Posts tagged ‘Dom Gerhard Ludwig Muller’

7 maio, 2013

Comunicado da Sala de Imprensa após queixas do Cardeal Braz de Aviz.

Por Vatican Information Service | Tradução: Fratres in Unum.com – A Congregação para a Doutrina da Fé e a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica têm, por algum tempo, colaborado para uma renovada visão teológica da Vida Religiosa na Igreja. A preocupação da Santa Sé, expressa parcialmente na Avaliação Doutrinal da Leadership Conference of Women Religious nos Estados Unidos, é motivada por um desejo de apoiar a nobre e bela vocação dos religiosos, de modo que o eloquente testemunho da Vida Religiosa possa prosperar na Igreja em prol das futuras gerações.

Dom Gerhard Müller (esquerda) e Dom João Braz de Aviz (direita).

Dom Gerhard Müller (esquerda) e Dom João Braz de Aviz (direita).

As iniciativas da Santa Sé nesta área dizem respeito principalmente à fé da Igreja e sua expressão na Vida Religiosa. A fé da Igreja — no desígnio amoroso do Pai que enviou o Seu Filho para ser nosso Salvador, na inspiração da Sagrada Escritura, no dom da graça através dos Sacramentos, na natureza da Igreja guiada pelo Espírito Santo — esta fé está no coração dos Conselhos Evangélicos. Ela motiva a paixão pela justiça partilhada por tantas religiosas e religiosos, e ela procura sempre ser exprimida na caridade ativa para com aqueles mais necessitados.

Recentes comentários na mídia sobre observações feitas no domingo, 5 de maio, durante a Assembléia Geral da União Internacional dos Superiores Gerais, pelo Cardeal João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada, sugeriram uma divergência entre a CDF e a Congregação para os Religiosos em seu enfoque sobre a renovação da Vida Religiosa. Tal interpretação das palavras do Cardeal não se justifica. Os Prefeitos de ambas as Congregações trabalham proximamente segundo as suas responsabilidades específicas e têm colaborado ao longo do processo de Avaliação Doutrinal da LCWR. Dom Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e o Cardeal Braz de Aviz se encontraram ontem e reafirmaram o seu comprometimento comum na renovação da Vida Religiosa, e particularmente na Avaliação Doutrinal da LCWR e no necessário programa de seu reforma, de acordo com os desejos do Santo Padre.

* * *

Nota do Fratres: Afirmar-se “consternado” e “com muita dor” pela atuação da CDF — cujos métodos “nós temos que mudar”, já que os responsáveis pelos dicastérios devem “confiar no juízo uns dos outros” — definitivamente não é nenhuma manifestação de harmonia e cooperação. Dizer que “não se justifica” a interpretação feita por qualquer ser pensante só mostra como o Cardeal Braz de Aviz é capaz de colocar, pela enésima vez, a Santa Sé em maus lençóis, a ponto de fazê-la emanar um comunicado que busca negar o óbvio. A nota acima é, evidentemente, fruto da diplomacia curial. Razoável seria, de fato, uma retratação do Cardeal Aviz, o que, sabemos todos nós, seria uma humilhação não prevista no manual de boas maneiras que vigora em Roma. Esse episódio só evidencia, mais uma vez, a completa inaptidão do purpurado brasileiro.

27 fevereiro, 2013

Peru: Müller e Grocholewski apoiam a “universidade rebelde”.

A reunião, aparentemente sem a aprovação da Secretaria de Estado, com as autoridades da antiga PUCP.

Por Andrés Beltramo Álvarez | Tradução: Fratres in Unum.com – É a “universidade rebelde” do Peru. Sobre ela pesa uma sanção emitida pela Santa Sé. Por vontade papal, está proibida de ostentar seus títulos de “Pontifícia” e “Católica”. Todos os seus professores de teologia estão desabilitados. Mas nada disso impediu que suas autoridades recebessem o apoio explícito de dois personagens de primeiro nível no Vaticano: os prefeitos das congregações para a Doutrina da Fé e para a Educação Católica, Gerhard Ludwig Müller e Zenon Grocholewski.

Imagem da reunião publicada no site da PUCP.

Imagem da reunião publicada no site da PUCP.

Na última sexta-feira, 22 de fevereiro, a escassos seis dias da conclusão do presente pontificado, ambos os prefeitos receberam em audiência o reitor dessa casa de estudos, Marcial Rubio Correa, e o vice-reitor acadêmico, Efraín Gonzales de Olarte. Estiveram presentes também os secretários da Doutrina da Fé, Luis Francisco Ladaria, e da Educação Católica, Angelo Vincenzo Zani.

O encontro foi publicado no sítio institucional da antiga Pontifícia Universidade Católica do Peru, que difundiu uma fotografia. Mas não esclareceu o conteúdo da “cordial conversa”, como qualificou em um breve comunicado.

O encontro surpreendeu a muitos na Cúria Romana. Tudo parece indicar que foi realizado sem a aprovação da Secretaria de Estado. O que poderia configurar uma clamorosa desobediência. Especialmente depois da reunião de alto nível realizada no início deste mês de fevereiro e da qual saiu muito mal o prefeito Müller.

Tratou-se de uma reunião “interdicasterial” convocada pelo Secretário de Estado, Tarcisio Bertone, cujo principal objetivo foi analisar a validez de uma carta enviada pelo “guardião da ortodoxia” ao arcebispo de Lima e grão-chanceler da universidade, Juan Luis Cipriani Thorne, no fim de janeiro.

Com esta carta, o prefeito pretendeu derrubar a decisão de Cipriani de não renovar a permissão eclesiástica para lecionar de todos os professores do Departamento de Teologia da antiga PUCP. Mas a carta estava viciada desde sua origem. Pois não respeitou a nenhum dos requisitos de uma comunicação oficial, nem do ponto de vista formal nem do ponto de vista jurídico. Assim, a “interdicasterial” a considerou inválida.

Por isso, e como resultado dessa análise, a Santa Sé mandou ao Peru uma carta que declarou legítima a determinação do arcebispo de não conceder a permissão para o ensino de teologia católica aos professores desse centro universitário.

Tudo baseado em uma sanção aplicada com o aval do Papa, e que mantém sua plena vigência jurídica, pela negação contumaz da Assembléia Universitária de reformar os seus estatutos para aderir à legislação vaticana sobre as instituições de educação superior católicas: a constituição apostólica “Ex Corde Ecclesiae”.

Conforme pôde confirmar Vatican Insider, já há vários meses e desde suas posições no Vaticano, tanto Müller como Grocholewski vêm tentando, por vários meios, reverter a sanção contra a universidade, para lhe conseguir a recuperação do uso de seus títulos. Sobre este tema, os prefeitos tiveram uma contínua comunicação com o prepósito geral da Companhia de Jesus, a ordem dos jesuítas, Adolfo Nicolás Pachón.

18 fevereiro, 2013

Sorry, Müller.

Universidade “rebelde” do Peru e o erro do Prefeito Müller.

O ainda Secretário de Estado convocou uma reunião para avaliar a intervenção do “guardião da ortodoxia católica” junto ao ateneu peruano.

Por Andrés Beltramo Álvarez | Tradução: Fratres in Unum.com

You did it wrong!

You did it wrong!

A universidade “rebelde” do Peru permanecerá sem professores de teologia. Assim determinou a Santa Sé, após uma reunião realizada há alguns dias em Roma. Um encontro de alto nível que lançou por terra a tentativa do prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Gerhard Ludwig Müller, de intervir a favor dessa instituição educativa em seu conflito com o Arcebispo de Lima e com o Vaticano. Um apoio que foi tomado como um grave erro do “guardião da ortodoxia católica”.

A reunião interdicasterial foi convocada pelo Secretário de Estado da Sé Apostólica, Tarcisio Bertone. O objetivo? Analisar a validade de uma carta enviada pelo próprio Müller ao arcebispo de Lima, Juan Luis Cipriani Thorne, no fim de janeiro.

Na missiva, o prefeito solicitou ao cardeal peruano explicações sobre a sua decisão de não renovar a permissão eclesiástica para lecionar a todos os professores do Departamento de Teologia da “antiga” Pontifícia Universidade Católica do Peru (ex PUCP). Esta determinação, comunicada às autoridades universitárias em dezembro, foi produto do decreto emitido pela Santa Sé em junho de 2012, que proibiu à entidade ostentar seus títulos de Pontifícia e Católica.

Uma sanção aplicada com o aval do Papa e que mantém sua plena vigência jurídica pela negação contumaz  da Assembléia Universitária em reformar seus estatutos para aderir às normas vaticanas sobre as instituições de educação superior católicas: a constituição apostólica “Ex Corde Ecclesiae”.

O prefeito alemão decidiu atuar em decorrência de uma queixa enviada a Roma por aqueles professores aos quais foram revogados o mandato canônico para lecionar. Eles argumentaram que a revogação foi aplicada por “motivos doutrinais”. Müller levou em conta sua reclamação e ordenou — em sua comunicação — que a universidade continue dando cursos de teologia, enquanto a Santa Sé não resolver o conflito de fundo.

Mas a missiva estava viciada na origem. E, portanto, foi considerada inválida pela [reunião] interdicasterial. Em primeira instância, porque se tratou de uma iniciativa “pessoal” do prefeito, que não cumpriu os requisitos de consulta aos especialistas no tema dentro da Congregação para a Doutrina da Fé.

Ademais, não foi enviada aos canais institucionais da nunciatura apostólica em Lima. No Arcebispado da capital peruana, receberam-na como um simples fax. E, o mais importante, a carta ignorou o Código de Direito Canônico, que confere ao bispo diocesano a autoridade para outorgar e revogar as permissões aos professores de religião ou ciências eclesiásticas em sua circunscrição eclesiástica. ,

O resultado da análise já foi comunicado às partes no Peru através da mala diplomática. A carta de Gerhard Müller não tem validade e se mantém intacta a decisão do arcebispo Cipriani de não conceder as permissões para o ensino da teologia na ex PUCP. O que põe a instituição em sérios apuros para cobrir os cursos obrigatórios dessa matéria no próximo ano letivo.

Por ora, as conclusões da reunião vaticana presidida por Bertone, ainda Secretário de Estado, constituirão um duro revés para o prefeito da Doutrina da Fé e, na Cúria Romana, abrirão a interrogação quanto a sua idoneidade para ocupar um posto de enorme poder que não permite improvisações nem erros, nem de forma, nem de fundo.

14 fevereiro, 2013

Aos 45 do segundo tempo.

Fratres in Unum.comFontes seguras dão conta de que Dom Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, teria enviado, no início de janeiro, uma carta a Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, instando-o a aceitar a última versão do “preâmbulo doutrinal”, aprovada em junho do ano passado — aquela com acréscimos de última hora e sem a anuência da Fraternidade, que fizeram com que ela, inclinada inicialmente a aceitar a proposta, revisse sua posição.

O “ultimato” de Dom Müller teria como data limite a festa da Cátedra de São Pedro, no próximo dia 22, e estaria recheado de duras ameaças. O tom conciliador da carta enviada em dezembro por Dom Joseph Augustine di Noia, que também assina o “ultimato”, não durou, portanto, mais do que um mês. Caso não houvesse aceitação por parte da FSSPX como um todo, a Santa Sé faria a proposta de regularização canônica a cada sacerdote pertencente à FSSPX individualmente.

A iniciativa de Müller e Di Noia não considerava, provavelmente, a súbita renúncia pontifícia, que coloca a FSSPX de sobreaviso — ainda mais — contra uma Cúria Romana dilacerada por intrigas.

Em entrevista à rede americana NBC, o irmão de Bento XVI, Monsenhor George Ratzinger, afirmou que dois assuntos em particular afligiam seu irmão: “Dentro da Igreja, muitas coisas aconteceram que geraram problemas, por exemplo, a relação com a Fraternidade Pio [X] ou as irregularidades dentro do Vaticano, onde o mordomo vazou indiscrições”.

Este talvez seja o contexto para interpretar apropriadamente as palavras do Papa em sua última homilia, pronunciada ontem, na Basílica de São Pedro: “Penso em particular nos pecados contra a unidade da Igreja, das divisões no corpo da Igreja. Viver a quaresma de maneira mais intensa e em evidente comunhão eclesial, superando o individualismo e a rivalidade é um sinal humilde e precioso”. ‘Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação’ (2 Cor 6:2). As palavras do Apóstolo Paulo aos cristãos de Corinto ressoam para nós com uma urgência que não permite ausência ou inércia. O termo ‘agora’ é repetido e não pode ser perdido, é oferecido como uma oportunidade única”.

4 fevereiro, 2013

Dom Müller teria intervindo em favor da antiga PUC-Peru.

IHU – O prefeito para a Congregação da Doutrina da Fé, Gerhard Müller, teria enviado uma carta ao cardeal Juan Luis Cipriani, na qual pede informações sobre sua decisão de não renovar o mandato para que os professores do Departamento de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Peru (PUCP) deem aula.

Dom Müller e o guru-mor da Teologia da Libertação, Gustavo Gutierrez: não, eles não estavam negociando quanto à Fé.

Dom Müller e o guru-mor da Teologia da Libertação, Gustavo Gutierrez.

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 01-02-2013. A tradução é do Cepat.

De acordo com a revista peruana Caretas, o encarregado da Doutrina da Fé do Vaticano solicitou ao cardeal Cipriani que lhe enviasse uma cópia do documento no qual decide não renovar o mandato canônico vigente.

Müller lhe teria indicado que enquanto não se resolve o tema no Vaticano, a universidade poderá continuar a oferecer os cursos de Teologia previstos.

A Caretas indica, além disso, que pessoas vinculadas ao cardeal asseguram que este assunto emerge porque os professores da PUCP, aos quais foi cortado o direito de ensinar, enviaram primeiro uma carta a Müller queixando-se de terem sido proibidos por motivos doutrinários.

Todavia, Cipriani disse que não recebeu nenhuma carta até o momento, e afirmou que não renovou a licença porque a PUCP não cumpriu com a ordem de adaptar seus estatutos, conforme exigência do Vaticano.

Além disso, justifica sua decisão e assevera que tomou a decisão com base em suas faculdades como Arcebispo Ordinário de Lima.

Extraoficialmente, soube-se que a carta de Müller já chegou, e foi enviada através da Nunciatura Apostólica ao cardeal. Uma cópia teria sido enviada à Conferência Episcopal, presidida por dom Salvador Piñeiro.

A decisão de Cipriani de proibir os cursos de Teologia na PUCP afeta muitos estudantes desta universidade, pois para terminar os Estudos Gerais Letras é indispensável fazer ao menos uma disciplina de Teologia, assim como egressar da Faculdade de Teologia; ao passo que em Educação, devem fazer duas disciplinas.

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Como noticiamos em julho do ano passado: ‹‹ Em 2008, Dom Gehard Müller, novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, recebeu o título de doutor honoris causa outorgado pela mesmíssima universidade. Todos os anos desde 1998, Müller viaja ao Peru para fazer um curso com Gutiérrez na ex-PUC e passa algum tempo vivendo com os agricultores em uma paróquia rural, perto da fronteira com a Bolívia. Quando recebeu o título, Müller declarou sobre Gutierrez: “A teologia de Gustavo Gutiérrez, independentemente de como você olha para ela, é ortodoxa porque é ortoprática”, disse ele. “Ela nos ensina a forma correta de agir de uma forma cristã, já que provém da verdadeira fé” ›› .

25 janeiro, 2013

Líder luterano descontente com proposta de ordinariato.

Dom Gerhard Müller: dançou.

Dom Gerhard Müller: dançou.

Por Catholic Culture | Tradução: Fratres in Unum.com - O Secretário Geral da Federação Luterana Mundial expressou sérias preocupações sobre a perspectiva de que o Vaticano possa estabelecer um ordinariato para luteranos ingressarem na Igreja Católica.

Rev. Martin Junge afirmou que a criação de um ordinariato luterano — similar aos ordinariatos anglicanos já erigidos — teria “sérias repercussões ecumênicas” na medida em que isso assinalaria um encorajamento do Vaticano para que luteranos deixassem suas comunidades protestantes. Tal medida, afirmou Rev. Junge, “enviaria um sinal errado às igrejas luteranas”.

Dom Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, levantou a possibilidade de um ordinariato luterano em uma conferência realizada em Roma na semana passada. O arcebispo afirmou que alguns luteranos estariam ansiosos em entrar em plena comunhão com a Igreja Católica, mantendo “as legítimas tradições que eles desenvolveram”.

15 janeiro, 2013

Dom Müller: Santa Sé considera Ordinariato para protestantes moderados que vêem no Vaticano II realização dos ideais de Lutero.

O arcebispo não explicou como a afirmação de que o Vaticano II realizou os anseios de Lutero pode ser coadunada com a “hermenêutica da reforma na continuidade”.

Dom Gerhard Ludwig Müller.

Dom Gerhard Ludwig Müller.

Por InfoCatólica | Tradução: Fratres in Unum.com -  Dom Gerhard Ludwig Müller, arcebispo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), declarou que a Santa Sé poderia considerar a criação de um ordinariato para os luteranos que desejam regressar à plena comunhão com a Igreja Católica, que teria uma estrutura similar à estabelecida pelo Papa Bento XVI para os anglicanos. O arcebispo reconhece, todavia, que “o mundo luterano é um tanto diferente dos anglicanos, pois entre os anglicamos sempre houve um setor mais próximo do catolicismo”.

No entanto, explica o prefeito da CDF, alguns luteranos desejam a restauração da plena comunhão com Roma, e a Igreja deveria estar preparada para recebê-los. O arcebispo sugere que, da mesma forma que com os anglicanos, a Igreja Católica deveria permitir a esses luteranos, no processo de união com a Igreja, preservar as tradições legítimas que se desenvolveram.

Segundo Dom Müller, na opinião de alguns luteranos, Martinho Lutero pretendia somente reformar a Igreja e não causar divisão entre os cristãos. Esses luteranos crêem que as reformas necessárias foram realizadas pelo Concílio Vaticano II. O prelado explica que em sua terra natal, Alemanha, “os protestantes não se opõem completamente ao catolicismo, já que mantiveram muitas tradições católicas”.

O arcebispo fez estas declarações durante a apresentação, em uma livraria de Roma, de seu livro sobre o pensamento de Bento XVI.

11 dezembro, 2012

O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé contra Bento XVI?

Não um retorno ao Concílio Vaticano II, mas a Jesus Cristo, único Caminho, Verdade e Vida.

Por Roberto de Mattei | Tradução: Fratres in Unum.com – Em um surpreendente artigo publicado no “Osservatore Romano”, em 29 de novembro de 2012, Dom Gerhard Ludwig Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, elevou o Concílio Vaticano II a único e absoluto dogma de nossos tempos. Baseando-se em uma leitura toda pessoal do já célebre discurso de Bento XVI à Cúria Romana, de 22 de dezembro de 2005, Dom Müller escreve a propósito da “hermenêutica da reforma na continuidade”: “Esta interpretação é a única possível segundo os princípios da teologia católica, isto é, considerando a unidade indissolúvel entre a Sagrada Escritura, a completa e integral Tradição e o Magistério, cuja expressão mais elevada é o Concílio presidido pelo sucessor de São Pedro como chefe da Igreja visível. Fora desta única interpretação ortodoxa existe, infelizmente, uma interpretação herética, ou seja, a hermenêutica da ruptura, tanto do lado progressista, como do tradicionalista. Ambos estão unidos na recusa do Concílio; os progressistas, ao quererem  deixá-lo para trás, como se fosse apenas uma estação que deve ser abandonada a fim de se chegar a uma outra Igreja; os tradicionalistas, ao não desejarem chegar a ela, quase como se fosse o inverno da Catholica”.

Para sustentar a sua dogmatização do Vaticano II, o Arcebispo Müller pretende estabelecer uma ligação de absoluta continuidade entre a atual posição do Papa e a que adotava o Padre Joseph Ratzinger, então jovem teólogo do Cardeal Frings no Concílio Vaticano II. Dom Müller se cala sobre a evolução teológica pela qual passou, ao longo de 50 anos, o Cardeal Ratzinger, e o fato de que a ignorância deste itinerário teológico seja deliberada demonstra algo igualmente surpreendente: na opera omnia alemã de Joseph Ratzinger, sob os cuidados do próprio Dom Müller, está ausente o importante discurso do Cardeal Ratzinger à Conferência Episcopal do Chile, de 13 de julho de 1988, quando o então Prefeito da Congregação para a Fé definia como “límpido” “o fato de que nem todos os documentos do Concílio têm a mesma autoridade” e afirmava: “O Concílio Vaticano II não foi considerado como parte da Totalidade da Tradição viva da Igreja, mas diretamente como o fim da Tradição e como um recomeçar inteiramente do zero. A verdade é que o mesmo Concílio não definiu nenhum dogma e desejou deliberadamente permanecer em um alcance mais modesto, meramente como Concílio Pastoral; porém, muitos o interpretam como uma espécie de superdogma que tira a importância de todo o restante. Esta ideia se reforça especialmente por fatos que acontecem atualmente. O que antes era considerado a mais santa – a forma em que a liturgia era transmitida –, de repente aparece como a mais proibida de todas as coisas, a única que cpode ser impunemente proibida. Não se tolera a crítica às decisões tomadas no tempo pós-conciliar; mas onde estão em jogo as antigas regras, ou as grandes verdades da fé – por exemplo, a virgindade corporal de Maria (ndr: não eram estas as teses de Dom Müller?), a ressurreição corporal de Jesus, a imortalidade da alma, etc. –, ou não há reação alguma, ou apenas de forma extremamente moderada. Eu mesmo pude ver, quando era professor, como o mesmo bispo que antes do Concílio havia rejeitado a um professor irrepreensível, por seu modo de falar um pouco bruto, não se via capaz, depois do Concílio, de rejeitar a outro professor que negava abertamente algumas verdades fundamentais da fé. Tudo isso leva muitas pessoas a perguntarem se a Igreja de hoje é realmente a mesma de antes, ou se a trocaram por outra sem lhes avisar. A única maneira de tornar crível o Vaticano II é apresentá-lo claramente como o que ele é: uma parte da inteira e única Tradição da Igreja e de sua fé“.

Na celebração da Missa em que foi inaugurado, em 11 de outubro, o Ano da Fé, o Papa falou do mundo contemporâneo como um “deserto espiritual“. Bento XVI quis que a inauguração do Ano da Fé coincidisse com o 50º aniversário do Concílio Vaticano II e explicou: “Se a Igreja hoje propõe um novo Ano da fé e a nova evangelização, não é para prestar honras a uma efeméride, mas porque é necessário, ainda mais do que há 50 anos! E a resposta que se deve dar a esta necessidade é a mesma desejada pelos Papas e Padres conciliares e que está contida nos seus documentos. (…) Nos últimos decênios tem-se visto o avanço de uma ‘desertificação’ espiritual. Qual fosse o valor de uma vida, de um mundo sem Deus, no tempo do Concílio já se podia perceber a partir de algumas páginas trágicas da história, mas agora, infelizmente, o vemos ao nosso redor todos os dias. É o vazio que se espalhou. No entanto, é precisamente a partir da experiência deste deserto, deste vazio, que podemos redescobrir a alegria de crer, a sua importância vital para nós homens e mulheres. No deserto é possível redescobrir o valor daquilo que é essencial para a vida; assim sendo, no mundo de hoje, há inúmeros sinais da sede de Deus, do sentido último da vida, ainda que muitas vezes expressos implícita ou negativamente. E no deserto existe, sobretudo, necessidade de pessoas de fé que, com suas próprias vidas, indiquem o caminho para a Terra Prometida, mantendo assim viva a esperança“.

O Papa recordou, então, como João XXIII apresentou o fim principal do Concílio nos seguintes termos: “O que mais importa ao Concílio Ecumênico é o seguinte: que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz. (…) Por isso, o objetivo principal deste Concílio não é a discussão sobre este ou aquele tema doutrinal… Para isso, não havia necessidade de um Concílio… É necessário que esta doutrina certa e imutável, que deve ser fielmente respeitada, seja aprofundada e apresentada de forma a responder às exigências do nosso tempo“.

O “proprium” do Concílio Vaticano II e do pós-concílio não foi, portanto, a “dogmaticidade”, mas a “pastoralidade”, porque, explica Bento XVI, o Vaticano II “não excogitou nada de novo em matéria de fé, nem quis substituir aquilo que existia antes. Pelo contrário, preocupou-se em fazer com que a mesma fé continue a ser vivida no presente, continue a ser uma fé viva em um mundo em mudança. Os Padres conciliares – acrescentou – queriam voltar a apresentar a fé de uma forma eficaz, e se quiseram abrir-se com confiança ao diálogo com o mundo moderno foi justamente porque eles estavam seguros da sua fé, da rocha firme em que se apoiavam. Contudo, nos anos seguintes, muitos acolheram acriticamente a mentalidade dominante, questionando os próprios fundamentos do depositum fidei a qual infelizmente já não consideravam como própria diante daquilo que tinham por verdade“.

Se a exigência de encontrar uma nova linguagem para o mundo nasceu, e não podia ser diferente, do desejo de expandir a fé, o fim era prático e é a partir dos resultados concretos que se deve julgar se os meios para alcançar o objetivo foram eficazes e apropriados. Os acontecimentos dos últimos 50 anos nos dizem que, lamentavelmente, o Concílio não obteve os resultados que havia estabelecido, como admitia, em 1985, o mesmo Cardeal Joseph Ratzinger, então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em seu famoso Rapporto sulla Fede, com estas palavras:

É incontestável que os últimos vinte anos foram decididamente desfavoráveis à Igreja católica. Os resultados que seguiram o Concílio parecem cruelmente opostos às expectativas de todos, a começar por João XXIII e Paulo VI. (…) Esperava-se um salto adiante e, no entanto, encontraram-se diante de um processo progressivo de decadência que veio se desenvolvendo sob o signo de um presumido ‘espírito do Concílio’ e que, dessa forma, acabou por desacreditá-lo”. O que aconteceu não foi o “salto adiante” esperado por João XXIII, mas uma desertificação espiritual, que tem as suas causas também em um “espírito do Concílio” que, como disse o Papa, foi bem além da “letra” de documentos.

O Concílio certamente não se reduz aos seus documentos e os historiadores já começaram um aprofundamento e uma análise do evento, situado em seu contexto. Os mesmos documentos do Concílio, contudo, não são dogmatizados, mas examinados com espírito crítico e à luz da Tradição, como o próprio Bento XVI fez no prefácio a uma coleção de seus escritos publicados pela editora alemã Herder, e antecipada no “Osservatore Romano” de 11 de outubro de 2012 (veja um comentário agudo feito no site conciliovaticanosecondo.it pelo Prof. Paolo Pasqualucci –  http://www.conciliovaticanosecondo.it/2012/11/18/sulle-recenti-critiche-di-benedetto-xvi-al-concilio-vaticano-ii/).

Convidando a uma releitura dos documentos do Concílio Vaticano II, o Papa afirma neste texto que a Constituição conciliar Gaudium et Spes, sobre a Igreja no mundo de hoje, não esclareceu o que era “essencial e constitutivo da idade moderna“. “Por trás da expressão vaga ‘mundo atual’ está a questão da relação com a idade moderna. Para esclarecê-la, teria sido necessário definir melhor o que era essencial e constitutivo da idade moderna. Isso não foi alcançado no ‘Esquema XII’. Embora a Constituição Pastoral expresse muitas coisas importantes para a compreensão do ‘mundo’ e dê contribuições relevantes sobre a questão da ética cristã, sobre esse ponto ela não conseguiu oferecer um esclarecimento substancial.”

O Concílio Vaticano II não é um “pacote” a ser aceito ou rejeitado totalmente. A Gaudium et Spes, por exemplo, aparece hoje como um documento desatualizado, permeado do mito do progresso dos séculos XIX e  XX e imbuído daquele espírito mundano do qual a Igreja pena para livrar-se.

Dirigindo-se aos bispos reunidos na aula do Sínodo, em 8 de outubro de 2012, Bento XVI disse ainda: “O cristão não deve ser tíbio. O Apocalipse diz-nos que este é o maior perigo do cristão: não diz não, mas diz um sim tíbio. Precisamente esta tibiez desacredita o cristianismo. A fé deve tornar-se em nós chama do amor, chama que acende realmente o meu ser, se torna grande paixão do meu ser, e assim acende o próximo. Este é o modo da evangelização: «Accendat ardor proximos», que a verdade se torne em mim caridade e a caridade acenda como o fogo também o outro. Só neste acender o outro através da chama da nossa caridade, cresce realmente a evangelização, a presença do Evangelho, que já não é só palavra, mas realidade vivida“.

Hoje os cristãos devem responder ao apelo do Papa testemunhando, de forma radical, a integralidade de sua fé. Este é o caminho que aponta Bento XVI a todos os fiéis, a começar pelos bispos: não um retorno ao Concílio Vaticano II, mas a Jesus Cristo, único Caminho, Verdade e Vida.

3 dezembro, 2012

O guardião da fé fala sobre “interpretações heréticas” do Concílio.

De acordo com o Arcebispo Gerhard Ludwig Müller, os tradicionalistas demonstram perda de ortodoxia quando apontam para o Concílio Vaticano II como o inverno da Igreja Católica.

Dom Gerhard Müller, novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Dom Gerhard Müller, novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Por Gianni Valente – Vatican Insider | Tradução: Fratres in Unum.com – Aqueles que consideram o Concílio Vaticano Segundo, ou Vaticano II, como uma ruptura da Tradição da Igreja, oferecem uma “interpretação herética” deste grande evento eclesiástico. E este erro doutrinal não é cometido somente por inovadores modernistas: ele é cometido por neo-tradicionalistas, que acreditam que o Vaticano II supostamente voltou suas costas para “Igreja tradicional”. A indicação de que a posição tradicionalista possa ter elementos “heréticos” foi feita ontem [28/11/2012] à noite pelo Arcebispo Gerhard Ludwig Müller, atual Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Suas observações vieram durante a apresentação do volume VII da edição alemã da “Opera Omnia” de Joseph Ratzinger, uma coleção sistemática de todas as obras que o teólogo que virou Papa dedicou ao Concílio e os documentos que surgiram dele. A apresentação ocorreu em um local muito evocativo: o Collegio Teutonico de Santa Maria dell’Anima, que foi a base logística do perito teólogo Joseph Ratzinger durante as sessões do Concílio.

Durante a sua apresentação, o chefe do dicastério doutrinal afirmou claramente que a única interpretação ortodoxa do Concílio Vaticano Segundo é aquela que o vê como uma ocasião de reforma e renovação, em continuidade com o único sujeito-Igreja, que o Senhor nos deu. Müller considera essa interpretação como a única hermenêutica que respeita “a unidade indissolúvel entre as Sagradas Escrituras, a Tradição completa e integral e o Magistério, que encontra a sua mais alta expressão no Concílio, presidido pelo Sucessor de Pedro, como chefe visível da Igreja.”

O Arcebispo Müller contrastou essa “interpretação singular e ortodoxa” com a interpretação “herética”, que ele identificou com “a hermenêutica da ruptura, tanto do lado progressista quanto do lado tradicionalista.” De acordo com Müller, o que ambos partilham em comum é a rejeição do Concílio: “os progressistas querem deixá-lo para trás, como se fosse apenas uma fase que deveria ser abandonada a fim de avançar em direção a uma Igreja diferente; os tradicionalistas não querem avançar em direção a tal Igreja, como se ela representasse o inverno da Catholica.”

Em seu discurso, o ex-bispo de Regensburgo descreveu a contribuição de Joseph Ratzinger, primeiro como teólogo durante as reuniões reais do Concílio (também como consultor teológico do Cardeal Joseph Frings) e depois durante a longa e turbulenta fase de recepção dos ensinamentos conciliares. “Foi um tempo de grande expectativa. Algo grande tinha que acontecer,” Bento XVI escreveu no prefácio do volume alemão apresentado por Müller.

* * *

Nota da edição: Além dos tradicionalistas, que crêem que esta “Igreja diferente” representa o “inverno da Igreja Católica”, parece ter havido um outro ilustre personagem que considerava o pós-concílio um período não muito ensolarado — algo pouco distante de um inverno:

“Acreditava-se que, depois do Concílio, viria um dia de sol para a história da Igreja. Em vez disso, veio um dia de nuvens, de tempestade, de escuridão, de busca, de incerteza.[...] Como aconteceu isso? Confiamo-vos um Nosso Pensamento: houve a intervenção de um poder adverso. Seu nome é o Diabo” (Paulo VI, discurso de 29 de Junho de 1972).

30 outubro, 2012

Dom Muller sobre diálogo interreligioso: “não significa renunciar à própria identidade”.

Dom Gerhard Müller, novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Dom Gerhard Müller, novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Roma | Rádio VaticanoSe recorda hoje 26 anos do histórico Encontro de Assis das Religiões pela Paz, iniciativa do então papa João Paulo II. Por ocasião do transcurso da data, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Gerhard Muller, destacou que no diálogo com outras religiões não se deve esconder a própria fé e a própria identidade, em nome de um diálogo politicamente correto.

“Para um cristão, referiu Dom Muller, o respeito pela religiosidade dos outros não significa e não deveria significar uma renúncia à própria fé, à própria identidade e à verdade definitiva recebida, através da Igreja, na Revelação de Deus”.

Ele acrescentou ainda, segundo refere a agência SIR, que “a Igreja pode propor um verdadeiro diálogo somente a partir da verdade sobre ela mesma. Seria vergonhoso esconder a fé autêntica e abandonar a unicidade da Revelação e da Encarnação do Filho de Deus, em nome de um diálogo politicamente correto. É justificado e correto somente um diálogo conduzido na verdade e no amor”.

“Por isto — continua — a nossa fé, dirigida à Cristo e a verdade sobre nós mesmos devem sempre ocupar um lugar privilegiado em cada ocasião de diálogo dos cristãos com aqueles que não o são. Portanto, o diálogo com os seguidores das religiões não cristãs é uma forma de testemunho de fé que deve ser sempre respeitoso para com o outro e a dignidade da sua consciência.(JE)

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