Posts tagged ‘Hagiografia’

15 outubro, 2015

Uma profecia teresiana sobre os nossos tempos?

Por Mailson Lopes, Terceiro Carmelita | FratresInUnum.com – Em 1515, portanto, há 500 anos, o gênero humano era honrado pelo nascimento de um portento, de uma maravilha das Mãos Sapienciais da Divina Majestade: Teresa de Cepeda y Ahumada, a grande Santa Teresa de Jesus. Mil e um atributos e qualificativos, cada um mais refulgente que o outro, resplandeceram em sua vida de monja, mística, escritora, reformadora, fundadora, poetisa, santa… e profetisa. Sim, profetisa! Discorramos um pouco sobre essa última faceta da Nossa Santa Madre, sobre seus dons proféticos e a sua projeção para os tempos hodiernos.

de_ribera_juan_vicente-santa_teresa_de_jesús-OMebc300-10631_20091103_613_48Os dons místicos com os quais Santa Teresa, o diadema da Ordem do Carmo, foi cumulada em sua vida são incontáveis e maravilham a quem se debruça a conhecer a sua vida. Êxtases, visões, revelações, levitações, arroubamentos, voos de espírito, feridas místicas, clarividência, quietude, transverberação… Dons verdadeiros e extraordinários enviados por Deus para poucas almas de escol e de alto grau de santidade. Um exemplo retumbante dessas graças sobrenaturais foi Santa Teresa haver tido em tempo real a visão do martírio do Beato Inácio de Azevedo S.J.e companheiros, os denominados 40 mártires do Brasil, assassinados por calvinistas franceses em pleno mar, em 15 de julho de 1570, quando se dirigiam à nossa pátria. Nessa visão ela os via subir triunfalmente ao céu e serem coroados, após receberem a palma do martírio. Dentre os mártires, estava um sobrinho da santa, o noviço jesuíta Francisco Pérez de Godoy.

Por ser tão grande santa, não causa estranheza que dentre os seus dons místicos tenha sido galardoada pelo Espírito Santo com o dom da profecia.Sejam relacionadas ao futuro próximo ou longínquo, foram diversas as profecias de Santa Teresa, que, curiosamente, passam despercebidas para muitos de seus devotos e leitores. Assim, apenas para ilustrar, podemos citar os numerosos anúncios proféticos que teve de Nosso Senhor sobre a fundação do Carmelo de São José de Ávila (anos antes de sua concretização), a predição da morte de seu mestre e amigo espiritual São Pedro de Alcântara, a morte de uma de suas irmãs, Maria de Cepeda, a morte do jovem Rei de Portugal Dom Sebastião. Todas as profecias teresianas se cumpriam rigorosamente e foram uma das provas a favor de sua beatificação.

A leitura do Camino de Perfección, da pena de Santa Teresa, leva-nos a considerar mais detidamente alguns excertos dessa obra. Ao longo do capítulo III, voltando-se a Deus Padre, exclama a aludida santa: “Ó, Pai Eterno, vede que não se podem olvidar tantos açoites e injúrias e tão gravíssimos tormentos [infligidos a N.S. Jesus Cristo]. Pois, Criador meu, como podem entranhas tão amorosas como as vossas sofrer que seja tido em tão pouca conta como hoje por estes hereges o Santíssimo Sacramento, a Quem lhe usurpam a sua morada, desmantelando as igrejas? Pai Eterno, Aquele que não teve onde reclinar a cabeça enquanto vivia, e sempre em tantos trabalhos, mas que agora tem um lugar para convidar seus amigos, será agora dele apartado? Já não pagou Ele superabundantemente pelo pecado de Adão? […] Ai que dor, Senhor! Olhai, Deus meu, os meus desejos e as lágrimas com que Vos suplico: tende piedade de tantas almas que se perdem e favorecei a vossa Igreja. Não permitais mais danos à Cristandade, Senhor. Dai já luz a estas trevas.” E em outros capítulos, ainda discorre sobre a queda de tantos sacerdotes, o desmantelamento das igrejas, os desacatos contra o Santíssimo Sacramento, a perda de tantas almas, o afã em se querer abolir os Sacramentos…

Há de se concordar que duas são as leituras possíveis para esses fragmentos teresianos. A primeira, a de uma prece pelos pecados de seus conterrâneos e coetâneos, sobretudo pelos males feitos pelos huguenotes. Essa é uma leitura válida e a mais corrente. Porém, as palavras de Santa Teresa, impregnadas de ênfase e de fulgor, podem ser interpretadas― pensamos nós em nossa humilde percepção ― como uma súplica profética, um prenúncio dos dias de hoje, das vagas que sacodem como nunca dantes a Barca de São Pedro. Ou algum católico de juízo sensato discordaria de que estamos presenciando nesses dias ondas tempestuosas de confusão e impiedade atingirem a nau da Igreja?

Nesse ponto, percebe-se uma clara sintonia espiritual entre as vivas palavras de Santa Teresa e a oração abrasada de São Luís Maria Grignion de Montfort, presente em seu famosíssimo tratado mariano. Mutatis mutandis, o que se diz de um pode aplicar-se ao outro quanto a esse eco profético. Retinem e causam admiração pela sua aplicabilidade aos nossos tempos as palavras ígneas deste santo: “Vossa divina lei é transgredida; vosso Evangelho, desprezado; abandonada, vossa religião; torrentes de iniquidade inundam toda a terra, e arrastam até os vossos servos; a terra toda está desolada: Desolatione desolata est omnis terra; a impiedade está sobre o trono; vosso santuário é profanado, e a abominação entrou até no lugar santo”. Porventura não é esse o quadro que se mostra a nossos olhos em relação à Igreja de Deus nesses últimos tempos, com tantas novidades vãs, estranhas ou até mesmo contrárias à doutrina ou práxis perenes do Catolicismo?

Mas, ainda que se pense que as supramencionadas palavras teresianas e monfortinas aplicam-se apenas à época destes dois baluartes da fé, a questão persiste ainda mais incisivamente. Se as súplicas elevadas de Santa Teresa eram dirigidas para as nações europeias quinhentistas, plasmadas, em geral, num fervor religioso e numa catolicidade atestáveis, o que essa santa não exprimiria pela Igreja de hoje? Se a oração ardente de São Luís de Montfort referia-se a uma época em que a França dava à Igreja centenas de novos sacerdotes a cada ano, inúmeros missionários, uma infinidade de monjas, em sua maioria esmagadora defensores da sã doutrina, o que não exclamaria esse Apóstolo da Virgem sobre os tempos de hoje, sobre os homens e mulheres da Igreja contemporânea? Há dúvida de que não seriam, em ambos os casos, brados elevados aos céus, petições de misericórdia ao Altíssimo, por tantos pecados e perversidades que voltam a crucificar novamente o Divino Redentor e a cravejá-lo de humilhação, indiferença e desprezo?

E o que fazemos nós? Além da vigilância constante, da observância do que nos foi transmitido apostólica e ininterruptamente, afastados de toda inovação suspeita e perniciosa, devemos suplicar a intercessão gloriosa da Santa Madre Teresa de Jesus, entregando ao Altíssimo nossas lágrimas e gemidos pela calamitosa situação em que se encontra a Igreja de Deus, suplicando a Ele, tal como a grande Reformadora do Carmelo: “Senhor, dai já luz a estas trevas. Já, Senhor! […] Fazei que sossegue este mar; não ande sempre em tanta tempestade esta nave da Igreja. E salvai-nos, Senhor meu, que perecemos.” (Camino de Perfección, Cap. III e XXXV).

6 julho, 2015

O reino dos Céus sofre violência e são os violentos que o arrebatam.

Na vida desta humilde criança, que apontamos em breves linhas, podemos ver um quadro não só digno do Céu, mas também digno de ser contemplado com admiração e veneração pelos homens do nosso tempo.

stmariagoretti-1-1Aprendam os pais e as mães de família com quanto empenho devem educar na rectidão, na santidade e na fortaleza os filhos que Deus lhes deu, e formá-los na obediência aos preceitos da religião católica, para que possam, com o auxílio da graça divina, sair vencedores, sem feridas e sem manchas, quando for posta à prova a sua virtude.

Aprenda a alegre infância, aprenda a juventude ardente a não se deixar cair miseravelmente nos prazeres efémeros e ilusórios da paixão, a não ceder ante a sedução do vício, mas antes a combater com alegria, mesmo entre dificuldades e espinhos, para alcançar aquela perfeição cristã de bons costumes, que todos podemos atingir com a força de vontade, ajudada com a graça divina, por meio do esforço, do trabalho e da oração.

Nem todos somos chamados a sofrer o martírio; mas todos somos chamados a adquirir as virtudes cristãs. A virtude, porém, exige energia, que embora não atinja as alturas da fortaleza desta angélica menina, nem por isso obriga menos a um cuidado contínuo e muito atento, que deve ser sempre mantido por nós até ao fim da vida. Por isso, semelhante esforço pode ser considerado um martírio lento e prolongado, ao qual nos convidam estas divinas palavras de Jesus Cristo: O reino dos Céus sofre violência e são os violentos que o arrebatam.

Da Homilia de Pio XII, proferida na canonizacão de Santa Maria Goretti

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22 novembro, 2014

São Josafá Kuncewycz, bispo e mártir ucraniano.

Por Associazione Luci sull’Est | Tradução: Lucas Janusckiewivz Coleta – Fratres in Unum.com: Nascido no ano de 1580 em Wolodymyr, na Volônia (atualmente Ucrânia), São Josafá vem sendo lembrado como símbolo de uma Rússia ferida na luta dos russos cismáticos contra os uniatas (cristãos que abandonaram o cisma e se uniram à Sé Romana). A Diocese de Polock situava-se na Rutênia, região que pertencia a Rússia, mas boa parte da qual passou para o domínio do rei polonês Sigismundo III. A fé dos poloneses sempre foi a católica romana, enquanto na Rutênia como no resto da Rússia os fiéis aderiram à denominada “igreja greco-ortodoxa”.

Tentou-se então a união da Igreja grega com a latina. Mantiveram-se os ritos e os sacerdotes ortodoxos, mas se restabeleceu a comunhão com Roma. Esta igreja, chamada de Uniata, teve aprovação do rei da Polônia e do Papa Clemente VIII. Os cismáticos russos (erroneamente chamados de ortodoxos) acusavam de traição os uniatas, que também não tinham muita aceitação dos católicos do rito latino.

João Kuncewycz, que tomou o nome de Josafá, foi o grande defensor da Igreja uniata. Aos vinte anos, entrou na Ordem dos monges basilianos. Monge, prior, abade e, finalmente, Arcebispo de Polock, empreendeu uma reforma dos costumes monásticos na região da Rutênia, reformando a Igreja uniata. Mas, por causa de seu apostolado, um grupo de russos cismáticos o atacaram, assassinando-o com golpes de espada e tiros de mosquete em 1623.

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4 novembro, 2014

“Reformar-se para reformar”.

Por Padre Cléber Eduardo Dos Santos Dias*

S. Carlos (Orazio Borgianni).

S. Carlos (Orazio Borgianni).

Filho de Gilberto II Borromeu e de Margherita Medici di Marignano, Carlos nasceu de uma família nobre e muito poderosa.

Sobrinho pela parte da mãe do Papa Pio IV, Carlos Borromeu desde cedo foi iniciado na vida eclesiástica. Num tempo em que o nepotismo grassava na Igreja, seu tio o faz Abade Comendatário da Abadia de San Leonardo di Siponto na provincia de Manfredonia. Carlos não tardou a usar todas as rendas que recebia da Abadia em recursos para socorrer os mais necessitados.

Pode-se dizer que na vida de S. Carlos ocorreu o único caso de nepotismo em que valeu a pena ter acontecido.

Chamado a Roma para estar próximo do tio Papa, Carlos trabalhava no cargo que mais tarde vai se chamar de Secretário de Estado. Com a morte de Pio IV em 1556 é-lhe destinada a Diocese de Milão. Carlos parte prontamente para sua diocese, pois acredita que seja obrigação do pastor estar junto de suas ovelhas. A Arquidiocese de Milão, antes da chegada de S. Carlos, estava há 80 anos sem um bispo residente! S. Carlos afirmava: “Nós, ministros de Deus, somos pais, não patrões”.

Em Milão, o jovem Bispo inicia uma série de reformas imprescindíveis, convoca e preside uma dezena de sínodos e concílios particulares, afasta do clero elementos perniciosos que davam mau exemplo, destitui religiosos e religiosas, reforma a vida vida litúrgica e monástica. Implementa o primeiro seminário maior para a formação do clero, dezenas de seminários menores, o seminário helvético milanês, visitou três vezes toda extensa Arquidiocese de Milão, reformou inúmeras igrejas, criou outras tantas paróquias, procurou dar sólida formação cultural e moral ao clero. Como Legado e Visitador Apostólico, empenhou-se em visitar toda a Romagna e as dioceses de Bergamo e Brescia. S. Carlos afirmava: “Reformar-se para reformar”.

"Humilitas" (Humildade), lema da família dos Borromeus, adotado por S. Carlos e pelos padres e Irmãs Carlistas-Scalabrinianos

“Humilitas” (Humildade), lema da família dos Borromeus, adotado por S. Carlos e pelos padres e Irmãs Carlistas-Scalabrinianos

A experiência de Carlos e seu tino administrativo – formou-se em Direito Canônico e Civil aos 20 anos – aliados a uma vida penitente e jejuante, fizeram de S. Carlos o motor incansável do Espírito Santo na diocese milanesa. Arranjou inimigos acérrimos tanto no clero quanto nos patrões e governantes corruptos. Chegou a ser vítima de um atentado a tiros e tentativas de envenenamento.

A Igreja teve a graça de ter S. Carlos como o maior expoente do Concílio de Trento. Analisando os decretos da parte litúrgica e da vida religiosa e clerical pode-se encontrar muitos textos do Concílio de Trento já presentes nos textos emanados por S. Carlos nos Sínodos realizados anteriormente em Milão. A obrigação de os bispos residirem em sua diocese, a luta contra as investiduras, a prática litúrgica e canônica, a prática da evangelização ad extra, a prática das procissões, a fixação dos tempos penitenciais… e muitos mais são os contributos de Carlos Borromeu.

Verdadeiro pai e pastor, S. Carlos apoiou vendendo seus bens e os bens da Igreja para socorrer os famintos assolados pela dura carestia de 1569-1570 e durante a peste de 1576-1577. Os médicos e membros dos serviços de saúde são os primeiros a incentivar a todos que podem a fugir de Milão. S. Carlos obrigou a seus padres que visitassem os doentes, transformassem as igrejas e casas paroquiais em hospitais e alimentassem e cuidassem dos doentes. E não só ordenou que assim fizessem, mas ele mesmo tomou a dianteira em todos esses atos. Cerca de 100 padres de sua diocese morreram atendendo os enfermos da peste e S. Carlos, no entanto, mesmo jejuando, quando muito fazendo uma única refeição ao dia, sem comer carnes ou ovos, manteve-se com a saúde preservada. Chegou a ponto de dar até suas roupas, sapatos e cama para os pobres.

Jejuando, impondo-se o cilício e flagelando-se em procissão penitencial clamava a Deus pelo fim da peste, pedindo a sua e a conversão de todos. Indicava que a peste era um castigo de Deus pelo modo corrupto como vivia sociedade e os grandes de sua época. O Governador de Milão, descontente com a pregação de S. Carlos, promove na data da grande procissão jogos públicos para que o povo não vá atrás do Arcebispo. S. Carlos garantiu que quem fizesse a procissão seria poupado da peste e veria o fim da mesma. Tal se deu… no leito de morte, tomado pela peste, o Governador pede perdão público a S. Carlos e ao povo e é assistido pelo Pastor de Milão. Como voto público em agradecimento pelo fim da peste, S. Carlos raspou a barba que sempre trazia. Imagens de S. Carlos com barba são quase desconhecidas.

S. Carlos (Giovanni Ambrogio Figino)

S. Carlos (Giovanni Ambrogio Figino)

Um golpe duro para S. Carlos, para além da perseguição e contrariedade por parte do poderosos da terra, foi provocado pela supressão que teve de fazer na Ordem dos Umiliati. Por ordem do Papa Pio V, procedeu a reforma e posterior supressão da dita ordem por ela estar se aproximando das idéias protestantes e calvinistas e por ter adotado suas práticas. Quatro membros, poderosos e corruptos, atentam contra a vida de S. Carlos. Um deles, Gerolammo Donati, o Farina, aproveitando que S. Carlos estava rezando ajoelhado dispara com um arcabuz nas costas do prelado. Os assistentes ficam maravilhados, pois a bala atinge apenas o estofo da veste de S. Carlos e não lhe acusa dano maior que um pequeno inchaço no local onde a bala deveria entrar. Os quatro frades são presos pela autoridade civil. O Papa Pio V envia a Milão um inquisidor para julgá-los. S. Carlos intervêm pedindo sua libertação e perdão, mas os magistrados civis os condenam à morte. A ordem dos Umiliati é supressa e seus bens são destinados aos jesuítas e à evangelização.

Nos últimos anos de sua vida de extenuante trabalho e doação, S. Carlos vê suas forças enfraquecerem. Aos 2 de Novembro de 1584, voltando de uma visita pastoral a Lago Maggiore, encontra-se febril. Dissuade àqueles que queriam que descansasse dizendo: “Um bispo precisa passar bem por três febres para meter-se na cama”. Na noite do dia 3 para 4 de Novembro de 1584, São Carlos Borromeu, aos 46 anos de idade, entrega sua vida a Deus, cheio de obras e dons diante de Deus e dos homens. S. Carlos afirmava: “Anunciai, antes de tudo, com a vida e a santidade”. Algumas “pequenas” obras de S. Carlos:

A) Dirigiu a redação do Catecismo Romano;

B) Fundou 740 Escolas Catequéticas para o povo;

C) Fundou numerosas escolas;

D) Fundou um colégio para os nobres;

E) Convocou e presidiu dezenas de Sínodos e Concílios Provinciais,

F) Fundou o primeiro Seminário Maior para a formação do clero;

G) Visitou pastoralmente 3 vezes toda a extensa Arquidiocese de Milão;

H) Visitou as dioceses limítrofes lombardas, piemontesas, lígueres, venezianas como Visitador Apostólico;

I) Criou a Congregação dos Oblatos de S. Ambrósio para a formação do clero.

* * *

*Agradecemos vivamente a gentileza do autor por sua colaboração para o Fratres.

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21 setembro, 2014

Foto da semana.

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Neste [último] dia 19 de setembro ocorreu um dos eventos mais interessantes da Igreja. Não é um milagre como outros que conhecemos, mas um que acontece 3 vezes por ano.

Quando São Januário foi decapitado em 305, recolheram seu sangue em 2 ampolas, que foram encerradas numa teca de prata. O sangue passa a maior parte do tempo coagulado, algo natural. Contudo, no primeiro sábado de maio, no dia 19 de setembro e durante uma semana em dezembro, o seu sangue se liquefaz (foto) tal como estivesse dentro de uma pessoa viva. O milagre atrai muitas pessoas.

Na foto, o Cardeal Crescenzio Sepe, Arcebispo de Nápoles, mostra as ampolas com o sangue líquido novamente.

Fonte: Direto da Sacristia

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30 agosto, 2014

O Gloria Patri e a consideração dos Mártires.

MaryMagdaleneDePazziUm costume louvável consiste em inclinar a cabeça ao falar essas palavras [o Gloria Patri]…Um dia, quando Santa Madalena de Pazzi se inclinou com mais solenidade que o costume, uma de suas irmãs indagou o motivo dessa observância. Ela respondeu: “É uma prática que tenho, graças ao meu confessor, de oferecer minha vida à Santíssima Trindade ao inclinar a cabeça no Gloria Patri como se eu estivesse apresentando-a ao carrasco para sofrer o martírio“.

Quão relevante atualmente essa pequena citação é para muitos cristãos no mundo. O que para Santa Madalena era uma devoção piedosa é, para eles, a realidade que agora enfrentam.

Fonte aqui – agradecimento a uma querida amiga pela tradução fornecida.

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8 agosto, 2014

Na festa de São João Maria Vianney – O bom Pastor.

João Maria Vianney tomou consciência de sua grande responsabilidade de vigário: “Se o padre estivesse plenamente consciente da grandeza de seu ministério, só isso valeria”. Ele se reconhecia o representante de Deus diante de seus 230 paroquianos, mas, acima de tudo, representante deles perante Deus: “Deixai uma paróquia vinte anos sem vigário, e os animais passarão a ser adorados”. Exortava frequentemente os paroquianos a se converterem, mas estava convencido de que eles não o fariam sem sua ajuda permanente, sem suas orações mais fervorosas. Como muito pouco sabiam do que significava amar a Deus, pensava ser sua competência suprir o que neles faltava. Aí estava uma das razões de suas preces, de sua penitência, de suas preocupações: “Se eu soubesse tudo o que teria de enfrentar sendo Cura, teria morrido de tristeza. Não estou agastado de ser padre para celebrar a Santa Missa, mas não gostaria de ser vigário… estou enfadado… De que temor não deve ser tomado um pobre padre diante de um ministério tão extraordinário!…”.

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28 fevereiro, 2014

“Todos os santos, porque amaram a Jesus Cristo, esforçaram-se por santificar o mais possível o tempo de carnaval”.

“Por este amigo, a quem o Espírito Santo nos exorta a sermos fiéis no tempo da sua pobreza, podemos entender que é Jesus Cristo, que especialmente nestes dias de carnaval é deixado sozinho pelos homens ingratos e como que reduzido à extrema penúria. Se um só pecado, como dizem as Escrituras, já desonra a Deus, o injuria e o despreza, imagina quanto o divino Redentor deve ficar aflito neste tempo em que são cometidos milhares de pecados de toda a espécie, por toda a condição de pessoas, e quiçá por pessoas que lhe estão consagradas. Jesus Cristo não é mais suscetível de dor; mas, se ainda pudesse sofrer, havia de morrer nestes dias desgraçados e havia de morrer tantas vezes quantas são as ofensas que lhe são feitas.

É por isso que os santos, a fim de desagravarem o Senhor de tantos ultrajes, aplicavam-se no tempo de carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à penitência, à oração, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor para com o seu Bem-Amado. No tempo do carnaval, Santa Maria Madalena de Pazzi passava as noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento, oferecendo a Deus o sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores. O Bem-aventurado Henrique Suso guardava um jejum rigoroso a fim de expiar as intemperanças cometidas. São Carlos Borromeu castigava o seu corpo com disciplinas e penitências extraordinárias. São Filipe Néri convocava o povo para visitar com ele os santuários e realizar exercícios de devoção. O mesmo praticava São Francisco de Sales, que, não contente com a vida mais recolhida que então levava, pregava ainda na igreja diante de um auditório numerosíssimo. Tendo conhecimento que algumas pessoas por ele dirigidas, que se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia-as com brandura e exortava-as à comunhão frequente.

Numa palavra, todos os santos, porque amaram a Jesus Cristo, esforçaram-se por santificar o mais possível o tempo de carnaval. Meu irmão, se amas também este Redentor amabilíssimo, imita os santos. Se não podes fazer mais, procura ao menos ficar, mais do que em outros tempos, na presença de Jesus Sacramentado ou bem recolhido em tua casa, aos pés de Jesus crucificado, para chorar as muitas ofensas que lhe são feitas.

O meio para adquirires um tesouro imenso de méritos e obteres do céu as graças mais assinaladas, é seres fiel a Jesus Cristo em sua pobreza e fazer-lhe companhia neste tempo em que é mais abandonado pelo mundo. Como Jesus agradece e retribui as orações e os obséquios que nestes dias de carnaval lhe são oferecidos pelas suas almas prediletas!”

(LIGÓRIO, Afonso Maria de, Meditações).

Fonte: Adversus Haereses

Publicado originalmente no carnaval de 2011.

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3 setembro, 2013

A atitude pessoal de São Pio X para com os modernistas.

Na festa de São Pio X, pedimos a intercessão de tão insígne Pontífice para que imitemos o seu exemplo de caridade e zelo.

Desde sua primeira encíclica, Pio X urgia por caridade mesmo para com “aqueles que se nos opõem e perseguem, vistos, talvez, como piores do que realmente são”. Esta caridade não era um sinal de fraqueza, mas estava fundamentada na esperança: “a esperança”, escreveu o Papa, “de que a chama da caridade Cristã, paciente e afável, dissipará as trevas de suas almas e trará a luz e a paz de Deus”.

Pio X também tinha sua esperança – de ver os adversários da Igreja emendando seus caminhos e renunciando seus erros – no que diz respeito aos modernistas.

Os testemunhos que citaremos o provarão de maneira incontestável. Mas Pio X fez mais: discretamente  deu assistência financeira a alguns deles ou lhes arranjou outros ofícios; em outros casos, mostrou-se prudente antes de condená-los. Era esta generosidade, nada excepcional, incompatível com sua determinação na luta contra o modernismo? Como pode o mesmo homem que impõe sanções, depõe clérigos, excomunga, simultaneamente mostrar-se caridoso e contido? Durante o processo de beatificação, o Promotor da Fé apresentou uma série de objeções; uma delas era: “Sejamos francos: a questão, a única questão que, a meu ver, parece se levantar neste grande inquérito, é saber se Pio X, em sua luta contra o modernismo, ultrapassou as fronteiras da prudência e da justiça, particularmente em seus últimos anos…” [Novae Animadversiones, citado em Conduite de s. Pie X, p. 14] A isso, o Postulador da Causa respondeu com um volumoso dossiê de mais de 300 páginas no qual mostrava que Pio X era “firme em seus princípios, correto em suas intenções e paciente e afável com aqueles com quem lidava, mesmo se tivesse razões justas para expressar sua angústia por causa deles”. [Ibid., p. 20]

Voltemo-nos a esta questão da atitude pessoal de Pio X para com os modernistas e citemos vários casos. Os contemporâneos de Pio X talvez desconhecessem esses gestos de caridade e justiça da parte do Pontífice. No dia seguinte à morte do Papa, Mons. Mignot, que era próximo dos modernistas, repreendeu o falecido nos seguintes termos: “Pio X era um santo, com um desinteresse raro para um italiano, mas suas idéias absolutas paralisavam seu coração… Ele esmagou muitas almas, a quem um pouco de ternura teria mantido no caminho correto”. [Carta de Mons. Mignot a Hügel, 9 de setembro de 1914, citado por Poulat, Histoire, dogma et critique, p. 480] Os historiadores do modernismo não mencionam os gestos de caridade ou justiça de Pio X, ou o fazem apenas de passagem. O número e a consistência desses atos mostram, todavia, que não foram resultados de decisões excepcionais de sua parte, mas manifestavam uma disposição intelectual e uma atitude espiritual. Na luta contra o fenômeno do modernismo, todos os métodos eram usados, e sem piedade, pois Pio X considerava que a fé dos fiéis estava em perigo e que o futuro da Igreja estava em jogo; por outro lado, quando se tratava da sorte dos modernistas, Pio X, sabendo-o, fazia grande esforço para ser o mais justo, prudente e caridoso possível.

Um exame das relações de Pio X com Loisy, o mais famoso dos modernistas, dá-nos uma boa idéia de seus profundos sentimentos. Como já vimos, quando Loisy manifestou sua disposição de se submeter, Pio X exigia, insistia que o exegeta francês fizesse uma completa e sincera submissão “com seu coração”. Loisy, que persistiu em seus erros após a Pascendi, acabou excomungado. Viveu em retiro em Ceffonds, Haute-Marne, e logo seria eleito para o Collège de France. No entanto, Pio X não o via como um filho perdido da Igreja. Em 1908, recebendo o novo bispo de Châlons, Dom Sevin, Pio X recomendou-lhe Loisy (a quem havia excomungado há pouco tempo). As palavras do Papa foram relatadas pelo próprio Loisy: “O senhor será o bispo do Pe. Loisy. Se tiver a oportunidade, trate-o com gentileza; e se ele der um passo em sua direção, dê dois na direção dele”. [Loisy, Mémoires, vol. III, p. 27. Pe. Lagrange dá outra versão destas palavras, versão que ouviu da boca de Dom Sevin; quando o bispo de Châlons perguntara ao Papa que atitude deveria adotar com relação a Loisy se este demonstrasse arrependimento, o Papa respondeu: Recebei-o de braços abertos. Digo ao senhor que ele, meu filho, irá voltar” (Lagrange, M. Loisy et le modernisme, p. 138)]

Outro caso é o do Pe. Murri. Como veremos, a Liga Nacional Democrática que fundara foi condenada pelo Papa. Ele tinha conhecidos laços com modernistas. Em abril de 1907, no despertar de uma série de artigos nos quais Murri amargamente criticava a política do Vaticano na França, Pio X enviou uma carta ao bispo da diocese deste líder democrático, instruindo-lhe informar a este último que estava suspenso a divinis. Quando, alguns meses depois, a Encíclica Pascendi estava prestes a ser publicada, havia uma certa expectativa de que Murri fosse imediatamente excomungado, dado que estava absolutamente claro que o turbulento líder democrata cristão se oporia à Encíclica. O problema foi colocado a Pio X, que preferiu ser paciente. Em 25 de agosto de 1907, escreveu à Congregação do Santo Ofício: “Se tudo estiver em ordem com o celebret do Pe. Romolo Murri, ele não pode, sem grave injustiça, ser proibido de rezar Missa, na medida em que não realizou qualquer ato condenado pela Encíclica”. [Citado por Dal-Gal, Pie X, p. 404] Murri, contudo, persistiu publicamente em suas posições e foi, ao fim, excomungado em 1909. Posteriormente, ele experimentou graves dificuldades financeiras; Pio X soube disso e pagou-lhe uma pensão mensal.[Depoimento do Cardeal Merry del Val, Summarium, p. 195]

[…]

Pio X tinha de levar muitas coisas em consideração: a salvaguarda da fé e do bem da Igreja, a necessidade e a legitimidade de estudos em matérias de religião, o bem pessoal e a boa fé das pessoas envolvidas, assim como as manobras, as ambições e o zelo das partes. Enquanto Papa, seus deveres eram aqueles primeiros; como cristão, estava obrigado a seguir a caridade, prudência e justiça. […] Pio X sentia como seu dever, enquanto guardião da fé, combater o modernismo, e fazê-lo usando os mais variados métodos e sem fraqueza, pois, como via, a própria existência da Igreja estava ameaçada. Ao mesmo tempo, sem fazer qualquer concessão ao erro, esforçava-se por ajudar os culpados ou suspeitos, e tomava grande cuidado em limitar os excessos dos anti-modernistas. Uma de suas máximas favoritas era: “devemos combater o erro sem ferir as pessoas envolvidas”.

Saint Pius X, Restorer of the Church – Yves Chiron, Angelus Press, 2002, pp. 236-237;241-242. Tradução: Fratres in Unum.com.

Publicado originalmente na festa de São Pio X em 2011.

8 agosto, 2013

Sancti Ioannis Mariae Vianney, ora pro nobis!

São João Maria Vianney, rogai por nós

O sacerdote representa Cristo. O que significa dizer isso? O que significa “representar” alguém? Na linguagem comum, significa dizer – geralmente – receber a delegação de uma pessoa para estar presente em seu lugar, falar e agir em seu lugar, porque aquele que é representado está ausente da ação concreta. Nos perguntamos: o sacerdote representa o Senhor do mesmo modo? A resposta é não, porque, na Igreja, Cristo nunca está ausente, a Igreja é o seu corpo vivo e a Cabeça da Igreja é ele, presente e operante nela. Cristo nunca está ausente […].

Hoje, em plena emergência educativa, o munus docendi da Igreja, exercido concretamente através do ministério de cada sacerdote, torna-se particularmente importante. Vivemos em uma grande confusão acerca das opções fundamentais da nossa vida, sobre o que é o mundo, de onde viemos, para onde vamos, o que devemos fazer para agir bem, como devemos viver, quais são os valores realmente pertinentes. Em relação a tudo isso existem tantas filosofias contrastantes, que nascem e se espalham, criando uma confusão acerca da decisão fundamental, como viver, porque não sabemos mais, geralmente, de quê e por quê somos feitos e onde andamos.

Nesta situação, realmente, realiza-se de novo a Palavra do Senhor: “Tenho compaixão do povo, são como ovelhas sem pastor”. O Senhor havia dito isso quando viu milhares de pessoas que o seguiam no deserto, porque, em meio à diversidade das correntes daquele tempo, não sabiam mais qual era o real significado das Escrituras. O Senhor, movido de compaixão, interpretou a Palavra de Deus – Ele próprio é a Palavra de Deus – e deu a orientação. E essa é a função in persona Christi do sacerdote, aquela de tornar presente, em meio à confusão, à desorientação de nosso tempo, a luz da Palavra de Deus, a Luz que é o próprio Cristo neste nosso mundo. Então, o sacerdote não ensina as suas próprias ideias. O sacerdote não fala “de si”, não fala “para si”, para criar para si, talvez, admiradores ou um partido próprio. Não fala de coisas próprias. O sacerdote ensina em nome de Cristo presente, propõe a Verdade que é o próprio Cristo, a Sua Palavra, o Seu modo de viver, e de andar adiante.

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Aquela do sacerdote, por consequência, não raro, poderia parecer com a “voz que clama no deserto” (Mc 1, 3), mas exatamente nisso consiste a sua força profética: no não ser mais aprovado, nem aprovável, por qualquer cultura ou mentalidade dominante, mas no mostrar a única novidade capaz de operar uma autêntica e profunda renovação do homem, isto é, que Cristo é o Vivente, é o Deus próximo, o Deus que opera na vida e pela vida do mundo e nos doa a Verdade, o modo de viver.

Queridos irmãos e irmãs, o Senhor confiou aos sacerdotes uma grande tarefa: serem anuciadores da Sua Palavra, da Verdade que salva; serem sua voz no mundo para trazer o que é útil para o verdadeiro bem das almas e o autêntico caminho de fé (cf. 1 Cor 6, 12). São João Maria Vianney sirva de exemplo para todos os sacerdotes. Ele era homem de grande sabedoria e força heroica no resistir às pressões culturais e sociais do seu tempo para poder conduzir as almas a Deus: simplicidade, fidelidade e objetividade eram as características essenciais da sua pregação, transparência de sua fé e de sua santidade. O Povo cristão dali era edificado e, como acontece com os verdadeiros mestres de todos os tempos, ali reconhecia a luz da Verdade. Ali reconhecia, em definitivo, aquilo que se deveria sempre reconhecer em um sacerdote: a voz do Bom Pastor.

Catequese do Papa Bento XVI, 14 de abril de 2010.

No Rito Romano Tradicional, a festa de São João Maria Vianney é comemorada em 8 de agosto.