Posts tagged ‘Dom Gerhard Ludwig Muller’

15 outubro, 2014

O Sínodo em frases.

Archbishop Raymond Burke“A meu ver, tal declaração [doutrinal do Papa Francisco em defesa da moral cristã] está muito atrasada. O debate sobre essas questões foi avançando faz quase nove meses, especialmente nos meios de comunicação seculares, mas também através dos discursos e entrevistas do Cardeal Walter Kasper e de outros que apoiam a sua posição. Os fiéis e os seus bons pastores estão a espera que o Vigário de Cristo, confirme a sua fé Católica e a prática a respeito do casamento, que é a primeira célula da vida da Igreja.”

Do Cardeal Raymond Leo Burke em entrevista a Catholic World Report

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“Acho que existe uma contradição flagrante no fato de que fora da Sala do Sínodo os bispos podem conceder entrevistas livremente, ao passo que suas intervenções na sala não podem ser públicas [...] Além disso, havia a intenção de romper com uma tradição que é própria da Igreja… Não interessa se alguns não estão de acordo com esta minha opinião. Eu falo o que quero, mas acima de tudo eu falo o que preciso dizer como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Ademais, não fiz nada mais do que dar voz aos protestos de muitos fiéis de muitas nações, que têm escrito para mim com relação a este assunto, e que têm o direito de saber como seus bispos pensam. Por que foi necessário modificá-lo?”

Do Cardeal Gerhard Ludwig Muller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé

15 outubro, 2014

Müller: A censura. Relatório: “Indigno, vergonhoso, completamente errado”.

O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Gerhard Mueller, se pronunciou contra a censura imposta às intervenções dos participantes do Sínodo. Um bispo: a proposta de Kasper é um remédio pior que a doença.

Por Marco Tosatti – La Stampa | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Gerhard Müller, se pronunciou contra a censura imposta às intervenções dos participantes do Sínodo. De acordo com o que foi divulgado pela AP (Associated Press), o purpurado alemão disse a uma emissora de TV católica presente em alguns momentos dos trabalhos sinodais que “todos os cristãos têm o direito de serem informados sobre as intervenções de seus bispos. “

Atualmente, no entanto, as informações sobre o Sínodo são fornecidas pelo Diretor da Sala de Imprensa, padre Federico Lombardi, assistido por um sacerdote de língua inglesa (Padre Rosica) e por outro de língua espanhola. Na conferência de imprensa se oferece um panorama geral da jornada, indicando temas, mas não as intervenções de maneira explícita, nem tampouco os autores das intervenções.
E isso é lamentável, porque certamente houve intervenções que merecem ser conhecidas com mais detalhes. Assim, como por exemplo, aquela de um bispo que criticou duramente a proposta do cardeal Kasper de dar a Eucaristia aos divorciados novamente casados​​, afirmando que se trata de “um remédio pior que a doença.”
Enquanto outro observou que o cuidado pastoral com os divorciados deve deixar claro que se trata de pessoas já casadas e que antes de 2014 já existiam Papas na Igreja e não se pode dizer que eles não eram misericordiosos. Um outro observou que, além de ficar sempre repetindo “misericórdia”, devemos evangelizar mais, que se menciona frequentemente a necessidade de formação, mas depois a ignoram pelo medo de sermos mal entendidos. Ao que o cardeal Kasper repetiu que sim, foi ele que tomou a iniciativa, mas primeiro consultou o Papa…

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Segundo o jornal La Repubblica [creditos: Rorate-Caeli], o Cardeal Muller assim qualificou o Relatório Pós-Debate em uma discussão nos circuli minores (grupos de discussão dentro do Sínodo divididos por idiomas): “Indigno, vergonhoso, completamente errado”.

30 julho, 2014

Cardeal Müller sobre a Misericórdia Divina: “Não se pode ir à igreja pela manhã e à tarde ao bordel, como se fosse possível viver na casa de Deus pela manhã e na casa do diabo à noite”.

“A Igreja não é um sanatório”. Além da misericórdia, existe muito mais.

Por Matteo Matzuzzi – Il Foglio | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: “Santo Tomás de Aquino afirmou que a misericórdia é precisamente o cumprimento da justiça, porque através dela Deus justifica e renova a criação do homem. Portanto, não deverá ser jamais uma desculpa pra suspender ou tornar inválidos os mandamentos e os sacramentos. Caso contrário, estaremos na presença da pesada manipulação da autêntica misericórdia e, portanto, também de frente à vã tentativa de justificar nossa indiferença tanto em relação a Deus como aos homens”. É assim que deve ser entendida a misericórdia, de acordo com o cardeal Gerhard Ludwig Müller, prefeito da congregação para a Doutrina da fé. Tendo em vista o próximo sínodo sobre a família, o purpurado alemão expôs sua reflexão em um longo diálogo com Carlos Granados, diretor das edições espanholas Bac, já disponível nas livrarias em um pequeno volume intitulado  “La speranza della família” (Edizioni Ares). Da misericórdia se tem falado em abundância depois do discurso consistorial do cardeal  Walter Kasper, que invocou a misericórdia para os divorciados recasados que desejam se aproximar novamente da eucaristia, alegando que “através da penitência qualquer um pode receber clemência e todo pecado ser absolvido”, cada ferida poderia ser curada no “hospital de campanha”, segundo a entrevista de Francisco na revista  Civiltà Cattolica – “A imagem do hospital de campanha é muito bonita”, disse Müller, mas “não podemos manipular o Papa reduzindo a esta imagem toda a realidade da Igreja. A Igreja não é um sanatório: a Igreja é também a casa do Pai”.

Dom Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Dom Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

É verdade, assegura o guardião da ortodoxia católica, que “Deus perdoa até um pecado grave como o adultério, todavia não permite um outro casamento que colocaria em dúvida um matrimônio sacramental ainda existente, um matrimônio que expressa a fidelidade de Deus. Fazer um similar apelo a uma presumida misericórdia de Deus equivale a um jogo de palavras que não ajuda a esclarecer os termos do problema. Na realidade – acrescenta o chefe do antigo Santo Ofício em uma das frases escapadas da longa antecipação publicada na revista Avvenire – me parece que esse é um modo de não perceber a profundidade da misericórdia divina”. Visões diametralmente opostas, portanto, que levam Müller a dizer-se surpreso com o empenho “da parte de alguns teólogos que possuem o mesmo entendimento sobre a misericórdia como um pretexto para admitir aos sacramentos os divorciados casados novamente segundo a lei civil”. O princípio da misericórdia, observa ainda, “é muito fraco quando se transforma em um único argumento teológico-sacramental válido. Toda a ordem sacramental é precisamente obra da misericórdia divina e não pode ser anulada revogando o mesmo princípio que a rege. Do contrário, uma referência errada à misericórdia contém o grave risco de banalizar a imagem de Deus, segundo a qual Deus não seria livre, mas sim obrigado a perdoar”. É verdade, enfatiza o prefeito, que Deus não se cansa nunca de perdoar e de oferecer a sua misericórdia, o problema é que somos nós que nos cansamos de suplicá-la”. E depois, “além da misericórdia, também a santidade e a justiça pertencem ao mistério de Deus. Se ocultássemos esses atributos divinos e se banalizássemos a realidade do pecado, não haveria sentido algum em implorar para as pessoas a misericórdia de Deus”.

O cardeal Müller toca ainda em outro ponto delicado que é o grande desafio entre doutrina e vida, também no que diz respeito aos pedidos de adaptação do ensinamento católico em assuntos de moral sexual à realidade pastoral. “Trata-se de um mal entendimento, como se a doutrina fosse um sistema teórico reservado a alguns especialistas de teologia. Não, a doutrina, além da palavra de Deus, nos dá a vida e a mais autêntica verdade da vida. Não podemos confessar de modo doutrinal que ‘Cristo é o Senhor’ e depois não cumprir a Sua vontade”. Busca-se, em suma, “transformar a doutrina católica numa espécie de museu das teorias cristãs: uma espécie de reserva que interessaria apenas a alguns especialistas” e “ o severo cristianismo estaria se convertendo em uma nova religião civil, politicamente correta, reduzida a alguns valores tolerados pelo resto da sociedade. De tal modo, se obteria o objetivo inconfessável de alguns: marginalizar a Palavra de Deus para poder dirigir ideologicamente toda a sociedade”. Jesus, explica o purpurado, “não se encarnou para expor algumas simples teorias que tranqüilizam a consciência, deixando tudo, até o que tem fundo lascivo, como está, sem alterar a ordem constituída”. Em suma, não se pode, “ir à igreja pela manhã e à tarde ao bordel, como uma espécie de síntese esquizofrênica entre Deus e o mundo, como se fosse possível viver na casa de Deus pela manhã e na casa do diabo à noite.”
22 maio, 2014

Roma excomunga responsável por movimento “Nós somos a Igreja”.

Por La Vie | Tradução: Fratres in Unum.com – Esse é o epílogo de um longo impasse entre o movimento Wir sind Kirche (“Nós somos a Igreja”) e o Vaticano. Segundo as informações do Tiroler Tageszeitung (em alemão), Martha Heizer, a responsável austríaca pelo movimento leigo muito crítica em relação a Roma, acaba de ser excomungada pelo Papa Francisco. Seu marido, Gert Heizer, foi igualmente atingido pela medida. De acordo com o diário alemão Die Welt (em alemão), a informação é confirmada “por círculos católicos”.

Martha Heizer

O bispo de Innsbruck, Dom Manfred Scheuer, “apresentou pessoalmente o decreto ao casal na quarta-feira, 21 de maio, à noite”, afirmou a rádio ORF Tirol (em alemão). O bispo leu o conteúdo do decreto aos dois envolvidos, que, em seguida, recusaram o documento. “Nós não aceitamos porque questionamos a integridade de todo o processo”, disse Martha Heizer à rádio austríaca.

Nesta manhã de quinta-feira, ela declara, em um comunicado (em alemão), estar “profundamente chocada ao se encontrar na mesma categoria que os padres pedófilos”. Na sua opinião, “esse procedimento mostra como a que ponto a Igreja Católica precisa de renovação”.

Eucaristias privadas

O motivo das duas excomunhões? Missas privadas celebradas sem padre na residência do casal. Há vários anos, Martha Heizer não esconde que ela e seu marido acolhem em sua casa essas celebrações, às quais alguns fiéis participam regularmente. Simulações de missas que constituem “delicta graviora” (delitos graves) aos olhos da Igreja Católica.

“O caso causou polêmica em 2011″, explica o Tiroler Tageszeitung, com a intervenção do bispo local. A Congregação para a Doutrina da Fé, em seguida, anunciou a criação de uma comissão.

Martha Heizer encabeça o movimento reformista desde 7 de abril passado — um movimento fundado na Áustria em 1995, da qual é uma das fundadoras. Aos 67 anos, Martha Heizer é conhecida por suas posições favoráveis à ordenação de mulheres e a “uma renovação da Igreja através dos leigos”, diz o Die Welt. Desde 2012, ela dirige o International Movement We Are Church (IMWAC), “Movimento Internacional Nós Somos Igreja”.

Com esta decisão, Dom Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, mantém-se fiel à sua posição anterior: em 2009, então chefe da diocese de Regensburg, o prelado alemão havia suspendido Paul Winckler, o responsável alemão da Wir sind Kirche .

7 maio, 2014

Duro ataque do Cardeal Müller a grupo de religiosas americanas investigado pela Santa Sé.

Apesar de toda “caridade” (leniência cúmplice) do responsável pelos religiosos, Cardeal Braz de Avis, com sua lenga-lenga dialogante, o Prefeito do Antigo Santo Ofício não se omite. Sinais dos tempos: na Cúria de Francisco, até Müller ganha destaque por defender a Fé…

Congregação vaticana questiona religiosas americanas por não cooperarem

IHU – O responsável doutrinário do Vaticano acusou as líderes religiosas dos EUA de não cumprirem a agenda de reformas que a Santa Sé impôs à Conferência de Liderança das Religiosas (Leadership Conference of Women Religious – LCWR, em inglês) após uma avaliação doutrinária.

Religiosas do LCWR.

Religiosas da LCWR.

A reportagem é de Dennis Coday, publicada por National Catholic Reporter, 05-05-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, disse à articulação das religiosas que seus membros estavam ignorando os procedimentos para a escolha dos palestrantes tendo em vista a conferência anual a ocorrer em agosto, e questionou se os programas destas irmãs não estariam incentivando a heresia.

11 março, 2014

Um herói (marxistoide) no Vaticano.

Com informações de Catapulta | Tradução: Fratres in Unum.com (destaques do original) – “Na terça-feira passada, o fundador da Teologia da Libertação, a corrente católica de inspiração latino-americana que defende os pobres, foi recebido como um herói no Vaticano, no momento em que o outrora criticado movimento continua a sua reabilitação com o papa Francisco.

O reverendo Gustavo Gutiérrez Merino, do Peru, foi o orador surpresa nessa terça-feira, no lançamento de um livro, que contou com a participação do cardeal Gerhard Mueller, chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, entidade encarregada de cuidar para que os sacerdotes não se afastem dos ensinamentos centrais da Igreja; do cardeal Óscar Rodríguez (Maradiaga) um dos principais assessores do Papa, e do porta-voz do Vaticano”

http://www.jornada.unam.mx/2014/02/27/mundo/

Vatican Insider fornece mais detalhes sobre a apresentação do livro:

“Pobre e para os pobres”. As palavras do Papa são também o título do mais recente livro de Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. (que aparece na foto vestindo um poncho). Um texto que parece ser o passo definitivo em direção a uma Teologia da Libertação “normalizada”. A edição, que conta com o prólogo de Francisco, foi apresentada em um auditório do Vaticano…

Müller é o principal artífice dessa “normalização” de uma corrente de pensamento que ainda provoca debates acalorados na América Latina. Ele é amigo pessoal de Gutiérrez, “pai” dessa teologia, há décadas. Após a apresentação do livro, o brilhante cardeal alemão explicou aos jornalistas porque ele a apoia sem duvidar.

http://vaticaninsider.lastampa.it/es/en-el-mundo/dettagliospain/articolo/teologia-della-liberazione-teologia-de-la-liberacion-32380/

Agora vamos lá, em 1973 o fundador Gutiérrez publicou Fe cristiana e cambio social, onde aparecem as seguintes pérolas “católicas” e das quais nunca se arrependeu:

 “… a luta de classes é um fato, e é impossível manter a neutralidade nesse tema”.

“… não há nada mais certo do que um fato. Ignorá-lo é enganar e deixar-se enganar e, além disso, privar-se dos meios necessários para eliminar verdadeira e radicalmente essa condição ‒ ou seja, avançar até uma sociedade sem classes“.

“Participar da luta de classes não somente não se opõe ao amor universal; hoje em dia, esse compromisso é o meio necessário e inevitável para concretizar esse amor, uma vez que essa participação é o que conduz a uma sociedade sem classes, uma sociedade sem proprietários e despossuídos, sem opressores e oprimidos”.

“… a missão da Igreja se define prática e teoricamente, pastoral e teologicamente, em relação… ao processo revolucionário. Ou seja, a sua missão se define mais pelo contexto político do que por problemas intra-eclesiais”.

“… a luta de classes existe dentro da mesma Igreja… a unidade da Igreja (é)… um mito que deve desaparecer se a Igreja é “reconvertida” ao serviço dos trabalhadores na luta de classes”.

No mundo atual a solidariedade e o protesto de que falamos têm um evidente e inevitável caráter político, tanto que têm um significado libertador. Optar pelo oprimido é optar contra o opressor. Em nossos dias e em nosso continente, solidarizar-se com o pobre assim entendido, significa correr riscos pessoais… É o que ocorre a muitos cristãos – e não cristãos – no processo revolucionário latino-americano”. (Ver Postagem de 11 de setembro de 2013 “MÁS ALIENTO A LA REVOLUÇÃO” http://www.catapulta.com.ar/?p=11414)

8 março, 2014

Cardeal Müller: «as pessoas cuja vida contradiz a indissolubilidade do matrimônio sacramental não podem receber a Eucaristia».

O cardeal Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, concedeu uma entrevista ao National Catholic Register, na qual responde a uma pergunta sobre a possibilidade dos divorciados recasados receberem a comunhão. O prelado indica que o ensinamento de Cristo e sua Igreja é claro: «as pessoas cujo estado de vida contradiz a indissolubilidade do matrimônio sacramental não podem receber a Eucaristia». Ao mesmo tempo ele adverte que, embora «a ideia de que a doutrina possa ser separada da prática pastoral da Igreja tenha se tornado habitual em alguns círculos», essa «não é nem nunca foi a fé católica».

Por NCR/InfoCatólica, 6 de março de 2014 | Tradução: Fratres in Unum.com –  Edward Pentin, do National Catholic Register, pergunta ao Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé sobre a admissão à Eucaristia dos divorciados recasados no civil:

- Alguns estão preocupados com as mudanças ocorridas com relação ao ensinamento da Igreja sobre os católicos divorciados e recasados. Podemos garantir aos fiéis que as mudanças serão de tipo mais pastoral que doutrinal?

Resposta do cardeal:

Dom Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Dom Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Em primeiro lugar, agradeço o fato de que a sua pergunta me dá a oportunidade de esclarecer um ponto importante. A ideia de que a doutrina possa ser separada da prática pastoral da Igreja se tornou habitual em alguns círculos. Essa não é nem nunca foi a fé católica. Os últimos papas têm se esforçado para ressaltar o caráter vital e pessoal da fé católica. O Papa Francisco escreveu «Não me canso de repetir aquelas palavras de Bento XVI que nos levam ao próprio centro do Evangelho: “Não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas sim pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com ele, uma orientação decisiva” (Evangelii Gaudium, 7). Dentro dessa relação pessoal com Cristo, que abrange as nossas mentes, nossos corações e a totalidade de nossas vidas, podemos compreender a profunda unidade entre as doutrinas em que acreditamos e a forma em que vivemos nossas vidas, ou aquilo que poderíamos chamar a realidade pastoral de nossa vivencia pessoal. A oposição entre o que é pastoral e o que é doutrinal é simplesmente uma falsa dicotomia.

Em segundo lugar, temos que ter muito cuidado ao falarmos dos ensinamentos da Igreja. Se por «mudança» se quer dizer negar ou rejeitar o que existia anteriormente, isso seria um erro. Eu preferiria falar de «desenvolvimento» dos ensinamentos da Igreja. A Igreja não inventa por si mesma aquilo que ensina. Os ensinamentos da Igreja estão enraizados na pessoa de Cristo, no mistério de Deus que se revela.

Pode ser que, com o passar do tempo, a Igreja chegue a um entendimento mais profundo desse mistério. Pode ocorrer também que novas circunstâncias na história dos homens lancem uma luz concreta sobre as consequências desse mistério. Porém, devido ao que está enraizado no mesmo mistério de Cristo, sempre há uma continuidade naquilo que a Igreja ensina.

Em terceiro lugar, referindo-me especificamente à questão da admissão à comunhão eucarística dos divorciados recasados, faço referência ao artigo publicando no L´Osservatore Romano. Sem dúvida, gostaria de recordar alguns pontos que observei na época. Primeiro, o ensinamento de Cristo e sua Igreja é claro: um matrimônio sacramental é indissolúvel. Segundo, as pessoas cujo estado de vida contradiz a indissolubilidade do matrimônio sacramental não podem receber a Eucaristia. Terceiro, os pastores e as comunidades paroquiais são chamados a apoiar os fiéis que se encontram nessa situação com «solícita caridade» (Familiaris Consortio 84).

A preocupação da Igreja por seus filhos que estão divorciados e recasados não pode ser reduzida à questão da recepção da Eucaristia, e estou seguro de que a Igreja, arraigada na verdade e no amor, descobrirá os caminhos e abordagens corretos de formas sempre novas.

Em relação a possíveis mudanças doutrinais, o cardeal adverte na entrevista que é necessário distinguir entre a realidade e a forma em que aquela é apresentada pelos meios de comunicação:

Em particular, os meios seculares frequentemente interpretam mal a Igreja. Infelizmente, eles aplicam o modo de pensar do âmbito da política à Igreja. Um líder político recém-eleito pode modificar ou revocar a política de seu partido. Isso não se aplica a um Papa. Quando um Papa é eleito, a sua missão é ser fiel aos ensinamentos da Igreja e de Cristo. Pode-se encontrar modos novos e criativos de ser fiel a esses ensinamentos, porém, para o Papa, a realidade mais profunda é a contínua fidelidade à pessoa de Cristo. Se os meios de comunicação criaram expectativas errôneas, então, estamos diante de algo lamentável.

31 janeiro, 2014

Socci: Ratzinger é o alvo verdadeiro dos novos inquisidores. A autodemolição da Igreja lamentada por Paulo VI recomeça.

Os novos inquisidores contra Ratzinger. Recomeça a autodemolição da Igreja.

Por Antonio Socci | Tradução: Fratres in Unum.com

Houve grandes papas cujos pontificados foram praticamente solapados pelos erros dos eclesiásticos que lhes eram próximos. Esse risco também existe para o papa Francisco.

De fato, há episódios, decisões e “explosões bizarras” bastante desconcertantes por parte de alguns prelados. Penso no Cardeal Maradiaga e no Cardeal Braz de Aviz, que se sentem tão poderosos no Vaticano que usam o porrete tanto contra o Prefeito do antigo Santo Ofício, Müller, bem como contra os Franciscanos da Imaculada.

CONTRA BENTO XVI

Os alvos de suas “porretadas” (dadas, obviamente, em nome da misericórdia) são aqueles que, de diversas maneiras, são identificados como paladinos da ortodoxia católica e que mantiveram relações com Bento XVI.

O verdadeiro alvo, de fato, parece ser justamente ele: o “culpado” de tantas coisas: desde sua condenação histórica da Teologia da Libertação e defesa da sã doutrina até o Motu Proprio sobre a Liturgia.

O Cardeal Oscar Maradiaga é arcebispo de Tegucigalpa, em Honduras, diocese em decadência. Porém, o prelado, que circula pelos palcos dos meios de comunicação mundanos, recentemente deu o que falar por causa da entrevista que concedeu a um jornal alemão, onde – além dos lixo new age e banalidades terceiro-mundistas – atacou publicamente o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Gerhard Müller, a quem o papa recentemente concedeu a púrpura cardinalícia. Igualmente escandaloso é constatar que Maradiaga é o chefe da comissão que deveria reformar a Cúria.

O que havia acontecido? Müller, chamado a esse cargo por Bento XVI e confirmado por Francisco, há poucos meses reiterou que, mesmo buscando novos caminhos pastorais (já indicados por Bento XVI), o próximo Sínodo sobre a família não pode subverter a lei de Deus com “um falso apelo à misericórdia” no que diz respeito à família homem-mulher, estabelecida por Jesus no Evangelho e que sempre foi ensinado pela Igreja.

SHOW DO MARADIAGA 

Müller, que já havia sido atacado pessoalmente por Hans Küng, [agora] foi liquidado por Maradiaga com essas palavras: “ele é um alemão e também um professor alemão de teologia. Em sua mentalidade existe só o verdadeiro e o falso. Só isso. Porém, eu digo: meu irmão, o mundo não é assim, você deveria ser um pouco flexível.” Essas palavras escandalizaram muitos fieis. Acima de tudo porque a alusão ao “professor alemão de teologia”, inevitavelmente, faz pensar que o alvo fosse Bento XVI, que chamou Müller para aquela função. E também porque um ataque público entre cardeais é algo completamente fora de propósito, como se Müller estivesse ali para sustentar a sua teologia pessoal e não o ensinamento constante da Igreja e de todos os papas.

No final das contas, segundo Maradiaga, seria equivocado avaliar a realidade em termos de verdadeiro ou falso, – ele se esquece que Jesus Cristo, no Evangelho, deu este preciso mandamento: “Dizei somente: Sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno” (Mt 5,37).

Será que Maradiaga prefere “Tudo o que passa além disto ” ao anúncio da Verdade? Quanto aos temas relacionados à família, em que [atualmente] temos uma ofensiva ideológica semelhante àquela marxista dos anos setenta, diversos eclesiásticos estão prontos – justamente como naquele tempo – a entregar os pontos.

E eles o fazem também com os sofismas de Maradiaga, que afirmou que as palavras de Jesus sobre o matrimônio são vinculantes, “porém, elas podem ser interpretadas”, uma vez que hoje em dia há muitas novas situações de coabitação e há necessidade de “respostas que não podem mais se basear no autoritarismo e o moralismo”.

Essa frase sozinha liquida todo o Magistério da Igreja: evidentemente, de acordo com Maradiaga, até mesmo Nosso Senhor era autoritário e moralista, uma vez que Ele se expressou com grande clareza.

Mas o que significa “mais cuidado pastoral do que doutrina”? Todo grande pastor, de Santo Ambrósio a São Carlos Borromeu, de Dom Bosco a Padre Pio, foi um paladino da doutrina.

Maradiaga diz que a família precisa de “respostas adaptadas ao mundo de hoje”. Essas são palavras vazias e alusivas, que alimentam dúvidas e confusões. E essa é a maneira típica que hoje em dia está se espalhando na Igreja para suscitar indagações sem dar respostas.

A esse respeito, Santo Tomás de Aquino expressou-se assim: “Bem, estes são falsos profetas ou falsos doutores, pois levantar uma dúvida e não a resolver é o mesmo que concedê-la” (Sermão Attendite a falsis prophetis).

Atualmente, existem na Igreja pessoas que preferem o famoso questionário relativo ao Sínodo (que foi enviado a todas as dioceses do mundo e que é apresentado por alguns como uma pesquisa) às palavras de Jesus relatadas no Evangelho, como se a Verdade revelada devesse ser substituída pelas mais diversas opiniões.

AUTODEMOLIÇÃO

Também isso nos faz voltar aos anos Setenta, quando Paulo VI alarmado denunciava:

“Assim, a verdade cristã está passando por choques e crises assustadoras. Eles não aceitarão o ensinamento do Magistério [...] Há alguns que tentam facilitar fé esvaziando-a – a fé integra e verdadeira – daquelas verdades que parecem ser inaceitáveis à mentalidade moderna. Eles seguem os seus próprios gostos, para escolher uma verdade que seja considerada aceitável… Outros estão em busca de uma nova fé, especialmente, uma nova crença sobre Igreja. eles estão tentando conformá-la às ideias da sociologia moderna e da história profana”. 

É como varrer os pontificados de Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI para voltar à tenebrosa década de 70, à autodemolição da Igreja (conforme  definição de Paulo VI).

Não é uma renovação, mas o retorno ao passado mais desastroso.

A VERGONHA

Outro episódio de autodemolição da Igreja é a perseguição aos “Franciscanos da Imaculada”, uma das famílias religiosas mais ortodoxas, mais vibrantes (cheias de vocações), mais ascéticas e missionárias. Porém, a sua zelosa fidelidade a Bento XVI (como já escrevi nessa coluna) começando com o seu Motu Proprio sobre a liturgia, não foi perdoada.

A inversão de papéis é chocante. De fato, no banco dos réus temos católicos obedientes e no papel de inquisidor temos o cardeal brasileiro João Braz de Aviz, que, em uma longa entrevista, proferiu palavras nostálgicas de elogio à desastrosa Teologia da Libertação, pouco se lixando para a condenação que lhe fizeram Ratzinger e João Paulo II.

Braz de Aviz confessou tranquilamente que, naquela época, ele estava pronto a abandonar o seminário por aquelas ideias sociais. Entretanto, ele fez carreira. Atualmente, ele é o chefe da Congregação para os religiosos, e ele sequer é um religioso.

O prelado, que proclama ser muito amigo da Comunidade de Santo Egidio, tem uma ideia estranha de diálogo. Para ele, isso é importante para todos, menos para os católicos mais fieis ao Magistério.

Quando era arcebispo de Brasília, ele participou tranquilamente e foi palestrante em uma conferência do Fórum Espiritual Mundial com o ex-frei Leonardo Boff, líder da Teologia da Libertação, com Nestor Masotti, Presidente da Federação Espírita Brasileira, com Ricardo Lindemann, Presidente da Sociedade Teosófica no Brasil e com Hélio Pereira, Grão-Mestre da Grande Loja [local].

Assim que assumiu a chefia da Congregação para os Religiosos, imediatamente, ele iniciou o diálogo com as “animadas” Congregações de religiosas dos Estados Unidos [LCWR], que deram muita dor de cabeça a Bento XVI. Braz de Aviz fez uma espécie de crítica à Santa Sé: “recomeçamos a escutar…sem condenações preventivas”.

Por outro lado, ele nunca chamou os Franciscanos da Imaculada – que nunca causaram quaisquer problemas – para ouvi-los. Eles estão sob condenação preventiva – e uma condenação muito pesada.

Estranho, não é mesmo? Há alguns dias o “Vatican Insider” publicou: “Na Itália há cada vez menos freis e freiras”. Vocês acham que Braz de Aviz está preocupado com isso? De maneira alguma. Ele pensa em punir uma das poucas ordens cujas vocações estão aumentando.

Na primeira edição de “Jesus” [revista mensal da Sociedade de São Paulo e uma das publicações mais importantes na Itália] de 2014, um monumento foi erigido a Vito Mancuso [Professor famoso por sua visão “progressista” sobre bioética], notável por negar “uma dúzia de dogmas” (como escreveu La Civiltà Cattolica). Porém, estejam certos de que ninguém levantará alguma objeção às filhas de São Paulo a esse respeito.

Ao contrário, os “Franciscanos da Imaculada” sofrem repressão por terem defendido os dogmas da Igreja.

A autodemolição foi retomada com força.

[Fonte: “Libero”, de 26 de janeiro de 2014. Tradução a partir da versão inglesa de Rorate Caeli]

13 novembro, 2013

Guerra alemã.

Quase imediatamente após a sua renúncia ao governo da arquidiocese de Friburgo ser acolhida pelo Papa Francisco, o arcebispo Robert Zollitsch torna público um documento “pastoral” onde orienta os padres sobre a comunhão aos católicos divorciados e em segunda união. Poucas semanas depois o Prefeito da Doutrina da Fé, o também alemão Gerhard Müller, publicou um longo artigo no L’Osservatore Romano onde defende a atual posição católica de total inviolabilidade do casamento, desde que validamente celebrado. Agora Müller se dirige de forma direta ao arcebispo emérito Zollitsch, e aos demais bispos da Alemanha, revogando o documento “pastoral”. Abaixo a carta enviada por Müller.

* * *

A Sua Excelência!
Honorável Senhor Arcebispo!

Com o documento prot. N 2922/13, de 8 de outubro de 2013, o Nuncio Apostólico informou o projeto das diretrizes para o cuidado pastoral das pessoas separadas, divorciadas e recasadas civilmente na Arquidiocese de Friburgo, bem como a sua circular aos membros da Conferência Episcopal Alemã antes da publicação dessa carta, à Congregação para a Doutrina da fé. Uma leitura cuidadosa do rascunho do texto revela que ele contém ensinamentos pastorais muito corretos e importantes, mas não é claro em sua terminologia e não corresponde com o ensinamento da Igreja em dois pontos:

“As pessoas divorciadas e recasadas se colocam no caminho do seu acesso à Eucaristia”.
1. Em relação à recepção dos sacramentos por fiéis divorciados novamente casados ​​a proposta dos bispos da área de Oberrhein é novamente recomendada como uma direção pastoral: após um processo de discussão com os párocos, as pessoas interessadas podem chegar à conclusão de participar muito na vida da Igreja, mas a abster-se deliberadamente de receber os sacramentos, enquanto outras podem em suas situações concretas alcançar uma “decisão responsável de consciência” e serem capazes de receber os sacramentos do Batismo, a Sagrada Comunhão, Crisma, Reconciliação e Unção dos Enfermos, e esta decisão deve “ser respeitada” pelo padre e pela comunidade.

Ao contrário desta suposição, o Magistério da Igreja enfatiza que os pastores devem reconhecer bem  as diversas situações e devem convidar os fiéis afetados por elas a uma participação na vida da Igreja, mas também “reafirma a sua prática, que é baseada na Sagrada Escritura, de não admitir à comunhão eucarística divorciados que voltaram a casar “(cf. João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris Consortio, de 22 de novembro de 1981, N. 84; também comparar a Carta desta Congregação de 14 de setembro de 1994 sobre a recepção da Comunhão por divorciados recasados fiel, que rejeita a proposta dos bispos Oberrhein, e Bento XVI, Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, de 22 de fevereiro de 2009, N. 29).

Esta posição do Magistério é bem fundamentada. Divorciados recasados estão no caminho de seu acesso à Eucaristia, na medida em que o seu estado de vida é uma contradição objetiva para a relação de amor entre Cristo e a Igreja, que se torna visível e presente na Eucaristia (razão doutrinária). Se estas pessoas pudessem receber a Eucaristia isso causaria confusão entre os fiéis sobre o ensinamento da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimônio (razão pastoral).

2. Além disso, um rito [service, no original em inglês, NdT] de oração para os fiéis divorciados que entram em um novo casamento civil é sugerido. Embora seja explícito que isso não é um “semi-casamento” e a cerimônia deve ser simples, mas ainda assim seria uma espécie de “rito”, com uma entrada, a leitura da Palavra de Deus, benção e entrega de uma vela, oração e conclusão.

Tais celebrações foram expressamente proibidas por João Paulo II e Bento XVI: “O respeito devido ao sacramento do Matrimônio, para os próprios casais e suas famílias, e também para a comunidade dos fiéis, proíbe qualquer pastor, por qualquer motivo ou pretexto mesmo de natureza pastoral, de realizar cerimônias de qualquer natureza para as pessoas divorciadas que se casam novamente. Estas dariam a impressão de celebração de novas núpcias sacramentais válidas, e que, assim, levariam as pessoas ao erro sobre a indissolubilidade do matrimônio contraído validamente “(Familiaris Consortio, n. 84).

Os fiéis afetados devem receber suporte, mas é preciso evitar que “cresça confusão entre os fiéis sobre o valor do matrimônio” (Sacramentum Caritatis, N. 29).

Devido às discrepâncias acima destacadas, o projeto de texto deve ser retirado e revisto, de modo que nenhuma direção pastoral seja sancionada que se oponha aos ensinamentos da Igreja. Porque o texto suscitou questões não só na Alemanha, mas em muitas partes do mundo, bem como levou à incertezas numa questão pastoral delicada, me senti obrigado a informar ao Papa Francisco sobre isso.

Após consulta com o Santo Padre, um artigo de minhas mãos foi publicado em L’Osservatore Romano em 23 de outubro de 2013, que resume o ensino vinculante da Igreja sobre estas questões. Essa contribuição também foi publicada na edição semanal do jornal do Vaticano.

Uma vez que um número de bispos que se voltou para mim e um grupo de trabalho da Conferência Episcopal Alemã está lidando com o tema, gostaria de informar que vou enviar uma cópia desta carta a todos os bispos diocesanos da Alemanha. Esperando que sobre esta questão delicada nós vamos por caminhos pastorais, que estão em pleno acordo com a doutrina da fé da Igreja, fico com cordial saudação e bênção no Senhor.

Gerhard L. Müller
Prefeito

  • Batalha 4 – Cardeal Marx [um dos purpurados membros do poderoso conselho de 8 cardeais erigido pelo Papa Francisco]: “O Prefeito da CDF não pode por fim à discussão”.

    Por Pray Tell | Tradução: Fratres in Unum.com - Na opinião do Cardeal Marx, de Munique, o debate sobre o tratamento dado pela Igreja Católica a divorciados recasados está completamente aberto. “O prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé não pode colocar um fim na discussão”, declarou, na quinta-feira, na conclusão do encontro da Conferência Episcopal de Frisinga, noticiou Kathweb [...]. “Veremos que isso é discutido muito amplamente; quanto ao resultado, não sei”. O Cardeal Marx afirmou que é o desejo expresso de Roma que haja uma ampla discussão por toda a Igreja em preparação para o sínodo especial sobre a família, em outubro de 2014 [...]. Um grande número de fiéis não podem entender plenamente “que uma segunda união não seja aceita pela Igreja”. Ele crê ser inadequado falar de divórcio simplesmente como “uma falha moral”.

7 novembro, 2013

Vaticano adverte bispos americanos sobre Medjugorge. “Vidente” Ivan forçado a cancelar viagem aos EUA.

A carta a seguir foi divulgada, aparentemente, primeiro no site pró-Medjugorgje “Spirit Daily”. No mínimo, ela sinaliza que a Comissão Medjugorje ainda está investigando ativamente as supostas “aparições”, e refuta a suposição, tida em alguns círculos “marianos”, que as aparições se presumem verdadeiras enquanto se aguarda o julgamento final de Roma.

De acordo com um post datado de hoje em “Medjugorje Today”, as viagens para os Estados Unidos foram canceladas: “as aparições públicas ao vidente Ivan Dragicevic, programadas no final de outubro, foram canceladas após as instruções do chefe da Congregação para a Doutrina da Fé. Os bispos americanos foram convidados a não permitir organizações [de eventos] que tomem as aparições como verdadeiras.”

A seguir, a tradução da carta:

Reverendíssimo Monsenhor Jenkins.

Escrevo a pedido de Sua Excelência, o Reverendíssimo Gerhard Ludwig Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que pede que os Bispos dos Estados Unidos sejam advertidos, mais uma vez, do seguinte (cf. minha carta de 27 de Fevereiro de 2013, com o mesmo número de protocolo ). Desta forma, Sua Excelência deseja informar os Bispos que um dos chamados videntes de Medjugorje, o Sr. Ivan Dragicevic, está programado para aparecer em certas paróquias de todo o país, ocasiões nas quais ele fará apresentações sobre o fenômeno de Medjugorje. Prevê-se, além disso, que o Sr. Dragicevic vai receber “aparições” durante estas apresentações agendadas.

Como o senhor bem sabe, a Congregação para a Doutrina da Fé está em processo de investigação de determinados aspectos doutrinários e disciplinares do fenômeno de Medjugorje. Por esta razão, a Congregação afirmou que, no que diz respeito à credibilidade das “aparições” em questão, todos devem aceitar a declaração, datada de 10 de Abril de 1991, dos bispos da antiga República da Iugoslávia, que afirma: “Com base na investigação que tem sido feita, não é possível afirmar que houve aparições ou revelações sobrenaturais.” Segue-se, portanto, que os clérigos e os fiéis não estão autorizados a participar de reuniões, conferências e celebrações públicas, durante as quais a credibilidade de tais “aparições” seria tomada como garantida.

Com o intuito, portanto, de evitar escândalo e confusão, o arcebispo Müller pede que os bispos sejam informados sobre este assunto o mais rápido possível.

Aproveito esta oportunidade para apresentar-lhe os meus sentimentos de profunda estima, e permaneço,

Sinceramente seu em Cristo,

+ Carlo Maria Viganò
Núncio Apostólico
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Monsenhor Ronny Jenkins
Secretário-Geral da USCCB
3211 Fourth Street NE
Washington , DC 20017