Posts tagged ‘Ecclesia Dei’

2 julho, 2015

Ordenações para IBP e Administração Apostólica.

Por Manoel Gonzaga Castro* – FratresInUnum.com: No último sábado, 27 de junho, pela graça de Deus, foram ordenados diáconos no Instituto do Bom Pastor os seminaristas Guillaume Touche e Adolfo Andrés Hormazábal. Causou apreensão, no entanto, a não ordenação dos seminaristas brasileiros do Instituto, todos membros do grupo Montfort.

Com efeito, Guillaume Touche, Adolfo Andrés, José Luiz e Thiago Bonifácio, haviam sido ordenados subdiáconos no último 21 de março, e, seguindo a praxe do instituto, tinham já previstas suas ordenações diaconais para o final do primeiro semestre. Porém, tanto o subdiácono Thiago, quanto o subdiácono José Luiz ficaram de fora do cronograma normal das ordenações desta vez.

Da esq. para direita: seminaristas José Luiz, Adolfo Andrés, Guillaume Touche e Thiago Bonifácio, em sua ordenação subdiaconal (março de 2015).

Da esq. para direita: seminaristas José Luiz, Adolfo Andrés, Guillaume Touche e Thiago Bonifácio, em sua ordenação subdiaconal (março de 2015).

Além disso, também contrariando a praxe do IBP, não foram ordenados sacerdotes os seminaristas brasileiros Pedro Gubitoso e Tomás Parra, ordenados diáconos em junho de 2014, depois de terem recebido o subdiaconato em abril do mesmo ano, após a visita do Mons. Guido Pozzo ao seminário.

O receio se deve ao fato de, em março de 2012, o mesmo Mons. Pozzo ter admoestado o superior do Instituto nos seguintes termos: “É necessário desejar que um bom discernimento seja feito para as vocações provenientes do Brasil”.

Os subdiáconos Tomás Parra (esq.) e Pedro Gubitoso (dir.) recebem o diaconato

Os subdiáconos Tomás Parra (esq.) e Pedro Gubitoso (dir.) recebem o diaconato

Oxalá esses atrasos tenham sido ocasionados por questões meramente circunstanciais e que logo a Igreja no Brasil possa receber os reforços de mais essas vocações.

Em 2013, dois brasileiros da Montfort – os agora Padres Luiz Fernando Pasquotto e Renato Coelho – também tiveram suas ordenações sacerdotais atrasadas por causa da crise institucional que se abateu sobre o IBP naquele ano.

Enquanto isso, os reforços ao avanço da difusão da liturgia tradicional vêm da parte de Dom Fernando Rifan, que ordenou mais um diácono pela Administração Apostólica São João Maria Vianney em 21 de junho último: o seminarista Domingos Sávio Silva Ferreira.

Ordenação diaconal do seminarista Domingos Sávio, junho de 2015

Ordenação diaconal do seminarista Domingos Sávio, junho de 2015

A vocação do agora diácono Domingos Sávio é resultado de um longo apostolado da Administração, sendo ele proveniente da Paróquia Pessoal Nossa Senhora de Fátima e Santo António de Pádua. O diácono Domingos Sávio será ordenado sacerdote no próximo 12 de dezembro.

* Fale com o autor: manoelgonzagacastro@gmail.com

12 junho, 2015

Novidades dos tradicionalistas no Brasil.

Por Manoel Gonzaga Castro* – FratresInUnum.com: O mês de maio foi prenhe de boas notícias para os católicos ligados à liturgia tradicional do sistema Ecclesia Dei/Summorum Pontificum.

Conforme noticiado, 3 de maio foi de fato o último dia da Santa Missa em sua forma extraordinária na Capela do Colégio Monte Calvário em Belo Horizonte, porém Dom Fernando Rifan conseguiu obter do arcebispo Dom Walmor Oliveira de Azevedo um novo local para essas celebrações na capital mineira. Dessa forma, sem interrupção, já em 10 de maio, domingo, o excelso sacrifício foi oferecido na Capela do Colégio Santa Maria. Mais informações sobre o local e os horários das missas em: http://missatridentinabh.blogspot.com.br/

Essa é, sem dúvida, uma excelente notícia para todos os fiéis frequentadores da forma extraordinária em Belo Horizonte, ainda mais considerando a intensificação das visitas dos padres da Administração Apostólica São João Maria Vianney a essa cidade.

Proibido de atuar na capital mineira por Dom Walmor, também como  noticiado, o IBP tem estudado uma expansão para o Nordeste, em locais não atendidos pela Administração. Como palestrante do 1º Congresso Montfort do Nordeste, o Pe. Luiz Fernando Pasquotto esteve recentemente em Recife, onde pôde travar contato com algumas dezenas de fiéis interessados na liturgia tradicional.

Para o maior bem da Santa Igreja, tomara que o IBP consiga se expandir para o Nordeste, dado seu relativo insucesso no Sudeste, muitas vezes motivado por questões não eclesiais.

Bem articulado em todos os seguimentos de tradicionalistas regulares, finalmente, o Pe. Jefferson Pimenta foi nomeado pároco pela Diocese de Santo André. Sua via crucis foi longa. Em um período de cerca de um ano, Pe. Jefferson – que celebra obedientemente as duas formas do rito romano – foi removido duas vezes de posto. Primeiro, da Paróquia Nossa Senhora da Prosperidade, onde empreendia uma grande reforma arquitetônica, e depois da Paróquia São Francisco de Assis. Isso afetou o apostolado do Pe. Jefferson com a forma extraordinária, porque ele acabou afastado de sua base de fiéis desejosos dessa missa, quando foi finalmente transferido para a Paróquia São Judas Tadeu, que fica em Ribeirão Pires – distante cerca de 30Km.

Apesar das dificuldades, Pe. Jefferson iniciou corajosamente o apostolado da forma extraordinária na Paróquia São Judas e agora,  conforme noticiado por Fratres in Unum, terá um novo bispo que, esperamos e rezamos, apoiará suas iniciativas.

Por fim, surgem rumores fortíssimos de que o Pe. Edivaldo Oliveira, considerado filho do falecido e polêmico Professor Orlando Fedeli, está começando uma nova obra, a Fraternidade São Mauro. Segundo os rumores, a nova fraternidade gozará do privilégio de uso exclusivo do chamado Rito Tridentino e receberá vocações masculinas e femininas. A vida religiosa feminina seria comandada pela viúva Ivone Fedeli, segundo informações ainda não oficialmente confirmadas desta que seria uma grande notícia!

Por ora, não há nenhum comunicado público do Reverendíssimo Pe. Edivaldo Oliveira a respeito de qual bispo autorizaria a existência da Fraternidade São Mauro, quais seriam suas prerrogativas e sobre como ela funcionaria.

O Pe. Edivaldo permanece incardinado na Diocese de Ciudad del Este, onde foi ordenado, em em 17 de agosto de 2013, por Dom Rogelio Livieres, que foi vítima de uma dramática deposição em setembro de 2014. Apesar de diocesano de Ciudad del Este, Pe. Edivaldo tem intensa atuação no Brasil, onde permanece boa parte de seu tempo junto ao Colégio São Mauro, em São Paulo, e em Fortaleza.

No final de maio, Pe. Edivaldo celebrou a Santa Missa na Festa Anual da Montfort em Itapetininga, SP, e, com pompa e circunstância, liderou a peregrinação do Colégio São Mauro a Aparecida:

Padre Edivaldo com o Colégio São Mauro em Peregrinação à Aparecida, maio de 2015

Padre Edivaldo com o Colégio São Mauro em Peregrinação a Aparecida, maio de 2015

Rezemos para que a Santa Missa no rito tradicional, juntamente com uma sólida formação doutrinal e moral, seja sempre e cada dia mais difundida no Brasil!

* Fale com o autor: manoelgonzagacastro@gmail.com

5 junho, 2015

Santa Sé encarrega Fellay de julgar um de seus padres.

A Congregação para a Doutrina da Fé nomeou o Superior da Fraternidade São Pio X, fundada por Dom Lefebvre, para ser o juiz de primeira instância no caso de um padre lefebvrista acusado de um crime grave.

Por Andrea Tornielli – La Stampa | Tradução: FratresInUnum.com: Ele mesmo [Dom Fellay] anunciou durante um sermão na igreja Nossa Senhora dos Anjos, em Arcadia, Califórnia, no dia 10 de maio de 2015: a Congregação para a Doutrina da Fé nomeou o Superior Geral da Fraternidade São Pio X (FSSPX), Dom Bernard Fellay, como juiz de primeira instância em um caso envolvendo um padre lefebvrista. O antigo Santo Ofício tem a incumbência de tratar de uma série de “delicta graviora”. O que ocorre mais frequentemente é aquele que diz respeito a abuso sexual de menores. Fellay apresentou esse fato como um exemplo das “contradições” nas relações da Santa Sé com a Fraternidade.

Dom Bernard Fellay“Somos rotulados agora como irregulares, na melhor das hipótese. “Irregular” significa que você não pode fazer nada e, como exemplo, eles nos proibiram de celebrar Missa nas igrejas em Roma para as irmãs Dominicanas que peregrinaram a Roma em fevereiro. Eles dizem: “Não, vocês não podem [celebrar] por que são irregulares”. E os que disseram isso eram pessoas da [Pontifícia Comissão] Ecclesia Dei”.

“Agora, às vezes, infelizmente”, disse Dom Fellay, “também padres fazem coisas insensatas, e precisam ser punidos. E quando é algo muito, muito sério, temos que recorrer a Roma. E assim fazemos. E o que a Congregação para a Doutrina da Fé faz? Bem, eles nomearam a mim como juiz para esse caso. Então, eu fui incumbido por Roma, pela Congregação para a Doutrina da Fé, de fazer julgamentos, julgamentos canônicos da Igreja sobre alguns de nossos padres que pertencem a uma Fraternidade inexistente para eles (para Roma, ed.). E então, mais uma vez, realmente uma bela contradição”.

Essa não é a primeira vez  que a FSSPX recorre a Roma quando diz respeito a “delicta graviora” e dispensas das obrigações sacerdotais. O que é novo nesse caso é que o antigo Santo Ofício, chefiado pelo Cardeal Gerhard Ludwig Müller, decidiu confiar o caso ao próprio Dom Fellay, fazendo-o juiz do tribunal de primeira instância. Uma expressão de ateção. Um sinal de que o caminho em direção à plena comunhão com os lefebvristas continua,  como confirmou em uma declaração a Vatican Insider Dom Guido Pozzo. O arcebispo, que também é Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, disse: “A decisão da Congregação para a Doutrina da Fé não significa que os problemas existentes foram sanados, mas é um sinal de benevolência e magnanimidade. Não vejo contradição nisso, mas, antes, um passo em direção à reconciliação”.

Os leitores se recordarão que outro importante sinal veio no último mês de abril, quando o Arcebispo de Buenos Aires acendeu a luz verde para que os lefebvristas fossem reconhecidos pelo governo argentino como uma “associação diocesana”. Igualmente, um grande grupo de peregrinos da FSSPX foi autorizado a celebrar a eucaristia na Basílica de Lourdes.

Então, por que Fellay fala em uma contradição? Seu comentário se referia à peregrinação do último mês de fevereiro a Roma, que teve a participação de 1500 fiéis. A peregrinação foi organizada pelas irmãs Dominicanas ligadas à FSSPX. Um pedido foi feito à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei para celebrar a Missa no altar da Basílica de São Pedro. Na ocasião, todavia, os responsáveis pela Comissão decidiram que a celebração por um sacerdote lefebvrista, antes que os problemas existentes sejam resolvidos com vistas à regularização canônica e a plena comunhão, lançaria um sinal equivocado. No entanto, o Papa Francisco deu sua aprovação à proposta de que a missa solicitada fosse celebrada na Basílica de São Pedro por um padre da Ecclesia Dei, segundo o rito antigo. Os líderes da Fraternidade recusaram a oferta.

Ainda, a nomeação de Fellay pela Congregação para a Doutrina da Fé como juiz de primeira instância, demonstra o progresso em termos de diálogo entre a Igreja e a FSSPX.

14 abril, 2015

A FSSPX reconhecida oficialmente na Argentina como parte da Igreja Católica.

Por Adelante la Fe | Tradução: Irmandade dos Defensores da Sagrada Cruz: Em Boletim Oficial da Republica Argentina encontramos a seguinte informação: A pedido do Arcebispo de Buenos Aires, Cardeal Poli, é concedido a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, FSSPX, fundada pelo Arcebispo Marcel Lefebvre, o estatuto de “Associação de Direito Diocesano. Sociedade de Vida Apostólica” e se reconhece “que a dita fraternidade, encontra-se credenciada com caráter de pessoa jurídica pública DENTRO DA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA, conforme a norma do Código de Direito Canônico”.

Cardeal Poli

Com toda a prudência por não ter maiores informações para avaliar com precisão o alcance exato desta noticia, além das formalidades jurídicas, não se parece temerário para interpretar este importante gesto do Cardeal Poli como um grande movimento de aproximação, talvez a ponta do iceberg, que nos permite esperar com otimismo um desenlace feliz a curto prazo a nível global.

Reproduzimos a resolução oficial:

 Resolução 25/2015

Bs. As., 17/03/2015

VISTO o Arquivo No. 9028/2015 do registro do MINISTÉRIO DE RELAÇÕES EXTERIORES E CULTO, a Lei nº 24.483 e seu Decreto Regulamentar n.º 491 de 21 de setembro de 1995, e CONSIDERANDO:

Que, conforme o Protocolo nº 084/15 datado de 23 de fevereiro de 2015, o Arcebispo de Buenos Aires, Mario Aurelio Cardeal POLI solicita que a “FRATERNIDADE DOS APÓSTOLOS DE JESUS E DE MARIA” (Fraternidade Sacerdotal São Pio X) seja tida, até encontrar um definitivo enquadramento jurídico na Igreja Universal, como uma associação de direito diocesano, conforme regulamentado pelo cânone 298 do Código de Direito Canônico, in fieri de ser uma Sociedade de Vida Apostólica, com todos os benefícios que esta lhe corresponde e dando cumprimento com todas as obrigações a que a mesma refere, assumindo também as responsabilidades que competem ao bispo diocesano.

Que tal fraternidade é credenciada com caráter de pessoa jurídica pública dentro da IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA, conforme as normas do Código de Direito Canônico.

Que segundo seus estatutos, aprovados pela autoridade eclesiástica competente, a fraternidade é uma sociedade de vida sacerdotal comum sem votos, em imitação de sociedades para as Missões Estrangeiras (conf. Capítulo I, artigo 1º, Estatutos da Fraternidade dos Apóstolos Jesus e Maria).

Que o artigo 3º, inciso f do Decreto nº 491/95 que autoriza a inscrição no Registro criado pela Lei nº 24.483, as pessoas jurídicas reconhecidas pela autoridade eclesiástica, que guardam semelhanças ou analogia com os Institutos de Vida Consagrada e sociedades de vida apostólica.

Que a instituição requerente cumpriu todas as exigências da legislação em vigor, que acompanhando os seus estatutos, decreto de ereção e memória, de acordo com as disposições da Lei nº 24.483.

Correspondendo fazer lugar a presente inscrição todas as vezes que a requerente se enquadra nas condições previstas na Regra 3, inciso f) do Decreto nº 491/95.

Que a presente medida é emitida no exercício dos poderes conferidos pelo artigo 17 do Decreto nº 491/95.

Portanto,

O SECRETÁRIO

DE CULTO

RESOLVE:

ARTIGO 1 – reconhecido como uma pessoa jurídica a “FRATERNIDADE DOS APÓSTOLOS DE JESUS E DE MARIA” (Fraternidade sacerdotal São Pio X), Associação de direito diocesano, com sede legal e domicílio especial na rua Venezuela N° 1318, CIDADE AUTÔNOMA DE BUENOS AIRES, que está registrado sob o número de trezentos e oitenta e um (381) do Registro de Institutos de Vida Consagrada.

ARTIGO 2º – outorga-se a dita entidade o caráter de entidade de bom público para todos os efeitos, que correspondam.

ARTIGO 3º – Que seja sabido que a referida pessoa jurídica se encontra beneficiada pelo tratamento previsto pelo artigo 20, da Lei do Imposto de Renda (texto encomendado em 1997).

ARTIGO 4º – Comunique-se, publique-se, transmitindo a Direção Nacional de Registro Oficial e arquive-se. – Emb. GUILLERMO R. OLIVERI, Secretário de Adoração.

[Você pode verificar esta informação, entrando no site do Boletim Oficial Argentino indicando em seu navegador a resolução 25 de 2015]

* * *

Nota do Fratres: Procurado por Vatican Insider, Dom Guido Pozzo, secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, declarou: “Fico contente que na Argentina foi possível encontrar esta solução que, sejamos precisos, não envolve a Santa Sé. Não se trata de um reconhecimento jurídico da Fraternidade São Pio X como sociedade clerical, permanecendo em aberto a questão da legitimidade do exercício do ministério sacerdotal de seus padres. Mas, certamente, é um sinal adicional de benevolência em relação a esta realidade por parte da Igreja Católica”.

Continua Pozzo: “Com sua decisão, o ordinário de Buenos Aires reconhece que os membros da Fraternidade são católicos, mesmo que ainda não estejam na plena comunhão com Roma. Nós continuamos a trabalhar para que se chegue à plena comunhão e ao enquadramento jurídico da Fraternidade na Igreja Católica”.

23 novembro, 2014

Conferência de Dom Guido Pozzo sobre o Vaticano II.

Importante texto de conferência do Arcebispo Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, uma vez que, recentemente, ele mesmo afirmou que “Roma não pretende impor uma capitulação à FSSPX”.

* * *

Comentários e tradução por Guilherme Chenta, guilhermechenta.com

COMENTÁRIOS

Introdução

Em abril de 2014, o Arcebispo Dom Guido Pozzo, secretário da Pontifícia ComissãoEcclesia Dei, visitou o seminário do Instituto do Bom Pastor, com os seguintes objetivos: verificar a situação do instituto no pós-crise, dar duas conferências norteadoras da ação do IBP de acordo com a “hermenêutica da reforma na continuidade” e conferir ordens a alguns seminaristas.

3 agosto, 2013

A enigmática nomeação do novo (velho) Secretário da Ecclesia Dei.

Reconstruamos os fatos:

Mons. Guido Pozzo - JP Sonnen, Orbis Catholicus.

Mons. Guido Pozzo – JP Sonnen, Orbis Catholicus.

1) Monsenhor Guido Pozzo foi nomeado Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, encarregada de zelar pela “plena comunhão” dos “tradicionalistas”, em 8 de julho de 2009, na reestruturação que sofreu a Comissão após a aposentadoria do Cardeal Dario Castrillon Hoyos, então seu presidente.

2) Guido Pozzo foi, em novembro de 2012, promovido (a esmoleiro pontifício) para ser removido (das tratativas com os “tradicionalistas”). O Fratres anunciou a notícia com um mês de antecedência: “Monsenhor Guido Pozzo, até o momento Secretário da Comissão ‘Ecclesia Dei’, seria nomeado Esmoleiro de Sua Santidade, o Papa Bento XVI. Embora promovido à dignidade de Arcebispo, ele deixaria um cargo de importante influência na política eclesial para passar à função de burocrata de gabinete. Com pouco mais de três anos na Comissão Ecclesia Dei, Pozzo não foi muito bem avaliado em sua atuação no diálogo entre Santa Sé e Fraternidade São Pio X, sendo frequentemente acusado de intransigência na defesa de suas posições pessoais.

3) Quais posições? Pozzo se destacara por defender uma versão toda particular e feroz da “hermenêutica da continuidade”. O arquivo do blog está à disposição de quem quiser conferir, mas vale, como exemplo, citar sua carta ao Instituto do Bom Pastor, e que também Fratres divulgou com exclusividade.

4) Com a reorganização da Comissão Ecclesia Dei, que passou a ser subordinada à Congregação para a Doutrina da Fé, a nomeação do Arcebispo Gerhard Ludwig Müller para Prefeito desse mesmo dicastério caiu como uma bomba e teve que ser contrabalançada. Foi quando, em junho de 2012, o Papa Bento XVI designou vice-presidente da Comissão a Dom Joseph Augustine di Noia, OP, que iniciou seu trabalho dando entrevistas positivas e enviando uma carta toda simpática à FSSPX. Depois de causar um alvoroço no mundo tradicionalista com Müller, pretendia-se amenizar as coisas com Di Noia.

5) A abertura de Di Noia deveria, assim, substituir o fechamento de Pozzo, que alguns acusavam diretamente de ter minado as discussões teológicas entre Roma e Menzingen. Assim, Pozzo foi nomeado, em novembro de 2012, esmoleiro pontifício e elevado à dignidade de Arcebispo.

6) Pois bem: na manhã de hoje foi anunciado o retorno de Monsenhor Guido Pozzo à Secretaria de Comissão Ecclesia Dei. Uma nomeação enigmática: Pozzo não permaneceu sequer um ano como esmoleiro pontifício. Os motivos que o teriam retirado da Ecclesia Dei deixaram de ter fundamento em pouco mais de 6 meses? Não teria ele se desempenhado bem como esmoleiro pontifício? Mas, sendo este o caso, não seria natural na política eclesiástica uma transferência para um posto de igual prestígio? A devolução de Pozzo à secretaria da Ecclesia Dei surge, em uma primeira análise, como um rebaixamento — e isso só ocorre raramente, em casos gravíssimos. Para o lugar de Pozzo, como esmoleiro papal, foi designado o cerimoniário pontifício Mons. Konrad Krajewski.

7) Mas haveria ainda uma última pergunta: os promotores do retorno de Pozzo à Ecclesia Dei não desejariam vê-lo novamente por lá para fazer justamente o que estava fazendo quando foi “promovido”?

8) Comentava-se, logo após a promulgação do motu proprio Summorum Pontificum e com o boom de celebrações, congressos e cobertura midiática em torno do ressurgimento da missa tradicional, que crescia, igualmente, o descontentamento de um partido “montiniano”, que defendia não uma reabertura à missa antiga e muito menos uma crítíca textual ao Concílio, mas uma aplicação mais estrita e fiel do que eles consideravam os verdadeiros Novus Ordo e Vaticano II. Os “tradicionalistas”, rebeldes como sempre, deveriam ser sufocados pela aplicação das reais intenções do Papa Montini.

9) Com a intervenção nos Franciscanos da Imaculada, muito provavelmente, motivada sobretudo pela visão crítica ao Concílio que tomava corpo dentro da ordem (que exigia necessariamente a missa tradicional, daí a proibição de ser rezada por eles), o retorno de Mons. Guido Pozzo poderia ser interpretado como uma nova medida em prol da “intocabilidade do Concílio”?

PS.: o blog  continua em recesso.

14 fevereiro, 2013

Aos 45 do segundo tempo.

Fratres in Unum.comFontes seguras dão conta de que Dom Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, teria enviado, no início de janeiro, uma carta a Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, instando-o a aceitar a última versão do “preâmbulo doutrinal”, aprovada em junho do ano passado — aquela com acréscimos de última hora e sem a anuência da Fraternidade, que fizeram com que ela, inclinada inicialmente a aceitar a proposta, revisse sua posição.

O “ultimato” de Dom Müller teria como data limite a festa da Cátedra de São Pedro, no próximo dia 22, e estaria recheado de duras ameaças. O tom conciliador da carta enviada em dezembro por Dom Joseph Augustine di Noia, que também assina o “ultimato”, não durou, portanto, mais do que um mês. Caso não houvesse aceitação por parte da FSSPX como um todo, a Santa Sé faria a proposta de regularização canônica a cada sacerdote pertencente à FSSPX individualmente.

A iniciativa de Müller e Di Noia não considerava, provavelmente, a súbita renúncia pontifícia, que coloca a FSSPX de sobreaviso — ainda mais — contra uma Cúria Romana dilacerada por intrigas.

Em entrevista à rede americana NBC, o irmão de Bento XVI, Monsenhor George Ratzinger, afirmou que dois assuntos em particular afligiam seu irmão: “Dentro da Igreja, muitas coisas aconteceram que geraram problemas, por exemplo, a relação com a Fraternidade Pio [X] ou as irregularidades dentro do Vaticano, onde o mordomo vazou indiscrições”.

Este talvez seja o contexto para interpretar apropriadamente as palavras do Papa em sua última homilia, pronunciada ontem, na Basílica de São Pedro: “Penso em particular nos pecados contra a unidade da Igreja, das divisões no corpo da Igreja. Viver a quaresma de maneira mais intensa e em evidente comunhão eclesial, superando o individualismo e a rivalidade é um sinal humilde e precioso”. ‘Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação’ (2 Cor 6:2). As palavras do Apóstolo Paulo aos cristãos de Corinto ressoam para nós com uma urgência que não permite ausência ou inércia. O termo ‘agora’ é repetido e não pode ser perdido, é oferecido como uma oportunidade única”.

7 fevereiro, 2013

Coando um mosquito e engolindo um camelo.

Suíça: calvinistas sim, lefebvristas não.

Por Padre Guillaume de Tanouarn | Tradução: Fratres in Unum.com – Charles Morerod é dominicano, participou das discussões doutrinais entre a FSSPX e Roma. Posteriormente, foi nomeado bispo de Lausana, Genebra e Friburgo.

Dom Charles Morerod, OP

Dom Charles Morerod

Ele acaba de publicar normas para admissão aos locais de culto, em nome dos “bispos e abades territoriais da Suíça”. Após ter recordado o direito da Igreja (ponto n° 1), ele declara que “outras Igrejas cristãs e comunidades eclesiais” poderão ter acesso aos locais de culto católicos “por razões de necessidade pastoral” (ponto nº 2). No entanto, “religiões não-cristãs” receberiam “uma resposta negativa” — este é o ponto n° 4.

Entre os pontos n° 2 e n° 4, há o ponto n°3 e é aí que mora o problema. Ele trata da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, da qual recorda a ausência de “posição canônica”, bem como de “ministérios legítimos” para seus membros. Logo, poderíamos imaginar que esta Fraternidade seria tratada como outra comunidade eclesial, ou como outra Igreja Cristã — e que seus sacerdotes se beneficiariam do ponto n° 2. Mas não é caso, eles são proibidos de « qualquer serviço sacerdotal » nas igrejas e capelas suíças.

Em termos gerais, Dom Morerod efetua uma hierarquia entre aqueles que não estão em comunhão com Roma. Os tradicionalistas da FSSPX vêm depois de outras comunidades (luteranos, ortodoxos, anglicanos, velhos católicos, calvinistas) e não têm o direito à mesma delicadeza. É o caso de tratá-los não como os irmãos separados, mas como os não-cristãos.

A mão estendida por Bento XVI é uma coisa. Mas na prática, esse desejo de acolher se mostra, de tempos em tempos, menos claro.

21 janeiro, 2013

Carta de Dom Di Noia aos membros da Fraternidade São Pio X.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com

Excelência e caros irmãos Padres da Fraternidade São Pio X,

Nossa recente declaração (28 de outubro de 2012) afirmou em público e com autoridade que as relações da Santa Sé com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X permanecem abertas e esperançosas. Até agora, com exceção de seus pronunciamentos oficiais, a Santa Sé, por diversas razões, absteve-se de corrigir certas afirmações imprecisas a respeito de sua conduta e competência nestas relações. Aproxima-se rapidamente, no entanto, a hora em que, em benefício da verdade, a Santa Sé será obrigada a tratar de algumas dessas imprecisões. São particularmente dolorosas as afirmações que impugnam o múnus e a pessoa do Santo Padre e que, em algum momento, demandariam alguma resposta.

Declarações recentes de pessoas que ocupam posições significantes de autoridade dentro da Fraternidade não podem deixar de causar preocupação sobre as possibilidades reais de reconciliação. Pode-se pensar, em particular, nas entrevistas dadas pelo Superior do Distrito da Alemanha (16 de outubro de 2012), e um recente sermão do Superior Geral (1 de novembro de 2012). O tom e o conteúdo destas intervenções deram causa a uma certa perplexidade sobre a seriedade e, de fato, a própria possibilidade de conversações francas entre nós. Enquanto a Santa Sé espera pacientemente por uma resposta oficial da Fraternidade, alguns de seus superiores empregam uma linguagem, em comunicações extra-oficiais, que a todo o mundo dá a impressão de rejeitar as próprias condições, assumidas como ainda em estudo, que são exigidas para a reconciliação e regularização canônica da Fraternidade dentro da Igreja Católica.

19 janeiro, 2013

Dom Di Noia: retomar o carisma de Dom Lefebvre para superar impasse atual.

O colunista do Le Figaro, Jean-Marie Guénois, traz mais detalhes sobre a carta enviada por Dom Joseph Augustine Di Noia, vice-presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, aos sacerdotes da Fraternidade São Pio X. Apresentamos nossa tradução do trecho mais importante do artigo:

Dom Di Noia e o Papa Bento XVI.

O que diz este documento de oito páginas traduzido do inglês para o francês? Três elementos essenciais: o estado atual das relações, o espírito dessas relações e o método para retomar o diálogo.

A questão do Concílio

O estado atual das relações entre Roma e Ecône é descrito sem retoques por Dom Di Noia. Estas relações permanecem “abertas” e “cheias de esperança”, mesmo se declarações recentes em diferentes níveis da Fraternidade, nos últimos meses, possam colocar isso em dúvida [ndr: é inacreditável, a quem pede um exame de consciência mútuo, a falta de referência às mais desastrosas palavras para esta conturbada relação, que são simplesmente as do novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé].

Quanto aos esforços realizados desde o início do pontificado de Bento XVI para uma reconciliação, eles não mudaram nada, avalia Dom Di Noia por causa do desacordo fundamental que permanece sobre a questão do Concílio. Este americano, um diplomata fino, mas realista, estabelece pela primeira vez a este nível a constatação de um “impasse”, no sentido de que o desacordo fundamental não evoluiu um milímetro.

A segunda parte do documento trata do espírito das relações. Para o autor da carta, é importante transformá-lo, caso contrário, o intercâmbio “amigável” entre as duas entidades pode ser “sem saída”. Como? Inspirado pelos sábios conselhos de Santo Tomás de Aquino, quando se trata de preservar a unidade da Igreja. Evitando o “orgulho, a cólera, a impaciência”. O “desacordo sobre questões fundamentais” não deve excluir o falar das questões disputadas, portanto, com um “espírito de abertura”.

A última parte da carta propõe duas linhas para sair do impasse atual, pois a FSSPX não tem futuro na “autonomia”. Reconhecer, em primeiro lugar – e aqui Roma o faz como nunca havia feito – o “carisma” próprio de Dom Lefebvre e da obra que ele fundou, que é a “formação sacerdotal” e não a “retórica áspera e contraproducente” ou “a de se arrogar a missão de julgar e corrigir a teologia”, ou ainda “de corrigir publicamente os outros na Igreja”. E, a segunda linha — completamente nova, pois recorre a um documento, Donum Veritatis, publicado em 1990 para enquadrar a dissidência de teólogos progressistas!: considerar que é legítimo, na Igreja Católica, ter “divergências” teológicas, mas que essas “objeções” teológicas devem ser expressas internamente, e não em praça pública, para “estimular o magistério” a formular melhor o seu ensino. E não sob a forma de um “magistério paralelo”.