Posts tagged ‘Diálogo Inter-religioso’

19 setembro, 2013

É possível dialogar?

Menina muçulmana de 8 anos morre de abusos na noite de  núpcias  

Por A Blog for Dallas Area Catholics | Tradução: Fratres in Unum.com – Resumindo, ela foi estuprada até a morte. Esta é uma prática amplamente disseminada em muitos dos países muçulmanos mais atrasados, e em certas partes da Índia. Não sei como as estimativas abaixo são geradas, provavelmente, há algum protecionismo nessas cifras, mas casamento infantil é real e garotinhas sofrem horrivelmente com isso:

Al Nahar, Líbano, informou que uma noiva de oito anos de idade morreu no Iêmen em sua noite de núpcias após ter sofrido lesões internas devido a trauma sexual. As organizações de direitos humanos estão pedindo a prisão do marido, que era cinco vezes mais velho que ela.

A morte ocorreu na área tribal de Hardh, no noroeste do Iêmen, que faz fronteira com a Arábia Saudita. Isso traz ainda mais atenção à questão já existente dos casamentos infantis forçados na região do Oriente Médio.

“De acordo com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), entre 2011 e 2020, mais de 140 milhões de meninas se tornarão noivas infantes. Além disso, dos 140 milhões de meninas que se casarão antes dos 18 anos de idade, 50 milhões terão menos de 15 anos.”

Estima-se que mais de um terço das jovens imenitas se casam antes dos 15 anos. Não apenas elas perdem acesso à saúde e à educação, essas noivas infantes estão comumente sujeitas à violência física, emocional e sexual em seus casamentos forçados.

Quando muçulmanos cobiçam e depois casam com noivas infantes, eles estão apenas emulando o seu profeta “magnífico”. Maomé casou-se com uma menina de 9 anos de idade. Esse é o motivo pelo qual é tão difícil abolir essa prática. Uma lei que visava tornar ilegal esse tipo de casamento foi aprovada no Iêmen há alguns anos, porém, mais tarde islamistas radicais voltaram ao poder e a revogaram. Muito provavelmente há milhões de garotinhas que atualmente sofrem sob essas circunstâncias em países muçulmanos. Li a história de uma menina afegã de 11 anos que sangrou por muitos meses após dar à luz a uma criança em sua idade incrivelmente tenra. Evidentemente, ela não recebeu essencialmente qualquer assistência médica, e teve que continuar sendo escravizada por seu marido/dono em sua cabana. Depois, há a epidemia de estupro de meninos por homens Pashtun, no Afeganistão e Paquistão – que o nosso governo doente não permite que nossas tropas façam qualquer coisa a respeito disso, mesmo quando eles flagram esses depravados em ação.

São coisas como estas que reforçam minha visão muito sombria de “ecumenismo” e “inculturação,” em oposição de evangelização e a apresentação da realização mais elevada da Civilização Ocidental, o Santo Sacrifício da Missa, na forma pura, não inculturada. Ou será que nós, católicos, não acreditamos mais que a conversão é infinitamente superior ao diálogo interminável e infrutífero?

5 setembro, 2013

Carta aberta ao Papa Francisco sobre sua Mensagem aos muçulmanos por ocasião do encerramento do Ramadã.

Por Padre Guy Pagès

Santíssimo Padre,

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo que Vos confiou a missão de conduzir a Igreja!

Permiti-me, em nome de numerosas pessoas chocadas pela vossa carta aos muçulmanos por ocasião do Id al-Fitr [1] e em virtude do cânon 212 § 3 [2], comunicar-vos as reflexões desta Carta aberta.

Saudando com “um grande prazer” os muçulmanos por ocasião do ramadã, o qual é considerado um tempo consagrado “ao jejum, à oração e à esmola”, Vós pareceis ignorar que o jejum do ramadã é tal, que “a cesta [de compras no supermercado] média de uma família que faz o ramadã aumenta 30%” [3], que a esmola muçulmana se destina somente aos muçulmanos necessitados, e que a prece muçulmana consiste principalmente em rejeitar cinco vezes por dia a Fé na Trindade e em Jesus Cristo, a pedir o favor de não seguir o caminho dos transviados que são os cristãos… Ademais, durante o ramadã, a delinquência aumenta de modo vertiginoso [4]. Há realmente nessas práticas algum motivo de elogio possível?

23 julho, 2013

JMJ 2013 – Ele, o padroeiro dos bons garotos, voltou.

0207 21072013172957CNBB – A programação da Jornada Mundial da Juventude (JMJ Rio 2013) já começou com o “Encontro Inter-Religioso entre católicos, judeus e muçulmanos” na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Os palestrantes do debate foram unânimes ao apontar o diálogo como ferramenta fundamental para a convivência pacífica entre povos e culturas.

A discussão entre jovens e representantes das religiões esteve focada na unidade entre os que professam a fé em um único Deus. “Começamos a Jornada exatamente no ponto central: poder acolher as diferenças. O Papa Francisco tem insistido muito na importância de saber dialogar com as diferenças. Acho que realmente é esse o espírito que nos move na Jornada”, disse padre Josafá Siqueira, reitor da PUC-Rio. Durante o evento, os debates abordaram o potencial transformador da juventude e os motivos que se tem para seguir os princípios ensinados por Deus através da Sagrada Escritura. “Jovem, vá ao texto sagrado! As atitudes de Deus descrita na Torá é para que nós imitemos. Nós temos que imitar Deus”, comentou o rabino Abraham Shorka.

Para a jovem muçulmana brasileira Samia Isbelle, da equipe de organização do evento, o encontro simboliza a vontade de uma nova vida pautada pela tolerância e amor. “Acho que o fato de estarmos aqui comprovou que as pessoas enxergam que a melhor forma de viver é respeitar um ao outo, conhecer e dialogar”, disse. Fizeram parte da mesa do encontro o arcebispo do Rio de Janeiro e presidente do Comitê Organizador Local (COL), Dom Orani João Tempesta; o rabino Heliel Haber e os sheiks Jihad Hassan e Hamed Mohammed Wali Khan. Também estiveram presentes o presidente da Conferência Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CNBB, José Francisco Biasin (foto à esq.); representantes da Nicarágua, Bolívia, Argentina, El Salvador, Argélia e Espanha.0169 21072013172940

Nesta semana, a PUC-Rio também vai receber mais dois eventos da JMJ Rio2013. Segunda, 22, das 9h às 13h30, será realizada a “Conferência da Sustentabilidade” sobre o “Compromisso da JMJ para a salvaguarda da Criação”. Criado por jovens católicos de várias partes do mundo, a conferência é um dos frutos do legado ambiental da Jornada. A conferência ocorrerá no Auditório do RDC, localizado no interior do campus da Gávea. Na tarde de quarta, o ginásio da PUC-Rio reunirá jovens do Movimento Eucarístico Jovem (MEJ) para momentos de partilha, oração e testemunhos. O encontro será de 16h às 19h.

* * *

A seguir, imagens de uma celebração toda amorosa com o padroeiro dos bons meninos:

25 janeiro, 2013

Tolerância e paz ou irenismo puro?

Religiosos comemoram dia contra a intolerância religiosa no Rio de Janeiro.

Religiosos comemoram Dia de Combate à Intolerância Religiosa no Rio de Janeiro.

Fratres in Unum.com – Um dia após as comemorações do mártir São Sebastião, padroeiro da cidade, a Arquidiocese do Rio de Janeiro participou das celebrações do Dia Nacional de combate à Intolerância Religiosa, organizadas na Cinelândia, e armou sua tenda junto com as demais religiões para divulgar a Jornada Mundial da Juventude.

Segundo a edição 779 do jornal arquidiocesano “O Testemunho de Fé”, os visitantes que lá estiveram puderam contar com show do padre Omar Raposo — que, não fosse a projeção que o sacerdócio lhe dá, não cantaria nem nos piores dos botecos do Rio –  e a presença do padre Jorge Luis Neves Pereira da Silva, vulgo Padre Jorjão: dupla famosa de admiradores e abençoadores de Oscar Niemeyer, escolas de sambas, novelas das 8 e Fábio de Melo. Ainda segundo o mesmo periódico, “a participação da Igreja Católica no movimento em defesa do respeito e da liberdade religiosa tem sido ampla desde o Concílio Vaticano II, com a publicação, em novembro de 1964, do decreto sobre o ecumenismo Unitatis Redintegratio, e em outubro de 1965, da Declaração Nostra aetate sobre a Igreja e as religiões. Em busca da restauração da unidade entre todos os cristãos e em favor da paz e do amor entre a humanidade, mesmo sem concordar com outras doutrinas, os documentos conciliares reconhecem que todas as manifestações religiosas são expressões da fé e da cultura de cada povo, e, por isso é preciso acolher com respeito todas as religiões. Esse diálogo acontece na perspectiva de ir ao encontro das aflições humanas, comuns a todos os povos, pois é por meio das religiões que os homens procuram resposta aos mais profundos anseios e questionamentos da condição humana.”

E qual seria o propósito de tal evento em uma cidade, para usarmos um eufemismo e não falarmos de apostasia, tão aberta à pluralidade religiosa como o Rio de Janeiro, onde qualquer denominação pode abrir seu templo sossegadamente e onde pessoas dos mais diversos credos podem sair às ruas trajadas segundo suas crenças ou ainda falar publicamente sobre elas? O diácono Nelson Águia, um dos envolvidos, responde: “Nós não vamos ali debater questões dogmáticas, doutrinárias, isso nós deixamos para os teólogos. O que nós queremos é demonstrar ao mundo que as religiões pregam o amor e a fraternidade. E a Igreja Católica, claro, não ficaria fora disso, é uma missão dada por Jesus: ‘amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”.

Resta-nos apenas fazer algumas indagações aos padres da Arquidiocese do Rio de Janeiro: em vista de eventos como esse, poderia um sacerdote da arquidiocese pregar livre e coerentemente, em suas homilias, programas de rádio ou artigos, que a Igreja Católica é a única Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, que as outras religiões não pregam paz e amor, mas o erro, e que levam as almas à perdição eterna? Ou tal pregação seria considerada intolerante? A explanação do “Testemunho de Fé” sobre o Concílio Vaticano II e, mais do que isso, a aplicação dessas idéias no evento irenista da Cinelândia estão de acordo com a “hermenêutica da continuidade”?

Tudo em nome da divulgação da Jornada Mundial da Juventude, evento alardeado com todo dinheiro e estratégias de marketing possíveis e imagináveis, mas que apenas maquia o estado cadavérico do catolicismo no Rio, estado com menor proporção de católicos do Brasil.

Também em Brasília o Dia de Combate à Intolerância Religiosa foi comemorado:

O que se pode esperar do comitê petista fundado na comemoração deste ano, ainda mais com uma ministra que é uma ardorosa defensora dos “direitos humanos”? Trata-se de mais uma de muitas medidas para a perseguição à única religião verdadeira, a Católica. Lamentavelmente, poucos compreendem que “primeiro, a religião que vem do céu é verdade, e é intolerante com relação às doutrinas errôneas; segundo, a religião que vem do céu é caridade, e é cheia de tolerância quanto às pessoas”.

É a esse movimento irênico de implantação de uma religião universal que a Arquidiocese do Rio e outros católicos ingênuos dão, conscientemente ou não, aval.

23 agosto, 2012

Ramadã: Cardeal de Milão é “esnobado” pela comunidade muçulmana.

IHU – O arcebispo de Milão, Angelo Scola, grande defensor do diálogo inter-religioso, envia uma mensagem de bons votos por ocasião do fim do Ramadã. Mas os líderes da comunidade islâmica não a leem durante a celebração pública e negam a palavra ao seu delegado.

A reportagem é de Zita Dazzi, publicada no jornal La Repubblica, 20-08-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

É o Ramadã das polêmicas aquele que encerrou nesse domingo em Milão, com uma cerimônia diante de 10 mil fiéis reunidos pela primeira vez na Arena Cívica, sede municipal concedida pela junta de Giuliano Pisapia [prefeito de Milão] a 13 organizações islâmicas.

Uma primeira polêmica já havia ocorrido nos últimos dias, quando os líderes das associações haviam lamentado o fato de terem tomado conhecimento de que o prefeito não poderia participar da festa: “Somos discriminados. Pisapia foi ao encontro do papa e do Dalai Lama, mas nos esnoba”. Nesse domingo, a assessora Cristina Tajani interveio em nome do prefeito do palco da Arena trazendo a saudação da administração.

Algo bem diferente ocorreu com o padre Giampiero Alberti, delegado de Scola. “Obrigado pelos votos, mas nós não fomos falar na sua missa de Natal na Catedral”, parou-lhe Davide Piccardo, porta-voz da coordenação islâmica. “Sinto pelo fato de que se perdeu uma oportunidade para mostrar tantos anos de colaboração”, comentou o Pe. Alberti.

Os agradecimentos a Scola chegaram somente no fim do sermão, pronunciado pelo xeique tunisiano Abdelfattah Mourou, enquanto a Arena se esvaziava. À tarde, a marcha à ré, com uma visita de cortesia do Imã ao delegado da diocese ambrosiana: “Foi um erro. Não queríamos ofender a Igreja Católica com a qual iniciamos o diálogo há anos”. A Cúria milanesa aceitou o pedido de desculpas: “O incidente está encerrado. Não queremos polêmicas”.

31 março, 2012

Surpresinha, senhor bispo!

Crianças de colégio católico francês visita mesquita em intercâmbio religioso.

Crianças de colégio católico francês visita mesquita em intercâmbio religioso.

L’Aquila, Itália – O Bispo Diocesano de Teramo-Altri, Dom Michele Seccia, está conduzindo uma visita pastoral à comunidade de Silvi, na região italiana de Abruzzo. No início da primavera, em 21 de março, ele experimentou um “milagre brilhante” naquela localidade. Ao visitar a igreja  da Assunção, confiada aos franciscanos, nos arredores de Silvi Marina, uma cidade de veraneio no Adriático, havia algumas crianças muçulmanas na igreja lendo suras do Alcorão em árabe. A apresentação inesperada, uma expressão que em muitos aspectos remete a uma mentalidade pseudo-inter-religiosa e ingenuamente encantadora, ocorreu diante do sacrário. O bispo, que não participou do programa, deparou-se com um fato consumado, conforme informou o sítio Messa in Latino.

O incidente lembra o grave abuso em uma escola católica particular na França (foto), em que crianças foram levadas a “promover um entendimento inter-religioso” em uma mesquita, onde aprenderam posturas de orações muçulmanas.

Não se sabe o que o bispo comentou a respeito.

Fonte: Katholisches.info via Eponymous Flower | Tradução: Fratres in Unum.com

30 novembro, 2011

França: alunos católicos na mesquita.

Os jovens católicos não vão mais a Missa. Que coisa fazer? Encorajá-los a conhecer melhor… o islã. Iniciativa de uma escola católica.

Os alunos do colégio católico Sant-Pierre Les Essarts, na França, colocaram em prática o espírito de Assis com uma visita a mesquita de La Roche-sur-yon, acompanhadas de seus professores. O propósito: “impregnar-se” do espírito do Islã.

Fonte: Distrito Italiano da FSSPX

Tradução: Gederson Falcometa, cuja gentileza agradecemos.

19 novembro, 2011

Na capital do vodu, Bento XVI detona ‘ocultismo e maus espíritos’.

Por John Allen Jr | Tradução: Fratres in Unum.com

Em uma cidade da África Ocidental amplamente vista como a capital do vodu, Bento XVI clamou hoje aos católicos a resistir a um “sincretismo que engana” e a defender a fé cristã que “liberta do ocultismo” e “vence maus espíritos”.

O Papa falava nesta manhã a uma audiência de padres, seminaristas, religiosos e leigos reunidos no Seminário St. Gall, em Ouidah, no segundo dia da visita de 18 a 20 de novembro do Pontífice ao Benim.

Localizada na costa do Atlântico de Benim, Ouidah, outrora um grande porto de escravos, hoje tem uma população de aproximadamente 80 mil pessoas. Benim é historicamente o berço da fé Vodun na África Ocidental, mais conhecida no ocidente como “vodu”, e Ouidah é mais ou menos o seu Vaticano, hospedando uma conferência anual sobre o Vodun. A cidade também ostenta um famoso templo do píton vodu.

Embora o Vodun adquira uma grande variedade de formas em diferentes partes do mundo, é um movimento extremamente sincretista que provém das mágica e culto tradicionais tribais africanos, por vezes misturando isso com elementos do cristianismo, particularmente do catolicismo. Os praticantes geralmente reconhecem uma única divindade assistida por ajudantes conhecidos como Orishas. (Este, a propósito, é o nome do restaurante do hotel em Cotonou onde os jornalistas que cobrem a viagem papel estão hospedados.)

Em Benim, hoje, estima-se que 18% da população, o que equivale a 1,6 milhões de pessoas, são praticantes do vodu, tornando-o o terceiro maior grupo religioso no país, após católicos e muçulmanos… e muitos destes católicos e muçulmanos mantêm uma considerável porção de crenças e costumes que têm sua origem no vodu. 10 de janeiro é marcado em Benim como o “Dia do Vodu”.

Mundialmente, estima-se que o número total de praticantes do Vodu alcance 30 a 60 milhões.

Um tema que marcou todo o comentário de Bento XVI em sua viagem, sua segunda passagem pela África como Papa, foi a importância de evitar uma forma de “inculturação” que equivaleria a batizar crenças e costumes nativos contrários à ortodoxia cristã. Espera-se que o Papa retorne a esse assunto no fim do dia de hoje, quando lançará o documento resumindo as conclusões do Sínodo dos Bispos Africanos realizado em Roma, em 2009.

“O amor pelo Deus que se revela e por sua palavra, o amor pelos sacramentos e pela Igreja, são um antídoto eficaz contra um sincretismo que engana”, disse o Papa nesta manhã em Ouidah.

“Este amor favorece uma correta integração de valores autênticos das culturas na Fé Cristã”, disse. “Ele liberta do ocultismo e vence maus espíritos, pois é movido pelo Espírito Santo”.

Quando João Paulo II visitou Benim em 1993, sua viagem coincidiu com uma grande celebração nacional do legado vodu do país denominada “Ouidah 92”. O Papa se encontrou com um sumo sacerdote vodu, com uma fotografia daquele encontro destacada na primeira página do L’Osservatore Romano, o jornal diário do Vaticano.

O encontro é polêmico, há muito tempo, em círculos católicos mais tradicionais, que o vêem como equivalente a um endosso papal a devoções heterodoxas. Nesta viagem, Bento XVI expressou admiração por elementos da religião tradicional africana, mas também foi cuidadoso em condenar o “sincretismo” e condenar aquilo que ele vê como seus elementos negativos.

Antes do discurso, Bento XVI fez uma visita privada à capela do Seminário de St. Gall, onde rezou diante do túmulo do finado Cardeal Bernardin Gantin, um amigo próximo que trabalhou como prefeito da Congregação para os Bispos na mesma época em que o futuro Papa era o mais alto oficial doutrinal.

Gantin, considerado um “pai da nação” em Benim, morreu em 2008 como o mais alto prelado negro africano na história da Igreja Católica. Hoje, o aeroporto internacional na capital nacional de Cotonou leva o seu nome.

Foi a renúncia de Gantin como decano do Colégio de Cardeais que abriu o caminho para o então Cardeal Joseph Ratzinger ocupar essa função, uma medida que muitos observadores crêem indiretamente ter levado à sua eleição como Papa Bento XVI em 2005.

16 novembro, 2011

Cardeal do Sri Lanka e o eixo Budista-Católico.

Em face à invasão de grupos evangélicos, o Arcebispo de Colombo, Albert Malcolm Ranjith Patabendige Don, propôs uma frente comum entre católicos e budistas.

Por Gianni Valente – Vatican Insider | Tradução: Fratres in Unum.com

Uma pequena “aliança” entre a maioria budista e a minoria católica foi sugerida pelo Cardeal Albert Malcolm Ranjith Patabendige Don, no sentido de dar uma resposta unificada às campanhas proselitistas maciças e bem financiadas lançadas no Sri Lanka por grupos evangélicos relacionados a centros de redes pentecostais. O Cardeal tomou esse caminho, a fim de coibir a disseminação de missões evangélicas que estão alarmando tanto a hierarquia católica quanto os líderes budistas com seus métodos de propaganda agressiva, semeando a discórdia entre as duas comunidades.

A proposta foi formalizada recentemente, na presença de políticos e jornalistas que foram convocados no palácio episcopal. Nesse quadro, Patabendige Don pediu explicitamente ao governo para estabelecer uma comissão inter-religiosa de cristãos e budistas para confrontarem juntos o proselitismo hiperativo e grupos desordeiros de ascendência norte-americana que estão se infiltrando na área metropolitana de Calombo, organizando orações públicas, sessões de cura e convenções exaustivas de propaganda religiosa. “Algumas igrejas evangélicas”, explicou o Cardeal, “estão oferecendo incentivos financeiros aos católicos e budistas para induzi-los à conversão.” De acordo com o prelado do Sri Lanka, ele esperava que o órgão inter-religioso fosse trabalhar como uma verdadeira ferramenta para monitorar o proselitismo de grupos evangélicos, com poderes relativos de interdição para coibir o desenvolvimento irregular de suas atividades e a rede de suas bases logísticas.

O cardeal disse também que estava convencido de que a comissão fosse atuar como uma câmara de reconciliação e resolução de tensões religiosas: para Sua Eminência, isso seria um antídoto para tentativas políticas de combater a onda de hostilidade e preconceito que tem crescido entre a população budista, afetando todos os cristãos, que são incapazes de distinguir diferenças e aproximações das diferentes igrejas e comunidades religiosas. O estabelecimento de uma organização inter-religiosa poderá também encorajar a proposição de um projeto de anti-conversão no Parlamento, que as minorias cristãs – incluindo católicos – vêem como um perigoso instrumento liberticida legal.

As reações dos budistas aos comentários do arcebispo de Colombo, relatadas pela agência Ucanews, chegaram rápido. O monge Kamburugamuwe Wajir Thero, chanceler da Universidade de Sabaragamuwa, disse que ele imediatamente concordava com a sugestão feita pelo Cardeal de monitorar as comunidades evangélicas: “o país precisa de algo assim”, disse o monge budista, citando os budistas convertidos pelos evangélicos e os ataques que, como reprises, têm atingido as igrejas cristãs.

De sua parte, o Pastor Rohan de S. Ekanayaka, Secretário Geral da Fraternidade Nacional Cristã do Sri Lanka (coordenação nacional da comunidade evangélica) rejeitou fortemente as acusações de vender conversões: “Quando ajudamos um mendigo, não lhe falamos sobre religião. Nossos pastores nunca oferecem dinheiro para expandir suas comunidades. Eles seguem os passos de Jesus Cristo. Eles vivem uma vida simples,” disse o líder evangélico.

A iniciativa de Patabendige Don surpreende e de muitas maneiras evita ser assemelhado e classificado como um dos pensamentos que se cristalizaram nos debates eclesiásticos nos últimos anos.

Primeiramente, alguns dos muitos admiradores da sensibilidade tradicional do Cardeal do Sri Lankan poderão se surpreender pela veemência com que ele mesmo, desta vez, conclama o estabelecimento de um órgão para diálogo inter-religioso. O atual Arcebispo de Colombo nunca perdeu a oportunidade de se apresentar como um defensor da identidade católica. Nos anos em que atuou na Cúria Romana como Secretário da Congregação para o Culto Divino, ele se destacava por esse apoio entusiasmado pela liberação da liturgia tridentina e sua crítica de abusos litúrgicos de sabor sincrético. Em uma conferência realizada na Holanda, em Hertogenbosch, em 6 de outubro de 2007, ele criticou severamente os bispos que sentiam desconforto ao optar pela “tolerância litúrgica” em relação ao antigo rito pré-conciliar introduzido pelo Papa, que ele acreditava que provavelmente seria usado mesmo como “ferramenta do diabo”.

No Sri Lanka, onde a Igreja é uma minoria, Patabendige tem demonstrado prudentemente apreço pela abertura solidária às tradições religiosas, que os tradicionalistas vêem como um dos pecados originais da reforma conciliar. Ele tem demonstrado o seu apreço de uma maneira não sincrética, enquanto ainda seguindo os ditames do Concílio.

Outro ponto sensível tocado pela iniciativa do Cardeal do Sri Lanka é o problemático “discernimento” do fenômeno evangélico-pentecostal pela Igreja Católica. No continente asiático, dominado pelas tradições religiosas e culturas antigas, a proclamação do Evangelho por católicos tem marcado de maneira progressiva a sua diferença das práticas e métodos agressivos que caracterizam as seitas e as igrejas protestantes evangélicas livres. Por outro lado, as abordagens não invasivas dos missionários sugeridas pelo Concílio com o desenvolvimento das chamadas categorias de inculturação, estiveram sujeitas a várias críticas nos últimos anos no mundo católico. Os métodos missionários têm sido acusados de timidez e irenismo excessivo no aumento das religiões locais. É essa expansão da impetuosidade neo-protestante que algumas vezes foi denominada como um modelo pelos críticos católicos das supostas precauções excessivas usadas pela Igreja nas áreas de missão.

O Papa Bento XVI também, em seu livro Luz do Mundo, reconheceu “o grande fenômeno dos evangélicos, que têm se espalhado com um ímpeto poderoso, alterando a paisagem religiosa dos países do Terceiro Mundo.” O caso do Sri Lanka confirma que a aproximação com o fenômeno pela Igreja de Roma deve necessariamente levar em consideração elementos de uma natureza diferente e única, evitando soluções prontas e driblando aporias insidiosas. No momento em que as organizações católicas como o Sínodo Central de Bispos estão preparando o enfoque de sua atenção na nova evangelização, é urgente ter um reconhecimento preliminar da natureza inerente do Evangelho e da missão cristã. De outra forma, o risco de abstrações e jogo de palavras sendo desbancado por uma linguagem simples e direta do ministro Rohan S. de Ekanayaka, que, em sua resposta, também quis lembrar ao Cardeal católico do Sri Lanka que “a missão de cada cristão é disseminar a Boa Nova”.

12 novembro, 2011

Celebrando Assis em Arras com o Alcorão no Altar.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com

Na Igreja de São Salvador (Saint-Sauveur), na Diocese de Arras (Pas-de-Calais, France), foi realizada uma “vigília de orações Interreligiosas” em 26 de outubro de 2011, para celebrar o 25º aniversário do primeiro encontro interreligioso de Assis.

Ícones, um livro de orações – e o Alcorão no centro da mesa/altar.
A procissão das “oferendas inter-religiosas”.

(A propósito, por que todas as procissões são ad orientem? Isso é tão reacionário! As procissões não deveriam ser versus populum, com os participantes caminhando para trás?)