26 março, 2015

O Papa Francisco e a corrupção.

Por Hélio Dias Viana – ABIMEm sua recente visita ao bairro da máfia em Nápoles, o Papa Francisco manifestou horror à corrupção e disse que ela cheirava mal. Sendo assim, compreende-se que na projetada viagem que o Pontífice fará ao Paraguai, à Bolívia e ao Equador no próximo mês de julho, ele aconselhe os governos bolivarianos dos dois últimos países a mudarem diametralmente de direção, pois os mesmos são uma fonte permanente de corrupção, tal como acontece com o da Venezuela, e também com o da Argentina, sua pátria.

Quanto ao Paraguai, convém lembrar que o ex-bispo Fernando Lugo foi alijado constitucionalmente da Presidência da República, por querer enveredar seu país pelo mesmo caminho.

Ou seja, é através da corrupção institucionalizada que os governos bolivarianos se aparelham, e conduzem depois seus países à mais desastrosa das situações, que é aquela geradora da miséria e da opressão reinantes nos regimes comunistas de Cuba e da Coreia do Norte.

Para a consecução desse trágico fim, eles contam com o apoio de movimentos criminosos ditos sociais, do tipo do MST brasileiro, adrede criados para esse fim. Tais movimentos, entretanto, foram recebidos no ano passado no Vaticano e estimulados a continuarem sua luta demolidora da atual ordem socioeconômica em seus respectivos países.

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25 março, 2015

Cerca de 500 padres na Grã-Bretanha exortam sínodo a permanecer firme sobre a Comunhão a recasados.

Fratres pergunta: haverá iniciativa semelhante no Brasil?

* * *

Padres dizem que doutrina e disciplina devem ‘permanecer firme e inseparavelmente em harmonia’. 

Por Catholic Herald | Tradução: Fratres in Unum.com – Quase 500 padres na Grã-Bretanha assinaram uma carta instando aos participantes do sínodo sobre a família deste ano a lançarem uma “clara e firme proclamação” de defesa do ensinamento da Igreja sobre o matrimônio.

Em uma carta divulgada nesta semana em Catholic Herald, os sacerdotes afirmam: “Nós desejamos, como padres católicos, reafirmar nossa inabalável fidelidade à doutrina tradicional relativa ao matrimônio e ao verdadeiro significado da sexualidade humana, fundada na palavra de Deus e ensinado pelo Magistério da Igreja por dois milênios”.

O sínodo extraordinário do ano passado provocou um acalorado debate sobre a questão de se católicos civilmente recasados deveriam ser admitidos à Sagrada Comunhão — uma proposta apresentada pelo cardeal alemão aposentado Walter Kasper.

Naquilo que se acredita ser um passo sem precedentes, 461 padres na Grã-Bretanha reuniram-se para instar os participantes do sínodo a resistir a tal proposta.

Eles escrevem: “Nós afirmamos a importância de se defender a disciplina tradicional da Igreja sobre a recepção dos sacramentos e de que a doutrina e a disciplina devem permanecer firme e inseparavelmente em harmonia”.

Um dos signatários, que pediu anonimato, alegou ter “havido uma certa pressão para não assinar a carta e, de fato, um grau de intimidação por parte de alguns importantes hierarcas”.

Outro, que também pediu para não se identificar, declarou que o assunto da comunhão para recasados era “uma questão de preocupação pastoral e fidelidade ao Evangelho”.

Ele disse: “A misericórdia requer tanto amor como a verdade. Há muita coisa em jogo. Nem todos os padres se sentiriam confortáveis expressando-se em uma carta aberta, mas eu ficaria muito preocupado se houvesse padres que divergem dos sentimentos nela contidos”.

“A carta pede por fidelidade ao ensinamento Católico, e para que a prática permaneça ‘inseparavelmente em harmonia’ com a doutrina. Os padres afirmam permanecer comprometidos a ajudar ‘aqueles que batalham para seguir o Evangelho em uma sociedade cada vez mais secularizada’, mas dizem que aqueles casais e famílias que permaneceram fiéis não estão sendo adequadamente apoiados e encorajados”.

Entre notáveis signatários da carta estão os teólogos Pe. Aidan Nichols e Pe. John Saward, e o físico de Oxford Pe. Andrew Pinsent. Pe. Robert Billing, porta-voz da Diocese de Lancaster, Pe.Tim Finigan, blogueiro e colunista do Catholic Herald, e Pe. Julian Large, reitor do Oratório de Londres, também assinaram a carta.

Os sacerdotes concluem exortando a todos os participantes do próximo sínodo a “fazer uma clara e firme proclamação do ensinamento moral imutável da Igreja, de modo que a confusão possa ser eliminada e a fé confirmada”.

Falando recentemente na apresentação de seu novo livro, “A Revolução da Ternura e do Amor do Papa Francisco”, o Cardeal Kasper afirmou que os católicos deveriam expressar a seus bispos suas esperanças e preocupações sobre o sínodo. Porém, ainda mais importante é que rezem para que o Espírito Santo guie as decisões dos bispos.

Ele declarou: “Nós devemos todos rezar porque há uma guerra acontecendo. Com esperança, o sínodo poderá encontrar uma resposta comum, com uma ampla maioria, que não será uma ruptura com a tradição, mas uma doutrina que é um desenvolvimento da tradição”.

24 março, 2015

Arcebispo de San Francisco: Os dissidentes do magistério da Igreja não devem receber a Comunhão.

SAN FRANCISCO, CA, 31 de março de 2014 – Por LifeSiteNews.com | Tradução: Fratres in Unum.com – Falando ao LifeSiteNews sobre a questão das condições para a recepção da Sagrada Eucaristia na semana passada, o Arcebispo Salvatore Cordileone disse que o magistério da Igreja sobre esse assunto “tem sido muito claro e coerente desde literalmente o início.”

O magistério da Igreja remonta “da época em que São Paulo escreve em Coríntios I que todo aquele que não receber a Eucaristia dignamente, ou seja, se estiver em pecado, blasfema o corpo e sangue do Senhor”, explicou o arcebispo.

O líder dos 444.000 católicos de San Francisco observou que aqueles que dissentem “de um ensinamento definido pela Igreja” e aqueles que violam o seu ensinamento moral gravemente, “não têm as disposições apropriadas para receber a Sagrada Comunhão.”

“Conforme ensina São Paulo, se eles ousarem se aproximar [da Comunhão] tendo consciência de estarem em estado de pecado, condenam-se a si mesmos,” ele disse. “Este não é um julgamento severo da Igreja, mas o nosso entendimento da Eucaristia é de que ela não é simplesmente uma maneira de acolher as pessoas, uma maneira de afirmar as pessoas.”

Ele concluiu observando que o sacramento da penitência existe para todos os católicos que se encontram em tais situações, assim eles podem “confessar seus pecados e receber a absolvição sacramental para serem restaurados ao estado de graça e receber a Sagrada Comunhão.”

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23 março, 2015

Summorum Pontificum no Brasil: Santa Missa na Catedral de Santo Amaro, SP.

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23 março, 2015

Ações do Sínodo. Cai Kasper, sobe Caffarra.

Também o Papa Francisco se distancia do primeiro e se aproxima do segundo. E mantém-se próximo ao Cardeal Muller. E promove o africano Sarah. Todos eles intransigentes defensores da doutrina católica sobre o matrimônio. 

Por Sandro Magister, 20 de março de 2015 | Tradução: Fratres in Unum.com – “Com isso não se soluciona nada”, disse o Papa Francisco sobre a idéia de administrar a Comunhão aos divorciados que voltaram a se casar [civilmente]. E muito menos se eles a “querem”, reivindicam-na. Pois a comunhão não é “uma insígnia, uma honraria. Não”.

Em sua última grande entrevista, Jorge Mario Bergoglio esfriou as expectativas de mudança substancial na doutrina e na praxe do matrimônio católico que ele mesmo havia, indiretamente, alimentado:

> Los primeros dos años de la “Era Francisco” en entrevista a Televisa

Francisco e Caffarra.

“Expectativas descomedidas”, definiu ele. E já não mencionou as teses inovadoras do Cardeal Walter Kasper, que ele havia engrandecido em várias ocasiões, mas das quais parece ter se distanciado.

Vice-versa, já há algum tempo o Papa Francisco olha com crescente atenção e estima a outro cardeal teólogo, que sobre o “Evangelho do matrimônio” sustenta teses perfeitamente alinhadas à tradição: o italiano Carlo Caffarra, arcebispo de Bolonha.

Como professor de teologia moral, Caffarra era especialista em matrimônio, família e procriação. E, por esta razão, João Paulo II o quis como presidente do Pontifício Instituto para Estudos sobre o Matrimônio e a Família criado por ele em 1981, na Universidade Lateranense, após o sínodo de 1980 dedicado precisamente a esses temas.

Portanto, causou impressão a exclusão, em outubro passado, de todo expoente de tal instituto — que neste ínterim se estendeu por todo o mundo — na primeira sessão do sínodo sobre a família.

Porém, agora este vazio foi preenchido: em 14 de março último, o Papa Francisco nomeou o professor José Granados, vice-presidente exatamente do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre o Matrimônio e a Família, como um dos consultores da secretaria geral da segunda e última sessão do sínodo, programada para outubro deste ano.

Quanto a Caffarra, se no próximo mês de maio não for eleito pela conferência episcopal como um de seus quatro delegados para o sínodo, seguramente será o Papa quem lhe incluirá entre os padres sinodais, como fez na sessão precedente.

O arcebispo de Bolonha é um dos cinco cardeais anti-Kasper que reuniram suas teses no livro “Permanecendo na verdade de Cristo”, publicado na Itália pela editora Cantagalli às vésperas do sínodo passado e traduzido atualmente em dez idiomas.

E foi, em seguida, um dos críticos mais decididos e melhor articulados do informe bomba lido por Kasper no consistório de fevereiro de 2014:

> El cardenal Caffarra: ningún Papa puede romper el vínculo matrimonial

Nesta ampla entrevista a “Il Folgio, de 15 de março de 2014, Caffarra disse, entre outras coisas, o que segue sobre a comunhão aos divorciados recasados:

“Quem admite esta hipótese não respondeu a uma pergunta muito simple: o que ocorre com o primeiro matrimônio rato e consumado? A solução apresentada leva a pensar que permanece o primeiro matrimônio, mas que também há uma segunda forma de convivência que a Igreja legitima. Por conseguinte, há um exercício da sexualidade humana extra-conjugal que a Igreja consideraria legítimo. Porém, com isso se nega o pilar da doutrina da Igreja sobre a sexualidade. Então, alguém poderia se perguntar: e por que não se aprovam as livres convivências? E por que não as relações entre homossexuais? Não é só questão de praxis, isso diz respeito à doutrina. Inevitavelmente. Também é possível dizer que não se faz, mas que se faz. E não só. Introduz-se um costume que a longo prazo determina esta idéia no povo, não só cristão: não existe nenhum matrimônio absolutamente indissolúvel. E isso, certamente, é contrário à vontade do Senhor”.

Abaixo, segue o texto integral do último posicionamento de Caffarra sobre o matrimônio e a família: uma conferência que proferiu no último 12 março na Pontifícia Universidade da Santa Cruz [ndr: o Fratres não teve condições de traduzir o texto; se algum leitor puder fazê-lo, publicaremos de bom grado].

Mas, antes, é útil recordar outros fatos que evidenciam a crescente aproximação do Papa Francisco do grupo dos críticos de Kasper.

O Papa continua mantendo à cabeça da congregação para a Doutrina da Fé, o Cardeal Gerhard L. Müller, o mais prestigioso dos cinco purpurados do livro anti-Kasper, muito firme em advertir sobre essa “sutil heresia cristológica” que consiste em separar a doutrina da praxis pastoral, na ilusão de que se possa mudar a segunda sem minar a primeira e, portanto, abençoar as segundas núpcias mantendo firme a indissolubilidade do matrimônio:

> Introduzione ai lavori della commissione teologica internazionale, 1 dicembre 2014

Em segundo lugar, o Papa Francisco, em uma das poucas nomeações importantes que fez recentemente na cúria, colocou na chefia da Congregação para o Culto Divino o Cardeal guineano Robert Sarah, autor de um livro entrevista  “Dieu ou rien. Entretien sur la foi”, publicado na França pela editora Fayard, no qual rejeita na raiz a idéia de dar a Comunhão aos divorciados recasados, que a seu juízo é “a obsessão de certas igrejas ocidentais que querem impor soluções que qualificam de ‘teologicamente responsáveis e pastoralmente apropriadas’ e que contradizem radicalmente o ensinamento de Jesus e do magistério da Igreja”.

Dando plena razão a Müller, o Cardeal Sarah diz ainda:

“A idéia que consistiria em pôr o magistério dentro de um belo cofre, separando-o da prática pastoral, que poderia evoluir segundo as circunstâncias, modas e paixões, é uma forma de heresia, uma perigosa patologia esquizofrênica”.

E depois de ter constatado que a questão dos divorciados recasados “não é um desafio urgente para as Igrejas da África e Ásia”, declara:

“Portanto, afirmo solenemente que a Igreja da África se oporá firmemente a toda rebelião contra o ensinamento de Jesus e do magistério”.

Efetivamente, os cardeais e bispos africanos eleitos até agora como representantes no próximo sínodo pelas respectivas igrejas nacionais, situam-se todos na posição intransigente de Sarah, com única exceção para o arcebispo de Accra, Charles Palmer-Buckle, que não só declarou ser favorável à comunhão aos divorciados recasados, mas também — em hipótese — ao divórcio, graças aos poderes do Papa de “unir e dissolver” qualquer coisa sobre a terra.

> African Archbishop Lays Down “Daring” Challenge for Synod on the Family

Há de se acrescentar que nesta posição intransigente também se alinharam os bispos da Europa Oriental, com os poloneses à frente:

> Konferencji Episkopatu Polski. Komunikat

> In English

E os quatro padres sinodais eleitos pela conferência episcopal dos Estados Unidos: Joseph Kurtz, Charles Chaput, Daniel DiNardo, José H. Gómez.

O mais “moderado” dos quatro, Kurtz, tampouco deixou de enfatizar — seguindo os passos do cardeal Müller — que “é muito importante que não haja nenhuma fissura entre o modo com que rezamos e cremos e o modo como exercemos a atenção pastoral. Há uma justa preocupação de permanecermos fiéis ao verdadeiro magistério da Igreja e esta é a atitude que adotarei no sínodo”:

> On Synod, Archbishop Kurtz Calls for Unity Between Catholic Beliefs and Pastoral Practice

 

23 março, 2015

Sangue de São Januário se liquefaz durante visita de Francisco a Nápoles.

Sangue se liquefez pela última vez em presença do Papa em 1848. 

Por Catholic Herald | Tradução: Fratres in Unum.com – O sangue de São Januário [San Gennaro] se liquefez na presença de um papa no sábado, pela primeira vez desde 1848.

O sangue do santo padroeiro de Nápoles, normalmente sólido, se liquefez parcialmente após o Papa beijar a relíquia durante sua viagem de um dia à cidade do sul da Itália.

De acordo com a AFP, o Cardeal Crescenzio Sepe, de Nápoles, mostrou a ampola aos fiéis na catedral da cidade, afirmando: “O sangue se liquefez pela metade, o que mostra que São Januário ama o nosso Papa e Nápoles”.

Ao que o Papa Francisco respondeu: “O bispo acaba de anunciar que o sangue se liquefez pela metade. Podemos ver que o santo só nos ama pela metade. Devemos difundir a palavra, para que ele nos ame mais!”

O sangue se liquefez para um papa pela última vez na presença de Pio IX. O fenômeno não ocorreu quando São João Paulo II visitou Nápoles em 1979, nem quando Bento XVI visitou a cidade em 2007.

São Januário foi um bispo de Nápoles que se acredita ter sido martirizado por volta do ano 305, durante a perseguição de Diocleciano.

Seu sangue é mantido em uma ampola de vidro selada e tradicionalmente se liquefaz três vezes ao ano: em 19 de setembro, festa do santo, em 16 de dezembro e no sábado que antecede o primeiro domingo de maio.

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22 março, 2015

Foto da semana.

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A cidade não necessita de sol nem de lua para iluminar, porque a glória de Deus a ilumina, e a sua luz é o Cordeiro. (Apocalipse 21, 23)

Vi, então, um anjo de pé sobre o sol, a chamar em alta voz a todas as aves que voam pelo meio dos céus: Vinde, reuni-vos para a grande ceia de Deus, (Apocalipse 19, 17)

Imagens do eclipse solar visto de Roma, na última sexta-feira, 20. Fotos: La Repubblica.

21 março, 2015

Um bispo fala.

Comentando as palavras do Cardeal Sarah, um bispo escreve ao Fratres:

mitra1Há muitos bispos também que resistirão a esta tentativa de traição à Doutrina da Igreja. Não estamos no Sínodo, e muitos dos que lá estarão não nos representam. O que podemos agora fazer é ensinar a Doutrina verdadeira, rezar e sacrificar-se, e tentar convencer outros irmãos bispos da leviandade com que estão tentando modificar a Doutrina em favor de uma pretensa pastoral. Sempre existiu e continuará a existir um pequeno grupo de bispos fiéis, que quase nunca são ouvidos e que não tem força, por exemplo, dentro da Conferência Episcopal. Mas jamais trairemos a Santa Igreja. Rezem por nós, que, naturalmente, precisamos manter muita discrição, já que nos tempos atuais, Ciudad del Este transformou-se em um paradigma que certamente será repetido, caso alguém se sobressaia ou eleve o tom de voz, não concordando com os desmandos daqueles que deveriam ser os guardiões da autêntica fé. Estamos tentando nos articular para podermos assumir um papel de maior importância neste quadro dramático em que se encontra a Igreja hoje.

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20 março, 2015

O primeiro Jubileu da história que não celebrará Jesus.

O Ano Santo anunciado para breve será centralizado em Jesus Cristo, como os anteriores, ou no Papa Bergoglio?

Por Antonio Socci | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – O Papa e a Igreja terão que ser bem decisivos ao esclarecer o mal-entendido, porque ontem os títulos dos principais jornais, todos secularistas, mas entusiasticamente bergoglianos, eram unânimes.

Corriere della Sera: “O Jubileu do Papa Francisco”; La Repubblica: “O Ano Santo de Francisco;  La Stampa: “É o Jubileu de Francisco.”

Idéia absurda, porque com um Jubileu não se celebra um Papa, mas o Senhor. O Papa deve ser o “servo dos servos de Deus” e não pode ser colocado no lugar de Deus.

FRANCISCOMANIA

Alguns podem até dizer que foi a mídia que entendeu mal. E isso em parte é verdade, mas ninguém veio a público para desmentir esses jornais, que, da outra parte  – caso curioso – são braços de bancos poderosos, grandes corporações e financiadores, e todos fãs de carteirinha do considerado “Papa dos pobres”, o mesmo que fulmina críticas contra o capitalismo.

Por outo lado – além dos jornais seculares — até mesmo a corte papal, no sentido mais amplo, contribui no mundo católico para a transformação do papa em uma espécie de “divo”.

Tanto é assim, que o próprio Bergoglio, em uma entrevista, nos primeiros meses de seu pontificado, criticou a “franciscomania” dizendo: “Eu não gosto de interpretações ideológicas, uma certa mitologia do papa Francisco… Sigmund Freud dizia, se eu não me engano, que, em qualquer idealização existe uma agressão. Pintar o Papa como uma espécie de super-homem, uma espécie de estrela, me parece ofensivo”.

Bergoglio, portanto, já de início compreendeu que essa mania de fazer de sua pessoa uma espécie de “divo” é para ele um perigo.

Mas, ao invés de  de “descentralizar” a Igreja em relação a si próprio e centrá-la em Cristo, rapidamente mostrou alguma condescendência e, finalmente, muita satisfação.

De fato, hoje, a sua corte é uma fábrica de triunfalismo bajulatório e tanto a mídia Católica como a secular navegam pelos mares de uma “franciscomania” fanática.

Não só. Na Igreja, tal “franciscomania” está sendo imposta (também a bispos e cardeais) como o pensamento único ao qual todos têm que se conformar se não quiserem correr o risco de levar “bastonadas” e ser colocado no Index.

É aqui que nasce o problema com o Ano Santo.

Esperamos que não seja Bergoglio a querer fazer “o Jubileu do Papa Francisco.” Ele mesmo uma vez, no início de seu pontificado, convidou os fiéis a gritar “Viva Jesus” em vez de “Viva Francisco”. Mas ele fez isso apenas uma vez. Em seguida, permitiu que a “franciscomania” se espalhasse.

Hoje não tolera a diversidade de pontos de vista e de tons, concede prêmios e cátedras a quem o aplaude, pune os dissidentes e deixa que sua corte imponha uma papolatria de chumbo na Igreja.

Os jornais de ontem foram induzidos ao erro porque Bergoglio escolheu anunciar o Jubileu justamente no dia do segundo aniversário de sua eleição, quando todos os jornais tinham páginas comemorativas para ele.

Além disso, também saiu nas mesmas horas uma entrevista na qual ele diz que seu pontificado será curto (por força: ele tem 78 anos de idade) colocando-o, assim, no centro da atenção da mídia. Então, era natural, portanto, que os jornais fizessem esses títulos a respeito do Jubileu centralizando-se nele.

Será dito que esta não era a vontade de Bergoglio. Assim espero. No entanto, perguntamos: por que um Ano Santo Extraordinário em 2016?

CRISTO CANCELADO

O Jubileu – desde o primeiro, em 1300 – sempre foi realizado nas datas que se referem aos anos de nascimento e morte de Jesus Cristo. Mesmo os jubileus extraordinários (muito poucos).

O de 2016 é o primeiro Jubileu na história da Igreja que não está centralizado no evento histórico de Jesus Cristo, de sua vida terrena.

Uma vez que era necessário encontrar uma razão qualquer para justificar a convocação do Jubileu em 2016, Bergoglio decidiu que será por ocasião do 50º aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II.

Mas, que tipo de aniversário é esse? Jamais se fez um Jubileu para comemorar um Concílio. E, depois, que o Vaticano II terminou em 1965, portanto em 2016 não se comemora o 50º, mas o 51º ano da conclusão do 21° Concílio da Igreja.

É, portanto, um pretexto, aliás ideológico e até mesmo auto-referencial porque será centralizado em um fato eclesiástico ao invés de Cristo (se fôssemos considerar eventos semelhantes em toda a história da Igreja, a cada ano poderíamos convocar um Ano Santo).

O primeiro Jubileu da história que não terá como centro o acontecimento que é Cristo, terá, como protagonista indiscutível da mídia, Papa Bergoglio, o papa que, além do mais, não cumprimenta os fiéis com a tradicional expressão  “Louvado seja Jesus Cristo”, mas com um “Bom dia” e “Boa noite”, sendo, por isso, elogiado pela mídia como o “papa afável”.

Será, portanto, um ano de triunfalismo bergogliano. Mesmo a referência à “misericórdia” querida pelo Papa vai nessa direção. Escreve o “Corriere” na primeira página: “Será dedicado à misericórdia.”

Mas isso não passa de um pleonasmo, porque todos os jubileus, pela sua própria natureza, são dedicados à misericórdia.

A catedral de Siena tem uma lápide esculpida no portal que relata as palavras com que Bonifácio VIII proclamou o primeiro Jubileu da história, em 1300, e a palavra-chave é exatamente “misericórdia”.

Então, por que querem afirmar que o Jubileu de 2016 será particularmente focado sobre a misericórdia e caracteriza-se por isso?

O que se pretende é anunciar e doar – como em todos os outros Jubileus – a Misericórdia de Deus, ou pelo contrário, o que se quer é celebrar a misericórdia do Papa Bergoglio, que é considerada pela mídia como a maior de todas?

A questão é de grande atualidade visto que ao longo de 2014 Francisco tentou fazer, através do cardeal Kasper, uma revolução no acesso à comunhão pelos divorciados que voltaram a casar, justamente em nome de sua idéia de “misericórdia”.

O papa argentino foi substancialmente colocado na minoria tanto no consistório de fevereiro de 2014,  como no Sínodo sucessivo, porque a Igreja recordou-lhe que misericórdia não pode implicar no cancelamento da lei de Deus e das palavras de Cristo sobre o sacramento do matrimônio.

Todavia, no novo Sínodo de outubro próximo, teremos a partida de volta. Já há quem diga que o anúncio do Jubileu da “misericórdia” pode ser uma forma de pressão para conseguir passar no Sínodo as inovações bergoglianas.

E há quem retém que servirá, ao invés, para que Bergoglio ponha em segundo plano um Sínodo em que ele agora sabe que não será capaz de realizar a revolução prevista.

Assim, seria uma cortina de fumaça para despistar a decepção dos fãs e da mídia secularista.

As hipóteses são as mais diversas. Mas hoje o problema que se impõe e que o Jubileu amplifica é, antes de tudo, isto: a Igreja deve ser centrada em Jesus Cristo ou sobre o atual pontífice?

CULTO DA PERSONALIDADE

João Paulo I, em seus 33 dias de pontificado, foi cercado por um grande afeto dos fiéis. Mas foi um fenômeno que não é nem remotamente comparável a atual “francIscomania” planetária (principalmente secularista).

No entanto, o calor do povo cristão foi o suficiente para o Papa Luciani avisar a todos sobre os riscos de papolatria: “Eu tenho a impressão”, disse ele, “que a figura do papa é louvada em demasia. Existe o risco de se cair no culto de personalidade, que eu absolutamente não quero. O centro de tudo é Cristo, a Igreja. A Igreja não é do Papa, é de Cristo … O papa é um humilde servo de Cristo. “

O próprio Jesus, nos Evangelhos, advertiu aos apóstolos que tivessem muito cuidado com os aplausos do mundo e elogiou aqueles que desafiam o ódio do mundo e que buscam o consentimento de Deus.

Mesmo aos papas de hoje, os papas da era midiática, a escolha que se impõe é ainda mais dramática: entre o testemunho (heróico) da Verdade e a busca de consenso mundano. Ou Deus ou Mammon.

Até o Cardeal Ratzinger, por ocasião da morte do Papa Paulo VI, em 1978, disse: “Paulo VI resistiu à telecrazia e à demoscopia, os dois poderes ditatoriais do presente. E assim pôde fazer porque não tomou como parâmetro o sucesso e aprovação, mas sim a consciência, que é medida sobre a verdade e sobre a fé. “

Assim o fizeram, a ponto de deflagrarem o linchamento da mídia, também João Paulo II e Bento XVI. Até agora, Francisco tem feito exatamente o oposto.

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20 março, 2015

Despurpurado.

Cardeal Keith O'Brien, primaz da Escócia.

Ex-cardeal Keith O’Brien, antigo primaz da Escócia.

O boletim de hoje da Sala de Imprensa da Santa Sé traz um “Comunicado do Decano do Colégio Cardinalício”, no qual se informa que o Papa Francisco aceitou a renúncia aos direitos e prerrogativas do cardinalato apresentada pelo Cardeal Keith Michael Patrick O’Brien, arcebispo emérito de Saint Andrews e Edinburgh, Escócia.

Pouco antes do conclave que elegeu Jorge Mario Bergoglio ao sólio pontifício, O’Brien foi alvo de acusações de abusos sexuais e reconheceu “que algumas vezes minha conduta sexual caiu abaixo dos padrões esperados de mim como sacerdote, arcebispo e cardeal. Peço perdão àqueles que ofendi. Peço perdão também à Igreja Católica e ao povo da Escócia. Agora passarei o resto da minha vida em recolhimento. Não tomarei mais parte na vida pública da Igreja Católica na Escócia”.

O Cardeal O’Brien foi nomeado Arcebispo de St. Andrews e Edinburgh pelo Papa João Paulo II, em 1985, e era conhecido por seu progressismo.

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