Posts tagged ‘Ecumenismo’

15 janeiro, 2015

Os preparativos para a celebração ecumênica dos 500 anos da Reforma, em 2017.

Cidade do Vaticano (Rádio Vaticano) – Em 2017, luteranos e católicos vão celebrar juntos os quinhentos anos da Reforma Protestante e recordar com alegria os cinquenta anos de diálogo ecumênico oficial conduzido a nível mundial, na esteira do Concílio Vaticano II.

A Comissão Internacional de Diálogo Luterano-católica pela Unidade, já há alguns anos organizou uma programação com vistas a uma possível declaração comum por ocasião do ano da comemoração da Reforma, em 2017. Nos últimos ciquenta anos, o diálogo ecumênico realizou grandes esforços buscando relacionar a teologia dos reformadores às decisões do Concílio de Trento e do Vaticano II, avaliando se as respectivas posições se excluem ou se completam mutuamente.

Em 2013, a Comissão de diálogo publicou o documento intitulado ‘From Conflict to Communion. Lutheran Catholic Commom Commemoration of the Reformation in 2017′, onde após uma detalhada introdução sobre as comemorações comuns, dedica dois capítulos à apresentação dos eventos da Reforma, resume a teologia de Martin Lutero e ilustra as resoluções do Concílio de Trento. A conclusão do documento apresenta um resumo das principais decisões comuns da Comissão de Diálogo Luterano-católico em 1967, particularmente sobre a justificação, a Eucaristia, as Escrituras e a Tradição.

O documento sobre os preparativos às comemorações, foi apresentado em 17 de junho de 2013 durante uma coletiva de imprensa realizada do Centro Ecumênico de Genebra, e contou com a presença, entre outros, do Presidente e Secretário da Federação Luterana Mundial (FLM), de Dom Munib Youan e do Cardeal Kurt Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Lançando uma nova luz sobre questões centrais da fé, o documento ecumênico possibilita a superação das controvérsias dos séculos passados e lança bases para uma reflexão ecumênica que se distinga do pensamento dos séculos precedentes, convidando assim os cristãos a considerar esta relação com espírito aberto, mas também crítico, para se avançar ainda mais no caminho da plena e visível unidade da Igreja.

Na primeira metade de 2014 deverá ser publicado o documento “Alegria partilhada pelo Evangelho, confissão dos pecados cometidos contra a unidade e testemunho comum para no mundo de hoje”, com textos e subsídios para uma oração ecumênica comum. Os textos foram preparados por um grupo de trabalho litúrgico formado por representantes da FLM e do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade.

Em 2017, o contexto histórico em que se recordará os 500 anos da Reforma é muito diferente do período em que ela foi implementada. A comemoração será realizada, pela primeira vez, numa época ecumênica. Assim, católicos e luteranos não pretendem festejar a divisão da Igreja, mas sim, trazer à memória o pensamento teológico e os acontecimentos relacionados à Reforma, precisamente o que escreve o Documento ‘Do conflito à Comunhão’, publicado em 2013.

O caminhar da história, tem levado luteranos e católicos a tornarem-se sempre mais conscientes de que a origem de acusações recíprocas não subsiste mais, mesmo que ainda não exista um consenso em todas as questões teológicas. Neste sentido, o documento “Do Conflito a Comunhão” conclui propondo cinco imperativos que exortam católicos e luteranos a prosseguirem no caminho em direção a uma profunda comunhão.

Diversos encontros realizados em 2013 marcaram esforços comuns com o objetivo de estreitar o diálogo, com reuniões entre o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e a Conferência dos Bispos veterocatólicos da União de Ultrecht, realizadas em Konigswinter, em julho de 2013 e em Paderbon, em dezembro. As Comissões de ambas as partes continuam os trabalhos sobre os temas: a relação entre a Igreja universal e a Igreja local e o papel do ministério petrino; e a comunhão eucarística.

Em fevereiro do mesmo ano, realizou-se em Viena o primeiro encontro entre a Comunidade das Igrejas Protestantes na Europa e o Pontifício Conselho, o que levou a reflexões sobre o conceito de Igreja e definições do objetivo ecumênico. Encontros sucessivos realizaram-se em Heidelberg e Ludwigshafen am Rhein, com a participação sete teólogos de ambas as partes.

Em 2013, diversas delegações luteranos encontraram-se com o Papa Francisco. Em 2014, uma delegação do Conselho da Igreja Protestante da Alemanha foi recebida em 8 de abril pelo Papa Francisco, encontrando-se sucessivamente com o Cardeal Koch. (JE)

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Palavras do Papa Francisco a uma delegação luterana alemã – 18 de dezembro de 2014:

Hoje em dia, o diálogo ecuménico já não pode ser separado da realidade e da vida das nossas Igrejas. Em 2017 os cristãos luteranos e católicos comemorarão conjuntamente o quinto centenário da Reforma. Em tal circunstância, pela primeira vez luteranos e católicos terão a possibilidade de compartilhar uma mesma celebração ecuménica no mundo inteiro, e não sob a forma de uma comemoração triunfalista, mas como profissão da nossa fé comum no Deus Uno e Trino. Por conseguinte, no centro deste acontecimento encontrar-se-ão a oração comum e o íntimo pedido de perdão, dirigidos ao Senhor Jesus Cristo pelas culpas mútuas, juntamente com a alegria de percorrer um caminho ecuménico compartilhado. É a isto que se refere de maneira significativa o documento elaborado pela Comissão luterano-católica para a unidade, publicado no ano passado e intitulado: «Desde o conflito até à comunhão. A comemoração comum luterano-católica da Reforma em 2017». Possa esta comemoração da Reforma encorajar-nos todos a dar, com a ajuda de Deus e o auxílio do seu Espírito, ulteriores passos rumo à unidade, e a não nos limitarmos simplesmente àquilo que nós já conseguimos alcançar.

20 dezembro, 2014

Melhor unidos do que “Uniatas”. Com os Ortodoxos, Francisco quer mudar de rumo.

Por Sandro Magister | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: No vôo de regresso de Constantinopla a Roma, ao ser interpelado por um importante jornalista russo, Papa Francisco fez uma piada que não é imediatamente compreensível por aqueles não familiarizados:

“Eu vou dizer uma coisa que talvez alguém não consegue entender, mas… As Igrejas Orientais católicas têm o direito de existir, é verdade. Mas uniatismo é uma palavra de uma outra época. Hoje não se pode falar assim. Deve-se encontrar um outro meio”.

Para entender o significado dessa piada vem em socorro a nota abaixo.

O autor ensina história da Igreja Ortodoxa na Universidade Estatal de Bolonha e na Faculdade de Teologia de Emilia Romagna. É diácono e preside a Comissão para o  Ecumenismo da Arquidiocese de Bolonha.
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“PALAVRA DE UMA OUTRA ÉPOCA”

Por Enrico Morini

“Uniatismo” é uma palavra feia, embora seja um termo já consagrado pelo uso e difícil de ser desprezado. A alternativa correta seria na verdade uma paráfrase: “Cristãos orientais unidos a Roma”. A expressão foi cunhada no âmbito ortodoxo com um sentido fortemente pejorativo, para descrever o resultado de uma união espúria, enganosa, desleal e provocante.

Se trata de um fenômeno que começou na dinâmica das relações entre as igrejas na era moderna, quando a Igreja Católica percebeu que, após o fracasso da união com a Igreja Ortodoxa assinado em Florença em 1439, qualquer outra tentativa de se alcançar uma união completa entre as duas Igrejas – até mesmo por causa das mutáveis condições culturais e políticas da Igreja Ortodoxa sob o domínio turco – já não tinha a menor chance de sucesso.

Passou-se, portanto, do objetivo tradicional e mais ambicioso que era a união global com a Igreja Ortodoxa como um todo, para a nova estratégia das uniões parciais, feitas com bispos individuais de uma determinada região que aceitavam os termos da união sancionada em Florença, os quais envolviam a aceitação do dogma católico,  a garantia de manter seu próprio rito e, mais em geral, suas próprias tradições religiosas (como, por exemplo, o calendário juliano).

O fenômeno começou em 1596 com a união, sancionada em Brest, do Episcopado da Ucrânia Oriental — que naquela época estava sob domínio da coroa polaco-lituana — que olhava para Roma para superar uma profunda crise cultural e moral.

E continuou com a união sancionada em Uzhhorod em 1646 pelo clero ortodoxo da Rutênia subcarpática, que era então o reino da Hungria.

E finalmente se concluiu com a união dos romenos ortodoxos da Transilvânia, que acompanharam o bispo de Alba Iulia, em 1700, na adesão à Igreja de Roma.

Uma vez que no final do século XVIII, sob Catarina II, a Igreja Ucraniana Unida foi abolida por lei, mas reorganizada pela Santa Sé na Ucrância Ocidental, ou seja, na Galiza, em torno da sé episcopal Leopoli (Lviv), todos estes Católicos de rito oriental se viram dentro do Império Austro-Húngaro, que assumiu a tarefa de protegê-los e promover o seu desenvolvimento e onde assumiram o nome de greco-católicos.

Nesse meio tempo, também no antigo Patriarcado de Antioquia — então sob domínio dos turcos – se iniciou um movimento de aproximação a Roma, e quando, em 1724, um dos líderes desse movimento subiu ao patriarcado foi provocada uma divisão nessa Igreja, que ainda subsiste no Oriente Médio, entre greco-Católicos e ortodoxos, ambos de língua árabe.

Finalmente, em seguida, a Santa Sé estabeleceu eparquias apostólicas na Rússia (1917), Bulgária (1926) e na Grécia (1932) para os fiéis Católicos de rito “bizantino”, como resultado da atividade missionária católica entre os ortodoxos.

Para os ortodoxos, o fenômeno representa uma ferida sempre aberta. Não se trata simplesmente de respeitar a liberdade religiosa: sua aversão decorre de uma incompreensão ligada à sua própria eclesiologia.

Os Ortodoxos não aceitam que o rito seja separado do dogma: a maneira pela qual oramos é um reflexo do que acreditamos. A partir deste ponto de vista, os “uniatas” são vistos como um híbrido monstruoso: eles têm o rito ortodoxo, mas professam a fé católica e, não sendo, portanto, nem Ortodoxos e nem Católicos, são percebidos exclusivamente como uma ferramenta de propaganda para esvaziar as Igrejas Ortodoxas de seus fiéis. Em outras palavras, eles são vistos como o “cavalo de Tróia” para subverter a Ortodoxia.

Quando estas Igrejas voltaram à luz após o período do comunismo — que as havia liquidado através da promoção do retorno de seus fiéis à Igreja Ortodoxa — os Ortodoxos colocaram um ultimato à Igreja Católica: o diálogo teológico poderia ser retomado somente após a resolução do problema do “uniatismo”.

Assim saiu, em 1993, o documento de Balamand, no Líbano, da comissão mista para o diálogo teológico, que, no entanto, não foi aceito nem pela Igreja Católica, para a qual o documento era muito severo no tocante ao julgamento histórico do ”uniatismo”, e nem para a maioria das Igrejas Ortodoxas, que o consideraram como demasiado permissivo ao defender a sobrevivência destas Igrejas. Mesmo uma sessão plenária subsequente dessa Comissão em Baltimore, em 2000, mais uma vez sobre esta questão, terminou em nada.

As palavras do Santo Padre, em seu vôo de volta de Constantinopla, retomam exatamente os termos do texto de Balamand, que na verdade ele já tinha mencionado na entrevista para “La Civiltà Cattolica” em 2013.

O documento afirma que estas Igrejas devem continuar a existir, já que elas alcançaram especial fisionomia, a sua própria identidade eclesial e cultural dentro do Catolicismo; além do mais, elas enriquecem a Igreja ao infundir nela a força vital da espiritualidade e teologia oriental (basta pensar no papel do patriarca greco-católico de Antioquia, Maximus IV Saigh, durante o Concílio Vaticano II. O Patriarca Atenágoras, disse: “Você nos representa!”) e testemunhou com o sangue a sua fidelidade à Igreja de Roma.

Enquanto isso, o documento reconhece que o método de construção da unidade entre as duas Igrejas através de uniões parciais agora está superado, já que fere a caridade e é absolutamente incompatível com a eclesiologia das Igrejas irmãs.

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UMA OBSERVAÇÃO – Entre os “uniatas”, os ucranianos são o maior grupo, com mais de cinco milhões de fiéis. E são eles também os que tem mais conflitos com a Igreja Ortodoxa. São, na verdade, os católicos gregos-ucranianos o principal obstáculo para o encontro entre o Papa e o Patriarca de Moscou, com mais outro agravante – recordado por Francisco na conferência de imprensa de 30 de Novembro – a guerra civil em curso no país.

No dia 10 de dezembro, os Católicos greco-ucranianos celebram, em Kiev, 25 anos de seu retorno à liberdade após o colapso do império soviético que os havia anexado contra sua vontade à Igreja Ortodoxa Russa. E para essa ocasião, Papa Francisco enviará como seu representante o cardeal Christoph Schönborn, Arcebispo de Viena e, portanto, o representante da capital histórica daquele império de Habsburgo que os protegeu do imperialismo russo político e religioso.

 

28 julho, 2014

O ecumenismo de Francisco (II).

Um animado almoço de Francisco com seu amigo Traettino na Casa Santa Marta.

Um animado almoço de Francisco com seu amigo Traettino na Casa Santa Marta.

Um preâmbulo de Sandro Magister – tradução de Fratres in Unum.com – Quando vazou a notícia, confirmada pelo padre Federico Lombardi, que o Papa pretendia ir privadamente a Caserta para encontrar um amigo [Giovanni Traettino], pastor de uma comunidade evangélica local, o bispo da cidade, Giovanni D’Alise, ficou surpreso. Nada sabia de nada.

Ademais, o Papa havia programado esta visita relâmpago a Caserta justamente no dia da festa de Sant’ana, padroeira da cidade. Ao se verem marginalizados, houve entre os fiéis a ameaça de revolta. Foi necessária toda uma semana para convencer o Papa a mudar a programação e a dividir a viagem em duas partes: a primeira, sábado, 26 de julho, publicamente, aos fiéis de Caserta, e a segunda, de maneira privada, na segunda-feira seguinte, ao amigo evangélico.

[…]

[Em encontro com pastores evangélicos, Francisco] lhes disse ter tomado conhecimento, por sua amizade com o pastor Traettino, que a Igreja Católica, com sua presença imponente, obstaculiza demais o crescimento e o testemunho dessas comunidades [evangélicas]. E que, também por esse motivo, tinha pensado em visitar a comunidade pentecostal de Caserta: “para desculpar-se pelas dificuldades provocadas à comunidade”.

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Papa pede perdão por perseguições dos católicos aos pentecostais.

Francisco foi a Caserta para se reunir com pastor que é seu amigo. A visita já foi qualificada como histórica.

G1 – O Papa Francisco pediu nesta segunda-feira (28) perdão pelas perseguições cometidas pelos católicos aos pentecostais, durante viagem à cidade de Caserta (no sul da Itália) onde se reuniu com seu amigo e pastor evangélico Giovanni Traettino.

A visita já foi qualificada como histórica, pois é a primeira vez que um Papa viaja do Vaticano para se encontrar com um pastor protestante.

“Entre as pessoas que perseguiram os pentecostais também houve católicos: eu sou o pastor dos católicos e peço perdão por aqueles irmãos e irmãs católicos que não compreenderam e foram tentados pelo diabo”, afirmou o pontífice.

Francisco esteve em Caserta, em 26 de julho, para celebrar uma missa em honra à padroeira Santa Ana diante de 200 mil católicos.

Desta vez Francisco retornou para se reunir com a comunidade de pentecostais da cidade ao norte de Nápoles e com 350 protestantes vindos de todas as partes do mundo. Ele pediu que os cristãos se unam na diversidade.

“O Espírito Santo cria diversidade na Igreja. A diversidade é bela, mas o próprio Espírito Santo também cria unidade, para que a Igreja esteja unida na diversidade: para usar uma palavra bonita, uma diversidade reconciliadora”, assinalou.

O Papa também pediu que os cristãos ajudem os mais fracos e os necessitados, e que caminhem ao lado de Deus.

“Não compreendo um cristão que está quieto, o cristão deve caminhar. Há cristãos que caminham ao lado de Jesus, mas em alguns momentos não caminham na presença de Jesus. Isto é porque são cristãos que confundem caminhar com andar, são errantes”, ponderou.

Após o ato, que durou cerca de hora e meia, o Papa almoçou com a comunidade, divulgou a Santa Sé em comunicado.

Francisco saiu esta manhã de helicóptero da Cidade do Vaticano e aterrissou em Caserta às 10h15 (05h15 de Brasília), no heliporto da Escola de Suboficiais da Aeronáutica Militar italiana no Palácio Real de Caserta e seguiu de carro até a casa do pastor.

Após esta conversa privada, os dois religiosos foram de carro à igreja evangélica da reconciliação de Caserta, onde alguns fiéis curiosos aguardavam a chegada do papa.

Francisco os cumprimentou antes de entrar na igreja, onde a reunião aconteceu longe das câmeras.

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O ecumenismo de Francisco.

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12 julho, 2014

O ecumenismo de Francisco.

Francisco e Brian.

Francisco e Brian.

“Eu não estou interessado em converter os evangélicos ao catolicismo. Eu quero que as pessoas encontrem Jesus em suas próprias comunidades. Há tantas doutrinas que nunca chegaremos a um acordo. Não gastemos nosso tempo a respeito delas. Em vez disso, falemos sobre como mostrar o amor de Jesus.”Declaração atribuída ao Papa Francisco pelo embaixador global da Aliança Evangélica Mundial, Brian C. Stiller.

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Os especialistas em desabonar notícias que desagradam, certamente, não tardarão em agir. De nossa parte, esperamos que a Sala de Imprensa da Santa Sé venha a público desmentir o pseudo pastor, que representa, dizem, cerca de 600 milhões de protestantes. No entanto, o homem parece gozar de boa relação com Francisco. Ambos já se reuniram duas vezes no curto pontificado de Bergoglio, sendo o último encontro — no qual as palavras acima teriam sido proferidas — um almoço de três horas. Arriscaria o pastor perder a amizade com o bispo de Roma, atribuindo-lhe falsamente tal frase?

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21 junho, 2014

Católicos e o Ecumenismo – considerações do Cardeal Siri.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Teresa M. Freixinho – Fratres in Unum.com - [A] diferença entre católicos e não católicos, por mais que eles desejem a fraternidade, reside no nível da Fé. Precisamos ter a coragem de dizer isso e dizê-lo continuamente. O uso de táticas evasivas (mesmo que educadas), que obscurecem todas as fronteiras em um crepúsculo embaçado que elimina os aspectos embaraçosos, não está colocando o ecumenismo em prática.

Principal líder da comunidade anglicana dá uma suposta benção sacerdotal ao Papa. Igualmente, o líder foi abençoado pelo Papa. Roma, 16 de junho de 2014

[O ecumenismo verdadeiro] é aquele em que, com o exercício da virtude, sacrifício pessoal, paciência inflexível e terna caridade, os termos são estabelecidos claramente. Haveria acaso um retorno à plena unidade entre os crentes em que o caminho seja pavimentado de incompreensões e meias-verdades?

Evidentemente, é claro que esta ponte – [o verdadeiro entendimento e a aceitação plena do] primado de Roma – precisa ser atravessada e, se não o for de maneira consciente, a meta do verdadeiro ecumenismo não será alcançada. E aqui surge o perigo real sobre esse tema empolgante. Há algumas pessoas que representam esse perigo ao transformarem o ecumenismo em uma confusão de doutrina retalhada. Há escritores que abusam do nome de teólogo ou da dignidade da erudição para minar, uma após a outra, as verdades da Fé Católica, violando e ignorando o Magistério. Eles criam dúvida com relação ao conhecimento de que a verdade de Deus é una e perfeita, e se ela for negada em um ponto – tal é a sua lógica e harmonia interiores – é inevitável que o resto [também] seja negado.

Eles não compreendem que Deus confiou tudo ao Magistério, que é tão certo e divinamente garantido que podemos afirmar, «quod Ecclesia semel docuit, semper docuit» [Que aquilo que a Igreja ensina uma vez, ela ensina sempre.] Talvez eles também tenham esquecido que a visibilidade da Igreja e sua realidade humana não a comprometem de jeito algum, e a mão de Deus é demonstrada no fato de que, caso ela fosse confiada a mãos humanas, ela já estaria morta desde os tempos imemoriais e não estaria de pé nos dias de hoje.

Nossos irmãos estão nos aguardando, mas eles estão aguardando à luz do dia, não em meio às sombras incertas da noite.

Cardeal Giuseppe Siri

Renovatio, XII (1977), livreto 1, pp. 3-6

[Fonte On-line: Blog Cordialiter, Traduzido a partir da tradução para o inglês de: Francesca Romana. Osservatore Romano imagens recolhidas pelo Sr. Christopher Lamb, do The Tablet.]

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4 junho, 2014

Papa e Patriarca Ortodoxo esperam novo encontro em Nicéia.

Catholic World News | Tradução: Fratres in Unum.com – O Papa Francisco e o Patriarca Ortodoxo Bartolomeu I de Constantinopla concordaram em planejar um encontro ecumênico a ser realizado em Nicéia, em 2025, relata a agência de notícias AsiaNews.

O Patriarca Bartolomeu revelou que ele e o Romano Pontífice haviam “concordado em deixar como legado de si e de seus sucessores um encontro em Nicéia, em 2025, para celebrarem juntos, após 17 séculos, o primeiro sínodo verdadeiramente ecumênico, onde o Credo foi promulgado pela primeira vez.” O Concílio de Nicéia, realizado em 325, reuniu mais de 300 bispos e aprovou a fórmula de fé atualmente conhecida como Credo Niceno.

O Papa Francisco e o Patriarca Ecumênico escolheram Nicéia — atualmente conhecida como Iznik, na Turquia — como local para um concílio que poderia reunir cristãos orientais e ocidentais, como fez o Concílio de Nicéia original.

Nota do Editor de Catholic World News: Uma versão anterior dessa história da CWN mencionava um “concílio” em Nicéia. A natureza do encontro descrita pelo Patriarca Bartolomeu não é totalmente clara e poderia mudar nos anos vindouros. Porém, seria prematuro, pelo menos, dizer que o plano seria de um concílio ecumênico. Pedimos desculpas pelo uso de uma palavra que poderia ser errônea nesse contexto.

25 maio, 2014

Foto da semana.

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Jerusalém, domingo, 25 de maio de 2014 – Basílica do Santo Sepulcro: Papa Francisco e o Patriarca cismático Bartolomeu beijam a “Pedra da Unção”, onde repousou o Santo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo. Antes, ambos participaram de uma celebração ecumênica juntamente com os Ordinários Católicos da Terra Santa, os Arcebispos copta, siríaco, etiópico e os Bispos anglicano e luterano. 

Afirmou o Papa que as divergências não devem nos assustar e paralisar o nosso caminho. Devemos acreditar que, como a pedra do sepulcro foi removida, assim também poderão ser removidos os obstáculos que ainda impedem a nossa plena Comunhão. Esta será uma graça de ressurreição, que, desde já, podemos experimentar. Todas as vezes que temos a coragem de dar e receber o perdão, uns aos outros, fazemos experiência da ressurreição! Todas as vezes que superamos os antigos preconceitos e promovemos novas relações fraternas, recordou o Bispo de Roma, confessamos que Cristo ressuscitou verdadeiramente! Todas as vezes que desejamos a unidade da Igreja, brilha a luz da manhã da Páscoa! E o Papa exortou:

Desejo renovar o desejo, expresso pelos meus Predecessores, de manter diálogo com todos os irmãos em Cristo, para encontrar uma forma de exercer o ministério próprio do Bispo de Roma, que, em conformidade com a sua missão, possa se abrir a uma nova situação e ser, no contexto atual, um serviço de amor e de comunhão reconhecido por todos”.

O Papa Francisco concluiu seu pronunciamento admoestando a colocar de lado as hesitações que herdamos do passado e abrir o nosso coração à ação do Espírito Santo, Espírito de Amor e de Verdade, para juntos caminhar rumo ao dia abençoado da tão desejada plena Comunhão.

Informações: News.va

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28 fevereiro, 2014

Cardeal Koch: 2017 não é motivo algum para comemoração.

O Cardeal Koch mantém comentários feitos em 2012: “Não podemos comemorar um pecado”.

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Cardeal Kurt Koch em Entrevista à EWTN-TV com Paul Badde: “Naturalmente, todo católico quer ser evangélico, no sentido de que ele não conhece nenhum outro fundamento a não ser o Evangelho”

Dom Kurt Koch

Dom Kurt Koch

Por Kath.net | Tradução: Fratres in Unum.com – O ano de 2017 será dedicado à Reforma, ocorrida há 500 anos. No entanto, na opinião do Cardeal Kurt Koch, não existe motivo para comemoração. O Presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos percebe o cisma assim criado como algo trágico. Ao contrário do chamado de Jesus “Que todos sejam um”, a cristandade está dividida em católicos, ortodoxos e protestantes. Segundo Koch, esses conceitos confessionais expressam “todo o drama do Cisma”. A expressão “evangélico” não deve se limitar apenas ao protestantismo: ” Naturalmente, todo católico quer ser evangélico, no sentido de que ele não conhece nenhum outro fundamento a não ser o Evangelho”. E da mesma forma ocorre com a expressão “ortodoxo”.

Na entrevista com Paul Badde, o correspondente da EWTN em Roma conversa com o Cardeal Koch sobre os desenvolvimentos e chances do ecumenismo. Ele explica os progressos no diálogo com as igrejas orientais e os novos desafios do pentecostalismo, que é bastante ativo na América Latina e África. A entrevista abordou também o tópico sobre o próximo encontro entre o papa Francisco e o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, em maio, na Terra Santa. O primeiro encontro desse tipo entre os representantes eclesiásticos ocorreu há 50 anos, em 1964, quando o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras reuniram-se em Jerusalém e, pouco tempo depois, levantaram as excomunhões mútuas.

Observação: Entrevista com o Cardeal Koch à EWTN na quarta-feira 27 de fevereiro, às 20:30H Uhr www.ewtn.de

Paul Badde: Entrevista com o Cardeal Kurt Koch à KathTube – Parte 1 e Parte 2.

23 julho, 2013

JMJ 2013 – Ele, o padroeiro dos bons garotos, voltou.

0207 21072013172957CNBB – A programação da Jornada Mundial da Juventude (JMJ Rio 2013) já começou com o “Encontro Inter-Religioso entre católicos, judeus e muçulmanos” na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Os palestrantes do debate foram unânimes ao apontar o diálogo como ferramenta fundamental para a convivência pacífica entre povos e culturas.

A discussão entre jovens e representantes das religiões esteve focada na unidade entre os que professam a fé em um único Deus. “Começamos a Jornada exatamente no ponto central: poder acolher as diferenças. O Papa Francisco tem insistido muito na importância de saber dialogar com as diferenças. Acho que realmente é esse o espírito que nos move na Jornada”, disse padre Josafá Siqueira, reitor da PUC-Rio. Durante o evento, os debates abordaram o potencial transformador da juventude e os motivos que se tem para seguir os princípios ensinados por Deus através da Sagrada Escritura. “Jovem, vá ao texto sagrado! As atitudes de Deus descrita na Torá é para que nós imitemos. Nós temos que imitar Deus”, comentou o rabino Abraham Shorka.

Para a jovem muçulmana brasileira Samia Isbelle, da equipe de organização do evento, o encontro simboliza a vontade de uma nova vida pautada pela tolerância e amor. “Acho que o fato de estarmos aqui comprovou que as pessoas enxergam que a melhor forma de viver é respeitar um ao outo, conhecer e dialogar”, disse. Fizeram parte da mesa do encontro o arcebispo do Rio de Janeiro e presidente do Comitê Organizador Local (COL), Dom Orani João Tempesta; o rabino Heliel Haber e os sheiks Jihad Hassan e Hamed Mohammed Wali Khan. Também estiveram presentes o presidente da Conferência Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CNBB, José Francisco Biasin (foto à esq.); representantes da Nicarágua, Bolívia, Argentina, El Salvador, Argélia e Espanha.0169 21072013172940

Nesta semana, a PUC-Rio também vai receber mais dois eventos da JMJ Rio2013. Segunda, 22, das 9h às 13h30, será realizada a “Conferência da Sustentabilidade” sobre o “Compromisso da JMJ para a salvaguarda da Criação”. Criado por jovens católicos de várias partes do mundo, a conferência é um dos frutos do legado ambiental da Jornada. A conferência ocorrerá no Auditório do RDC, localizado no interior do campus da Gávea. Na tarde de quarta, o ginásio da PUC-Rio reunirá jovens do Movimento Eucarístico Jovem (MEJ) para momentos de partilha, oração e testemunhos. O encontro será de 16h às 19h.

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A seguir, imagens de uma celebração toda amorosa com o padroeiro dos bons meninos:

25 janeiro, 2013

Tolerância e paz ou irenismo puro?

Religiosos comemoram dia contra a intolerância religiosa no Rio de Janeiro.

Religiosos comemoram Dia de Combate à Intolerância Religiosa no Rio de Janeiro.

Fratres in Unum.com – Um dia após as comemorações do mártir São Sebastião, padroeiro da cidade, a Arquidiocese do Rio de Janeiro participou das celebrações do Dia Nacional de combate à Intolerância Religiosa, organizadas na Cinelândia, e armou sua tenda junto com as demais religiões para divulgar a Jornada Mundial da Juventude.

Segundo a edição 779 do jornal arquidiocesano “O Testemunho de Fé”, os visitantes que lá estiveram puderam contar com show do padre Omar Raposo — que, não fosse a projeção que o sacerdócio lhe dá, não cantaria nem nos piores dos botecos do Rio —  e a presença do padre Jorge Luis Neves Pereira da Silva, vulgo Padre Jorjão: dupla famosa de admiradores e abençoadores de Oscar Niemeyer, escolas de sambas, novelas das 8 e Fábio de Melo. Ainda segundo o mesmo periódico, “a participação da Igreja Católica no movimento em defesa do respeito e da liberdade religiosa tem sido ampla desde o Concílio Vaticano II, com a publicação, em novembro de 1964, do decreto sobre o ecumenismo Unitatis Redintegratio, e em outubro de 1965, da Declaração Nostra aetate sobre a Igreja e as religiões. Em busca da restauração da unidade entre todos os cristãos e em favor da paz e do amor entre a humanidade, mesmo sem concordar com outras doutrinas, os documentos conciliares reconhecem que todas as manifestações religiosas são expressões da fé e da cultura de cada povo, e, por isso é preciso acolher com respeito todas as religiões. Esse diálogo acontece na perspectiva de ir ao encontro das aflições humanas, comuns a todos os povos, pois é por meio das religiões que os homens procuram resposta aos mais profundos anseios e questionamentos da condição humana.”

E qual seria o propósito de tal evento em uma cidade, para usarmos um eufemismo e não falarmos de apostasia, tão aberta à pluralidade religiosa como o Rio de Janeiro, onde qualquer denominação pode abrir seu templo sossegadamente e onde pessoas dos mais diversos credos podem sair às ruas trajadas segundo suas crenças ou ainda falar publicamente sobre elas? O diácono Nelson Águia, um dos envolvidos, responde: “Nós não vamos ali debater questões dogmáticas, doutrinárias, isso nós deixamos para os teólogos. O que nós queremos é demonstrar ao mundo que as religiões pregam o amor e a fraternidade. E a Igreja Católica, claro, não ficaria fora disso, é uma missão dada por Jesus: ‘amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”.

Resta-nos apenas fazer algumas indagações aos padres da Arquidiocese do Rio de Janeiro: em vista de eventos como esse, poderia um sacerdote da arquidiocese pregar livre e coerentemente, em suas homilias, programas de rádio ou artigos, que a Igreja Católica é a única Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, que as outras religiões não pregam paz e amor, mas o erro, e que levam as almas à perdição eterna? Ou tal pregação seria considerada intolerante? A explanação do “Testemunho de Fé” sobre o Concílio Vaticano II e, mais do que isso, a aplicação dessas idéias no evento irenista da Cinelândia estão de acordo com a “hermenêutica da continuidade”?

Tudo em nome da divulgação da Jornada Mundial da Juventude, evento alardeado com todo dinheiro e estratégias de marketing possíveis e imagináveis, mas que apenas maquia o estado cadavérico do catolicismo no Rio, estado com menor proporção de católicos do Brasil.

Também em Brasília o Dia de Combate à Intolerância Religiosa foi comemorado:

O que se pode esperar do comitê petista fundado na comemoração deste ano, ainda mais com uma ministra que é uma ardorosa defensora dos “direitos humanos”? Trata-se de mais uma de muitas medidas para a perseguição à única religião verdadeira, a Católica. Lamentavelmente, poucos compreendem que “primeiro, a religião que vem do céu é verdade, e é intolerante com relação às doutrinas errôneas; segundo, a religião que vem do céu é caridade, e é cheia de tolerância quanto às pessoas”.

É a esse movimento irênico de implantação de uma religião universal que a Arquidiocese do Rio e outros católicos ingênuos dão, conscientemente ou não, aval.