Posts tagged ‘Dom Piero Marini’

30 setembro, 2013

Usando rumores como preparação para o pior.

Por Padre Tim Finigan | Tradução: Fratres in Unum.com –  Certa vez, li um livro sobre administração empresarial para ver se encontrava algumas ideias que pudessem me auxiliar no trabalho pastoral. Como recompensa, obtive uma observação, qual seja, de que os rumores, às vezes, têm efeitos positivos. Se uma empresa permite a circulação de rumores de que haverá cortes em um futuro próximo, de algum modo, as pessoas que forem demitidas estarão preparadas e aqueles que mantiverem seus empregos se sentirão aliviados.

Dom Piero Marini em uma de suas últimas presepadas no pontificado de Bento XVI.

Dom Piero Marini em uma de suas últimas presepadas no pontificado de Bento XVI.

Esse é um exemplo brutal, mas ele tem alguma relevância para a blogosfera católica. Há um rumor (e eu compreendo de várias fontes que não se trata de algo absurdo) de que o Arcebispo Piero Marini possa ser nomeado Prefeito da Congregação para o Culto Divino. O Arcebispo Marini (não confundir com o Mestre de cerimônias pontifícias Monsenhor Guido Marini) foi destituído como Mestre de Cerimônias pontifícias pelo Papa Bento XVI. Ele é um discípulo do finado Arcebispo Bugnini e publicou um livro intitulado “A Challenging Reform. Realizing the Vision of the Liturgical Renewal”, sobre o qual escrevi brevemente em 2007.

Se o Arcebispo Marini for nomeado Prefeito da Congregação para o Culto Divino, isso seria um golpe não apenas para os tradicionalistas, mas também para os neo-ortodoxos que apoiam a “reforma da reforma.” Assim, seria bom nos prepararmos para tal eventualidade. Todos os dias, como parte das minhas orações matinais, eu recito a oração Ecclesiae pela proteção da Igreja, juntamente com a oração pelo Papa, ambas do Missal tradicional. Tenho feito isso desde o incidente do lava pés [na Quinta-feira Santa deste ano] e as faço a cada dia, uma vez que as notícias ruins se acumulam. Seguindo São Vicente Ferrer, eu insistiria que se você discorda do Papa, a oração não é simplesmente um conforto sentimental piedoso, mas o curso de ação apropriado, uma vez que ela é um apelo ao seu superior imediato.

22 abril, 2013

Marini defende uniões homossexuais e declara: “Igreja vive esperança após anos de medo. Com Francisco fala-se somente de coisas positivas”.

Dom Piero Marini se une a outros expoentes da hierarquia católica, inclusive cardeais, que desde a renúncia de Bento XVI têm se manifestado favoravelmente ao reconhecimento jurídico de uniões homossexuais. O discípulo de Annibale Bugnini e mestre de cerimônias de João Paulo II ressurge após a eleição de Francisco.

Por La Nación | Tradução: Fratres in Unum.com – Esta semana, a Igreja Católica da Costa Rica celebra o  IV Congresso Eucarístico, cujo objetivo é fortalecer, com fé e reflexão,  a missão dos sacerdotes de levar a mensagem aos fiéis. A atividade terminará amanhã, às 10h, com uma missa no Estádio Fello Meza, de Cartago,  que será presidida pelo delegado do Vaticano para Congressos Eucarísticos.

Dom Piero Marini no Congresso Eucarístico de Brasília - Maio de 2010.

Dom Piero Marini no Congresso Eucarístico de Brasília – Maio de 2010.

Sua casa é o Vaticano e suas palavras narram a vida de um homem que caminhou pelos corredores da Capela Sistina, em Roma, ao lado dos papas João Paulo II, Bento XVI e do recém-eleito, Francisco.

Monsenhor Piero Marini tem 70 anos. Ele está visitando a Costa Rica por ocasião do IV Congresso Eucarístico e afirma que o novo Papa trouxe mudanças de esperança para a Igreja católica.

O arcebispo Marini é a favor do Estado laico, aprova a união civil entre homossexuais e rechaça que o Twitter seja uma boa opção de comunicação entre o Papa e os fiéis.

Para o senhor, o que significa a mudança de Papa?

Respira-se um ar fresco, é uma janela aberta à primavera e à esperança. Até agora havíamos respirado águas de pântano, que cheiram mal. Estávamos em uma Igreja com medo de tudo e problemática com a situação dos VatiLeaks (vazamento de documentos da cidade do Vaticano) e a pedofilia. Com Francisco fala-se somente de coisas positivas; ele coloca o lado positivo adiante e fala em manter a esperança.

O senhor poderia descrever o ambiente que se vive atualmente no Vaticano?

Nesses primeiros dias de pontificado respira-se um ar diferente de liberdade, uma Igreja mais próxima dos pobres e menos problemática. Ele (Francisco) não gosta de viver entre as grandes pinturas e o ouro.

Com esses gestos humildes, faz-se um chamado aos votos de pobreza dos sacerdotes?

O chamado é que nos perguntemos: quem são os pobres de hoje? São os que não sabem se amanhã poderão comer. Nós sacerdotes devemos dar um exemplo de vida moderada, simples.

Isso significa que o sacerdote saia mais do templo e compartilhe com os mais necessitados?

Sem dúvida alguma. Por isso, o novo Papa fez um chamado para que tenhamos o cheiro das ovelhas, ou seja, viver a vida e a fé com a comunidade.

Em seus 18 anos como mestre de cerimônias litúrgicas de João Paulo II, o que o senhor aprendeu ao lado de um homem tão admirado?

Aprendi com a sua simplicidade. Ele era uma pessoa muito simples, espontânea, com grandes ideias de compartilhar com as pessoas, de ficar conversando com os fiéis depois da missa. Ele havia trabalhado em uma mina e, portanto, conhecia a realidade e as necessidades das pessoas.

Existe alguma conversa, frase ou recordação que o senhor guarde com especial carinho de João Paulo II?

Recordo-me que estávamos em umas jornadas da Juventude, nas Filipinas, quando João Paulo II, celebrou meu primeiro aniversário aos 52 anos. Nunca antes havia soprado as velas de um bolo, e ele reuniu várias pessoas para que me saudassem. Era muito amável, de bom humor e espontâneo.

Como fazer para que os jovens se integrem mais à Igreja?

É um dos problemas mais importantes e um desafio para a Igreja católica. Temos uma ruptura no passo de testemunho da fé de uma geração a outra. É preciso recuperar essa mensagem e é necessário que haja comunicação em família; que os filhos obedeçam aos pais.

O Papa Bento XVI utilizou o Twitter como meio de comunicação; o senhor acredita que foi eficaz?

Da minha parte, eu não utilizaria o Twitter, porém, aconselharam-no ao Papa. A Igreja não tem que ser uma antiquada, porém, é necessário ter um pouco de cuidado.

Na Costa Rica abriu-se a discussão sobre o Estado laico, que opinião este tipo de decisão merece?

Isso já é uma realidade na Europa. Está bem o Estado ser laico, o problema é se ele se converte em Estado laicista, ou seja, se ele estiver contra a Igreja católica. Ambos não devem se ver como inimigos entre si. Nessas discussões, é necessário, por exemplo, reconhecer a união de pessoas do mesmo sexo, porque há muitos casais que sofrem porque seus direitos civis não são reconhecidos; o que não se pode reconhecer é que esse casal constitua um casamento.

4 abril, 2013

Marini, ressurgindo das cinzas.

Dom Piero Marini em uma de suas últimas presepadas no pontificado de Bento XVI.

Dom Piero Marini em uma de suas últimas presepadas no pontificado de Bento XVI.

O Papa Francisco recebeu em audiência, na manhã de hoje, Dom Piero Marini, o célebre cerimoniário de João Paulo II e discípulo de Annibale Bugnini, que fora defenestrado por Bento XVI para um dicastério insignificante na Cúria Romana.

Ouve-se na imprensa italiana que Marini, de 71 anos, poderia voltar a exercer alguma função importante no pontificado de Francisco, quiçá recebendo a própria chefia da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

Quem viver, verá.

30 agosto, 2011

“Eliminar do rito aqueles elementos que são típicos de Roma”.

Por Messa in Latino | Tradução: Fratres in Unum.com

Dom Piero Marini, atualmente Presidente do Pontifício Comitê para os Congressos Eucarísticos Internacionais, teve a sorte (para ele, não para os pobres fiéis católicos) de ser, por 20 anos ao todo, o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias (na foto ao lado, uma de suas últimas – por sorte — performances em 2007, na Áustria, com o pobre Bento XVI, que o demitiu pouco depois).

Há alguns meses, pelas Edições San Paolo, ele publicou um livro entrevista dedicado à figura de João Paulo II e, evidentemente, às suas teses litúrgicas (Piero Marini, Io sono un Papa amabile. Giovanni Paolo [Eu sou um Papa amável. João Paulo], Edições San Paolo) [já falamos outrora deste livro aqui]. A edição, sob a forma de entrevista com o jornalista Bruno Cescon, é um interessantíssimo resumo de suas idéias em matéria de liturgia e da influência que ele alega ter tido, neste contexto, sobre João Paulo II.

O livro, na verdade, é também a história de sua vida, particularmente, de quando se tornou – coma penas 23 anos – colaborador e depois secretário de Mons. Bugnini.

Numa primeira leitura, percebemos que, freqüentemente, algumas de suas idéias parecem ir na direção de João Paulo II, dando a impressão de que estas idéias fossem do próprio Papa, algo muitas vezes não verdadeiro. Por exemplo, é atribuído ao Papa uma suposta admiração e simpatia para com o Arcebispo de San Salvador, Oscar Romero, admiração e simpatia não sustentadas pelos fatos: é efetivamente conhecido o contraste entre o bispo e João Paulo II, principalmente por causa de um certo apoio inicial de Romero à teologia da libertação de matriz marxista.

Há também ainda exemplos interessantes relacionados à vida do Papa: o fato de ser um homem de oração, a sua devoção fortíssima para com o Santíssimo Sacramento — horas e horas de joelhos — e à Maria Santíssima.

Mas o que queremos destacar é a idéia de fundo de Monsenhor Marini — segundo ele, para seguir as disposições do Vaticano II, mas nenhuma disposição do Concílio mesmo prevê tudo isso — de marcar “a passagem de uma liturgia romana caracterizada pela uniformidade (uniformidade da lingüa e fixidez das rubricas) para uma liturgia mais próxima à sensibilidade do homem moderno, aberta à adaptação e às culturas, expressão de uma Igreja-comunhão que considera a diversidade não como um elemento em si negativo, mas como possível enriquecimento da unidade”. “As liturgias se tornaram, por assim dizer, flexíveis. Foi concedido a lingüa vulgar segundo as várias culturas. Não temos mais o problema da identidade, mas sim o da pluralidade, reavaliada como enriquecimento. Redescrobrimos a multiplicidade das  lingüas e a possibilidade de uma adaptação”. “No âmbito de reforma, preocupou-se [o Consilium — comitê responsável pela reforma litúrgica pós-Vaticano II] em eliminar do rito aqueles elementos que eram típicos de Roma. No ordo romano, para citar apenas alguns exemplos, usavam-se sete castiçais porque Roma era dividida em sete colinas; se usava o manípulo para indicar a presença das diversas igrejas; se celebrava as quatro têmporas, ligadas à benção dos campos e a cultura camponesa”. Como se vê, se quis, assim, desromanizar o rito romano e fazer, como felizmente sintetiza o grande liturgista Klaus Gamber, o venerado Rito Romano – de pelo menos 15 séculos de antiguidade – se tornar um “Ritus Modernus”. O que ele chama de “adaptação”, desejada por Mons. Bugnini, na verdade desmantelou quase completamente uma estrutura “suavemente” restaurada ao longo dos séculos.

Felizmente para nós, Dom Piero Marini já não é o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, substituído pelo quase homônimo Monsenhor Guido Marini, completamente diferente — e incomparavelmente melhor — em idéias e práticas litúrgicas. Agora foi “exilado” à Presidência do Pontifício Comitê para os Congressos Eucarísticos Internacionais, ofício privado – ao menos por ora – de qualquer relevância eclesial.

Esperamos que continue assim…

(destaques do original)