Posts tagged ‘Ecumenismo’

25 janeiro, 2013

Tolerância e paz ou irenismo puro?

Religiosos comemoram dia contra a intolerância religiosa no Rio de Janeiro.

Religiosos comemoram Dia de Combate à Intolerância Religiosa no Rio de Janeiro.

Fratres in Unum.com – Um dia após as comemorações do mártir São Sebastião, padroeiro da cidade, a Arquidiocese do Rio de Janeiro participou das celebrações do Dia Nacional de combate à Intolerância Religiosa, organizadas na Cinelândia, e armou sua tenda junto com as demais religiões para divulgar a Jornada Mundial da Juventude.

Segundo a edição 779 do jornal arquidiocesano “O Testemunho de Fé”, os visitantes que lá estiveram puderam contar com show do padre Omar Raposo — que, não fosse a projeção que o sacerdócio lhe dá, não cantaria nem nos piores dos botecos do Rio –  e a presença do padre Jorge Luis Neves Pereira da Silva, vulgo Padre Jorjão: dupla famosa de admiradores e abençoadores de Oscar Niemeyer, escolas de sambas, novelas das 8 e Fábio de Melo. Ainda segundo o mesmo periódico, “a participação da Igreja Católica no movimento em defesa do respeito e da liberdade religiosa tem sido ampla desde o Concílio Vaticano II, com a publicação, em novembro de 1964, do decreto sobre o ecumenismo Unitatis Redintegratio, e em outubro de 1965, da Declaração Nostra aetate sobre a Igreja e as religiões. Em busca da restauração da unidade entre todos os cristãos e em favor da paz e do amor entre a humanidade, mesmo sem concordar com outras doutrinas, os documentos conciliares reconhecem que todas as manifestações religiosas são expressões da fé e da cultura de cada povo, e, por isso é preciso acolher com respeito todas as religiões. Esse diálogo acontece na perspectiva de ir ao encontro das aflições humanas, comuns a todos os povos, pois é por meio das religiões que os homens procuram resposta aos mais profundos anseios e questionamentos da condição humana.”

E qual seria o propósito de tal evento em uma cidade, para usarmos um eufemismo e não falarmos de apostasia, tão aberta à pluralidade religiosa como o Rio de Janeiro, onde qualquer denominação pode abrir seu templo sossegadamente e onde pessoas dos mais diversos credos podem sair às ruas trajadas segundo suas crenças ou ainda falar publicamente sobre elas? O diácono Nelson Águia, um dos envolvidos, responde: “Nós não vamos ali debater questões dogmáticas, doutrinárias, isso nós deixamos para os teólogos. O que nós queremos é demonstrar ao mundo que as religiões pregam o amor e a fraternidade. E a Igreja Católica, claro, não ficaria fora disso, é uma missão dada por Jesus: ‘amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”.

Resta-nos apenas fazer algumas indagações aos padres da Arquidiocese do Rio de Janeiro: em vista de eventos como esse, poderia um sacerdote da arquidiocese pregar livre e coerentemente, em suas homilias, programas de rádio ou artigos, que a Igreja Católica é a única Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, que as outras religiões não pregam paz e amor, mas o erro, e que levam as almas à perdição eterna? Ou tal pregação seria considerada intolerante? A explanação do “Testemunho de Fé” sobre o Concílio Vaticano II e, mais do que isso, a aplicação dessas idéias no evento irenista da Cinelândia estão de acordo com a “hermenêutica da continuidade”?

Tudo em nome da divulgação da Jornada Mundial da Juventude, evento alardeado com todo dinheiro e estratégias de marketing possíveis e imagináveis, mas que apenas maquia o estado cadavérico do catolicismo no Rio, estado com menor proporção de católicos do Brasil.

Também em Brasília o Dia de Combate à Intolerância Religiosa foi comemorado:

O que se pode esperar do comitê petista fundado na comemoração deste ano, ainda mais com uma ministra que é uma ardorosa defensora dos “direitos humanos”? Trata-se de mais uma de muitas medidas para a perseguição à única religião verdadeira, a Católica. Lamentavelmente, poucos compreendem que “primeiro, a religião que vem do céu é verdade, e é intolerante com relação às doutrinas errôneas; segundo, a religião que vem do céu é caridade, e é cheia de tolerância quanto às pessoas”.

É a esse movimento irênico de implantação de uma religião universal que a Arquidiocese do Rio e outros católicos ingênuos dão, conscientemente ou não, aval.

25 janeiro, 2013

Líder luterano descontente com proposta de ordinariato.

Dom Gerhard Müller: dançou.

Dom Gerhard Müller: dançou.

Por Catholic Culture | Tradução: Fratres in Unum.com - O Secretário Geral da Federação Luterana Mundial expressou sérias preocupações sobre a perspectiva de que o Vaticano possa estabelecer um ordinariato para luteranos ingressarem na Igreja Católica.

Rev. Martin Junge afirmou que a criação de um ordinariato luterano — similar aos ordinariatos anglicanos já erigidos — teria “sérias repercussões ecumênicas” na medida em que isso assinalaria um encorajamento do Vaticano para que luteranos deixassem suas comunidades protestantes. Tal medida, afirmou Rev. Junge, “enviaria um sinal errado às igrejas luteranas”.

Dom Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, levantou a possibilidade de um ordinariato luterano em uma conferência realizada em Roma na semana passada. O arcebispo afirmou que alguns luteranos estariam ansiosos em entrar em plena comunhão com a Igreja Católica, mantendo “as legítimas tradições que eles desenvolveram”.

6 novembro, 2012

Na Alemanha, católicos convidam protestantes para celebrar ecumenicamente os 500 anos da Reforma.

Lubeck (Rádio Vaticano) – O Comitê Central dos Católicos Alemães (ZDK) convidou ontem os protestantes para celebrar de forma ecumênica o quinto centenário da Reforma a ser festejado em 2017. O convite foi feito durante a realizaçãodo Sínodo da Igreja Evangélica na Alemanha (EKD), realizado na cidade de Lubeck.

Falando no Sínodo protestante, o presidente do comitê católico, Alois Glück destacou que “cada vez é mais evidente que existem muito mais coisas em comum do que coisas que separam as duas Igrejas, e que existe uma vontade de continuar a crescer juntos”, refere a Agência Sir. Gluck falou ainda sobre os grandes desafios dos cristãos atualmente, entre os quais “a necessidade da transmissão da fé” e “a nova intolerância em relação às religiões na aparência de uma ideologia secular agressiva”.

Também o presidente do Conselho dos protestantes, Nikolaus Schneider, criticou a difusão de comportamentos críticos e agressivos em relação às religiões, como aquela recente polêmica em relação à cincuncisão. Por outro lado, Schneider destacou as “numerosas atividades sobre a base dos recentes acordos firmados entre a Conferência episcopal alemã e o Conselho dos Católicos em preparação às comemorações em 2017. (JE)

Leia também: Cardeal Koch sobre os 500 anos da Revolução Protestante: “Não podemos comemorar um pecado”.

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17 outubro, 2012

No Sínodo dos Bispos, o “ecumenismo vive!”.

Clergyman e cruz peitoral: Sarah Frances Davis, da Igreja Episcopal Metodista Africana, convidada como "delegada fraterna" para o Sínodo dos Bispos. Créditos: Kronika Novus Ordo.

Clergyman e cruz peitoral: Sarah Frances Davis, da Igreja Episcopal Metodista Africana, convidada como “delegada fraterna” para o Sínodo dos Bispos. Créditos: Kronika Novus Ordo.’

IHU – Antigamente, não havia quase nenhum outro assunto que a Igreja Católica poderia propor e que com muita garantia provocaria temor e tremor nos outros cristãos que a “evangelização”, que geralmente tinha sabor de proselitismo, de competição e de um recuo do ecumenismo – em outras palavras, ir pescar na lagoa de outra pessoa.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio do jornal National Catholic Reporter, 13-10-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Do ponto de vista de muitos ortodoxos, protestantes e anglicanos, uma Igreja Católica “evangelizadora” era vista como uma ameaça.

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11 setembro, 2012

Cardeal Koch responde a manifesto ecumênico.

Dom Kurt Koch

Dom Kurt Koch

Berlim (RV) - “Não podemos realizar já a partir de amanhã a unidade entre as Igrejas porque são muitas as interrogações e questões teológicas que ainda não foram resolvidas”. Foi o que disse à agência Sir o Cardeal Kurt Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos falando do manifesto “Ecumenismo agora! Um só Deus, uma só fé, uma só Igreja”, lançado na semana passada em Berlim, na Alemanha.

Os 23 signatários – na maioria representantes da sociedade civil e políticos – pedem que sejam superadas as divisões entre as Igrejas e lançam um apelo, por ocasião do 50º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II e na perspectiva dos 500 anos da Reforma que se celebrará em 2017. O texto – publicado no site http://www.oekumene-jetzt.de – foi já assinado por outras 1.000 pessoas.

“Como já sublinhou justamente o Presidente da Conferência dos Bispos da Alemanha, o Arcebispo Dom Robert Zollitsch – disse o Cardeal Koch –, eu também estou contente em ver que muitos estãos motivados pela causa ecumênica, que acreditam que a situação ecumênica ainda não chegou ao fim e que devemos continuar a trabalhar para chegar a essa meta. Muitos, portanto, vêem a necessidade do ecumenismo. É necessário, porém, entender que os políticos que assinaram este texto vêem a situação do ponto de vista político. Eu tenho a impressão de que não percebem suficientemente os motivos teológicos da nossa situação”.

“A segunda consideração – prossegue o cardeal – é que não é possível superar a separação entre as Igrejas somente na Alemanha. Este é um apelo em prol da Alemanha e com a Igreja Luterana. Mas a Igreja Católica é uma Igreja presente em todo o mundo por isso todas as outras realidades estão envolvidas nesta situação. Creio que os autores do documento devem ver de modo realista a realidade da Igreja Católica”.

Enfim o Cardeal Koch acrescentou : “É triste que alguem acredite que os problemas teológicos tenham sido resolvidos e que portanto é o governo da Igreja que não quer a unidade. Porque isso não é verdade: os problemas existem e pedem para ser resolvidos”. No manifesto, os signatários destacam: “em ambas as Igrejas há uma grande nostalgia de unidade, se sofrem as consequências da divisão”. E convidando os líderes das Igrejas a progredirem no caminho ecumênico concluem: “como cristãos no país da Reforma sentimos um responsabilidade particular de dar sinais concretos e de colaborar a fim de que se possa viver uma fé comum também em uma Igreja comum”. (SP)

5 setembro, 2012

Bento XVI, uma síntese purificadora com os luteranos (na fé).

Por Paolo Rodari | Tradução: Gederson Falcometa

Uma ligação entre católicos e protestantes existe e se chama Martinho Lutero. “Não seria, talvez, o monge agostiniano de Erfurt [a figura] a desenvolver esta função entre as nossas igrejas, já que ele pertence a ambas?”, perguntou há um ano o presidente do conselho da igreja evangélica alemã, Nikolaus Schneider, poucas horas depois da participação de Bento XVI, na cidade onde Lutero viveu de 1505 a 1511, em uma celebração ecumênica. O Papa não tinha razões para pensar demais. Para ele era e é assim, e o demonstrou, poucas horas atrás, encerrando, em Castel Gandolfo, a edição 2012 do “Ratzinger Schülerkreis”, o seminário com os seus ex-alunos dedicado neste ano às  relações entre católicos e protestantes a partir do livro do Cardeal Walter Kasper “Raccogliere i frutti” [“Colher os frutos”], uma suma das relações entre as igrejas cristãs. A ideia que o Papa colocou em campo é uma: purificar a memória. Disse o religioso salvatoriano Stephan Horn, presidente do “Ratzinger Schülerkreis”: “Em Castel Gandolfo foi desenvolvida a ideia de um ‘mea culpa’ de ambas as partes. O Papa sempre teve a ideia de que esta purificação fosse necessária. Os fatos históricos não podem ser apagados, porém, a diferença está em como olhá-los: apagar o ódio desses conflitos é uma verdadeira cura”.

Já Kasper tinha meditado longamente sobre esta ideia. Da mesma forma o seu sucessor na cúria romana, o Cardeal suíço de língua alemã Kurt Koch, que, todavia, não deixou de sublinhar que esta purificação deve ser uma “estrada de mão dupla. Também os evangélicos devem explicar como veem, hoje, a Reforma do Século XVI; se como uma continuidade em relação àquela época, ou se como uma ruptura”. Mas, nesse meio tempo, as etapas já estão programadas: em 2017 acontecerá o 500º aniversário da Reforma, uma ocasião tentadora para um duplo “mea culpa”, prelúdio de uma nova era. Disse recentemente Schneider: “Talvez não nos seja dada uma reabilitação formal, mas uma reavaliação, de fato, da figura de Lutero, como ouvimos muito claramente da boca do Papa em Erfurt. Seria fantástico se houvesse também uma reavaliação de sua teologia”.

Para Ratzinger, o ecumenismo nunca foi a procura do mínimo denominador comum, uma espécie de “sincretismo sob a bandeira da uniformidade”, como estigmatizou Kasper, mas um retorno ao essencial, a “aquilo que nos une”, disse em Erfurt, isto é, àquele “questionamento sobre Deus” que foi central também na vida de Lutero, a questão sobre quem seja Deus e quem seja o homem diante dele. Porque, “basicamente”, disse o historiador Alberto Melloni, “o agostiniano Ratzinger vive diante de Deus o mesmo drama que viveu Lutero. E aqui católicos e luteranos podem voltar a se encontrar”.

Ratzinger, sobretudo como Cardeal Prefeito [da Congregação para a Doutrina da Fé], trabalhou para a recomposição das divisões. Seu ato mais decisivo foi o impulso para a assinatura da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação, de 31 de outubro de 1999, na qual a Igreja Católica e a Federação Luterana concordam sobre um ponto: o homem depende inteiramente da graça salvífica de Deus para a sua salvação.

Uma declaração que limou as diferenças e que, exatamente por isso, foi muito criticada, seja “pela direita” ou por quem a considerou conciliadora para com os luteranos, seja “pela esquerda”, Hans Küng, que acusou Ratzinger de ter feito um compromisso com a parte mais conservadora do luteranismo. Mas, para Ratzinger, a raiz entre as duas igrejas está viva, é necessário apenas reconhecê-la, precisamente purificá-la. É o conceito que expressou o Cardeal Johannes Willebrands, ex-presidente da Unidade dos Cristãos, em 1980, por ocasião do aniversário da Confissão Augustana. E não importa se, como recordou o próprio Ratzinger, “o Cardeal Hermann Volk fez, ao mesmo tempo humorística e seriamente, esta pergunta: ‘Gostaria de saber se, no exemplo do qual Willebrands fala, se trata de uma batata ou de uma macieira. Em outras palavras, o que surgiu da raiz são apenas folhas ou é justamente o mais importante, isto é, a árvore?”.

29 agosto, 2012

Ecumenismo será tema do encontro do Papa com seus ex-alunos.

Canção Nova Notícias – A partir de quinta-feira, 30, até segunda, 3, os ex-alunos do professor Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, se reunirão para o tradicional encontro anual de verão, em Castel Gandolfo. O grupo é formado por docentes religiosos e leigos que discutiram teses nos anos em que Bento XVI foi professor.

O encontro deste ano terá como tema “Resultados ecumênicos e questões de diálogo com o Luteranismo e o Anglicanismo”, e será inspirado no livro do presidente emérito do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Cardeal Walter Kasper,.

Os participantes serão acolhidos na manhã de sábado pelo Papa, que participará do dia de trabalhos. No domingo, 2, o grupo estará no pátio da residência, para a oração do Angelus. O encontro se encerrará oficialmente na segunda-feira, 3, depois da celebração da missa.

A 36ª edição do encontro terá a presença, dentre outros, do presidente da Conferência Episcopal Austríaca, Cardeal Christoph Schoenborn, e do presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Ecumênico, Cardeal Kurt Koch. Também estará lá o representante evangélico Ulrich Wilckens, que traduziu e comentou o Novo Testamento e cujas obras têm grande importância para o ecumenismo.

O primeiro encontro do então professor Ratzinger com seus doutorandos foi depois de sua nomeação como arcebispo de Munique e Frisinga, em 1977. Desde então, o evento se repete a cada ano, centrado em um tema escolhido pelo Pontífice dentre uma série de propostas.

22 junho, 2012

Cardeal Koch sobre os 500 anos da Revolução Protestante: “Não podemos comemorar um pecado”.

“Os acontecimentos que dividem a Igreja não podem ser considerados como um dia de festa”.

Fratres in Unum.com | Com informações da Diocese de Münster e Juanjo Romero - O responsável pelo ecumenismo no Vaticano “chutou o balde”. Em 2017, comemora-se os 500 anos da Reforma Protestante. Comemora-se? Segundo o Cardeal Kurt Koch (foto), Prefeito do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, “não podemos comemorar um pecado”.

Em um ambiente embebido no politicamente correto das últimas décadas, surpreende ouvir um Cardeal — ainda mais o responsável pelo ecumenismo — falando assim, sem papas na língua. Ele sabe disso, e reconhece o risco de ser considerado “anti-ecumênico”. Mas vai adiante: “Os acontecimentos que dividem a Igreja não podem ser considerados como um dia de festa”.

Koch afirmou ainda que desejava assistir, em memória do acontecimento, a uma reunião das confissões reformadas seguindo o exemplo dado por João Paulo II, em 2000, isto é, pedindo desculpas e reconhecendo seus erros, condenando, ao mesmo tempo, as divisões na Cristandade.

A resposta não tardou. A comissionada do Conselho da Igreja Evangélica da Alemanha para o Jubileu de 2017 não quis diálogo nenhum. Esbravejou: “A Reforma Protestante não é nosso pecado, mas uma reforma da Igreja urgente e necessária do ponto de vista bíblico, na qual defendemos a liberdade evangélica; não temos que nos confessar culpáveis de nada”.

Bem, as palavras da filha de Lutero demonstram o que qualquer Católico já sabe. No “caminho ecumênico” só há uma culpada, a Santa Igreja Católica, e só a Ela são feitas exigências.

8 março, 2012

Nova etapa da viagem ecumênica.

Bento XVI e Rowan Williams vão rezar juntos novamente em Roma.

Dr. Rowan Williams.

Dr. Rowan Williams.

IHU – O Dr. Rowan Williams, arcebispo de Cantuária e primaz da Comunhão Anglicana, estará em Roma no próximo final de semana, por ocasião do milênio da fundação do eremitério dos Camaldulenses, em Toscana. Há séculos, a Comunhão Anglicana estabelece relações permanentes com esta ordem religiosa, que alia o eremitismo e a regra beneditina.

A reportagem está publicada no sítio do jornal francês La Croix, 07-03-2012. A tradução é do Cepat.

Em Roma, os Camaldulenses estão presentes na Basílica de São Gregório Magno. Em 596, o Papa Gregório o Grande, cuja memória a Igreja celebra no próximo domingo, dia 11 de março, enviou à Inglaterra, desde esta basílica, um grupo de 40 monges beneditinos, entre os quais se encontrava Agostinho, que se tornaria o primeiro bispo de Cantuária. Às 17h30 do sábado, dia 10, o Dr. Williams irá celebrar as vésperas com Bento XVI nesta basílica, que é agora o ponto de encontro dos peregrinos anglicanos em Roma, e o primaz e o papa deverão, nesta oportunidade, pronunciar dois importantes discursos.

“Trata-se de continuar o diálogo entre as Igrejas católica e anglicana”, analisa o Pe. Robert Byrne, responsável pelo diálogo ecumênico na Conferência dos Bispos da Inglaterra e País de Gales. Ele ressalta que, “apesar das óbvias diferenças de fé e de opinião entre as duas Igrejas, uma e outra estão determinadas a continuar a viagem ecumênica rumo ao futuro. Esta visita a Roma do arcebispo da Cantuária é um novo exemplo das relações aquecidas que continuam a se desenvolver entre as duas Igrejas”.

Durante sua visita a Londres, em 17 de setembro de 2010, Bento XVI entrou, pela primeira vez, no Lambeth Palace, residência do primaz da Comunhão Anglicana. Os dois líderes deram longas e calorosas manifestações de afeto.

Outra manifestação do calor nas relações entre Roma e Cantuária: o coro da Capela Sixtina unirá suas vozes, pela primeira na sua história, às do coro da Abadia de Westminster, na Basílica de São Pedro em Roma por ocasião da festa dos Santos Pedro e Paulo, nos dias 28 e 29 de junho próximo.

28 janeiro, 2012

Uma profunda crise de fé, o Vaticano II e o diálogo ecumênico. Discurso do Papa à Congregação para a Doutrina da Fé.

Como sabemos, em muitas partes da terra, a fé corre o perigo de se apagar como uma chama que não encontra mais alimento. Estamos diante de uma profunda crise de fé, uma perda do sentido religioso que constitui o mais importante dever da Igreja de hoje. O renovamento da fé deve, portanto, ser a prioridade no empenho da Igreja inteira para os nossos dias.

[…]

A coerência do empenho ecumênico com o ensinamento do Concílio Vaticano II e com toda a Tradição foi um dos âmbitos no qual a Congregação, em colaboração com o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, sempre prestou atenção. Hoje podemos constar não poucos bons frutos arrecadados pelos diálogos ecumênicos, mas devemos também reconhecer que o risco de um falso irenismo [atitude de compreensão e caridade, adotada entre os cristãos de diferentes credos] e de um indiferentismo, totalmente contrário ao espírito do Concílio Vaticano II, algo que exige nossa vigilância.

Tal indiferentismo é causado pela opinião sempre mais difusa que a verdade não seria acessível ao homem; seria, portanto, necessário limitar-se a encontrar regras para uma prática capaz de melhorar o mundo. Assim, a fé seria constituída de um moralismo sem fundamento profundo. O centro do verdadeiro ecumenismo é, em vez, a fé na qual o homem encontra a verdade que se revela na Palavra de Deus.

Sem a fé, todos os movimentos ecumênicos seriam reduzidos a uma forma de “contrato social”, que adere a um interesse comum.

A lógica do Concílio Vaticano II é completamente diferente: a busca sincera da plena unidade de todos os cristãos é um dinamismo animado pela Palavra de Deus.

O problema crucial, que marca de modo transversal os diálogos ecumênicos, é a questão da estrutura da revelação – a relação entra a Sagrada Escritura, tradição viva na Santa Igreja, e o ministério dos sucessores dos Apóstolos como testemunhas da verdadeira fé.

É fundamental o discernimento entra a Tradição e tradições. Um importante passo para tal discernimento foi tomado na preparação e implementação de medidas para os grupos de fiéis provenientes do Anglicanismo, que desejam entrar em plena comunhão com a Igreja, conservando as próprias tradições espirituais, litúrgicas e pastorais, que estão em conformidade com a fé católica (cfr Const. Anglicanorum coetibus, art. III). Existe, de fato, uma riqueza espiritual nas diversas Denominações cristãs, que expressam uma única fé e dom a se compartilhar.

Hoje, então, uma das questões fundamentais é constituída pela problemática dos métodos adotados nos vários diálogos ecumênicos.

Também esses devem refletir a prioridade da fé. Conhecer a verdade é o direito do interlocutor de cada verdadeiro diálogo. É a mesma exigência da caridade para com o irmão. Neste sentido, ocorre afrontar com coragem também as questões controversas, sempre num espírito de fraternidade e respeito recíproco.

É importante ainda oferecer uma interpretação correta daquela “ordem ou ‘hierarquia’ na verdade da doutrina católica” encontrada no Decreto Unitatis redintegratio (n. 11), que não significa de modo algum reduzir o depósito da fé, mas trazer para fora a estrutura interna. Têm também grande relevância os documentos de estudo, produtos dos vários diálogos ecumênicos. Tais textos não podem ser ignorados, porque constituem um fruto importante, embora temporário, da reflexão comum amadurecida pelos anos.

Contudo, eles são reconhecidos pelo seu verdadeiro significado como contribuições oferecidas às autoridades competentes da Igreja, que é chamada a julgá-los de modo definitivo. Atribuir a estes textos um peso relevante ou quase conclusivo das questões espinhosas dos diálogos, sem uma avaliação adequada por parte das Autoridades eclesiais, em última análise, não ajudaria no caminho verso a plena unidade na fé.

Uma última questão que gostaria finalmente mencionar é a problemática moral, que constitui um novo desafio para o caminho ecumênico. Nos diálogos não podemos ignorar as grandes questões morais que certam a vida humana, a família, a sexualidade, a bioética, a justiça e a paz.

Seria importante falar sobre estes temas com uma só voz, elaboradas com fundamento na Escritura e na vida da tradição da Igreja. Esta tradição nos ajuda a decifrar a linguagem do Criador em Sua criação. Defendendo os valores fundamentais da grande tradição da Igreja, defendemos o homem, defendemos o criado.

Discurso do Papa Bento XVI à plenária da Congregação para a Doutrina da Fé – 27 de janeiro de 2012.

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