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29 março, 2014

O testamento de Mario Palmaro.

A última entrevista de Mario Palmaro - A Mensagem aos Tradicionalistas: “Disseminem a Fé no Mundo”

A OPORTUNIDADE PERDIDA DOS LEFEBVRIANOS

Professor Palmaro, o senhor (e o mundo eclesial que de alguma maneira o senhor interpreta) justificadamente apoiou a tentativa do Papa Bento de trazer à [plena] comunhão o movimento “cismático” lefebvriano. Porém, em julho de 2012, quando o seu Capítulo Geral recusou o convite da Santa Sé, qual foi a sua opinião sobre essa questão? O que o senhor acha agora dessa atitude?

Embora eu nunca tenha feito parte da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), fundada por Monsenhor Marcel Lefebvre, tive a sorte de conhecê-los em primeira mão há alguns anos. Junto com o jornalista Alessandro Gnocchi, decidimos ver esse mundo com os nossos próprios olhos e também descrevê-lo em dois livros e alguns artigos. Devo dizer que muitos preconceitos que eu tinha se comprovaram infundados; encontrei vários bons padres, freiras e irmãos dedicados a uma experiência séria da vida católica, adornada com abertura e cordialidade. Tive uma impressão muito boa da figura de Dom Bernard Fellay, o bispo que lidera a FSSPX – um homem bom e com grande fé. Descobri um mundo de fiéis leigos e padres que rezam todos os dias pelo Papa, embora tenham se colocado em atitude definitiva de crítica, especialmente, com relação à liturgia, liberdade religiosa e ecumenismo. Vimos muitos jovens, muitas vocações religiosas, muitas famílias católicas “normais” que frequentam a Fraternidade. Padres de batina, que caminhavam pelas ruas de Paris ou Roma, eram abordados por pessoas que lhes pediam conforto e esperança.

Estamos bem familiarizados com o polimorfismo da Igreja contemporânea no mundo, o que significa que hoje em dia denominar-se católico não é a mesma coisa que seguir a mesma doutrina; a heterodoxia está amplamente difundida e há freiras, padres e teólogos que abertamente contestam ou negam partes da doutrina católica. Por essa razão, nos indagamos: Como é possível que haja espaço para todo mundo na Igreja, exceto para esses irmãos e irmãs que são católicos em cada aspecto e que são absolutamente fiéis a 20 de todos os 21 concílios que ocorreram no curso da história católica?

Enquanto escrevíamos o primeiro livro, chegaram notícias sobre o levantamento das excomunhões através da decisão histórica do Papa Bento XVI. O que permaneceu nesse ponto foi uma regularização canônica da Fraternidade. O Papa Bento acreditava nessa reconciliação ternamente e ela ainda precisa ser concretizada. Afirmo que o pontificado de Bento foi uma oportunidade histórica para a plena reconciliação e deixá-la passar foi uma verdadeira vergonha. Sempre afirmei que a FSSPX deve fazer tudo o que for possível para a sua regularização canônica, mas eu acrescentaria que Roma tem que dar a Monsenhor Fellay e a seus fiéis a garantia de respeito e liberdade, acima de tudo na celebração do Vetus Ordo e na doutrina que normalmente é ensinada dentro dos seminários da Fraternidade, a doutrina perene.

AGRESSIVIDADE DEFENSIVA

O apoio total em relação ao Papa Bento XVI não parece ocorrer com o Papa Francisco. Os papas são aceitos ou eles são “escolhidos”? O que o papado representa hoje em dia?

O fato de um papa ser “apreciado” pelas pessoas é completamente irrelevante à lógica de dois mil anos da Igreja: o papa é o Vigário de Cristo na Terra e ele tem que agradar a Nosso Senhor. Isso significa que o exercício do seu poder não é absoluto, mas está subordinado ao ensinamento de Cristo, que se encontra na Igreja Católica, em Sua Tradição, e é promovido pela vida da Graça através dos Sacramentos.

Agora, isso significa que o próprio papa pode ser julgado e criticado pelos católicos [ordinários], contanto que isso aconteça na perspectiva de amor pela verdade, e que a Tradição e o Magistério sejam utilizados como critério de referência. Um papa que contradiga um predecessor em questões de fé e moral, sem dúvida, tem de ser criticado.

Precisamos desconfiar tanto da lógica mundana, em que o papa é julgado pelos critérios democráticos que satisfaçam a maioria, quanto da tentação à “papolatria”, de acordo com a qual “o papa está sempre certo.” Além disso, há décadas nos acostumamos a criticar muitos papas do passado de maneira destrutiva, demonstrando uma parca seriedade historiográfica; bem, não vemos razão porque os papas reinantes ou os mais recentes tenham que ser poupados de qualquer tipo de crítica. Se Bonifácio VII ou Pio V são julgados, por que não julgar Paulo VI ou Francisco?

CONTRA O MODERNISMO

No mundo dos sites (internet) e revistas sobre a Tradição, nota-se uma frequente exibição de forte agressividade. É verdade? Quais são as causas? O que o senhor acha disso?

Os problemas comportamentais de algumas pessoas ou entidades relacionadas à Tradição é algo sério e não podem ser negados. Uma verdade apresentada ou proposta sem caridade é uma verdade traída. Cristo é o nosso caminho, verdade e vida; portanto, devemos sempre seguir o Seu exemplo, pois Ele sempre foi firme na verdade e invencível na caridade. Creio que o mundo da Tradição às vezes é mordaz e polêmico por três motivos: o primeiro é uma determinada síndrome de isolamento, que os torna desconfiados e vingativos, e se manifesta através de problemas de personalidade; o segundo é o escândalo genuíno que certas tendências do catolicismo contemporâneo causam naqueles que conhecem o ensinamento doutrinal dos papas e da Igreja antes do Vaticano II; o terceiro, pela falta de caridade que o catolicismo oficial tem demonstrado a esses irmãos, que são interpelados com desprezo como “tradicionalistas” ou “lefebvrianos”, olvidando que, de qualquer maneira, eles estão mais próximos da Igreja do que os membros de qualquer outra confissão cristã jamais puderam estar ou mesmo qualquer outra religião. A imprensa católica oficial não dedica nem sequer uma linha a essa realidade – que inclui centenas de padres e seminaristas – e ainda assim eles são capazes de oferecer páginas a pensadores que não têm nada, ainda que vagamente, do pensamento católico.

Ao comentar sobre a instrução do Vaticano com relação aos Franciscanos da Imaculada, o senhor invocou objeção de consciência para os religiosos quanto às indicações litúrgicas. De que maneira [então] os religiosos devem obedecer a sua família espiritual? Como o senhor coloca a objeção de consciência na tradição do Syllabus?

No meu ponto de vista, a questão dos Franciscanos da Imaculada é muito triste. Ela diz respeito às disposições tomadas por um comissário externo e decidida por Roma com pressa incomum e gravidade igualmente inexplicável. Uma vez que conheço essa família religiosa muito bem, acho que essa decisão é completamente injustificável e [assim] juntamente com outros três expoentes apresentei um pequeno apelo ao Vaticano.

Em suma, lembre-se que as disposições “destitua” o fundador e proíba a celebração do Rito Antigo a todos os sacerdotes da Congregação constitui uma flagrante contradição ao que foi estabelecido por Bento XVI em seu Motu Proprio, Summorum Pontificum. Você está certo: a resistência a uma ordem de autoridade legítima sempre cria um problema para o cristão, ainda mais se ele faz parte de uma família religiosa. Não obstante, nesse caso há alguns aspectos claramente inaceitáveis, e afirmo que os padres dos Franciscanos da Imaculada devem continuar celebrando a Missa na Forma Extraordinária do Vetus Ordo, assegurando que o birritualismo que conheço era a prática normal dos frades. Eu acrescentaria que, em uma Igreja sacudida por milhares de problemas e rebeliões, em que congregações gloriosas estão desaparecendo por falta de vocações, não é bom ver os Franciscanos da Imaculada sendo atingidos dessa maneira, uma vez que eles têm vocações abundantes em todo o mundo.

Em sua opinião, quais são os limites mais evidentes da sensibilidade católica “conciliar” (ou “liberal” se o senhor preferir)? Quais são as suas fragilidades mais evidentes?

Na minha opinião, o problema fundamental é o seu relacionamento com o mundo,  marcado por uma atitude de sujeição e dependência, quase como se a Igreja precisasse Ela mesma adaptar-se aos caprichos dos homens, quando, na verdade, sabemos que é o homem que precisa se adaptar à vontade de Cristo, o Rei da história e do universo. Quando Pio X atacou o Modernismo severamente, ele queria afastar essa tentação mortal do catolicismo: a mudança de doutrina para acompanhar o espírito do mundo. Uma vez que a humanidade tem sido presa do processo de dissolução que começou com a Revolução Francesa (seguida pela modernidade e pós-modernidade) a Igreja é mais do que chamada a resistir a esse espírito do mundo. Ao invés disso, muitas escolhas feitas pela Igreja nos últimos 50 anos são um sintoma de sujeição [a esse espírito do mundo]: a reforma litúrgica, que construiu a Missa para as sensibilidades contemporâneas pela destruição de um Rito em vigor há séculos, orientando tudo em direção à palavra, à assembleia, à participação, [e ao mesmo tempo] diminuindo a centralidade do Sacrifício; a insistência no sacerdócio universal, que tem desvalorizado o sacerdócio ministerial, desanimado gerações de padres e acarretado uma crise sem precedentes nas vocações; a arquitetura “sacra”, que construiu monstros antilitúrgicos; a abolição de facto dos Novíssimos, quando o tema da salvação de almas (e o risco de condenação eterna) é o único assunto sobrenatural que diferencia a Igreja de uma agência filantrópica; e daí por diante.

TORNAR-SE SANTOS

Os crentes estão unidos no essencial e estão divididos em questões controversas. Entretanto, todo mundo é chamado a respeitar e acompanhar àqueles que estão atribulados pelo sofrimento e pelas fatigas da vida. Como é que as sensibilidades espirituais de alguém se modificam quando essa pessoa experimenta o sofrimento ao longo dos dias com violência, como está acontecendo com o senhor?

A primeira coisa que nos abala a respeito da doença é que ela nos atinge sem qualquer aviso e em um momento que não decidimos. Ficamos à mercê dos acontecimentos e não podemos fazer nada a respeito, a não ser aceitá-los. A enfermidade grave nos obriga a estarmos cientes de que somos verdadeiramente mortais; mesmo se a morte é a coisa mais certa no mundo, o homem moderno tende a viver como se ele nunca fosse morrer.

Na doença você compreende pela primeira vez que a vida na Terra é apenas um sopro, você reconhece com amargor que você não se tornou aquela obra prima de santidade que Deus queria. Você experimenta uma profunda nostalgia pelo bem que poderia ter feito e pelo mal que poderia ter evitado. Você olha para o Crucifixo e compreende que este é o coração da Fé; sem sacrifício o catolicismo não existiria. Então, você agradece a Deus por tê-lo tornado um católico, um “pequeno” católico, um pecador, mas alguém que tem uma Mãe atenta na Igreja. Assim, a enfermidade grave é um tempo de graça, mas frequentemente os vícios e as misérias que nos acompanharam na vida permanecem ou até mesmo aumentam [durante ela]. É como se a agonia já tivesse começado, e existe uma batalha sendo travada pelo destino da minha alma, porque ninguém pode estar seguro da sua própria salvação.

Por outro lado, esta enfermidade permitiu que eu descobrisse uma quantidade impressionante de pessoas que me amam e que rezam por mim; famílias que recitam o Rosário à noite com os seus filhos pela minha recuperação. Não tenho palavras para descrever a beleza dessa experiência, que é uma antecipação do amor de Deus e da própria eternidade. O maior sofrimento que experimento é a ideia de ter de deixar este mundo que de tanto gosto e que é tão belo mesmo que também seja tão trágico; de ter que deixar muitos amigos e parentes; mas acima de tudo, de ter que deixar a minha esposa e meus filhos, que ainda estão em tenra idade.

Às vezes imagino meu lar, meu estudo vazio e a vida que continuarei lá, mesmo se não estiver presente. É uma cena que dói, mas é extremamente realista: ela me faz perceber a inutilidade do servo que tenho sido, e que todos os livros que escrevi, as conferências que proferi e os artigos que redigi são nada mais do que palha [NdT.: possível alusão a Santo Tomás de Aquino, que afirmara a mesma coisa após uma experiência mística ao final de sua vida]. Porém, minha esperança está firmada na misericórdia do Senhor e no fato de que outras pessoas recolham parte das minhas aspirações e batalhas e continuem o “antigo duelo”.

[Fonte original: Settimana (Ed. Dehoniane), 27 de outubro de 2013, edição nº 38/2013, p. 12-13. Tradução para o português de Fratres in Unum.com feita a partir da tradução para o inglês de Francesca Romana]

22 março, 2014

Querem jovens? Dêem-lhes a Tradição!

Vídeo que os jovens do Distrito Alemão da FSSPX fizeram em resposta ao infeliz filme Kreuzweg (“Via Sacra”), do diretor alemão Dietrich Brüggermann. O filme narra a vida de uma adolescente alemã de 14 anos que se prepara para receber o Sacramento da Crisma. Maria, a anoréxica protagonista, interpretada por Lea van Acken, vive com sua família católica tradicionalista sob o controle de uma mãe controladora e recebe instrução religiosa do padre Weber, da rigorosíssima Fraternidade de São Paulo (baseada na FSSPX). Segundo o enredo do filme, as regras ultra exigentes da vida católica são um fardo e suas expectativas impossíveis de serem alcançadas pela personagem, que, embora deseje fazer a coisa certa e estar próxima de Deus, não consegue negar seus próprios desejos.

Algumas das frases ditas pelos jovens no vídeo:

“É um sentimento maravilhoso estar com todos e ter o mesmo objetivo…”

“Desejo que as pessoas experimentem o que a Fé realmente significa.”

“Uma comunidade na qual eu encontro amor, ajuda e uma família gigantesca.”

“A Missa Antiga me fascina e entusiasma, sobretudo, porque ela simplesmente ensina que a Igreja existe há 2000 anos.”

Para ativar as legendas do Youtube, ver comentário do leitor Jorge Feitoza.

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6 março, 2014

Papa Francisco e a Fraternidade: uma oportunidade.

O artigo original foi publicado por Catholic National Register, que, segundo o autor, não é inimigo dos católicos tradicionais (outras tantas publicações do mesmo autor estão no ar, bem como a EWTN, a qual pertence o jornal, já transmitiu ordenações da FSSP ao vivo), mas que, inexplicavelmente, para desconforto dos editores e leitores, retirou este artigo do ar pouco depois de ser publicado. Assim, o autor teve de o republicar em seu próprio blog.

Por Pat Archbold | Tradução: Fratres in Unum.com  – Provavelmente, muitos dentre vós já viram o vídeo que Tony Palmer publicou semana passada, e que foi empolgante para muitos. Em uma conferência protestante, Tony Palmer, ministro anglicano, trouxe um vídeo de saudação do Papa Francisco gravado pelo celular. O assunto de ambos o vídeo e a palestra era a unidade dos cristãos.[1]

Em seu comentário, o Papa Francisco fez as seguintes afirmações aos nossos irmãos separados acerca da separação: “Separados porque… o pecado que tem nos separado, todos os nossos pecados… os mal-entendidos ao longo da história. Tem sido uma longa estrada de pecados a que compartimos. A quem culpar? Todos nós pecamos. Só há um [sic] inculpável, o Senhor.”

Isto é certamente verdadeiro. Apesar da verdade da doutrina católica, a Igreja [sob João Paulo II] aceitou sua parte na vergonha pelos mal-entendidos que permitiram aprofundar e empedernir a divisão, conduzindo a séculos de separação.

Quando eu ouvi isso, veio-me imediatamente à mente algo escrito pelo predecessor do Papa Francisco. Em 2007, junto ao motu proprio Summorum Pontificum, o Papa Bento XVI emitiu uma carta explicando suas razões. Nela, ele fez a seguinte afirmação:

Olhando para o passado, para as divisões que no decurso dos séculos dilaceraram o Corpo de Cristo, tem-se continuamente a impressão de que, em momentos críticos quando a divisão estava a nascer, não fora feito o suficiente por parte dos responsáveis da Igreja para manter ou reconquistar a reconciliação e a unidade; fica-se com a impressão de que as omissões na Igreja tenham a sua parte de culpa no facto de tais divisões se terem podido consolidar. Esta sensação do passado impõe-nos hoje uma obrigação: realizar todos os esforços para que todos aqueles que nutrem verdadeiramente o desejo da unidade tenham possibilidades de permanecer nesta unidade ou de encontrá-la de novo. Vem-me à mente uma frase da segunda carta aos Coríntios, quando Paulo escreve: «Falámo-vos com toda a liberdade, ó Coríntios. O nosso coração abriu-se plenamente. Há nele muito lugar para vós, enquanto no vosso não há lugar para nós (…): pagai-nos na mesma moeda, abri também vós largamente o vosso coração» (2 Cor 6, 11-13). É certo que Paulo fala noutro contexto, mas o seu convite pode e deve tocar-nos também a nós, precisamente neste tema. Abramos generosamente o nosso coração e deixemos entrar tudo aquilo a que a própria fé dá espaço[2].

Parece-me que este é um dos momentos críticos na história aos quais Sua Santidade se refere.

Com o fim das discussões entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X no crepúsculo do pontificado anterior, com a opinião pública durante o primeiro ano do atual pontificado e com outros eventos internos, os católicos tradicionais, tanto de dentro quanto de fora [sic] da Igreja, têm se sentindo cada vez mais marginalizados. Se justo e verdadeiro, eu digo sem medo de contradição que esse é o sentimento predominante.

Essa percepção de marginalização manifestou-se numa crescente retórica estridente e francamente desrespeitosa por parte de alguns tradicionalistas e seus líderes.

Eu tenho grande preocupação de que, sem toda a generosidade dos líderes da Igreja que a fé permite, esta separação, esta ferida na Igreja, torne-se permanente. De fato, sem tal generosidade, eu só posso esperar isso. A separação permanente e o sentimento de marginalização provavelmente separarão mais almas do que as atualmente associadas à Fraternidade.

Chego até mesmo a acreditar que o Papa Francisco é exatamente o Papa certo para isso. Em sua mensagem aos evangélicos [sic], ele deixa clara sua real preocupação pela unidade.

Aqui, então, está o que peço. Eu peço ao Papa que aplique esta larga generosidade à Fraternidade e normalize as relações e seu estatuto dentro da Igreja. Estou pedindo ao Papa para fazer isso ainda que sem o total acordo acerca do Segundo Concílio do Vaticano. Quaisquer que sejam as discordâncias, com certeza podem ser trabalhadas com o tempo com a Fraternidade firmemente implantada na Igreja. Eu penso que a Igreja deva ser mais generosa no que respeita à unidade do que insistir em uma aderência dogmática de uma interpretação de um concílio não dogmático. Os problemas são reais, mas eles devem ser trabalhados com nossos irmãos dentro de casa e não com as portas trancadas.

Além do mais, o compromisso do Papa Francisco com os objetivos do Concílio Vaticano II é inquestionável. Com uma sua generosidade neste sentido, ninguém jamais a interpretaria como uma rejeição ao Concílio. Como poderia ser isso?! Tal percepção não ocorreria no pontificado anterior. O Papa Francisco é singularmente adequado a tal magnânimo momento.

Eu creio que essa generosidade seja tanto garantida pela Igreja como Sua prática comum. Nós não insistimos com as ordens religiosas que se dispersaram ainda mais profundamente na direção contrária que assinem uma cópia da Pascendi Dominici Gregis antes de poderem ser chamadas católicas de novo. Então, por-favor, não insistamos o contrário com a Fraternidade. Deveríamos nós requisitar mais de um grupo para o qual, doutrinalmente, não teria sequer uma orelha em pé há cinquenta anos? Rezo para que não.

Dai-lhes estatuto canônico e estrutura organizacional que os proteja. Trazei-os para casa, pelo bem deles e de inúmeras outras almas. Eu realmente creio que tal generosidade será recompensada sete vezes mais. O Papa Bento já fez muito do trabalho pesado, que tudo que é necessário agora é um pouquinho mais.

Por-favor, Beatíssimo Padre, não nos deixeis este momento passar e esta fenda se transformar em um abismo. Fazei esta oferta generosa e salvai a Igreja de uma ulterior divisão. Fazei isso de modo que nenhum de Vossos sucessores possa jamais dizer: “se pelo menos tivéssemos feito um pouco mais”.


[1] [N.T.] Este é o período em que ocorre, no hemisfério norte, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Por isso, tanto se tem falado sobre esse assunto. Já no Brasil, esta Semana ocorre como preparação para Pentecostes, enfatizando-se o caráter neopentecostal do ecumenismo tupiniquim.

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13 fevereiro, 2014

FSSPX: Ecumenismo ou não?!

Por Pe. John Hunwicke[1]

Tradução: Fratres in Unum.com* – Na relação entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X, há um enorme problema fundamental, o qual é tão óbvio que pouquíssimas pessoas o mencionam. Como membro de um Ordinariato, outro e bem sucedido esforço ecumênico de Bento XVI, eu tenho um natural interesse nesta questão e rezo para sua solução. Este é o locus standi desde o qual eu faço a seguinte pergunta.

Fraternidade e Vaticano… é matéria de ecumenismo ou de disciplina eclesiástica? A Fraternidade é um grupo de amados Irmãos Separados para os quais nós católicos devemos, de acordo com o mandato do Vaticano II, esticar cada um de nossos tendões a fim de conquistarmos a unidade… porque, com sua imensa riqueza espiritual, eles têm tanto a oferecer à Igreja Católica; ou é uma mera porção da Igreja Latina em uma situação canônica irregular que deve ser golpeado vigorosamente na cabeça, como os Franciscanos da Imaculada, até que se arraste abjetamente?

Pe. John Hunwicke

Pe. John Hunwicke

Ambas, Santa Sé e Fraternidade, de fato, conspiram para que se aplique o segundo modelo; Roma por causa de sua natural inclinação a exercer controle sobre a Igreja Latina; a Fraternidade porque se crê não só parte da Igreja Latina, mas até mesmo Sua única parte verdadeiramente saudável e doutrinariamente sólida.

Mas e se Roma, ao menos, tentasse o primeiro modelo? Suponhamos que se fosse tratar o “problema” que a Fraternidade tem com o Vaticano II da mesma maneira que Roma trata os “problemas” dos “nestorianos” ou “monofisitas”? Com estes, Roma está euforicamente contente em assegurar acordos Cristológicos, sem demandar explícita aceitação de Éfeso ou Calcedônia. Ou tomemos os anglicanos, aos quais, sem que aceitem as reais palavras de Trento, foi dito pelos Dicastérios, dentre os quais a Congregação para a Doutrina da Fé, que o último documento (“Clarificações”) da Seção sobre a Eucaristia da Comissão Internacional Anglicano-Católica Romana (N.T.: ARCIC, em seu acrônimo inglês) significava que “nenhum trabalho ulterior” era mais necessário nesta matéria? Ou, coloquemos de outra maneira: se o único obstáculo entre Roma e as Igrejas [Cismáticas] Russa e Grega fosse a Dignitais Humanæ, Roma realmente insistiria que nenhum progresso ulterior seria possível sem uma explícita submissão pelos Ortodoxos [sic] tanto ao documento conciliar quanto à “totalidade do Magistério pós-conciliar”?

(Pensemos nisso, dada a afeição que os hierarcas gregos e russos têm pelo conceito de Estado Ortodoxo e Bizâncio Redivivo, que esta minha última pequena fantasia não seja um cenário tão absolutamente inconcebível. Vocês leram acerca da última proposta de mudança na Constituição russa? Não seria divertido ver o Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos pedir às veneráveis comunidades do Monte Athos a elaboração de um comentário sobre a Dignitatis Humanæ para servir de base para o diálogo entre o Vaticano e a Fraternidade?)

Os burocratas da Cúria estão, pois, tentando tanto manter o bolo quanto o comer. Quando lhes apraz, eles tratam a Fraternidade como súditos desobedientes em vez de Irmãos Separados. Mas quando as exigências da polêmica o requerem, como ocorreu no final do ano passado, eles falam da Fraternidade como estando em cisma ou, até mesmo, de alguma maneira imprecisa excomungados. Mas fariam eles muito bem em pensar cuidadosamente acerca das implicações que tais juízos têm para o status do diálogo. Porque, se os membros da Fraternidade são cismáticos excomungados, então eles se qualificam ao tratamento que Unitatis Redintegratio prescreve para os Irmãos Separados[2].

Ou, para colocarmos o mesmo ponto (novamente) sobre um diverso prisma: A política do Vaticano é realmente de esperar um milênio ou meio para o tempo solidificar e amargurar ainda mais a separação entre Roma e a Fraternidade, e, uma vez que a ruptura seja suficientemente duradoura, acrimoniosa e definitiva, aí então, mas só então, proceder aos rituais fofos e sentimentais dos “braços abertos” para a “querida Igreja irmã” que constituem o processo ecumênico? Eu sei que tem um velho ditado acerca de Roma pensar em termos de séculos… mas é possível que isso seja realmente o plano?

Existe um plano?

A Unitatis Redintegratio do Vaticano II se concentrou sabiamente no que era positivo, aquilo que pode ser seguramente dito que a Igreja Católica e outros grupos têm em comum. (A mesma atitude foi adotada no que concerne às religiões não cristãs.)

Era mais ou menos como olhar a taça de vinho dos ortodoxos [sic] e dizer: “Que bom! Está três quartos (ou mais) cheia.” Mas no diálogo entre o Vaticano e a Fraternidade, o tempo todo foi gasto barganhando se a taça da Fraternidade estaria um miligrama ou dois menos do que cheio.

A Indústria católica de ecumenismo moderna não grita para o mundo ortodoxo [sic] “Vocês têm que aceitar cada palavra dos Decretos de Florença e o Magistério pós-florentino inteiro”. Ou, se faz, fá-lo silenciosamente demais para que eu possa ouvir. Um oficial da Cúria disse recentemente acerca da Fraternidade que “eles têm que mudar sua abordagem e aceitar as condições da Igreja Católica e o Sumo Pontífice”[3]. É essa a maneira que o Vaticano fala dos ortodoxos [sic]… ou dos metodistas…?

Eu penso que a situação concernente à Fraternidade é urgente. Embora o Arcebispo Lefebvre tenha sabiamente escolhido homens jovens para serem consagrados bispos, esses jovens estão agora 25 anos mais velhos. Aproxima-se o tempo em que o problema acerca da consagração de seus sucessores deverá ser encarado. Nós teremos realmente que revisitar, quando este tempo chegar, todos os argumentos intemperados e sem fim acerca do Estado de Necessidade e das Excomunhõe latæ sententiæ? Existe algum outro grupo eclesiástico para o qual a Santa Sé proporia tão lúgubre prospecto como o caminho a seguir para uma alegre reconciliação? Terá sido para nada que Bento XVI cortou aquele particular nó górdio[4] e, fazendo isso, incorreu nas falaciosas calúnias dos ignorantes e dos maldispostos?

O Papa Francisco tem críticos que acreditam que sua abertura, sua humildade, seu desejo de tirar o tapete vermelho, sua preferência por uma Igreja que faz alguma coisa ainda que cometa erros… que tudo isso seja pose e truque midiático. Eu creio que ele seja sincero e de oração.

Mas a crise que ele enfrenta é maior do que é frequentemente admitido. Se Roma não consegue arrumar um lugar sequer para a Fraternidade, com quem tem em comum todas as definições dogmáticas de todos os Concílios Ecumênicos e todas as definições ex cathedra dos Pontífices Romanos, qual a possibilidade real de fazer qualquer progresso com as igrejas e comunidades eclesiásticas mais distantes doutrinalmente? A própria possibilidade de reconciliação eclesiástica, de unitatis redintegratio, está em jogo. Se Roma pode tirar a Fraternidade da jogada, então qualquer coisa pode acontecer. Mas se não… esperamos ansiosamente…

Eu consigo pensar em uma (sólida) razão porque Francisco é o homem para concluir esse episódio. Se Bento o tivesse feito, todos os estúpidos previsíveis da media católica e não católica teriam dito que isso seria só mais uma evidência de que ele é um arquirreacionário. Francisco, resolvendo isso, criará uma perplexidade entre os estúpidos previsíveis, mas sua atual reputação midiática permitiria, se assim podemos dizer, que ele escapasse dessa. Esta é a hora, no início deste pontificado, esse é o momento, o καιρός divino, para tal ação, tempo que provavelmente não se repetirá. (Há evidências de que jornalistas mais perceptivos da mídia liberal estão começando a enxergar através de sua personagem.)

É viável, para o Santo Padre, resolver o “problema” da Fraternidade dentro de dias. O Romano Pontífice tem regularmente uma audiência, creio que quinta-feira à noite, com o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Próxima quinta, ele poderia dar suas ordens ao Arcebispo Müller. Na audiência seguinte, assinaria os documentos[5]. Na quarta seguinte, na Audiência Geral, entre os beijinhos nos bebês e os afagos nos aleijados, ele poderia abraçar em público Sua Excelência Monsenhor Fellay e os outros Reverendos e Reverendíssimos líderes da Fraternidade, na frente de todas as câmeras do mundo e dos jornalistas coçando a cabeça. E, assim como eletrizou o mundo com sua escolha dos pés a lavar e beijar em sua primeira Quinta-feira Santa, Francisco poderia usar uma dúzia de jovens clérigos da Fraternidade no lava-pés de sua segunda Quinta-feira Santa. (Afinal de contas, Paulo VI, quando dos festejos do levantamento das excomunhões de 1054 em Roma, desconcertou o pobre metropolita Meliton ao se prostrar por terra e beijar seus pés… humildade… você sabe, isso faz sentido…)

Então, ele poderia pronunciar um discurso sobre a Reconciliação. Poderia entrar para a história como seu Discurso da Barba de Aarão[6].

Ou, se o Santo Padre não for aventureiro o bastante ou não for suficientemente autônomo para fazer isso, o levantamento da excomunhão de Lefebvre [e do “Leão de Campos”, como é de se supor] poderia ser um primeiro e gracioso gesto.

E, por mais vácuas e pueris que você pense serem as minhas observações e opiniões, mais eu creio que você deva parar de rir e encarar as questões que eu levantei: existe um Plano, outro que não o de esperar por décadas para mudar em séculos a ruptura cristalizada? E: o Vaticano II é modelo de Ecumenismo?


* * *

[1] [N.T.] Pe. John Hunwicke é sacerdote do Ordinariato Pessoal Nossa Senhora de Walsingham para ex-anglicanos na Inglaterra e País de Gales. Quando da ereção do ordinariato, teve sua ordenação postergada por seu “exagerado” fervor católico.

[2] Há ainda um aspecto canônico e pastoral disso. Escritores contrários à Fraternidade comumente afirmam que os casamentos da Fraternidade são inválidos. Mas se a Fraternidade está fora da Igreja, então são tão válidos quanto os casamentos metodistas ou luteranos. E as absolvições são tão válidas quanto a práxis vaticana julga as absolvições ortodoxas [sic]. Não seria, de qualquer forma, um admirável gesto pastoral para a Semana da Unidade dos Cristãos que Roma concedesse jurisdição nestas matérias aos padres da Fraternidade e emitisse uma sanatio para todos os casamentos prévios da Fraternidade? Isto teria a mesma grandiosidade, a mesma generosidade, que o levantamento das excomunhões por Bento XVI.

[3] http://fratresinunum.com/2013/12/23/prefeito-da-congregacao-para-a-doutrina-da-fe-dom-muller-lefebvrianos-sao-cismaticos-de-facto-o-fundador-da-teologia-da-libertacao-sempre-foi-ortodoxo/

[4] [N.T.] Nó górdio é uma metáfora de base mitológica para um problema insolúvel, no caso as excomunhões.

[5] Como os vaticanistas frequentemente assinalam, a solução óbvia seria de “conceder” à Fraternidade precisamente aquilo que, de facto, ela já tem. Isso preservaria a Santa Sé da indignidade das negociatas e reduziria muito consideravelmente o risco de rachas dentro da própria Fraternidade. Dever-se-ia incluir somente duas outras provisões extra, ambas tiradas da Anglicanorum Coetibus: (1) exigir que a Fraternidade delibere junto aos ordinários locais sobre o desenvolvimento de sua missão sem conceder aos ordinários nenhuma possibilidade real de veto; e (2) proporcionar ao Conselho da Fraternidade que envie uma terna à Roma quando de uma vacância episcopal. Poderia, então, ser finalmente nomeado um substituto para Monsenhor Williamson.

[6] [N.T.] Referência ao salmo que dá nome a este site.

* Nosso agradecimento a um caro amigo por sua gentileza e generosidade ao fornecer esta tradução.

23 dezembro, 2013

Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Müller: “Lefebvrianos são cismáticos de facto”, o fundador da Teologia da Libertação “sempre foi ortodoxo”.

Por Rorate Caeli – Tradução: Fratres in Unum.com: De uma entrevista concedida pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Arcebispo Gerhard Müller, ao diário italiano Corriere della Sera, publicada neste domingo:

Com a falha nas discussões [doutrinais], qual é a posição dos lefebvristas?

“A excomunhão canônica devido à ordenação [episcopal] ilícita foi levantada dos bispos, mas permanece a [excomunhão] sacramental, de facto, para o cisma; porque eles se distanciaram da comunhão com a Igreja. Isso posto, não fechamos a porta, jamais, e os convidamos à reconciliação. Porém, eles também precisam mudar a sua abordagem e aceitar as condições da Igreja Católica, e o Supremo Pontífice como o critério último de adesão.”

O que o senhor pode dizer sobre o encontro entre Francisco e [Pe. Gustavo] Gutiérrez em 11 de setembro?

“As correntes teológicas passam por momentos difíceis, as coisas são debatidas e esclarecidas. Contudo, Gutiérrez sempre foi ortodoxo. Nós, europeus, precisamos superar a noção de sermos o centro, sem, por outro lado, nos subestimarmos. Para ampliar os horizontes, encontrarmos um equilíbrio: tenho aprendido isso com ele. Abrimo-nos para uma experiência concreta: ver a pobreza e também a alegria das pessoas. Um Papa Latino Americano tem sido um sinal celeste. Gustavo ficou deslumbrado. E eu também, assim como Francisco”.

19 dezembro, 2013

Dom Bernard Fellay anuncia nova cruzada de rosários.

Por FSSPX – EUA | Tradução: Fratres in Unum.com – A mais nova carta de Dom Fellay aos amigos e benfeitores acaba de ser divulgada. Nela, o Superior Geral da FSSPX descreve brevemente a situação na Igreja, algumas questões tratadas sobre o Papa Francisco, bem como o trabalho apostólico que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X continua fazendo fielmente.

Mais importante, Dom Fellay anunciou uma quarta Cruzada de Rosários com o objetivo de oferecer 5 milhões de rosários a Nossa Senhora pelas seguintes intenções:

  1. Implorar ao Imaculado Coração de Maria uma proteção especial pelo apostolado tradicional;
  2. Pelo retorno da Tradição dentro da Igreja;
  3. Pelo triunfo do Imaculado Coração de Maria pela consagração da Rússia. 

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6 dezembro, 2013

Entrevista de Dom Bernard Fellay, superior da FSSPX, sobre o Papa Francisco.

Mons. Fellay sobre Francisco: «Este não é um homem de doutrina»

Traduzido do original francês por Carlos Wolkartt – Blog Renitência

Esta entrevista foi realizada em vídeo pelo site dici.org, no qual também está disponível a gravação em áudio. Apresentamos a seguir a transcrição completa, onde o estilo oral foi mantido.
A chegada de um novo Papa
Mons. Fellay, Superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, em entrevista ao portal DICI (novembro de 2013).

Mons. Fellay, Superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, em entrevista ao portal DICI (novembro de 2013).

A chegada de um novo Papa é como recomeçar a contar do zero. Especialmente com um Papa que se distingue de seus predecessores por sua forma de atuar, falar e intervir, com grande contraste. Isso pode fazer com que esqueçamos o pontificado anterior, e é basicamente isso que está acontecendo. Pelo menos em relação a certas linhas conservadoras ou reformistas marcadas pelo Papa Bento XVI. É certo que as primeiras intervenções do Papa causaram muita confusão e inclusive quase contradição, em todo caso, uma oposição em relação a essas linhas reformistas.

29 novembro, 2013

Para debate: “Entre tradicionalistas e progressistas: a Santa Sé e seu discurso contínuo sobre a continuidade doutrinária do Vaticano II”.

Nota do Fratres – A caixa de comentários está aberta ao debate sadio e respeitoso. Pedimos que se leve em conta a atual demora na liberação dos comentários, uma vez que há mais de 100 ainda acumulados em virtude de nosso recente recesso.

Por Guilherme Chenta, guilhermechenta.com

FILE PHOTO OF MEETING DURING SECOND VATICAN COUNCIL

Sessão do Concílio Vaticano II (1962 – 1965)

O discurso de 22 de dezembro de 2005, em que o Santo Padre Bento XVI preconizou a “hermenêutica da reforma na continuidade” como chave de leitura do Concílio Vaticano II, foi percebido como um ponto de inflexão no posicionamento da Santa Sé a respeito do concílio: a partir do novo pontificado, os textos conciliares, ao se reduzir o acento sobre o “aggiornamento”, deveriam ser interpretados em continuidade com a Tradição bimilenar da Igreja; analisando-se, porém, alguns documentos dos últimos papas, é possível constatar que a Santa Sé continuamente atestou que os textos do Vaticano II efetivamente não estão e não devem ser lidos em ruptura com a Tradição da Igreja, contrariando, dessa forma, duas correntes de católicos: a dos tradicionalistas, que não aceitam que seja possível interpretar alguns desses textos à luz da Tradição, e a dos progressistas, que não aceitam que se deva interpretá-los nesse sentido. O que se pretende, neste artigo, é demonstrar a continuidade desse discurso, pois se trata de um ponto fundamental para a compreensão da hodierna crise da Igreja, em que três correntes disputam entre si: a dos que defendem a continuidade do Vaticano II, a dos que promovem sua ruptura, e a dos que a denunciam.

2 novembro, 2013

1º de novembro de 1970: há quatro décadas uma obra providencial era erigida pela Santa Igreja.

Há quarenta e três anos…

A FSSPX tem um motivo a mais para se regozijar no dia 1 de novembro, festa de Todos os Santos. Naquele dia, em 1970, a fraternidade sacerdotal foi canonicamente erigida, recebendo a aprovação formal da Santa Sé apenas quatro meses depois.

A FSSPX tem um motivo a mais para se regozijar no dia primeiro de novembro, festa de Todos os Santos. Naquele dia, em 1970, a fraternidade sacerdotal era canonicamente erigida, recebendo a aprovação formal da Santa Sé apenas quatro meses depois.

Por FSSPX-EUA | Tradução: Fratres in Unum.com - O ano é 1971 e a data é 18 de fevereiro. O Cardeal John Wright, Prefeito da Congregação para o Clero, acaba de manuscrever uma carta elogiando e aprovando a Fraternidade de São Pio X em seu gabinete da Cúria Romana.

Esta carta veio como resposta a uma solicitação do Arcebispo Lefebvre para que a Santa Sé aprovasse oficialmente a fraternidade sacerdotal. Apenas uns poucos meses antes,  ,o ano anterior — em 1º de novembro — a fundação da fraternidade sacerdotal, também conhecida como Discípulos de Jesus e Maria, havia sido ratificada pelo ordinário local de Friburgo, Dom Francois Charriere; o mesmo prelado que havia instado fortemente o Arcebispo a assumir a formação de sacerdotes.

Esta solicitação à Congregação para o Clero por parte do antigo Delegado Apostólico na África (mas destinado a se tornar mais conhecido como o “Bastião da Tradição”), era, na verdade, o procedimento normal para o reconhecimento de um instituto religioso. Todavia, o que é bastante extraordinário (e assim revelador da Providência de Deus, mesmo em meio à crise pós-conciliar) é como ela foi dada rapidamente: meros quatro meses após a fundação da Fraternidade, em 1º de novembro de 1970.

Outra característica formidável dentro da carta de aprovação é o elogio do Cardeal Wright à nova fraternidade sacerdotal inserido à mão ao lado do louvor e aprovação dados por outros “Ordinários em diversas partes do mundo”.

A implicação total da Providência “apressando” este procedimento de reconhecimento canônico (um processo que habitualmente demora consideravelmente), ao mesmo tempo em que fazia o elogio para justificar a ação do dicastério da cúria, tornou-se claro à medida e que a crise modernista continuava a se aprofundar na Igreja. Apenas alguns anos mais tarde, o seminário da FSSPX em Ecône, anteriormente digno de elogios, seria acusado pelo episcopado liberal francês de “seminário selvagem“, que carecia de aprovação eclesiástica.

Essa falsa acusação — que olvidava de maneira conveniente que a Fraternidade de São Pio X tinha a aprovação de Roma e era um ramo vivo da Igreja Católica — desencadeou uma onda de perseguição liberal contra a fraternidade sacerdotal, culminando em uma tentativa ilegítima de suprimi-la canonicamente, a qual o Arcebispo Lefebvre respondeu:

… Fomos condenados sem julgamento, sem oportunidade de nos defender, sem a devida advertência ou processo escrito e sem recurso. (Carta Aberta aos Católicos Perplexos )

Ainda assim, apesar da perseguição injusta contra a Fraternidade de São Pio X e contra si mesmo, Dom Marcel Lefebvre -”sem amargura ou ressentimento” – continuou alegremente a conduzir a missão apostólica que Deus desejava que ele conduzisse na providência de tempo na Igreja Católica em favor do sacerdócio e da salvação das almas.

30 outubro, 2013

Peregrinação da FSSPX a Lourdes.

Por Distrito Alemão da FSSPX | Tradução: Fratres in Unum.com - No dia de Cristo Rei [domingo passado], cerca de 4.000 peregrinos participaram da peregrinação anual do Distrito da França à Lourdes.

Igualmente este ano a direção do Santuário disponibilizou aos peregrinos a basílica subterrânea, consagrada a São Pio X, para a Santa Missa.

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A Fraternidade agradece muitíssimo as autoridades eclesiásticas.

Cerca de trinta sacerdotes se juntaram aos peregrinos, entre os quais não poucos enfermos e deficientes.

Bendito seja a Imaculada Conceição a Santíssima Virgem Maria!

Ó Maria, Saúde dos Enfermos, rogai por nós!

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