Posts tagged ‘CNBB’

maio 14, 2012

CNBB quer revitalizar Concílio Vaticano II.

José Maria Mayrink – O Estado de S.Paulo, 4 de maio de 2012.

Assembléia geral da CNBB de 2012.

Assembléia geral da CNBB de 2012.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) decidiu, em sua última assembleia-geral, reunida em Aparecida na segunda quinzena de abril, aproveitar a comemoração dos 50 anos do Concílio Vaticano II para revitalizar as reformas que, sob a liderança dos papas João XXIII e Paulo VI, revolucionaram a vida da Igreja no século 20.

Em vez de apoiar a proposta de convocação de um novo concílio, o Vaticano III, objeto de uma petição com mais de 10 mil assinaturas, enviada a João Paulo II em 2002, os bispos preferem refletir sobre os documentos do Vaticano II, para corrigir eventuais exageros e adaptar a legislação da Igreja às circunstâncias e exigências do mundo de hoje.

“Não é o caso de reunir um novo concílio, mas sim de retomar e viver em profundidade o Vaticano II, aquilo que propôs Bento XVI, que foi teólogo perito do concílio”, disse o cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, coordenador do grupo de trabalho para as comemorações do cinquentenário.

Reviver o concílio, observou o cardeal, significa “progredir na determinação e na aplicação de suas decisões“, em sintonia com a visão do papa.

O arcebispo da Paraíba, d. Aldo Pagotto, também contrário à proposta de um novo concílio, afirma que é necessário voltar à fonte, para valorizar as riquezas do Vaticano II e combater os excessos que surgiram em nome da modernidade, como, por exemplo, a “politização da liturgia”. Questões como o celibato dos padres, a ordenação de mulheres e o acesso dos recasados à participação plena na eucaristia não justificariam um novo concílio, “porque essas são questões já dirimidas por João Paulo II e Bento XVI e estão fora de discussão“.

Mesmo bispos que assinaram a petição de 2002 – foram 25 no Brasil, entre eles o cardeal d. Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo – descartam a necessidade de um novo concílio nos moldes do Vaticano II. “Receio que um concílio formal agora, na conjuntura atual, leve a posições mais retrógradas“, disse o bispo de Jales (SP), d. Demétrio Valentini. Dez anos atrás, ele aderiu ao movimento internacional Proconcil, que nasceu na Espanha e ganhou milhares de adesões pelo mundo afora.

Tendência. D. Demétrio defende uma posição que coincide com a do Proconcil atualmente – a recuperação da “conciliaridade”, que significa valorização das conferências episcopais. As conferências, argumenta, tornaram-se instrumentos de retransmissão do governo central da Igreja, em vez de serem agentes de adaptação, para darem respostas adequadas às necessidades do mundo. “Isso implicaria em incentivar as dioceses a abrir as portas para a participação dos leigos e particularmente das mulheres“, observou d. Demétrio.

É um campo de ação que, segundo o bispo de Jales, não depende de um concílio formal. “Pode-se ouvir os bispos pela internet, pois a tecnologia abre a possibilidade, para a prática eclesial, de envolver todos os católicos na participação da vida da Igreja”, explicou.

Membro do conselho do Sínodo da América, que reuniu bispos do continente com João Paulo II em Roma, em 1997, ele propõe que o sínodo – “uma miniatura de concílio” – seja deliberativo, em vez de só oferecer subsídios para o papa.

A coordenadora internacional do Proconcil, Emilia Robles, esclareceu, respondendo ao Estado por e-mail, que o movimento não está pedindo ao papa a convocação de um concílio tradicional. “Não o propomos agora como uma panaceia, mas também não nos assustaremos se ele vier a ocorrer”, afirmou.

Mais que um evento, o Proconcil sugere um processo que supõe a participação de toda a Igreja, o desenvolvimento da conciliaridade ou valorização de espaços como conferências de bispos, sínodos, assembleias e conselhos paroquiais.

Dois bispos brasileiros, hoje eméritos, que assinaram a petição por um novo concílio em 2002, desistiram da ideia, porque o atual episcopado, de perfil conservador e submisso à Cúria Romana, levaria a um retrocesso em relação às conquistas do Vaticano II. Os dois pediram para não serem identificados, “para não magoar os irmãos” que estão na ativa. “Melhor não inventar moda”, comentou o arcebispo emérito de Porto Velho (RO), d. Moacyr Grechi, outro signatário da petição que agora apoia a proposta da CNBB.

A sugestão de convocação de um novo concílio foi feita pela primeira vez pelo cardeal Carlo Maria Martini, então arcebispo de Milão, no sínodo dos bispos europeus, em 1999.

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maio 9, 2012

“Habitare fratres in unum”.

Arquidiocese do Rio – Nesta quarta-feira, 9 de maio, o Papa Bento XVI nomeou o cônego Roque Costa Souza, 45 anos, bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro. O Santo Padre acolheu a solicitação do arcebispo Dom Orani João Tempesta de poder contar com a colaboração de mais um bispo auxiliar.

Sua ordenação episcopal já está marcada para o dia 23 de junho de 2012, sábado, às 8h30, na Catedral Metropolitana de São Sebastião, no Rio de Janeiro.

A data escolhida, às vésperas da festa de São João Batista, é uma homenagem, ‘um presente’, ao nosso arcebispo Dom Orani, que aniversaria nesse dia e será o principal consagrante, declarou cônego Roque.

Até a nomeação, cônego Roque exercia na Arquidiocese do Rio, onde é incardinado, os ofícios de reitor do Seminário São José, pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé e capelão da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Eu quero viver o ministério apostólico no serviço e dedicação aos irmãos. O lema escolhido em oração: “Habitare fratres in unum” (Sl 133,1) quer ser a expressão da minha missão. Quero estar em união com Dom Orani, os bispos auxiliares e meus irmãos sacerdotes com amizade fraterna. Continuarei a servir o Povo de Deus com muita alegria, afirmou cônego Roque.

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abril 30, 2012

Democracia? Só quando convém. CNBB defende veto de Dilma a artigos do Código Florestal.

Incoerência: CNBB, a intrépida defensora da democracia, mostra como esta só é útil quando chancela as suas próprias teses. Representantes do povo “não levaram em conta” os pontos defendidos pela Conferência Episcopal, por isso merecem uma anti-democrática canetada de Dilma ventando as alterações no projeto do novo Código Florestal. “Se trata de termos uma relação mais ética com a natureza”, afirma o Secretário-geral Dom Steiner.

Folha de São Paulo | A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) afirmou nesta quinta-feira (26) estar “frustrada” com o texto do novo Código Florestal aprovado ontem na Câmara dos Deputados.

O governo esperava manter o texto referendado anteriormente pelo Senado, mas a bancada ruralista impôs uma derrota ao Planalto. Por 274 votos a 184, o texto do deputado Paulo Piau (PMDB-MG) foi aprovado nesta quarta-feira (25) em plenário. Entre as 21 mudanças feitas no código estão a diminuição, de cem metros para 15 metros, da área a ser recomposta em margens de rios.

O texto ainda aguarda sanção da presidente Dilma Rousseff.

Na cerimônia de encerramento da 50ª Assembleia Geral da CNBB, que ocorreu nesta quinta-feira em Aparecida (180 km de São Paulo), o secretário-geral da organização, dom Leonardo Ulrich Steiner, disse esperar o veto da presidente a alguns pontos do código aprovado pelos deputados.

“Não se trata de uma briga com ninguém. Se trata de termos uma relação mais ética com a natureza”, disse dom Leonardo Steiner.

“Infelizmente a sensação que nós tivemos foi de que o Congresso não levou em conta alguns elementos importantes, inclusive apontados pela ciência, por cientistas. É frustrante ver que o Congresso não nos presenteou com um código que realmente ajude o Brasil no futuro. Provavelmente teremos que voltar a discutir esse código”, afirmou Steiner.

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abril 25, 2012

Mensagem dos Bispos do Brasil sobre a celebração do 50º aniversário do Concílio Ecumênico Vaticano II.

Por CNBB

Ao clero, consagrados e consagradas na Vida Religiosa e em outras formas de consagração a Deus, ao querido povo de Deus em nossas Dioceses:

No dia 11 de outubro deste ano, o Papa Bento XVI presidirá, em Roma, à solene abertura do Ano da Fé, para comemorar o 50º aniversário do Concílio Ecumênico Vaticano II e o 20º aniversário do Catecismo da Igreja Católica. Celebrações tão significativas são motivo de grande alegria para a Igreja e convite para voltarmos nosso olhar para o imenso dom deste Concílio, no qual participaram os Bispos do mundo inteiro, convocados e presididos pelo Sucessor de Pedro. Mas é também ocasião para uma avaliação a respeito da aplicação das decisões conciliares e do caminho que resta ainda a ser percorrido nessa direção.

O Papa João XXIII, explicou que convocava o Concílio para “o crescimento da fé católica, a saudável renovação dos costumes no povo cristão e a melhor adaptação da disciplina da Igreja às necessidades de nosso tempo. [...] Sem dúvida constituirá maravilhoso espetáculo de verdade, unidade e caridade que, ao ser contemplado pelos que vivem separados desta Sé Apostólica, os convidará, como esperamos, a buscar e conseguir a unidade pela qual Cristo dirigiu ao Pai do Céu a sua fervorosa oração” (Encíclica Ad Petri Cathedram, 33). Assim, o Concílio Ecumênico poderia “restituir ao rosto da Igreja de Cristo o esplendor dos traços mais simples e mais puros de suas origens” (Homilia a um grupo bizantino-eslavo, 13/11/1963). O Beato João XXIII e o Venerável Paulo VI consideraram o Concílio, suscitado pelo Espírito Santo, um novo Pentecostes, uma verdadeira primavera para a Igreja.

Ao longo das quatro sessões conciliares, que contaram com a presença de presbíteros, consagrados e consagradas, de cristãos leigos e leigas e de representantes de outras Igrejas cristãs, a Igreja de nosso tempo pôde testemunhar como age o Espírito Santo no mundo, na História e no coração dos fiéis. Os dezesseis Documentos foram preparados por especialistas, debatidos e enriquecidos pelos Padres Conciliares e, uma vez aprovados pelos Bispos, foram apresentados ao Papa Paulo VI, que os promulgou com a bela fórmula: “nós, juntamente com os veneráveis Padres e o Espírito Santo, os aprovamos, decretamos e estatuímos”. Testemunhou-se assim, em pleno século XX, a experiência da Assembleia Apostólica de Jerusalém, no final da qual os Apóstolos divulgaram suas conclusões com esta declaração: “Decidimos, o Espírito Santo e nós…” (At 15,28).

A Igreja no Brasil, com o seu Plano de Pastoral de Conjunto (1966-1970), aprovado pela CNBB nos últimos dias do Concílio, acolheu com entusiasmo as decisões conciliares. Com as outras Igrejas Particulares da América-Latina e do Caribe, abriu caminhos para uma recepção fiel e criativa do Concílio, nas Conferências Continentais do Episcopado: Medellín, Puebla, Santo Domingo e Aparecida.

Os frutos desse Concílio manifestam-se nos mais diversos âmbitos da vida eclesial: na compreensão da Igreja como povo de Deus, corpo de Cristo e templo do Espírito Santo; na abertura aos desafios do mundo atual, partilhando suas alegrias, tristezas e esperanças; na colegialidade dos Bispos; na renovação da liturgia; no conhecimento e na acolhida da Palavra de Deus; no dinamismo missionário e ministerial das comunidades; no diálogo ecumênico e inter-religioso

A celebração do 50º aniversário do Concílio Ecumênico Vaticano II e a volta aos seus documentos nos levem ao discernimento sobre o que o Espírito Santo continua a dizer à Igreja e à humanidade nas circunstâncias atuais, como observou o Papa Bento XVI, logo após sua eleição como Sucessor de Pedro: “com o passar dos anos, os textos conciliares não perderam sua atualidade; ao contrário, seus ensinamentos revelam-se particularmente pertinentes em relação às novas situações da Igreja e da atual sociedade globalizada” (Discurso aos cardeais eleitores, 20/04/2005).

Destacando a necessidade de ler, conhecer e assimilar os Documentos do Concílio, como textos qualificados e normativos do Magistério, no âmbito da Tradição da Igreja, o Papa cita o Beato João Paulo II: no Concílio, “encontra-se uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa” (Novo millennio ineunte, 57). E continua: “Se o lermos e recebermos, guiados por uma justa hermenêutica, o Concílio pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a necessária renovação da Igreja” (Porta Fidei, 5).

A CNBB promove a comemoração do cinquentenário do Concílio ao longo de quatro anos. Cada Diocese saberá descobrir modos de celebrar este aniversário, unindo-se às iniciativas que se multiplicarão pelas Igrejas Particulares do mundo inteiro. Essas celebrações serão tanto mais proveitosas, e seus frutos duradouros, se forem orientadas pelas grandes indicações do Ano da Fé: a busca de uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo, e a convicção de que “o amor de Cristo nos impele” a uma nova evangelização (cf. 2Cor 5, 14). Incentivamos, de modo especial, nossos centros de estudos, seminários e organizações eclesiais a aprofundarem, com renovado ânimo, o estudo dos Documentos do Concílio, como importante parte da formação teológica e pastoral.

Fazendo um forte convite a redescobrir a riqueza do Concílio Vaticano II e a avaliar seus frutos ao longo desses 50 anos pós-conciliares, a CNBB oferece algumas sugestões específicas para tal celebração, que podem ser encontradas no site da CNBB (www.cnbb.org.br).

Nesta promissora tarefa, acompanhe-nos, com sua intercessão, aquela que é a “Mãe do Filho de Deus e, por isso, filha predileta do Pai e templo do Espírito Santo” (Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, 53), invocada por nós com o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

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abril 24, 2012

Uma Pastoral Excludente.

Por CNBB – No início da tarde desta segunda-feira, 23, os bispos negros realizaram uma reunião reservada, no subsolo do Centro de Eventos Padre Vítor Coelho, em Aparecida (SP). O encontro aconteceu paralelamente às atividades da 50ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil.

A reunião teve a coordenação do bispo referencial da Pastoral Afro-Brasileira, dom João Alves dos Santos, de Paranaguá (PR). O principal assunto discutido foi a programação da Pastoral para o ano de 2012, e a possibilidade da presença e apoio dos bispos negros a estas atividades.

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abril 24, 2012

Da mihi pecuniam, cetera tolle.

Igreja pede a fieis dízimos generosos

Cada dia mais dependente dos próprios recursos, por causa da redução da ajuda de dioceses da Europa e dos EUA, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pede aos fieis que contribuam com mais generosidade para manter as paróquias e os trabalhos de evangelização.

“A coleta do dízimo não ultrapassa a média de R$ 1 por pessoa, o que daria cerca de R$ 130 milhões por ano, segundo o número estimado de católicos brasileiros”, disse o cardeal arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer.

Além do dízimo, há uma contribuição mensal que os fieis podem fazer, de valor livre, em campanhas específicas. Em uma delas, a Coleta da Solidariedade arrecadou, no Domingo de Ramos, R$ 12 milhões, que foram distribuídos entre as 274 dioceses e as cerca de 9 mil paróquias do País.

Os recursos ajudam a pagar a pastoral e a estrutura da Igreja. Ontem, a 50.ª Assembleia-Geral da CNBB aprovou, em Aparecida, a criação de um fundo de ajuda às dioceses mais pobres para a formação de padres.

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abril 21, 2012

“Igreja do Vaticano II”, o “endless love” do episcopado brasileiro.

Embora os fatos demonstrem escancaradamente a falência de seus ideais modernizantes, a hierarquia católica continua vivendo em uma eterna década de 60.

O Concílio Vaticano II mereceu grande destaque porque a Igreja vivia, nas décadas que o antecederam, um clima de criatividade e de liberdade para novas experiências. Legitimadas pelo Concílio, essas experiências alcançaram dimensão universal.

O Brasil, desde os anos 50, passava por grande ebulição política, uma fase que desembocou numa ditadura militar, a partir de 1964, com consequências complexas. No entanto, a Igreja Católica no Brasil, no mesmo período, experimentava forte dinâmica evangelizadora. Ela levou ao Concílio Vaticano II experiências significativas nos campos da Bíblia, da catequese, da liturgia, do social, do laicato.

Durante o período conciliar e nos anos subsequentes, a Igreja Católica no Brasil, como em quase toda a América Latina, tinha um duplo desafio missionário: ser fiel aos ditames da Igreja em Concílio, marcando a renovação eclesial, e ser fiel à missão profética ao denunciar abusos contra os direitos humanos.

A evangélica opção preferencial pelos pobres, integrante do Objetivo Geral da nossa Igreja, desde seus primeiros planos pastorais, exigiu, nesses anos cruciais, uma mística ainda mais evangélica, uma maturidade maior na sua ação apostólica.

Contávamos com a Constituição Lumen Gentium, que registrara: “…assim como Cristo consumou a obra da redenção na pobreza e na perseguição, assim a Igreja é chamada a seguir o mesmo caminho, a fim de comunicar aos homens os frutos da salvação…” (nº 8). Nesse contexto, nossas Igrejas acolheram com o maior entusiasmo a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, em 1965, e a concretização da promessa do Papa  Paulo VI, na Exortação Apostólica Populorum Progresso, em 1967, que ofereceu elementos novos para a doutrina social da Igreja,com o conceito de “desenvolvimento integral – do homem todo e de todos os homens”.

A Populorum Progressio iluminou a prática dos cristãos e deu novo alento em épocas tão desafiantes para a nossa Igreja; perpassou também o Documento de Medellín (1968), intitulado “A Igreja na atual transformação da América Latina à luz do Concilio, que visava a proporcionar uma evangelização latino-americana inculturada, levando em consideração os desafios sociopolíticos, a religiosidade profunda do nosso povo, sua espiritualidade e sede de Deus.

Alguns eventos marcantes estiveram presentes à Igreja Católica no Continente no período pré-conciliar. Destacamos o apelo do Papa João XXIII aos bispos da América Latina por uma pastoral planejada. O Santo Padre João XXIII explicitou uma preocupação com o conjunto do Continente diante da situação de Cuba, tão católica quanto os outros países, e que passava por momentos desafiadores para a Igreja.

Daí nasceu entre nós, em 1962, o primeiro Plano de Pastoral, denominado Plano de Emergência para a Igreja do Brasil.

A recepção do Concílio Vaticano II propunha, no entanto, um passo adiante ao Plano de Emergência (1962-1965).  O passo seguinte foi o Plano de Pastoral de Conjunto (PPC), relativo ao período 1966-1970.

O Objetivo Geral do Plano estava assim formulado: “Criar meios e condições para que a Igreja no Brasil se ajuste o mais rápida e plenamente possível, à imagem de Igreja do Vaticano II”.O Brasil foi um dos primeiros países a formular propostas de renovação eclesial à luz do Concílio, por meio de um Plano de Pastoral de Conjunto (PPC). Nossos bispos, reunidos em assembleia, em Roma, trouxeram, na bagagem e no coração, as orientações básicas para a renovação conciliar em nosso país. Tínhamos terreno adubado para que as sementes conciliares caíssem em solo bom.

Do discurso do Cardeal Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida, na cerimônia em homenagem aos 60 anos de fundação da CNBB e de 50ª edição da Assembleia Geral dos Bispos da CNBB – 19 de abril de 2012.

Se em Portugal cantam um “As tears go by” penitencial, seria demais imaginar o Cardeal Damasceno e seus confrades da CNBB, todos de mãozinhas dadas, cantando este meloso sucesso da década de 80 para declarar o seu “amor sem fim” à “Igreja do Vaticano II”? Aquela à qual o Papa rejeitou quando se referiu a uma “ruptura entre a Igreja pré-conciliar e a Igreja pós-conciliar“… Sim, o “endless love” da CNBB:

abril 21, 2012

Bispos estão assustados com queda do número de católicos. Praticantes não passam de 7 milhões.

Por José Maria Mayrink, Agência Estado

Aparecida – Ainda na expectativa dos dados coletados pelo Censo de 2010, os 335 bispos que participam da 50ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estão assustados com a queda do número de católicos, cuja percentagem caiu de 83,34% para 67,84% nos últimos 20 anos. Esses números serão ainda mais assustadores de acordo com as informações coletadas pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE), na previsão do padre jesuíta Thierry Lienard de Guertechin, do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento (Ibrades), organismo vinculado à CNBB.

Padre Thierry apresentou ao episcopado um quadro das religiões baseado em levantamento da Fundação Getúlio Vargas e das Pesquisas de Orçamentos Familiares do IBGE, resultado de entrevistas com 200 mil famílias realizadas antes do censo. “Com certeza, há algumas distorções que espero serem corrigidas pelas estatísticas do IBGE, que ouviu cerca de 20 milhões de brasileiros”, disse o diretor Ibrades.

Os dados até agora disponíveis subestimam a queda da porcentagem de católicos e o crescimento de igrejas evangélicas pentecostais. “Perdemos o povo, porque, se o número absoluto de católicos cresce, caíram os números relativos, que dizem a verdade“, alertou o cardeal d. Cláudio Hummes, ex-prefeito da Congregação do Clero no Vaticano e ex-arcebispo de São Paulo. “Não basta fazer uma bela teologia em pequenos grupos, se os católicos que foram batizados não são evangelizados“, disse o cardeal na missa dos bispos, na manhã desta sexta-feira, na Basílica de Aparecida. Lembrando que o papa Bento XVI está preocupado com a perda da fé ou descristianização em todo o mundo, a começar pela Europa, d. Cláudio afirmou que “é preciso começar pelo começo” no esforço para garantir a perseverança dos católicos e reconquista daqueles que abandonaram a Igreja.

De acordo com os dados apresentados pelo padre Thierry, os evangélicos representam 21,93% da população, enquanto 6,72% declaram não terem religião e 4,62% dizem praticar religiões alternativas. Em sua avaliação, essas porcentagens teriam de ser analisadas com mais rigor, porque refletem um quadro confuso na denominação das crenças. O termo católico aparece em sete igrejas, incluindo a Igreja Católica Romana, enquanto os evangélicos são identificados com mais de 40 denominações. O grupo mais numeroso depois dos católicos é o da Assembleia de Deus, com 5,77%. “O número de seguidores de Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, que aparece com 1% nas pesquisas é na realidade maior”, estima padre Thierry. Ele alerta também para outro fator de distorção, que é a multiplicidade da prática religiosa, as pessoas ouvidas nas pesquisas declaram terem uma religião, mas frequentam mais de uma igreja. Isso ocorre com evangélicos e também com espíritas que se dizem católicos.

A prática religiosa pelos batizados é outra coisa que preocupa dos bispos. Os católicos praticantes – aqueles que vão à missa, recebem os sacramentos e participam da comunidade – são apenas 5%, ou cerca de 7 milhões num universo estimado em pouco mais de 130 milhões de fiéis. Entre os evangélicos, a porcentagem é maior. Padre Thierry dá valor relativo ao alto índice de católicos nas últimas décadas do século 19, quando a sua participação na população ultrapassava 99%. É bom lembrar a perseguição sofrida na época pelas religiões afro-brasileiras e os preconceitos sofridos pelos protestantes, diz o diretor do Ibrades. Ao recuar ainda mais na formação religiosa do povo brasileiro, padre Thierry lembra os cristãos-novos ou judeus convertidos à força ao catolicismo, que também eram perseguidos.

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abril 19, 2012

Novo Pentecostes – 50 anos do Concílio em Aparecida: de Seminário a Hotel.

O centenário Seminário Missionário Bom Jesus, de Aparecida, SP, colhe também os frutos da primavera pós-conciliar. Grande demais para abrigar apenas seminaristas, abre suas portas também aos turistas. Na mais autêntica opção preferencial pelos lucros, diárias vão de R$ 290,00 a R$ 390,00.

Suíte em que o Papa se hospedou quando veio ao Brasil também está disponível para turistas.

Quarto que outrora abrigava seminaristas, hoje é ocupado por turistas. Suíte em que o Papa se hospedou quando veio ao Brasil também está disponível.

O Vale, 18 de março de 2012 – A Arquidiocese de Aparecida inaugura amanhã a Pousada do Bom Jesus, que irá funcionar em algumas alas do Seminário Missionário Bom Jesus, em Aparecida.

A cerimônia de inauguração será realizada a partir das 19h. A pousada conta com um total de 74 apartamentos e, de acordo com a Arquidiocese, já está preparada para receber hóspedes de todo o Brasil, inclusive autoridades católicas.

No ano passado, mesmo antes da sua inauguração oficial, a pousada já havia hospedado parte dos bispos que participaram da 49ª Assembleia Geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Projeto. A Pousada do Bom Jesus fica na região central da cidade, ao lado da Santa Casa. O local é a terceira e última etapa das obras de revitalização do prédio.

A primeira etapa foi realizada para acolher o Papa Bento 16 e a sua comitiva durante visita à Aparecida, quando foi inaugurada a 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano, em maio de 2007.

Na ocasião, Bento 16 ficou hospedado no local.

“Desde a vinda do Papa começamos a revitalização desse projeto. Nosso objetivo era criar um hotel diferenciado em relação a todos que existem hoje na cidade”, afirmou a gerente operacional e responsável pela pousada, Maria da Penha Rogério.

Um ano após a visita do Papa Bento 16, foi reiniciada a reforma da parte destinada a residência e formação dos seminaristas maiores. A obra foi entregue no dia 6 de agosto de 2010.

Dando continuidade ao projeto, foi iniciada a reforma da última parte do edifício, que hoje compreende a pousada pronta.

Diferencial. Ainda de acordo com Maria da Penha, os serviços oferecidos pelo hotel terão diferenciais em termos de hospedagem.

Segundo ela, além da excelência nos serviços, o local ainda possui dois apartamentos voltados para pessoas portadoras de necessidades especiais.

“O hotel fica em um prédio histórico e vai atender a todas as classes sociais, principalmente as autoridades católicas que vêm para os eventos na cidade”, disse ela.

De 17 a 27 de abril, a pousada irá receber bispos da CNBB que irão se reunir para uma assembleia. O evento irá contar com cerca de 400 bispos.

Copa do Mundo. Com a inauguração do hotel, as expectativas também aumentam quanto às hospedagens para a próxima Copa de 2014.

“Temos hoje vários hotéis bons em Aparecida, e muitos inclusive já se inscreveram para hospedar seleções. Mas a Pousada Bom Jesus tem grandes diferenciais, até por já ter hospedado o Papa”, disse ela.

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abril 18, 2012

CNBB dá início aos trabalhos da 50ª Assembleia Geral. Para Dom Damasceno, bispos lutam com “ousadia e coragem”. Por Deus, pela Igreja, pela Fé? Não… Pela democracia, justiça e ética.

Folha de São Paulo | A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) iniciou nesta quarta-feira (18) os trabalhos da 50ª Assembleia Geral, em Aparecida (180 km de São Paulo).

Na cerimônia de abertura da assembleia, o presidente da CNBB, Dom Raymundo Damasceno Assis, 75, afirmou que o evento terá caráter comemorativo. Além de celebrarem o 50º encontro, os bispos reunidos em Aparecida também vão comemorar os 60 anos da CNBB e os 50 anos do início dos trabalhos do Concílio do Vaticano 2, que implementou reformas profundas na Igreja Católica.

Trezentos e trinta cinco bispos comparecem à assembleia, que vai se estender até 26 de abril. O tema principal deste ano é “Palavra de Deus na vida e missão da Igreja”, em que os religiosos vão refletir sobre a Bíblia como instrumento de evangelização.

Também estão na pauta os preparativos da Jornada Mundial da Juventude, que será realizada em julho de 2013 no Rio de Janeiro e contará com a presença do papa Bento 16.

Em discurso em que abordou a história das assembleias gerais da CNBB, d. Damasceno afirmou que os bispos enfrentam com “ousadia e coragem” as dificuldades do Brasil e que eles lutam pela democracia, justiça e ética.

Em seguida, o reitor do Santuário Nacional de Aparecida, padre Darci Nicioli, descreveu para os bispos como será o encontro nos próximos dias. Os bispos vão acompanhar palestras de outros religiosos e até mesmo de juristas.

Nicioli também anunciou que a Igreja abrirá um novo hotel em Aparecida em setembro. O prédio com 330 apartamentos, salas, central de reservas e restaurante com 600 lugares vai passar a hospedar os bispos nas próximas assembleias, que desde 2011 se tornou a cidade oficial dos encontros da CNBB.

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