Posts tagged ‘Ecumenismo’

29 janeiro, 2015

«O Sínodo pan-ortodoxo não será como o Vaticano II, mas existe um grande desejo de unidade».

O teólogo e metropolita Ioanniz Zizioulas, que recebeu o doutorado «honoris causa» na Faculdade Teológica de Milão: os teólogos que no passado nos dividiram agora nos devem unir.

Por Andrea Tornielli – Vatican Insider | Tradução: Marcos Fleurer – Fratres in Unum.com«O Sínodo pan-ortodoxo será dedicado à solução de alguns problemas internos das Igrejas ortodoxas. A Igreja Católica, com o Concílio Vaticano II, tinha maiores ambições. Mas o desejo de unidade é muito forte».

Iohannis Zizioulas

Disse o metropolita Iohannis Zizioulas, um dos teólogos vivos mais importantes, dialogando com o Vatican Insider por ocasião da cerimônia na qual recebeu o doutorado «honoris causa» por parte da Universidade Católica de Milão, conferido pelo Cardeal Arcebispo da cidade, Angelo Scola, na qualidade de chanceler da Faculdade teológica. «É um privilégio poder presidir este solene ato acadêmico – disse Scola. Que seja uma expressão a mais do caminho comum em que estamos comprometidos. O gesto que estamos levando a cabo documenta a impossibilidade de estudar teologia sem a presença de mestres e de uma escola». Zizioulas pronunciou uma «lectio magistralis» dedicada ao valor da pessoa humana que deriva da Trindade. Foi uma conferência exemplar tanto por sua profundidade como pela claridade da exposição.

Eminência, pode explicar qual é o objetivo do Sínodo pan-ortodoxo que se celebrará em Istambul em 2016?

«O resultado mais importante, antes de tudo, é realizar este Sínodo. Porque durante mais de mil anos não temos realizado um Sínodo pan-ortodoxo. O evento em si mesmo é verdadeiramente importante. Em segundo lugar, devemos resolver alguns problemas internos: encontrar acordos sobre alguns problemas canônicos relacionados com nossas Igrejas, a autocefalia, a autonomia, etc… E, em terceiro lugar, teremos que nos expressar sobre o estado no qual se encontram as relações entre os cristãos e sobre os problemas do mundo moderno, relacionados, por exemplo, ao ser humano. Estamos preparando agora os documentos para o Sínodo de 2016. Este é o objetivo.»

É possível comparar o próximo Sínodo pan-ortodoxo com o Concílio Vaticano II, com tudo o que este último representou para a historia da Igreja Católica?

« O Concílio Vaticano II tinha ambições maiores em relação às nossas; nós temos objetivos muito mais modestos e não tomaremos decisões dogmáticas. O Vaticano II, pelo contrário, assumiu decisões dogmáticas. Nós nos limitaremos e concentraremos nisso: em resolver alguns problemas internos, específicos, que afetam as Igrejas ortodoxas, e também tomar uma posição frente a situação do mundo atual. E nada mais.»

Então, não se discutirá sobre o tema do primado do bispo de Roma…

«Esta é uma discussão ainda aberta no diálogo teológico oficial entre os católicos e os ortodoxos; estamos esperando os resultados deste diálogo, e o Sínodo não poderá dizer nada oficial a respeito. Mas, obviamente, o Sínodo animará a prossecução deste diálogo. Esperamos ter outro Sínodo pan-ortodoxo dedicado a este tema específico.»

Na recente viagem do Papa Francisco a Istambul, na visita ao Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, as palavras de ambos deixaram evidente o caminho percorrido e também o profundo desejo de unidade. Mas não faltaram algumas resistências internas…

«Creio que o desejo de caminhar a passos velozes para a unidade é verdadeiramente forte. Mas os teólogos nos dividiram no passado, e agora nos devem unir; não podemos seguir sem eles. Devemos esperar que os teólogos encontrem um acordo…»

Então, o senhor não concorda a brincadeira que fez o Patriarca Atenágoras a Paulo VI,  e que resgatou o Papa Francisco: «Ponhamos a todos os teólogos em uma ilha para que pensem. E nós seguiremos sozinhos em adiante»?

«Não é possível; devemos seguir estudando e dialogando, mas ao mesmo tempo seguir nos aproximando uns dos outros, para que nossos fiéis estejam unidos entre si antes que os teólogos, e isso já está acontecendo.

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28 janeiro, 2015

Apologética? Proselitismo? Conversão dos dissidentes? Não é bem assim…

E agora senhores bem-intencionados conservadores, é a mídia malvada quem está deturpando as palavras do Santo Padre e forjando uma ruptura inexistente em relação ao Magistério Pré-Conciliar ou será que algo não foi bem traduzido pelo serviço de informação do Vaticano? Será que doravante o sentido oficial da unidade dos cristãos será tão somente a união das diversas denominações cristãs em prol da “paz” e da “cultura do encontro”? Mas, esperem um pouco, como fica aquele documentozinho do Papa Pio XI em face a essa mudança de rumo?

Trechos selecionados da Carta Encíclica Mortalium Animos do Papa Pio XI:

Católicos conservadores e o difícil exercício de conversar sobre a crise na Igreja.

Católicos conservadores e o difícil exercício de conversar sobre a crise na Igreja.

“Assim sendo, é manifestamente claro que a Santa Sé, não pode, de modo algum, participar de suas assembléias e que, aos católicos, de nenhum modo é lícito aprovar ou contribuir para estas iniciativas: se o fizerem concederão autoridade a uma falsa religião cristã, sobremaneira alheia à única Igreja de Cristo.”

 “Assim, Veneráveis Irmãos, é clara a razão pela qual esta Sé Apostólica nunca permitiu aos seus estarem presentes às reuniões de acatólicos por quanto não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo, dado que outrora, infelizmente, eles se apartaram dela.”

 “Assim, de que vale excogitar no espírito uma certa Federação cristã, na qual ao ingressar ou então quando se tratar do objeto da fé, cada qual retenha a sua maneira de pensar e de sentir, embora ela seja repugnante às opiniões dos outros?

E de que modo pedirmos que participem de um só e mesmo Conselho homens que se distanciam por sentenças contrárias como, por exemplo, os que afirmam e os que negam ser a sagrada Tradição uma fonte genuína da Revelação Divina?

Como os que adoram a Cristo realmente presente na Santíssima Eucaristia, por aquela admirável conversão do pão e do vinho que se chama transubstanciação e os que afirmam que, somente pela fé ou por sinal e em virtude do Sacramento, aí está presente o Corpo de Cristo?

Como os que reconhecem nela a natureza do Sacrifício e a do Sacramento e os que dizem que ela não é senão a memória ou comemoração da Ceia do Senhor?

Como os que crêem ser bom e útil invocar súplice os Santos que reinam junto de Cristo – Maria, Mãe de Deus, em primeiro lugar – e tributar veneração às suas imagens e os que contestam que não pode ser admitido semelhante culto, por ser contrário à honra de Jesus Cristo, “único mediador de Deus e dos homens”? (1 Tim 2, 5).”

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CELEBRAÇÃO DAS VÉSPERAS
NA SOLENIDADE DA CONVERSÃO DE SÃO PAULO APÓSTOLO

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

Basílica de São Paulo Extra-muros
Domingo, 25 de Janeiro de 2015

[Encerramento da Semana anual de Oração pela Unidade dos Cristãos (18 a 25 de janeiro)]

Na sua viagem da Judeia para a Galileia, Jesus passa através da Samaria. Não tem dificuldade em encontrar os samaritanos considerados hereges, cismáticos, separados dos judeus. A sua atitude leva-nos compreender que o confronto com quem é diferente de nós pode fazer-nos crescer.

Jesus, cansado da viagem, não hesita em pedir de beber à mulher samaritana. Sabemos que a sua sede estende-se muito para além da água física: é também sede de encontro, desejo de abrir diálogo com aquela mulher, oferecendo-lhe assim a possibilidade de um caminho de conversão interior. Jesus é paciente, respeita a pessoa que tem à sua frente, revela-Se-lhe progressivamente. O seu exemplo encoraja a procurar um confronto sereno com o outro. As pessoas, para se compreenderem e crescerem na caridade e na verdade, precisam de se deter, acolher e escutar. Desta forma, começa-se já a experimentar a unidade. A unidade faz-se a caminho, jamais se fará parados. A unidade faz-se caminhando.

Tara Curlewis, Secretária Geral do Conselho Nacional das igrejas da Austrália, espera a chegada do Papa Francisco por ocasião das vésperas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma, domingo, 25 de janeiro de 2015. Foto: ClickVaticano.

Tara Curlewis, Secretária Geral do Conselho Nacional das igrejas da Austrália, espera a chegada do Papa Francisco por ocasião das vésperas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma, domingo, 25 de janeiro de 2015. Foto: ClickVaticano.

A mulher de Sicar interpela Jesus sobre o verdadeiro lugar da adoração a Deus. Jesus não toma partido em favor do monte nem do templo, vai mais além, vai ao essencial derrubando todo o muro de separação. Remete para a verdade da adoração: «Deus é espírito; por isso, os que O adoram devem adorá-Lo em espírito e verdade» (Jo 4, 24). É possível superar muitas controvérsias entre cristãos, herdadas do passado, pondo de lado qualquer atitude polémica ou apologética e procurando, juntos, individuar em profundidade aquilo que nos une, ou seja, a chamada a participar no mistério de amor do Pai, que nos foi revelado pelo Filho através do Espírito Santo. A unidade dos cristãos – é nossa convicção – não será o fruto de sofisticadas discussões teóricas, onde cada um tenta convencer o outro da justeza das suas opiniões. Virá o Filho do Homem e encontrar-nos-á ainda nas discussões. Temos de reconhecer que, para se chegar à profundeza do mistério de Deus, precisamos uns dos outros, encontrando-nos e confrontando-nos sob a guia do Espírito Santo, que harmoniza as diversidades e supera os conflitos, reconcilia as diversidades.

Pouco a pouco, a mulher samaritana compreende que Aquele que lhe pediu de beber é capaz de a saciar. Jesus apresenta-Se-lhe como a fonte donde jorra a água viva que mata a sua sede para sempre (cf. Jo 4, 13-14). A existência humana revela aspirações ilimitadas: busca de verdade, sede de amor, de justiça e de liberdade. Trata-se de desejos apenas parcialmente saciados, porque o homem, do fundo do seu próprio ser, é movido para um «mais», um absoluto capaz de satisfazer definitivamente a sua sede. A resposta a estas aspirações é dada por Deus em Jesus Cristo, no seu mistério pascal. Do lado trespassado de Jesus, jorraram sangue e água (cf. Jo 19, 34): Ele é a fonte donde brota a água do Espírito Santo, isto é, «o amor de Deus derramado nos nossos corações» (Rm 5, 5) no dia do Baptismo. Por acção do Espírito, tornamo-nos um só com Cristo, filhos no Filho, verdadeiros adoradores do Pai. Este mistério de amor é a razão mais profunda da unidade que liga todos os cristãos e que é muito maior do que as divisões ocorridas no decurso da história. Por este motivo, na medida em que nos aproximamos humildemente do Senhor Jesus Cristo, acontece também a aproximação entre nós.

O encontro com Jesus transforma a samaritana numa missionária. Tendo recebido um dom maior e mais importante do que a água do poço, a mulher deixa lá o seu cântaro (cf. Jo 4, 28) e corre a contar aos seus compatriotas que encontrou o Messias (cf. Jo 4, 29). O encontro com Ele restituiu-lhe o significado e a alegria de viver, e a mulher sente o desejo de comunicá-lo. Hoje, há uma multidão de homens e mulheres, cansados e sedentos, que nos pedem, a nós cristãos, para lhes dar de beber. É um pedido a que não nos podemos subtrair. Na chamada a ser evangelizadores, todas as Igrejas e Comunidades eclesiais encontram uma área essencial para uma colaboração mais estreita. Para se poder cumprir eficazmente esta tarefa, é preciso evitar de fechar-se em particularismos e exclusivismos e também de impor uniformidade segundo planos meramente humanos (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 131). O compromisso comum de anunciar o Evangelho permite superar qualquer forma de proselitismo e a tentação da competição. Estamos todos ao serviço do único e mesmo Evangelho!

E, neste momento de oração pela unidade, quero recordar os nossos mártires de hoje. Dão testemunho de Jesus Cristo; são perseguidos e mortos, porque cristãos, sem que os perseguidores façam distinção entre as confissões a que pertencem: são cristãos e, por isso, são perseguidos. Isto, irmãos e irmãs, é o ecumenismo do sangue.

Recordando este testemunho dos nossos mártires de hoje e com esta jubilosa certeza, dirijo as minhas cordiais e fraternas saudações a Sua Eminência o Metropolita Gennadios, representante do Patriarcado Ecuménico, a Sua Graça David Moxon, representante pessoal em Roma do Arcebispo de Cantuária, e a todos os representantes das diversas Igrejas e Comunidades eclesiais aqui congregados na Festa da Conversão de São Paulo. Além disso, saúdo com grande prazer os membros da Comissão Mista para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas Orientais, aos quais desejo um frutuoso trabalho na sessão plenária que terá lugar em Roma nos próximos dias. Saúdo também os alunos do Ecumenical Institute of Bossey e os jovens que beneficiam de bolsas de estudo oferecidas pelo Comité de Colaboração Cultural com as Igrejas Ortodoxas, operativo no Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Hoje estão presentes também religiosos e religiosas pertencentes a diferentes Igrejas e Comunidades eclesiais que, nestes dias, participaram num convénio ecuménico organizado pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, em colaboração com o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, por ocasião do Ano da vida consagrada. A vida religiosa, como profecia do mundo futuro, é chamada a dar testemunho, no nosso tempo, daquela comunhão em Cristo que ultrapassa toda a diferença e é feita de opções concretas de recepção e diálogo. Consequentemente, a busca da unidade dos cristãos não pode ser prerrogativa apenas de qualquer indivíduo ou comunidade religiosa particularmente sensível a tal problemática. O conhecimento recíproco das diferentes tradições de vida consagrada e um fecundo intercâmbio de experiências podem ser úteis para a vitalidade de toda a forma de vida religiosa nas diferentes Igrejas e Comunidades eclesiais.

Amados irmãos e irmãs, hoje nós, que estamos sedentos de paz e fraternidade, com coração confiante invocamos do Pai celeste, por meio de Jesus Cristo único Sacerdote e Mediador e por intercessão da Virgem Maria, do Apóstolo Paulo e de todos os Santos, o dom da comunhão plena de todos os cristãos, a fim de que possa resplandecer «o sagrado mistério da unidade da Igreja» (Conc. Ecum. Vat. II, Decr. sobre o Ecumenismo Unitatis redintegratio, 2) como sinal e instrumento de reconciliação para o mundo inteiro. Assim seja.

15 janeiro, 2015

Os preparativos para a celebração ecumênica dos 500 anos da Reforma, em 2017.

Cidade do Vaticano (Rádio Vaticano) – Em 2017, luteranos e católicos vão celebrar juntos os quinhentos anos da Reforma Protestante e recordar com alegria os cinquenta anos de diálogo ecumênico oficial conduzido a nível mundial, na esteira do Concílio Vaticano II.

A Comissão Internacional de Diálogo Luterano-católica pela Unidade, já há alguns anos organizou uma programação com vistas a uma possível declaração comum por ocasião do ano da comemoração da Reforma, em 2017. Nos últimos ciquenta anos, o diálogo ecumênico realizou grandes esforços buscando relacionar a teologia dos reformadores às decisões do Concílio de Trento e do Vaticano II, avaliando se as respectivas posições se excluem ou se completam mutuamente.

Em 2013, a Comissão de diálogo publicou o documento intitulado ‘From Conflict to Communion. Lutheran Catholic Commom Commemoration of the Reformation in 2017′, onde após uma detalhada introdução sobre as comemorações comuns, dedica dois capítulos à apresentação dos eventos da Reforma, resume a teologia de Martin Lutero e ilustra as resoluções do Concílio de Trento. A conclusão do documento apresenta um resumo das principais decisões comuns da Comissão de Diálogo Luterano-católico em 1967, particularmente sobre a justificação, a Eucaristia, as Escrituras e a Tradição.

O documento sobre os preparativos às comemorações, foi apresentado em 17 de junho de 2013 durante uma coletiva de imprensa realizada do Centro Ecumênico de Genebra, e contou com a presença, entre outros, do Presidente e Secretário da Federação Luterana Mundial (FLM), de Dom Munib Youan e do Cardeal Kurt Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Lançando uma nova luz sobre questões centrais da fé, o documento ecumênico possibilita a superação das controvérsias dos séculos passados e lança bases para uma reflexão ecumênica que se distinga do pensamento dos séculos precedentes, convidando assim os cristãos a considerar esta relação com espírito aberto, mas também crítico, para se avançar ainda mais no caminho da plena e visível unidade da Igreja.

Na primeira metade de 2014 deverá ser publicado o documento “Alegria partilhada pelo Evangelho, confissão dos pecados cometidos contra a unidade e testemunho comum para no mundo de hoje”, com textos e subsídios para uma oração ecumênica comum. Os textos foram preparados por um grupo de trabalho litúrgico formado por representantes da FLM e do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade.

Em 2017, o contexto histórico em que se recordará os 500 anos da Reforma é muito diferente do período em que ela foi implementada. A comemoração será realizada, pela primeira vez, numa época ecumênica. Assim, católicos e luteranos não pretendem festejar a divisão da Igreja, mas sim, trazer à memória o pensamento teológico e os acontecimentos relacionados à Reforma, precisamente o que escreve o Documento ‘Do conflito à Comunhão’, publicado em 2013.

O caminhar da história, tem levado luteranos e católicos a tornarem-se sempre mais conscientes de que a origem de acusações recíprocas não subsiste mais, mesmo que ainda não exista um consenso em todas as questões teológicas. Neste sentido, o documento “Do Conflito a Comunhão” conclui propondo cinco imperativos que exortam católicos e luteranos a prosseguirem no caminho em direção a uma profunda comunhão.

Diversos encontros realizados em 2013 marcaram esforços comuns com o objetivo de estreitar o diálogo, com reuniões entre o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e a Conferência dos Bispos veterocatólicos da União de Ultrecht, realizadas em Konigswinter, em julho de 2013 e em Paderbon, em dezembro. As Comissões de ambas as partes continuam os trabalhos sobre os temas: a relação entre a Igreja universal e a Igreja local e o papel do ministério petrino; e a comunhão eucarística.

Em fevereiro do mesmo ano, realizou-se em Viena o primeiro encontro entre a Comunidade das Igrejas Protestantes na Europa e o Pontifício Conselho, o que levou a reflexões sobre o conceito de Igreja e definições do objetivo ecumênico. Encontros sucessivos realizaram-se em Heidelberg e Ludwigshafen am Rhein, com a participação sete teólogos de ambas as partes.

Em 2013, diversas delegações luteranos encontraram-se com o Papa Francisco. Em 2014, uma delegação do Conselho da Igreja Protestante da Alemanha foi recebida em 8 de abril pelo Papa Francisco, encontrando-se sucessivamente com o Cardeal Koch. (JE)

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Palavras do Papa Francisco a uma delegação luterana alemã – 18 de dezembro de 2014:

Hoje em dia, o diálogo ecuménico já não pode ser separado da realidade e da vida das nossas Igrejas. Em 2017 os cristãos luteranos e católicos comemorarão conjuntamente o quinto centenário da Reforma. Em tal circunstância, pela primeira vez luteranos e católicos terão a possibilidade de compartilhar uma mesma celebração ecuménica no mundo inteiro, e não sob a forma de uma comemoração triunfalista, mas como profissão da nossa fé comum no Deus Uno e Trino. Por conseguinte, no centro deste acontecimento encontrar-se-ão a oração comum e o íntimo pedido de perdão, dirigidos ao Senhor Jesus Cristo pelas culpas mútuas, juntamente com a alegria de percorrer um caminho ecuménico compartilhado. É a isto que se refere de maneira significativa o documento elaborado pela Comissão luterano-católica para a unidade, publicado no ano passado e intitulado: «Desde o conflito até à comunhão. A comemoração comum luterano-católica da Reforma em 2017». Possa esta comemoração da Reforma encorajar-nos todos a dar, com a ajuda de Deus e o auxílio do seu Espírito, ulteriores passos rumo à unidade, e a não nos limitarmos simplesmente àquilo que nós já conseguimos alcançar.

20 dezembro, 2014

Melhor unidos do que “Uniatas”. Com os Ortodoxos, Francisco quer mudar de rumo.

Por Sandro Magister | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: No vôo de regresso de Constantinopla a Roma, ao ser interpelado por um importante jornalista russo, Papa Francisco fez uma piada que não é imediatamente compreensível por aqueles não familiarizados:

“Eu vou dizer uma coisa que talvez alguém não consegue entender, mas… As Igrejas Orientais católicas têm o direito de existir, é verdade. Mas uniatismo é uma palavra de uma outra época. Hoje não se pode falar assim. Deve-se encontrar um outro meio”.

Para entender o significado dessa piada vem em socorro a nota abaixo.

O autor ensina história da Igreja Ortodoxa na Universidade Estatal de Bolonha e na Faculdade de Teologia de Emilia Romagna. É diácono e preside a Comissão para o  Ecumenismo da Arquidiocese de Bolonha.
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“PALAVRA DE UMA OUTRA ÉPOCA”

Por Enrico Morini

“Uniatismo” é uma palavra feia, embora seja um termo já consagrado pelo uso e difícil de ser desprezado. A alternativa correta seria na verdade uma paráfrase: “Cristãos orientais unidos a Roma”. A expressão foi cunhada no âmbito ortodoxo com um sentido fortemente pejorativo, para descrever o resultado de uma união espúria, enganosa, desleal e provocante.

Se trata de um fenômeno que começou na dinâmica das relações entre as igrejas na era moderna, quando a Igreja Católica percebeu que, após o fracasso da união com a Igreja Ortodoxa assinado em Florença em 1439, qualquer outra tentativa de se alcançar uma união completa entre as duas Igrejas – até mesmo por causa das mutáveis condições culturais e políticas da Igreja Ortodoxa sob o domínio turco – já não tinha a menor chance de sucesso.

Passou-se, portanto, do objetivo tradicional e mais ambicioso que era a união global com a Igreja Ortodoxa como um todo, para a nova estratégia das uniões parciais, feitas com bispos individuais de uma determinada região que aceitavam os termos da união sancionada em Florença, os quais envolviam a aceitação do dogma católico,  a garantia de manter seu próprio rito e, mais em geral, suas próprias tradições religiosas (como, por exemplo, o calendário juliano).

O fenômeno começou em 1596 com a união, sancionada em Brest, do Episcopado da Ucrânia Oriental — que naquela época estava sob domínio da coroa polaco-lituana — que olhava para Roma para superar uma profunda crise cultural e moral.

E continuou com a união sancionada em Uzhhorod em 1646 pelo clero ortodoxo da Rutênia subcarpática, que era então o reino da Hungria.

E finalmente se concluiu com a união dos romenos ortodoxos da Transilvânia, que acompanharam o bispo de Alba Iulia, em 1700, na adesão à Igreja de Roma.

Uma vez que no final do século XVIII, sob Catarina II, a Igreja Ucraniana Unida foi abolida por lei, mas reorganizada pela Santa Sé na Ucrância Ocidental, ou seja, na Galiza, em torno da sé episcopal Leopoli (Lviv), todos estes Católicos de rito oriental se viram dentro do Império Austro-Húngaro, que assumiu a tarefa de protegê-los e promover o seu desenvolvimento e onde assumiram o nome de greco-católicos.

Nesse meio tempo, também no antigo Patriarcado de Antioquia — então sob domínio dos turcos – se iniciou um movimento de aproximação a Roma, e quando, em 1724, um dos líderes desse movimento subiu ao patriarcado foi provocada uma divisão nessa Igreja, que ainda subsiste no Oriente Médio, entre greco-Católicos e ortodoxos, ambos de língua árabe.

Finalmente, em seguida, a Santa Sé estabeleceu eparquias apostólicas na Rússia (1917), Bulgária (1926) e na Grécia (1932) para os fiéis Católicos de rito “bizantino”, como resultado da atividade missionária católica entre os ortodoxos.

Para os ortodoxos, o fenômeno representa uma ferida sempre aberta. Não se trata simplesmente de respeitar a liberdade religiosa: sua aversão decorre de uma incompreensão ligada à sua própria eclesiologia.

Os Ortodoxos não aceitam que o rito seja separado do dogma: a maneira pela qual oramos é um reflexo do que acreditamos. A partir deste ponto de vista, os “uniatas” são vistos como um híbrido monstruoso: eles têm o rito ortodoxo, mas professam a fé católica e, não sendo, portanto, nem Ortodoxos e nem Católicos, são percebidos exclusivamente como uma ferramenta de propaganda para esvaziar as Igrejas Ortodoxas de seus fiéis. Em outras palavras, eles são vistos como o “cavalo de Tróia” para subverter a Ortodoxia.

Quando estas Igrejas voltaram à luz após o período do comunismo — que as havia liquidado através da promoção do retorno de seus fiéis à Igreja Ortodoxa — os Ortodoxos colocaram um ultimato à Igreja Católica: o diálogo teológico poderia ser retomado somente após a resolução do problema do “uniatismo”.

Assim saiu, em 1993, o documento de Balamand, no Líbano, da comissão mista para o diálogo teológico, que, no entanto, não foi aceito nem pela Igreja Católica, para a qual o documento era muito severo no tocante ao julgamento histórico do ”uniatismo”, e nem para a maioria das Igrejas Ortodoxas, que o consideraram como demasiado permissivo ao defender a sobrevivência destas Igrejas. Mesmo uma sessão plenária subsequente dessa Comissão em Baltimore, em 2000, mais uma vez sobre esta questão, terminou em nada.

As palavras do Santo Padre, em seu vôo de volta de Constantinopla, retomam exatamente os termos do texto de Balamand, que na verdade ele já tinha mencionado na entrevista para “La Civiltà Cattolica” em 2013.

O documento afirma que estas Igrejas devem continuar a existir, já que elas alcançaram especial fisionomia, a sua própria identidade eclesial e cultural dentro do Catolicismo; além do mais, elas enriquecem a Igreja ao infundir nela a força vital da espiritualidade e teologia oriental (basta pensar no papel do patriarca greco-católico de Antioquia, Maximus IV Saigh, durante o Concílio Vaticano II. O Patriarca Atenágoras, disse: “Você nos representa!”) e testemunhou com o sangue a sua fidelidade à Igreja de Roma.

Enquanto isso, o documento reconhece que o método de construção da unidade entre as duas Igrejas através de uniões parciais agora está superado, já que fere a caridade e é absolutamente incompatível com a eclesiologia das Igrejas irmãs.

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UMA OBSERVAÇÃO – Entre os “uniatas”, os ucranianos são o maior grupo, com mais de cinco milhões de fiéis. E são eles também os que tem mais conflitos com a Igreja Ortodoxa. São, na verdade, os católicos gregos-ucranianos o principal obstáculo para o encontro entre o Papa e o Patriarca de Moscou, com mais outro agravante – recordado por Francisco na conferência de imprensa de 30 de Novembro – a guerra civil em curso no país.

No dia 10 de dezembro, os Católicos greco-ucranianos celebram, em Kiev, 25 anos de seu retorno à liberdade após o colapso do império soviético que os havia anexado contra sua vontade à Igreja Ortodoxa Russa. E para essa ocasião, Papa Francisco enviará como seu representante o cardeal Christoph Schönborn, Arcebispo de Viena e, portanto, o representante da capital histórica daquele império de Habsburgo que os protegeu do imperialismo russo político e religioso.

 

28 julho, 2014

O ecumenismo de Francisco (II).

Um animado almoço de Francisco com seu amigo Traettino na Casa Santa Marta.

Um animado almoço de Francisco com seu amigo Traettino na Casa Santa Marta.

Um preâmbulo de Sandro Magister – tradução de Fratres in Unum.com – Quando vazou a notícia, confirmada pelo padre Federico Lombardi, que o Papa pretendia ir privadamente a Caserta para encontrar um amigo [Giovanni Traettino], pastor de uma comunidade evangélica local, o bispo da cidade, Giovanni D’Alise, ficou surpreso. Nada sabia de nada.

Ademais, o Papa havia programado esta visita relâmpago a Caserta justamente no dia da festa de Sant’ana, padroeira da cidade. Ao se verem marginalizados, houve entre os fiéis a ameaça de revolta. Foi necessária toda uma semana para convencer o Papa a mudar a programação e a dividir a viagem em duas partes: a primeira, sábado, 26 de julho, publicamente, aos fiéis de Caserta, e a segunda, de maneira privada, na segunda-feira seguinte, ao amigo evangélico.

[…]

[Em encontro com pastores evangélicos, Francisco] lhes disse ter tomado conhecimento, por sua amizade com o pastor Traettino, que a Igreja Católica, com sua presença imponente, obstaculiza demais o crescimento e o testemunho dessas comunidades [evangélicas]. E que, também por esse motivo, tinha pensado em visitar a comunidade pentecostal de Caserta: “para desculpar-se pelas dificuldades provocadas à comunidade”.

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Papa pede perdão por perseguições dos católicos aos pentecostais.

Francisco foi a Caserta para se reunir com pastor que é seu amigo. A visita já foi qualificada como histórica.

G1 – O Papa Francisco pediu nesta segunda-feira (28) perdão pelas perseguições cometidas pelos católicos aos pentecostais, durante viagem à cidade de Caserta (no sul da Itália) onde se reuniu com seu amigo e pastor evangélico Giovanni Traettino.

A visita já foi qualificada como histórica, pois é a primeira vez que um Papa viaja do Vaticano para se encontrar com um pastor protestante.

“Entre as pessoas que perseguiram os pentecostais também houve católicos: eu sou o pastor dos católicos e peço perdão por aqueles irmãos e irmãs católicos que não compreenderam e foram tentados pelo diabo”, afirmou o pontífice.

Francisco esteve em Caserta, em 26 de julho, para celebrar uma missa em honra à padroeira Santa Ana diante de 200 mil católicos.

Desta vez Francisco retornou para se reunir com a comunidade de pentecostais da cidade ao norte de Nápoles e com 350 protestantes vindos de todas as partes do mundo. Ele pediu que os cristãos se unam na diversidade.

“O Espírito Santo cria diversidade na Igreja. A diversidade é bela, mas o próprio Espírito Santo também cria unidade, para que a Igreja esteja unida na diversidade: para usar uma palavra bonita, uma diversidade reconciliadora”, assinalou.

O Papa também pediu que os cristãos ajudem os mais fracos e os necessitados, e que caminhem ao lado de Deus.

“Não compreendo um cristão que está quieto, o cristão deve caminhar. Há cristãos que caminham ao lado de Jesus, mas em alguns momentos não caminham na presença de Jesus. Isto é porque são cristãos que confundem caminhar com andar, são errantes”, ponderou.

Após o ato, que durou cerca de hora e meia, o Papa almoçou com a comunidade, divulgou a Santa Sé em comunicado.

Francisco saiu esta manhã de helicóptero da Cidade do Vaticano e aterrissou em Caserta às 10h15 (05h15 de Brasília), no heliporto da Escola de Suboficiais da Aeronáutica Militar italiana no Palácio Real de Caserta e seguiu de carro até a casa do pastor.

Após esta conversa privada, os dois religiosos foram de carro à igreja evangélica da reconciliação de Caserta, onde alguns fiéis curiosos aguardavam a chegada do papa.

Francisco os cumprimentou antes de entrar na igreja, onde a reunião aconteceu longe das câmeras.

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Leia também:

O ecumenismo de Francisco.

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12 julho, 2014

O ecumenismo de Francisco.

Francisco e Brian.

Francisco e Brian.

“Eu não estou interessado em converter os evangélicos ao catolicismo. Eu quero que as pessoas encontrem Jesus em suas próprias comunidades. Há tantas doutrinas que nunca chegaremos a um acordo. Não gastemos nosso tempo a respeito delas. Em vez disso, falemos sobre como mostrar o amor de Jesus.”Declaração atribuída ao Papa Francisco pelo embaixador global da Aliança Evangélica Mundial, Brian C. Stiller.

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Os especialistas em desabonar notícias que desagradam, certamente, não tardarão em agir. De nossa parte, esperamos que a Sala de Imprensa da Santa Sé venha a público desmentir o pseudo pastor, que representa, dizem, cerca de 600 milhões de protestantes. No entanto, o homem parece gozar de boa relação com Francisco. Ambos já se reuniram duas vezes no curto pontificado de Bergoglio, sendo o último encontro — no qual as palavras acima teriam sido proferidas — um almoço de três horas. Arriscaria o pastor perder a amizade com o bispo de Roma, atribuindo-lhe falsamente tal frase?

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21 junho, 2014

Católicos e o Ecumenismo – considerações do Cardeal Siri.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Teresa M. Freixinho – Fratres in Unum.com - [A] diferença entre católicos e não católicos, por mais que eles desejem a fraternidade, reside no nível da Fé. Precisamos ter a coragem de dizer isso e dizê-lo continuamente. O uso de táticas evasivas (mesmo que educadas), que obscurecem todas as fronteiras em um crepúsculo embaçado que elimina os aspectos embaraçosos, não está colocando o ecumenismo em prática.

Principal líder da comunidade anglicana dá uma suposta benção sacerdotal ao Papa. Igualmente, o líder foi abençoado pelo Papa. Roma, 16 de junho de 2014

[O ecumenismo verdadeiro] é aquele em que, com o exercício da virtude, sacrifício pessoal, paciência inflexível e terna caridade, os termos são estabelecidos claramente. Haveria acaso um retorno à plena unidade entre os crentes em que o caminho seja pavimentado de incompreensões e meias-verdades?

Evidentemente, é claro que esta ponte – [o verdadeiro entendimento e a aceitação plena do] primado de Roma – precisa ser atravessada e, se não o for de maneira consciente, a meta do verdadeiro ecumenismo não será alcançada. E aqui surge o perigo real sobre esse tema empolgante. Há algumas pessoas que representam esse perigo ao transformarem o ecumenismo em uma confusão de doutrina retalhada. Há escritores que abusam do nome de teólogo ou da dignidade da erudição para minar, uma após a outra, as verdades da Fé Católica, violando e ignorando o Magistério. Eles criam dúvida com relação ao conhecimento de que a verdade de Deus é una e perfeita, e se ela for negada em um ponto – tal é a sua lógica e harmonia interiores – é inevitável que o resto [também] seja negado.

Eles não compreendem que Deus confiou tudo ao Magistério, que é tão certo e divinamente garantido que podemos afirmar, «quod Ecclesia semel docuit, semper docuit» [Que aquilo que a Igreja ensina uma vez, ela ensina sempre.] Talvez eles também tenham esquecido que a visibilidade da Igreja e sua realidade humana não a comprometem de jeito algum, e a mão de Deus é demonstrada no fato de que, caso ela fosse confiada a mãos humanas, ela já estaria morta desde os tempos imemoriais e não estaria de pé nos dias de hoje.

Nossos irmãos estão nos aguardando, mas eles estão aguardando à luz do dia, não em meio às sombras incertas da noite.

Cardeal Giuseppe Siri

Renovatio, XII (1977), livreto 1, pp. 3-6

[Fonte On-line: Blog Cordialiter, Traduzido a partir da tradução para o inglês de: Francesca Romana. Osservatore Romano imagens recolhidas pelo Sr. Christopher Lamb, do The Tablet.]

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4 junho, 2014

Papa e Patriarca Ortodoxo esperam novo encontro em Nicéia.

Catholic World News | Tradução: Fratres in Unum.com – O Papa Francisco e o Patriarca Ortodoxo Bartolomeu I de Constantinopla concordaram em planejar um encontro ecumênico a ser realizado em Nicéia, em 2025, relata a agência de notícias AsiaNews.

O Patriarca Bartolomeu revelou que ele e o Romano Pontífice haviam “concordado em deixar como legado de si e de seus sucessores um encontro em Nicéia, em 2025, para celebrarem juntos, após 17 séculos, o primeiro sínodo verdadeiramente ecumênico, onde o Credo foi promulgado pela primeira vez.” O Concílio de Nicéia, realizado em 325, reuniu mais de 300 bispos e aprovou a fórmula de fé atualmente conhecida como Credo Niceno.

O Papa Francisco e o Patriarca Ecumênico escolheram Nicéia — atualmente conhecida como Iznik, na Turquia — como local para um concílio que poderia reunir cristãos orientais e ocidentais, como fez o Concílio de Nicéia original.

Nota do Editor de Catholic World News: Uma versão anterior dessa história da CWN mencionava um “concílio” em Nicéia. A natureza do encontro descrita pelo Patriarca Bartolomeu não é totalmente clara e poderia mudar nos anos vindouros. Porém, seria prematuro, pelo menos, dizer que o plano seria de um concílio ecumênico. Pedimos desculpas pelo uso de uma palavra que poderia ser errônea nesse contexto.

25 maio, 2014

Foto da semana.

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Jerusalém, domingo, 25 de maio de 2014 – Basílica do Santo Sepulcro: Papa Francisco e o Patriarca cismático Bartolomeu beijam a “Pedra da Unção”, onde repousou o Santo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo. Antes, ambos participaram de uma celebração ecumênica juntamente com os Ordinários Católicos da Terra Santa, os Arcebispos copta, siríaco, etiópico e os Bispos anglicano e luterano. 

Afirmou o Papa que as divergências não devem nos assustar e paralisar o nosso caminho. Devemos acreditar que, como a pedra do sepulcro foi removida, assim também poderão ser removidos os obstáculos que ainda impedem a nossa plena Comunhão. Esta será uma graça de ressurreição, que, desde já, podemos experimentar. Todas as vezes que temos a coragem de dar e receber o perdão, uns aos outros, fazemos experiência da ressurreição! Todas as vezes que superamos os antigos preconceitos e promovemos novas relações fraternas, recordou o Bispo de Roma, confessamos que Cristo ressuscitou verdadeiramente! Todas as vezes que desejamos a unidade da Igreja, brilha a luz da manhã da Páscoa! E o Papa exortou:

Desejo renovar o desejo, expresso pelos meus Predecessores, de manter diálogo com todos os irmãos em Cristo, para encontrar uma forma de exercer o ministério próprio do Bispo de Roma, que, em conformidade com a sua missão, possa se abrir a uma nova situação e ser, no contexto atual, um serviço de amor e de comunhão reconhecido por todos”.

O Papa Francisco concluiu seu pronunciamento admoestando a colocar de lado as hesitações que herdamos do passado e abrir o nosso coração à ação do Espírito Santo, Espírito de Amor e de Verdade, para juntos caminhar rumo ao dia abençoado da tão desejada plena Comunhão.

Informações: News.va

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28 fevereiro, 2014

Cardeal Koch: 2017 não é motivo algum para comemoração.

O Cardeal Koch mantém comentários feitos em 2012: “Não podemos comemorar um pecado”.

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Cardeal Kurt Koch em Entrevista à EWTN-TV com Paul Badde: “Naturalmente, todo católico quer ser evangélico, no sentido de que ele não conhece nenhum outro fundamento a não ser o Evangelho”

Dom Kurt Koch

Dom Kurt Koch

Por Kath.net | Tradução: Fratres in Unum.com – O ano de 2017 será dedicado à Reforma, ocorrida há 500 anos. No entanto, na opinião do Cardeal Kurt Koch, não existe motivo para comemoração. O Presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos percebe o cisma assim criado como algo trágico. Ao contrário do chamado de Jesus “Que todos sejam um”, a cristandade está dividida em católicos, ortodoxos e protestantes. Segundo Koch, esses conceitos confessionais expressam “todo o drama do Cisma”. A expressão “evangélico” não deve se limitar apenas ao protestantismo: ” Naturalmente, todo católico quer ser evangélico, no sentido de que ele não conhece nenhum outro fundamento a não ser o Evangelho”. E da mesma forma ocorre com a expressão “ortodoxo”.

Na entrevista com Paul Badde, o correspondente da EWTN em Roma conversa com o Cardeal Koch sobre os desenvolvimentos e chances do ecumenismo. Ele explica os progressos no diálogo com as igrejas orientais e os novos desafios do pentecostalismo, que é bastante ativo na América Latina e África. A entrevista abordou também o tópico sobre o próximo encontro entre o papa Francisco e o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, em maio, na Terra Santa. O primeiro encontro desse tipo entre os representantes eclesiásticos ocorreu há 50 anos, em 1964, quando o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras reuniram-se em Jerusalém e, pouco tempo depois, levantaram as excomunhões mútuas.

Observação: Entrevista com o Cardeal Koch à EWTN na quarta-feira 27 de fevereiro, às 20:30H Uhr www.ewtn.de

Paul Badde: Entrevista com o Cardeal Kurt Koch à KathTube – Parte 1 e Parte 2.