Posts tagged ‘Cardeal Levada’

abril 11, 2012

Essa estranha missa que o Papa não quer.

É a missa segundo o rito do Caminho Neocatecumenal. Bento XVI ordenou à Congregação para a Doutrina da Fé que a examine a fundo. Sua condenação parece certa.

Por Sandro Magister | Tradução: Fratres in Unum.com

Roma, 11 de abril de 2012 – Com uma carta assinada ao Cardeal William J. Levada, Bento XVI ordenou à Congregação para a Doutrina da Fé se examine as missas neocatecumenais estão ou não de acordo com a doutrina católica e a praxe litúrgica da Igreja Católica.

Um “problema” que o Papa julga ser de “grande urgência” para toda a Igreja.

Há tempos Bento XVI está preocupado com as modalidades particulares com que as comunidades do Caminho Neocatecumenal celebram suas missas, no sábado à noite, em locais separados.

Sua preocupação aumentou também pela trama feita às suas costas na cúria no inverno passado, sobre a qual informou www.chiesa nos seguintes artigos:

“Plácet” ou “Non plácet”? A aposta de Carmen e Kiko. (13.1.2012)

Aos neocatecumenais, o diploma. Mas não o que eles esperavam. (23.1.2012)

Ocorreu que o Pontifício Conselho para os Leigos, presidido pelo Cardeal Stanislaw Rylko [ndr: que também promoveu a aprovação da Canção Nova...] , havia preparado um texto de um decreto de aprovação global de todas as celebrações litúrgicas e para-litúrgicas do Caminho Neocatecumenal, que devia ser publicado em 20 de janeiro por ocasião de um encontro previsto do Papa com o Caminho.

O decreto havia sido redigido por indicação da Congregação para o Culto Divino, presidida pelo Cardeal Antonio Cañizares Llovera. Os fundadores e líderes do Caminho, Francisco “Kiko” Argüello e Carmen Hernández, foram informados disso e, felizes, anteciparam a seus seguidores a iminente aprovação.

Tudo sem o conhecimento do Papa.

Bento XVI tomou ciência do texto do decreto poucos dias antes do encontro de 20 de janeiro.

E o achou incoerente e equivocado. Ordenou que fosse anulado e reescrito segundo as suas indicações.

De fato, em 20 de janeiro, o decreto publicado se limitou a aprovar as cerimônias para-litúrgicas que marcam as etapas catequéticas do Caminho.

Em seu discurso, o Papa enfatizou que somente elas haviam sido convalidadas, enquanto deu aos neocatecumenais uma verdadeira e própria lição sobre a missa — quando um ultimato — sobre como celebrá-la em plena fidelidade às normas litúrgicas e em efetiva comunhão com a Igreja.

Nestes mesmos dias, Bento XVI recebeu em audiência o arcebispo de Berlim, Rainer Maria Woelki, homem de sua confiança, que logo seria feito cardeal. Woelki lhe falou, entre outras coisas, precisamente das dificuldades que os neocatecumenais criavam em sua diocese, com suas missas separadas no sábado à noite, oficiadas por uns trinta sacerdotes do movimento.

O Papa pediu a Woelki que lhe fizesse uma nota escrita sobre o tema. Em 31 de janeiro, Woelki enviou a ele uma carta com informações mais detalhadas.

Dias mais tarde, em 11 de fevereiro, o Papa enviou uma cópia desta carta à Congregação para a Doutrina da Fé, junto com um pedido seu de examinar o quanto antes a questão, que “não concerne somente à arquidiocese de Berlim”.

Segundo as indicações do Papa, a comissão de exame presidida pela Congregação para a Doutrina da Fé tinha de ter a colaboração de outros dois dicastérios vaticanos: a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos e o Pontifício Conselho para os Leigos.

E assim foi. Em 26 de março, no Palácio do Santo Ofício, sob a presidência do Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, o Arcebispo Luis Francisco Ladaria Ferrer, jesuíta, se reuniram para um primeiro exame da questão os Secretários dos outros dois dicastérios — o Arcebispo Augustine J. Di Noia, dominicano, do Culto Divino, e o bispo Josef Clemens, do [Conselho] para os leigos — e quatro peritos por eles designados. Um quinto perito, ausente, Dom Cassiano Folson, prior do mosteiro de São Bento em Nursia, enviou sua opinião por escrito.

Os juízos exprimidos sobre a missa dos neocatecumenais foram todos críticos. Muito severo foi também o que a própria Congregação para a Doutrina da Fé havia pedido, antes da reunião, ao teólogo e cardeal Karl J. Becker, jesuíta, professor emérito da Pontifícia Universidade Gregoriana e consultor do dicastério.

O dossiê fornecido para a reunião pela Congregação para a Doutrina da Fé incluía a carta do Papa de 11 de fevereiro, a carta do Cardeal Woelki ao Papa no original alemão e em versão inglesa, o parecer do Cardeal Becker e um guia à discussão no qual se colocava, de maneira explícita, a conformidade com a doutrina e a praxe litúrgica da Igreja Católica do art. 13 § 2 do estatuto dos neocatecumenais, com o qual eles justificam suas missas separadas no sábado à noite.

Na realidade, o perigo temido por Bento XVI e muitos outros bispos — como se conclui das numerosas denúncias que chegam ao Vaticano — é que as modalidades particulares com que as comunidades neocatecumenais de todo o mundo celebram suas missas introduzam, de fato, na liturgia latina, um novo “rito”, composto de forma artificial pelos fundadores do Caminho, estranho à tradição litúrgica, cheio de ambiguidades doutrinais e causa de divisão nas comunidades dos fiéis.

O Papa confiou à comissão por ele desejada a tarefa de averiguar o fundamento destes temores, em vista das conseqüentes decisões.

Os juízos elaborados pela comissão serão examinados em uma próxima reunião plenária da Congregação para a Doutrina da Fé, uma quarta-feira — uma “feria quarta” — da segunda metade de abril.

março 16, 2012

E o diálogo continua.

Da coluna de Andrea Tornielli:

Nas respostas enviadas em dezembro e janeiro, Fellay não havia subscrito o preâmbulo, tomando um pouco mais de tempo e deixando aberta a possibilidade de diálogo com Roma. Agora, o Papa e o Cardeal Levada querem clareza. O tom da resposta vaticana foi determinado pela resposta escrita que o superior lefebvriano havia enviado. Este último, durante o encontro desta manhã, mostrou-se mais conciliador e, durante a audiência privada que se desenvolveu no palácio do antigo Santo Ofício, disse que não tinha “dificuldade em aceitar a profissão de fé”; também afirmou que não tinha problemas com os princípios expressos no preâmbulo: o problema, disse Fellay, não são os princípios, mas a sua aplicação, isto é, o fato de que na Igreja de hoje falte a fidelidade ao magistério.

O diálogo, portanto, não se interrompeu; a porta permanece aberta e a possibilidade de uma reorganização continua existindo.

janeiro 17, 2012

A segunda resposta de Fellay.

Um primeiro texto chegou à outra margem do Tibre em dezembro, mas foi considerado inadequado: assim, a Santa Sé solicitou um novo documento, que acaba de chegar e agora está sendo examinado.

Andrea Tornielli | Tradução: Fratres in Unum.com

A verdadeira resposta do superior da Fraternidade São Pio X, Bernard Fellay, formulada segundo a solicitação da Santa Sé, chegou ao Vaticano apenas na semana passada. A primeira resposta, enviada à outra margem do Tibre em 21 de dezembro passado, não foi considerada adequada pelas autoridades vaticanas, que convidaram o responsável dos lefebvrianos a reformulá-la, considerando esse primeiro envio mais uma “documentação” do que uma resposta. O bispo Fellay, então, preparou um segundo texto, mais conciso, relacionado ao preâmbulo doutrinal que a Congregação para a Doutrina da Fé lhe havia entregado em setembro passado. Este segundo texto agora está sendo examinado atentamente pelos consultores da Comissão Ecclesia Dei, que se ocupam do dossiê dos lefebvrianos e que necessitam de mais algum tempo.

Na próxima semana, a plenária da Congregação para a Doutrina da Fé se reune no palácio do Santo Ofício. A ordem do dia inclui a possibilidade de uma comunicação concernente às relações com a Fraternidade São Pio X, mas dificilmente a reunião poderá ser decisiva, já que a segunda resposta de Fellay, que aceita algumas partes do preâmbulo doutrinal, pondo outras em discussão, necessita de tempo para ser examinada. É provável que uma decisão mais precisa sobre o que será feito venha a ser tomada não neste momento, mas em fevereiro, durante uma “Féria IV”, como são chamadas as congregações ordinárias do antigo Santo Ofício.

Como se pode recordar, no prêambulo doutrinal proposto pela Comissão Ecclesia Dei, presidida pelo Cardeal William Levada e guiada por Monsenhor Guido Pozzo, se pedia aos lefebvrianos que subscrevessem a profissão de fé, o que é considerado indispensável para ser católico. A profissão prevê três graus diversos de assentimento que se pede e faz a distinção entre verdades reveladas, declarações dogmáticas e magistério ordinário. Com relação a este último, afirma que o católico está chamado a assegurar um “religioso obséquio da vontade e do intelecto” aos ensinamentos que o Papa e o colégio de bispos “propõem quando exercitam seu magistério autêntico”, ainda que não sejam proclamados de modo dogmático, como no caso da maior parte dos documentos do magistério.

Quando foi entregue o preâmbulo, as autoridades vaticanas esclareceram que este texto não seria publicado porque não era ainda definitivo, isto é, admitia mudanças — não substanciais — ou eventuais acréscimos. De setembro a dezembro, se espalharam vozes sobre a dissensão dentro da Fraternidade por parte daqueles que não consideram possível um acordo com Roma. Fellay mesmo falou várias vezes do assunto. Em um primeiro momento, havia afirmado que o preâmbulo representava um grande avanço. Depois, após uma importante reunião com os chefes dos distritos da Fraternidade, sempre insistindo na importância do diálogo inciado, afirmou que não podia acolher o preâmbulo tal como estava, acrescentando: “Se Roma nos pede que aceitemos de toda forma, nós não podemos”. Fellay então enviou a primeira resposta, não considerada como tal pelo Vaticano. E agora enviou uma segunda.

O fato de que a nova e mais adequada resposta — que foi considerada nos sacros palácios “um avanço” — tenha que ser atentamente estudada e aprofundada, quer dizer que não é nem um “sim” nem um “não” definitivo ao texto do preâmbulo. Mas que acolhe algumas partes do texto do Vaticano, expressando, por outro lado, suas reservas em relação a outras. E, principalmente, pede mais esclarecimentos e acréscimos. Os lefebvrianos, de fato, não pretendem dar seu assentimento aos textos conciliares relativos à colegialidade, ao ecumenismo, ao diálogo interreligioso e à liberdade religiosa, porque consideram que entram em contraste com a tradição. Precisamente o conceito de tradição, “Traditio”, e seu valor, representa o ponto fundamental do debate que caracterizou as conversações entre a Fraternidade e a Santa Sé. Os lefebvrianos criticam alguns fragmentos conciliares considerando que entram em contraste com a tradição da Igreja.

Quando era Cardeal, Joseph Ratzinger insistiu mais de uma vez na necessidade de não se considerar o Concílio como um “super dogma”. Como Papa, Bento XVI, no já famoso discurso à cúria romana de dezembro de 2005, insistiu na necessidade de interpretar o Vaticano II de acordo com a hermenêutica da “reforma” na “continuidade”. O Catecismo da Igreja Católica, cujo vigésimo aniversário se celebrada em 2012 com um especial Ano da Fé, já propôs esta chave de interpretação para alguns dos pontos que os lefebvrianos consideram controversos.

Ainda é prematuro lançar hipóteses sobre o resultado final deste diálogo que, na fase presente, está ocorrendo à distância e por escrito. Mas ainda não foi dita nenhuma palavra definitiva: o Papa quer fazer tudo o que for possível para sanar a fratura que se criou com os lefebvrianos, e Fellay o sabe muito bem.

outubro 7, 2011

Cardeal Levada no Brasil.

Cardeal Levada celebra rito ordinário versão norte-americana.

Cardeal Levada celebra rito ordinário versão norte-americana.

O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal William Joseph Levada, estará, entre 21 e 23 de novembro, em Belo Horizonte, para o Simpósio Nacional “O Dom do Celibato”, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

O simpósio, segundo a própria CNBB, objetiva “retomar, à luz da tradição e em diálogo com a sociedade contemporânea, a centralidade do tema celibato, no desejo de alcançar novas perspectivas quanto à compreensão de seu valor, bem como conscientizar sobre a necessidade da descoberta de novos horizontes, que possibilitem a formação progressiva para a vivência madura, plena e frutuosa do dom do celibato na vida e na missão da Igreja”.

Discursarão também, entre outros: Dom Paulo César Costa , Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro; Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, Bispo Auxiliar de Belo Horizonte; Dom Leonardo Ulrich Steiner, Secretário Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e anfitrião sorridente de inimigos declarados da Igreja; Dom Sérgio da Rocha, Arcebispo de Brasília; e Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte.

Seguramente, o Prefeito do antigo Santo Ofício teria muito trabalho se, em sua visita, se dispusesse a avaliar a ortodoxia de seus confrades no episcopado. Talvez tivesse mesmo que transferir sua Congregação do Palazzo del Sant’Uffizio para Brasília. Mas faria já um grande serviço se não celebrasse o “rito ordinário brasileiro”, aquele “produto banal do instante” em sua versão tupiniquim, como definiu seu antecessor. Rezemos!

setembro 14, 2011

Comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé sobre o encontro entre a Congregação para a Doutrina da Fé e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Sala de Imprensa da Santa Sé – Tradução: Fratres in Unum.com| Em 14 de setembro de 2011, na sede da Congregação para a Doutrina da Fé, teve lugar um encontro entre Sua Eminência Reverendíssima, o Cardeal William Levada, Prefeito desta Congregação e Presidente da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, Sua Excelência Dom Luis Ladaria, s.j., Secretário desta Congregação, e Monsenhor Guido Pozzo, Secretário da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, com Sua Excelência Dom Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, e os Senhores Padres Niklaus Pfluger e Alain-Marc Nély, Assistentes Gerais da Fraternidade.

Após a súplica dirigida em 15 de dezembro de 2008 pelo Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X à Sua Santidade, o Papa Bento XVI, o Santo Padre tomou a decisão de levantar a excomunhão dos quatro bispos sagrados por Dom Marcel Lefebvre e de abrir, ao mesmo tempo, colóquios doutrinais com a Fraternidade, a fim de superar as dificuldades e os problemas de ordem doutrinal, e chegar à superação da ruptura existente.

Obedecendo à vontade do Santo Padre, uma comissão mista de estudos, composta de peritos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X e peritos da Congregação para a Doutrina da Fé, reuniu-se por oito vezes para encontros que tiveram lugar em Roma, entre o mês de outubro de 2009 e o mês de abril de 2011. Estes colóquios, cujo objetivo era expor e aprofundar as dificuldades doutrinais essenciais sobre temas controversos, atingiram o seu objetivo, que era esclarecer as respectivas posições e as suas motivações.

Tendo em conta as preocupações e as instâncias apresentadas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X a propósito do respeito da integridade da fé católica em face da “hermenêutica da ruptura” do Concílio Vaticano II em relação à Tradição — hermenêutica mencionada pelo Papa Bento XVI em seu discurso à cúria romana de 22 de dezembro de 2005 –, a Congregação para a Doutrina da Fé toma por base fundamental para a plena reconciliação com a Sé Apostólica a aceitação do Preâmbulo Doutrinal que foi entregue durante o encontro de 14 de setembro de 2011. Este preâmbulo enuncia alguns dos princípios doutrinais e os critérios de interpretação da doutrina católica necessários para garantir a fidelidade ao Magistério da Igreja e o sentire cum Ecclesia, deixando, ao mesmo tempo, abertos a uma legítima discussão o estudo e a explicação teológica de expressões ou de formulações específicas presentes nos textos do Concílio Vaticano II e do Magistério que o seguiu.

Durante a mesma reunião, foram propostos alguns elementos em vista de uma solução canônica para a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que seguiria a eventual e esperada reconciliação.

agosto 30, 2011

Casa geral da Fraternidade São Pio X: Dom Fellay será recebido pelo Cardeal Levada em 14 de setembro de 2011.

Por DICI (órgão de imprensa da FSSPX) | Tradução: Fratres in Unum.com

O Cardeal William Joseph Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, convidou Dom Bernard Fellay, Superior Geral de Fraternidade São Pio X, e seus dois assistentes, o Padre Niklaus Pfluger e o Padre Alain-Marco Nély, para encontrá-lo no Palácio do Santo Ofício, em 14 de setembro de 2011. Em sua carta de convite, o Cardeal Levada indicava que este encontro tinha por primeiro objetivo fazer um balanço das conversações teológicas realizadas pelos peritos da Congregação da Fé e Fraternidade São Pio X, no decorrer de dois anos acadêmicos decorridos, e de considerar, em seguida, as perspectivas de futuro.

Visando permitir a realização deste balanço, as conclusões das conversações teológicas redigidas pelos peritos das duas partes foram dirigidas aos seus respectivos superiores. É assim que Dom Fellay recebeu, no fim de junho, o documento que será objeto do encontro de 14 de setembro.

Sobre as perspectivas de futuro, a carta do Cardeal Levada não dá nenhum detalhe, mas alguns — na imprensa e noutro lugar… – se acreditam autorizados a sugerir hipóteses, falando da proposta de um protocolo de acordo sobre a interpretação do Concílio Vaticano II, e prevendo a instituição de uma prelazia ou um ordinariato… Estas hipóteses são virtuais e vinculam apenas os seus autores. A Fraternidade São Pio X se atém aos atos oficiais e aos fatos comprovados.

Como recordava Dom Alfonso de Galarreta por ocasião das últimas ordenações sacerdotais em Ecône: “Nós somos católicos, apostólicos e romanos. Se Roma é a cabeça e o coração da Igreja Católica, sabemos que necessariamente (…) a crise se resolverá em Roma e por Roma. Conseqüentemente, o pouco de bem que façamos em Roma é muito maior que o muito de bem que façamos noutro lugar”. É com esta convicção interior que Dom Fellay atenderá ao convite do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. (Fonte: FSSPX/MG – DICI de 30/08/11)

 * * *

Nota do editor: parece-nos difícil não ver na expressão “outro lugar…”, com enigmáticas reticências, uma referência a Dom Richard Williamson, bispo da própria Fraternidade. Sua Excelência vem, em suas últimas colunas semanais distruibuídas por e-mail (ou seja, um agente distinto da imprensa), aventando hipóteses e conjecturando sobre o futuro da obra de Dom Lefebvre.

agosto 26, 2011

Procura-se guardião da ortodoxia católica.

No início de 2012, Bento XVI deverá designar o sucessor do Cardeal Levada para o comando da Congregação para a Doutrina da Fé. Diversos candidatos, italianos e estrangeiros.

ANDREA TORNIELLI | Tradução: Fratres in Unum.com
Cidade do Vaticano

Palácio do Santo Ofício

Palácio do Santo Ofício

No início de 2012, Bento XVI deverá decidir uma nomeação chave para seu pontificado: a do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o líder do dicastério mais delicado da Cúria Romana, cargo que Ratzinger ocupou durante 24 anos antes de ser eleito Papa.

A eleição de seu sucessor para o ex Santo Ofício foi a primeira nomeação árdua do pontificado. Bento XVI elegeu, em 13 de maio de 2005, o arcebispo de San Francisco, William Joseph Levada, que como sacerdote havia trabalhado na Congregação e a quem teve oportunidade de conhecer assim que chegou a Roma.

Levada completou 75 anos, a idade canônica das renúncias, em junho pasado. Como aconteceu com outros chefes de dicastério, uma prorrogação seria natural, mas o próprio Cardeal aparentemente fez saber que não tem intenções de continuar no cargo depois do fim de 2011, quando festejará seus 50 anos de sacerdocio, no próximo 20 de dezembro.

A eleição de seu sucessor não é, certamente, tarefa fácil. A Congregação para a Doutrina da Fé é crucial e não se deve esquecer que nos últimos anos se tornou ainda mais importante, devido à gestão dos casos de abusos sexuais nos quais se viram envolvidos membros do clero. Sob a responsabilidade do antigo Santo Ofício, com motivo da recente reforma desejada por Bento XVI, recaem também outros dossiês controversos: o das relações com a Fraternidade São Pio X, fundada por Mons. Lefebvre, e o dos ordinariatos para os anglicanos que desejam reingressar em comunhão com Roma.

O trabalho de Levada nestes últimos anos não tem sido sempre fácil. A Congregação, após mais de vinte anos de gestão Ratzinger, estava acostumada a trabalhar de certo modo e com certos ritmos, respeitando as competências de cada um e a colegialidade. Não é um mistério que durante o primeiro período de Levada tenha havido alguns desentendimentos com o então secretário do dicastério, o arcebispo salesiano Angelo Amato, promovido depois ao comando da Congregação para os Santos. De fato, apesar dos compromissos iminentes, devido à relação de longa data que tem com muitos daqueles que trabalham no antigo Santo Ofício, o Pontífice continuou observando de perto e com particular atenção aquele que havia sido o seu dicastério.

No momento em que for aceita a renúncia, o Cardeal Levada – originário de Long Beach – talvez seja nomeado para um cargo até agora ocupado por outro purpurado americano, John Patrick Foley, o de Grão Mestre da Ordem Eqüestre do Santo Sepulcro.

Quem será o novo guardião da ortodoxia católica? Ainda é cedo para dizê-lo. Um candidato forte poderia ser o próprio Cardeal Angelo Amato, que conhece muito bem tanto a Congregação, por ter trabalhado ali, como a Ratzinger, por ter sido o seu número três. Amato, todavia, já completou 73 anos e, se fosse designado para o antigo Santo Ofício, significaria que teria adiante um ano e meio antes de atingir a idade canônica das renúncias. Ademais, não restam dúvidas de que nos últimos tempos se reforçou significativamente a patrulha dos italianos que são chefes de dicastérios da cúria: são italianos o Secretário de Estado, Tarcísio Bertone; o prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, Angelo Amato; o prefeito da Congregação para o Clero, Mauro Piacenza; o prefeito da Propaganda Fidei, Fernando Filoni; o cardeal bibliotecário, Raffaele Farini; o “ministro da cultura” Giofranco Ravasi; o penitenciário maior, Fortunato Baldelli; o presidente da Prefeitura para os Assuntos Econômicos, Velasio de Paolis; o presidente do pontifício conselho para as comunicações sociais, Claudio Maria Celli; o presidente da APSA, Domenico Calgagno; o presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, Rino Fisichella; o presidente do Pontifício Conselho para os Migrantes, Antonio Maria Vegliò; o presidente da governança vaticana, Giovanni Lajolo. Também integram a lista: o presidente do Pontifício Conselho para a Família, Ennio Antonelli, o presidente do Pontifício Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos, Francesco Coccopalmerio.

Portanto, não é tão fácil cogitar que também a importante Congregação para a Doutrina da Fé será confiada a um italiano. Um candidato de que se fala e que goza da estima de Bento XVI é Gehrardt Ludwig Muller, que completará 64 anos em dezembro próximo, e desde 2002 é bispo de Regensburgo, a diocese onde vive o irmão do Papa, George Ratzinger. Outro possível candidato, embora mais distante, é o francés Roland Minnerath, bispo de Digione, membro da Comissão Teológica Internacional.

Muito menos prováveis são outras duas possíveis candidaturas: a do atual secretário do dicastério, o jesuíta espanhol Luis Francisco Ladaria Ferrer; e a do atual secretário da Congregação para o Culto Divino, o dominicano americano Joseph Augustine Di Noia.

Embora recentemente a Congregação para a Doutrina da Fé – outrora chamada Suprema – tenha estado freqüentemente sob os holofotes internacionais pela gestão dos casos de pederastia no clero, o dicastério tem a tarefa de custodiar a ortodoxia católica e de promover a fé: 2012 será um ano importante, já que recordará o 20º aniversário da publicação do Novo Catecismo da Igreja Católica.

agosto 20, 2011

O posicionamento de Dom Williamson.

Apresentamos abaixo a coluna semanal de Dom Richard Williamson, da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Nosso agradecimento especial à sempre prestativa sra. Giulia d’Amore por sua rápida tradução.

COMENTÁRIOS ELEISON 214 (20 DE AGOSTO DE 2011): “PRESENTE DE GREGOS” – I

Em 14 de setembro [1], daqui a algumas semanas, nos foi dito que haverá, em Roma, um encontro do Cardeal Levada e autoridades Romanas com o Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X e seus dois Assistentes. Os Católicos que apreciam tudo o que Mons. Lefebvre e sua Fraternidade têm feito nos últimos 40 anos em defesa da Fé precisam estar prevenidos, porque essa Fé está cada vez mais em perigo, e “mais vale prevenir do que remediar”, especialmente pela oração.

Foi ao Cardeal Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que foi confiada, há dois anos, a supervisão dos colóquios doutrinários que ocorreram desde o Outono de 2009 até abril deste ano, entre Roma e a FSSPX. Foi Roma quem convidou a FSSPX para esta reunião. Parece razoável prever que, em 14 de setembro, com base nesses colóquios, Roma vai anunciar a sua decisão sobre as futuras relações com a FSSPX.

Agora, pelo que se comenta, os colóquios deixaram claro que nenhum acordo doutrinário é possível entre a FSSPX, que se agarra à secular doutrina da Igreja, e a Roma de hoje, que não quer abandonar os ensinamentos conciliares da Neo-Igreja, e que continua a perseverar nesta desorientação, como ficou claro pela Neo-Beatificação de João Paulo II, em maio passado, e também por Assis III, previsto para acontecer no próximo Outubro. Então, a situação após os colóquios permanece exatamente igual à de antes: de um lado, para a glória de Deus e a salvação das almas, a FSSPX luta para ajudar Roma a voltar à verdadeira Fé Católica, enquanto do outro, pela glória do homem moderno e pela satisfação de seus meios ignóbeis de comunicação (vide Janeiro e Fevereiro de 2009), a Roma Conciliar está fazendo tudo que está ao seu alcance para induzir a FSSPX a se dissolver, na mente e na alma, no putrefato ecumenismo da Neo-Fé.

O que podemos então imaginar que Roma vai impor em 14 de setembro? Ou a vara ou a cenoura. Mais provavelmente, ambos, como medido pela estimativa romana do pensamento corrente dentro da FSSPX. A vara poderia consistir na ameaça de uma total e definitiva “excomunhão” da FSSPX. Mas quem tem a Fé católica se impressiona com uma tal ameaça? Lembremo-nos da reação de Mons. Lefebvre quando foi ameaçado pela primeira vez com a “excomunhão” da Neo-Igreja: “Como posso ser excluído de uma ‘Igreja’ à qual eu nunca pertenci?”.

Por outro lado, a mais inteligente cenoura de Roma poderia ser a oferta aparentemente irresistível da “plena comunhão com Roma” nas condições impostas pela própria FSSPX. Só que haveria uma cláusula em letras miúdas, escondida em algum lugar, que estipularia que os futuros Superiores e Bispos da FSSPX poderiam ser escolhidos por uma comissão mista composta por Roma e membros da FSSPX, com uma ligeira maioria de seus membros sendo… Romanos. Afinal, a FSSPX quer se submeter a Roma, ou não? “Decidam-se!” Será sua razoável exigência, como o Cardeal Ratzinger teria exclamado em 2001.

As mentes claras lembrarão o aviso do sábio — mas desprezado – Troiano [2] que não queria que o Cavalo dos Gregos fosse colocado dentro das muralhas de Troia: “De qualquer forma, eu temo os Gregos, mesmo quando trazem presentes” [3]. Mas o Cavalo de Tróia foi trazido para dentro. Todos nós sabemos o que aconteceu com Troia.

Kyrie eleison.

[1]http://www.piusbruderschaft.de/startseite/archiv-news/734-beziehungen_zu_rom/5766-generaloberer-nach-rom-gebeten

[2]N.Tª: Laocoonte, sacerdote de Apolo, o único troiano que protestou contra a ideia de levar o cavalo para dentro das muralhas foi ignorado. O célebre episódio do Cavalo de Troia é contado nas epopeias: Eneida, do poeta romano Virgílio, e Ilíadas e Odisseia, do lendário poeta grego Homero. O grego Ulisses (Odisseu) foi quem propôs o estratagema que destruiu Troia.

[3]“Timeo Danaos et dona ferentēs”. A frase, em latim, da epopeia Eneida (Livro II, verso 49).

agosto 1, 2011

Patriarca chamado ao Vaticano para se explicar sobre ordenação de mulheres.

O cardeal-patriarca de Lisboa foi chamado a uma audiência com o secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, por causa da sua afirmação de que não há obstáculos teológicos à ordenação de mulheres. A conversa foi em Castelgandolfo, a residência estival do Papa nos arredores de Roma, antes de dia 14 de Julho, por ocasião de uma ida de D. José Policarpo a Roma, para uma reunião do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização, de que faz parte.

Por António Marujo – Público.pt

Numa entrevista à revista da Ordem dos Advogados, publicada em meados de Junho, o patriarca afirmava, sobre a ordenação de mulheres: “Penso que não há nenhum obstáculo fundamental. É uma igualdade fundamental de todos os membros da Igreja.”

Por causa desta afirmação, transcrita e comentada em Roma, por dois “vaticanistas”, o cardeal Bertone falou com D. José Policarpo. Segundo o PÚBLICO soube – o facto tem sido tema de conversa entre o clero de Lisboa desde então -, o patriarca foi bem tratado, pois o Vaticano temia que D. José pudesse reagir mal a uma advertência severa. “Foi tratado nas palminhas”, nota um padre de Lisboa, falando do tom da audiência.

Dias antes desse encontro, o patriarca recebera uma carta do cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (cargo anteriormente ocupado pelo actual Papa Bento XVI), órgão que zela pela Teologia oficial. A carta foi-lhe entregue em mão pelo núncio apostólico (embaixador da Santa Sé) em Lisboa, a 2 de Julho, dia em que o patriarca presidiu a uma missa de ordenações no Mosteiro dos Jerónimos. Outro padre afirma que o cardeal manifestou um ar grave após ter lido a carta.

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abril 26, 2011

Is Levada going home?

Cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Foto: Orbis Catholicus.

Cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Foto: Orbis Catholicus.

No próximo mês de junho, o Cardeal William Joseph Levada, sucessor do Cardeal Joseph Ratzinger no ex-Santo Ofício, completará  a idade limite para o exercício de cargos titulares de 75 anos e, consequentemente, apresentará sua renúncia protocolar ao Papa Bento XVI.

Embora a regra seja mais flexível para com os chefes de dicastérios, a figura tímida de Levada, assim como a fama de ter sido nomeado como um “prefeito de transição” por sua idade já avançada e seu pouco prestígio na Cidade Eterna, levam a crer que o Prefeito para a Doutrina da Fé estaria já fazendo as malas para voltar à terra do Tio Sam.

Um nome muito bem visto pelo Papa para sucedê-lo seria o do alemão Dom Gerhard Ludwig Müller, bispo de Regensburgo. Ferrenho defensor da hermenêutica da reforma na continuidade [ele mesmo deu o curso deste ano para os bispos brasileiros, promovido pela Arquidiocese do Rio de Janeiro, exatamente sobre este tema], a nomeação de Müller poderia ser determinante para o relacionamento com os tradicionalistas, considerada a atual subordinação da Comissão Ecclesia Dei à Congregação para a Doutrina da Fé.

Müller ficou conhecido por seus incisivos protestos contra as ordenações previstas para o seminário de Zaitzkofen, imediatamente após o levantamento das excomunhões dos bispos da Fraternidade  São Pio X, e transferidas posteriormente para Ecône. Também contribuiu para livro “Der Vatikan und die Pius-Brüder: Anatomie einer Krise” [O Vaticano e a Fraternidade São Pio X: Anatomia de uma crise], que coleta pareceres de pessoas nada simpáticas à causa dos pejorativamente rotulados “integristas”.

Müller goza da simpatia do Papa Bento XVI e, com toda essa bagagem, certamente cairia nas graças dos opositores de uma reconciliação entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X. É rezar e esperar.

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