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10 fevereiro, 2015

Carta aberta de um Arcebispo sobre a crise na Igreja.

“É difícil acreditar que o Papa Bento XVI renunciou livremente ao seu ministério como sucessor de Pedro.”

“Eu sou forçado a recorrer a este meio de expressão público porque receio que qualquer outro método seria recebido com um muro de silêncio e indiferença.”

“… Fica cada vez mais evidente que o Vaticano, através da sua Secretaria de Estado tomou a estrada do “politicamente correto”.  

Por Rorate-Caeli | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Rorate Caeli obteve uma cópia exclusiva da versão inglesa de uma rara carta aberta de um Arcebispo sobre a crise da Igreja.

A carta, escrita por Sua Excelência Dom Jan Pawel Lenga, bispo emérito da Diocese de Karaganda, Cazaquistão, esperamos que sirva como um mais que providencial alerta para os católicos que enterraram a cabeça na areia por tanto tempo.

Oremos para que mais outros irmãos seus no episcopado tenha a fé e a coragem de se levantar e fazer ouvir suas vozes antes que não haja mais nada o que defender.

* * *

Reflexões sobre alguns problemas da crise atual da Igreja Católica

Eu tive a experiência de viver com os sacerdotes que estiveram nas prisões e campos Stalinistas e que, no entanto, permaneceram fiéis à Igreja. Durante o tempo de perseguição, eles cumpriram com amor o seu dever sacerdotal de pregar a doutrina Católica levando assim uma vida digna na imitação de Cristo, seu Mestre celestial.

Eu completei meus estudos sacerdotais em um Seminário clandestino na União Soviética. Fui ordenado sacerdote secretamente durante a noite por um bispo piedoso que sofreu pessoalmente por causa da fé. No primeiro ano de meu sacerdócio, passei pela experiência de ser expulso do Tadzhikistão pela KGB.

Subsequentemente, durante meus trinta anos de estadia no Cazaquistão, servi 10 anos como sacerdote, cuidando do povo fiel em 81 localidades. Então, eu servi 20 anos como bispo, inicialmente como bispo de cinco estados da Ásia Central numa área total de cerca de quatro milhões de quilômetros quadrados.

Em meu ministério como bispo, tive contato com o Papa São João Paulo II, com muitos bispos, sacerdotes e fiéis de diferentes países e nas mais diferentes circunstâncias. Eu fui membro de algumas assembleias do Sínodo dos Bispos no Vaticano, que abrangeu temas como: “Ásia” e “A Eucaristia”.

Esta experiência, bem como os outras, deram-me a base para expressar minha opinião sobre a crise atual da Igreja Católica. Estas são as minhas convicções e elas são ditadas pelo meu amor à Igreja e pelo desejo de sua autêntica renovação em Cristo. Sou forçado a recorrer a este meio público de expressão porque receio que qualquer outro método seria recebido com um muro de silêncio e indiferença.

Estou ciente de possíveis reações à minha carta aberta. Mas, ao mesmo tempo, a voz da minha consciência não me permite permanecer em silêncio enquanto a obra de Deus está sendo vilipendiada. Jesus Cristo fundou a Igreja Católica e nos mostrou em palavras e atos como se deve cumprir a vontade de Deus. Os apóstolos, a quem Ele conferiu autoridade na Igreja, cumpriram com zelo o dever que lhes foi confiado, sofrendo por amor à verdade, a qual tinha que ser pregada,  já que eles “obedeciam a Deus ao invés dos homens.”

Infelizmente, em nossos dias, está ficando cada vez mais evidente que o Vaticano, por meio da Secretaria de Estado, tomou a estrada do politicamente correto. Alguns Núncios tornaram-se propagadores do liberalismo e do modernismo. Eles se tornaram especialistas no princípio “Sub secreto Pontifício”, através do qual manipulam e calam as bocas dos bispos. E assim o que diz-lhes o Núncio fica parecendo como o que seria quase certamente o desejo do Papa. Com tais estratagemas, separam os bispos uns dos outros de modo que os bispos de um país não falam mais a uma só voz no espírito de Cristo e Sua Igreja na defesa da fé e da moral. Isso significa que, a fim de não cair em desgraça com o Núncio, alguns bispos aceitam suas recomendações, que às vezes são baseadas em nada mais do que em suas próprias palavras. Em vez de zelosamente propagar a fé, pregando com coragem a doutrina de Cristo, sendo firmes na defesa da verdade e da moral, as reuniões das Conferências Episcopais, frequentemente, lidam com questões que são estranhas à natureza do ofício dos sucessores dos apóstolos.

Pode-se observar em todos os níveis da Igreja uma diminuição evidente do espírito  do “sacrum”. O “espírito do mundo” alimenta os pastores. Os pecadores é que dão à Igreja as instruções de como ela tem que servi-los. Constrangidos, os Pastores se calam sobre os problemas atuais e abandonam o rebanho, enquanto cuidam de alimentar apenas a si mesmos. O mundo é tentado pelo demônio e se opõe à doutrina de Cristo. Não obstante, os pastores são obrigados a ensinar toda a verdade sobre Deus e os homens “em bons tempos e maus tempos”.

Todavia, durante o reinado dos últimos Papas, podemos observar a Igreja na maior desordem no que diz respeito à pureza da doutrina e a sacralidade da liturgia, onde não se dá a Jesus Cristo a honra que lhe é devida. Em não poucas Conferências Episcopais, os melhores bispos se tornaram “persona non grata”. Onde estão os apologetas dos nossos dias, que teriam a coragem de anunciar aos homens de maneira clara e compreensível a ameaça do risco de se perder a fé e a salvação?

Em nossos dias, a voz da maioria dos bispos se assemelha ao silêncio dos cordeiros diante de lobos furiosos, os fiéis são abandonados como ovelhas sem defesa. Cristo foi reconhecido pelos homens como alguém que falava e agia em uníssono, que tinha poder e é este poder que Ele concedeu a Seus apóstolos. No mundo de hoje, os bispos precisam se libertar de todos os laços mundanos e – depois de terem feito penitência – converterem-se novamente a Cristo, para que fortalecidos pelo Espírito Santo possam anunciar Cristo como o único Salvador. Em última análise, deve-se prestar contas a Deus por tudo o que foi feito e por tudo o que não foi feito.

Na minha opinião, a voz fraca de muitos bispos é uma conseqüência do fato de que, no processo de nomeação de novos bispos, os candidatos não são suficientemente examinados quanto à sua indiscutível firmeza e destemor na defesa da fé, e também no que diz respeito à sua fidelidade às tradições seculares da Igreja ou sua piedade pessoal. Na questão da nomeação de novos bispos e até cardeais, está se tornando cada vez mais evidente que, muitas vezes, a preferência é dada para aqueles que compartilham de uma ideologia em particular ou para alguns grupos que são estranhos à Igreja mas que tenham recomendado a nomeação de um determinado candidato em particular. Além disso, parece que estão levando em consideração certo favoritismo por parte da mídia que frequentemente ataca e zomba de santos candidatos pintando uma imagem negativa deles, enquanto os candidatos que possuem em menor grau o espírito de Cristo são elogiados como abertos e modernos . Por outro lado, os candidatos que se destacam por seu zelo apostólico, que têm coragem de anunciar a doutrina de Cristo e demonstrar amor por tudo o que é santo e sagrado, são deliberadamente eliminados.

Um núncio certa vez me disse: “É uma pena que o Papa [João Paulo II] não participe pessoalmente na nomeação dos bispos. O Papa tentou mudar algo na Cúria Romana, no entanto, ele não foi bem sucedido. Ele foi ficando mais velho e as coisas retomaram seu antigo curso normal”.

No início do pontificado do Papa Bento XVI, eu escrevi uma carta a ele na qual supliquei-lhe para que nomeasse santos bispos. Eu relatei a ele a história de um leigo alemão que em face da degradação da Igreja em seu país, após o Concílio Vaticano II, permaneceu fiel a Cristo e reuniu jovens para adoração e oração. Este homem estava à beira da morte e quando ele ficou sabendo da eleição do novo Papa, ele disse: “Quando o Papa Bento XVI usar Seu pontificado exclusivamente para nomear bispos dignos, bons e fiéis, ele terá cumprido a sua tarefa”.

Infelizmente, é óbvio que o Papa Bento XVI, muitas vezes, não foi bem sucedido nesta questão. É difícil acreditar que o Papa Bento XVI tenha renunciado livremente seu ministério como sucessor de Pedro. O Papa Bento XVI era o cabeça visível da Igreja; sua corte, no entanto, raramente traduziu seus ensinos da teoria para a prática, ignorando-os ou silenciosamente desobedecendo-os e, em muitos casos, obstruindo todas suas iniciativas para uma autêntica reforma da Igreja, da liturgia, da maneira de se administrar a Santa Comunhão. Diante de um grande segredo que existe no Vaticano, para muitos bispos era realisticamente impossível ajudar o Papa em seu dever como chefe e governador de toda a Igreja.

Não seria supérfluo lembrar aos meus irmãos no episcopado de uma afirmação feita por uma loja maçônica italiana a partir por volta do ano de 1820: “Nosso trabalho é um trabalho de uma centena de anos. Deixemos de lado as pessoas mais velhas e vamos nos concentrar na juventude. Os seminaristas se tornarão sacerdotes com as nossas ideias liberais. Não devemos nos lisonjear com falsas esperanças. Nós não vamos conseguir fazer um Papa franco-maçom. No entanto, bispos liberais, que irão trabalhar na comitiva papal, irão propor a ele, na tarefa de governar a Igreja, pensamentos e idéias que são vantajosas para nós e para o Papa irá implementá-las na prática. Esta intenção do Franco-maçons está sendo implementada cada vez mais e de forma aberta, não só graças aos inimigos declarados da Igreja, mas com a conivência de algumas falsas testemunhas que ocupam altos cargos na Igreja hierárquica. Não é sem razão que o beato Paulo VI disse: “por alguma fresta da Igreja, o espírito de Satanás penetrou no interior da Igreja.” Acho que este tipo de fenda se tornou nos nossos dias bastante ampla e o diabo usa todas as forças a fim de subverter a Igreja de Cristo. Para evitar isso, é necessário retornar à proclamação precisa e clara do Evangelho em todos os níveis do ministério eclesiástico, pois a Igreja possui todo o poder e graça que Cristo deu a ela: “Todo o poder me foi dado no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações. Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eu estarei sempre com vocês até o fim do mundo “(Mt 28: 18-20),” a verdade vos libertará “(Jo 8, 32) e” deixe sua palavra ser Sim, sim; Não, não, pois tudo que passar disso vem do maligno”(Mt 5, 37). A Igreja não pode adaptar-se ao espírito do mundo, mas deve transformar o mundo com o espírito de Cristo.

É óbvio que, no Vaticano, há uma tendência de se entregar mais e mais ao barulho da mídia. Não é raro que, em nome de uma incompreensível calma e tranquilidade, os melhores filhos e servos são sacrificados para apaziguar os meios de comunicação de massa. Os inimigos da Igreja, no entanto, não entregam ou denunciam seus servos mais fiéis, mesmo quando suas ações são evidentemente más.

Quando nós quisermos permanecer fiéis a Cristo em palavras e atos, Ele mesmo vai encontrar os meios de transformar os corações e as almas dos homens e do mundo, e ambos serão transformados no momento propício.

Em tempos de crise da Igreja, Deus muitas vezes utiliza para sua verdadeira renovação, os sacrifícios, as lágrimas e as orações daqueles filhos e servos da Igreja que, aos olhos do mundo e da burocracia eclesiástica, são considerados insignificantes ou são perseguidos e marginalizados por causa da sua fidelidade a Cristo. Eu acredito que nesse nosso tempo difícil, esta lei de Cristo está se realizando e que a Igreja se renovará graças à renovação interior e fidelidade de cada um de nós.

01 de janeiro de 2015, Solenidade da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus.

25 setembro, 2014

Papa Francisco destitui Dom Rogelio Livieres, bispo de Ciudad del Este.

O novo administrador diocesano de Ciudad del Este administração a Comunhão ao então presidente e ex-bispo Fernando Lugo. O bispo defenestrado Livieres foi um grande oponente do bispo propagador da espécie humana, face mais famosa do episcopado paraguaio.

O novo administrador diocesano de Ciudad del Este administra a Comunhão ao então presidente e ex-bispo Fernando Lugo. O defenestrado Livieres foi um grande oponente do bispo Lugo, famoso propagador da espécie humana, face mais famosa do episcopado paraguaio, e também por isso logrou o ódio de seus irmãos no episcopado do Paraguai.

Destituído o bispo que combatia arduamente a Teologia da Libertação e, por isso, incomodava seus pares. A diocese onde abundavam as vocações e aflorava a piedade cai diante do establishment modernista latino-americano, capitaneado pelo próprio bispo de Roma — o que não deveria ser surpresa para ninguém, pois, pelo histórico de desavenças, a Visitação Apostólica desde sempre pareceu um jogo de cartas marcadas.

Pontificado politicamente correto até nos comunicados. Para a Sala de Imprensa, o Papa realizou pura e simplesmente uma sucessão. Os maníacos da colegialidade não gostam (isso contraria seus princípios dialogantes, mas, evidentemente, contraditórios) de falar o que realmente aconteceu: Dom Livieres foi defenestrado, destituído sumariamente, em um ato digno de ser imputado (ah, como eles gostam de fazer isso!) àquelas autoridades, digamos… pré-conciliares. O fato é que, para defender seus interesses, os progressistas não se importam com a coerência e nem em voltar no tempo. O único ato intolerável na Igreja Pós-Conciliar é buscar ser verdadeiramente Católico.

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Nota da Sala de Imprensa da Santa Sé – Sobre a sucessão do bispo de Ciudad del Este (Paraguai), Sua Excelência Reverendíssima Rolegio Ricardo Livieres PLano

Tradução: Fratres in Unum.com – Depois de um cuidadoso exame das conclusões das visitas apostólicas realizadas pela Congregação para os Bispos e pela Congregação para o Clero ao bispo, diocese e seminários de Ciudad del Este, o Santo Padre procedeu à sucessão de S.E. Rogelio Ricardo Livieres Plano, nomeando Administrador Apostólico da mesma sede, agora vacante, S.E. Mons. Ricardo Jorge Valenzuela Ríos, Bispo de Villarica do Espírito Santo.

A árdua decisão da Santa Sé, determinada por sérias razões pastorais, obedece ao bem maior da unidade da Igreja de Ciudad del Este e da comunhão episcopal no Paraguai.

O Santo Padre, no exercício de seu ministério de “fundamento perpétuo e visível da unidade tanto dos bispos como da multidão dos fiéis” (LG 23) pede ao clero e a todo o povo de Deus de Ciudad del Este que acolha a decisão da Santa Sé com espírito de obediência, docilidade e sem desavenças, guiados pela fé.

Por outro lado, convida a toda a Igreja do Paraguai, guiada por seus pastores, a um sério processo de reconciliação e superação de todo sectarismo e discórdia, para não ferir o rosto da única Igreja “adquirida pelo sangue de seu filho” e para que o “rebanho de Cristo” não se veja privado da alegria do Evangelho (cf. Hch 20, 28).

16 setembro, 2014

Ritmo lento: em direção a uma Igreja com três papas, dois “aposentados” e um eleito?

“Papa Emérito” é uma instituição que ainda não existe. 

Por Padre Ariel S. Levi Gualdo * | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – Em uma de minhas conversas privadas com um distinto membro da nossa “reserva indígena”, meu confrade mais velho Antonio Livi, muitas vezes abordei questões de caráter dogmático, histórico e eclesiológico ligados à figura do Pontífice Romano em seu duplo papel de Doutor privado e supremo guardião do depósito da fé e da Doutrina católica.  Um tema repetido várias vezes com um outro confrade mais velho e igualmente destacado filósofo e teólogo, o dominicano Giovanni Cavalcoli que é outro ponta de lança da nossa “reserva indígena”.

Há um ano atrás, revelei a ambos um temor que eu já havia manifestado apenas a alguns amigos mais íntimos. Para dizer a verdade, mais do que manifestar, apenas me limitei a sussurrar em em voz baixa: “será que estamos correndo o risco de em breve nos depararmos com dois papas considerados “eméritos “e um terceiro pontífice eleito”? Alguns sorriram e outros se perguntavam se era mais uma das minhas provocações através do uso do paradoxo ou hipérbole, enquanto os dois confrades mais velhos formados por décadas de filosofia e estudos teológicos, bem como pela dedicação contínua aos ministérios pastorais com os quais sempre defenderam a sã e sólida fé (que hoje parece quase ter caído no esquecimento), ouviram atentamente, sem responder naquele momento, tão pesado era o alcance daquela minha perplexidade. Aquilo que me responderam então, não afetam estas linhas.

O erro que cometi naquela época foi deixar escapar da minha boca aquele pensamento que me atormentava com todas as conjecturas articuladas mais abaixo, ao conversar com uma certa pessoa que logo depois publicou minha dolorosa análise para o público, fazendo passá-la como de sua própria autoria. Até aqui nenhum problema, pois não coloco direitos autorais em meus discursos públicos ou privados. Quem o faz é meu meu editor e mesmo assim só para meus livros impressos. Todavia não sou tão ingênuo a ponto de não perceber aqui e ali o modo como alguns jornalistas e comentaristas, várias vezes desenvolveram teses depois que meus escritos foram publicados tanto na Riscossa Cristiana como na Corrispondenza Romana, sem nunca sequer terem a gentileza de mencionar quem havia formulado a análise.

29 julho, 2014

Enquanto islâmicos destroem igrejas em Mosul…

A sociedade laicista faz sua parte no Ocidente.

O que está acontecendo com as igrejas de Montreal? Quebec encontra novas maneiras de preservar seu patrimônio em uma época secular.

Por Graeme Hamilton – National Post | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com – MONTREAL — Aparelhos de pesos ocupam o espaço onde antes havia bancos de igreja, e os visitantes bebericam sucos verdes nutritivos, em vez do vinho da comunhão. Porém, apesar de sua transformação dramática em uma academia de ginástica privada e SPA, o outrora Santuário dominicano de São Judas, na Rua St. Denis, em Montreal, continua sendo um tipo de templo.

Quando o piedoso pai de Sonya Audrey Bonin soube que ela estava envolvida em um projeto para transformar uma igreja em academia de ginástica, a princípio, ele ficou horrorizado, mas “no final, ficou muito orgulhoso,” ela diz.

“Ele se torna quase uma religião para algumas pessoas,” disse Sonya Audrey Bonin, gerente geral da academia de ginástica Saint-Jude Espace Tonus, nesta semana. “Eu considero isso como fazer yoga, cuidar de si, cuidar do que você come, ter um estilo de vida saudável.” E em uma época secular, quando as pessoas estão mais propensas a frequentar a academia do que ir à missa no domingo de manhã, as instalações de luxo estão sendo elogiadas como modelo de preservação de prédios religiosos que constituem uma parte importante do patrimônio arquitetônico de Quebec.

A Igreja de Santo Eugênio é agora um centro comunitário.

O Conselho de Patrimônio Religioso de Quebec foi criado, em 1995, com fundos provinciais e com a missão de reparar as minguadas igrejas da província. As congregações em decadência pensavam que as paróquias estavam tendo dificuldade em pagar os reparos. Assim, o conselho identificou os prédios com o maior valor patrimonial e subsidiou a manutenção deles.

Porém, após 18 anos e $371 milhões investidos pelo governo, o conselho reconheceu que faz pouco sentido reparar prédios simplesmente para mantê-los de pé. Eles precisam ser ocupados, e as igrejas estão tendo bastante dificuldade em fazê-lo. “A questão mudou,” disse Denis Boucher, gerente de projetos do conselho de patrimônio. “Hoje em dia, falamos muito mais em encontrar usos para igrejas.” No passado, as verbas do conselho eram reservadas a igrejas ainda utilizadas como lugares de culto. No ano passado isso mudou, e agora o conselho pode ajudar organizações sem fins lucrativos, prefeituras e até mesmo proprietários particulares que estão tentando transformar igrejas antigas.

Quando o conselho fez um inventário, em 2003, identificou 2.751 igrejas na província, a grande maioria delas católicas. Desde então, cerca de 400 fecharam, e o Sr. Boucher disse que o ritmo está crescendo rapidamente. “Uma igreja fecha a cada semana. É um enorme fenômeno,” ele disse. “Todo mundo precisa fazer uma concessão, para que os prédios encontrem uma vida útil na sociedade e continuem transmitindo o seu significado histórico.”

Uma nova publicação do conselho de patrimônio ressalta exemplos em Montreal de “vidas úteis” encontradas para antigas igrejas, incluindo a academia de ginástica São Judas, que está sendo elogiada pelas “soluções arquitetônicas originais, que criaram um diálogo com o passado do local, e não separado dele.” Os arquitetos preservaram as paredes externas da igreja e a maior parte das janelas em arco, impedindo que se esqueça a antiga função do prédio. No bairro de Rosemont, em Montreal, a antiga Igreja de Santo Eugênio agora é um centro comunitário para novas unidades residenciais subsidiadas, construídas ao redor da igreja para cidadãos idosos. “A igreja continua desempenhando o seu papel de local de encontro,” escreveu o conselho de patrimônio.

St. Jude’s, acima, antes de sua transformação, e abaixo, depois dela.

Outra transformação bem-sucedida foi o Théatre Paradoxe no sudeste de Montreal, que assumiu a quase centenária Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro depois que ela fechou, em 2009. Ao custo de $2,7 milhões, o projeto conservou o exterior da igreja e muito do seu interior, incluindo a madeira dos confessionários, que foi utilizada para fazer o bar. Mas agora a nave é o cenário de concertos e conferências, enquanto uma organização que ajuda alunos egressos a encontrar trabalho usa parte do prédio para treiná-los como técnicos de vídeo e palco. Embora espetáculos de danceterias tenham substituído os hinos dominicais, Gérald St-Georges, gerente geral do teatro, disse que há uma continuidade na nova finalidade do prédio. “Antigos paroquianos sentem orgulho de que a igreja tenha permanecido um local de encontro,” ele disse. “Ela está diretamente relacionado ao que acontecia antes.”

O impulso de preservar igrejas, atribuindo-lhes uma nova missão, encontrou um obstáculo com a chegada de Christian Lépine, arcebispo católico romano de Montreal, em 2012. Logo após sua nomeação, ele declarou uma moratória à venda de igrejas, por receio de que os fiéis perdessem sua igreja de bairro. Os projetos para instalar creches e centros comunitários em igrejas fechadas foram subitamente suspensos.

O Théatre Paradoxe de Montreal preservou grande parte do interior original, incluindo a madeira dos confessionários, que foi utilizada para fazer um bar.

Alain Walhin, assistente do vigário geral na arquidiocese de Montreal, disse que após dois anos na moratória, não há indícios de quando ela será levantada. Primeiro a arquidiocese quer identificar as necessidades de seus paroquianos e avaliar o estado de seus quase 200 prédios, ele disse. “Se levar três anos, quatro anos, esse é o tempo que levará,” ele disse.

Ele também insinuou que as pessoas têm sido muito precipitadas ao declarar que a Igreja Católica perdeu influência em Quebec. “É claro que há muitas igrejas para o número de pessoas que as frequentam, mas isso não é motivo para fechar tudo,” ele disse. “Sim, as pessoas não vão, mas isso não significa que elas nunca vão. Há altos e baixos. Isso não quer dizer que sempre haverá um declínio.” Ele deu o exemplo de uma antiga igreja franco-canadense em Montreal, que no ano passado foi transferida para o controle de uma congregação católica de origem africana e renomeada de Nossa Senhora da África.

21 maio, 2014

Padre Ariel e o lobby mais poderoso do mundo.

Catholica entrevista o padre Ariel di Gualdo. Perguntas sobre um lobby…

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com – Em sua edição de número 120, de 28 de junho de 2013, a revista política e religiosa francesa Catholica, publicou uma entrevista concedida ao padre Ariel Levi di Gualdo: “Perguntas sobre um lobby.” Um lobby que deu origem a frequentes reações agressivas e sufocantes por parte da mídia sob o pontificado de Bento XVI, e, de repente, elas não são mais faladas, sem que esteja acontecendo coisa alguma ou indicações de que algo esteja acontecendo [para mudar a situação]. Agora há um silêncio completo. Assim, [esse lobby] continua sua atividade prejudicial, desintegradora, sem ser atrapalhado.

A Entrevista. Nos anos que se seguiram ao Vaticano II, retornamos ao período que precedeu o Concílio de Trento, com toda a sua corrupção e lutas internas alarmantes pelo poder. A renúncia de Bento XVI constituiu um evento singular, e foi como [fazer uma] “pausa” no auge da crise, [ocorreu] ao mesmo tempo em que o 50º aniversário de um concílio destinado a rejuvenescer as instituições eclesiásticas estava sendo celebrado. Este ato ainda permanece bastante indecifrável. Muitos falavam de não governabilidade, em uma época em que numerosas tensões e lutas pelo poder haviam se tornado progressivamente evidentes, com o caso Vatileaks sendo de indicação especial.

Dentre os autores que foram induzidos a se expressar sobre a situação, um padre romano tem atraído a nossa atenção por causa de seu discurso claro. Seu nome é Padre Ariel Levi di Gualdo, autor e um livro intitulado E Satana si fece trino (E Satanás se tornou trindade, tradução livre), que evoca a trindade satânica explicada no subtítulo: relativismo, individualismo, desobediência. Um de nossos correspondentes romanos lhe fez algumas perguntas sobre alguns aspectos da atual desordem. Temos a satisfação de publicar aqui as suas respostas.

Catholica – Em sua última obra, o senhor deixa implícito o papel de determinados dicastérios romanos por trás das denúncias de muitos escândalos graves. O senhor poderia esclarecer este ponto, acima de tudo, ao explicar em que consiste a falta de seriedade em alguns serviços da Cúria e qual seria a implicação dos acordos mais problemáticos?

Padre Ariel – Neste livro, explico que efetivamente tivemos o Concílio Vaticano II, mas, na prática, durante os anos seguintes, voltamos ao período que antecedeu o Concílio de Trento, com a sua corrupção e lutas alarmantes pelo poder. Após discursos abundantes ad nauseum sobre diálogo, colegialidade – já há quase meio século – emergiram novas formas de clericalismo e autoritarismo. Os paladinos progressistas do diálogo e da colegialidade usam agressão e coação contra qualquer pessoa que pense fora do “religiosamente correto.” Sempre é possível elucidar os dogmas da Fé, desconstruí-los de acordo com a lógica antropológica, mas ai daqueles que ousam duvidar do caráter “sagrado” e “infalível” do magistério exercido por alguns teólogos imbuídos por Hegel e da teologia de Karl Rahner – pensamentos que os levam lado a lado com o modernismo e heterodoxias de todo tipo: esse [tipo de] homem será banido dessa “panelinha” unida e poderosa na Cúria Romana, bem como das Universidades Pontifícias.

A isso precisamos acrescentar que a partir dos anos 70, clérigos homossexuais têm sido incluídos, cujo número tem crescido consideravelmente ao longo dos anos através de cooptação. Hoje em dia eles constituem um verdadeiro lobby – no estilo da máfia – poderoso e pronto para destruir quem quer que se coloque em seu caminho. Processos na inversão de valores emergiram – o bom se tornou mal, a virtude se transformou em vício, e vice-versa. Eles foram tão longe a ponto de transformar a sã doutrina em heterodoxia quando um desses eclesiásticos é denunciado às autoridades, com provas e testemunhos para apoiá-la; dado que a condenação de uma pessoa sozinha seria o suficiente para colocar todo o sistema em perigo. Vimos, em muitos casos, o inocente sendo punido e marginalizado e os culpados de grave conduta moral sendo protegidos. Quando se via como oportuno expulsar alguém da Cúria Romana, eles eram acolhidos e protegidos pelos bispos naquelas dioceses onde os círculos de influência eram instalados, cercados predominantemente por homossexuais. Mais uma vez, corrupto como é este sistema, não é possível agir de qualquer outra maneira, uma vez que se um culpado é punido, ele se vingaria arrastando todos os demais membros desta máfia: Portanto, é necessário protegê-lo apesar dos custos.

A impressão geral é aquela de incoerência no governo da Igreja: Isso parece demonstrar a promoção de alguns prelados.

Catholica – Na sua opinião, quais são as causas que limitam a autoridade de uma maneira tão coercitiva?

Padre Ariel – É um paradoxo que sob o pontificado do “Papa teólogo” tínhamos visto um aumento de nomeações, para posições chave no governo da Igreja, de pessoas que estão em total contradição com aquilo que representa as premissas teológicas de Bento XVI: Prelados de teologia duvidosa ou de perfil insignificante com relação aos desafios atuais, como, por exemplo, a nova evangelização. O traço comum que os caracteriza: por trás da fachada de humildade, a prevalência, não da Igreja, mas de sua própria pessoa. Nas décadas vindouras, não sei como o pontificado da “doutrina esplêndida” será julgado, mas pelos fatos [ele é] contrariado pela presença dessas pessoas. Contudo, no momento, pergunto-me como [é possível] que a influência escondida (marionetista) de alguns, tenha se tornado tão poderosa para acabar reduzindo o nosso Pedro, navegador sem uma tripulação, em uma barca destroçada pelas ondas e vendavais de tempestade, a tamanha impotência?

O que se tem por certo, por outro lado, é que o Evangelho não deixa margem para equívocos desse tipo: Deus não nos julgará pelas nossas palavras, mas de acordo com a sabedoria de nossas obras (Mt. 11,19). Teremos de prestar contas a Deus pelos talentos que Ele nos deu, e, eventualmente por esse talento enterrado por medo dos ladrões. (Mt. 25, 12). Creio que o Sumo Pontífice recebeu de Deus um talento tão pesado quanto precioso, que deve produzir frutos: “Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja”. Um talento que impõe sobre a quem o recebe um compromisso, de modo que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt. 16,18). Sem dúvida alguma, quando os historiadores estudam esse pontificado emergindo de uma época tão difícil e aflitiva, nesse contexto de profunda decadência que pesa sobre a Igreja, eles mostrarão como Bento tentou agir para o bem da Igreja de Cristo, com base naquilo que as circunstâncias o permitiram fazer. As multidões, na sua morte, indubitavelmente, não gritarão “santo súbito”, mas, é provável que dentro de décadas vindouras ele será “santo sicuro” [santo seguramente]. […]

Padre Ariel S. Levi di Gualdo é sacerdote da diocese de Roma. [Créditos: Chiesa e Post Concilio blog; Tradução para o inglês: Francesca Romana]

12 fevereiro, 2014

“Ouso dizer: a Igreja nunca esteve tão bem como hoje” (V): Reverendissimus Dominus Carolus, Episcopus Sanctae Romanae Ecclesiae.

tao bem

Imagens do Reverendíssimo Pe. Antônio Carlos Cruz Santos, M.S.C. (Missionários do Sagrado Coração), nomeado hoje bispo de Caicó, RN.

Na primeira foto, da esquerda, o então Superior Pró-provincial da ordem no Rio de Janeiro, ao centro, ao que parece faz a doxologia final da Santa Missa juntamente com um leigo. Na imagem da direita, Pe. Antônio Carlos (segundo da direita para a esquerda) por ocasião de sua eleição em 2011, acompanhado de outros confrades membros do conselho.

A Igreja no Brasil já começa a sentir o “efeito Montanari“!

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Leia também:

“Ouso dizer: a Igreja nunca esteve tão bem como hoje” – Oficial da cúria: mais de 3000 religiosos deixam a vida consagrada a cada ano

“Ouso dizer: a Igreja nunca esteve tão bem como hoje” (II) – Idosos somam 80% na Vida Religiosa Consagrada do Brasil

“Ouso dizer: a Igreja nunca esteve tão bem como hoje” (III) – Noviciado Jesuíta fecha as portas.

“Ouso dizer: a Igreja nunca esteve tão bem como hoje” (IV): América Latina apoia Francisco, mas se divide na doutrina.

Sobre o título do post, ver aqui.

10 fevereiro, 2014

“Ouso dizer: a Igreja nunca esteve tão bem como hoje” (IV): América Latina apoia Francisco, mas se divide na doutrina.

No grande reduto do catolicismo são notáveis as diferenças dos países quanto à sua visão da Igreja, segundou uma pesquisa feita com 12.000 fiéis de todo o mundo

El País – A Igreja Católica não elegeu à toa um Papa latino-americano. Essa região acolhe 42% de seus mais de um bilhão de fiéis, embora também seja a mais ameaçada pela pujança dos cultos evangélicos. E a reposta dos fiéis do continente, como os de quase todo o mundo, foi entusiasta ante o novo pontífice: quase todos os católicos da Argentina (97%) acreditam que o trabalho de Francisco é muito bom ou bom, opinião compartilhada também por uma maioria ampla de brasileiros (91%). No entanto, na América encontra-se, paradoxalmente, o país com as maiores dúvidas sobre o novo Papa. No México, 26% consideram seu trabalho medíocre ou pobre até agora.

Esse contraste é muito importante: da grande pesquisa da agência Bendixen&Armandi para a rede Univisión, feita com mais de 12.000 católicos de todo o mundo (sendo que 39% deles latino-americanos), se deduz que não há uma única Igreja. Os fiéis africanos (os países escolhidos para a amostra foram a República Democrática do Congo e Uganda) e asiáticos (as entrevistas  foram feitas nas Filipinas) mostraram ser mais conservadores em matéria de doutrina que os latino-americanos (do México, Brasil, Argentina e Colômbia, onde a pesquisa foi feita). E estes, por sua vez, resultaram ser mais conservadores que os europeus em temas como o aborto ou a possibilidade de que os sacerdotes possam se casar; mas mais abertos a aceitar os casais homossexuais que países como Itália ou Polônia. Os dados são um avanço do que pode resultar da pesquisa enviada em novembro pelo pontífice aos católicos de todo mundo para conhecer o sentimento dos paroquianos sobre estas questões.

O Papa, no Rio de Janeiro, durante a Jornada Mundial da Juventude. / GETTY

Mas se não há uma só Igreja, também não há uma única América Latina. O continente encontra-se, por exemplo, muito dividido quanto à aceitação dos casais homossexuais. Enquanto na Colômbia –o país mais conservador dos analisados na região- 71% dos católicos opõem-se a eles, no México o percentual baixa a 62%, e na Argentina e no Brasil ocorre quase um empate técnico entre os que são a favor e os que são contra. Os fiéis do continente estão mais distantes da doutrina oficial do Vaticano na questão do aborto. No país que viu nascer Jorge Mario Bergoglio, 81% dos argentinos se manifestam a favor, enquanto 18% acham que não deveria ser permitido em nenhum caso. A Colômbia é, dos quatro Estados pesquisados, o lugar onde a aceitação em alguns ou em todos os casos é menor (61%).

Mas para além das opiniões sobre o aborto ou o casamento gay, regulados pelas legislações nacionais, o estudo aponta o desejo de uma renovação interna da Igreja entre os paroquianos. Quase 70% dos católicos na América Latina não estão de acordo com que se negue a comunhão a um divorciado que se tenha se casado novamente. Um percentual no meio do caminho entre a Europa (75%) e América do Norte (60%). Por outro lado, são minoria no continente (44%) os que veriam com bons olhos um padre casado, nove pontos abaixo da média mundial. Quanto à possibilidade de que uma mulher oficie uma missa, há divisão total: 49% acham que sim e 47%, não. Nestas duas últimas perguntas, nos Estados Unidos e os países europeus onde se realizou a sondagem há maior predisposição para que os padres possam se casar e para que as mulheres possam ser sacerdotes.

México, o país menos entusiasta com o Papa

O México não compartilha de uma forma tão unânime o enorme entusiasmo que o novo Papa gerou nos católicos de todo o mundo. Segundo a pesquisa, até 26% dos católicos mexicanos têm uma opinião medíocre ou ruim sobre o desempenho de Francisco, um percentual desmesurado se comparado ao 1% de italianos e poloneses que suspeitam do novo pontífice ou dos 6% dos brasileiros, o segundo país mais crítico.

A pesquisa não pergunta pelos motivos dessa pequena, mas sensível, rejeição e deixa esse terreno aberto à especulação. Talvez se deva aos casos de pedofilia que afetaram de forma significativa o país norte-americano, berço dos Legionários de Cristo, um dos grupos religiosos mais apontados pelos escândalos. Ou, ao contrário, ao fato de que a extraordinária imagem de João Paulo II não admite comparação possível entre muitos católicos do país que o veneram como uma das grandes figuras da história.

Os católicos mexicanos mostram-se abertos em temas como permitir a comunhão a divorciados que estejam em uma nova relação (isso é admitido por dois a cada três); o aborto, aceito em alguns ou todos os casos por 72%; ou sobretudo, o uso de anticonceptivos, admitido por uma esmagadora maioria de 88%.

Por outro lado, 65% mostram-se contrários a permitir o casamento para os sacerdotes. A rejeição é majoritária em todas as faixas de idade e alcança 73% entre os maiores de 55 anos. Os católicos mexicanos também não querem que as mulheres possam exercer o sacerdócio: 63% recusam. Mas é significativo que a medida seja aceitável por um estreito 50% – sendo que 48% entre aqueles católicos que frequentam menos a igreja.

Por último, 62% opõem-se ao casamento gay, e 36% são a favor, embora entre os mais jovens, de 18 a 34 anos, esse percentual suba para 50%.

Empate técnico na Argentina sobre o casamento gay

Os católicos argentinos estão praticamente divididos em duas metades, entre os apoiam e os que recusam o casamento entre pessoas do mesmo sexo. 48% dos interrogados são contra e 46% a favor, o qual é um empate técnico considerando os 3% de margem de erro da pesquisa.

A idade marca as grandes diferenças de opinião. Quase 60% dos jovens, entre 18 e 34 anos, são a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, diante dos 66% que são contra entre os maiores de 55.

No resto das questões eles são contra à doutrina oficial da Igreja, segundo a pesquisa. 73% são a favor de que os divorciados que estejam em uma nova relacão possam receber a comunhão; 79% admitem o aborto em alguns ou todos os casos; 92% admitem o uso de anticoncepcionais; 65% são a favor de permitir que os padres se casem; e 60% acham que as mulheres podem exercer o sacerdócio.

O Papa Francisco é profeta em sua terra, embora seja importante dizer que ele é em todas as terras entrevistadas. 97% de seus compatriotas têm uma imagem boa ou excelente de seu trabalho, em frente 2% que a qualificam de ruim ou medíocre.

Os católicos brasileiros, abertos em relação à doutrina

Os católicos brasileiros mostram-se entre os mais abertos do continente em relação à doutrina, com resultados muito similares aos coletados na Argentina, segundo aponta a pesquisa. Sua postura contrasta assim com a dos pujantes movimentos evangélicos, que são os que levantam a bandeira no país da oposição a iniciativas como a legalização do aborto ou o casamento de pessoas do mesmo sexo.

Cerca de 71% permitiriam que os divorciados que vivam “em pecado” possam receber a comunhão. Já 81% admitem o aborto em todos ou em alguns casos. E uma esmagadora maioria, 94%, estão a favor do uso de anticoncepcionais.

Também é maioria os que são a favor de eliminar o celibato sacerdotal (60% contra 37%) e os que aceitam o sacerdócio feminino (54% contra 45%).

O assunto mais disputado entre os católicos brasileiros é a questão do casamento gay, ao que se opõem 48% dos católicos, diante de 45% que são a favor. O apoio aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo é similar ao da Argentina e só inferior ao da Espanha ou Estados Unidos entre os países entrevistados. Em todo o caso, um percentual mais amplo, 64%, se opõem à ideia de que a Igreja celebre este tipo de enlaces.

O trabalho do Papa Francisco está sendo boa ou excelente para 91% dos brasileiros, diante de 6% de pessoas que avaliam como medíocre ou ruim.

Colômbia, conservadores dentro do continente

Os católicos colombianos são os que mais se opõem ao casamento gay dos interrogados no continente. 71% dos entrevistados se opõem a esta medida e a rejeição é geral em todos os grupos de idade, desde 59% dos jovens, até os 81% dos mais velhos.

Os colombianos também se opõem ao sacerdócio de mulheres, embora por uma estreita margem, de 48% diante de 47% que são a favor. Por outro lado, são partidários do casamento de sacerdotes, com 54% de apoios, contra 42% de rejeição.

60% são a favor de permitir a comunhão de divorciados e um percentual igual aprova o aborto em alguns ou todos os casos. Mas onde a resposta é esmagadora, como no resto de países do continente, é no assunto dos anticoncepcionais: 91% estão a favor de seu uso e só 7% são contra.

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29 janeiro, 2014

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Noviciado Interprovincial Paulo Apóstolo encerra atividades

Fundado em 1980, a obra trouxe como missão a formação do jovem que desejava se tornar jesuíta

Por Jesuítas Brasil – No dia 2 de fevereiro, os noviços Carlos Miguel, Fernando Vieira e João Elton professarão os primeiros votos. Na mesma ocasião, os jesuítas Inácio Rhoden, Jorge Knapp, Paulo Tadeu e Roque Follmann vão celebrar 25 anos de Companhia de Jesus. Celebrações diferentes, mas que vão marcar história, pois serão lembradas como as últimas atividades do Noviciado Interprovincial Paulo Apóstolo, que após 33 anos de existência encerra seus trabalhos.

Fundado em 1980, o Noviciado trouxe como missão a formação do jovem que desejava se tornar um jesuíta. Durante este tempo, o noviço pode aprofundar a espiritualidade inaciana, além de conhecer a história, os documentos e a missão atual da Companhia de Jesus. O Noviciado tem em seus registros o ingresso de 330 noviços, destes, 193 professaram os votos e 75 permaneceram como jesuítas.

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28 janeiro, 2014

O avanço do aborto, “casamento” homossexual e todas as ideias pervertidas? Nosso problema é a Igreja Católica e o seu silêncio: onde está a indignação?

A Fumaça de Satanás na Igreja

Uma carta de Mario Palmaro

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com

O que publicamos a seguir é um pouco incomum, mas como se trata de algo central na vida da Igreja e do nosso trabalho, nós o oferecemos sabendo bem que ele demanda um esforço considerável por aqueles que querem compreender as coisas completamente. Mario Palmaro, um escritor bem conhecido aos leitores da La Nuova Bussola Quotidiana, escreveu-me uma longa carta para expressar publicamente a sua indignação sobre a direção que a Igreja está tomando, acima de tudo com relação à agressão homossexual que é de interesse para o mundo todo. Minha resposta segue esta carta, e com ela, não quero fechar a discussão, mas abri-la para outras contribuições. Palmaro, com o seu amigo e colega Alessandro Gnocchi, estava no centro da polêmica nos últimos meses por causa de uma série de artigos no Il Foglio, quando eles criticaram duramente o Papa Francisco. O próprio Papa, então, telefonou para Palmaro, após descobrir que ele sofria de uma grave enfermidade. Daí, gostaria de aproveitar a oportunidade de pedir a todos os nossos leitores que rezem por ele.

Riccardo Cascioli,

Diretor da La Nuova Bussola Quotidana

[diário católico on-line]

8 de janeiro de 2014

Prezado Diretor,

Li o seu editorial de 3 de janeiro [de 2014] – “Renzi – se isso é progresso!” , e eu só posso concordar com a sua análise sobre o novo Secretário do Partido Democrático [Socialista] – sua autoconfiança astuciosa, seu transformismo, a contradição inevitável entre dizer que é católico e a sua promoção de coisas que entram em conflito não apenas com o catecismo, mas com a lei natural. Gostaria de acrescentar minha apreciação por tudo que vocês têm feito já há algum tempo com a Bussola em face ao ataque homossexual, e não quero reprová-los de qualquer maneira.

A fumaça de Satanás na Igreja.

A fumaça de Satanás na Igreja.

12 junho, 2013

A correção fraterna e o “buonismo” imperante.

Por Ricardo Dip, colunista convidado

1. Muitos de nós temos observado a frequência com que se dá a falta de reação aos males.

Isso não é nota apenas no mundo temporal de nossos tempos; há também um buonismo pós-conciliar que assola a Santa Igreja.

2. A propósito, faz algum tempo, lia um interessante escrito do dominicano Pe. GIOVANNI CAVALCOLI, em que ele se refere ao fundo luterano do buonismo, que aposta nas ideias de um Deus “misericordiosista” e nos efeitos de sua potência absoluta; ou seja, nas teses

Cristo corrige a Samaritana à beira do Poço de Jacó.

Cristo corrige a Samaritana.

(i) de que Deus não castiga (falsa fiducia nella divina misericordia) e

(ii) de que, extraindo Deus sempre o bem de não importa quais males, esses males são por isso mesmo um bem.

3. Contra a primeira tese, sua falsidade desponta ao correr dos olhos sobre textos dos Evangelhos (p.ex., S.Mateus 13, 41 et sqq. e 49 et sqq.; 25, 41 et sqq.; S.Marcos, 16, 15-6).

4. Contra a segunda, conspira a irrefutável asserção metafísica de que não há mal absoluto, nem falsidade absoluta. Logo, sempre há algo bom e verdadeiro no mal e no falso.

Abdicar de reagir contra o mal porque nele há algo inevitável de bom, remata, contudo, num absurdo, pois que já a coisa alguma caberia dirigir reprovação (uma vez que “tudo é bom”). Até o demônio, por ter uma natureza angélica, já não comportaria aversão.

5. O buonismo imperante hoje na Igreja é, de um lado, a breviatio manus de muitas autoridades que se recusam a punir os ilícitos ou os punem de maneira demasiado tardia ou com pasmosa brandura (cf., brevitatis causa, o excelente Iota unum de ROMANO AMERIO).

6. De outro lado, entre os leigos pós-conciliares domina uma surpreendente leniência. Tolera-se tudo, menos reagir diante de ilícitos, ainda que se trate de afrontas a direitos previstos expressamente nas leis divinas e eclesiais. Tudo em nome de uma paz na convivência humana.

Esse pacifismo a outrance é um obstáculo ao dever de correção fraterna.

Teme-se que já se tenham por extintas a valentia dos Cavaleiros e a fortaleza dos Cruzados.

Hoje é de recear que predomine a molície de católicos desfibrados, sem ânimo para defender a Fé.

Lembra-me, aqui, a elegante referência de GUSTAVO CORÇÃO a uma personagem do grande Chesterton, que quebrara a bengaladas as vidraças de um jornal ofensivo a Nossa Senhora, e a que Bernanos, na condição de camelot du Roi, também não poupara o uso da bengala em legítima defesa da honra.

Não corremos já agora de repetir essa epopeia: a bengala saiu de moda, junto com o latim e, parece, a vergonha.

7. Todavia, não percamos de vista, em contrapartida, que uma das possíveis vergonhas está que as correções não sejam fraternas.

Está bem que já não se reponham em uso as bengalas, mas seria muito bom, ao menos, que voltássemos ao tempo em que as exigíveis correções fraternas não eram ocasião para as injúrias ou outra sorte de denigração ad hominem.

Nossa língua −em que pese a ser pleine de péchés−, essa língua sobre a qual queremos depositar a Sagrada Forma, essa língua não há de ser a que difame, a que doesta, a que, em vez de uma correção fraterna, se lance a guerrear pelo só afã da guerra.

Quando se diz fortiter in re et suaviter in modo, o católico deve entender forte na verdade e caridoso na expressão.