Posts tagged ‘Mons. Lefebvre’

6 junho, 2014

Dom Fellay (FSSPX) fala sobre o Papa Francisco: “Ele leu duas vezes a biografia do Arcebispo Lefebvre – e gostou.” E outras importantes revelações.

Por Rorate-Caeli| Tradução: Fratres in Unum.com* – Em visita à cidade francesa de Fabregues no dia 11 de maio (dia seguinte a esta postagem), o Superior Geral da Sociedade de São Pio X, Bispo Bernard Fellay, falou detalhadamente sobre diversos assuntos de relevância para a Fraternidade. A parte mais importante foi a relacionada à pessoa do Papa Francisco:

Marcel Lefebvre, the biography - Mons. Bernard T. de Mallerais

Marcel Lefebvre, the biography – Mons. Bernard T. de Mallerais

O papa atual, por ser um homem prático, olha as pessoas. O que uma pessoa pensa, em que acredita, é, no fim das contas, indiferente para ele. O que importa é que esta pessoa seja compreensiva de acordo com sua visão, ou, pode-se dizer, que pareça correto para ele.

Por essa razão, ele leu duas vezes o livro do Bispo Tissier de Mallerais sobre o Arcebispo Lefebvre, cujo conteúdo o agradou; ele é contrário a tudo o que representamos, mas sua vida, isso o agradou. Quando, enquanto Cardeal, ele estava na América do Sul, o Superior do Distrito [Pe. Christian Bouchacourt] veio solicitá-lo por causa de um favor de ordem administrativa, sem relação com a Igreja; um problema de visto, de residência permanente. O governo argentino, que é muito esquerdista, se vale do acordo estabelecido para proteger a Igreja, com a finalidade de contrariar-nos de maneira bastante séria, e nos diz, “vocês dizem ser católicos. Desse modo, vocês necessitam da assinatura do bispo, a fim de que possam residir no país.” O Superior do Distrito, então, veio apresentar-lhe o problema: havia uma solução simples, que seria declararmo-nos uma igreja independente [perante a lei civil], mas nós não queríamos, porque somos católicos. E o Cardeal disse-nos, “não, não, vocês são católicos, isto é evidente; eu os ajudarei;” ele escreveu uma carta ao governo em nosso favor, governo este tão esquerdista que fez a manobra de buscar uma carta de oposição por meio do núncio. Assim, empate de zero a zero. Agora ele é o papa, e nosso advogado teve a oportunidade de ter um encontro com o Papa. Ele lhe disse que o problema com a Fraternidade persistia, e pediu-lhe que benevolamente designasse um bispo na Argentina junto de quem poderíamos resolver o problema. O Papa disse-lhe, “Sim, o bispo sou eu, eu prometo ajudar, e eu o farei.”

Ainda estou esperando por isso, mas de qualquer modo ele o disse, da mesma forma que afirmou, “aquelas pessoas, elas acham que vou excomungá-las, mas estão enganadas;” ele disse outra coisa interessante: “Eu não vou condená-los, e eu não impedirei ninguém de visitá-los” [literalmente, “d’aller chez eux”.] Mais uma vez, quero esperar para ver.

* Nosso agradecimento a um gentil leitor pela tradução fornecida. A íntegra da conferência de Dom Fellay pode ser lida aqui.

2 novembro, 2013

1º de novembro de 1970: há quatro décadas uma obra providencial era erigida pela Santa Igreja.

Há quarenta e três anos…

A FSSPX tem um motivo a mais para se regozijar no dia 1 de novembro, festa de Todos os Santos. Naquele dia, em 1970, a fraternidade sacerdotal foi canonicamente erigida, recebendo a aprovação formal da Santa Sé apenas quatro meses depois.

A FSSPX tem um motivo a mais para se regozijar no dia primeiro de novembro, festa de Todos os Santos. Naquele dia, em 1970, a fraternidade sacerdotal era canonicamente erigida, recebendo a aprovação formal da Santa Sé apenas quatro meses depois.

Por FSSPX-EUA | Tradução: Fratres in Unum.com – O ano é 1971 e a data é 18 de fevereiro. O Cardeal John Wright, Prefeito da Congregação para o Clero, acaba de manuscrever uma carta elogiando e aprovando a Fraternidade de São Pio X em seu gabinete da Cúria Romana.

Esta carta veio como resposta a uma solicitação do Arcebispo Lefebvre para que a Santa Sé aprovasse oficialmente a fraternidade sacerdotal. Apenas uns poucos meses antes,  ,o ano anterior — em 1º de novembro — a fundação da fraternidade sacerdotal, também conhecida como Discípulos de Jesus e Maria, havia sido ratificada pelo ordinário local de Friburgo, Dom Francois Charriere; o mesmo prelado que havia instado fortemente o Arcebispo a assumir a formação de sacerdotes.

Esta solicitação à Congregação para o Clero por parte do antigo Delegado Apostólico na África (mas destinado a se tornar mais conhecido como o “Bastião da Tradição”), era, na verdade, o procedimento normal para o reconhecimento de um instituto religioso. Todavia, o que é bastante extraordinário (e assim revelador da Providência de Deus, mesmo em meio à crise pós-conciliar) é como ela foi dada rapidamente: meros quatro meses após a fundação da Fraternidade, em 1º de novembro de 1970.

Outra característica formidável dentro da carta de aprovação é o elogio do Cardeal Wright à nova fraternidade sacerdotal inserido à mão ao lado do louvor e aprovação dados por outros “Ordinários em diversas partes do mundo”.

A implicação total da Providência “apressando” este procedimento de reconhecimento canônico (um processo que habitualmente demora consideravelmente), ao mesmo tempo em que fazia o elogio para justificar a ação do dicastério da cúria, tornou-se claro à medida e que a crise modernista continuava a se aprofundar na Igreja. Apenas alguns anos mais tarde, o seminário da FSSPX em Ecône, anteriormente digno de elogios, seria acusado pelo episcopado liberal francês de “seminário selvagem“, que carecia de aprovação eclesiástica.

Essa falsa acusação — que olvidava de maneira conveniente que a Fraternidade de São Pio X tinha a aprovação de Roma e era um ramo vivo da Igreja Católica — desencadeou uma onda de perseguição liberal contra a fraternidade sacerdotal, culminando em uma tentativa ilegítima de suprimi-la canonicamente, a qual o Arcebispo Lefebvre respondeu:

… Fomos condenados sem julgamento, sem oportunidade de nos defender, sem a devida advertência ou processo escrito e sem recurso. (Carta Aberta aos Católicos Perplexos )

Ainda assim, apesar da perseguição injusta contra a Fraternidade de São Pio X e contra si mesmo, Dom Marcel Lefebvre -“sem amargura ou ressentimento” – continuou alegremente a conduzir a missão apostólica que Deus desejava que ele conduzisse na providência de tempo na Igreja Católica em favor do sacerdócio e da salvação das almas.

25 setembro, 2013

Um bispo na tormenta.

Informações aqui.

23 janeiro, 2013

Esclarecimento de Dom Bernard Fellay sobre declaração relatada pelo Cardeal Antonio Cañizares Llovera.

Por FSSPX-EUA | Tradução: Fratres in Unum.com

O que Dom Fellay realmente disse ao Cardeal Cañizares sobre a Missa Nova.

O Cardeal Antonio Cañizares, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, afirmou à imprensa, no dia 15 de janeiro, o seguinte:

Certa vez, Dom (Bernard) Fellay, líder da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, veio me ver e disse: “Acabamos de chegar de uma abadia próxima de Florença. Se o Arcebispo (Marcel) Lefebvre tivesse visto como eles celebraram lá, ele não teria dado o passo que deu”… O missal usado naquela celebração foi o Missal de Paulo VI em sua forma mais estrita.[1]

Dom Fellay gentilmente prestou este esclarecimento à sspx.org do que ele efetivamente disse, e o contexto de suas palavras, relativamente à Novus Ordo Missae.

 * * *

Dom Fellay esclarece…

Como muito frequentemente ocorre em tais circunstâncias, uma frase foi mal interpretada: Eu estava descrevendo ao Cardeal Cañizares (e isso ocorreu cinco ou seis anos atrás) que os abusos na liturgia causaram uma grande reação entre nós. E isso ainda ocorre hoje em dia, no sentido de que os abusos e sacrilégios na sagrada liturgia têm ajudado os fiéis e até mesmo os padres a entenderem mais rápida e plenamente os defeitos profundos e o perigo do Novus Ordo – porque existe um elo entre a Missa Nova e os abusos. Os abusos têm ajudado a provar que a nossa posição é a correta: ou seja, a Missa Nova não é boa em si mesma.

Porém, tendo dito isso, desde o início e antes que os abusos ocorressem, o Arcebispo Lefebvre já tinha se recusado a celebrar o Novus Ordo Missae. Porque as graves omissões e toda a reforma [conciliar], feitas em um espírito ecumênico, lhe conferem um sabor protestante. A Missa Nova coloca em risco a Fé Católica e os inúmeros exemplos de fiéis e padres que perderam a Fé em relação direta com a celebração do Novus Ordo são bastante óbvios. Não obstante, por algum tempo – e até que esses novos efeitos nocivos fossem reconhecidos claramente – o Arcebispo Lefebvre não proibiu estritamente a frequência à Missa Nova. Só depois de alguns anos foi que ele proibiu os seminaristas de frequentarem a Missa Nova enquanto estivessem de férias.

[1] Conforme relatado pelo Rome Reports em 16 de janeiro de 2013 em um artigo intitulado “Cardinal Canizares: The most urgent reform is liturgical formation”. [Cardeal Canizares: A reforma urgentíssima é a formação litúrgica]

2 junho, 2012

Carta Apostólica Motu Proprio “Summorum Pontificum”.

Por Padre Élcio Murucci

É lícito, diz o “Motu Proprio”, celebrar o Sacrifício da Missa de acordo com a edição típica do Missal Romano promulgado pelo Beato João XXIII em 1962 e NUNCA AB-ROGADO”. (grifos nossos). Quero comentar apenas estas duas preciosíssimas palavras destacadas: “nunca ab-rogado”.

Primeiro é um reconhecimento feito de maneira oficial. É o Santo Padre, o Papa, nosso guia no Magistério Vivo e Perene da Santa Madre Igreja quem o faz, e de maneira tão simples e natural, deixando claramente transparecer de que se trata de uma coisa óbvia. No entanto, no dia do Juízo vamos ver a quantos sofrimentos os padres e fiéis tradicionalistas foram submetidos, por as autoridades da Igreja terem agido como se o contrário é que fosse verdade.

Numa palestra que D. Antônio de Castro Mayer, bispo de Campos, fez ao microfone da Rádio Cultura de Campos, no dia 27 de novembro de 1971, entre outras coisas diz o seguinte: (…) ” a Missa é o centro do Cristianismo, é o que lhe dá vida, e o faz autêntico. Por isso mesmo, Lutero, a primeira coisa que fez para abalar a Igreja de Roma, foi atacar a Missa” (…) “Segundo esta legislação canônica em vigor um costume mais do que centenário, ou imemorial só se considera ab-rogado, quando semelhante ab-rogação é declarada de modo explícito (c. 30). Ora, de um lado a Missa tradicional de São Pio V tem uma tradição muito mais do que centenária. É milenar, e mais que milenar. Pelo menos no século VI já se celebrava a Missa, como se celebra hoje a Missa de São Pio V. De onde, continua a ser lícita a celebração dessa Missa. Ninguém pode censurar um padre porque continua a celebrá-la”.

“Alguém poderia perguntar por que este apego à Missa tradicional?

“Explica-se:

“São Pio V fixou o rito da Missa, conservando o rito tradicional, e proibindo pequenas adições e subtrações que se faziam em alguns lugares, para impedir que se alargassem na Igreja, e viessem adulterar o rito sagrado, de maneira que sua característica de verdadeiro sacrifício propiciatório caísse no esquecimento e viesse a ser anulado. A Missa de São Pio V é, pois, uma barreira contra a heresia: os protestantes diziam e dizem que todos os fiéis são sacerdotes e que o padre não tem nenhum sacerdócio especial. – A Missa de São Pio V fixa de modo insofismável a distinção entre o padre que celebra, que sacrifica, e o povo que se junta ao sacerdote em posição subalterna, para participar do sacrifício. Os protestantes negavam que a Missa fosse um verdadeiro sacrifício. Era apenas uma Ceia. – A Missa de São Pio V afirma de modo peremptório que a Missa é um verdadeiro sacrifício. Os protestantes negavam, e negam, que a Missa seja um sacrifício propiciatório. No máximo aceitam que se diga um sacrifício de ação de graças. – A Missa de São Pio V marca indelevelmente o caráter propiciatório da Missa. É pois uma barreira a invasão herética”.

“Daí o explicável apego que a ele (ao rito da Missa de S. Pio V) têm fiéis que amam a Igreja e amam a Jesus Cristo, porque o apego e o amor à doutrina e Revelação de Jesus Cristo é sinal de verdadeiro amor ao mesmo Jesus Cristo, segundo a expressão dele mesmo: “Quem me ama, guarda a minha palavra” (S. Jo. XIV, 23). Compreende-se, assim, a pergunta que faz o publicista francês Luiz Salleron, no semanário parisiense “Carrefour” de 14 de julho último: “É acaso, possível proibir uma Missa que, desde os primórdios, é a Missa ininterrupta da Tradição e que foi fixada no século XVI em plena harmonia com o Concílio de Trento, cujos trabalhos, seguidos por longos anos, tiveram como finalidade determinar bem o objeto do Dogma Eucarístico?” – Também a nós nos parece que não é possível. Até agora a Santa Sé também não a proibiu. Portanto, em plena harmonia com a Igreja, podem todos os padres continuar celebrar a Missa Tradicional de São Pio V”.

Na época, lembro-me que os progressistas da Diocese de Campos, acharam que D. Antônio estava errado. Bem parecido com a época do Papa Honório I; só a matéria da controvérsia era diferente. Patriarcas, bispos e padres monotelitas acharam que o monge Máximo estava errado em não obedecer ao Papa Honório I; mas hoje Máximo é enaltecido pelo seu amor a Igreja e a Jesus Cristo, e foi canonizado; e o Papa Honório I, 40 e poucos anos depois de morto, foi anatematizado, aliás, por um Papa santo, ou seja, São Leão II.

Se D. Antônio de Castro Mayer estivesse vivo, como ele teria se alegrado por este documento “Motu Proprio” “Summorum Pontificum” de Sua Santidade o Papa Bento XVI!!! Sobretudo por ter declarado de modo insofismável que a Missa de São Pio V nunca foi ab-rogada. Homem de fé e que amava verdadeiramente a Nosso Senhor Jesus Cristo e Sua Mãe Santíssima, D. Antônio de Castro Mayer teria se alegrado enormemente, não só simplesmente por ver sua opinião confirmada pelo Papa; não pensando no própria glória, mas na maior glória de Nosso Senhor Jesus Cristo e no triunfo da Santa Madre Igreja.

Lendo hoje a carta “Summorum Pontificum”, pensamos também em D. Marcel Levebvre, outro bispo que amava ternamente a Santa Madre Igreja. D. Mayer e D. Levebvre eram dois homens capazes de dar a vida no martírio pelo triunfo da Santa Madre Igreja.

Em 23 de dezembro de 1982, o então Prefeito da Congregação para a doutrina da Fé, o cardeal Ratzinger, hoje o nosso Santo Padre, o Papa, em nome do Papa João Paulo II, apresentava a D. Lefebvre algumas propostas em vista da sua regularização e da dos membros da Fraternidade de São Pio X; e depois, no fim da carta, observou: “Eu devo acrescentar, enfim, que, no que concerne à autorização de celebrar a Santa Missa segundo o “Ordo Missae” anterior ao de Paulo VI, o Santo Padre decidiu que a questão será resolvida para a Igreja universal e, portanto, independentemente de seu caso particular”.

Destas palavras do então cardeal Ratzinger podemos tirar algumas conclusões: 1ª) É uma injustiça contra D. Levebvre dizer (como alguém disse) que ele foi culpado por esta demora de 25 anos na liberação da Missa de São Pio V para a Igreja Universal. Por que injustiça? Primeiro porque o cardeal Ratzinger declarou que o Santo Padre decidiu que a vontade dele era resolver esta questão para a Igreja universal, independentemente do caso de D. Lefebvre, ou seja, não dependeria da solução ou não solução deste caso particular da regularização de D. Lefebvre e de sua Fraternidade de São Pio X. Portanto, se o Papa não resolveu senão depois de 25 anos, não foi por causa de D. Lefebvre. 2ª) D. Lefebvre visitou a João Paulo II, poucos meses depois de sua eleição, para o cumprimentar , e pedir a bênção a Sua Santidade e, especialmente, fazer-lhe um pedido, para o bem de toda a Igreja: reconhecer oficialmente o direito de se celebrar a Missa de sempre. “O Papa João Paulo II, conta o próprio D. Lefebvre, por ocasião da audiência que me concedeu em novembro de 1979, ele parecia bastante disposto, após uma conversação prolongada, a deixar a liberdade de escolha na liturgia, a deixar-me fazer, no fim de contas, o que eu solicito desde o começo: entre todas as experiências que são efetuadas na Igreja, “a experiência da tradição”. Parecia ter chegado o momento em que as coisas se iriam arranjar, não mais ostracismo contra a missa, não mais problema. Mas o cardeal Seper, que estava presente, viu o perigo; exclamou: ‘Mas Santíssimo Padre, eles fazem desta missa uma bandeira!’ A pesada cortina que se havia erguido num instante recaiu. Será preciso esperar ainda.” (Confira “CARTA ABERTA AOS CATÓLICOS PERPLEXOS” edição feita pela Permanência, capítulo XX, os 2 §§ finais).

Todos sabemos que D. Lefebvre dentro da década de 80 fez alguns escritos ou conferências que depois foram publicadas, em que ele diz palavras muito severas como: “é em Roma que a heresia instalou-se… É por isso que nós não podemos nos ligar a Roma”. É preciso estarmos lembrados e os mais novos precisam saber que nas décadas de 70 e 80, ou seja, alguns anos após o Concílio Vaticano II, aconteceram tantos e tão grandes escândalos e sacrilégios, por causa do ecumenismo, da liberdade religiosa e da inculturação, das novas teologias; enfim com a destruição de tudo o que era sagrado e tradicional, que realmente éramos levados a pensar que a profecias de Nossa Senhora de La Salette estavam se realizando. Às vezes fico pensando assim: Se todos os absurdos que foram cometidos dentro da Igreja tivessem sido filmados e hoje fossem mostrados, muitos teriam dificuldade em acreditar; alguns morreriam de tristeza; teriam exclamado: mas isto não é Religião!!! É a abominação da desolação dentro do lugar santo!!! Hoje também há coisas muito tristes. Mas a grande diferença é que hoje temos muitas coisas boas que na época não tínhamos e nem sequer a esperança de tê-las tão cedo.

D. Pestana, de saudosa e santa memória, era na época bispo de Anápolis GO. (1979-2004). Por causa dos absurdos que estavam sendo cometidos dentro da Igreja chegou a dizer que não foi só a fumaça de Satanás que entrou na Igreja, mas foi o demônio inteiro. Eis as palavras de D. Pestana: “O demônio todo inteiro, não só a sua fumaça como disse Paulo VI, transpôs triunfalmente os portões da Igreja e está colocado nos seus mais altos postos, através de seus fiéis seguidores. Estupidificados pelo engodo do ecumenismo, estão engolindo a infidelidade e a apostasia que escorrem do alto. A Igreja esá caminhando para Sodoma e Gomorra”.  Realmente foi a coisa mais triste do mundo!!! Até o idoso bispo D. Lazo passou para o Fraternidade de São Pio X.

Como a Santa Igreja é divina, desde a promulgação de Missa de Paulo VI, houve reações contra esta missa feita com a assistência complacente e concorde de seis pastores protestantes. E como na época do Papa Honório I que com sua ambigüidade, imprudência e negligência favoreceu a heresia monotelita defendida pelos bispos patriarcas Sérgio e Pirro, houve dois homens providenciais: o monge São Máximo e o bispo São Sofrônio, podemos dizer que para defender a Missa Tradicional, a Providência Divina suscitou na Igreja dois bispos: D. Antônio de Castro Mayer e D. Marcel Lefebvre.

Suponhamos, por absurdo, que nem eles nem outros tivessem reagido contra a Missa Nova e não tivessem defendido que a Missa de São Pio V nunca poderia ser ab-rogada, o que teria acontecido? Com certeza, hoje, não teríamos mais a Missa Tradicional. Por isso devemos concluir que D. Lefebvre e D. Mayer foram homens providenciais e quem sabe um dia a Igreja não os vai canonizar como canonizou Santo Atanásio, São Máximo e São Sofrônio?! D. Lefebvre e D. Mayer eram homens de fé, de penitência e de oração. E eram humildes. Com relação a D. Lefebvre, numa carta de 30 de julho de 1983 o então cardeal Ratzinger declarou: “O Santo Padre não desconhece nem sua fé nem sua piedade”. Já é um bom início!!! Não é verdade?!

Em carta de 7 de julho de 2007, D. Bernard Fellay, DD. Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, escrevia: “O Motu Proprio Summorum Pontificum do dia 7 de julho de 2007 restabelece a missa tridentina no seu direito. Nele se reconhece claramente que nunca tinha sido ab-rogada. Deste modo, a fidelidade a esta missa em nome da qual muitos sacerdotes e leigos foram perseguidos e inclusive punidos desde 40 anos atrás – esta fidelidade, pois, nunca foi desobediência. Não é senão um ato de justiça agradecer hoje a D. Marcel Lefebvre por ter-nos mantido nesta fidelidade à missa de sempre em nome da verdadeira obediência, contra todos os abusos de poder. Ninguém duvida que este reconhecimento do direito da missa tradicional seja o fruto dos numerosíssimos rosários oferecidos a Nossa Senhora durante nossa cruzada do Rosário no mês de outubro passado. Saibamos agora expressar-lhe a nossa gratidão”.

Vejam como devemos fazer para conseguirmos graças e bênçãos de Deus, Nosso Senhor: rezar com devoção o Santo Rosário da Santíssima Virgem Maria. E nunca devemos atribuir a nós mesmos, à nossa esperteza política de sobrevivência, a aquisição de alguma coisa. Tudo é graça de Deus; e Nosso Senhor quer que a peçamos.

Tenho lido nos jornais e nas revistas que assino, agora na Internet, como o Santo Padre o Papa tem sofrido por ter feito esta carta “Summorum Pontificum”. Os progressistas não gostaram. E só para se ter uma idéia: no Jornal “O Globo”, do dia 09/07/2007 li o seguinte: o título do artigo: “Bispo se diz de luto” por decisão anunciada por Bento XVI. “Eu não consigo conter as lágrimas. Esse é o momento mais triste de minha vida como homem, padre e bispo” afirmou Luca Brandolini, membro da Comissão de Liturgia da Conferência dos Bispos Italianos, em entrevista ao jornal “La Estampa”. “É um dia de luto não só para mim, mas para muitas pessoas que trabalharam no Concílio Vaticano II, uma reforma (…) inspirada somente pelo desejo de renovar a Igreja e que agora foi cancelada”. (O Globo, 09 de julho de 2007, p. 22). Como os progressistas amam o Vaticano II!!! Será de graça? Foi muito sintomática a referência deste bispo ao Concílio Vaticano II! Cada dia mais me convenço de que os Tradicionalistas (os verdadeiros) são os verdadeiramente obedientes ao Santo Padre, o Papa. Os progressistas só obedecem quando algum papa, a exemplo de Honório I que favoreceu o Monotelismo, favorece o Modernismo; enquanto os verdadeiros tradicionalistas só desobedecem, à exemplo de São Máximo, nestes mesmos casos em que o papa favorece a heresia.

Que Nosso Senhor Jesus Cristo dê ao Santo Padre, o Papa a fortaleza e a luz necessárias para completar a boa obra de desfazer a “reforma” querida e realizada pelo Concílio Vaticano II. Amém!

19 abril, 2012

Dominus Marcellus Lefebvre.

Em 18 de setembro de 1991, o Cardeal Silvio Oddi, que foi Prefeito da Congregação para o Clero de 1979 a 1986, visitou o túmulo de Lefebvre, ajoelhou-se diante dele, rezou e depois disse em voz alta: “Merci, Monseigneur” [“Obrigado, Monsenhor”]. Depois, o Cardeal Oddi afirmou que considerava que o Arcebispo Lefebvre havia sido um ‘santo homem’ e sugeriu que à Fraternidade São Pio X poderia ser concedida uma prelazia pessoal pela Santa Sé, como a do Opus Dei.

[…]

Em sua biografia de [Dom Marcel] Lefebvre, The Horn of the Unicorn, David Allen White diz que Lefebvre recebeu um pequeno número de votos — diversamente relatado como três ou “alguns” – no conclave de agosto de 1978 que elegeu o Papa João Paulo I, fato que, afirma ele, causou alguma consternação entre os cardeais, já que Lefebvre não era um cardeal, e votar em um não-cardeal é incomum em uma eleição papal, embora permitido pela lei da Igreja.

Da carta nº 8 de Robert Moynihan, da revista Inside the Vatican, de 19 de abril de 2012.

18 abril, 2012

Não estamos aqui para criticar, estamos aqui para conservar.

Padre Ratzinger como subdiácono em 1951. Foto: New Liturgical Movement.

Padre Ratzinger como subdiácono em 1951. Foto: New Liturgical Movement.

Não estamos aqui para criticar os bispos e os sacerdotes. Não estamos aqui para nos rebelarmos contra o episcopado. Não! Certamente que não! Essa não é absolutamente a nossa intenção. Pelo contrário, desejaríamos que os bispos e sacerdotes, que vêem aquilo que fazemos, admitissem que eles mesmos em sua juventude, durante todo o período antes do Concílio, quando eram padres, celebravam sempre a mesma Missa que celebramos, e eram tão fiéis à Igreja Católica como somos atualmente. Será que o que eles faziam na juventude deveria ser condenado hoje em dia?

Não acreditamos nisso. Portanto, hoje em dia queremos explicar perante vocês, meus amados irmãos, que não somos hostis a ninguém. Muito pelo contrário, somos os servos mais leais da Igreja, os servos fiéis do Papa e dos bispos. Estamos profundamente ligados a eles. Precisamente por isso, por estarmos determinados a preservar a fé de sempre e a permanecer em comunhão com a Igreja de sempre. Por isso também estamos aqui. Desejamos que todos a nossa volta compreendam isso, de modo que possam rezar conosco pela Igreja. Desejamos que eles se convençam de que não queremos, de modo algum, ser hostis ao Papa e aos bispos, mas, pelo contrário, que queremos ajudar, a louvar a Deus, e amar a Santa Igreja Católica, que tanto estimamos.

Arcebispo Marcel Lefebvre, na inauguração do Seminário do Sagrado Coração (Zaitzkofen, Bavária), em 1978. (Citação do dia 14/04/2012 do Distrito Alemão da Fraternidade São Pio X)

17 novembro, 2011

“Sentinela, quanto resta da noite?” (Isaías 21,11). Reflexões sobre o livro de Lorenzo Bertocchi e Francesco Agnoli.

por Dom Massimo Vacchetti [1] – 30/09/2011

Esperei o lançamento deste livro por quase cinquenta anos. Conheço os autores e sei do amor pela verdade que os anima. No entanto, não é por eles que desejei ter em minhas mãos este ágil texto. ‘Sentinelas no pós-concílio’ (p. 156, Ed. Cantagalli) recolhe, pelas mãos de diferentes autores, o perfil de “dez testemunhas contracorrente”, como diz o subtítulo, dez protagonistas da vida e do pensamento católico nos anos pós-conciliares.

O ‘atraso da publicação’ se deve, entre outras coisas, a uma infeliz expressão do Beato João XXIII, quando na abertura do Concílio, proclamou que: “não sem ofensa aos Nossos ouvidos, nos são reportadas vozes de alguns que, embora acesos de zelo pela religião, avaliam, no entanto, os fatos sem uma suficiente objetividade nem prudente juízo. (…) Nos parece de ter que resolutamente dissentir de tais profetas de desgraça, que anunciam sempre o pior, como se fosse iminente o fim do mundo. No atual estado dos acontecimentos humanos, no qual a humanidade parece entrar em uma nova ordem de coisas, precisam, mais, ser vistos os misteriosos planos da Divina Providência que (…)com sabedoria dispõem tudo, mesmo os adversos acontecimentos humanos, pelo bem da Igreja” (Discurso de abertura do Concílio, 11 de Outubro de 1962).

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24 outubro, 2011

A verdadeira face de Dom Lefebvre. Novo livro de Cristina Siccardi.

Mestre em Sacerdócio, mestre na fé, aquele que salvou a Missa de sempre…

Fonte: Una Fides | Tradução: Giulia d’Amore di Ugento

Monsenhor Marcel Lefebvre nasceu em 29 de novembro de 1905, em Tourcoing (Norte da França), e morreu em Martigny (Valais, Suíça), em 25 de março de 1991. Arcebispo católico de Dakar e Delegado Apostólico para a África francesa, é nomeado Bispo de Tulle[1] em 1962; depois, Superior Geral da Congregação do Espírito Santo. Grande figura entre os representantes da oposição ao Concílio Vaticano II, em 1970 funda a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, com a finalidade de preservar o sacerdócio católico.

Menos de um ano após o primeiro livro, “Mons. Marcel Lefebvre: em nome da verdade“, a conhecida escritora católica Cristina Siccardi volta a enfrentar a figura do Bispo francês, fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Este fato já demonstra claramente o notável aumento do interesse por este personagem, controvertido e discutido, mas que deixou uma mensagem no mínimo atual, justo neste momento em que mais e mais vozes se levantam para analisar, de uma nova forma, e anticonformista, o grande fenômeno eclesial do Concílio Vaticano II.

Neste segundo livro, a autora intenta aprofundar sobretudo a espiritualidade e a doutrina de Mons. Lefebvre, evidenciando seu profundo apego à Igreja e à sua Tradição bimilenar.
7 setembro, 2011

Removendo o Impedimento Vaticano II.

Ele pode ter mantido a Fé quando milhões a abandonaram. Mas, ele estava em plena comunhão?

Tradução: Pale Ideas

Depois da publicação do Novus Ordo Missae, em 1970, os burocratas do Vaticano, sob o comando de Aníbal Bugnini, mentor da catastrófica “reforma litúrgica”, promoveram assiduamente a fraude de que a tradicional Missa em latim tinha sido proibida: derrogada, ab-rogada, objurgada, expurgada, extirpada, reprovada, encarcerada. Seja o que for. Em resposta à lunática contenda de que o recebido e aprovado Rito Romano era agora ilegal, muitos católicos prontamente afluíram para capelas independentes ou para as capelas da Fraternidade Sacerdotal São Pio X para aguardar o dia em que o Vaticano retomasse o juízo.

Demorou quase 40 anos para que isso acontecesse definitivamente. Finalmente, em 7-7-07, o Papa Bento XVI declarou abertamente à Igreja universal, pela primeira vez desde que começou o naufrágio litúrgico, o que nós tradicionalistas sempre soubemos sobre o Missal em nossas mãos: “este Missal nunca foi juridicamente revogado e, consequentemente, em princípio, sempre foi permitido”.

Quanto a Bugnini, levou bem menos do que 40 anos para o Vaticano recuperar o juízo a respeito dele e de seu “trabalho”, mesmo que os resultados desastrosos tenham permanecido intactos. Em 1975, depois de alguns dias lendo um dossiê sobre Bugnini que tinha caído em sua mesa, o Papa Paulo VI demitiu o Mestre do Desastre, dissolvendo sua congregação e despachando-o para o Irã, para servir como núncio papal. Como Bugnini admite, falando de si mesmo na terceira pessoa, o dossiê teria supostamente “provado que o Arcebispo Bugnini era franco-maçom”. (Bugnini, A Reforma da Liturgia, 91). Seja o que for que o dossiê provou, o próprio Bugnini notou a ligação causal para o histórico registro: o Papa leu um dossiê sobre Bugnini e, então, Bugnini foi demitido. Como Bugnini ainda admitiu, a morte repentina de sua carreira como o Grande Reformador não poderia ter sido “o produto de ordinária vida administrativa. Ali, deve ter havido algo mais abalador” (Ibid.).

Década após década, os promotores da correição pós-conciliar — vocês sabem quem vocês são — piamente nos asseguraram que “a obediência ao Papa” nos obrigava a acreditar e agir como se o Papa tivesse proibido a Missa Tradicional. Agora, o próprio Papa declarou que isso é um absurdo. Mas outra proposição absurda da correição pós-conciliar permanece em voga: que a Fraternidade de São Pio X não tem “plena comunhão” com a Igreja, embora seus bispos não sejam mais considerados excomungados.

Aqui a justiça exige-me que lembre que foi também o Papa Bento XVI quem afirmou (embora de passagem) que sua intenção ao levantar as excomunhões dos quatro bispos da FSSPX “foi tirar um impedimento que poderia dificultar a abertura de uma porta ao diálogo e, portanto, convidar os quatro bispos e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X a redescobrir o caminho para a plena comunhão com a Igreja”.

Assim, o próprio Papa usou a frase. Mas o que isso significa? Considere a linguagem do decreto de levantamento das excomunhões, emitido pelo Cardeal Re, da Congregação para os Bispos, pela autoridade do Papa Bento XVI, em 21 de janeiro de 2009:

Com base nas faculdades expressamente concedidas a mim pelo Santo Padre Bento XVI, em virtude do presente Decreto, retiro dos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta a censura de excomunhão declarada por esta Congregação em 1º de julho de 1988, enquanto declaro privado de efeitos jurídicos, a partir do dia de hoje, o Decreto emanado naquele tempo.

Privado de efeitos jurídicos! E quais são os “efeitos jurídicos” da excomunhão agora considerados nulos? De acordo com o Código de Direito Canônico de 1983:

Can. 1331, § 1. Uma pessoa excomungada é proibida:

1°- ter qualquer participação ministerial na celebração do sacrifício da Eucaristia ou em quaisquer outras cerimônias de culto;

2°- celebrar sacramentos ou sacramentais e receber os sacramentos;

3°- exercer quaisquer ofícios, ministérios ou encargos eclesiásticos ou praticar atos de regime;

Assim, os efeitos da excomunhão são essencialmente três: (1) proibido de administrar sacramentos, (2) proibido de receber sacramentos, (3) proibido de exercer qualquer ofício ou ministério na Igreja. A partir disso, segue-se que o levantamento da excomunhão dos quatro bispos da Fraternidade deveria significar — se as palavras têm significado — que os quatro bispos agora são capazes de administrar e receber os sacramentos e exercer ofícios e ministérios na Igreja, assim como os padres da Fraternidade, que nunca foram excomungados em primeiro lugar.

Então, qual é o problema? Aqui é preciso ler com muito cuidado uma passagem-chave na Carta do Papa aos bispos do mundo, sobre a remissão das excomunhões:

O facto de a Fraternidade São Pio X não possuir uma posição canónica na Igreja não se baseia, ao fim e ao cabo, em razões disciplinares, mas doutrinais. Enquanto a Fraternidade não tiver uma posição canónica na Igreja, também os seus ministros não exercem ministérios legítimos na Igreja. Por conseguinte, é necessário distinguir o nível disciplinar, que diz respeito às pessoas enquanto tais, do nível doutrinal em que estão em questão o ministério e a instituição. Especificando uma vez mais: enquanto as questões relativas à doutrina não forem esclarecidas, a Fraternidade não possui qualquer estado canónico na Igreja, e os seus ministros — embora tenham sido libertos da punição eclesiástica — não exercem de modo legítimo qualquer ministério na Igreja.[1]

Surpreendentemente, o Papa está dizendo, aqui, que o único impedimento para o status canônico da Fraternidade é doutrinário, e que o hipotético impedimento doutrinário envolve, não heresia ou discordância da doutrina abaixo do nível do dogma definido, mas questões que precisam ser esclarecidas. A declaração também especifica, bastante solenemente, que, como indivíduos, os sacerdotes e bispos da Fraternidade não estão mais sob nenhuma pena canônica que os impeça de exercer o seu ministério como padres e bispos. O único impedimento é um não especificado esclarecimento de não especificadas questões doutrinárias.

Devo confessar que eu não tenho idéia, a partir da leitura desta declaração, do que exatamente a Fraternidade deve fazer para alcançar a “plena comunhão” e, assim, obter “status canônico” e a capacidade de “exercer qualquer ministério” na Igreja. Se, como indivíduos, os clérigos da Fraternidade não estão mais sob qualquer incapacidade canônica como tal, qual é a base para um impedimento coletivo da Fraternidade que consista em questões doutrinais que precisam ser esclarecidas? Nenhuma parece evidente. É evidente por si mesmo que a Igreja hoje está cheia de clérigos e leigos cuja doutrina tem urgente necessidade de esclarecimento sobre os pontos fundamentais da fé e da moral, tais como a contracepção. Ainda não há pronunciamentos do Vaticano sobre a incapacidade dessas pessoas para administrar ou receber os sacramentos, exercer um ministério, ou até mesmo conduzir missões canônicas na Igreja, a menos que sua doutrina seja esclarecida.

É justo perguntar: Será que este impedimento da necessidade de esclarecimento de questões doutrinárias — o que significa, é claro, questões sobre o Vaticano II, e nada mais — foi erigido ad hoc para a Sociedade e só a Sociedade? Não seria o próprio impedimento que necessita de esclarecimento? Em particular, que proposições a Fraternidade precisa afirmar a fim de superar o nebuloso impedimento da necessidade de esclarecimento doutrinário? Não estaríamos lidando com, literalmente, o Impedimento Vaticano II, seja lá o que isso possa significar? E essa é a pergunta final: Há algum significado real afinal?

Acabamos de receber uma indicação de que a resposta é negativa. O blog Rorate Caeli relatou que, em 28 de maio de 2011, Padre Daniel Couture (a quem tive o privilégio de assistir durante uma peregrinação no Japão), Superior do Distrito da Ásia da Fraternidade, foi delegado pelo bispo Fellay para aceitar os votos de Madre Maria Micaela que foi transferida da Congregação das Irmãs Dominicanas da Nova Zelândia, uma congregação Novus Ordo, para a das Irmãs Dominicanas de Wanganui, erigida por Dom Fellay. O relatório observa que Madre Maria “tinha uma permissão especial da Congregação para os Institutos Religiosos e Seculares em Roma para fazer isso[2].

Obviamente, a aprovação desta transferência reconhece implicitamente o ministério de Dom Fellay na constituição das Irmãs Dominicanas de Wanganui; o ministério de Padre Couture em receber os votos da freira Novus Ordo que foi transferida para aquela ordem; e a missão canônica da Fraternidade, em geral, ao delegar um de seus sacerdotes, através de um de seus bispos, para admitir uma freira em uma ordem com a qual a Fraternidade é associada e cujo superior é Dom Fellay.

As conversas doutrinárias entre a Fraternidade e o Vaticano sobre o esclarecimento de questões doutrinárias sobre o Vaticano II foram concluídas, estamos lendo relatos de que Dom Fellay e dois assistentes foram convocados ao Vaticano para uma reunião em 14 de setembro, aniversário da data efetiva do Summorum Pontificum, com o ostensivo propósito de entregar a declaração final da Fraternidade sobre as conversações. O “impedimento Vaticano II” está prestes a ser removido? Será que o disparate sobre a proibição da missa tradicional será jogado na lata de lixo da mitologia do Vaticano II? Será que o Vaticano finalmente admitirá que o Concílio nada mudou e nada exigiu dos Católicos a respeito do que eles devem acreditar e praticar a fim de estar em “plena comunhão” com a Igreja?

Ao que parece, dado o progresso com as Irmãs de Wanganui, estas questões podem já ter sido respondidas afirmativamente. É claro que serão respondidas afirmativamente, mais cedo ou mais tarde, assim como nós sempre soubemos que era apenas uma questão de tempo antes que o próprio Papa admitisse que a Missa tradicional nunca foi ab-rogada e sempre foi permitida.

Muitos absurdos têm sido dissipados durante este pontificado. A polêmica neo-Católica sobre o “cisma” dos tradicionalistas é agora em frangalhos. Quando a Fraternidade estiver, finalmente, “regularizada” de jure — e já está regularizada de facto, quem está enganando quem? — o que restará da posição neo-Católica? Exatamente nada. E quando exatamente nada restar de neo-Catolicismo, quando sua pretensão de ser a superioridade moral e teológica for definitivamente afastada, então a restauração da Igreja pode prosseguir por toda parte. Façamos votos que a data de extinção seja por volta de 14 de setembro de 2011.