maio 11, 2012

Comunicado da Casa Geral da Fraternidade São Pio X. E as cartas entre os bispos.

Bispos da Fraternidade nas exéquias de Dom Lefebvre

Bispos da Fraternidade nas exéquias de Dom Lefebvre

Apesar de nosso recesso, publicamos para documentação o comunicado da Casa Geral da Fraternidade São Pio X e as duas cartas trocadas entre os bispos sagrados por Dom Lefebvre. Fazêmo-lo apenas após elas já terem circulado web afora e o comunicado não contestar sua autenticidade.

Sobre o assunto, Dom Fellay declarou hoje à Catholic News Service: ”Há algumas discrepâncias na Fraternidade. Não posso descartar que poderia haver uma divisão”. “Creio que o passo do Santo Padre é genuíno. Não parece ser uma armadilha. Assim, temos que olhá-lo muito cuidadosamente e, se possível, seguir adiante”. “As coisas não terminaram. Precisamos de algum entendimento razoável de que a estrutura proposta e as condições são viáveis. Não vamos cometer suicídio ali, isso é muito claro”. “Pessoalmente havia desejado esperar um pouco mais para ver as coisas mais claramente, mas, novamente, parece realmente que o Santo Padre quer que aconteça agora”. “Se vemos algumas discrepância dentro da Fraternidade, definitivamente há também (divisões) na Igreja Católica”.

Comunicado da Casa Geral da Fraternidade São Pio X

Um intercâmbio de correspondência privada entre o Superior Geral da Fraternidade São Pio X e os três bispos foi difundido pela internet em 9 de maio de 2012. Tal procedimento é condenável. Quem não respeitou a confidencialidade deste correio interno pecou gravemente.

Tal publicação encorajará os causadores de divisão. A Fraternidade São Pio X convida tanto os sacerdotes como os fiéis a responder aos mesmos unicamente por meio da oração redobrada, para que somente se faça a vontade de Deus, para o bem da Igreja e a salvação das almas.

Menzingen, 11 de mio de 2012.

* * *

Carta ao Conselho Geral da FSSPX

7 de abril de 2012

Senhor Superior Geral

Senhor Primeiro Assistente

Senhor Segundo Assistente

Depois de alguns meses, como muitos dizem, o Conselho Geral da FSSPX considera seriamente as propostas romanas com vista a um acordo prático, sendo um fato que as discussões doutrinárias entre 2009 e 2011 têm provado que um acordo doutrinário é impossível com a Roma atual. Por meio desta carta, os três bispos da FSSPX que não fazem parte do Conselho Geral desejam fazer-lhes saber, com todo o respeito que convém, a unanimidade de sua oposição formal a qualquer acordo semelhante.

Claro, de ambos os lados da divisão atual entre a Igreja Conciliar e a FSSPX, muitos desejam restaurar a unidade católica. Honramos a essas pessoas, tanto de uma parte como de outra. Mas a realidade dominante, e diante da qual todos esses desejos sinceros devem ceder, é que, desde o Concílio Vaticano II, as autoridades oficiais da Igreja se afastaram da verdade católica e, hoje em dia, elas se mostram tão determinadas como sempre foram a permanecerem fieis à doutrina e à prática conciliares. As discussões romanas, o preâmbulo doutrinal e Assis III são exemplos impressionantes.

O problema colocado aos católicos pelo Concílio Vaticano II é profundo. Em uma conferência que parece ter sido como que o último testamento doutrinal de Monsenhor Lefebvre, dada aos sacerdotes de sua Fraternidade em Ecône meio ano antes de sua morte, depois de ter resumido a história do catolicismo liberal saído da Revolução Francesa, ele lembrou como os Papas sempre combateram essa tentativa de reconciliação entre a Igreja e o mundo moderno, e declarou que o combate da Fraternidade contra o Vaticano II era exatamente o mesmo combate, concluindo:

“Quanto mais se analisam os documentos do Vaticano II e sua interpretação pelas autoridades da Igreja, mais nos damos conta que não se trata de erros superficiais nem de alguns erros particulares, como o ecumenismo, a liberdade religiosa, a colegialidade, mas antes uma perversão total do espírito, de toda uma filosofia nova fundada no subjetivismo… Isso é muito sério! A perversão total!… Isto é verdadeiramente espantoso”.

Agora, o pensamento de Bento XVI é melhor em comparação ao de João Paulo II? Basta ler o estudo de um de nós sobre La Foi au Péril de la Raison [A Fé Posta em Perigo pela Razão – Mons. Tissier de Mallerais] para perceber que o pensamento do Papa atual é igualmente impregnado de subjetivismo. É toda a fantasia subjetiva do homem no lugar da realidade objetiva de Deus. É toda a religião católica submissa ao mundo moderno. Como se pode acreditar que um acordo prático possa corrigir um problema desses?

Mas, nos diriam, Bento XVI é bondoso para com a Fraternidade e sua doutrina. Por ser um subjetivista, ele pode ser bondoso, porque os liberais subjetivistas podem tolerar a própria verdade, mas não se ela se recusar a tolerar o erro. Ele [o Papa] nos aceitará no contexto de um pluralismo relativista e dialético, sob a condição de permanecermos em “plena comunhão” com a autoridade e com as outras “realidades eclesiais”. Eis por que as autoridades podem tolerar que a Fraternidade continue ensinando a doutrina católica, mas não suportarão de forma alguma que ela condene a doutrina conciliar. Aqui está o motivo por que um acordo, mesmo puramente prático, faria necessária e progressivamente calar, por parte da Fraternidade, toda crítica ao Concílio ou à nova missa. Deixando de atacar essas vitórias, que são as mais importantes da Revolução, a Fraternidade cessaria necessariamente de se opor à apostasia universal de nossa lamentável época e afundaria a si mesma. Em última análise, quem vai nos garantir que permaneceremos tal qual somos, protegendo-nos da Cúria Romana e dos Bispos? O Papa Bento XVI?

Por mais que se negue, este resvalamento é inevitável. Não se veem já na Fraternidade os sintomas dessa diminuição na confissão da Fé? Hoje em dia, infelizmente, é o contrário que seria “anormal”. Um pouco antes das consagrações de 1988, quando muitas pessoas valentes insistiam junto a Monsenhor Lefebvre para que fizesse um acordo prático com Roma que abriria um grande campo de apostolado, ele disse seu pensamento aos quatro consagrandos: “Um grande campo de apostolado pode ser, mas na ambiguidade e seguindo duas direções opostas ao mesmo tempo, o que acabaria por nos apodrecer”.

Como obedecer e continuar a pregar toda a verdade? Como fazer um acordo sem que a Fraternidade apodreça na contradição?

E quando, um ano mais tarde, Roma parecia fazer verdadeiros gestos de benevolência para com a Tradição, Monsenhor Lefebvre ainda desconfiava. Ele temia que isso não fosse nada mais que “manobras para tirar de nós o maior número possível de fiéis. Eis aqui a perspectiva pela qual parecem ceder ainda um pouco mais e ir ainda mais longe. Devemos absolutamente convencer nossa gente de que isso nada mais é do que uma manobra, que é perigoso se colocar nas mãos dos bispos conciliares e da Roma modernista. É o maior perigo que ameaça a nossa gente. Se nós lutamos há 20 anos para resistir ao erro conciliares, não foi para nos colocarmos, agora, nas mãos daqueles que professam erros”.

Conforme Mons. Lefebvre, o propósito da Fraternidade, mais do que denunciar os erros pelo seu nome, é opor-se eficaz e publicamente às autoridades romanas que os difundem. Como se poderia conciliar um acordo e uma resistência às autoridades públicas, entre as quais o Papa? E, depois de ter lutado por mais de quarenta anos, a Fraternidade deverá agora colocar-se nas mãos dos modernistas e liberais dos quais acabamos de constatar sua pertinácia?

Monsenhor, padres, prestem atenção, vocês conduzem a Fraternidade a um ponto sem retorno, a uma profunda divisão sem volta e, se vocês chegarem a um tal acordo, à poderosas forças destrutivas que Ela não irá suportar. Se até agora os bispos da Fraternidade a têm protegido é precisamente porque Mons. Lefebvre rejeitou um acordo prático. Dado que a situação não mudou substancialmente; e visto que a condição pronunciada pelo Capítulo de 2006 não se realizou (mudança de rumo por parte de Roma que permita um acordo prático), ouçam novamente a seu Fundador. Ele tinha razão há 25 anos. Ainda tem razão hoje. Em seu nome, vos conjuramos: não comprometam a Fraternidade em um acordo puramente prático.

Com as nossas mais cordiais e fraternas saudações, em Cristo e Maria,

Dom Alfonso de Galarreta

Dom Bernard Tissier de Mallerais

Dom Richard Williamson

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Carta de Dom Fellay aos outros bispos da Fraternidade São Pio X

Menzingen, 14 de abril de 2012

A NN. SS. Tissier de Mallerais, Williamson et de Galarreta.

Excelências,

A vossa carta coletiva dirigida aos membros do Conselho Geral recebeu toda a nossa atenção. Agradeço-vos por vossa solicitude e a vossa caridade.

Permiti-me, de minha parte, no mesmo intuito de caridade e de justiça de vos fazer as seguintes observações.

Em primeiro lugar, a carta menciona a gravidade da crise que agita a Igreja e analisa com precisão os erros que pululam no ambiente. Mas a descrição contém dois defeitos em relação à realidade da Igreja: falta-lhe o sobrenatural e, ao mesmo tempo, carece de realismo.

Falta-lhe, sobretudo, o sobrenatural. Lendo-a, acabamos por nos questionar seriamente se vós acreditais ainda que a Igreja visível, cuja Sé está em Roma, é a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo; uma Igreja certamente desfigurada de um modo horrível, a planta pedis usque ad vertice capitis, mas uma Igreja que, de qualquer forma, ainda tem como cabeça Nosso Senhor Jesus Cristo. Tem-se a impressão de que estais tão escandalizados que não aceitais mais o que ainda pode ser verdade. Para vós, o Papa Bento XVI é ainda Papa legítimo? Se o é, Jesus Cristo ainda pode falar por sua boca? Se o Papa expressa uma vontade legítima em relação a nós, que é boa, que não dá uma ordem contra os mandamentos de Deus, temos o direito de negligenciar, de mandar de volta esta vontade? E, caso contrário, sobre qual princípio vos embasais para agir assim? Não acreditais que, se o nosso Senhor nos comanda, também nos dará os meios para continuar o nosso trabalho? Bem, o Papa nos fez saber que a preocupação de regular a nossa situação para o bem da Igreja estava no coração de seu pontificado, e também que sabia que seria mais fácil para ele e para nós deixar a situação assim como ela está agora. Portanto, é uma vontade decidida e justa a que ele expressa.

Com a atitude que preconizais, não há mais lugar para os Gideões nem para os David, nem para todos aqueles que contam com a ajuda do Senhor. Vós nos recriminais de sermos ingênuos e de termos medo, mas é a vossa visão da Igreja que é humana demais e, também, fatalista; enxergais apenas os perigos, os complôs, as dificuldades, não enxergais mais a assistência da graça e do Espírito Santo.

Se se quer aceitar que a Providência divina conduz os assuntos dos homens, deixando a eles a liberdade, é preciso aceitar que as ações destes últimos anos em nosso favor estão sob sua orientação. Agora indicam uma linha, não completamente reta, mas claramente a favor da Tradição. Por que de repente essa linha cessaria, se fazemos de tudo para manter nossa lealdade e acompanhamos os nossos esforços com uma oração comum? O bom Deus nos abandonaria no momento mais crucial? Isso não faz muito sentido. Especialmente, não devemos procurar de impor uma nossa própria vontade qualquer, mas procuremos enxergar através dos acontecimentos o que Deus quer, estando dispostos a tudo, como Ele quiser.

Ao mesmo tempo, carece de realismo tanto no que respeita a intensidade dos erros quanto à sua amplitude.

Intensidade: na Fraternidade está-se tratando os erros do Concílio como se fossem super-heresias, torna-se como o mal absoluto, pior de tudo, da mesma forma como os liberais têm dogmatizado este concílio pastoral. O males já são dramáticos o suficiente sem que se precise exagerá-los ainda mais (cf. Roberto de Mattei, Uma história nunca contada, p. 22; Mons. Gherardini, Um discurso ainda a fazer, p.53, etc.). Não há mais qualquer distinção. E Mons. Lefebvre fez várias vezes as distinções necessárias acerca do liberal. (1) Esta falta de distinção leva um ou outro de vós a um endurecimento “absoluto”. Isto é grave, porque esta caricatura não está mais na realidade e logicamente irá resultar em verdadeiro cisma no futuro. E provavelmente esse é um dos argumentos que me leva a não mais demorar em responder às exigências de Roma.

Amplitude: de uma parte se atribuem às autoridades atuais todos os erros e todos os males que se encontram na Igreja, ignorando o fato que estas procuram, pelo menos em parte, livrar-se dos mais graves (a condenação da “hermenêutica da ruptura” denuncia erros bem reais). Por outro lado, se pretende que TODOS estejam enraizados nesta pertinácia (“todos os modernistas,” … “todos podres”). Ora, isso é manifestamente falso. Uma grande maioria foi arrastada no movimento, mas não todos.

No ponto da questão mais crucial de todos, sobre a possibilidade de sobreviver nas condições de um reconhecimento da Fraternidade por parte de Roma, nós não chegamos à mesma conclusão vossa.

Que seja registrado que NÓS NÃO TEMOS BUSCADO um acordo prático. Isso é falso. Nós não recusamos, a priori, de considerar a oferta do Papa, como vós pedistes. Para o bem comum da Fraternidade, nós preferíamos muito mais a solução atual de status quo intermediário, mas claramente Roma não tolera mais isso.

Em si, a solução proposta, da Prelatura pessoal, não é uma armadilha. O que emerge disso, acima de tudo, é que a situação apresentada em abril de 2012 é muito diferente daquela de 1988. Pretender que nada mudou é um erro histórico. Os mesmos males afligem a Igreja, as consequências são ainda mais graves e evidentes do que naquele tempo; mas, ao mesmo tempo, pode-se contatar uma mudança de atitude na Igreja, ajudada pelos gestos e atos de Bento XVI em relação à Tradição. Este novo movimento, nascido pelo menos há uma década, vai se fortalecendo. Ele alcança um bom número (ainda uma minoria) de jovens sacerdotes, de seminaristas e também um pequeno número de Bispos jovens, que se distinguem claramente de seus antecessores, que expressam sua simpatia e seu apoio, mas que são, ainda, silenciados pela linha dominante da hierarquia em favor do Vaticano II. Esta hierarquia está perdendo velocidade. Isto é objetivo e mostra que não é mais ilusório considerar um combate “intramuros”, da duração e da dificuldade de que somos conscientes. Pude constatar em Roma como o discurso sobre as glórias do Vaticano II que se via repetindo constantemente, se ainda está nos lábios de muitos, no entanto não está mais em suas cabeças. São cada vez menos as pessoas que acreditam nisso.

Esta situação concreta, com a solução canônica proposta, é bem diferente da de 1988. E, quando comparamos os argumentos que Mons. Lefebvre defendia na época, concluímos que ele não teria hesitado em aceitar o que hoje nos é proposto. Não percamos o sentido da Igreja, que era tão forte em nosso venerado fundador.

A história da Igreja mostra que a cura dos males que a afetam habitualmente ocorre gradualmente, lentamente. E quando um problema acaba, há outro que começa… oportet haereses esse. Pretender de esperar até que tudo seja resolvido para chegar ao que vós chamais de acordo prático não é realista. É muito provável que, vendo como as coisas se desenvolvem, o fim dessa crise levará ainda décadas. Mas, se recusar a trabalhar no campo porque ainda há erva daninha, que ameaça abafar, calar a erva boa, encontra curiosamente uma lição bíblica: é o próprio Nosso Senhor que nos faz compreender, com sua parábola do trabalhador, que sempre haverá, de uma forma ou de outra, ervas daninhas para arrancar e combater em Sua Igreja…

Não podeis imaginar quanto, nesses últimos meses, a vossa atitude – muito diferente para cada um de vós – foi dura para mim. Isso tem impedido o Superior Geral de vos comunicar e vos tornar partícipes destas grandes preocupações, às quais ele vos teria associado de boa vontade, se não tivesse se confrontado com uma incompreensão tão forte e apaixonada. Como teria desejado contar convosco, com vossos conselhos, para apoiar essa passagem tão delicada de nossa história. É uma grande provação, talvez a maior de toda a sua função. Nosso venerado fundador deu aos Bispos da Fraternidade uma responsabilidade e deveres precisos. Ele mostrou que o princípio que na nossa sociedade faz a unidade é o superior geral. Mas, já há algum tempo, vós tentais, cada um de forma diferente, de impor-lhe o vosso ponto de vista, até mesmo sob a forma de ameaças, inclusive publicamente. Essa dialética entre verdade/fé e autoridade é contrária ao espírito sacerdotal. Ele, pelo menos, teria esperado que vós buscásseis compreender os argumentos que o impelem a agir como agiu nos últimos anos, segundo a vontade da divina providência.

Nós rezamos por cada um de vós, para que nesse combate que está longe de terminar nos encontremos juntos, para a maior glória de Deus e por amor a nossa cara Fraternidade. Que Nosso Senhor Ressuscitado e Nossa Senhora se dignem de vos proteger e abençoar.

+ Bernard Fellay

Niklaus Pfluger

Alain-Marc Nely

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 1. “Não é porque um papa é um liberal que não existe (…). Devemos permanecer em uma linha firme, e não nos perder no curso das dificuldades que vivemos. É tentador, de fato, recorrer a soluções extremas e dizer: “Não, não, o Papa não é apenas liberal, o Papa é herético! O Papa talvez seja mais do que herético, portanto não há um Papa!”. Isso não é correto. Não é porque alguém é liberal que é necessariamente um herege e que, consequentemente, está fora da Igreja. É preciso fazer as necessárias distinções. Isto é muito importante para ficarmos em um caminho seguro, para permanecermos na Igreja. Se não, para onde iremos? Não há mais um Papa, não há mais cardeais, porque, se o Papa não fosse Papa quando nomeou os cardeais, os cardeais não poderiam nomear um Papa porque eles não são cardeais. E então? É um Anjo do céu que nos trará um Papa? É um absurdo! E não é apenas um absurdo, é perigoso! Por que então seriamos levados, talvez, a soluções que são verdadeiramente cismáticas” (Conferência em Angers, 1980). Ver também Fideliter n. 57, p.17, sobre os limites a guardar.

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maio 10, 2012

Eles proporcionam beleza, sacralidade e elevação das almas nas celebrações litúrgicas.

Com suas vozes bem treinadas e dedicação a toda prova, os cantores gregorianos são aliados eficazes na criação de uma atmosfera propícia à contemplação dos Sagrados Mistérios. Em entrevista exclusiva ao Fratres in Unum, quatro deles nos falam sobre a importância do canto gregoriano na Santa Missa.

Coral Gregoriano cantando na Vigília Pascal de 2012 na igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé. Créditos ao blogue Sentinela Católico.

Coral Gregoriano cantando na Vigília Pascal de 2012 na igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé. Créditos ao blogue Sentinela Católico.

O Dr. Pedro Paulo Lima Ribeiro é médico especializado em neuropediatria, casado, pai de um filho e residente no bairro da Tijuca, RJ. Atualmente, ele coordena os corais das missas tradicionais celebradas na igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, no Rio de Janeiro, e Nossa Senhora Aparecida, em São Gonçalo, além de cantar em diversas celebrações especiais em igrejas dos municípios do Rio de Janeiro, São Gonçalo e Niterói.

Fabiano Rollim é casado, pai de 3 filhos e atua como empresário na área de consultoria e treinamento em gerenciamento de projetos. O simpático niteroiense é presença certa aos domingos no coro da igreja dos Sagrados Corações, na Ponta da Areia, Niterói, bem como nos primeiros sábados do mês na Igreja Nossa Senhora Aparecida, em São Gonçalo, e em diversas outras ocasiões e lugares.

O Dr. Fernando Reis de Souza, 34 anos, é médico cardiologista e compõe o coral gregoriano da Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, Rio, e Nossa Senhora Aparecida, em São Gonçalo, além de atuar com os demais cantores desta entrevista em outros lugares, quando necessário.

De poucas palavras e olhar atento, João Ricardo Carlson, que também participou de nossa entrevista, reside na cidade do Rio de Janeiro e canta com os demais cantores, sobretudo no Rio de Janeiro e São Gonçalo.

Nossa admiração e apreço a esses humildes servos da liturgia.

* * *

Qual é a importância do Canto Gregoriano na Santa Missa?

Pedro Paulo – O Canto Gregoriano é o canto católico romano por excelência, isto é o Canto da Igreja Latina. Há também outros cantos litúrgicos que se desenvolveram em determinadas dioceses tais como o Canto Ambrosiano, na diocese de Milão, ainda cantado, e o Canto Hispânico ou Mozárabe, ainda em uso na Catedral de Toledo. O canto gregoriano se desenvolveu a partir da Basílica Vaticana e ganhou maior notoriedade porque Carlos Magno o difundiu por todo o Império.

O repertório do Canto Gregoriano pode ser dividido entre o Canto da Missa e Canto do Ofício Divino (Matinas, Laudes, Prima, Terça, Sexta, Noa, Vésperas e Completas).

No que tange aos cantos da Missa, podemos também dividir as peças entre aquelas que cabem ao Celebrante e ministros (diácono e subdiácono), ao coro (Schola Cantorum) e aos fiéis.

Ao celebrante cabem as entoações do Glória e Credo, as orações (Coleta e Postcommunio), já que a Secreta não é cantada, mas dita submissa voce, daí o seu nome, além da Epístola, Evangelho, Prefácio, Pater Noster e Ite Missa est.

À Schola cabem as peças do Próprio da Missa e do Ordinário. Entende-se como próprio da Missa as peças que variam a cada Missa. Ex. Introito Ad te levavi do 1° Domingo do Advento, ofertório Ave Maria do 4° Domingo do Advento, etc.

As peças do Próprio são: Intróito, Gradual, Alleluia, Ofertório e Comunhão. Nos tempos da Septuagésima, Quaresma e Paixão, canta-se o Tracto no lugar do Alleluia e no Tempo Pascal, no lugar do Gradual, canta-se um outro Alleluia. As peças do próprio dão a cada Missa uma identidade que a diferencia da Missa de outro Domingo ou Festa. Aliás, os Domingos são conhecidos pelas primeiras palavras do Intróito, ex. Domingo Gaudete (3° Advento), Laetare (4° Quaresma), Quasimodo ( Domingo “in albis”).

As peças do próprio, por sua maior dificuldade, são atribuídas à Schola.

As peças do ordinário são aquelas que não variam, a saber: as antífonas da aspersão de água benta aos Domingos (Asperges e Vidi aquam), Kyrie, Glória, Credo, Sanctus e Agnus Dei). Os fiéis em geral podem cantar estas peças alternando com os cantores.

Após estas explicações iniciais, percebemos que a música sacra é coisa muito séria e não pode ser improvisada. A música sacra, que se desenvolveu ao longo dos séculos, sempre se distinguiu da música profana. Não tem cabimento o uso de ritmos de dança na Liturgia. Também não tem sentido cantar uma peça sacra que não seja adequada ao tempo litúrgico.

Além do canto gregoriano, também foram escritas peças polifônicas, principalmente do Ordinário da Missa.

Quando ouvimos uma Missa de Palestrina, Victória ou Haydn, trata-se do Ordinário da Missa. Palestrina também musicou todos os ofertórios. Sugiro que ouçam o Ascendit Deus e Super flumina Babylonis.

Concluímos que a Santa Igreja é detentora de um patrimônio musical de valor incalculável que, em grande parte, foi inspirado no Gregoriano.

O Canto Gregoriano permite-nos realmente cantar a Missa e não cantar na Missa.

O que é necessário para formar um coral gregoriano em uma paróquia?

Pedro Paulo – Em primeiro lugar é preciso comprometer-se com a causa. Reunir pelo menos duas a três pessoas. Algum conhecimento de leitura musical é desejável, porém, não obrigatório. O mais importante é ser musical e “ter bom ouvido”. Os livros litúrgicos podem ser “baixados” na internet, entretanto ter o livro é muito importante, folheá-lo sempre para saber onde estão as peças. A internet também oferece uma gama de gravações muito Unix para o aprendizado. Aliás, cantar de ouvido não é desdouro, pois originalmente estas músicas eram aprendidas de ouvido. Só mais tarde surgiram os primeiros manuscritos. Para os que iniciam, começar pelo ordinário, pelas peças mais simples.

Uma condição importantíssima: o Padre ser católico!

É preciso fazer algum curso especializado para ingressar em um coral gregoriano?

Pedro Paulo – Não. O mais importante é ser musical. A teoria vai sendo explicada paulatinamente. Recomendo um livro, atualmente somente encontrado em sebos. Autor: Dom Eugene Cardine. Primeiro ano de Canto gregoriano e Semiologia gregoriana.

Quando e com que frequência normalmente vocês ensaiam?

Pedro Paulo – Atualmente os ensaios são na minha casa, Tijuca, todas as quartas feiras, das 19h às 21:30h.  O ideal seria numa igreja ou salão paroquial.

Na sua opinião, quais são as peças mais difíceis de serem cantadas na missa?

Pedro Paulo – De modo geral, as peças do Ordinário são mais fáceis que as do Próprio, entretanto, há Kyries e Glorias bem difíceis. Entre as peças do próprio, as mais difíceis são os cantos interlecionais, isto é Graduais, Tractos e Alleluias. Há também ofertórios bem difíceis. Os Intróitos e as Antífonas da Comunhão são mais simples.

Na minha opinião, uma das peças mais difíceis é o Responsório Collegerunt pontifices, do Domingo de Ramos.

Palestrina – Super flumina Babylonis

Que livros próprios os cantores gregorianos utilizam para cantar nas missas?

Fabiano Rollim – O livro padrão para quem canta gregoriano nas Missas no Rito de São Pio V (Forma Extraordinária) é o Liber Usualis. Nele encontramos as peças gregorianas a serem cantadas em todas as Missas do ano litúrgico de acordo com o calendário antigo (antes da reforma pós-conciliar), além de conter os cantos gregorianos para as horas canônicas do Ofício Divino (substituído, após a reforma litúrgica, pela Liturgia das Horas).

O Liber Usualis pode ser adquirido pela internet, mas apenas vindo do exterior. Outra opção é procurá-lo em sebos. Nesse sentido, o site http://www.estantevirtual.com.br/ é uma boa ferramenta de busca.

Entretanto, não encontrar um Liber Usualis original não é motivo para não conhecer essa riqueza da Igreja. Na internet pode-se fazer download do Liber Usualis em pdf (http://www.musicasacra.com/pdf/liberusualis.pdf) ou acessar diretamente as partituras e gravações de áudio em sites especializados, como o http://www.renegoupil.org/ e o http://antoinedanielmass.org/kyriale/.

Para as Missas na Forma Ordinária (Missal de Paulo VI), a referência é o Graduale Romanum de 1974. Não conheço um local na internet de onde se possa baixá-lo, mas existe uma tabela com a lista de todos cantos gregorianos próprios para as Missas na Forma Ordinária, disponível em http://musicasacra.com/pdf/propers1974.pdf. De posse dessa tabela, é possível encontrar os cantos no antigo Liber Usualis.

Qual é a diferença entre Canto Gregoriano e o Canto Polifônico?

Fabiano Rollim – A principalmente diferença está expressa no próprio nome “polifonia”, literalmente “muitos sons”. Enquanto no canto gregoriano todos os membros do coro cantam em uníssono, isto é, a mesma melodia a uma só voz, no canto polifônico existem várias melodias devidamente intercaladas durante a execução da peça. O número de melodias ou “vozes” presentes em um canto polifônico pode variar.

Conte-nos sobre algum fato pitoresco já ocorrido em alguma de suas apresentações.

Fabiano Rollim – Não fazemos propriamente “apresentações”, mas trata-se de um serviço litúrgico, isto é, o canto na Missa. Lembro-me de certos comentários que ouvi após algumas Missas, vindos de pessoas que não estavam acostumadas a ouvir o canto gregoriano. Um amigo de longa data, após participar de sua primeira Missa com canto gregoriano comentou: “puxa, conseguimos até rezar nessa Missa!” Outro comentário foi de uma mãe que observou sua pequena filha que, sempre inquieta e agitada nas Missas dominicais, permaneceu “estranhamente” em silêncio durante toda a Missa onde o coral cantou cantos gregorianos e polifônicos. Esses são apenas dois exemplos de reações típicas que observamos entre fiéis católicos ao tomarem contato com essa riqueza litúrgica da Igreja.

Fernando Reis de Souza – Eu canto gregoriano há pouco tempo, apenas há um ano e meio, desde que começou a ser rezada a Missa Tradicional na Antiga Sé, ou seja, ainda tenho pouca história pra contar.

Tem sido interessante notar a diferença entre a acústica das diferentes Igrejas onde cantamos. E, mesmo dentro da Antiga Sé, há grande diferença acústica dependendo de onde se posiciona o coro. Certo domingo, ao ouvir o Mons. José de Matos entoar o Prefácio, percebemos, chamados a atenção pelo Pedro Paulo, uma voz feminina, muito aguda, afinadíssima, cantando junto com o padre, com uma precisão tal que parecia ter ensaiado previamente. Ficamos intrigados… Quem seria a tal soprano tão afinada?! Após a Missa perguntamos ao padre, mas ele nada ouvira. Após várias Missas ouvindo o mesmo fenômeno, chegamos à conclusão que seriam os harmônicos formados pela acústica da Igreja que causam esta impressão, audível apenas do coro.

E depois dizem que a Igreja católica não canta!

Que instrumentos musicais podem e devem ser admitidos para acompanhar os cantores gregorianos?

Fabiano Rollim – Originalmente o canto gregoriano era cantado à capela, isto é, sem acompanhamento de instrumentos. Todavia, o órgão, e apenas ele, pode ser admitido para acompanhar o canto gregoriano.

No canto gregoriano não há ritmo. A pronúncia das palavras e versos é que dá o sentido de andamento ao canto. Esse já seria um motivo para inviabilizar o acompanhamento por instrumentos que tenham caráter rítmico, como, por exemplo, o violão. O órgão também pode ser tocado com ritmo, é claro, mas a característica desse instrumento permite um tipo de acompanhamento que privilegie a melodia, sem marcação de ritmo.

Dentre as peças até hoje selecionadas para cantar nas missas, qual ou quais lhe causam mais comoção e por quê?

Os cantores Fabiano Rollim, Pedro Paulo e Ricardo Carlson ao lado do reverendíssimo padre Anderson Batista da Silva, um grande incentivador do Canto Gregoriano em sua paróquia.

Os cantores Fabiano Rollim, Pedro Paulo e Ricardo Carlson ao lado do reverendíssimo padre Anderson Batista da Silva, um grande incentivador do Canto Gregoriano em sua paróquia.

Fabiano Rollim – Uma peça que me marcou profundamente pela beleza e dificuldade inicial de aprendizado foi o canto de ofertório Jubilate Deo, cantado nas Missas do II Domingo após a Epifania e do IV Domingo após a Páscoa.

Essa peça manifesta uma sublime sintonia, por assim dizer, entre uma letra que expressa o louvor de toda a criação a seu único Deus e Senhor e a melodia que simplesmente nos arrebata à presença dEle.

Mas eu poderia dar-lhe uma lista de peças encantadoras como o Ave Verum, Adoro Te Devote, Intróitos como os da Missa da Ascensão do Senhor (Viri Galilei), do Natal (Puer Natus) e do IV Domingo da Quaresma (Lætare Jerusalem), além de diversos Alleluias e Graduais belíssimos.

Em que a experiência de cantar em um Coral Gregoriano afetou a sua visão da liturgia católica?

Fernando Reis de Souza - Não há outro motivo para essa dedicação que temos, senão por amor à liturgia. Eu ainda me considero um novato, não só no canto gregoriano, como também na liturgia tradicional. Eu havia assistido a Missa Tradicional apenas duas vezes em Niterói, antes de se iniciarem na Antiga Sé. Eu já cantava há mais de 15 anos nas Missas da minha paróquia de origem (liturgia de Paulo VI – paróquia de São Francisco de Paula, na Barra da Tijuca). Mas quando assisti a Missa Tradicional com canto gregoriano, pensei: “acho que devo cantar com eles”. Então, o interesse pelo canto gregoriano e a liturgia caminham juntos. Ao mesmo tempo que leio sobre canto gregoriano, estudo técnica vocal e estudo as partituras com uma espécie de “arqueologia musical” (com a ajuda imprescindível do Pedro Paulo), também leio livros e artigos sobre liturgia, dado o grande interesse que nos desperta esta íntima relação do canto com a liturgia.

Outro fato interessante tem sido a experiência de cantar gregoriano entremeado com polifonias na “Missa nova” (de Paulo VI), mas rezada de forma realmente digna pelo Pe. Anderson na Paróquia de Nossa Senhora Aparecida (Patronato, São Gonçalo). Só então pude ver como na liturgia pós-conciliar a maior ou menor dignidade empreendida na Missa fica “nas mãos” do padre que a reza, dependendo deste e da “equipe litúrgica” (comentarista, leitores e, sobretudo, os músicos), o que não acontece na Missa tradicional, que não permite muitas interferências do padre.

Fale-nos da sua percepção da liturgia como membro de um Coral Gregoriano.

João Ricardo Carlson – O canto ajuda a perceber a liturgia como um todo unitário em que tudo está voltado para Deus, numa relação de comunhão, onde nos oferecemos a Ele e Ele se dá a nós.

O canto gregoriano permite no mínimo, vislumbrar alguns dos estados místicos mencionados, por exemplo, por Santa Teresa de Ávila. É como já se disse várias vezes, um antegozo do céu.

* * *

Gaudete in Domino

Nota: A pedido do Monsenhor José de Mattos, Administração Apostólica São João Maria Vianey, os cantores gregorianos do Rio de Janeiro oferecem um pequeno ensaio de dez minutos ao final das missas dominicais das 9h, no Salão Paroquial da Antiga Sé. O ensaio é aberto a todos os fiéis e dirigido pelo Dr. Pedro Paulo L. Ribeiro.

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maio 9, 2012

Pobre França.

Marroquinos e argelinos comemoram a eleição do socialista François Hollande.

Marroquinos e argelinos comemoram a eleição do socialista François Hollande.

Dois números curiosos e interessantes sobre a eleição presidencial francesa do último domingo: 93% dos eleitores mulçumanos votaram em François Hollande, candidato socialista, e 80% dos católicos praticantes votaram em Nicolas Sarkozy, considerado como “direitista”. Na França, o número de mulçumanos já é mais ou menos o dobro do de católicos praticantes. Há menos gente aos Domingos nas igrejas que às sextas nas mesquitas. Já um influente Padre tradicionalista francês afirmou a este editor que a disputa se tratava, no fim das contas, entre um socialista declarado (Hollande) e outro enrustido (Sarkozy), o que o motivaria a ficar em casa no domingo. Na França, o voto não é obrigatório.

Créditos: Lavras Resiste!

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maio 9, 2012

“Habitare fratres in unum”.

Arquidiocese do Rio – Nesta quarta-feira, 9 de maio, o Papa Bento XVI nomeou o cônego Roque Costa Souza, 45 anos, bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro. O Santo Padre acolheu a solicitação do arcebispo Dom Orani João Tempesta de poder contar com a colaboração de mais um bispo auxiliar.

Sua ordenação episcopal já está marcada para o dia 23 de junho de 2012, sábado, às 8h30, na Catedral Metropolitana de São Sebastião, no Rio de Janeiro.

A data escolhida, às vésperas da festa de São João Batista, é uma homenagem, ‘um presente’, ao nosso arcebispo Dom Orani, que aniversaria nesse dia e será o principal consagrante, declarou cônego Roque.

Até a nomeação, cônego Roque exercia na Arquidiocese do Rio, onde é incardinado, os ofícios de reitor do Seminário São José, pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé e capelão da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Eu quero viver o ministério apostólico no serviço e dedicação aos irmãos. O lema escolhido em oração: “Habitare fratres in unum” (Sl 133,1) quer ser a expressão da minha missão. Quero estar em união com Dom Orani, os bispos auxiliares e meus irmãos sacerdotes com amizade fraterna. Continuarei a servir o Povo de Deus com muita alegria, afirmou cônego Roque.

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maio 9, 2012

Pequeno recesso.

Entramos em um pequeno recesso até segunda-feira, dia 14. Alguns posts foram programados. Deixe seu comentário, mas ele só será liberado após nosso retorno. Arrivederci!

maio 9, 2012

Cápsulas com pó de carne humana são encontradas na Coreia do Sul.

“Simultaneamente, aumenta [em nossa época] a consciência da eminente dignidade da pessoa humana, por ser superior a todas as coisas e os seus direitos e deveres serem universais e invioláveis…” (Gaudium et Spes, 26).

UOL – A polícia da Coreia do Sul divulgou nesta terça-feira (8) imagens de cápsulas produzidas com pó de carne humana apreendidas pela alfândega do país. As cápsulas, que segundo as autoridades policiais, são contrabandeadas da China, seriam produzidas a partir de bebês mortos. Os consumidores acreditavam em supostas propriedades medicinais do produto e afirmaram não saber se tratar de carne humana.

Segundo a alfândega sul-coreana, as cápsulas foram feitas no nordeste da China a partir de bebês cujos corpos foram cortados em pedaços pequenos e secos em estufas antes de virar pó.

As autoridades, porém, não informaram o local exato de origem das cápsulas nem quem as produziu. Segundo a agência de notícias Associated Press, isso ocorreu para evitar problemas diplomáticos com a China. As cápsulas de carne humana continham bactérias.

Introduzir estes comprimidos no país viola a lei que proíbe produtos que “ferem a dignidade humana e os valores”, declarou à AFP Kim Soo-Yeon, um funcionário da alfândega.

No ano passado, oficiais chineses iniciaram uma investigação sobre a produção de cápsulas com carne de bebês recém-nascidos e fetos, após uma denúncia feita pela TV sul-coreana SBS que acusou empresas farmacêuticas da China de colaborarem com clínicas de aborto para produzir o material.

Desde agosto de 2011, a alfândega sul-coreana descobriu 35 tentativas de contrabando de mais de 17.450 cápsulas desse tipo disfarçadas de outros medicamentos. A maioria chega escondida em enchimentos falsos de bagagens e bolsas apreendidas em aeroportos.

Chineses de etnia coreana, que moram na Coreia do Sul, são apontados por um funcionário da alfândega como responsáveis pelas tentativas de entrar com essas cápsulas no país.

Ainda segundo esse funcionário, todas as cápsulas encontradas nesta segunda (7) foram apreendidas, porém ninguém foi preso porque as quantidades eram pequenas e se destinavam ao consumo próprio, e não à comercialização.

Ainda segundo a polícia da Coreia do Sul, as cápsulas costumam chegar de cidades ao norte da China, como Yanji, Jilin, Qingdao e Tianjin.

Além do aspecto ético, a Alfândega alerta para o perigo de bactérias e outros organismos prejudiciais que podem estar presentes nestas pílulas, que de acordo com o jornal Chosun Ilbo, são vendidas entre 40.000 e 50.000 wons cada (de 27 a 34 euros).

Ao ser notificado da nova apreensão, Deng Haihua, porta-voz do ministro da Saúde chinês, disse à agência de notícias chinesa que o país vai reabrir as investigações para apurar a produção das cápsulas. (Com Associated Press e AFP)

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maio 8, 2012

O Concílio Vaticano II e a liberdade religiosa.

O prof. Philippe Chenaux conta a história e a importância da Declaração “Dignitatis Humanae”

Por Antonio Gaspari

ROMA, sexta-feira, 4 de maio de 2012 (ZENIT.org) – De acordo com Philippe Chenaux, Diretor do Centro de Estudos sobre o Concílio Vaticano da Pontifícia Universidade Lateranense, a declaração Dignitatis Humanae (DH) sobre a liberdade religiosa, é um documento de importância histórica “dos maiores documentos do Concílio”.

Falando no dia 3 de maio para o ciclo de conferências organizado pelo Centro de Estudos e Pesquisas sobre o Concílio Vaticano II da Lateranense em colaboração com o Centre Culturel Saint Louis de France sobre o tema “Revisar o Concílio, Historiadores e teólogos confrontando-se, “o professor de História da Igreja Moderna e Contemporânea contou o trabalho que deu esta declaração e como os padres conciliares embora partindo de posições diferentes e em alguns casos opostas chegaram a votar com grande maioria a Dignitatis Humanae.

A declaração sobre a liberdade religiosa era considerada pelo Papa Paulo VI como um dos grandes documentos do Concílio, não tanto pelo seu tamanho (trata-se de um dos textos mais curtos), e nem sequer pela forma (é uma declaração simples), mas sim pelo seu conteúdo.

Para o prof. Chenaux a DH “resolvia dois dos problemas mais difíceis com que a Igreja se enfrentava há pelo menos dois séculos: o problema da relação entre liberdade e verdade, a nível teórico ou teológico, e aquele das relações entre a Igreja e o Estado moderno, a nível político-eclesiástico”.

O debate sobre a liberdade religiosa tem sido controverso, porque “apesar da Igreja sempre ter afirmado a liberdade do ato de fé”, ou seja,  que “ninguém pode ser forçado a abraçar a fé contra a sua vontade”, era necessário superar o legado da aliança institucional dos poderes espirituais e temporais, da intolerância religiosa subsequente à reforma e contrareforma e uma certa intransigência durante o século XIX.

O professor da Lateranense explicou que “A tese intransigente do Estado Católico tinha permanecido oficial pela Igreja, pelo menos, até o final do pontificado de Pio XII” quando ”A dolorosa experiência dos totalitarismos (o comunismo, o nazismo, o fascismo) tinham contribuído para uma redescoberta pelo Magistério da Igreja da eminente dignidade da pessoa humana e dos seus direitos fundamentais“.

Em mensagens de rádio no tempo de guerra, em Natal de 1942 e no Natal de 1944, Pio XII enfatizou a dignidade da pessoa humana e a importância de uma democracia saudável.

Para Chenaux já antes da Segunda Guerra Mundial, a Igreja era incapaz de conformar os poderes do Estado com o reconhecimento de Deus e da Igreja. Nos Pactos de Latrão com a Itália fascista (1929); o Reichskonkordat com a Alemanha nazista (1933); e o Concordato com a Espanha de Franco, em 53, a Igreja adotou uma política de defender o “mal menor”, a fim de garantir a liberdade da Igreja, do clero, dos católicos e de todos os cidadãos.

No concílio as duas posições, a mais ortodoxa e a outra que abria para o mundo tendo em conta a mudança dos tempos, se confrontaram, ao ponto de que a elaboração da DH “foi até o último momento trabalhosa e difícil“.

Chenaux disse que, mesmo em maio de ’64, “O debate entre apoiantes e opositores do texto (da DH) foi muito amargo“. Os bispos norte-americanos e muitos bispos da Europa do Leste (especialmente poloneses) “afirmaram a necessidade de reconhecer um direito com base na natureza da pessoa humana. Os segundos, ou seja, os adversários, expressaram a convicção de que não se podia separar a liberdade religiosa da verdade e dos seus direitos”.

No debate interveio o então Arcebispo de Cracóvia, monsenhor Karol Wojtyla, que propôs preparar duas declarações: “uma dirigida aos cristãos não-católicos com um espírito ecumênico, para dizer que a verdade cristã nos torna livres, e outro dirigida aos governos, uma declaração ad Extra, que servia  aos interesses da Igreja nos países comunistas”.

Em dezembro de 1964, a pedido do Papa Paulo VI, também foi consultado o filósofo Jacques Maritain, que em um memorando entregue ao papa em março de 1965, lembrou com vigor que “a liberdade religiosa deve ser proclamada e mantida como um dos direitos humanos fundamentais da pessoa humana“.

Acontece assim que no dia 7 de dezembro de 1965, com 2308 placet e 70 non placet, a declaração DH foi aprovada e promulgada pelo Papa Paulo VI.

A DH diz: “Este Concílio declara que a pessoa humana tem direito à liberdade religiosa, esta liberdade consiste no fato de que todos os homens devem estar livres de coação por parte de indivíduos e grupos sociais e de todo poder humano para que, em matéria religiosa, ninguém seja forçado a agir contra a sua consciência, nem impedido dentro dos devidos limites a agir de acordo com sua consciência, em particular, publicamente, sozinho ou associados com outros“.

O jesuíta José Leclerc, professor de eclesiologia no Institut Catholique de Paris e autor de uma obra sobre a história da tolerância na idade moderna, escreveu na revista Etudes em Abril de 1966, que foi um “acontecimento extraordinário” na história dos Concílios.

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maio 8, 2012

Cardeal Raymond Burke pede oração pela reconciliação com a FSSPX.

Kreuz.net | Alemanha. Na terça-feira o Prefeito da Assinatura Apostólica, Cardeal Raymond Burke, celebrou uma Missa Solene no rito antigo na localidade de Santa Maria di Leuca – na Província Lecce – no sul da Itália, informou o sítio francês ‘Forum Catholique’. O cardeal convocou os católicos a rezarem pela reconciliação com a Fraternidade São Pio X. O Cardeal Burke vê a atual renovação da liturgia primeiramente como o início de um desenvolvimento.

maio 8, 2012

Mesmo os amigos do Papa desconfiam um pouco dos “lefebvristas”.

Por John L. Allen Jr. | Tradução: Fratres in Unum.com

Roma – Mesmo nos círculos mais simpáticos à leitura do Concílio Vaticano II feita pelo Papa Bento XVI, parece haver um pouco de ansiedade rondando o que pode significar trazer à comunhão os maiores críticos do Concílio, a tradicionalista FSSPX.

Ao menos, alguns dos defensores do papa parecem acreditar que um claro sinal de adesão ao CVII deve ser o preço do retorno.

Recentemente, esta impressão veio à tona durante uma conferência sobre o 50º aniversário do CVII realizada nos dias 3 e 4 de maio na Universidade Santa Cruz, dirigida pelo Opus Dei.

Após o CVII, a fraternidade tradicionalista – popularmente conhecida como “lefevristas” por causa do fundador, o finado arcebispo francês Marcel Lefebvre – rompeu com Roma em função das mudanças na liturgia e dos ensinamentos do Concílio a respeito do ecumenismo, do diálogo inter-religioso e da liberdade religiosa.

Em meados de abril, porém, a FSSPX assinou um preâmbulo doutrinal submetido pelo Vaticano como pré-condição para a reintegração. Isso poderia abrir o caminho para findar o único cisma formal ocorrido depois do Vaticano II, talvez como uma prelazia pessoal ou outra estrutura eclesial que permita aos lefevristas certa autonomia.

A conferência na Universidade Santa Cruz, com o tema “Vaticano II: o valor permanente de uma reforma para a nova evangelização” foi, em grande parte, uma reunião de pensadores vigorosamente empenhados na “hermenêutica da continuidade” do Papa Bento XVI para a interpretação do Concílio, notoriamente delineada em seu discurso de dezembro de 2005 à Cúria Romana.

Como o papa, vários palestrantes se distanciaram de leituras opostas que colocam, de acordo com eles, demasiada ênfase no CVII como algo que deixou de lado, ou modificou, práticas ou ensinamentos católicos anteriores.

Porém, na medida em que estes temas foram se desenvolvendo, certa ansiedade em relação aos lefevristas veio à tona. Isso de deu de forma indireta, certamente nunca tomando uma posição de oposição à reintegração [da FSSPX], mas tal ansiedade foi inequívoca.

O padre da Opus Dei, pe. Johanner Grohe, um historiador eclesiástico da Universidade Santa Cruz, pesquisou vários esforços feitos durante e após o CVII para colocar em dúvida a autoridade do concílio tanto por parte de teólogos progressistas – que argumentavam que  o CVII não era verdadeiramente “ecumênico”, pois os Ortodoxos e os Protestantes não foram representados – quanto de  críticos tradicionalistas – que apresentavam o CVII como meramente “pastoral” e, portanto, sem caráter obrigatório nas questões de fé.

De maneira ampla, pe. Grohe defendeu a autoridade do CVII, insistindo que seu ensinamento é “obrigatório” e “deve ser aceito por aqueles que querem entrar em comunhão com a Igreja Católica”.

Grahe finalizou sua palestra com um chamado a uma “profissão de fé” que explicitamente inclua os ensinamentos do CVII para qualquer pessoa que queira unir-se à Igreja.

“No diálogo com aqueles que gostariam de entrar na Igreja Católica, é impossível não pedir ‘uma adesão de fé teológica às afirmações do CVII que lembram as verdades da fé’,” afirmou Grohe, citando uma frase de outro padre da Opus Dei, monsenhor Fernando Ocáriz, que fez parte do time de negociação com os Lefevristas.

Os Lefevristas, evidentemente, são o grupo mais famoso que atualmente está envolvido num diálogo sobre sua entrada na Igreja.

Grohe argumentou que uma “profissão de fé”, um modo histórico de encapsular o cerne das crenças que alguém deve possuir para ser considerado católico, poderia ser atualizada com uma referência ao CVII.

“Uma profissão de fé que abarque uma tradição conciliar desde Nicéia até o CVII deixaria claro que os ensinamentos do último concílio estão inseridos da longa e frutífera história do magistério da Igreja”, afirmou Grohe.

Uma defesa ainda mais radical de parte do legado do CVII veio do padre franciscano David Maria Jaeger, ao falar sobre o documento conciliar Nostra Aetate, a respeito das religiões não cristãs.

Um veterano das negociações vaticanas com Israel sobre os impostos e a situação jurídica das propriedades da Igreja, Jaeger hoje atua como juiz na Rota Romana, a principal corte do Vaticano.

Jaeger lembrou do ensinamento do documento sobre o judaísmo, incluindo sua feroz rejeição ao anti-semitismo. Este também tem sido um ponto de discordância com os lefevristas; quando Bento XVI levantou as excomunhões dos quatro bispos tradicionalistas em janeiro de 2009, houve uma comoção mundial relacionada com os comentários feitos por um destes bispos em que questionava a realidade do Holocausto.

Jaeger afirmou, na conferência da Universidade Santa Cruz, que “um real e preocupante” problema com a recepção da Nostra Aetate tem sido “uma tendência, aqui e ali dentro do Catolicismo, de olhar com tolerância grupos marginais de exagerada visibilidade midiática que verdadeiramente denunciam a doutrina do concílio”, afirmou Jaeger.

Apesar de Jaeger não ter mencionado os Lefebvristas, ele expressou preocupação sobre as condições sob as quais qualquer pessoa que tenha dúvidas sobre o CVII possa achar o caminho de volta à Igreja.

“É obrigatório aqui expressar a viva esperança de que tal tolerância seja sempre firmemente rejeitada”, disse, “e que nós não nos contentemos com uma quase-adesão que é somente um engodo, acompanhada por óbvias reservas mentais e verbais ao ensinamento do CVII em geral e do Nostra Aetate em particular”.

No resto de seu discurso, Jaeger rejeitou várias leituras da Nostra Aetate, populares entre os teólogos católicos progressistas – por exemplo, que ela reconheceria a revelação em outras religiões como “paralela ou complementar” ao Cristianismo, ou que apresentaria o Judaísmo como um “meio paralelo de salvação para os judeus”, enquanto o Cristianismo seria somente para “os gentios”.

Espalhar tais idéias, argumentou Jaeger, torna inevitável que sempre que líderes da Igreja lembrem a doutrina oficial nestes pontos, muitos judeus vejam isso como um recuo à Nostra Aetate – que, insistiu, não seria o caso pois, de acordo com ele, o documento nunca desejou propor estes dois pontos.

Neste contexto, o evento da Santa Cruz sugere que não são somente os suspeitos de sempre, ou seja, os críticos do Vaticano ou do papado de Bento XVI , que se perguntam sobre o preço que poderia ser pago para receber os Lefebvristas de volta. Também aí se incluem alguns amigos de Bento XVI.

maio 7, 2012

Padre Legionário ao antigo Núncio do México: “Continuam ensinando impunemente aos seminaristas em Roma que Maciel foi um profeta…”.

Para Sua Excelência Justo Mullor
(ex Núncio Papal para o México)
Piazza della Minerva, 74,
00186, Roma, Itália

22 de abril de 2012.

Caro Monsenhor Justo,

Cheio de vergonha li a recente entrevista onde o senhor descreve as calúnias e as mentiras as quais foi submetido pelas mãos de minha congregação religiosa, a Legião de Cristo. Apesar de eu ser somente um membro qualquer, meu pedido de perdão talvez não tenha muito valor, mas, de qualquer maneira, lhe peço desculpas pelo que o senhor padeceu por culpa do padre Maciel e de seus colaboradores.

Apesar dos esforços do papa, do Monsenhor De Paolis e de um pequeno grupo de legionários, não conseguimos banir o macielismo da congregação e aqueles que cometeram todo o tipo de abusos, de difamações, de irregularidades canônicas e administrativas continuam a ser encobertos. De fato, a maioria da cúpula macielista segue governando a Legião, usando os mesmos truques aprendidos com o fundador: eleições falsificadas, meias verdades, esclarecimentos fraudulentos às autoridades Vaticanas, falta de transparência nas questões econômicas e, sobretudo, uma cegueira com relação a todos os que foram feridos pelos crimes deste homem e de seu séqüito.

No entanto, continuam ensinando impunemente aos seminaristas em Roma que Maciel foi um profeta, continua a existir um voto de “humildade” onde os religiosos juram diante de Deus que delatarão seus irmãos [que ousam duvidar ou criticar].

Pediu-se à Secretaria de Estado, numa carta de 3 de novembro de 2010, que se estabelecesse uma comissão da verdade para que, de uma vez por todas, se investigasse as maldades do macielismo e se fizesse justiça aos que foram prejudicados. Esperava-se que aqueles que acobertaram Maciel dentro da congregação e dentro do Vaticano fossem destituídos. Infelizmente, a sugestão não foi considerada oportuna e a maioria dos signatários da carta abandonou a congregação. Assim, casos como o do senhor e de outros legionários e eclesiásticos caluniados não serão esclarecidos.

Finalmente, Monsenhor Justo, só me resta agradecer ao senhor por ter tido o valor de enfrentar a corrupção de Maciel, por haver escutado as vítimas e por ter trazido o maior escândalo da Igreja Católica à luz. Compreendo que o senhor tenha pago um preço alto por sua lealdade à Igreja. Esperamos que a história e Ele, que é a “Luz do Mundo”, reconheçam e premiem o senhor abundantemente.

“Ex Igne Lux”.

Afetuosamente em Cristo,

Padre Peter Byrne, LC.

Original aqui. Tradução: Fratres in Unum.com

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