Posts tagged ‘Congregação para a Doutrina da Fé’

9 julho, 2013

Dom Müller: “Agora realmente chega”.

Por FSSPX-Alemanha | Tradução: Fratres in Unum.com - Um comunicado de imprensa foi divulgado hoje pelos meios de comunicação: segundo informações da “Focus”, o Vaticano deseja encerrar o diálogo com a Fraternidade São Pio X, iniciado pelo Papa Emérito Bento XVI.

É iminente uma declaração nesse sentido do prefeito alemão para a Congregação da Fé, Gerhard Ludwig Müller, informa a revista, citando fontes do dicastério.

A declaração publicada recentemente pelos três bispos, por ocasião do 25º aniversário da sagração episcopal, teria motivado essa medida.  [...]

De acordo com a revista “Focus”, em reação a essas afirmações [contidas na declaração] o Arcebispo Müller teria dito: “Agora realmente chega.” Como pastor supremo de Regensburgo, o Arcebispo Müller já era um opositor declarado da obra do Arcebispo Lefebvre.

* * *

Nota do Fratres: A exemplo do que fez em 2009, pouco depois do levantamento das excomunhões, Dom Müller comunicou à Fraternidade que ela deveria renunciar às ordenações previstas para o dia 29 de junho de 2013. A informação foi divulgada por Dom Bernard Fellay, superior da FSSPX, em Paris, no último dia 20. No passado, ainda como bispo de Regensburg, Müller teria afirmado que as ordenações na Fraternidade seriam inválidas, juízo nunca emitido por nenhum representante da Santa Sé.

23 maio, 2013

“Distinguir uma Teologia da Libertação equivocada e uma correta”.

Da entrevista concedida por D. Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, à Zenit:

No ano passado, quando você foi nomeado prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, alguns o acusavam de ser amigo do padre Gustavo Gutiérrez, fundador da Teologia da Libertação. O que nos pode dizer sobre isso?

Dom Müller e Gustavo Gutierrez.

Dom Müller e Gustavo Gutierrez.

É verdade que conheço bem o padre Gutiérrez. Em 1988, me convidaram para participar de um seminário com ele. Fui com alguma reserva porque conhecia as duas declarações da Congregação para a Doutrina da Fé sobre a Teologia da Libertação, publicadas em 1984 e em 1986. Entretanto, pude constatar que é necessário distinguir uma Teologia da Libertação equivocada e uma correta.

Considero que cada teologia é boa se parte de Deus e de seu amor e tem a ver com a liberdade e a glória dos filhos de Deus. Portanto, a teologia cristã que fala da salvação dada por Deus não pode ser misturada com a ideologia marxista que fala de uma autorredenção do homem.

A antropologia marxista é completamente diferente da antropologia cristã, porque trata o homem como um ser privado de liberdade e dignidade. O comunismo fala da ditadura do proletariado e a boa teologia, ao contrário, fala da liberdade e do amor. O comunismo, e também o capitalismo neoliberal, rechaçam a dimensão transcendente da existência e se limitam ao horizonte material da vida. O capitalismo e o comunismo são as duas faces da mesma moeda, a moeda falsa. Ao contrário, para construir o Reino de Deus a verdadeira teologia vem da Bíblia, dos Padres da Igreja e do Concílio Vaticano II.

Em certos ambientes, sua nomeação para prefeito da Congregação que se ocupa da doutrina católica e a recente eleição do arcebispo de Buenos Aires para bispo de Roma foram vistos como uma revanche da Teologia da Libertação, criticada por João Paulo II e pelo cardeal Ratzinger. O que responde a estas vozes?

Em primeiro lugar, queria destacar que não existe nenhuma ruptura entre Bento XVI e o Papa Francisco no que se refere à Teologia da Libertação. Os documentos do então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé serviram para esclarecer o que era necessário evitar, da maneira de fazer a Teologia da Libertação à autêntica teologia da Igreja. Minha nomeação não significa que se abre um novo capítulo nas relações com esta teologia; pelo contrário, é um sinal de continuidade.

Bento XVI, ao receber em 2009 um grupo de bispos do Brasil em visita ad limina apostolorum, disse que valia a pena recordar que em agosto do ano anterior foram comemorados os 25 anos da Instrução Libertatis Nuntius da Congregação para a Doutrina da Fé, sobre alguns aspectos da Teologia da Libertação. E acrescentou que “suas consequências mais ou menos visíveis feitas de rebelião, divisão, discordância, ofensa, anarquia ainda agora se fazem sentir, criando em nossas comunidades diocesanas grande sofrimento e uma grave perda de forças vivas”. Concorda com esta análise do pontífice sobre as consequências da Teologia da Libertação?

Estes aspectos negativos dos quais fala Bento XVI são o resultado da mal entendida e mal aplicada Teologia da Libertação. Estes fenômenos negativos não teriam acontecido se tivesse sido aplicada a autêntica teologia. As diferenças ideológicas criam divisão na Igreja.

Mas isto acontece também na Europa onde há, por exemplo, os chamados católicos progressistas e conservadores. Isto recorda a situação de Corinto, onde havia quem se referia a Paulo e quem, ao contrário, se referia a Pedro, ao passo que outros se referiam a Cristo. Mas todos nós temos que estar unidos em Cristo, porque Deus une, o mal divide. A teologia que cria as divisões é antes ideologia. A verdadeira teologia tem que levar a Deus, então não se pode criar divisões.

8 maio, 2013

Cardeal Braz de Aviz disse o que disseram que disse. Oficial da Congregação para a Doutrina da Fé: “Isso não se faz”.

Do National Catholic Reporter:

Um cardeal negou alegações do Vaticano de que suas observações feitas ao NCR sobre uma controversa crítica de 2012 às irmãs católicas dos EUA foram mal interpretadas, afirmando considerar a matéria do NCR “muito precisa”.

Braz de Aviz, falando ao NCR na quarta-feira, no Vaticano, após a audiência papal com as líderes das irmãs católicas de todo o mundo, disse que a matéria do NCR sobre a sua conferência forneceu uma tradução imprecisa da palavra “autoridade” no momento das perguntas e respostas.

No entanto, “tratou-se somente de um pequeno, minúsculo ponto da entrevista”, disse.

NCR reportou o cardeal dizendo no domingo: “Estamos em um momento” onde as idéias de “obediência e autoridade devem ser renovadas, revistas”.

“Autoridade que controla, mata. Obediência que se torna uma cópia do que a outra pessoa diz infantiliza”, escreveu NCR como sendo suas palavras.

Braz de Aviz disse na quarta-feira: “A questão da obediência, esta parte estava ok. Mas a questão da autoridade, a tradução não estava precisa. Eu estava tentando enfatizar que a autoridade não pode ser uma dominação”.

Da matéria de Catholic News Agency (CNA):

Um oficial da Congregação para a Doutrina da Fé disse à CNA, em 7 de maio, sob a condição de anonimato, que a Congregação está “perplexa” com a afirmação do Cardeal João Braz de Aviz de que não se discutiu com ele a decisão de exigir que um grupo americano de superioras religiosas passe por reformas.

“Estamos perplexos porque a matéria é de exclusiva responsabilidade da congregação [para a Doutrina da Fé] e nós não estamos invadindo o terreno de ninguém”, afirmou a fonte no início da tarde de terça-feira.

A decisão foi resultado de uma avaliação de quatro anos que chegou à conclusão de que a Conferência de Superioras Religiosas promovia “temas feministas radicais incompatíveis com a fé católica” e divergia do ensinamento da Igreja em pontos que incluíam o sacerdócio sacramental masculino e a homossexualidade.

[...]

Comentando sobre as afirmações [do Cardeal Braz de Aviz] sobre a congregação doutrinal, a fonte interna declarou: “Isso não se faz. Eu não sei como os seus comentários beneficiam a ele ou a Igreja, e ele faz parecer que se está cometendo uma injustiça”.

“Foi um processo muito lento e objetivo e nossos membros são teólogos e filósofos extremamente profissionais, que consultam o Papa semanalmente”, explicou.

Mas de acordo com a fonte, “há muito orgulho e alguém sempre quer acreditar que está certo”.

“As pessoas estão muito mal informadas teológica, filosófica e academicamente” sobre as posições defendidas pela LCWR, acrescentou.

O oficial da doutrina acredita que “a parte mais importante já aconteceu, isto é, que os católicos foram informados de que essas mulheres estão erradas”.

Ele explicou que a LCWR segue a “ideologia de gênero” e “desenvolveu um feminismo ultra exacerbado que as faz rejeitar todo tipo de autoridade masculina”.

“Elas foram mandadas embora de várias paróquias porque ensinam coisas que provocam grande desconforto nas comunidades”, disse.

[...]

Após tentar obter comentários da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, CNA foi encaminhada ao Cardeal Braz de Aviz, que não estava disponível.

4 fevereiro, 2013

Dom Müller teria intervindo em favor da antiga PUC-Peru.

IHU – O prefeito para a Congregação da Doutrina da Fé, Gerhard Müller, teria enviado uma carta ao cardeal Juan Luis Cipriani, na qual pede informações sobre sua decisão de não renovar o mandato para que os professores do Departamento de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Peru (PUCP) deem aula.

Dom Müller e o guru-mor da Teologia da Libertação, Gustavo Gutierrez: não, eles não estavam negociando quanto à Fé.

Dom Müller e o guru-mor da Teologia da Libertação, Gustavo Gutierrez.

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 01-02-2013. A tradução é do Cepat.

De acordo com a revista peruana Caretas, o encarregado da Doutrina da Fé do Vaticano solicitou ao cardeal Cipriani que lhe enviasse uma cópia do documento no qual decide não renovar o mandato canônico vigente.

Müller lhe teria indicado que enquanto não se resolve o tema no Vaticano, a universidade poderá continuar a oferecer os cursos de Teologia previstos.

A Caretas indica, além disso, que pessoas vinculadas ao cardeal asseguram que este assunto emerge porque os professores da PUCP, aos quais foi cortado o direito de ensinar, enviaram primeiro uma carta a Müller queixando-se de terem sido proibidos por motivos doutrinários.

Todavia, Cipriani disse que não recebeu nenhuma carta até o momento, e afirmou que não renovou a licença porque a PUCP não cumpriu com a ordem de adaptar seus estatutos, conforme exigência do Vaticano.

Além disso, justifica sua decisão e assevera que tomou a decisão com base em suas faculdades como Arcebispo Ordinário de Lima.

Extraoficialmente, soube-se que a carta de Müller já chegou, e foi enviada através da Nunciatura Apostólica ao cardeal. Uma cópia teria sido enviada à Conferência Episcopal, presidida por dom Salvador Piñeiro.

A decisão de Cipriani de proibir os cursos de Teologia na PUCP afeta muitos estudantes desta universidade, pois para terminar os Estudos Gerais Letras é indispensável fazer ao menos uma disciplina de Teologia, assim como egressar da Faculdade de Teologia; ao passo que em Educação, devem fazer duas disciplinas.

* * *

Como noticiamos em julho do ano passado: ‹‹ Em 2008, Dom Gehard Müller, novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, recebeu o título de doutor honoris causa outorgado pela mesmíssima universidade. Todos os anos desde 1998, Müller viaja ao Peru para fazer um curso com Gutiérrez na ex-PUC e passa algum tempo vivendo com os agricultores em uma paróquia rural, perto da fronteira com a Bolívia. Quando recebeu o título, Müller declarou sobre Gutierrez: “A teologia de Gustavo Gutiérrez, independentemente de como você olha para ela, é ortodoxa porque é ortoprática”, disse ele. “Ela nos ensina a forma correta de agir de uma forma cristã, já que provém da verdadeira fé” ›› .

15 janeiro, 2013

Dom Müller: Santa Sé considera Ordinariato para protestantes moderados que vêem no Vaticano II realização dos ideais de Lutero.

O arcebispo não explicou como a afirmação de que o Vaticano II realizou os anseios de Lutero pode ser coadunada com a “hermenêutica da reforma na continuidade”.

Dom Gerhard Ludwig Müller.

Dom Gerhard Ludwig Müller.

Por InfoCatólica | Tradução: Fratres in Unum.com -  Dom Gerhard Ludwig Müller, arcebispo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), declarou que a Santa Sé poderia considerar a criação de um ordinariato para os luteranos que desejam regressar à plena comunhão com a Igreja Católica, que teria uma estrutura similar à estabelecida pelo Papa Bento XVI para os anglicanos. O arcebispo reconhece, todavia, que “o mundo luterano é um tanto diferente dos anglicanos, pois entre os anglicamos sempre houve um setor mais próximo do catolicismo”.

No entanto, explica o prefeito da CDF, alguns luteranos desejam a restauração da plena comunhão com Roma, e a Igreja deveria estar preparada para recebê-los. O arcebispo sugere que, da mesma forma que com os anglicanos, a Igreja Católica deveria permitir a esses luteranos, no processo de união com a Igreja, preservar as tradições legítimas que se desenvolveram.

Segundo Dom Müller, na opinião de alguns luteranos, Martinho Lutero pretendia somente reformar a Igreja e não causar divisão entre os cristãos. Esses luteranos crêem que as reformas necessárias foram realizadas pelo Concílio Vaticano II. O prelado explica que em sua terra natal, Alemanha, “os protestantes não se opõem completamente ao catolicismo, já que mantiveram muitas tradições católicas”.

O arcebispo fez estas declarações durante a apresentação, em uma livraria de Roma, de seu livro sobre o pensamento de Bento XVI.

30 outubro, 2012

Dom Muller sobre diálogo interreligioso: “não significa renunciar à própria identidade”.

Dom Gerhard Müller, novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Dom Gerhard Müller, novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Roma | Rádio VaticanoSe recorda hoje 26 anos do histórico Encontro de Assis das Religiões pela Paz, iniciativa do então papa João Paulo II. Por ocasião do transcurso da data, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Gerhard Muller, destacou que no diálogo com outras religiões não se deve esconder a própria fé e a própria identidade, em nome de um diálogo politicamente correto.

“Para um cristão, referiu Dom Muller, o respeito pela religiosidade dos outros não significa e não deveria significar uma renúncia à própria fé, à própria identidade e à verdade definitiva recebida, através da Igreja, na Revelação de Deus”.

Ele acrescentou ainda, segundo refere a agência SIR, que “a Igreja pode propor um verdadeiro diálogo somente a partir da verdade sobre ela mesma. Seria vergonhoso esconder a fé autêntica e abandonar a unicidade da Revelação e da Encarnação do Filho de Deus, em nome de um diálogo politicamente correto. É justificado e correto somente um diálogo conduzido na verdade e no amor”.

“Por isto — continua — a nossa fé, dirigida à Cristo e a verdade sobre nós mesmos devem sempre ocupar um lugar privilegiado em cada ocasião de diálogo dos cristãos com aqueles que não o são. Portanto, o diálogo com os seguidores das religiões não cristãs é uma forma de testemunho de fé que deve ser sempre respeitoso para com o outro e a dignidade da sua consciência.(JE)

29 outubro, 2012

Impressões sobre as palavras de Dom Fellay na conferência da ‘Angelus Press’.

Por Paulo Frade | Fratres in Unum.com

Tive a graça de participar da conferência da Angelus Press, realizada entre os dias 19-21 de outubro, em Kansas City.  O tema da conferência deste ano foi “O Papado” e teve como palestrante principal Dom Bernard Fellay. A conferência contou com a presença de dezenas de sacerdotes, religiosos, seminaristas e leigos.  Tive a oportunidade de conversar e conhecer vários padres diocesanos, sendo um deles o Padre Michael Rodriguez, da diocese de El Paso, que foi injustamente perseguido por seu bispo devido à sua firme defesa da Fé e Moral católicas.  Além dele, conheci outros 3 padres diocesanos, dois de Nova York e um da Califórnia.

Conferência sobre o Papado promovida pela Angelus Press.

Conferência sobre o Papado promovida pela Angelus Press.

Apesar de eu não ser um fiel da FSSPX, sempre tive um verdadeiro apreço por seu trabalho, já que, exceto por uma intervenção divina diversa, se não fosse pela FSSPX, muito provavelmente ainda estaríamos na era do indulto. Devido às especulações de jornais, blogs e sites, cheguei à conclusão de que seria essencial ir à fonte para tentar descobrir qual a intenção da FSSPX quanto às conversações com Roma, quais são os verdadeiros fatos e qual a situação atual em que eles se encontram.

Quanto à intenção, ficou claro para mim, tanto nas palestras da conferência quanto nas conversas que tive com padres e seminaristas, que eles reconhecem que, por alguma razão, o Papa tem este desejo de reabrir a Igreja para liturgia tradicional e que a razão mais provável disso seja o reconhecimento do Papa de que o remédio para a crise atual seja o Rito Tradicional.  A FSSPX, reconhecendo que o Espírito Santo é a causa última de todas as coisas, procurou nessas conversações, dentro de seus limites e possibilidades, despertar esse lado do Santo Padre que ao menos aparentemente está voltado a Tradição.

Quanto às conversações com Roma, ao contrário do que muitos pensam e afirmam, as discussões doutrinais ocorreram por escrito e não de forma oral. Apenas depois que as discussões relacionadas a um ou alguns assuntos estavam esgotadas é que havia uma reunião.  Eu vi com meus próprios olhos ao menos três das correspondêcias recebidas por Dom Fellay. Os que negam que as discussões foram feitas de forma escrita estão no mínimo mal informados.

A primeira correspondência recebida por Dom Fellay, fazia entre outras, as seguintes afirmações:

Regras de hermenêutica que explicitam a interpretação da continuidade do Concílio Vaticano II com a Tradição e o ensinamento do Magistério precedente:

    1. Não há ensinamento doutrinal algum do Vaticano II que não seja totalmente compatível com a Fé Católica;
    2. A maneira correta de entender o Concílio é interpretá-lo em harmonia com a verdade de todos os outros ensinamentos do Magistério da Igreja em matéria de Fé e Moral.

Dom Fellay afirmou que o segundo ponto era razoável, só que o primeiro ponto não. Assim, ele respondeu afirmando que não concordava com o primeiro ponto. Afirmou também que era necessário começar de um ponto comum e este ponto comum seria a Tradição.  O Vaticano concordou com a sugestão de Dom Fellay e seguiu em frente. As trocas de correspondência continuaram e as questões relacionadas à Missa Nova, liberdade religiosa, ecumenismo, definição da Igreja e colegialidade foram todas discutidas. O último ponto tratado, segundo Dom Fellay, foi relacionado ao papel das autoridades atuais em relação à Tradição.

Segundo Sua Excelência, quando esse problema for resolvido, todos os demais também serão. No fim das discussões, as autoridades representando o Vaticano afirmaram que os respresentantes da FSSPX eram protestantes por colocarem a razão acima do Magistério. Como resposta, as autoridades da FSSPX afirmaram que os representantes do Vaticano eram modernistas por argumentarem como se a verdade pudesse evoluir.  Assim chegou ao fim a fase de discussões com Roma, o que prova que a FSSPX não estava apenas buscando um solução prática a qualquer custo.

Depois de dois anos de tratativas, Dom Fellay foi convidado para fazer uma avaliação das discussões com o Cardeal Levada.  A reunião foi marcada para o dia 14 de Setembro de 2011. Antes mesmo de ir a esta reunião, em meados de agosto, Dom Fellay recebeu mensagens de vários membros da Ecclesia Dei, incluindo um Cardeal, dizendo que o Papa reconheceria a FSSPX da mesma forma que ele fez com o levantamento das excomunhões, ou seja, de maneira unilateral. O purpurado reconheceu que havia divergências entre o Vaticano e a Fraternidade, mas afirmou que quem queria a reconciliação era o Papa e que esse desejo fazia parte do coração do seu pontificado.

No dia marcado, Dom Fellay foi ao Vaticano e recebeu um documento que ele nos mostrou durante sua palestra, com uma página que tratava de questões doutrinais e a outra de questões canônicas. Na primeira página havia uma nota preliminar que acompanhava a outra página, intitulada de “Preâmbulo Doutrinal”, que continha quatro pontos. Enquanto que na nota preliminar se encontrava a liberdade de discutir sobre o Concílio, no texto oficial do preâmbulo a liberdade não existia. Fora isso, no terceiro ponto do preâmbulo, a FSSPX teria que interpretar o Concílio de acordo com o catecismo pós-conciliar. Depois de estudar o texto com cuidado, a FSSPX respondeu no dia 30 de novembro de forma negativa, afirmando que o que eles estariam dispostos a fazer seria a profissão de Fé do Concílio de Trento. Se necessário eles estariam também dispostos a fazer a profissão de Fé em conjunto com a Constituição Dogmática Pastor Aeternus e o artigo 25 da Lumen Gentium, com a indicação de que todo o texto do Vaticano II deveria ser entendido segundo o juramento anti-modernista, e que isso faria com que fosse necessário a reformulação de alguns textos conciliares.

Dom Fellay finalizou a resposta citando a famosa declaração de Dom Lefebvre: “Nós aderimos, com todo o nosso coração, com toda a nossa alma à Roma Católica, guardiã da Fé Católica e das tradições necessárias à manutenção desta mesma Fé, à Roma eterna, mestra da sabedoria e da verdade. Nós recusamos, por sua vez, e sempre recusaremos, seguir a Roma de tendência neo-modernista e neo-protestante que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II e, depois do Concílio, em todas as reformas dele provenientes”. E continuou dizendo que a FSSPX energeticamente recusa seguir tendências neo-modernistas e neo-protestantes que claramente se manifestaram durante e continuam se manifestando após o Concílio Vaticano II. Disse, também, que todas essas reformas têm contribuído para a demolição da Igreja, dos sacramentos, da vida sacerdotal, da vida religiosa, dos ensino católico, dos seminários, etc.  Após receberem a resposta, as autoridades do Vaticano telefonaram a Sua Excelência alguns dias depois, perguntado se ele não poderia ser mais preciso.  Mais preciso?! Então, ele responde novamente no dia 12 de Janeiro de 2012.  Nesta segunda carta, ele afirma que a primeira resposta permanece sendo a resposta da FSSPX, isto é, um “não”, e Dom Fellay seguiu mais uma vez explicando a razão da resposta negativa. Por fim, no dia 16 de Março de 2012, ele recebeu uma carta assinada pelo Cardeal Levada afirmando que “a recusa do preâmbulo doutrinal explicitamente aprovado pelo Santo Padre é, de fato, uma recusa de fidelidade ao Sumo Pontifíce e ao Magistério atual”. O então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé continuou dizendo que “isso teria uma consequência, que é a ruptura da comunhão com o Papa” e que os resultados canônicos relacionados a tal ruptura seriam o cisma e excomunhão. Esta carta, que na verdade era um ultimato, deu a Dom Fellay 30 dias para reconsiderar o “não” dado ao preâmbulo.

Em 13 de junho, o superior da Fraternidade recebeu outra carta. Ao lê-la, afirmou a si mesmo que finalmente as coisas estavam mais claras, claras o suficiente para dizer que “we’re not going to go there!”. Esta última carta foi uma correção a uma manifestação que Dom Fellay enviou à Congregação para a Doutrina da Fé, por indicação do Santo Padre, dando as condições da Fraternidade para uma reconciliação.  Por um tempo, Dom Fellay acreditou que a condições haviam sido aceitas mas depois de receber a carta com as correcoes da CDF ele teve a reacao acima. Talvez seja a resposta a estas correções que o Vaticano esteja esperando até agora. Se este for o caso, está certo que da forma como está a Fraternidade já a rejeitou.

A conferência de Dom Fellay durou cerca de 3 horas e não dá para tratar de tudo aqui. Mas não posso deixar de fora os comentários que Sua Excelência fez em relação às constantes contradições que encontrou durante todo esse período, que de certo modo acaba provando que o Papa está rodeado de lobos.  Em 2009, por exemplo, antes das ordenações de diáconos da FSSPX, o Cardeal Castrillon Hoyos telefonou para Dom Fellay e afirmou que ele teria que parar com essas ordenações feitas sem permissão e que, se fosse pedida a permissão ao Papa, ele garantia que quase imediatamente o Papa autorizaria as ordenações.  O Cardeal Hoyos continuou afirmando que no período de duas semanas a FSSPX seria regularizada. Dom Fellay perguntou como isso seria possível, se o Secretário do Estado havia enviado uma carta a ele afirmando que a FSSPX teria que aceitar o Vaticano II para se regularizar.  Dom Hoyos respondeu que o texto era apenas administrativo e político e que essa também era a posição do Papa. Com isso, em quem deveria Dom Fellay acreditar? Em um documento oficial do Secretário do Estado ou no telefonema do Cardeal?

Em setembro de 2010, um padre se uniu à FSSPX. Dom Fellay, então, recebeu uma carta da Congregação dos Religiosos, dizendo que o padre que se juntou a eles havia sido excomungado e que havia perdido a fé por agora fazer parte do cisma do Arcebispo Lefebvre. Como pode Roma levantar as excomunhões dos bispos da FSSPX e depois excomungar um sacerdote que resolveu se juntar a eles (união informal, diga-se de passagem, pois a FSSPX não aceita religiosos, mantendo apenas relações de proximidade com as ditas “comunidades amigas”)? Quando Dom Fellay se reuniu com Monsenhor Guido Pozzo para indagar sobre esta carta, o secretário da Ecclesia Dei disse a ele para simplesmente rasgá-la, que ela não tinha valor algum.  Essas contradições desgastantes parecem ter dificultado muito as conversações.

5 outubro, 2012

Olha só quem está falando: “Não existem negociações no que tange a Fé”.

Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Müller: “Não haverá mais conversações com a Fraternidade”.

Dom Müller e o guru-mor da Teologia da Libertação, Gustavo Gutierrez: não, eles não estavam negociando quanto à Fé.

Dom Müller e o guru-mor da Teologia da Libertação, Gustavo Gutierrez: não, eles não estavam negociando quanto à Fé.

FSSPX-Alemanha | Tradução: T.M. Freixinho - Roma, 4 de outubro de 2012 -  Pouco antes do 50º aniversário do Concílio Vaticano II, o novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Arcebispo Gerhard Ludwig Müller (foto), põe fim às negociações com a Fraternidade São Pio X.

Ele disse literalmente: “Essa Fraternidade não é uma parceira de negociações para nós, porque não existem negociações no que tange a Fé”. O Arcebispo Müller se expressou dessa maneira em entrevista exclusiva à rádio NDR Kultur.

O escopo de tarefas do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé inclui também a questão de uma possível integração da Fraternidade tradicionalista na Igreja Católica. Em vista de um possível recomeço dos tradicionalistas, o Arcebispo Müller disse: “Em um sentido pastoral a porta está sempre aberta”.

O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé esclareceu ainda em conversa com a NDR Kultur que: “Não existem reduções no tocante à Fé Católica, precisamente como ela foi formulada validamente no Concílio Vaticano. O Concílio Vaticano II não está em contradição com toda a tradição eclesial, na melhor das hipóteses, está em contradição com algumas falsas interpretações da Fé Católica”.

O Arcebispo Müller disse ainda: “Não podemos entregar a Fé Católica a negociações. Não existem concessões”. Na Congregação para a Doutrina da Fé os procedimentos seguintes serão agora resolvidos em união com o Papa.

Os padres da Fraternidade teriam que aceitar a explicação que lhes foi apresentada, enfatizou Dom Müller. “Creio que agora não existe mais nenhuma nova conversação”, disse o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Em vista do 500º aniversário da Reforma, no ano de 2017, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé explicou que os acontecimentos devem ser ordenados de maneira historicamente correta. Isso seria uma oportunidade de nos certificarmos do processo ecumênico e de tomarmos isso como um impulso, a fim de que também o caminho para uma maior unidade da Igreja seja empreendido de maneira consciente, objetivando a unidade visível de todos os cristãos em uma Igreja.

Com relação a um dos gestos de reconciliação entre católicos e protestantes sugeridos pela líder da Igreja Evangélica Luterana da Alemanha (EKD), Margot Käßmann, Dom Müller disse que essa reconciliação já teria sido praticamente alcançada há muito tempo, através de todo o processo ecumênico. Já se teria muito em comum e não se estaria no começo. “Não precisamos contemplar essa data agora de maneira tão mágica”, esclareceu Dom Müller.

A entrevista com o Arcebispo Gerhard Ludwig Müller foi conduzida por Florian Breitmeier. Ela poderá ser ouvida no programa “Das Gespräch” na noite de sábado, 6 de outubro, às 18:00h no canal NDR.kultur.

Comentário da FSSPX-Alemanha: Não se poderia esperar outra coisa. Ainda assim é inexplicável como o Papa Bento XVI, nesta situação difícil das conversações, pôde nomear um oponente declarado da Fraternidade como parceiro de negociações. Será que o Papa queria aumentar a pressão sobre a Fraternidade através do Arcebispo Müller, para que ela reconhecesse o Concílio também em seus pontos controversos?

Em caso afirmativo, então, esse plano foi de antemão condenado ao fracasso. A Fraternidade permanecerá sempre fiel à linha de seu fundador, que participou ele mesmo do Concílio e já naquela época reconhecia claramente que, embora haja muita coisa correta no Concílio, os progressistas conseguiram inserir passagens ambíguas e falsas.

Precisamente essas passagens posteriormente formaram a base para a interpretação do Concilio como brecha para uma nova eclesiologia: A Igreja como um caminho entre muitas religiões com os mesmos direitos.

Até que essas passagens polêmicas sejam esclarecidas e a falsa eclesiologia seja rejeitada, não se dará o reconhecimento do Concílio de maneira abrangente, como fala o Arcebispo Müller.

27 setembro, 2012

A carta do Papa a Fellay.

Vale recordar que o Fratres in Unum adiantou, por duas vezes, a informação de que a exigência acerca do Concílio Vaticano II era proveniente do próprio Papa: em maio, com a revelação, pelo “Vatileaks”, de uma ressalva do próprio punho do Pontífice ao comunicado, de 2009, da Secretaria de Estado; e na semana passada, com a entrevista do Padre Franz Schmidberger, na qual o superior alemão manifestava a existência da carta à qual se refere o artigo abaixo.

Por Andrea Tornielli | Tradução: Fratres in Unum.com

No último dia 30 de junho, Bento XVI enviou uma carta (escrita em francês) ao Superior Geral da Fraternidade São Pio X, o bispo Bernard Fellay. Este é o artigo que escrevi para o Vatican Insider. Quem revelou a existência da missiva – uma correspondência que deveria permanecer privada — foi um outro bispo lefebvrista, Bernard Tissier de Mallerais, durante uma conferência realizada em 16 de setembro, na França.

Após o encontro de 12 de junho entre Fellay e o Cardeal William Levada, no Palácio do Santo Ofício, quando foi entregue ao superior da Fraternidade São Pio X a última versão do preâmbulo doutrinal, acompanhado de uma proposta de solução canônica (uma prelazia pessoal), o chefe dos lefebvristas decidiu escrever diretamente ao Papa. E lhe pediu um encontro para explicar as dificuldades ainda existentes em relação ao texto do preâmbulo.

Bento XVI, que havia sido informado detalhadamente sobre as conversações doutrinais que duraram dois anos, bem como sobre os vários rascunhos do preâmbulo doutrinal e as discussões que ocorreram dentro da Congregação para a Doutrina da Fé, preferiu responder por escrito, com a carta de 30 de junho, na qual não faz menção ao pedido de um encontro expresso por Fellay. Ratzinger se limitou a exortar os lefebvristas a assinar o preâmbulo, explicando, como revelou Tissier de Mallerais, que “para ser reintegrados na Igreja, é necessário realmente aceitar o Concílio Vaticano II e o magistério pós-conciliar”.

As palavras usadas por Tissier de Mallerais, contrárias ao acordo e muito duras para com o Concílio, bem como para a Missa segundo o rito proveniente da reforma litúrgica pós-conciliar, expressam, mais uma vez, a divisão que existe dentro da Fraternidade. Em todo caso, não é dito, de modo algum, que a partida esteja definitivamente encerrada. A nova liderança da Congregação para a Doutrina da Fé e da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei acaba de se instalar: será necessário ver como procurarão chegar à conclusão do  processo que foi iniciado. Certamente, o caminho parece penoso.

20 setembro, 2012

A última versão do Preâmbulo doutrinal vem do Papa pessoalmente.

Por Kreuz.net | Tradução: T. M. Freixinho, Fratres in Unum.com -  Em uma vídeo-entrevista para o sítio ‘pius.info’, o Padre Franz Schmidberger – superior do Distrito Alemão da Fraternidade São Pio X – resume as condições apresentadas pela Fraternidade para a “regularização” junto ao Vaticano.

Não haverá uma segunda Fraternidade

A Fraternidade deseja continuar expondo os erros do Concílio Vaticano II “no pelourinho”. Ela quer utilizar exclusivamente os livros litúrgicos antigos e exige uma promessa do Vaticano, no sentido de que futuramente os bispos da Fraternidade sejam nomeados dentre suas próprias fileiras.

Consulta ao Papa

Padre Schmidberger esclarece que a última versão do preâmbulo doutrinal – que o Vaticano entregou à Fraternidade em 13 de junho – incorporava um texto proposto por Dom Bernard Fellay.

Porém, complementos essenciais teriam sido acrescentados, “que representam um problema para nós”.

Assim, a Fraternidade informou-se junto ao Papa se a versão procedia dele ou de seus colaboradores.

Em sua resposta, o Papa assegurou que as novas sugestões seriam dele mesmo.

“Assim realmente não dá”

As novas exigências incluem – segundo o padre Schmidberger – o reconhecimento da legitimidade da Missa Nova e o reconhecimento do Concílio Vaticano Segundo.

A Fraternidade poderia discutir apenas em nuances uma ou outra formulação.

Todavia, ela precisaria basicamente estar preparada para enxergar o Concílio Pastoral em uma série ininterrupta com os concílios dogmáticos.

Comentário do padre Schmidberger: “Assim, realmente, não dá. Ocorreram rupturas que não podem ser negadas”.

Condição Anormal

Ele enfatiza que o Vaticano precisaria renunciar a essas exigências se quiser normalizar as relações com a Fraternidade.

A condição atual da Fraternidade seria “anormal”.

Entretanto, essa condição — que clama por uma normalização – não seria culpa da Fraternidade.

As conversações com Roma teriam mostrado que a Fraternidade busca a normalização e que esta depende do Papa.

[Ndr: no mesmo vídeo, Padre Schmidberger afirma acreditar que o Papa não aplicará novas penalidades sobre a FSSPX caso não se chegue um entendimento].

Política Pessoal Zigue-zague

Padre Schmidberger descreve o polêmico Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Arcebispo Gerhard Ludwig Müller, como “não muito simpático” à Fraternidade.

Ele teria assumido uma “atitude quase hostil” em relação à Fraternidade.

O Superior Distrital considera o novo Vice-Presidente da Comissão ‘Ecclesia Dei’, Arcebispo Augustine Di Noia, uma “compensação” pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Por que Dom Müller não precisa assinar um preâmbulo doutrinal?

Padre Schmidberger critica o “ensinamento heterodoxo” do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Este substitui o ensinamento da transubstanciação por uma teoria de transfinalização, segundo a qual o pão e o vinho na missa receberiam apenas uma nova qualidade.

Ele não teria também uma “noção muito clara” sobre a Virgindade de Maria.

O Papa promove essas pessoas

O novo secretário para o Culto Divino e uma capela por ele idealizada em sua diocese de origem.

O novo secretário para o Culto Divino e uma capela por ele idealizada em sua diocese de origem.

Finalmente, o padre Schmidberger critica a nomeação do Arcebispo Arthur Roche para o cargo de Secretário da Congregação para o Culto Divino.

Dom Roche seria um crítico contundente do Motu Proprio ‘Summorum Pontificum’. Ele teria feito tudo em sua diocese de Leeds, na Inglaterra, para impedir a Missa Antiga.