Posts tagged ‘Atualidades’

27 maio, 2015

Campanha pelo lançamento de “Sobre a Paciência”.

Grande novidade na área para todos os católicos: a editora Concreta pretende publicar a obra “Sobre a Paciência”, uma reunião dos textos de três dos maiores autores da Patrística – Tertuliano, S. Cipriano e S. Agostinho – sobre a virtude cristã da paciência. A coordenação editorial é do Padre Cléber Eduardo Dias, também responsável pela tradução, prefácio e notas do livro.

Essa campanha é a primeira do recém-inaugurado selo da Concreta, a “Coleção Patrística”, que pretende trazer ao mercado editorial brasileiro as grandes obras das patrologias grega, latina e oriental, em apuradas edições bilíngües e contando com denso aparato crítico.

https://goo.gl/hKagm5

A editora funciona no sistema de financimento coletivo, no qual as colaborações do público é que permitem a concretização das obras. São diversas cotas para você colaborar e receber sua recompensa, algumas delas incluindo, além do livro impresso, cursos sobre as heresias do período patrístico e também aulas de latim.

Assista à apresentação, escolha sua colaboração e faça parte desse nobre projeto.

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4 maio, 2015

DITADURA BOLIVARIANA PATROCINADA PELOS BISPOS? Reforma Política, CNBB e Teologia da Libertação.

Por Pe. Genésio – Fratres in Unum.com 

Pedimos aos leitores do FratresinUnum,
que leiam o presente texto com a máxima atenção.
A gravidade do assunto o exige.
 

O Futuro do PT depende da CNBB

Completamente desmoralizado por causa dos escândalos vultuosos de corrupção, repudiado veementemente nas ruas, o Partido dos Trabalhadores (PT) não conseguirá se reeleger em 2018. Nem uma eventual fraude nas urnas poderá salvá-los; ante uma eleição esmagadoramente desfavorável, uma “vitória” fraudada causaria um levante sem igual. Eles são conscientes disso.

A única alternativa que lhes resta é dar um Golpe de Estado, ou seja, suspender as instituições democráticas que caracterizam um Estado de Direito.

Para fazê-lo, porém, estão bastante desguarnecidos. Sem o favor do exército nacional e com uma militância de guerrilha insuficiente para tanto, um golpe lhes seria muito difícil e, além disso, viria em desencontro com a fachada democrática que falsamente exibem.

A saída para o impasse seria a Reforma Política, que consta de dois momentos: uma reforma eleitoral, e uma nova constituinte exclusiva e soberana. Em outras palavras, o sistema político brasileiro passaria por uma alteração completa.

Contudo, das propostas existentes, a mais expressiva é a da chamada Coalizão pela Reforma Política, que agrega entidades como CNBB, OAB, Liga Lésbica Brasileira, CUT, MST, União da Juventude Socialista, entre outras.

Não adianta a Dom Joaquim Mol diferenciar este Projeto da proposta homônima do PT. De fato, os grupos que o propõem juntamente com a Conferência dos Bispos são aqueles mesmos que apoiam todo o projeto de hegemonia política do partido governante.

Evidentemente, pela força popular que possui, a CNBB é a responsável principal pela coleta de assinaturas que será entregue à Presidência da Câmara dos Deputados, e está convocando uma imensa multidão para fazê-lo em conjunto, na Praça dos Três Poderes, no próximo dia 11 de maio.

O PT está objetivamente perdido se esta proposta de Reforma Política não prosperar.

A CNBB é a única esperança de salvação para o PT.

Os bispos enganados

Como recentemente reconheceu Dom Murilo Krieger, atual vice-presidente da CNBB, as propostas deste projeto de Reforma Política “não tiveram a participação de todos os Bispos; são fruto, sim, de uma reflexão que envolveu principalmente algumas comissões episcopais”.

A maior parte dos bispos, desacostumados a temas dessa natureza, totalmente empenhados em sua pastoral diocesana, foi literalmente enganada por um pequeno grupo que, sorrateiramente, levou a cabo o tal projeto.

Num recente vídeo, Daniel Seidel, representante da CNBB num evento sobre a Reforma Política na PUC de Goiás, afirmou que

“nós temos que tomar juízo, vergonha na cara, e nos dedicarmos a esta coleta de assinaturas. Por que que eu digo isso? Porque, na verdade, nós não estamos querendo só a reforma política. A reforma política vai dar margem para a reforma tributária, vai dar margem para outras reformas necessárias para repartir. Porque, até então, nestes doze primeiros anos de governo popular no Brasil, nós tivemos avanços importantes acontecendo, mas só que nós chegamos ao limite, e hoje nós temos que distribuir a riqueza que a classe trabalhadora produz nesse nosso país. Agora, a gente só distribui a riqueza com reforma tributária. Não dá mais pra ficar apenas com os importantíssimos programas sociais que existem: o povo quer mais, e quer avançar para uma economia mais igualitária. Agora, para isso, precisa reformar o sistema político brasileiro”.

O representante da CNBB foi bastante contundente na defesa do governo atual, qualificado por ele de “doze primeiros anos de governo popular”.

O Projeto de Lei da Reforma Política não foi votado na Assembleia dos bispos e a maior parte dos mesmos não concorda com este. O tema tampouco foi submetido a votação nesta última 53a. Assembleia da CNBB, onde apenas deu-se lugar para um “esclarecimento” de Dom Joaquim Mol.

Isso não foi por acaso! Os bispos queriam que o tema fosse votado e, se tivesse sido, teria sofrido uma derrota esmagadora, pois todos estavam em peso contra a tal reforma.

No fim das contas, o Projeto vai adiante sob a falsa aprovação da CNBB, e os bispos não reagem, quer porque não entendem direito o assunto, quer porque não conseguem enxergar que se trata de um golpe.

A pergunta que nos fazemos é: por que eles não conseguem enxergar? Como se explica essa incapacidade analítica diante de fatos tão clamorosos?

Ainda viva, a Teologia da Libertação

Não há como entendermos o que está acontecendo sem compreendermos bem em que consiste a Teologia da Libertação (TL). Contrariamente ao que se pensa, esta não morreu; antes, vive, e vive operante.

Engana-se quem imagina que a TL seja uma corrente teológica inspirada no marxismo.

A TL é uma metodologia destinada a transformar a Igreja numa organização integralmente marxista. Para entendê-lo melhor, valhamo-nos da reflexão do fundador da TL, o Padre Gustavo Gutiérrez.

Em seu livro “Teologia da Libertação” (Loyola, São Paulo: 2000, conforme a 9ª. edição original de 1996), Gutiérrez afirma que a história da teologia poderia ser dividida em três fases: no primeiro milênio, a teologia era uma reflexão sapiencial; no segundo milênio, uma reflexão racional; e agora, no terceiro milênio, seria uma “reflexão crítica sobre a práxis, uma teologia crítica” (cf. pp. 61-71).

Ele assume que “entre os antecedentes desta teologia estão o pensamento marxista centrado na práxis, dirigido para a transformação do mundo, cuja gravitação se acentuou no clima cultural dos últimos tempos, e constitui-se em marco formal de todo o pensamento filosófico de hoje, não superável” (pg. 65).

Ademais, admite que todos esses fatores “levaram igualmente à redescoberta ou à explicitação da função da teologia como reflexão crítica”, explicando que, “reflexão crítica” significa que “a teologia deve ser um pensamento crítico de si mesmo, de seus próprios fundamentos[…] Referimo-nos também a uma atitude lúcida e crítica com relação aos condicionamentos econômicos e socioculturais da vida e reflexão da comunidade cristã […] A reflexão teológica seria então, necessariamente, uma crítica da sociedade e da Igreja…, indissoluvelmente unida à práxis histórica” (pp. 67-68).

Gutiérrez não titubeia, e afirma que “se, porém, parte a teologia dessa leitura e contribui para descobrir a significação dos acontecimentos históricos, é para fazer que seja mais radical e lúcido o compromisso libertador dos cristãos. Só o exercício da função profética, assim entendida, fará do teólogo o que, usando a expressão de A. Gramsci, pode chamar-se um novo tipo de ‘intelectual orgânico’” (pp. 70-71).

“Estamos, pois”, conclui Gutierrez, “diante de uma hermenêutica política do Evangelho” (p. 71), que não se limita apenas a justapor-se a toda a tradição, mas “leva necessariamente a uma redefinição” daqueles dois modelos anteriores, de modo que “sabedoria e saber racional terão, daí em diante, mais explicitamente, como ponto de partida e como contexto, a práxis histórica” (p. 72). Portanto, o que “a teologia da libertação nos propõe não é tanto um novo tema para a reflexão quanto um novo modo de fazer teologia” (pp. 72-73).

Converter-se ao mundo

Para Gutiérrez, do ponto de vista prático, a relação entre Igreja e mundo foi se deslocando ao longo da história. O problema é apresentado através de uma afirmação de Johan Babptist Metz: “Apesar das numerosas discussões sobre a Igreja e o mundo, nada há de menos claro do que a natureza de sua relação mútua”(p. 100).

Um primeiro modelo é denominado por ele de “agostinianismo político”, e consiste na convicção de que “as realidades terrenas carecem de autonomia própria”, e são utilizadas pela Igreja apenas para chegar aos “seus próprios fins” (p. 108).

Depois da Revolução Francesa, porém, “a tarefa de construção da cidade temporal será, antes de tudo, busca de uma sociedade baseada na justiça, no respeito aos direitos de todos e na fraternidade humana” e, “em consequência, a autonomia do temporal é sobretudo afirmada perante a jerarquia eclesiástica”, querendo-se, porém, “edificar uma ‘cristandade profana’, a saber, uma sociedade inspirada em princípios cristãos” (pp. 109-110).

E, por fim, atingimos o ponto de chegada desse processo: “mais do que definir o mundo em relação ao fato religioso, parece que este deveria ser definido em face do profano” e, na perspectiva eclesial, “se dantes se tendia a ver o mundo a partir da Igreja, hoje quase se observa o fenômeno inverso: a Igreja é vista a partir do mundo. No passado, a Igreja usava o mundo para seus fins; hoje, muitos cristãos – e não cristãos – se perguntam se devem, por exemplo, usar o peso social da Igreja para acelerar o processo de transformação das estruturas sociais”.“A mundaneidade aparece assim como exigência e condição de uma autêntica relação das pessoas entre si e destas com Deus”  (p. 121).

Citando Metz, ele indaga: “será a Igreja realmente algo distinto do mundo?… A Igreja é do mundo; em certo sentido, a Igreja é o mundo: a Igreja não é um não mundo” (p. 128).

Como se vê, para ele, a relação Igreja-Mundo se dá em chave claramente dialética: uma identidade em que prevalece a Igreja, a distinção entre o plano temporal e o plano espiritual, e, por fim, uma nova síntese, a identidade entre Igreja e mundo, na qual prevalece o mundo, numa reinterpretação secularista da Igreja e de sua missão. Para ele, a Igreja serve à transformação do mundo.

Falta-nos entender, porém, como isto se dá.

A Igreja como instrumento para a luta de classes

A teoria de Gutiérrez foi planificadamente exposta na formulação pastoral de Leonardo Boff.

Em seu livro, “E a Igreja se fez povo. Eclesiogênese: a Igreja que nasce da fé do povo” (3a. Edição, Vozes, Petrópolis: 1986 – este título, interpretado à luz do que já foi dito, pode ser traduzido com uma linguagem mais clara da seguinte maneira: “E, finalmente, a Igreja se converteu ao mundo”), ele explica como se devem formar as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

Primeiramente, define uma CEB como “constituída de um grupo de 15 a 20 famílias, ou mais, que se reúnem em torno da Palavra de Deus para expressar e alimentar sua fé, discutir à luz desta Palavra seus problemas, e ajudar-se mutuamente” (p. 94).

Um pouco mais abaixo, Boff passa a explicar como as CEBs usam a Bíblia apenas como instrumento para levar o povo a uma percepção materialista da vida, à revolta, à luta de classes. Dividirei o texto para facilitar a compreensão:

“O nível de consciência das comunidades abrange comumente três etapas.

1) Inicialmente, os membros descobrem a Igreja, ou melhor, descobrem que são Igreja: preparam as liturgias, apropriam-se da palavra, comentando os textos escriturísticos e formulando orações, inventam dramatizações e celebrações.

2) Num segundo momento, descobrem a vida, os problemas domésticos, profissionais, a pobreza do grupo; tudo isto não é indiferente para a fé e para o Evangelho. Sob a inspiração religiosa, passam eles à prática da ajuda mútua.

3) No terceiro momento, descobrem a sociedade e seus mecanismos de dominação. Dão-se conta de que sua situação de marginalizados é produzida por certo tipo de sociedade elitista e concentrada nas mãos de poucos.

Geralmente, o povo parte de uma perspectiva religiosa: a pobreza que sofre é opressão que significa pecado e contradição do desígnio de Deus; depois, ele passa para uma visão moral: trata-se de injustiça social, de ganância, de desejo desordenado de lucro; em seguida, chega ele a uma expressão política: há interesses de classe, exploração, violação de direitos básicos, e desemboca, finalmente, numa interpretação econômica: dominação de uma classe sobre a outra, desigualdade de condições e opressão” (p. 95).

Notem que esta é a metodologia utilizada para ir levando pouco-a-pouco todo um grupo de pessoas à psicologia da luta de classes, com escopo revolucionário.

A conclusão de Boff, no fundo, é o pressuposto do qual ele parte. Para ele, o substrato de todos os problemas humanos é de natureza econômica.

Esta convicção, porém, é a própria essência da cosmologia marxista. O próprio Friedrich Engels, discípulo e parceiro de Karl Marx, escreveu que

“as forças motrizes que – consciente ou inconscientemente e, há que o dizer, na maior parte das vezes inconscientemente – se encontram por detrás dos móbeis das ações históricas dos homens e que, de fato, constituem as forças motrizes últimas da história, os móbeis dos indivíduos, por muito eminentes que sejam, não serão tão importantes como os móbeis que põem em movimento as grandes massas, povos inteiros e em cada povo, por seu turno, classes inteiras” e que “todas as lutas políticas são lutas de classe e que todas as lutas que no seu tempo emancipam classes, apesar da sua forma necessariamente política – porque qualquer luta de classes é uma luta política –, giram, em última análise, em torno de uma emancipação econômica” (Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã, Biblioteca do Socialismo Científico, 3a. Edição, Editorial Estampa, Lisboa: 1975, pp. 136-139).

Vejam a semelhança absurda da lógica deste texto de Engels com aquele texto de Boff.

Na perspectiva “libertadora” das CEBs, até mesmo a Escritura pode ser utilizada como instrumento transitório para se chegar a este mesmo resultado.

Para Boff, a Bíblia serve unicamente para isso!

Numa entrevista do ano passado, durante o período eleitoral, Boff criticou durante a candidata Marina Silva, exatamente por causa de suas convicções bíblicas. Reparem bem em suas palavras:

“O que mudou em Marina Silva? Primeiro ela mudou de religião.De um cristianismo de libertação, ligado aos povos da floresta e aos pobres, passou para um cristianismo pietista e fundamentalista que tira o vigor do engajamento e se basta com orações e leituras literalistas da Bíblia. Isso transformou a Marina numa fundamentalista com a mentalidade de alguns líderes muçulmanos: ler a vontade de Deus não na história e no povo, mas nas páginas da Bíblia de 3-4 mil anos atrás. Isso enrijece a mente e a torna ingênua face à realidade política. Ela viverá permanentemente em crise de consciência entre a lógica da realidade e a lógica religiosa, fundada numa leitura velhista, errônea e anti-histórica da Bíblia”.

Concluindo…

A TL não é uma teologia inspirada no marxismo. É o próprio marxismo, enquanto sistema, desde os seus primeiros pressupostos epistemológicos, disfarçado de teologia. É por causa desta identidade entre marxismo e TL que os teólogos e clérigos que a ela aderem passam a ver o programa do PT e, dentro dele, da reforma constitucional, que o projeto do partido exige, como um programa também da Igreja.

Engana-se quem pensa que a TL tenha sido construída com o propósito essencial de levar a Igreja a uma maior sensibilidade para com os pobres.

Durante os meses de julho e agosto de 1988, mais de cinquenta expoentes mundiais da TL reuniram-se em Maryknoll, Nova York, em um congresso para celebrar o sexagégimo aniversário de Gustavo Gutiérrez. Johan Babptist Metz, o sacerdote fundador da Teologia Política na Europa e um dos principais mentores de Gutiérrez, assim declarou sobre o seu aluno:

“Meu amigo Gustavo Gutiérrez, em suas publicações recentes, sempre tem sublinhado que a Teologia da Libertação não diz respeito a uma nova ética para a Igreja, mas à própria Teologia. É este caráter fundamental da Teologia da Libertação que desejamos discutir agora” (Theology in theStruggle for HistoryandSociety; in The Future ofLiberationTheology, Essays in honor of Gustavo Gutierrez, edited by Marc Ellis and Otto Maduro, Orbis Books, Maryknoll, 1989,pp. 165-171. Tradução minha).

Para os bons entendedores, porém, isto já deveria ter estado claro desde o início do primeiro livro de Gutiérrez, quando este afirma que a nova Teologia Crítica não somente deverá suceder a Teologia Sapiencial do primeiro milênio e a Teologia Racional do segundo milênio, mas deverá, futuramente, absorvê-las em si mesma: “Não se trata de simples justaposição. A Teologia Crítica leva necessariamente a uma redefinição das duas primeiras tarefas da Teologia. A Teologia Sapiencial e a Racional terão, daí em diante, como ponto de partida, a práxis histórica. Não é um novo tema para reflexão, mas uma nova maneira de fazer teologia” (Teologia da Libertação, pp. 71-73).

Como o leitor terá percebido, a verdadeira função da TL é parasitar a Igreja, mantendo uma aparência externa, para metamorfoseá-la em um organismo integrante do projeto revolucionário marxista. Para estes “intelectuais orgânicos”, a função da Igreja é ser usada como instrumento para a transformação da sociedade na perspectivada cosmologia marxista, obrigando-a a ressignificar-se de acordo com a nova “teologia crítica”, essencialmente baseada no materialismo econômico e na luta de classes.

São os que já foram conquistados por esta nova cosmologia que nos estão querendo submeter ao engodo deste Projeto de Reforma Política, usurpando o nome da nossa Conferência Episcopal, a despeito da maioria ignorada dos bispos, ameaçando fazer os fiéis da nossa geração passarem a vergonha histórica de serem cúmplices da introdução de uma ditadura bolivariana em nossa nação.

O maior inimigo da Igreja Católica no Brasil é a TL. E é dever de todo católico combatê-la energicamente, pois não podemos permitir que a Igreja seja interceptada por uma ideologia materialista e mundana.

Por isso, convido o caro leitor a divulgar este texto, escrever outros e expor com toda a clareza o modus operandi da TL em nossas igrejas. Peçam a padres e bispos que se manifestem claramente sobre sua própria adesão à TL e sobre o seu verdadeiro conteúdo. Antes que o cupim destroce toda a mobília, peçam que tragam à luz do dia o que é e o que faz a TL.

O Projeto de Reforma Política apresentado pela CNBB é apenas uma decorrência última desta infiltração. Se for bem sucedido, pode ser que a Igreja tenha cumprido sua função e, depois de ter propiciado a completa Revolução socialista no Brasil, possa ser devidamente destruída por aqueles que a interceptaram por dentro.

O papel do Brasil no cenário da revolução continental que o Foro de São Paulo visa criar, gerando a “grande pátria latino-americana”, é decisivo. Se perder o governo do Brasil, não apenas o PT estará perdido, mas todas as décadas de revolução latino-americana irão por água abaixo. O Foro de São Paulo sofrerá uma grande hemorragia.

Por isso, não podemos nos deixar enganar. Faça um grupo, procure seu bispo, fale sobre esta situação dramática. Você vai perceber que a maioria dos bispos já está compreendendo a situação e precisa deste apoio para poder agir. Não vá sozinho; o grupo proporciona um ambiente de diálogo, dentro do qual é mais fácil chegar a um discernimento.

O futuro do Brasil está nas mãos da Igreja. Não podemos cruzar os braços diante dAquele que no-los abriu na cruz!

Deus salve a Igreja!

Deus salve o Brasil!

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3 maio, 2015

Vaticano demite Dom Finn após anos de ataques por sua defesa à identidade católica.

Por Life Site News | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com: KANSAS CITY, MO, 21 de abril de 2015 – Após anos servindo de bode expiatório da mídia americana no escândalo de abusos sexuais por parte de padres católicos, além da crítica da esquerda por seu empenho para promover a doutrina e as tradições da Igreja, o chefe da Diocese de Kansas City – St. Joseph foi demitido de seu cargo pelo Vaticano.

Dom Robert Finn “tornou-se incapaz de ocupar seu cargo,” de acordo com o Vaticano, que anunciou, em 21 de abril, que o Papa Francisco havia aceitado a renúncia do bispo.

A saída de Dom Finn está “em conformidade com o cânon 401, parágrafo 2, do Código de Direito Canônico,” disse o Vaticano, que dá a entender que ele teria sido “seriamente admoestado a apresentar sua renúncia do cargo.”

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24 março, 2015

Arcebispo de San Francisco: Os dissidentes do magistério da Igreja não devem receber a Comunhão.

SAN FRANCISCO, CA, 31 de março de 2014 – Por LifeSiteNews.com | Tradução: Fratres in Unum.com – Falando ao LifeSiteNews sobre a questão das condições para a recepção da Sagrada Eucaristia na semana passada, o Arcebispo Salvatore Cordileone disse que o magistério da Igreja sobre esse assunto “tem sido muito claro e coerente desde literalmente o início.”

O magistério da Igreja remonta “da época em que São Paulo escreve em Coríntios I que todo aquele que não receber a Eucaristia dignamente, ou seja, se estiver em pecado, blasfema o corpo e sangue do Senhor”, explicou o arcebispo.

O líder dos 444.000 católicos de San Francisco observou que aqueles que dissentem “de um ensinamento definido pela Igreja” e aqueles que violam o seu ensinamento moral gravemente, “não têm as disposições apropriadas para receber a Sagrada Comunhão.”

“Conforme ensina São Paulo, se eles ousarem se aproximar [da Comunhão] tendo consciência de estarem em estado de pecado, condenam-se a si mesmos,” ele disse. “Este não é um julgamento severo da Igreja, mas o nosso entendimento da Eucaristia é de que ela não é simplesmente uma maneira de acolher as pessoas, uma maneira de afirmar as pessoas.”

Ele concluiu observando que o sacramento da penitência existe para todos os católicos que se encontram em tais situações, assim eles podem “confessar seus pecados e receber a absolvição sacramental para serem restaurados ao estado de graça e receber a Sagrada Comunhão.”

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20 março, 2015

Despurpurado.

Cardeal Keith O'Brien, primaz da Escócia.

Ex-cardeal Keith O’Brien, antigo primaz da Escócia.

O boletim de hoje da Sala de Imprensa da Santa Sé traz um “Comunicado do Decano do Colégio Cardinalício”, no qual se informa que o Papa Francisco aceitou a renúncia aos direitos e prerrogativas do cardinalato apresentada pelo Cardeal Keith Michael Patrick O’Brien, arcebispo emérito de Saint Andrews e Edinburgh, Escócia.

Pouco antes do conclave que elegeu Jorge Mario Bergoglio ao sólio pontifício, O’Brien foi alvo de acusações de abusos sexuais e reconheceu “que algumas vezes minha conduta sexual caiu abaixo dos padrões esperados de mim como sacerdote, arcebispo e cardeal. Peço perdão àqueles que ofendi. Peço perdão também à Igreja Católica e ao povo da Escócia. Agora passarei o resto da minha vida em recolhimento. Não tomarei mais parte na vida pública da Igreja Católica na Escócia”.

O Cardeal O’Brien foi nomeado Arcebispo de St. Andrews e Edinburgh pelo Papa João Paulo II, em 1985, e era conhecido por seu progressismo.

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5 março, 2015

Entrevista do Cardeal Burke ao Rorate-Caeli.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com – Na semana passada, Rorate caeli entrevistou o Cardeal Raymond Burke por telefone a respeito de diversos temas. Nada ficou fora de discussão nessa entrevista, e Sua Eminência foi incrivelmente generoso com o tempo dele. Ele mostrou-se brilhante e ainda muito humilde. Temos que reconhecer e apreciar seu cuidado e preocupação para com os católicos tradicionais.

Nesta entrevista abrangente, Sua Eminência falou sobre tópicos extraídas de notícias, como, por exemplo: Autoridades do Vaticano que ameaçam processar blogueiros; mais sacerdotes que se submetem à sua autoridade, o desmantelamento dos Franciscanos da Imaculada; e como os católicos tradicionais podem salvar suas almas neste mundo moderno — e obter para seus filhos os sacramentos no rito tradicional em face dos bispos dissidentes; o celibato sacerdotal; a confusão diária do Papa Francisco; e muito, muito mais.

Archbishop Raymond Burke

AUTORIDADES DO VATICANO AMEAÇAM PROCESSAR BLOGUEIROS

Rorate Caeli: Eminência, muito obrigado por ter aceitado nos conceder esta entrevista. Como o blog internacional mais lido por católicos tradicionais, acreditamos que esta entrevista dará muita esperança aos nossos leitores, assim como aos católicos de mentalidade tradicional em todo o mundo. A nossa primeira pergunta é a seguinte: Recentemente, os católicos tradicionais ficaram atordoados com a notícia de que dois funcionários do Vaticano ameaçaram processar blogueiros e jornalistas tradicionais católicos. O senhor concorda com essa abordagem, e o senhor acha que devemos estar preparados para ver essa atitude com mais frequência no futuro?

Cardeal Burke: A não ser que o blogueiro tenha difamado o bom nome de alguém de maneira injusta, certamente, não acho que esse seja o modo como nós, católicos, devemos lidar com essas questões. Creio que devem ser feitos contatos. Presumo que o blogueiro católico tenha agido de boa fé, e se houver alguém na hierarquia que esteja chateado com ele, a maneira de lidar com esse assunto seria, em primeiro lugar, abordar a pessoa diretamente e tentar resolver o problema dessa forma. No Evangelho de São Paulo aos Coríntios, Nosso Senhor nos orienta a não levarmos nossas contendas à esfera civil e diz que devemos ser capazes, como católicos, de resolver essas questões entre nós. (cf. Mt. 18:15; 1 Cor. 6:1-6)

CONFUSÃO VINDA DO PAPA FRANCISCO

Rorate Caeli: Após oito anos sob o Papa Bento XVI, o clero, os leigos e até mesmo a mídia se habituaram à clareza. Com tanta confusão gerada a partir das declarações diárias do Papa Francisco, confusão vinda do Sínodo, etc., será que não seria melhor nos concentrarmos mais em nível local e paroquial e na Tradição da Igreja, em vez de buscarmos orientação específica de Roma em questões atuais?

Cardeal Burke: Sim, penso que, de fato, o Papa Francisco tenha dado essa indicação. Por exemplo, em sua Exortação Apostólica, Evangelii Gaudium, ele diz que não a considera um ensinamento magisterial. (Cf. 16) Com alguém como o Papa Bento XVI, tínhamos um mestre, que nos dava catequese extensa sobre vários temas. Agora eu digo às pessoas que, se elas estão se sentindo confusas por causa do método de ensino do Papa Francisco, o importante é nos voltarmos para o catecismo e para aquilo que a Igreja sempre ensinou, e ensinar essas coisas, promovendo-as em nível paroquial, a começar pela família. Não podemos perder a nossa energia nos sentindo frustrados com uma coisa que achamos que deveríamos estar recebendo e não estamos. Em vez disso, sabemos com certeza o que a Igreja sempre ensinou, e precisamos nos basear nesse ensinamento e concentrarmos nossa atenção nele.

COMUNHÃO PARA ADÚLTEROS E ATAQUE À DOUTRINA

Rorate Caeli: E por falar nesse ensinamento e no que temos ouvido, o senhor tem dado o que falar ultimamente ao anunciar que vai resistir a qualquer ensinamento heterodoxo sobre o matrimônio, e que os católicos devem reagir, o que nos leva a toda uma questão sobre a qual estávamos indagando. Qual deve ser a resposta dos fiéis católicos se houver uma mudança na disciplina referente à Sagrada Comunhão para divorciados e adúlteros?

Cardeal Burke: Eu estava respondendo a uma pergunta hipotética. Algumas pessoas tentaram interpretar minha resposta como um ataque ao Papa Francisco, o que não era o caso, de jeito algum. Essa foi uma pergunta hipotética que me foi apresentada, e eu simplesmente disse: “nenhuma autoridade pode nos ordenar a agir contra a verdade, e, ao mesmo tempo, quando a verdade está sob qualquer tipo de ameaça, temos que lutar por ela.” Isso é o que eu quis dizer quando falei aquilo. Quando a seguinte pergunta hipotética me foi apresentada: “E se essa agenda for imposta? “. Eu respondi: “Bem, eu simplesmente terei de resistir a ela. Esse é o meu dever.”

Rorate Caeli: Como um fiel católico pode contra-atacar? Seria em seu lar? Seria em um blog?

Cardeal Burke: Penso que vocês têm que continuar ensinando, em seus lares e em suas próprias vidas pessoais, conservando a verdade da fé da maneira como a conhecem, e também falando claramente sobre ela, assim como comunicando ao Santo Padre a sua profunda preocupação, de que na realidade vocês não podem aceitar uma mudança na disciplina da Igreja, o que equivaleria a uma mudança em seu ensinamento sobre a indissolubilidade do matrimônio. Nesse ponto creio que é muito importante tratar da falsa dicotomia que foi elaborada por alguns que dizem: “Oh, não, estamos apenas mudando disciplinas. Não estamos mexendo na doutrina da Igreja”. No entanto, se alterarmos a disciplina da Igreja no que tange o acesso à Sagrada Comunhão por parte daqueles que estão vivendo em adultério, então, certamente, estamos alterando a doutrina da Igreja sobre o adultério. Estaremos dizendo que, em algumas circunstâncias, o adultério é admissível e até mesmo bom, se as pessoas puderem viver em adultério e ainda receber os sacramentos. Trata-se de uma questão muito séria e os católicos têm de insistir para que a disciplina da Igreja não seja alterada de maneira que, na verdade, venha a enfraquecer a nossa doutrina sobre uma das verdades mais fundamentais, a verdade sobre o matrimônio e a família.

BISPOS DISSIDENTES E O SUMMORUM PONTIFICUM

Rorate Caeli: Falemos agora de algo que está bem no controle de Vossa Eminência, como podemos cumprir a promessa e o mandato do Summorum Pontificum neste momento particular da Igreja, e qual é o papel que o Direito Canônico desempenha ao disponibilizar a Missa Tradicional em cada paróquia?

Cardeal Burke: A lei está em vigor uma vez que ela foi dada pelo Papa Bento XVI, e ela não foi alterada. O documento para a sua implementação foi emitido pela Pontifícia Comissão Ecclesia Dei. Todas essas prescrições ainda estão em vigor. Todas essas prescrições insistem na ideia de que quando houver o desejo da Missa tradicional dentre um grupo estável de fiéis, ela lhes deve ser concedida.

Rorate Caeli: De acordo com Summorum, para as famílias cujos filhos nunca foram expostos ao Novus Ordo, embora seu ordinário local não vá atender aos mandatos do Summorum concedendo-lhes a Confirmação no rito tradicional, caso essas famílias levem seus filhos à diocese vizinha ou a uma paróquia pessoal como a da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP), a fim de que eles sejam confirmados no rito tradicional?

Cardeal Burke: Certamente, eles têm o direito de receber os sacramentos no rito tradicional, na Forma Extraordinária. Se eles não puderem recebê-lo em sua própria diocese, então, certamente, eles poderiam solicitar ao seu pároco para dar-lhes uma declaração dizendo que a criança está apta a ser confirmada e, em seguida, levá-las para serem confirmadas em outro local onde a confirmação no rito tradicional seja permitida.

DESMANTELAMENTO DOS FRADES FRANCISCANOS DA IMACULADA

Rorate Caeli: Provavelmente o senhor sabe que temos feito a cobertura dos relatos desanimadores e assustadores do desmantelamento dos Frades Franciscanos da Imaculada (FIs) no ano passado. Vossa Eminência acha que o comissário, Padre Volpi, foi justo? E o que Vossa Eminência acha da declaração de mediação do tribunal feita pelo Padre Volpi relativamente à família do fundador?

Cardeal Burke: Realmente, não tenho o tipo de informações diretas sobre as quais eu possa formar um juízo sobre o assunto. Devo dizer que, apenas como opinião de alguém de fora, Padre Volpi tomou algumas medidas muito fortes de maneira muito rápida. Aparentemente, também li a história, ele teve que admitir que a acusação que fez contra o Padre Stefano Manelli, o fundador dos Freis da Imaculada, e os membros de sua família, de que de alguma forma eles estavam usando indevidamente os bens dos Frades da Imaculada, não era verdadeira. Sem dúvida, esse é um assunto muito sério. Muitos frades estão saindo, e ao que parece, deve haver alguma maneira de lidar com toda a situação para que a própria ordem não desmoronasse, porque eles eram pujantes, tinham muitas vocações e têm muitos apostolados. Na minha opinião, essa é a parte preocupante.

Rorate Caeli: Há relatos, e sinceramente recebemos relatos pessoais sobre esse assunto, de que os padres FIs estariam dizendo que eles estão “fugindo”, eles estão “se escondendo”, usando essas palavras dos atuais FIs sob o padre Volpi. Há também relatos de bispos que estão acolhendo os padres FIs sacerdotes que buscam refúgio em suas dioceses. Vossa Eminência encorajaria esses outros bispos a fazer o mesmo?

Cardeal Burke: Se houver um padre que deseje deixar a sua comunidade religiosa, e se ele for um bom sacerdote e não houver nada em contrário à aceitação deste pelo bispo, creio que um bom bispo certamente aceitaria esse sacerdote e tentaria ajudá-lo a se tornar um padre de sua diocese. Existe um processo; leva tempo. O padre que está querendo deixar sua comunidade religiosa precisa encontrar um bispo acolhedor. Quando um bispo é capaz de acolher um padre, penso que ele deveria se sentir feliz em fazê-lo, pois com isso ele ajudaria um bom sacerdote a ser capaz de continuar exercendo o seu ministério sacerdotal.

PADRES TRADICIONAIS REPRIMIDOS POR BISPOS DISSIDENTES

Rorate Caeli: Na opinião da Vossa Eminência, o que os bons padres que estão sendo reprimidos por seus bispos deveriam fazer? Sabemos de muitos, embora não vamos dizer seus nomes publicamente. Alguns atualmente não têm qualquer função, e eles estão vivendo de doações e ajuda de familiares e amigos. Alguns pensam que é preciso se unir a grupos independentes. Que conselho Vossa Eminência dá aos sacerdotes que simplesmente querem viver, pregar e celebrar a missa da maneira como todos os sacerdotes fizeram antes do Concílio?

Cardeal Burke: Eu simplesmente os exortaria a procurar um bispo que esteja receptivo a esses padres e que tentasse ajudá-los, se possível, ou se ele mesmo não puder ajudá-los diretamente, que os ajude a encontrar outro bispo que lhes permita levar uma boa vida sacerdotal. Isso é tudo o que se pode fazer. Obviamente, há também o recurso à Congregação para o Clero. Se o sacerdote considera que ele está simplesmente sendo tratado de maneira injusta, então, ele poderá pedir a intervenção da Congregação para o Clero.

Rorate Caeli: Há relatos de que, no afã de resolver o problema que acabamos de discutir, uma Administração Apostólica para sacerdotes e religiosos tradicionais talvez seja a saída, a fim de resolver muitos desses problemas com que se deparam, em termos de viver sua vocação estritamente de acordo com o Summorum Pontificum. Vossa Eminência poderia comentar sobre em que ponto do processo isso poderia ocorrer– o futuro de uma Administração Apostólica?

Cardeal Burke: Isso é possível. Não estou ciente de que haja alguma coisa a caminho a esse respeito. Talvez esteja, eu apenas não ouvi nada sobre esse assunto. Certamente essa é uma possibilidade e seria uma maneira de assistir aqueles padres e fiéis que lhes estão vinculados para permanecer em comunhão com a Igreja.

MAIS PADRES SENDO ELIMINADOS. AUTORIDADE DE BURKE 

Rorate Caeli: Agora Vossa Eminência talvez seja tendencioso sobre essa questão, mas será que a Ordem Militar Soberana de Malta teoricamente seria capaz de atuar como uma Administração Apostólica, concedendo faculdades a padres e religiosos tradicionais?

Cardeal Burke: Bem, a Soberana Ordem Militar de Malta, os Cavaleiros de São João de Jerusalém, tem incardinado sacerdotes. Mas ela o fez como uma ordem militar soberana, não como uma Administração Apostólica. A Ordem tem um Prelado, nomeado pelo Santo Padre, que participa do governo da Ordem. Ele é claramente o superior legítimo de quaisquer padres incardinados na Ordem. Precisamente agora, estamos estudando toda a situação, porque temos pedidos de mais padres que desejam ser incardinados na Ordem. Mas, certamente, isso aconteceu no passado, e não há razão para que não possa continuar acontecendo, não em razão do estabelecimento de uma Administração Apostólica, mas em razão da natureza da Ordem.

CELIBATO SACERDOTAL

Rorate Caeli: Já estávamos pensando em fazer essa pergunta meses atrás, quando começamos a elaborar as perguntas da entrevista, e então ouvimos dizer que o Papa falou ontem mesmo que a questão dos padres casados está “em sua agenda”. Será que o celibato sacerdotal para os padres ocidentais está sob grave ameaça com este pontificado?

Cardeal Burke: Esse seria um assunto muito sério porque ele envolve o exemplo do Próprio Cristo, e a Igreja sempre valorizou o seguimento do exemplo de Cristo em seus padres, também em Seu celibato. Ouvi esses relatos, mas não sou capaz de verificá-los, mas essa seria obviamente uma questão muito séria. O assunto já foi analisado por um sínodo mundial de bispos no final dos anos sessenta, e naquele sínodo havia uma reafirmação muito sólida do ensinamento de Cristo sobre o celibato. Eu não me refiro ao celibato como uma disciplina porque ele tem a ver como aquilo que desde os primeiros séculos a Igreja entendeu como sendo o mais adequado para os seus padres. Trata-se de algo mais do que uma disciplina, e, portanto, creio que é muito difícil imaginar que haveria uma mudança nessa questão.

ESTÍMULO AOS CATÓLICOS TRADICIONAIS

Rorate Caeli: Que palavras de encorajamento Vossa Eminência pode dar aos católicos tradicionais que estão lutando para salvar suas almas e as almas de seus filhos no mundo moderno, e, sem qualquer ajuda de Roma, como muitas vezes parece ser o caso?

Cardeal Burke: Costumo dizer para aqueles que me escrevem expressando desânimo ou que estão pedindo orientação a respeito do que parece ser uma situação muito conturbada que, quando estamos em momentos como este, parece haver certa confusão no governo da Igreja, então, mais do que nunca precisamos nos embeber do magistério constante da Igreja e transmiti-lo aos nossos filhos e fortalecer a nossa compreensão desse magistério em nossas paróquias e famílias. E Nosso Senhor nos garantiu — Ele não nos disse que não haveria ataques à Igreja, mesmo desde dentro, mas Ele nos assegurou que as portas do Inferno nunca prevaleceriam sobre a Igreja. Em outras palavras, Satanás, com seus enganos, ao final nunca prevalecerá sobre a Igreja. Temos de ter essa confiança sobre nós e agir conforme ela com grande alegria e grande determinação, ao ensinar a fé, ou dar testemunho com apologética às almas que não compreendem a fé, ou que ainda não se tornaram membros da Igreja. Sabemos que as portas do inferno não prevalecerão, mas, entretanto, o nosso caminho é o caminho da Cruz. E quando temos que sofrer por amor àquilo em que acreditamos ser verdadeiro, podemos abraçar o sofrimento com o conhecimento do resultado final: isto é, que Cristo é o Vencedor. Ele é Aquele que, em última análise, supera todas as forças do mal no mundo e restaura a nós e o nosso mundo para o Pai. É assim que eu tento encorajar os fiéis. Creio que também seja importante que os católicos tradicionais devotos conheçam uns aos outros e se apoiem mutuamente, carregando os fardos uns dos outros, como diz as Escrituras. Devemos estar preparados para fazê-lo, e sermos sensíveis às famílias que possam estar sofrendo algumas dificuldades específicas a este respeito, e tentarmos estar o mais próximos possíveis uns dos outros.

CONCÍLIO VATICANO III?

Rorate Caeli: Obrigado. Temos apenas mais algumas perguntas. Há alguns relatos esparsos, mas de fontes confiáveis, de que Francisco estaria considerando a convocação de um Concílio Vaticano III. Vossa Eminência ouviu alguma coisa a esse respeito?

Cardeal Burke: Não, de maneira alguma.

PROCESSO DE ESCOLHA DE BISPOS

Rorate Caeli: As nomeações episcopais nos Estados Unidos eram, em geral, mais conservadoras sob Bento XVI. Isso não acontecia em todos os lugares. A partir desse aspecto decorre uma clara lacuna com os padres e fiéis praticantes da nova geração que são amplamente conservadores, vinculados ao catecismo verdadeiro, à lei moral da Igreja Católica, a uma Liturgia Sagrada reverente. Vossa Eminência é a favor de uma nova orientação na nomeação dos bispos dos Estados Unidos e outros países? Em sua opinião, o método atual de seleção dos bispos é bom?

Cardeal Burke: Penso que sim. Ele envolve a consulta não só a outros bispos e sacerdotes da diocese, mas também a fiéis leigos. E sempre existe a possibilidade de que os membros individuais do laicato ou grupos de fiéis leigos expressem seus receios à Congregação para os Bispos e ao Núncio Apostólico. Acho que o mais importante é que o Núncio Apostólico saiba, quando houver nomeação de um bispo sendo considerado para uma diocese, que há muitíssimos fiéis com necessidades específicas e que expressam essas necessidades.

PAPEL ATUAL NA IGREJA

Rorate Caeli: Qual é o enfoque principal de trabalho de Vossa Eminência nesses dias?

Cardeal Burke: Meu enfoque principal está na Ordem Militar Soberana de Malta, ajudando o Grão Mestre com a governança da Ordem, especialmente na dimensão espiritual. A Ordem tem uma finalidade dupla: a defesa da fé e o cuidado dos pobres. As duas coisas honestamente caminham muito juntas. Eu o estou ajudando em questões sobre a estrutura da própria Ordem, a fim de cumprir mais eficazmente as duas finalidades, mas também a lidar com questões que inevitavelmente surgem em qualquer organização católica no que diz respeito à doutrina e à moral. Esse é o meu enfoque principal. Também estou tomando tempo para estudar e escrever sobre questões importantes da Igreja contemporânea.

TRADICIONALISTAS RESTAURANDO A IGREJA

Rorate Caeli: O senhor percebe que os católicos tradicionais estão assumindo um papel de liderança, no futuro, para a restauração da Igreja?

Cardeal Burke: Penso que sim. Cada vez mais encontro famílias católicas fortes que são devotas da Missa tradicional, e acho que as famílias vão ter cada vez mais influência daqui pra frente. Se essas famílias influenciarem outras famílias, então, obviamente há um ímpeto que cresce.

Rorate Caeli: Será que existe algo mais que não abordamos e que Vossa Eminência gostaria de acrescentar?

Cardeal Burke: Só para encorajar todos a serem devotados à Sagrada Liturgia, que é a expressão máxima de nossa fé católica, a expressão máxima de nossa fé em Deus, e sermos muito devotados ao estudo do Catecismo da Igreja Católica, e ao ensino da fé em nossos lares e em nossas comunidades locais. A Igreja tem sofrido terrivelmente por décadas de má catequese, de tal forma que os fiéis, as crianças e jovens, até mesmo adultos, não conhecem a sua fé, e precisamos resolver isso, porque as duas coisas caminham juntas. Quando conhecemos bem a nossa fé, então, temos um forte desejo de prestar culto de acordo com a nossa fé e, ao mesmo tempo, o nosso culto nos faz desejar mais conhecer a nossa fé. E então, obviamente, tudo isso fica expresso em ação pela caridade das nossas vidas, especialmente em favor de todos aqueles mais necessitados.

Rorate Caeli: Isso leva a uma última pergunta. Vossa Eminência mencionou a família no lar muitas vezes. Será que João Paulo II foi profético quando falou sobre a Igreja doméstica?

Cardeal Burke: Oh, sim. Ele disse que a Igreja vem até nós através da família, e isso é verdadeiro. O Próprio Cristo vem através da família. Ele foi profético no sentido de que pronunciou novamente aquilo que a Igreja entende desde o início. Essa expressão, Igreja doméstica, é muito antiga, e ela foi repetida no Concílio Vaticano Segundo. Trata-se de uma terminologia muito antiga para a família. Ele foi profético nesse ponto, no sentido de que ele estabeleceu aquilo que o próprio Deus nos ensina sobre a família.

Rorate Caeli: Isso é tudo que temos para Vossa Eminência. Muito obrigado pelo seu tempo hoje e seu incrível serviço à Santa Madre Igreja.

22 fevereiro, 2015

Ocidentais juntam-se a milícias cristãs do Iraque para combater Estado Islâmico.

Por Jihad Watch | Tradução: Alexandre Oliveira – Fratres in Unum.com

Essas pessoas estão fazendo o que os governos do Ocidente pós-cristão não mostraram interesse em fazer: proteger os cristãos perseguidos pelo Estado Islâmico. Mas, uma vez que eles se identificam como cristãos, prepare-se para vê-los difamados e demonizados pela grande mídia e mostrados como o equivalente do Estado Islâmico: cristãos que cometem violência em nome de sua religião de um lado, e os muçulmanos que a cometem em nome de sua própria religião do outro. Que estes homens tenham ido lá para impedir atrocidades ao invés de cometê-las será algo encoberto e ignorado.

“Ocidentais se juntam a uma milícia cristã do Iraque para lutar contra Estado islâmico”, por Isabel Coles, Reuters, 15 de fevereiro de 2015:

 

 

(Reuters) – São Miguel, o arcanjo da batalha, está tatuado nas costas de um veterano do exército dos EUA, que recentemente voltou ao Iraque e se juntou a uma milícia cristã em luta contra Estado Islâmico, no que ele vê uma guerra bíblica entre o bem e o mal.

Brett, 28, carrega a mesma Bíblia de bolso desgastada de quando foi enviado ao Iraque em 2006 – uma imagem da Virgem Maria dobrada dentro de suas páginas e seus versos favoritos destacados.

‘Agora é muito diferente’, disse ele, questionado sobre até que ponto ambas experiências se comparam. ‘Aqui eu estou lutando por um povo e por uma fé, sendo que o inimigo é muito maior e mais brutal.’

Milhares de estrangeiros afluíram ao Iraque e à Síria nos últimos dois anos, principalmente para se juntarem Estado islâmico, mas um punhado de ocidentais idealistas estão igualmente se recrutando, citando a frustração de que seus governos não estão fazendo mais para combater os islamitas ultrarradicais ou para impedir a sofrimento de inocentes.

A milícia a que eles se juntaram é chamada DwekhNawsha – ou seja, ‘sacrifício de si’ no antigo idioma aramaico falado por Cristo e ainda usado por cristãos assírios, que se consideram como povos indígenas do Iraque.

Um mapa na parede no escritório do partido político assírio afiliado à DwekhNawsha marca as cidades cristãs no norte do Iraque, que se desdobram em torno da cidade de Mosul.

A maioria destas cidades agora está sob o controle do Estado Islâmico, que invadiu Mosul no verão passado e emitiu um ultimato aos cristãos: pagarem um imposto, converterem-se ao islamismo ou morrerem pela espada. A maioria fugiu.

DwekhNawsha opera ao lado das forças curdas Peshmerga para proteger aldeias cristãs na linha da frente na província de Nínive.

‘Estas são algumas das únicas cidades em Nínive, onde os sinos das igrejas ainda tocam. Em todas as outras cidades, eles se silenciaram, e isso é inaceitável’, disse Brett, que tem “O Rei de Nínive”, escrito em árabe na parte da frente de seu colete de exército…

Tim encerrou seu negócio de construção na Grã-Bretanha no ano passado, vendeu sua casa e comprou dois bilhetes de avião para o Iraque: um para si e outro para um engenheiro de software americano, com 44 anos de idade, que ele conheceu através da internet.

Os dois se encontraram no aeroporto de Dubai, voaram para a cidade curda de Suleimaniyah e pegaram um táxi para Duhok, onde chegaram na semana passada.

‘Eu estou aqui para fazer a diferença e, quem sabe, colocar um fim a estas atrocidades’, disse Tim de 38 anos, que já trabalhou no serviço de prisão. ‘Eu sou apenas um cara normal da Inglaterra realmente.’

 

6 fevereiro, 2015

A imprensa irlandesa ignora a condenação de um ativista pró-abortista por posse de pornografia infantil.

Patrick Corcoran, conhecido ativista irlandês pertencente ao lobby abortista «Choice Ireland» foi sentenciado a três anos e meio de prisão por estar em posse de mais de 7000 imagens de abusos de menores. O indivíduo, muito conhecido dos movimentos pró-vida do país por sua agressividade contra a Igreja Católica, já havia sido advertido pela justiça em 2013. A notícia passou praticamente despercebida na imprensa irlandesa.

Por Riposte Catholique/InfoCatólica | Tradução: Airton Vieira de Souza – Fratres in Unum.com: A página pró-vida Youth Defense lamentou a absoluta falta de cobertura da condenação por parte dos meios de comunicação do país, aos que acusa de esconder a relação do condenado com o mundo pró-abortista e com grupos de extrema-esquerda.

Tal falta de informação contrasta com a que os mesmos meios dão a qualquer notícia que tenha a ver com situações similares em que foram protagonistas sacerdotes católicos.

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6 fevereiro, 2015

Opção preferencial pelas…

… escolhas/nomeações pessoais, notadamente de “orientação pastoral” mais “alinhadas”?

Comenta o leitor Carlos:

Vejam o que saiu no boletim da Santa Sé de hoje, na parte de audiências:

Le Udienze
Il Santo Padre Francesco ha ricevuto questa mattina in Udienza:
– Em.mo Card. Angelo Scola, Arcivescovo di Milano (Italia).
– S.B. Em.ma il Card. Béchara Boutros Raï, O.M.M., Patriarca di Antiochia dei Maroniti (Libano).
– Em.mo Card. Juan Luis Cipriani Thorne, Arcivescovo di Lima (Perù).
– S.E. Mons. Heinz Wilhelm Steckling, O.M.I, Vescovo di Ciudad del Este (Paraguay).
Il Papa riceve oggi in Udienza:
– Prefetti di diverse città d’Italia.

O novo bispo de Ciudad del Este consegue audiência e o anterior não conseguiu?

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4 fevereiro, 2015

Os novos pobres da Teologia da Libertação.

Por Pe. Dr. José Eduardo de Oliveira e Silva – Vocês já notaram que a “opção preferencial pelos pobres” foi desaparecendo ou se ressignificando no vocabulário da TL? Isto se deve a dois motivos principais:

– em primeiro lugar, à compreensão que o movimento revolucionário teve de que a “revolução sexual” era mais importante do que se imaginava a princípio, pois chegaram à conclusão de que era a família, e não propriamente a propriedade privada, a origem da psicologia do poder, verdadeira causa da desigualdade sócio-econômica.

– em segundo lugar, ao fato de que, com a ascensão dos partidos socialistas ao poder na América Latina, falar sobre os “pobres” seria um “tiro no pé”, e isto para qualquer uma das facções comunistas. Como eles louvam dia e noite o presumido fato de que retiraram não sei quantos milhões da pobreza, teologar sobre ela seria um contra-senso, uma anti-propaganda.

Contudo, como dizia Marilena Chauí num seu odioso vídeo, o discurso TL-petista tem um vício que contradiz seu intento revolucionário: dizendo ter melhorado a vida do pobre, o único resultado que alcançaram foi expandir a classe média, a pseudo-burguesia que eles tanto odeiam.

Por isso, era necessário encontrar um novo tipo de “pobre”, pois não serviriam mais os tais “despossuídos” das décadas de 80 e 90. E eles o encontraram naquilo que Gramsci chamava de lupemproletariado, aquele estrato maltrapilho (moral e economicamente) da população, que sempre existe e existirá em qualquer sociedade.

Os novos pobres são os gays, as prostitutas, os delinquentes, os pervertidos morais, os cultivadores de lixo cultural, da anti-arte, os satanistas, enfim, aqueles que sempre foram considerados elementos desagregadores da sociedade.

Além destes, para dissimularem um pouco este horror grotesco, forjaram ainda outro tipo de pobre: a natureza, e aderiram ao discurso ecologista, trocando a “opção pelos pobres” por uma “opção pela vida”, não necessariamente humana, e quanto mais se entra dentro do submundo “intelectual” do partido, necessariamente não-humana (os eco-teólogos-libertadores já chegaram a escrever que o homem é um vírus no planeta, e que deveria ser eliminado).

A ironia por trás de toda esta estupidez é o fato de que, pelo menos no âmbito da teologia da libertação, aquilo que se dizia nas décadas passadas quando se alegava que a Igreja sempre optou pelos pobres e não necessitava da TL para fazê-lo (vide o exemplo de S. Francisco e dos frades mendicantes) era que o mérito da TL consistia no fato de ter descoberto o “pobre como classe econômica”, como “categoria teológica”.

Agora, os fatos demonstram que a alegação era tão falsa como a abordagem teológica mesma. Os pobres são tão descartáveis nela quanto estas mesmas novas suas definições. A única coisa a que se prestam é à aquisição ou manutenção do poder político, utilizando-se a Igreja como instrumento para chegar a ele.

Não se admirem caso dentro de alguns meses as paróquias comecem a ser invadidas pelo lupemproletariado, e ao seu lado esteja alguém que você nunca imaginou que pudesse estar dentro duma Igreja. Na década de 80, quando as comunidades começaram a ser invadidas pelos comunistas, que até então se declaravam ateus, aquilo parecia impossível. Hoje, duplas LGBT querem batizar seus “filhos”, apadrinhar filhos alheios, assentar seus novos nomes transex nos registros paroquiais e até mesmo casarem-se na igreja.

Alguns pensam que isto é casual, “sinal dos tempos”. Não o é. São os novos pobres da TL que estão chegando, com Bíblia Pastoral nas axilas e cartilhas da PJ de tira-colo. O discurso está pronto e há quem o defenda. Oxalá estejamos preparados para desmascarar o ardil, e revelar que ninguém está preocupado com eles e com sua conversão, mas apenas em usá-los como instrumento de subversão, de domínio e de permanência no poder. Afinal de contas, se acabarem com o lupemproletariado, não haverá mais revolução. Urge, então, mantê-los na delinquência moral, e até criar uma “moral” teológica para os manter aí. Caso contrário, também eles aderirão à moral burguesa, cristã, conservadora. E de tal mal, livre-nos Gaia, valha-nos Marilena Chauí.

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