Posts tagged ‘Cúria Romana’

20 setembro, 2014

Sínodo: como eu o manobro.

Por Marco Tosatti – La Stampa | Tradução: Fratres in Unum.com – O Sínodo sobre a Família abordará muitas coisas, mas a mídia provavelmente vai falar sobre uma só: da possibilidade de pessoas casadas na Igreja, divorciadas (sem o reconhecimento da nulidade do vínculo anterior) e recasadas receberem a comunhão.

Ocorre já um certo número de casos em que sacerdotes, mesmo entre os “conservadores”, examinam a situação pessoal e tomam para si a responsabilidade de dizer: comungue, mas de forma discreta. Isso desde os tempos de João Paulo II.

Mas de qualquer forma! O Cardeal Kasper, que já há vinte anos tinha sua própria idéia a esse respeito, não acolhida nos pontificados de João Paulo e Bento, viu na ascensão de Bergoglio a oportunidade de apresentá-la novamente. Apesar do fato de que de Manila a Berlim, de Nova York a África, a grande maioria de seus colegas tenha, mais uma vez, reafirmado a doutrina da Igreja, baseada, aliás, nas palavras de Jesus; um dos poucos casos em que a afirmação aparece nítida, clara e definitiva, não colocada em dúvida sequer pelos mutiladores profissionais de textos…

Em suma, as coisas para Kasper & Companhia não tinham ambiente para se inserir muito bem. Mas talvez houvesse uma maneira de ajudá-los. E tentar impedir que as vozes irritantes façam muito barulho.

O primeiro ponto consiste em pedir que as intervenções escritas sejam entregues com antecedência. Isso foi feito. Até 8 de setembro, quem queria intervir no Sínodo deveria enviar o seu pequeno discurso.

Segundo: ler atentamente todas as intervenções, e, em caso de que algumas delas serem particularmente picantes, dar a palavra a um orador que, antes da intervenção espinhosa, buscasse já responder, no todo ou em parte, aos problemas levantados pela própria intervenção.

Terceiro: se alguma intervenção parecer realmente problemática, dizer que, infelizmente, não há tempo para dar a palavra a todos, mas que o texto foi recebido e permanece nas atas, e com certeza isso será tido em conta na elaboração final.

E, com efeito, não é tanto o Sínodo que será importante, mas a síntese a ser preparada, e que trará a assinatura do Papa como “exortação pós-sinodal”. É muito provável que não será um texto claro e definitivo, mas baseado sobre uma interpretação “flutuante”. De modo que qualquer um ao lê-lo possa se aproveitar da parte que mais lhe convém.

Humilde observação de um pobre cronista: mas se alguém tem um plano tão elaborado e astuto, por que falar sobre ele diante de verdadeiros estranhos durante um suntuoso jantar?

20 setembro, 2014

Papa cria Comissão para estudar reforma do procedimento de nulidade matrimonal.

É o que anuncia o Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé hoje. O propósito da reforma se insere no contexto do Sínodo que se inicia no próximo mês, isto é, proceder uma simplificação do atual processo.

Entre os membros da Comissão, não consta o nome do Cardeal Raymond Leo Burke, prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e um dos maiores canonistas atualmente na Igreja. O tribunal chefiado por Burke é a segunda instância, superior, ao tribunal da Rota Romana, que cuida das causas de nulidade matrimonal. Ou seja, sua presença na Comissão seria mais do que natural…

11 setembro, 2014

A nomeação de Danneels para o Sínodo sobre a família e o silêncio descarado da mídia.

Por Il Blog di Raffaella | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – Caros amigos, eu fiz uma busca pelos meandros da internet e percebi que não se encontra um só artigo comentando a nomeação do ex-primaz da Bélgica, o Cardeal Danneels, para o sínodo sobre a família programado para o próximo mês, no Vaticano.

Não é a minha intenção me lançar contra essa pessoa (além disso… quem sou eu para julgar?) Mas eu gostaria de analisar e denunciar o comportamento da mídia.

Em 2010, ele esteve envolvido no escândalo da pedofilia que explodiu na Bélgica e foi acusado dos telhados. O blog tem todos os artigos da época assinalados mais abaixo. Mesmo em 2013, às vésperas do conclave, muitos meios de comunicação insistiram na necessidade de “excluir” três cardeais eleitores pelos motivos listados abaixo.

Entre eles estava também o ex-primaz da Bélgica, que de qualquer modo acabou participando do conclave e saiu exultante pelo resultado da eleição. Não só isso, ele até recitou uma oração na Missa de inauguração do pontificado do Papa Francisco como o primeiro dos cardeais presbíteros.

E desde aquele momento começamos a sentir o fedor de queimado da mídia, porque os ataques contra ele e outro cardeal candidato “jornalístico” [a articulista se refere ao Cardeal Roger Mahony, Arcebispo Emérito de Los Angeles] à exclusão do conclave cessaram quase imediatamente quando apenas há alguns dias antes estavam muito ativas no Twitter.

Vocês se lembram dos artigos moralistas e de cronistas “escandalizados” com a idéia de que alguns cardeais poderiam escolher o novo papa? Tudo isso caiu no esquecimento.

No entanto, eu pensava que jamais chegariam ao ponto de fazer uma nomeação como a de Danneels, feita ontem, ao menos por respeito a Bento XVI, alvo número um das setas da mídia.

Sim, meus caros amigos, agora podemos dizer claramente: o escândalo de pedofilia que explodiu em 2010 a nível mundial tinha e tem apenas um um alvo: Joseph Ratzinger.

Hoje, que ele é carta fora do baralho, é possível fazer qualquer tipo de nomeação porque ninguém vai mais contestar por consideração às vítimas que antes, com boa fé, protestavam.

Esse é um tema que me toca de maneira especial porque esse blog construiu um dossiê completo sobre a luta contra a pedofilia na Igreja por parte de Ratzinger, cardeal e papa.

Pena que este trabalho tornou-se uma resposta para a mídia e não uma forma de ajudar as vítimas como Bento XVI tanto queria.

Dói mesmo perceber e ter provas de que o pontificado de Bento XVI teria tido um resultado muito diferente e muito menos problemas” se a mídia (e sabe-se lá quem mais dentro e fora da igreja…) não tivessem decidido entravá-lo desde o dia 19 de abril de 2005.

A nomeação de Danneels… no que me diz respeito, é mais um outro ponto de não retorno.

Vamos ler novamente os artigos que proponho mais abaixo para recordar o clima de um determinado período e para verificar como os tempos mudaram, embora não tenha mudado sequer uma virgula na Igreja, a não ser a considerada “percepção” da mesma e, obviamente, o Papa.

E surge então a pergunta: o que teria acontecido se um colaborador do colaborador do substituto de um vigário amigo de um conhecido do Papa Bento XVI tivesse apenas cogitado em nomear Danneels?

LO SPECIALE DEL BLOG SUL CASO PEDOFILIA IN BELGIO (CON GLI ARTICOLI CHE RIGUARDANO LA VICENDA DEL CARDINALE DANNEELS)

ALTRI ARTICOLI:

Col Conclave arriva al pettine il nodo degli abusi, combattuti da Ratzinger tra critiche più o meno velate di importanti esponenti del collegio cardinalizio (Galeazzi)


Scicluna: Votino anche i cardinali discussi ma non li assolvo. In conclave non ci sarà il card. O’Brien (Izzo)

Pedofilia, i cardinali elettori che imbarazzano il Vaticano. Il coraggiosissimo articolo di Franca Giansoldati

9 agosto, 2014

E a Cúria ainda pulsa.

Dois documentos mostram que a Cúria ratzingeriana ainda suspira. As sugestões da Congregação para o Culto Divino quanto ao “sinal da paz” e o novo diretório da Congregação para o Clero para os padres.

Vaticano pede mais moderação no sinal da paz na missa

VATICANO, 04 Ago. 14 / 01:55 pm (ACI/EWTN Noticias).- A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em uma recente carta circular, anunciou que a localização do sinal da paz dentro da missa não mudará, mas sugeriu várias formas nas quais o rito poderia ser realizado com maior dignidade.

Em um comunicado difundido em 28 de julho, o secretário geral da Conferência Episcopal Espanhola, Pe. José María Gil Tamayo, indicou aos bispos locais que “a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos se pronunciou a favor de manter o ‘rito’ e o ‘sinal’ da paz no lugar onde se encontra hoje no Ordinário da Missa”.

O Pe. Gil Tamayo anotou que isso foi feito porque o rito da paz é “característico do rito romano” e “por não crer que seja conveniente para os fiéis introduzir mudanças estruturais na Celebração Eucarística, no momento”.

O sinal da paz é realizado depois da consagração e justo antes da recepção da Comunhão. Foi sugerido que mudasse para antes da apresentação dos dons.

O comunicado do Pe. Gil Tamayo foi enviado aos bispos espanhóis, e serve de prefácio à carta circular da Congregação para o Culto Divino, que foi assinada em 8 de junho deste ano pelo Cardeal Antonio Cañizares Llovera, seu prefeito, e seu secretário, Dom Arthur Roche.

A carta circular tinha sido aprovada e confirmada no dia anterior pelo Papa Francisco.

A carta fez quatro sugestões concretas sobre como a dignidade do sinal da paz deve ser mantida contra os abusos.

O Pe. Gil Tamayo explicou que a carta circular é um fruto do sínodo dos Bispos sobre a Eucaristia, em 2005, no qual se discutiu a possibilidade de mover o rito.

“Durante o Sínodo dos bispos se viu a conveniência de moderar este gesto, que pode adquirir expressões exageradas, provocando certa confusão na assembleia precisamente antes da Comunhão”, escreveu Bento XVI em sua exortação apostólica pós-sinodal “Sacramentum caritatis”.

Bento XVI acrescentou que “pedi aos dicastérios competentes que estudem a possibilidade de mover o sinal da paz a outro lugar, tal como antes da apresentação dos dons no altar… levando em consideração os antigos e veneráveis costumes e os desejos expressos pelos Padres Sinodais”.

Uma inspiração para a mudança sugerida foi a exortação de Cristo em Mateus 5,23, que “se lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão”. Também teria levado o rito à conformidade, nesse aspecto, com o rito ambrosiano, celebrado em Milão (Itália).

O Caminho Neocatecumenal, um movimento leigo na Igreja, já moveu o sinal da paz em suas celebrações do rito romano, para antes da apresentação dos dons.

A decisão da congregação vaticana de manter o lugar do sinal da paz foi o fruto do diálogo com os bispos do mundo, que começou em 2008, e em consulta tanto com Bento XVI como com o Papa Francisco.

A Congregação para o Culto Divino disse que “oferecem-se algumas disposições práticas para expressar melhor o conteúdo do sinal da paz e para moderar os excessos, que suscitam confusão nas assembleias litúrgica antes da Comunhão”.

“Se os fiéis não compreendem e não demonstram viver, em seus gestos rituais, o significado correto do rito da paz, debilita-se o conceito cristão da paz e se vê afetada negativamente sua própria frutuosa participação na Eucaristia”.

Sobre esta base, a congregação ofereceu quatro sugestões que procuram formar o “núcleo” de catequese sobre o sinal da paz.

Primeiro, enquanto confirma a importância do rito, enfatiza que é “totalmente legítimo afirmar que não é necessário convidar ‘mecanicamente’ para se dar a paz”.

O rito é opcional, recordou a congregação, e certamente há vezes e lugares em que não encaixa.

Sua segunda recomendação foi que como as traduções são feitas da típica terceira edição do Missal Romano, as Conferências dos Bispos devem considerar “se é oportuno mudar o modo de se dar a paz estabelecido em seu momento”. Sugeriu em particular que “os gestos familiares e profanos de saudação” devem ser substituídos com “outros gestos, mais apropriados”.

A Congregação para o Culto Divino também assinalou que há muitos abusos do rito, que devem ser detidos: a introdução de um “canto para a paz”, que não existe no rito romano; Os deslocamentos dos fiéis para trocar a paz; Que o sacerdote abandone o altar para dar a paz a alguns fiéis; e quando, em algumas circunstâncias tais como matrimônios ou funerais, torna-se uma ocasião para felicitações ou condolências.

A exortação final da congregação vaticana foi que as conferências episcopais preparem catequeses litúrgicas sobre o significado do rito da paz e sua correta observação.

“A íntima relação entre lex orandi (lei da oração) e lex credendi (lei da fé) deve obviamente estender-se a lex vivendi (lei da vida)”, concluiu a carta da congregação.

“Conseguir hoje um compromisso sério dos católicos frente à construção de um mundo mais justo e pacífico implica uma compreensão mais profunda do significado cristão da paz e de sua expressão na celebração litúrgica”.

* * *

O novo diretório para os padres

A nova edição do Diretório para o Ministério e a vida dos Presbíteros, embora seja um trabalho realizado sob o comando do ex-prefeito Cardeal Piacenza, datado de 2013 e aprovado ainda por Bento XVI, foi publicado no início do pontificado do Papa Francisco. Assim a Congregação apresentava o documento: “Porém, se é verdade que a Igreja existe, vive e se perpetua no tempo por meio da missão evangelizadora (Cf. CONCÍLIO VATICANO II, Decreto Ad Gentes), parece claro que, por isso mesmo, o efeito mais prejudicial causado pela difusão da secularização é a crise do ministério sacerdotal, crise que, por um lado, se manifesta numa sensível redução das vocações, e, por outro, na propagação de um espírito de verdadeira e própria perda do sentido sobrenatural da missão sacerdotal, formas de inautenticidade que, nas degenerações mais extremas, em não poucas vezes, deram origem a situações de graves sofrimentos. Por este motivo, a reflexão sobre o futuro do sacerdócio coincide com o futuro da evangelização e, portanto, da própria Igreja”.

Vale destacar a abordagem do diretório sobre o hábito eclesiástico [que, quando fala em veste talar, está a se referir à nobre e famosa batina dos sacerdotes seculares]:

61. Numa sociedade secularizada e de tendência materialista, em que também os sinais externos das realidades sagradas e sobrenaturais tendem a desaparecer, sente-se particularmente a necessidade de que o presbítero – homem de Deus, dispensador dos seus mistérios – seja reconhecível pela comunidade, também pelo hábito que traz, como sinal inequívoco da sua dedicação e da sua identidade de detentor de um ministério público. O presbítero deve ser reconhecido antes de tudo pelo seu comportamento, mas também pelo vestir de maneira a ser imediatamente perceptível por cada fiel, melhor ainda por cada homem, a sua identidade e pertença a Deus e à Igreja.

O hábito talar é sinal exterior de uma realidade interior: «efetivamente, o presbítero já não pertence a si mesmo, mas, pelo selo sacramental por ele recebido (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 1563 e 1582), é “propriedade” de Deus. Este seu “ser de Outro” deve tornar-se reconhecível por parte de todos, através de um testemunho límpido. [...] No modo de pensar, falar, julgar os acontecimentos do mundo, servir e amar, e de se relacionar com as pessoas, também no hábito, o presbítero deve haurir força profética da sua pertença sacramental».

Por este motivo, o clérigo, bem como o diácono transitório, deve:

a) trazer o hábito talar ou «um hábito eclesiástico decoroso, segundo as normas emanadas pela Conferência Episcopal e segundo os legítimos costumes locais»; isto significa que tal hábito, quando não é o talar, deve ser diverso da maneira de vestir dos leigos e conforme a dignidade e sacralidade do ministério. O feitio e a cor devem ser estabelecidos pela Conferência dos Bispos.

b) Pela sua incoerência com o espírito de tal disciplina, as praxes contrárias não possuem a racionalidade necessária para que se possam tornar costumes legítimos e devem ser removidas pela autoridade eclesiástica competente.

Salvas situações excepcionais, o não uso do hábito eclesiástico por parte do clérigo pode manifestar uma consciência débil da sua identidade de pastor inteiramente dedicado ao serviço da Igreja.

Além disso, a veste talar – também pela forma, cor e dignidade – é especialmente oportuna, porque distingue claramente os sacerdotes dos leigos e dá a entender melhor o caráter sagrado do seu ministério, recordando ao próprio presbítero que, sempre e em qualquer momento, é sacerdote, ordenado para servir, para ensinar, para guiar e para santificar as almas, principalmente pela celebração dos sacramentos e pela pregação da Palavra de Deus. Vestir o hábito clerical serve, ademais, para a salvaguarda da pobreza e da castidade.

22 julho, 2014

O Papa e os “cardeais pedófilos”: outro indício de que Francisco está em guerra com o Vaticano.

Por Damian Thompson – The Spectator | Tradução: Fratres in Unum.com – A bomba de hoje no The Catholic Herald diz: ‘Vaticano em polvorosa enquanto o Papa Francisco concede uma nova entrevista explosiva’. A entrevista, com La Repubblica, citava Francisco dizendo que seus conselheiros lhe teriam dito que dois por cento do clero eram pedófilos — incluindo ‘bispos e cardeais’. The Independent correu com a manchete: ‘Papa Francisco: ‹‹ um em 50 ›› padres, bispos e cardeais católicos é pedófilo’.

O que me fascina é a reação da Sala de Imprensa do Vaticano, que mergulhou totalmente no modo “Não entre em pânico”. Pe. Federico Lombardi, o desafortunado porta-voz, observou que o entrevistador de La Repubblica, Eugenio Scalfari, (a) não usou um gravador, (b) não tomou notas, mas confiou em sua memória e (c) tem 90 anos de idade.

O que é tudo a verdade. Mas também é verdade que no último mês de setembro, Francisco deu uma primeira entrevista a Scalfari — um ateu, diga-se de passagem –, nas mesmíssimas condições. O que produziu manchetes sensacionalistas: Francisco supostamente chamou a corte do Vaticano de ‘a lepra do papado’, e o pobre Lombardi teve que correr dizendo, espere aí!, não havia notas, Scalfari é velho, etc.

Então, por que Francisco recorreu de novo a Scalfari? Eu estimo que a impossibilidade de se checar as citações lhe cai bem. Ele pode expressar suas opiniões de que o Vaticano está se arrastando com bajuladores de duas caras e que os pervertidos sexuais são tão numerosos no clero a ponto de alcançar o nível de um cardeal — embora reserve para si espaço de manobra ao permitir a possibilidade de que foi citado erroneamente. Ele é um jesuíta, no fim das contas. Assim como Lombardi, mas é óbvio quem está sendo mais jesuítico aqui.

O pano de fundo para isso é a guerra do Papa ao Vaticano. Eu acho que ele odeia aquele lugar. E é interessante que ele tenha colocado enorme poder nas mãos do Cardeal George Pell, que também é cheio de desprezo pelos gananciosos carreiristas de lá. Minha aposta é que as reformas, quando vierem, serão brutais.

20 maio, 2014

Atingido e afundado. A destituição de um bispo argentino anti-Bergoglio.

Por Sandro Magister | Tradução: Fratres in Unum.com – Segunda-feira, 19 maio, na mesma manhã do dia da abertura da assembleia plenária da Conferência Episcopal Italiana, iniciada no período da tarde por um discurso do papa em pessoa, um breve comunicado deu a notícia da destituição de um arcebispo do primeiro escalão na pátria de Jorge Mario Bergoglio:

“O Santo Padre Francisco nomeou membro da Congregação para a Doutrina da Fé, na comissão a ser erigida para exame de recursos de clérigos [condenados] por ‘delicta graviora’, Dom José Luis Mollaghan, até agora arcebispo de Rosario (Argentina)”.

Rosario é uma diocese de dois milhões de habitantes e Mollaghan, 68 anos, não era, certamente, um personagem em final de carreira.

Mas sua saída abrupta da Argentina, sua convocação a Roma sob controle imediato do papa e, especialmente, seu confinamento em um fantasmático escritoriozinho curial que ainda nem existe, mas que está apenas “sendo erigido”, tudo diz que o golpe é daqueles definitivos.

Para compreender o porquê dessa decisão punitiva tomada pelo Papa Francisco contra um dos mais importantes bispos argentinos, é útil consultar a mais precisa e confiável biografia do atual papa: “Francesco, vita e rivoluzione”, escrita pela jornalista argentina Elizabeth Piqué e publicada na Itália por Lindau.

No capítulo em que analisa os adversários do então cardeal Bergoglio na Igreja argentina, Mollaghan está entre os mais ávidos, juntamente com o arcebispo de La Plata, Héctor Aguer, e o núncio apostólico, Adriano Bernardini. Eles acusavam Bergoglio de não defender a verdadeira doutrina, de fazer gestos pastoral demasiado ousados, de ser suave para com o governo.

Em Roma, seus pontos de apoio foram o cardeal Leonardo Sandri e Angelo Sodano, este último amigo do ex-embaixador argentino junto à Santa Sé, Esteban “Cacho” Caselli, personagem muito controverso, ainda registrado no Anuário Pontifício como Cavaleiro de Sua Santidade.

Escreveu Elizabeth Piqué:

“É neste contexto que, entre o final de 2005 e início de 2006, o ataque contra Bergolgio, que acompanhei de perto como correspondente do jornal ‘La Nación’, chega a um momento culminante: Bernardini e seus amigos da cúria intervieram diretamente na nomeação de vários bispos de perfil conservador. Entre eles, o arcebispo de Rosario, José Luis Mollaghan, e o de Resistencia, Fabriciano Sigampa. As nomeações suscitaram grande desconforto no episcopado argentino.

“Nem Mollaghan nem Sigampa foram propostos na sondagem preliminar feita pelos bispos argentinos: foram impostos seguindo as orientações da Secretaria de Estado na terna [ndr: lista com três nomes] apresentada ao papa por Bernardini. A intervenção, segundo várias fontes, está relacionada com a velha amizade entre Sodano e Caselli. Mesmo quando deixa de ser embaixador, Caselli mantém uma relação direta com Monsenhor Maurizio Bravi, funcionário da Segunda Seção da Secretaria de Estado, que trata principalmente na Argentina e que, por sua vez, tem uma relação estreita com o cardeal Sandri, que também é argentino, então número três da estrutura do Vaticano como substituto da Secretaria de Estado do Vaticano”.

Dos três bispos argentinos mencionados acima, Sigampa está aposentado há dois anos e vimos o que aconteceu com Mollaghan. Permanece em seu posto o de La Plata, Aguer. Mas seu destino está selado.

19 maio, 2014

Pedimos aos bispos uma moratória a respeito das entrevistas.

Por Giuseppe Tires – La Nuova Bussola Quotidiana | Tradução: Fratres in Unum.com - Gostaria de fazer uma simples proposta: que bispos e cardeais não dêem mais entrevistas de qualquer gênero, para nenhum jornal. Ao menos por algum tempo. Tirem um período sabático. Nós, simples fiéis, temos direito a um black-out, um período de silêncio midiático dos nossos pastores para nos recuperarmos da confusão e do desconcerto. Não dá mais!

Não é necessário que cardeais e bispos continuamente dêem “a sua” sobre cada coisa, que se contradigam mutuamente, que se critiquem uns aos outros nos jornais, que manifestem as suas opiniões pessoais, que façam revelações de coisas protegidas pelo segredo, que antecipem as conclusões de um Sínodo que ainda deve começar, que dêem um juízo sobre isto ou aquilo, que revelem o que dirá a próxima encíclica do Papa, com fugas de notícia, antecipações, interpretações, admonições, previsões. Os fiéis estão desorientados.

O cardeal Kasper está continuamente falando da comunhão aos recasados e de mil outras questões, gira o mundo fazendo conferências e dando entrevistas como se fosse o chefe de um partido que se prepara para fazer guerra no próximo Sínodo. O cardeal Maradiaga criticou o seu colega, Müller, não em um colóquio privado, mas nas páginas do Tegespost. Não se podia ter encontrado pessoalmente com ele e bater um papo? Agora, Dom Galantino está chocando a todos com frases que são pelo menos ambíguas e desorientantes.

Dentro do restrito grupo dos cardeais encarregados da reforma da cúria não existem externações inoportunas. E se trata de um pool de cardeais com uma enorme responsabilidade em mãos.

Todos já entendemos que entre os cardeais existem mil posições sobre os temas do próximo Sínodo. Nunca se viu tanta fofoca antes de um Sínodo. Por que não ficam quietos e as coisas que devem ser ditas não as dizem no Sínodo? Senão, por que não se reúnem e não as dizem à portas fechadas? Os fiéis estão alarmados e muitos temem que estas fofocas continuem também durante o Sínodo. Não é um belo exemplo de responsabilidade. Por aquilo que eles tratam com desenvoltura nas entrevistas aos jornais, os fiéis dão a vida. Depois, se diz que o Papa fará a síntese. Mas também isso tem o risco de deformar as coisas: como se o Papa fosse aquele que intermedia entre as posições de um confronto, e a verdade, que o Sínodo ensinará, será apenas o fruto de uma síntese dialética.

Neste último período, bispos e cardeais estão parecendo uns políticos, que falam entre si em códigos, através dos jornais. Criticam-se as indiscrições dos juízes que, diz-se, deveriam falar apenas mediante os atos. Por que os bispos e cardeais não fazem o mesmo? Falem com declarações, com mensagens, com homilias, com cartas pastorais, em suma, com atos de magistério, não com quatro piadas improvisadas diante do microfone de um jornalista. Façam-no ao menos por algum tempo, para que nos recuperemos da confusão.

Há quem diga: mas isso não é magistério. Ok, mas então por que os pastores — ou seja, o magistério — se servem destes meios? A inflação das fofocas não ajuda, o povo não tem sempre as condições de distinguir, as instrumentalizações são uma emboscada, a inflação das entrevistas neutraliza a sua importância, de tal modo que as intervenções realmente importantes também serão interpretadas depois como fofocas. Os bispos e os cardeais devem falar pouco para que, exatamente por causa disso, depois, aquilo que dizem tenha um peso.

É assustador que, depois de ter constatado ao longo destas décadas o quanto podem pesar as deformações que a mídia lança sobre as coisas de fé — conseguiram deformar totalmente um Concílio —, concedam ainda entrevistas inconseqüentes para depois terem de contorcer-se na dança dos desmentidos, quando o dano será irreparável. Não se entende esta agitação exibicionista por parte de homens de grande responsabilidade na Igreja, não se entende quem e que coisas querem provocar, não se compreende esta concessão às lógicas do mundo e ao espetáculo.

O caso do Vatileaks estourou faz pouco tempo, mas isso também é um tipo de Vatileaks, uma contínua goteira de indiscrições, flechadas indiretas, ambigüidades, conceitos formados praticamente no barbeador, afirmações e desmentidos. E o peso cai sobre os fiéis.

O meu pedido é humilde. Não sou ninguém. Mas, por favor, senhores cardeais e bispos, parem com as entrevistas. Pelo menos por um tempo.

2 maio, 2014

Reforma da Cúria encontra cada vez mais resistências.

IHU – O Papa Francisco reuniu entre os dias 28 a 30 de abril o seu “C8″, os oito cardeais que o aconselham para a reforma da Cúria Romana. Responsáveis dentro da administração vaticana tentam frear a reorganização em curso. As iniciativas do novo papa não encontram unanimidade, mas a sua popularidade e a sua determinação dificultam qualquer resistência real.

A reportagem é de Sébastien Maillard, publicada no jornal La Croix, 29-04-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Os rumores correm desde o início do novo pontificado. A Cúria Romana freia as reformas iniciadas pelo Papa Francisco. O último exemplo disso veio na sessão de trabalho do “C8″, o conselho de oito cardeais externos à Curia do qual o papa jesuíta se cercou expressamente para reformar o governo da Santa Sé.

Em pauta – e certamente assim será também na próxima sessão no início de julho – está inscrita a racionalização dos 12 Pontifícios Conselhos, os dicastérios (equivalentes a pequenos ministérios) que, com nove congregações (para aDoutrina da Fé, as Causas dos Santos, o Culto Divino etc.) constituem a Cúria.

O elevado número de tais conselhos, o intrincamento das suas áreas de competência e a sua falta de coordenação foram destacados, particularmente durante os debates que antecederam o último conclave. Por exemplo, aqueles que tratam de questões sociais, como a saúde, os migrantes, o “Cor unum” (que trabalha contra a pobreza) e o “Justiça e Paz”, poderiam se fundir. Ou ao menos ser unidos em um único polo, com um coordenador.

Mas, na prática, nenhum chefe de dicastério deseja ver desaparecer o seu próprio ente. “O nosso presidente toma todas as iniciativas possíveis para se mostrar absolutamente necessário”, observa, sorrindo, um prelado que trabalha em um Pontifício Conselho. Um zelo para melhor resistir à diminuição das estruturas romanas desejada pelo Papa Francisco.

Outros se voltam diretamente para as pessoas próximas ao novo papa para defender a sua administração. Por exemplo, o cardeal Fernando Filoni, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, que falou com o cardealOscar Maradiaga, coordenador do “C8″, durante a última sessão, para tentar manter prerrogativas financeiras no seu dicastério.

A reunificação destas últimas dentro de um novo “Secretariado para a Economia” provocou intervenções na direção contrária por parte da Secretaria de Estado, onipotente com o Papa Bento XVI. De acordo com diversas fontes, o secretário de Estado da Santa Sé, o cardeal Pietro Parolin, tem sido pressionado pela sua equipe para tentar, em vão, não perder o controle das finanças em benefício do novo secretário para a economia, o cardeal australiano George Pell.

Mas a resistência na Cúria não se concentra só na reforma da qual ela é objeto. Visa também ao próprio Papa Francisco, cujo estilo e cujos modos não encontram unanimidade. “Criticar o papa não é algo que se costuma fazer quando se trabalha na Santa Sé”, observa uma fonte entre os colaboradores.

Por exemplo, toda a semana de retiro em silêncio no início da Quaresma, imposta fora de Roma pelo papa, não convenceu todos os presentes. Até então, eles estavam bastante acostumados a se contentar com um breve período espiritual dentro da sua agenda de trabalho.

Para além dessas iniciativas, as críticas internas ao novo papa também dizem respeito a assuntos de fundo. E não só dentro da Cúria. O consistório extraordinário sobre a família convocado para o fim de fevereiro passado pelo papa mostrou isso claramente. A divisão dos cardeais, que lá discutiram principalmente sobre o problema do acesso aos sacramentos dos divorciados em segunda união, mostra a sua hesitação antes de seguir o papa no caminho de uma evolução nessa matéria.

“Os bispos se irritam ao ver a sua autoridade posta em discussão, contestada, porque se opõe a eles o que o papa diz”, é o que Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio, ouve dos seus contatos: “Para eles,Francisco tira a verticalidade da Igreja”.

“Muitos dos altos prelados da Cúria eram intocáveis”, acrescenta o padre Jean-Paul Muller, tesoureiro-geral dos salesianos: “Vendo esse papa tão próximo e acessível das pessoas, eles se assustam, porque entendem que já não são mais intocáveis, que ele vai questioná-los, que vai lhes pedir contas”.

“Se o conclave fosse refeito, ele não seria mais reeleito”, afirma um cardeal eleitor da Cúria, que participou do último conclave. Mas não é apenas nos mais altos escalões da Igreja que há pessoas que aceitam a mudança de má vontade. Os empregados do Vaticano também se preocupam. Chegou a hora do rigor, agora que o verdadeiro estado das finanças foi exposto claramente depois das auditorias externas dos grandes escritórios internacionais.

Desde fevereiro, as novas contratações estão bloqueadas, as horas extras não são mais pagas, e foi introduzida a obrigação de “bater o cartão”. A progressão na carreira não parece estar mais garantida como antes. Daí se percebe um clima social que une o descontentamento com a tradição de lealdade em relação ao pontífice.

Nesse ambiente, o Papa Francisco, ao invés, continua, lenta mas seguramente. “Ele não se precipita em nada. Prorrogou os cargos de muitas pessoas. De longe, a impressão que se tem é de que tudo continua sendo um pouco vago, mas isso é estratégico para o seu sucesso. Ele está convencido do fundamento das reformas e sente desde a sua eleição uma expectativa por parte do restante da Igreja a esse respeito”, garante Michel Roy, secretário-geral daCáritas.

“Tornou-se muito difícil resistir a esse papa”, afirma o padre Muller, porque, se Bento XVI estava sozinho, Franciscotem o povo do seu lado, e essa é a sua força”.

1 abril, 2014

Vaticano: Papa reuniu-se com chefes dos dicastérios da Cúria Romana.

Cidade do Vaticano, 01 abr 2014 (Ecclesia) – O Papa Francisco encontrou-se hoje no Vaticano com os chefes dos dicastérios da Cúria Romana, anunciou a sala de imprensa da Santa Sé.

O comunicado oficial refere que a reunião de trabalho teve como objetivo informar sobre o modo como a exortação apostólica Evangelii Gaudium se tem refletido na atividade dos organismos centrais do governo da Igreja Católica e “as perspetivas que se abrem à sua implementação”.

A reunião decorreu na sala Bolonha do palácio apostólico do Vaticano, esta manhã, durante cerca de duas horas e meia.

A exortação apostólica ‘Evangelii Gaudium’ (A alegria do Evangelho), primeiro documento do género escrito pelo Papa, apresenta o projeto de uma “nova etapa de evangelização”, nos próximos anos.

O texto publicado em novembro de 2013 retoma as principais preocupações manifestadas por Francisco desde o início do seu pontificado e fala numa Igreja “em saída” e atenta às “periferias”, bem como a “novos âmbitos socioculturais”.

A exortação apostólica refere-se a uma “conversão do papado” e questiona uma “centralização excessiva” que complica a vida da Igreja e a sua dinâmica missionária.

O Papa repete o desejo de “uma Igreja pobre”, “ferida e suja” após sair à rua, porque “uma fé autêntica – que nunca é cómoda nem individualista – comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores”.

“Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos”, adverte.

12 março, 2014

Aviso de condenação para o número dois da nunciatura na Itália. Mas quando e como, sabe-o somente o Papa.

Vale a pena lembrar que, entre os acusados na listra de don Patrizio Poggi, estava um dos cerimoniários Pontifícios, o conhecidíssimo Monsenhor Camaldo.

Por Sandro Magister | Tradução: Fratres in Unum.com - Já faz um ano que não há paz na nunciatura da Santa Sé na Itália.

Entre o Papa Francisco e o núncio Adriano Bernardini as relações são geladas. Jorge Mario Bergoglio o conhece bem e não o perdoou. Quando Bernardini era núncio na Argentina, entre 2003 e 2011, era o primeiro da fila de oposição ao então arcebispo de Buenos Aires, fazendo, entre outras coisas, trinta e cinco novos bispos, quase todos contra as suas indicações e expectativas.

Mas, agora, está na mira do papa o número dois da nunciatura, Monsenhor Luca Lorusso (na foto).

E está na mira publicamente, com o Papa que lhe apontou o dedo para geral reprovação, nada mais, nada menos, que na sala Nervi, diante dos bispos e do clero da Diocese de Roma, ali convocados em 6 de março, para o tradicional encontro de início da quaresma.

Na transcrição oficial do discurso de Francisco, a reprovação de Lorusso não aparece. Mas todos a escutaram e o site do vicariato de Roma a reportou.

O Papa falou textualmente, logo depois da saudação do cardeal vigário Agostino Vallini e antes de iniciar o discurso propriamente dito:

“Tocou-me muito, e compartilhei a dor de alguns de vocês, mas de todo o presbitério (sic!), pelas acusações feitas contra um grupo de vocês; falei com alguns que foram acusados e vi a dor causada por estas feridas injustas, uma loucura, e quero dizer publicamente que eu estou próximo ao presbitério, porque os acusados não são sete, oito ou quinze, mas todo o presbitério. Quero pedir-lhes desculpa não tanto como bispo de vocês, mas como papa, por eu ser encarregado do serviço diplomático, porque um dos acusadores é do serviço diplomático. Mas isto não foi esquecido, o problema está sendo estudado, para que esta pessoa seja afastada. Está se procurando o modo, é um ato grave de injustiça e lhes peço desculpas por isso”.

Francisco não deu os nomes, mas as referências a fatos e pessoas eram fulgurantes.

Na primavera de 2013, um ex-padre, demitido do estado clerical e condenado a cinquenta anos de prisão por crimes de natureza sexual contra menores, Patrizio Poggi, tinha denunciado à polícia uma dezena de eclesiásticos romanos, acusando-os de análogos comportamentos delituosos. Um dos que deram sustentação à denúncia foi Mons. Lorusso, amigo de Poggi e seu advogado canônico na causa pela sua reintegração ao estado clerical, apresentada à Congregação para a Doutrina da Fé. Lorusso sustentou que as acusações eram razoáveis e fundadas. Mas as conclusões das investigações foram contrárias. As acusações pareceram falsas para a magistratura e seriam parte de um “sórdido complô”, que levou à custódia cautelar de Poggi.

O acontecido parecia ter sucumbido. Porém, ao contrário, muitos meses depois, Francisco o retomou diante de centenas de padres e bispos perplexos. Com Lorusso, que ainda ocupa o seu papel na nunciatura. E com o Papa, que, sem ter ainda decidido nada, revelou a todos que “o problema está sendo estudado, a fim de que esta pessoa seja afastada”.