Posts tagged ‘Missa Tradicional’

17 agosto, 2011

Novus Ordo em Latim e a Missa Tradicional em Latim: você consegue perceber a diferença?

Por Joseph Shaw – Latin Mass Society *

Tradução: Fratres in Unum.com

Asperges (na missa tridentina): não é algo que você deixaria de perceber.

Asperges (na missa tridentina): não é algo que você deixaria de perceber.

Acabei de ler em algum lugar sobre alguém ter sido mencionado por ter dito que, a não ser que você seja um perito litúrgico, dificilmente, você seria capaz de dizer a diferença entre a Forma Ordinária em Latim – o Missal de 1970 – e a Forma Extraordinária – o Missal de 1962. Não importa onde li isso ou quem estava sendo mencionado, porque já ouvi isso dezenas de vezes. E não faz mais sentido repetir essa alegação pela enésima vez.

O Evangelho: proclamado do lado norte do santuário em uma Missa Solene, neste caso, ou da extremidade norte do Altar, em uma Missa Cantata, e não a partir de um púlpito ou ambão (como na missa nova).

O Evangelho: proclamado do lado norte do santuário em uma Missa Solene, neste caso, ou da extremidade norte do Altar, em uma Missa Cantata, e não a partir de um púlpito ou ambão (como na missa nova).

Então, você vai para a sua paróquia local onde eles sempre celebram a Missa em Latim na Forma Ordinária (eu sei, elas são cifras isoladas no Reino Unido, mas siga comigo) e, quando o sacerdote entra, ao invés de dar a volta no altar e dizer a antífona de entrada (provavelmente, após esperar o término de um cântico no vernáculo) ele inicia um cântico que você nunca ouviu antes e asperge as pessoas com água benta. Oh, e ele está vestindo uma vestimenta completamente diferente, que em seguida ele retira muito publicamente a fim de colocar as suas vestes habituais, mas você ainda não tem a antífona de entrada; em vez disso, ele inicia um longo diálogo com os acólitos, e quando este chega ao fim, ao invés de dar a volta sobre o altar [e ficar de frente para o povo] ele permanece do lado designado ao sacerdote [i.e., versus Deum]. Então, você percebe que o altar está configurado de maneira diferente, com velas e um crucifixo na parte de trás, e que não há coroinhas meninas. E a música é completamente diferente, com o coral cantando o intróito e o Kyrie sem intervalo.

Comunhão distribuída aos fiéis ajoelhados e na língua. E olha lá a mantilha!

Comunhão distribuída aos fiéis ajoelhados e na língua. E olha lá a mantilha!

Epa! Você não percebe nada disso porque você não é um perito litúrgico. Mas talvez você perceba que o Evangelho é cantado em latim – sim, eu sei que você pode fazer isso e algumas das outras coisas que mencionei na Forma Ordinária, mas isso é tão comum quanto ter o sermão em latim, e se estivermos falando do que as pessoas percebem deveríamos ficar com o que realmente acontece, e não com o que é teoricamente possível. Bem como ter as leituras cantadas em latim, o púlpito não é usado. Caso você ainda não tenha percebido como as coisas são diferentes hoje em dia, o cânon da Missa é dito silenciosamente. Oh pare com isso, se você não percebe isso, então você é surdo ou dorminhoco. Talvez você acorde a tempo para o Último Evangelho.

Acabei de usar o exemplo de Missa Cantada em um domingo. Diz-se comumente que o contraste entre Forma Extraordinária-Forma Ordinária é menos visível com a Missa Cantada e isso é verdade, especialmente por causa da maneira que a congregação pode se unir em algumas das respostas, provavelmente, usando os mesmos tons. Em ocasiões onde há mais clérigos presentes, a diferença entre uma Missa Solene, com diácono e subdiácono, por um lado, e um grupo de padres concelebrando, do outro lado, é tão evidente que dificilmente precisarei explicá-la.

A consagração em uma Missa Solene.

A consagração em uma Missa Solene.

Se eu tivesse que comparar a Missa Tradicional Rezada com a Missa na Forma Ordinária em Latim sem música, as diferenças seriam ainda mais evidentes. As orações ao Pé do Altar dominam a seqüência de abertura dos eventos e as respostas sendo dadas pelo acólito sozinho conferem à Missa um sentimento muito diferente, da mesma forma que o padre celebrando ad orientem. E sim, eu sei que em alguns poucos lugares a Forma Ordinária é celebrada ad orientem, mas isso não é nem costumeiro nem recomendado pelas “regras”, a edição atual da Instrução Geral do Missal Romano. Se estivermos falando sobre um padre que siga “as regras”, então, devemos ser coerentes. (Para uma comparação lado-a-lado dos textos, veja aqui.)

Uma foto aleatória de uma Missa concelebrada. Não é algo facilmente confundível com a Missa Solene de 1962.

Uma foto aleatória de uma Missa concelebrada. Não é algo facilmente confundível com a Missa Solene de 1962.


Quando vejo uma alegação realmente tola como essa, repetida muitas vezes por pessoas aparentemente sãs, eu quero saber qual é a motivação por trás disso. Por que tantas pessoas querem minimizar a diferença entre as diferentes formas do Rito Romano? Talvez seja porque eles pensam que isso seja necessário para sustentar a alegação de que as duas celebrações do Sacramento da Santa Eucaristia são válidas (em todos os sentidos da palavra), mas eu não ouço eles alegarem que somente um perito perceberia que ele havia entrado em uma igreja de Rito Bizantino em uma manhã de domingo.

Então, mais uma vez, pode ser que o argumento seja mais ou menos esse: há diferenças superficiais e há diferenças profundas. O não perito não perceberá as profundas, e as superficiais são apenas superficiais, portanto, elas não contam. Sem dúvida isso pode estar no fundo das mentes das pessoas que dizem que as diferenças dificilmente são percebidas, especialmente, se elas negaram de antemão o Asperges e as Orações ao Pé do Altar como não essenciais, como não sendo realmente parte da Missa. Bem, talvez, mas isso não é a mesma coisa que dizer que as pessoas não as perceberão. De qualquer maneira, este argumento falha, e por um motivo importante.

Certamente, há muitas diferenças entre os Missais de 1962 e 1970 que são significativas, mas que não seriam percebidas, ou não entendidas plenamente, por um não perito, a maior parte, obviamente, mudanças das orações próprias [ndr: i.e., orações do próprio de cada missa]. Voltando à Missa Tradicional em Latim inesperada que eu estava descrevendo, o camarada nos bancos, caso esteja equipado com a tradução, talvez se surpreenda ao ouvir, por exemplo, a coleta do 4º domingo da Quaresma:

‘Concedei, Vos rogamos, ó Deus onipotente, a nós que somos afligidos por causa de nossas obras, respiremos aliviados pela consolação de vossa graça.’

O que ele não saberá, salvo se ele tiver lido sobre o assunto, é que para criar o Missal de 1970 centenas de coletas foram editadas ou reescritas para retirar as referências a pecado, punição, mérito, graça e intercessão dos santos. O que uma pessoa que freqüenta a Missa Tradicional em Latim há pouco tempo irá perceber, entretanto,  é outras diferenças com uma explicação semelhante, como, por exemplo, na Forma Extraordinária, o uso de preto para Missas de Requiem, e o Confiteor do sacerdote antes do que é dito pelo acólito.

Novamente, alguém seguindo a tradução para a Forma Extraordinária  poderá ficar ligeiramente surpreso com a referência a “oblação” no Ofertório, e refletir que ele não lê muito aquela palavra na tradução da Forma Ordinária em Latim. O que ele não sabe, salvo se ele tiver lido sobre esse assunto, é o esforço consistente pelos reformadores da liturgia para retirar elementos que criam uma barreira ecumênica, dos quais a noção de oblação é um primeiro exemplo. Todavia, o que ele notará serão outras coisas que servem para enfatizar doutrinas católicas distintas, como, por exemplo, a Presença Real, incluindo a genuflexão do padre antes de pegar as Espécies Sagradas, e a comunhão de joelhos e sobre a língua.

Em suma, uma vez que a reforma seguiu uma política consistente, as diferenças superficiais não são um mau guia para diferenças profundas. As coisas que as pessoas pegam (e às vezes reclamam) quando estão habituadas à Missa em uma forma e então são expostas a outra forma, talvez não sejam de enorme importância em si mesmas, mas em geral elas são ilustrativas das diferenças profundas de real importância teológica.

O maior paradoxo de todos com a alegação de que não peritos não perceberão a diferença é que ela tende a ser usada por pessoas que efetivamente são bastante sensíveis ao que os féis percebem quando a liturgia é alterada, e estão preocupadas com isso. A alegação é sempre a mesma: a fim de minimizar aborrecimentos e reclamações, se quisermos melhorar a liturgia deveríamos introduzir a Missa Nova em Latim em nossas paróquias, e não dar o grande salto para a Missa Tradicional em Latim.

Assim, o argumento é mais ou menos esse:

1. As pessoas dificilmente perceberão a diferença entre a Forma Ordinária em Latim e a Forma Extraordinária.

2. As pessoas que aceitarem com contentamento a Forma Ordinária em Latim ficarão muito aborrecidas por ter a Forma Extraordinária imposta sobre elas.

3. A diferença entre a Forma Ordinária e a Forma Extraordinária não tem importância real (conclusão do item 1).

4. Não vale à pena causar uma confusão na paróquia por utilizar a Forma Extraordinária quando você pode trazer a Forma Ordinária em Latim (conclusão dos itens 2 e 3).

O problema é que as alegações 1 e 2 são mutuamente contraditórias. (O item 3 não segue do 1)

Assim, esta confusão tem tudo a ver com o debate da “Reforma da Reforma” e a melhor maneira na prática para melhorar liturgia paroquial: algo que postarei amanhã.

* * *

Joseph Shawn é presidente da Latin Mass Society da Inglaterra e País da  Gales, afiliada da Una Voce. Portanto, não se pode lançar qualquer suspeita de “lefebvrismo” sobre o autor.

28 julho, 2010

O Cacique, o Padre e a Missa.

Introibo ad altare Dei

Havia um Padre, ordenado há cerca de 3 meses na Congregação Missionária dos Xaverianos, que foi designado para trabalhar como missionário na Amazônia brasileira, onde há tribos que ficam muito tempo sem Missa, às vezes até três anos sem nem mesmo ver um Padre; só Deus sabe mesmo de quanto em quanto tempo essas tribos indígenas têm Missa.

Este Padre recém-ordenado foi rezar a Missa Nova em uma tribo no meio da selva que havia sido evangelizada pelos Missionários Montfortinos franceses, há muito tempo atrás. Depois que o Padre rezou a Missa Nova dele, todo contente, um velho Cacique da tribo veio até ele e disse-lhe:

Padre Pinzon e Padre Navas.

Padre Pinzon e Padre Navas.

- “Não tem mistério nenhum nisso que você acabou de fazer”.

E o Padre disse:

- “Como não tem mistério? Isso aqui é Missa! Como você pode dizer que não tem mistério?”

- “Isso não é a Missa”, respondeu o Cacique.

- “E qual que é a Missa?”, indagou o Padre.

- “É aquela que o Padre diz: Introibo ad altare Dei”, falou o Cacique.

Esse Padre nunca tinha ouvido falar dessa Missa onde se dizia “introibo ad altare Dei”. No entanto, essa era a Missa da qual esses índios ficaram privados durante tanto tempo e na qual aquele velho Cacique havia sido acólito e coroinha do missionário, já falecido, que evangelizou aquela tribo há tantos anos atrás.

O Padre, ao retornar à sua casa, foi falar sobre a Missa com seu Superior, que lhe disse:

- “Esses índios ignorantes não sabem nada, por que é que você está indo atrás deles? Eles não conhecem nada”.

Porém, o Padre foi à biblioteca e encontrou uma foto do seu Superior rezando a Missa de São Pio V, usando uma casula e na posição versus Deum. Então ele começou a querer saber sobre isso e acabou entrando numa crise espiritual. Perdeu tudo o que tinha (carro, celular, rádio, etc.) e ficou 6 meses sem conseguir rezar a Missa Nova, aliás, nenhuma Missa, porque ele não conhecia mais a Missa.

O Padre voltou para sua terra, a Colômbia, onde encontrou o Pe. Rafael Navas, que naquela época pertencia à FSSPX (Fraternidade Sacerdotal São Pio X), e foi quem lhe explicou qual era o problema do Concílio Vaticano II e da Missa Nova. Pe. Navas conseguiu que ele fosse para La Reja, na Argentina, no seminário São Pio X. Lá, esse Padre ficou 4 ou 5 anos, onde aprendeu a rezar a Missa de São Pio V. (Atualmente, Pe. Rafael Navas é o superior do IBP do Chile e de toda a América Latina)

Voltando para a Colômbia, este Padre não foi aceito por bispo algum e se tornou padre vago. Por causa disso, ele não tinha onde dormir, nem onde comer, mas ele tinha a Missa do “introibo ad altare Dei”, e por isso não desanimou. Durante aproximadamente 8 anos ele ficou nessa situação: morava com pessoas que queriam a Missa Gregoriana, rezava a Missa na casa delas, suas coisas ficavam guardadas na rodoviária, com chave alugada, num armário e por muitas vezes ele não tinha o que comer.

Quando o IBP (Instituto Bom Pastor) foi fundado, o Pe. Navas, que já estava lá incardinado, chamou esse Padre para que ele também se incardinasse no IBP. Este Padre, convertido pelo índio, é o Pe. José Luiz Pinzón, atual Superior do IBP em Bogotá, na Colômbia.

Vejam que ele teve a graça da conversão pelas palavras saídas da boca de um índio que nada sabia sobre fenomenologia e nem sobre filosofia escolástica para saber a diferença entre elas. O que é o sensus fidei! Deus dá a graça, mesmo a um índio no meio da selva. Às vezes, um índio que está no meio da selva consegue entender melhor um problema do que a gente aqui, na “civilização”. Notem como a sabedoria de Deus foi proferida pela boca de um índio: “a Missa é aquela que o Padre diz introibo ad altare Dei, não é isso aí que você fez”.

Como dizia São Pio de Pietrelcina: “É mais fácil o mundo ficar sem o sol do que ficar sem a Missa”. O mundo está de pé porque a Missa Gregoriana nunca deixou de ser rezada. Mesmo quando Paulo VI “proibiu-a”, houve padres idosos, em comunhão com Roma, para os quais Paulo VI deu a dispensa para rezá-la e, além disso, em outros locais continuou-se também rezando a Missa Gregoriana, como em Campos e na FSSPX. Portanto, a Missa de São Gregório Magno nunca foi interrompida, desde Nosso Senhor até hoje, e assim ela irá até o final dos tempos.

História relatada pelo Subdiácono Rafael Scolaro, do Instituto Bom Pastor, no dia 21 de Julho de 2010, em aula/palestra para o Grupo São Pio V de Curitiba.

Fonte: Mulher Católica - agradecimento ao amigo Marcos Mattke pela indicação

4 maio, 2010

Cardeal Luigi Poggi – Requiescat in pace.

04 – 05 – 2010

“Nunca deixei de celebrar com o Rito Tridentino [...]. Ninguém, e sublinho, ninguém, está autorizado a cancelar a Tradição da Igreja, muito menos o Concílio Vaticano II [...].  ‘Qui laetificat juventutem meam': não é uma frase sem sentido, mas testemunha a juventude de Deus e sua imensa misericórdia; a misericórdia do Pai que renova seus filhos na fé doando a juventude e o frescor do que crêem. É assim, o Rito Tridentino contempla um Deus jovem e evidencia a beleza de uma fé espontânea. Como dizê-lo, esta Missa contém elementos lamentavelmente descuidados na visão racionalista do Novus Ordo: a capacidade de se maravilhar, o mistério e a transcendência”.

23 janeiro, 2010

A teologia do Sacrifício da Missa.

Por Dom Licínio Rangel

Novus Ordo Missae.1 – A “Confissão de Augsburgo”, protestante, viu bem o novo rito da Missa, ao declarar: “Nós fazemos uso das novas preces eucarísticas (católicas) que têm a vantagem de pulverizar (reduzir a pó) a teologia do Sacrifício” (L’Eglise d’Alsace, dez/73 e Jan/74, apud “La Messa di Lutero” por Dom Lefebvre).

2 – Essas “preces eucarísticas”, da missa nova, oficialmente em número de quatro, mas que já são muito mais, correspondem ao único “Cânon” da Missa tradicional. É a parte central e sacrifical da Missa, e que fica entre o “Sanctus” e o “Pater Noster”. É exclusiva do celebrante que deve pronunciá-la em latim e em voz baixa (Concílio de Trento). Nela tem lugar a grande “Ação sacrifical de Jesus Cristo”, que Ele renova na Consagração. É através dela que Cristo se torna presente realmente, e se coloca sob as Espécies Sacramentais em estado de Vítima imolada. Aí renova Ele a oblação sacrifical que fez de Si mesmo ao Pai na Cruz. E isso, em virtude da Ordem (Sacramento do sacerdócio) que deu aos Apóstolos de fazerem o mesmo que Ele tinha feito (Lc 22,19).

20 dezembro, 2009

Mons. Klaus Gamber: “a nova teologia (liberal) foi a maior força por detrás da reforma litúrgica”.

…quando Lutero e seus seguidores primeiramente descartaram o Cânon da Missa, tal mudança não era comumente notada pelo povo pois, como sabemos, o padre dizia o cânon em voz baixa, como uma oração privada. Mas Lutero propositalmente não dispensava a elevação da Hóstia e do Cálice, ao menos não inicialmente, porque o povo notaria a mudança. Ademais, nas maiores igrejas luteranas, o latim continuou a ser usado, assim como o canto gregoriano. Hinos alemães existiam antes da Reforma e às vezes eram cantados durante a liturgia, logo não era uma grande mudança. Mais radical do que qualquer mudança litúrgica introduzida por Lutero, ao menos no que concerne o rito, foi a reorganização de nossa própria liturgia – acima de tudo, as mudanças fundamentais que foram feitas na liturgia da Missa. Isso também demonstra muito menos compreensão dos laços emocionais que os fiéis tinham com o rito litúrgico tradicional.

Neste ponto, não é inteiramente claro a extensão com que estas mudanças, de fato, influenciaram as considerações dogmáticas – como foi no caso de Lutero…

O aspecto realmente trágico deste desenvolvimento é que muitos dos envolvidos na elaboração dos novos textos litúrgicos, dentre os quais especialmente bispos e padres que vieram do Movimento da Juventude Católica [Jugendbewegung], estavam atuando de boa Fé, e simplesmente falharam em reconhecer os elementos negativos que eram parte da nova liturgia, ou não os  reconheceram corretamente. Para eles, a nova liturgia expressava o cumprimento de todas as suas esperanças e aspirações passadas pelas quais eles esperaram por muito tempo.

Uma coisa é certa: a nova teologia (liberal) foi a maior força por detrás da reforma litúrgica. Todavia, afirmar, como às vezes é feito, que o Novus Ordo Missae é “inválido”, seria ir muito além deste argumento. O que nós podemos dizer é que desde que a reforma litúrgica foi introduzida o número de missas inválidas certamente cresceu.

Nem as persistentes súplicas de distintos cardeais, nem sérios pontos dogmáticos salientados pela nova liturgia, nem apelos urgentes por todo o mundo para que não se fizesse obrigatório o novo missal, puderam parar o Papa Paulo VI – uma clara indicação de seu próprio e forte endosso pessoal. Mesmo a ameaça de um novo cisma – o caso Lefebvre – não pôde movê-lo a ter o Rito Romano tradicional como, no mínimo, coexistente com o novo rito – um simples gesto de pluralismo e de inclusão que em nossos dias e tempos teria sido, certamente, a coisa prudente a ser feita.

Monsenhor Klaus Gamber, Die Reform der römischen Liturgie.

16 novembro, 2009

Summorum Pontificum no Brasil: Missa em Brotas, SP.

Igreja Matriz - Brotas, SPNosso leitor Thales Pissolato nos informa sobre a Santa Missa em seu Rito Romano tradicional a ser celebrada em Brotas, SP:

Local: Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores – Brotas/SP
Data: 26/11/2009
Horário: 19:30h

 

Os amigos que quiserem divulgar as Missas celebradas pelo Brasil podem fazê-lo através de nosso e-mail.

14 novembro, 2009

O jovem cura de Taboão da Serra.

Aparelha-te, pois, para o combate, se queres a vitória. Sem peleja não podes chegar à coroa da vitória. Se não queres sofrer, renuncia à coroa; mas se desejas ser coroado, luta varonilmente e sofre com paciência. Sem trabalho não se consegue o descanso e sem combate não se alcança a vitória.” (Imitação de Cristo, Lv. III, 19)

Por Marcela A. de Castro

Sob o sol escaldante das duas e meia da tarde lá ia o intrépido padre José Leite Prado da Silva com seus dois corinhas rumo à casa do Dr. Oswaldo. Alto, magro, de passos largos, padre José Leite caminhava ligeiro segurando sua pasta de couro preto, onde levava apostilas e alguns objetos litúrgicos que usaria para celebrar a missa tradicional. Os garotos quase não podiam acompanhá-lo e se sentiam um tanto ofegantes toda vez que tinham de fazê-lo. Entretanto, acompanhar o jovem padre diocesano era um prazer e uma grande aventura e eles não perderiam essa oportunidade por nada desse mundo.

Fazia já um ano que o bispo diocesano o havia designado para auxiliar o idoso pároco da igrejinha do Sagrado Coração de Jesus naquele bairro perdido nos confins de Taboão da Serra. Para Dom Irineu Costa Serra, essa havia sido uma decisão salutar e necessária para que Padre José Leite tomasse contato com a realidade. Preocupava-se com o fato de que o jovem padre, ordenado há somente 2 anos, se comportasse de maneira tão diferente dos demais. Não lhe tinha nenhuma antipatia. Pelo contrário, o bispo bonachão até gostava do Padre José Leite; achava-o amável, determinado e entusiasmado com a sua vocação sacerdotal, seu histórico escolar no seminário destacara-se pelas melhores notas da classe. A única preocupação do bispo era que o jovem padre tinha algumas idéias um tanto estranhas para a sua geração. Em primeiro lugar, estava a tal da batina. Já ninguém mais a usava no dia a dia. E lá ia Padre José Leite para tudo quanto é canto, faça sol ou chuva, com aquela batina calorenta, que o próprio bispo só usava em ocasiões especiais. Fora isso, havia os livros estranhos sobre a missa pré-conciliar e os tais “cismáticos” franceses descobertos de maneira subrepitícia por um colega seminarista e devidamente informados a Dom Serra, naturalmente, não porque o então seminarista José Leite recusara terminantemente seu convite para acompanhá-lo ao famigerado Clube Nevado numa noite de sábado, mas, tão somente, à guisa de preocupação pela “linha pastoral” do novo sacerdote.

“Que raio de livros são esses que esse cabra andou lendo?”, quis saber Dom Serra. O informante confuso não sabia ao certo, pois não entendia nada de francês. Sabia apenas se tratar de alguma coisa de Dom Marcel Lefebvre, o bispo rebelde, e também havia os outros livros com gravuras da Missa Tradicional, aquela que já não era mais celebrada há séculos.

“Era só o que me faltava!” – exclamou Dom Serra com um levantar de sobrancelhas. “Mas deixa o menino pegar pé da realidade e tudo se ajeita. Trabalho não falta na diocese e, certamente, o tempo se encarregará de colocar tudo nos eixos.”

*  *  *

Quinze minutos depois chegaram os três ao casarão de dois andares do engenheiro aposentado. A casa espaçosa era um oásis de ortodoxia uma vez a cada quinze dias. Eram vinte cinco a trinta pessoas que queriam ouvir o jovem e querido Padre José Leite. Assim que chegava, uma criada trazia um copo d’água fresca. Depois de cumprimentar a todos, sentava-se em uma mesinha colocada de frente para as cadeiras e poltronas em forma de ferradura. Hoje a palestra era sobre as rubricas da Missa Gregoriana, também chamada Missa de Sempre ou Missa Tridentina. Cada gesto era explicado detalhadamente. Na verdade, essa era a segunda aula sobre o tema, pois a primeira havia sido dada na semana anterior. Depois foram distribuídas apostilas xerocadas com alguns desenhos e explicações. A audiência estava fascinada pela maneira entusiasmada com que Padre José Leite lhes falava sobre a Missa Tradicional. Havia uma explicação para tudo, até mesmo para o beijo no altar e as relíquias dos santos depositadas sob a sua superfície. Era incrível saber que as missas eram literalmente celebradas sobre os “mini-túmulos” dos santos. Como ninguém lhes havia dito isso antes?

Depois das aulas de formação, as pessoas se dirigiam a uma capela na parte lateral da casa, que dava para o quintal. Enquanto Padre José Leite e os coroinhas preparavam o altar, o Sr. Francisco Peixoto puxava o Terço.

Aquela capela, construída pelo Dr. Oswaldo apenas para suas orações pessoais, convertia-se agora em um centro de espiritualidade e disseminação do verdadeiro catolicismo e  ficava à disposição de bons padres para a celebração do Santo Sacrifício da Missa. Padre José Leite não desejava continuar celebrando a Santa Missa na casa do Dr. Oswaldo para sempre. Desejava ardentemente que o grupo passasse a ouvir missa na igrejinha do Sagrado Coração de Jesus, onde era vigário. A Confraria de Sta. Gertrudes deveria ser apenas o começo de um grupo de católicos tradicionais plenamente integrados na vida da paróquia.

No entanto, o idoso pároco, Padre Antonio Costa de Mello, não parecia muito entusiasmado com a idéia. Quando, pela primeira vez, o Padre José Leite lhe falou da Missa Gregoriana, ele disparou que não lhe agradava a idéia de ver beatas de véu na missa e que o vernáculo veio justamente para as pessoas entenderem mais o sentido da Missa. Ademais, não era bom dividir os fiéis. As beatas gordas com suas manias ultrapassadas poderiam afugentar os jovens da igreja. Elas começariam a implicar com roupas e outros detalhes secundários.

Era preciso ter prudência e paciência, virtudes com as quais Padre José Leite havia sido agraciado em profusão.

*  *  *

A paróquia do Sagrado Coração de Jesus não era muito grande, comportava bem umas cento e cinqüenta pessoas sentadas. Algumas vezes, até mesmo 180 com a colocação de cadeiras plásticas. Padre Antonio Costa de Mello celebrava a Missa das 7 da manhã e seu auxiliar ficara encarregado da missa das 18:30h, de terça a sábado. Aos domingos eram três missas. Os fiéis gostavam muito dos sermões explicativos do jovem vigário. Pouco a pouco, resgatava-lhes o orgulho de serem católicos, esforçando-se por recuperar nestes o sentido de pecado, especialmente, com relação a certos temas morais. Em vários anos não havia quem lhes falasse daquelas coisas todas, como aborto, contracepção, divórcio e sodomia. O velho confessionário de madeira foi limpo e voltou a pleno uso, três vezes por semana antes da missa das 18:30h, enquanto o Terço era recitado pelos fiéis. A princípio, Padre Antonio Costa de Mello achou estranho que seu jovem auxiliar estivesse disposto a ficar enfurnado lá dentro em vez de usar a saleta de reconciliação, mas, como não era algo mal em si, não lho proibiu, porque gosto não se discute e se ele quisesse assar de calor lá dentro, que o fizesse.

*  *  *

christ_priestCinco e meia da manhã e lá estava Padre José Leite colocando os cartões de orações em latim no altar de Nossa Senhora das Dores, onde em poucos minutos celebraria a Missa Tradicional. Todas as manhãs era essa a rotina a seguir – acordar bem cedo, cuidar da higiene pessoal, fazer as orações da manhã e celebrar a Missa de Sempre quando ainda a igreja estava fechada aos fiéis, tudo para não criar atritos com o pároco. Às vezes, Dr. Oswaldo e mais dois ou três membros madrugadores da Confraria de Santa Gertrudes assistiam à missa. Entravam de fininho pela sacristia e saíam do mesmo jeito. Durante a semana não tinha sermão, mas isso não lhes tirava a alegria de assistir ao Santo Sacrifício celebrado de maneira tão piedosa e reverente. Hoje a data era especialíssima: 14 de setembro – Dia da Exaltação da Santa Cruz e dois anos da promulgação do Motu Proprio Summorum Pontificum. Todos os sacerdotes podiam celebrar a Missa Tradicional sem precisar pedir autorização a quem quer que fosse. Tecnicamente falando, padre José Leite não precisava se preocupar porque não estava fazendo nada errado. Na prática, no entanto, o jovem padre era apenas um vigário, recém instalado na paróquia, e não queria entrar em confronto com o Padre Costa de Mello. Tentaria falar com ele novamente naquela noite e convencê-lo a permitir que oferecesse a Missa Tradicional aos domingos.

*  *  *

Uma hora da tarde e todos vão se sentando à mesa da sala de jantar da casa paroquial. À cabeceira Padre Costa de Mello, o aniversariante, e a seu lado direito, o cerimoniário do bispo, Padre Carlos Feitosa. Em seguida o casal coordenador do curso de noivos, dois ministros extraordinários da Comunhão, Irmã Maria Agripina, coordenadora da catequese de adultos e, finalmente, nosso protagonista, Padre José Leite. Entre garfadas e goles de refrigerante e cerveja gelada todos os assuntos da hora são abordados. Primeiro, a vinda do famoso padre cantor Joaquim Campos, que fará um show imperdível no estádio de futebol da cidade. Depois, o encontro inter-religioso presidido por Dom Irineu Costa Serra na catedral. Em seguida, as notícias da política e, finalmente, o novo plano de evangelização tropical.

Padre José Leite sente-se esmagado entre dois mundos diversos, o seu mundo interior de catolicismo e o seu ambiente concreto. Como reagir a tudo isso? Como desenvolver um apostolado consistente em meio àquela selva progressista?

*  *  *

Cai a noite. Depois da missa das 18:30h, hoje, excepcionalmente celebrada pelo aniversariante e animada pelo Grupo de Oração Louvor de Jericó, alguns paroquianos decidem levar o velho pároco para jantar em uma churrascaria da cidade. Voltará tarde. Não adianta esperá-lo. Ainda não será dessa vez que Padre José Leite tentará convencer seu pároco a permitir que uma das três missas dominicais seja na Forma Extraordinária. Tentará fazê-lo amanhã, se Deus quiser.

No seu quartinho simples e despojado medita sobre um trecho de seu livro de cabeceira favorito, Imitação de Cristo, faz suas orações da noite, pede o auxílio da Virgem Santíssima para se manter casto e puro de coração, beija o crucifixo e adormece.

*  *  *

Naquele mesmo dia, do outro lado do hemisfério, em um gélido convento de monjas carmelitas, Irmã Maria Pia do Coração Eucarístico OCD, ofereceria orações e sacrifícios pelo jovem padre brasileiro, a quem adotara como seu ‘filho espiritual’.

7 novembro, 2009

O homem que tinha duas mães.

Por Marcela A. de Castro

Tal como um daqueles relatos bizarros saídos da imprensa austríaca, eis que recentemente nos deparamos com uma crônica curiosa: “HOMEM DESCOBRE QUE FORA ROUBADO NA MATERNIDADE HÁ 39 ANOS.”

Cristiano da Cruz (39), um médico residente no Flamengo, casado, pai de cinco filhos, descobre, casualmente, ao ouvir a conversa de suas tias na sala de jantar da casa de sua mãe, que esta a quem sempre julgara ser sua mãe biológica, na verdade, o seqüestrara ainda recém nascido, na maternidade.

De um momento para o outro o mundo desse médico vira de ponta-cabeça e mil perguntas lhe passam pela cabeça: Por quê? Como eu nunca desconfiei de nada? Quem é a minha mãe verdadeira? Onde ela está? E agora, como vou me comportar perante a mulher que me criou todos esses anos? Ela sempre me demonstrou tanto amor… Eu sempre a amei como a minha própria mãe… Será que vou deixar de amá-la?

*  *  *

Ecumênica sempre fora uma mulher moderna e extrovertida. Falava com todos na vizinhança e todos se sentiam eufóricos em sua presença. Detestava o silêncio e o recolhimento. Gostava mesmo era de estar no meio do povo, cantar e dançar, seus hobbies favoritos. Desde cedo, Ecumênica insistia com Cristiano que este deveria se abrir mais para o mundo e se adaptar às novas situações cotidianas. Cristiano sempre convivera no meio de mulheres fortes. Sua mãe e tias pareciam se importar muito com ele e o cercavam de toda sorte de paparicos, nunca permitindo que ele ficasse a sós consigo mesmo.

Assim, ao se dar conta da farsa em que vivera durante toda a sua vida, Cristiano resolve sair em busca da verdade. Primeiro, vai até o padre da igreja que freqüentava e conta-lhe tudo o que ouvira, pede-lhe um conselho e ouve o seguinte: “Meu filho, que coisa mais incrível!” “De fato, essa estória é inacreditável! Contudo, penso que você deve esquecer o passado. O que passou, passou. Os tempos são outros. Certamente, sua boa mãe teve seus motivos para fazer o que fez. Ela o ama e não faria nada para magoá-lo.”

Cristiano saiu de lá confuso e cabisbaixo. Como poderia esquecer o passado? Como poderia não conhecer aquela que lhe deu à luz, aquela que tivera seu filhinho roubado e que era a sua verdadeira mãe biológica? Inconformado, Cristiano decidiu procurar sua tia Prudência. Diferente das demais, tia Prudência era uma mulher ponderada, gostava da justiça e nunca se negava a falar a verdade, mesmo que não a vissem com bons olhos por causa disso.

Assim, Cristiano armou-se de coragem e contou tudo à tia Prudência. Esta olhou bem no fundo de seus olhos e lhe disse em voz calma: “Meu filho, eu sempre soube que um dia a verdade viria à tona.” “Tentei dissuadir Ecumênica de seqüestrá-lo na maternidade. Disse-lhe que isso era uma loucura e que um dia você acabaria por descobrir suas maquinações. Sofri muito ao tentar dissuadir sua mãe dessa idéia louca. Na verdade, creio que ela não fez por mal. Sua mãe sempre fora influenciada por uma vizinha esquisita chamada Anibalina, que não lhe deixava em paz. Não tive o apoio de suas outras tias. Todas elas me disseram para ficar de fora. Disseram-me que sua mãe estava fazendo o melhor por você, que sua mãe biológica já tinha muitos filhos, que era muito velha para criá-lo e que faria de você uma pessoa alienada do mundo”. “A cada argumento que eu apresentava, elas me atacavam com mais fúria”. “Meu filho, sempre fui mantida no ostracismo por suas tias. Elas temiam que um dia você me procurasse para saber a verdade”.

Cristiano ouvia tudo com grande perplexidade. “Titia, por favor, conte-me sobre a minha mãe verdadeira. Como ela é?”

Prudência então prosseguiu com voz calma e pausada: “Meu filho, sua mãe sempre foi uma mulher belíssima, muito digna e proba. Gostava que seus filhos estivessem reunidos ao redor de si e que vivessem completamente para o mistério do Amor, da Beleza e da Verdade. Apesar de ter morado nas mais ricas e belas casas e de vestir-se com elegância esmerada, recebia a todos, sem fazer distinção de classe social, tratando-os com mansidão e firmeza e nunca se furtando à verdade”. “Creio que chegou a hora de conhecê-la. Sim, Esperança ainda está viva! Soube há pouco tempo, através de um conhecido, que, atualmente, ela vive em uma casinha modesta no interior do estado”.

O coração de Cristiano quase saiu pela boca. Como reagiria ao conhecer sua mãe verdadeira? O que diria à mulher que lhe criou como filho?

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No domingo seguinte pela manhã, ele e tia Prudência foram até uma cidadezinha próxima para a maior aventura de sua vida. Foram de carro, 2 horas de viagem até chegar a uma casa simples, mas muito digna. De longe podiam ouvir cânticos suaves e vozes harmoniosas. Ao entrar, percebeu que as paredes estavam repletas de imagens de santos. No centro havia uma grande cruz ladeada de belas imagens de Jesus e Maria, respectivamente. Todos podiam perceber claramente que aquele era um lar católico.

Cristiano e Prudência foram entrando sem cerimônia, visto que o portão da casa estava aberto. De repente, Cristiano se depara com aquela realidade impactante. Esperança e seus irmãos. Então, era verdade! Ela ainda existia! Lá estava sua mãe Esperança, a mulher mais bela que já vira na face da Terra, junto com seus irmãos, ao redor de uma grande mesa. Todos muito atentos ao que a mãe lhes dizia. Cada qual recebia um prato das mais finas iguarias servido de suas doces mãos maternas enquanto ela lhes falava das verdades perenes e de tudo o que é bom e belo. Lágrimas de felicidade rolaram dos olhos de Cristiano. Era como sempre a conhecesse. Prudência o conduziu para mais perto de sua mãe. Esta se levantou, olhou para Prudência como que agradecida. Depois fitou Cristiano e compreendeu instintivamente que aquele era o seu rebento tão amado e nunca esquecido. Olhou-o com o olhar mais amoroso do mundo. Era como se o mundo tivesse parado naquele momento. Mãe e filho – cara a cara. Abraçaram-se ternamente.

Desde então Cristiano não deixa de visitar sua verdadeira mãe semanalmente, mesmo que para isso tenha que viajar 4 horas somando ida e volta, todos os domingos.

Por enquanto, sentimentos confusos tomam contam de seu coração. Não sabe ainda se conta à sua mãe adotiva que já sabe de tudo. Não sabe se a repreende por tê-lo enganado durante tantos anos. Por um lado, sente-se grato à mulher que o nutriu, vestiu e cuidou durante toda a sua vida. Por outro, não consegue deixar pensar em tudo o que viu e ouviu de belo e verdadeiro na casa de sua verdadeira mãe e comparar com o barulho e confusão de seu lar de criação. Revolta-se; dá-se conta que uma grande injustiça fora perpetrada. Contudo, como poderia aceitar de uma hora para outra que Ecumênica é uma criminosa? Como poderia desprezá-la completamente, uma vez que mesmo de maneira questionável ela sempre fora como uma mãe para si? Entregá-la às autoridades não lhe parecia a melhor solução, pois isso poderia acabar afetando negativamente seus próprios filhos, já tão acostumados à vovô Ecumênica.

E assim Cristiano vive seu dilema – duas mães e uma decisão a tomar – seria possível partilhar a alegria da descoberta de sua verdadeira mãe, fazê-la conhecida e amada sem denunciar Ecumênica?

5 novembro, 2009

Summorum Pontificum no Brasil: preparativos para Missa Tradicional em Blumenau, Santa Catarina.

Associação Santa Catarina de Siena

Nossa leitora Natalia Prado pede que divulguemos a iniciativa da Associação Santa Catarina de Siena, que está coletando os nomes dos interessados na Missa Tradicional que será celebrada em Blumenau, Santa Catarina.

Salvo engano, se trata da primeira missa gregoriana a ser celebrada no estado de Santa Catarina. Por este motivo, pedimos aos outros blogs que ajudem a difundir esta informação.

Deo gratias!

28 setembro, 2009

Uma incrível mudança de ares.

A Missa Antiga não é popular apenas entre os católicos europeus. A Universidade Americana Georgetown, de Jesuítas, publicou cifras espetaculares.

mudanca(kreuz.net) Quarenta e cinco por cento dos católicos praticantes nos EUA participariam de uma Missa Antiga se tivessem a oportunidade para tal.

Segundo informou o sítio francês ‘paixliturgique.org’, esse é o resultado de uma pesquisa conduzida no ano passado pela famosa universidade americana jesuíta Georgetown. Os resultados foram apresentados primeiramente no último dia 24 de agosto. Ao todo, 1.007 católicos foram indagados.

A investigação revelou que 25% dos católicos americanos são a favor da disseminação da Missa Antiga. Apenas 12% são contra. Vinte e nove por cento dos católicos disseram que não são avessos à Missa Antiga. Eles esclareceram que estariam prontos para participar caso esse rito fosse celebrado em suas paróquias.

Dentre os católicos regularmente praticantes, essa cifra cresce para 45%. Nesse ponto esclareceram ainda vinte por cento que nunca desejaram participar de uma Missa Antiga. Trinta e cinco por cento disseram que não têm nenhuma opinião sobre o tema.

A investigação chegou à conclusão de que, ao todo, 63% dos católicos americanos não têm nenhuma idéia no que diz respeito às disposições do Motu Proprio ‘Summorum Pontificum’.

Mark Gray, da Universidade Georgetown, esclareceu o seguinte: “uma grande parte dos católicos não conhece essa Missa. Por isso, eles mostram uma tendência a não se expressaram sobre esse assunto.” O sítio ‘Paix Liturgique’ afirma que um primeiro resultado da investigação traz uma informação que falta aos fiéis sobre a liberação da Missa Antiga conduzida por Bento XVI:

“Enquanto a maioria dos bispos e sacerdotes conservarem o conteúdo e o espírito do Motu Proprio ‘Summorum Pontificum’ sob uma capa de chumbo, a maioria dos fiéis não saberá do que se trata e não reivindicará a implementação do Motu Proprio.”

O segundo ensinamento da pesquisa consiste, segundo o ‘Paix Liturgique’, no fato de que a situação dos opositores do ‘Summorum Pontificum’ diminui cada vez mais.

A conclusão: “De um lado a outro do Atlântico, um em cada três católicos deseja praticar a Fé na Forma extraordinária do Rito Romano.” ‘Paix Liturgique’ não menciona que os fiéis do Rito Antigo são altamente motivados.