Posts tagged ‘Judaísmo’

setembro 20, 2011

Liga Anti-Difamação: Salvem o Vaticano II!

Abraham H. Foxman, diretor da Liga Anti-Difamação.

Abraham H. Foxman, diretor da Liga Anti-Difamação.

A Liga Anti-Difamação [Anti-Defamation League], uma organização não governamental sediada nos Estados Unidos, cujo objetivo principal é combater o anti-semitismo, decidiu se pronunciar novamente sobre assuntos internos da Igreja Católica.

Depois de imiscuir-se na política eclesial por ocasião da promulgação do motu proprio Summorum Pontificum e polemizar sobre a nova oração pelos judeus na liturgia católica da Sexta-Feira Santa, agora ela vem defender a integridade do Concílio Vaticano II diante dos propósitos dos tradicionalistas — aparentemente acolhidos, ao menos em parte, pela Santa Sé — que visam relativizar o teor de seus documentos.

Após o encontro de 14 de setembro entre o Cardeal William Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e o Superior Geral da Fraternidade São Pio X, Dom Bernard Fellay, a Liga Anti-Difamação publicou em seu sítio um artigo em que

“encoraja o Vaticano a assegurar que a seita católica separada que ensina o anti-judaísmo seja obrigada a aceitar os ensinamentos positivos oficiais da Igreja sobre os judeus e o judaísmo, antes de ser plenamente aceita de volta na Igreja Católica Romana”.

Declarou Abraham H. Foxman, diretor da Liga Anti-Difamação:

Estamos confiantes de que o Papa Bento XVI continuará a exigir da Fraternidade São Pio X, que sustenta opiniões anti-semitas e anti-judaicas, a aceitar publicamente os ensinamentos positivos da Igreja sobre os judeus e o judaísmo desde o Concílio Vaticano II, de 1965, antes de aceitá-los de volta na Igreja Católica Romana.

Por sua vez, o Rabino David Rosen, presidente do Comitê Judeu Americano para Assuntos Inter-religiosos e velho expoente do diálogo católico-judaico, disse estar preocupado pelo gesto de acolhimento por parte do Vaticano e espera esclarecimentos:

“Se ‘Nostra Aetate’ e ‘Lumen Gentium’ não são considerados doutrinas fundamentais da Igreja, e for possível questioná-las sem desafiar a autoridade da Igreja, então nós (e não só as relações judaico-católicas) estamos indo por um caminho muito difícil”.

Diversos grupos judeus tiveram papel importantíssimo na redação da declaração Nostra Aetate. Clérigos influentes, sob a proteção especial do Cardeal Augustin Bea, SJ, então responsável pela unidade dos cristãos e pelo diálogo com os judeus, beneficiando-se de suas posições, reuniam informações de dentro do Concílio e as divulgavam para a imprensa secular e grupos de pressão judeus, que, por sua vez, usavam-nas para influenciar e constranger os padres conciliares — particularmente os progressistas, preocupados com o diálogo inter-religioso. Comissões foram formadas, e a própria Liga Anti-Difamação, fundada pela B’nai B’rith, organização para-maçônica exclusiva para judeus, foi consultada.

A influência judaica se estendeu a encontros de lideranças com João XXIII, para as quais as maiores fontes de discriminação contra os judeus seriam os ensinamentos da Igreja Católica. Foram realizados também encontros “discretos” entre o Cardeal Bea e organizações judaicas em Nova Iorque; chegaram à desfaçatez de elaborar uma oração, atribuindo-a falsamente João XXIII, em que se fazia um mea culpa pelos erros passados da Igreja contra os judeus.

Enfim, apesar da intromissão, a preocupação judaica com a integridade do Vaticano II não pode ser considerada surpreendente por quem conhece as obscuras histórias dos corredores conciliares.

julho 29, 2011

Cruz de Cristo, escândalo para os judeus. Local onde rasgam as vestes: L’Osservatore Romano.

Assis: polêmica entre judeus e cristãos sobre símbolos religiosos.

No “L’Osservatore Romano” se inflama o debate entre o Cardeal Koch e Ricardo di Segni. O rabino rechaça a comparação entre a Cruz e o Yom Kippur.

Vatican Insider – Tradução: Fratres in Unum.com

Bento XVI e o rabino Di Segni. Em janeiro de 2010, este mesmo rabino declarou: “Se a paz com os lefebvristas significa renunciar às aberturas do Concílio, a Igreja tem que decidir: ou eles ou nós!”

Bento XVI e o rabino Di Segni. Em janeiro de 2010, este mesmo rabino declarou: “Se a paz com os lefebvristas significa renunciar às aberturas do Concílio, a Igreja tem que decidir: ou eles ou nós!”

« Se os termos do diálogo são os de indicar aos judeus o caminho da Cruz, não se entende por que o diálogo nem o porque de Assis », escreveu em “L’Osservatore Romano” o rabino mais importante de Roma, Riccardo Di Segni, advertindo que os que apoiam o diálogo entre católicos e judeus devem evitar recorrer a símbolos não compartilhados.

A comparação que fez o Cardeal Kurt Koch, diretor do dicastério vaticano para o diálogo ecumênico, entre a cruz cristã e a festividade judia da expiação, o Yom Kippur, não agradou ao rabino de Roma, Riccardo Di Segni.

O debate surgiu com o artigo de 7 de julho publicado pelo Cardeal Koch no periódico da Santa Sé sobre o significado da Jornada Inter-religiosa da Oração pela Paz em Assis, do próximo 27 de outubro, no qual o purpurado suíço escreveu que a cruz de Jesus « se levanta sobre nós como o permanente e universal Yom Kippur », e « por isso a cruz de Jesus não é um obstáculo para o diálogo inter-religioso; antes, indica o caminho decisivo que sobretudo judeus e cristãos […] deveriam tomar, em uma profunda reconciliação interior, tornando-se fermento para a paz e a justiça no mundo ».

Segundo Di Segni, estas palavras « inspiradas pela fraternidade e boa vontade, se não forem melhor explicadas, podem evidenciar os limites de uma certa forma de dialogar da parte dos cristãos ». Di Segni se queixa em particular da proposta que Koch « faz ao interlocutor judeu para que se deixe guiar por símbolos que este não compartilha. Sobretudo quando estes símbolos são apresentados como substituições, com o valor agregado dos ritos e dos símbolos do crente com que se dialoga».

« O crente cristão – explica o rabino de Roma – pode, sem dúvida, pensar que a Cruz substitui de maneira permanente e universal o dia de Kippur, mas se deseja dialogar sincera e respeitosamente com o judeu, para quem o Kippur mantém seu valor permanente e universal, não tem que lhe propor suas crenças e suas interpretações cristãs como sinais do ‘caminho decisivo’».

« Pois então há o risco – prossegue – de se entrar na teologia da substituição e a Cruz se converte em obstáculo. O diálogo judaico-cristão corre inevitavelmente este risco, porque a idéia do cumprimento das promessas judaicas é a base da fé cristã; assim, o afirmar-se desta fé implica sempre uma idéia implícita de integração, se não de superação da fé judaica ».

De Segni continua: « a língua do diálogo deve ser comum e o projeto deve ser compartilhado. Se os termos do diálogo são baseados em cristãos indicando aos judeus o caminho da Cruz, não se entende o porque do diálogo nem o porque de Assis ».

Em sua réplica, o Cardeal Koch explica que « não se trata de substituir o Yom Kippur hebraico pela cruz de Cristo, embora os cristãos vejam na cruz de Cristo o permanente e universal Yom Kippur ». A questão, de toda forma, « não é um obstáculo para o fato de que cristãos e hebreus, dentro do recíproco respeito pelas respectivas convicções religiosas, se empenhem na promoção da paz e da reconciliação, caminhando juntos para Assis ».

(Destaques do original)

junho 1, 2011

O ecumenismo segundo o Cardeal Kurt Koch.

Um segundo aspecto é a grande mudança que está criando raízes no pensamento da comunidade reformada: eles não vêem como fim do movimento ecumênico a unidade visível na fé, nos sacramentos e no ministério, mas reclamam a permanência de uma pluralidade de Igrejas que se reconheçam umas às outras, cuja totalidade produziria, finalmente, a Igreja de Cristo. Algo como uma espécie de lar adotivo, de onde de tempos em tempos sai um convite aos vizinhos para alguma festividade. Essa posição não agrada católicos e ortodoxos. Este não é o único e indiviso Corpo de Cristo, não corresponde à oração de Jesus para que todos os discípulos sejam um, como são o Pai, o Filho e Espírito Santo.

[...]

A Igreja de Jesus Cristo não é uma idéia abstrata, que ainda não existe, mas está na Igreja Católica, entendida enquanto sujeito histórico. E isso não implica dizer, de modo algum, que os católicos são cristãos melhores do que outros, mas apenas que na Igreja Católica existem os meios de salvação. É um fato objetivo. Assim, quando ouço dizer que há fiéis protestantes que desejam se tornar católicos, digo-lhes: “Vocês não devem deixar nada, mas sim receber algo a mais”, isto é, os meios de salvação presentes da Igreja Católica. Que não são um mérito da Igreja, mas um dom do Senhor. Com isso, já está implício que também em outras Comunidades eclesiais existem meios de salvação.

[...]

Os cristãos acreditam na universalidade da salvação em Jesus Cristo, por outro lado se diz que uma missão para com os judeus é absolutamente impossível. Como podem essas duas afirmações não ser  incompatíveis? Eis também o motivo por que a nova oração da Sexta-feira Santa tem levantado tantas discussões. Gostaria de compreender melhor o que significa para um judeu a fé cristã e as relações entre judeus e cristãos. O diálogo do Papa Bento XVI com o rabino Neusner, no primeiro livro Jesus de Nazaré, é importante para mim, é exatamente o diálogo teológico que imagino. E sobre a missão sistemática em direção aos judeus… a Igreja não a procura. Mas nós cristãos confessamos a fé em Jesus e a colocamos gratis perante à liberdade do outro.

Da entrevista concedida pelo Presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, Dom Kurt Cardeal Koch, à revista 30Giorni – março de 2011.

novembro 10, 2010

Eles nunca estão satisfeitos: progressistas do L’Osservatore Romano e judeus se unem para pedir nova revisão de oração da Sexta-feira Santa e denegrir Pio XII.

CIDADE DO VATICANO, 9 (ANSA – via Secretum Meum Mihi) – O presidente da União de Comunidades Judaica Italianas (UCEI), Renzo Gattegna, pediu hoje que a Igreja Católica modifique a liturgia da Sexta-feira Santa, renunciando às referências à conversão dos judeus.

Essa medida constituirá, a seu juízo, um “gesto útil necessário e apreciado” para “prosseguir com a recíproca compreensão e amizade”.

Em artigo publicado hoje no L’Osservatore Romano, diário da Santa Sé, sob o título “Um futuro de amizade”, Gattegna disse que a modificação dessa liturgia “constituiria um sinal forte e significativo de aceitação de uma relação baseada na dignidade recíproca e no respeito mútuo”.

“Estas são condições indispensáveis para um futuro de amizade e solidariedade, as mesmas das quais tantos católicos deram mostras quando, pondo em risco suas próprias vidas, salvaram milhares de judeus das deportações aos campos de extermínio”, disse o responsável da UCEI.

A liturgia da Sexta-feira Santa — dia em que a Igreja recorda a crucifixão de Jesus — foi objeto de disputas entre católicos e judeus durante séculos, por conta da presença de uma oração na qual se rezava a Deus para a “conversão dos pérfidos judeus”, ou seja, distantes da fé dos cristãos.

A palavra “pérfidos” desapareceu dos missais católicos sob o pontificado de João XXIII e a nova versão da oração foi oficializada no novo missal aprovado pelo Concílio Vaticano II que, adaptando a liturgia do latim a outros idiomas, manteve apenas a oração a Deus “para que o povo primogênito de sua aliança possa chegar à plenitude da Redenção”.

Estas mudanças, contemporâneas à declaração conciliar “Nostra Aetate”, que dispôs sobre as relações da Igreja Católica com as religiões não cristãs, serviram para criar um clima de aproximação entre católicos e judeus, que foi novamente comprometido em 2007, após a publicação da carta apostólica “Summorum Pontificum”, do Papa Bento XVI.

Este “motu proprio” pontifício, com efeito, autorizava os sacerdotes a continuar utilizando, ainda que de forma extraordinária, o missal pré-conciliar — conhecido como tridentino, em alusão ao Concílio de Trento (1545-63) — embora a oração na qual se mencionava a conversão dos judeus conservasse as correções de João XXIII.

Para protestar contra esta mudança, os responsáveis pelas comunidades judaicas italianas não participaram, em janeiro do ano passado, da Semana do Diálogo Judaico-Católico, criada pelo Papa João XXIII, o que levou, por sua vez, a uma nova correção do texto, na qual se eliminam as referências à “obscuridade” em que estariam imersos os judeus por sua distância da fé cristã.[corrigindo uma imprecisão da notícia: a nova redação da oração pelo Papa Bento XVI foi lançada em fevereiro de 2008, antes, portanto, da reunião em que se ausentaram os representantes judeus. NDR.]

Agora Gattena relançou o debate sobre a possibilidade de eliminar completamente a oração, e recordou também outro tema delicado no diálogo entre judeus e católicos: a postura do Papa Pio XII perante o nazismo alemão em geral, e, mais especificamente, perante o holocausto dos judeus da Europa.

“O acalorado debate que se desenvolve há 50 anos sobre a conduta de Pio XII continua aberto”, disse o presidente das comunidades judaicas da Itália, acrescentando ainda que, embora os judeus “não queiram interferir” na questão do processo de beatificação do pontífice, atualmente em curso, “determinar a verdade histórica é algo que suscita um grande interesse”.

Referindo-se a uma reconstituição televisiva do pontificado de Pio XII produzida e transmitida pela rede de tevisão pública italiana RAI, Cattegna disse que “seria de uma importância fundamental poder seguir e completar a grande e difícil tarefa de investigação nos arquivos”, para iliminar fatos que “não podem ser tratados com rigor científico por um filme televisivo digno no aspecto artístico, mas cheio de imperfeições históricas”.

setembro 22, 2010

O Cardeal Cottier e a religião da Shoah.

“Hegel é o pensador cristocêntrico por excelência”

“Hegel é o pensador cristocêntrico por excelência”

(30 Giorni) O jornal Il Foglio de 3 de abril publicou um artigo no qual o cardeal Georges Cottier faz uma crítica à “religião da Shoah” de Emil Fackenheim. “O pensamento de Fackenheim é uma expressão importante da ‘religião da Shoah’ assim chamada e analisada por Alain Besançon. A tragédia da Shoah, que atingiu o povo judaico e que feriu de modo incancelável a sua memória, é única a tal ponto que a comparação com outras tragédias é recusada como uma blasfêmia [...]. A ‘religião da Shoah’ faz da experiência do silêncio de Deus vivida por tantas vítimas inocentes uma categoria metafísica. A relação a Deus torna-se alheia à definição da unicidade do evento. Resta apenas a “fidelidade do povo judaico a si mesmo” [...]. Se a Shoah, como interpreta Fackenheim, é o centro da história, isso significa que se substitui a Cristo. Mas como, se Deus está ausente disso, tal evento pode ter um valor redentor? Ou não há redenção ou a redenção torna-se a auto-redenção do homem, da qual Deus foi expulso. Estamos na lógica do humanismo ateu. Para Fackenheim, lemos, ‘Hegel é o pensador cristocêntrico por excelência’. Mas Hegel, na realidade, representa uma gnose cristológica, na qual a fé em Cristo não pode se reconhecer”.

abril 6, 2010

Uma onda de declarações e retificações enche as páginas dos principais meios de comunicação estes dias.

(05/04/10 -  Sector Católico) Esses dias da Semana Santa também foram agitados do ponto de vista informativo, visto que os meios de comunicação prosseguiram com a sua campanha contra a Igreja e renovaram os seus esforços em atacar a figura do Papa a propósito dos abusos sexuais imputados a alguns sacerdotes de vários países. Porém, assistimos nesses dias a uma serie de declarações e retificações preocupantes e que afetaram novamente a Santa Sé. O protagonista, Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia, que em sua homilia de Sexta-feira Santa vinculou o anti-semitismo sofrido pelos judeus à perseguição atual sofrida pela Igreja. Horas depois, o porta-voz do Gabinete de Imprensa, Federico Lombardi, teria que retificar publicamente o franciscano por temor da comunidade judaica, que estava novamente indignada com o mundo católico por essas declarações.

Nesse meio tempo, o arcebispo de Canterbury e primaz da autodenominada “Igreja da Inglaterra”, Rowan Williams, falava com gosto dos casos de pederastia na Irlanda, acusando a Igreja Católica de “haver perdido toda a sua credibilidade”. Poucas horas mais tarde, esse prelado se via na necessidade de pedir desculpas por essas palavras infelizes, que, uma vez mais, evidenciam a situação delicada da hierarquia naquele país.

Seja como for, parece que as águas voltaram ao normal e que o diálogo ecumênico e inter-religioso seguirá adiante com ambas as comunidades. O que desde logo, nos parece lamentável, é que, como conseqüência desse diálogo, a Igreja não possa expressar-se com liberdade e todas as declarações públicas do Pontífice ou das pessoas ao seu redor sejam examinadas com lupa e de forma excessivamente crítica.

É verdade que todos nos equivocamos, mas o importante, como sempre, continua sendo fazer a retificação. Por essa razão, é mais que aconselhável que a Santa Sede estabeleça agora um perfil informativo mais baixo, e deixe passar algum tempo para evitar novos incidentes que, desde já, não beneficiam a ninguém, salvo aos inimigos da única e verdadeira Igreja de Cristo.

março 29, 2010

Resposta do Revmo. Pe. Renato Leite ao artigo “Santa Pedofilia”, de Hélio Schwartsman, publicado na Folha de São Paulo.

Lendo seu artigo sobre a pedofilia nas fileiras da Igreja Católica me perguntei o porque de um judeu, que se assume como anticlerical, que adota a matriz do pensamento maçônico como instrumento de análise da realidade e que reconhece publicamente que a Igreja  classifica como pecado grave  a pedofilia, se mostrou tão crítico ao analisar o problema quando esse se dá na Igreja Católica e tão indulgente quando ele ocorre entre os membros da sinagoga?

E para se sustentar  pretensiosamente em “fatos” e eximir os que estão mais próximos de responsabilidades em casos similares, afirmou sem base que:

“A forma de organização da Igreja Católica, entretanto, parece favorecer a ocorrência dos abusos que, ao menos aparentemente, não acontecem na mesma escala em colégios e seminários protestantes, islâmicos ou judeus”.

De onde lhe veio a idéia de que os abusos não ocorrem “aparentemente na mesma escala” em instituições similares inclusive nas judaicas? A ocorrência da pedofilia entre os membros da sinagoga, consegue ser ainda mais “escabrosa” do que  quando acontece na Igreja Católica. Será?

É o que conseguiu constatar o  “The New York Times” numa reportagem esclarecedora e que nos dá uma amostra da dimensão do problema entre os judeus e a praxe das autoridades religiosas judaicas no tratamento da questão e que afirma, entre outras coisas: “Já não é mais tabu processar criminalmente por pedofilia, em Nova York, judeus ultra ortodoxos” segundo o artigo assinado por Paul Vitello.

Eles não sofriam processos por pedofilia, mas isso mudou com o Promotor-Geral Charles J. Hynes. Oito pessoas já estão presas e 18 esperam julgamento.

Havia proibição religiosa de acusação fora do grupo, inclusive sob ameaça de morte. Como era necessária a aprovação do rabino, mas este nunca dava a permissão, e nos tribunais religiosos (a sinagoga) os acusados eram sempre absolvidos, as famílias decidiram recorrer à justiça comum.

Quarenta menores concordaram em testemunhar no tribunal. Alguns blogs, como FailedMessiah e The Unortodox Jew, têm encorajado as vítimas.

Os líderes religiosos estão começando a aceitar a situação, e Hynes tem feito reuniões com grupos ultraconservadores para encorajar as vítimas a se manifestarem. Há 180 mil judeus ultraconservadores em Nova York.

Para David Zwiebel, da Agudath Israel of America: “Há consenso nos últimos anos que muitos desses casos não podem ser decididos dentro da comunidade”. Mas ele acha que devem ser encontradas alternativas para prisão, de forma a não tirar de uma família o que lhe provê o pão, e para encontrar famílias boas que fiquem com as crianças retiradas de suas famílias.

Em 2000, o rabino Baruch Lanner, principal líder carismático da juventude yeshiva e que por mais de 20 anos foi acusado de abusos, foi objeto de uma reportagem reveladora na The Jewish Week que resultou numa pena de sete anos de prisão.

Há programas de rádio que incentivam as vítimas a fazerem acusações, como o de Dov Hikind, da rádio WMCA. Centenas de jovens fizeram acusações.

O pai de um menino de 6 anos que havia sido abusado pelo rabino Kolko foi a Jerusalém pedir permissão a um rabino de alto prestígio para ir à polícia.

A resposta foi: “Vá, porque você não estará cometendo nenhum pecado.”

O artigo completo pode ser encontrado no link abaixo: http://www.nytimes.com/2009/10/14/nyregion/14abuse.html?pagewanted=1&em

Pergunto eu: deveria se creditar os casos de pedofilia entre rabinos à forma de organização da sinagoga? Como avaliar racionalmente um problema crescente entre as autoridades religiosas judaicas se estas não são celibatárias e, ao contrário, obrigadas ao casamento e à procriação diferentemente dos membros do clero católico?

Seria criminoso também o acobertamento dos casos entre judeus e rabinos por parte da sinagoga ou deveria se respeitar uma suposta “autonomia” do judaísmo, não obrigando a denuncia às autoridades civis e  ainda considerar  legítimo o uso de ameaça de morte para evitar escândalos como o praticado pelas autoridades religiosas dos Hasidin em New York?

O problema é de todos e em alguns casos, como demonstrado  pelo artigo do “New York Times”, mais grave ainda do que quando ocorre nos meios católicos, com direito à acobertamento e ameaças, entretanto, dedos acusadores como o seu, só apontam para a Igreja Católica.

Como se pode constatar, sua análise da questão é simplista e tendenciosa e, na verdade, o seu artigo não tem outra intenção a não ser fazer prevalecer sua opinião, diga-se de passagem,  bem anticlerical dos fatos, sobre os fatos propriamente ditos.

Fica desqualificado seu artigo como avaliação referencial  do problema da pedofilia que, como você mesmo reconheceu, é na verdade o problema das relações homossexuais com menores e  no caso do judaísmo, não parece ser menor, ao contrário é tão grande ou maior, proporcionalmente falando quanto ao que ocorre na Igreja Católica envolvendo também centenas de jovens.

Não se pode concluir outra coisa, a partir da  análise dos fatos, a não ser a existência oportunista de uma campanha difamatória contra a Igreja Católica que tem nos profissionais de mídia, com baixo teor de honestidade intelectual, como é o seu caso, seus instrumentos mais eficazes.

Padre Renato Leite, São Paulo

janeiro 27, 2010

O ultimato do rabino chefe de Roma: “A Igreja tem que decidir: ou eles ou nós!”.

“Se a paz com os lefebvristas significa renunciar às aberturas do Concílio, a Igreja tem que decidir: ou eles ou nós!”: assim se expressou o rabino chefe da comunidade judaica de Roma, Riccardo di Segni, em um trecho de uma entrevista à revista mensal “Il consulente Re”, publicada no dia anterior à jornada da memória.

Di Segni recorda, a propósito, o discurso pronunciado na sinagoga por ocasião da recente visita ao Papa, quando, em referência às “aberturas” do Concílio Vaticano II, disse: “Se vierem a ser colocadas em discussão, não haveria mais possibilidade de diálogo”. Agora, o rabino explica, referindo-se ao discurso do dia anterior do Papa à Congregação para a Doutrina da Fé: “Foi o último acréscimo ao discurso, depois que na manhã de sexta-feira, 15 de janeiro, houve uma estranha abertura aos lefebvristas…”.

Que o caminho entre judeus e católicos “seja turbulento – afirma Di Segni de modo mais genérico – está fora de questão, que seja irreversível é uma esperança”. Quanto à definição utilizada por João Paulo II para descrever os judeus – “irmãos mais velhos” – o rabino explica: “Esta definição é muito ambígua do ponto de vista teológico, já que os “irmãos mais velhos” na Bíblia —  mencionei no meu discurso — são os maus, os que perdem seu direito de primogenitura… Falar então de “irmãos mais velhos” do ponto de vista teológico significa dizer: “vocês eram, agora não contam mais nada!”. O aceno feito aos pares de irmãos bíblicos no discurso na sinagoga mexeu com o Papa, narra em seguida Di Segni: “Da posição solene em que se colocou no início da cerimônia, começou a mostrar grande interesse. Não só: ao fim do meu discurso ele me disse que o argumento foi muito importante, o que evidenciou novamente no nosso colóquio privado”.

Por fim, Di Segni elogia a Comunidade de Santo Egidio: “É um belo exemplo de colaboração, foram fundamentais. Ela fez de tudo para promover a visita, fez muito para salvá-la no momento da crise”.

Fonte: Il blog degli amici di Papa Ratzinger

janeiro 18, 2010

O Papa na Sinagoga de Roma. Um recado dos judeus.

Abertura à Tradição causa preocupação.

“Podemos, desde o Concílio do Vaticano [II], nos relacionar com a Igreja Católica e seus Papas em termos de igual dignidade e respeito recíproco. São as abertura do Concílio que tornam possível este relacionamento; se elas viessem a ser colocadas em discussão, não haveria mais possibilidade de diálogo”. Palavras do rabino chefe de Roma, Riccardo Di Segni, referindo-se veladamente às discussões doutrinais entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X.

Acalento pontifício.

“Os ensinamentos do Concílio Vaticano Segundo representaram para os católicos um claro marco ao qual é feito constante referência em nossa atitude e em nossas relações com o povo judeu, marcando um novo e significante estágio. O Concílio deu um forte impeto a nosso irrevogável empenho em seguir o caminho do diálogo, da fraternidade e da amizade, uma jornada que foi aprofundada e desenvolvida nos últimos quarenta anos, através de passos importantes e gestos significativos”. Do discurso do Papa Bento XVI em visita à Sinanoga Romana, em 17 de janeiro de 2010.

Uma sutil defesa de Pio XII.

Ainda em seu discurso, disse o Papa: “infelizmente, muitos permaneceram indiferentes, mas muitos, inclusive católicos italianos, sustentados por sua fé e pelos ensinamentos cristãos, reagiram com coragem, muitas vezes sob risco de suas vidas, abrindo seus braços para assistir os fugitivos judeus que estavam sendo perseguidos, e obtendo perene gratidão. A própria Sé Apostólica forneceu assistência, muitas vezes de uma maneira oculta e discreta”.

dezembro 23, 2009

O ultimato das comunidades judaicas: “Aceite as reservas sobre Pacelli”.

(IHU) “Uma nota oficial, enviada às máximas autoridades, na qual se deverá considerar as reservas que os judeus ainda têm com relação aos fatos históricos de Pio XII, com particular referência aos seus silêncios sobre a Shoá”. Se não chegam, em curto tempo, sinais públicos do Vaticano nesse sentido, “poderiam surgir problemas posteriores, até se colocar em dúvida a própria visita papal à Sinagoga”.

É esse – substancialmente – o pedido que a Comunidade Judaica de Roma, com a “benção” da cúpula da Sinagoga, teria feito chegar reservadamente no Vaticano no dia seguinte ao anúncio oficial da assinatura das virtudes heroicas de Pio XII, assinadas por decreto, no sábado, por Bento XVI.

A reportagem é de Orazio La Rocca, publicada no jornal La Repubblica, 22-12-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A iniciativa papal – como se sabe – foi acolhida com “perturbação, desilusão e raiva” por quase todo o mundo judeu. E não só o romano. A tensão, dentro e fora da comunidade judaica, já está nos níveis máximos, razão pela qual, com o passar das horas, se multiplicam sempre mais as vozes de quem está pronto para colocar em dúvida até a esperada visita de Bento XVI à Sinagoga de Roma programada para o dia 17 de janeiro próximo.

Perigo temido – não por acaso – pelo presidente da Assembleia dos Rabinos Italianos, Giuseppe Laras, e que amanhã será certamente examinado em um ardente conselho da Comunidade Judaica Romana. A cúpula do “pequeno parlamento” judeu da capital italiana jura que “tudo está prosseguindo normalmente, e que a visita do Pontífice não sofrerá consequências”. Ninguém, portanto, entre os chefes dos judeus romanos quer ouvir falar de adiamento e muito menos de cancelamento, mesmo que o embaraço seja palpável.

A primeira reação oficial ao anúncio da assinatura do decreto sobre as virtudes heroicas de Pacelli foi um documento assinado pelo rabino chefe de Roma, Riccardo Di Segni, pelo presidente da União das Comunidades Judaicas Italianas, Renzo Gattegna, e pelo presidente da Comunidade Judaica Romana, Riccardo Pacifici. Um texto no qual – com extrema clareza – os três signatários reforçam as tradicionais reservas com relação aos supostos “silêncios” de Pacelli.

Mas, além do documento oficial de três dias atrás, está em curso entre as duas margens do Tibre uma força reservada para fazer todo o possível para evitar que a visita seja cancelada, mas ao mesmo tempo para fazer que as razões judaicas – isto é, as reservas históricas sobre o Papa Pacelli – sejam levadas em conta pelo Vaticano.

A partir daquilo que surge dos ambientes judeus romanos, esse é o tema sobre o qual Di Segni, Gattegna e Pacifici pretendem insistir em vista da visita papal à Sinagoga. Uma mensagem precisa nesse sentido chegou ao Vaticano por meio de “intermediários” apreciados tanto pela Comunidade Judaica quanto pelo Vaticano.

“Não nos servimos de nossos embaixadores, mas de pessoas amigas, representantes de notáveis instituições comprometidas com o diálogo inter-religioso, que logo se colocaram em ação”. Naturalmente, dar nomes é impossível, porque a marca do silêncio é total, mesmo que se fale com uma certa insistência de “homens daComunidade de Santo Egídio “, há muitos anos fortemente comprometidos com o diálogo, com atenção particular aos judeus, para os quais organizam todos os dias 16 de outubro a marcha em memória dos judeus romanos capturados no Gueto em 1943. Irá chegar ao Vaticano nos próximos dias um sinal “concreto e oficial” com mérito às reservas judaicas sobre os “silêncios” de Pacelli? Na cúpula da Sinagoga e da Comunidade Judaica, desejam “que sim, senão a situação se complica”.

Das mesmas autoridades, porém, surge ainda que o caso Pacelli “não poderá estar no centro da visita de Ratzinger à Sinagoga” no âmbito dos respectivos discursos. “Como é a nossa tradição – asseguram na Comunidade Judaica –, o hóspede é sagrado, e Bento XVI será acolhido com todas as honras devidas a um hóspede de respeito. Mas nem por isso ficaremos calados”.

Nada impede, portanto, que se imagine que, tanto do rabino chefe Riccardo Di Segni, como do presidente da Comunidade Judaica, Riccardo Pacifici (uma vida inteira comprometida com a defesa das raízes e da identidade judaica, neto do rabino chefe de Gênova, Riccardo Pacifici, morto em Auschwitz ), o discurso de saudação que no dia 17 de janeiro será dirigido a Ratzinger seja dedicado também à incômoda lembrança do Papa Pacelli. Se a visita ocorrer.

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