Posts tagged ‘Ecclesia Dei’

maio 14, 2012

Rapidinhas do dia. Tirania na Ecclesia Dei e Fellay em Roma.

A Igreja Patriótica Chinesa, inspiração da Ecclesia Dei?

A Associação Patriótica Chinesa, inspiração da Ecclesia Dei?

O Padre italiano Stefano Carusi, sacerdote e professor do seminário do Instituto do Bom Pastor, afirmou hoje ter recebido uma ordem ameaçadora da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei para que retire do ar dois artigos do blog Disputationes Theologicae, do qual é editor.

Disputationes não se deixará amordaçar“, assim Padre Carusi intitula seu artigo. O sacerdote declara que o pedido é inaceitável por ferir os cânones 212 e  215 do Código de Direito Canônico, acrescentando: “Fornecemos esta informação por se tratar de um fato de natureza pública: a Igreja não é um regime de absolutismo jacobino e Disputationes prefere contar com a força probatória dos argumentos. Paz e Bem a todos!”.

Fogo amigo. Carusi é atacado inclusive por um confrade de instituto: “o posicionamento eclesial de certos membros [do IBP] não é claro, como se pode ver no site que se intitula Disputações teológicas”, declarou o Padre Guillaume de Tanouärn, um dos fundadores do IBP, que em passado recente na FSSPX era contrário a qualquer contato com a Santa Sé e que hoje recrimina exatamente um dos artigos execrados pela Ecclesia Dei. O problema para a Comissão Pontifícia e para Tanouärn? A defesa feita pelo Padre Carusi da exclusividade do rito tradicional e da possibilidade de uma crítica “séria e construtiva” aos textos do Concílio Vaticano II, características constitutivas de seu instituto (aprovadas pela Santa Sé em 2006, diga-se de passagem). De acordo com Tanoüarn, Carusi e outros pretenderiam fazer do IBP uma “Fraternidade dentro da Igreja”, em oposição ao mínimo exigido pela Ecclesia Dei de “formar seus seminaristas com o Catecismo da Igreja Católica” e “gozar de seu rito próprio sem lançar o anátema sobre a nova forma do rito romano”.

* * *

Dom Fellay em Roma. Por sua vez, Andrea Tornielli informa que Dom Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, esteve em Roma nos últimos dias para uma reunião na mesmíssima Comissão Ecclesia Dei. O encontro, considerado positivo pelas fontes de Tornielli, teria examinado algumas das modificações feitas por Fellay ao preâmbulo doutrinal proposto pela Santa Sé, em setembro de 2011, para uma regularização canônica da FSSPX. A primeira versão do documento foi rejeitada pela Fraternidade, que enviou como resposta um estudo do Padre Jean-Michel Gleize evidenciando a “questão crucial” que separa Menzingen e Roma. A Santa Sé então solicitou ao Superior Geral que esclarecesse esta sua manifestação, considerada “insuficiente”; Fellay teria, então, adaptado o texto inicial do preâmbulo doutrinal, enfatizando a importância da Tradição e fazendo alterações; significativas aos olhos dos “lefebvristas” e não substanciais aos olhos dos “romanos”. Esta última resposta, aparentemente, foi bem recebida pela Cúria e, segundo alguns, até pelo Papa.

Na próxima quarta-feira, 16, os Cardeais membros da Congregação para a Doutrina da Fé se reunirão para analisar estas modificações; o parecer de cada um será submetido ao Papa Bento XVI, para sua decisão final.

Apreensão. Tornielli ainda acrescenta que a carta dos três bispos — Williamson, Tissier de Mallerais e Galarreta — ao conselho geral da Fraternidade teria deixado a Santa Sé apreensiva. No Brasil, o Padre Ernesto Cardozo, sacerdote do priorado de São Paulo, anunciou hoje o seu “desconhecimento da autoridade de Mons. Fellay, dada sua pertinácia e afastamento dos princípios do Fundador” e sua “repulsa à postura deste Monsenhor, baseada em seus pareceres e políticas totalmente apartadas do sim-sim, não-não do Evangelho e dos fundamentos dados por Mons. Lefebvre”. Há cerca de três semanas, em comum acordo com seus superiores, Cardozo deixou o priorado de São Paulo tendo como destino provisório o Mosteiro da Santa Cruz. O motivo da mudança foi uma homilia em que expressou abertamente esta sua posição, causando  a admiração de uns e a preocupação de outros no Priorado Padre Anchieta. A missiva publicada hoje correu o mundo, sendo repercutida na blogosfera católica, especialmente nos sites de lingüa espanhola. Divisões se anunciam, como não deixou de reconhecer Dom Fellay, embora as proporções sejam ainda desconhecidas.

Ecclesia Dei, o grande entrave?

O Padre Michel Simoulin, um dos sacerdotes mais antigos da Fraternidade São Pio X e reitor por mais de uma década do seminário de Ecône, em artigo divulgado hoje por Tradinews, é taxativo: não aceitarão um acordo “que não garanta que sejamos livres dos bispos locais, bem como da funesta ‘Ecclesia Dei’”. Como se sabe, Simoulin recentemente defendeu Dom Bernard Fellay e sua política de aproximação com a Santa Sé. Trata-se, portanto, de um sujeito insuspeito de “radicalismo”. E por que a Fraternidade quer se ver livre da Ecclesia Dei?

Alguns falam que o verdadeiro entrave nas negociações entre Santa Sé e Fraternidade é precisamente esta Comissão. Mais especificamente o seu Secretário, Monsenhor Guido Pozzo, cuja tese de doutorado trata do assentimento devido ao Vaticano II e que supostamente teria sido “driblado” por outros oficiais vaticanos, a fim de que tudo caminhasse bem nas últimas semanas.

A carta de Pozzo ao Superior do Instituto do Bom Pastor mostra sua atuação na defesa de suas idéias, mesmo que isso custe a revisão de um estatuto aprovado pela Ecclesia Dei há pouco mais de cinco anos, na gestão Castrillón Hoyos.

A resposta do Papa ao preâmbulo reformulado de Dom Fellay deverá vir à luz nos próximos dias. A grande data para a Fraternidade parece ser o dia 27, festa de Pentecostes, quando se encerrará a Cruzada de Rosários lançada na Páscoa do ano passado. Com o desenlace das negociações com a Fraternidade, saberemos se a política de Pozzo será chancelada ou não por Bento XVI.

abril 27, 2012

Padre Nicola Bux e o perigo do Vaticano II como “super-dogma”. “Com a hermenêutica da reforma na continuidade, o Papa ofereceu um critério para afrontar a questão e não para fechá-la. Não se pode ser mais papista que o Papa”.

Teólogo, liturgista, consultor do Gabinete para as Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice e das Congregações para a Doutrina da Fé e para as Causas dos Santos, monsenhor Nicola Bux, nascido em 1947, é conhecido como “muito próximo do Papa Bento XVI”. E precisamente ele, pouco mais de um mês atrás, deu o que falar no ambiente eclesial com uma carta aberta ao superior geral e aos sacerdotes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, fundada por Mons. Lefebvre, convidando-os a aceitar a mão estendida de Bento XVI.

Os observadores chegaram todos à conclusão mais lógica: o Papa quer fortemente a reconciliação.

Padre Nicola Bux.

Padre Nicola Bux.

Esta conclusão – explica monsenhor Bux ao Foglio – é ao mesmo tempo exata e imprecisa. É exata, porque Bento XVI quer esta reconciliação e pensa que não pode haver outra solução imaginável para o assunto da Fraternidade fundada por monsenhor Lefebvre. É imprecisa, se lhe atribuem um caráter político. Não há nada mais distante da mente deste Papa. Ratzinger é uma pessoa que não pensa e não atua em função da política eclesial. Por isso, muito frequentemente, é mal compreendido. E tanto mais vale isso para a questão da Fraternidade São Pio X: para ele, trata-se apenas do retorno definitivo e pleno à casa de muitos de seus filhos, que poderão fazer bem à Igreja.

Portanto, leituras de direita ou de esquerda seriam parciais, porém, não será fácil tirá-las do interior da própria Igreja. Como deveria se posicionar um católico em face a um acontecimento como a reconciliação entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X?

É necessário reler com atenção o que Bento XVI escrevia em 10 de março de 2009 na “Carta aos bispos” para explicar as razões da remissão da excomunhão dos quatro bispos ordenados por monsenhor Lefebvre: “Podemos ficar totalmente indiferentes diante de uma comunidade com 491 sacerdotes, 215 seminaristas, 6 seminários, 88 escolas, 2 institutos universitários, 117 religiosos, 164 religiosas e milhares de fiéis? Devemos realmente deixá-los tranquilamente ir à deriva longe da Igreja? (…) Logo, o que será deles?”.

Aqui está o coração de Bento XVI. Penso que se muitos homens da Igreja atuassem segundo este coração, não poderiam mais que alegrar-se pela conclusão positiva desta questão.

Talvez a oposição à vontade de Bento XVI nasça do fato de que muitos fazem a equivalência: reconciliação com os lefebvristas é igual a desautorização do Vaticano II.

Veja, o primeiro “acordo”, se quisermos chamá-lo assim, ocorreu no Concilio de Jerusalém entre são Pedro e são Paulo. Portanto, o debate, ainda que seja feito pelo bem da Igreja, não é tão escandaloso.

Outra constatação: os que isolaram o Concilio Vaticano II da historia da Igreja e o supervalorizaram com relação às suas mesmas intenções, não duvidam em criticar, por exemplo, o Concilio Vaticano I ou o Concilio de Trento. Há quem afirme que a Constituição dogmática Dei Filius do Vaticano I foi suplantada pela Dei Verbum do Vaticano II: isso é teologia fantasiosa.

Por outro lado, parece-me boa teologia aquela que expõe o problema do valor dos documentos, de seu magistério, de seu significado. No Concilio Vaticano II existem documentos de valor diverso e, portanto, de força vinculante diversa, que admitem diversos graus de discussão. O Papa, quando ainda era o cardeal Ratzinger, em 1988, falou do risco de transformar o Vaticano II em um “super-dogma”. Agora, com a hermenêutica da reforma na continuidade, ofereceu um critério para afrontar a questão e não para fechá-la. Não se pode ser mais papista que o Papa. Os Concílios, todos os Concílios e não apenas o Vaticano II, devem ser acolhidos com obediência, porém, pode-se avaliar de maneira inteligente o que pertence à doutrina e o que deve ser criticado. Não por acaso, Bento XVI convocou o Ano da Fé, porque a fé é o critério para compreender a vida da Igreja.

Como católicos, se deixamos bater docilmente nosso coração com o de Bento XVI, que devemos esperar da reconciliação definitiva entre Roma e a Fraternidade São Pio X?

Certamente não a vingança de uma facção sobre a outra, mas sim um progresso na fé e na unidade que são o único testemunho para que o mundo creia. Que sentido há na retórica do diálogo com o ateu, com o agnóstico, com o suposto “crente de outra maneira”, se não há alegria pela reconciliação com os irmãos na fé? Nosso Senhor nos ensinou: não é o diálogo com o mundo o que converterá o mundo, mas sim a nossa capacidade de estarmos unidos. Nesse período, recorro frequentemente a uma oração composta pelo cardeal Newman: “Senhor Jesus Cristo, que quando estavas sofrendo orou por teus discípulos para que fossem um até o final, como és Tu com o Padre e o Padre contigo, derrubai os muros de separação que dividem os cristãos de diversas denominações. Ensina a todos que a Sé de Pedro, a Santa Igreja de Roma, é o fundamento, o centro e o instrumento desta unidade. Abri seus corações à Verdade, por tanto tempo esquecida, de que nosso Santo Padre, o Papa, é Teu Vigário e Representante. E assim como no Céu existe uma só companhia santa, assim sobre esta terra haja uma só comunhão que professe e glorifique o Teu Santo Nome”.

Tradução de Fratres in Unum.com a partir do texto em espanhol publicado em: La Buhardilla de Jerónimo

Fonte original: Messainlatino

abril 26, 2012

Santa Sé – FSSPX: o perigo de forçar as coisas e uma terceira via.

Por Carmelo López-Arias – Religión en Libertad

Para entender a atitude (partilhada ou não) da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) em suas conversações com a Santa Sé, é fundamental compreender um ponto: a saber, que para a Fraternidade o essencial nunca foi “seu” problema, isto é, a situação de excepcionalidade canônica em que se encontra, mas sim a situação de excepcionalidade doutrinal em que se encontra a Igreja em seu conjunto, reconhecida de uma ou outra forma – embora obviamente não avaliada no mesmo sentido que a FSSPX — por Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI.

Nas últimas jornadas se multiplicaram vazamentos, artigos de opinião e declarações que dão por certo que haverá um acordo sobre o Preâmbulo Doutrinal prévio à normalização canônica.

A Fraternidade saiu ao encalço desses rumores afirmando que está “diante de uma etapa, não diante de uma conclusão” do processo. E que, portanto, o resultado é incerto.

“A verdade é que não há nada definitivo, nem no sentido de um reconhecimento canônico, nem no sentido de uma ruptura, e que estamos na expectativa”, dizia a seus sacerdotes o bispo Bernard Fellay, superior geral da FSSPX, em uma circular interna de 14 de abril, apenas três dias antes de sua resposta à Congregação para a Doutrina da Fé.

Enquanto isso, foram difundidas informações segundo as quais, em 23 de março, a comissão Ecclesia Dei, após uma visita canônica ao Instituto Bom Pastor (sociedade de vida apostólica aprovada em 2006 pela Congregação do Clero e fundada pelo padre Philippe Laguérie e por antigos sacerdotes da FSSPX), havia assinalado que os professores de seu seminário devem “insistir na hermenêutica da renovação na continuidade baseando-se na integridade da doutrina católica exposta pelo Catecismo da Igreja católica”, mais do que em “uma crítica, embora seja séria e construtiva, do Concilio Vaticano II”.

Este é justamente o ponto capital que a FSSPX quer precisar tendo em vista a sua normalização canônica. Teólogos romanos como Brunero Gherardini ou Nicola Bux, bons conhecedores do assunto, apelaram à Fraternidade para convencê-la de que o lugar teológico do Concilio Vaticano II é matéria discutida e não será utilizado contra a Fraternidade no futuro caso ela assine um acordo.

Este é o xis da questão que se apresenta nesses dias.

Não é bom criar artificialmente um clima de opinião que dá por ocorrido algo que não aconteceu e utilizar esse clima para compelir a FSSPX a uma situação em que “não pode não assinar”. Paradoxalmente, esse clima ajuda muito pouco ao sucesso das conversações, pois se Fellay buscasse um acordo canônico, ele poderia tê-lo obtido ao menos há cinco anos. O que ele busca é uma base doutrinal que abra um caminho para toda a Igreja no qual a FSSPX seja somente um peão a mais.

De sua parte, a Santa Sé busca conciliar essa posição doutrinal da FSSPX sem relativizar o valor do Concilio Vaticano II justamente no ano de seu cinquentenário, porém, ao mesmo tempo sem dar a impressão de exigir à FSSPX algo que não está exigindo a ninguém mais.

Esse é o dilema para ambas as partes. E as pressões não ajudam, porque entre o acordo e a ruptura há também opções intermediárias ou terceiras vias, como, por exemplo, o prolongamento de um status quo tácito de boa vontade que, nos últimos anos, com altos e baixos, com claros e escuros, tem sido conveniente a ambas partes à espera de tempos mais propícios.

abril 18, 2012

Comunicado da Casa Geral da Fraternidade São Pio X.

Fonte: DICI | Tradução: Fratres in Unum.com

A mídia está anunciando que Dom Fellay enviou uma “resposta positiva” à Congregação para a Doutrina da Fé, e que consequentemente a questão doutrinal entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X agora está resolvida.

A realidade é diferente.

Em uma carta datada de 17 de abril de 2012, o Superior Geral da Fraternidade São Pio X respondeu à solicitação de esclarecimento, feita a ele em 16 de março pelo Cardeal William Levada, sobre o Preâmbulo Doutrinal entregue em 14 de setembro de 2011. Como indica o comunicado de imprensa de hoje da Comissão Ecclesia Dei, o texto desta resposta “será examinado pelo dicastério (Congregação para a Doutrina da Fé) e depois submetido ao juízo do Santo Padre”.

Trata-se, portanto, de um estágio, e não de uma conclusão.

Menzingen, 18 de abril de 2012.

abril 18, 2012

O comentário do porta-voz da FSSPX.

Por Jacques Berset, Apic | Tradução: Fratres in Unum.com

Paris/Menzingen, 18 de abril de 2012 (Apic) | Entre Roma e a Fraternidade São Pio X, “estamos ainda na fase de estudo”, declarou na quarta-feira, 18 de abril, à Apic, o Padre Alain Lorans, responsável em Paris pela comunicação da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX).

Comentando a notícia publicada na noite de ontem pelo vaticanista Andrea Tornielli no site Vatican Insider, o porta-voz qualifica como “positivo” o fato de Dom Bernard Fellay, superior geral da FSSPX, ter respondido no início da semana aos pedidos de esclarecimento do Cardeal William Levada, prefeito da Congregação romana para a Doutrina da Fé. Mas “tudo ainda não está resolvido”.

Muito apressado.

O Padre Alain Lorans considera que Andrea Tornielli talvez conclua muito prematuramente, porque o Papa Bento XVI e a Congregação para a Doutrina da Fé devem ainda examinar os esclarecimentos dados por Dom Fellay relativos ao preâmbulo doutrinal apresentado em setembro de 2011. A Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) havia solicitado à Fraternidade São Pio X, em 16 de março de 2012, que esclarecesse a sua posição sobre este preâmbulo doutrinal durante um encontro no Vaticano com o seu superior geral. A Fraternidade tinha até 15 de abril para dar uma nova resposta, o que foi feito.

O responsável em Paris pela comunicação da Fraternidade espera o comunicado do Vaticano – que deveria ocorrer, segundo ele, na quarta-feira 18 de abril [e já ocorreu]– para fazer uma comunicação oficial. Se a informação for confirmada, marcaria o fim de uma separação de cerca de 24 anos, após a ruptura causada pelo “cisma de Ecône” de 1988, que viu a excomunhão de Dom Marcel Lefebvre por ter ordenado quatro bispos tradicionalistas sem o aval de Roma. (apic/be)

abril 18, 2012

O comentário do Padre Lombardi: “Encorajadora”.

A notícia de hoje é que ontem a resposta de Dom Fellay, que havia sido solicitada pelo Cardeal Levada no último encontro, foi entregue à Congregação, à Comissão Ecclesia Dei, à Congregação para a Doutrina da Fé, Agora, esta resposta, é uma resposta que, nas palavras daqueles que a puderam ver, é uma resposta muito diferente da última, e isso é encorajador, nós caminhamos adiante. Mas, naturalmente, nós também encontramos na resposta o acréscimo de alguns detalhes ou integrações ao texto do preâmbulo doutrinal que foi proposto pela Congregação para um acordo doutrinal, e esta resposta será discutida, será examinada primeiro pela Congregação para a Doutrina da Fé, em um de seus encontros nas próximas semanas e, depois, naturalmente, será examinada diretamente pelo Papa. Pode-se dizerque os passos adiante foram feitos, isto é, que a resposta, a nova resposta, é particularmente encorajadora, mas ainda há desenvolvimentos a fazer e a examinar, e as decisões que devem ser tomadas nas próximas semanas. Creio que a espera não será longa, porque há um desejo de alcançar uma conclusão nestas discussões, nestes contatos”.

Palavras do porta-voz da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, SJ, à Rádio Vaticano.

abril 18, 2012

Comissão ‘Ecclesia Dei’ confirma recebimento de “esclarecimento” da FSSPX.

Comunicado da Pontifícia Comissão ‘Ecclesia Dei’

O texto da resposta de Sua Excelência Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, requerido durante o encontro de 16 de Março de 2012 na sede da Congregação para a Doutrina da Fé, chegou em 17 de Abril de 2012. Este texto será examinado pelo Dicastério e submetido, em seguida, ao juízo do Santo Padre.

abril 16, 2012

Carta de Monsenhor Guido Pozzo ao Superior do Instituto do Bom Pastor.

Exclusivo: Após receber a confirmação da autenticidade deste texto de fonte seguríssima [inicialmente publicado aqui], publicamos o post redigido no início desta manhã.

* * *

Neste momento decisivo das relações entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X, vem a público um excerto de uma carta de Monsenhor Guido Pozzo, secretário da Comissão Ecclesia Dei, dirigida ao Padre Phillippe Laguerie, Superior Geral do Instituto do Bom Pastor. Após 5 anos de existência, o IBP acaba de passar por uma visitação canônica em vista de sua aprovação definitiva por parte da Santa Sé. O que segue é um extrato da comunicação dos resultados desta visitação, datada de 23 de março de 2012.

Perguntamo-nos se é desta forma que Monsenhor Guido Pozzo pretende dar confiança à Fraternidade São Pio X para que aceite a proposta de regularização canônica feita pela Santa Sé. Levando em consideração os seus desejos para o IBP, parece-nos altamente improvável que as negociações entre a Santa Sé e a FSSPX cheguem a bom termo.

ANEXO
Nota sobre as conclusões da visitação canônica do Instituto do Bom Pastor

De maneira geral, é necessário aprofundar o carisma fundador do Instituto, pensando mais no futuro do que no passado. Para preparar o próximo capítulo geral, será útil refletir sobre a pastoral do Cristo.

Padres fundadores do Instituto do Bom Pastor no dia da ereção do Instituto, 8 de setembro de 2006, em Roma. O primeiro à esquerda, Pe. Fernando Guimarães, então secretário do Cardeal e hoje bispo de Guaranhuns; ao centro, Sua Eminência Cardeal Dario Castrillon Hoyos; e ao fundo, O Bom Pastor.

Padres fundadores do Instituto do Bom Pastor no dia da ereção do Instituto, 8 de setembro de 2006, em Roma. O primeiro à esquerda, Pe. Fernando Guimarães, então secretário do Cardeal e hoje bispo de Garanhuns; ao centro, Sua Eminência, o Cardeal Dario Castrillon Hoyos.

Cada um terá a peito aprofundar as características de uma sociedade de vida apostólica, que evite toda forma de individualismo. Para isso, será bom contatar outras sociedades de vida apostólica aptas a ajudar nesta reflexão sobre a vida comunitária.

A questão da prática da forma extraordinária, como é formulada nos Estatutos, deve ser precisada no espírito de Summorum Pontificum. Seria conveniente simplesmente definir esta forma como “rito próprio” do Instituto, sem falar de “exclusividade”.

No que diz respeito ao seminário de Courtalain, a avaliação é positiva, mas conviria integrar o estudo do Magistério atual dos Papas e do Vaticano II. A formação pastoral deveria ser feita à luz da Pastores dabo vobis e inserir, na formação doutrinal, um estudo atento do Catecismo da Igreja Católica.

Para resolver a questão da implantação do seminário, salvo uma ampliação em Courtalain mesmo, seria possível interrogar a Conferência Episcopal da França, para que ela mesma sugerisse os nomes de dioceses onde instalá-lo.

Mais que sobre uma crítica, mesmo que “séria e construtiva”, sobre o Concílio Vaticano II, os esforços dos formadores deverão levar a uma transmissão da integralidade do patrimônio da Igreja, insistindo na hermenêutica da renovação na continuidade e tomando por apoio a integridade da doutrina católica exposta no Catecismo da Igreja Católica.

Para melhorar o funcionamento do Conselho e preparar o Capítulo geral, conviria pedir o parecer de um canonista. Sugerimos os nomes dos Reverendíssimos Padres Pocquet du Haut-Jussé, s.j.m. e Le Bot, o.p.. Uma reunião mensal do Conselho parece oportuna.

É necessário desejar que um bom discernimento seja feito para as vocações provenientes do Brasil, bem como uma reflexão sobre o acolhimento dos padres do Instituto nas diferentes dioceses. É importante que o Bispo acolha e valorize o carisma específico do Instituto para o bem de toda a diocese e, ao mesmo tempo, que os padres do Instituto se insiram realmente com um espírito de comunhão no conjunto da vida eclesial da diocese.

A implantação de um Conselho econômico ajudará a Paróquia Santo-Elói a se tornar juridicamente mais conforme com as outras paróquias da arquidiocese de Bordeaux.

A escola Angélus, na arquidiocese de Bourges, deve ser mais acompanhada pelo Superior geral. Incentiva-se a busca de um reconhecimento diocesano.

* * *

[Atualização - Segunda-feira, 16 de abril de 2012, às 18:55] Confirmando o que afirmávamos pela manhã, segue a imagem do documento acima citado:

março 16, 2012

E o diálogo continua.

Da coluna de Andrea Tornielli:

Nas respostas enviadas em dezembro e janeiro, Fellay não havia subscrito o preâmbulo, tomando um pouco mais de tempo e deixando aberta a possibilidade de diálogo com Roma. Agora, o Papa e o Cardeal Levada querem clareza. O tom da resposta vaticana foi determinado pela resposta escrita que o superior lefebvriano havia enviado. Este último, durante o encontro desta manhã, mostrou-se mais conciliador e, durante a audiência privada que se desenvolveu no palácio do antigo Santo Ofício, disse que não tinha “dificuldade em aceitar a profissão de fé”; também afirmou que não tinha problemas com os princípios expressos no preâmbulo: o problema, disse Fellay, não são os princípios, mas a sua aplicação, isto é, o fato de que na Igreja de hoje falte a fidelidade ao magistério.

O diálogo, portanto, não se interrompeu; a porta permanece aberta e a possibilidade de uma reorganização continua existindo.

janeiro 17, 2012

A segunda resposta de Fellay.

Um primeiro texto chegou à outra margem do Tibre em dezembro, mas foi considerado inadequado: assim, a Santa Sé solicitou um novo documento, que acaba de chegar e agora está sendo examinado.

Andrea Tornielli | Tradução: Fratres in Unum.com

A verdadeira resposta do superior da Fraternidade São Pio X, Bernard Fellay, formulada segundo a solicitação da Santa Sé, chegou ao Vaticano apenas na semana passada. A primeira resposta, enviada à outra margem do Tibre em 21 de dezembro passado, não foi considerada adequada pelas autoridades vaticanas, que convidaram o responsável dos lefebvrianos a reformulá-la, considerando esse primeiro envio mais uma “documentação” do que uma resposta. O bispo Fellay, então, preparou um segundo texto, mais conciso, relacionado ao preâmbulo doutrinal que a Congregação para a Doutrina da Fé lhe havia entregado em setembro passado. Este segundo texto agora está sendo examinado atentamente pelos consultores da Comissão Ecclesia Dei, que se ocupam do dossiê dos lefebvrianos e que necessitam de mais algum tempo.

Na próxima semana, a plenária da Congregação para a Doutrina da Fé se reune no palácio do Santo Ofício. A ordem do dia inclui a possibilidade de uma comunicação concernente às relações com a Fraternidade São Pio X, mas dificilmente a reunião poderá ser decisiva, já que a segunda resposta de Fellay, que aceita algumas partes do preâmbulo doutrinal, pondo outras em discussão, necessita de tempo para ser examinada. É provável que uma decisão mais precisa sobre o que será feito venha a ser tomada não neste momento, mas em fevereiro, durante uma “Féria IV”, como são chamadas as congregações ordinárias do antigo Santo Ofício.

Como se pode recordar, no prêambulo doutrinal proposto pela Comissão Ecclesia Dei, presidida pelo Cardeal William Levada e guiada por Monsenhor Guido Pozzo, se pedia aos lefebvrianos que subscrevessem a profissão de fé, o que é considerado indispensável para ser católico. A profissão prevê três graus diversos de assentimento que se pede e faz a distinção entre verdades reveladas, declarações dogmáticas e magistério ordinário. Com relação a este último, afirma que o católico está chamado a assegurar um “religioso obséquio da vontade e do intelecto” aos ensinamentos que o Papa e o colégio de bispos “propõem quando exercitam seu magistério autêntico”, ainda que não sejam proclamados de modo dogmático, como no caso da maior parte dos documentos do magistério.

Quando foi entregue o preâmbulo, as autoridades vaticanas esclareceram que este texto não seria publicado porque não era ainda definitivo, isto é, admitia mudanças — não substanciais — ou eventuais acréscimos. De setembro a dezembro, se espalharam vozes sobre a dissensão dentro da Fraternidade por parte daqueles que não consideram possível um acordo com Roma. Fellay mesmo falou várias vezes do assunto. Em um primeiro momento, havia afirmado que o preâmbulo representava um grande avanço. Depois, após uma importante reunião com os chefes dos distritos da Fraternidade, sempre insistindo na importância do diálogo inciado, afirmou que não podia acolher o preâmbulo tal como estava, acrescentando: “Se Roma nos pede que aceitemos de toda forma, nós não podemos”. Fellay então enviou a primeira resposta, não considerada como tal pelo Vaticano. E agora enviou uma segunda.

O fato de que a nova e mais adequada resposta — que foi considerada nos sacros palácios “um avanço” — tenha que ser atentamente estudada e aprofundada, quer dizer que não é nem um “sim” nem um “não” definitivo ao texto do preâmbulo. Mas que acolhe algumas partes do texto do Vaticano, expressando, por outro lado, suas reservas em relação a outras. E, principalmente, pede mais esclarecimentos e acréscimos. Os lefebvrianos, de fato, não pretendem dar seu assentimento aos textos conciliares relativos à colegialidade, ao ecumenismo, ao diálogo interreligioso e à liberdade religiosa, porque consideram que entram em contraste com a tradição. Precisamente o conceito de tradição, “Traditio”, e seu valor, representa o ponto fundamental do debate que caracterizou as conversações entre a Fraternidade e a Santa Sé. Os lefebvrianos criticam alguns fragmentos conciliares considerando que entram em contraste com a tradição da Igreja.

Quando era Cardeal, Joseph Ratzinger insistiu mais de uma vez na necessidade de não se considerar o Concílio como um “super dogma”. Como Papa, Bento XVI, no já famoso discurso à cúria romana de dezembro de 2005, insistiu na necessidade de interpretar o Vaticano II de acordo com a hermenêutica da “reforma” na “continuidade”. O Catecismo da Igreja Católica, cujo vigésimo aniversário se celebrada em 2012 com um especial Ano da Fé, já propôs esta chave de interpretação para alguns dos pontos que os lefebvrianos consideram controversos.

Ainda é prematuro lançar hipóteses sobre o resultado final deste diálogo que, na fase presente, está ocorrendo à distância e por escrito. Mas ainda não foi dita nenhuma palavra definitiva: o Papa quer fazer tudo o que for possível para sanar a fratura que se criou com os lefebvrianos, e Fellay o sabe muito bem.

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