Posts tagged ‘Ecclesia Dei’

23 novembro, 2014

Conferência de Dom Guido Pozzo sobre o Vaticano II.

Importante texto de conferência do Arcebispo Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, uma vez que, recentemente, ele mesmo afirmou que “Roma não pretende impor uma capitulação à FSSPX”.

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Comentários e tradução por Guilherme Chenta, guilhermechenta.com

COMENTÁRIOS

Introdução

Em abril de 2014, o Arcebispo Dom Guido Pozzo, secretário da Pontifícia ComissãoEcclesia Dei, visitou o seminário do Instituto do Bom Pastor, com os seguintes objetivos: verificar a situação do instituto no pós-crise, dar duas conferências norteadoras da ação do IBP de acordo com a “hermenêutica da reforma na continuidade” e conferir ordens a alguns seminaristas.

3 agosto, 2013

A enigmática nomeação do novo (velho) Secretário da Ecclesia Dei.

Reconstruamos os fatos:

Mons. Guido Pozzo - JP Sonnen, Orbis Catholicus.

Mons. Guido Pozzo – JP Sonnen, Orbis Catholicus.

1) Monsenhor Guido Pozzo foi nomeado Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, encarregada de zelar pela “plena comunhão” dos “tradicionalistas”, em 8 de julho de 2009, na reestruturação que sofreu a Comissão após a aposentadoria do Cardeal Dario Castrillon Hoyos, então seu presidente.

2) Guido Pozzo foi, em novembro de 2012, promovido (a esmoleiro pontifício) para ser removido (das tratativas com os “tradicionalistas”). O Fratres anunciou a notícia com um mês de antecedência: “Monsenhor Guido Pozzo, até o momento Secretário da Comissão ‘Ecclesia Dei’, seria nomeado Esmoleiro de Sua Santidade, o Papa Bento XVI. Embora promovido à dignidade de Arcebispo, ele deixaria um cargo de importante influência na política eclesial para passar à função de burocrata de gabinete. Com pouco mais de três anos na Comissão Ecclesia Dei, Pozzo não foi muito bem avaliado em sua atuação no diálogo entre Santa Sé e Fraternidade São Pio X, sendo frequentemente acusado de intransigência na defesa de suas posições pessoais.

3) Quais posições? Pozzo se destacara por defender uma versão toda particular e feroz da “hermenêutica da continuidade”. O arquivo do blog está à disposição de quem quiser conferir, mas vale, como exemplo, citar sua carta ao Instituto do Bom Pastor, e que também Fratres divulgou com exclusividade.

4) Com a reorganização da Comissão Ecclesia Dei, que passou a ser subordinada à Congregação para a Doutrina da Fé, a nomeação do Arcebispo Gerhard Ludwig Müller para Prefeito desse mesmo dicastério caiu como uma bomba e teve que ser contrabalançada. Foi quando, em junho de 2012, o Papa Bento XVI designou vice-presidente da Comissão a Dom Joseph Augustine di Noia, OP, que iniciou seu trabalho dando entrevistas positivas e enviando uma carta toda simpática à FSSPX. Depois de causar um alvoroço no mundo tradicionalista com Müller, pretendia-se amenizar as coisas com Di Noia.

5) A abertura de Di Noia deveria, assim, substituir o fechamento de Pozzo, que alguns acusavam diretamente de ter minado as discussões teológicas entre Roma e Menzingen. Assim, Pozzo foi nomeado, em novembro de 2012, esmoleiro pontifício e elevado à dignidade de Arcebispo.

6) Pois bem: na manhã de hoje foi anunciado o retorno de Monsenhor Guido Pozzo à Secretaria de Comissão Ecclesia Dei. Uma nomeação enigmática: Pozzo não permaneceu sequer um ano como esmoleiro pontifício. Os motivos que o teriam retirado da Ecclesia Dei deixaram de ter fundamento em pouco mais de 6 meses? Não teria ele se desempenhado bem como esmoleiro pontifício? Mas, sendo este o caso, não seria natural na política eclesiástica uma transferência para um posto de igual prestígio? A devolução de Pozzo à secretaria da Ecclesia Dei surge, em uma primeira análise, como um rebaixamento — e isso só ocorre raramente, em casos gravíssimos. Para o lugar de Pozzo, como esmoleiro papal, foi designado o cerimoniário pontifício Mons. Konrad Krajewski.

7) Mas haveria ainda uma última pergunta: os promotores do retorno de Pozzo à Ecclesia Dei não desejariam vê-lo novamente por lá para fazer justamente o que estava fazendo quando foi “promovido”?

8) Comentava-se, logo após a promulgação do motu proprio Summorum Pontificum e com o boom de celebrações, congressos e cobertura midiática em torno do ressurgimento da missa tradicional, que crescia, igualmente, o descontentamento de um partido “montiniano”, que defendia não uma reabertura à missa antiga e muito menos uma crítíca textual ao Concílio, mas uma aplicação mais estrita e fiel do que eles consideravam os verdadeiros Novus Ordo e Vaticano II. Os “tradicionalistas”, rebeldes como sempre, deveriam ser sufocados pela aplicação das reais intenções do Papa Montini.

9) Com a intervenção nos Franciscanos da Imaculada, muito provavelmente, motivada sobretudo pela visão crítica ao Concílio que tomava corpo dentro da ordem (que exigia necessariamente a missa tradicional, daí a proibição de ser rezada por eles), o retorno de Mons. Guido Pozzo poderia ser interpretado como uma nova medida em prol da “intocabilidade do Concílio”?

PS.: o blog  continua em recesso.

14 fevereiro, 2013

Aos 45 do segundo tempo.

Fratres in Unum.comFontes seguras dão conta de que Dom Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, teria enviado, no início de janeiro, uma carta a Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, instando-o a aceitar a última versão do “preâmbulo doutrinal”, aprovada em junho do ano passado — aquela com acréscimos de última hora e sem a anuência da Fraternidade, que fizeram com que ela, inclinada inicialmente a aceitar a proposta, revisse sua posição.

O “ultimato” de Dom Müller teria como data limite a festa da Cátedra de São Pedro, no próximo dia 22, e estaria recheado de duras ameaças. O tom conciliador da carta enviada em dezembro por Dom Joseph Augustine di Noia, que também assina o “ultimato”, não durou, portanto, mais do que um mês. Caso não houvesse aceitação por parte da FSSPX como um todo, a Santa Sé faria a proposta de regularização canônica a cada sacerdote pertencente à FSSPX individualmente.

A iniciativa de Müller e Di Noia não considerava, provavelmente, a súbita renúncia pontifícia, que coloca a FSSPX de sobreaviso — ainda mais — contra uma Cúria Romana dilacerada por intrigas.

Em entrevista à rede americana NBC, o irmão de Bento XVI, Monsenhor George Ratzinger, afirmou que dois assuntos em particular afligiam seu irmão: “Dentro da Igreja, muitas coisas aconteceram que geraram problemas, por exemplo, a relação com a Fraternidade Pio [X] ou as irregularidades dentro do Vaticano, onde o mordomo vazou indiscrições”.

Este talvez seja o contexto para interpretar apropriadamente as palavras do Papa em sua última homilia, pronunciada ontem, na Basílica de São Pedro: “Penso em particular nos pecados contra a unidade da Igreja, das divisões no corpo da Igreja. Viver a quaresma de maneira mais intensa e em evidente comunhão eclesial, superando o individualismo e a rivalidade é um sinal humilde e precioso”. ‘Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação’ (2 Cor 6:2). As palavras do Apóstolo Paulo aos cristãos de Corinto ressoam para nós com uma urgência que não permite ausência ou inércia. O termo ‘agora’ é repetido e não pode ser perdido, é oferecido como uma oportunidade única”.

7 fevereiro, 2013

Coando um mosquito e engolindo um camelo.

Suíça: calvinistas sim, lefebvristas não.

Por Padre Guillaume de Tanouarn | Tradução: Fratres in Unum.com – Charles Morerod é dominicano, participou das discussões doutrinais entre a FSSPX e Roma. Posteriormente, foi nomeado bispo de Lausana, Genebra e Friburgo.

Dom Charles Morerod, OP

Dom Charles Morerod

Ele acaba de publicar normas para admissão aos locais de culto, em nome dos “bispos e abades territoriais da Suíça”. Após ter recordado o direito da Igreja (ponto n° 1), ele declara que “outras Igrejas cristãs e comunidades eclesiais” poderão ter acesso aos locais de culto católicos “por razões de necessidade pastoral” (ponto nº 2). No entanto, “religiões não-cristãs” receberiam “uma resposta negativa” — este é o ponto n° 4.

Entre os pontos n° 2 e n° 4, há o ponto n°3 e é aí que mora o problema. Ele trata da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, da qual recorda a ausência de “posição canônica”, bem como de “ministérios legítimos” para seus membros. Logo, poderíamos imaginar que esta Fraternidade seria tratada como outra comunidade eclesial, ou como outra Igreja Cristã — e que seus sacerdotes se beneficiariam do ponto n° 2. Mas não é caso, eles são proibidos de « qualquer serviço sacerdotal » nas igrejas e capelas suíças.

Em termos gerais, Dom Morerod efetua uma hierarquia entre aqueles que não estão em comunhão com Roma. Os tradicionalistas da FSSPX vêm depois de outras comunidades (luteranos, ortodoxos, anglicanos, velhos católicos, calvinistas) e não têm o direito à mesma delicadeza. É o caso de tratá-los não como os irmãos separados, mas como os não-cristãos.

A mão estendida por Bento XVI é uma coisa. Mas na prática, esse desejo de acolher se mostra, de tempos em tempos, menos claro.

21 janeiro, 2013

Carta de Dom Di Noia aos membros da Fraternidade São Pio X.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com

Excelência e caros irmãos Padres da Fraternidade São Pio X,

Nossa recente declaração (28 de outubro de 2012) afirmou em público e com autoridade que as relações da Santa Sé com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X permanecem abertas e esperançosas. Até agora, com exceção de seus pronunciamentos oficiais, a Santa Sé, por diversas razões, absteve-se de corrigir certas afirmações imprecisas a respeito de sua conduta e competência nestas relações. Aproxima-se rapidamente, no entanto, a hora em que, em benefício da verdade, a Santa Sé será obrigada a tratar de algumas dessas imprecisões. São particularmente dolorosas as afirmações que impugnam o múnus e a pessoa do Santo Padre e que, em algum momento, demandariam alguma resposta.

Declarações recentes de pessoas que ocupam posições significantes de autoridade dentro da Fraternidade não podem deixar de causar preocupação sobre as possibilidades reais de reconciliação. Pode-se pensar, em particular, nas entrevistas dadas pelo Superior do Distrito da Alemanha (16 de outubro de 2012), e um recente sermão do Superior Geral (1 de novembro de 2012). O tom e o conteúdo destas intervenções deram causa a uma certa perplexidade sobre a seriedade e, de fato, a própria possibilidade de conversações francas entre nós. Enquanto a Santa Sé espera pacientemente por uma resposta oficial da Fraternidade, alguns de seus superiores empregam uma linguagem, em comunicações extra-oficiais, que a todo o mundo dá a impressão de rejeitar as próprias condições, assumidas como ainda em estudo, que são exigidas para a reconciliação e regularização canônica da Fraternidade dentro da Igreja Católica.

19 janeiro, 2013

Dom Di Noia: retomar o carisma de Dom Lefebvre para superar impasse atual.

O colunista do Le Figaro, Jean-Marie Guénois, traz mais detalhes sobre a carta enviada por Dom Joseph Augustine Di Noia, vice-presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, aos sacerdotes da Fraternidade São Pio X. Apresentamos nossa tradução do trecho mais importante do artigo:

Dom Di Noia e o Papa Bento XVI.

O que diz este documento de oito páginas traduzido do inglês para o francês? Três elementos essenciais: o estado atual das relações, o espírito dessas relações e o método para retomar o diálogo.

A questão do Concílio

O estado atual das relações entre Roma e Ecône é descrito sem retoques por Dom Di Noia. Estas relações permanecem “abertas” e “cheias de esperança”, mesmo se declarações recentes em diferentes níveis da Fraternidade, nos últimos meses, possam colocar isso em dúvida [ndr: é inacreditável, a quem pede um exame de consciência mútuo, a falta de referência às mais desastrosas palavras para esta conturbada relação, que são simplesmente as do novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé].

Quanto aos esforços realizados desde o início do pontificado de Bento XVI para uma reconciliação, eles não mudaram nada, avalia Dom Di Noia por causa do desacordo fundamental que permanece sobre a questão do Concílio. Este americano, um diplomata fino, mas realista, estabelece pela primeira vez a este nível a constatação de um “impasse”, no sentido de que o desacordo fundamental não evoluiu um milímetro.

A segunda parte do documento trata do espírito das relações. Para o autor da carta, é importante transformá-lo, caso contrário, o intercâmbio “amigável” entre as duas entidades pode ser “sem saída”. Como? Inspirado pelos sábios conselhos de Santo Tomás de Aquino, quando se trata de preservar a unidade da Igreja. Evitando o “orgulho, a cólera, a impaciência”. O “desacordo sobre questões fundamentais” não deve excluir o falar das questões disputadas, portanto, com um “espírito de abertura”.

A última parte da carta propõe duas linhas para sair do impasse atual, pois a FSSPX não tem futuro na “autonomia”. Reconhecer, em primeiro lugar – e aqui Roma o faz como nunca havia feito – o “carisma” próprio de Dom Lefebvre e da obra que ele fundou, que é a “formação sacerdotal” e não a “retórica áspera e contraproducente” ou “a de se arrogar a missão de julgar e corrigir a teologia”, ou ainda “de corrigir publicamente os outros na Igreja”. E, a segunda linha — completamente nova, pois recorre a um documento, Donum Veritatis, publicado em 1990 para enquadrar a dissidência de teólogos progressistas!: considerar que é legítimo, na Igreja Católica, ter “divergências” teológicas, mas que essas “objeções” teológicas devem ser expressas internamente, e não em praça pública, para “estimular o magistério” a formular melhor o seu ensino. E não sob a forma de um “magistério paralelo”.

18 janeiro, 2013

Di Noia envia carta a padres da FSSPX – via Menzingen.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com – Esta é a principal parte da informação divulgada por Riposte Catholique (em Francês):

Cada padre da Fraternidade São Pio X recebeu uma carta muito extensa do Arcebispo Di Noia, vice-presidente da Comissão Ecclesia Dei. O delegado do Papa atenta para a divergência entre a Santa Sé e a FSSPX: a Santa Sé acredita ser necessário interpretar os textos à luz da Tradição; a FSSPX considera que certos textos do Vaticano II são errôneos. Toda a questão, em si inalterada, [resume-se então] a tornar esta divergência suportável.

Com o auxílio de textos de São Paulo, Santo Agostinho e Santo Tomás, Dom Di Noia, então, propõe uma abordagem nova e espiritual. Ele solicita a ambas as partes a proceder, cada qual em sua parte, a um exame de consciência focado na humildade, docilidade, paciência e caridade. A FSSPX considera que isso não pode excluir, considerando as questões doutrinais em jogo, uma estrita confissão da fé. Tendo em conta, especialmente, que o desmantelamento da fé, catequese e práticas sacramentais acrescentam peso às suas considerações. No sentido oposto, é verdade, pode-se dizer que a contínua degradação da situação da Fé Católica é um convite premente [à FSSPX] para deixar o seu grandioso isolamento, e se unir às equipes de salvamento no próprio lugar do acidente.

Um esboço da solução concreta é deixado, obviamente de propósito, de alguma forma incerto por Dom Di Noia. Ele recorda de passagem que Roma espera de Dom Fellay uma resposta ao documento que lhe foi entregue no último dia 14 de junho. Porém, além disso, propõe à FSSPX um processo que poderia ser qualificado de transição:

- Por um lado, a FSSPX encontraria novamente o carisma positivo dos primeiros anos em Friburgo e Écône (ela tentaria reformar o que pode ser [reformado], primeiro através da formação de padres tradicionais e ao prepará-los para um ensinamento em conformidade com a sua formação).

- Por outro, a FSSPX, ainda considerando que certas passagens do ensinamento do Vaticano II não podem ser reconciliadas com a Magistério precedente, poderia discuti-las, contanto que:

- se abstenha, por uma questão de princípio, de fazê-lo nos meios de comunicação de massa;

- sempre apresente as objeções de maneira positiva e construtiva;

- fundamente todas as suas análises em bases teológicas profundas e amplas.

… Uma referência é feita à instrução Donum Veritatis, sobre a vocação eclesial do teólogo (24 de maio de 1990).

Rorate  pode acrescentar os seguintes avisos: nós podemos confirmar que a carta não foi enviada diretamente pela Pontifícia Comissão Ecclesia Dei a cada padre da FSSPX, mas sim à Casa Geral, em Menzingen, Suíça, que [por sua vez] a encaminhou [aos padres]. Não podemos confirmar que ela tenha sido encaminhada a cada um dos padres ou priorado da FSSPX. Podemos acrescentar que não se trata exatamente de uma carta nova/urgente, mas que foi enviada no começo de dezembro de 2012. E nós não podemos confirmar todo o conteúdo apresentado por Riposte Catholique, uma vez que ele parece estar mesclado com algumas interpretações de seu significado (isto é, o conteúdo não é apresentado literalmente).
29 novembro, 2012

Ecclesia Dei, a arte de responder e nada dizer.

Dança das cadeiras: Comissão Ecclesia Dei e mais uma nebulosa variação sobre o mesmo tema.

Desde o fim da década de 90, sobretudo na presidência do Cardeal Darío Castrillon Hoyos, a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei (PCED) vinha declarando que a assistência às missas da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, embora não recomendadas por ela, serviam para o cumprimento do preceito dominical [como em 2003 e em 2008].

Todavia, nos últimos anos, a Comissão vem se destacando pela arte de responder (quando o faz, o que é raro), mas nada dizer. Após uma resposta a em março deste ano, agora, vem a público uma nova carta, datada do último dia 6.

Como bem observa o blog Secretum Meum Mihi: “O curioso da carta original da resposta é que não vem assinada por ninguém, embora a saudação esteja redigida em primeira pessoa e apareça atribuída a “O Secretariado”. Que carta curiosa! O curioso desta carta é que ela não podia ter sido assinada pelo secretário anterior desta comissão, Monsenhor Guido Pozzo, porque em 3 de novembro (três dias antes da data da carta em questão), o Papa o havia designado como Esmoleiro de Sua Santidade. Então, que personagem de representatividade é o que, em nome de “O Secretariado” da Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei”, assina a carta?”

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Carta da PCED sobre o cumprimento do preceito dominical indo a uma Missa da FSSPX e seminaristas diocesanos atuando como subdiáconos

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com

Em 6 de novembro de 2012 o blog Católico Tradicionalista Polonês Nowy Ruch Liturgiczny publicou a resposta da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei a duas indagações (que o blog reproduziu no original inglês):

1. É possível cumprir o preceito [de missa] dominical participando de uma Missa celebrada por um sacerdote da Fraternidade de São Pio X, se o participante não for “contra a validade ou legitimidade da Santa Missa ou dos Sacramentos celebrados na forma ordinária ou contra o Romano Pontífice como Pastor Supremo da Igreja Universal” e esta for a única oportunidade na área local de participar da Missa na forma extraordinária (a qual o participante é altamente devoto)?

2. O decreto da Sagrada Congregação de Ritos (nº 4184) e a decisão da Pontifícia Comissão ‘Ecclesia Dei’ (nº 24/92), relativamente à possibilidade de servir como subdiácono durante a Missa na forma extraordinária, se aplica também a seminaristas diocesanos (que não sejam seminaristas dos institutos erigidos pela Pontifícia Comissão ‘Ecclesia Dei’) que usam vestes clericais?

A resposta:

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Prot. 39/2011L

Cidade do Vaticano, 6 de novembro de 2012

Prezado Pe.

Esta Comissão Pontifícia lhe agradece por sua amável carta de 1º de outubro de 2012.

Em resposta a sua primeira pergunta este Dicastério se limitaria a remetê-lo à carta de 10 de março de 2009, escrita pelo Papa Bento XVI a seus irmãos Bispos na qual ele declarou:

Enquanto a Fraternidade não tiver uma posição canônica na Igreja, também os seus ministros não exercem ministérios legítimos na Igreja. Por conseguinte, é necessário distinguir o nível disciplinar, que diz respeito às pessoas enquanto tais, do nível doutrinal em que estão em questão o ministério e a instituição. Especificando uma vez mais: enquanto as questões relativas à doutrina não forem esclarecidas, a Fraternidade não possui qualquer estado canônico na Igreja, e os seus ministros – embora tenham sido libertos da punição eclesiástica – não exercem de modo legítimo qualquer ministério na Igreja. (Papa Bento XVI, Carta aos Bispos da Igreja Católica referente à remissão das excomunhões dos quatro aos quatro bispo consagrados pelo arcebispo Lefebvre, 10 de março de 2009).

Em resposta a sua segunda pergunta a resposta é afirmativa.

Atenciosamente,

O Secretariado

25 novembro, 2012

Foto da semana.

Assim se recebe uma benção: de joelhos – O recém ordenado Arcebispo Guido Pozzo, novo esmoleiro pontifício, foi recebido em audiência pelo Santo Padre na última segunda-feira, 19. E acompanharam-no o staff da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, onde Pozzo atuou como secretário: o novo vice-presidente, Dom Augistine di Noia; assim como o brasileiro Padre Almir de Andrade, FSSP, e o conhecido domicano Pe. Vincenzo Nuara, oficiais da comissão.

12 novembro, 2012

Em que posição nos encontramos junto a Roma?

No dia 1º de novembro de 2012, festa de Todos os Santos, Dom Bernard Fellay celebrou uma Missa no seminário de Ecône. Durante o seu sermão, após recordar o sentido espiritual desta festa, ele explicou o status das relações da Fraternidade São Pio X com Roma. – O título e subtítulos foram dados pelos editores de DICI.

Por DICI | Tradução: Fratres in Unum.com

… Por que é que existe uma Fraternidade São Pio X? Por que é que nos tornamos sacerdotes? Não é apenas pelo prazer de celebrar a Missa antiga. É para irmos para o Céu; é para salvarmos almas! Certamente, ao mesmo tempo em que preservamos os tesouros da Igreja, mas com o objetivo de salvar almas, de santificá-las arrebatando-as do pecado, conduzindo-as ao Céu, levando-as para Nosso Senhor.

Em que posição nos encontramos junto a Roma? Deixem-me explicar dois pontos. Primeiramente, um olhar no que aconteceu. Em seguida, um olhar no presente e talvez no futuro.

Primeiramente: no que aconteceu. Uma provação, talvez a maior que jamais tivemos, deveu-se a um conjunto de diversos fatores que ocorreram ao mesmo tempo e criaram um estado de confusão, de dúvida bastante profunda que deixa lesões — e das feridas mais graves, sem dúvida, aquela que nos causa uma dor enorme: a perda de um de nossos bispos. Isso não é pouca coisa! Isso não se deve somente à crise atual. Esta é uma longa história, mas ela encontra a sua conclusão aqui.

Duas mensagens contrárias de Roma

Bem, o que aconteceu? Acho que o primeiro fator é um problema que tem ocorrido há vários anos e que tenho mencionado, pelo menos, desde 2009. Eu disse que nos encontramos confrontando a contradição em Roma. E essa contradição em nossas relações com a Santa Sé tem se manifestado há cerca de um ano, desde setembro, quando recebi através de canais oficiais alguns documentos que expressavam claramente a disposição por parte de Roma de reconhecer a Fraternidade, mas era necessário assinar um documento que não podíamos assinar. E ao mesmo tempo havia uma outra linha de informações que recebi, e era impossível que eu duvidasse de sua autenticidade. Essa linha de informações realmente dizia algo diferente.

Isso começou em meados de agosto, ao passo que eu não recebi o documento oficial até 14 de setembro de 2011. Desde meados de agosto, uma pessoa no Vaticano vem me dizendo: “O Papa irá reconhecer a Fraternidade e será como foi com as excomunhões, em outras palavras, sem nada [exigido] em troca.” Assim, foi nesse sentido que me preparei para a reunião do dia 14 de setembro ao preparar argumentos, dizendo: “Mas o senhor refletiu cuidadosamente no que o senhor está fazendo? O que o senhor está tentando fazer? Isso não irá funcionar.” E, de fato, o documento que nos foi apresentado era completamente diferente daquele que nos foi anunciado.

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