Posts tagged ‘IBP’

6 julho, 2012

Um novo Superior Geral para o Instituto do Bom Pastor. Mas…

Comunicado divulgado hoje pelo Capítulo Geral do Instituto do Bom Pastor:

Padre Roch Perrel.

Padre Roch Perrel.

O Instituto do Bom Pastor, em seu capítulo geral, o segundo depois da fundação, refletiu sobre esses seis anos decorridos e confirmou seus recentes estatutos na fidelidade aos compromissos assumidos em 2006. Sendo uma jovem fundação, o Instituto do Bom Pastor se consolida guiado pelos estatutos aprovados pela Santa Sé, em torno dos quais numerosos padres e seminaristas se uniram no serviço da Igreja. Foram eleitos: o Padre Roch Perrel, Superior Geral; Primeiro Assistente, Padre Paul Aulagnier; Segundo Assistente, Padre Leszek Krolikowski; Padre Stefano Carusi, Terceiro Conselheiro; Padre Louis-Numa Julien, Quarto Conselheiro. Invocando a proteção da Santíssima Virgem Maria e seu Divino Filho Jesus, Bom Pastor.

Padre Leszek Krolikowski
Secretário do Capítulo Geral, Courtalain, 6 de julho de 2012.

Padre Roch Perrel, atual reitor do Seminário São Vicente e antigo Superior do Brasil, é o novo Superior Geral do Instituto do Bom Pastor. Félicitations, Monsieur l’Abbé!

Todavia, este comunicado não está divulgado em nenhum veículo oficial do Instituto. E o site oficial adverte a respeito: “Toda comunicação oficial do Instituto do Bom Pastor deve, evidentemente, ser publicada neste site”. O que ocorre, então?

Ao que tudo indica, houve uma cisão no Capítulo. Os velhos dirigentes parecem não aceitar a nova composição de governo do IBP.

Em seu blog, o [ex?] Superior Geral enigmaticamente aborda o assunto. Ele evoca o Direito Canônico para afirmar que, uma vez proclamado o resultado do Capítulo e tendo o eleito aceitado o encargo, apenas uma instância superior poderia contestar tal decisão. E assina, após insinuar um recurso à Sé Apostólica ["todos os caminhos levam a Roma..."]: “Padre Phillippe Laguerie, Superior Geral do Instituto do Bom Pastor”.

Fora o Padre Laguerie reeleito e, uma vez contestada a sua reeleição, outro superior acabou escolhido? Não está a nosso alcance saber.

Até que a situação se esclareça, o que podemos inferir do comunicado (ainda não divulgado em nenhum outro meio, mas cuja autenticidade foi diligentemente certificada pela nossa edição) é a vitória interna dos “compromissos assumidos em 2006″, caracterizados especificamente pelo Rito Latino Gregoriano enquanto “exclusivo” do Instituto e pelo serviço de uma “crítica séria e construtiva” aos textos do Concílio Vaticano II.

Já abordamos as divergências no IBP e a insurgência da Comissão Ecclesia Dei contra esses mesmíssimos princípios fundacionais aqui.

A nova direção do IBP é composta por padres jovens — com exceção do Pe. Aulagnier, braço direito de Dom Lefebvre por décadas — comprometidos com as razões originais pelas quais “se uniram no serviço da Igreja”. Padre Carusi, editor de Disputationes Theologicae,  assume posto de importância, enquanto seu franco opositor, Padre De Tanöuarn, antigo Primeiro-Assistente, cai no ostracismo.

No mês passado, a carta aos amigos e benfeitores do seminário do Instituto já afirmava: o Capítulo Geral “é também o momento de examinar a fidelidade dos padres aos princípios fundadores do Instituto, tanto doutrinais como pastorais ou espirituais [...] Alguns até pensaram que o IBP, sendo fruto do encontro surpreendente de personalidades fortes (os padres Laguérie, Tanoüarn e Héry),  não poderia formar uma comunidade. Os mesmos previam uma explosão em pouquíssimo tempo. Vários anos depois, o IBP ainda está aí, mesmo que haja divisões em suas fileiras”.

Resta agora saber como e se o Instituto sobreviverá a esta que é, até agora, a sua mais árdua prova.

5 julho, 2012

Ordenado o primeiro Padre Brasileiro do Instituto do Bom Pastor.

Conforme já havíamos anunciado, no último dia 29, festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, em Bordeaux, Dom Fernando José Monteiro Guimarães, bispo diocesano de Garanhuns (PE), ordenou sacerdote o brasileiro Daniel Pereira Pinheiro, juntamente com Yvain Cartier e Giorgio Domenico Lenzi. Outros dois brasileiros, Luis Fernando Karps Pasquotto e Renato Arnellas Coelho, foram ordenados diáconos.

Já no Brasil, Padre Daniel celebrará uma Santa Missa solene às 10h30, no próximo dia 7, sábado, 5º aniversário da promulgação do Motu Próprio Summorum Pontificum, na paróquia Santo Cura d’Ars, situada na 914 sul, em Brasília (DF). Também no domingo, na mesma paróquia, ele celebra Missa às 11:30.

As fotos da primeira Missa do Padre Daniel podem ser vistas aqui.

24 abril, 2012

O IBP no Brasil. Missa Solene na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em São Gonçalo, RJ, no próximo Domingo.

Dom Fernando Guimarães, bispo diocesano de Garanhuns.

Dom Fernando Guimarães, bispo diocesano de Garanhuns.

O Padre Phillippe Laguerie, Superior Geral do Instituto do Bom Pastor, chegou ontem ao Brasil.

Acompanhado pelo Padre Louis-Numa Julien, vigário da paróquia Saint-Elói, e pelo Diácono Daniel Pinheiro,  que em breve será o primeiro Padre brasileiro do Instituto, o Superior realizará visitas ao Rio de Janeiro e Brasília a fim de preparar o reestabelecimento do Instituto no país.

Dentro da programação da viagem, no próximo domingo, 29, será celebrada uma Missa Solene na paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Patronato, em São Gonçalo, às 7:30 da manhã.

E outra novidade que envolve o Brasil. As ordenações sacerdotais de 29 de junho, na paróquia pessoal do IBP em Bordeaux, serão conferidas por um bispo brasileiro:

Dom Fernando Guimarães, bispo de Garanhuns.

12 fevereiro, 2012

Foto da semana.

Courtalain, França, 2 de fevereiro de 2012, festa da Purificação da Santíssima Virgem: os jovens brasileiros Ivan Chudzik (centro) e Marcos Vinicius Mattke (o primeiro da foto, à esquerda do Ivan), respectivamente de Guarapuava e Curitiba, Paraná, recebem a batina no Instituto do Bom Pastor. Ambos eventualmente comentavam e colaboravam com artigos neste blog [aqui e aqui].

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23 outubro, 2011

Frase da semana.

Pe. Carusi

Pe. Carusi

Releiamos o fragmento de S.S. Bento XVI [sobre Assis-III], refletindo sobre ele, e veremos que o que emerge não é a valoração de um bem, mas antes de um dano que, crendo ser impossível impedir, se propõe a reduzir. Um “tradicionalismo” servil, ultra-ratzingeriano (temeroso e complexado), que em vez de se limitar às justas explicações, se sente obrigado a compartilhar e a aprovar Assis III, embora não se trate de um ato magisterial, nem de uma lei da Igreja, se encontraria “à esquerda” não só de um Monsenhor Gherardini e de suas reservas sobre o abuso da noção da “hermenêutica da continuidade”, mas também “à esquerda” do próprio Papa Ratzinger. Prestaria com isso um bom serviço ao Santo Padre, uma vez que se encontra em posições de maior liberdade que ele? Que razão de ser lhe restaria?

Do artigo-cutucão do Padre Stefano Carusi, do IBP, que causou a ira de seu confrade de instituto, Padre Guillaume de Tanöuarn.

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28 junho, 2011

Ordenações no IBP.

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Agradecemos ao seminarista Luis Carlos de Lima o envio das fotos das ordenações diaconais (Sergiusz Orzeszko, Polônia; Giorgio Lenzi, Itália; Yvain Cartier, França; e o brasileiro Daniel Pinheiro) e sacerdotal (Pe. Rémy Balthazard, França) conferidas por Sua Eminência Reverendíssima Dom Dario Cardeal Castrillon Hoyos no último sábado, na Igreja de Saint-Eloi, em Bordeaux, sede do Instituto do Bom Pastor.

14 junho, 2011

Liberdade religiosa: a posição clara de Dom Antônio de Castro Mayer.

Por Disputationes Theologicae | Tradução: Fratres in Unum.com

Em 15 de outubro último, tive a honra de escrever a Vossa Santidade, afirmando meu filial acatamento a tais ordens. Entre estas, estava a de que, dada a eventualidade de “em consciência não estar eu de acordo” com “atos do atual Magistério Ordinário da Igreja”, “manifestasse livremente à Santa Sé” meu parecer. É o que faço com toda a reverência devida ao Augusto Vigário de Jesus Cristo, ao entregar a Vossa Santidade os três estudos anexos”.

Dom Antonio de Castro Mayer

Dom Antônio de Castro Mayer

O cerne teológico da “liberdade religiosa”, tal como descrita no documento conciliar Dignitatis Humanae – no n º 2 em particular — tem suscitado inúmeros estudos e propostas interpretativas na linha hoje renomeada “da continuidade hermenêutica”. Até agora, as tentativas, apesar da extrema erudição teológica, têm se revelado pouco convincentes.

O Bispo da Diocese de Campos, Dom Antônio de Castro Mayer — hoje injustamente esquecido – voltou-se respeitosamente ao Papa Paulo VI, na qualidade de membro da Igreja docente; os Bispos, de fato, antes de ensinar o seu próprio rebanho, recebem um ensinamento do Sumo Pontífice e é praxe que a ele clamem para conhecer a interpretação autêntica de um texto que lhes é proposto. No estudo e na súplica do Bispo brasileiro, a clareza teológica se une ao filial — e igualmente teológico — respeito para com o Sucessor de Pedro. Como filho devoto da Igreja, mas sem esconder a verdade, o bispo desenvolve um estudo teológico de uma simplicidade desarmante, reconstituindo o pensamento constante da Igreja; não conseguindo encontrar uma solução para o problema e vendo o perigo da situação, volta-se a quem recebeu as chaves de Cristo, porque — parafraseando o padre grego Teodoro Studita – a sua palavra, o seu “cálamo divino”, os seus escritos, têm o poder de dispersar a matilha de lobos que invadem a casa de Deus: “Lupi graves irruerunt in aulam Domini (…) habes potestatem a Deo… Terreto, supplicamus, haereticas feras calamo divini verbi tui”.

O texto é de 1974 [ndr: período do Dom Antônio obediente, diriam alguns...], mas merece ser reproposto pelas características citadas e pela pena que o escreveu, refletindo abertamente sobre a necessidade de uma interpretação autêntica do texto controverso, sem descartar que o Sumo Pontifíce possa proceder a uma revisão de texto, que não goza da infalibilidade.

S.C. [Padre Stefano Carusi, IBP]

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5 maio, 2011

Laguerie e Assis.

Algumas recentes palavras do superior geral do Instituto do Bom Pastor sobre o próximo encontro de Assis [podem ser encontradas aqui, aqui e aqui].

É possível, realmente, encontrar mil oportunidades e deve-se ter mil precauções: os riscos de sincretismo, relativismo e escândalo são inegáveis porque são consubstanciais a esse tipo de encontro. Aquele que ocupa o lugar de Jesus Cristo na Terra coloca a si mesmo, e a Igreja que governa, no nível das seitas diabólicas ou das religiões que recusam o Representado ou ainda o próprio representante. A característica da religião de Cristo, desde os apóstolos, é a sua auto-reivindicação como detentora da verdade que os outros não têm. Os outros podem ter “verdades” (alguma semente do Verbo, exatamente), mas não A Verdade, porque a única verdade católica é o próprio Cristo. É toda a doutrina de São João (entre outros apóstolos) relacionada precisamente ao (belo) Bom Pastor. Antes mesmo de se definir Ele mesmo como o Bom Pastor que concede a verdadeira pastagem, Jesus afirma primeiramente ser a porta. “Eu sou a porta das ovelhas…”. Ninguém vai ao Pai senão por Ele e os que entram por outra passagem, pulam os muros ou furam os tetos, são bandidos e ladrões. Claro o suficiente? Não significa dizer absolutamente que esta graça de Jesus não é dada senão em sua Igreja, mas o é sempre por Ele e mesmo por Ela. Convidar os responsáveis das religiões enquanto tais, enquanto seus presidentes, e mesmo na hipótese de que eles fariam o bem, é dar a eles um reconhecimento ao qual não têm direito e recusá-lo a quem o detém. É receber concubinas na residência da esposa. O que dizer de um serviçal que impusesse isso ao cônjuge fiel e pensasse efetivamente ter o seu aval?

“Quem não é contra vós está convosco”, diz o Senhor, quando envia seus apóstolos em missão. Muito bem. É a união em uma causa. Todos encontramos em nossa vida aqueles bravos que nos são muito mais úteis que os convidados da primeira hora. No nível individual, todos os golpes que beneficiam a causa do Nome são permitidos. São Paulo se lamenta, aos Romanos, dessas pessoas que anunciam Cristo com intenções más (precisamente a de desacreditar a função oficial do Apóstolo) e conclui, magnânimo:  “Que importa, já que Cristo é anunciado”! Seria possível até mesmo utilizar, materialmente, alguma doutrina verdadeira de uma falsa religião. Mas isso não tem nada a ver com o nosso propósito. Trata-se dos grupos constituídos, representados por seus responsáveis, logo, de sua reunião enquanto corpos constituídos em doutrinas cismáticas, heréticas, atéias ou blasfemas. Isso é inadmissível no olhar da Fé [...]. Cristo é muito claro: “Quem não é comigo é contra mim, quem não se ajunta comigo dissipa”. É a unidade do corpo católico. São Paulo passou a metade da sua vida nas sinagogas, mas sempre para anunciar Cristo. Basicamente, Assis 1, 2, 3 ou X, é tornar Cristo facultativo, fazer da Igreja a “casa da mãe Joana” e desonrar, por sua Cabeça, o menor de seus membros, o mais humilde dos batizados.

[...]

O grande problema de Assis não é fazer todos aqueles de boa vontade rezar, nos quatro cantos do mundo, pela paz. Se poderia, se deveria organizar um super Assis! O problema é convocar as religiões enquanto tais. É possível encontrar por toda a parte os pequenos e humildes cuja oração é preciosa aos olhos do Senhor, certamente. Mas assim o é precisamente por não ter sido desvirtuada por uma religião dos homens ou do diabo. Há 2000 anos sabemos, nós cristãos, que é “por Ele, com Ele e nEle que são dadas ao Pai toda honra e toda glória”. Deixar transparecer o contrário aos pequenos ou aos hipócritas é uma traição.

[...]

Respondo, portanto, claramente à vossa pergunta: pode haver uma boa oração de um judeu ou um muçulmano (supondo a sua boa fé…). Não há uma boa oração judaica ou muçulmana…

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13 abril, 2011

A disputa continua: Padre Stefano Carusi levanta a bandeira da “terceira via”.

Cerimônia de beija-mãos do Padre Stefano Carusi (centro) e do então Diácono Raffray, à direita do padre.

Cerimônia de beija-mãos do Padre Stefano Carusi (centro) e do então Diácono Raffray, à direita do padre.

Estende-se a polêmica insuflada pelo artigo publicado em Disputationes Theologicae – ‹‹ O fracasso dos colóquios doutrinais com a Fraternidade São Pio X e a questão de um ‘ordinariato tradicional’ ›› –, revista online de teologia dos Padres Stefano Carusi e Matthieu Raffray, do Instituto do Bom Pastor. Em artigo publicado hoje, estes mesmos padres pretendem responder às objeções, algumas das quais classificadas como ‹‹ violentíssimas ››, lançadas tanto pelo que consideram representantes de um ‹‹ tradicionalismo rígido ›› como por ‹‹ fautores de um liberal ‘ecumenismo da Tradição’››. Para tal, propõem, precisamente, uma ‹‹ terceira via ››, outrora apresentada por Monsenhor Brunero Gherardini,  com a qual — sempre segundo Disputationes Theologicae — ‹‹ é possível ser ‘romano’ e nutrir um respeito — mesmo verbal — para com a autoridade eclesiástica, mas, ao mesmo tempo, exprimir, também publicamente, a sua divergência quando um perigo para a doutrina da fé assim exigir ››.

Apresentamos, pois, as objeções e as respostas apresentadas no artigo, que, em um primeiro momento, aborda questões de ordem teológica:

Objeção 1) De que a revista, assim como todos os outros institutos ligados à Comissão Ecclesia Dei, apoia a hermenênutica da continudade com uma  ‹‹ defesa do texto concíliar, sustentando que tudo nos textos do Vaticano II é absoluta e indistintamente vinculante ›› : afirmando seguir as regras clássicas de avaliação teológica para exprimir uma ‹‹ posição de assentimento ou divergência sobre um argumento teológico não infalivelmente definido ou, de todo modo, suscetível de aprofundamento ››, os editores enfatizam a ‹‹ justa liberdade de investigar e manifestar com prudência ›› as próprias opiniões dada pelo Código de Direito Canônico, sendo que a Comissão Ecclesia Dei, um organismo canônico-jurídico, não teria a ‹‹ sua ›› posição teológica. Antes, os próprios ‹‹ estatutos do Instituto do Bom Pastor, ao qual pertence o diretor deste site [Disputationes Theologicae], não sustentam a absoluta intangibilidade dos textos de tal Concílio pastoral ››, pois são ‹‹ textos que não gozam da infalibidade do Magistério extraordinário infalível, nem daquela do ordinário infalível em cada uma de suas frases ››. No entanto, de acordo com o Pe. Carusi, ‹‹ limitar o debate aos documentos do Concílio, todavia, de maneira fortemente exasperada e imensamente ideológica, é muito simplista, sendo o problema muito mais amplo ››.

Objeção 2) A revista teria atacado o ‹‹ neotomismo dos anos 30 porque sua linha de pensamento já seria uma nova, que despreza o rigor e a linha de raciocínio, misturando a novidade modernista ›› : segundo o editor, ‹‹ não repudiamos o ‘neotomismo’ ››, mas ‹‹ nos referimos ao juízo fácil da parte vaticana ›› , esperando que se ampliassem as perspectivas a fim de ‹‹ evitar o jogo fácil de alguns teólogos modernos que querem chamar de ‘disputa de escolas’ o que mereceria simplesmente o nome de ‘erro de doutrina’ ››.

Objeção 3) De que estariam submetidos visível e canonicamente à autoridade promotora do encontro de Assis, sendo assim, implicitamente, favoráveis ao ecumenismo atual: continua o Padre Carusi, ‹‹ estar canonicamente, logo, visivelmente, submetido ao Romano Pontífice e ao Bispo em comunhão com Ele não significa compartilhar todos e quaisquer atos não infalíveis que a autoridade faz ou tolera, propõe ou parece propor. Significa respeitar a Constituição Divina da Igreja, embora reservando-se a faculdade de exprimir respeitosamente uma divergência teologicamente compatível com a matéria em questão. Afirmamos, sobretudo, um princípio teológico e de lei natural: aquele que regulamenta, e eventualmente permite, a resistência à plena submissão à hierarquia e à imposição de uma ordem moralmente inaceitável ›› . Pelo contrário, para os editores de Disputationes Theologicae, ‹‹ a circunstância de que a hierarquia faça ou diga algo com que não se possa compartilhar não autoriza estender a resistência a uma dimensão habitual ou universal ››.

Objeção 4) De que não denunciam com ‹‹ suficiente convicção ›› o ecumenismo e, sobretudo, Assis III: o autor recorda que foi a própria revista quem denunciou à Congregação para a Doutrina da Fé o artigo de Renzo Gattegna, veiculado por L’Osservatore Romano, no qual se sustentava a tese de que a Igreja deveria renunciar a seu empenho de converter os judeus. ‹‹ Na evidência de uma afirmação em contraste aberto com a doutrina católica, é nossa posição de que tais erros em matéria de fé devem ser denunciados, sem reticência. Quanto a Assis III, permanecemos, em linha de princípio, fortemente contrários aos encontros interreligiosos, posição pública e já conhecida tanto pelo Santo Padre como pela Igreja em geral, mas conhecendo o pensamento do então Cardeal Ratzinger e suas afirmações passadas sobre o impacto desastroso dos eventos anteriores, esperamos o acontecimento para conhecer a fundo qual seria, na ‘mens’ do Papa, o motivo de tal encontro. Talvez ligado, mais do que se imagina, ao atual equilíbrio de forças internacionais ou ao equilíbrio de forças interno do mundo eclesiástico. Dada a complexidade da situação, não nos parece oportuno os rápidos comentários, e mesmo os epítetos, reservados ao sucessor de Pedro nos sites de esfera tradicional”.

9 abril, 2011

Dois importantes artigos da FSSPX-Brasil.

Dois artigos importantes foram publicados hoje pelo site da FSSPX – Brasil. O primeiro, “Podemos chamar a Missa Nova de “Rito Romano Ordinário?”, indicado pelo revmo. Pe. Alejandro Rivero, a quem agradecemos, cujo extrato apresentamos abaixo:

A esterilidade da igreja conciliar, como a denominou um famoso cardeal, está chegando às últimas etapas, como um cadáver no qual a decomposição vai-se acelerando mais e mais. Infelizmente, a França, outrora primogênita da Igreja (não da conciliar) está na dianteira, e os dados são assustadores: a média de idade no seu clero é de mais de 70 anos, párocos idosos estão a cargo de dezenas de paróquias (nos casos extremos, mais de cem), uma parte ínfima da população pratica a religião, etc, etc. O fim está próximo, distando talvez em 5 ou 6 anos. Mas assim como ela é primeira no mal, o é também no bem. Considere-se que hoje 25% das ordenações francesas são de sacerdotes jovens que “fazem a escolha pelo rito tradicional”, isto considerando a tradição num sentido amplo, e não só a FSSPX. Agora, nesta pequena onda de volta ao normal, por assim dizer, é evidente que existem passos a serem dados uns depois dos outros, tal qual uma pessoa que, depois de sofrer um gravíssimo acidente, precisa fazer uma reabilitação progressiva. Poderíamos dizer que a missa nova (e a liturgia em geral) é a causa próxima do mal, já que “lex orandi lex credendi”, e assim uma corrosiva e desnaturada liturgia corresponde a um povo corroído e desnaturado (ou talvez poderíamos dizer des-sobrenaturalizado). Pois bem, a causa próxima do reestabelecimento da Igreja será sem dúvida a missa e todos os outros sacramentos dos quais e pelos quais flui a vida divina (eles são causa instrumental da graça).

O outro — “Um ataque por parte do IBP ou uma revelação da sua leviandade e fraqueza?” — traz uma análise sobre as atuais discussões teológicas entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X, em resposta a um artigo publicado no blog Disputationes Theologicae (assunto já abordado em nosso blog).

Dois pontos esclarecem a posição da Fraternidade no Brasil sobre os resultados das discussões teológicas e o Concílio Vaticano II:

A honestidade obriga a abrir os olhos sobre os efeitos alcançados: doravante a liberdade de falar sobre o Concílio começa a existir. Os livros de Gherardini (“A não-infalibilidade do Concílio”) e de Roberto Matei (“A História de Vaticano II”), bem como o Congresso anunciado sobre este tema organizado pelos Fransciscanos da Imaculada demonstram os bons frutos destas conversas. Já não valem as afirmações declamatórias em favor do Vaticano II, a “hermenêutica da continuidade” deve ser comprovada. Até que enfim, a “palavra é livre” sobre o Vaticano II.

[...] A FSSPX aceita o fato material do Concílio, mas não a sua própria autoridade doutrinal ou moral. É evidente que um Concílio pastoral não se pode tornar magicamente doutrinal ou a norma de comunhão com a autoridade, sobretudo quando tem pontos que contradizem o que foi ensinado pela Tradição (Bento XVI, em 22 de Dezembro de 2005). A FSSPX sempre disse e diz que o último Concílio doutrinal foi o Vaticano I. Então, a posição de aceitar como norma de fé todos os Concílios até o Vaticano II exclusivamente ou até o Vaticano I inclusivamente é o que está em causa. Isso é tão evidente que é a razão das conversas. O Vaticano II é contestado não na sua integralidade, mas nas partes que contradizem a Tradição ou a relativiza com as ambiguidades; não se trata de negócio entre não conservar a integridade da Tradição e, em troca, receber vantagens canônicas.

E também elucida os objetivos de Menzingen com tais colóquios:

[A] FSSPX apenas reivindicou a possibilidade de responder às injustas acusações de faltar com as noções da Tradição e do Magistério, e que foi o Papa mesmo quem estimou necessárias estas conversas teológicas.

[...] Não se trata de posições pessoais, de acordo doutrinal, mas da FSSPX se apresentar doutrinalmente para acabar com este mal-entendimento entre Roma e ela. Não é a FSSPX que escolheu estas conversas, mas a autoridade, e só ela podia decidir isso. No entanto, era desejável que os boatos sobre a FSSPX parassem, e uma boa maneira de fazê-los cessar podia ser com estas conversações. A causa do eventual fracasso das conversações consiste no fato de Roma não conseguir manter dois compromissos incompatíveis – respeitar a Tradição e ao mesmo tempo respeitar o modernismo. O trabalho da FSSPX é justamente evidenciar a impossibilidade de manter este duplo compromisso.