14 abril, 2015

Papa Francisco, garoto-propaganda da “Marcha Gay” de Maringá.

Ajoelhado diante de um travesti, Francisco lavou e beijou-lhe os pés. O papado, prostrado diante do movimento gay!… O fato fala por si mesmo.

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Agora, feito “poster-boy” da Marcha LGBT de Maringá, Francisco silenciosa, mas eloquentemente, grita: “Quem sou eu para julgar?”.

Canonizado ainda em vida pela mídia internacional, o Papa argentino agora é celebrado como o “padroeiro dos gays”.

Francamente, só pode ser um castigo sobre a nossa geração! “O Senhor te afligirá com loucura, cegueira e confusão mental” (Deut. XXVIII,28).

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14 abril, 2015

A FSSPX reconhecida oficialmente na Argentina como parte da Igreja Católica.

Por Adelante la Fe | Tradução: Irmandade dos Defensores da Sagrada Cruz: Em Boletim Oficial da Republica Argentina encontramos a seguinte informação: A pedido do Arcebispo de Buenos Aires, Cardeal Poli, é concedido a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, FSSPX, fundada pelo Arcebispo Marcel Lefebvre, o estatuto de “Associação de Direito Diocesano. Sociedade de Vida Apostólica” e se reconhece “que a dita fraternidade, encontra-se credenciada com caráter de pessoa jurídica pública DENTRO DA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA, conforme a norma do Código de Direito Canônico”.

Cardeal Poli

Com toda a prudência por não ter maiores informações para avaliar com precisão o alcance exato desta noticia, além das formalidades jurídicas, não se parece temerário para interpretar este importante gesto do Cardeal Poli como um grande movimento de aproximação, talvez a ponta do iceberg, que nos permite esperar com otimismo um desenlace feliz a curto prazo a nível global.

Reproduzimos a resolução oficial:

 Resolução 25/2015

Bs. As., 17/03/2015

VISTO o Arquivo No. 9028/2015 do registro do MINISTÉRIO DE RELAÇÕES EXTERIORES E CULTO, a Lei nº 24.483 e seu Decreto Regulamentar n.º 491 de 21 de setembro de 1995, e CONSIDERANDO:

Que, conforme o Protocolo nº 084/15 datado de 23 de fevereiro de 2015, o Arcebispo de Buenos Aires, Mario Aurelio Cardeal POLI solicita que a “FRATERNIDADE DOS APÓSTOLOS DE JESUS E DE MARIA” (Fraternidade Sacerdotal São Pio X) seja tida, até encontrar um definitivo enquadramento jurídico na Igreja Universal, como uma associação de direito diocesano, conforme regulamentado pelo cânone 298 do Código de Direito Canônico, in fieri de ser uma Sociedade de Vida Apostólica, com todos os benefícios que esta lhe corresponde e dando cumprimento com todas as obrigações a que a mesma refere, assumindo também as responsabilidades que competem ao bispo diocesano.

Que tal fraternidade é credenciada com caráter de pessoa jurídica pública dentro da IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA, conforme as normas do Código de Direito Canônico.

Que segundo seus estatutos, aprovados pela autoridade eclesiástica competente, a fraternidade é uma sociedade de vida sacerdotal comum sem votos, em imitação de sociedades para as Missões Estrangeiras (conf. Capítulo I, artigo 1º, Estatutos da Fraternidade dos Apóstolos Jesus e Maria).

Que o artigo 3º, inciso f do Decreto nº 491/95 que autoriza a inscrição no Registro criado pela Lei nº 24.483, as pessoas jurídicas reconhecidas pela autoridade eclesiástica, que guardam semelhanças ou analogia com os Institutos de Vida Consagrada e sociedades de vida apostólica.

Que a instituição requerente cumpriu todas as exigências da legislação em vigor, que acompanhando os seus estatutos, decreto de ereção e memória, de acordo com as disposições da Lei nº 24.483.

Correspondendo fazer lugar a presente inscrição todas as vezes que a requerente se enquadra nas condições previstas na Regra 3, inciso f) do Decreto nº 491/95.

Que a presente medida é emitida no exercício dos poderes conferidos pelo artigo 17 do Decreto nº 491/95.

Portanto,

O SECRETÁRIO

DE CULTO

RESOLVE:

ARTIGO 1 – reconhecido como uma pessoa jurídica a “FRATERNIDADE DOS APÓSTOLOS DE JESUS E DE MARIA” (Fraternidade sacerdotal São Pio X), Associação de direito diocesano, com sede legal e domicílio especial na rua Venezuela N° 1318, CIDADE AUTÔNOMA DE BUENOS AIRES, que está registrado sob o número de trezentos e oitenta e um (381) do Registro de Institutos de Vida Consagrada.

ARTIGO 2º – outorga-se a dita entidade o caráter de entidade de bom público para todos os efeitos, que correspondam.

ARTIGO 3º – Que seja sabido que a referida pessoa jurídica se encontra beneficiada pelo tratamento previsto pelo artigo 20, da Lei do Imposto de Renda (texto encomendado em 1997).

ARTIGO 4º – Comunique-se, publique-se, transmitindo a Direção Nacional de Registro Oficial e arquive-se. – Emb. GUILLERMO R. OLIVERI, Secretário de Adoração.

[Você pode verificar esta informação, entrando no site do Boletim Oficial Argentino indicando em seu navegador a resolução 25 de 2015]

* * *

Nota do Fratres: Procurado por Vatican Insider, Dom Guido Pozzo, secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, declarou: “Fico contente que na Argentina foi possível encontrar esta solução que, sejamos precisos, não envolve a Santa Sé. Não se trata de um reconhecimento jurídico da Fraternidade São Pio X como sociedade clerical, permanecendo em aberto a questão da legitimidade do exercício do ministério sacerdotal de seus padres. Mas, certamente, é um sinal adicional de benevolência em relação a esta realidade por parte da Igreja Católica”.

Continua Pozzo: “Com sua decisão, o ordinário de Buenos Aires reconhece que os membros da Fraternidade são católicos, mesmo que ainda não estejam na plena comunhão com Roma. Nós continuamos a trabalhar para que se chegue à plena comunhão e ao enquadramento jurídico da Fraternidade na Igreja Católica”.

13 abril, 2015

Derrubadas as muralhas.

Publicada Bula que oficializa o Ano Santo da Misericórdia

Por Arquidiocese de São Paulo – O Papa Francisco presidiu, na tarde deste sábado, 11, na Basílica Vaticana, às Primeiras Vésperas do Domingo da Divina Misericórdia, por ocasião da convocação oficial do Jubileu extraordinário da Misericórdia.

A cerimônia teve início no átrio da Basílica Vaticana, diante da ”Porta Santa”, com a entrega da Bula “Misericordiae Vultus” (“O rosto da Misericórdia”) aos quatro Cardeais-Arciprestes das Basílicas papais de Roma. O Regente da Casa Pontifícia, Mons. Leonardo Sapienza, leu, na presença do Papa Francisco, alguns trechos do Documento oficial de convocação do Ano Santo extraordinário da Misericórdia.

O longo documento divide-se, a grosso modo, em três partes. Na primeira, o Papa Francisco aprofunda o conceito de misericórdia e explica o porque da escolha da data de início em 8 de dezembro, Solenidade de Maria: “para não deixar a humanidade sozinha à mercê do mal” e por coincidir com o 50º aniversário da conclusão do Concílio Vaticano II, que derrubou as muralhas, “que por muito tempo, mantiveram a Igreja fechada em uma cidadela privilegiada”. “Na prática – disse o Papa – todos somos chamados a viver de misericórdia, porque conosco, em primeiro lugar, foi usada a misericórdia”.

Na segunda parte, o Santo Padre oferece algumas sugestões práticas para celebrar o Jubileu, como realizar uma peregrinação, não julgar e não condenar, mas perdoar e doar, permanecendo afastado das fofocas e das palavras movidas por ciúmes e invejas, tornando-se “instrumentos de perdão”; abrir o coração às periferias existenciais, realizar com alegria obras de misericórdia corporal e espiritual e incrementar nas dioceses a iniciativa de oração e penitência “24 horas para o Senhor”, entre outros.

Por fim, na terceira parte, Francisco lança alguns apelos contra a criminalidade e a corrupção – dirigindo-se aos membros de grupos criminosos e aos corruptos; exorta ao diálogo inter-religioso e explica a relação entre justiça e misericórdia. A Bula se conclui com a invocação a Maria, testemunha da misericórdia de Deus.

* * *

Nota do Fratres – Selecionamos alguns trechos significativos do documento, cuja íntegra pode ser encontrada aqui:

“Escolhi a data de 8 de Dezembro, porque é cheia de significado na história recente da Igreja. Com efeito, abrirei a Porta Santa no cinquentenário da conclusão do Concílio Ecuménico Vaticano II. A Igreja sente a necessidade de manter vivo aquele acontecimento. Começava então, para ela, um percurso novo da sua história. Os Padres, reunidos no Concílio, tinham sentido forte, como um verdadeiro sopro do Espírito, a exigência de falar de Deus aos homens do seu tempo de modo mais compreensível. Derrubadas as muralhas que, por demasiado tempo, tinham encerrado a Igreja numa cidadela privilegiada, chegara o tempo de anunciar o Evangelho de maneira nova. Uma nova etapa na evangelização de sempre. Um novo compromisso para todos os cristãos de testemunharem, com mais entusiasmo e convicção, a sua fé. A Igreja sentia a responsabilidade de ser, no mundo, o sinal vivo do amor do Pai”.

“A arquitrave que suporta a vida da Igreja é a misericórdia. Toda a sua acção pastoral deveria estar envolvida pela ternura com que se dirige aos crentes; no anúncio e testemunho que oferece ao mundo, nada pode ser desprovido de misericórdia. A credibilidade da Igreja passa pela estrada do amor misericordioso e compassivo. A Igreja « vive um desejo inexaurível de oferecer misericórdia ». Talvez, demasiado tempo, nos tenhamos esquecido de apontar e viver o caminho da misericórdia…”.

“Se uma pessoa não quer incorrer no juízo de Deus, não pode tornar-se juiz do seu irmão. É que os homens, no seu juízo, limitam-se a ler a superfície, enquanto o Pai vê o íntimo. Que grande mal fazem as palavras, quando são movidas por sentimentos de ciúme e inveja! Falar mal do irmão, na sua ausência, equivale a deixá-lo mal visto, a comprometer a sua reputação e deixá-lo à mercê das murmurações. Não julgar nem condenar significa, positivamente, saber individuar o que há de bom em cada pessoa e não permitir que venha a sofrer pelo nosso juízo parcial e a nossa pretensão de saber tudo“.

Todavia, a partir do item 19, o Papa Francisco estende um convite à mudança de vida a todos os que “estão longe da graça de Deus pela sua conduta de vida” e parece retirar de alguns o “benefício do não-juízo” citado acima, nomeando certas categorias de “infelizes” em particular. Ei-los: os que pertencem a algum “grupo criminoso” e as “pessoas fautoras ou cúmplices de corrupção. Esta praga putrefacta da sociedade é um pecado grave que brada aos céus, porque mina as próprias bases da vida pessoal e social…”. Curiosamente, só grupos cuja condenação é unanimemente ratificada pela mentalidade politicamente correta.

Neste ano tão decisivo para as famílias, nenhuma menção especial aos que minam, com muito mais propriedade, “as próprias bases da vida pessoal e social” seja pelo adultério, pelo divórcio ou pelo homossexualismo.

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12 abril, 2015

Foto da semana.

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O centro da CNBB.

Imagem do 1º Fórum das Pastorais e Movimentos Sociais do regional Centro-Oeste da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizado de 20 a 22 de março, em Hidrolândia (GO).

Dois bispos, Dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília, e o presidente Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB, Dom Guilherme Werlang, estão na foto: localize-os se puder.

A imagem revela qual é o centro da atuação da CNBB: um guevarismo muito mal disfarçado de amor aos pobres.

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10 abril, 2015

Quem foi realmente Dom Helder Câmara?

Por Julio Loredo – Corrispondenza Romana | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Muito se tem falado nestes dias sobre Dom Helder Câmara, cujo processo de beatificação foi recentemente aprovado pelo Vaticano. Para o italiano médio, a figura de Mons. Helder Pessoa Câmara (1909-1999), bispo auxiliar do Rio de Janeiro e, em seguida, arcebispo metropolitano de Olinda-Recife, é quase desconhecida.

domhelderQuem foi Dom Helder?

Propaganda que beira o limite do ridículo

As únicas notícias sobre Dom Hélder Câmara que passam pelos filtros da nossa imprensa são aquelas provenientes das fábricas de propaganda local, de modo tão desequilibrado que eu não tenho medo de defini-las como beirando o limite do ridículo.

Lembro-me bem, por exemplo, da reação da imprensa na época da morte de Dom Helder, em agosto de 1999. Os meios de comunicação italianos competiam entre si em panegíricos, dando títulos altissonantes como “profeta dos pobres”, “santo das favelas”, voz  do Terceiro Mundo”, “Santo Helder das Américas” e assim por diante. Foi uma espécie de canonização pelos meios de comunicação de massa (1).

Esta mesma máquina de propaganda parece ter sido reativada com a abertura do processo de beatificação, assinado no Vaticano no último 25 de fevereiro. Algumas informações sobre o assunto, de fato, não fariam mal algum.

Militante pró-nazista

Talvez poucas pessoas saibam, mas Dom Helder Câmara começou sua vida pública como militante na direita pró-nazista.

Ele foi, de fato, hierarca da Ação Integralista Brasileira (AIB), o movimento pró-nazista fundado por Plínio Salgado. Em 1934, o então Padre Câmara passou a fazer parte do Conselho Supremo da AIB. Dois anos depois, ele se tornou o secretário pessoal de Plínio Salgado e então Secretário Nacional de AIB, participando como protagonista em comícios e passeatas paramilitares que imitavam as dos nazistas na Alemanha. Suas convicções pró-nazistas eram tão profundas, que ao ser ordenado sacerdote fez questão de vestir, sob a batina, a famigerada “camisa verde” que era o uniforme da milícia integralista.

Em 1946, o arcebispo do Rio de Janeiro queria fazê-lo seu bispo auxiliar, mas a Santa Sé recusou por causa de sua precedente militância pró-nazista. A nomeação veio apenas seis anos depois. Enquanto isso, Helder Câmara havia completado sua passagem do integralismo pró-nazista ao progressismo pró-marxista.

Quando, em 1968, o escritor brasileiro Otto Engel escreveu uma biografia de Mons. Câmara, ele recebeu ordens sumárias da Cúria de Olinda-Recife proibindo-o de publicá-la. O arcebispo não queria que seu passado pró-nazista fosse conhecido.

Da JUC para o PC. A Ação Católica Brasileira

Em 1947, Padre Câmara foi nomeado Assistente Geral da Ação Católica brasileira, que, sob sua influência, começou a deslizar para a esquerda para abraçar, em alguns casos, o marxismo-leninismo. A migração foi particularmente evidente na JUC (Juventude Universitária Católica), da qual Helder Câmara era particularmente próximo. Assim escreve Luiz Alberto Gomes de Souza, então secretário da JUC: “A ação dos militantes da JUC (…) foi convertida em um compromisso que, pouco a pouco, se revelou socialista” (2).

A revolução comunista em Cuba (no ano de 1959) foi recebida com entusiasmo pela JUC. De acordo com Haroldo Lima e Aldo Arantes, líderes da JUC, “o ressurgimento das lutas populares e o triunfo da revolução cubana em 1959 abriu a idéia de uma revolução brasileira à JUC”. O deslize para a esquerda foi muito facilitado pela cooperação da JUC com a UNE (União Nacional de Estudantes), muito próxima ao Partido Comunista. “Como resultado de sua militância no movimento estudantil – prosseguem Arantes e Lima – a JUC foi forçada a estabelecer uma agenda política mais ampla para os cristãos de hoje. Foi assim que, no Congresso de 1960, foi aprovado um documento (…) no qual se anunciava a adesão ao socialismo democrático e à idéia de uma revolução brasileira “(3).

Durante o governo de esquerda do presidente João Goulart (1961-1964), foi formada dentro da JUC uma facção radical chamada inicialmente de O Grupão, que mais tarde veio a ser transformado em Ação Popular (AP) que, em 1962, se definiu a si mesmo como socialista . No congresso de 1963, a AP aprovou seus estatutos por meio dos quais “abraçava o socialismo e propunha a socialização dos meios de produção.” Estatutos que continham, entre outras coisas, elogios à revolução soviética e um reconhecimento da  “importância decisiva do marxismo na teoria e na práxis revolucionária “(4).

O desvio, no entanto, não parou por aí. No Congresso Nacional, de 1968, a Ação Popular se proclamou marxista-leninista, mudando o nome para Ação Popular Marxista-Leninista (APML). Visto que nada mais a separava do Partido Comunista, em 1972 foi decidido que ela deveria ser dissolvida e incorporada ao Partido Comunista do Brasil. Através desta migração, muitos militantes da Ação Católica acabaram indo participar da luta armada durante aqueles  anos de chumbo no Brasil.

Contra o parecer de não poucos bispos, Mons. Helder Câmara foi um dos defensores mais entusiasmados e convictos da migração da JUC para a esquerda.

Contra Paulo VI e outras esquisitices

Em 1968, quando o Papa Paulo VI estava prestes a publicar a encíclica Humanae Vitae, Mons. Helder Câmara tomou partido abertamente contra o Pontífice, qualificando a sua doutrina sobre a contracepção como “um erro destinado a torturar os esposos e perturbar a paz de muitos lares” (6).

Em um poema que realmente provocou celeuma, o arcebispo de Olinda-Recife,  ironizava as mulheres “vítimas” da doutrina da Igreja, forçadas, segundo ele, a gerar “monstros”: “Filhos, filhos, filhos! Se a relação sexual é o que você quer, você tem de procriar! Mesmo que seu filho nasça sem órgãos, as pernas feito palitos, a cabeça grande, feio de morrer!”.

Helder Câmara também defendia o divórcio, endossando a posição das igrejas ortodoxas que “não excluem a possibilidade de um novo casamento religioso para quem foi abandonado  [pelo cônjuge].” Perguntado se isso não iria dar razão para os secularistas, ele respondeu: “Que importa se alguém cante vitória, se ele está certo?”.

O inquieto Arcebispo reivindicava também em alta voz a ordenação de mulheres. Falando a um grupo de bispos durante o Concílio Vaticano II, perguntava insistentemente: “Diga-me, por favor, se encontram algum argumento efetivamente decisivo para impedir o acesso de mulheres ao sacerdócio, ou se trata apenas de um preconceito masculino?” .

E que importa se o Concílio Vaticano II impediu depois essa possibilidade? Segundo Câmara, “temos de ir além dos textos conciliares [cuja] interpretação compete a nós.”

Mas os devaneios não terminam por aí. Em uma conferência realizada na frente dos Padres conciliares, em 1965, ele afirmava: “Eu creio que o homem criará a vida artificialmente, chegará à ressurreição dos mortos, e (…) obterá resultados milagrosos na recuperação de pacientes do sexo masculino através do enxerto de glândulas genitais de macacos”.

Defendendo União Soviética, China e Cuba

As tomadas de posições concretas  de Dom Helder Câmara em favor do comunismo (embora às vezes criticava o ateísmo) foram numerosas e consistentes.

Por exemplo, permanece tristemente notório seu discurso de 27 de Janeiro de 1969, em Nova York, durante a sexta conferência anual do Programa Católico de Cooperação Interamericana. Sua intervenção foi assim tão favorável ao comunismo internacional, que lhe valeu o epíteto de “arcebispo vermelho”, um apelido que permaneceria indissoluvelmente ligado ao seu nome.

Depois de ter reprovado duramente a política os EUA e a sua política anti-soviética, Dom Helder propôs um corte drástico nas forças armadas dos EUA, enquanto pedia à URSS para manter suas capacidades bélicas, a fim confrontar o ‘”imperialismo”. Ciente das consequências desta estratégia, ele defendeu-se de antemão: “Não me digam que esta abordagem colocaria o mundo nas mãos do comunismo!”

Do ataque contra os Estados Unidos, Helder Câmara passou a tecer o panegírico da China de Mao Tse-Tung, então repleta da  “revolução cultural”, que causou milhões de mortes. O Arcebispo Vermelho pediu formalmente a admissão da China comunista à ONU, com a consequente expulsão de Taiwan. Ele terminou seu discurso com um apelo a favor do ditador cubano Fidel Castro, que naquela época estava ativamente empenhado em promover a guerrilha sangrenta na América Latina. Ele também exigiu que Cuba fosse readmitida na  OEA (Organização dos Estados Americanos), da qual havia sido expulsa em 1962.

Esta intervenção, tão descaradamente pró-comunista e anti-ocidental, foi denunciado pelo prof. Plinio Corrêa de Oliveira no manifesto “O Arcebispo Vermelho abre as portas da América e do mundo para o comunismo”: “as declarações contidas no discurso de Dom Helder delineam uma política de rendição incondicional do mundo ao comunismo. Estamos diante de uma realidade chocante: um bispo da Igreja Católica Romana empenha o prestígio decorrente da sua dignidade como um sucessor dos Apóstolos para demolir os bastiões da defesa militar e estratégica do mundo livre de frente ao comunismo. O Comunismo, que é o inimigo mais radical, implacável, cruel e insidioso, que mais atacou a Igreja e a civilização cristã em todos os tempos “(7).

Um projeto da revolução comunista para a América Latina

Mas talvez o episódio que causou maior espanto foi o chamado “affaire Comblin”.

Em junho de 1968, um documento bomba preparado sob os auspícios de Dom Helder Câmara pelo padre belga José Comblin, professor do Instituto Teológico (seminário), em Recife, vazou para a imprensa brasileira. O documento propunha, sem véus, um plano subversivo para desmantelar o Estado e estabelecer uma “ditadura popular” de matriz comunista. Aqui estão alguns pontos:

Contra a propriedade. No documento, Comblin defende uma reforma tripla – agrícola, urbana e fiscal – partindo do pressuposto de que a propriedade privada e, portanto, o capital são intrinsicamente injustos. Qualquer uso privado do capital  deve ser proibido por lei.

Total Igualdade. O objetivo, afirma Comblin, é estabelecer a igualdade total. Cada hierarquia, tanto no plano político-social como eclesial, deve ser abolida.

A Revolução política e social. No campo político-social essa revolução igualitária propunha a destruição do Estado por mãos de “grupos de pressão” radicais, os quais uma vez tomado o poder, deverão estabelecer uma férrea “ditadura popular” para amordaçar a maioria, considerada “indolente”.

Revolução na Igreja. Para permitir que essa minoria radical governe sem obstáculos, o documento propõe a anulação virtual da autoridade dos bispos, que estariam submissos  ao poder de um órgão composto apenas por extremistas, uma espécie de “Politburo” eclesiástico.

Abolição das Forças Armadas. As Forças Armadas deveriam ser dissolvidas e suas armas distribuídas ao povo.

A censura na imprensa, rádio e TV. Enquanto o povo não tiver atingido um nível aceitável de “consciência revolucionária”, a imprensa, rádio e TV seriam estritamente controladas. As elites que discordam devem deixar o país.

Tribunais Populares. Acusando o Poder Judiciário de ser “corrompido pela burguesia”, Comblin propõe o estabelecimento de ” tribunais populares extraordinários ” para aplicar o rito sumário contra qualquer um que se oponha a este vento revolucionário.

Violência. No caso, que não fosse possível implementar este plano subversivo por meios normais, o professor do seminário de Recife considerava legítimo recorrer às armas para estabelecer, pela força militar, o regime que ele teorizou (8).

O apoio de Helder Câmara

O “Documento Comblin” no Brasil teve o efeito de uma bomba atômica. Em meio a polêmica que se seguiu, o Padre Comblin não negou a autenticidade do documento, mas disse apenas que, se tratava “só de um esboço” (sic!). Por seu lado, a Cúria de Olinda-Recife admitiu que o documento havia saído do seminário diocesano, sim, mas afirmava que “não é um documento oficial” (sic de novo!).

Interpretando a legítima  indignação do povo brasileiro, prof. Plinio Corrêa de Oliveira, então, escreveu uma carta aberta ao Mons. Helder Câmara, publicada em 25 jornais. Lemos na carta: “Estou certo de interpretar o sentimento de milhões de brasileiros pedindo a Sua Excelência que expulse do Instituto Teológico do Recife e da Arquidiocese, o agitador que tira proveito do sacerdócio para apunhalar a Igreja, e abusa da hospitalidade brasileira para pregar o comunismo, a ditadura e a violência no Brasil “.

Helder Câmara respondeu evasivamente: “Todo mundo tem o direito de discordar. Eu simplesmente ouço todas as opiniões”. Mas, ao mesmo tempo, confirmou Padre Comblin no cargo de professor do Seminário, respaldando-o com a sua autoridade episcopal. No final, o governo brasileiro revogou o visto do padre belga, que, em seguida, teve que deixar o país.

Teologia da Libertação

Mons. Helder Câmara também é lembrado como um dos paladinos da chamada “Teologia da Libertação”, condenada pelo Vaticano em 1984.

Duas declarações sintetizam essa teologia. A primeira, do compatriota de Dom Helder, Leonardo Boff: “O que propomos é o marxismo, o materialismo histórico, na teologia” (9). A segunda, do peruano Gustavo Gutiérrez, padre fundador da corrente: “aquilo que entendemos como teologia da libertação é o envolvimento no processo político revolucionário” (10). Gutiérrez até explica o sentido dessa participação: “Só indo muito além de uma sociedade dividida em classes. (…) só eliminando a propriedade privada da riqueza criada pelo trabalho humano, nós seremos capazes de estabelecer as bases para uma sociedade mais justa. É por isso que os esforços para se projetar uma nova sociedade na América Latina estão se movendo cada vez mais em direção ao socialismo “(11).

Precisamente sobre este tema recentemente foi publicado na Itália um livro pela editora Cantagalli:  “Teologia da Libertação: um salva-vidas de chumbo para os pobres” (12).

Amigo dos pobres e da liberdade?

Mas talvez a maior lorota sobre Helder Câmara é tentar apresentá-lo como um amigo dos pobres e defensor da liberdade.

O título de defensor da liberdade cai muito mal pra quem elogiou algumas das ditaduras mais sangrentas que flagelaram o século XX. Primeiramente o nazismo e depois o comunismo em todas as suas vertentes: soviética, cubana, chinesa…

Acima de tudo, todavia, o título de amigo dos pobres não corresponde exatamente a alguém que apoiou regimes que causaram uma pobreza tão espantosa a ponto de serem qualificados pelo então cardeal Joseph Ratzinger  como a “vergonha de nosso tempo” (13).

Uma análise cuidadosa da América Latina -, país por país – mostra claramente que onde foram aplicadas as políticas propostas por Dom Helder, o resultado foi um aumento significativo da pobreza e do descontentamento popular. Lá onde, ao invés, foram aplicadas políticas opostas, o resultado foi um aumento geral de bem-estar.

Um exemplo para todos: a reforma agrária, da qual Dom Helder foi o principal promotor e que, ao invés disso, mostrou-se “o pior fracasso da política pública em nosso país”, segundo palavras do insuspeito Francisco Graziano Neto, presidente do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), que é o departamento responsável pela implementação da reforma agrária no Brasil (14).

O leitor interessado em explorar o tema, com grande quantidade de dados estatísticos relevantes, pode consultar o livro mencionado acima (15).

Indro Montanelli tinha razão quando disse: “a esquerda ama tanto os pobres que toda vez que chega ao poder faz com que seu número aumente”.

1. Cfr. Julio LOREDO, L’altro volto di Dom Helder, “Tradizione Famiglia Proprietà”, novembre 1999, pp. 4-5.

2. Luiz Alberto GOMES DE SOUZA, A JUC. Os estudantes católicos e a política, Editora Vozes, Petrópolis 1984, p. 156.

3. Haroldo LIMA e Aldo ARANTES, História da Ação Popular. Da JUC ao PC do B, Editora Alfa-Omega, São Paulo 1984, p. 27-28.

4. Ibid., p. 37.

5. Si veda, per esempio, Scott MAINWARING, The Catholic Church and Politics in Brazil, 1916-1985, Stanford University Press, 1986, p. 71.

6. Cfr. Helder PESSOA CÂMARA, Obras Completas, Editora Universitária, Instituto Dom Helder Câmara, Recife, 2004. Cfr. Massimo INTROVIGNE, Una battaglia nella notte, Sugarco Edizioni, Milano 2008.

7. Plinio CORRÊA DE OLIVEIRA, O Arcebispo vermelho abre as portas da América e do mundo para o comunismo, “Catolicismo” Nº 218, febbraio 1969. È interessante confrontare – per rilevarne le numerose somiglianze – il discorso di Dom Helder con quello tenuto da Ernesto “Che” Guevara all’ONU il 12 dicembre 1964.

8. Si veda Plinio CORRÊA DE OLIVEIRA, TFP pede medidas contra padre subversivo, “Catolicismo”, Nº 211, luglio 1968.

9. Leonardo BOFF, Marxismo na Teologia, in “Jornal do Brasil”, 6 aprile 1980.

10. Gustavo GUTIÉRREZ, Praxis de libertação e fé cristã, Appendice a Id., Teologia da libertação, Editora Vozes, Petrópolis 1975, p. 267, p. 268.

11. Gustavo GUTIÉRREZ, Liberation Praxis and Christian Faith, in Lay Ministry Handbook, Diocese of Brownsville, Texas 1984, p. 22.

12. Julio LOREDO, Teologia della liberazione: un salvagente di piombo per i poveri, Cantagalli, Siena 2014.

13. SACRA CONGREGAZIONE PER LA DOTTRINA DELLA FEDE, Istruzione Libertatis Nuntius, XI, 10.

14. Francisco GRAZIANO NETO, Reforma Agraria de qualidade, in “O Estado de S. Paulo”, 17 aprile 2012.

15. Julio LOREDO, Teologia della liberazione: un salvagente di piombo per i poveri, pp. 315-338. Il libro può essere richiesto online a info@atfp.it

* * *

Em anexo ao artigo acima, divulgamos uma famosa poesia de Dom Hélder que pode ser já chamado Servo Deus. Tem já estampas para devoção privada. 

“Sonhei que o Papa enlouquecia
E ele mesmo ateava fogo
Ao Vaticano.
E à Basílica de S. Pedro…
Loucura sagrada,
Porque Deus atiçava o fogo
Que os bombeiros
Em vão
Tentavam extinguir.
O Papa, louco,
Saía pelas ruas de Roma,
Dizendo adeus aos Embaixadores,
Credenciados junto a Ele;
Jogando a tiara no Tibre;
Espalhando pelos Pobres
O dinheiro todo
Do Banco do Vaticano…
Que vergonha para os Cristãos!
Para que um Papa
Viva o Evangelho,
Temos que imaginá-lo
Em plena loucura!…”

10 abril, 2015

Summorum Pontificum no Brasil: Santa Missa em Curitiba, PR.

De bom grado divulgamos a mensagem que nos chega:

Prezados,
Salve Maria
Segue anexo informações sobre a Missa Tridentina que acontecerá no dia 12/04/2015 em Curitiba.
Se puderem divulgar em vosso ilustre site, lhes serei muito agradecido.
Um cordial Abraço

Jacyr Augusto.

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8 abril, 2015

Cardeal Raymond Leo Burke: confusão está se disseminando entre os católicos “de maneira alarmante”.

O Cardeal Raymond Burke conversou em Roma, no dia 21 de janeiro, com Jeanne Smits, correspondente em Paris do LifeSiteNews. Estamos apresentando a entrevista junto com um artigo (disponível aqui), que destaca alguns dos pontos de vista mais importantes do cardeal. Smits também publicou uma versão da entrevista em francês em seu blog.

Cardeal Raymond Burke conversa com Jeanne Smits, correspondente de Paris da LifeSiteNews, em Roma. Olivier Figueras / LifeSiteNews.

Por Jeanne Smits – Life Site News | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com

LifeSiteNews: Desde o sínodo extraordinário sobre a família, entramos em um período de incerteza e confusão a respeito de vários temas polêmicos: comunhão para casais divorciados e “recasados”, uma mudança de atitude em relação às uniões homossexuais e um aparente relaxamento de postura em relação a casais não casados. Vossa Eminência acha que essa confusão já está produzindo efeitos adversos entre os católicos?

Cardeal Burke: Sim, certamente. Eu mesmo ouço essas coisas. Ouço essa confusão tanto de católicos leigos quanto de bispos. Agora, por exemplo, as pessoas estão afirmando que a Igreja mudou a sua doutrina a respeito das relações sexuais fora do casamento no que diz respeito ao mal intrínseco dos atos homossexuais. Ou pessoas que vivem em uniões matrimoniais irregulares estão exigindo a recepção da Sagrada Comunhão, alegando que essa é a vontade do Santo Padre. E temos situações espantosas, como as declarações do bispo de Antuérpia a respeito dos atos homossexuais, que ainda não foram corrigidas. Assim, podemos perceber que essa confusão está efetivamente se disseminando de maneira alarmante.

LSN: O bispo Bonny [de Antuérpia, Bélgica, ao qual o cardeal se referiu acima] diz que a Humanae Vitae foi contestada por muitos; agora seria a vez de contestar outras coisas. Será que não estamos em uma época em que os ensinamentos da Igreja estão sendo contestados mais do que outrora?

CB: Sim, creio que sim. Atualmente, parece que as pessoas que antes não contestavam a doutrina da Igreja, porque era óbvio que a autoridade da Igreja proibia certas discussões, sentem-se muito à vontade para contestar até mesmo a lei moral natural, incluindo uma doutrina como aquela expressa na Humanae vitae, que tem sido o ensinamento constante da Igreja a respeito da contracepção.

LSN: Após a publicação da Relatio post disceptationem disseram que houve uma manipulação, que consistia em colocar no sínodo questões que realmente não tinham nada a ver com a família. O senhor poderia falar sobre como e por que aconteceu essa “manipulação”? Quem está se beneficiando dela?

CB: É claro que houve uma manipulação, porque as intervenções reais dos membros do sínodo não foram publicadas, e somente o relatório preliminar (“relatio post disceptationem”) foi disponibilizado, o qual realmente não tinha nada a ver com o que estava sendo apresentado no sínodo. E, portanto, na minha opinião, é claro que havia pessoas que, obviamente, exerceram uma forte influência sobre o processo sinodal e que estavam promovendo uma agenda que não tem nada a ver com a verdade sobre o matrimônio, conforme Nosso Senhor nos ensina, e da maneira que nos é transmitida na Igreja. Essa agenda estava relacionada à tentativa de justificar as relações sexuais extramatrimoniais e os atos sexuais entre pessoas do mesmo sexo e, de certa forma, claramente relativizar e até mesmo ofuscar a beleza da doutrina da Igreja sobre o matrimônio como união fiel, indissolúvel e procriativa entre um homem e uma mulher.

Jeanne Smits, correspondente de Paris do LifeSiteNews, e o Cardeal Raymond Burke

LSN: A quem essa agenda está beneficiando? Como fiéis católicos, estamos surpresos e preocupados com o surgimento súbito desses temas.

CB: Bem, essa agenda não pode ser benéfica para ninguém, porque ela não é verdadeira: ela não é a verdade. E, portanto, ela só está prejudicando a todos. Ela pode ser percebida como um benefício, por exemplo, para as pessoas que, por qualquer motivo, são flagradas em situações imorais. Alguns podem percebê-la como se, de alguma forma, ela os justificasse. Porém, ela não pode justificá-los, porque os próprios atos não podem ser justificados.

LSN: Em algum lugar o senhor mencionou a resistência firme a respeito desses pontos por parte de muitos padres sinodais. Será que esse não é um grande sinal de esperança? Essa resistência o surpreendeu?

CB: Não, não me surpreendeu, embora eu tenha me sentido muito grato por essa resistência, porque em dado momento quando a relatio post disceptationem foi entregue, por exemplo, quando observamos a direção que claramente estava sendo dada ao sínodo, receamos que talvez os padres sinodais não falassem claramente, mas eles o fizeram. E eles falaram com firmeza, vários deles, e agradeço a Deus por isso. Espero que esses mesmos padres sinodais – espero que muitos deles sejam nomeados para a sessão de setembro de 2015 – também sejam fortes nesse cenário.

LSN: Há ainda alguma confusão sobre o significado dos votos nos três artigos que não obtiveram maioria absoluta de dois terços. Eles foram incluídos no relatório final e nos Lineamenta. Eles efetivamente obtiveram maiorias simples de mais da metade, mas o que me chama a atenção é que os parágrafos foram redigidos de tal forma que realmente não podemos saber o que o voto significa. Será que a minha impressão está equivocada?

CB: Isso é muito confuso. Creio que já participei de cinco sínodos, e em todos eles, exceto neste, uma proposição – nesse caso, um parágrafo – que não tivesse recebido os dois terços de votos necessários era simplesmente eliminada; ela não era publicada, e não se tornava parte do documento sinodal. Nesse caso, eles insistiram em publicar o documento com todos os parágrafos, simplesmente indicando o número de votos. E, por isso, muitas pessoas consideram isso como uma indicação de que esses parágrafos são mais ou menos tão aceitáveis quanto os demais. Porém, na verdade, eles foram excluídos pelos membros do sínodo. Infelizmente, eles receberam uma maioria simples de votos, o que me preocupa muito – ou seja, que tantos padres sinodais tenham votado em favor dos textos que estavam confusos, e alguns simplesmente continham erro.

LSN: Muitas vezes, até mesmo os padres sinodais que elogiaram temas como “recasamento” de divorciados e uniões de homossexuais ou de pessoas não casadas têm reiterado que a questão não é doutrinal, mas pastoral. Qual é a sua resposta a essa afirmação?

CB: Que essa é simplesmente uma falsa distinção. Não pode haver coisa alguma que seja verdadeiramente sã do ponto de vista pastoral que não o seja do ponto de vista doutrinal. Em outras palavras: não se pode separar o amor da verdade. Ainda em outras palavras: não existe amor fora da verdade. Assim, é falsa a afirmação de que estaríamos fazendo apenas mudanças pastorais que nada têm a ver com a doutrina. Se admitirmos pessoas que estão vivendo em uniões matrimoniais irregulares à Sagrada Comunhão, então, estaremos diretamente fazendo uma declaração sobre a indissolubilidade do matrimônio, porque Nosso Senhor disse: “Aquele que repudia sua mulher e se casa com outra, comete adultério”. E a pessoa que se encontra em uma união matrimonial irregular está vivendo publicamente em estado de adultério. Se dermos a Sagrada Comunhão a essa pessoa, então, de alguma forma, estamos dizendo que isso está correto em termos doutrinais. Mas não pode ser assim.

LSN: Sendo assim, o simples fato de colocar esse tema em discussão já é um erro.

CB: Sim. Na verdade, pedi mais de uma vez que esses temas que nada têm a ver com a verdade sobre o matrimônio fossem retirados da agenda do sínodo. [Se as pessoas quiserem discutir essas questões, tudo bem, mas elas não têm nada a ver com a doutrina da Igreja sobre o matrimônio.] E o mesmo vale para a questão dos atos sexuais entre pessoas do mesmo sexo, e assim por diante.

LSN: Como católicos, sabemos que o matrimônio é vinculante para toda a vida e que ele é um “sinal” da união de Cristo com a Igreja, e também sabemos da sua profunda ligação com a Eucaristia. A “teologia do corpo” do Papa João Paulo II lançou uma luz particular sobre esse assunto, mas sua obra não foi citada nos sucessivos documentos sinodais. Qual é a sua opinião sobre essa omissão, e será que a popularização dessa obra não ofereceria respostas concretas para os problemas contemporâneos?

CB: Sim, sem dúvida. O ensinamento de São João Paulo II é tão luminoso, e ele se dedicou com tanta atenção e intenção à questão da verdade sobre a sexualidade humana e a verdade sobre o matrimônio, como vários de nós dissemos nas discussões sinodais e nos pequenos grupos de discussão. Pedimos um retorno daquele magistério do Papa João Paulo II, que é uma reflexão sobre o que a Igreja sempre ensinou e praticou. Mas, na verdade, alguns poderiam ter a impressão de que a Igreja não tinha doutrina alguma nessas áreas.

LSN: Isso é muito extraordinário …

CB: Isso é muito extraordinário. Isso é assombroso. Custei a crer no que estava vendo. Na verdade, acredito que algumas pessoas se recusam a crer que isso seja verdade, porque é um absurdo.

LSN: São João Paulo II respondeu efetivamente à ideologia de gênero antes que ela se tornasse bem conhecida.

CB: Sim, sem dúvida. Ele estava tratando de todas essas questões em um nível muito profundo e lidava com elas estritamente nos termos da lei moral natural, o que a razão nos ensina e o que a fé nos ensina, obviamente em união com a razão, mas elevando e iluminando o que a razão nos ensina sobre a sexualidade humana e sobre o matrimônio.

LSN: Os pontos de vista do Cardeal Kasper e, mais recentemente, do Bispo Bonny, de Antuérpia, e de outros prelados, incluíam a consideração de que homossexuais “fiéis”, divorciados “recasados” e casais não casados demonstram qualidades de auto-sacrifício, generosidade e dedicação que não podem ser ignoradas. Porém, através de sua escolha de estilo de vida, eles se encontram em uma condição que precisa ser percebida por estranhos como estado de pecado mortal objetivo: um estado de pecado mortal escolhido e prolongado. O senhor poderia nos recordar o ensinamento da Igreja sobre o valor e o mérito da oração e das boas ações nesse estado?

CB: Se estivermos vivendo publicamente em estado de pecado mortal, não há qualquer ato bom que possamos fazer que justifique essa situação: a pessoa continua em pecado grave. Acreditamos que Deus criou todo mundo bom, e que Deus quer a salvação de todos os homens, mas isso só pode acontecer pela conversão de vida. E assim temos que chamar à conversão as pessoas que vivem nessas situações gravemente pecaminosas. Dar a impressão de que, de alguma forma, existe algo bom a respeito de viver em estado de pecado grave é simplesmente contrário a tudo o que a Igreja sempre ensinou em todos os lugares.

LSN: Então, será que não basta quando alguém diz: “sim, é verdade que essas pessoas são amáveis, são dedicadas, elas são generosas”?

CB: É claro que não é. É como a pessoa que assassina alguém e, no entanto, é gentil com as outras pessoas …

LSN: Que cuidado pastoral verdadeiro o senhor recomendaria às pessoas nessas situações, e o que elas podem obter praticando sua fé, na medida do possível, quando elas não puderem obter absolvição ou receber a Sagrada Comunhão?

CB: Em minha própria experiência pastoral já trabalhei com pessoas que se encontram nessas situações e tentei ajudá-las, com tempo, no que diz respeito também às obrigações que por dever de justiça elas precisam cumprir, para que mudem o rumo de suas vidas. Por exemplo, no caso daquelas pessoas que estão em uniões matrimoniais inválidas, tentar ajudá-las a se separar, se for possível, ou viver como irmão e irmã em um relacionamento casto, se houver filhos e se eles forem obrigados a educá-los.

LSN: Será que no caso de casais recasados que têm seus próprios filhos e filhos de um casamento anterior, isto não cria situações muito difíceis?

CB: Claro que sim. Na verdade, estou profundamente preocupado com a discussão a respeito do processo de nulidade matrimonial: as pessoas têm a impressão de que só existe uma parte envolvida, ou seja, a pessoa que está pedindo a declaração de nulidade. O fato é que existem duas partes envolvidas, há crianças envolvidas e há todos os tipos de outros relacionamentos envolvidos em qualquer matrimônio. E, portanto, o assunto é extremamente complexo, ele nunca poderá ter algum tipo de solução fácil.

LSN: A questão da Comunhão espiritual tem sido levantada para essas pessoas que estão vivendo em matrimônios inválidos ou uniões impossíveis. Não entendo muito bem como se pode ter uma comunhão espiritual nesse tipo de estado.

CB: Essa expressão foi utilizada de maneira imprecisa. Para fazer uma comunhão espiritual é preciso ter todas as disposições necessárias para realmente receber a Sagrada Comunhão. A pessoa que faz uma comunhão espiritual encontra-se simplesmente em uma situação em que ele ou ela não tem acesso ao Sacramento, mas está totalmente disposta a receber o Sacramento, e assim a pessoa faz um ato de comunhão espiritual. Acho que aqueles que utilizavam essa expressão tinham em mente o desejo das pessoas que se encontram em situação pecaminosa de abandonarem essa situação. Então, elas rezam e pedem a ajuda de Deus para dar a volta por cima, mudar de vida e encontrar uma nova maneira de viver, de modo que possam viver em estado de graça. Poderíamos chamar isso de desejo pela Santa Comunhão, mas não se trata de uma comunhão espiritual. Não pode ser. A propósito, a natureza da comunhão espiritual foi definida no Concílio de Trento: ele deixou bem claro que ela exige todas as disposições, e isso faz sentido.

LSN: Como a Igreja pode efetivamente ajudar todas as pessoas envolvidas: cônjuges abandonados, filhos de matrimônios legítimos que são prejudicados pelo divórcio de seus pais, pessoas que estão lutando contra tendências homossexuais ou que de certa forma tenham “caído na armadilha” de uma união ilegítima? E qual deve ser a nossa atitude, a atitude dos fiéis?

CB: O que a Igreja pode fazer, e isso é o maior ato de amor por parte da Igreja, é apresentar a doutrina sobre o matrimônio, o ensinamento que resulta das próprias palavras de Cristo, a doutrina constante na tradição, para todos, como um sinal de esperança para as pessoas. E também, ajudá-las a reconhecer o pecado da situação em que se encontram e, ao mesmo tempo, exortá-las a abandonar a situação de pecado e encontrar uma maneira de viver de acordo com a verdade. E essa é a única maneira que a Igreja pode ajudar. Essa foi a minha grande esperança para o sínodo: que o sínodo defendesse perante o mundo a grande beleza do matrimônio, e essa beleza é a verdade acerca do matrimônio. Sempre digo às pessoas: a indissolubilidade não é uma maldição, ela é a grande beleza do relacionamento conjugal. É isso que confere beleza ao relacionamento entre um homem e uma mulher: a união indissolúvel, fiel e procriativa. Mas agora as pessoas praticamente começam a ter a sensação de que de alguma maneira a Igreja se envergonha do tesouro belíssimo que temos no matrimônio, como Deus criou o homem e a mulher desde o início.

LSN: Às vezes, alguns pastores parecem ter vergonha de falar sobre o pecado ou sobre castidade.

CB: Isso também foi mencionado no sínodo. Um dos padres sinodais disse: “Será que não existe mais pecado?” As pessoas têm essa impressão. E, infelizmente, desde a queda de nossos primeiros pais, há sempre a tentação de pecar, e o pecado está presente no mundo. Temos que reconhecer essa realidade, chamá-la pelo nome apropriado e tentar superá-la.

LSN: Será que não existe um apelo especial para que os pais católicos e cristãos eduquem seus filhos para a modéstia e a decência? Isso desapareceu completamente em muitos lugares.

CB: Sim, é bem verdade que sim. Parte do Evangelho da Vida é ensinar às crianças no lar e nas escolas as virtudes fundamentais que demonstram respeito pela nossa própria vida e pela vida de outras pessoas, assim como por nossos próprios corpos, ou seja, a modéstia, a pureza e a castidade, formando os jovens dessa maneira desde cedo. Mas isso também encontra-se em grande perigo, simplesmente, porque a catequese na Igreja tem sido muito fraca e, em alguns casos, confusa e errônea. Tem havido uma desintegração tão grande na vida familiar, que as crianças estão sujeitas a uma educação que as deixa despreparadas para viver a verdade sobre o matrimônio, a verdade sobre seus próprios corpos e a verdade sobre suas próprias vidas.

LSN: O que deveríamos fazer com mais urgência para evitar a desordem do divórcio e de todas as uniões inaceitáveis?

CB: Creio realmente que isso começa na família. Precisamos fortalecer as famílias, formar marido e esposa em primeiro lugar para viver a verdade do matrimônio em seu próprio lar, que então se torna não somente a fonte de salvação para eles, mas também uma luz no mundo. Um matrimônio vivido na verdade é tão atraente e tão belo que leva à conversão de outras almas. Precisamos formar as crianças dessa maneira e, especialmente em nossos dias, as crianças precisam ser educadas de maneira que possam opor-se à cultura dominante. Elas não podem, por exemplo, aceitar essa teoria de gênero que está infectando nossa sociedade; elas têm que ser criadas para rejeitar essas falsidades e viver a verdade.

LSN: Entendo que existe um vínculo entre contracepção e divórcio: 30% a 50% dos casais que praticam contracepção irão se divorciar, ao passo que menos de 5% das pessoas que não a praticam, sejam elas cristãs ou não, ou que praticam o planejamento familiar natural, irão se divorciar. O senhor concorda que uma linguagem clara e um envolvimento pastoral maior por parte da Igreja no sentido de promover a Humanae Vitae são fundamentais para lograr mais uniões estáveis?

CB: Sim, sem dúvida. E o bem-aventurado Papa Paulo VI deixou isso bem claro em sua Carta Encíclica Humanae vitae, afirmando que a prática da contracepção conduziria à desintegração da vida familiar, à perda do respeito pelas mulheres. Precisamos simplesmente refletir sobre o fato de que um casal que pratica a contracepção já não se entrega totalmente um ao outro. A contracepção já introduz um elemento de desagregação no matrimônio e se isso não for corrigido e reparado poderá facilmente levar ao divórcio.

LSN: Quanto à questão do tamanho da família e da liberdade dos pais, o senhor se preocupa de modo especial com o movimento “ecológico” mundial e a promoção internacional do planejamento familiar e do controle populacional?

CB: Sim, esses temas me preocupam bastante porque as pessoas estão sendo conduzidas a um falso modo de pensar, no sentido de que devem praticar alguma forma de controle da natalidade para que sejam administradores responsáveis do planeta. Para falar a verdade, a taxa de natalidade na maioria dos países está muito aquém do necessário para substituir a população atual. Deixando tudo isso de lado, a verdade é que se Deus chama um casal para o matrimônio, então, Ele os está chamando também para serem generosos no acolhimento do dom de uma nova vida humana. E, por isso, precisamos de muitas famílias numerosas hoje em dia, e, graças a Deus, atualmente, percebo entre alguns casais jovens uma notável generosidade no que diz respeito às crianças. Outra coisa que raramente ouço ser mencionada hoje em dia, mas que sempre era enfatizada quando eu era jovem, assim como na tradição da Igreja, é que os pais devem ser generosos em ter filhos, de modo que alguns de seus filhos possam receber um chamado ao sacerdócio ou à vida consagrada e ao serviço da Igreja. E essa generosidade dos pais certamente vai inspirar uma generosa resposta no filho que tiver uma vocação.

LSN: Muitos dirão que o matrimônio monogâmico para a vida inteira é muito bom para os católicos, mas que a “dureza de coração” dos não católicos deve permitir o divórcio e um novo casamento nas legislações civis. Por outro lado, nações cristãs têm se empenhado muito para trazer estabilidade social e dignidade ao matrimônio natural em muitos lugares do mundo. Será que a vinda de Cristo mudou a situação de todos os homens e será que é certo promover e até mesmo impor essa visão do matrimônio natural mesmo em sociedades não católicas?

CB: Creio que é preciso salientar exatamente que a doutrina de Cristo sobre o matrimônio é uma afirmação, uma confirmação, da verdade sobre o matrimônio desde o início, usando Suas próprias palavras, ou aquela verdade sobre o matrimônio inscrita no coração de cada ser humano. E assim, quando a Igreja ensina sobre o matrimônio monogâmico, fiel e duradouro, ela está ensinando a lei moral natural e está certa em insistir sobre esse tema na sociedade em geral. O Concílio Ecumênico Vaticano II referiu-se ao divórcio como uma praga em nossa sociedade, e de fato é. A Igreja tem que ser cada vez mais forte na luta contra a prática disseminada do divórcio.

LSN: O senhor acha que os estudos sobre a situação e resultados melhores das crianças que vivem em famílias monogâmicas estáveis devem desempenhar um papel maior na preparação para o casamento?

CB: Penso que sim. É preciso enfatizar a beleza do matrimônio, como ele é vivido por muitos casais hoje em dia, de maneira fiel e generosa, assim como a experiência da vida familiar pelas crianças que vivem em uma família amorosa… o que não significa que não existam desafios. Isso não significa que não existem momentos difíceis na família e no casamento, porém, com a ajuda da graça de Deus, no final das contas, a resposta é sempre de amor, de sacrifício e de aceitação de qualquer sofrimento necessário para ser fiel ao amor.

LSN: Mas a sociedade moderna não aceita o sofrimento, seja no final da vida, durante a gravidez ou no matrimônio…

CB: É claro, ela não compreende porque não entende o sentido do amor. Cristo disse: “Se alguém quiser me seguir, tome a sua cruz e siga-me”. Portanto, a essência da nossa vida é sofrer por amor: o amor de Deus e do nosso próximo.

LSN: O senhor concorda, como várias pessoas estão afirmando, que muitos matrimônios católicos hoje em dia frequentemente são inválidos devido à falta de preparação ou à ignorância acerca do sentido das promessas matrimoniais? Qual foi a sua experiência específica sobre esse tema como Prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica?

CB: Acho que não tem muito sentido fazer declarações gerais sobre o número de casamentos válidos ou inválidos. Cada matrimônio precisa ser analisado, e o fato de que talvez as pessoas não tenham sido bem catequizadas, entre outras coisas, certamente poderá enfraquecê-las para a vida matrimonial, mas isso não necessariamente constituiria uma indicação de que elas dariam um consentimento matrimonial inválido, porque a própria natureza nos ensina acerca do matrimônio. Constatamos isso na Assinatura Apostólica: sim, havia mais declarações de nulidade matrimonial, mas ao examinarmos esses casos, havia muitos em que a nulidade matrimonial não estava estabelecida, não se comprovando verdadeira.

LSN: O senhor demonstrou no livro “Remaining in the Truth of Christ” [“Permanecendo na Verdade de Cristo”] que a simplificação do processo não é a resposta.

CB: De maneira alguma, porque há situações muito complexas, e elas exigem um processo cuidadosamente articulado, a fim de chegarmos à verdade. Se não nos importarmos mais sobre a verdade, então, qualquer processo será aceitável, mas, se nos preocupamos com a verdade, então, o processo de nulidade matrimonial terá que ser um processo como o que a Igreja atualmente utiliza.

LSN: E a Igreja tem feito muita coisa pelos processos judiciais no mundo civilizado …

CB: A Igreja tem sido admirada ao longo dos anos como um espelho de justiça; sua própria maneira de administrar a justiça serviu de modelo para outras jurisdições. Já houve uma experiência na Igreja com um processo de nulidade matrimonial modificado que ocorreu nos Estados Unidos de 1971 a 1983. Esse processo teve efeitos desastrosos, e não sem razão as pessoas começaram a falar sobre “divórcio católico”. Isso é um escândalo para aqueles que trabalham com a justiça ou administram a justiça na ordem secular, porque quando eles veem que a Igreja não pratica a justiça, passam a não se importar mais com a verdade. Então, o que a lei e a justiça possivelmente significam?

LSN: Recentemente, um exorcista italiano, o padre Sante Babolin, disse que durante um exorcismo, o espírito mau que atormentava a esposa de um de seus amigos disse-lhe: “Não posso suportar que eles se amem.” Será que isso não é uma mensagem em que os casais devem meditar?

CB: Sim, sem dúvida. Não há força maior contra o mal no mundo do que o amor de um homem e de uma mulher no matrimônio. Depois da Sagrada Eucaristia, ele tem um poder além de qualquer coisa que se possa imaginar. Eu não conhecia essa história, mas não me surpreende e, certamente, é verdade que quando um casal celebra o matrimônio com toda a sua mente e coração, o demônio entrará em ação para tentar estragar o lar, porque o lar é um berço de graça, onde a graça é recebida não somente para o casal, mas para os filhos e para aqueles que conhecem a família.

LSN: Como os casais podem valorizar e proteger mais seu amor conjugal?

CB: Primeiramente, através de uma vida de oração fiel e diária, bem como através da confissão regular, pois todos nós precisamos de ajuda para vencer o pecado em nossas vidas, até mesmo pequenos pecados, pecados veniais, mas também para nos defendermos contra mais pecados graves. E, em seguida, é claro, a Eucaristia é o centro de toda a vida cristã de um modo muito especial. Ela é o centro da vida matrimonial porque é comunhão com Nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida desse amor que Ele tem pela Igreja, da qual o matrimônio é sacramento: o matrimônio é o sinal de seu amor no mundo e, portanto, na Eucaristia, o casal recebe a graça, a maioria de todos, sobretudo, para viver a aliança de amor.

LSN: O senhor acha que existe uma ligação entre a “morte do culto” – uma liturgia não adoradora e antropocêntrica – e a cultura da morte?

CB: Estou muito convencido de que quando os abusos entraram nas práticas litúrgicas da Igreja, abusos que refletem uma direção muito antropocêntrica, em outras palavras, quando o culto sagrado começou a ser apresentado como a atividade humana, em vez da ação de Deus em nosso meio, as pessoas foram levadas claramente a uma direção errada, e esses abusos têm exercido um impacto muito negativo sobre a vida de cada um e, particularmente, sobre a vida matrimonial. A beleza da vida  é percebida de uma maneira muito particular e confirmada no Sacrifício Eucarístico.

LSN: Como católicos, somos obrigados a agir em sociedade e também a agir politicamente, a termos um engajamento político. Porém, na França não existe um único partido que esteja defendendo o matrimônio completamente e que esteja defendendo a vida completamente. O que os católicos devem fazer: engajar-se em um movimento, mesmo quando sabem que esse movimento é contra os princípios inegociáveis ou será que devem tentar criar algo mais?

CB: Idealmente, os católicos devem tentar construir uma força política na sociedade que apoie totalmente a verdade e os bens inegociáveis no que diz respeito à vida humana e à família. E eles devem deixar sua própria posição muito clara, insistindo nela, com os partidos políticos existentes, para que constituam uma força para a reforma dos partidos políticos. É óbvio que não podemos participar de qualquer tipo de movimento que seja contrário à lei moral. Por outro lado, se nesse partido político ou movimento houver sinais de uma reforma, de uma adesão à lei moral, devemos apoiá-lo e incentivá-lo.

LSN: Que santos deveríamos invocar para a família hoje?

CB: Primeiramente, a Sagrada Família de Nazaré: a Virgem Maria, São José e Nosso Senhor Jesus. E, em seguida, há grandes santos casados. Podemos pensar, por exemplo, nos pais de Santa Teresinha, os Beatos Louis e Zélie Martin. Podemos pensar também em uma grande santa, como Santa Gianna Molla, aqui na Itália, em um grande santo que morreu mártir para a família, São Thomas More, que foi casado e compreendeu plenamente a vocação matrimonial. Há também o casal Luigi e Maria Beltrame Quattrocchi, que foram beatificados aqui na Itália. Pensemos também em alguém como Santa Rita de Cássia, que foi uma mãe muito dedicada: ela rezou bastante pela conversão de seu marido e também pela conversão de seus dois filhos. Esses seriam apenas alguns exemplos… existem muitos outros.

LSN: Qual é a melhor maneira de permanecermos fiéis à Igreja e ao Papa nesses tempos tão conturbados?

CB: Aderindo muito claramente a tudo que a Igreja sempre ensinou e praticou; esta é a nossa âncora. Nossa fé não reside em pessoas individuais, nossa fé está em Jesus Cristo. Só Ele é a nossa salvação; Ele está vivo para nós na Igreja através de sua doutrina, através de seus sacramentos e através da sua disciplina. Digo às pessoas – porque muitas pessoas hoje em dia se comunicam comigo e estão bastante confusas, elas estão preocupadas e aborrecidas – não, o que temos que fazer é mantermos a calma, e precisamos nos manter repletos de esperança, através de um apreço cada vez mais profundo pela verdade da nossa fé, aderindo a ela. Ela é imutável e, por fim, ela será vitoriosa. Cristo disse a São Pedro quando ele fez sua profissão de fé: “As portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja”. Sabemos que isso é verdade e, nesse ínterim, temos que sofrer pela verdade, mas temos que ter a certeza de que Nosso Senhor vai conquistar a vitória ao final.

8 abril, 2015

Francisco lava os pés de transexual, a quem, depois, é dada a Comunhão.

Por Adelante la Fe | Tradução: Fratres in Unum.com – Limitamo-nos a reproduzir o vídeo onde o próprio transexual conta a experiência. Ignoramos que conhecimento o Papa tinha da circunstância, porém, se é certo que não foram pessoas espontâneas, mas escolhidas previamente, não sabemos por quem nem com conhecimento de quem. Igualmente, parece que esta “peculiaridade” era já vox populi com caráter prévio à cerimônia. Nós simplesmente constatamos o fato. Alguém deveria esclarecê-lo, pois pode levar a escândalo. De acordo com o que se vê, o transexual não parece um caso de arrependimento, uma vez que continua se apresentando e vestindo enquanto tal, e assim age e comunga.

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7 abril, 2015

A revolução eclesiástica e cultural do cardeal Walter Kasper.

Por Mathias von Gersdorff* – ABIM

Agencia Boa ImprensaEm resposta ao artigo “O evangelho da família – O discurso diante do Consistório”, no qual o cardeal Kasper propõe um amolecimento da doutrina e da prática da Igreja quanto à recepção dos Sacramentos por divorciados recasados, apareceram dois livros importantes.

O primeiro deles, Permanecer na verdade de Cristo: Matrimônio e Comunhão na Igreja Católica, [foto acima] foi publicado por Roberto Dodaro com contribuições dos cardeais Gerhard Ludwig Müller, Carlo Caffarra, Walter Brandmüller, Raymond Leo Burke e Velasio de Paolis, além de outros teólogos.

O segundo livro intitula-se O verdadeiro Evangelho da família. A indissolubilidade do matrimônio: Justiça e Misericórdia, [foto abaixo] de autoria de Juan José Pérez-Sobra e Stephan Kampowski, professores no Instituto Pontifício João Paulo II. As duas obras se complementam e oferecem no seu conjunto um apanhado bastante completo sobre o tema.

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7 abril, 2015

Summorum Pontificum no Brasil: Santa Missa em Montes Claros, MG.

Montes Claros