Posts tagged ‘Discussões Teológicas’

maio 6, 2012

Lefebvrianos, à espera do “sim” do Papa.

Em maio, a conclusão do processo que deve devolver à Fraternidade São Pio X a plena comunhão com Roma.

Por Andrea Tornielli | Tradução: Fratres in Unum.com

A resposta que o bispo Bernard Fellay enviou ao Vaticano em 17 de abril será examinada nos próximos dias pelos cardeais e bispos na “Feria Quarta” da Congregação para a Doutrina da Fé e, posteriormente, sua decisão será submetida a Bento XVI. Durante o mês de maio está prevista a conclusão do processo que deveria devolver à Fraternidade São Pio X, fundada por Monsenhor Lefebvre, a plena comunhão com Roma, 24 anos depois das sagrações ilegítimas que provocaram a ruptura e a excomunhão do arcebispo tradicionalista e dos quatro sacerdotes que foram sagrados bispos sem a permissão do Papa. Quando for divulgada a decisão final, também será apresentado o texto do “preâmbulo doutrinal” que a Santa Sé apresentou a Fellay e à Fraternidade, e que o superior do grupo tradicionalista devolveu a Roma propondo algunas mudanças não substanciais.

Nestes últimos dias, multiplicaram-se as declarações de alguns importantes expoentes da Fraternidade São Pio X, particularmente do ramo lefebvriano mais partidário da volta à plena comunhão com Roma. O Padre Niklaus Pfluger, primeiro assistente de Fellay, em uma conferência pública em Hattersheim, Alemanha, disse que o Superior da Fraternidade, nas atuais circunstâncias, não “considera possível rejeitar a proposta do Papa”, especificando que afastar-se do desejo do Pontífice significaria “cair no sedevacantismo”. Pfluger esclareceu que restam pontos de desacordo e que a Fraternidade reivindica a liberdade de criticar alguns pontos dos documentos conciliares. Igualmente, recordou que Lefebvre já em 1988 havia assinado um acordo doutrinal com a Santa Sé que continha “muito mais concessões da parte da Fraternidade do que as que Bento XVI pede agora”.

Também cabe destacar o editorial do Padre Franz Schimidberger, superior da Fraternidade São Pio X, que escreveu na edição de maio da revista mensal do distrito alemão: “Se Roma nos chama agora do exílio que nos impôs no ano de 1975, com a revogação da aprovação” canônica da Fraternidade, “e posteriormente, em 1988, com o decreto de excomunhão contra os bispos sagrantes e sagrados”, então “se trata de um ato de justiça e, sem dúvida, também um ato de autêntica atenção pastoral do Papa Bento XVI” . Ainda mais significativo é o artigo de outro membro histórico da Fraternidade, Padre Michel Simoulin, publicado no número de maio do boletim «Seignadou», do priorado de Saint-Joseph-des-Carmes: também ele volta a falar do acordo assinado por Lefebvre e Ratzinger em 1988, explicando que naquele momento a ruptura não ocorreu pelo preámbulo doutrinal, mas por um motivo prático. Lefebvre, de fato, não confiou nas garantias do Vaticano sobre a possibilidade de poder consagrar um bispo como seu sucessor: “Pelo que o processo foi paralizado não por uma questão doutrinal, nem pelo estatuto oferecido à Fraternidade – escreveu o pe. Simoulin – mas pela data da sagração do bispo”.

Padre Simoulin, respondendo às objeções internas daqueles lefebvrianos que não desejam o acordo com Roma, recorda que Ratzinger, “uma vez Papa, nos disse que a Missa Tridentina não foi nunca abrogada (7 de julho de 2007: “Pelo que se permite celebrar o sacrifício da missa segundo a edição típica do Missal Romano promulgado pelo beato João XXIII, em 1962, e nunca abrogada”); reabilitou os nossos quatro bispos (21 de janeiro de 2009); aceitou que realizássemos discussões doutrinais durante dois anos, coisas que Monsenhor Lefebvre não pediu em 1988. Não exageramos ao dizer que Monsenhor Fellay obteve mais do que pediu Monsenhor Lefebvre, sem possuir nem o seu prestígio nem a sua autoridade moral. Então, devemos ser ainda mais exigentes que Monsenhor Lefebvre e que Monsenhor Fellay?”. Simoulin conclui reiterando que a situação atual é distinta à de 1975 e de 1988, e quem afirma o contrário o faz porque rechaça “qualquer tipo de reconciliação com Roma”, mostrando “talvez também uma falta de fé na santidade da Igreja”. “A Fraternidade São Pio X não é a Igreja e não pode respeitar o legado de seu fundador senão conservando o seu espírito, o seu amor pela Igreja e o seu desejo de servi-la como um filho que a ama”.

Voltar a ler a parte doutrinal do “protocolo de acordo” assinado por Lefebvre em 5 de maio de 1988 pode ser útil para compreender parte do conteúdo do “preâmbulo doutrinal” do qual se tem falado nos últimos meses, cujo texto ainda não foi divulgado, pela possibilidade, prevista desde o início, de mudanças e formulações com expressões distintas. O fundador da Fraternidade prometia fidelidade ao Papa, declarava “aceitar a doutrina contida no número 25 da Constituição Dogmática Lumen Gentium do Concílio Vaticano II sobre o magistério eclesiástico e  sua devida adesão”. No que se refere à divergência sobre algumas passagens conciliares, afirmava: “Acerca de alguns pontos do Concílio Vaticano II, ou relacionados às reformas posteriores da liturgia e do direito, e que nos parecem dificilmente conciliáveis com a tradição, comprometemo-nos a adotar uma atitude positiva e de comunicação com a Sé Apostólica, evitando qualquer tipo de polêmica”. Igualmente, Lefebvre declarava “reconhecer a validez do sacrifício da Missa e dos sacramentos celebrados com a intenção de fazer o que a Igreja faz e segundo os ritos indicados nas edições típicas do missal romano e dos rituais dos sacramentos promulgados pelos Papas Paulo VI e João Paulo II”. E, por último, prometia “respeitar a disciplina comum da Igreja e as leis eclesiásticas”.

Como podemos ver, também em 1988, no documento acordado com o então Cardeal Joseph Ratzinger, era evidente a existência de “certos pontos” considerados pelos lefebvrianos como “dificilmente conciliáveis” com a tradição. Mas este desacordo não deveria ter impedido a plena comunhão. Há 24 anos os acontecimentos tomaram outra direção: houve um ato cismático e as excomunhões. Atualmente, após quase um quarto de século, esta ferida pode ser curada.

abril 12, 2012

Porta-voz da FSSPX: “esclarecimento” à Santa Sé nos próximos dias.

D. Bernard Fellay e e Pe. Lorans.

D. Bernard Fellay e e Pe. Lorans.

Por TMNews | Tradução: Fratres in Unum.com – Os lefebvrianos estão enviando nestes dias um esclarecimento ao Vaticano, após uma declaração peremptória lançada pela Santa Sé em meados de março e esperam, então, um novo pronunciamento do Vaticano: assim declarou para Tmnews, em Paris, o porta-voz da Fraternidade Sacerdotal tradicionalista Padre Alain Lorans.

[...]

“Estamos comunicando a resposta ao Vaticano e depois esperamos uma resposta do Vaticano”, disse o responsável pelas comunicações dos lefebvrianos. “Só então poderemos nos comunicar oficialmente com jornalistas”.

O porta-voz dos lefebvrianos, então, esclarece que a indicação de tempo [ndr: O pe. Lombardi disse que a FSSPX teria "um mês" para se pronunciar] “não era um ultimato, mas um prazo”. Quanto à comunicação que Dom Fellay está enviando a Roma nestes dias, não se trataria propriamente de uma segunda resposta, mas de alguns “esclarecimentos”, que, no entanto, “não modificam substancialmente a primeira resposta”. Para o Padre Lorans, portanto, “nos próximos dias as coisas ficarão claras”.

abril 3, 2012

Insuficiente?

Por Christopher A. Ferrara, The Remnant | Tradução: Fratres in Unum.com

Segunda-feira, 26 de outubro de 2009. Membros da delegação da FSSPX, ao fundo no centro, chegam ao Vaticano. AP Photo/Gregorio Borgia

Segunda-feira, 26 de outubro de 2009. Membros da delegação da FSSPX, ao fundo no centro, chegam ao Vaticano. AP Photo/Gregorio Borgia

No dia 16 de março, um comunicado não assinado da Sala de Imprensa do Vaticano afirmou que uma “avaliação” secreta da resposta secreta de Dom Fellay ao “preâmbulo Doutrinal” secreto, oriundo dos procedimentos secretos das conferências entre o Vaticano e a FSSPX, determinou (secretamente) que a resposta “é insuficiente para superar os problemas doutrinais que estão na base da divisão entre a Santa Sé e a mencionada Fraternidade [FSSPX]”. Dom Fellay foi “convidado a gentilmente esclarecer sua posição de modo a sanar a presente divisão, como deseja o Papa Bento XVI”.

Ainda não sabemos exatamente quais são os “problemas doutrinais” em questão ou qual fórmula seria suficiente para “esclarecê-los”. Isso é segredo. O que sabemos é que, na data do comunicado, Dom Fellay encontrou-se com o Cardeal Levada e outros oficiais da Congregação para a Doutrina da Fé – em segredo, é claro – para discutir uma cura para a “divisão” entre a Fraternidade e a Santa Sé, a fim de “evitar uma ruptura eclesial de conseqüências dolorosas e incalculáveis…”.

De acordo com a Agência de Notícias italiana AGI, durante essa reunião “uma ruptura completa foi evitada pela Santa Sé, deixando claro que Bento XVI ainda espera uma recomposição”. Mas apesar da ruptura ter sido evitada, a divisão permanece e, de acordo com a Rádio Vaticana, “Dom Fellay é convidado a esclarecer sua posição para conseguir sanar a divisão existente, como é desejo do Papa Bento XVI, de hoje até o dia 15 de abril”.

Assim, parece que há uma data limite para sanar a divisão de modo a evitar uma ruptura, através de um esclarecimento de problemas doutrinais para que possa haver uma recomposição. Notem que, curiosamente, evita-se a terminologia tradicional de “cisma”, “heresia”, “profissão de fé” e “retorno dos dissidentes para a única Igreja verdadeira”. De fato, não consegui localizar em lugar algum uma declaração do Vaticano afirmando que a FSSPX abraça qualquer doutrina que seja contrária à Fé ou que seus partidários individuais não são católicos em bons termos (em oposição ao problema do status formal da “missão canônica” da SSPX). A palavra “cisma” igualmente não mais aparece nos anúncios vaticanos a respeito da atual posição da FSSPX.

Não, isto é simplesmente uma questão de se providenciar – em segredo – um esclarecimento dos problemas doutrinais secretamente discutidos em relação ao Concílio Vaticano II. Então, a divisão seria sanada, nenhuma ruptura ocorreria e uma “recomposição” aconteceria. Não é necessário que nós saibamos os detalhes.

Minha revisão admitidamente apressada dos boletins da Sala de Imprensa Vaticana não revela tais procedimentos estranhos a respeito de nenhum outro indivíduo católico ou grupo de católicos entre o bilhão de almas que pertencem à nossa Igreja em crise. Parece não haver nenhuma outra intimação para discutir “problemas doutrinais” com a Congregação para a Doutrina da Fé e para resolvê-los antes que uma “recomposição” possa ocorrer. Poderia parecer que ninguém na Igreja inteira tem quaisquer problemas doutrinais a serem resolvidos urgentemente sob prazos apertados, salvo a FSSPX e seus membros.

Tampouco parece que o Vaticano está preocupado com divisões, rupturas ou recomposições de legiões de católicos em cada continente, incluindo numerosos bispos e padres, que não mais aderem aos ensinamentos da Igreja que não aprovem pessoalmente. Todos conhecem os exemplos óbvios, como a desobediência quase universal a respeito do ensinamento infalível sobre o casamento e a procriação. Mas considerem também a recusa da totalidade da hierarquia da Itália e da Alemanha em adotar as correções estabelecidas para as traduções vernáculas da Missa Novus Ordo que infestaram a Igreja por 40 anos até que o Vaticano finalmente ordenasse as correções. Pode tirar o cavalo da chuva, Papa!

Também existe aquele movimento de padres na Áustria, liderados pelo antigo vigário geral do Cardeal Schönborn, Helmut Schüller que, como Sandro Magister noticia, “tem, entre seus objetivos a abolição do celibato clerical e a reintegração ao ministério sacerdotal de padres ‘casados’ e suas concubinas”. A revolta, “abertamente apoiada por 329 padres, ameaçou causar uma ruptura na Igreja Austríaca semanas antes da visita de 22 a 25 de setembro do Papa Bento XVI à vizinha Alemanha”. Os dissidentes emitiram um “Chamado à Desobediência”, que exige “clero casado, mulheres padres e outras reformas” e tem o apoio de “3/4 da população pesquisada neste país tradicionalmente Católico Romano”.

Os líderes da revolta declararam abertamente que “vão desobedecer às leis da Igreja ao dar a Comunhão aos protestantes e católicos divorciados e recasados ou ao permitir que leigos preguem e dirijam paróquias sem padre”. Schüler declara abertamente que “muitos padres já estão silenciosamente desobedecendo às leis de qualquer jeito, muitos com o conhecimento de seus próprios bispos, e a sua campanha tem como meta forçar a hierarquia a concordar em mudar”. Sandro Magister chama isso de cisma – não uma divisão ou uma ruptura, mas simplesmente um cisma. Evidentemente, ele está certo. E cismas como este abundam hoje em dia.

Eu poderia continuar catalogando a dissidência institucionalizada da doutrina e da práxis que se levantou na Igreja desde o Concílio Vaticano II eternamente. Muitos livros seriam necessários para meramente pesquisá-la. O Vaticano não faz nada, ou quase nada, para punir tal dissidência. Mas, então, todos já ouvimos a conversa neo-católica: o Papa [complete com o nome] teme um confronto com os dissidentes nas hierarquias nacionais com receio de que isso cause um cisma. Ou seriam divisões e rupturas?

Com relação à FSSPX, porém, estranhamente não há temor de provocar uma divisão, uma ruptura, um cisma, um seja lá o que for. À FSSPX foi dado até o dia 15 de abril para que esclareçam seus problemas doutrinais. Ou senão… Ou senão o quê? Uma re-excomunhão dos quatro bispos? Como isso poderia ser visto como outra coisa senão algo ridículo, mesmo pela mídia que vem torcendo pelo permanente ostracismo da FSSPX em nome do Concílio? Uma declaração de cisma?

Embasada em quê? Os bispos da FSSPX sequer foram acusados de recusar obedecer ao Romano Pontífice, senão somente de deixar de providenciar um esclarecimento “suficiente” de problemas doutrinais não especificados e secretamente discutidos. A FSSPX corre à Roma sempre que é convocada para discutir a questão. Como tal conduta pode possivelmente constituir um cisma?

Isto sugere um paradoxo: a FSSPX está enfrentado ameaças disciplinares veladas precisamente porque ela obedece e leva a sério tais ameaças. Essa perseguição à FSSPX me lembra o raciocínio da guerra contra o Iraque para “combater o terrorismo”: a conquista do Iraque era um “objetivo conquistável” ainda que não existisse de fato nenhum campo da Al Qaeda por lá. Ao esmagar uma ditadura insignificante que ofereceria pouca resistência, os Estados Unidos poderiam fingir que estavam lutando contra os “malvados”.

Talvez depois do dia 15 de abril algo não muito agradável acontecerá à FSSPX. Algo secreto. Algum mecanismo canônico pode aparecer de repente. Talvez algum tipo de ultra-excomunhão está sendo considerado, apesar de absurdo. Muito provavelmente, porém, nada acontecerá. O Vaticano continuará simplesmente a deplorar a divisão que poderia tornar-se uma ruptura quando, na verdade, todos sabem que a FSSPX e seus membros são, simplesmente, católicos que estão sendo forçados a agir como ninguém na história da Igreja jamais teve que agir. Enquanto isso, ninguém no Vaticano falará sobre a divisão ou ruptura na Áustria ou em qualquer outro lugar onde os ensinamentos fundamentais do Magistério e as diretivas papais estão sendo ignorados.

Mas honestamente: como nenhum dos notórios chefes da atual pandemia de dissidência da fé e da moral foi chamado ao Vaticano para que “esclareça” seus “problemas doutrinais”? Por que a nenhum deles foi dado um prazo para que “esclareça sua posição, de modo a sanar a atual divisão”?

A resposta se encontra naquilo que todos os dissidentes têm em comum: todos eles adoram o Vaticano II. Nenhum deles tem qualquer “problema doutrinal” com o Concílio. Muito pelo contrário, o Concílio lhes dá transportes de alegria. Eles celebram o Concílio como a Magna Carta de sua libertação da Tradição. O “problema doutrinal” deles diz respeito somente àquilo que a Igreja constantemente ensinou e acreditou antes do Concílio. Você sabe: dogmas definidos, esse tipo de coisa.

Se o Concílio pode ser corretamente caracterizado dessa forma não é a questão. A questão é que os dissidentes que povoam abundantemente a Igreja hoje em dia percebem-no desta forma e, portanto, aceitam tal caracterização sem reservas. Assim, não há necessidade de nenhum convite urgente para ir ao Vaticano. A resposta que dão ao Concílio é “suficiente” o bastante. Mas a resposta da FSSPX ao concílio é “insuficiente”. A FSSPX deve esclarecer sua posição respeitando os imprecisos textos conciliares de acordo com uma “hermenêutica da continuidade” a qual o Papa constantemente se refere, mas que nunca foi explicitada.

O Concílio, o Concílio, o Concílio. Só o Concílio importa. É por isso que só a FSSPX enfrenta o prazo final do dia 15 de abril, para evitar “uma ruptura eclesiástica de dolorosas e incalculáveis conseqüências”. Evidentemente, a partir da perspectiva Vaticana, não há nada doloroso ou incalculável a respeito da apostasia do mundo ocidental que os padres e bispos vêm administrando desde… bem, desde o Concílio.

Permitam-me sugerir algumas questões que talvez pertençam com mais propriedade no arquivo “insuficiente” do Vaticano. Talvez as autoridades vaticanas possam estabelecer alguns prazos para tratar de tais questões, que dizem respeito ao bem comum de toda a Igreja, ao invés de “problemas doutrinais” que quatro bispos tradicionalistas expressaram a respeito de documentos conciliares reconhecidos como problemáticos praticamente por todos, incluindo o próprio Papa:

  • “Insuficiente”: a fé de milhares de católicos, incluindo bispos e padres rebeldes, que não mais se importam com o que Papas ou Concílios sempre ensinaram com relação às questões de fé e moral naquilo que decidiram ir contra.
  • “Insuficiente”: uma liturgia Romana que, como o Papa afirmou quando Cardeal Ratzinger, entrou em “colapso” por causa de uma “ruptura na história da liturgia”, cujas “conseqüências só poderiam ser trágicas”.
  • “Insuficiente”: a defesa da Hierarquia Católica das “duras verdades” frente à rejeição popular, bem como seu fraco-quase-inexistente testemunho contra a suave tirania da nação-estado moderno, ao qual os homens da Igreja se renderam completamente de acordo com um programa de “diálogo”, “ecumenismo”, “liberdade religiosa” e “abertura ao mundo” que o Concílio Vaticano II inaugurou – refletindo os “problemas doutrinais” que a FSSPX foi chamada a “esclarecer”.
  • “Insuficiente”: o esforço de livrar as dioceses dos homossexuais, dos hereges, dos catecismos heréticos e de programas depravados de “educação sexual”.
  • “Insuficiente”: as tentativas absurdas de realizar a “consagração da Rússia” enquanto deliberadamente deixam de mencionar a Rússia, pois os burocratas do Vaticano acham imprudente honrar o pedido da Virgem Prudentíssima.
  • “Insuficiente”: a condição geral da Igreja onde, mais de 40 anos após a “renovação conciliar”, vastos números de católicos nominais exibem o que João Paulo II descreveu como uma “apostasia silenciosa” e onde grande parte da hierarquia exibe o que a irmã Lúcia de Fátima chamou de “desorientação diabólica”.
  • “Insuficiente”: a liberação do Terceiro Segredo de Fátima no ano 2000, onde falta a explicação de Nossa Senhora sobre uma visão tão ambígua quanto os documentos do Vaticano II.

E, finalmente, há a abordagem geral do Vaticano com relação à FSSPX. Ela deveria ser regularizada imediatamente – unilateral e incondicionalmente, com permissão para operar independentemente dos bispos que estão cantando louvores ao Vaticano II enquanto fecham escolas, fecham paróquias, ignoram ou desafiam o Summorum Pontificum, se aproximam de grupos de “católicos gays”, administram o Santíssimo Sacramento a hereges públicos e sorriem como loucos enquanto sufocam a vida da Igreja.

Somente uma renovação católica como a que foi produzida de modo independente e com apoio papal pelos monastérios de Cluny pode restaurar a Igreja agora. A FSSPX está preparada para ter um papel importante nessa renovação. Negar à FSSPX este papel simplesmente para continuar a barganhar a respeito das ambigüidades de um Concílio que ninguém parece conseguir esclarecer é insuficiente. Rezemos para que o Papa traga este espetáculo ridículo a um fim para o bem da Igreja e do mundo.

março 22, 2012

Dom Williamson responde a Monsenhor Nicola Bux: que o Papa consagre a Rússia ao Imaculado Coração de Maria!

Fonte: Eleison Comments CCXLV | Tradução: Fratres in Unum.com

Monsenhor,

Em uma carta aberta de 19 de março endereçada a Dom Fellay e a todos os padres da FSSPX, o senhor apelou a nós para que aceitássemos a sincera e afetuosa oferta de reconciliação que o Papa Bento XVI está fazendo à FSSPX para a cura da longa fratura entre Roma e a FSSPX. Permita que um dos bispos da FSSPX tome para si a responsabilidade de lhe expressar o que pensa poder ser a resposta daquele “grande homem da Igreja”, Dom Lefebvre.

A sua carta começa com um apelo para “todo sacrifício em nome da unidade”. Mas não pode haver unidade Católica senão fundada na verdadeira Fé Católica. O grande Arcebispo fez todo sacrifício pela unidade na verdadeira doutrina da Fé. Infelizmente, as discussões doutrinais de 2009-2011 provaram que a fratura doutrinal entre a Roma do Vaticano II e a FSSPX continua tão grande como sempre. Mas a Fé sacrificada pela unidade seria uma unidade infiel.

É claro que a Igreja é uma instituição tanto humana como divina. É claro que o elemento divino não pode falhar, então é claro que a Igreja ao fim não pode falhar, e o sol nascerá de novo. Mas se poderia divergir quando o senhor diz que o amanhecer está perto, pois a verdadeira Fé que a FSSPX defendeu nas discussões não está brilhando desde a Roma do Vaticano II, do que decorre que nela a FSSPX não poderia estar em segurança. Nem poderia trazer luz se ela mesma adotasse a escuridão Conciliar.

A sinceridade do desejo do Papa em acolher de volta a FSSPX na “plena comunhão eclesial”, como demonstrada em uma série de gestos de verdadeira boa vontade, não está em dúvida, mas “uma profissão de fé comum” entre a FSSPX e aqueles que crêem no Vaticano II não é possível, ao menos que a FSSPX abandonasse aquela Fé que defendeu nas discussões. E quando a FSSPX grita “Deus não permita!” para essa deserção, longe de sua voz ser sufocada, ela é ouvida em todo o mundo.

Certamente, “esta é a hora apropriada”, certamente “chegou o momento favorável” para aquela solução aos cruéis problemas da Igreja e do mundo a que a Mãe do Céu há muito chama, e que depende apenas do Santo Padre. Esta solução clara há muito é conhecida.

Como os Céus poderiam ter deixado o mundo em tal agonia como a dos últimos 100 anos sem dar uma solução como aquela dada pelo Profeta Elias para a lepra do general sírio Namaã? Humanamente falando, a solução parecia ridícula, mas ninguém diria que era impossível. Ela pedia meramente alguma fé e humildade. O general pagão uniu suficiente fé e confiança no homem de Deus para fazer o que os Céus pediam, e, é claro, ele foi curado instantaneamente.

Que o Santo Padre reúna fé e confiança o suficiente na promessa da Mãe do Céu! Que ele agarre este “momento oportuno” antes que homens totalmente loucos tenham sucesso em lançar uma Terceira Guerra Mundial no Oriente Médio! Que ele, imploramos, suplicamos, salve a Igreja e o mundo ao fazer meramente o que a Mãe do Céu pediu. Não é impossível. Ela superaria todos os obstáculos em seu caminho. Certamente, apenas ele pode agora nos salvar de sofrimentos inimagináveis e desnecessários.

E se ele desejar qualquer apoio, na oração ou na ação, da humilde FSSPX para ajudá-lo a consagrar a Rússia ao Seu Imaculado Coração, em união com todos os bispos do mundo, que a Mãe do Céu reuniria, ele sabe que poderia contar primeiro e antes de tudo com o de Dom Fellay e dos outros três bispos da FSSPX, o menor dos quais é

Seu devoto servo em Cristo,

+ Richard Williamson.

[Atualização - 26 de março de 2012, às 08:07 - Um dia após a publicação de nossa tradução da coluna de Dom Williamson, recebemos uma versão corrigida, com alguns acréscimos (em negrito) e exclusões (grifadas) cuja tradução apresentamos abaixo].

RESPOSTA ABERTA À CARTA ABERTA DE MONSENHOR NICOLA BUX (Versão Corrigida)

(antecipando 24 de março de 2012, com permissão para cópia) Londres, 24 de março de 2012.

Monsenhor,

Em uma carta aberta de 19 de março endereçada a Dom Fellay e a todos os padres da FSSPX, o senhor apelou a nós para que aceitássemos a sincera e afetuosa oferta de reconciliação que o Papa Bento XVI está fazendo à FSSPX para a cura da longa fratura entre Roma e a FSSPX. Permita que eu, como um dos padres da FSSPX a quem o senhor se dirigiu, tome para mim o encargo de lhe dar a minha opinião quanto ao que poderia ter sido a resposta daquele “grande homem da Igreja”, Dom Lefebvre.

A sua carta começa com um apelo para “todo sacrifício em nome da unidade”. Mas não pode haver unidade Católica senão fundada na verdadeira Fé Católica. O grande Arcebispo fez todo sacrifício pela unidade na verdadeira doutrina da Fé. Infelizmente, as discussões doutrinais de 2009-2011 provaram que a fratura doutrinal entre a Roma do Vaticano II e a FSSPX continua tão grande como sempre. Mas a Fé sacrificada pela unidade seria uma unidade infiel.

Quanto a essa fratura mencionada em 19 de março como nada mais que “perplexidades remanescentes, pontos a serem aprofundados ou detalhados”, porém, em 16 de março, o Cardeal Levada foi categórico no sentido de que a posição tomada por Dom Fellay em 12 de janeiro é “insuficiente para superar os problemas doutrinais”. Dom Fellay certa vez observou como os clérigos de Roma podem divergir entre si, mas seja lá o que for a sua unidade, de qualquer maneira a Fé sacrificada pela unidade seria uma unidade infiel.

É claro que, como o senhor nos lembra, a Igreja é uma instituição tanto divina como humana. É claro que o elemento divino não pode falhar, então, é claro que a Igreja ao fim não pode falhar, e o sol nascerá de novo. Mas se poderia divergir quando o senhor diz que o amanhecer está perto, pois a verdadeira Fé que a FSSPX defendeu nas Discussões não está brilhando desde a Roma do Vaticano II, onde, de acordo com a FSSPX, não poderia estar em segurança. Nem poderia trazer luz se ela mesma adotasse a escuridão Conciliar.

A sinceridade do desejo do Papa em acolher de volta a FSSPX na “plena comunhão eclesial”, como demonstrada em uma série de gestos de verdadeira boa vontade, não está em dúvida, mas “uma profissão de fé comum” entre a FSSPX e aqueles que crêem no Vaticano II não é possível, ao menos que a FSSPX abandonasse aquela Fé que defendeu nas Discussões. E quando a FSSPX grita “Deus não permita!” para essa deserção, longe de sua voz ser sufocada, ela é ouvida em todo o mundo, e ela produz frutos católicos para  a Igreja, que, hoje em dia são a expectativa mais que a regra.

Certamente, “esta é a hora apropriada”, certamente “chegou o momento favorável” para uma solução aos cruéis problemas da Igreja e do mundo. Entretanto, é essa solução pela qual a Mãe do Céu há muito clama, e que depende apenas do Santo Padre. De fato, quando Nosso Senhor a colocou nas mãos de Sua Mãe, ela disse que nenhuma outra solução funcionaria, a fim de que Ele não pudesse deixar qualquer outra solução funcionar sem fazer a sua Mãe de mentirosa! Inconcebível.

A solução é conhecida há muito tempo, porque como os Céus poderiam ter deixado o mundo em tal agonia como a dos últimos 100 anos sem dar uma solução como aquela dada pelo Profeta Elias para a lepra do general sírio Namaã? Humanamente falando, banhar-se no Rio Jordão parecia ridículo, mas ninguém diria que era impossível. Era preciso somente alguma fé e humildade. O general pagão reuniu bastante fé e confiança no homem de Deus para fazer o que os Céus pediam, e, é claro, ele foi curado instantaneamente.

Que o Santo Padre reúna fé e confiança o suficiente na promessa da Mãe do Céu! Que ele agarre este “momento oportuno” antes que a economia global se desmorone, e antes que homens loucos tenham sucesso em lançar uma Terceira Guerra Mundial no Oriente Médio! Que ele, imploramos, suplicamos, salve a Igreja e o mundo ao fazer meramente o que a Mãe do Céu pediu. Não é impossível. Ela superaria todos os obstáculos em seu caminho. Ao fazer o que ela lhe pede, apenas ele pode agora nos salvar de sofrimentos inimagináveis e desnecessários.

E se ele desejar qualquer apoio, na oração ou na ação, com o qual a humilde FSSPX possa ajudá-lo a consagrar a Rússia ao Seu Imaculado Coração, em união com todos os bispos do mundo, que a Mãe do Céu reuniria, ele sabe que poderia contar primeiro e antes de tudo com o de Dom Fellay e dos outros três bispos da FSSPX, o menor dos quais é

Seu devoto servo em Cristo,

+ Richard Williamson.

março 16, 2012

Um mês.

Rádio Vaticano | Tradução: Fratres in Unum.com – A Santa Sé deu um mês à Fraternidade Sacerdotal São Pio X para que ela esclareça sua posição. O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé assim indicou aos jornalistas. Uma carta foi endereçada, em nome do Papa, pela Congregação para a Doutrina da Fé a Dom Bernard Fellay, superior da Fraternidade.

fevereiro 6, 2012

Tradição em Guerra com a Tradição?

Stephen Dupuy, The Remnant | Tradução: Fratres in Unum.com

O Papa recebe os membros da Congregação para a Doutrina da Fé ao fim de sua plenária.

O Papa recebe os membros da Congregação para a Doutrina da Fé ao fim de sua plenária.

Uma sessão plenária da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) teve início na terça-feira, 24 de janeiro. A finalidade, em parte, é deliberar sobre a resposta da Fraternidade de São Pio X relativamente ao preâmbulo doutrinal proposto pelo Vaticano. A aceitação do preâmbulo foi promovida pelo Vaticano como uma pré-condição a qualquer regularização canônica da Fraternidade. Membros da CDF que irão decidir o destino da Fraternidade incluem: Cardeal William Levada, “Peritos Ecumênicos” Cardeais Kurt Koch e Walter Kasper, o Cardeal de Viena, Christoph Schönborn (famoso pela Missa Balão), juntamente com o Bispo de Regensburgo, Gerhard Müller. Olhando para essa assembléia, parece que a Fraternidade tem tanta chance de receber o oferecimento de “plena comunhão” quanto o Tea Party [ntr: movimento político popular originado nos EUA reconhecido como conservador, que desde 2009 tem organizado protestos e apoiado candidatos políticos] tem de receber o convite para se unir ao Partido Democrata.

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fevereiro 4, 2012

“Se nos aceitarem como somos, sem mudanças, sem nos obrigar a aceitar essas coisas, então estamos prontos”.

Apresentamos a tradução do caríssimo amigo Gederson Falcometa, cuja  gentileza novamente agradecemos, de um extrato do sermão proferido ontem, festa da Purificação de Nossa Senhora, por Dom Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. O estilo coloquial foi preservado.

A Sociedade de São Pio X foi fundada pela Igreja e na Igreja, e nós dizemos que esta sociedade continua a existir, apesar do fato de que há uma pretensão de que ela não existe; que foi suprimida em 1976 (mas, obviamente, com total desrespeito das leis da própria Igreja). E é por isso que nós continuamos. E o nosso querido Fundador insistiu muitas e muitas vezes sobre a importância desta existência da Sociedade. E eu acho que, como o tempo evolui, temos de manter isso em mente – e é muito importante que mantenhamos este espírito católico.

Nós não somos um grupo independente. Mesmo se estamos lutando com a Roma, ainda somos, por assim dizer, com Roma. Estamos lutando com a Roma, ou, se você quiser, contra Roma, ao mesmo tempo com Roma. E nós afirmamos e continuamos a dizer, somos católicos. Queremos permanecer católicos. Muitas vezes eu digo a Roma, vocês tentam nos chutar para fora. E vemos que seria muito mais fácil para nós estar fora. Teríamos muito mais vantagens. Vocês nos tratariam muito melhor! Olhe para os protestantes, como abrem as igrejas a eles. Para nós, eles as fecham. E dizemos, nós não nos importamos. Nós fazemos as coisas na frente de Deus. Nós sofremos por parte da Igreja, tudo bem. Nós não gostamos disso, é claro. Mas temos de ficar lá na verdade. E nós temos que afirmar que pertencemos à Igreja. Nós somos católicos. Nós queremos ser e queremos permanecer, e é muito importante afirmar isso.

Também é importante que finalmente nós não imaginemos uma Igreja Católica que é apenas o fruto da nossa imaginação, mas que não é mais aquela [Igreja] real. E com a real nós temos problemas. Isso é o que torna ainda mais difícil: o fato de que temos problemas com ela. Isso não nos permite, por assim dizer, fechar a porta. Pelo contrário, é nosso dever continuamente ir até lá, bater à porta, não para implorar para que possamos entrar (porque estamos dentro), mas para pedir que possam se converter; que eles possam mudar e voltar ao que faz a Igreja. É um grande mistério, não é simples. Porque ao mesmo tempo que temos de dizer, sim, nós reconhecemos aquela Igreja — é o que dizemos no Credo, creio na Igreja Católica — de modo que aceitamos que há um Papa, aceitamos que existe uma hierarquia, nós aceitamos isso.

E na prática, em muitos níveis, temos de dizer não. Não porque isso [certos tópicos] não nos agrada, mas porque a Igreja já falou sobre isso. Já condenou mesmo muitas dessas coisas. E assim, em nossas discussões com Roma estávamos, por assim dizer, presos aí. O problema fundamental em nossas discussões com Roma foi realmente o Magistério, o ensinamento da Igreja. Porque eles dizem: “nós somos o papa, nós somos a Santa Sé” — e nós dizemos, sim. E então dizem, “nós temos o poder supremo”, e nós dizemos, sim. Eles dizem: “nós somos a última instância no ensino e somos necessários” — Roma é necessário para que tenhamos a fé, e nós dizemos, sim. E então eles dizem, “então, obedeçam.” E nós dizemos, não. E assim nos dizem, vocês são protestantes. Vocês colocam a sua razão acima do Magistério de hoje. E nós respondemos a eles, vocês são modernistas. Vocês alegam que o ensino de hoje pode ser diferente do ensino de ontem. Nós dizemos que, quando aderimos ao que a Igreja ensinou ontem, necessariamente aderimos ao ensinamento da Igreja hoje. Porque a verdade não está ligada ao tempo. A verdade está acima dele. O que foi dito uma vez é vinculante por todos os tempos.Esses são os dogmas. Deus é assim, Deus está acima do tempo. E a Fé é a adesão à verdade de Deus. Está acima do tempo. É por isso que a Igreja de hoje está vinculada e tem que ser como (e não só) a Igreja de ontem. E assim, quando você vê o Papa atual dizer que deve haver continuidade na Igreja, dizemos nós, é claro! Isso é o que temos dito em todos os momentos. Quando falamos de Tradição, é precisamente este o significado. Eles dizem, deve haver Tradição, deve haver continuidade. Portanto, há continuidade. O Vaticano II foi feito pela Igreja, a Igreja deve ser contínua, por isso o Vaticano II é Tradição. E nós dizemos, com licença?

E há mais, meus queridos irmãos. Isso foi durante a discussão. No final da discussão, surge esse convite de Roma. Neste convite há uma proposição de uma situação canônica para regularizar nossa situação. E posso dizer, o que é apresentado hoje, que já é diferente do que foi apresentado no dia 14 de setembro, podemos considerar como tudo certo, ótimo. Eles cumpriram todas as nossas condições, posso dizer, no plano prático. Então não há muito problema aí. O problema permanece em outro nível — o da doutrina. Mas mesmo aí ele vai muito além — muito além, meus queridos irmãos. A chave é um princípio. Que eles dizem, “isso você deve aceitar; você tem que aceitar que para os pontos que geram dificuldade no Concílio — pontos que são ambíguos, onde há disputa — esses pontos, como o ecumenismo, como a liberdade religiosa, estes pontos devem ser entendidos em coerência com o ensinamento perpétuo da Igreja”. “Então, se há algo de ambíguo no Concílio, é necessário entendê-lo como a Igreja sempre ensinou ao longo do tempo”.

Eles vão ainda mais adiante e dizem, “é necessário rejeitar o que se opõe a este ensinamento tradicional da Igreja”/ Bem, isso é o que sempre dissemos. Espantoso, não? Que Roma nos imponha este princípio. Impressionante. Então você pode se perguntar, então por que você não aceita? Bem, meus queridos irmãos, ainda há um problema. O problema é que neste texto dão duas aplicações do que e como temos de compreender esses princípios. Esses dois exemplos que eles nos dão são o ecumenismo e liberdade religiosa, como descritos no novo Catecismo da Igreja Católica, que são exatamente os pontos pelos quais nós repreendemos o Concílio.

Em outras palavras, Roma nos diz, nós fizemos isso o tempo todo. Somos tradicionais; Vaticano II é Tradição. A liberdade religiosa, o ecumenismo são Tradição. Estamos em plena coerência com a Tradição. Imaginem só, para onde vamos? Que tipo de palavras vamos encontrar para dizer que nós concordamos ou não? Se até mesmo os princípios que temos mantido e afirmado, dizem eles, sim, está ok, vocês podem afirmar isso, porque isso significa que queremos dizer, que é exatamente o contrário do queremos dizer.

Creio que não poderíamos ir adiante na confusão. Em outras palavras, meus queridos irmãos, isso significa que eles têm um outro significado para a palavra “tradição”, e talvez até mesmo para “coerência”. E é por isso fomos obrigados a dizer não. Nós não vamos assinar aquilo. Concordamos com o princípio, mas vemos que a conclusão é contrária. Grande mistério! Grande mistério! Então, o que vai acontecer agora? Bem, já enviámos a nossa resposta a Roma. Eles ainda dizem que estão refletindo sobre ela, o que significa que provavelmente eles estão embaraçados.Ao mesmo tempo, creio que podemos ver agora o que eles realmente querem. Será que eles realmente nos querem na Igreja ou não? Dissemo-lhes muito claramente, se nos aceitarem como somos, sem mudanças, sem nos obrigar a aceitar essas coisas, então estamos prontos. Mas se quiserem nos fazer aceitar estas coisas, não estamos. Na verdade, nós só citamos Dom Lefebvre quem disse isso já em 1987 — várias vezes antes, mas a última vez disse isso em 1987.

Em outras palavras, meus queridos irmãos, humanamente falando, é difícil dizer como será o futuro, mas sabemos que lidamos com a Igreja, lidamos com Deus, lidamos com a Providência Divina, e sabemos que esta Igreja é a Igreja Dele. Os seres humanos podem causar alguma perturbação, alguma destruição. Eles podem causar confusão, mas Deus está acima disso, e Ele sabe como, de todos esses acontecimentos — estes acontecimentos humanos — essas linhas tortuosas, Deus sabe como dirigir a Sua Igreja por meio dessas provações.

Haverá um fim para esta provação, não sei quando. Às vezes, há esperança de que ele virá. Às vezes, é como se perdêssemos a esperança. Deus sabe quando, mas na verdade, humanamente falando, temos de esperar por um bom tempo antes de esperar ver as coisas melhores — cinco, dez anos. Estou convencido de que em dez anos as coisas vão parecer diferentes, porque a geração do Concílio terá desaparecido e a próxima geração não tem essa ligação com o Concílio. E já agora ouvimos vários bispos, meus queridos irmãos, vários bispos nos dizer: vocês dão muito peso a este Concílio; deixe-o de lado. Poderia ser um bom caminho para Igreja ir adiante. Deixe-o de lado; esqueça-o. Vamos voltar ao que interessa, a Tradição.

Não é interessante ouvir bispos que dizem isso? É uma nova linguagem! Isso significa que temos uma nova geração que sabe que há coisas mais sérias que o Vaticano II na Igreja, e que temos de voltar a isso, se assim posso dizer. Vaticano II é sério por causa do dano que causou, sim, é. Mas, como tal, ele quis ser um concílio pastoral, que agora já acabou. Sabemos que alguém que está trabalhando no Vaticano escreveu uma tese para sua formação acadêmica sobre o magistério do Concílio Vaticano II. Ele mesmo nos disse e ninguém nas universidades romanas estava pronto para tomar esta tese. Finalmente, um professor o fez, e a tese é a seguinte: a autoridade do magistério do Vaticano II é a de uma homilia na década de 1960. E passou!

Veremos, meus queridos irmãos. Para nós é muito claro. Devemos nos firmar e nos ater à verdade, à Fé. Nós não vamos abrir mão disso — aconteça o que acontecer. Existem algumas ameaças, é claro, de Roma agora. Veremos. Nós colocamos todas essas coisas nas mãos de Deus, e nas mãos da Santíssima Virgem Maria. Oh, sim, temos de continuar a nossa cruzada de rosários. Contamos com ela, contamos com Deus. E então o que acontecer, acontecerá. Não posso prometer uma linda primavera. Eu não tenho a menor idéia do que vai acontecer nesta Primavera. O que sei é que a luta pela Fé vai continuar, aconteça o que acontecer. Reconhecidos ou não, você pode estar certo de que os progressistas não ficarão felizes. Eles vão continuar e nós vamos continuar a combatê-los também.

 

janeiro 30, 2012

Segunda resposta da FSSPX ao “preâmbulo doutrinal” não teria satisfeito membros da CDF. Assunto nas mãos de Bento XVI.

Secretum Meum Mihi | Tradução: Fratres in Unum.com – No site de La Vie, 28 de janeiro de 2012, Jean Mercier relata que, segundo fontes consultadas pela agência I.Media, a segunda resposta dada pela FSSPX ao “preâmbulo doutrinal” não teria satisfeito os membros da Congregação para a Doutrina da Fé, que trabalharam em assembléia plenária de 24 a 27 de janeiro e, entre outros assuntos, estudaram a segunda resposta dada pela FSSPX ao “preâmbulo doutrinal”. Citando Monsenhor Guido Pozzo, secretário da Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei”, afirma que a fase de avaliação da resposta da FSSPX ao “preâmbulo doutrinal” não está terminada. Finalmente, diz que o assunto está nas mãos de Bento XVI.

janeiro 30, 2012

FSSPX e Santa Sé: e agora?

Por Alessandro Gnocchi e Mario Palmaro, Il Foglio, 27 de janeiro de 2012

Fonte: Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com

O acordo será feito ou não? O diálogo entre a Santa Sé e a Fraternidade de São Pio X [FSSPX / SSPX], fundada pelo Monsenhor Marcel Lefebvre, entrou em uma fase decisiva. O resultado deste diálogo é, acima de tudo, a grande preocupação do Papa Bento XVI, que o encorajou e nutriu pessoalmente; ele também é uma grande preocupação de todos os padres, religiosos e fiéis leigos que estão com a Fraternidade; ele é uma grande preocupação para grande parte do mundo católico que não faz parte da FSSPX, mas que está ao lado da Tradição. Por motivos diferentes, o catolicismo progressista e o mundo secular estão observando (a situação) com grande atenção e algum nervosismo.

Em outras palavras: a partida que está sendo disputada é importante e difícil, porém, um acordo não é impossível. Grande parte da resistência poderá desaparecer se considerarmos que ao discutir as questões canônicas, esta ocorre através de meios diplomáticos, também porque a resolução canônica da Fraternidade está em jogo. Neste caso estamos nos movendo em terreno misto onde é fundamental distinguir os níveis, o processo, que, objetivamente, nem sempre é fácil.

O caso prossegue em terreno instável. Se você puder compreender a desorientação de Roma com relação às hesitações da FSSPX, você também tem que compreender a perplexidade da Fraternidade quando ela reclama que Roma lhes pede algo que não foi pedido a ninguém, para que eles ostentem aquela categoria capciosa chamada “plena comunhão”.

Nesse ponto, nenhum dos dois lados pode esperar que o outro pague um preço impagável: por um lado, Roma não pode pedir que a Fraternidade São Pio X renegue a sua identidade; por outro, os lefebvristas não podem esperar que Roma perca o prestígio, com uma rendição incondicional e uma volta à forma no atual mundo católico como num conto de fadas, que objetivamente, é um acúmulo de muitas coisas contrastantes.

O sucesso das conversações exige uma conscientização que saiba como manter a fé e o realismo juntos. Por um lado, a visão sobrenatural: a crença de que a Igreja está em Roma (ela está em qualquer caso) apesar do fato de que ela está passando uma das mais graves crises em sua história; por outro lado, o caminho estreito do realismo, que objetiva dar à Fraternidade São Pio X a possibilidade de “ter a experiência da Tradição” de acordo com a fórmula que foi cunhada pelo próprio Mons. Marcel Lefebvre.

Mesmo que pareça fora de proporção, grande parte da responsabilidade reside com os sucessores de Lefebvre. Na história da Igreja a figura do anão que carrega o gigante em seus ombros é recorrente. É uma tarefa que, além do rigor moral e doutrinal, exige humildade e caridade, e o entendimento de que Roma é auxiliada pela permanência com Roma. Porém, a medida que o tempo passa, há um risco maior de pensar que existe somente uma alternativa entre dois (caminhos); a sirene que não convida a nenhuma resolução porque as condições na Igreja são muito sérias; e a sirene que convida à resolução sem discussão porque no final ‘tudo está bem’. No sentido mais profundo, nenhum dos caminhos se encaixa bem com uma instituição como a Fraternidade São Pio X, que nasceu em conseqüência da crise inquestionável que atingiu a Igreja após o Concílio Vaticano II.

Além das duas alternativas mencionadas acima, existe uma terceira alternativa e neste caso, ela é mais ou menos assim: a questão precisa ser resolvida tão logo possível precisamente porque a situação é grave, para o bem de toda a Igreja.

Nesse esforço, a Fraternidade São Pio X não pode ser deixada só com uma tamanha responsabilidade. O Papa Bento XVI é o avalista disso. Não se pode negar que esse Papa marcou o seu pontificado ao devolver a honra da Missa Gregoriana, revogando as excomunhões dos bispos da Fraternidade e iniciando as discussões doutrinais sobre questões polêmicas. Essas são todas as condições solicitadas pelos herdeiros de Mons. Lefebvre. Esse fato não pode ser ignorado pela FSSPX nem pelos negociadores que representam Roma. Os últimos estão muitíssimo cientes de que há mais catolicismo na comunidade lefebvrista (embora eles estejam em situação canônica irregular) do que em muitas comunidades regulares dentro do mundo católico. Chegou a hora de acabar com esse paradoxo, através de uma ação de boa vontade acompanhada de senso comum, de ambos os lados.

[Tradução para o inglês: Colaboradora Francesca Romana. Gnocchi e Palmaro, autores católicos tradicionais, escreveram "Report on Tradition - In conversation with the successor of Monsignor Lefebvre"]

janeiro 25, 2012

Reunião na Congregação para a Doutrina da Fé analisa situação da FSSPX.

Fratres in Unum.com | A agência austríaca Kath.net informa que a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) iniciou ontem, terça-feira, a sua assembléia no Vaticano. A plenária será dirigida pelo Prefeito da Congregação, Cardeal William Levada. Pertencem também à Congregação para a Doutrina da Fé os Cardeais Kurt Koch e Walter Kasper, como peritos para o ecumenismo, bem como o Arcebispo de Viena Christoph Schönborn. Igualmente, o bispo de Regensbugo, Gerhard Ludwig Müller, de 64 anos, é membro da congregação e está cotado como um dos três favoritos para suceder Levada, na nomeação prevista para abril.

Um dos temas da assembléia seria, segundo Kath.net, o exame da questão envolvendo a Fraternidade São Pio X. O dicastério analisaria a resposta de Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade, relativa às condições formuladas pela Congregação de Levada para uma reconciliação.

Novas negociações ou uma ruptura definitiva?

Continua Kath.net: “A questão crucial é saber se as melhorias [no Preâmbulo Doutrinal] exigidas pelos lefebvristas serão consideradas alterações na causa ou meramente reformulações. No primeiro caso, a resposta romana provavelmente significaria a ruptura definitiva. No entanto, caso a maioria dos peritos da CDF esteja disposta a considerá-las como reajustes permitidos, isso soaria como uma nova rodada de negociações. O caminho do meio seria congelar a situação atual primeiro. A CDF identificaria uma discordância ainda existente em pontos essenciais, e isso explicaria porque a priori uma maior integração da Fraternidade na Igreja seria impossível. Assim ambos os lados  manteriam as aparências”.

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