Posts tagged ‘Cardeal Tarcísio Bertone’

27 fevereiro, 2013

Peru: Müller e Grocholewski apoiam a “universidade rebelde”.

A reunião, aparentemente sem a aprovação da Secretaria de Estado, com as autoridades da antiga PUCP.

Por Andrés Beltramo Álvarez | Tradução: Fratres in Unum.com – É a “universidade rebelde” do Peru. Sobre ela pesa uma sanção emitida pela Santa Sé. Por vontade papal, está proibida de ostentar seus títulos de “Pontifícia” e “Católica”. Todos os seus professores de teologia estão desabilitados. Mas nada disso impediu que suas autoridades recebessem o apoio explícito de dois personagens de primeiro nível no Vaticano: os prefeitos das congregações para a Doutrina da Fé e para a Educação Católica, Gerhard Ludwig Müller e Zenon Grocholewski.

Imagem da reunião publicada no site da PUCP.

Imagem da reunião publicada no site da PUCP.

Na última sexta-feira, 22 de fevereiro, a escassos seis dias da conclusão do presente pontificado, ambos os prefeitos receberam em audiência o reitor dessa casa de estudos, Marcial Rubio Correa, e o vice-reitor acadêmico, Efraín Gonzales de Olarte. Estiveram presentes também os secretários da Doutrina da Fé, Luis Francisco Ladaria, e da Educação Católica, Angelo Vincenzo Zani.

O encontro foi publicado no sítio institucional da antiga Pontifícia Universidade Católica do Peru, que difundiu uma fotografia. Mas não esclareceu o conteúdo da “cordial conversa”, como qualificou em um breve comunicado.

O encontro surpreendeu a muitos na Cúria Romana. Tudo parece indicar que foi realizado sem a aprovação da Secretaria de Estado. O que poderia configurar uma clamorosa desobediência. Especialmente depois da reunião de alto nível realizada no início deste mês de fevereiro e da qual saiu muito mal o prefeito Müller.

Tratou-se de uma reunião “interdicasterial” convocada pelo Secretário de Estado, Tarcisio Bertone, cujo principal objetivo foi analisar a validez de uma carta enviada pelo “guardião da ortodoxia” ao arcebispo de Lima e grão-chanceler da universidade, Juan Luis Cipriani Thorne, no fim de janeiro.

Com esta carta, o prefeito pretendeu derrubar a decisão de Cipriani de não renovar a permissão eclesiástica para lecionar de todos os professores do Departamento de Teologia da antiga PUCP. Mas a carta estava viciada desde sua origem. Pois não respeitou a nenhum dos requisitos de uma comunicação oficial, nem do ponto de vista formal nem do ponto de vista jurídico. Assim, a “interdicasterial” a considerou inválida.

Por isso, e como resultado dessa análise, a Santa Sé mandou ao Peru uma carta que declarou legítima a determinação do arcebispo de não conceder a permissão para o ensino de teologia católica aos professores desse centro universitário.

Tudo baseado em uma sanção aplicada com o aval do Papa, e que mantém sua plena vigência jurídica, pela negação contumaz da Assembléia Universitária de reformar os seus estatutos para aderir à legislação vaticana sobre as instituições de educação superior católicas: a constituição apostólica “Ex Corde Ecclesiae”.

Conforme pôde confirmar Vatican Insider, já há vários meses e desde suas posições no Vaticano, tanto Müller como Grocholewski vêm tentando, por vários meios, reverter a sanção contra a universidade, para lhe conseguir a recuperação do uso de seus títulos. Sobre este tema, os prefeitos tiveram uma contínua comunicação com o prepósito geral da Companhia de Jesus, a ordem dos jesuítas, Adolfo Nicolás Pachón.

25 fevereiro, 2013

Carta do Secretário de Estado a mosteiros contemplativos solicitando orações por Bento XVI e pelo Conclave.

O boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou, hoje, uma carta dirigida pelo eminentíssimo Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado, a vários mosteiros de vida contemplativa espalhados pelo mundo, solicitando fervorosa oração por Bento XVI e pelo Conclave que se aproxima. A seguir, a íntegra da mensagem:

Vaticano, 21 de fevereiro de 2013

Reverenda Madre,
Reverendo Padre,

Dirijo-vos esta mensagem, enquanto a Igreja inteira acompanha com trepidação os últimos dias do luminoso pontificado de Sua Santidade Bento XVI e espera a vinda do Sucessor que os Eminentíssimos Cardeais reunidos em Conclave, guiados pela ação do Espírito Santo, escolherão, depois de terem, juntos, perscrutado os sinais dos tempos da Igreja e do mundo.

O apelo à oração dirigido a todos os fiéis por Sua Santidade Bento XVI, pedindo que O acompanhem no momento da entrega do ministério petrino nas mãos do Senhor e que esperem, confiantes, a vinda do novo Pontífice, faz-se particularmente premente para aqueles membros eleitos da Igreja que são os contemplativos. Sua Santidade Bento XVI tem a certeza de que é de vós, dos vossos Mosteiros – femininos e masculinos – espalhados pelo mundo inteiro, que se pode receber aquele recurso precioso da fé orante que, ao longo dos séculos, acompanha e sustenta o caminho da Igreja. O próximo Conclave poderá, assim, assentar de modo especial sobre a cândida pureza da vossa oração e do vosso louvor.

O exemplo mais significativo desta elevação espiritual, que manifesta a dimensão mais verdadeira e profunda de todo o ato eclesial, a do Espírito Santo que guia a Igreja, é-nos oferecido por Sua Santidade Bento XVI que, depois de ter governado a Barca de Pedro por entre os vagalhões da história, escolheu dedicar-se sobretudo à oração, à contemplação do Altíssimo e à reflexão.

O Santo Padre, a quem comuniquei os sentimentos exarados nesta carta, deu a sua aprovação pedindo-me para vos agradecer e atestar o grande amor e consideração que Ele nutre a vosso respeito.

Com estima cristã, vos saúdo unindo-me à vossa oração.

Tarcisio Card. Bertone
Secretário de Estado de Sua Santidade

18 fevereiro, 2013

Sorry, Müller.

Universidade “rebelde” do Peru e o erro do Prefeito Müller.

O ainda Secretário de Estado convocou uma reunião para avaliar a intervenção do “guardião da ortodoxia católica” junto ao ateneu peruano.

Por Andrés Beltramo Álvarez | Tradução: Fratres in Unum.com

You did it wrong!

You did it wrong!

A universidade “rebelde” do Peru permanecerá sem professores de teologia. Assim determinou a Santa Sé, após uma reunião realizada há alguns dias em Roma. Um encontro de alto nível que lançou por terra a tentativa do prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Gerhard Ludwig Müller, de intervir a favor dessa instituição educativa em seu conflito com o Arcebispo de Lima e com o Vaticano. Um apoio que foi tomado como um grave erro do “guardião da ortodoxia católica”.

A reunião interdicasterial foi convocada pelo Secretário de Estado da Sé Apostólica, Tarcisio Bertone. O objetivo? Analisar a validade de uma carta enviada pelo próprio Müller ao arcebispo de Lima, Juan Luis Cipriani Thorne, no fim de janeiro.

Na missiva, o prefeito solicitou ao cardeal peruano explicações sobre a sua decisão de não renovar a permissão eclesiástica para lecionar a todos os professores do Departamento de Teologia da “antiga” Pontifícia Universidade Católica do Peru (ex PUCP). Esta determinação, comunicada às autoridades universitárias em dezembro, foi produto do decreto emitido pela Santa Sé em junho de 2012, que proibiu à entidade ostentar seus títulos de Pontifícia e Católica.

Uma sanção aplicada com o aval do Papa e que mantém sua plena vigência jurídica pela negação contumaz  da Assembléia Universitária em reformar seus estatutos para aderir às normas vaticanas sobre as instituições de educação superior católicas: a constituição apostólica “Ex Corde Ecclesiae”.

O prefeito alemão decidiu atuar em decorrência de uma queixa enviada a Roma por aqueles professores aos quais foram revogados o mandato canônico para lecionar. Eles argumentaram que a revogação foi aplicada por “motivos doutrinais”. Müller levou em conta sua reclamação e ordenou — em sua comunicação — que a universidade continue dando cursos de teologia, enquanto a Santa Sé não resolver o conflito de fundo.

Mas a missiva estava viciada na origem. E, portanto, foi considerada inválida pela [reunião] interdicasterial. Em primeira instância, porque se tratou de uma iniciativa “pessoal” do prefeito, que não cumpriu os requisitos de consulta aos especialistas no tema dentro da Congregação para a Doutrina da Fé.

Ademais, não foi enviada aos canais institucionais da nunciatura apostólica em Lima. No Arcebispado da capital peruana, receberam-na como um simples fax. E, o mais importante, a carta ignorou o Código de Direito Canônico, que confere ao bispo diocesano a autoridade para outorgar e revogar as permissões aos professores de religião ou ciências eclesiásticas em sua circunscrição eclesiástica. ,

O resultado da análise já foi comunicado às partes no Peru através da mala diplomática. A carta de Gerhard Müller não tem validade e se mantém intacta a decisão do arcebispo Cipriani de não conceder as permissões para o ensino da teologia na ex PUCP. O que põe a instituição em sérios apuros para cobrir os cursos obrigatórios dessa matéria no próximo ano letivo.

Por ora, as conclusões da reunião vaticana presidida por Bertone, ainda Secretário de Estado, constituirão um duro revés para o prefeito da Doutrina da Fé e, na Cúria Romana, abrirão a interrogação quanto a sua idoneidade para ocupar um posto de enorme poder que não permite improvisações nem erros, nem de forma, nem de fundo.

14 fevereiro, 2013

O decano e o camerlengo: as duas Igrejas de Sodano e Bertone.

IHU – Nos primeiros meses como secretário de Estado, o cardeal Tarcisio Bertone (Romano Canavese, 1934) se assomava de vez em quando ao apartamento a ele reservado ao lado dos seus escritórios, no primeiro andar, sob os afrescos de Rafael. Todas as vezes, fumaça preta: o apartamento ainda estava ocupado. O antecessor, cardeal Angelo Sodano (Isola D’Asti, 1927), ainda não havia ido embora. Assim, Bertone se resignava a subir ao seu alojamento provisório, na torre de São João.

14 fevereiro, 2013

“O senhor tem que demitir o Cardeal Bertone!”

Cardeal Joachim Meisner.

Cardeal Joachim Meisner.

O Cardeal Secretário de Estado não fazia esse papel [de homem de confiança do Papa, tal como Ratzinger foi de João Paulo II]. Durante o caso Williamson, eu, uma vez, em nome de um certo número de cardeais, fui ao Papa e disse: “‘Santo Padre, o senhor tem que demitir o Cardeal Bertone! Ele está no controle’ — como se fosse o ministro responsável em um governo secular. Ele me olhou e disse: ‘Ouça com atenção! Bertone fica! Basta! Basta! Basta!’. Depois disso, eu nunca mais toquei no assunto. Diga-se de passagem, isso é típico: os Ratzingers são leais. Isso faz da vida deles nem sempre fácil. O Papa basicamente levou os seus colaboradores mais próximos da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) para a nova função, Cardeal Bertone, assim como o seu secretário, o agora Arcebispo Gänswein. Mas o antigo prefeito da CDF, Cardeal Levada, não fazia para Ratzinger o papel da forma que ele fez para João Paulo II. E o novo prefeito, Dom Müller, acabou de assumir o cargo e deve descobrir a sua própria função. Ele é um homem esperto, embora diferente do próprio Ratzinger”.

Da interessantíssima entrevista do Cardeal Joachim Meisner, arcebispo de Colônia e amigo muito próximo de Bento XVI, concedida ao Frankfurter Rundschau.

14 fevereiro, 2013

As palavras emocionadas de Bertone ao Papa.

Zenit – Ao final da liturgia da Quarta-feira de Cinza, na Basílica de São Pedro, presidida por Bento XVI, o cardeal secretário de Estado Tarcisio Bertone dirigiu algumas palavras de agradecimento ao Santo Padre.

Beatíssimo Padre:

Com sentimentos de grande comoção e de profundo respeito não somente a Igreja, mas todo o mundo, soube da notícia de Sua decisão de renunciar ao ministério de Bispo de Roma, sucessor do Apóstolo Pedro.

Não seríamos sinceros, Santidade, se não lhe disséssemos que nesta tarde há um véu de tristeza sobre nosso coração. Nestes anos, o seu Magistério foi uma janela aberta sobre a Igreja e sobre o mundo, que fez penetrar os raios da verdade e do amor de Deus, para dar luz e calor ao nosso caminho, também e sobretudo, nos momentos em que as nuvens ficaram densas no céu.

Todos nós compreendemos que é exatamente o amor profundo que Vossa Santidade tem por  Deus e pela Igreja lhe impulsionou a esse ato, revelando aquela pureza de ânimo, aquela fé robusta e exigente, aquela força da humildade e da mansidão, junto à uma grande coragem, que caracterizaram cada passo de Sua vida e de Seu ministério, e que podem vir somente do estar com Deus, do estar à luz da Palavra de Deus, do subir continuamente a montanha do encontro com Ele e depois descer a Cidade dos homens.

Santo Padre, poucos dias atrás, com os seminaristas da sua diocese de Roma, o senhor nos deu uma lição especial, disse que sendo cristãos sabemos que o futuro é nosso, o futuro é de Deus, e que a árvore da Igreja cresce sempre de novo. A Igreja se renova sempre, renasce sempre. Servir a Igreja na firme consciência que não é nossa, mas de Deus, que não somos nós quem a construímos, mas é Ele; poder dizer-nos com verdade a palavra evangélica: “Somos servos inúteis. Fizemos o que deveríamos fazer” (Luc 17, 10), confiando totalmente no Senhor, é um grande ensinamento que o senhor, mesmo com esta sofrida decisão, dá não somente a nós, Pastores da Igreja, mas a todo o povo de Deus.

A Eucaristia é um render graças a Deus. Nesta tarde nós queremos agradecer o Senhor pelo caminho que toda a Igreja fez sob a direção de Vossa Santidade e queremos dizer-lhe do mais íntimo do nosso coração, com grande afeto, comoção e admiração: obrigado por ter-nos dado o luminoso exemplo de simples e humilde servo da vinha do Senhor, um trabalhador que soube realizar em cada momento aquilo que é mais importante: levar Deus aos homens e levar os homens a Deus. Obrigado!

16 novembro, 2012

Vaticano, o hábito faz o monge.

Uma circular interna assinada pelo Cardeal Bertone convida a todos os eclesiásticos que trabalham na Santa Sé a usar a batina preta ou o “clergyman”.

Por Andrea Tornielli | Tradução: Fratres in Unum.com

Outubro de 2010: Dom Moacir Grechi, bispo emérito de Porto Velho, se apresenta à paisana em visita 'Ad Limina'.

Outubro de 2010: Dom Moacir Grechi, bispo emérito de Porto Velho, se apresenta à paisana em visita ‘Ad Limina’.

O hábito deve fazer o monge, ao menos no Vaticano. No último dia 15 de outubro, o Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado, assinou uma circular enviada a todos os entes da cúria romana para enfatizar que os sacerdotes e religiosos devem se apresentar ao trabalho com a vestimenta adequada, isto é, o “clergyman” ou a batina preta. Nas ocasiões oficiais, sobretudo na presença do Papa, os monsenhores já não poderão deixar no armário as vestes de botões vermelhos e a faixa violeta.

Um chamado ao respeito às normas canônicas que representa um sinal preciso, que seguramente terá eco inclusive fora das fronteiras do menos estado do mundo: de fato, no Vaticano são raríssimos os religiosos que não se vestem como tal. E é provável que este chamado a uma apresentação fiel e impecável, formalmente, seja interpretado como um exemplo aos que vêm de fora do Vaticano, isto é, para os bispos ou sacerdotes de passagem por Roma. Uma forma de “dizer à sogra que entenda a nora”, como se diz em italiano.

O Código de Direito Canônico estabelece que “os clérigos devem portar um hábito eclesiástico digno”, segundo as normas emanadas pelas diferentes conferências episcopais. A Conferência da Itália, por exemplo, estabelece que “o clero, em público, deve usar a batina ou o ‘clergyman’”, isto é, o traje negro ou cinza com o colarinho branco. O nome em inglês revela a sua origem protestante, mas passou a fazer parte do vestuário dos eclesiásticos católicos, mesmo que no início tenha sido uma concessão aos que tinham de viajar.

A Congregação vaticana para o Clero explicava, em 1994, os motivos sociológicos do hábito dos sacerdotes: “Em uma sociedade secularizada e tendente ao materialismo”, é “particularmente necessário que o presbítero — homem de Deus, dispensador de seus mistérios — seja reconhecível aos olhos da comunidade”.

A circular de Bertone pede aos monsenhores que usem o hábito de botões vermelhos nos atos “em que esteja presente o Santo Padre”, assim como nas demais ocasiões oficiais. Um convite que também se estende aos bispos que assistem a uma audiência com o Papa, que, a partir de agora, deverão seguir rigorosamente a etiqueta.

O uso de vestes civis para o clero esteve relacionado, no passado, a situações particulares, como no caso da Turquia, durante os anos oitenta, ou do México, até há pouco tempo, onde os bispos estavam acostumados a sair de casa vestidos como empresários. Este costume foi se estendendo pouco a pouco pela Europa: não devemos esquecer as famosas imagens do jovem teólogo Joseph Ratzinger de palitó e gravata escura durante os anos do Concílio. Há anos, sobretudo entre os jovens sacerdotes, registra-se uma contracorrente. Uma mudança “clerical” que agora está formalizada em uma circular do Secretário de Estado.

4 agosto, 2012

Bertone anuncia que Papa está finalizando uma nova encíclica.

IHU – Bento XVI está trabalhando em uma nova encíclica, disse nessa quarta-feira o cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, após celebrar a Santa Missa na igreja paroquial de Introd, localidade no vale de Aosta, onde ele está passando um período de repouso.

A reportagem é do sítio Religión Digital, 02-08-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

De acordo com o purpurado, Bento XVI concluiu seu terceiro volume dedicado a Jesus de Nazaré e os Evangelhos da infância, que, em sua opinião, será um grande presente para o Ano da Fé. E, depois dessa publicação, é muito provável que seja lançada uma nova encíclica, a quarta do seu pontificado.

As declarações foram feitas por ocasião da missa celebrada na paróquia dessa localidade montanhosa. Em sua homilia, dedicada à memória litúrgica de Santo Eusébio de Vercelli, o cardeal assinalou que a tarefa de quem governa com um senso de responsabilidade, ao contrário do mercenário que desempenha um ofício, é a de assumir a defesa dos fracos, dos necessitados, e, segundo a imagem do Bom Pastor, a de fazer resplandecer a realeza de Cristo.

Ele acrescentou que a obra de evangelização de Santo Eusébio o levou a realizar viagens duríssimas, chegando a enfrentar perigos, incompreensões e perseguições por parte de seus inimigos, e tudo isso para levar o Evangelho e a salvação de Cristo por todas as partes.

Sobre o próximo Sínodo sobre a Nova Evangelização, ele destacou que quando, se fala de nova evangelização, é preciso saber reconhecer nessa expressão toda a carga de confiança que Deus nos dá hoje, quando nos quer anunciadores do Evangelho entre os nossos povos.

“O Senhor precisa hoje do nosso coração, da nossa mente e das nossas forças para que o projeto de vida por ele anunciado possa ter a força de atração do nosso mundo vital, diferenciado e complexo, em que se faz necessário saber tornar concretamente visível a força da esperança cristã”.

Em cada âmbito social, indicou, no trabalho, no casamento e na família, assim como em todos os círculos de amizade e de compromisso social, cada um é verdadeiramente insubstituível para uma ramificação do testemunho de fé.

Sobre a celebração do Ano da Fé, que começará no contexto comemorativo dos 50 anos da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II, o cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, destacou que será um período importante, se pensarmos na necessidade que persiste em nosso tempo de servir à causa do ser humano que “não sabe para onde ir e não consegue nem compreender quem é ele próprio”, disse ele, citando as palavras de Bento XVI.

23 julho, 2012

Peru: um chamado de atenção aos bispos.

Por Andrés Beltramo Álvarez | Tradução: Fratres in Unum.com

A Conferência Episcopal Peruana (CEP) não deve ser instrumentalizada pela “universidade rebelde”. Pelo contrário, está obrigada a prestar um “devido e claro” apoio às determinações da Santa Sé  na disputa pela legítima propriedade da instituição, até ontem Pontifícia e Católica. Este é o cerne de uma carta enviada pelo Vaticano ao presidente dos bispos do país sul-americano, Salvador Piñeiro. Um duro chamado de atenção, para acabar com as ambiguidades e com o “jogo sujo”.

O texto, até então desconhecido e cujo conteúdo Vatican Insider teve acesso, foi entregue na sexta-feira, 20 de julho, na nunciatura apostólica em Lima, ao secretário geral da CEP, Lino Panizza Richero. Com ele, estava o segundo vice-presidente e arcebispo de Arequipa, Javier del Rio, e o arcebispo de Lima, Juan Luis Cipriani Thorne.

O embaixador papal, James Green, entregou-lhes cópia do decreto com o qual a Sé Apostólica dispôs a retirada dos títulos honorários de “Pontifícia” e “Católica” da universidade. E também lhes entregou a carta do Secretário de Estado, Tarcisio Bertone, na qual anuncia a inédita decisão ao reitor Marcial Rubio.

Isso ocorreu nas primeiras horas da tarde. Green ordenou que os três documentos, inclusive a carta a Piñeiro, sejam enviados a todos os bispos do país. Mais tarde, recebeu na nunciatura as autoridades da PUCP, às quais transmitiu o decreto e a carta.

A mensagem de Roma ao arcebispo de Ayacucho-Huamanga deixou pouco espaço para dúvidas: “Para o bem da Universidade e pela responsabilidade da Igreja no âmbito educacional, esta Conferência Episcopal deve apoiar a posição da Santa Sé e o Arcebispo de Lima, desautorizando com vigor qualquer intervenção contrária e convidando o episcopado do país a uma ação colegial leal. Em caso de dúvidas, o senhor e os demais bispos terão a amabilidade de consultar o Sr. Núncio em Lima”.

E acrescentou: “O Santo Padre espera que,  doravante, a Conferência Episcopal renda um decidido e claro apoio às decisões tomadas pela Santa Sé acerca da situação da PUCP e sejam evitadas novas incompreensões e divisões”.

A dureza das palavras deixou claro que, em vez de manter uma posição institucional, a cúpula dos bispos se alinhou à instituição educacional durante o litígio pela universidade. Inclusive quando a rebeldia de suas autoridades era aberta e manifesta.

O que ficou claro em 17 de abril, quando a Conferência emitiu uma nota pública em nome de seus cinco bispos delegados na Assembléia Universitária da PUCP. Esse texto foi desconcertante, não só porque seu conteúdo estava em suspeita sintonia com a tese da reitoria, mas também porque foi difundido sem o consentimento de alguns dos supostos signatários, que nem sequer foram consultados.

Este episódio foi qualificado como “lamentável” pela carta vaticana a Piñeiro, que foi cortante: “Peço-lhe que cuide para que esta Conferência Episcopal evite ser instrumentalizada pela reitoria da universidade”.

Trata-se de mais uma prova da seriedade com que a Santa Sé afrontou a controvérsia da ex-Pontifícia e Católica. E embora seus alunos mais radicais sustentem que a retirada dos títulos “não significa nada”, a realidade é outra. Porque se trata de acabar com um litígio que dura mais de 40 anos e que chegou a níveis insustentáveis.

Por ora, nesta segunda-feira, 23, está prevista uma nova sessão da Assembléia Universitária. Nela será analisada a decisão de Roma que, certamente, não é definitivamente irreversível. Como bem assinala o decreto pontifício, é possível rever a retirada dos títulos. A solução é simples: se a direção dos docentes se retratar e modificar seus estatutos, recupera a sua identidade. De outra forma, um futuro sombrio lhes espera.

4 julho, 2012

Vaticano: Bento XVI reafirma confiança no seu secretário de Estado.

Papa lamenta «críticas injustas» contra cardeal Tarcisio Bertone, um dos mais atingidos pelas recentes polémicas sobre fugas de documentos.

Cidade do Vaticano, 04 jul 2012 (Ecclesia) – Bento XVI reafirmou a confiança no seu secretário de Estado, numa carta hoje divulgada pelo Vaticano, e lamentou as “críticas injustas” que diz terem sido dirigidas ao cardeal Tarcisio Bertone.

“Tendo notado com amargura as críticas injustas que se fizeram contra a sua pessoa, quero renovar a afirmação da minha confiança pessoal”, refere o Papa, na missiva em que evoca a carta de janeiro de 2010 em que confirmava a manutenção no cargo do cardeal Bertone, já após este ter completado os 75 anos previstos como limite pelo Direito Canónico.

Bento XVI diz que o conteúdo dessa declaração não se alterou e quis exprimir ao seu mais direto colaborador “profundo reconhecimento” pela “discreta proximidade” e pelo “conselho iluminado”.

Segundo o Papa, a presença do cardeal italiano foi “de particular auxílio nestes últimos meses”.

A carta, datada de segunda-feira, foi escrita antes da partida de Bento XVI para o período de férias em Castel Gandolfo, nos arredores de Roma, que se iniciou ao final da tarde desta terça-feira.

O secretário de Estado do Vaticano, de 77 anos, foi colaborador do então cardeal Joseph Ratzinger na Congregação para a Doutrina da Fé.

O atual Papa escolheu o cardeal Bertone em 2006 para ocupar o lugar de máximo expoente da atividade diplomática e política da Santa Sé, substituindo o cardeal Angelo Sodano.

Numa entrevista publicada em junho, o secretário de Estado do Vaticano afirmou que os jornalistas têm lançado “mentiras” e “calúnias” sobre o Papa e os seus mais diretos colaboradores, lamentando o clima de “mesquinhez” que se criou nas últimas semanas.

O cardeal Tarcisio Bertone falava à revista internacional ‘Família Cristã’, na Itália, sobre caso de fugas de informação no Vaticano, conhecidas por ‘Vatileaks’, que deram origem à divulgação pública de dados reservados.

Referindo-se em particular à publicação de documentos reservados, o secretário de Estado sublinha que a violação do “direito à privacidade” é um “ato imoral de gravidade inaudita” que vai contra um direito “reconhecido especialmente pela Constituição italiana”.

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