Posts tagged ‘Crise Pós-Conciliar’

31 agosto, 2015

Os próximos agraciados no Ano da Misericórdia.

o-beijo-de-judasDom Rogelio Livieres ✔

Dom Robert Finn ✔

Dom Mario Oliveri

Dom Antonio Carlos Altieri ✔

Dom Tomé Ferreira da Silva…

Dom Aldo Di Cillo Pagotto…

Não, nosso propósito não é generalizar os casos dos bispos acima citados. Cada um tem suas virtudes e defeitos. Também não são exatamente da mesma “orientação político-eclesiástica”, todavia, são todos mais conservadores que a média do clero pós-conciliar. Grosso modo, representam a Igreja de João Paulo II e Bento XVI, dos apegados mais à letra do Concílio Vaticano II que a seu “espírito”, em contraposição à Igreja dita aberta e reformada de João XXIII e Paulo VI. O crime maior que lhes é atribuído é o de fechar as janelas para os ventos da mudança.

Há alguns meses, escrevíamos:

Em tempos de Francisco, o roteiro é quase sempre o mesmo: um bispo, mais ou menos conservador, que se indisponha com seu clero ultra progressista tem os dias contados. A quadrilha liberal, muito bem articulada, nessas horas torna-se inclusive moralista e, bradando a quatro ventos os supostos pecados (aqueles que nas saletas de confissão eles dizem não existir) do ordinário, pedem sua cabeça… Ao que a Santa Sé, através da Nunciatura Apostólica, mui ciosa da “comunhão” do presbitério da diocese, envia um visitador que elabora um relatório, cujo resultado culminará quase que invariavelmente sugerindo a renúncia do bispo. Se ele se recusar a renunciar, é bem provável que seja removido sem dó nem clemência — e nem audiência de misericórdia com o bispo de Roma, como ocorreu a Dom Rogelio Livieres.

Você, caro leitor, tem um bispo um tiquinho só mais conservador, com um mínimo de piedade e zelo? Pois, então, coloque sua barba de molho.

Pois bem, os próximos agraciados neste Ano da Misericórdia devem ser Dom Tomé Ferreira da Silva e Dom Aldo Di Cillo Pagotto, bispo e arcebispo, respectivamente, de São José do Rio Preto e da Paraíba.

Os erros e desvios de que são acusados podem ser, e às vezes são, reais. A investigação sobre Dom Aldo, a exemplo da visitação desencadeada sobre os Franciscanos da Imaculada, teve seu ponta-pé inicial ainda sob Bento XVI, com o conservador Cardeal Piacenza, então Prefeito da Congregação para o Clero. O visitador da Arquidiocese da Paraíba foi ninguém menos que o também conservador Dom Fernando Guimarães, ordinário dos militares no Brasil.

Os bons não são imunes ao erro, nem impecáveis, e não devem, portanto, estar acima da lei.

O que é questionável é o fato de, nos tempos da misericórdia de Francisco, a lei ser aplicada exclusivamente sobre alguns. E, quase sempre, aplicação movida por questões políticas, como demonstra claramente a matéria abaixo:

paraiba

Em suma: “divisão na Igreja” causada pela “postura do arcebispo”; o clero descontente tem “saudade dos antecessores” — ninguém menos que os ultra-progressistas da Teologia da Libertação; um dos gravíssimos pecados de Dom Aldo é formar rapazes conservadores, que só pensam em liturgia…

Dentre outros erros imperdoáveis, Dom Aldo também falou abertamente contra o PT, por ocasião das eleições de 2010, e recentemente suspendeu um padre de seu clero deputado por esse partido. Para piorar, ousou redigir um opúsculo questionando a tese Kasper, aquele que, segundo Francisco, faz teologia de joelhos e mereceu por ele ser elogiado publicamente mais de uma vez.

Enfim, para defenestrar seus inimigos, os progressistas não abrem mão dos métodos mais sórdidos, o que não é novo. Acusam, inclusive, de pecados contra o sexto mandamento — aquele pecado que o Papa desculpou publicamente no vôo em que proferiu a frase mais célebre de seu pontificado, justificando a manutenção em seu posto de um de seus colaboradores mais próximos.

A novidade consiste em que, agora, em Roma, os modernistas têm quem dispense a seus desafetos o golpe final de misericórdia: a renúncia ou a destituição.

11 agosto, 2015

Editora Ecclesiae lança best-seller de Michael Rose em português: “Adeus, homens de Deus”.

A editora Ecclesiae lança um livro polêmico que trata do aparelhamento nos departamentos vocacionais dentro da Igreja Católica dos EUA. Existem evidências que durante três décadas, candidatos verdadeiramente vocacionados foram rejeitados enquanto dissidentes dos ensinamentos católicos foram privilegiados.

Fratres pergunta: mas não é exatamente o que foi feito nos seminários brasileiros? Não se poderia falar de uma estratégia quiçá global de destruição das vocações católicas, substituindo-as por pseudo-religiosos ativistas dos direitos do homem, dentre os quais incluem o gayzismo e tudo o mais que já recorrentemente foi condenado pela Igreja?

Uma boa resenha da obra pode ser lida aqui.

Adeus, Homens de Deus – Como Corromperam a Igreja Católica nos EUA

Michael S. Rose

Pesquisei e escrevi este livro ao longo dos últimos dois anos, entrevistando mais de 150 pessoas, enquanto jornalista investigativo profissional para a imprensa católica. Fato é que diversos candidatos qualificados ao sacerdócio foram excluídos por razões políticas ao longo das últimas três décadas. Uma discriminação ideológica sistemática veio sendo praticada contra seminaristas que apoiam o ensinamento católico quanto a sexualidade e outros assuntos; e dissidentes dos ensinamentos católicos – inclusive quanto ao tema da homossexualidade – foram privilegiados.

Em resumo, diversas pessoas sequestraram o sacerdócio com o objetivo de transformar a Igreja Católica desde dentro.

O problema nos departamentos vocacionais e nos seminários é um profundo conflito espiritual, uma doença de proporções catastróficas. Portanto, este livro busca, em primeiro lugar, identificar essa doença, ou pelo menos parte dela, esperando que seu agente causador possa ser expurgado, e o corpo, curado.

Ficha Técnica:
Número de Páginas: 290
Editora: Ecclesiae
Idioma: Português
ISBN: 978-85-84910-144
Dimensões do Livro: 16 x 23 cm

21 julho, 2015

Carta a um jornal diocesano (dito católico).

Carta enviada à redação do Jornal Diocese em Foco da Diocese de Tubarão, SC, a respeito da afirmação do Pe. Agenor Briguenti, referindo-se à Igreja pré conciliar como Igreja-massa e caduca.

Laguna, 02 de junho de 2015

Não posso deixar de expressar minha indignação às palavras do pe. Agenor Brighenti no Jornal Diocese em Foco, edição 49, nº 361, junho de 2015. Diz esse padre na página 11 do referido jornal que o Vaticano II foi um resgate de uma ‘Igreja-comunidade’ e a consequente superação do velho e caduco modelo de uma Igreja-massa. Lendo essas coisas hilárias deste doutor em teologia, fico a imaginar por que todos os santos, inclusive os mártires, entregaram suas vidas por este modelo caduco.

Por que será que Santa Teresinha do Menino Jesus, formada neste modelo caduco da Igreja-massa, continua sendo fonte de inspiração para todos os católicos nascidos pós Concílio Vaticano II? Como explicar isso? Não consta sequer uma palavra que esta santa tenha se revoltado contra esse modelo! Como explicar que todos os padroeiros e padroeiras de nossas paróquias também beberam desta “caduquice” e todos os anos o povo continua festejando suas palavras e atos?

Ainda em relação a isso, não vou muito longe: por que nossa Diocese lutou para beatificar Albertina, sabendo que ela havia sido doutrinada no modelo caduco? As virtudes desta filha de Deus vieram de onde? Aprendeu com seus pais, diriam alguns, mas onde os pais desta jovem foram doutrinados? Incrível, não? A pergunta que não cala: Poderia este modelo velho e caduco, conforme o pe. Agenos Brighenti, suscitar a santidade nesta menina tão invocada pelo nosso povo?

Das duas uma: ou todos os santos doutores e papas estavam errados e o Dr. Brighenti está certo, ou vice-versa. Afinal, pode-se perguntar:  toda esta gente que viveu antes de 62 não conseguiu ver que a Igreja estava caduca e mofada e precisava de ares novos? Será que todos esses homens e mulheres estavam também caducos? Será que todos os Concílios realizados antes de 62 não perceberam estas coisas? Pode a caduquice durar mais de dois mil anos?  Não é muito tempo para se sustentar a caduquice?

Pe. Brighenti se ufana de que os primeiros cristãos se reuniam nas casas. Afinal, o que tem de mais nisso? Jesus não era assim um ferrenho opositor dos templos de pedra, ao contrário, chegou mesmo a defende-lo com chicotes contra os mercadores, dizendo claramente que ali era um lugar de oração.

Fazendo uma analogia com a medicina, sabemos que nos primeiros tempos as pessoas eram tratadas em casa, mas hoje recorre-se aos estabelecimentos de saúde. Tenho a mais absoluta certeza de que o Dr. Brighenti e seus apoiadores não recusarão um tratamento especializado num destes locais, caso venham a necessitá-lo, em detrimento de serem tratados em casa com orações e ervas, como acontecia nas primeiras comunidades.

Quando os expoentes e propagadores da Nova Teologia dizem que a Igreja precisa “voltar às origens”, é como se estivessem dizendo nas entrelinhas que o Espírito Santo esteve ausente nesses dois mil anos de história. Assim, não se consegue entender o que motivou Santa Teresa de Ávila a fundar tantos conventos com a ajuda de São João da Cruz. Teria sido para fomentar a caduquice da Igreja? Impressionante que esses dois luminares da Igreja, em razão do que disseram e fizeram foram aclamados como doutores. Santa Teresa, inclusive, foi feita doutora por Paulo VI, um dos papas que ajudou a Igreja a sair da “caduquice”. Como explicar tudo isso, se esta santa mulher viu no protestantismo uma ameaça em oposição aos doutores de hoje que, na contramão, aclamam Lutero e aguardam festejar os quinhentos anos da reforma que já gerou mais de 35 mil denominações diferentes pelo mundo?

É muito fácil encher as páginas dos jornais com afirmações genéricas e assim desmontar todo um trabalho construído ao longo dos séculos, como se tudo não passasse de um castelo de cartas. Não se quer dizer com isso que não tenha havido erros, mas querer chamar as práticas da Igreja de caducas e grupos de massa, é de uma insensibilidade e ignorância a toda prova. Não vejo uma linha escrita por este doutor enaltecendo alguma coisa de bom neste longo período. Será que não houve nada?

Pergunto: qual das duas Igrejas é melhor? A que produziu uma beata Albertina ou esta que exibe um padre cowboy de calças justas que tem levado mulheres e homens ao delírio, ou alguns desses padres televisivos que possuem comunicação direta com Deus usando para isso uma língua estranha, chamada Xandari…cantari, la, la chanta cantari, la, la, la e tudo isso embaixo da marquise da CNBB.

Termino estas considerações perguntando ao pe. Agenor Brighenti, se ele teria coragem de expor na imprensa que a educação que recebeu de seus pais na infância também não passava de um modelo ultrapassado e caduco e se a sua família era uma “família-massa”. É lamentável que textos como esses possam ser impressos, pois afinal de contas, fazem com que os católicos sintam vergonha do passado da Igreja.  Por outro lado, quem irá contrapor este padre, uma vez que ele é doutor formado em Roma e perito de conferências?

Seja como for, talvez seja melhor morrer caduco do que bailar nas noitadas “evangelizadoras” patrocinadas por esses padres que foram resgatados da “caduquice” e salvos pelo gongo do Concílio Vaticano II.

Ir. Bonifácio

Laguna, SC

3 junho, 2015

A “Igreja em saída” da Arquidiocese de Natal!

Uma leitora nos escreve:

Gostaria de contar com a ajuda da Equipe do Fratres in Unum para divulgar um lastimável ocorrido em nossa Arquidiocese e convidar os fieis de todo o Brasil a um ato de desagravo ao Coração Chagado de Nosso Senhor, que foi profanado no Santíssimo Sacramento.

Um sacerdote de nossa Arquidiocese, Padre Tomas Silveira Neto, da Paróquia Beato Mateus Moreira, no bairro de Cidade Verde, iniciou a preparação para a grande Solenidade de Corpus Christi com um “Tríduo Eucarístico” em que fieis leigos estão levando a cada noite Nosso Senhor em mini-ostensórios para suas casas e lá realizam celebrações, como indicado no link abaixo (site da própria paróquia). Algumas imagens postadas na página do facebook da paróquia estão anexas a esta mensagem.

paroquia

http://paroquiamateusmoreira.com.br/materia.asp?idMateria=142

É um ato de gravíssima profanação e banalização da presença real e verdadeira de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento, como indicam inúmeros documentos da Santa Mãe Igreja.

Que os fieis sejam convidados a uma verdadeira reparação por esse e tantos outros sacrilégios dos quais Nosso Senhor é vítima.

Conto com a ajuda e o apoio dos senhores.

Fraternalmente,

Comentário de FidesPress:

A Paróquia do Beato Mateus Moreira, arquidiocese de Natal, teve uma idéia fantástica: Que tal permitir que o Santíssimo Sacramento fizesse rolezinho nas casas dos fiéis?

Segundo a REDEMPTIONIS SACRAMENTUM: “Ninguém leve a Sagrada Eucaristia para casa ou a outro lugar, contra as normas do direito. Deve-se considerar, além disso, que roubar ou reter as sagradas espécies com um fim sacrílego, ou jogá-las fora, constitui um dos «graviora delicta» (atos graves), cuja absolvição está reservada à Congregação para a Doutrina da Fé.” ( C.F 132.)

Cân. 935 — A ninguém é permitido conservar a Santíssima Eucaristia em casa ou levá-la consigo em viagem, a não ser por necessidade pastoral urgente e observadas as prescrições do Bispo diocesano.

* * *

Vale registrar o seu repúdio às autoridades:

ARQUIDIOCESE NATAL

Excelência Reverendíssima Dom Jaime Vieira Rocha

Arcebispo de Natal
Rua Santo Antonio, 683,
Natal, RN – CEP: 59025-520
arcebispo@arquidiocesedenatal.org.br
Tel.(84) 3615-2800

NUNCIATURA APOSTÓLICA

Excelência Reverendíssima Dom Giovanni D’Aniello, Núncio Apostólico
Av. das Nações, Quadra 801 Lt. 01/ CEP 70401-900 Brasília – DF
Cx. Postal 0153 Cep 70359-916 Brasília – DF
Fones: (61) 3223 – 0794 ou 3223-0916
Fax: (61) 3224 – 9365
E-mail: nunapost@solar.com.br

CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS

Eminência Reverendíssima Dom Robert Sarah
Piazza Pio XII, 10
00120 CITTÀ DEL VATICANO – Santa Sede – Tel. 06-6988-4316 Fax: 06-6969-3499
e-mail: cultidiv@ccdds.vavpr-sacramenti@ccdds.va

SECRETARIA DE ESTADO DA SANTA SÉ:

Eminência Reverendíssima Dom Pietro Parolin
Palazzo Apostolico Vaticano
00120 Città Del Vaticano – ROMA
Tel. 06.6988-3438 Fax: 06.6988-5088
1ª Seção Tel. 06.6988-3014
2ª Seção Tel. 06.6988-5364
e-mail: vati026@relstat-segstat.vavati023@genaff-segstat.va ; vati032@relstat-segstat.va

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

Eminência Reverendíssima Dom Gerhard Ludwig Müller
Palazzo del Sant’Uffizio, 00120 Città del Vaticano
E-mail: cdf@cfaith.va – Tel. 06.6988-3438 Fax: 06.6988-5088

CONGREGAÇÃO PARA O CLERO

Eminência Reverendíssima Dom Beniamino Stella
Piazza Pio XII, 3 00193 – Città del Vaticano – ROMA
Tel: (003906) 69884151, fax: (003906) 69884845
Email: clero@cclergy.va (Secretário)

SUPREMO TRIBUNAL DA ASSINATURA APOSTÓLICA

Excelência Reverendíssima Dom Dominique Mamberti
Piazza della Cancelleria, 1 – 00186 ROMA
Tel. 06.6988-7520 Fax: 06.6988-7553

10 fevereiro, 2015

Carta aberta de um Arcebispo sobre a crise na Igreja.

“É difícil acreditar que o Papa Bento XVI renunciou livremente ao seu ministério como sucessor de Pedro.”

“Eu sou forçado a recorrer a este meio de expressão público porque receio que qualquer outro método seria recebido com um muro de silêncio e indiferença.”

“… Fica cada vez mais evidente que o Vaticano, através da sua Secretaria de Estado tomou a estrada do “politicamente correto”.  

Por Rorate-Caeli | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Rorate Caeli obteve uma cópia exclusiva da versão inglesa de uma rara carta aberta de um Arcebispo sobre a crise da Igreja.

A carta, escrita por Sua Excelência Dom Jan Pawel Lenga, bispo emérito da Diocese de Karaganda, Cazaquistão, esperamos que sirva como um mais que providencial alerta para os católicos que enterraram a cabeça na areia por tanto tempo.

Oremos para que mais outros irmãos seus no episcopado tenha a fé e a coragem de se levantar e fazer ouvir suas vozes antes que não haja mais nada o que defender.

* * *

Reflexões sobre alguns problemas da crise atual da Igreja Católica

Eu tive a experiência de viver com os sacerdotes que estiveram nas prisões e campos Stalinistas e que, no entanto, permaneceram fiéis à Igreja. Durante o tempo de perseguição, eles cumpriram com amor o seu dever sacerdotal de pregar a doutrina Católica levando assim uma vida digna na imitação de Cristo, seu Mestre celestial.

Eu completei meus estudos sacerdotais em um Seminário clandestino na União Soviética. Fui ordenado sacerdote secretamente durante a noite por um bispo piedoso que sofreu pessoalmente por causa da fé. No primeiro ano de meu sacerdócio, passei pela experiência de ser expulso do Tadzhikistão pela KGB.

Subsequentemente, durante meus trinta anos de estadia no Cazaquistão, servi 10 anos como sacerdote, cuidando do povo fiel em 81 localidades. Então, eu servi 20 anos como bispo, inicialmente como bispo de cinco estados da Ásia Central numa área total de cerca de quatro milhões de quilômetros quadrados.

Em meu ministério como bispo, tive contato com o Papa São João Paulo II, com muitos bispos, sacerdotes e fiéis de diferentes países e nas mais diferentes circunstâncias. Eu fui membro de algumas assembleias do Sínodo dos Bispos no Vaticano, que abrangeu temas como: “Ásia” e “A Eucaristia”.

Esta experiência, bem como os outras, deram-me a base para expressar minha opinião sobre a crise atual da Igreja Católica. Estas são as minhas convicções e elas são ditadas pelo meu amor à Igreja e pelo desejo de sua autêntica renovação em Cristo. Sou forçado a recorrer a este meio público de expressão porque receio que qualquer outro método seria recebido com um muro de silêncio e indiferença.

Estou ciente de possíveis reações à minha carta aberta. Mas, ao mesmo tempo, a voz da minha consciência não me permite permanecer em silêncio enquanto a obra de Deus está sendo vilipendiada. Jesus Cristo fundou a Igreja Católica e nos mostrou em palavras e atos como se deve cumprir a vontade de Deus. Os apóstolos, a quem Ele conferiu autoridade na Igreja, cumpriram com zelo o dever que lhes foi confiado, sofrendo por amor à verdade, a qual tinha que ser pregada,  já que eles “obedeciam a Deus ao invés dos homens.”

Infelizmente, em nossos dias, está ficando cada vez mais evidente que o Vaticano, por meio da Secretaria de Estado, tomou a estrada do politicamente correto. Alguns Núncios tornaram-se propagadores do liberalismo e do modernismo. Eles se tornaram especialistas no princípio “Sub secreto Pontifício”, através do qual manipulam e calam as bocas dos bispos. E assim o que diz-lhes o Núncio fica parecendo como o que seria quase certamente o desejo do Papa. Com tais estratagemas, separam os bispos uns dos outros de modo que os bispos de um país não falam mais a uma só voz no espírito de Cristo e Sua Igreja na defesa da fé e da moral. Isso significa que, a fim de não cair em desgraça com o Núncio, alguns bispos aceitam suas recomendações, que às vezes são baseadas em nada mais do que em suas próprias palavras. Em vez de zelosamente propagar a fé, pregando com coragem a doutrina de Cristo, sendo firmes na defesa da verdade e da moral, as reuniões das Conferências Episcopais, frequentemente, lidam com questões que são estranhas à natureza do ofício dos sucessores dos apóstolos.

Pode-se observar em todos os níveis da Igreja uma diminuição evidente do espírito  do “sacrum”. O “espírito do mundo” alimenta os pastores. Os pecadores é que dão à Igreja as instruções de como ela tem que servi-los. Constrangidos, os Pastores se calam sobre os problemas atuais e abandonam o rebanho, enquanto cuidam de alimentar apenas a si mesmos. O mundo é tentado pelo demônio e se opõe à doutrina de Cristo. Não obstante, os pastores são obrigados a ensinar toda a verdade sobre Deus e os homens “em bons tempos e maus tempos”.

Todavia, durante o reinado dos últimos Papas, podemos observar a Igreja na maior desordem no que diz respeito à pureza da doutrina e a sacralidade da liturgia, onde não se dá a Jesus Cristo a honra que lhe é devida. Em não poucas Conferências Episcopais, os melhores bispos se tornaram “persona non grata”. Onde estão os apologetas dos nossos dias, que teriam a coragem de anunciar aos homens de maneira clara e compreensível a ameaça do risco de se perder a fé e a salvação?

Em nossos dias, a voz da maioria dos bispos se assemelha ao silêncio dos cordeiros diante de lobos furiosos, os fiéis são abandonados como ovelhas sem defesa. Cristo foi reconhecido pelos homens como alguém que falava e agia em uníssono, que tinha poder e é este poder que Ele concedeu a Seus apóstolos. No mundo de hoje, os bispos precisam se libertar de todos os laços mundanos e – depois de terem feito penitência – converterem-se novamente a Cristo, para que fortalecidos pelo Espírito Santo possam anunciar Cristo como o único Salvador. Em última análise, deve-se prestar contas a Deus por tudo o que foi feito e por tudo o que não foi feito.

Na minha opinião, a voz fraca de muitos bispos é uma conseqüência do fato de que, no processo de nomeação de novos bispos, os candidatos não são suficientemente examinados quanto à sua indiscutível firmeza e destemor na defesa da fé, e também no que diz respeito à sua fidelidade às tradições seculares da Igreja ou sua piedade pessoal. Na questão da nomeação de novos bispos e até cardeais, está se tornando cada vez mais evidente que, muitas vezes, a preferência é dada para aqueles que compartilham de uma ideologia em particular ou para alguns grupos que são estranhos à Igreja mas que tenham recomendado a nomeação de um determinado candidato em particular. Além disso, parece que estão levando em consideração certo favoritismo por parte da mídia que frequentemente ataca e zomba de santos candidatos pintando uma imagem negativa deles, enquanto os candidatos que possuem em menor grau o espírito de Cristo são elogiados como abertos e modernos . Por outro lado, os candidatos que se destacam por seu zelo apostólico, que têm coragem de anunciar a doutrina de Cristo e demonstrar amor por tudo o que é santo e sagrado, são deliberadamente eliminados.

Um núncio certa vez me disse: “É uma pena que o Papa [João Paulo II] não participe pessoalmente na nomeação dos bispos. O Papa tentou mudar algo na Cúria Romana, no entanto, ele não foi bem sucedido. Ele foi ficando mais velho e as coisas retomaram seu antigo curso normal”.

No início do pontificado do Papa Bento XVI, eu escrevi uma carta a ele na qual supliquei-lhe para que nomeasse santos bispos. Eu relatei a ele a história de um leigo alemão que em face da degradação da Igreja em seu país, após o Concílio Vaticano II, permaneceu fiel a Cristo e reuniu jovens para adoração e oração. Este homem estava à beira da morte e quando ele ficou sabendo da eleição do novo Papa, ele disse: “Quando o Papa Bento XVI usar Seu pontificado exclusivamente para nomear bispos dignos, bons e fiéis, ele terá cumprido a sua tarefa”.

Infelizmente, é óbvio que o Papa Bento XVI, muitas vezes, não foi bem sucedido nesta questão. É difícil acreditar que o Papa Bento XVI tenha renunciado livremente seu ministério como sucessor de Pedro. O Papa Bento XVI era o cabeça visível da Igreja; sua corte, no entanto, raramente traduziu seus ensinos da teoria para a prática, ignorando-os ou silenciosamente desobedecendo-os e, em muitos casos, obstruindo todas suas iniciativas para uma autêntica reforma da Igreja, da liturgia, da maneira de se administrar a Santa Comunhão. Diante de um grande segredo que existe no Vaticano, para muitos bispos era realisticamente impossível ajudar o Papa em seu dever como chefe e governador de toda a Igreja.

Não seria supérfluo lembrar aos meus irmãos no episcopado de uma afirmação feita por uma loja maçônica italiana a partir por volta do ano de 1820: “Nosso trabalho é um trabalho de uma centena de anos. Deixemos de lado as pessoas mais velhas e vamos nos concentrar na juventude. Os seminaristas se tornarão sacerdotes com as nossas ideias liberais. Não devemos nos lisonjear com falsas esperanças. Nós não vamos conseguir fazer um Papa franco-maçom. No entanto, bispos liberais, que irão trabalhar na comitiva papal, irão propor a ele, na tarefa de governar a Igreja, pensamentos e idéias que são vantajosas para nós e para o Papa irá implementá-las na prática. Esta intenção do Franco-maçons está sendo implementada cada vez mais e de forma aberta, não só graças aos inimigos declarados da Igreja, mas com a conivência de algumas falsas testemunhas que ocupam altos cargos na Igreja hierárquica. Não é sem razão que o beato Paulo VI disse: “por alguma fresta da Igreja, o espírito de Satanás penetrou no interior da Igreja.” Acho que este tipo de fenda se tornou nos nossos dias bastante ampla e o diabo usa todas as forças a fim de subverter a Igreja de Cristo. Para evitar isso, é necessário retornar à proclamação precisa e clara do Evangelho em todos os níveis do ministério eclesiástico, pois a Igreja possui todo o poder e graça que Cristo deu a ela: “Todo o poder me foi dado no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações. Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eu estarei sempre com vocês até o fim do mundo “(Mt 28: 18-20),” a verdade vos libertará “(Jo 8, 32) e” deixe sua palavra ser Sim, sim; Não, não, pois tudo que passar disso vem do maligno”(Mt 5, 37). A Igreja não pode adaptar-se ao espírito do mundo, mas deve transformar o mundo com o espírito de Cristo.

É óbvio que, no Vaticano, há uma tendência de se entregar mais e mais ao barulho da mídia. Não é raro que, em nome de uma incompreensível calma e tranquilidade, os melhores filhos e servos são sacrificados para apaziguar os meios de comunicação de massa. Os inimigos da Igreja, no entanto, não entregam ou denunciam seus servos mais fiéis, mesmo quando suas ações são evidentemente más.

Quando nós quisermos permanecer fiéis a Cristo em palavras e atos, Ele mesmo vai encontrar os meios de transformar os corações e as almas dos homens e do mundo, e ambos serão transformados no momento propício.

Em tempos de crise da Igreja, Deus muitas vezes utiliza para sua verdadeira renovação, os sacrifícios, as lágrimas e as orações daqueles filhos e servos da Igreja que, aos olhos do mundo e da burocracia eclesiástica, são considerados insignificantes ou são perseguidos e marginalizados por causa da sua fidelidade a Cristo. Eu acredito que nesse nosso tempo difícil, esta lei de Cristo está se realizando e que a Igreja se renovará graças à renovação interior e fidelidade de cada um de nós.

01 de janeiro de 2015, Solenidade da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus.

25 setembro, 2014

Papa Francisco destitui Dom Rogelio Livieres, bispo de Ciudad del Este.

O novo administrador diocesano de Ciudad del Este administração a Comunhão ao então presidente e ex-bispo Fernando Lugo. O bispo defenestrado Livieres foi um grande oponente do bispo propagador da espécie humana, face mais famosa do episcopado paraguaio.

O novo administrador diocesano de Ciudad del Este administra a Comunhão ao então presidente e ex-bispo Fernando Lugo. O defenestrado Livieres foi um grande oponente do bispo Lugo, famoso propagador da espécie humana, face mais famosa do episcopado paraguaio, e também por isso logrou o ódio de seus irmãos no episcopado do Paraguai.

Destituído o bispo que combatia arduamente a Teologia da Libertação e, por isso, incomodava seus pares. A diocese onde abundavam as vocações e aflorava a piedade cai diante do establishment modernista latino-americano, capitaneado pelo próprio bispo de Roma — o que não deveria ser surpresa para ninguém, pois, pelo histórico de desavenças, a Visitação Apostólica desde sempre pareceu um jogo de cartas marcadas.

Pontificado politicamente correto até nos comunicados. Para a Sala de Imprensa, o Papa realizou pura e simplesmente uma sucessão. Os maníacos da colegialidade não gostam (isso contraria seus princípios dialogantes, mas, evidentemente, contraditórios) de falar o que realmente aconteceu: Dom Livieres foi defenestrado, destituído sumariamente, em um ato digno de ser imputado (ah, como eles gostam de fazer isso!) àquelas autoridades, digamos… pré-conciliares. O fato é que, para defender seus interesses, os progressistas não se importam com a coerência e nem em voltar no tempo. O único ato intolerável na Igreja Pós-Conciliar é buscar ser verdadeiramente Católico.

* * *

Nota da Sala de Imprensa da Santa Sé – Sobre a sucessão do bispo de Ciudad del Este (Paraguai), Sua Excelência Reverendíssima Rolegio Ricardo Livieres PLano

Tradução: Fratres in Unum.com – Depois de um cuidadoso exame das conclusões das visitas apostólicas realizadas pela Congregação para os Bispos e pela Congregação para o Clero ao bispo, diocese e seminários de Ciudad del Este, o Santo Padre procedeu à sucessão de S.E. Rogelio Ricardo Livieres Plano, nomeando Administrador Apostólico da mesma sede, agora vacante, S.E. Mons. Ricardo Jorge Valenzuela Ríos, Bispo de Villarica do Espírito Santo.

A árdua decisão da Santa Sé, determinada por sérias razões pastorais, obedece ao bem maior da unidade da Igreja de Ciudad del Este e da comunhão episcopal no Paraguai.

O Santo Padre, no exercício de seu ministério de “fundamento perpétuo e visível da unidade tanto dos bispos como da multidão dos fiéis” (LG 23) pede ao clero e a todo o povo de Deus de Ciudad del Este que acolha a decisão da Santa Sé com espírito de obediência, docilidade e sem desavenças, guiados pela fé.

Por outro lado, convida a toda a Igreja do Paraguai, guiada por seus pastores, a um sério processo de reconciliação e superação de todo sectarismo e discórdia, para não ferir o rosto da única Igreja “adquirida pelo sangue de seu filho” e para que o “rebanho de Cristo” não se veja privado da alegria do Evangelho (cf. Hch 20, 28).

16 setembro, 2014

Ritmo lento: em direção a uma Igreja com três papas, dois “aposentados” e um eleito?

“Papa Emérito” é uma instituição que ainda não existe. 

Por Padre Ariel S. Levi Gualdo * | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – Em uma de minhas conversas privadas com um distinto membro da nossa “reserva indígena”, meu confrade mais velho Antonio Livi, muitas vezes abordei questões de caráter dogmático, histórico e eclesiológico ligados à figura do Pontífice Romano em seu duplo papel de Doutor privado e supremo guardião do depósito da fé e da Doutrina católica.  Um tema repetido várias vezes com um outro confrade mais velho e igualmente destacado filósofo e teólogo, o dominicano Giovanni Cavalcoli que é outro ponta de lança da nossa “reserva indígena”.

Há um ano atrás, revelei a ambos um temor que eu já havia manifestado apenas a alguns amigos mais íntimos. Para dizer a verdade, mais do que manifestar, apenas me limitei a sussurrar em em voz baixa: “será que estamos correndo o risco de em breve nos depararmos com dois papas considerados “eméritos “e um terceiro pontífice eleito”? Alguns sorriram e outros se perguntavam se era mais uma das minhas provocações através do uso do paradoxo ou hipérbole, enquanto os dois confrades mais velhos formados por décadas de filosofia e estudos teológicos, bem como pela dedicação contínua aos ministérios pastorais com os quais sempre defenderam a sã e sólida fé (que hoje parece quase ter caído no esquecimento), ouviram atentamente, sem responder naquele momento, tão pesado era o alcance daquela minha perplexidade. Aquilo que me responderam então, não afetam estas linhas.

O erro que cometi naquela época foi deixar escapar da minha boca aquele pensamento que me atormentava com todas as conjecturas articuladas mais abaixo, ao conversar com uma certa pessoa que logo depois publicou minha dolorosa análise para o público, fazendo passá-la como de sua própria autoria. Até aqui nenhum problema, pois não coloco direitos autorais em meus discursos públicos ou privados. Quem o faz é meu meu editor e mesmo assim só para meus livros impressos. Todavia não sou tão ingênuo a ponto de não perceber aqui e ali o modo como alguns jornalistas e comentaristas, várias vezes desenvolveram teses depois que meus escritos foram publicados tanto na Riscossa Cristiana como na Corrispondenza Romana, sem nunca sequer terem a gentileza de mencionar quem havia formulado a análise.

29 julho, 2014

Enquanto islâmicos destroem igrejas em Mosul…

A sociedade laicista faz sua parte no Ocidente.

O que está acontecendo com as igrejas de Montreal? Quebec encontra novas maneiras de preservar seu patrimônio em uma época secular.

Por Graeme Hamilton – National Post | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com – MONTREAL — Aparelhos de pesos ocupam o espaço onde antes havia bancos de igreja, e os visitantes bebericam sucos verdes nutritivos, em vez do vinho da comunhão. Porém, apesar de sua transformação dramática em uma academia de ginástica privada e SPA, o outrora Santuário dominicano de São Judas, na Rua St. Denis, em Montreal, continua sendo um tipo de templo.

Quando o piedoso pai de Sonya Audrey Bonin soube que ela estava envolvida em um projeto para transformar uma igreja em academia de ginástica, a princípio, ele ficou horrorizado, mas “no final, ficou muito orgulhoso,” ela diz.

“Ele se torna quase uma religião para algumas pessoas,” disse Sonya Audrey Bonin, gerente geral da academia de ginástica Saint-Jude Espace Tonus, nesta semana. “Eu considero isso como fazer yoga, cuidar de si, cuidar do que você come, ter um estilo de vida saudável.” E em uma época secular, quando as pessoas estão mais propensas a frequentar a academia do que ir à missa no domingo de manhã, as instalações de luxo estão sendo elogiadas como modelo de preservação de prédios religiosos que constituem uma parte importante do patrimônio arquitetônico de Quebec.

A Igreja de Santo Eugênio é agora um centro comunitário.

O Conselho de Patrimônio Religioso de Quebec foi criado, em 1995, com fundos provinciais e com a missão de reparar as minguadas igrejas da província. As congregações em decadência pensavam que as paróquias estavam tendo dificuldade em pagar os reparos. Assim, o conselho identificou os prédios com o maior valor patrimonial e subsidiou a manutenção deles.

Porém, após 18 anos e $371 milhões investidos pelo governo, o conselho reconheceu que faz pouco sentido reparar prédios simplesmente para mantê-los de pé. Eles precisam ser ocupados, e as igrejas estão tendo bastante dificuldade em fazê-lo. “A questão mudou,” disse Denis Boucher, gerente de projetos do conselho de patrimônio. “Hoje em dia, falamos muito mais em encontrar usos para igrejas.” No passado, as verbas do conselho eram reservadas a igrejas ainda utilizadas como lugares de culto. No ano passado isso mudou, e agora o conselho pode ajudar organizações sem fins lucrativos, prefeituras e até mesmo proprietários particulares que estão tentando transformar igrejas antigas.

Quando o conselho fez um inventário, em 2003, identificou 2.751 igrejas na província, a grande maioria delas católicas. Desde então, cerca de 400 fecharam, e o Sr. Boucher disse que o ritmo está crescendo rapidamente. “Uma igreja fecha a cada semana. É um enorme fenômeno,” ele disse. “Todo mundo precisa fazer uma concessão, para que os prédios encontrem uma vida útil na sociedade e continuem transmitindo o seu significado histórico.”

Uma nova publicação do conselho de patrimônio ressalta exemplos em Montreal de “vidas úteis” encontradas para antigas igrejas, incluindo a academia de ginástica São Judas, que está sendo elogiada pelas “soluções arquitetônicas originais, que criaram um diálogo com o passado do local, e não separado dele.” Os arquitetos preservaram as paredes externas da igreja e a maior parte das janelas em arco, impedindo que se esqueça a antiga função do prédio. No bairro de Rosemont, em Montreal, a antiga Igreja de Santo Eugênio agora é um centro comunitário para novas unidades residenciais subsidiadas, construídas ao redor da igreja para cidadãos idosos. “A igreja continua desempenhando o seu papel de local de encontro,” escreveu o conselho de patrimônio.

St. Jude’s, acima, antes de sua transformação, e abaixo, depois dela.

Outra transformação bem-sucedida foi o Théatre Paradoxe no sudeste de Montreal, que assumiu a quase centenária Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro depois que ela fechou, em 2009. Ao custo de $2,7 milhões, o projeto conservou o exterior da igreja e muito do seu interior, incluindo a madeira dos confessionários, que foi utilizada para fazer o bar. Mas agora a nave é o cenário de concertos e conferências, enquanto uma organização que ajuda alunos egressos a encontrar trabalho usa parte do prédio para treiná-los como técnicos de vídeo e palco. Embora espetáculos de danceterias tenham substituído os hinos dominicais, Gérald St-Georges, gerente geral do teatro, disse que há uma continuidade na nova finalidade do prédio. “Antigos paroquianos sentem orgulho de que a igreja tenha permanecido um local de encontro,” ele disse. “Ela está diretamente relacionado ao que acontecia antes.”

O impulso de preservar igrejas, atribuindo-lhes uma nova missão, encontrou um obstáculo com a chegada de Christian Lépine, arcebispo católico romano de Montreal, em 2012. Logo após sua nomeação, ele declarou uma moratória à venda de igrejas, por receio de que os fiéis perdessem sua igreja de bairro. Os projetos para instalar creches e centros comunitários em igrejas fechadas foram subitamente suspensos.

O Théatre Paradoxe de Montreal preservou grande parte do interior original, incluindo a madeira dos confessionários, que foi utilizada para fazer um bar.

Alain Walhin, assistente do vigário geral na arquidiocese de Montreal, disse que após dois anos na moratória, não há indícios de quando ela será levantada. Primeiro a arquidiocese quer identificar as necessidades de seus paroquianos e avaliar o estado de seus quase 200 prédios, ele disse. “Se levar três anos, quatro anos, esse é o tempo que levará,” ele disse.

Ele também insinuou que as pessoas têm sido muito precipitadas ao declarar que a Igreja Católica perdeu influência em Quebec. “É claro que há muitas igrejas para o número de pessoas que as frequentam, mas isso não é motivo para fechar tudo,” ele disse. “Sim, as pessoas não vão, mas isso não significa que elas nunca vão. Há altos e baixos. Isso não quer dizer que sempre haverá um declínio.” Ele deu o exemplo de uma antiga igreja franco-canadense em Montreal, que no ano passado foi transferida para o controle de uma congregação católica de origem africana e renomeada de Nossa Senhora da África.

21 maio, 2014

Padre Ariel e o lobby mais poderoso do mundo.

Catholica entrevista o padre Ariel di Gualdo. Perguntas sobre um lobby…

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com – Em sua edição de número 120, de 28 de junho de 2013, a revista política e religiosa francesa Catholica, publicou uma entrevista concedida ao padre Ariel Levi di Gualdo: “Perguntas sobre um lobby.” Um lobby que deu origem a frequentes reações agressivas e sufocantes por parte da mídia sob o pontificado de Bento XVI, e, de repente, elas não são mais faladas, sem que esteja acontecendo coisa alguma ou indicações de que algo esteja acontecendo [para mudar a situação]. Agora há um silêncio completo. Assim, [esse lobby] continua sua atividade prejudicial, desintegradora, sem ser atrapalhado.

A Entrevista. Nos anos que se seguiram ao Vaticano II, retornamos ao período que precedeu o Concílio de Trento, com toda a sua corrupção e lutas internas alarmantes pelo poder. A renúncia de Bento XVI constituiu um evento singular, e foi como [fazer uma] “pausa” no auge da crise, [ocorreu] ao mesmo tempo em que o 50º aniversário de um concílio destinado a rejuvenescer as instituições eclesiásticas estava sendo celebrado. Este ato ainda permanece bastante indecifrável. Muitos falavam de não governabilidade, em uma época em que numerosas tensões e lutas pelo poder haviam se tornado progressivamente evidentes, com o caso Vatileaks sendo de indicação especial.

Dentre os autores que foram induzidos a se expressar sobre a situação, um padre romano tem atraído a nossa atenção por causa de seu discurso claro. Seu nome é Padre Ariel Levi di Gualdo, autor e um livro intitulado E Satana si fece trino (E Satanás se tornou trindade, tradução livre), que evoca a trindade satânica explicada no subtítulo: relativismo, individualismo, desobediência. Um de nossos correspondentes romanos lhe fez algumas perguntas sobre alguns aspectos da atual desordem. Temos a satisfação de publicar aqui as suas respostas.

Catholica – Em sua última obra, o senhor deixa implícito o papel de determinados dicastérios romanos por trás das denúncias de muitos escândalos graves. O senhor poderia esclarecer este ponto, acima de tudo, ao explicar em que consiste a falta de seriedade em alguns serviços da Cúria e qual seria a implicação dos acordos mais problemáticos?

Padre Ariel – Neste livro, explico que efetivamente tivemos o Concílio Vaticano II, mas, na prática, durante os anos seguintes, voltamos ao período que antecedeu o Concílio de Trento, com a sua corrupção e lutas alarmantes pelo poder. Após discursos abundantes ad nauseum sobre diálogo, colegialidade – já há quase meio século – emergiram novas formas de clericalismo e autoritarismo. Os paladinos progressistas do diálogo e da colegialidade usam agressão e coação contra qualquer pessoa que pense fora do “religiosamente correto.” Sempre é possível elucidar os dogmas da Fé, desconstruí-los de acordo com a lógica antropológica, mas ai daqueles que ousam duvidar do caráter “sagrado” e “infalível” do magistério exercido por alguns teólogos imbuídos por Hegel e da teologia de Karl Rahner – pensamentos que os levam lado a lado com o modernismo e heterodoxias de todo tipo: esse [tipo de] homem será banido dessa “panelinha” unida e poderosa na Cúria Romana, bem como das Universidades Pontifícias.

A isso precisamos acrescentar que a partir dos anos 70, clérigos homossexuais têm sido incluídos, cujo número tem crescido consideravelmente ao longo dos anos através de cooptação. Hoje em dia eles constituem um verdadeiro lobby – no estilo da máfia – poderoso e pronto para destruir quem quer que se coloque em seu caminho. Processos na inversão de valores emergiram – o bom se tornou mal, a virtude se transformou em vício, e vice-versa. Eles foram tão longe a ponto de transformar a sã doutrina em heterodoxia quando um desses eclesiásticos é denunciado às autoridades, com provas e testemunhos para apoiá-la; dado que a condenação de uma pessoa sozinha seria o suficiente para colocar todo o sistema em perigo. Vimos, em muitos casos, o inocente sendo punido e marginalizado e os culpados de grave conduta moral sendo protegidos. Quando se via como oportuno expulsar alguém da Cúria Romana, eles eram acolhidos e protegidos pelos bispos naquelas dioceses onde os círculos de influência eram instalados, cercados predominantemente por homossexuais. Mais uma vez, corrupto como é este sistema, não é possível agir de qualquer outra maneira, uma vez que se um culpado é punido, ele se vingaria arrastando todos os demais membros desta máfia: Portanto, é necessário protegê-lo apesar dos custos.

A impressão geral é aquela de incoerência no governo da Igreja: Isso parece demonstrar a promoção de alguns prelados.

Catholica – Na sua opinião, quais são as causas que limitam a autoridade de uma maneira tão coercitiva?

Padre Ariel – É um paradoxo que sob o pontificado do “Papa teólogo” tínhamos visto um aumento de nomeações, para posições chave no governo da Igreja, de pessoas que estão em total contradição com aquilo que representa as premissas teológicas de Bento XVI: Prelados de teologia duvidosa ou de perfil insignificante com relação aos desafios atuais, como, por exemplo, a nova evangelização. O traço comum que os caracteriza: por trás da fachada de humildade, a prevalência, não da Igreja, mas de sua própria pessoa. Nas décadas vindouras, não sei como o pontificado da “doutrina esplêndida” será julgado, mas pelos fatos [ele é] contrariado pela presença dessas pessoas. Contudo, no momento, pergunto-me como [é possível] que a influência escondida (marionetista) de alguns, tenha se tornado tão poderosa para acabar reduzindo o nosso Pedro, navegador sem uma tripulação, em uma barca destroçada pelas ondas e vendavais de tempestade, a tamanha impotência?

O que se tem por certo, por outro lado, é que o Evangelho não deixa margem para equívocos desse tipo: Deus não nos julgará pelas nossas palavras, mas de acordo com a sabedoria de nossas obras (Mt. 11,19). Teremos de prestar contas a Deus pelos talentos que Ele nos deu, e, eventualmente por esse talento enterrado por medo dos ladrões. (Mt. 25, 12). Creio que o Sumo Pontífice recebeu de Deus um talento tão pesado quanto precioso, que deve produzir frutos: “Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja”. Um talento que impõe sobre a quem o recebe um compromisso, de modo que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt. 16,18). Sem dúvida alguma, quando os historiadores estudam esse pontificado emergindo de uma época tão difícil e aflitiva, nesse contexto de profunda decadência que pesa sobre a Igreja, eles mostrarão como Bento tentou agir para o bem da Igreja de Cristo, com base naquilo que as circunstâncias o permitiram fazer. As multidões, na sua morte, indubitavelmente, não gritarão “santo súbito”, mas, é provável que dentro de décadas vindouras ele será “santo sicuro” [santo seguramente]. […]

Padre Ariel S. Levi di Gualdo é sacerdote da diocese de Roma. [Créditos: Chiesa e Post Concilio blog; Tradução para o inglês: Francesca Romana]

12 fevereiro, 2014

“Ouso dizer: a Igreja nunca esteve tão bem como hoje” (V): Reverendissimus Dominus Carolus, Episcopus Sanctae Romanae Ecclesiae.

tao bem

Imagens do Reverendíssimo Pe. Antônio Carlos Cruz Santos, M.S.C. (Missionários do Sagrado Coração), nomeado hoje bispo de Caicó, RN.

Na primeira foto, da esquerda, o então Superior Pró-provincial da ordem no Rio de Janeiro, ao centro, ao que parece faz a doxologia final da Santa Missa juntamente com um leigo. Na imagem da direita, Pe. Antônio Carlos (segundo da direita para a esquerda) por ocasião de sua eleição em 2011, acompanhado de outros confrades membros do conselho.

A Igreja no Brasil já começa a sentir o “efeito Montanari“!

* * *

Leia também:

“Ouso dizer: a Igreja nunca esteve tão bem como hoje” – Oficial da cúria: mais de 3000 religiosos deixam a vida consagrada a cada ano

“Ouso dizer: a Igreja nunca esteve tão bem como hoje” (II) – Idosos somam 80% na Vida Religiosa Consagrada do Brasil

“Ouso dizer: a Igreja nunca esteve tão bem como hoje” (III) – Noviciado Jesuíta fecha as portas.

“Ouso dizer: a Igreja nunca esteve tão bem como hoje” (IV): América Latina apoia Francisco, mas se divide na doutrina.

Sobre o título do post, ver aqui.