Após a manutenção provisória de todos os cargos da cúria romana, o Papa Francisco começa a definir a sua equipe. Hoje, conforme anunciado pelo Boletim da Sala de Imprensa, o Cardeal Agostino Vallini foi confirmado como Vigário da Diocese de Roma.
Reitor é nomeado arcebispo.
IHU – O papa Francisco premiou, nesta segunda-feira (13/05), o reitor da Universidade Católica Argentina (UCA), o sacerdote Víctor Manuel Fernández (foto), com o título de “arcebispo”. Por ele, o então cardeal Jorge Bergoglio precisou interceder ao Vaticano para que, em 2011, pudesse assumir esse cargo que exercia dois anos antes.
A reportagem é publicada no sítio Religión Digital, 13-05-2013. A tradução é do Cepat.
A informação da nomeação deste teólogo, de 54 anos, foi confirmada oficialmente em Roma e Buenos Aires. Aqui (na Argentina), foi anunciada pelo núncio apostólico dom Paul Tscherrig, por meio da agência católica AICA. Fernández é o quinto reitor da UCA, uma instituição criada há 54 anos e que hoje conta com 21.000 alunos.
Em maio de 2011, ao assumir formalmente o cargo, Fernández apresentou seu projeto institucional, cujos eixos foram: identidade e espírito, integração, ensino e formação, pesquisa, presença pública e diálogo com a cultura.
“Em meio a este mundo que nos remata na busca de comodidades e interesses mesquinhos, que nos isola e que também a nós crentes sufoca, atrevamo-nos a recuperar o sonho da fraternidade aberta, do reconhecimento do outro, do serviço generoso e gratuito, da saída de si, da missão esperançada”, então, sublinhou.
Apesar do fato de que Fernández atuava como reitor “ad interim”, desde o dia 15 de dezembro de 2009, e de que sua nomeação foi aprovada pela Conferência Episcopal Argentina, objeções da Congregação para a Doutrina da Fé, do Vaticano, impediram que, antes, ele prestasse o juramento de prática.
Fontes universitárias explicaram que essa “trava” ocorreu porque setores leigos locais fizeram chegar suas concepções aos corredores da Cúria Romana. “A Roma chega, o que a Roma vai”, recordaram.
As demoras na aprovação pontifícia obrigaram, inclusive, o próprio cardeal Bergoglio, em janeiro passado, na condição de grande chanceler da UCA, a fazer esforços no Vaticano para destravá-la, oportunidade na qual a cúpula episcopal também se reuniu com o então papa Bento XVI.
Fernández substituiu dom Alfredo H. Zecca, que exerceu a reitoria durante dois períodos, a partir de 1999.
Hoje, a UCA tem 21.000 alunos em 16 faculdades e em outros centros que a universidade possui em Mendoza, Paraná, Rosario e Pergamino. Tem 3.300 docentes e em suas salas se formaram 53.000 graduados.
Além disso, reúne sete institutos de pesquisa e extensão, entre os quais se destacam os de Bioética, Comunicação Social, Matrimônio e Família, Ciência Política e Relações Internacionais, entre outros, além da Escola de Negócios e outros centros de pós-graduação.
Dois meses com um papa “do fim do mundo”.
IHU – A dois meses da eleição de Francisco, que primeira avaliação pode se fazer? Que papa Jorge Mario Bergoglio foi nessas primeiras semanas?
A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, 12-05-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Simpatia e confissões
Em primeiro lugar, é inegável a onda de simpatia para com o novo papa: as presenças nos Ângelus e nas audiências continuam muito altas, com um boom de pedidos à Prefeitura da Casa Pontifícia. Bergoglio parece querer focar muito nesse contato com a multidão, já que dedica a maior parte do tempo justamente passando entre os fiéis amontoados na Praça de São Pedro, a partir dos mais distantes, parando muitas vezes e descendo do papamóvel para saudar.
Comunicado da Sala de Imprensa após queixas do Cardeal Braz de Aviz.
Por Vatican Information Service | Tradução: Fratres in Unum.com – A Congregação para a Doutrina da Fé e a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica têm, por algum tempo, colaborado para uma renovada visão teológica da Vida Religiosa na Igreja. A preocupação da Santa Sé, expressa parcialmente na Avaliação Doutrinal da Leadership Conference of Women Religious nos Estados Unidos, é motivada por um desejo de apoiar a nobre e bela vocação dos religiosos, de modo que o eloquente testemunho da Vida Religiosa possa prosperar na Igreja em prol das futuras gerações.

Dom Gerhard Müller (esquerda) e Dom João Braz de Aviz (direita).
As iniciativas da Santa Sé nesta área dizem respeito principalmente à fé da Igreja e sua expressão na Vida Religiosa. A fé da Igreja — no desígnio amoroso do Pai que enviou o Seu Filho para ser nosso Salvador, na inspiração da Sagrada Escritura, no dom da graça através dos Sacramentos, na natureza da Igreja guiada pelo Espírito Santo — esta fé está no coração dos Conselhos Evangélicos. Ela motiva a paixão pela justiça partilhada por tantas religiosas e religiosos, e ela procura sempre ser exprimida na caridade ativa para com aqueles mais necessitados.
Recentes comentários na mídia sobre observações feitas no domingo, 5 de maio, durante a Assembléia Geral da União Internacional dos Superiores Gerais, pelo Cardeal João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada, sugeriram uma divergência entre a CDF e a Congregação para os Religiosos em seu enfoque sobre a renovação da Vida Religiosa. Tal interpretação das palavras do Cardeal não se justifica. Os Prefeitos de ambas as Congregações trabalham proximamente segundo as suas responsabilidades específicas e têm colaborado ao longo do processo de Avaliação Doutrinal da LCWR. Dom Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e o Cardeal Braz de Aviz se encontraram ontem e reafirmaram o seu comprometimento comum na renovação da Vida Religiosa, e particularmente na Avaliação Doutrinal da LCWR e no necessário programa de seu reforma, de acordo com os desejos do Santo Padre.
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Nota do Fratres: Afirmar-se “consternado” e “com muita dor” pela atuação da CDF — cujos métodos “nós temos que mudar”, já que os responsáveis pelos dicastérios devem “confiar no juízo uns dos outros” — definitivamente não é nenhuma manifestação de harmonia e cooperação. Dizer que “não se justifica” a interpretação feita por qualquer ser pensante só mostra como o Cardeal Braz de Aviz é capaz de colocar, pela enésima vez, a Santa Sé em maus lençóis, a ponto de fazê-la emanar um comunicado que busca negar o óbvio. A nota acima é, evidentemente, fruto da diplomacia curial. Razoável seria, de fato, uma retratação do Cardeal Aviz, o que, sabemos todos nós, seria uma humilhação não prevista no manual de boas maneiras que vigora em Roma. Esse episódio só evidencia, mais uma vez, a completa inaptidão do purpurado brasileiro.
Consternado: Papa Aviz I está tristinho porque foi ignorado pela Congregação para a Doutrina da Fé.
De nossa parte, só podemos desejar que Sua Eminência Reverendíssima passe a confiar mais em seus confrades da Cúria Romana, uma vez que o próprio Papa Francisco confirmou aquilo que Aviz lamenta.
Cardeal do Vaticano questiona decisão de reformar LCWR
Por Catholic Culture | Tradução: Fratres in Unum.com – O prefeito da Congregação para os Religiosos lamentou que o seu dicastério não tenha sido notificado sobre o projeto do Vaticano de exigir reformas na American Leadership Conference of Women Religious (LCWR) [Conferência Americana de Lideranças de Religiosas].
Em abril passado, a Santa Sé nomeou o Arcebispo James Sartain, de Seattle, como delegado do Vaticano para supervisionar a reforma da LCWR, julgando que “a atual situação doutrinal e pastoral da LCWR é grave e matéria de séria preocupação”. A medida do Vaticano veio após uma visitação apostólica da LCWR, que foi conduzida pela Congregação para a Doutrina da Fé. (CDF).
Falando em 5 de maio para um grupo de superiores religiosos, o Cardeal João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Religiosos, afirmou que estava consternado em saber que a CDF havia dado início a um projeto de reforma do grupo americano sem consultar o seu dicastério. Ele declarou que a decisão lhe causou “muita dor”.
“Nós temos que mudar essa maneira de fazer as coisas”, disse o prelado brasileiro, afirmando que os cardeais que trabalham na Cúria Romana devem aprender a confiar no juízo uns dos outros e coordenar os seus projetos.
A franca expressão de insatisfação do cardeal para com outro departamento da Cúria Romana foi uma rara ruptura da costumeira demonstração pública de unidade entre os representantes do Vaticano. O seu chamado por mudanças na atuação da Cúria Romana, entretanto, ecoa declarações feitas por muitos prelados antes do conclave que elegeu o Papa Francisco.
O próprio dicastério do cardeal brasileiro, a Congregação para os Religiosos, realizou a sua própria visitação apostólica separada das ordens religiosas femininas nos EUA. Embora os resultados da investigação ainda não tenham sido finalizados, a congregação sinalizou que não pedirá por quaisquer maiores reformas.
O lamento do Cardeal Braz de Aviz quanto à atuação da CDF vem poucas semanas após esta congregação confirmar que o Papa Francisco deu a sua aprovação à avaliação crítica da LCWR que levou à intervenção da CDF.
A reforma do Papa Francisco.
Entrevista com o Substituto da Secretaria de Estado, S. Ex.ª Rev.ma Dom Angelo Becciu, publicada em L’Osservatore Romano de quarta-feira, 1° de maio de 2013*.

Dom Angelo Becciu.
Fratres in Unum.com - No dia 13 de abril, foi publicada a notícia de que o Papa Francisco constituiu um grupo de oito cardeais para aconselhá-lo no governo da Igreja universal e para estudar um projeto de revisão da Constituição Apostólica Pastor bonus sobre a Cúria romana. A decisão despertou muito interesse, dando lugar a não poucas especulações. Sobre isso falou o Arcebispo Dom Angelo Becciu, substituto da Secretaria de Estado, numa entrevista ao nosso jornal.
Sobre a reforma da Cúria, foram ouvidas muitas vozes: equilíbrio de poderes, moderadores, coordenadores, “superministérios da economia”, revoluções…
De fato, é um pouco estranho: o Papa ainda não encontrou o grupo dos conselheiros que escolheu e já chovem os conselhos. Depois de ter falado com o Santo Padre, posso dizer que, no momento presente, é absolutamente prematuro adiantar qualquer hipótese acerca do futuro arranjo da Cúria. O Papa Francisco está escutando a todos, mas, em primeiro lugar, vai querer escutar os que ele escolheu como conselheiros. Sucessivamente, será esboçado um projeto de reforma da Pastor bonus, reforma essa que, obviamente, deverá percorrer um itinerário próprio.
Papa cria grupo para o aconselhar no governo da Igreja.
Cidade do Vaticano (RV) - O Santo Padre Francisco, atendendo a uma sugestão advinda no decorrer das Congregações Gerais antes do Conclave, constituiu um grupo de Cardeais para lhe aconselhar no governo da Igreja e para estudar um projeto de revisão da Constituição Apostólica Pastor bonus, de Papa João Paulo II, sobre a Cúria Romana.
O grupo é constituído por:
Card. Giuseppe Bertello, Presidente da Governadoria do Estado da Cidade do Vaticano;
Card. Francisco Javier Errazuriz Ossa, Arcebispo emérito de Santiago do Chile;
Card. Oswald Gracias, Arcebispo de Bombay (India);
Card. Reinhard Marx, Arcebispo de Munique e Fresinga (Alemanha);
Card. Laurent Monswengo Pasinya, Arcebispo de Kinshasa (República Democrática do Congo);
Card. Sean Patrick O’Malley. O.F.M. Cap., Arcebispo de Boston (EUA);
Card. George Pell, Arcebispo de Sidney (Austrália);
Card. Oscar Andrés Maradiaga Rodríguez S.D.B., Arcebispo de Tegucigalpa (Honduras),
com a função de Coordenador;
Dom Marcello Semeraro, Bispo de Albano (Itália), com a função de Secretário.
A primeira reunião coletiva do grupo foi fixada para os dias 1º, 2 e 3 de outubro de 2013. Todavia, desde já, Sua Santidade está em contato com integrantes do mencionado grupo.
A primeira nomeação para a Cúria de Francisco.
Compreende-se, pois, um dos motivos pelos quais o Cardeal João Braz de Aviz, prefeito da congregação, foi um dos primeiros a ser recebido em audiência pelo Papa.
Ministro-Geral OFM nomeado secretário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada
Cidade do Vaticano (RV) - O Santo Padre nomeou Secretário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica (cujo Prefeito é o Cardeal brasileiro João Braz de Aviz) o Fr. José Rodríguez Carballo, Ministro-Geral da Ordem Franciscana dos Frades Menores (O.F.M.), elevando-o à sede titular de Belcastro, com dignidade de Arcebispo.
Dom Carballo estava no seu segundo mandato como Ministro-Geral da Ordem, 119° sucessor de São Francisco de Assis. Em novembro de 2012, foi eleito também Presidente da União dos Superiores Gerais.
É membro das Congregações para a Evangelização dos Povos e para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, participou dos Sínodos dos Bispos de 2005, 2008 e 2012, e do Sínodo para o Oriente Médio em 2010; participou também da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano de Aparecida em 2007.
É autor de inúmeros artigos e livros sobre a Vida Consagrada e religiosa, sobre a Teologia Pastoral, sobre a Sagrada Escritura e sobre a espiritualidade franciscana.
Dom Carballo sucede a Dom Joseph William Tobin.
Marini, ressurgindo das cinzas.

Dom Piero Marini em uma de suas últimas presepadas no pontificado de Bento XVI.
O Papa Francisco recebeu em audiência, na manhã de hoje, Dom Piero Marini, o célebre cerimoniário de João Paulo II e discípulo de Annibale Bugnini, que fora defenestrado por Bento XVI para um dicastério insignificante na Cúria Romana.
Ouve-se na imprensa italiana que Marini, de 71 anos, poderia voltar a exercer alguma função importante no pontificado de Francisco, quiçá recebendo a própria chefia da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.
Quem viver, verá.
Papa, bispos e cúria. As reformas que virão.
IHU – Um “conselho da coroa” para assessorar o Papa, com cardeais dos cinco continentes. Uma drástica redução dos escritórios. Um giro para o IOR. As novidades e as incógnitas do pontificado de Francisco.
A reportagem é de Sandro Magister e publicada no sítio Chiesa.it, 21-03-2013. A tradução é do Cepat.
Na mesma tarde em que foi eleito, João XXIII nomeou o seu novo secretário de Estado. Tratava-se do grande diplomata Domenico Tardini, nessa época um simples sacerdote, nem bispo nem cardeal.
Mas isso faz parte da pré-história, em comparação com o terremoto de hoje.
O Papa Francisco chegou a Roma “do fim do mundo” e está inovando no modo de governar, a Igreja do alto, começando por sua pessoa. A reforma da cúria virá, como virão muitas outras coisas, mas depois de “um certo tempo”, avisou.







"... muitos dos que se dizem católicos ajudam os «revolucionários» . São esses, sempre «moderados», que estimam a «tranquilidade pública» como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mal humor para os que gritam «Viva a Religião!» e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são «exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja» ".
Que tenho eu, Senhor Jesus, que não me tenhais dado?… Que sei eu que Vós não me tenhais ensinado?… Que valho eu se não estou ao vosso lado? Que mereço eu, se a Vós não estou unido?… Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido. Pois me criastes sem que o merecesse… E me redimistes sem que Vo-lo pedisse… Muito fizestes ao me criar, muito em me redimir, e não sereis menos generoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramastes e a acerba morte que padecestes não foram pelos anjos que Vos louvam, senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço… - Padre Mateo Crawley-Boevey