Posts tagged ‘Dom Antônio de Castro Mayer’

abril 5, 2012

Via Sacra escrita por Dom Antônio de Castro Mayer.

ORAÇÃO PREPARATÓRIA

Meu Senhor Jesus Cristo, disponho-me a acompanhar-Vos no caminho que trilhastes do pretório de Pilatos ao Calvário, para Vos imolardes por minha salvação. Peço-Vos a graça de nos conceder grande dor e arrependimento de ter pecado, causando vossos atrozes sofrimentos, e que vosso Sangue preciosíssimo infunda em minha alma o propósito firme de nunca mais pecar.

ANTES DE CADA ESTAÇÃO

Dirigente: Nós Vos adoramos, Senhor, e Vos bendizemos;

Todos: Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.

No final da consideração, depois da Ave Maria:

Todos: PESA-ME, SENHOR, de todo o meu coração ter ofendido a vossa infinita bondade, proponho com vossa graça a emenda, e espero que me perdoeis por vossa infinita misericórdia. Amém.

Dirigente: Compadecei-vos de nós, Senhor!

Todos: Compadecei-vos de nós!

Dirigente: Que as almas dos fiéis defuntos, por misericórdia de Deus, descansem em paz.

Todos: Amém.

janeiro 27, 2012

Uma Igreja no Exílio (V): O choro amargo de Dom Antônio pelo seminário.

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om Navarro começou sua atividade pastoral demitindo o chanceler da diocese e vigário da catedral do Santíssimo Salvador de Campos, Monsenhor Henrique Conrado Fischer, um amigo de Dom Antonio que por anos fora encarregado da supervisão dos assuntos diocesanos. Pouco depois, começou a acusar os padres da diocese de irregularidades econômicas. Ele sugeriu abertamente que muitos deles desviaram fundos para uso pessoal, venderam terras que não lhes pertenciam e auferiram ganhos pessoais com as vendas e encorajavam um boicote econômico ao novo bispo e à diocese. Essas acusações começaram a aparecer em revistas nacionais e circularam por todo o Brasil. Elas pararam abruptamente quando os padres da diocese deram a conhecer em uma “notinha” pública que, se o novo bispo continuasse a fazer tais acusações, poderia esperar ser desafiado aprová-las em juízo. Nada mais foi dito publicamente sobre esses assuntos, mas, é claro, os rumores continuaram a circular.

[...]

Uma forma de descontinuar a Missa Tridentina desde a fonte se tornou óbvia – parar de formar padres que celebram a Missa. Em uma visita ao seminário menor em Varre-Sai, em um período de férias enquanto ninguém estava no seminário há várias semanas, Dom Navarro se declarou chocado com o estado do velho prédio. Por muitos anos, aquele fora o seminário maior da diocese, antes de se tornar o seminário menor, quando Dom Antonio, em uma medida de precaução por ocasião de uma tentativa de dividirem a diocese e tomarem controle do seminário, transferiu o seminário maior para a cidade de Campos. Dom Navarro agora declarava que o velho prédio era “pior que Auschwitz”. Ele o fechou sumariamente. Os jovens seminaristas que esperavam retornar ao curso para continuar seus estudos em preparação ao sacerdócio – português, francês, latim, grego, história geral, história eclesiástica, matemática, geografia, religião, canto gregoriano e filosofia – descobriram, de repente, que estudavam em um dilapidado, velho prédio que era “pior que Auschwitz”. Absolutamente, eles se viram, de fato, tendo de estudar para o sacerdócio.

O passo seguinte veio sem surpresas. O novo bispo anunciou sua intenção de fechar o seminário maior em Campos. Quando Dom Antonio entregou seu molho de chaves do seminário a um representante do novo bispo, chorou abertamente, talvez a primeira vez que chorava em público desde a carta chegada de Roma anunciando a instituição do novus ordo missae.

The Mouth of the Lion: Bishop Antonio de Castro Mayer and the last Catholic Diocese. Dr. David Allen White, Angelus Press, 1993 – pág. 128-129 | Tradução: Fratres in Unum.com

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dezembro 9, 2011

Uma Igreja no Exílio: Há trinta anos, em Campos (III).

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Brasão da Basílica do Santíssimo Salvador.

Brasão da Basílica do Santíssimo Salvador.

om Navarro, desde o início, obviamente, sentiu-se vítima de ataques e humilhações. Dom Antonio de Castro Mayer encontrou o novo bispo e passou sua autoridade fora da Basílica do Santíssimo Salvador, às margens do Paraíba, em Campos. Com os ataques pessoais já dirigidos a ele em público e tendo conhecimento de que a primeira Missa a ser celebrada por Dom Navarro seria [com] o Novus Ordo Missae, o bispo que estava se aposentando preferiu ter uma cerimônia ao ar livre. Dom Navarro se sentiu ofendido e talvez seus comentários públicos sobre a residência episcopal tenham sido uma forma de retaliação por aquilo que viu como uma degradação pública. Um grupo de fiéis da TFP atrapalhou a primeira Missa na Basílica. De modo algum irromperam durante a cerimônia, mas passavam folhetos fora da Basílica, anunciavam sua antipatia pela nova Missa com megafones e tentavam desencorajar as pessoas a adentrar a Basílica para assistir a Missa. Novamente ele deve ter se chateado com tais demonstrações públicas de desobediência direta. Suas palavras não estavam simplesmente sendo ignoradas por muitos dos fiéis, mas, desde o início, desafiadas ao ar livre e com grande alarde. As piores humilhações seguramente ocorreram em suas primeiras viagens pela diocese onde, cidade após cidade, em paróquias ou capelas rurais, os fiéis o recebiam educadamente e o ouviam delicadamente, mas quando ele se preparava para celebrar a nova Missa, saíam em bloco e o deixavam diante de uma igreja praticamente deserta. Segundo a opinião geral, ele ficava furioso.

The Mouth of the Lion: Bishop Antonio de Castro Mayer and the last Catholic Diocese. Dr. David Allen White, Angelus Press, 1993 – pág. 142 | Tradução: Fratres in Unum.com

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dezembro 8, 2011

“De Maria numquam satis”.

“De Maria numquam satis”, dizem os Santos. Não se deve dizer basta nos louvores a Maria Santíssima. Não temamos cultuá-la excessivamente. Estamos sempre muito aquém do que Ela merece. Não é pelo excesso que nossa devoção a Maria falha. E sim, quando é sentimental e egoísta. Há devotos de Maria que se comovem até às lágrimas, e, no entanto, se ajustam, sem escrúpulos, à imodéstia e à sensualidade dominantes na sociedade de hoje. Sem imitação não há verdadeira devoção marial.

Consagremos, realmente, a Maria Santíssima nossa inteligência e nossa vontade, com a mortificação de nossa sensibilidade e de nossos gostos, e Ela cuidará de nossa ortodoxia. “Qui elucidam me vitam aeternam habebunt” (Eclo 24,31) – [Aqueles que me tornam conhecida terão a vida eterna] -, diz a Igreja de Maria. Os que se ocupam de fazê-la conhecida e honrada terão a vida eterna.

Dom Antônio de Castro Mayer.

Quando eu era jovem teólogo, antes e até mesmo durante as sessões do Concílio, como aconteceu e como acontecerá a muitos, eu alimentava uma certa reserva sobre algumas fórmulas antigas como, por exemplo, a famosa De Maria nunquam satis – “Sobre Maria jamais se dirá o bastante”. Esta me parecia exagerada.

Encontrava dificuldade, igualmente, em compreender o verdadeiro sentido de uma outra expressão bastante famosa e difundida repetida na Igreja desde os primeiros séculos, quando, após um debate memorável, o Concílio de Éfeso, do ano 431, proclamara Nossa Senhora como Maria Theotokos, que quer dizer Maria, Mãe de Deus, expressão esta que enfatiza que Maria é “vitoriosa contra todas as heresias”.

Somente agora – neste período de confusão em que multiplicados desvios heréticos parecem vir bater à porta da fé autêntica –, passei a entender que não se tratava de um exagero cantado pelos devotos de Maria, mas de verdades mais do que válidas.

Cardeal Joseph Ratzinger – Entretiens sur la Foi, Vittorio Messori – Fayard 1985.

(Publicado originalmente na festa da Imaculada Conceição de 2008)

novembro 24, 2011

Uma Igreja no Exílio: Há trinta anos, em Campos (II).

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om Navarro era um estudante no seminário do Rio na época das mudanças [do pós-Concílio]. Toda a sua formação e orientação católica ocorreu em um clima de mudança e, bom militar que era, ele simplesmente seguia ordens. Quando se tornou bispo de Campos, esperava que os outros fizessem o mesmo. Ele insistia nisso. [...]

À esquerda, o então Padre Navarro, no centro, o sambista Almir Saint Clair e, à direita, o Padre José Alves. O sambista fora convidado a gravar músicas religiosas pelo então Padre Navarro.

À esquerda, o então Padre Navarro acompanhado pelo sambista Almir Saint Clair (centro) e pelo Padre José Alves (direita). O sambista foi convidado a gravar músicas religiosas pelo então Padre Navarro.

Dom Navarro expressou decepção imediatamente após sua chegada. Tão logo se mudou para a residência episcopal, afirmou ter encontrado a casa “vazia, com uma geladeira velha, uns poucos móveis quebrados” e “apenas” quinhentos cruzeiros nos cofres diocesanos. Começaram a circular rumores na imprensa local de que o novo bispo foi insultado, que Dom Antônio desaparecera com suas riquezas e deixara apenas as paredes descobertas como suas boas-vindas ao seu sucessor. A simples realidade era que o antigo bispo, como sabia qualquer um que já havia passado algum tempo próximo a ele, vivia uma vida de grande simplicidade e genuína pobreza. Nunca houve quaisquer tesouros na mansão episcopal, e os poucos itens que foram removidos, livros, escrivaninha, cama, artefatos religiosos, eram pertences pessoais com valor tanto prático, intelectual ou sentimental. Os rumores continuaram a circular e, finalmente, foram abertamente confirmados pelo novo bispo em uma carta dirigida ao maior jornal do Rio, O Globo. Nela, Dom Navarro vociferava seu ressentimento com o que encontrara em sua nova residência e insinuava uma tentativa deliberada de humilhá-lo em sua chegada por parte de Dom Antônio.

The Mouth of the Lion: Bishop Antonio de Castro Mayer and the last Catholic Diocese. Dr. David Allen White, Angelus Press, 1993 – pág. 124-126 | Tradução: Fratres in Unum.com

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novembro 15, 2011

“Unidos em defesa da Fé”.

Por Padre Élcio Murucci

Faz hoje 30 anos que Sua Excia. Revma. D. Carlos Alberto Etchandy Gimeno Navarro tomou posse da Diocese de Campos em lugar de Sua Excelência Reverendíssima Dom Antônio de Castro Mayer.

Em agosto de 1982 o novo Bispo mostrava bem para o que veio: “Ecce venio ut…!” Eis o  seu decreto:

D E C R E T O

1) A todos e a cada um dos sacerdotes incardinados ou com uso de ordens nesta Diocese de Campos se preceitua:

a) responder-nos, por escrito, individualmente, até 25 de setembro, se aceita, como esperamos, a decisão do Santo Padre;

b) a partir do dia 25 de outubro de 1982, o uso EXCLUSIVO dos Livros Litúrgicos aprovados pela Sé Apostólica, e em vigor na Igreja Latina, fazendo-se especial menção da Constituição Apostólica do Santo Padre Paulo VI, de três de abril de 1969, que promulga o Missal Romano restaurado, com a cláusula: “Tudo o que aqui estabelecemos e ordenamos, queremos que seja válido e eficaz agora e no futuro, não obstante qualquer coisa em contrário nas Constituições e Ordenações Apostólicas de Nossos Predecessores e outros estatutos, embora dignos de menção e derrogação especiais”;

c) Se algum presbítero ousar desobedecer a quanto se prescreve neste Decreto, o que esperamos não aconteça, fica desde já canonicamente advertido de que seremos obrigados a dar cumprimento aos Sagrados Cânones, com especial menção dos cc. 2331 §§ 1 e 2  e/ou 2337 §§ 1 e 2, dentro das normas do direito em vigor.

Este Decreto entra em vigor a partir da data de sua comunicação ao Clero, inclusive para aqueles que se recusarem a recebê-lo, do que o Revmo Chanceler fará fé pública.

Dado e passado nesta Episcopal cidade de Campos, sob nosso selo e armas, no dia 25 de agosto de 1982, memória de São Luís de França.

Dom Carlos Alberto Etchandy Gimeno Navarro

Bispo Diocesano

Padre Joaquim Ferreira Sobrinho

Chanceler do Bispado

D. Fernando Arêas Rifan, DD. Bispo e Administrador Apostólico, numa reunião feita a alguns Congregados Marianos da minha Paróquia, disse que D. Navarro quis jogar a Missa de Paulo VI goela abaixo, mas que não é assim que se faz. Na verdade só Deus é que pode julgar a culpa de cada um. E espero que Deus teve misericórdia de D. Navarro. Afinal é a formação que ele recebeu. Estava obedecendo ao Papa. E sobretudo, ainda um Papa não havia declarado depois do Vaticano II que a Missa chamada de S. Pio V nunca fora abrogada. Este mérito tão glorioso só veio a ser creditado ao nosso queridíssimo Papa gloriosamente reinante Bento XVI.

* * *

Além da resposta individual, os 25 padres fiéis à Tradição deram uma resposta em conjunto. Eis a carta:

Exmo. e Revmo Sr.
Dom Carlos Alberto Etchandy Gimeno Navarro
DD. Bispo Diocesano

                                                         Laudetur Jesus Christus!

Em atenção à ordem constante do decreto que Vossa Excelência nos entregou e fez publicar nos jornais de Campos, em 25 de agosto p. p., cabe-nos, respeitosamente, dar a seguinte resposta, que envolve considerações de ordem jurídica e teológica.

I – Quanto ao aspecto jurídico:

1. Vossa Excelência não especifica precisamente qual a “decisão do Santo Padre” que devemos acatar, nem nos indica o documento em que o mesmo Santo Padre no-la impõe.

Nestas condições, torna-se difícil uma resposta precisa, porque não podemos dizer que acatamos, se não sabemos com clareza o que devemos acatar.

2. Entre os documentos emanados da Santa Sé, não se encontra nem um que exclua formalmente dos livros litúrgicos aprovados o Missal chamado de São Pio V. Quanto a cláusula com que, segundo Vossa Excelência, Paulo VI teria promulgado o Missal Romano restaurado, se ela de fato afirma a validade e eficácia daquilo que estabelece e ordena, de modo algum revoga qualquer Missal preexistente. Em outras palavras, tal cláusula derroga a Bula “Quo primum” apenas enquanto esta obrigava, de maneira exclusiva, o Missal Tridentino.

II – Quanto ao aspecto teológico, em consciência declaramos:

1. Somos sacerdotes Católicos Apostólicos Romanos, filhos da Santa Igreja, que amamos com todas as veras de nossa alma e em cujo seio queremos viver e morrer, como esperamos pela graça de Deus.

2. Como católicos e filhos da Santa Igreja, damos plena e amorosa adesão e obediência ao Santo Padre, Vigário de Jesus Cristo na terra, Chefe visível da Igreja, segundo as determinações constantes do Cap. 4º da Ses. IV do Concílio Vaticano I, que definiu a Infalibilidade Pontifícia (Cf. Denz.-Sch. 3070). Pio IX precisou as delimitações ou contornos do poder papal mais acuradamente, ao aprovar a carta dos Bispos alemães à circular do chanceler Bismark (Denz.-Sch. 3212-3117).

Aceitamos, pois, todos os direitos e atribuições, honras e privilégios que ao Romano Pontífice conferem a Tradição e o Direito Canônico.

3. De acordo com essa mesma doutrina católica tradicional, toda obediência na Igreja está condicionada à fidelidade à Fé. A Igreja é uma sociedade constituída para manter a integridade e pureza da Fé transmitida pelos Apóstolos. Ora, esta Fé é que nos impede de poder, em consciência, aceitar a imposição que Vossa Excelência nos faz, no sentido de admitir e pôr em prática o novo “Ordo Missae”, uma vez que nele se extenuam os dogmas eucarísticos e há mesmo ensinamento contrário ao depósito revelado no nº 7 da “Institutio Generalis Missalis Romani”. De fato, por esse nº 7, contrariamente ao ensino do Concílio de Trento (Ses. XXII. c. 1; Ses. XXIII. c. 1), e de acordo com a doutrina luterana, a ação sacrifical é de toda a assembléia, e não exclusivamente do sacerdote hierárquico.

4. Se aceitássemos – como gostaríamos, por deferência a Vossa Excelência – a imposição que nos faz, nós nos estaríamos, ipso facto, excluíndo da fé e da mesma Igreja.

5.  Nos casos em que pode haver perigo para a Fé, os súditos têm o direito, e até o dever, de resistir. (Cf. Inocêncio III, apud Billot, Tract. de Eccl. Christi, Tom. I, pp. 618-619; S. Tomás de Aquino, Summa Theol. II-II, 33, 4, 2 – Ad Gal. 2, 11-14, lect. III, nn. 77, 83-84; – S. Roberto Belarmino, De Rom. Pont., lib. II, c. 29).

III – Observamos

a) que nossa atitude coincide com deliberações do Concílio Vaticano II, segundo as quais nenhum poder humano pode impedir alguém de, em matéria religiosa, agir de acordo com sua consciência (D. Hum. nº 2), desde que mantenha convivência pacífica com os demais cidadãos.

b) que nossa posição também se ajusta ao propósito explícito do Concílio Vaticano II, onde este declara que, “atendendo fielmente a Tradição, a Igreja atribui igual direito e honra a todos os ritos legitimamente reconhecidos e quer que no futuro se conservem e fomentem (grifos nossos), por todos os meios.” (Sac. Conc., Proem. n. 4).

IV – Aos que nos acusam de estarmos pondo em dúvida a ortodoxia de “Paulo VI, de João Paulo I e de João Paulo II que adotaram o novo “Ordo Missae”, fazemos as seguintes ponderações:

O Concílio de Trento lançou anátema contra quem condenasse o rito, que manda dizer em voz baixa as palavras da Consagração na Missa; o novo “Ordo” manda que, em virtude da própria natureza das palavras (Rub. 91; Institutio, nn. 10 e 12), a prece eucarística – portanto também as palavras da Consagração – sejam ditas em voz alta. A aceitação desta segunda proposição envolve a rejeição da primeira, onde haveria, aliás, erro palmar, por estabelecer um rito contrário à própria natureza das palavras a serem pronunciadas! Diriam nossos opositores que quantos aceitam o novo “Ordo Missae” põem em dúvida a ortodoxia de Pio IV, que aprovou o Concílio de Trento, e de seus sucessores até Paulo VI?

Queremos notificar, outrossim, que já respondemos a carta de S. Exa. D. Giuseppe Casoria, DD. Pró-Prefeito da Sagrada Congregação dos Sacramentos e do Culto Divino, que V. Exa. nos entregou.

Ao enviar esta resposta, renovamos a expressão de nossos respeitos devidos a V. Exa., e apresentamos as nossas orações.

De Vossa Excelência Reverendíssima
devotíssimos no Senhor
Campos, 24 de setembro de 1982.

novembro 15, 2011

Uma Igreja no Exílio: Há trinta anos, em Campos (I).

Hoje, no trigésimo aniversário da ascenção de Dom Carlos Alberto Etchandy Gimeno Navarro à Sé de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, iniciamos uma série de artigos sobre os eventos ocorridos nessa diocese do Norte Fluminense envolvendo o novo bispo e os “Padres tradicionalistas de Campos”, encabeçados pelo bispo emérito, Dom Antônio de Castro Mayer.

* * *

C

Ao fundo, o então Núncio Apostólico, Dom Carlos Furno; à frente (à esquerda na foto), Dom Carlos Navarro.

Ao fundo, o então Núncio Apostólico, Dom Carlos Furno; à frente (à esquerda na foto), Dom Carlos Navarro.

arlos Alberto Etchandy Gimeno Navarro se tornou o novo bispo de Campos em 15 de novembro de 1981. Ele servira por muitos anos como bispo auxiliar do Cardeal Eugênio de Araujo Sales, do Rio de Janeiro, que não era amigo da tradição. Restam poucas dúvidas de que Dom Navarro recebeu uma missão junto com sua nomeação. Esta missão foi projetada como parte de um estratagema Roma-Rio para libertar o Brasil (e o mundo naquele momento) de uma vez por todas da última diocese onde a Fé Católica tradicional sobrevivia com toda sua “velha Igreja”, formas e idéias pré-conciliares. Aquela “antiga Fé com seus velhos modos” manteve sua influência na sé episcopal da diocese, em todas as suas  cidades e em todas as capelinhas que salpicavam a zona rural. A diocese de Campos permaneceu como uma viva, pulsante e brilhante reprovação à nova Igreja. Quase todas as paróquias por toda a diocese haviam conservado a Missa Tridentina por quase doze anos, enquanto o resto do Brasil, o resto da América Latina e o resto do mundo adotavam a nova forma litúrgica e, no curso daqueles mesmos doze anos, passavam muito além daquela nova forma de Missa para um mundinho católico de missas onde todo padre modernista poderia adotar sua própria forma de liturgia.

[...]

Aos olhos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e, agora, também aos olhos de Roma, essa situação havia se tornado insustentável e não podia mais ser tolerada. As células cancerígenas atacam as células saudáveis, e não vice-versa. A principal fonte de saúde no organismo de Campos sempre fora Dom Antônio de Castro Mayer. Agora ele estava sendo removido. A suposição do acordo Rio-Roma era que, sem o seu bispo à frente, os fiéis da diocese rapidamente sucumbiriam aos modos da nova Igreja. Os bispos do Brasil e a hierarquia em Roma pareciam não ter idéia do efeito que um bom bispo-mestre católico poderia causar ao longo de trinta e três anos [de episcopado em Campos]. Não entendiam que os fiéis estavam imunizados.

The Mouth of the Lion: Bishop Antonio de Castro Mayer and the last Catholic Diocese. Dr. David Allen White, Angelus Press, 1993 – pág. 121-123 | Tradução: Fratres in Unum.com

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junho 14, 2011

Liberdade religiosa: a posição clara de Dom Antônio de Castro Mayer.

Por Disputationes Theologicae | Tradução: Fratres in Unum.com

Em 15 de outubro último, tive a honra de escrever a Vossa Santidade, afirmando meu filial acatamento a tais ordens. Entre estas, estava a de que, dada a eventualidade de “em consciência não estar eu de acordo” com “atos do atual Magistério Ordinário da Igreja”, “manifestasse livremente à Santa Sé” meu parecer. É o que faço com toda a reverência devida ao Augusto Vigário de Jesus Cristo, ao entregar a Vossa Santidade os três estudos anexos”.

Dom Antonio de Castro Mayer

Dom Antônio de Castro Mayer

O cerne teológico da “liberdade religiosa”, tal como descrita no documento conciliar Dignitatis Humanae – no n º 2 em particular — tem suscitado inúmeros estudos e propostas interpretativas na linha hoje renomeada “da continuidade hermenêutica”. Até agora, as tentativas, apesar da extrema erudição teológica, têm se revelado pouco convincentes.

O Bispo da Diocese de Campos, Dom Antônio de Castro Mayer — hoje injustamente esquecido – voltou-se respeitosamente ao Papa Paulo VI, na qualidade de membro da Igreja docente; os Bispos, de fato, antes de ensinar o seu próprio rebanho, recebem um ensinamento do Sumo Pontífice e é praxe que a ele clamem para conhecer a interpretação autêntica de um texto que lhes é proposto. No estudo e na súplica do Bispo brasileiro, a clareza teológica se une ao filial — e igualmente teológico — respeito para com o Sucessor de Pedro. Como filho devoto da Igreja, mas sem esconder a verdade, o bispo desenvolve um estudo teológico de uma simplicidade desarmante, reconstituindo o pensamento constante da Igreja; não conseguindo encontrar uma solução para o problema e vendo o perigo da situação, volta-se a quem recebeu as chaves de Cristo, porque — parafraseando o padre grego Teodoro Studita – a sua palavra, o seu “cálamo divino”, os seus escritos, têm o poder de dispersar a matilha de lobos que invadem a casa de Deus: “Lupi graves irruerunt in aulam Domini (…) habes potestatem a Deo… Terreto, supplicamus, haereticas feras calamo divini verbi tui”.

O texto é de 1974 [ndr: período do Dom Antônio obediente, diriam alguns...], mas merece ser reproposto pelas características citadas e pela pena que o escreveu, refletindo abertamente sobre a necessidade de uma interpretação autêntica do texto controverso, sem descartar que o Sumo Pontifíce possa proceder a uma revisão de texto, que não goza da infalibilidade.

S.C. [Padre Stefano Carusi, IBP]

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abril 25, 2011

Boas recordações de Dom Mayer.

No vigésimo aniversário de falecimento de Dom Antônio de Castro Mayer, temos a honra de publicar esta colaboração do reverendíssimo Padre João Batista para o Fratres in Unum. Obrigado, Padre! E, principalmente, obrigado, Dom Antônio!

* * *

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

Conheci D. Mayer lá por volta de 1979, em São Paulo, na sede do conselho nacional da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade. Um amigo convidou-me para ir lá conhecê-lo a ele e ao Dr. Plínio Correa de Oliveira. Foi um encontro brevíssimo. Mas ficou-me uma boa impressão.

Passados alguns anos, um parente longínquo meu, o saudoso Dr. José Benedicto Pacheco Salles, convidou-me para ir à igreja de Santa Generosa, no bairro do Paraíso, assistir a uma missa de D. Mayer. Fiquei surpreso porque ele se recordou de mim e do encontro rápido que tínhamos tido. A partir de então, comecei a ter um contato assíduo com D. Mayer, que vinha com freqüência a São Paulo e se hospedava naquela paróquia regida por seu sobrinho, o cônego José Payne.

Era uma alegria assistir à sua missa celebrada em um altar tradicional situado no coro da igreja. Sempre se reunia um pequeno grupo de católicos da tradição, núcleo inicial desse movimento que se expandiu muito esses últimos anos em São Paulo.

Após a missa, diversas vezes fui convidado a tomar o café da manhã em sua companhia, porque queria pedir-lhe algum esclarecimento sobre minha vocação sacerdotal. Lembro-me de que ele me pediu que escrevesse uma carta a um padre de Campos responsável pelas vocações sacerdotais.

Em todas essas ocasiões, D. Mayer sempre se mostrou um homem bem humorado, alegre e sereno.  Sua conversação não se limitava ao assunto que em geral predomina nas reuniões de católicos tradicionalistas, a crise na Igreja e no mundo contemporâneo. Ele nos brindava com suas memórias da antiga São Paulo dos tempos da República Velha.

D. Mayer era um sacerdote formado em uma época em que não só a Igreja florescia sob o influxo da luta de São Pio X contra o modernismo, mas também a sociedade paulistana rejuvenescia espiritualmente por obra do grande arcebispo D. Duarte Leopoldo e Silva. As famílias católicas tinham a sua disposição bons colégios católicos e paróquias bem dirigidas por padres sérios e vida espiritual sólida. E D. Mayer deu uma grande contribuição para tal rejuvenescimento como professor de sociologia na Faculdade Sedes Sapientiae. Conheci uma senhora que foi sua aluna e me disse que grande professor tinha sido ele. A meu ver, foi o período áureo do catolicismo em São Paulo, e talvez em todo o Brasil. Com efeito, o Brasil crescia graças à cafeicultura, uma riqueza que propiciava industrialização e a ascensão social de classes mais modestas dentro de uma sociedade marcada profundamente pelos valores católicos. Hoje o Brasil cresce e a sociedade desmorona!

Lembro-me de que uma vez D. Mayer emitiu sua opinião sobre a decadência da sociedade brasileira. Disse que a Proclamação da República tinha sido um golpe contra nossas raízes culturais católicas, mas que a Revolução de 1930, guindando ao poder Getúlio Vargas, tinha aberto as portas do Brasil para o populismo esquerdista e a luta de classes.

Depois, fui convidado a ir a Campos e cheguei a ficar hospedado em sua casa algumas vezes. Desse período ficou a melhor lembrança de um bispo muito pio. Quando falava das coisas de Deus, as expressões que lhe assomavam aos lábios, vindas do fundo do coração, eram sempre Deus Nosso Senhor, Maria Santíssima e nossa santa religião. Bem diferente da maneira como muitos, até padres, pronunciam o nome santo de Deus. Edificava-nos só por sua grande devoção a Nossa Senhora, mas também pela maneira como tratava os padres e como por esses era amado e reverenciado. Nos dias de hoje isso é coisa rara. Tornou-se comum, infelizmente, um relacionamento frio e cheio de desconfiança entre o ordinário e o presbitério. A hierarquia festeja o povo de Deus e despreza o clero.

Desde então comecei a ler seus artigos e cartas pastorais. Em seus escritos é digno de nota tanto o seu rigor teológico, sua precisão de conceitos, quanto seu estilo castiço, sua linguagem elegante que lembra um Carlos de Laet, a quem ele muito admirava. Se hoje em dia no Brasil houvesse uma crítica literária idônea, D. Antonio de Castro Mayer certamente teria seu nome consagrado como um bom autor da literatura brasileira contemporânea. Não me consta que nenhum outro bispo tenha escrito tão bem como ele. Lia os artigos de D. Lucas Moreira Neves no jornal O Estado de São Paulo e, francamente, D. Mayer sempre me pareceu muito superior pelo conteúdo e pela forma. Se D. Pestana nos tivesse legado cartas pastorais, talvez pudesse ombrear com D. Mayer em nobreza de estilo e acuidade de espírito teológico. Infelizmente partiu desta terra deixando saudades dos seus belos sermões, mas privando-nos de uma obra de grande qualidade que poderia ter produzido. Realmente, foi uma pena, porque, se tivesse sido um articulista dos grandes jornais, como aqueles bispos que nos anos oitenta escreviam no Jornal do Brasil contra a teologia da libertação, sem dúvida D. Pestana se teria distinguido como o melhor deles pelo vigor e inteligência. Mas se tomou a resolução de nada escrever devia ter suas razões que não cabe discutir.

Como mencionei D. Pestana, aproveito para dizer que ele várias vezes elogiou D. Mayer como teólogo e professor de filosofia. Disse-me que D. Mayer tinha um método muito interessante para o ensino da sã filosofia: principiava suas lições pela refutação dos erros de Kant, conduzindo assim seus alunos a compreender bem o realismo moderado de Santo Tomás de Aquino. D. Pestana demonstrou-me igualmente, em várias ocasiões, certa compreensão pela atitude tomada por D. Lefebvre e D. Mayer em 1988. Sem nunca ter dito abertamente que apoiava as consagrações episcopais,  disse-me que D. Lefebvre tinha com razão visto que as tratativas com o cardeal Ratzinger estavam fadadas ao fracasso devido à pressão contrária do episcopado progressista da Europa. E mostrou-me uma carta dirigida ao papa João Paulo II em que lhe dizia que a disposição do motu proprio Ecclesia Dei que pedia aos bispos que liberassem a missa de São Pio V para os católicos tradicionalistas significava, na verdade, entregá-los às feras.

Desejaria finalizar essas recordações dando meu testemunho sobre a participação de D. Mayer nas consagrações episcopais de Ecône, em 1988. Acompanhei de perto o desenrolar dos acontecimentos de então e posso dizer que ele agiu com toda serenidade e convicção de que era a vontade de Deus. Após a consagração episcopal, houve um padre muito estranho e caviloso que o procurou para tentar achacar-lhe uma retratação. D. Mayer o repeliu com toda energia. Como ele mesmo disse, a excomunhão injusta não o deixava indiferente, porque, embora inválida, denotava o estado lamentável da parte humana da Igreja, que, por um lado, congraça no CONIC com as seitas e, por outro, rechaça seus próprios filhos.

Que Deus Nosso Senhor o recompense por sua luta juntamente com D. Lefebvre e D. Pestana, que, também, à sua maneira, conforme lhe permitiram as circunstâncias calamitosas da Igreja pós-conciliar, lutou contra os erros modernos. Três bispos fiéis, devotíssimos de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, que confiaram plenamente nas promessas de Maria Santíssima: Por fim, meu Imaculado coração triunfará.

Anápolis, 19 de abril de 2011.

Quarta-feira santa

abril 21, 2011

Via Sacra escrita por Dom Antônio de Castro Mayer.

ORAÇÃO PREPARATÓRIA

Meu Senhor Jesus Cristo, disponho-me a acompanhar-Vos no caminho que trilhastes do pretório de Pilatos ao Calvário, para Vos imolardes por minha salvação. Peço-Vos a graça de nos conceder grande dor e arrependimento de ter pecado, causando vossos atrozes sofrimentos, e que vosso Sangue preciosíssimo infunda em minha alma o propósito firme de nunca mais pecar.

ANTES DE CADA ESTAÇÃO

Dirigente: Nós Vos adoramos, Senhor, e Vos bendizemos;

Todos: Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.

No final da consideração, depois da Ave Maria:

Todos: PESA-ME, SENHOR, de todo o meu coração ter ofendido a vossa infinita bondade, proponho com vossa graça a emenda, e espero que me perdoeis por vossa infinita misericórdia. Amém.

Dirigente: Compadecei-vos de nós, Senhor!

Todos: Compadecei-vos de nós!

Dirigente: Que as almas dos fiéis defuntos, por misericórdia de Deus, descansem em paz.

Todos: Amém.

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