Posts tagged ‘IBP’

24 julho, 2014

Summorum Pontificum no Brasil: Nova capela do IBP em Brasília.

Escreve o leitor Cleber Lourenço:

13 de julho de 2014: Dom José Aparecido, bispo auxiliar de Brasília, abençoa a nova capela do IBP na capital federal.

13 de julho de 2014: Dom José Aparecido, bispo auxiliar de Brasília, abençoa a nova capela do IBP na capital federal.

Salve Maria!

Em Brasília, Capital Federal, com a graça de Deus e o resultado do frutuoso apostolado do Pe. Daniel Pinheiro, IBP, e claro, o apoio de Arcebispo D. Sérgio da Rocha, agora também contamos com uma igreja construída segundo a arquitetura tradicional, Barroca, a Capela de Nossa Senhora das Dores, que conta inclusive com bênção do bispo auxiliar de Brasília.

Segue link com imagens da capela que ainda está em obras.

Está disponível no site também a homilia do Pe. Daniel sobre a arquitetura Sacra Católica Tradicional.

Salve Maria!

Cleber

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10 junho, 2014

Guilherme Chenta escreve ao Fratres.

Caro Guilherme, Salve Maria!

Obrigado pela consideração em nos escrever e queira nos desculpar a demora em postar sua carta. Fazemos apenas um esclarecimento. Nosso título “O IBP volta a São Paulo. As desavenças também” foi meramente circunstancial. Seu artigo “O Instituto do Bom Pastor e o Concílio Vaticano II” surgiu pouco depois da notícia do restabelecimento do Bom Pastor em São Paulo. Assim, consideramos oportuno lançar os dois tópicos juntos, em um só post, por uma questão meramente temporal e por se tratar de assuntos conexos. Nada além disso.

Um abraço.

 

* * *

Carta ao Fratres in Unum – Esclarecimentos a respeito de minha posição sobre o IBP

Por Guilherme Chentaguilhermechenta.com

São Paulo, 03 de junho de 2014

Caro Editor, salve Maria.

Espero que você e sua família estejam bem.

Gostaria de lhe agradecer, em primeiro lugar, por toda a divulgação que você tem propiciado a este pequeno blog, desde seu pedido, de 03 de agosto de 2013, por meio do qual solicitava replicar um artigo meu sobre o caso dos Franciscanos da Imaculada. Essa divulgação, em parte, me permite contribuir, ainda que modestamente, para o entendimento, ou, ao menos, para o debate a respeito da realidade da Igreja em nossos dias. Muito obrigado – embora ter artigos publicados no Fratres, ao lado de eu ter ido à palestra do De Mattei, seja zumbiticamente considerado um de meus “delicta graviora” na Montfort-Zucchi.

Agradecimentos à parte, gostaria, porém, se você me permite, de prestar alguns esclarecimentos, por ocasião da indicação, em 30 de maio, de dois textos de meu blog sob o seguinte título no FiU: “O IBP volta a São Paulo. As desavenças também”. Esses esclarecimentos me parecem necessários, porque seus leitores, como o título escolhido sugere, podem inferir haver uma conexão entre a volta do IBP a São Paulo e meus recentes esclarecimentos sobre a relação oficial desse instituto com o Concílio Vaticano II.

Nesse contexto, esclareço que minha resposta ao Mauro não foi redigida como um ataque cuja causa foi justamente o fato de o IBP voltar a São Paulo, agora com dois padres brasileiros provenientes das fileiras montfortianas, os quais conheço há anos e que foram, inclusive, colegas de república de meu irmão Emerson, quando todos os três estudavam na Unicamp.

Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Aliás, quando redigi minha resposta, eu não tinha notícia de que nosso Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer havia autorizado a instalação do Bom Pastor na arquidiocese de São Paulo. Recebi os questionamentos em 17 de maio; escrevi minha resposta entre os dias 21 e 22; e a notícia do retorno do IBP a São Paulo só me chegou, via Tradinews, no dia 23. Publiquei no 27, simplesmente porque foi assim que eu tinha programado.

(Eu sabia que os Padres Renato Coelho e Luiz Fernando Pasquotto estavam negociando com Dom Odilo desde dezembro de 2013, mas não tinha qualquer notícia dos resultados. Aliás, a instalação canônica – e não de fato – do IBP em São Paulo foi, para mim, uma surpresa, porque a última informação que eu tinha era a de que a Missa Tridentina na Paróquia São Paulo Apóstolo, muito frequentada por membros da Montfort e, em menor grau, por gente do IPCO, tinha sido proibida alguns meses antes e que, na sequência, o Sr. Alberto estava organizando “caravanas” de famílias numerosas da associação, para bater à porta da Cúria do Cardeal Arcebispo e, assim, obter o retorno da missa à São Paulo. Após isso, surpreendentemente, a missa não só voltou a ser celebrada lá, mas também essa igreja foi concedida, parcialmente, ao Bom Pastor, que se encarregou das celebrações segundo a forma extraordinária. Não me pergunte detalhes sobre como isso se deu, pois não sei absolutamente nada a respeito das tratativas “Dom Odilo-IBP-Montfort-Zucchi”).

Por isso, atesto que redigi minha resposta com o objetivo principal de prestar um esclarecimento a um de meus consulentes sobre a relação oficial do Instituto do Bom Pastor com o Concílio Vaticano II.

Atesto também que minhas “desavenças” com o Sr. Alberto Zucchi não se devem à volta do IBP a São Paulo, mas, anteriores, elas se relacionam globalmente à ideologia tradiromântica que ele, sufocando toda divergência e manipulando notícias, vem disseminando na Montfort, desde que assumiu a presidência da associação em junho de 2010, ideologia que tem, como um de seus fundamentos, uma visão falsa sobre o Bom Pastor e que preconiza, em seu conjunto, contra toda prova, que a posição teórica dos tradicionalistas, contrária à asserção de que o Concílio Vaticano II é parte integrante da Tradição da Igreja, é, após Bento XVI (2005 – 2013), oficialmente acolhida pela Igreja; apenas isso. Desejo sucesso ao apostolado do IBP no Brasil, especialmente em São Paulo. Meu problema, minha desavença, como eu disse, diz respeito ao “tradiromantismo”.

Nesse sentido, eu argumentei contra aqueles que, hoje, apesar de todas as provas em contrário, enganam as pessoas, ao afirmar que o IBP foi criado por Bento XVI, em 2006, com o direito de recusar o Vaticano II, porque esse concílio está em ruptura com a Tradição. Como provei em meu texto, o IBP não trabalha por uma correção (ou revisão) do Vaticano II, mas pela preparação de uma interpretação autêntica – isto é, a que é dada pela Santa Sé – dos textos conciliares.

Na carta ao Mauro, esforcei-me por contribuir, baseado em documentos, sobretudo do próprio IBP, com a clareza conceitual a respeito da realidade da Igreja hoje e, em especial, a respeito da realidade dos estatutos do Bom Pastor; eu não visei a discutir medidas práticas. Pessoalmente, repito, não sou contra o apostolado do IBP, nem sou – acrescento, para repelir apenas uma das calúnias tradiromânticas (ou zucchianas) cujas notícias me chegam agora pelos bastidores – contra o apostolado de padres Summorum Pontificum.

Por isso, caro Editor, julgo oportuno informar, sem ambiguidades, aos milhares de leitores do Fratres que a instalação do IBP em São Paulo não tem relação causal com o esclarecimento que prestei a respeito desse instituto em meu blog recentemente.

Como se preciso fosse, reitero que estou aberto a receber qualquer argumentação contra o que defendi emmeu texto sobre a relação oficial do Bom Pastor com o Vaticano II.

Além disso, como se preciso fosse, reitero que não estou discutindo a posição individual dos membros do Bom Pastor, muitos dos quais são, inclusive os dois padres que estão em São Paulo, fiéis à linha de Mons. Marcel Lefebvre e à de nosso caro Prof. Orlando Fedeli a respeito do Vaticano II, de modo que o consideram como contendo erros doutrinários e como estando em ruptura com a Tradição bimilenar da Santa Madre Igreja.

Muito obrigado,

Guilherme Chenta

São Paulo, 03 de junho de 2014

6 julho, 2012

Um novo Superior Geral para o Instituto do Bom Pastor. Mas…

Comunicado divulgado hoje pelo Capítulo Geral do Instituto do Bom Pastor:

Padre Roch Perrel.

Padre Roch Perrel.

O Instituto do Bom Pastor, em seu capítulo geral, o segundo depois da fundação, refletiu sobre esses seis anos decorridos e confirmou seus recentes estatutos na fidelidade aos compromissos assumidos em 2006. Sendo uma jovem fundação, o Instituto do Bom Pastor se consolida guiado pelos estatutos aprovados pela Santa Sé, em torno dos quais numerosos padres e seminaristas se uniram no serviço da Igreja. Foram eleitos: o Padre Roch Perrel, Superior Geral; Primeiro Assistente, Padre Paul Aulagnier; Segundo Assistente, Padre Leszek Krolikowski; Padre Stefano Carusi, Terceiro Conselheiro; Padre Louis-Numa Julien, Quarto Conselheiro. Invocando a proteção da Santíssima Virgem Maria e seu Divino Filho Jesus, Bom Pastor.

Padre Leszek Krolikowski
Secretário do Capítulo Geral, Courtalain, 6 de julho de 2012.

Padre Roch Perrel, atual reitor do Seminário São Vicente e antigo Superior do Brasil, é o novo Superior Geral do Instituto do Bom Pastor. Félicitations, Monsieur l’Abbé!

Todavia, este comunicado não está divulgado em nenhum veículo oficial do Instituto. E o site oficial adverte a respeito: “Toda comunicação oficial do Instituto do Bom Pastor deve, evidentemente, ser publicada neste site”. O que ocorre, então?

Ao que tudo indica, houve uma cisão no Capítulo. Os velhos dirigentes parecem não aceitar a nova composição de governo do IBP.

Em seu blog, o [ex?] Superior Geral enigmaticamente aborda o assunto. Ele evoca o Direito Canônico para afirmar que, uma vez proclamado o resultado do Capítulo e tendo o eleito aceitado o encargo, apenas uma instância superior poderia contestar tal decisão. E assina, após insinuar um recurso à Sé Apostólica ["todos os caminhos levam a Roma..."]: “Padre Phillippe Laguerie, Superior Geral do Instituto do Bom Pastor”.

Fora o Padre Laguerie reeleito e, uma vez contestada a sua reeleição, outro superior acabou escolhido? Não está a nosso alcance saber.

Até que a situação se esclareça, o que podemos inferir do comunicado (ainda não divulgado em nenhum outro meio, mas cuja autenticidade foi diligentemente certificada pela nossa edição) é a vitória interna dos “compromissos assumidos em 2006″, caracterizados especificamente pelo Rito Latino Gregoriano enquanto “exclusivo” do Instituto e pelo serviço de uma “crítica séria e construtiva” aos textos do Concílio Vaticano II.

Já abordamos as divergências no IBP e a insurgência da Comissão Ecclesia Dei contra esses mesmíssimos princípios fundacionais aqui.

A nova direção do IBP é composta por padres jovens — com exceção do Pe. Aulagnier, braço direito de Dom Lefebvre por décadas — comprometidos com as razões originais pelas quais “se uniram no serviço da Igreja”. Padre Carusi, editor de Disputationes Theologicae,  assume posto de importância, enquanto seu franco opositor, Padre De Tanöuarn, antigo Primeiro-Assistente, cai no ostracismo.

No mês passado, a carta aos amigos e benfeitores do seminário do Instituto já afirmava: o Capítulo Geral “é também o momento de examinar a fidelidade dos padres aos princípios fundadores do Instituto, tanto doutrinais como pastorais ou espirituais [...] Alguns até pensaram que o IBP, sendo fruto do encontro surpreendente de personalidades fortes (os padres Laguérie, Tanoüarn e Héry),  não poderia formar uma comunidade. Os mesmos previam uma explosão em pouquíssimo tempo. Vários anos depois, o IBP ainda está aí, mesmo que haja divisões em suas fileiras”.

Resta agora saber como e se o Instituto sobreviverá a esta que é, até agora, a sua mais árdua prova.

5 julho, 2012

Ordenado o primeiro Padre Brasileiro do Instituto do Bom Pastor.

Conforme já havíamos anunciado, no último dia 29, festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, em Bordeaux, Dom Fernando José Monteiro Guimarães, bispo diocesano de Garanhuns (PE), ordenou sacerdote o brasileiro Daniel Pereira Pinheiro, juntamente com Yvain Cartier e Giorgio Domenico Lenzi. Outros dois brasileiros, Luis Fernando Karps Pasquotto e Renato Arnellas Coelho, foram ordenados diáconos.

Já no Brasil, Padre Daniel celebrará uma Santa Missa solene às 10h30, no próximo dia 7, sábado, 5º aniversário da promulgação do Motu Próprio Summorum Pontificum, na paróquia Santo Cura d’Ars, situada na 914 sul, em Brasília (DF). Também no domingo, na mesma paróquia, ele celebra Missa às 11:30.

As fotos da primeira Missa do Padre Daniel podem ser vistas aqui.

24 abril, 2012

O IBP no Brasil. Missa Solene na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em São Gonçalo, RJ, no próximo Domingo.

Dom Fernando Guimarães, bispo diocesano de Garanhuns.

Dom Fernando Guimarães, bispo diocesano de Garanhuns.

O Padre Phillippe Laguerie, Superior Geral do Instituto do Bom Pastor, chegou ontem ao Brasil.

Acompanhado pelo Padre Louis-Numa Julien, vigário da paróquia Saint-Elói, e pelo Diácono Daniel Pinheiro,  que em breve será o primeiro Padre brasileiro do Instituto, o Superior realizará visitas ao Rio de Janeiro e Brasília a fim de preparar o reestabelecimento do Instituto no país.

Dentro da programação da viagem, no próximo domingo, 29, será celebrada uma Missa Solene na paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Patronato, em São Gonçalo, às 7:30 da manhã.

E outra novidade que envolve o Brasil. As ordenações sacerdotais de 29 de junho, na paróquia pessoal do IBP em Bordeaux, serão conferidas por um bispo brasileiro:

Dom Fernando Guimarães, bispo de Garanhuns.

12 fevereiro, 2012

Foto da semana.

Courtalain, França, 2 de fevereiro de 2012, festa da Purificação da Santíssima Virgem: os jovens brasileiros Ivan Chudzik (centro) e Marcos Vinicius Mattke (o primeiro da foto, à esquerda do Ivan), respectivamente de Guarapuava e Curitiba, Paraná, recebem a batina no Instituto do Bom Pastor. Ambos eventualmente comentavam e colaboravam com artigos neste blog [aqui e aqui].

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23 outubro, 2011

Frase da semana.

Pe. Carusi

Pe. Carusi

Releiamos o fragmento de S.S. Bento XVI [sobre Assis-III], refletindo sobre ele, e veremos que o que emerge não é a valoração de um bem, mas antes de um dano que, crendo ser impossível impedir, se propõe a reduzir. Um “tradicionalismo” servil, ultra-ratzingeriano (temeroso e complexado), que em vez de se limitar às justas explicações, se sente obrigado a compartilhar e a aprovar Assis III, embora não se trate de um ato magisterial, nem de uma lei da Igreja, se encontraria “à esquerda” não só de um Monsenhor Gherardini e de suas reservas sobre o abuso da noção da “hermenêutica da continuidade”, mas também “à esquerda” do próprio Papa Ratzinger. Prestaria com isso um bom serviço ao Santo Padre, uma vez que se encontra em posições de maior liberdade que ele? Que razão de ser lhe restaria?

Do artigo-cutucão do Padre Stefano Carusi, do IBP, que causou a ira de seu confrade de instituto, Padre Guillaume de Tanöuarn.

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28 junho, 2011

Ordenações no IBP.

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Agradecemos ao seminarista Luis Carlos de Lima o envio das fotos das ordenações diaconais (Sergiusz Orzeszko, Polônia; Giorgio Lenzi, Itália; Yvain Cartier, França; e o brasileiro Daniel Pinheiro) e sacerdotal (Pe. Rémy Balthazard, França) conferidas por Sua Eminência Reverendíssima Dom Dario Cardeal Castrillon Hoyos no último sábado, na Igreja de Saint-Eloi, em Bordeaux, sede do Instituto do Bom Pastor.

14 junho, 2011

Liberdade religiosa: a posição clara de Dom Antônio de Castro Mayer.

Por Disputationes Theologicae | Tradução: Fratres in Unum.com

Em 15 de outubro último, tive a honra de escrever a Vossa Santidade, afirmando meu filial acatamento a tais ordens. Entre estas, estava a de que, dada a eventualidade de “em consciência não estar eu de acordo” com “atos do atual Magistério Ordinário da Igreja”, “manifestasse livremente à Santa Sé” meu parecer. É o que faço com toda a reverência devida ao Augusto Vigário de Jesus Cristo, ao entregar a Vossa Santidade os três estudos anexos”.

Dom Antonio de Castro Mayer

Dom Antônio de Castro Mayer

O cerne teológico da “liberdade religiosa”, tal como descrita no documento conciliar Dignitatis Humanae – no n º 2 em particular — tem suscitado inúmeros estudos e propostas interpretativas na linha hoje renomeada “da continuidade hermenêutica”. Até agora, as tentativas, apesar da extrema erudição teológica, têm se revelado pouco convincentes.

O Bispo da Diocese de Campos, Dom Antônio de Castro Mayer — hoje injustamente esquecido – voltou-se respeitosamente ao Papa Paulo VI, na qualidade de membro da Igreja docente; os Bispos, de fato, antes de ensinar o seu próprio rebanho, recebem um ensinamento do Sumo Pontífice e é praxe que a ele clamem para conhecer a interpretação autêntica de um texto que lhes é proposto. No estudo e na súplica do Bispo brasileiro, a clareza teológica se une ao filial — e igualmente teológico — respeito para com o Sucessor de Pedro. Como filho devoto da Igreja, mas sem esconder a verdade, o bispo desenvolve um estudo teológico de uma simplicidade desarmante, reconstituindo o pensamento constante da Igreja; não conseguindo encontrar uma solução para o problema e vendo o perigo da situação, volta-se a quem recebeu as chaves de Cristo, porque — parafraseando o padre grego Teodoro Studita – a sua palavra, o seu “cálamo divino”, os seus escritos, têm o poder de dispersar a matilha de lobos que invadem a casa de Deus: “Lupi graves irruerunt in aulam Domini (…) habes potestatem a Deo… Terreto, supplicamus, haereticas feras calamo divini verbi tui”.

O texto é de 1974 [ndr: período do Dom Antônio obediente, diriam alguns...], mas merece ser reproposto pelas características citadas e pela pena que o escreveu, refletindo abertamente sobre a necessidade de uma interpretação autêntica do texto controverso, sem descartar que o Sumo Pontifíce possa proceder a uma revisão de texto, que não goza da infalibilidade.

S.C. [Padre Stefano Carusi, IBP]

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5 maio, 2011

Laguerie e Assis.

Algumas recentes palavras do superior geral do Instituto do Bom Pastor sobre o próximo encontro de Assis [podem ser encontradas aqui, aqui e aqui].

É possível, realmente, encontrar mil oportunidades e deve-se ter mil precauções: os riscos de sincretismo, relativismo e escândalo são inegáveis porque são consubstanciais a esse tipo de encontro. Aquele que ocupa o lugar de Jesus Cristo na Terra coloca a si mesmo, e a Igreja que governa, no nível das seitas diabólicas ou das religiões que recusam o Representado ou ainda o próprio representante. A característica da religião de Cristo, desde os apóstolos, é a sua auto-reivindicação como detentora da verdade que os outros não têm. Os outros podem ter “verdades” (alguma semente do Verbo, exatamente), mas não A Verdade, porque a única verdade católica é o próprio Cristo. É toda a doutrina de São João (entre outros apóstolos) relacionada precisamente ao (belo) Bom Pastor. Antes mesmo de se definir Ele mesmo como o Bom Pastor que concede a verdadeira pastagem, Jesus afirma primeiramente ser a porta. “Eu sou a porta das ovelhas…”. Ninguém vai ao Pai senão por Ele e os que entram por outra passagem, pulam os muros ou furam os tetos, são bandidos e ladrões. Claro o suficiente? Não significa dizer absolutamente que esta graça de Jesus não é dada senão em sua Igreja, mas o é sempre por Ele e mesmo por Ela. Convidar os responsáveis das religiões enquanto tais, enquanto seus presidentes, e mesmo na hipótese de que eles fariam o bem, é dar a eles um reconhecimento ao qual não têm direito e recusá-lo a quem o detém. É receber concubinas na residência da esposa. O que dizer de um serviçal que impusesse isso ao cônjuge fiel e pensasse efetivamente ter o seu aval?

“Quem não é contra vós está convosco”, diz o Senhor, quando envia seus apóstolos em missão. Muito bem. É a união em uma causa. Todos encontramos em nossa vida aqueles bravos que nos são muito mais úteis que os convidados da primeira hora. No nível individual, todos os golpes que beneficiam a causa do Nome são permitidos. São Paulo se lamenta, aos Romanos, dessas pessoas que anunciam Cristo com intenções más (precisamente a de desacreditar a função oficial do Apóstolo) e conclui, magnânimo:  “Que importa, já que Cristo é anunciado”! Seria possível até mesmo utilizar, materialmente, alguma doutrina verdadeira de uma falsa religião. Mas isso não tem nada a ver com o nosso propósito. Trata-se dos grupos constituídos, representados por seus responsáveis, logo, de sua reunião enquanto corpos constituídos em doutrinas cismáticas, heréticas, atéias ou blasfemas. Isso é inadmissível no olhar da Fé [...]. Cristo é muito claro: “Quem não é comigo é contra mim, quem não se ajunta comigo dissipa”. É a unidade do corpo católico. São Paulo passou a metade da sua vida nas sinagogas, mas sempre para anunciar Cristo. Basicamente, Assis 1, 2, 3 ou X, é tornar Cristo facultativo, fazer da Igreja a “casa da mãe Joana” e desonrar, por sua Cabeça, o menor de seus membros, o mais humilde dos batizados.

[...]

O grande problema de Assis não é fazer todos aqueles de boa vontade rezar, nos quatro cantos do mundo, pela paz. Se poderia, se deveria organizar um super Assis! O problema é convocar as religiões enquanto tais. É possível encontrar por toda a parte os pequenos e humildes cuja oração é preciosa aos olhos do Senhor, certamente. Mas assim o é precisamente por não ter sido desvirtuada por uma religião dos homens ou do diabo. Há 2000 anos sabemos, nós cristãos, que é “por Ele, com Ele e nEle que são dadas ao Pai toda honra e toda glória”. Deixar transparecer o contrário aos pequenos ou aos hipócritas é uma traição.

[...]

Respondo, portanto, claramente à vossa pergunta: pode haver uma boa oração de um judeu ou um muçulmano (supondo a sua boa fé…). Não há uma boa oração judaica ou muçulmana…

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