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24 setembro, 2014

“Pobres dos fiéis católicos que frequentam as Santas Missas em muitas de nossas igrejas…”

Dom Antonio Rossi Keller, bispo diocesano de Frederico Westphalen, RS.

Dom Antonio Rossi Keller, bispo diocesano de Frederico Westphalen, RS.

“Pobres dos fiéis católicos que frequentam as Santas Missas em muitas de nossas igrejas… Submetidos tantas vezes às arbitrariedades de uma pseudo liturgia pautada por distorções, abusos, ridículas inserções de palmas, agitação de folhetos, danças, símbolos e mais símbolos que não simbolizam nada. Quanto abuso! Quanta arbitrariedade! Quanta falta de respeito não só para com Aquele para quem deveria dirigir-se a celebração, mas também para com os pobres fiéis que são obrigados a engolir esdrúxulas situações falsamente chamadas de “inculturação litúrgica”, mas que na verdade revelam falta de fé ou a ignorância das mais elementares verdades da fé em relação à Eucaristia, à Presença Real e outras. Pobres fiéis guiados por alguns pastores que arrotam slogans fundados em um palavreado eivado de conceitos atribuídos ao malfadado “espírito do Concílio” que na verdade, de conciliar nada tem… Tal espírito passa longe daquilo que a Igreja de Cristo é e pretendeu favorecer com a reforma litúrgica. Pobres fiéis, forçados a ter de engolir o que destrói a fé, o que na prática nega a centralidade do Mistério de Cristo, poluindo-o com a tentativa de desfocar este Mistério através da inserção de conceitos ideologizados sobre Deus, o homem, a criação e tantas outras realidades.

A “nobre simplicidade” apregoada pelo Concílio transformou-se em desculpa para um “pobretismo” litúrgico que se expressa em despojamento do elementar, em relaxo, sujeira, descaso e outros defeitos. Dá-se à Liturgia, portanto a Deus, o que há de pior: no mínimo, o que é de gosto duvidoso. Chegamos ao tempo em que quem obedece as Normas Liturgicas é acusado de rubricista. Ai de quem ousar usar os paramentos prescritos pela legislação litúrgica vigente. No mínimo será caracterizado como “romano”, o que na visão de muitos é considerado como uma ofensa. E quem celebrar usando com fidelidade os livros litúrgicos, “dizendo o que está em letras pretas e fazendo o que está em letras vermelhas” será execrado pelos apregoadores do “autêntico espírito do Concílio”. Sinceramente, é preciso muita, mas muita fé mesmo para não deixar de acreditar que ‘as portas do inferno não prevalecerão’, como nos ensina Nosso Senhor.”

Dom Antonio Carlos Rossi Keller, bispo de Frederico Westphalen.

Fonte: Bíblia Católica News

Nota do Fratres: A pedido de Dom Antonio, esclarecemos que ele realmente visitou o seminário de Ciudad del Este e, embora a informação conste no site daquela diocese, e apesar de considerar um ótimo seminário, o bispo de Frederico Westphalen não pretende enviar seus seminaristas para lá.

3 abril, 2014

Nota Pastoral de Dom Antonio Rossi Keller sobre a “Ideologia de Gênero”.

A questão da chamada “ideologia do Gênero”.

Novamente, como era previsto, volta a questão da ideologia do gênero, para ser incluída no PNE (Plano Nacional de Educação). Nossa Pátria vive um momento histórico crucial.

Alguns tentam empurrar goela abaixo da Nação uma visão ideológica contrária a todos os princípios de uma sadia visão do ser humano.

É preciso entender o significado desta visão ideológica, para poder entender o mal que carrega consigo, com consequências nefastas.

Nos últimos anos estamos escutando esta expressão “gênero”, e a grande maioria da população não se dá conta de que isto não é simplesmente uma maneira diferente de referir-se à divisão da humanidade em dois sexos. Por trás desta expressão esconde-se uma ideologia, um falso pensamento que pretende, segundo seus sustentadores, fazer-nos sair desta “visão antiga, simplista e preconceituosa”, que seria aquela da divisão da humanidade entre masculino e feminino.

Os defensores da ideologia do gênero afirmam que as diferenças entre homem e mulher, fora daquelas anatomicamente evidentes, não correspondem a esta visão, segundo eles, já caduca, de que a natureza determine que uns sejam homens e outros mulheres… Pretendem deixar à liberdade de cada um a escolha do tipo de “gênero” ao qual cada um queira pertencer, considerando todas as possibilidades como igualmente válidas. Ou seja, isto faz com que homens e mulheres heterossexuais, bem como homossexuais, lésbicas, bissexuais e transexuais sejam simplesmente considerados como quem escolheu para si modos diferentes de comportamento sexual, fruto da liberdade, escolha esta que todos os demais devem respeitar.

Não é preciso muita reflexão para que alguém se dê conta do quanto esdrúxulo seja este pensamento, e de que como ele carregue consigo consequências graves, sendo que a primeira consequência seja a simples e absoluta negação de que exista uma natureza genética masculina ou feminina dada a cada ser humano. O resultado desta visão é a dissolução do princípio da diferença entre sexos, considerada como uma simples “convenção” atribuída à sociedade. Na visão ideológica do gênero, cada um pode e deve “inventar-se a si mesmo”. No quadro desta visão ideológica, estão abertas as portas para as já conhecidas “opções sexuais” possíveis, bem como para qualquer outro tipo de opção, como por exemplo a zoofilia, a pedofilia e o que se quiser criar. Basta que alguém determine para si o tipo e o modo de sua opção sexual, e a Sociedade como tal deve não só aceitá-la, mas até mesmo promove-la.

Assim, toda a moral fica determinada a partir da decisão do indivíduo, desaparecendo a diferenciação entre o que é permitido e o que é proibido em tudo o que se refere à questão da sexualidade humana. O que é certo e o que é errado neste campo está submetido ao que cada um julga ser certo ou errado para o gênero que escolheu para si.

A introdução deste conceito ideológico do gênero na legislação e no sistema educacional do país significará um comprometimento irreversível do princípio e da instituição da sociedade, fundada no modelo natural, que chamamos e entendemos por “Família”.  No quadro da ideologia do gênero, a família “tradicional”, composta por pai, mãe e filhos, é entendida como um princípio opressor, cabendo a cada individuo estabelecer seu modo de ser e de formar a sua família.

A nova sociedade, preconizada pelos defensores da ideologia do gênero estará fundada na mais absoluta permissividade sexual, já que a cada um caberá estabelecer seu próprio gênero, segundo as tendências homossexuais, transexuais, bissexuais ou outras.

Dentro deste quadro absurdo de predomínio absoluto do subjetivismo, a instituição familiar tradicional é também considerada discriminatória e, portanto, nas escolas, os chamados “kits” gays, bissexuais, transexuais, etc. deverão tornar-se obrigatórios, para a superação da discriminação.

Como pastor da Igreja Diocesana de Frederico Westphalen, não posso calar, diante de mais esta aberração que tentam nos impor, usando falsamente o princípio da liberdade como desculpa para implantar em nossa Pátria valores incompatíveis com a nossa cultura.

Vivemos momentos difíceis, e devemos enfrentá-los com a oração, com a clareza das ideias e com a legítima ação cidadã de manifestar nossa opinião contrária a estes projetos iníquos, que pretendem destruir as bases cristãs de nossa Sociedade.

Convoco pois, novamente a todos os diocesanos de Frederico Westphalen e a todas as pessoas de boa vontade a que rezem pelo Brasil e a que reajam especificamente contra este projeto, dentro dos parâmetros da legalidade,  para evitar que nosso país caia nas armadilhas de princípios educacionais e de uma legislação fundada em valores imorais, que trarão consequências irreparáveis às nossas famílias, à vida de nossas crianças e de nossos jovens. Basta de agressões à instituição da família, já tão martirizada.

Que Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, com sua intercessão materna, salve o Brasil destas ideologias destruidoras dos autênticos valores cristãos.

Frederico Westphalen, 26 de março de 2014.

+ Antonio Carlos Rossi Keller

Bispo de Frederico Westphalen

Fonte: Encontro com o Bispo

10 dezembro, 2013

Dom Antonio Rossi Keller sai na frente e publica Nota Pastoral sobre o “Plano Nacional de Educação”.

DOM ANTONIO CARLOS ROSSI KELLER

PELA GRAÇA DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA

BISPO DE FREDERICO WESTPHALEN (RS)

 

NOTA PASTORAL

A respeito do PLC 103/2012

“Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus os criou, homem e mulher os criou” (Genesis 1,27)

Irmãos e irmãs da Diocese de Frederico Westphalen, e homens e mulheres de boa vontade.

A todos envio minha saudação no Senhor a quem ansiosamente esperamos, celebrando o Advento.

No próximo dia 11 de dezembro, quarta-feira, o Senado Federal votará o PL 103/2012, o Plano Nacional de Educação, que será o parâmetro educacional para todas as escolas em nosso país.

Mediante um esforço conjunto entre membros da Igreja Católica e das Comunidades de confissão Evangélica, o Sen. Álvaro Dias (PSDB – PR) apresentou um relatório que conseguiu excluir o termo “ideologia de gênero” que constava no projeto original proposto pelo MEC.

No entanto, o Sen. Vital do Rëgo (PMDB – PA), da base governista, reintroduziu o mesmo conceito no projeto substitutivo, como se lê em seu próprio texto:

Art. 2o – São diretrizes do Plano Nacional de Educação:

“III – A superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual”.

Segundo os teóricos da “ideologia de gênero”, os indivíduos não se devem submeter àquilo que chamam de “ditadura do próprio corpo”, ou seja, à sua própria identidade biofísico-sexual (que eles denominam de sexismo), mas precisam se libertar, inventando seu próprio GÊNERO, o próprio papel social que se queira assumir (masculino, feminino, andrógino, transgênero ou algum outro que se possa conceber). Analisando a trajetória de países como a Suécia, este pode ser o primeiro passo da construção de todo um sistema dissolvente da identidade sexual das próximas gerações.

As consequências desta teoria são funestas para uma autêntica visão antropológica do ser humano. Além disso, tal teoria, que então seria a base do ensino em nossas escolas sobre a identidade sexual, propõe um novo modelo de família, não mais fundada na união entre homem e mulher, mas legitima outras formas de famílias, consequentemente reconhecendo o chamado “casamento homossexual”. Na vigência deste princípio, a sociedade não mais se organiza a partir das diferenças patentes existentes entre homem e mulher, mas sim nas diversas possibilidades de sexualidade…

Ora, tal visão é incompatível com a fé cristã, porque “subestima a realidade biológica do ser humano. Reducionista, supervaloriza a construção sociocultural da identidade sexual, opondo-a à natureza”. (Keys to bioethics, da Fundação Jerôme Lejeune, pg. 68).

Tratando-se de um Projeto de Lei, todas as escolas (mesmo as confessionais) precisariam se adequar, caso fosse sancionado, sob pena de serem acusadas de promoverem a desigualdade e a discriminação. Por isso, precisamos reagir como cidadãos que vivem a fé cristã, e solicitar de nossos representantes que atendam ao pedido do povo brasileiro, profundamente avesso a estas práticas, não aprovando este Projeto de lei da forma como está sendo apresentado.

Seria importante que cada diocesano e cada pessoa de boa vontade, cidadão com direito de se manifestar, entrasse em contato com os senadores de nosso estado, e o fizesse imediatamente. Resta-nos pouco tempo. As famílias brasileiras contam com a nossa prontidão.

Abaixo, coloco os nomes, telefones e endereços eletrônicos dos senadores gaúchos em exercício, para que aqueles que puderem, possam manifestar sua opinião contrária à aprovação deste Projeto de Lei Complementar.

Ana Amélia de Lemos
telefone: (61) 3303 6083
FAX: (61) 3303.6091
correio eletrônico: ana.amelia@senadora.leg.br

Paulo Renato Paim

telefone: (61) 3303-5227/5232
FAX: (61) 3303-5235
correio eletrônico: paulopaim@senador.leg.br

Pedro Jorge Simon

telefone: (61) 3303-3232
FAX: (61) 3303-1304
correio eletrônico: simon@senador.leg.br

Desejando a todos, já antecipadamente, um Feliz e Santo Natal do Senhor, abençoo-os,

+ Antonio Carlos Rossi Keller

Bispo de Frederico Westphalen

14 julho, 2013

Nota Pastoral de Dom Antonio Rossi Keller a respeito do PLC 3 de 2013.

NOTA PASTORAL

A respeito do PLC n 3 de 2013

Irmãos e irmãs, Diocesanos de Frederico Westphalen e demais católicos e pessoas de boa vontade.

Com amargura na alma, mais uma vez, vejo-me obrigado a escrever uma Nota Pastoral em relação à questão do aborto e à sua implantação no Brasil.

No último dia 4, alavancado pelo apoio e pressão do PT e de seus aliados, o Congresso Nacional, enviou para a sanção da Presidente da República, o PLC n. 3, de 2013. Tal Projeto foi  aprovado em regime de urgência, ou seja, sem dar o devido tempo exigido pela gravidade da proposta para que os Congressistas pudessem analisar e principalmente, escutar a sociedade civil, em relação ao texto em questão.

Os defensores da implantação do aborto no Brasil usaram uma estratégia muito bem preparada: sabendo que jamais passaria pelo Congresso algum tipo de projeto que diretamente permitisse a implantação do aborto, trocaram termos e palavras, sem contudo desviar um só milímetro de suas intenções: o puro e simples encaminhamento para a aprovação do aborto de fato.

O artigo 1º do Projeto que prevê o “atendimento emergencial integral” de vítimas de violência sexual é depois manipulado pelos abortistas no artigo 3, parágrafo 4, através de uma “profilaxia da gravidez”, que deve ser simplesmente entendida como a autorização para o aborto.

Não se encontra, naturalmente no texto, a palavra“ aborto”. Mas as intenções são suficientemente claras: proporcionar aos profissionais da Medicina e do Direito a base legal para a realização pura e simples de abortos. Esta é e sempre foi a estratégia usada: fugir dos termos contundentes, mas implantar, de forma disfarçada a devida autorização para que se possa agir de acordo com a ideologia abortista.

O resultado da aprovação deste Projeto de Lei já é conhecido… este é o objetivo da agenda abortista: o Executivo, sancionando a Lei, irá estabelecer as regulamentações e as normas técnicas que abrirão a estrada da implantação, na prática, do aborto.

A estratégia é clara e, infelizmente, o Congresso brasileiro entrou, como se costuma dizer, “na jogada” aprovando e encaminhando um projeto destes para a sanção da Presidente da República. Tudo muito bem preparado, estudado e levado a efeito sem a devida discussão e sem a necessária participação da sociedade brasileira como tal, que sabidamente é em sua grande maioria, contrária à implantação do aborto.

O aparente respeito à legalidade que tal encaminhamento deste iníquo projeto de lei possa estar seguindo tropeça em uma única e definitiva verdade, como nos diz o bem aventurado Papa João Paulo II, na Evangelium Vitae: “Reivindicar o direito ao aborto, ao infanticídio, à eutanásia, e reconhecê-lo legalmente, equivale a atribuir à liberdade humana um significado perverso e iníquo: o significado de um poder absoluto sobre os outros e contra os outros. Mas isto é a morte da verdadeira liberdade“.

É bom que exista uma legislação adequada ao atendimento humano de mulheres vitimas de violência sexual, no Brasil. O que não podemos jamais admitir é que entre os possíveis encaminhamentos, permita-se o aborto. Isto é inaceitável!

Assim sendo, venho, através desta Nota Pastoral expor esta dramática situação aos diocesanos da Igreja Particular de Frederico Westphalen e às pessoas de boa vontade, que acreditam e defendem o valor da vida humana desde a sua natural concepção até seu fim natural, e pedir, fundamentalmente, duas coisas:

1.      Orações intensas, suplicando ao Senhor da vida, que possa salvar-nos desta chaga horrorosa que é o aborto;

2.      A firme manifestação contra a sanção deste Projeto de Lei, fazendo telefonemas ou enviando fax para o Gabinete da Exma Sra. Presidente da República que, como todos lembramos, na Campanha eleitoral, vendo que poderia perder a eleição, comprometeu-se publicamente, junto a diversos líderes religiosos e perante a Nação, a não permitir, durante seu governo, a implantação de nenhuma forma de aborto, no Brasil.

Os contatos são os seguintes:

Telefones: (61) 3411.1200    (61) 3411.1201

Fax:          (61) 3411.2222

Desejando a todos a Paz e o Bem que vem de Deus, os abençoo no Senhor.

Frederico Westphalen, 14 de julho de 2013.

XV Domingo Comum C

+ Antonio Carlos Rossi Keller

Bispo de Frederico Westphalen

Fonte: Encontro com o Bispo

23 abril, 2013

Marmanjo mimado não gosta de palavras de Dom Antonio Rossi Keller, faz beicinho e vai reclamar com a cúpula da CNBB.

Novas palavras de Dom Antonio Rossi Keller, bispo de Frederico Westphalen:

O comentário abaixo, foi escrito e postado no dia 11 de abril, um dia depois da abertura da 51o Assembleia Geral da CNBB. Na verdade, não se referia especificamente em nada à Assembleia, que estava apenas iniciando. É a minha visão em relação a um sério problema que, a meu ver, hoje afeta a Igreja: a ditadura da opinião pessoal ou da opinião de grupos específicos de pressão, que envolve leigos, religiosos, padres e até bispos do mundo. Como disse e como pode-se atestar no que escrevi, não me refiro a ninguém, especificamente, especialmente aos meus irmãos bispos do Brasil. Não é um comentário do tipo “pau mandado”, direcionado a alguém. É minha visão.

kikoFui informado de que alguém copiou o comentário e o entregou ao CONSEP da CNBB, naturalmente visando criar mal estar entre este pobre bispo e as altas instâncias da Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil. Deixo claro que não me referia a ninguém de nossa Conferência, especificamente. Continuo a manter e morrerei mantendo a mesma opinião: que o pior mal que pode afligir a Igreja não é o que vem de fora, de quem a ataca e a persegue… mas sim, daqueles que, dentro dela, ensinam outro Evangelho que não o de Nosso Senhor Jesus Cristo, daqueles que inventam e ensinam um magistério paralelo no que se refere à verdade da fé, daqueles que ensinam uma moral relativista, que dança ao sabor do último ritmo da moda de pensamentos e de valores mundanos, daqueles que pretendem fazer da Sagrada Liturgia arremedos caricatos de um culto fundado no sentimentalismo, na criatividade selvagem que louva a tudo e a todos, menos a Deus. Repito, alguém levou ao Conselho Permanente da CNBB meus pobres escritos, pretendendo criar um mal estar. Isto mostra bem a falta de retidão de quem se propõe a ser leva e trás…
Abaixo publico novamente o que escrevi.

Antonio Carlos Rossi Keller

11 de abril via celular

.Escuta-se de tudo neste mundo. Cada vez mais, cada um diz o que bem entende e ai de quem contradizer aqueles que julgando estar na verdade, arvoram-se em critério do mundo.
A Igreja também tem tipos assim…: leigos, religiosos, sacerdotes e até bispos, não se assustem nem se escandalizem.
Pontificam com um “magisteriozinho” pessoal, fundamentando-se em suas opiniões, ou no que os outros gostam, ou no que a maioria faz, ou no que disse tal e qual “teólogo” (sempre aqueles que contradizem o que o Magistério oficial da Igreja ensina). Enfim, alguns estribam-se até mesmo em alguns documentos de determinadas Conferencias Episcopais, escritos em épocas de confusão, com linguagem dúbia, contradizendo o “sensus fidei”, alguns deles autenticas aberrações. Quem os contradiz, é imediatamente considerado e tachado de fundamentalista. Tempos difíceis, especialmente marcados pelo relativismo moral, pela busca irresponsável de uma inculturação litúrgica, que rebaixa o Mistério aos níveis de um reles sincretismo, pela confusão doutrinal, fundada na aceitação tácita de que a Fé cristã é uma entre tantas outras válidas, pela pura e simples adoção de princípios ideológicos incompatíveis com a visão cristã do homem e do mundo. Tempos difíceis, que já duram demais. Talvez falte-nos ainda a firmeza que não se contrapõe à caridade: antes, a promove na Verdade. Caridade sem Verdade, no máximo, é pura benemerência humana, superficial, que não muda nem melhora nada. Pobre Igreja, se lhe fazem pregar a Caridade sem a Verdade… Corre o risco de tornar-se, como alertou o atual Papa Francisco, em uma ONG….

 

12 abril, 2013

Os fundamentalistas do relativismo.

Palavras de Dom Antonio Rossi Keller, bispo de Frederico Westphalen, em seu perfil do Facebook. Sua Excelência está, neste momento, participando da Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil:

Dom Antonio Rossi Keller na Assembléia da CNBB.

Dom Antonio Rossi Keller na Assembléia da CNBB.

Escuta-se de tudo neste mundo. Cada vez mais, cada um diz o que bem entende e ai de quem contradizer aqueles que julgando estar na verdade, arvoram-se em critério do mundo.
A Igreja também tem tipos assim…: leigos, religiosos, sacerdotes e até bispos, não se assustem nem se escandalizem.
Pontificam com um “magisteriozinho” pessoal, fundamentando-se em suas opiniões, ou no que os outros gostam, ou no que a maioria faz, ou no que disse tal e qual “teólogo” (sempre aqueles que contradizem o que o Magistério oficial da Igreja ensina). Enfim, alguns estribam-se até mesmo em alguns documentos de determinadas Conferencias Episcopais, escritos em épocas de confusão, com linguagem dúbia, contradizendo o “sensus fidei”, alguns deles autenticas aberrações. Quem os contradiz, é imediatamente considerado e tachado de fundamentalista. Tempos difíceis, especialmente marcados pelo relativismo moral, pela busca irresponsável de uma inculturação litúrgica, que rebaixa o Mistério aos níveis de um reles sincretismo, pela confusão doutrinal, fundada na aceitação tácita de que a Fé cristã é uma entre tantas outras válidas, pela pura e simples adoção de princípios ideológicos incompatíveis com a visão cristã do homem e do mundo. Tempos difíceis, que já duram demais. Talvez falte-nos ainda a firmeza que não se contrapõe à caridade: antes, a promove na Verdade. Caridade sem Verdade, no máximo, é pura benemerência humana, superficial, que não muda nem melhora nada. Pobre Igreja, se lhe fazem pregar a Caridade sem a Verdade… Corre o risco de tornar-se, como alertou o atual Papa Francisco, em uma ONG….

Teriam estas palavras sido escritas depois de uma daquelas chatíssimas análises de conjuntura?

18 junho, 2012

“Mais uma vez a questão do Aborto” – Nota Pastoral de Dom Antonio Rossi Keller.

DOM ANTONIO CARLOS ROSSI KELLER
PELA GRAÇA DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA
BISPO DE FREDERICO WESTPHALEN (RS)

 Nota Pastoral

 “Mais uma vez a questão do aborto”

“Aquele, portanto, que violar um só desses menores mandamentos e ensinar os homens a fazerem o mesmo, será chamado o menor no Reino dos Céus. Aquele, porém, que os praticar e os ensinar, esse será chamado grande no Reino dos Céus.” (São Mateus 5,19)

Caros Diocesanos de Frederico Westphalen, irmãos e irmãs que compreendem o valor da vida humana.

Mais uma vez o Bispo Diocesano sente-se no dever, derivado de seu Ministério Episcopal, de vir a público e manifestar-se em relação ao tema do aborto. Mais especificamente, às veladas e covardes ações levadas a cabo por autoridades, que deveriam zelar pela defesa da vida, mas que “na calada da noite” estão empenhadas em implantar a prática do aborto em nossa Pátria, passando por cima da vontade da grande maioria da população que é contrária a esta prática.

Poucos dias atrás, os jornais “Folha de São Paulo”, “O Estado de São Paulo” e “Correio Brasiliense”, traziam, em suas primeiras páginas, notícias de ações que visam, na prática a implantação do aborto no país.

Somente a título de exemplo, para justificar esta preocupação em relação à introdução velada da prática do aborto, cito, em primeiro lugar “A Folha de São Paulo”. Em reportagem de capa afirmava que, segundo o secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães: O SISTEMA DE SAÚDE BRASILEIRO PASSARÁ A ACOLHER AS MULHERES QUE DESEJAM FAZER ABORTO E ORIENTÁ-LAS SOBRE COMO USAR CORRETAMENTE OS MÉTODOS EXISTENTES PARA ABORTAR. CENTROS DE ACONSELHAMENTO INDICARÃO QUAIS SÃO, EM CADA CASO, OS MÉTODOS ABORTIVOS MAIS SEGUROS DO QUE OUTROS.

A Folha afirmava ainda que o modelo será copiado do Uruguai, que o adota desde o ano de 2004.

A PROPOSTA, diz a FOLHA, FOI ABORDADA NA ÚLTIMA SEMANA DE MAIO PELA MINISTRA ELEONORA MENICUCCI, QUE AFIRMOU ‘SOMENTE SER CRIME PRATICAR O PRÓPRIO ABORTO, MAS QUE O GOVERNO ENTENDE QUE NÃO É CRIME ORIENTAR UMA MULHER SOBRE COMO PRATICAR O ABORTO’.

Depois de orientada sobre como praticar o aborto, uma vez consumado o delito, a mulher passaria por uma nova consulta para evitar maiores conseqüências pós aborto. Ainda segundo a Folha, PARA OS QUE DESENVOLVERAM A POLÍTICA, ELA NÃO SÓ É UMA ATITUDE LEGAL, COMO É ÉTICA E DE DIREITO HUMANO BÁSICO.

É preciso recordar que a matéria veiculada pela “Folha de São Paulo” traz dados inverídicos em relação aos números do aborto do Brasil. A “Folha” acolhe os números do governo, que afirma que há mais de um milhão de abortos por ano, no Brasil. Os números reais são bem outros. Hoje, no Brasil, acontecem cerca de cem mil abortos por ano, e este número está diminuindo pouco a pouco. Isto é o que pode se concluir dos próprios dados do Ministério da Saúde, que mostram que o número de internações por aborto no Brasil, nos últimos quatro anos, está diminuindo à taxa de 12% ao ano, todos os anos. Na matéria veiculada pelo jornal paulistano, não são apresentados os números reais, por exemplo, das internações por razões de aborto. Ao afirmar que são cerca de duzentas mil as internações por causa do aborto, o jornal não leva em consideração que destas duzentas mil, cerca de cinquenta mil são por causa do aborto provocado. As outras cento e cinquenta mil são devidas ao aborto espontâneo. Ou seja, há um propósito do governo, secundado pela “Folha de São Paulo” em inflar os números do aborto…

Há uma “Pesquisa Nacional do Aborto”, levada a cabo pela Universidade de Brasília em conjunto com a ANIS, que revela números mais reais: No Brasil, de cada duas mulheres que provocam o aborto, uma é internada. Portanto, se há cinquenta mil internações por ano por aborto provocado, isto significa que são realizados cem mil abortos por ano e não o milhão e meio de abortos provocados, números estes anunciados pelas autoridades.

A realidade mostra não só que os números dos que são contrários ao aborto, entre a população brasileira, estão aumentando. Mas que também as brasileiras estão abortando cada vez menos, no Brasil. Esta é a realidade dos números.

A Matéria de “O Estado de São Paulo”, por sua vez, trata da elaboração, por parte do Ministério da Saúde e de um “grupo de especialistas” de uma “cartilha” que tem como finalidade orientar as mulheres que desejam abortar. “A INTENÇÃO É FECHARMOS O MATERIAL DE ORIENTAÇÃO EM, NO MÁXIMO, UM MÊS”, AFIRMOU O COORDENADOR DO GRUPO DE ESTUDOS SOBRE O ABORTO DA SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA (SBPC), THOMAZ GOLLOP. O FORMATO FINAL DO PROGRAMA SERÁ DEFINIDO PELO MINISTÉRIO. A CARTILHA CONTERIA, POR EXEMPLO, INFORMAÇÕES PARA MULHER ESCOLHER O LUGAR DO PROCEDIMENTO”.

Já o “Correio Brasiliense” noticiava que ao longo do mês de junho uma comissão de trabalho se reunirá com os técnicos do Ministério da Saúde para formular uma norma técnica que servirá de base para um programa de aconselhamento para mulheres com gravidez indesejada. Além disso, o Correio informa que o Ministério da Saúde tem a intenção de liberar a venda de remédios abortivos, hoje de uso reservado à rede hospitalar. Desta maneira, os médicos poderão orientar as mulheres sobre como praticar o aborto seguro e os medicamentos necessários estarão nas farmácias amplamente disponíveis para o público.

Interessante que no decorrer de poucos dias, aparece como que uma onda gigantesca em setores do atual governo a favor, em última instância, do aborto, veiculada por grandes e importantes jornais do país.

Muito mais interessante e importante, seria recordar o compromisso que a atual presidente da República assinou, no dia 16 de outubro de 2010, durante a campanha eleitoral, declarando que: “SOU PESSOALMENTE CONTRA O ABORTO E DEFENDO A MANUTENÇÃO DA LEGISLAÇÃO ATUAL SOBRE O ASSUNTO. ELEITA PRESIDENTE DA REPÚBLICA, NÃO TOMAREI A INICIATIVA DE PROPOR ALTERAÇÕES DE PONTOS QUE TRATEM DA LEGISLAÇÃO DO ABORTO E DE OUTROS TEMAS CONCERNENTES À FAMÍLIA E À LIVRE EXPRESSÃO DE QUALQUER RELIGIÃO NO PAÍS. […] COM ESTES ESCLARECIMENTOS, ESPERO CONTAR COM VOCÊ PARA DETER A SÓRDIDA CAMPANHA DE CALÚNIAS CONTRA MIM ORQUESTRADA”.

Assim, apesar de todas as negativas e desculpas, o que se vê, concretamente, é um encaminhamento por baixo dos panos de medidas que visam pura e simplesmente, a prática livre do aborto, já que o grupo que está elaborando, junto com o Ministério da Saúde a nova Norma Técnica que pretende criar em todo o país centros de orientação sobre o aborto, liberalizar a venda de drogas abortivas na rede nacional de farmácias e difundir uma cartilha que ensine as mulheres como e onde praticarem o aborto é exatamente o mesmo Grupo de Estudos sobre o Aborto, coordenado pelo mesmo médico Thomas Gollop, cujo convênio com o Ministério da Saúde estava sendo contratado pelo governo enquanto a atual presidente, na época candidata garantia que jamais promoveria o aborto no Brasil.

Ou seja, hoje, em nossa Pátria está acontecendo na prática um verdadeiro ataque que visa obter à revelia da atual legislação e da imensa maioria do povo brasileiro, a pura e simples liberalização do aborto. Há anos nosso país vem sendo alvo destes ataques, já que há muito dinheiro investido por organizações estrangeiras para obter, por razões ideológicas e de cunho geopolítico, a pura e simples liberalização do aborto no Brasil e demais países da América Latina.

É preciso reagir a esta sanha abortista, que navega de velas soltas, alimentada por interesses desumanos, e que contraria o desejo da imensa maioria do povo brasileiro. Calar-se, fingir que o problema não existe e desvincular-se de uma ação de reação a esta sanha, é covardia e traição aos princípios mais elementares da fé cristã que professamos.

Escrevo esta “Nota Pastoral” ainda sob o efeito da tristeza pelo falecimento de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, Bispo Emérito de Guarulhos (SP), um digno e combativo Bispo da Santa Igreja Católica, que enfrentou com coragem e destemor até mesmo perseguições e calúnias, por sua intransigente defesa da vida.

Há dias, do leito do hospital, Dom Bergonzini escrevia: “Se Ele determinar que eu continue por aqui, todos daremos as mãos e seguraremos nas mãos de Deus para, juntos, combatermos as iniquidades e propagarmos o Evangelho por todos os telhados… e por todos os meios existentes”.

Deus determinou outra coisa, e este seu servo certamente já goza da visão beatífica. Sua dedicação em defesa da vida deve servir-nos de alento neste combate exigente.

Sabedores de que o aborto é um pecado gravíssimo contra Deus e contra a humanidade, venho apresentar algumas indicações práticas, no sentido de que se busque reagir contra esta imposição por parte das autoridades que deveriam cuidar e promover a vida. É preciso frear estes ataques à vida humana. Tais indicações são oferecidas pela Comissão de Defesa da Vida, do regional Sul 1 da CNBB (São Paulo) e enquadram-se no direito que todos nós, católicos temos, como cidadãos deste país, em nos manifestar.

 1. Telefonar, enviar fax e mensagens ao Ministério da Saúde e à Casa Civil da Presidência, mostrando com clareza, ao Ministério da Saúde e à Casa Civil da Presidência que o povo brasileiro compreende exatamente o que nosso governo está fazendo e não está de acordo com a implantação do aborto no país.

2. Pedir em seguida (e isto é importante, já que são aqueles que estão à frente destas ações de violência à vida):

(A) A DEMISSÃO IMEDIATA DA MINISTRA ELEONORA MENICUCCI DA SECRETARIA DAS MULHERES.

(B) A DEMISSÃO IMEDIATA DO SECRETÁRIO DE ATENÇÃO À SAÚDE DO MINISTÉRIO DA SAÚDE, HELVÉCIO MAGALHÃES.

(C) O ROMPIMENTO IMEDIATO DOS CONVÊNIOS DO MINISTÉRIO DA SAÚDE COM O GRUPO DE ESTUDO E PESQUISA SOBRE O ABORTO NO BRASIL.

Os contatos para estas manifestações são os seguintes:

- CASA CIVIL DA PRESIDÊNCIA: GLEISI HELENA HOFFMANN, MINISTRA-CHEFE DA CASA CIVIL

TELEFONES: (61) 3411-1573, 3411-1935, 3411-5866, 3411-1034

FAX: (61) 3321-1461, 3322-3850

MAILS:  casacivil@presidencia.gov.br

- MINISTÉRIO DA SAÚDE: ALEXANDRE PADILHA , MINISTRO DA SAÚDE

TELEFONES: (61) 3315-2392, (61)3315-2393, (61) 3315-2788, (61) 3315-9260, (61) 3315-9262

FAXES: (61) 3224-8747, (61) 3315-2680, (61) 3315-2816

MAILS: ministro@saude.gov.br

- SECRETÁRIO DE ATENÇÃO À SAÚDE: HELVÉCIO MIRANDA MAGALHÃES

TELEFONES: (61) 3315-2626 3315-2133

FAX: (61) 3225-0054

MAIL:  helvecio.junior@saude.gov.br

Que Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, abençoe nossa Pátria e nos livre da praga do Aborto.

Frederico Westphalen, 13 de junho de 2012.

Festa Litúrgica de Santo Antonio

Padroeiro da Catedral Diocesana

+ Antonio Carlos Rossi Keller

Bispo de Frederico Westphalen

Fonte: Encontro com o Bispo

1 junho, 2012

“A questão ainda é o ‘por que?’ figuras deste porte continuam a ter palco garantido em nossas Assembléias”.

Dom Antonio Rossi Keller, bispo diocesano de Frederico Westphalen, RS.

Dom Antonio Rossi Keller, bispo diocesano de Frederico Westphalen, RS.

Só para informar àqueles que perguntam onde estavam determinados Bispos, entre eles, eu mesmo, estávamos na Assembléia, sentados e escutando os disparates. Imediatamente depois que o palestrante terminou de falar, muitos de nós (os que conseguiram, por causa da exigüidade do tempo previsto…) nos manifestamos. As respostas do palestrante foram todas elas bastante escorregadias, tentando explicar-se, etc… A questão, a meu ver, não é contradize-lo, o que é bastante simples. A questão ainda é o “por que?” figuras deste porte continuam a ter palco garantido em nossas Assembléias. Portanto, não houve silêncio, ou omissão ou coisa que o valha por parte de um razoável número de Bispos.

Palavras de Dom Antonio Rossi Keller, bispo diocesano de Frederico Westphalen, RS, sobre a análise-desconjuntura de Fr. Susin na Assembléia Geral da CNBB de 2012.

8 março, 2012

Um comentário que merece um post e um obrigado dos católicos.

Dom Antonio Rossi Keller, bispo diocesano de Frederico Westphalen, RS.

Dom Antonio Rossi Keller, bispo diocesano de Frederico Westphalen, RS.

Em relação à questão de se buscar uma reversão deste quadro, a situação é bastante clara: quem obteve do Conselho do Tribunal de Justiça do RS tal determinação, a da retirada das imagens sagradas? Um grupelho insignificante…

Desculpem-me questionar…: mas onde estão os fiéis cristãos leigos do RS??? Onde estão os advogados que professam a fé católica, e que poderiam atuar no sentido de encaminhar esta questão, juridicamente? Sinceramente, é lamentável em primeiro lugar que até agora, só eu tenha me manifestado, como Bispo, em relação a isto. Onde estão meus “irmãos no episcopado”? Um paulista, bispo da Diocese mais longínqua do interior do RS… Em segundo lugar, o silêncio medroso do restante dos católicos daqui… Tempos difíceis mesmo…

Interessante que, em alguns posts acima, fica parecendo que a responsabilidade do silêncio e da falta de iniciativa dos demais católicos do RS seja minha…

Comentário de Dom Antonio Rossi Keller ao artigo “O repúdio de um Bispo Católico…”.

Excelência, permita-nos dizer: muito obrigado pela coragem, por ser uma voz que brada no deserto. O senhor, longe ter culpa, tem o mérito (triste mérito, é verdade) de ser o único bispo a levantar sua voz. Deus lhe pague!

8 março, 2012

O repúdio de um Bispo Católico: “Podem nos tirar os crucifixos e as imagens expostas em locais públicos. Mas jamais poderão tirar de nós a fé e a adesão aos princípios e valores do Evangelho”.

DOM ANTONIO CARLOS ROSSI KELLER
PELA GRAÇA DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA
BISPO DE FREDERICO WESTPHALEN (RS)
Nota Pastoral
a respeito da determinação do Tribunal de Justiça
do Estado do Rio Grande do Sul,
determinando a retirada dos símbolos religiosos dos locais públicos da Justiça.

O Conselho da Magistratura do TJ – RS determinou, nesta última terça feira, dia 06 de março, a retirada de todos os símbolos religiosos presentes nos prédios da justiça gaúcha.

O pedido para tal decisão tem a sua origem na Liga Brasileira de Lésbicas, através de uma solicitação protocolada em fevereiro de 2012. Tal decisão contraria o que a antiga administração do TJ – RS já tinha deliberado sobre esta questão, entendendo, na ocasião, não existir qualquer princípio preconceituoso na instalação de símbolos religiosos nas dependências dos prédios da justiça.

Como Bispo Diocesano, quero, através desta Nota Pastoral, expressar minha surpresa e meu repúdio a tal decisão.

É lamentável que o egrégio Tribunal de Justiça dobre-se diante da pressão de um grupo determinado, ideologizado e raivoso, contrariando a opinião da grande maioria da população do Estado do Rio Grande do Sul.

A interpretação dada pelo excelentíssimo relator daquilo que é a laicidade do Estado revela distorção de visão.

Como em outros países, orquestram-se movimentos pela expulsão do crucifixo das salas dos tribunais, das escolas e de outros lugares públicos, sob o pretexto de que o Estado deva respeitar as religiões que não adotam o mesmo símbolo, bem como aqueles que não adotam nenhuma forma de expressão religiosa.

Países com elevada tradição jurídica já rechaçaram tais argumentos, demonstrando cabalmente que a exposição passiva, em público, de símbolos religiosos não pode ser entendida como um proselitismo estatal de favorecimento a algum culto, ou como uma afronta à liberdade dos que ou não professam a fé em Cristo ou não professam algum tipo de fé.

No Brasil, o próprio Conselho Nacional de Justiça indeferiu tal pretensão, afirmando que a presença de um símbolo religioso, in casu o crucifixo em uma dependência de qualquer órgão do Judiciário, “não viola, não agride, não discrimina e nem sequer perturba ou tolhe os direitos e a ação de qualquer tipo de pessoa”, na expressão do então Conselheiro Oscar Argollo.

“A liberdade religiosa consiste na liberdade para professar a fé em Deus. Por isso, não cabe argüir a liberdade religiosa para impedir a demonstração da fé de outrem em certos lugares, ainda que públicos. O Estado, que não professa o ateísmo, pode conviver com símbolos dos quais não somente correspondem a valores que informam sua existência cultural, como remetem a bens encarecidos por parcela expressiva da sua população – por isso, também, não é dado proibir a exibição de crucifixos ou de imagens sagradas em lugares públicos”. [1]

Diante de tal decisão, como Bispo Diocesano, venho solicitar:

1. AOS EXCELENTÍSSIMOS SENHORES MAGISTRADOS dos Fóruns das Comarcas presentes na área compreendida pela Circunscrição Eclesiástica da Diocese de Frederico Westphalen, RESPEITOSAMENTE, a entrega dos símbolos religiosos católicos (crucifixos, demais imagens sagradas, Bíblias, etc..), caso os mesmos pertençam ao Tribunal e não ao Poder Judiciário, para os respectivos párocos das Paróquias Sedes das mesmas Comarcas, para que os mesmos custodiem as referidas imagens e delas cuidem.

2. AOS REVERENDÍSSIMOS SENHORES PÁROCOS das Paróquias nas quais existam Fóruns, que recebam os símbolos religiosos católicos das mãos dos Excelentíssimos senhores Magistrados, emitindo um recibo em três vias, detalhando o que foi entregue, sendo uma via para o Excelentíssimo senhor Magistrado, uma via para a Paróquia e uma via para a Cúria Diocesana.

3. AOS SERVIDORES PÚBLICOS DA JUSTIÇA, que professam a fé católica, que mantenham os sinais religiosos católicos que costumam usar pessoalmente (terços, escapulários, medalhas, crucifixos, etc…) e que, no esmero do trabalho em favor da justiça, especialmente no serviço dos mais necessitados e carentes dela, demonstrem sua fé católica, mantendo Jesus Cristo, Nosso Senhor, sempre presente nestes ambientes públicos.

Podem nos tirar os crucifixos e as imagens expostas em locais públicos. Mas jamais poderão tirar de nós a fé e a adesão aos princípios e valores do Evangelho.

Dada e passada em nossa Sede Episcopal, aos sete dias do mês de março do ano do Senhor de dois mil e doze.

+ Antonio Carlos Rossi Keller

Bispo de Frederico Westphalen (RS)


[1] Gilmar Ferreira Mendes e Paulo Gonet Branco. Curso de Direito Constitucional. São Paulo, Saraiva, 2011, 6ª Ed., PP. 360-361.