Posts tagged ‘Atualidades’

31 julho, 2015

Sinos franceses vão repicar no dia 15, pedindo uma oração a Nossa Senhora pelos cristãos perseguidos.

A iniciativa partiu da diocese de Fréjus-Toulon, onde um dos bispos mais ativos do episcopado francês, Dominique Rey. convocou todos os fiéis diocesanos a uma oração pelos cristãos perseguidos no próximo dia 15 de agosto, festa da Assunção de Nossa Senhora aos céus. 

Por Cari Filii | Tradução: FratresInUnum.com Mas não se trata de uma convocação privada, mas pública, e, portanto, será reforçada com o toque dos sinos de todas as igrejas da diocese, com um chamado aos fiéis a que se reúnam diante delas para rezar por essa intenção.

“Não são seres desercarnados”, declarou Dom Rey ao lançar a convocação: “Estão a poucas horas de avião daqui, em países devastados. Chamam-se Samir, Sobhi, Tony, Petro, Boutros, Adib, Rima, Macha, Lama, Fadia, Rama. São homens, mulheres, crianças, anciãos. São rostos onde ocasionalmente vemos angústia, medo, tristeza, confiança, às vezes alegria e esperança. São soluços intermináveis ou gargalhadas infantis. São seres assinados física e moralmente. São seres infinitamente amados por Deus”.

“Bastaria um sinal, um firme chamado a todos os homens de boa vontade”, pediu o prelado: “Que no dia da Assunção, na França, os sinos de todas as nossas igrejas repiquem e os cristãos e todos os que o desejarem se reúnam para expressar seu apoio. Pela paz, com a única arma do amor nas mãos. Alguns minutos de recolhimento e silêncio”.

Pouco a pouco, dioceses se somaram à iniciativa, e assim o fizeram as diocese de Baiona, com seu combativo bispo Marc Aillet à frente, Gap, cujo titular é Jean-Michel di Falco, e – por último – Avignon, comandada por outro prelado sem respeito humano, Jean-Pierre Cattenoz.

Assim justificava Dom Cattenoz: “É importante não baixar os braços. Fazer tocar os sinos é uma bela forma de dar testemunho do que se vive nas igrejas. É assim que convidamos os cristãos, mas também a todas as pessoas de boa vontade, a se concentrar na rua por esse motivo”.

E por que o dia da Assunção?, questiona-se Dom Cattenoz: “Quando tudo vai mal, quando não se tem nada, voltamos à Virgem Maria. Dois bilhões de homens sobre a terra rezam a ela, não só os cristãos… Proponho a todos os fiéis que se concentrem nas igrejas que digam juntos a oração a Maria que derruba os muros”

Esta oração diz assim:

“Santíssima Mãe de Deus, dirigimo-nos a vós como Mãe da Igreja, mãe de todos os cristãos que sofrem e de todas as minorias perseguidas. Suplicamo-vos, por vossa ardente intercessão, que façais cair esse muro, os muros de nossos corações, e os muros que produzem ódio, violência, medo e indiferença, entre os homens e entre os povos.

Vós, que mediante vosso Fiat, esmagastes a serpente antiga, congregai-nos e uni-nos sob vosso manto virginal, protegei-nos de todo mal e abri para sempre em nossas vidas a porta da esperança.

“Fazei que nasça em nós e neste mundo a civilização do amor que pende da cruz e da ressurreição de vosso Divino Filho, Jesus Cristo, Nosso Salvador, que vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.

“Talvez, conclui Dom Cattenoz, alguns temam que este gesto seja considerado como uma provocação aos muçulmanos ou um atentado à laicidade. Mas não é nada disso: trata-se de um gesto de oração, de solidariedade, de paz e de fé. Cremos que pode ter um autêntico impacto”.

 

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29 julho, 2015

“Os bispos estão prontos para morrer para defender os cristãos da Síria”.

IHU – “Em poucos dias, se completará o segundo aniversário desde que, na Síria, o padre Paolo Dall’Oglio foi sequestrado”, disse o Papa Francisco durante o Ângelus no último domingo. “Dirijo um aflito e urgente apelo pela libertação desse estimado religioso. Não posso esquecer também os bispos ortodoxos sequestrados na Síria.”

A reportagem é de Pietro Vernizzi, publicada no sítio Il Sussidiario, 27-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O padre Dall’Oglio foi sequestrado no dia 29 de julho de 2013 por alguns extremistas próximos da Al-Qaeda. O jesuíta trabalhou na Síria de 1982 a 2011, quando foi expulso pelo presidente Assad, mas em 2013 decidiu voltar clandestinamente para a parte da Síria controlada pelos rebeldes.

Os dois bispos sírios sequestrados são Boulos Yazigi e Yohanna Ibrahim, e foram raptados entre os dias 22 e 23 de abril de 2013. Falamos a respeito com Gregório III Laham, patriarca siro-católico com sede em Damasco.

Eis a entrevista.

Que significado tem o apelo do Papa Francisco pelos três religiosos sequestrados?

Estamos muito gratos ao papa pelo seu contínuo compromisso em favor da paz na Síria, dos refugiados, dos requerentes de asilo, daqueles que atravessam o mar nos botes. Eu só posso compartilhar o apelo de Bergoglio em favor do padre Dall’Oglio, dos dois bispos sequestrados, um dos quais irmão do patriarca greco-ortodoxo Youhanna X, e dos muitos outros sacerdotes e leigos nas mãos dos sequestradores. Gostaria de lembrar também Antoine Boutros, sacerdote greco-melquita tomado como refém há dez dias. Esses sequestros são uma grande tragédia para todos nós e, por isso, agradecemos ao Senhor por todas as iniciativas de Sua Santidade. Muitas vezes, trata-se de pessoas que foram capturadas há anos, e das quais ninguém soube mais nada.

Por quem o padre Dall’Oglio e os dois bispos foram sequestrados?

Quem sabe? Pergunte a Obama e à CIA. Se eles são capazes de espionar Angela Merkel, também podem saber onde estão os religiosos sequestrados.

Que medidas de segurança o senhor toma quando vai à Síria?

Nunca tomei nenhuma medida de segurança nem mudei os meus programas. Estou sempre a serviço do meu povo. Normalmente, passo de dois a três dias no meu escritório em Beirute e de dois a três dias em Damasco, mas às vezes permaneço até 15 dias ou um mês seguido na Síria.

A situação para a Igreja na Síria é cada vez mais difícil. O que lhe dá a força para seguir em frente nessa situação?

Aos discípulos no Lago de Tiberíades, Jesus disse: “Coragem, sou eu, não tenham medo”. São João, na primeira carta, nos adverte: “A vitória que vence o mundo é a nossa fé”. A fé dos cristãos sírios é uma escola da qual eu mesmo nunca deixo de aprender. Não nos esqueçamos de que a Síria, junto com a Palestina, é o país que foi o berço do cristianismo. Tudo isso nos dá a paciência, a coragem e a força para suportar. No entanto, apesar de tudo isso, a cada dia os cristãos fogem da Síria, alguns pelo mar, e muitos até a pé até a Alemanha.

Aos cristãos sírios, você aconselha a ficarem na Síria ou a fugirem?

Nunca poderemos encorajar alguém a ir embora. Aos que têm a possibilidade, nós aconselhamos de permanecer naSíria, porque as lideranças da Igreja estarão com eles até o fim e morrerão com eles. Mas quando alguém decide partir, sob a própria responsabilidade, nós fazemos de tudo para ajudá-lo. Nestes dias, por exemplo, eu me encontro na Alemanha, onde estou tentando organizar a pastoral para os refugiados sírios.

A cúpula da Igreja está disposta a ficar ao lado pelos cristãos sírios até a morte?

Sim, já repetimos isso muitas vezes, mas também temos um grande desejo de permanecer vivos. Nós somos filhos de vida, estamos atravessando uma Via Sacra, mas também estamos a caminho rumo à Ressurreição. Como disse o Papa Francisco, “nunca deixem que a chama da fé e da esperança se apaguem nos corações”.

Mas, do ponto de vista puramente humano, existe alguma esperança de trazer a paz para a Síria?

Haveria uma esperança se a Rússia, a União Europeia e os Estados Unidos unissem as suas forças e chamassem à unidade o próprio mundo árabe, a fim de ter uma estratégia comum e combater o Isis. Em particular, eles devem apoiar, e não se enfileirar contra os governos da Síria e do Iraque.

Você acredita que Assad deve ser apoiado?

Se uma parte das potências mundiais ajuda Damasco, e uma parte, o Isis, não se chegará a resultado algum. A Síria e o Iraque, os dois Estados que mais sofrem por causa do Isis, devem ser ajudados com o máximo de empenho. Ajudar uma vez Damasco e uma vez os grupos rebeldes não é uma estratégia eficaz.

Por que não apoiar também os rebeldes moderados?

Na Síria, combatem 28 grupos rebeldes diferentes: estão divididos, fracos e incapazes. Quando o Ocidente lhes fornece dinheiro e armas, imediatamente eles vão acabar nas mãos dos grupos mais fortes, isto é, em última análise, oIsis.

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28 julho, 2015

Cardeal John Onaiyekan da Nigéria: posição da Igreja Católica sobre “casamento gay” é irreversível.

Por Premium Times | Tradução: FratresInUnum.com – Dom John Onaiyekan, arcebispo de Abuja [elevado ao cardinalato em 2012 por Bento XVI], afirmou neste domingo que a posição da Igreja na Nigéria contra o casamento gay é irrevogável.

Cardeal John Onaiyekan.

Cardeal John Onaiyekan.

O Cardeal Onaiyekan reiterou a posição da Igreja em uma conversa que a Agência de Notícias da Nigéria em Makurdi, em uma visita oficial àquela diocese.

Segundo ele, a Igreja Católica continuará a defender sua posição contra o casamento gay.

Ele lamentou que muitas pessoas por todo o mundo estejam aceitando o homossexualismo como norma, porém, insistiu que ele nunca poderá se tornar regra somente pelo fato de ser aceito por alguns.

“Lamentavelmente, estamos vivendo em um mundo onde essas coisas agora se tornaram totalmente aceitáveis, mas pelo fato de serem aceitas não significam que sejam certas”.

“A Igreja Católica se considera portadora da bandeira da verdade em um mundo que se permitiu ser tão gravemente enganado”, disse.

Ele declarou que a Igreja Católica era um dos poucos grupos religiosos por todo o mundo que mantiveram sua consistência contra a orientação sexual.

O clérigo descreveu a homossexualidade como contrária à vontade de Deus.

“Mesmo que as pessoas não gostem de nós por isso, nossa Igreja sempre afirmou que a homossexualidade é contrária à natureza e que o casamento existe entre um homem e uma mulher.

“Não há esse tipo de coisa como o casamento entre dois homens ou duas mulheres, o que quer que eles façam entre si não deveria ser chamado de casamento.

“Não há a mínima possibilidade da Igreja Católica mudar sua posição a este respeito”, afirmou.

24 julho, 2015

Internacionalismo de esquerda instrumentaliza Igreja para utopia da “Pátria Grande”.

Por Hermes Rodrigues Nery | FratresInUnum.com – Conta Carlos Peñalosa que Fidel Castro, desde jovem, ainda quando era estudante de direito da Universidade de Havana, já tinha em mente retomar e colocar em prática a ideia e o projeto de poder totalitário da “Pátria Grande”, conceito este que veio não de Bolívar, mas de Francisco de Miranda, e que servia aos propósitos e interesses do internacionalismo socialista (das forças de esquerda). Com o Foro de São Paulo, a partir dos anos 90, Fidel Castro, Hugo Chávez, Lula e tantos outros tiranetes sul-americanos se encantaram com o discurso sedutor de Fidel, que via no projeto da “Pátria Grande” a forma de concretizar a extensão da revolução cubana para toda América Latina. Mas, para que tal projeto se consolidasse, depois de um bem sucedido processo gramscista de tomada de postos e aparelhamento das instituições, o próprio Fidel se convenceu de que era preciso instrumentalizar a Igreja Católica para tais fins, entendendo o fenômeno religioso como dado sociológico. E nesse sentido, a teologia da libertação desempenhou um papel relevante no processo de ganhar padres e bispos para a causa da “Pátria Grande” socialista. Como explica Miguel Ángel Barrios,

“…es la Teología de la Liberación post Concilio Vaticano II. Esta última, es la primera estrictamente latinoamericana. Más allá, de las apasionantes polémicas y de sus diferentes vertientes, la Teología de la Liberación unificó la opción preferencial por los pobres y la justicia. Y dentro de ella, la variante de la Teología de la Cultura, representada por figuras como el Padre Lucio Gera, Monseñor Gerardo Farrell y por el teólogo y filósofo uruguayo, Alberto Methól Ferré. Esta Teología, variante de la oleada de la Teología de la Liberación, acentúa el tema de la religiosidad popular, de los pobres y la cultura, y la de la revalorización de la historia latinoamericana, de la Patria Grande.” 

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23 julho, 2015

Bons tempos para Dominicanos dissidentes.

Matéria de 16 de maio de 2015.

Ultra-liberal Timothy Radcliffe nomeado pelo Papa Francisco como Consultor do Pontifício Conselho de Justiça e Paz.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: O boletim do Vaticano de hoje informa que o Padre Timothy Radcliffe OP, acaba de ser nomeado pelo Papa Francisco como Consultor para o  Pontifício Conselho de Justiça e Paz. O antigo Superior Geral da Ordem Dominicana é um proeminente defensor da proposta-Kasper em favor da comunhão para a “divorciados recasados.” Ele também é um ardoroso defensor da ordenação de mulheres, senão para o sacerdócio, pelo menos para o diaconato. No entanto, ele se tornou mais famoso por suas frequentes declarações públicas a favor de uma maior aceitação da homossexualidade, e por ter se tornado um celebrante frequente das infames “Missas gays” em Soho, Londres. O blog Rorate já denunciou várias vezes seu apoio flagrante à homossexualidade. (ver isso e isso – vá até o final de cada post). 

É verdade que Radcliffe se “opôs” ao conceito de  “casamento gay”, mas sua falsa “oposição” se fundamenta em bases totalmente contrárias às da Igreja: ele se opõe porque, segundo suas próprias palavras: ‹‹ o “casamento gay”, em última análise, acreditamos que humilha as pessoas gays, forçando-as a se encaixar no mundo padrão dos heterossexuais ›› . Seu apoio às “uniões civis do mesmo sexo” e o seu louvor pelo “amor  homossexual ” são matéria de conhecimento público, e isso provocou bons e devotos Católicos a fazerem de tudo para impedir que ele falasse na  Conferência da Divina Misericórdia na Irlanda (veja aqui e aqui) e em San Diego, Califórnia (ver sobre isto no Wanderer), bem como na Conferência da Juventude Flame 2 este ano em Londres (ler aqui). Todas estas tentativas falharam e a aceitação de Radcliffe acaba de receber um reforço importante com esta última nomeação. Uma tremenda bofetada no rosto de tantos bons católicos que se opunham a ele por fidelidade à fé …

Radcliffe não é o único liberal Dominicano e rebelde voando alto nesses últimos dias. A nomeação de hoje saiu apenas quatro dias após o Padre Gustavo Gutierrez OP ter estreado como o principal orador em uma conferência de imprensa do Vaticano. Outro dissidente Dominicano que está subindo rápido é o Bispo Jean Paul Vesco de Oran (Argélia), um jovem bispo (53 anos), que foi provincial da Província francesa da Ordem dos Pregadores entre  2010-2012 e um defensor de alto perfil da proposta de Kasper  do ano passado. Ele já foi designado como um dos delegados do Sínodo dos Bispos de 2015.

21 julho, 2015

Carta a um jornal diocesano (dito católico).

Carta enviada à redação do Jornal Diocese em Foco da Diocese de Tubarão, SC, a respeito da afirmação do Pe. Agenor Briguenti, referindo-se à Igreja pré conciliar como Igreja-massa e caduca.

Laguna, 02 de junho de 2015

Não posso deixar de expressar minha indignação às palavras do pe. Agenor Brighenti no Jornal Diocese em Foco, edição 49, nº 361, junho de 2015. Diz esse padre na página 11 do referido jornal que o Vaticano II foi um resgate de uma ‘Igreja-comunidade’ e a consequente superação do velho e caduco modelo de uma Igreja-massa. Lendo essas coisas hilárias deste doutor em teologia, fico a imaginar por que todos os santos, inclusive os mártires, entregaram suas vidas por este modelo caduco.

Por que será que Santa Teresinha do Menino Jesus, formada neste modelo caduco da Igreja-massa, continua sendo fonte de inspiração para todos os católicos nascidos pós Concílio Vaticano II? Como explicar isso? Não consta sequer uma palavra que esta santa tenha se revoltado contra esse modelo! Como explicar que todos os padroeiros e padroeiras de nossas paróquias também beberam desta “caduquice” e todos os anos o povo continua festejando suas palavras e atos?

Ainda em relação a isso, não vou muito longe: por que nossa Diocese lutou para beatificar Albertina, sabendo que ela havia sido doutrinada no modelo caduco? As virtudes desta filha de Deus vieram de onde? Aprendeu com seus pais, diriam alguns, mas onde os pais desta jovem foram doutrinados? Incrível, não? A pergunta que não cala: Poderia este modelo velho e caduco, conforme o pe. Agenos Brighenti, suscitar a santidade nesta menina tão invocada pelo nosso povo?

Das duas uma: ou todos os santos doutores e papas estavam errados e o Dr. Brighenti está certo, ou vice-versa. Afinal, pode-se perguntar:  toda esta gente que viveu antes de 62 não conseguiu ver que a Igreja estava caduca e mofada e precisava de ares novos? Será que todos esses homens e mulheres estavam também caducos? Será que todos os Concílios realizados antes de 62 não perceberam estas coisas? Pode a caduquice durar mais de dois mil anos?  Não é muito tempo para se sustentar a caduquice?

Pe. Brighenti se ufana de que os primeiros cristãos se reuniam nas casas. Afinal, o que tem de mais nisso? Jesus não era assim um ferrenho opositor dos templos de pedra, ao contrário, chegou mesmo a defende-lo com chicotes contra os mercadores, dizendo claramente que ali era um lugar de oração.

Fazendo uma analogia com a medicina, sabemos que nos primeiros tempos as pessoas eram tratadas em casa, mas hoje recorre-se aos estabelecimentos de saúde. Tenho a mais absoluta certeza de que o Dr. Brighenti e seus apoiadores não recusarão um tratamento especializado num destes locais, caso venham a necessitá-lo, em detrimento de serem tratados em casa com orações e ervas, como acontecia nas primeiras comunidades.

Quando os expoentes e propagadores da Nova Teologia dizem que a Igreja precisa “voltar às origens”, é como se estivessem dizendo nas entrelinhas que o Espírito Santo esteve ausente nesses dois mil anos de história. Assim, não se consegue entender o que motivou Santa Teresa de Ávila a fundar tantos conventos com a ajuda de São João da Cruz. Teria sido para fomentar a caduquice da Igreja? Impressionante que esses dois luminares da Igreja, em razão do que disseram e fizeram foram aclamados como doutores. Santa Teresa, inclusive, foi feita doutora por Paulo VI, um dos papas que ajudou a Igreja a sair da “caduquice”. Como explicar tudo isso, se esta santa mulher viu no protestantismo uma ameaça em oposição aos doutores de hoje que, na contramão, aclamam Lutero e aguardam festejar os quinhentos anos da reforma que já gerou mais de 35 mil denominações diferentes pelo mundo?

É muito fácil encher as páginas dos jornais com afirmações genéricas e assim desmontar todo um trabalho construído ao longo dos séculos, como se tudo não passasse de um castelo de cartas. Não se quer dizer com isso que não tenha havido erros, mas querer chamar as práticas da Igreja de caducas e grupos de massa, é de uma insensibilidade e ignorância a toda prova. Não vejo uma linha escrita por este doutor enaltecendo alguma coisa de bom neste longo período. Será que não houve nada?

Pergunto: qual das duas Igrejas é melhor? A que produziu uma beata Albertina ou esta que exibe um padre cowboy de calças justas que tem levado mulheres e homens ao delírio, ou alguns desses padres televisivos que possuem comunicação direta com Deus usando para isso uma língua estranha, chamada Xandari…cantari, la, la chanta cantari, la, la, la e tudo isso embaixo da marquise da CNBB.

Termino estas considerações perguntando ao pe. Agenor Brighenti, se ele teria coragem de expor na imprensa que a educação que recebeu de seus pais na infância também não passava de um modelo ultrapassado e caduco e se a sua família era uma “família-massa”. É lamentável que textos como esses possam ser impressos, pois afinal de contas, fazem com que os católicos sintam vergonha do passado da Igreja.  Por outro lado, quem irá contrapor este padre, uma vez que ele é doutor formado em Roma e perito de conferências?

Seja como for, talvez seja melhor morrer caduco do que bailar nas noitadas “evangelizadoras” patrocinadas por esses padres que foram resgatados da “caduquice” e salvos pelo gongo do Concílio Vaticano II.

Ir. Bonifácio

Laguna, SC

20 julho, 2015

Bispo: Vaticano é livre para trabalhar com qualquer um, a ONU não é o demônio.

Por Carol Glatz – Catholic News Service | Tradução: FratresInUnum.com – As Nações Unidas não são “o demônio”, portanto os representantes do papa são livres para colaborar com o  corpo internacional, bem como com pessoas de qualquer posição política, disse o Bispo Marcelo Sanchez Sorondo, chanceler da Academia Pontifícia de Ciências.

A Igreja vai continuar a colaborar com as Nações Unidas em qualquer projeto conjunto que “não vá contra a doutrina da Igreja”, disse em uma coletiva de imprensa em 15 de julho.

A academia do Vaticano está patrocinando um simpósio de um dia em 22 de julho com a iniciativa global da ONU, a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável, liderada pelo economista americano Jeffrey Sachs. A academia também está patrocinando uma oficina correlata com duração de um dia em 21 de julho, reunindo 60 prefeitos e representantes de grandes cidades de todo o mundo [ndr: dentre os quais, Fernando Haddad e Eduardo Paes…] para tomar passos concretos contra formas modernas de escravidão em suas comunidades. Muitos prefeitos também participarão o evento do dia seguinte no Vaticano com a esperança de somarem a sua voz e apoio às metas de desenvolvimento sustentável que serão apreciadas na ONU em setembro.

É o segundo encontro que a Academia Pontifícia organizou este ano com importantes líderes e consultores das Nações Unidas.

Enquanto alguns apresentaram objeções à cooperação do Vaticano com organizações e indivíduos que promovem controle populacional através de meios que claramente violam o magistério da Igreja, o Bispo Sanchez disse que a Igreja trabalha com todos, para que possa unir forças em torno de preocupações em comum.

“O convite é aberto a todos. Se você quiser convidar outras pessoas, será para nós uma satisfação”, o Bispo respondeu a um jornalista que perguntou por que os 12 prefeitos italianos participando da conferência eram, na sua maioria, de partidos ou coalizões políticas de centro-esquerda.

“Todos os seus amigos da direita, ou mesmo se não são seus amigos, em todo caso, todos seriam bem-vindos; não temos nada contra”, ele disse ao jornalista.

Em resposta a uma questão sobre se o Vaticano estava se deixando tornar uma plataforma para a ONU promover a sua própria agenda, o Bispo Sanchez disse que a idéia do encontro e a sua organização vieram da Academia Pontifícia, com o apoio adicional da rede de desenvolvimento da ONU.

A ONU não é o demônio. Aliás, bem pelo contrário,” declarou.

O Beato Papa Paulo VI, o primeiro papa a visitar as Nações Unidas, disse à Assembléia Geral em 1965 que a organização mundial representava o caminho obrigatório da civilização moderna e da paz mundial, o Bispo Sanchez afirmou. Papas sucessivos mostraram o mesmo tipo de apoio, inclusive com suas visitas à ONU, ele disse.

“Portanto, eu não vejo como poderia haver qualquer problema” em colaborar com a ONU, especialmente porque a Academia já trabalhou com muitas outras organizações e líderes mundiais, afirmou.

Ver o demônio nas Nações Unidas, o que alguns da direita tendem a fazer, não é a posição da Santa Sé”, disse.

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16 julho, 2015

“Talvez eu tenha sido um pouquinho acelerado”, diz arcebispo de Passo Fundo após renúncia.

Dom Antonio Carlos Altieri acredita que o fato de não ser gaúcho contribuiu para a dificuldade no relacionamento com o clero.

Por Zero Hora – Após uma série de denúncias e investigações pelo Vaticano, Antonio Carlos Altieri teve ontem sua renúncia ao cargo de arcebispo de Passo Fundo aceita pelo papa Francisco.

Papa aceita renúncia do Arcebispo de Passo Fundo

O religioso paulista solicitou a saída depois de um emissário de Roma ter recolhido críticas e denúncias ao longo de dezenas de entrevistas com padres da sua jurisdição. A decisão do Papa foi publicada na edição desta quarta-feira do boletim diário do Vaticano.

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15 julho, 2015

O itinerário da misericórdia para os bispos “desalinhados” na era Francisco.

Em tempos de Francisco, o roteiro é quase sempre o mesmo: um bispo, mais ou menos conservador, que se indisponha com seu clero ultra progressista tem os dias contados. A quadrilha liberal, muito bem articulada, nessas horas torna-se inclusive moralista e, bradando a quatro ventos os supostos pecados (aqueles que nas saletas de confissão eles dizem não existir) do ordinário, pedem sua cabeça… Ao que a Santa Sé, através da Nunciatura Apostólica, mui ciosa da “comunhão” do presbitério da diocese, envia um visitador que elabora um relatório, cujo resultado culminará quase que invariavelmente sugerindo a renúncia do bispo. Se ele se recusar a renunciar, é bem provável que seja removido sem dó nem clemência — e nem audiência de misericórdia com o bispo de Roma, como ocorreu a Dom Rogelio Livieres.

Você, caro leitor, tem um bispo um tiquinho só mais conservador, com um mínimo de piedade e zelo? Pois, então, coloque sua barba de molho.

* * *

Vaticano aceita renúncia de dom Altieri como arcebispo de Passo Fundo

Por Arquidiocese de Passo Fundo

O Boletim Diário do Vaticano informou esta manhã que o papa Francisco aceitou o pedido de renúncia de dom Antonio Carlos Altieri ao governo pastoral da arquidiocese de Passo Fundo. Dom Altieri é Salesiano, nasceu em 18 de outubro de 1951e foi ordenado sacerdote no dia 17 de dezembro de 1978. Já a ordenação episcopal aconteceu em 28 de outubro de 2006, quando logo assumiu a diocese de Caraguatatuba, até 2012.

No dia 11 de julho de 2012 o Papa Bento XVI o elevou a arcebispo, como metropolita da Arquidiocese de Passo Fundo. Dom Altieri assumiu a Arquidiocese no dia 16 de setembro de 2012.

Em um comunicado divulgado na manhã desta quarta-feira, 15, dom Altieri declarou: “Devo comunicar-lhes que hoje, véspera da festa de Nossa Senhora do Carmo, o papa Francisco aceita o meu pedido de renúncia como Segundo Arcebispo de Passo Fundo, RS”. Segundo ele, “o resultado da recente Visita Apostólica realizada por D. Claudio Hummes, Ofm, a mim apresentado pelo Sr. Núncio, D. Giovanni D´Annielo, deixou-me convencido da inaceitação de minha atuação pela maioria dos que tiveram a possibilidade de dialogar  com o Emmo. Sr. Cardeal”.

O arcebispo conclui afirmando que “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus e, portanto, acredito que todos nós teremos muito a aproveitar de tudo o que Nosso Senhor nos permitiu vivenciar nestes três anos”.

Leia na íntegra a carta enviada pelo arcebispo:

Mensagem aos Srs Bispos, Padres, Religiosos, Religiosas, Consagrados, Seminaristas e ao Povo da jovem e querida Arquidiocese de Passo Fundo!

Irmãos e Irmãs em Cristo,

Alegria e Paz!

Em diversas ocasiões: homilias, palestras e encontros, me servi de várias experiências, fatos e belas tradições conhecidas na realidade africana de Angola, Delegação Salesiana da qual fui Provincial por 6 anos, dos quais 4 anos debaixo da guerra civil.

Um dos fatos que não lembro ainda ter citado e que me sensibilizou muito foi constatar que uma criança nascida albina (ou seja, desprovida de melanina na pele, e, portanto sem nenhuma pigmentação) era considerada pela sociedade em geral um “feiticeiro”. Era triste ver essas crianças não só sofrendo bullying, mas sendo vistas como portadoras de maldição. Não conseguiam se enturmar, portanto não brincavam e não tinham seus dons e valores conhecidos. Na adolescência, em geral, tomavam consciência que eram um peso para suas famílias atraindo perseguição e maldição.

Com uma decisão certamente sofrida, mas pelo bem dos seus caros, afastavam-se para lugares retirados, em geral a mata, onde viviam para sempre à parte da sociedade…  Esse gesto radical sempre me comoveu, pois via nele não tanto a busca de solução pessoal, pois afinal reconheciam o seu “grave limite” imposto pela natureza, mas buscavam com isso o bem comum  de suas famílias e da sociedade em geral… Faziam isso por AMOR!

Mal comparando, pois todo exemplo claudica, devo comunicar-lhes que hoje, véspera da festa de Nossa Senhora do Carmo, o Papa Francisco aceita o meu pedido de renúncia como Segundo Arcebispo de Passo Fundo-RS, após três anos da minha nomeação, feita ainda pelo Papa Emérito Bento XVI, no dia de S. Bento, patrono da Europa, no dia 11/06.

O resultado da recente Visita Apostólica realizada por D. Claudio Hummes, Ofm, a mim apresentado pelo Sr. Núncio, D. Giovanni D´Annielo, deixou-me convencido da inaceitação de minha atuação pela maioria dos que tiveram a possibilidade de dialogar  com o Emmo. Sr. Cardeal .

Portanto, desejando ser fiel ao meu Lema Episcopal: “Nós Acreditamos no Amor”!   (1 jo.4,16), com muita serenidade, sem levar mágoa de ninguém, quero acreditar nessa mediação que a Igreja, sempre atenta aos clamores  de seus filhos, colocou a nosso serviço, tendo como finalidade o bom andamento, o crescimento e a atualização dessa jovem, querida e promissora Arquidiocese de Passo Fundo.  Confesso que jamais desejei desmerecer nenhuma das conquistas e feitos do passado dessa robusta Igreja Particular, sobretudo nas pessoas de meus valorosos predecessores, D. Claudio Kolling, D. Urbano Allgayer  e D. Ercílio Pedro Simon. Contudo, sinto com toda a sinceridade do meu coração de Pastor que Deus prepara para essa porção privilegiada de Igreja muito mais futuro que passado! Não só em termos cronológicos mas, sobretudo, na expansão e adequação que o mundo, a sociedade , sobretudo os jovens, os mais pobres e excluídos merecem e esperam!

“Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus ”(Rom. 8,28) nos diz São Paulo. Portanto, acredito que todos nós teremos muito a aproveitar de tudo o que Nosso Senhor nos permitiu vivenciar nestes três anos… Se houve um porquê do Papa João Paulo I, o Papa Sorriso,  ter exercido a sua Missão apenas por 33 dias….Se Ele permitiu que a Missão do P. Eduardo fosse interrompida aos 33 anos… Procuremos tirar as lições!

Apesar de meus limites constatáveis no dia a dia, bem como aqueles que estão no coração de Deus, rico em misericórdia, e na palavra daqueles que o representam, os confessores, desejo muito cordialmente pedir perdão se a alguém ofendi, embora nunca tenha sido essa a minha intenção. Desejo, outrossim,  manifestar a todos e diante de Deus meu humilde desejo de  continuar me convertendo e servindo a Ele e meus Irmãos e Irmãs, onde a Providência me indicar: como Salesiano, Padre e Bispo. Nossa Senhora Aparecida, padroeira desta Igreja particular nos seja sempre Mãe, Mestra e Auxiliadora em todas a situações, até a hora de nossa morte!   AMÉM.

Dom Antonio Carlos Altieri, sdb
Arcebispo Emérito de Passo Fundo

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13 julho, 2015

“O meu Reino não é deste mundo”.

“O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo.” (Jo 18, 36)

Por Teresa Maria Freixinho | FratresInUnum.com – Confirmado: O crucifixo comunista que Evo Morales deu de presente ao Papa Francisco foi realmente inspirado em outro idêntico, criado por um padre jesuíta chamado Luis Espinal Camps. Padre Espinal, espanhol de origem, chegou à Bolívia em 1968 para atuar como missionário. Nesse país ele trabalhou ativamente como jornalista, cineasta e escritor, engajando-se em causas sociais e na defesa da liberdade de expressão. Em 1980, ele foi sequestrado e assassinado por paramilitares incomodados com suas pregações.

BOLIVIA-POPE-MORALES

A revelação foi feita por outro jesuíta, o padre Xavier Albó, que contou que o crucifixo foi criado nos anos 70. Segundo ele, o padre Espinal teria recebido uma cruz por ocasião de seus votos religiosos e resolveu colocá-la sobre uma foice e um martelo para “refletir a necessidade de dialogar dos cristãos com o movimento operário e, em geral, com todos os setores da sociedade, incluindo os marxistas”. No entanto, padre Albó afirma que seu confrade espanhol não era comunista de modo algum.

Revelações à parte, o que pensar do episódio?

Será que o fato do Papa Francisco ter elogiado “o trabalho de evangelização” do padre Espinal em seu trajeto entre o aeroporto de El Alto e a capital La Paz muda alguma coisa em nossa apreciação do horrendo crucifixo ou do gesto de Evo Morales, que, em 2009, chegou a afirmar: “A Igreja Católica é um símbolo do colonialismo europeu e, portanto, deve desaparecer da Bolívia”?

Claro que não! Um crucifixo comunista será sempre um acinte à Fé Católica. A imagem do crucifixo que reverenciamos e respeitosamente osculamos serve para nos levar à contemplação do Sacrifício Redentor de Nosso Senhor Jesus Cristo por amor a cada um de nós e da resposta que Lhe devemos dar em vista de tão grande amor. A explicação do padre Albó de que esse crucifixo expressaria a necessidade de “dialogar com os marxistas” não apaga a infâmia do que os seguidores da foice e do martelo fizeram à humanidade, sem falar do que fizeram à Fé Católica propriamente. Em todos os lugares onde foi implantado, o regime comunista – e suas inúmeras variantes, seja qual for o matiz — só trouxe desgraças à humanidade, além de uma tremenda perseguição ao cristianismo. Não bastasse o genocídio de milhões de pessoas na Rússia, na China, na Albânia, no Vietnam e na Coreia do Norte, em alguns países, como a Romênia, esse regime nefasto foi particularmente cruel para com os sacerdotes. Como esquecer os inúmeros padres sadicamente torturados por soldados comunistas nas prisões de Pitesti e Jilava? Como esquecer as inúmeras perseguições aos cristãos da Albânia, muitos dos quais passaram anos sem os sacramentos e tiveram que restringir a prática da fé ao interior dos lares ou ainda enterrar todos os objetos litúrgicos que possuíssem para que não fossem destruídos pelos comunistas? Como esquecer a memória dos trinta mártires Franciscanos de Široki Brijeg, na Bósnia, que morreram fuzilados por soldados comunistas por terem se recusado a cuspir no crucifixo que lhes fora apresentado por seus implacáveis algozes como condição para salvar a própria pele?

Luis Espinal (à direita), dirigindo um filme, com sua equipe. Foto: Espinal Agazzi

Luis Espinal (à direita), dirigindo um filme, com sua equipe. Foto: Espinal Agazzi

Na América Latina a ideologia comunista infiltrou-se nas fileiras eclesiásticas sob a forma da Teologia da Libertação, pregando uma suposta justiça social, igualdade e fraternidade, mas minimizando grandemente o aspecto sobrenatural da Fé Católica e menosprezando conteúdos essenciais, como a liturgia, a moral e a doutrina. Esse vírus nefasto afetou grande parte do clero, dos leigos e das instituições católicas.

De acordo com a Teologia da Libertação, os pobres, ao invés de objeto de caridade e solicitude cristãs, como sempre foram, tornaram-se praticamente objeto de veneração e “protagonistas da História”. Não somente os pobres tornam-se o centro das preocupações cristãs, mas também “a natureza” como um todo – daí a ênfase na ecologia e antropologia -, invertendo-se assim a ordem natural do culto cristão, que deve ser direcionado ao Criador. A moral cristã foi reduzida a códigos de conduta humanistas e ecológicos. A luta contra o pecado individual foi minimizada em prol dos “pecados sociais”.  Em vista disso, muito raramente se ouvia algum sermão sólido sobre o aborto, o matrimônio e a castidade nas paróquias mais afetadas pela Teologia da Libertação. O Inferno seria invenção de um passado medieval ou, caso  existisse, estaria vazio, pois não combinava com a misericórdia Divina.

Para piorar o quadro, diversos seminários foram profundamente contaminados e se transformaram em verdadeiras sementeiras de padres e bispos avermelhados. Alguns deles, como Leonardo Boff e Gustavo Gutierrez, tornaram-se gurus das novas gerações. Editoras católicas venderam (e ainda vendem) milhares de publicações dos novos ditadores de paradigmas. Poucos católicos escapariam ilesos entre os anos 70 e 80. Não tínhamos mais nenhuma referência do catolicismo tradicional, que, naquela época, era considerado arcaico e, portanto, rejeitado em larga escala. Consumíamos e disseminávamos essa ideologia em nossas famílias e grupos de amigos. Até mesmo a arquitetura das igrejas foi afetada pela mentalidade revolucionária. A ordem do dia era dizer um sonoro “não aos excessos burgueses” e acolher o “despojamento” (mesmo que despojando-se, para citar um só exemplo, de 100 milhões de reais!). O minimalismo nos traços e elementos foi grandemente levado em conta na construção das igrejas e mosteiros. Em nome de uma suposta solidariedade aos “pobres da América Latina”, alguns padres chegavam a substituir seus belos paramentos – ricos em significado teológico – por vestes desleixadas quando não escandalosas. Orações e cantos foram adaptados para satisfazer a mentalidade marxista e chegamos ao ponto de substituir as veneráveis devoções quaresmais por reflexões sobre a poluição dos rios, dos mares e da atmosfera ou então sobre a ganância dos ricos e a opressão dos pobres. Consequentemente, o número de apostasias foi enorme nesse período. Muitos católicos já não mais conheciam a Fé que professavam. Outros passaram a ter uma postura relativista da religião – “o importante era tão somente buscar a paz, a justiça social e a fraternidade”.

Porém, como nos diz as Escrituras, “onde o pecado abundou, a graça de Deus superabundou”. Mesmo em meio ao caos litúrgico e doutrinal desse período conturbado, Deus suscitou bispos verdadeiramente sábios e corajosos, que denunciaram com todas as letras esse veneno mortal infiltrado na Igreja Católica. Estes, por sua vez, tornaram-se mártires da mídia secular e alvo do escárnio de seus próprios pares, que os descreviam como fascistas, retrógrados e integristas. Como faróis em mares tempestuosos esses pastores ergueram suas vozes e nos conduziram para o caminho seguro da Tradição, denunciando o perigo ao redor da Barca de Pedro.

Não, comunistas não dialogam! Qualquer tentativa nesse sentido será mero monólogo de ingênuos. A Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo não existe para “dialogar” com quem não quer diálogo, muito menos para instituir um mero Paraíso terrestre de “igualdade e fraternidade”. Sua função precípua é salvar almas e, para isso, deve apontar o Caminho do Céu. A busca da justiça social é algo muito bom e desejável, mas não pode se sobrepor à finalidade principal da Igreja.

Nossa Igreja não é e nunca foi a Igreja Dialogante. Aqui na Terra somos Igreja Militante!

Que Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus e pai dos jesuítas, e São Bento, cujo dia hoje celebramos, intercedam por todos nós!