Posts tagged ‘Atualidades’

30 janeiro, 2015

Os Arcebispos Metropolitanos receberão os pálios em suas dioceses.

Por Erick Marçal – Da Porta Sant’Anna: A 5 meses de os novos arcebispos metropolitanos, comumente, receberem os pálios pastorais das mãos do Papa em Roma, o jornalista norte-americano Gerard O’Connell, de America Magazine, teve acesso a uma novidade, que, contudo, retoma um antigo costume: em carta enviada aos Núncios Apostólicos, em 12 de janeiro passado, Mons. Guido Marini, Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, comunicou que o Papa Francisco decidiu que eles serão, a partir de agora, também os Legados Pontifícios para entregar e impor a insígnia aos novos arcebispos em suas próprias dioceses.

Como aconteceu nas últimas 3 décadas, por iniciativa de João Paulo II,<br /> os Arcebispos com os pálios impostos pelo Papa na Missa da Solenidade de São Pedro e São Paulo, no Vaticano. Esta imagem é da ocasião em 2013, a primeira do Papa Francisco.

Como aconteceu nas últimas 3 décadas, por iniciativa de João Paulo II, os Arcebispos com os pálios impostos pelo Papa na Missa da Solenidade de São Pedro e São Paulo, no Vaticano. Esta imagem é da ocasião em 2013, a primeira do Papa Francisco.

Foi  João Paulo II que introduziu o costume de, anualmente, a 29 de junho, grande solenidade universal dos Apóstolos Pedro e Paulo, os arcebispos metropolitanos nomeados no último ano irem até Roma e receberem de uma só vez e de suas mãos o pálio pastoral. Era uma forma de expressar grandiosamente a comunhão mais estreita entre os Arcebispos e o Papa, da qual o pálio é o sinal permanente. Eles concelebravam a Missa, recebiam cada um o pálio e voltam para suas dioceses, somente dentro do território das quais portariam a mesma insígnia. Bento XVI, quando foi eleito Papa, manteve o costume. Antes disto, cada novo Arcebispo recebia, como agora será, o pálio em sua própria diocese, para o que o Papa nomeava um Legado, para impor a ele a insígnia em seu nome. Normalmente eram os Núncios, mas também, diante de alguma impossibilidade, outro Arcebispo ou outro importante Prelado.

Dom Manuel Monteiro de Castro, então Secretário da Congregação para os Bispos, recebe de Bento XVI os pálios restantes da Missa do dia 29 de junho, para ir impô-los em suas próprias dioceses aos Arcebispos ausentes.

Dom Manuel Monteiro de Castro, então Secretário da Congregação para os Bispos,
recebe de Bento XVI os pálios restantes da Missa do dia 29 de junho, para ir impô-los em suas próprias dioceses aos Arcebispos ausentes.

Mesmo nas últimas 3 décadas de Arcebispos se dirigindo a Roma de uma vez, a cada ano, para receberam os pálios das mãos do Papa, sempre houve um Legado Papal para ir pessoalmente à diocese de algum novo Arcebispo que, por motivo grave e imprevisto, não se fez presente no Vaticano no dia 29 de junho. Portanto, ao fim da imposição dos pálios, normalmente o Secretário da Congregação para os Bispos recebia do Papa os pálios restantes e depois levava e impunha a algum Arcebispo, tal como o rito previsto no Cerimonial dos Bispos, que deve ser feito no início de uma Missa.

Postos no túmulo de São Pedro no dia 24 de junho, os pálios aguardavam aí até o dia 29  de junho, quando eram levados para o altar e abençoados pelo Papa.

Postos no túmulo de São Pedro no dia 24 de junho, os pálios aguardavam aí até o dia 29 de junho, quando eram levados para o altar e abençoados pelo Papa.

De fato, tanto a nova decisão do Papa Francisco recupera o antigo costume quanto aplica o que o Cerimonial dos Bispos prevê. Contudo, ainda este ano é previsto que mais de 40 Arcebispos recebam o pálio do próprio Papa, como era comum, a não ser Dom Blase Cupich, nomeado pelo Pontífice como Arcebispo de Chicago (EUA) em 1º de julho de 2014: ele concelebrará a Missa do dia 29 de junho em Roma, mas receberá o pálio de maneira diferente da parte do Papa, em forma simbólica. Após algum tempo, em sua própria diocese, será o primeiro Arcebispo a ter o pálio imposto pelo Núncio Apostólico.

A intenção disto é evidenciar a participação das dioceses neste importante fato na vida do Arcebispo, que tem a ver com a vida de seus fiéis. Para Roma, o clero e alguns leigos acompanhavam o Bispo. Agora, o pálio encontrará o Arcebispo em sua diocese e todos verão isto.

Com informações de Vatican Insider.

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29 janeiro, 2015

Católicos tradicionalistas sofrem revés em Minas Gerais.

Por Manoel Gonzaga Castro | Fratres in Unum.com: Como se sabe, há uma grande e lamentável divisão entre os católicos tradicionais. Recentemente, apesar dos problemas internos do “movimento tradicional” e do status canônico diverso, os tradicionalistas tanto da recém-fundada União Sacerdotal Marcel Lefebvre (dissidência da Fraternidade São Pio X, popularmente conhecida como “Resistência”) quanto do Instituto do Bom Pastor sofreram reveses por causa da oposição das autoridades eclesiásticas de Minas Gerais.

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Em meados de dezembro de 2014, o Bispo da Diocese de Itabira, Dom Marco Aurélio Gubiotti, fez circular em todas as paróquias de sua jurisdição um comunicado (imagem à direita) alertando os fiéis a não participarem das Missas Tridentinas da “Missão Cristo Rei” ou “Associação Santo Atanásio”. O motivo disso seria o fato de que “esse grupo, ao não aceitar o Concílio Vaticano II e nem as orientações atuais da Igreja, se coloca fora da comunhão e fora da Igreja”.

Por sua vez, o Instituto do Bom Pastor, fundado em 2006 como Instituto de Direito Pontifício, por determinação do senhor Arcebispo Dom Walmor Oliveira de Azevedo, também está proibido de atuar em Belo Horizonte. Já há algum tempo, os reverendíssimos Pe. Renato Coelho e Pe. Luiz Fernando Pasquotto, instalados em São Paulo, visitavam regularmente a capital do estado de Minas com o intuito de estender o apostolado e, segundo alguns, eventualmente estabelecer ali uma casa do instituto. A última visita ocorreu no dia 03 de janeiro, sábado, quando o Pe. Pasquotto deu uma palestra e atendeu confissões, além de celebrar a Santa Missa.

Todavia, apesar das contínuas tempestades com as autoridades eclesiásticas, as rusgas internas não se aquietam. Na ocasião, alguns fiéis que assistiam à Missa do Pe. Pasquotto relataram perplexos o aviso que teria sido dado pelo jovem sacerdote de que pessoas que frequentam as capelas da chamada “Resistência” e da FSSPX, sem maiores distinções, não poderiam comungar em uma missa do IBP.

Ainda não está claro o motivo da decisão de Dom Walmor, pois o IBP, diferentemente da “Resistência”, não é considerado um grupo separado em situação canônica irregular, mas se encontra em plena comunhão com a Igreja, já que oficialmente subordinado à Comissão Ecclesia Dei e à sua orientação de leitura dos documentos do Concílio Vaticano II conforme a já famosa “hermenêutica da reforma na continuidade”. Para explicar a decisão do arcebispo, os fiéis especulam sobre fatores diversos: 1) a resistência do clero progressista local à liturgia tradicional, o que justifica as medidas para controlar sua expansão; 2) a acusação de que os sacerdotes do IBP manteriam uma posição “cripto-lefebvrista” em relação ao Vaticano II e à Missa de Paulo VI; 3) e também a já estabelecida e consolidada presença da Administração Apostólica São João Maria Vianney.

Segundo fiéis locais, uma carta foi enviada ao Superior do IBP, que se encontra na França e que esteve recentemente em Belo Horizonte, sobre os motivos da proibição. Espera-se que o instituto esclareça o ocorrido em breve.

Fiéis da diocese de Osasco, em São Paulo, noticiam que o IBP também foi proibido de atuar lá, o que faz que esses dois sacerdotes fiquem restritos basicamente ao atendimento espiritual dos membros do grupo Montfort, do qual participam.

Felizmente, as Missas tradicionais continuam em Belo Horizonte regularmente, todos os domingos, na Capela Nossa Senhora do Monte Calvário, às 09:30, a cargo da Administração Apostólica São João Maria Vianney e do Padre Íris Mesquita, sacerdote diocesano.

Enquanto o IBP não retorna a BH, cabe esperar que haja paz e respeito entre católicos – leigos e sacerdotes – que se dedicam à liturgia e à doutrina tradicional, apesar das divergências — que merecem e devem ser debatidas, com civilidade. E que eles sejam pelo menos tolerados pelas autoridades eclesiásticas do Brasil na atual situação de crise da Igreja: fratres in unum.

* * *

[Atualização – 29 de janeiro de 2015, às 15:02] Com o compromisso de informar aos católicos do Brasil, deixamos nosso blog à disposição do reverendíssimo Pe. Luiz Pasquotto e do Instituto do Bom Pastor para todo e qualquer esclarecimento que julgarem oportuno divulgar.

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25 janeiro, 2015

Os sinais.

raio-basilica1Os sinais têm se cumprido.

Os sinais têm se realizado. Que importa que os homens não os vejam? E, porventura, isso mesmo não está profetizado e não é outro Sinal, que os homens não os verão?…

A Igreja está enferma, a Igreja tem sido atacada por dentro.

A Igreja está enferma da mesma enfermidade que atacou a Sinagoga.

O mundo vai se parecendo cada dia mais ao mundo ao qual desceu o Filho de Deus doloroso: tanto na Igreja como fora dela. Paganismo e farisaísmo.

Não digo que tenha sucumbido na Fé, falhado na Fé, pois possui contra isso a infalível promessa divina.

Mas, Pedro pecou três vezes contra a Caridade; e Caifás profetizou criminalmente, para seu pesar. E assim será no fim.

E quando um enfermo diz que está enfermo não há que se duvidar, porque ele sente sua enfermidade.

E ele sente sua enfermidade, porque cada uma de suas células sente pertencer a um corpo que anda mal. E a maioria das células não pode dizê-lo.

Mas algumas podem. E essas são as células nervosas. Infelizes células nervosas!

Infelizes células nervosas, cujo único ofício é transmitir ao cérebro, e então a todo o corpo, que ele anda mal!

E se não transmitem, estão mortas. Para elas vale mais morrer que não transmitir.

Os sinais têm se cumprido. Eis aqui o que tenho que transmitir sob pena de morte interna. Os sinais têm se cumprido.

(Padre Leonardo Castellani, Los papeles de Benjamín Benavidez,  Parte Segunda, Los Septenarios – Fonte: Panorama Catolico | Tradução: Airton Vieira de Souza – Fratres in Unum.com)

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24 janeiro, 2015

Eu vos explico os Cleaners.

Por Frei Clemente Rojão – Muitos me perguntam o que é “Cleaner”. Abaixo descrevo o Cleaner ideal. Não existe um cleaner ideal, mas diversos estágios desta – parafraseando nosso papa Francisco sentando o relho na Cúria Romana – “doença espiritual”.
Cleaners – “limpadores” – são os católicos com uma concepção errada de Igreja, que julgam que se deve defender tudo o que o papa diz, mesmo quando agride o senso da fé dos fiéis e o próprio magistério da Igreja, mesmo que fale de improviso e num ambiente hostial da imprensa mundana. Cleaners se dedicam a piruetas mentais para defender tudo o que é dito e feito, mesmo que isto exija duplipensar a maneira orwelliana de 1984. Os Cleaners seguem a máxima de Groucho Marx “Você vai ter coragem de deixar de acreditar em mim para acreditar no que dizem seus olhos???”
Cleaners não entendem a Infalibilidade Papal nem suas restrições. Eles não compreendem a diferença entre atos administrativos e doutrina. Para eles, mover um bispo de diocese é tão infalível quanto proclamar a natureza de Cristo. Cleaners as vezes confundem o síndico de um prédio com seu engenheiro.
Os Cleaners são mestres em atacar o mensageiro. A culpa é sua se reclama, não de quem fala torto lá do alto da cátedra. A culpa é sempre da Veja, da Folha, do Frates in Unum, do Socci e os suspeitos de sempre, nunca do pontífice que solta a pérola. Cleaners também são mestres em italiano para tentar arrumar traduções semânticas para dizer que não é bem assim como foi noticiado. Farão longos tratados de doutrina para explicar. Acho isso nobre. Mas, convenhamos, precisa mesmo explicar um pontífice? E porque só este precisa?Cleaners apresentam como evidência para defender o pontífice de alguma declaração completamente diferente que ele disse lá atrás e perdem de vista o principal: Como pode um pontífice romano ser tão contraditório, então? O que está havendo?

Para os Cleaners, São Paulo e Santa Catarina de Siena, que contestaram as atitudes dos pontífices de sua época, estavam errados. Lógico que eles não admitem isso por causa do “São” na frente, mas na prática é isso mesmo.
Cleaners não conhecem a História da Igreja nem suas regras disciplinares. Cleaners acham que sempre um santo é eleito papa, quando na verdade – infelizmente – não é, nem nunca Jesus prometeu isto. Se os Cleaners vivessem no pontificado de Estevão IV, diriam que exumar e julgar o cadáver de seu antecessor estava muito correto mesmo. Se os Cleaners vivessem no pontificado de Alexandre VI diriam que todo católico tem obrigação de beber o vinho servido pelo papa.
Os Cleaners são um fenômeno do pontificado de Francisco. Antes dele não havia necessidade de consertarem o que o papa disse. Havia alguma incompreensões as vezes, havia perseguição na imprensa, mas não havia escândalo sistemático e periódico em cada declaração do pontífice.
Cleaners têm senso de matilha, e atacam como hienas (apenas não riem). De alguma maneira foram treinados para atacar em grupo e em massa os inimigos do grande líder, que ousam fazer observações sobre o Grande Guia. Cleaners possuem esta visão soviética e muçulmana do pontífice. Cleaners não gostam de pensamento independente.
Secretamente os Cleaners devem invejar a disciplina férrea que impera entre os xiitas iranianos com seu aiatolá ou no estado islâmico com seu mulá Al Bagdhadi.
Enfim, Cleaners não querem um pontífice romano, com todos seus defeitos e erros, como todo filho de Adão. Querem um macho alpha incontestável para liderar sua matilha.
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20 janeiro, 2015

“Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou…”

A chamada Grande Revelação foi feita a Margarida Maria durante a oitava da festa do Corpus Domini de 1675. Mostrando o seu Coração divino, Jesus confiou à Santa:

Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou, até se esgotar e se consumir para lhes testemunhar seu amor. Como reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidões, pelas suas irreverências, sacrilégios, e pela tibieza e desprezo que têm para comigo na Eucaristia. [1]

Depois da impiedosa comunhão no copo plástico distribuída na Jornada Mundial da Juventude de 2013, no Rio de Janeiro, mais uma vez uma Missa Pontifícia se tornou cenário de aberrante profanação do Santíssimo Sacramento. Desta vez, em Manila, Filipinas, no último final de semana.

Rezemos em profundo desagravo contra tão ultrajantes ofensas a Nosso Senhor.

[1] http://www.asc.org.br/site/devocao/promessas.htm

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16 janeiro, 2015

Cristo crucificado, escândalo para os muçulmanos e loucura para os laicistas…

Por Roberto de Mattei | Tradução: Fratres in Unum.com: Marcher contre la Terreur, Marcia contro il Terrore, foi o título com o qual “Le Monde”, “Corriere della Sera” e os grandes jornais ocidentais apresentaram o grande desfile laicista de 11 de Janeiro. Nunca um slogan foi mais hipócrita do que esse, imposto pelos meios de comunicação de massa como reação ao massacre de Paris de 7 de janeiro. Com efeito, que sentido há falar de Terror sem adicionar ao substantivo o adjetivo “islâmico”?

O ataque à redação de “Charlie Hebdo” foi perpetrado ao grito de “Allah akbar!” para vingar Maomé ofendido pelas caricaturas e por detrás dos Kalashnicovs terroristas há uma visão precisa do mundo: a muçulmana. Só agora as agências de inteligência ocidentais começam a levar a sério as ameaças de Abu Muhamad al Adnani, contidos em um comunicado multilíngue difundido em 21 de setembro de 2014 pelo quotidiano online “The Long War Journal”.

“Conquistaremos Roma, espezinharemos suas cruzes, faremos escravas suas mulheres com a permissão de Alá, o Altíssimo”, declarou a seus sequazes o porta-voz do “Estado islâmico”, que não simplesmente repetiu que exterminará os “infiéis” onde quer que estiverem, mas mostrou também de que modo: “Colocai explosivos em suas estradas. Atacai suas bases, irrompei em suas casas. Cortai suas cabeças. Que eles não se sintam seguros em nenhum lugar! Se não conseguirdes encontrar os explosivos e as munições, isolai os infiéis americanos, os franceses infiéis ou não importa quais outros de seus aliados: esmagai seus crânios a golpes de pedra, matai-os com uma faca, atropelai-os com os vossos carros, jogai-os no precipício, sufocai-os ou envenenai-os”.

Há uma ilusão de que a guerra atual não é aquela declarada pelo Islã ao Ocidente, mas uma guerra travada dentro do mundo muçulmano, e que a única maneira de salvar-se seria ajudar o Islã moderado a derrotar o Islã fundamentalista, como escreveu no “Corriere della Sera” em 11 de Janeiro Sergio Romano, um observador que entretanto passa por inteligente. Na França, o slogan mais repetido é o de evitar o “amálgama”, ou seja, a identificação entre o Islã moderado e o radical. Mas o fim comum a todo o Islã é a conquista do Ocidente e do mundo. Quem não compartilhar esse objetivo não é um moderado, simplesmente não é um bom muçulmano.

As divergências, quando existem, não dizem respeito ao fim, mas ao meio: os muçulmanos da Al Qaeda e do ISIS abraçaram a via leninista da ação violenta, enquanto a Irmandade Muçulmana utiliza a arma gramsciana da hegemonia intelectual. As mesquitas são o centro de propulsão da guerra cultural, que Bat Ye’or define como soft-jihad, enquanto com o termo hard-jihad ela define a guerra militar para aterrorizar e aniquilar o inimigo. Pode-se discutir, e certamente se discute dentro do Islã, sobre a escolha dos meios, mas há concórdia quanto ao objetivo final: a extensão para o mundo da sharia, a lei corânica.

O Islã é em qualquer caso um substantivo verbal traduzível por “submissão”. A submissão para evitar o Terror, o cenário do futuro europeu imaginado pelo romancista Michel Houellebecq em seu último livro – Soumission – apressadamente retirado das livrarias francesas. Não ao Terror significa para os nossos políticos não à submissão violenta dos jihadistas e sim a uma submissão pacífica, que conduz suavemente o Ocidente a uma condição de inferioridade.

O Ocidente se diz disposto a aceitar um Islã “com face humana”, mas na realidade o que ele rejeita no Islã não é só a violência, mas também o seu absolutismo religioso. Para o Ocidente há uma licença para matar, não em nome de valores absolutos, mas em nome do relativismo moral. Por isso, o aborto é praticado de forma sistemática em todos os países ocidentais e nenhum dos chefes de Estado que marcharam em Paris contra o Terror jamais o condenou. Mas o que é o aborto senão a legalização do Terror, o Terror promovido, encorajado, justificado pelo Estado? Que direito têm os líderes ocidentais de marchar contra o Terror?

Em “La Repubblica” de 13 de Janeiro de 2015, enquanto Adriano Sofri, ex-chefe de Lotta Continua [NdT: formação maoísta turinense, uma de cujas facções juntou-se às organizações terroristas], celebra a Europa que renasce sob a Bastilha, a filósofa pós-moderna Julia Kristeva, cara ao cardeal Ravasi, afirma que “a praça Iluminista salvou a Europa”, e que, “diante dos riscos que estavam correndo, liberdade, igualdade e fraternidade deixaram de ser conceitos abstratos, encarnando-se em milhões de pessoas”. Mas quem inventou o Terror senão a França republicana, que o usou para esmagar toda a oposição à Revolução Francesa? A ideologia e a prática do terrorismo apareceram pela primeira vez na História com a Revolução Francesa, especialmente a partir de 5 de setembro de 1793, quando o “Terror” foi colocado na ordem do dia pela Convenção e se tornou parte essencial do sistema revolucionário. O primeiro genocídio da História, o da Vendéia, foi perpetrado em nome dos ideais republicanos de liberdade, igualdade e fraternidade. O comunismo, que pretendeu completar o processo de secularização inaugurado pela Revolução Francesa, colocou em vigor a massificação do terror em escala planetária, provocando, em menos de 70 anos, mais de 200 milhões de mortes. E o que é o terrorismo islâmico senão uma contaminação da “filosofia do Alcorão” com a prática marxista-iluminista importada do Ocidente?

Desde a sua fundação, “Charlie Hebdo” é um jornal em que a sátira foi posta a serviço de uma filosofia de vida libertária, cujas raízes provêm do Iluminismo anticristão. O jornal satírico francês tornou-se famoso por suas caricaturas de Maomé, mas não devemos esquecer suas repugnantes caricaturas blasfemas publicadas em 2012 para reivindicar a união homossexual. Os editores de “Charlie Hebdo” podem ser considerados a expressão extrema mas coerente da cultura relativista difundida agora em todo o Ocidente, assim como os terroristas que os assassinaram podem ser considerados a expressão extrema mas coerente do ódio contra o Ocidente de todo o vasto mundo islâmico.

Aqueles que afirmam a existência de uma Verdade absoluta e objetiva são equiparados pelos neo-Iluministas aos fundamentalistas islâmicos. Porém, é o relativismo que se equipara ao islamismo, porque ambos estão unidos pelo fanatismo. O fanatismo não é a afirmação da verdade, mas o desequilíbrio intelectual e emotivo que nasce do distanciamento da verdade. E só há uma verdade em que o mundo pode encontrar a paz, que é a tranquilidade da ordem: Jesus Cristo, Filho de Deus, em função do qual todas as coisas devem ser ordenadas no Céu e na Terra, a fim de que se realize a paz de Cristo no Reino de Cristo, apontada como o ideal de todo cristão pelo Papa Pio XI em sua encíclica Quas Primas de 11 de dezembro de 1925.

Não se pode combater o Islã em nome do Iluminismo, e menos ainda do relativismo. Só se lhe pode opor as leis natural e divina, negadas pela raiz tanto pelo relativismo quanto pelo Islã. Por isso levantemos ao alto aquele Crucifixo que o secularismo e o islamismo rejeitam e façamos dele uma bandeira de vida e de ação. “Nós – dizia São Paulo – pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios” (I Cor 1, 23). Poderíamos repetir: “Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os muçulmanos e loucura para os laicistas”.

16 janeiro, 2015

A Igreja virada de cabeça para baixo.

Por que os inimigos da Igreja são os principais defensores do Papa Francisco? Aqueles que atacaram o pontificado do Papa Bento XVI agora se encontram em defesa do de Francisco, enquanto escritores católicos como Messori e Socci são estrilados pelo Avvenire (jornal diário da conferência dos bispos italianos).

Por Matteo Carnieletto, Il Giornale – 3 de janeiro de 2015 | Tradução: Thiago Porto – Fratres in Unum.com: Sejamos sinceros: a ala mais progressista da Igreja gosta de Francisco. Esta é a ala que durante o pontificado de Bento XVI mantinha-se atacando o Papa, e agora eles estão vestidos como garotas-de-torcida papais que estão sempre em punho para defender o Papa – o Papa, por favor perceba, que é Francisco, não o Papado como uma instituição. Exatamente desde a publicação de Non è Francesco de Antonio Socci, os novos defensores da “Igreja pobre e para os pobres” não têm hesitado sair em defesa do Papa atacando duramente aquele jornalista de Siena. O mesmo ocorreu por ocasião da publicação do artigo de Vittorio Messori no passado dia 24 de dezembro. Na verdade, Paolo Farinella, um sacerdote e escritor de Il Fatto Quotidiano, que definiu o pontificado de Bento XVI como “um desastre para a Igreja”, lançou um apelo para que se encerrem os ataques ao Papa Francisco. Teria Farinella se convertido ao catolicismo ortodoxo? Nem tanto. Ele simplesmente encontrou em Francisco seu porta-voz ideal.

Entre aqueles que fizeram o apelo está o grupo “Nós somos a Igreja”, que com grande gosto expressou sua apreciação pelo ato de renúncia de Bento XVI: “o ato mais inovador do seu pontificado”; Alex Zanotelli, o missionário pacifista que disse que ele apenas veio a entender quem foi Cristo graças a Ghandi, Martin Luther King, Dom Milani e Dom Mazzolari; as comunidades-cristãs de base que, em seu sítio eletrônico, postaram a resenha de um livro intitulado The Queer God*, preferencialmente the poof God, the faggot God*, publicado por Claudiana, uma editora valdense; e finalmente (mas a lista poderia seguir adiante) está a assinatura de Dom Aldo Antonelli, “um sacerdote perturbador e vermelho” que, com candura, escreveu em 1 de novembro de 2007: “Querido Papa Bento, eu não o entendo”. E após longa série de recomendações que não lhe foram pedidas, ele concluiu: “Em meus estudos teológicos aprendi que nós sacerdotes devemos nos direcionar aos pobres pedintes desta terra como Lázaro (Lucas 16:19-31). Mas eu tenho a impressão de que você prefere ter conversações com homens como Dives”, isto é, com os ricos e poderosos.

Desse modo, esses partidos estão o inverso. Os apologistas como Messori e Socci, que sempre defenderam a fé católica, agora se encontram no papel de “adversários”, que são atacados por aqueles que, arremessando fora as vestes sacerdotais, vestem agora os trajes pontificais.

*O blasfemo título do livro publicado por uma editora valdense poderia ser traduzido pelo que se segue no texto, uma tentativa do próprio autor de traduzir “The Queer God”, que seria em português: “o deus bicha”.

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15 janeiro, 2015

“Irmãos, um pouco de bom senso”.

Um jesuíta contra os jesuítas de “Etudes” que republicaram as charges da Charlie Hebdo. A revista francesa da Companhia de Jesus republicou por “solidariedade” as charges blasfemas e anti-católicas da revista Charlie Hebdo – O protesto do padre Jean-François Thomas

Por Il Tempi | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: “Não tenho ilusões sobre os efeitos que terá o meu protesto, mas ainda assim gostaria de deixá-lo registrado, por saber que um bom número de jesuítas da minha comunidade sente o mesmo, ainda que não possam ou não ousem expressá-lo.” Assim começa a carta de protesto que o padre Jean-François Thomas, um jesuíta francês, enviou à autoridade competente da Companhia de Jesus para protestar contra a revista dos Jesuítas “Etudes”.

“ME DESPREGUEM.” De fato, a revista, para se mostrar próxima às vítimas do atentado contra os editores da Charlie Hebdo, decidiu republicar algumas das charges [do semanário satírico] referentes ao Catolicismo para expressar “solidariedade aos nossos irmãos assassinados e às outras vítimas”. Uma das quatro charges reproduzidas ilustra um Jesus que pede para ser “despregado” da cruz para poder participar do Conclave, já em outra aparece Bento XVI numa versão gay onde exclama: “finalmente livre”, depois de ter renunciado ao sólio pontifício. A revista dos jesuítas franceses, no entanto, não teve coragem de publicar a mais famosa, com as três pessoas da Santíssima Trindade num desenho onde se sodomizam mutuamente.

“LIBERDADE DE BLASFÊMIA?”. “Nós não compartilhamos, espero, nenhum dos ‘valores’ ordinários dessa revista”, protesta o padre Thomas, segundo o qual “o horror do atentado não pode” fazer que nos esqueçamos de que “a liberdade de expressão não é a liberdade de ofender dia após dia os crentes e de se blasfemar contra o próprio Deus”. O jesuíta deixa claro que “não há necessidade de uma lei contra a blasfêmia”,  bastaria  “bom senso, bom gosto e respeito.” E se “o humor, ainda que desagradável, pode fazer as pessoas rirem,  a “vulgaridade absolutamente ostentada faz chorar e só serve para atrair ainda mais o ódio.”

A COMPANHIA DE  JESUS NÃO É CHARLIE HEBDO. A última edição da Charlie Hebdo pintava e bordava com Deus, Maria e o nascimento de Jesus. Podemos discutir sobre o direito dessa revista publicar suas blasfêmias semanais, “mas que uma revista que é órgão oficial da Companhia de Jesus o faça é simplesmente escandaloso. A pior de todas é aquela charge sobre  Bento XVI, porque beira à difamação. Quanto à violação do drama da crucificação, é desprezível. Eu não acreditava que certos jesuítas poderiam rir de um assunto dessa natureza. Eu pessoalmente choro todos os dias por causa dos meus pecados e por todo o sofrimento vivido na carne por tantos cristãos perseguidos e que, no entanto, não são defendidos pelos editores da Etudes”.

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13 janeiro, 2015

Asia Bibi: «Para minha libertação, espero um verdadeiro milagre».

Não pede que o Papa Francisco faça chamados públicos; pede-lhe somente orações. E, no sofrimento de uma vida em reclusão, faz notar com amargura que muitos abusam de seu nome por interesse pessoal. Asia Bibi, a mulher cristã de 44 anos condenada a morte por blasfêmia no Paquistão, em 2009, rompe o silêncio e aceita falar com Vatican Insider, mediante a Renaissance Education Foundation de Lahore, que se ocupa atualmente de sua família e de sua assistência legal.

Por VaticanInsider/InfoCatólica, 20/12/2014  | Tradução: Airton Vieira de Souza – Fratres in Unum.com:  A camponesa do Punjab foi encarcerada «por causa de um copo d’água», depois de uma discussão com duas mulheres muçulmanas que a acusaram falsamente. Este ano ela passará seu quinto Natal no cárcere e nos conta sua vida atrás das grades, suas angústias e esperanças.

Asia Bibi

Ela está à espera do braço da morte há mais de cinco anos e atualmente encontra-se na prisão de Mutlan. Asia tem se apegado à sua Bíblia e à sua profunda fé, confiando mais na providência de Deus do que na justiça paquistanesa. Entretanto, depois da sentença de sua sorte, esperará com paciência e acolherá serenamente o julgamento do processo em terceiro grau, que acaba de ter início na Suprema Corte do Paquistão. Enquanto isso, ela segue aguardando o sonhado milagre de sua libertação.

Asia, como está a sua saúde e quais são suas condições no cárcere?

Sinto-me bastante bem, estou bem em nome de Cristo, considerando o que pode ser a vida em uma prisão. No cárcere cuidam-me e tratam-me bem, sobretudo, creio, porque meu caso é conhecido em nível internacional.

Como você passa seus dias?

Começo o dia em nome de Cristo, rezando. Em seguida, tomo o café e limpo a cela. Penso em mim, na minha família, nos meus entes queridos e rezo por eles. Depois, chega o almoço, um passeio e logo a janta. Termino cada um dos meus dias dando graças a Jesus Cristo, antes do repouso.

Você lê a Bíblia todos os dias? Há algum versículo de que você goste de repetir na oração?

Sim, claro. A Bíblia Sagrada é um livro importante para mim. A Palavra de Deus me anima, me consola e ilumina em tempos obscuros. Gosto de rezar com as palavras do Salmo 138, que diz: «Se caminho entre perigos, me conservas a vida, estendes tua mão contra o furor de meu inimigo, e tua destra me salva. O Senhor fará tudo por mim. Senhor, teu amor é eterno, não abandones a obra de tuas mãos!». Assim, inclusive nas horas de angústia, meu coração encontra a paz.

Qual é o seu desejo mais profundo quando você pensa em sua família?

O que espero é poder voltar a viver com a minha família, com meu esposo Ashiq e com meus cinco filhos. Penso constantemente neles, e eles me fazem muita falta, sobretudo nestes dias, quando todos se preparam para festejar o Natal.

Como você passará o Natal? O que ele significa para você?

Espero que o dia do nascimento de Cristo traga felicidade e liberdade à minha vida, que traga paz ao mundo e sobretudo ao Paquistão. Natal não significa ter um vestido novo ou celebrar uma festa com um baile. Significa compartilhar o próprio amor com todos os necessitados. Sofro porque passarei o quinto Natal no cárcere, distante da minha família. Espero e rezo para que os cristãos passem o Natal em companhia de seus entes queridos: que Deus mantenha unida sua família. É o dom mais precioso que podem receber.

O que você acha do processo em terceira instância, que se será julgado na Suprema Corte?

Apresentamos um recurso e creio que Jesus Cristo com seu braço forte me restituirá a liberdade. Recordo-me da experiência de São Pedro: quando estava no cárcere, o Espírito Santo veio e lhe abriu as portas da prisão. Espero um verdadeiro milagre para a minha libertação.

Quem e quais organizações ajudam a sua família?

Agradeço a todos, da comunidade internacional e das nações cristãs. Eles estão próximos de mim, como apoio de oração. Peço que todos os que estão abusando de meu nome por interesses pessoais me deixem em paz. Agradeço à Renaissance Education Foundation, que sempre está próxima de mim e de minha família. Os que queiram ajudar-me, podem fazê-lo através da Fundação.

O que você pede a Deus?

Peço que perdoe a todos que têm usado meu nome para interesses pessoais e que me restitua a liberdade.

O que você gostaria de dizer ao Papa Francisco e aos cristãos do mundo todo?

Ao Papa Francisco e a todos os cristãos do mundo, gostaria de dizer-lhes: peço que lembrem-se de mim em suas orações. Creio firmemente que sua oração poderia ajudar-me para que eu possa saborear novamente o dom precioso da liberdade.

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12 janeiro, 2015

Arcebispo, reitor e beijoqueiro.

Por Catapulta-Argentina | Tradução: Fratres in Unum.com – Victor Manuel Fernández, amigo pessoal de Bergoglio desde os tempos de Buenos Aires, não fora confirmado pela Congregação para a Educação Católica, em tempos de Bento XVI, como reitor da Universidade Católica da Argentina, por sua inexpressividade acadêmica e por alguma qualquer outra incerteza… Logo que foi eleito, Bergoglio confirmou-o na mesma Universidade, elevando-lhe à dignidade de arcebispo e também de seu ghost-writer, sendo o principal autor da Encíclica Evangelii Gaudium“Tucho” é o apelido com o qual é chamado por Francisco.

Um furibundo leitor me noticia, em termos bastante soezes, um livro do Arcebispo “Tucho” Fernández, reitor da ex-Universidade, ex-Católica e ex-Argentina, “Cura-me com a tua boca – A arte de beijar” (original: Sáname con tu boca – El arte de besar), publicado em 1996 e apresentado pela Editora nestes termos:

“Nestas páginas, o autor destaca a importância do beijo como sustento das relações, tanto amorosas como afetivas, ao mesmo tempo que ensina o leitor a beijar melhor”, acrescentando um comentário do próprio “Tucho”:

“Deixo claro que este livro não está escrito tanto a partir de minha própria experiência, mas a partir da vida das pessoas que beijam. E, nestas páginas, quero sintetizar o sentimento popular que as pessoas sentem quando pensam num beijo, o que experimentam os mortais quando beijam. Para isso, falei longamente com muitas pessoas que têm abundante experiência no tema e também com muitos jovens que aprendem a beijar de seu próprio modo. Além disso, consultei muitos livros, e quis morar como os poetas falam sobre o beijo. Deste modo, tentando sintetizar a imensa riqueza da vida, vieram à luz estas páginas a favor do beijo. Espero que lhe ajudem a beijar melhor, que lhe motivem a liberar o melhor do seu ser em um beijo”.

Como o licencioso livro está esgota, sugiro ao Arcebispo, Reitor e Osculador uma segunda edição, na qual:

1) Nos transmita “a sua própria experiência”;

2) Nos relate se em alguma delas recitou ao ouvido versos sobre beijos, e que classe de beijos recebeu e de quem;

3) nos detalhe se alguns beijos foram “liberadores” do “melhor do seu ser”;

4) e, o mais importante, o que aconteceu depois da liberação.

Pergunto-me o que esperam os professores da ex-Universidade Católica da Argentina — os poucos bons, que ainda sobrevivem —, para dar um golpe e mandar este perturbado ao esgoto. Em Roma, seu padrinho, Francisco, lhe brindará com um seguro refúgio.

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