Posts tagged ‘Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacr’

21 janeiro, 2016

A sinodalidade na primeira pessoa do singular.

Eis como, fraternal e sinodalmente, Francisco determina, sucintamente em 3 parágrafos:

Da qualche tempo sto riflettendo = Há algum tempo estou refletindo,

Sono giunto alla deliberazione = cheguei à conclusão,

Dispongo pertanto = Determino, portanto

Grato per il prezioso servizio di codesto Dicastero, assicuro a Lei, Signor Cardinale… = Obrigado, obedeça, faça cumprir e tchau.

A carta decreto:

LETTERA DEL SANTO PADRE FRANCESCO
AL PREFETTO DELLA CONGREGAZIONE PER IL CULTO DIVINO
E LA DISCIPLINA DEI SACRAMENTI
SUL RITO DELLA “LAVANDA DEI PIEDI” NELLA LITURGIA DELLA MESSA IN COENA DOMINI

 

Al Venerato Fratello
Signor Cardinale Robert Sarah
Prefetto della Congregazione
per il Culto Divino e la Disciplina dei Sacramenti

Signor Cardinale,

come ho avuto modo di dirLe a voce, da qualche tempo sto riflettendo sul Rito della “lavanda dei piedi”, contenuto nella Liturgia della Messa in Coena Domini, nell’intento di migliorarne le modalità di attuazione, affinché esprimano pienamente il significato del gesto compiuto da Gesù nel Cenacolo, il suo donarsi “fino alla fine” per la salvezza del mondo, la sua carità senza confini.

Dopo attenta ponderazione, sono giunto alla deliberazione di apportare un cambiamento nelle rubriche del Messale Romano. Dispongo pertanto che venga modificata la rubrica secondo la quale le persone prescelte per ricevere la Lavanda dei piedi debbano essere uomini o ragazzi, in modo tale che da ora in poi i Pastori della Chiesa possano scegliere i partecipanti al rito tra tutti i membri del Popolo di Dio. Si raccomandi inoltre che ai prescelti venga fornita un’adeguata spiegazione del significato del rito stesso.

Grato per il prezioso servizio di codesto Dicastero, assicuro a Lei, Signor Cardinale, al Segretario e a tutti i collaboratori il mio ricordo nella preghiera e, formulando i migliori auguri per il Santo Natale, invio a ciascuno la Benedizione Apostolica.

Dal Vaticano, 20 dicembre 2014

Franciscus

21 janeiro, 2016

Rito do Lava-pés: também as mulheres poderão ser escolhidas.

O Papa da sinodalidade, quando quer, utiliza sua autoridade para mudar a lei. Autoridade que também usava, sem nenhuma timidez e sem se preocupar em escandalizar os pequenos, para ignorar a lei antes de mudá-la.

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco decidiu fazer uma mudança nas rubricas do Missal Romano relativas ao Rito do “Lava pés” contido na Missa da Santa Ceia: de agora em diante, entre as pessoas escolhidas pelos pastores poderão ser incluídas também as mulheres.

O Papa explica sua decisão numa Carta endereçada ao prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Robert Sarah. Por conseguinte, o referido Dicastério vaticano emitiu um Decreto a propósito.

Expressar a caridade sem limites de Jesus

“Expressar plenamente o significado do gesto realizado por Jesus no Cenáculo, o seu doar-se ‘completamente’, para a salvação do mundo, a sua caridade sem limites”: com essas palavras, o Papa Francisco explica, na Carta ao Cardeal Sarah, a decisão de modificar a rubrica do Missal Romano que indica as pessoas escolhidas para receber o “Lava-pés” durante a Missa da Santa Ceia, na Quinta-feira Santa.

Incluídas as mulheres entre os fiéis escolhidos

A decisão do Papa, tomada “após atenta ponderação”, explica o próprio Pontífice, faz de modo que “de agora em diante os pastores da Igreja possam escolher os participantes para o rito entre todos os membros do povo de Deus”.

Efetivamente, se antes estes deviam ser homens adultos ou jovens, agora – explica o decreto da Congregação para o Culto Divino – poderão ser quer homens, quer mulheres, “convenientemente jovens e idosos, sadios e doentes, clérigos, consagrados e leigos”, incluídos casados e solteiros.

“Esse pequeno grupo de fiéis deverá representar a variedade e a unidade de cada porção do povo de Deus”, ressalta o Dicastério, sem especificar o seu número.

Explicar adequadamente aos escolhidos o significado do rito

Ademais, o Santo Padre recomenda que “seja dada aos escolhidos uma adequada explicação do significado do próprio rito”. Cabe a estes – escreve o secretário da Congregação para o Culto Divino, Dom Arthur Roche, num artigo para o L’Osservatore Romano – oferecer com simplicidade a sua disponibilidade.

“Cabe a quem cuida das celebrações litúrgicas preparar e dispor todo necessário para ajudar todos a participar frutuosamente deste momento: a vida de todo discípulo do Senhor é memorial (anamnesi) do ‘mandamento novo’ ouvido no Evangelho.”

Gesto já realizado pelo Papa Francisco

Vale recordar que o Papa Francisco já realizou o rito do Lava-pés com a participação de algumas mulheres, por exemplo, na Quinta-feira Santa do ano passado, quando celebrou, em Roma, a missa da Ceia do Senhor no Cárcere de Rebibia. (RL)

12 julho, 2013

Comentários sobre Instrução do Arcebispo de Cuiabá que proíbe a recepção da Sagrada Comunhão de joelhos.

Por Padre Cristóvão e Padre Williams 

Fratres in Unum.com – Abaixo, divulgamos a Instrução que o Exmo. e Revmo. Sr. D. Milton Antônio Santos, Arcebispo Metropolitano de Cuiabá, escreveu aos seus fiéis, “unificando” (sic!) o modo de receber a Santa Comunhão.

Antes de analisarmos a questão sob o ponto de vista litúrgico-jurídico, analisemos quatro aspectos doutrinais da carta do Exmo. Bispo.

Primeiramente, em toda a Carta, Sua Excelência não menciona em nenhum momento que a Santíssima Eucaristia é o verdadeiro Corpo do Verbo Encarnado, Jesus Cristo Deus. Mesmo na citação que selecionou, escolheu uma frase que, apresentada isoladamente, induz a uma alteração do sentido original dado pelo Magistério da Igreja no documento em questão (que cita, por diversas vezes, a Presença Real), como se o Sacramento da Comunhão fosse apenas um sinal da comunhão dos comungantes, e não da Presença Real de Cristo, a ser adorado nas espécies eucarísticas. Crê, o Sr. Arcebispo, que Cristo está presente real e substancialmente na Eucaristia? Fica o suspense!

Estaria Dom Milton em comunhão com os Papas?

Estaria Dom Milton em comunhão com os Papas?

Em segundo lugar, ele sugere que o modo de receber a Sagrada Comunhão (a atitude, como ele chama) é decisivo para que haja comunhão eclesial. Como assim? Quem quisesse comungar de joelhos quando todos comungam em pé está ferindo a comunhão eclesial? A posição corporal é o que há de mais significativo para que haja comunhão entre os fiéis na Igreja? Então, o Sr. Arcebispo, distribuindo a Santa Comunhão exclusivamente aos comungantes em pé estaria em comunhão com o Papa, que a dá estando os comungantes ajoelhados?

Em terceiro lugar, o Sr. Arcebispo se fixa sobre a atitude exterior. Como os tempos estão mudados! E a atitude interior, espiritual, onde fica? Por que não exorta os fieis a se confessarem, caso tenham cometido pecado grave, antes de se aproximarem deste Augusto Sacramento? E as pessoas imodestamente vestidas, ou melhor, bem despidas? E o tema do jejum eucarístico? Será que o Sr. Arcebispo ainda se lembra do Catecismo?

Em quarto lugar, estamos no ano da fé. E a fé na Eucaristia como Presença Real de Cristo, onde fica? Quer dizer que uma pessoa que se aproximasse da Comunhão em pé, processionalmente, mas sem fé, incredulamente, estaria em comunhão com a Igreja? Talvez com o arcebispo de Cuiabá, sim; mas com a Igreja Católica, não!

A própria disciplina atual da Igreja demonstra que o Bispo de Cuiabá está errado. E isto veremos na análise litúrgico-jurídica da questão.

Para respaldar-se, Dom Milton cita a Instrução Eucharisticum Mysterium, da então Sagrada Congregação para os Ritos (hoje, Congregação para o Culto Divino), publicada em 1967. Pois é! Mas, desde aqueles tempos, “muita água passou debaixo da ponte”.  Naquela ida década otimista, na qual o relógio de muitos bispos parece ter parado, por exemplo, Paulo VI, com a esmagadora maioria do episcopado, reafirmava a disciplina tradicional sobre a Comunhão administrada exclusivamente na boca, rechaçando a Comunhão na mão. Dom Milton recuperará também esta disciplina em sua arquidiocese?

De fato, o Sr. Arcebispo parece ignorar alguns documentos bem posteriores das autoridades competentes, isto é, não provenientes de Dom Milton, que esclareceram a “atitude na comunhão eucarística”. Por exemplo, a Instrução Geral do Missal Romano, que diz: “os fiéis comungam ajoelhados ou de pé, conforme for estabelecido pela Conferência dos Bispos. Se, no entanto, comungarem de pé, recomenda-se que, antes de receberem o Sacramento, façam devida reverência, a ser estabelecida pelas mesmas normas” (n. 90). Este “conforme for estabelecido pela Conferência dos Bispos” se explica melhor no documento que citamos a seguir.

A Instrução Redemptionis Sacramentum, da mesma Congregação, publicada em 2002,  reza: “na distribuição da sagrada Comunhão se deve recordar que ‘os ministros sagrados não podem negar os sacramentos a quem os pedem de modo oportuno, e estejam bem dispostos e que não lhes seja proibido o direito de receber’ [por exemplo, um excomungado ou pecador público, ndr.]. Por conseguinte, qualquer batizado católico, a quem o direito não o proíba, deve ser admitido à sagrada Comunhão. Assim pois, não é lícito negar a sagrada Comunhão a um fiel, por exemplo, só pelo fato de querer receber a Eucaristia ajoelhado ou de pé”  (nn. 91s).

Carta da Congregação para o Culto Divino de 2002 - clique para ampliar.

Carta da Congregação para o Culto Divino de 2002 – clique para ampliar.

Esse mesmo conteúdo já era comunicado pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em carta a um bispo diocesano, sob o protocolo nº 1322/02/L, datada de 1º de julho de 2002, cuja íntegra nossos leitores podem ler ao lado. Nela se diz: “Esta Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos recebeu recentemente, da parte de fiéis leigos da sua diocese, informação comunicando que se tem recusado a Sagrada Comunhão aos fiéis que, para recebê-la, se põem de joelhos em vez de permanecer em pé.  Os informantes dizem que tal procedimento pode estar mais difundido na diocese […] Esta Congregação está realmente preocupada com o grande número de queixas recebidas de várias partes nos últimos meses.  Ela considera que a recusa da Comunhão a um fiel que esteja ajoelhado é grave violação de um dos direitos básicos dos fiéis cristãos. […] Mesmo naqueles países em que esta Congregação adotou a legislação local que reconhece o permanecer em pé como postura normal para receber a Sagrada Comunhão… ela o fez com a condição de que aos comungantes desejosos de se ajoelhar não seria recusada a Sagrada Eucaristia“. Recordaremos esta carta mais adiante.

Pois bem, os documentos mais atuais, que dão a reta interpretação aos anteriores, são claros. É o fiel quem escolhe o modo como vai receber a comunhão, e pastores devem respeitar este direito.

No entanto, D. Milton Antônio, citando o magistério, alega que “não é permitido a ninguém, nem mesmo ao sacerdote, salvo a suprema autoridade da Igreja, ou conforme o Direito, o bispo e as Conferências dos Bispos, por conta própria, acrescentar, tirar ou mudar qualquer coisa na Liturgia” (Concílio Vaticano II, Const. Sacrosanctum Concilium, n. 22, §3)” e, ainda,  “por isso, os presbíteros tomem a peito presidir a celebração da Eucaristia de tal forma que os fiéis percebam que não participam de um rito de autoridade particular, mas de um culto público da Igreja, cuja organização foi confiada pelo próprio Cristo aos Apóstolos e seus sucessores” (Ibidem, 45), como se ele mesmo não estivesse debaixo desta norma e não devesse cuidar de que seus sacerdotes a cumpram

"Esclarecimento" divulgado na página oficial da Arquidiocese de Cuiabá.

“Esclarecimento” divulgado na página oficial da Arquidiocese de Cuiabá.

De fato, o bispo, em sua diocese, deve ser garante do dever dos fieis e, ademais, da reta disciplina universal da Igreja. “Com efeito, ‘ao Bispo diocesano, na Igreja a ele confiada e dentro dos limites de sua competência, corresponde-lhe dar normas obrigatórias para todos, sobre a matéria litúrgica’. Sem dúvida, o Bispo deve ter sempre presente que não se impeça a liberdade prevista nas normas dos livros litúrgicos, adaptando a celebração, de modo inteligente, seja à igreja, seja ao grupo de fiéis, seja às circunstâncias pastorais, para que todo o rito sagrado universal esteja verdadeiramente acomodado ao caráter dos fiéis” (Congregação para o Culto Divino, Instrução Redemptionis Sacramentum, n. 21).

Portanto, quanto à comunhão de joelhos e na boca, é bem claro, pelo teor dos textos litúrgicos, pelas normas do direito vigentes na Igreja e pela prática dos últimos pontífices, que este é o modo ordinário de  comungar; quanto a ser em pé, na boca ou na mão, trata-se de uma concessão (Cf. Redemptionis Sacramentum, 92) que só é vigente por uma confirmação da Sé apostólica e, mesmo assim, condicionada à ausência de algum perigo de profanação. Esta possibilidade é dada como uma faculdade aos fiéis, que sempre têm o direito de usarem a prática mais tradicional e ordinária durante séculos na Igreja. E o bispo deveria vigiar para que este direito fosse mantido.

Note-se, ainda, que esta faculdade a Santa Sé concede aos fiéis graças a uma dispensa dada a pedido da Conferência Episcopal. No entanto, caso o bispo diocesano não queira tal dispensa, por exemplo, como prevenção de eventuais sacrilégios, tem o direito de conservar a prática ordinária, ou seja, a comunhão de joelhos e na boca. Mas o contrário, evidentemente, não se pode fazer, transformando-se, assim, um indulto, uma concessão, em lei.

Em suma, o bispo não cria a liturgia, é liturgo enquanto garante da unidade da Igreja. Por isso, a Igreja afirma que “a ordenação da sagrada Liturgia é da competência exclusiva da autoridade eclesiástica; esta reside na Sé apostólica e, na medida que determine a lei, no Bispo” (Concílio Vaticano II, Const. Sacrosanctum Concilium, n. 22 § 1; Código de Direito Canônico, c. 838 § 1; Congregação para o Culto Divino, Instrução Redemptionis Sacramentum, n. 14). Vale enfatizar: a lei da Igreja não outorga ao bispo, enquanto moderador da vida litúrgica na diocese, poderes específicos para alterar a disciplina sobre a forma de administrar a Sagrada Comunhão.

Dom Milton: missas regadas a siriri, berrante e violas, em que o Arcebispo, durante a celebração, tira fotos com seu Iphone.

Dom Milton: missas regadas a siriri, berrante e violas, em que o Arcebispo, durante a celebração, tira fotos com seu Iphone.

Portanto, resta perguntar ao Exmo. Arcebispo de Cuiabá se está realmente vigiando para que a liturgia seja obedecida em sua Diocese, quanto, por exemplo, à obrigatoriedade do uso da casula para os padres (Cf. Instrução Redemptionis Sacramentum, n. 123), da bandeja de comunhão (cf. Ibidem, n. 93), da não alteração das leituras bíblicas e da letra do salmo responsorial (cf. Ibidem, n. 62),  à sobriedade no rito da paz (cf. Ibidem, n. 72), quanto à proibição de se alterar a letra do Glória a Deus nas alturas (cf. IGMR, n. 53)… Enquanto muitos abusos se cometem diariamente (por exemplo, com missas regadas a siriri, berrante e violas, cuja aclamação ao Evangelho se dá com cantos como: “Não há ó gente ó não/ Lugar como este pro sermão”, e em que o Arcebispo, durante a celebração, tira fotos com seu Iphone…), alguns pastores se concentram sobre as justas manifestações de devoção do povo, contrariando o bom senso e o legítimo zelo pela unidade da Igreja.

Por fim, voltamos à carta da Congregação para o Culto Divino de 2002, que na ocasião exortava o bispo destinatário sobre os sacerdotes de seu clero: “Dada a importância deste assunto, esta Congregação pede que V. Ex. investigue se tal sacerdote recusa habitualmente a Sagrada Comunhão a algum fiel nas circunstâncias atrás descritas e, se tal é fato real, a Congregação pede também que V. Ex. lhe ordene firmemente que se abstenha de assim proceder no futuro; o mesmo seja feito em relação a qualquer outro sacerdote que haja praticado a mesma falha. Os sacerdotes devem entender que a Congregação considerará qualquer queixa desse tipo com muita seriedade, e, caso sejam procedentes, atuará no plano disciplinar de acordo com a gravidade do abuso pastoral”.

Resta-nos encorajar aos fiéis de Cuiabá a escrever às autoridades competentes, de preferência por carta ou fax, tendo em conta a firme disposição da Sagrada Congregação para o Culto Divino em sanar tais irregularidades: Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos – Palazzo delle Congregazioni -Piazza Pio XII, 10 -00120 -Città del Vaticano -Santa Sede -Fax: 06-6969-3499 -e-mail’s: cultidiv@ccdds.va e  vpr-sacramenti@ccdds.va; Nunciatura Apostólica no Brasil, Dom Giovanni D’Aniello – Av. das Nações, Quadra 801 Lt. 01/ CEP 70401-900 -Brasília -DF -CEP 70359-916 -Fax: (61) 3224 – 9365 e–mail: nunapost@solar.com.br.

O bispo é pastor, não tirano, que impõe sua própria preferência sobre os demais!

esclarecimento1

[Atualização – 13 de julho de 2012, às 10:01] Desde a tarde de ontem, o “esclarecimento” desapareceu da página oficial da Arquidiocese de Cuiabá.

27 novembro, 2012

O novo responsável pela arquitetura e música sacra na Congregação para o Culto Divino.

O Papa Bento XVI nomeou, no último sábado, o abade americano Michael John Zielinski O.S.B. como chefe de um novo departamento da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos dedicado à arquitetura e à música litúrgica [como antecipado aqui]. Conclui-se, assim, a reestruturação desejada pelo Papa para esta congregação. Recordamos, a seguir, algumas palavras de Dom Zielinksi que publicamos em 2010:

Qual é o seu relacionamento com o mundo lefebvrista?

Dom Zielinski em conferência de "Si, Si, No, No", revista ligada à Fraternidade São Pio X, em Paris, em 2007.

Dom Zielinski em conferência de “Si, Si, No, No”, revista ligada à Fraternidade São Pio X, em Paris.

Abade: Encontrei Dom Bernard Fellay, superior da Fraternidade São Pio X, há mais de cinco anos. Naquela época, vim a conhecer muitos outros padres, e também monges e religiosos ligados à Fraternidade. Fui convidado a falar no recente congresso de “Si, Si, No, No”, em Paris. E lá, falei sobre minha experiência da Missa Tridentina como uma redescoberta da natureza sacrificial da Missa. O Rito Tradicional tem um papel de muito importância a desempenhar na Igreja. Ele pode acentuar a reverência e o sentido de mistério e de temor perante a ação de Deus.

Fico honrado pela amizade e também pela confiança deles. Pude ouvir e penetrar profundamente não apenas nas suas preocupações e temores, mas também em seu imenso amor pela Igreja e pelo Santo Padre. Suas palavras, artigos e cartas podem parecer muito fortes para alguns, e, portanto, causar muita aflição; no entanto, o que eles dizem sobre liturgia e teologia não deve ser ignorado ou descartado. Até que haja a plena unidade e a plena caridade mútua, não se pode ficar escandalizado se há alguma “intemperança verbal”.

Mas alguns bispos afirmam que os lefebvristas deveriam reconhecer a legitimidade do Papa.

Abade: Infelizmente, mesmo nas altas fileiras na Igreja, nem sempre há pleno conhecimento da Fraternidade. A Fraternidade sempre reconheceu o legítimo sucessor de São Pedro. Há grupos tradicionalistas que não reconhecem os últimos Papas depois de Pio XII. São os chamados “sedevacantistas”. Visitando algumas das casas da Fraternidade, fiquei impressionado em ver a foto de Bento XVI e também de saber que eles rezam diariamente por ele e pela Igreja.

O senhor acredita que o possível motu proprio ajudaria os lefebvristas a retornar a Roma?

Abade: Acredito que um motu proprio seria o primeiro passo em direção à plena comunhão. Todavia, a Fraternidade não procura apenas a simples restauração da Missa Antiga. Eles estão fazendo questões teológicas e litúrgicas muito sérias, que devemos tratar. De outra forma, reduzimos toda a questão de Dom Fellay e dos membros da Fraternidade a uma questão de coreografia e não de questões substanciais de fé. O motu proprio, portanto, é um começo. Mas, também, é o possível começo de uma reforma e de uma renovação do caráter sacramental da liturgia; e, logo, o começo de um movimento litúrgico que quer para o Povo de Deus um novo despertar da fé.

* * *

Em 2007, Dom Zielinski participou de um congresso em Paris promovido pelo jornal Sim, Sim, Não, Não. Naquela ocasião, visitou a histórica igreja de Saint Nicholas du Chardonnet e lá celebrou sua missa privada. Nos mesmos dias, também visitou a comunidade beneditina de Bellaigue.

11 abril, 2012

Essa estranha missa que o Papa não quer.

É a missa segundo o rito do Caminho Neocatecumenal. Bento XVI ordenou à Congregação para a Doutrina da Fé que a examine a fundo. Sua condenação parece certa.

Por Sandro Magister | Tradução: Fratres in Unum.com

Roma, 11 de abril de 2012 – Com uma carta assinada ao Cardeal William J. Levada, Bento XVI ordenou à Congregação para a Doutrina da Fé se examine as missas neocatecumenais estão ou não de acordo com a doutrina católica e a praxe litúrgica da Igreja Católica.

Um “problema” que o Papa julga ser de “grande urgência” para toda a Igreja.

Há tempos Bento XVI está preocupado com as modalidades particulares com que as comunidades do Caminho Neocatecumenal celebram suas missas, no sábado à noite, em locais separados.

Sua preocupação aumentou também pela trama feita às suas costas na cúria no inverno passado, sobre a qual informou http://www.chiesa nos seguintes artigos:

“Plácet” ou “Non plácet”? A aposta de Carmen e Kiko. (13.1.2012)

Aos neocatecumenais, o diploma. Mas não o que eles esperavam. (23.1.2012)

Ocorreu que o Pontifício Conselho para os Leigos, presidido pelo Cardeal Stanislaw Rylko [ndr: que também promoveu a aprovação da Canção Nova…] , havia preparado um texto de um decreto de aprovação global de todas as celebrações litúrgicas e para-litúrgicas do Caminho Neocatecumenal, que devia ser publicado em 20 de janeiro por ocasião de um encontro previsto do Papa com o Caminho.

O decreto havia sido redigido por indicação da Congregação para o Culto Divino, presidida pelo Cardeal Antonio Cañizares Llovera. Os fundadores e líderes do Caminho, Francisco “Kiko” Argüello e Carmen Hernández, foram informados disso e, felizes, anteciparam a seus seguidores a iminente aprovação.

Tudo sem o conhecimento do Papa.

Bento XVI tomou ciência do texto do decreto poucos dias antes do encontro de 20 de janeiro.

E o achou incoerente e equivocado. Ordenou que fosse anulado e reescrito segundo as suas indicações.

De fato, em 20 de janeiro, o decreto publicado se limitou a aprovar as cerimônias para-litúrgicas que marcam as etapas catequéticas do Caminho.

Em seu discurso, o Papa enfatizou que somente elas haviam sido convalidadas, enquanto deu aos neocatecumenais uma verdadeira e própria lição sobre a missa — quando um ultimato — sobre como celebrá-la em plena fidelidade às normas litúrgicas e em efetiva comunhão com a Igreja.

Nestes mesmos dias, Bento XVI recebeu em audiência o arcebispo de Berlim, Rainer Maria Woelki, homem de sua confiança, que logo seria feito cardeal. Woelki lhe falou, entre outras coisas, precisamente das dificuldades que os neocatecumenais criavam em sua diocese, com suas missas separadas no sábado à noite, oficiadas por uns trinta sacerdotes do movimento.

O Papa pediu a Woelki que lhe fizesse uma nota escrita sobre o tema. Em 31 de janeiro, Woelki enviou a ele uma carta com informações mais detalhadas.

Dias mais tarde, em 11 de fevereiro, o Papa enviou uma cópia desta carta à Congregação para a Doutrina da Fé, junto com um pedido seu de examinar o quanto antes a questão, que “não concerne somente à arquidiocese de Berlim”.

Segundo as indicações do Papa, a comissão de exame presidida pela Congregação para a Doutrina da Fé tinha de ter a colaboração de outros dois dicastérios vaticanos: a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos e o Pontifício Conselho para os Leigos.

E assim foi. Em 26 de março, no Palácio do Santo Ofício, sob a presidência do Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, o Arcebispo Luis Francisco Ladaria Ferrer, jesuíta, se reuniram para um primeiro exame da questão os Secretários dos outros dois dicastérios — o Arcebispo Augustine J. Di Noia, dominicano, do Culto Divino, e o bispo Josef Clemens, do [Conselho] para os leigos — e quatro peritos por eles designados. Um quinto perito, ausente, Dom Cassiano Folson, prior do mosteiro de São Bento em Nursia, enviou sua opinião por escrito.

Os juízos exprimidos sobre a missa dos neocatecumenais foram todos críticos. Muito severo foi também o que a própria Congregação para a Doutrina da Fé havia pedido, antes da reunião, ao teólogo e cardeal Karl J. Becker, jesuíta, professor emérito da Pontifícia Universidade Gregoriana e consultor do dicastério.

O dossiê fornecido para a reunião pela Congregação para a Doutrina da Fé incluía a carta do Papa de 11 de fevereiro, a carta do Cardeal Woelki ao Papa no original alemão e em versão inglesa, o parecer do Cardeal Becker e um guia à discussão no qual se colocava, de maneira explícita, a conformidade com a doutrina e a praxe litúrgica da Igreja Católica do art. 13 § 2 do estatuto dos neocatecumenais, com o qual eles justificam suas missas separadas no sábado à noite.

Na realidade, o perigo temido por Bento XVI e muitos outros bispos — como se conclui das numerosas denúncias que chegam ao Vaticano — é que as modalidades particulares com que as comunidades neocatecumenais de todo o mundo celebram suas missas introduzam, de fato, na liturgia latina, um novo “rito”, composto de forma artificial pelos fundadores do Caminho, estranho à tradição litúrgica, cheio de ambiguidades doutrinais e causa de divisão nas comunidades dos fiéis.

O Papa confiou à comissão por ele desejada a tarefa de averiguar o fundamento destes temores, em vista das conseqüentes decisões.

Os juízos elaborados pela comissão serão examinados em uma próxima reunião plenária da Congregação para a Doutrina da Fé, uma quarta-feira — uma “feria quarta” — da segunda metade de abril.

6 março, 2012

Cardeal Cañizares pede por “moderação” de concelebrações no Rito Latino.

Por Catholic Culture | Tradução: Fratres in Unum.com – O Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos disse, no dia 5 de março, que a “ampliação da faculdade de concelebrar precisa ser moderada”. A Constituição sobre a Sagrada Liturgia, do Concílio Vaticano II, estendeu a permissão para a concelebração em certos casos; esta permissão foi ampliada nos anos seguintes.

“A concelebração, na genuína tradição da Igreja, seja Ocidental ou Oriental, é um rito extraordinário, solene e público, normalmente presidido pelo bispo ou seu delegado, cercado por seu presbitério e por toda a comunidade de fiéis”, disse o Cardeal Antonio Cañizares Llovera na apresentação de um novo livro sobre o assunto de Mons. Guillaume Derville, um padre do Opus Dei.

“Mas as concelebrações diárias de padres apenas, que são praticadas ‘privadamente’, por assim dizer, nas Igrejas ocidentais, em vez de Missas celebradas individualmente ou ‘more privado’ [de modo privado], não fazem parte da tradição litúrgica latina”, acrescentou o cardeal. “Ademais, parece-me que o autor foi muito bem-sucedido ao examinar profundamente as razões implícitas mencionadas pelo Concílio para estender a concelebração. Esta ampliação da faculdade de concelebrar precisa ser moderada, como podemos ver quando lemos os textos do Concílio”.

Citando o Papa Bento XVI, o Cardeal Cañizares afirmou:

“Quanto a mim, tenho de dizer que isso permanece um problema, pois a comunhão concreta na celebração é fundamental, e eu não considero que a resposta definitiva realmente tenha sido encontrada. Também levantei esta questão durante o último Sínodo, mas ela não foi respondida. Fiz ainda outra pergunta a respeito da concelebração: por que, por exemplo, se mil padres concelebram, não sabemos ainda se esta estrutura foi desejada pelo Senhor?”

24 janeiro, 2012

Cañizares e a aprovação das celebrações neocatecumenais.

Por Vatican Insider | Tradução: Fratres in Unum.com

A Rádio Vaticano entrevista o prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos sobre o decreto.

Creio que a relação entre catequese e liturgia no Caminho Neocatecumenal seja exemplar.” Afirmou o Cardeal Antonio Cañizares Llovera, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. “A aprovação deste decreto sobre as celebrações do Caminho Neocatecumenal contidas no ‘Diretorio Catequético’ é, para toda a Igreja, um reconhecimento da maneira de como a iniciação cristã deve ter sempre uma união entre a Palavra e as celebrações”.

Durante a entrevista à Rádio Vaticano, o purpurado espanhol recordou o catecumenato antigo, no qual as diferentes etapas estavam marcadas por celebrações específicas para cada momento do itinerário da iniciação, e indicou que no Caminho Neocatecumenou “se faz o mesmo hoje: por isso, não são etapas artificiais, não se trata de uma simples metodologia inventada pelos homens [caiu do céu, Eminência? Uma nova revelação?], mas que correspondem ao itinerário da conversão”.

A celebração da Eucaristia — indicou — no interior do itinerário próprio destas comunidades ocorre de maneira muito digna e bela, com grande sentido de fé, com espírito eclesial, festivo e litúrgico, com profundo ‘sentido do mistério e do sagrado’. A Palavra de Deus e a Eucaristia assinalam a prioridade de Deus, a iniciativa de Deus, e constituem a base e a fonte que dão vida, estímulo e força às comunidades, capacidade, vigor e liberdade para dar testemunho e evangelização”.

Por isso, ao concluir sua reflexão sobre a liturgia, o prefeito vaticano disse que “realmente devemos dar graças a Deus por este dom com que enriquece a Igreja, nascido na Espanha, mas de tanto e tão fecundo influxo no mundo inteiro”.

* * *

Celebração “digna e bela, com grande sentido de fé, com espírito eclesial, festivo e litúrgico” do “Caminho Neocatecumenal da Diocese de Franca, SP, em Lisboa, Portugal, na primeira Eucaristia [supomos que ao final da missa] celebrada em território Europeu por ocasião da Jornada Mundial da Juventude Madrid 2011” (descrição do próprio Youtube) .

23 janeiro, 2012

O Caminho Neocatecumenal e a Reforma da Reforma da Reforma da…

Cristo Rei - Kiko Argüello - 1960.

Cristo Rei - Kiko Argüello - 1960.

 Se usa um espelho de vidro para olhar a face;

e se usam obras de arte para olhar a própria alma.

(G. Bernard Shaw)

Por Francesco Colafemmina | Tradução: Gederson Falcometa, cuja gentileza agradecemos.

A noticía de hoje [sexta-feira, 20] deixou muitos católicos sem palavras. A dizer, o verdadeiro processo de definitiva aprovação e integração do Caminho Neocatecumenal no interior da Igreja já estava em ato há muitos anos. O movimento Neocatecumenal, apesar da agressividade e do sectarismo dos seus adeptos, é considerado por numerosos homens da Igreja um instrumento para a “nova evangelização”, um verdadeiro recurso para a Igreja do futuro. Me permito duvidar em mérito, especialmente porque o Caminho tem uma estética pessoal – a nova estética (mesma coisa que no orwelliano 1984) em óbvio contraste com a estética católica, mas eu sei: o meu parecer não conta nada. Chegamos à questão da “liturgia” neocatecumenal aprovada. Alguns dizem: “não foi aprovada a liturgia neocatecumenal, mas só algumas cerimônias não estritamente litúrgicas”. É verdade, mas alguns pontos devem ser esclarecidos.

Igreja Neocatecumenal.

Igreja Neocatecumenal.

Antes de tudo, não existe uma liturgia neocatecumenal. Existe um aparato litúrgico neocatecumenal feito de particulares práticas litúrgicas e aparelhos cenográficos, mas este aparato — estes ornamentos, estes cantos e danças, que desmoronam em verdadeiros e próprios abusos litúrgicos — persiste em livros litúrgicos da Igreja Católica. Repito: não existe uma liturgia própria, mas uma maneira singular de viver a liturgia.

Está “maneira singular” se insere no interior do assim dito “caminho de iniciação cristã” e se explica – no estatuto – através três celebrações essenciais: a celebração penitencial, a da palavra e a eucarística. A tais “celebrações” se acrescentam outras que seguem o percurso iniciatico do neocatecumeno. Ora, são estas “celebrações” que teriam obtido a aprovação da Congregação para o Culto Divino. A responsabilidade é, portanto, toda do Cardeal Cañizares que alterna periodicamente ataques franceses a retirada espanhola, tímida abertura à reforma da reforma que constantemente abortam ou permanecem nos jornais ou na ilusão de algum fiel.

Acrescento que está escrito nos Estatutos (art. 14, 3) “Na celebração da Eucaristia nas pequenas comunidades seguem-se os livros litúrgicos aprovados do Rito Romano, com exceção das concessões explícitas da Santa Sé. No que concerne à distribuição da Santa Comunhão sob as duas espécies, os neocatecúmenos a recebem em pé, permanecendo em seu lugar”.

A questão é que, apesar das boas intenções, o rito não se realiza nestes termos. Mesmo depois da aprovação do Estatuto, os Neocatecumenais fazem o que lhes dá na cabeça. Na verdade, as prescrições do Estatuto são constantemente violadas e posso confirmá-lo por experiência própria. Portanto – o Papa que, apesar do controle de sua Cúria intrometida e anárquica, tem ainda idéias claras – considerou oportuno acrescentar algumas notas de roda-pé sobre o sentido da liturgia como momento de comunhão não sectária, mas universal, da Igreja entendida como Corpo Místico. Palavras que entram no ouvido de Kiko e saem pelo de Carmen…

Duas observações pessoais:

Primeiro: como pode o Cardeal Canizares consentir ainda hoje que se destruam os altares antigos, que se disserte sobre onde colocar um ambão ou como eliminar balaustres, e depois deixar a possibilidade a um grupo carismático de celebrar a Missa a seu gosto? Como se pode, não digo ignorar, o exemplo do Santo Padre que colocou no centro do altar o Crucifixo, mas chegar a aprovar as “celebrações” de quem no lugar do Crucifixo no centro do altar põe a sagrada Menorah? Cañizares outrora era chamado de “o pequeno Ratzinger”. Acredito que hoje se possa continuar a chamá-lo somente de “o pequeno”…

Altar Católico.

Altar Católico.

Altar neocatecumenal.

Altar neocatecumenal.

Segundo: como simples católico, me indigna saber que o rito milenar da Igreja, aquela que simplesmente é definida como Missa em latim, seja ainda um tabu para muitos Bispos, enquanto hoje se autorizam pseudo-celebrações fundadas sobre um diretório catequético aprovado faz um ano e composto de 12 Volumes, mas secretos! Como é possível que a Igreja mantenha ainda em segredo catequeses de um movimento carismático que se diz “católico”, ou seja, universal? Me preocupa, portanto, uma Igreja que aprova movimentos esotéricos. Pessoalmente prefiro uma Igreja exotérica, aberta a todos mas igual para todos.

20 janeiro, 2012

Yes, they can. But…

Celebrações do Caminho Neocatecumenal são aprovadas pela Congregação para o Culto Divino. Mas Bento XVI faz uma ressalva: não são estritamente litúrgicas.

Fratres in Unum.com | Durante uma audiência com 7 mil participantes, a Santa Sé anunciou a aprovação das celebrações que marcam o itinerário de iniciação cristã do Caminho Neocatecumenal. O Papa Bento XVI também enviou 18 novos missio ad gentes à Europa, África e América.

Em entrevista à agência Zenit, Kiko Argüello, cofundador do movimento, comenta a aprovação:

“O reconhecimento da validade desta iniciação é um momento histórico para nós, o que estávamos esperando. Foi aprovada após anos de estudos e análises pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. No reconhecimento da validade é dito que as celebrações que marcam o percurso de crescimento do itinerário, de amadurecimento do homem novo, são magníficas e verdadeiramente inspiradas, ajudandando ao homem a convertê-lo e fazê-lo cristão, ajudando-o a crescer na fé a se unir a Jesus Cristo.  Estamos contentes e gratos a Deus por este reconhecimento.

“Depois de tanto sofrimento e tanto trabalho, somos gratos à Igreja, que reconhece oficialmente a validade desta iniciação cristã para a construção de um homem novo”. E continua Argüello: “Somos muito gratos a Bento XVI e à Igreja por este ato, no qual vemos e confirmamos que a Igreja é mãe e mestra”.

A aprovação chega após quinze anos de estudo pela Congregação para o Culto Divino e conclui o percurso de aprovação do Caminho Neocatecumenal: em 2008, a Santa Sé aprovou a versão final dos estatutos e, em 2011, aprovou a doutrina contida nos treze volumes do Diretório Catequético do Caminho Neocatecumenal.

Ressalva Pontifícia: celebrações presentes no Diretório catequético dos neocatecumenais não são estritamente litúrgicas. Igreja acompanha neocatecumenais, mas preserva a comunhão.

“Há pouco foi lido o decreto com que se aprovou as celebrações presentes no Diretório catequético dos neocatecumenais, que não são estritamente litúrgicas, mas fazem parte do itinerário de crescimento na fé”, declarou Bento XVI no curso da audiência.

“É um outro elemento que demonstra como a Igreja vos acompanha com atenção, em um paciente discernimento que compreende a vossa riqueza, mas protege também a comunhão e a harmonia de todo o Corpo de Cristo”.

Prosseguiu o Papa:

“A fim de favorecer a aproximação da riqueza da vida sacramental de pessoas que se afastaram da Igreja ou que não tenham recebido a formação adequada, os neocatecumenais podem celebrar a liturgia dominical na pequena comunidade após as primeiras vésperas do domingo, segundo as disposição do bispo dicesano”, declarou o Papa, citando os estatutos do movimento e arrancando aplausos dos presentes. “Mas — acrescentou — toda celebração eucarística é uma ação do único Cristo, juntamente com a sua única Igreja e, por isso, é essencialmente aberta a todos quem pertencem a esta Igreja. Este caráter público da santa eucaristia se exprime no fato de que cada celebração da Santa Missa é ultimamente ligada ao bispo enquanto membro do colégio episcopal responsável por uma determinada Igreja local. A celebração da pequena comunidade, como particularidade aprovada nos estatutos do Caminho, tem a tarefa de ajudar aqueles que percorrem o itinerário neocatecumenal a perceber a graça de estar inserido no mistério salvífico de Cristo. Ao mesmo tempo, o progressivo amadurecimento na fé do indivíduo e da pequena comunidade deve favorecer a sua inserção na vida da grande comunidade eclesial que encontra na celebração litúrgica da paróquia, na qual atual o neocatecumenato, a sua forma ordinária. Mas mesmo durante o Caminho, é importante não se separar da comunidade paroquial exatamente na celebração da liturgia, verdadeiro local de unidade de todos, onde o Senhor nos abraça nos diversos estados da maturidade espiritual e nos torna um só corpo”

Com informações de Zenit e TMNews.

24 novembro, 2011

“Alto lá!” ou “Agora vai?”. Vaticano criará comissão para acompanhar a construção das novas igrejas

IHU – Uma equipe para dizer “alto lá!” às igrejas-garagens, a essas arquiteturas atrevidas que correm o risco de desnaturalizar muitos espaços modernos de culto católico. E para promover um canto que ajude verdadeiramente a celebração da missa. Nas próximas semanas, será criada, anexa à Congregação do Culto Divino, a “Comissão para a arte e a música sacra para a liturgia”. Não se trata de um simples escritório, mas de uma verdadeira equipe que terá a tarefa de colaborar com as comissões encarregadas de avaliar os projetos de construção de novas igrejas nas dioceses, assim como de aprofundar o tema da música e do canto que acompanham a celebração.

Crise? Que crise? A diocese de Orange, EUA, acaba de comprar a antiga igreja protestante "Christal Cathedral" por uma pechincha: 57 milhões de dólares.

Crise? Que crise? A diocese de Orange, EUA, acaba de comprar a antiga igreja protestante "Christal Cathedral" por uma pechincha: 57 milhões de dólares.

A reportagem é de Andrea Tornielli e está publicada no sítio Vatican Insider, 21-11-2011. A tradução é do Cepat.

O cardeal Antonio Cañizares Llovera, Prefeito para o Culto Divino, de acordo com Bento XVI, considera este trabalho como “muito urgente”. A realidade é evidente: nos últimos anos, as igrejas foram substituídas por construções que parecem mais salões multiuso que igrejas. E muitas vezes, os arquitetos, inclusive os mais famosos, não partem do que é a liturgia católica para fazer seus projetos e acabam fazendo construções de vanguarda que se parecem com tudo menos com uma igreja. Cubos de cimento, caixas de vidro, formas arriscadas, espaços confusos nos quais, uma vez dentro, se percebe tudo menos o sentido do sacro e do mistério, onde o tabernáculo está meio escondido e, às vezes, é preciso procurá-lo como se fosse um tesouro, ou onde as imagens sacras quase não têm lugar. A nova comissão, cujo regulamento será redigido nestes dias, dará indicações precisas às dioceses, ocupando-se apenas da arte para a liturgia, não da arte sacra em geral, assim como da música e do canto para a liturgia. Contará com os poderes jurídicos da Congregação para o Culto.

Como é do conhecimento de todos, em 27 de setembro passado, Bento XVI, com o Motu Proprio Quaerit Semper, havia transferido para a Rota Romana (que é o tribunal da Santa Sé) a competência sobre duas matérias com as quais se ocupava até então a Congregação para o Culto. A primeira delas tem a ver com a nulidade da ordenação sacerdotal que, como acontece com o matrimônio, pode ser anulado por causa de vícios de matéria ou de forma, de consenso ou de intenção, tanto por parte do bispo que ordena como por parte do clérigo que é ordenado. A segunda matéria é a dispensa nos casos de matrimônio contraídos, mas não consumados. Práticas que ocupavam bastante o dicastério de Cañizares.

No Motu Proprio, o Papa explicava que: “Nas circunstâncias atuais, pareceu conveniente que a Congregação para o Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos se dedique principalmente a dar um novo impulso à promoção da Sagrada Liturgia na Igreja, segundo a renovação desejada pelo Concílio Vaticano II a partir da Constituição Sacrosactum Concilium”. O dicastério deve, pois, dedicar-se “a dar um novo impulso à promoção da Sagrada Liturgia na Igreja”, sobretudo com o exemplo. Desde este ponto de vista, com respeito aos projetos iniciais, parece afastar-se cada vez mais a ideia de uma “reforma da reforma” litúrgica (expressão usada pelo próprio Ratzinger quando era cardeal), e prevalece, ao contrário, um projeto de amplas dimensões que, sem propor a introdução de modificações na missa, se ocupe em favorecer a “ars celebrandi” e a fidelidade aos pareceres e às instituições do novo missal.

Vale a pena, de fato, recordar que os abusos litúrgicos, verificados nas últimas décadas e que, em certo sentido, se converteram em uma prática comum, são levados a cabo em dissonância com as normas estabelecidas pela reforma litúrgica de Paulo VI. Assim, não é a reforma que deve ser retocada, mas é preciso aprofundar, e em alguns casos recuperar, o significado da liturgia bem celebrada. Por isso, a Congregação para o Culto pretende promover um trabalho de formação a partir de baixo, que envolva os sacerdotes, religiosos e catequistas. Seguindo o exemplo e o magistério de Bento XVI, teria que favorecer a recuperação do sentido do sagrado e do mistério da liturgia.

Alguns textos litúrgicos devem ser revisados, porque estão velhos, como o caso do Ritual da Penitência, publicado em 1974. Durante os anos que se seguiram, chegaram uma instrução apostólica, um motu proprio, o novo Código de Direito Canônico e o Novo Catecismo. Uma atualização, neste e em outros casos, terá que levá-la a cabo. A ideia na qual estava trabalhando o cardeal Cañizares é a de reafirmar o primado da graça sobre a ação humana, da necessidade de abrir espaço à ação de Deus na liturgia com respeito ao que se dá à criatividade humana. As ocasiões para refletir sobre estes temas serão muitas. No próximo ano, 2012, completam-se os 50 anos do Concílio Vaticano II e, no ano seguinte, se celebrarão os 50 anos do primeiro texto conciliar aprovado: a Constituição da Liturgia, a Sacrosanctum Concilium.