico como Messori é jogado na fogueira, por uma nova Inquisição ideológica, apenas por expressar suas pacatas e respeitosas “perplexidades”?

Outras revelações

Além de tudo, aquele artigo — credenciado pelo diretor de “Avvenire” – antes das linhas explosivas sobre a “conspiração”, diz outra coisa que causa surpresa ao ler no jornal da CEI: “uma pessoa simples como eu tem a nítida sensação de que há uma luta de poder em ação na igreja e em torno dela, e que o ataque contra o Papa é dirigida por freqüentadores de ‘certos salões’ (…). Temo que se trate dos mesmos ambientes que, pelas razões habituais de poder e opressão, traíram e conspiraram para eliminar o Papa Ratzinger (…) e o forçaram à renúncia.”

A este ponto, seria o caso de exigir de Tarquinio, que publicou e aprovou tal artigo, que ele nos explique finalmente que “conspiração” foi essa da qual foi vítima Papa Bento XVI, que ilustre a atual “luta de poder na Igreja” e que, finalmente, revele claramente o que são esses “salões” e seus “frequentadores”.

Esta última referência, além de vaga, é absurda. Por que os “bons salões” dos poderes mundanos – como demonstra a cada dia seus jornais e diários – são todos de fãs ardentes do Papa Bergoglio.

Provavelmente, o zelo excessivo de Tarquinio ao querer exibir para qualquer poderoso da Cúria sua oposição a Messori acabou por fazê-lo escorregar numa casca de banana.

O diabo, dizem, faz as panelas, mas não as tampas. E agora nos deparamos com um jornal da CEI que afirma claramente que Bento XVI renunciou na sequência de uma “traição” e de uma “conspiração” e que hoje, na Igreja, está em ação uma “luta de poder”. Peço que Tarquinio tente colocar uma tampa nessa panela.

Talvez ele poderia fazê-lo através da publicação de outra entrevista, como aquela de alguns dias atrás, na “Radio Radical”, onde ele teceu um diálogo amigável e promissor com os radicais (saudações!) e voltou a defender o líder radical Pannella e a repetir suas críticas injustas e incoerentes contra Messori.

Até mesmo os líderes da CEI deveriam se ocupar dessa denúncia  e dar explicações sobre a “conspiração” contra Bento XVI que o “empurrou para a renúncia”, segundo o que podemos ler em “Avvenire”.

E, no Vaticano, o padre Federico Lombardi, diretor da imprensa, o que  tem a nos dizer sobre a notícia explosiva de “Avvenire” sobre a “conspiração” que levou à “renúncia” do Papa Bento XVI?

Antonio Socci

Do “Libero” 08 de janeiro de 2015

16 janeiro, 2015

A Igreja virada de cabeça para baixo.

Por que os inimigos da Igreja são os principais defensores do Papa Francisco? Aqueles que atacaram o pontificado do Papa Bento XVI agora se encontram em defesa do de Francisco, enquanto escritores católicos como Messori e Socci são estrilados pelo Avvenire (jornal diário da conferência dos bispos italianos).

Por Matteo Carnieletto, Il Giornale – 3 de janeiro de 2015 | Tradução: Thiago Porto – Fratres in Unum.com: Sejamos sinceros: a ala mais progressista da Igreja gosta de Francisco. Esta é a ala que durante o pontificado de Bento XVI mantinha-se atacando o Papa, e agora eles estão vestidos como garotas-de-torcida papais que estão sempre em punho para defender o Papa – o Papa, por favor perceba, que é Francisco, não o Papado como uma instituição. Exatamente desde a publicação de Non è Francesco de Antonio Socci, os novos defensores da “Igreja pobre e para os pobres” não têm hesitado sair em defesa do Papa atacando duramente aquele jornalista de Siena. O mesmo ocorreu por ocasião da publicação do artigo de Vittorio Messori no passado dia 24 de dezembro. Na verdade, Paolo Farinella, um sacerdote e escritor de Il Fatto Quotidiano, que definiu o pontificado de Bento XVI como “um desastre para a Igreja”, lançou um apelo para que se encerrem os ataques ao Papa Francisco. Teria Farinella se convertido ao catolicismo ortodoxo? Nem tanto. Ele simplesmente encontrou em Francisco seu porta-voz ideal.

Entre aqueles que fizeram o apelo está o grupo “Nós somos a Igreja”, que com grande gosto expressou sua apreciação pelo ato de renúncia de Bento XVI: “o ato mais inovador do seu pontificado”; Alex Zanotelli, o missionário pacifista que disse que ele apenas veio a entender quem foi Cristo graças a Ghandi, Martin Luther King, Dom Milani e Dom Mazzolari; as comunidades-cristãs de base que, em seu sítio eletrônico, postaram a resenha de um livro intitulado The Queer God*, preferencialmente the poof God, the faggot God*, publicado por Claudiana, uma editora valdense; e finalmente (mas a lista poderia seguir adiante) está a assinatura de Dom Aldo Antonelli, “um sacerdote perturbador e vermelho” que, com candura, escreveu em 1 de novembro de 2007: “Querido Papa Bento, eu não o entendo”. E após longa série de recomendações que não lhe foram pedidas, ele concluiu: “Em meus estudos teológicos aprendi que nós sacerdotes devemos nos direcionar aos pobres pedintes desta terra como Lázaro (Lucas 16:19-31). Mas eu tenho a impressão de que você prefere ter conversações com homens como Dives”, isto é, com os ricos e poderosos.

Desse modo, esses partidos estão o inverso. Os apologistas como Messori e Socci, que sempre defenderam a fé católica, agora se encontram no papel de “adversários”, que são atacados por aqueles que, arremessando fora as vestes sacerdotais, vestem agora os trajes pontificais.

*O blasfemo título do livro publicado por uma editora valdense poderia ser traduzido pelo que se segue no texto, uma tentativa do próprio autor de traduzir “The Queer God”, que seria em português: “o deus bicha”.

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15 janeiro, 2015

“Irmãos, um pouco de bom senso”.

Um jesuíta contra os jesuítas de “Etudes” que republicaram as charges da Charlie Hebdo. A revista francesa da Companhia de Jesus republicou por “solidariedade” as charges blasfemas e anti-católicas da revista Charlie Hebdo – O protesto do padre Jean-François Thomas

Por Il Tempi | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: “Não tenho ilusões sobre os efeitos que terá o meu protesto, mas ainda assim gostaria de deixá-lo registrado, por saber que um bom número de jesuítas da minha comunidade sente o mesmo, ainda que não possam ou não ousem expressá-lo.” Assim começa a carta de protesto que o padre Jean-François Thomas, um jesuíta francês, enviou à autoridade competente da Companhia de Jesus para protestar contra a revista dos Jesuítas “Etudes”.

“ME DESPREGUEM.” De fato, a revista, para se mostrar próxima às vítimas do atentado contra os editores da Charlie Hebdo, decidiu republicar algumas das charges [do semanário satírico] referentes ao Catolicismo para expressar “solidariedade aos nossos irmãos assassinados e às outras vítimas”. Uma das quatro charges reproduzidas ilustra um Jesus que pede para ser “despregado” da cruz para poder participar do Conclave, já em outra aparece Bento XVI numa versão gay onde exclama: “finalmente livre”, depois de ter renunciado ao sólio pontifício. A revista dos jesuítas franceses, no entanto, não teve coragem de publicar a mais famosa, com as três pessoas da Santíssima Trindade num desenho onde se sodomizam mutuamente.

“LIBERDADE DE BLASFÊMIA?”. “Nós não compartilhamos, espero, nenhum dos ‘valores’ ordinários dessa revista”, protesta o padre Thomas, segundo o qual “o horror do atentado não pode” fazer que nos esqueçamos de que “a liberdade de expressão não é a liberdade de ofender dia após dia os crentes e de se blasfemar contra o próprio Deus”. O jesuíta deixa claro que “não há necessidade de uma lei contra a blasfêmia”,  bastaria  “bom senso, bom gosto e respeito.” E se “o humor, ainda que desagradável, pode fazer as pessoas rirem,  a “vulgaridade absolutamente ostentada faz chorar e só serve para atrair ainda mais o ódio.”

A COMPANHIA DE  JESUS NÃO É CHARLIE HEBDO. A última edição da Charlie Hebdo pintava e bordava com Deus, Maria e o nascimento de Jesus. Podemos discutir sobre o direito dessa revista publicar suas blasfêmias semanais, “mas que uma revista que é órgão oficial da Companhia de Jesus o faça é simplesmente escandaloso. A pior de todas é aquela charge sobre  Bento XVI, porque beira à difamação. Quanto à violação do drama da crucificação, é desprezível. Eu não acreditava que certos jesuítas poderiam rir de um assunto dessa natureza. Eu pessoalmente choro todos os dias por causa dos meus pecados e por todo o sofrimento vivido na carne por tantos cristãos perseguidos e que, no entanto, não são defendidos pelos editores da Etudes”.

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15 janeiro, 2015

Acusam as Franciscanas da Imaculada por rezar em latim, viver a pobreza, ignorar a teologia de gênero e por seu voto mariano.

Segundo o que revelou Maria Virginia Oliveira de Gristelli à InfoCatólica, o ramo feminino dos Franciscanos da Imaculada tem sido objeto de peculiares acusações por parte dos atuais responsáveis da congregação, designados pela Santa Sé. Acusam as religiosas de não compreender o que rezam, pois rezam em latim, o tipo de pobreza que praticam, de não receber formação na “teologia do gênero” e seu voto mariano.

Por InfoCatólica | Tradução: Marcos Fleurer – Fratres in Unum.comEstas seriam as recentes acusações feitas contra as religiosas:

  • «as irmãs não compreendem o que rezam», referindo-se à escolha do rito tradicional para a oração do Ofício Divino, em latim.
  • «É inconveniente a prática da pobreza tal como as Irmãs vivem», ou seja, segundo a Regra original de S. Francisco – aprovada e louvada pela Tradição e reiterada pelo Magistério muitas vezes, renunciando absolutamente a toda posse, pois seus bens são daqueles que lhes acolhem (bispos e benfeitores). O argumento que se utilizou é que contribuem ao enriquecimento de familiares e amigos que deixam em seu favor.
  • «As irmãs são mantidas na ignorância», pois em sua formação não se inclui a “teologia do gênero”.
  • Formulou-se que é inadmissível seu «voto mariano» (quarto voto da Congregação), alegando a elas que «não se pode obedecer a Nossa Senhora, senão a Deus».

Esta última acusação é ligada ao surpreendente desgosto manifestado pela Ir. Fernanda Barbiero (ex-diretora do Inst. Pontifício Regina Mundi), a Comissária designada para as Franciscanas, que referindo-se à imagem da Imaculada Conceição que estava sobre a mesa para presidir uma de suas visitas, disse às Irmãs «por favor, tirem “Esta” da aqui» para começarmos a conversar…