Por Andrés Beltramo Alvarez
Vatican Insider – Tradução: Fratres in Unum.com
Os Legionários de Cristo se viram obrigados, nos últimos meses, a fechar seminários menores, a unificar comunidades religiosas, a transferir escolas e encerrar uma universidade no maior retrocesso institucional de seus últimos anos. A maior reestruturação interna desde os escândalos envolvendo seu fundador, Marcial Maciel Degollado
Até não muito tempo, a Legião era considerada o instituto religioso de maior crescimento, tanto econômico como em número de membros, nos anos posteriores ao Concílio Vaticano II. Bastaram apenas cinco anos e um fundador culpável de toda espécie de atos imorais – inclusive abusos sexuais contra menores – para que a máquina diminuísse drasticamente seu ritmo.
O porta-voz da congregação em Roma, Andreas Schoggl, confirmou que as medidas de ajuste respondem à falta de vocações, ao impacto da crise econômica internacional, à necessidade de maximizar os recursos e aos escândalos públicos.
“Sem dúvida, se nota um certo recuo embora também seja possível vê-lo como uma mudança de estratégia. No passado demos passos muito grandes e agora é tempo de ajustar nossas tarefas, mas não temos problemas com isso”, afirmou.
Em 15 de julho passado, Sylvester Heereman, diretor territorial para a Europa, anunciou em uma carta o fechamento de um noviciado em Dublin (Irlanda). “Os motivos que levaram a esta decisão dolorosa são a escassez de vocações irlandesas nas últimas duas décadas, somada à dificuldade atual de manter o noviciado com vocações provenientes de outros países”, escreveu.
O fechamento deste noviciado se somou à suspensão de outros dois seminários menores: um em Sacramento, Estados Unidos, e outro em Porto Alegre, Brasil. Já em 2010, o diretor territorial na Espanha havia anunciado o encerramento das atividades do seminário menor em Valência.
Deve-se acrescentar a estas medidas a fusão de comunidades religiosas em diversas partes do mundo, já que, nos últimos anos, a política geral tem sido a de unir casas para se obter um maior e mais estável número de legionários por núcleo.
Nos últimos dois anos, 42 sacerdotes e 151 seminaristas (entre religiosos e noviços) abandonaram as fileiras da Legião, enquanto o proselitismo vocacional se viu sensivelmente afetado. Grande parte por causa do escândalo Maciel e pelo processo de reforma encabeçado pelo Cardeal Velasio De Paolis.
Segundo cifras oficiais, enquanto que em 2009 o número total de membros da congregação era de 3389, em 31 de dezembro de 2010 era de 3265, isto é, uma redução de 124 unidades. Os Legionários contam atualmente com três bispos, 889 sacerdotes, 1244 religiosos e noviços, assim como 1129 candidatos, pré-candidatos e apostólicos.
Estes números estão fadados a diminuir ainda mais, pois nos últimos meses (não considerados na estatística) vários sacerdotes e seminaristas decidiram se afastar da congregação, enquanto outros padres se encontram fora de suas comunidades para um discernimento.
Desde a crise causada pelo caso Maciel, a ordem perdeu 5% de seus sacerdotes, dado significativo quando se pensa que – em toda sua história de pouco mais de 70 anos – cerca de 100 padres deixaram suas fileiras (aos quais se devem somar os 42 mencionados).
Mas as dificuldades não se expressaram apenas em matéria de vocações e casas religiosas, mas também quanto a instituições educativas. Em 13 de julho, o sacerdote Robert Presutti teve de informar, em uma carta a doadores e benfeitores, o fechamento da Universidade de Sacramento, criada em 2005, por problemas financeiros e administrativos.
“Os Legionários de Cristo devem afrontar outras prioridades e desafios e simplesmente não pode se permitir a continuar como havia planejado”, explicou o reitor da casa de estudos.
Ademais, a Legião suspendeu as atividades de dois de seus colégios americanos, um em Saint Louis e outro em Baltimore. Enquanto na Espanha permanece incerto o futuro do Colégio Everest-El Bosque de Madri, que enfrenta um importante passivo financeiro e que estava pronto para ser vendido. A instituição ainda pertence aos Legionários porque “o comprador não estava pronto”.
“Nestas horas, devemos ver quais são nossas prioridades e para isso é necessário dizer não a outros projetos que não sejam sustentáveis. Estão sendo tomadas as medidas necessárias. Não fomos feitos para manter casas, a congregação deve ser dinâmica. É um tempo para administrar os recursos e o pessoal da melhor maneira, é necessário fazê-lo com muita seriedade”, disse Schoggl.