Posts tagged ‘Ecumenismo’

março 8, 2012

Nova etapa da viagem ecumênica.

Bento XVI e Rowan Williams vão rezar juntos novamente em Roma.

Dr. Rowan Williams.

Dr. Rowan Williams.

IHU – O Dr. Rowan Williams, arcebispo de Cantuária e primaz da Comunhão Anglicana, estará em Roma no próximo final de semana, por ocasião do milênio da fundação do eremitério dos Camaldulenses, em Toscana. Há séculos, a Comunhão Anglicana estabelece relações permanentes com esta ordem religiosa, que alia o eremitismo e a regra beneditina.

A reportagem está publicada no sítio do jornal francês La Croix, 07-03-2012. A tradução é do Cepat.

Em Roma, os Camaldulenses estão presentes na Basílica de São Gregório Magno. Em 596, o Papa Gregório o Grande, cuja memória a Igreja celebra no próximo domingo, dia 11 de março, enviou à Inglaterra, desde esta basílica, um grupo de 40 monges beneditinos, entre os quais se encontrava Agostinho, que se tornaria o primeiro bispo de Cantuária. Às 17h30 do sábado, dia 10, o Dr. Williams irá celebrar as vésperas com Bento XVI nesta basílica, que é agora o ponto de encontro dos peregrinos anglicanos em Roma, e o primaz e o papa deverão, nesta oportunidade, pronunciar dois importantes discursos.

“Trata-se de continuar o diálogo entre as Igrejas católica e anglicana”, analisa o Pe. Robert Byrne, responsável pelo diálogo ecumênico na Conferência dos Bispos da Inglaterra e País de Gales. Ele ressalta que, “apesar das óbvias diferenças de fé e de opinião entre as duas Igrejas, uma e outra estão determinadas a continuar a viagem ecumênica rumo ao futuro. Esta visita a Roma do arcebispo da Cantuária é um novo exemplo das relações aquecidas que continuam a se desenvolver entre as duas Igrejas”.

Durante sua visita a Londres, em 17 de setembro de 2010, Bento XVI entrou, pela primeira vez, no Lambeth Palace, residência do primaz da Comunhão Anglicana. Os dois líderes deram longas e calorosas manifestações de afeto.

Outra manifestação do calor nas relações entre Roma e Cantuária: o coro da Capela Sixtina unirá suas vozes, pela primeira na sua história, às do coro da Abadia de Westminster, na Basílica de São Pedro em Roma por ocasião da festa dos Santos Pedro e Paulo, nos dias 28 e 29 de junho próximo.

janeiro 28, 2012

Uma profunda crise de fé, o Vaticano II e o diálogo ecumênico. Discurso do Papa à Congregação para a Doutrina da Fé.

Como sabemos, em muitas partes da terra, a fé corre o perigo de se apagar como uma chama que não encontra mais alimento. Estamos diante de uma profunda crise de fé, uma perda do sentido religioso que constitui o mais importante dever da Igreja de hoje. O renovamento da fé deve, portanto, ser a prioridade no empenho da Igreja inteira para os nossos dias.

[…]

A coerência do empenho ecumênico com o ensinamento do Concílio Vaticano II e com toda a Tradição foi um dos âmbitos no qual a Congregação, em colaboração com o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, sempre prestou atenção. Hoje podemos constar não poucos bons frutos arrecadados pelos diálogos ecumênicos, mas devemos também reconhecer que o risco de um falso irenismo [atitude de compreensão e caridade, adotada entre os cristãos de diferentes credos] e de um indiferentismo, totalmente contrário ao espírito do Concílio Vaticano II, algo que exige nossa vigilância.

Tal indiferentismo é causado pela opinião sempre mais difusa que a verdade não seria acessível ao homem; seria, portanto, necessário limitar-se a encontrar regras para uma prática capaz de melhorar o mundo. Assim, a fé seria constituída de um moralismo sem fundamento profundo. O centro do verdadeiro ecumenismo é, em vez, a fé na qual o homem encontra a verdade que se revela na Palavra de Deus.

Sem a fé, todos os movimentos ecumênicos seriam reduzidos a uma forma de “contrato social”, que adere a um interesse comum.

A lógica do Concílio Vaticano II é completamente diferente: a busca sincera da plena unidade de todos os cristãos é um dinamismo animado pela Palavra de Deus.

O problema crucial, que marca de modo transversal os diálogos ecumênicos, é a questão da estrutura da revelação – a relação entra a Sagrada Escritura, tradição viva na Santa Igreja, e o ministério dos sucessores dos Apóstolos como testemunhas da verdadeira fé.

É fundamental o discernimento entra a Tradição e tradições. Um importante passo para tal discernimento foi tomado na preparação e implementação de medidas para os grupos de fiéis provenientes do Anglicanismo, que desejam entrar em plena comunhão com a Igreja, conservando as próprias tradições espirituais, litúrgicas e pastorais, que estão em conformidade com a fé católica (cfr Const. Anglicanorum coetibus, art. III). Existe, de fato, uma riqueza espiritual nas diversas Denominações cristãs, que expressam uma única fé e dom a se compartilhar.

Hoje, então, uma das questões fundamentais é constituída pela problemática dos métodos adotados nos vários diálogos ecumênicos.

Também esses devem refletir a prioridade da fé. Conhecer a verdade é o direito do interlocutor de cada verdadeiro diálogo. É a mesma exigência da caridade para com o irmão. Neste sentido, ocorre afrontar com coragem também as questões controversas, sempre num espírito de fraternidade e respeito recíproco.

É importante ainda oferecer uma interpretação correta daquela “ordem ou ‘hierarquia’ na verdade da doutrina católica” encontrada no Decreto Unitatis redintegratio (n. 11), que não significa de modo algum reduzir o depósito da fé, mas trazer para fora a estrutura interna. Têm também grande relevância os documentos de estudo, produtos dos vários diálogos ecumênicos. Tais textos não podem ser ignorados, porque constituem um fruto importante, embora temporário, da reflexão comum amadurecida pelos anos.

Contudo, eles são reconhecidos pelo seu verdadeiro significado como contribuições oferecidas às autoridades competentes da Igreja, que é chamada a julgá-los de modo definitivo. Atribuir a estes textos um peso relevante ou quase conclusivo das questões espinhosas dos diálogos, sem uma avaliação adequada por parte das Autoridades eclesiais, em última análise, não ajudaria no caminho verso a plena unidade na fé.

Uma última questão que gostaria finalmente mencionar é a problemática moral, que constitui um novo desafio para o caminho ecumênico. Nos diálogos não podemos ignorar as grandes questões morais que certam a vida humana, a família, a sexualidade, a bioética, a justiça e a paz.

Seria importante falar sobre estes temas com uma só voz, elaboradas com fundamento na Escritura e na vida da tradição da Igreja. Esta tradição nos ajuda a decifrar a linguagem do Criador em Sua criação. Defendendo os valores fundamentais da grande tradição da Igreja, defendemos o homem, defendemos o criado.

Discurso do Papa Bento XVI à plenária da Congregação para a Doutrina da Fé – 27 de janeiro de 2012.

novembro 30, 2011

Enfim, CNBB trata de algum assunto relacionado à Fé Católica.

NOTA PASTORAL DA PRESIDÊNCIA DA CNBB SOBRE ALGUMAS QUESTÕES RELATIVAS AO USO INDEVIDO DOS TERMOS: CATÓLICO, IGREJA CATÓLICA, CLERO E OUTROS

A CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL – CNBB, na defesa da verdade e da liberdade, considerou oportuno publicar a presente Nota Pastoral, destinada aos membros do episcopado, do clero, aos religiosos e a todos os fiéis leigos.

O uso de nomes, termos, símbolos e instituições próprios da Igreja Católica Apostólica Romana, por outras denominações religiosas distintas da mesma, pode gerar equívocos e confusões entre os fiéis católicos. Nestes casos o uso da palavra “católico”, “bispo diocesano”, “vigário episcopal”, “diocese”, “clero”, “catedral”, “paróquia”, “padre”, “diácono”, “frei”, pode induzir a engano e erro. Pessoas de boa vontade podem ser levadas a frequentar tais templos, crendo que se tratam de comunidades da Igreja Católica Apostólica Romana, quando na verdade não o são. Por essa razão a Igreja tem a obrigação de esclarecer e alertar o Povo de Deus para evitar prováveis danos de ordem espiritual e pastoral.

Assim, temos o dever de alertar os fiéis católicos para a existência de alguns grupos religiosos, como é o caso da autointitulada “igreja católica carismática de Belém” e outras denominações semelhantes, que apesar de se autodenominarem “católicas”, não estão em comunhão com o Santo Padre, Papa Bento XVI, e não fazem parte da Igreja Católica Apostólica Romana. Por esta razão todos os ritos e cerimônias religiosas por eles realizadas são ilícitos para os fiéis católicos. Assim sendo, recomenda-se vivamente aos féis que não frequentem os edifícios onde eles se reúnem e nem colaborem ou participem de qualquer celebração promovida por esses grupos. Rezemos para que a unidade desejada por Jesus Cristo, aconteça plenamente.

Brasília-DF, 30 de novembro de 2011
Cardeal Raymundo Damasceno de Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luis
Vice Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília

Secretário Geral da CNBB

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novembro 12, 2011

Celebrando Assis em Arras com o Alcorão no Altar.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com

Na Igreja de São Salvador (Saint-Sauveur), na Diocese de Arras (Pas-de-Calais, France), foi realizada uma “vigília de orações Interreligiosas” em 26 de outubro de 2011, para celebrar o 25º aniversário do primeiro encontro interreligioso de Assis.

Ícones, um livro de orações – e o Alcorão no centro da mesa/altar.
A procissão das “oferendas inter-religiosas”.

(A propósito, por que todas as procissões são ad orientem? Isso é tão reacionário! As procissões não deveriam ser versus populum, com os participantes caminhando para trás?)

novembro 10, 2011

A gregos e troianos. Tudo como antes no quartel de Abrantes.

Depois de uma peregrinação de jovens que culminou com uma belíssima Missa Tradicional em honra a Cristo Rei, no último dia 30 de outubro, o monumento do Cristo Redentor será palco de mais um dos habituais Encontros Ecumênicos da arquidiocese do Rio de Janeiro.

Encontro aos pés do Cristo Redentor vai acolher o Advento.

Por Arquidiocese do Rio de Janeiro, via Canção Nova Notícias | O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Rio de Janeiro (CONIC- Rio) vai realizar, aos pés do Cristo Redentor, a Celebração da Acolhida do Advento, no dia 25 de novembro, às 10 horas. O encontro ecumênico será um momento de oração e comunhão com integrantes das religiões-membros do CONIC: Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Cristã de Ipanema, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de confissão Luterana no Brasil e Igreja Presbiteriana Unida do Brasil. O evento será marcado por músicas e leituras diversas.

O Advento marca o inicio do calendário cristão. É o tempo de preparação para o nascimento de Jesus, momento de espera por aquele que há de vir. Para o Vice-Presidente do CONIC-Rio, Reverendo Sérgio Duarte, da Igreja Cristã de Ipanema, a escolha do Cristo Redentor como local do encontro mostra a importância ecumênica do monumento.

“O Cristo é um monumento-marco da cidade do Rio de Janeiro. Quando você o escolhe como sede do evento, você pensa em centralizar as orações em um lugar característico da cidade, que é aceito por todas as religiões”, disse.

A celebração será gratuita e aberta ao público. Os interessados devem entrar em contato antecipadamente com o CONIC, através do email: eclesiarte@gmail.com e se inscrever.

CONIC

O CONIC foi fundado em 1982, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Hoje, tem sua sede em Brasília, no Distrito Federal. Seus objetivos envolvem a promoção das relações ecumênicas entre as Igrejas cristãs e o testemunho conjunto das Igrejas-membros em defesa dos direitos humanos como exigência de fidelidade ao Evangelho.

novembro 10, 2011

Bispo alemão [cotado para a Doutrina da Fé] se prepara para o funeral do ecumenismo.

Por Catholic Church Conservation  | Tradução: Fratres in Unum.com

Dom Gherard Ludwig Müller

Dom Gherard Ludwig Müller

O bispo de Regensburgo, Dom Gerhard Ludwig Mueller, acusou os representantes da igreja Protestante alemã de “dividir” a Igreja Católica. Em uma entrevista à PNP, o Bispo responsável pelo movimento ecumênico na Conferência de Bispos Alemães atacou as “declarações controversas” durante a visita do Papa à Alemanha e colocou o ecumenismo Católico-Protestante como um todo em questão.

Muller foi particularmente crítico ao bispo protestante de Berlim, Markus Dröge, que escreveu que Bento XVI “não fazia idéia do ecumenismo”. Tais declarações devem “apenas ser descartadas como totalmente sem fundamento”, disse o bispo de Regensburgo, afirmando: “Caso se continue nesta linha, seria a morte do ecumenismo”.

Mesmo no Sínodo da Igreja Protestante na Alemanha durante o fim de semana houve críticas à visita do Papa. O bispo de Regensburgo desprezou as observações de que Bento XVI fizera comentários apreciativos sobre o reformador Martinho Lutero privadamente em Erfurt, mas não em seu sermão. “Isso também teria sido totalmente anti-luterano”, diz Müller. “Em um sermão interpretando [São] João, [capítulo] 17, o conteúdo deve ser sobre Cristo e a unidade dos discípulos, mas não uma avaliação histórico-teológica de Martinho Lutero”. Na conversa precedente, no entanto, “o Papa seleciou um propósito que é também frutuoso ecumenicamente: a centralidade radical de Deus para Lutero”. Müller explicou que antes da visita do Papa se jogou “um jogo traiçoeiro com grandes expectativas”: “Não só de que o Papa devesse dar um dramático passo ecumênico – mas que devesse diluir em água a doutrina Católica”. Após a visita do Papa, houve já tentativas “dispersas” do lado protestante de inserir uma “bactéria” (literalmente, um fungo que ao fim quebra o tronco de uma árvore) na Igreja Católica “com a qual coloca o Papa e os bispos contra a suposta maioria da população Católica”. Para Müller, “eles querem trazer uma parte dos fiéis Católicos para o lado deles ou, alternativamente, protestantizar a Igreja Católica”.

novembro 9, 2011

Depois de Assis III. Algumas reflexões.

por Roberto de Mattei

Como signatário de um apelo a Sua Santidade Bento XVI para que voltasse atrás da decisão de celebrar o 25º aniversário do primeiro encontro inter-religioso de Assis, havida a reunião, não posso deixar de manifestar algumas reflexões a respeito.

Seja qual for o juízo que se queira dar sobre a terceira reunião de Assis, deve-se enfatizar que esta representou uma objetiva correção de rota em relação às duas reuniões precedentes, especialmente quanto ao perigo de sincretismo. Deve ser lido, a este respeito, com atenção, o discurso do Cardeal Raymond Leo Burke ao ‘Congresso Peregrinos da Verdade para Assis’, realizado no dia 1º de outubro passado em Roma, o qual oferece uma confiável chave para a interpretação do evento.

Na ‘jornada de reflexão, diálogo e oração pela paz e a justiça no mundo’, que ocorreu em 27 de outubro, não houve nenhum momento de oração por parte dos presentes, nem em comum nem em paralelo, como ocorrera em 1986 com os vários grupos religiosos reunidos em diversos lugares da cidade de São Francisco. É sabido, em qualquer caso, que o então cardeal Ratzinger evitou participar da reunião, e a sua ausência foi interpretada como uma tomada de distância dos equívocos que a iniciativa era destinada a produzir.

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outubro 27, 2011

Discurso de Bento XVI no encontro inter-religioso de Assis.

Queridos irmãos e irmãs,

distintos Chefes e representantes das Igrejas e Comunidades eclesiais e das religiões do mundo,

queridos amigos,

Passaram-se vinte e cinco anos desde quando pela primeira vez o beato Papa João Paulo II convidou representantes das religiões do mundo para uma oração pela paz em Assis. O que aconteceu desde então? Como se encontra hoje a causa da paz? Naquele momento, a grande ameaça para a paz no mundo provinha da divisão da terra em dois blocos contrapostos entre si. O símbolo saliente daquela divisão era o muro de Berlim que, atravessando a cidade, traçava a fronteira entre dois mundos. Em 1989, três anos depois do encontro em Assis, o muro caiu, sem derramamento de sangue. Inesperadamente, os enormes arsenais, que estavam por detrás do muro, deixaram de ter qualquer significado. Perderam a sua capacidade de aterrorizar. A vontade que tinham os povos de ser livres era mais forte que os arsenais da violência. A questão sobre as causas de tal derrocada é complexa e não pode encontrar uma resposta em simples fórmulas. Mas, ao lado dos fatores económicos e políticos, a causa mais profunda de tal acontecimento é de caráter espiritual: por detrás do poder material, já não havia qualquer convicção espiritual. Enfim, a vontade de ser livre foi mais forte do que o medo face a uma violência que não tinha mais nenhuma cobertura espiritual. Sentimo-nos agradecidos por esta vitória da liberdade, que foi também e sobretudo uma vitória da paz. E é necessário acrescentar que, embora neste contexto não se tratasse somente, nem talvez primariamente, da liberdade de crer, também se tratava dela. Por isso, podemos de certo modo unir tudo isto também com a oração pela paz.

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outubro 27, 2011

CNBB se une ao Papa no encontro de Assis.

CNBB – Os bispos que compõem o Conselho Permanente da CNBB emitiram na tarde desta quarta-feira, 26 de outubro, uma nota oficial de saudação ao Papa Bento XVI pela realização do encontro pela paz com lideranças mundiais de outras igrejas e de outras religiões nesta quinta, 27 de outubro, em Assis, na Itália.

Leia a nota na íntegra

NOTA DA CNBB SOBRE O
ENCONTRO DE ASSIS, DO PAPA BENTO XVI
E REPRESENTANTES DE DIVERSAS RELIGIÕES DO MUNDO

Nós, Bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – reunidos de 25 a 27 de outubro de 2011, nos unimos ao Santo Padre Bento XVI que renova, em Assis, o encontro histórico realizado há 25 anos, pelo Beato João Paulo II, com os irmãos de outras igrejas cristãs e diferentes tradições religiosas do mundo.

O tema escolhido pelo Papa Bento XVI, “Peregrinos da Verdade, Peregrinos da Paz”, sugere que o diálogo e a construção da Paz se fundamentam na busca da Verdade e no respeito às diferenças religiosas.

Seguindo a orientação do Papa, entendemos que o diálogo verdadeiro não se confunde com sincretismo, ou com uma religião global que ignore as várias identidades religiosas e culturais.

No mundo atual, marcado por grande crise econômica e, sobretudo, moral, o Encontro de Assis é, para todos, fonte de esperança, porque reúne pessoas de boa vontade, em diálogo sincero e aberto ao mistério de Deus.

Assim as religiões, rejeitando qualquer forma de discriminação e violência, se apresentam ao mundo como sólido caminho de promoção da dignidade humana.

Manifestamos nossa plena comunhão com o Santo Padre por este encontro e agradecemos pela escolha do tema.

Comprometemo-nos, em nossas dioceses, a desenvolver ações que levem a um renovado diálogo com as demais religiões e com todas as pessoas de boa vontade.

Que o Príncipe da Paz oriente os nossos passos no caminho inspirado por São Francisco de Assis que, neste local, se fez instrumento do Senhor, na busca da Verdade e na construção da Paz.

Brasília, 27 de outubro de 2011

outubro 26, 2011

O problema com Assis.

Por Stuart Chessman, The Society of St. Hugh of Cluny| Tradução: Fratres in Unum.com 

Com apreensão nos aproximamos da terceira edição do encontro inter-religioso de Assis. O Vaticano fez mudanças na programação comparadas com as primeiras duas cerimônias – tais como a eliminação de orações conjuntas. Então, de certa forma, as críticas dos conservadores dos últimos vinte e cinco anos parecem ter sido admitidas. Outra inovação é o convite estendido a vários não-crentes. Mesmo que isso pudesse parecer colocar em questão toda a razão de ser de Assis, por talvez implicar que a paz possa ser procurada – e alcançada? – inteiramente à parte de qualquer crença religiosa. E se a intenção dessas mudanças é evitar a aparência de “sincretismo”, tenho minhas dúvidas se tal meta também foi alcançada. As “religiões” podem não estar mais rezando juntas (embora hierarcas dentro e fora do Vaticano continuem descrevendo Assis dessa forma). Mas se, em Assis III, todos são peregrinos procurando o caminho da verdade, tal resultado pareceria para mim igualmente conducente ao indiferentismo. O problema com o encontro de Assis é, todavia, muito mais profundo do que essas questões relativas ao programa e aos participantes.

Um dos ateus convidados foi o filósofo britânico AC Grayling. Pareceria uma escolha estranha – o sr. Grayling se perfilou recentemente como um militante crítico da religião, até escrevendo uma “bíblia secular”. No ano passado, ele assumiu um importante papel no coro de oposição à visita do Papa à Inglaterra. Por outro lado, teve a coragem de adotar posições nem um pouco conformes às do establishment e sua opinião pública. Como, por exemplo, quando mostrou a falta de fundamentação moral no bombardeio de civis pelos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Então, ele é um homem de quem podemos esperar um nível de conversa franca. Agora, após uma aceitação inicial, o sr. Grayling recusou o convite para Assis. Segundo ele, inicialmente pensou se tratar de uma oportunidade de “discutir o lugar da religião na sociedade”. Então, após compreender que o que o Vaticano realmente queria era que ele acompanhasse o Papa em uma peregrinação, ele retirou sua aceitação inicial.

Ora, acho que o sr. Grayling acertou algo profundo aqui. Se eu pudesse tentar desenvolver um pouco mais a sua percepção, a essência de Assis absolutamente não é a oração conjunta, a discussão intelectual ou mesmo a peregrinação. Ela é um show. No qual o sr. Grayling, de maneira compreensível, não quer aparecer como um figurante. Muito do que o Vaticano e os “movimentos” colocam diante do público hoje tem a natureza de um espetáculo. O “Pátio dos Gentios”, do Cardeal Ravasi, em Paris; os “encontros” [da comunidade] de Santo Egídio, o Caminho Neocatecumenal, a Legião de Cristo; muitos aspectos das visitas Papais, etc.

Ao montar um show, o Vaticano está adotando uma puríssima forma de expressão – e manipulação – da cultura da sociedade liberal contemporânea. Um show é inerentemente secular, inerentemente problemático no aspecto espiritual, apesar das explicações que o acompanham ou como a programação foi ajustada.

E o é ainda mais, já que no show o que fundamentalmente conta é o visual. Independente do que os “delegados” realmente façam ou não, o que as pessoas vêem é a Igreja Católica atuando como uma entre iguais. O impacto disso já é claro nas declarações e encontros que serpenteiam em torno de Assis, nos quais o sabor de indiferentismo é muito forte. Essa não é uma mensagem que uma Igreja, que agora encara a extinção na Europa ocidental e em breve em outros lugares, precisa.

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