22 fevereiro, 2015

Ocidentais juntam-se a milícias cristãs do Iraque para combater Estado Islâmico.

Por Jihad Watch | Tradução: Alexandre Oliveira – Fratres in Unum.com

Essas pessoas estão fazendo o que os governos do Ocidente pós-cristão não mostraram interesse em fazer: proteger os cristãos perseguidos pelo Estado Islâmico. Mas, uma vez que eles se identificam como cristãos, prepare-se para vê-los difamados e demonizados pela grande mídia e mostrados como o equivalente do Estado Islâmico: cristãos que cometem violência em nome de sua religião de um lado, e os muçulmanos que a cometem em nome de sua própria religião do outro. Que estes homens tenham ido lá para impedir atrocidades ao invés de cometê-las será algo encoberto e ignorado.

“Ocidentais se juntam a uma milícia cristã do Iraque para lutar contra Estado islâmico”, por Isabel Coles, Reuters, 15 de fevereiro de 2015:

 

 

(Reuters) – São Miguel, o arcanjo da batalha, está tatuado nas costas de um veterano do exército dos EUA, que recentemente voltou ao Iraque e se juntou a uma milícia cristã em luta contra Estado Islâmico, no que ele vê uma guerra bíblica entre o bem e o mal.

Brett, 28, carrega a mesma Bíblia de bolso desgastada de quando foi enviado ao Iraque em 2006 – uma imagem da Virgem Maria dobrada dentro de suas páginas e seus versos favoritos destacados.

‘Agora é muito diferente’, disse ele, questionado sobre até que ponto ambas experiências se comparam. ‘Aqui eu estou lutando por um povo e por uma fé, sendo que o inimigo é muito maior e mais brutal.’

Milhares de estrangeiros afluíram ao Iraque e à Síria nos últimos dois anos, principalmente para se juntarem Estado islâmico, mas um punhado de ocidentais idealistas estão igualmente se recrutando, citando a frustração de que seus governos não estão fazendo mais para combater os islamitas ultrarradicais ou para impedir a sofrimento de inocentes.

A milícia a que eles se juntaram é chamada DwekhNawsha – ou seja, ‘sacrifício de si’ no antigo idioma aramaico falado por Cristo e ainda usado por cristãos assírios, que se consideram como povos indígenas do Iraque.

Um mapa na parede no escritório do partido político assírio afiliado à DwekhNawsha marca as cidades cristãs no norte do Iraque, que se desdobram em torno da cidade de Mosul.

A maioria destas cidades agora está sob o controle do Estado Islâmico, que invadiu Mosul no verão passado e emitiu um ultimato aos cristãos: pagarem um imposto, converterem-se ao islamismo ou morrerem pela espada. A maioria fugiu.

DwekhNawsha opera ao lado das forças curdas Peshmerga para proteger aldeias cristãs na linha da frente na província de Nínive.

‘Estas são algumas das únicas cidades em Nínive, onde os sinos das igrejas ainda tocam. Em todas as outras cidades, eles se silenciaram, e isso é inaceitável’, disse Brett, que tem “O Rei de Nínive”, escrito em árabe na parte da frente de seu colete de exército…

Tim encerrou seu negócio de construção na Grã-Bretanha no ano passado, vendeu sua casa e comprou dois bilhetes de avião para o Iraque: um para si e outro para um engenheiro de software americano, com 44 anos de idade, que ele conheceu através da internet.

Os dois se encontraram no aeroporto de Dubai, voaram para a cidade curda de Suleimaniyah e pegaram um táxi para Duhok, onde chegaram na semana passada.

‘Eu estou aqui para fazer a diferença e, quem sabe, colocar um fim a estas atrocidades’, disse Tim de 38 anos, que já trabalhou no serviço de prisão. ‘Eu sou apenas um cara normal da Inglaterra realmente.’

 

22 fevereiro, 2015

Foto da semana.

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“Vejam o padre: vestido como um rei, mas humilde como um camponês”. São João Maria Vianney

Créditos da imagem: Click Vaticano

21 fevereiro, 2015

Os bispos de Francisco na perspectiva de um TL.

Artigo de Unisinos insinua um suposto descompasso entre o Núncio Apostólico no Brasil e o Papa Francisco… com o propósito de queimar o Núncio, óbvio.

Os “novos” bispos de Francisco no Brasil: mudar para que as coisas continuem as mesmas 

IHU – Analisando as 41 nomeações episcopais para o Brasil, podem significar “a continuidade do “espírito wojtyliano-ratzingeriano”: pouca preocupação pastoral-missionária de uma “Igreja acidentada” e mais a preocupação com as dimensões administrativa, disciplinar e moral típicas de uma “Igreja autorreferencial”, constata Sérgio Ricardo Coutinho, professor de História da Igreja no Instituto São Boaventura de Brasília e de “Serviço Social, Religião e Movimentos Sociais” no curso de Serviço Social do Centro Universitário IESB de Brasília.

Segundo ele, “se tomarmos as indicações do Papa Francisco aos bispos do CELAM, durante encontro realizado no último dia da Jornada Mundial da Juventude de 2013, parece que, com estas nomeações-remoções, o lugar do Bispo continua o mesmo de sempre: “à frente”, com sua “psicologia de príncipe” e fortalecendo o fenômeno do “bispo-polígamo” (termo usado pelo Papa Francisco), ou seja, vivendo na expectativa de ser esposo de “outra Igreja”. Sem dúvida que já existem alguns destes que se colocaram ou que querem se colocar “no meio” do seu povo “para mantê-lo unido e neutralizar as debandadas”, mas levará ainda algum tempo para que se coloquem também, e fundamentalmente, “atrás” “porque o próprio rebanho tem seu faro para encontrar novos caminhos”.

Eis o artigo.

No momento em que o Papa Francisco realiza um novo Consistório com a nomeação de 16 novos cardeais com direito a voto e que procura mudar e universalizar radicalmente a configuração da geopolítica eclesiástica da Cúria Romana, talvez já seria o momento de verificarmos qual é o rosto dos novos bispos nomeados, e também a configuração geopolítica eclesiástica, da Igreja no Brasil nestes quase dois anos de pontificado.

Desde maio de 2013, até o mês de janeiro deste ano, Papa Francisco fez 41 novas nomeações episcopais para o Brasil, sendo que 85% delas (36) foram de remoções (seja de uma diocese para outra, seja da condição de bispo-auxiliar ou prelado nullius para a condição de [arce]bispo titular da diocese).

Dos 17 novos bispos ordenados, 9 foram nomeados para as grandes Arquidioceses do Brasil na condição de bispos-auxiliares, atendendo, assim, aos pedidos dos arcebispos de São Paulo, Salvador, Olinda e Recife, Belém do Pará, Brasília e Goiânia. Só para a Arquidiocese de São Paulo foram nomeados 4 novos bispos-auxiliares, revelando bem a influência do cardeal D. Odilo Scherer.

Os 36 remanejados, em sua grande maioria, foram feitos bispos por Bento XVI durante o período de D. Lourenzo Baldissieri como Núncio Apostólico, e agora cardeal e secretário-geral do Sínodo dos Bispos. Talvez esteja aqui um sinal da velha e boa estratégia do mote: “plus ça change, plus c’est la même chose” (“mais que se mude, mais as coisas continuam as mesmas”). Isto pode significar a continuidade do “espírito wojtyliano-ratzingeriano”: pouca preocupação pastoral-missionária de uma “Igreja acidentada” e mais a preocupação com as dimensões administrativa, disciplinar e moral típicas de uma “Igreja autorreferencial”.

Então vejamos. Destes remanejamentos, alguns chamam atenção para uma espécie de “promoção”, ou seja, saindo de dioceses “pouco significantes” para uma (arqui)diocese de maior tradição e valor simbólico-político.

Por exemplo, as nomeações de D. Jaime Spengler, OFM para a Arquidiocese de Porto Alegre (deixando de ser bispo-auxiliar); de D. José Valmor César de Bom Jesus da Lapa (BA) para São José dos Campos (SP), ou seja, do “sertão” da Bahia para a “Via Dutra”; de D. Edmilson Amador Caetano, O. Cist. de Barretos (SP) para Guarulhos (SP), da terra do “pião-boiadeiro” para a terra do “pião-operário”; de D. Fernando José Monteiro Guimarães de Garanhuns (PE) para o Ordinariato Militar (Brasília), da “diocese” de Lula para a “diocese” dos Militares.

Além deles, também D. José Luiz Majella Delgado de Jataí (GO) para a Arquidiocese de Pouso Alegre (MG); de D.Zanoni Demettino Castro de São Mateus (ES) para coadjutor da Arquidiocese de Feira de Santana (BA); de D. João José da Costa de Iguatu (CE) para coadjutor da Arquidiocese de Aracajú (SE) e de D. José Antonio Peruzzo de Palmas-Francisco Beltrão (PR) para a Arquidiocese de Curitiba (PR).

O Regional da CNBB que mais se privilegiou das nomeações (remanejamentos) foi o Sul 1 (que corresponde ao Estado de São Paulo), maior “colégio eleitoral-episcopal” do Brasil e que sempre tem um peso importantíssimo quando das eleições para a Presidência e Comissões Pastorais da CNBB. Só para dentro deste Regional foram conduzidos 13 dos 14 nomeados (somente D. Fernando Brochini saiu de Jaboticabal e foi transferido para Itumbiara-GO).

Geograficamente, continua a concentração Centro-Sul com 26 nomeações, enquanto Norte e Nordeste tiveram 10. Depois do Sul 1, foram os Regionais Centro-Oeste (Brasília e Goiás), com 6 nomeações, e Nordeste 3 (Bahia e Sergipe), com 4 nomeações, respectivamente, que mais foram contemplados. No NE 3 há um caso de remoção, a partir de informações levantadas, feita por pressão dos fiéis diocesanos devido à suspeitas de mal comportamento moral de seu bispo.

Apesar disso, algumas destas parecem ser interessantes no sentido de fortalecer ou de manter opções pastorais importantes. Este é o caso, a nosso ver, da diocese de Chapecó (SC). A saída de D. Manoel João Francisco (atual presidente do CONIC) para Cornélio Procópio (PR) pode ajudar muito o Regional Sul 2 (Paraná), que irá acolher o 14º Intereclesial das CEBs em Londrina, no fortalecimento de uma caminhada ecumênica e de participação dos leigos nas bases dentro de uma perspectiva bergogliana (“periferias existenciais”). Por outro lado, a chegada à Chapecó de D. Odelir José Magri, vindo de Sobral (CE), pode dar continuidade e fortalecer ainda mais a caminhada já feita nos últimos anos.

O perfil pastoral dos 17 novos bispos é o seguinte:

a)  Clero: diocesano: 8; religioso: 9;

b)  Famílias Religiosas:

Opus Dei (2), Josefinos (2), Franciscanos (1), Missionários do Sagrado Coração (1), Congregação da Missão (1), Oblatos (1) e Congregação da Santa Cruz (1);

c)  Formação Teológica predominante:

Direito Canônico (5), Teologia Espiritual (3) e Dogmática (2);

d)  Atividades Pastorais predominantes antes da nomeação:

Formador/Reitor/Provincial/Diretor Espiritual (11), Párocos (9), Coordenação de Pastoral/Vigário Geral (5), Ação Social [Fazenda Esperança e Cáritas] (2) e Cúria Romana [Conselho para os Textos Legislativos] (1).

e)  Geografia: Centro-Sul: 10; Norte-Nordeste: 7.

Apesar da diversidade das famílias religiosas de cunho missionário, podendo indicar assim um princípio para uma “Igreja em saída”, o que se pode ver é a força de uma “pastoral de conservação” que tanto a Conferência e oDocumento de Aparecida alertavam para a sua superação se se queria, de fato, uma “conversão pastoral”. A formação predominantemente em Direito Canônico e Dogmática, mais a experiência burocrático-administrativa em funções diretivas, onde a “virtude da obediência” é a atitude mais praticada, são sinais evidentes de continuísmos.

Além disso, a presença de 3 bispos-auxiliares (São Paulo, Brasília e Goiânia) vinculados efetivamente (e afetivamente) com o Opus Dei (o auxiliar de Brasília, D. José Aparecido Gonçalves de Almeida fez sua Pós-graduação em Direito Canônico na Universidade Santa Cruz de Roma, dirigida pela Opus Dei) seria mais um indício desta tendência.

Por outro lado, podemos também enxergar algumas possibilidades interessantes e inovadoras para um possível “efeito Francisco”: D. Irineu Roman, josefino, nomeado bispo-auxiliar de Belém, um pároco de “periferia” e com “cheiro de ovelhas”; D. Ailton Menegussi, formado em território de CEBs de São Mateus (ES), indo para a Crateús (CE) do saudoso D. Antônio Fragoso; D. Onécimo Alberton, foi Coordenador de Pastoral, presidente da Cáritas de Criciúma (SC) e com forte sensibilidade social nomeado para a diocese de Rio do Sul (SC); e do franciscano D. João Inácio Müller nomeado para Lorena (SP), território da Canção Nova, onde estava o conservador D. Benedito Beni dos Santos.

Se tomarmos as indicações do Papa Francisco aos bispos do CELAM, durante encontro realizado no último dia daJornada Mundial da Juventude de 2013, parece que, com estas nomeações-remoções, o lugar do Bispo continua o mesmo de sempre: “à frente”, com sua “psicologia de príncipe” e fortalecendo o fenômeno do “bispo-polígamo” (termo usado pelo Papa Francisco), ou seja, vivendo na expectativa de ser esposo de “outra Igreja”. Sem dúvida que já existem alguns destes que se colocaram ou que querem se colocar “no meio” do seu povo “para mantê-lo unido e neutralizar as debandadas”, mas levará ainda algum tempo para que se coloquem também, e fundamentalmente, “atrás” “porque o próprio rebanho tem seu faro para encontrar novos caminhos”.

Não sabemos se o atual Núncio Apostólico no Brasil, D. Giovanni D’Aniello, está a par deste critério eclesiológico de Francisco.

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20 fevereiro, 2015

Nunca poderá haver oposição entre “ação pastoral e doutrina”: Cardeal Piacenza refuta Kasper.

ROMA, 18 de fevereiro de 2015 – LifeSiteNews.com | Tradução: Fratres in Unum.com – Misericórdia e verdade nunca podem estar separadas, e certamente nunca devem ser contrapostas uma a outra, enfatizou o Cardeal Mauro Piacenza em seu discurso no mês passado a uma assistência de padres na Alemanha.

5f3b328dc9e5021d16da86c25a5b8dbeUma vez que diversos líderes da Igreja fazem pressão para que haja mudanças em sua com relação à distribuição da Comunhão, o cardeal refutou a noção de que os ensinamentos morais católicos devam ser ignorados, a fim de que a Igreja dispense “misericórdia”.

O Cardeal Piacenza, que atua como chefe da Penitenciaria Apostólica, um dos três supremos tribunais da Igreja, afirmou: “Quando no cristianismo misericórdia e verdade são apresentados como antagônicas ou, ao menos, como contraditórias, isso resulta sempre em uma percepção parcial.”

“Dificilmente se pode conceber que poderia haver uma ênfase tão forte sobre a misericórdia em detrimento da verdade. Ou, seu oposto, uma forte ênfase na verdade em detrimento da misericórdia.”

O cardeal rejeitou a proposta apresentada pelo Cardeal Walter Kasper e seus seguidores no Sínodo dos Bispos, em outubro, de que é possível existir uma “oposição artificial entre doutrina e atividade pastoral.”

“No cristianismo”, disse ele, “misericórdia e verdade são co-inerentes e inseparáveis, de modo que não podem ser propriamente distinguíveis”. A misericórdia e a verdade, acrescentou, “estão unidas sem confusão e são distintas sem separação… Uma misericórdia sem verdade não é cristã e, ao mesmo tempo, verdade sem a misericórdia não é cristã”.

“A cada caso em que a atividade pastoral se contrapõe à doutrina — uma atividade pastoral que está cheia de misericórdia em oposição à doutrina repleta de uma verdade fria e impiedosa – nós nos revelamos prisioneiros de uma estrutura pré-cristã, em que a verdade e a novidade radical do Verbo encarnado [Cristo] ainda não estão suficiente e adequadamente integradas.”

Ele afirmou que essa “polarização ocorre” com “certa legitimidade”, mas ela deve ser entendida “dentro dos limites de ‘uma e outra'” sem cair de “maneira destrutiva na dicotomia ‘ou uma ou outra’, o que não é católico.”

Em seu discurso, intitulado “A misericórdia e a verdade se encontrarão”, Piacenza citou os salmos para ilustrar o verdadeiro significado da doutrina católica, dizendo: “’O Amor e a Verdade se encontrarão.’ Temos uma nova realidade, que não é feita por mãos humanas; é algo a ser almejado e intensamente esperado, mas que somente se concretizará como dom de Deus.”

Ao abordar o tema favorito do Cardeal Walter Kasper e seus seguidores da ala “progressista” da Igreja, Piacenza disse: “Devemos reconhecer o primado da consciência”, mas acrescentou que isso se deve entender no contexto do “primado da verdade”.

“Apesar da negação dramática da verdade objetiva em nossa época”, disse o cardeal, “… podemos perceber a necessidade dramática da verdade no coração de cada homem, uma necessidade irreprimível e inevitável, porque ela é colocada pelo próprio Deus no coração do ser humano, quando ele disse: ‘Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.’ … À imagem de Deus Ele o criou.”

Segundo ele, “o sacramento da confissão é aquele encontro supremo com a misericórdia oferecida por Deus ao homem e a verdade sobre o homem e sua relação com Deus, a quem ele é chamado a reconhecer.”

O Cardeal Piacenza disse que um “bom confessor guiará” o penitente para reconhecer “uma verdade objetiva que vem de fora de si mesmo, porque ela é dada e revela-se como a condição para uma experiência autêntica e objetiva da misericórdia.”

O gabinte de Piacenza é responsável pela concessão ou indeferimento de dispensas às disciplinas sacramentais da Igreja. Alguns pecados são considerados tão graves pela Igreja que não podem ser tratados ao nível local do pároco ou até mesmo do bispo, mas estão “reservados à Santa Sé”, incluindo a profanação da Sagrada Eucaristia, considerada como verdadeiramente o corpo e sangue de Cristo.

A Penitenciaria Apostólica, chamada de “tribunal da misericórdia”, é o órgão do Vaticano responsável por conceder ou negar dispensas às disciplinas sacramentais da Igreja, tal como determinar como e quando conceder a absolvição para aqueles que foram automaticamente excomungados “latae sententiae” ou por suas próprias ações. Este é o caso de pecados graves como o aborto.

Seu gabinete talvez seja o mais próximo, em um nível humano, das questões que causaram uma polêmica mundial no ano passado, em particular, a proposta de permitir que católicos divorciados e recasados ​​civilmente recebam a Sagrada Comunhão sem mudar seu modo de vida. Um católico em um estado de pecado grave ou “mortal” não pode receber a Comunhão até fazer uma confissão sacramental válida, o que implica, pelo menos, na intenção declarada de nunca mais cometer o pecado novamente.

Alguns bispos e cardeais que se opuseram à proposta do Cardeal Kasper salientaram que isso obrigaria os sacerdotes a distribuir, de maneira consciente, a Comunhão a pessoas em condição objetivamente pecaminosa, o que constituiria um ato de profanação deliberada.

A verdade cristã, disse ele, nunca é “uma vara empunhada contra o outro”, mas sim um “chamado para uma relação autêntica, que seja capaz de levar o homem à realização de si mesmo: seu relacionamento com Deus”.

19 fevereiro, 2015

Summorum Pontificum no Brasil: Santa Missa em Montes Claros, MG.

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19 fevereiro, 2015

A Igreja pede o vosso auxílio, a Igreja pede o vosso socorro: Rezemos o Santo Rosário!

Homilia proferida pelo Reverendíssimo Padre Renato Leite no dia 25 de maio de 2014*.

padre_pio_rosariogdeEu gostaria de fazer uma breve meditação aproveitando a ocasião do encerramento do mês Mariano, este mês de maio, recordando que em situações adversas como esta na qual nos encontramos, corremos, em princípio, um grave perigo do ponto de vista da fé e da nossa salvação, porque agora tudo à nossa volta conspira contra Jesus Cristo. Se cumprem aquelas palavras do Salmo 2: “Por que tumultuam as nações? Por que tramam os povos vãs conspirações? Erguem-se, juntos, os reis da terra, e os príncipes se unem para conspirar contra o Senhor e contra seu Cristo.”

De modo que os cristão agora, de modo sutil, são tentados à abdicar da fé, a abandonar os votos que fizeram no Santo Batismo, a aderir às máximas do mundo, enganados pelo número, já que a maioria vive assim. Não bastante, até mesmo muitos membros do clero, muitos pastores, também capitularam, também condescenderam e agora são contados nas fileiras daqueles que  lutam contra Cristo, no fronte dos inimigos jurados de Jesus Cristo.

No passado, em situações como essa, os sucessores de Pedro não tinham nada em que pensar e nada no que se apoiar a não ser no auxílio da Virgem Maria. Em circunstâncias bem menos graves, encontraram o auxílio poderoso da Santíssima Virgem Maria. Vocês podem verificar isso que digo nos diversos documentos Marianos, as cartas, as encíclicas dos papas, de modo particular Pio IX, Leão XIII e Pio X. Era a Ela, invariavelmente, a quem estes grandes príncipes dos apóstolos recorriam nas agruras e nas dores da Mãe Igreja, pedindo seu auxílio poderoso, porque sabiam que eram sempre atendidos, e exortavam aos demais pastores e fiéis para que fizessem o mesmo pela oração do santo rosário.

Assim sendo, a oração do rosário deve ser mais do que uma opção de piedade pessoal e privada. Ainda que, infelizmente, também o rosário tenha caído no âmbito dos gostos pessoais, ou seja, reza quem gosta, quem não gosta não reza. O rosário ficou “ad libitum”, a critério.

Constantemente ouço dizer: “Ah! Eu rezo porque gosto, me sinto bem”. Vejam onde fomos parar: As pessoas rezam o terço porque “gostam de rezar e se sentem bem”, como se esse dom celeste tivesse sido oferecido ao gosto dos homens e não como remédio às suas necessidades terminais!

Antigamente, porém, a súplica à Maria era uma das principais armas de que a Igreja dispunha diante dos graves males, como foi a heresia albigense, quando a própria Virgem inspirou o rosário ao grande São Domingos, e pelos seus efeitos maravilhosos no combate contra as heresias e contra o mundo com suas máximas que, de tempos em tempos, não quer outra coisa a não ser “sacudir dos ombros” o suave jugo de Cristo, deu aos católicos a almejada vitória.

Diante de situações humanamente perdidas como esta na qual nos encontramos, afundados até o pescoço, a Igreja não fez outra coisa a não ser se apoiar nos braços da Santíssima Virgem, se prender a Ela pela oração fervorosa do rosário, pedindo a salvação dos cristãos. Dito isso, vejo-me no dever, do qual sei que Deus vai me pedir sérias contas, de exortar-vos à oração do rosário, já que temos na Tradição da Igreja o nosso apoio e a referência para a nossa pratica da fé.

Então, se alguém me perguntasse: “Mas padre, o que vamos fazer? As coisas pioram, as defecções são incontáveis, as traições, a heresia avança, campeia por todos os lados, os flancos estão abertos e os inimigos entram, o que fazer?” O que fazer?! Empunhemos a arma do terço, do santo rosário, não mais como uma simples opção de devoção privada, mas como um penhor de vitória.

Eu gostaria de exortar a vocês, portanto, filhos, celebrando esse último domingo do mês de maio, mês tradicionalmente dedicado ao terço, à Nossa Senhora, a meditar Suas virtudes, Seus méritos, a Sua glória e a Sua materna proteção e a Sua infalível intercessão, Sua onipotente intercessão. Eu gostaria de exortar-vos a tomar com afinco esta tarefa tão simples de guardar cada dia doze, quinze minutos para recitar pelo menos uma vez o terço do rosário, seguindo a tradição abalizada daqueles que o fizeram antes de nós, devemos rezar o Santo Rosário não simplesmente por gosto, ou por que nos sentimos inspirados a fazê-lo, mas porque nos foi ordenado a fazer.

Aqui não se trata simplesmente de um grupo  afeiçoado a uma devoção, mas sim da milícia de Cristo, dos soldados de Cristo que devem se levantar e, apoiados no Santo Sacrifício da Missa, empunhando o Santo Rosário, combater as forças das trevas que operam por detrás de todos os males dos quais não fazemos outra coisa senão lamentar, como se simplesmente pelo lamentar e chorar os males fosse possível diminuí-los ou resolvê-los.

Lembremos, filhos, lembremos do tempo que nos separa das coisas que são ditas a vocês hoje nesta Santa Missa, para recordar que nossos antepassados na fé fizeram isso. E o Céu não deixou de responder às suplicas que, uma vez colocadas nas mãos da Santíssima Virgem, foram levadas diante da presença do Trono do Cordeiro. O Senhor não deixou de atender a essas súplicas chanceladas pela virtude da Virgem Maria.

Assim sendo, devemos agora dar um passo adiante; demos um passo atrás, relegando o santo rosário a uma mera questão de gosto, de piedade privada, porque quando ele foi dado pela Virgem Maria a seu servo, ao seu Apóstolo Domingos de Gusmão, não lhe foi dado para lhe afagar o gosto, mas como uma arma de combate contra uma das piores heresias que a Igreja já conheceu, que devastava a França e o resto da Europa, a heresia Albigense, Cátara, o Catarismo.

Quantas vezes a Igreja encabeçada por seus pastores, dignos pastores, exemplares pastores, elevou com o terço nas mãos, com o rosário da Virgem, as súplicas a Deus em situações humanamente perdidas, obteve a resposta e o auxílio de que necessitava. Agora não é diferente, até porque, filhos, nós não combatemos uma heresia, um problema, nós combatemos todas as heresias juntas, no seu conjunto chamado de “Modernismo”, cloaca de todas as heresias. Não é mais um erro, um desvio da fé, mas todos juntos, compilados num amálgama monstruoso, um “dragão” que se posicionou diante da Igreja para devorá-la  e ao Cristo.

Então, eu exorto a vocês a tomar com temor e tremor os vossos rosários nas mãos, a se recordarem, honrando a memória dos santos que viveram antes de nós, e que o empunharam como arma de combate, a fazer o que eles mesmos fizeram quando puderam, quando tinham a oportunidade de recitar os mistérios do santo terço com Maria, em Maria e por Maria, e com Ela, por Cristo, em Cristo e para Cristo. É o que temos, filhos, é nosso primeiro combate, é a primeira forma de demonstrarmos apreço e amor à nossa Mãe Igreja, de quem recebemos todos os bens, de modo particular aqueles que vão passar conosco desta vida para a Eternidade e que vão franquear-nos as portas do Céu.

Quando essa crise, quando esse monstro começava a tomar sua forma definitiva no ano de 1917, com a explosão da insânia marxista, comunista na Rússia, foi isso que a Virgem pediu aos pastorinhos. Nas Suas seis benditas aparições em Fátima, o tema recorrente das aparições era esse: “Rezem o Terço todos os dias.” E será que nos custa tanto, filhos? Alguém de nós caiu na tentação de imaginar que o tempo rezado, o tempo dispensado ao Terço é tempo perdido? É o tempo em que mais ganhamos depois do tempo empenhado à Missa.

Eu não tenho mais nada a dizer, peço somente à Nossa Senhora que nos ajude a transformar esses propósitos, que o Espírito de Deus suscita em nossas almas num compromisso de combate. Não apenas porque fizemos o voto de escravidão à Santíssima Virgem segundo o método de São Luís Maria de Montfort, não apenas por isso, não por causa de nossas relações pessoais com a Mãe de Jesus, mas porque a Igreja precisa urgentemente desse obséquio.

Urgentemente! Nossa Mãe Igreja grita e pede auxílio aos seus filhos, grita como a Virgem do Apocalipse no capítulo doze, grita em dores de parto, porque o dragão agora se coloca diante dela para lhe devorar o Filho, para lhe devorar a obra, o fruto do Seu ventre. Não nos façamos de rogados, eu não posso exigir que abandonem vossas famílias, que saiam em Missão, que vendam seus bens, que os dêem aos pobres, isso eu não posso fazer, mas exigir que vocês rezem o Terço nessas condições e com essa intenção, eu devo, eu posso.

A Igreja pede o vosso auxílio. A Igreja pede o vosso socorro. Não deixemos nossa Mãe em agonia, uma vez que a grande Sexta-feira Santa da Igreja chega ao seu auge, chega à hora nona. Peçamos a Nossa Boa Mãe, a Santíssima Virgem, que tão solicitamente na Idade Média deu esse auxílio diante do grave risco que toda a Igreja e toda a Cristandade corriam por causa da heresia Cátara, supliquemos à nossa Boa Mãe que nos dê aquele zelo que deu ao Seu grande apóstolo São Domingos de Gusmão, aos outros que vieram na sequência: Santo Afonso Maria de Ligório, São Luís Maria Grignion de Montfort e tantos outros que fizeram muito porque rezaram o Terço, rezaram o Rosário da Virgem, porque não se deixaram seduzir pela Serpente, porque combateram ao lado da Igreja e não contra Ela, porque não se deixaram seduzir e enganar, estavam do lado da Mulher, daquela que pisou a cabeça da Serpente com seu calcanhar.

Se queremos estar do lado da Mulher que pisou, que pisa, que pode pisar a cabeça da Serpente, rezemos o Terço, foi o que Ela pediu. Quem quiser se alistar nas milícias da Virgem comece e termine pelo Santo Terço, o resto vem depois. O que devemos fazer virá depois, o que nos será  pedido pessoalmente virá depois, mas ninguém presuma coisa alguma se antes não voltar à fidelidade ao santo terço, ao terço diário. Se antes não entender que, mais do que qualquer outra coisa, o terço foi-nos dado como um instrumento para o combate, para a batalha, para esvaziar e anular as forças das trevas, os poderes das trevas e dos seus aliados aqui no mundo. Uma vez que tenhamos essa consciência e com essa consciência empunharmos o santo terço, tenho certeza que uma nova fase da nossa vida cristã, da nossa vida católica, vai começar. Sei que posso contar com vocês.

Ao término deste dia, na minha oração, vou levar o vosso alistamento aos pés de Nossa Senhora, neste último domingo do mês de maio, vou dizer-Lhe, em meu nome e em vosso, que Ela pode contar convosco, que estamos de acordo com aquilo que aqui foi dito, que nos alistaremos para o combate. Porque a Mãe Igreja pede ajuda, a Mãe Igreja grita por auxílio. Quem a socorrerá?

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

* A transcrição acima manteve o estilo coloquial do sermão.

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19 fevereiro, 2015

Bispo de Ars retira o Santíssimo Sacramento de todas as igrejas após onda de roubos sacrílegos.

Por ACI Prensa | Tradução: Fratres in Unum.com – O bispo de Belley-Ars (França), Mons. Pascal Roland, decidiu ordenar a retirada do Santíssimo Sacramento de todas as capelas e igrejas de sua diocese após uma onda de roubos sacrílegos que ocorreram recentemente na região.

Depois de eventos relacionados “à profanação de Sacrários e roubo de cibórios” e com respaldo no Código de Direito Canônico, o prelado emitiu uma ordem, solicitando que “o Santíssimo Sacramento seja retirado dos sacrários de todas as igrejas e capelas paroquiais e seja depositado em local seguro”.

“A porta dos Sacrários permanecerá ostensivamente aberta”, continua o ordinário.

Para as necessidades de oração pública ou privada, explica o bispo da terra de São João Maria Vianney (Cura d’Ars), “o Santíssimo Sacramento poderá ser recolocado temporariamente nesses sacrários, desde que se assegure a presença suficiente de fiéis”.

Essas medidas entraram em vigor no dia 10 de fevereiro e “permanecerão até segunda ordem .”

“O Bispo espera que essas medidas excepcionais expressem toda a gravidade desses eventos e contribuam para desencorajar sua repetição”, concluiu.

Onda de furtos

Dias atrás, o Bispo de Belley-Ars revelou em seu site os últimos ataques e roubos sacrílegos ocorridos na diocese:

Em 6 de fevereiro – dia em que se comemora 250 anos da aprovação da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, aprovado pelo Papa Clemente XIII, paroquianos de Neuville-les-Dames, na circunscrição paroquial de Châtillon-sur-Chalaronne, descobriram que o sacrário da Igreja de São Mauricio havia sido quebrado e o cibório com as hóstias consagradas roubado.

Na mesma noite, os paroquianos de Ambronay perceberam também o roubo de um cibório na Igreja de Nossa Senhora. No sábado, 7 de fevereiro, em Vonnas, foi constatado que dois cibórios da Igreja de San Martín haviam sido roubados.

No domingo, 8 de fevereiro, em Jujurieux (circunscrição paroquial de Pont-d’Ain), os fiéis descobriram que um outro cibório fora roubado na Igreja de San Esteban. Nesses quatro casos, as hóstias consagradas não foram roubadas, mas abandonadas no local.

No sábado, 7 de fevereiro, o sacerdote de Montluel descobriu que o cibório e as hóstias do colegiado Notre-Dame-des-Marais haviam sido roubados.

Este roubo foi a continuação de uma série de roubos, profanações e vandalismos que vêm ocorrendo nos últimos meses nas igrejas da diocese:  roubos de objetos e de uma estátua na igreja de Seyssel, em outubro de 2014; roubo de cibório e hóstias consagradas na igreja de Saint-Jean de Niost e Sainte-julie, em outubro 2014, de Saint-Etienne-du-Bois, em novembro de 2014; e outras profanações em Saint-Maurice-de-Beynost, em 11 janeiro de 2015.

As comunidades afetadas por esses roubos e as paróquias apresentaram uma queixa junto à delegacia de polícia. Por isso, fez-se um inventário completo dos objetos dessas igrejas graças à administração conjunta do Serviço Diocesano de Arte Sacra e do Conselho Geral do departamento de l’Ain, onde a diocese de Belley-Ars está localizada.

A indicação precisa dos objetos roubados e suas fotografias foram imediatamente enviados à Polícia Nacional, para tentar bloquear o tráfico desses objetos culturais, buscá-los e vigiá-los, a fim de impedir a revenda deles.

Repúdio aos roubos sacrílegos

A Igreja Católica em l’Ain lamenta que “objetos sagrados, como cibórios ou sacrários sejam furtados ou danificados. Ela lamenta a falta de respeito dos autores que se apropriam dos cibórios, que são tão caros à comunidade paroquial e aos moradores das comunidades a que pertencem esses objetos”.

Os católicos da região “estão profundamente consternados com o furto de hóstias consagradas. Essas hóstias consagradas pelo sacerdote na Missa são o Corpo de Cristo, a presença real de Jesus. Portanto, esse roubo é uma profanação de extrema gravidade.”

“Sejam quais forem as intenções dos autores desses atos, não existe nada mais ofensivo que possa ser cometido contra Deus, contra a fé cristã e contra a comunidade católica. A Igreja convida a todos os cristãos que rezem pelo perdão e arrependimento dos que cometeram esses atos. Que essa provação seja, para todos os cristãos, ocasião de professar sua fé em Cristo, realmente presente nessas hóstias consagradas”, concluem.

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19 fevereiro, 2015

A versão de Volpi.

Estaremos atentos para noticiar o resultado final da ação, que terá agora seu curso normal no judiciário italiano.

* * *

Assunto: Esclarecimento sobre a ação civil movida contra o Comissário Apostólico e alguns comentários publicados a esse respeito

Fonte: Immacolata.com | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com

Queridos Irmãos,

Paz e Bem!

Dirijo-me a vós com espírito paterno, ciente das preocupações que podem ter suscitado em vossas almas de religiosos a difusão de notícias relacionadas à minha pessoa com o evidente objetivo de diminuir o espírito de comunhão fraterna instaurado positivamente no Instituto, e que se distingue pelo nosso esforço comum e solidário voltado para o restabelecimento do carisma original dos Franciscanos da Imaculada que o distinguiu em seu serviço à Igreja.

Por isso, peço que sigais atentamente a breve reconstrução dos acontecimentos nos quais me vi envolvido e em torno dos quais maliciosamente estão tentando montar um escândalo.

O Divino Mestre disse: “Oportet ut eveniant scandala”  e, certamente, esse princípio vale para todos nós, desde que saibamos discernir a verdade da falsidade, e saibamos tirar os fatos em que estamos envolvidos o ensinamento justo.

Por ocasião da Solenidade da Imaculada de 2013, celebrando a nossa Padroeira Celeste e Protetora, escrevi uma carta circular endereçada a todos vós, resumindo os eventos transcorridos desde a minha nomeação como Comissário Apostólico.

Em tal documento, não deixei de tratar de uma das provas mais difíceis que enfrentamos e superamos em conjunto, com o espírito franciscano e iluminados pela celeste proteção de Maria Santíssima: refiro-me à subtração da disposição ao Instituto dos bens temporais que lhe forem conferidos, necessários para o cumprimento de nossa missão.

Referindo-me às alterações introduzidas nos estatutos das duas associações, munidas de personalidade jurídica de Direito Civil, titulares da propriedade dos bens do Instituto, afirmava eu que estes bens tinham sido colocados à disposição, entre outros, de alguns membros da família do Padre Manelli.

Esta afirmação não tinha  nenhum caráter de falsidade e era fácil de se verificar.

No entanto, os irmãos e irmãs carnais do fundador, juntamente com um seu cunhado, considerando-se ofendidos pela afirmação na minha carta circular, promoveram uma ação civil contra mim, para obter a reparação do prejuízo alegadamente sofrido por eles.

Com base nas atuais normas de processo civil, cada ação pode resultar em uma sentença só depois de ter havido uma tentativa de mediação entre as partes.

Em tal sede, “pro bono Pacis” e no espírito de fraternidade do Seráfico, chegou-se no dia 12 de fevereiro a um acordo com a contraparte que, sem nada para reconhecer senão uma explicação óbvia, tinha o único objetivo de evitar a continuação do processo civil no Tribunal de Roma, com custos adicionais por conta do Instituto.

Nos termos deste acordo, eu me comprometi entre outras coisas a publicar um esclarecimento no site oficial do Instituto, concordado com a contraparte.

Eu estava prestes a pôr em prática o acordo, quando, em 15 de fevereiro, apareceu em uma publicação eletrônica, um artigo, cuja “única fonte” – de acordo com o seu editor – era um tal  “Don Camillo”, descrito como “amigo íntimo da família Manelli”.

Neste artigo, declarava textualmente o seguinte:

“Padre Volpi, depois de admitir seu crime de calúnia e mentiras, em 12 de fevereiro foi condenado…”

Era evidente a intenção do extensor, que se declarava expressamente ligado à família do padre Stefano Maria Manelli, era minar diante de todos vós, queridos Irmãos, meu prestígio e a autoridade que me foi conferida.

Não fui, de fato, condenado por qualquer crime ou submetido a qualquer processo penal, nem jamais admiti em qualquer sede, judicial ou extrajudicial, ter cometido algum crime, nem de ter manifestado calúnias ou mentiras.

Portanto, dei instruções aos meus advogados para preparar uma ação judicial por crime de difamação contra os responsáveis, e comuniquei à  família do Padre Manelli minha decisão de não cumprir o acordo assinado em 12 fevereiro de 2015, considerando que já não é válido devido ao grave descumprimento da contraparte.

Queridos Irmãos,

Sei que posso contar com a vossa “Sapientia cordis”, considerando-vos partícipes do meu sentimento, o que me leva a considerar a campanha de difamação novamente empreendida contra a minha pessoa, aproveitando-se do espírito franciscano com o qual eu tinha decidido acabar com a controvérsia com a família do Padre Manelli, como uma tentativa de minar a harmonia com a qual até agora estávamos todos animados para promover o bem do Instituto e da Igreja.

Eu convido-vos a estreitar ainda mais este laço de solidariedade que nos une com o Santo Padre e com toda a Igreja militante, bem como nos unirmos cada vez mais sob o manto protetor da Virgem, Mãe e Padroeira do Instituto dos Frades Franciscanos da Imaculada, onde nós levantamos a nossa oração comum, penhor de graças celestes, em um momento difícil da nossa história.

Abraço a todos, lembrando o lema Evangelho: “NON PREVALEBUNT”.

Vos abençoo.

Roma, 18 fev 2015

Padre Fidenzio Volpi OFMCap.

Comissário Apostólico

19 fevereiro, 2015

O papelão de Volpi.

Padre Volpi assinou um acordo no qual admite ter difamado a família do Padre Manelli, fundador dos Franciscanos da Imaculada. Agora, será que ele vai renunciar?

Por Mauro Faverzani – Corrispondenza Romana | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Difamação: desta acusação, tecnicamente, Padre Fidenzio Volpi, Comissário Apostólico imposto à Ordem dos Frades Franciscanos da Imaculada, tornou-se protagonista. A sanção se concretizou oficialmente através de um acordo acertado pelo órgão de mediação judicial do Tribunal de Roma no dia 12 de Fevereiro de 2015. Corrispondenza Romana conseguiu apossar-se das atas deste documento exclusivo e, portanto, está em condições de fornecer seus pormenores.

Pe. Fidenzio Volpi e Francisco se encontram no dia em que o seminário dos Franciscanos da Imaculada foi fechado.

Pe. Fidenzio Volpi e Francisco se encontram no dia em que o seminário dos Franciscanos da Imaculada foi fechado.

Tudo começou com declarações escritas pelo Padre Volpi em uma carta datada de 08 de dezembro de 2013: “O que é extremamente grave – estas são suas palavras – foi a transferência da disponibilidade de bens móveis e imóveis do Instituto para os fiéis leigos, conhecido filhos espirituais e familiares do fundador, Padre Stefano M. Manelli, bem como aos pais de algumas freiras”. E prosseguia: “Tais operações, gravemente ilícitas sob o ponto de vista moral e canônico, com implicações tanto no âmbito civil como criminal, foram feitas após a nomeação do Comissário Apostólico, manifestando-se, assim, a vontade de subtrair tais fundos do controle da Santa Sé”. Também ameaçava sanções: “Quem fez ou permitiu tudo isso, caiu em falta grave e, se for um religioso, é passível de sanções canônicas graves. Algo semelhante aconteceu também com as obras de apostolado: editoras, televisão… “

Com base nessas acusações, decidiu-se estabelecer e justificar o longo comissariamento, imposto às pressas. E agora essas bases se revelaram totalmente infundadas: o castelo de cartas ruiu, depois de anos de linchamento moral sofrido pelo Padre Manelli e sua Ordem.

Um primeiro encontro ocorreu no dia 11 de dezembro, diante do mediador do tribunal e foi concluído com uma referência ao dia 12 de fevereiro, às 11 horas, quando se apresentaram de um lado, os familiares do Padre Manelli e seu advogado, David Perrotta, e do outro, o próprio Pietro Volpi, cujo nome religioso é Padre Fidenzio, e seu time de advogados, Alessandra Boecklin e Edoardo Boitani.

Padre Fidenzio Volpi, no final, aderindo à mediação preliminar, “no âmbito de um processo civil pendente, por alegada difamação diante do Tribunal Ordinário de Roma, Seção Civil I” teve que confirmar, desmentindo a si mesmo e o que havia escrito naquele tempo, “o não envolvimento da ‘família’ do padre Stefano Maria Manelli, e reafirmando a absoluta idoneidade” dos mesmos “em relação a qualquer operação considerada ilegal e, portanto, contestada pelo mesmo comissário Apostólico, sobre a alegada transferência da disponibilidade dos ativos do Instituto dos Frades franciscanos da Imaculada”.

Tal pedido público de desculpas, pago pelo mesmo Padre Volpi, deverá ser publicado até 3 de Março como lançamento da AGI-Agenzia Giornalistica Italia, no site www.immacolata.com (onde permanecerá por pelo menos 3 meses consecutivos. Além disso, consta a preparação de um link apropriado na primeira página com layout similar ao de outros meios de comunicação), através de uma carta em papel timbrado do Instituto dos Frades Franciscanos da Imaculada que será enviada a todos os religiosos e religiosas com um convite para que o comunicado seja lido a cada membro de cada comunidade.

E não é só isso! Padre Volpi se comprometeu a pagar como indenização a quantia de de 20 000 €  euros até o dia 3 de Março.

Dessa história emergem algumas evidencias. É claro que o Padre Volpi só preferiu chegar a um acordo oneroso – tanto em termos econômicos como, e ainda mais, em termos de imagem -, para evitar outros  processos piores contra ele pendentes no Tribunal Civil de Roma. É óbvio que para ele chegar a tal ponto, sua finalidade foi a de evitar piores consequências para si mesmo. É evidente que apenas em virtude das admissões do Padre Volpi que os familiares de Padre Manelli, lesados em sua honra, renunciaram a processá-lo civilmente, estabelecendo assim a paz entre todos.

Agora, o que aconteceu tem consequências importantes e graves. Não só isso, como agora ficou tudo evidente, na frente de um tribunal e das pessoas que foram lesadas, tanto de um ponto de vista jurídico e humano como também na presença de Deus. É o próprio compêndio do Catecismo da Igreja Católica que afirma claramente como “o oitavo mandamento” proíbe “o juízo temerário, maledicência, difamação e calúnia, que diminuem ou destroem a boa reputação e a honra, a que todas as pessoas têm direito”, ainda mais quando se trata do fundador de uma ordem religiosa e quando da injustiça padecida derivam outros sofrimentos padecidos injustamente por sua família e por todos os membros, religiosos e leigos desta Ordem .

Esta história e, ainda mais, o seu resultado, minaram gravemente a credibilidade do Padre Volpi, e inevitavelmente enfraqueceu a sua autoridade, comprometendo seriamente o seu papel. Portanto, além e, de fato, precisamente a partir do que foi acordado entre as partes perante a justiça dos homens, que consequências implícitas poderiam haver perante a justiça de Deus? Após esta retratação pública, será que Padre Volpi terá a coerência moral e espiritual de demitir-se do papel de Comissário do Instituto Apostólico dos Frades Franciscanos da Imaculada? (Mauro Faverzani)

19 fevereiro, 2015

O heroísmo dos mártires cristãos e as misérias do Vaticano.

Que o Papa faça evacuar os 300 cristãos de Trípoli, juntamente com seu bispo, para salvá-los do massacre

Por Antonio Socci (18.02.2015) | Tradução: Fratres in Unum.com - É preciso olhar de frente aqueles 21 jovens cristãos que, na Líbia, sofreram o martírio por não renegarem Cristo, e que antes de serem degolados pelo ISIS – segundo a leitura labial que foi feita – clamaram continuamente o nome de Jesus. Como os antigos mártires.

O NOME DE JESUS

O bispo deles disse:“Aquele nome sussurrado no último instante foi como que o selo do seu martírio”. Os cristãos coptas são gente forte, temperada por quatorze séculos de perseguição islâmica. São herdeiros daquele Santo Atanásio de Alexandria que salvou a verdadeira fé católica da heresia ariana, na qual tinha caído a maior parte dos bispos. São cristãos rijos, não uns invertebrados, como nós, católicos tíbios do Ocidente.

Eis aqui a verdadeira força: não aquela de quem odeia e mata os inermes (também as crianças), e crucifica quem tem uma fé diferente, e violenta as mulheres, desfraldando a bandeira negra e escondendo o próprio rosto.

A verdadeira força é a dos inermes que aceitam até o martírio para não renegarem a própria dignidade, isto é, a sua fé, para testemunharem a maravilha do “Belo Amor”, como diz uma antiga definição do Filho de Deus.

Um grande testemunho. Estes são os verdadeiros mártires: os cristãos. Não aqueles que massacram os inocentes inertes.

E esta é a glória dos cristãos: seguir um Deus que salvou o mundo fazendo-se matar e não matando os outros, como fazem todos os déspotas, agitadores e ideólogos (ou revolucionários) deste mundo, que são aclamados nos livros de história.

A LIÇÃO

Uma grande lição para um Ocidente embriagado do “politicamente correto”, que, como o desastroso Obama, se auto-impôs nem sequer pronunciar a palavra“islã” e “muçulmanos” quando fala dos massacres destes meses, desde o Norte do Iraque até Paris e Líbia. Um Ocidente nihilista, que se envergonha de suas raízes cristãs e não perde nenhuma ocasião para as cobrir de desprezo.

É uma dolorosa lição, enfim, sobretudo para a Igreja. Para uma Igreja que não testemunha mais o fogo ardente da fé.

Para a Igreja de Bergoglio que, enquanto existem homens e mulheres que dão a vida por Cristo, define como “uma solene besteira” o anúncio cristão e o proselitismo; para aquela Igreja de Bergoglio que, enquanto os cristãos são perseguidos e massacrados em todo o mundo muçulmano, faz um ato de adoração numa Mesquita, que vai atrás da ideologia obamiana dominante, evitando cuidadosamente pronunciar a palavra “Islã”, a não ser para louvá-lo (a propósito, o seu porta-voz em Buenos Aires atacou Bento XVI por causa de seu discurso em Ratisbona, sobre o Islã).

E sobretudo para aquele Papa Bergoglio que diz que a grande emergência atual da Igreja não é a fé, mas o meio-ambiente, e, depois, a acolhida aos novos tipos de casal e a comunhão para os divorciados recasados. Parece com o filme de Benigni, onde se dizia que o verdadeiro, o grande problema de Palermo é… “o trânsito!”.

É tanto assim que logo mais teremos a encíclica bergogliana sobre a ecologia e sobre as vantagens da coleta seletiva de lixo, ao invés de termos um grito de amor a Deus, neste mundo sem fé e sem esperança. Teremos um apelo contra a erosão, ao invés da denúncia do ódio anticristão em todo o planeta (pelo resto, já sabemos que em sua missa de entronização falou sobre o meio-ambiente, assim como no discurso à Expo, ao invés de falar de Cristo).

É o Papa Bergoglio que recebe e comove os centros sociais, tipo Leoncavallo, mas não os cristãos que heroica e pacificamente lutam para testemunhar a salvação, sofrendo o desprezo e as acusações do mundo.

É Bergoglio que escolhe os novos cardeais baseado em sua própria ideologia pessoal (deixando ver que, se quiser, pode inclusive decidir nomear o bispo de Ancona para o cardinalato), ao invés de conceder a púrpura, sinal do martírio, àqueles bispos que, justo nestes dias, concreta e heroicamente, vivem com as suas comunidades ameaçadas e, verdadeiramente, arriscam a sua vida com elas.

SALVAR AQUELES CRISTÃOS

Este é o caso do bispo de Tripoli, D. Martinelli, o mesmo bispo que, em 2011, quase sozinho (apenas com o apoio de Bento XVI), gritava todos os dias contra a guerra [liderada pela OTAN, no contexto do que se chamou de “Primavera Árabe”, que culminou com a queda de Muammar al-Gaddafi], explicando que aquilo abriria a“Caixa de Pandora”, exatamente como aconteceu depois.

Uma tragédia que devemos agradecer aos “Prêmios Nobel da Paz”, Obama e Sarkozy.

Hoje, na Itália e no exterior, aqueles que aclamaram a guerra se fazem de desentendidos. Enquanto nestes dias a Líbia corre o risco de se tornar uma base do Isis, o Bispo Martinelli decidiu permanecer ali, expondo-se à morte:

“Vi tantas cabeças cortadas – conta – e pensei que eu também poderia acabar assim. E se Deus quiser que meu fim seja ter a cabeça cortada, assim será […]. Poder dar testemunho é uma coisa preciosa. Eu agradeço ao Senhor que me permite fazê-lo, também com o martírio. Não sei até onde vai dar este caminho. Se me levar à morte, isso quer dizer que Deus quis assim… E eu não saio daqui. Eu não tenho medo”.

Ele não quer abandonar a sua pequena comunidade, constituída por cerca de trezentos trabalhadores filipinos, que estão compreensivelmente aterrorizados. O bispo é o único italiano que ficou em Trípoli, com alguns religiosos e religiosas não italianos.

Até ontem, não recebeu nenhuma ligação do Papa Bergoglio, habitualmente muito pródigo com os telefonemas (ligou até para Pannella [jornalista italiano de extrema-esquerda], além de ligar diversas vezes ao seu amigo Scalfari). Talvez, graças à pressão midiática, vai lhe telefonar uma hora destas…

Todavia, mais que de palavras, precisamos de fatos.

Eu queria propor uma coisa ao Papa. O Vaticano, também com a ajuda do governo italiano, poderia pedir um auxílio humanitário, uma operação relâmpago de socorro aos cristãos que ficaram lá, com o seu bispo. São apenas trezentos e arriscam a sua vida pela fé. O Vaticano poderia hospedá-los e, depois, eles decidiriam se é o caso de voltar às Filipinas.

A coisa é possível. Por que não fazê-la? Esta é a minha oração ao Papa Bergoglio: que salve do massacre toda uma comunidade cristã e o seu pastor.

Esta seria, realmente, uma coisa digna da Santa Sé. Não esse clima de caça às bruxas e de apuração, que desde alguns dias circula no establishment Vaticano, contra aqueles “grandes cardeais” (Ratzinger) que, fiéis à Igreja, ousaram se opor a Kasper no Sínodo de outubro.

Seria absurdo que o Vaticano se dedicasse às purgas, enquanto os cristãos são martirizados no mundo.