Posts tagged ‘Moral’

28 fevereiro, 2015

Efeito “Quem sou eu para julgar?” – Pais e alunos protestam contra Moral Católica em escolas… Católicas!

Pais e alunos de escolas Católicas de San Francisco protestam contra cláusulas de moralidade nos contratos de Professores.

Por CBS | Tradução: Fratres in Unum.com – SAN FRANCISCO (KPIX 5) – Pais e alunos de escolas controladas pela Arquidiocese Católica de San Francisco participaram de um protesto em frente à Catedral de Santa Maria, na Quarta-Feira de Cinzas, alegando que a Igreja deveria ficar fora dos quartos dos professores e retirar as cláusulas de moralidade propostas nos contratos com os professores.

Assista ao vídeo aqui.

Na Quarta-Feira de Cinzas, um dos dias mais sagrados no calendário católico, os alunos e pais esperavam que o Arcebispo Salvatore Cordileone mudasse de ideia sobre as cláusulas, uma vez que nesse dia a Igreja inicia um período de 40 dias de reflexão quaresmal.

Pais e alunos protestaram contra cláusulas de moralidade propostas para a Arquidiocese de San Francisco em frente à Catedral de Santa Maria, no dia 18 de fevereiro de 2015. (CBS)

Pais e alunos protestaram contra cláusulas de moralidade propostas para a Arquidiocese de San Francisco em frente à Catedral de Santa Maria, no dia 18 de fevereiro de 2015. (CBS) – Num dos cartaz se lê: “Quem sou eu para julgar?”

“Estamos aqui porque se Jesus estivesse vivo hoje em dia, ele estaria de pé bem perto de nós”, disse Mairead Ahlbach, uma aluna da escola do Sagrado Coração, à multidão.

O que está em discussão são os contratos de moralidade propostos pelo arcebispo aos professores, que incluem cláusulas como oposição ao homossexualismo e contraceptivos.

Do lado de fora da catedral, o padre John Piderit da Arquidiocese disse: “O arcebispo está reiterando a doutrina católica tradicional. E a reclamação feita por diversos políticos e alguns pais e professores é que essa atitude é discriminatória. Na realidade, a nossa abordagem é a mesma para rapazes e moças, para heterossexuais e gays.”

Mas as diferenças sobre a doutrina e sua aplicação são profundas.

“A única coisa que estamos fazendo nesta noite é pregar valores católicos,” disse Ahlbach.

Ao serem indagados sobre se a proposta do arcebispo se enquadra na doutrina católica, outra aluna que participava do protesto disse: “Sim, ela efetivamente se enquadra na doutrina católica, mas achamos que se ela for implementada talvez muitos de nossos professores saiam da escola.”

“Não queremos que os nossos professores saiam e talvez até mesmo abandonem a fé. Apenas achamos que a Igreja Católica deveria se tornar mais progressista, assim como a Igreja Anglicana,” disse a aluna.

* * *

Nota do Fratres: Além dos protestos de pais e alunos das escolas de San Francisco, Dom Cordileone enfrenta protestos da Fundação da Campanha de Direitos Humanos, o braço educacional da maior organização americana de direitos civis de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais, que apela à Arquidiocese de San Francisco que retire a linguagem anti-LGBT de seu novo contrato com os professores.

“As novas ‘cláusulas morais’ propostas no contrato pelo Arcebispo Salvatore Cordileone contrastam de maneira gritante com a mensagem de inclusão promovida pelo Papa Francisco”, disse Lisbeth Melendez Rivera, diretora da Latina/o e Iniciativas Católicas para o Programa de Religião e Fé da Fundação HRC. “Ao impor algo que equivale a um teste de pureza anti-LGBT, o arcebispo está fechando a porta a profissionais dedicados, muitos dos quais são católicos fiéis – gays e heterossexuais -, cujos códigos morais não incluem discriminação.”

Por sua vez, em carta aos professores de ensino médio, o Arcebispo Cordileone falou que o documento não tem por objetivo demitir ninguém, mas como acontece com muitas questões polêmicas relacionadas à fé e moral, ele percebeu que era importante ajudar os professores a oferecer perspectivas a seus alunos que estejam lutando em áreas como moralidade sexual e disciplina religiosa.

12 fevereiro, 2015

Padre pede a Jean Willys apoio para grupo contra casamento gay.

Religioso coletava assinaturas para criar frente parlamentar ‘a favor da vida e da família’.

Júnia Gama, O Globo – BRASÍLIA – Uma cena inusitada ocorreu na tarde desta quarta-feira no Congresso Nacional. Um padre de batina coletava assinaturas em frente ao plenário da Câmara, já esvaziada nesses dias que antecedem o Carnaval, para criar uma frente parlamentar “a favor da vida e da família”, contra o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Deparou-se com o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), um militante da causa gay, e pediu seu apoio. A resposta do deputado foi curta:

– Não vou assinar, eu defendo outro tipo de família – disse.

O padre Pedro Stepien, um polonês que vive em Brasília e dirige a associação pró-vida e pró-família, disse que conhecia a história de Jean Wyllys, mas mesmo assim quis tentar sua assinatura.

– Eu sabia e respeito, até rezo muito por esse deputado, sei que ele precisa – afirmou.

A instituição comandada pelo padre é radicalmente contra o aborto. Até mesmo nos casos previstos em lei, como estupro, anencefalia e risco à saúde da mulher.

– É mais fácil salvar uma criança quando a mulher é violentada do que quando ela pula a cerca. Aborto é um crime hediondo em qualquer caso, é assassinato de criança que não tem advogado. A pessoa que é a favor do aborto não tem direito de falar de direitos humanos – justifica o padre.

Procurado pelo GLOBO, Jean Wyllys contou que já havia tido dois embates com o padre. Na primeira vez, denunciou-o à polícia legislativa por trazer crianças da periferia de Brasília para frente do Congresso com cartazes mostrando fotos de fetos e palavras de ordem contra o aborto. A segunda fez foi durante a votação do Plano Nacional de Educação, quando uma reação de grupos conservadores, em que se incluía o padre Pedro, conseguiu retirar do texto menções a identidade de gênero e orientação sexual.

– Acho lamentável que esse padre fale em direitos humanos e apareça na porta do Congresso com crianças esquálidas segurando esses cartazes. Denunciei ele à polícia legislativa e avisei que o denunciaria ao conselho tutelar se continuasse explorando essas crianças – diz o deputado.

O deputado se irritou ao saber que o padre “orava” por ele.

– Dispenso as orações dele, ele deveria orar para si mesmo para tentar salvar a própria alma dele do inferno.

Jean Wyllys diz que há mobilização para reconstituir as frentes parlamentares ligadas aos direitos humanos, especificamente direitos das mulheres, cidadania LGBT e enfrentamento de DSTs/Aids. O deputado acredita, no entanto, que na gestão de Eduardo Cunha esses grupos deverão funcionar mais para manter os temas politicamente vivos, mas dificilmente trarão resultados legislativos.

– Interrupção da gravidez indesejada é a quarta causa de morte de mulher no Brasil. É preciso explicar ao padre que ninguém é a favor do aborto, a gente é a favor de política pública em torno da interrupção da gravidez indesejada. As políticas públicas de estado laico não podem ser determinadas por concepções religiosas – defende Jean Wyllys.

A polêmica sobre o aborto foi suscitada esta semana por declarações do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que é evangélico, de que não colocaria em votação pautas que flexibilizassem as regras sobre o tema. O padre se animou então para vir ao Congresso coletar as assinaturas para criar a comissão.

– Apoiamos muito ele (Cunha), nessa linha estamos juntos: católicos, evangélicos, espíritas – disse o padre, referindo-se ao grupo que articula a frente parlamentar, comandado pelo senador evangélico Magno Malta (PR-ES).

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5 fevereiro, 2015

O arcebispo de Varsóvia-Praga lamenta que a pastoral da Igreja tenha traído João Paulo II.

Por Luis Fernando Pérez Bustamante – InfoCatólica | Tradução: Marcos Fleurer – Fratres in Unum.com: Na verdade, ontem fiquei quase em estado de “choque”, quando li o título da entrevista no  portal Niedziela do arcebispo de Varsóvia-Praga, Dom Henryk Hoser: A Igreja traiu a João Paulo II” . Disse comigo mesmo “não, isto deve ser muito exagero. Pode ser que alguns bispos e cardeais estejam traindo o santo papa polonês e inclusive até o próprio Jesus Cristo, mas a Igreja como tal não faz tal coisa”. E então li todas as palavras do prelado:

Dom Henryk Hoser, arcebispo de Varsóvia-Praga.

Dom Henryk Hoser, arcebispo de Varsóvia-Praga.

«Vou dizer brutalmente: a Igreja traiu João Paulo II. Não a Igreja como Esposa de Cristo, não a Igreja do nosso credo, porque João Paulo II era a expressão, a voz autêntica da Igreja, mas sim que a prática pastoral traiu a João Paulo II».

O matiz importante que Dom Hoser vem nos dizer é que ainda que a doutrina siga sendo a mesma, na realidade, com frequência, não se lhe aplica. Dado que o contexto de suas palavras é analisar o que ocorreu no sínodo passado, e o que está acontecendo neste período inter-sinodal, entende-se que o arcebispo esteja falando sobretudo da pastoral familiar e da pastoral sacramental em relação à família e, em geral, da moral católica sobre a vida sexual. E então só nos resta lhe dar razão.

A grande maioria dos bispos alemães já está permitindo a comunhão de adúlteros. Tentaram já quebrar o braço da Igreja em 1994, quando a Congregação para a Doutrina da Fé se negou a aceitar suas teses, então eles decidiram que aceitariam o parecer da Igreja, mas permitiram que ficasse como nada na realidade dos fatos. É como se os bispos aderissem formalmente aos dogmas trinitários e cristológicos, mas permitissem que quase todos seus sacerdotes pregassem a heresia ariana. A cumplicidade real não se manifesta com a heresia, mas em muitas ocasiões é muito pior do que a própria heresia. Sobretudo quando o cúmplice tem o dever de defender a fé.

Esses que traem a fé da Igreja. permitindo uma pastoral contrária a ela mesma, são os que agora pretendem que a traição se consuma completamente, mudando o conteúdo da fé no tocante à comunhão dos adúlteros. São também os que aceitam a anticoncepção como prática inevitável  e como fator positivo na maioria das famílias cristãs.

O fato é que o episcopado polonês não tem a menor intenção de abandonar a defesa da fé católica nessas questões e em outras. E não é só isso. Não se deve ver os bispos africanos como mero espectadores do sínodo para entender que África tampouco vai admitir que se imponham as teses de Kasper, Bonny, Baldisserie e companhia limitada. Estamos à beira de um choque de trens do qual por fé sabemos que triunfará a verdade. Porque Cristo prometeu guardar na verdade a sua Esposa, a Igreja, especialmente confortando a fé do Papa.

Mas, para que a verdade triunfe ao fim, não significa que não haverá uma multidão de vítimas. De fato, já há. Trata-se de todos aqueles fiéis que levam meses vivendo na confusão e no temor que a Igreja ceda em algo tão fundamental como em seus ensinamentos sobre o casamento e os sacramentos. Também serão vítimas aqueles que vivem no pecado e pensam que, de alguma maneira, a Igreja vai “regularizar” sua situação sem que tenham que renunciar a sua vida de pecado. Quando verem que tal coisa não ocorre, se sentirão ainda mais rejeitados do que hoje dizem que estão. Só Deus sabe o bem que certamente vai tirar de tanto mal.

Laus Deo VirginiqueMatri

Luis Fernando Pérez Bustamante

27 janeiro, 2015

Não é divórcio, mas é bem parecido.

Por Sandro Magister | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Ao inaugurar oficialmente o ano judiciário do Vaticano na última sexta-feira, 23 de janeiro, Francisco deu à Rota Romana – e consequentemente a todos os tribunais da Igreja Católica em todo o orbe terrestre – uma nova direção.

Esta é a direção que o papa já tinha em mente quando, pouco antes do sínodo sobre a Família em outubro passado, nomeou uma comissão encarregada de simplificar e facilitar os procedimentos dos processos de nulidade matrimonial.

Francisco não entrou no mérito das alterações processuais. Por exemplo, ele não disse se prefere que basta uma só sentença – ao invés de duas “compatíveis”, como é hoje — para se obter um reconhecimento de nulidade.

No entanto, ele deixou claro que espera uma facilidade universal de acesso aos tribunais e gratuidade generalizada para os processos.

Mas, acima de tudo, ordenou que se amplie os tipos de casamentos que preenchem os requisitos para um processo de validade, assumindo que o número dos inválidos é altíssimo devido principalmente à fraca fé dos contraentes.

Assim Francisco articulou seu discurso à Rota.

Ele começou por recordar qual é a tarefa dos tribunais eclesiásticos:

“O juiz é chamado a fazer sua análise judicial quando existe dúvida sobre a validade do casamento, para verificar se há um defeito de origem do consentimento, seja diretamente por defeito de válida intenção, seja pelo sério déficit na compreensão do matrimônio em si, de forma a determinar a vontade “.

Ele prosseguiu afirmando que hoje em dia os casamentos defeituosos em origem são muito mais numerosos do que no passado:

“A experiência pastoral nos ensina que existe hoje um grande número de fiéis em situação irregular, cuja história de vida teve uma forte influência da mentalidade mundana”.

Ele explicou que a invalidade de muitos casamentos deriva da pouca ou nenhuma fé dos contraentes:

“Por isso o juiz, ao ponderar sobre a validade do consentimento expresso, deve levar em conta o contexto dos valores e da fé – sua carência ou ausência – em que a intenção matrimonial foi formada. Na verdade, a falta de conhecimento dos conteúdos da fé poderia levar ao que o Código de Direito Canônico chama de erro determinante da vontade (cf. cân. 1099). Esta eventualidade não pode mais ser considerada como excepcional como era no passado, dado precisamente à prevalência freqüente do pensamento mundano sobre o magistéro da Igreja “.

Os tribunais eclesiásticos – prosseguiu – portanto, deverão se adaptar a esta nova realidade:

“Quanto trabalho pastoral para o bem de tantos casais e de tantos filhos, muitas vezes as vítimas destas situações! Aqui, também, precisamos de uma conversão pastoral das estruturas eclesiásticas. […] Eis a vossa difícil missão, assim como a de todos os juízes nas dioceses: não fechem a salvação das pessoas dentro das constrições do legalismo”.

E preparem-se de acordo:

“Se faz útil recordar a necessária presença em cada tribunal eclesiástico de pessoas competentes para prestar assistência e aconselhamento aos que cogitam sobre a possibilidade de apresentar uma causa de nulidade do matrimônio; ao mesmo tempo que é requerido a presença de oficiais estáveis, pagos pelo mesmo tribunal, que exerçam o papel de advogados”.

Melhor ainda se for grátis para todos:

“Eu gostaria de salientar que um número significativo de casos na Rota Romana são de assistência judicial grátis, favorecendo aqueles que devido às desfavoráveis condições econômicas em que se encontram, não podem arcar com as custas de um advogado. E este é um ponto que quero destacar: os sacramentos são gratuitos. Os sacramentos nos dão a graça. E um processo de nulidade matrimonial está ligado ao sacramento do matrimônio. Como eu gostaria que todos os processos fossem gratuitos!”.

Para registro, na Itália, é a Conferência dos Bispos que cobre a maior parte dos custos de um processo de nulidade. Para os que se valem dos advogados credenciados junto aos tribunais diocesanos, o custo de um processo é um pouco mais de 500 euros. Enquanto que para aqueles que se encontram em situação de pobreza, o processo mesmo agora é totalmente gratuito.

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23 janeiro, 2015

Paternidade responsável, pastoral a caminho.

Para o jornal da Conferência Episcopal Italiana, as recentes declarações do Papa Francisco relançariam  as orientações da Humanae Vitae com aquele “abraço acolhedor daquela ternura”. Muita ternura, não é mesmo, senhoras coelhas irresponsáveis? 

* * *

Por Avvenire | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Família, novas palavras para a reviravolta pastoral. Depois do fermento de renovação espalhado na “fase 1″ do Sínodo das Famílias no outubro passado, o Papa falando a repórteres no avião que o levava de volta a Roma após a viagem às Filipinas, endereçou o tema da maternidade e da paternidade responsável tomando como ponto de partida a encíclica Humanae Vitae de Paulo VI. Não para diminuir a sua importância ou para redefinir o seu significado, mas para atualizar sua tradução pastoral. “Palavras proféticas”, sublinhou Francisco. Um projeto que adquire nova força à luz da nova pastoral do acolhimento e da misericórdia. As indicações corajosas da encíclica de Papa Montini sobre o exercício da maternidade e da paternidade responsável, repropostas pela “Igreja hospital de campanha”, conserva intacta a sua capacidade de ir contra a corrente. Uma força da verdade que tanto hoje como naquele tempo se opõe, à luz do Evangelho e da sabedoria humana, às mentiras de uma certa cultura dominante.

“É como um poderoso tapa em todas as ideologias”, argumenta Don Paolo Gentili, diretor nacional da secretaria da CEI ( Conferência dos Bispos Italianos) para a família, que relê as palavras de Francisco com a sensação de que se está a meio caminho entre a leveza do entusiasmo e o peso da responsabilidade. Entusiasmo, porque o que o Papa disse sobre a paternidade responsável abre um debate importante. Um debate que ficou por muito tempo adormecido debaixo de um cobertor pesado de silêncio e indiferença, e que se tornou amadurecido até mesmo em nossas comunidades.

As ideologias que Francisco aponta como perigos graves, contra as quais se faz necessário concentrar esforços e atenção – explica Don Gentile – são pelo menos três: aquela  “ideologia do gênero” que busca destruir a família por dentro ao remover suas bases antropológicas do plano da natureza para o da cultura arbitrária, e também a ideologia da família “obrigatoriamente numerosa sem o exercício da responsabilidade” ou – pelo contrário – aquela outra que levaria a uma rejeição da procriação de acordo com uma insensata  “cultura do bem-estar que entorpece”.

Os muitos movimentos NO KIDS, que foram surgindo especialmente em ambientes anglo-saxões e que são olhados com certa simpatia por certos setores radicais e progressistas até mesmo dentro de nossa casa, demonstram que o risco do egoísmo elevado a modelo de vida está sempre presente. E o peso da responsabilidade? “Está relacionado aos novos caminhos pastorais incentivados e que agora, de fato, se tornaram urgentes e irrevogáveis – diz o diretor da secretaria para a família – a partir da leitura das palavras de Francisco.”

Trata-se de propostas capazes de colocar verdadeiramente no centro a responsabilidade do casal e da família, solicitando dos cônjuges aquela capacidade de serem “sujeitos pastorais”, a qual  deriva diretamente do sacramento do matrimônio.

O caminho para conseguir compor esta sábia integração pastoral – que retoma as orientações da encíclica Humanae vitae, e as relança com o abraço acolhedor daquela ternura que não tem medo de lidar com as feridas e a fragilidade – é a redescoberta do filho como dom. E a responsabilidade do acolhimento desse dom não deriva de uma relação acrítica de indicações que têm o sabor de “postos aduaneiros” onde é preciso mostrar permissão, mas da adesão inteligente a um projeto de vida que não considera tanto a rigidez da letra, segundo as palavras de São Paulo, mas sim o dinamismo do Espírito, o coração e a determinação comum de construir um futuro bom para todos.

Nessa chave seria enganoso pensar que falar sobre maternidade e paternidade responsável é o mesmo que rejeitar as famílias numerosas.

Menos de um mês atrás, falando às associações européias de famílias numerosas, foi o próprio Francisco que disse: “Em um mundo marcado pelo egoísmo, vocês são escola de solidariedade e partilha.”

O não às “famílias-coelhos”, de acordo com a expressão colorida do Papa, deve ser entendida como uma exortação, tanto mais eficaz pelo imediatismo da linguagem, à busca de um equilíbrio mais consciente no exercício da sexualidade conjugal,  que deverá ser sempre proporcional – como indicado por Paulo VI – aos processos biológicos, à atração erótica natural, às condições físicas, econômicas, psicológicas e sociais.

A palavra da Igreja não é um código a ser respeitado mediante sanções e ameaças, mas um convite à redescoberta de nossa humanidade mais autêntica, que é a verdade inscrita pelo Criador no fundo do coração. “Acompanhar os casais para que possam redescobrir esta verdade – observa ainda Don Gentili – significa retomar pelas mãos e sem moralismo aquela lei da gradualidade que João Paulo II havia indicado na Familiaris Consortio, e que infelizmente não tivemos a força e a capacidade de traduzir em prática pastoral».

Em outras palavras, de acordo com as indicações várias vezes enfatizadas por Francisco, isso significa tomar os casais pelas mãos sem julgar seu estado de vida, mas acolhendo o que existe de positivo em cada relacionamento entre homem e mulher baseado na  responsabilidade, planejamento e respeito mútuo.

Estamos realmente diante de uma reviravolta? “Basta reler o resultado das 47 perguntas do questionário distribuído tendo em vista o Sínodo Ordinário do próximo mês de Outubro – concluiu Don Gentile – para perceber que o caminho tomado tem um desenvolvimento racional. O que disse o Papa disse anteontem é a confirmação de um projeto que vai ajudar muitas famílias a reencontrar o caminho do Evangelho”.

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22 janeiro, 2015

About those “catholic-rabbits” criticized by the Pope.

I have been blessed with six children. Children I had by six C-sections. My C-sections were never because of convenience or fear of labor pains. Quite the contrary. I have always wanted to give birth naturally, but my firstborn went into fetal distress after 13 hours of labor. Meconium[1] and blood made his birth a medical emergency and the C-section inevitable to save his life. Thank God I gave birth in a time when the C-section is an option. Some decades before, and me and my boy would both be dead. Even though he had a very low initial APGAR[2], my firstborn recovered well and is a bright, family loving, good son.

Unfortunately, in Brazil, the practice of VBACs[3] is still very much discouraged. Down here, the saying goes “once a C-section, always a C-section”. And so, by no fault of my own, I had 6 C-sections. Even though I did not go through the pains of labor, I offered to God the post-surgery sufferings, which can be quite long and painful.

I‘ve had good and responsible doctors. Doctors who assured me I could go on having children despite the number of C-sections. I even know mothers who have more than a dozen children via C-section. Anyway, I was blessed 6 times. Seven, if I count a pregnancy that did not went ahead.

Every day, I face the curiosity, the disrespect, the jokes, the whispers and the comments by many people who think that, just because I have six children, they have the right to give their opinion on what is so sacred to me. I have way too many anecdotes. I have been stopped on the street walk and asked if “I did not care about the environment”. I have been laughed at dozens of times when asked if I did not have a TV at home (BTW, no! We do not, Thank God!), if I knew what caused pregnancies, if I did not have a hobby. And all that spoken inconveniently, without modesty, in front of my small children! I have been called ignorant, irresponsible. I’ve had to give financial explanations to strangers. Our family is frequently looked with disdain. Once, a doctor discretely suggested that I abort my 3rd child because it was somehow “dangerous”. My husband is always asked if his six children are from “the same wife”! Once, when we were outside under a pouring rain and in need of a cab, many taxi drivers went past us making signs with their hands meaning we were too many people. Too many people…. Can heaven be too crowded?

Anyway, we have always endured the criticism with a few compliments here and there. The compliments that exalt my so-called courage were never our support for the sacrifice of having many children. People’s opinions, either good or bad, are irrelevant. Our focus, my husband’s and mine, was always Our Lord. It was always to do God’s will. And to do God’s will in what is the very purpose of matrimony: the procreation of children. Despite the antichristian society. Despite the cost. Despite the world! And now, I am afraid to say, despite the Pope!

In all these years, and there goes 17 years of marriage, I have never heard the pearl the Bishop of Rome gave to the mothers of large families: rabbits! His Holiness was, and I say this with an aching heart, vulgar! Yes, vulgar! I would never dare to compare a catholic lady, wife and mother to an irrational animal. And a rabbit too! How would you think fathers would feel if compared to asses for working too much? Or poor people being called rats for not being dressed up? Or if people in a coma were called sloths? Shall I go on? The comparison is vulgar and denigrates the target of the criticism. It is disrespectful. It is, pure and simple, a lack of charity!

In addition, the Pope, he who should confirm our Faith, he who should support us, defend us, just threw mothers and fathers of large families to the lions! My husband just tells me that tomorrow at work he will be questioned about the Pope’s words. Evidently, the neocons, the type of Catholic who appears so clever, so obedient, so faithful, even though so coward and so full of human respect, they will defend the His Holiness’ words with some mental gymnastics saying the media distorted his words, that they put out of context what he said, that he said “rabbits” in the best possible way. They might even say that yes, those mothers of many children are indeed irresponsible. And they will feel so clever, so obedient, so faithful!

Notwithstanding, me, my husband and my six children will not defend him. We will defend what the Church has always taught. I will never perform intellectual pirouettes to publicly excuse Peter whenever he assaults what has been always true and holy! I rather look up to heaven than to bury my head in the sand.

In one of his comments, he even gave the dubious number experts defend is the ideal number per Family: 3. He also said the Church gives “many licit ways to limit procreation”. He used the example of a mother who is pregnant with her 8th child, having had 7 previous C-sections before that. She would be irresponsible. “Does she want to leave 7 orphans”? , asked the Pope. What does he suggest now that the child is already in the belly? Am I the only one who sees the very dangerous implications of the Bishop of Rome’s words? His Holiness does not know what he has done. He threw us to the lions of UN, of the NOW, of the Masons. Those lions, you know?!, that walk around us looking for someone to devour….

But I have something to say to the many mothers of large families (many friends of mine, from our Chapel, in which blessed pews the many families of 3,4,5,6,7,10 children barely fit!), to the mothers who are discriminated for having had multiple C-sections, to the mothers who keep on having children despite the opinions of family members, of society and, unfortunately, of liberal sectors of the Church: “Let us run to embrace the cross! So many Christian women were given to the lions to be martyred. Let us not run from the cross! Ahead! Let us fill this Earth with holy priests and Christian parents andfill heavenwith many saints”. Heaven is the prize, said Saint Therese.

And let us pray for the Pope. He knows not what he’s done.

In Christ,

Patricia Medina

* * *

[1]Meconium is the earliest stool of a mammalian infant.Meconium is normally retained in the infant’s bowel until after birth, but sometimes it is expelled into the amniotic fluid (also called “amniotic liquor”) prior to birth or during labor and delivery. The stained amniotic fluid (called “meconium liquor” or “meconium stained liquor”) is recognised by medical staff as a sign of fetal distress, and puts the neonate at risk of meconium aspiration. Medical staff may aspirate the meconium from the nose and mouth of a newborn immediately after delivery in the event the baby shows signs of respiratory distress to decrease the risk of meconium aspiration syndrome.

[2]The Apgar score, the very first test given to a newborn, occurs in the delivery or birthing room right after the baby’s birth. The test was designed to quickly evaluate a newborn’s physical condition and to see if there’s an immediate need for extra medical or emergency care.

[3] Vaginal Birth After C-section

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21 janeiro, 2015

A propósito dos católicos coelhos criticados pelo papa.

Artigo primoroso de nossa querida amiga e colaboradora Patrícia Medina publicado pela Capela Santa Maria das Vitórias.

Fui abençoada com 6 filhos. Filhos que tive por 6 partos cesáreas. Meus partos cesáreas nunca foram por comodidade ou por medo da dor do parto natural. Pelo contrário. Sempre desejei dar à luz naturalmente, mas meu primeiro filho entrou em sofrimento fetal após 13 horas de trabalho de parto. Mecônio[i] e sangue fizeram com que o nascimento dele fosse uma emergência médica e a cesariana, inevitável para salvar a vida dele. Graças a Deus dei à luz num tempo onde a cirurgia cesariana foi uma opção. Apenas algumas décadas antes, estaríamos mortos, eu e meu filho. Apesar de um APGAR[ii] inicial bastante baixo, meu primogênito se recuperou e hoje é um rapaz inteligente, caseiro, bom filho.

Infelizmente, no Brasil, a prática médica do VBAC[iii] ainda é desencorajada. Nestas terras tupiniquins ainda reza o refrão: “Uma vez cesárea, sempre cesárea”. E assim, sem qualquer culpa da minha parte, tive 6 partos cesáreas. Apesar de não ter tido a dor natural do parto, ofereci a Deus o sofrimento do pós-parto, que pode ser bastante longo e doloroso.

Tive médicos bons e responsáveis. Médicos que me asseguraram que eu poderia continuar a ter filhos, apesar do número de cesáreas. Conheço mesmo mães que têm mais de uma dezena de filhos por esta via. Enfim, fui abençoada seis vezes. Sete, se contar uma gestação que não foi adiante.

Enfrento, diariamente, a curiosidade, o desrespeito, as gozações, os cochichos e os comentários de tanta gente que, só pelo fato de eu ter 6 filhos, acham que têm o direito adquirido de dar a sua opinião a respeito daquilo que é tão sagrado para mim! Tenho anedotas de sobra! Já fui parada na rua e perguntada se eu “não me importava com o meio ambiente”. Já riram de mim, dezenas de vezes, ao perguntar se eu não tinha televisão em casa (a propósito, não! Não temos! Graças a Deus!), se eu sabia o que causava a gravidez, se eu não tinha algum hobbie. E tudo isso, falado inconvenientemente, sem pudor, na frente dos meus filhos pequenos! Já ouvi que sou ignorante, que sou irresponsável, já tive que dar explicações financeiras a estranhos, nossa família é frequentemente olhada com desdém. Já tive um médico que sugeriu, discretamente, que eu abortasse minha terceira filha por ser “perigoso”. Perguntam sempre ao meu marido se os 6 filhos dele são “da mesma mulher”! Certa vez, quando estávamos debaixo de chuva com bebê de colo e precisando de um táxi, muitos taxistas passavam com seus carros vazios e nos faziam sinal com as mãos, gesticulando que éramos gente demais. Gente demais… Pode o céu ser povoado demais?

Enfim, sempre aguentamos as críticas, eventualmente intercaladas com algum elogio aqui e ali. Os elogios que exaltam a minha suposta coragem nunca foram o nosso apoio para o sacrifício de ter muitos filhos. A opinião das pessoas, sejam elogiosas ou desabonadoras, são irrelevantes. Nosso foco, meu e do meu marido, sempre foi Nosso Senhor. Sempre foi fazer a vontade de Deus. E fazer a vontade de Deus na finalidade própria do matrimônio: a procriação dos filhos. Apesar da sociedade anticristã. Apesar do custo. Apesar do mundo! E agora, temo dizer: apesar do Papa!

Nesses anos todos, e lá se vão 17 anos de casamento, nunca tinha escutado a pérola que o Bispo de Roma dirigiu às mães de famílias numerosas: coelhas! Sua Santidade foi, e digo isso com dor no coração, vulgar! Sim, vulgar! Jamais ousaria comparar uma senhora, esposa e mãe católica, a um animal irracional. E a um coelho! Pense na reação de pais de família se porventura fossem comparados a asnos, por trabalharem demais. Ou se pobres, moradores de rua, fossem chamados de ratos por viverem maltrapilhos. Ou se se comparassem pacientes em coma a bichos preguiça? Preciso continuar? A comparação é vulgar e denigre o alvo das críticas. É um desrespeito. É, pura e simplesmente, falta de caridade!

Além disso, o Papa, aquele que deveria nos confirmar na fé, aquele que deveria nos apoiar, nos defender, acabou de jogar as mães e pais de famílias numerosas aos leões! Meu marido acaba de me falar que amanhã, no trabalho, vão lhe questionar sobre as palavras do Papa. Evidentemente, os neoconservadores, aquele tipo de católico aparentemente esclarecidíssimo, obedientíssimo, fidelíssimo, porém covarde e cheio de respeito humano, vão defender as palavras de Sua Santidade com alguma ginástica mental afirmando que a mídia distorceu suas palavras, que tiraram de contexto o que ele disse, que ele disse “coelhas” no melhor sentido possível. Talvez digam que sim, são irresponsáveis as mulheres que tem muitos filhos. E se sentirão obedientíssimos, fidelíssimos, esclarecidíssimos!

No entanto, eu, meu marido, meus 6 filhos, não vamos defendê-lo. Vamos defender aquilo que a Igreja sempre ensinou. Jamais darei piruetas intelectuais para desculpar publicamente Pedro quando ele agredir aquilo que sempre foi verdadeiro e santo! Prefiro olhar pro céu a enfiar a minha cabeça num buraco!

Num dos comentários, ele ainda citou a cifra duvidosa de especialistas que afirmaria que o ideal é “3 por família”. Disse ainda que a Igreja dá muitos “meios lícitos para limitar a procriação”. Usou o exemplo de uma mãe que está grávida do 8º filho, tendo tido 7 cesáreas. Ela seria irresponsável. ”Ela quer deixar os 7 filhos órfãos?”, perguntou o Papa. O que ele sugere agora que o filho já está na barriga? Só eu vejo as implicações dessa fala perigosa do Bispo de Roma? Sua Santidade não sabe o que fez. Nos jogou aos leões da ONU, na NOM, da maçonaria. Aqueles, sabem?!, que nos rodeiam procurando nos devorar…

Mas tenho algo a dizer às tantas mães de famílias numerosas (muitas amigas minhas, companheiras da Capela, cujos abençoados bancos mal comportam tantas famílias com 3, 4, 5, 6, 7, 10 filhos!), às mães discriminadas por terem tido partos cesáreas múltiplos, às mães que têm filhos apesar da contestação da família, da sociedade e, lamentavelmente, de setores liberais da Igreja: “Corramos ao abraço da cruz! Tantas mulheres cristãs foram entregues aos leões. Não sejamos nós a fugir da cruz! Adiante! Povoemos esta terra com santos sacerdotes, pais e mães de família cristãs, e o céu com santos”. O céu é o prêmio, já dizia santa Teresinha.

E rezemos pelo Papa. Ele não sabe o que fez.

Em Cristo,

Patricia Medina

* * *

[i] Mecônio é um material fecal de cor esverdeada bastante escura, produzida pelo feto e normalmente é expelida nas primeiras 12 horas após o nascimento. Às vezes, o mecônio é expelido antes do parto, colorindo o líquido amniótico que normalmente é de cor clara. Esse fenômeno é anormal e pode indicar sofrimento fetal. Há um risco de que o bebê inale este líquido chamado líquido meconial, o que pode causar crise respiratória por obstrução e inflamação de suas vias aéreas. Esse risco é evitado desobstruindo-se por aspiração as vias aéreas do recém-nascido imediatamente após o nascimento.

[ii] A Escala ou Índice de Apgar é um teste desenvolvido pela Dra. Virginia Apgar, médica norte-americana, que consiste na avaliação de 5 sinais objetivos do recém-nascido no primeiro, no quinto e no décimo minuto após o nascimento, atribuindo-se a cada um dos sinais uma pontuação de 0 a 2, sendo utilizado para avaliar as condições dos recém-nascidos. Os sinais avaliados são:frequência cardíaca, respiração, tónus muscular, irritabilidade reflexa e cor da pele. O somatório da pontuação (no mínimo zero e no máximo dez) resultará no Índice de Apgar e o recém-nascido será classificado como sem asfixia (Apgar 8 a 10), com asfixia leve (Apgar 5 a 7), com asfixia moderada (Apgar 3 a 4) e com asfixia grave: Apgar 0 a 2.

[iii] Vaginal birth after Caesarean section (VBAC) – Parto Vaginal Após Cesariana

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20 janeiro, 2015

De Francisco, coelhos e irresponsabilidades. A íntegra do que disse o Papa.

Palavras do Papa Francisco em entrevista coletiva no vôo que o trazia de volta de Manila para Roma:

O que eu quero dizer sobre Paulo VI é que a verdadeira abertura à vida é condição para o sacramento do matrimônio. Um homem não pode dar o sacramento para a mulher, e a mulher dar para ele, se eles não estão em concordância neste ponto de estarem abertos à vida. A ponto de, se puder ser provado que este ou aquele se casou com a intenção de não estar aberto à vida, o matrimônio é nulo. É causa de nulidade do casamento, não? Abertura à vida, não?

Paulo VI estudou isso, com a comissão, como ajudar os muitos casos, muitos problemas. São problemas importantes, que dizem respeito mesmo ao amor na família, certo? Os problemas do dia a dia – tantos deles.

Mas havia algo mais. A recusa de Paulo VI não foi somente aos problemas pessoais, para os quais ele dirá aos confessores para serem misericordiosos e entenderem a situação e perdoarem. Serem compreensivos e misericordiosos, não? Mas ele estava observando o neo-malthusianismo que estava em curso. E como se chama este neo-malthusianismo? Há uma taxa de crescimento de menos de 1% na Itália. O mesmo na Espanha. Este neo-malthusianismo que quis controlar a humanidade por parte dos poderes.

Isso não quer dizer que o cristão deve fazer filhos “em série”. Conheci uma mulher há alguns meses numa paróquia que estava grávida de sua oitava criança, que tinha tido sete cesárias. Mas ela quer deixar 7 filhos órfãos? Isso é tentar a Deus. Eu falo de paternidade responsável. Este é o caminho, uma paternidade responsável.

Mas o que eu queria dizer era que Paulo VI não era muito antiquado, mente fechada. Não, ele era um profeta que com isso nos disse para tomarmos cuidado com o neo-malthusianismo que vem chegando. Era isso o que eu queria dizer.

[…]

Eu acho que o número de 3 filhos por família que você mencionou – me faz sofrer – eu acho que é o número que os especialistas dizem ser importante para manter a população “indo”. Três por casal. Quando isso diminuiu, o outro extremo acontece, como o que está acontecendo na Itália. Ouvi dizer, não sei se é verdade, que em 2024 não haverá dinheiro para pagar pensionistas por causa da queda na população. Assim, a palavra-chave, para lhe dar uma resposta, e a que a Igreja usa o tempo todo, e eu também, é paternidade responsável. Como fazemos isso? Com diálogo. Cada pessoa com seu pároco procure como levar a cabo uma paternidade responsável.

Aquele exemplo que eu mencionei antes sobre aquela mulher que estava esperando sua 8ª criança e que já tinha tido sete que haviam nascido por cesárea. Esta é uma irresponsabilidade. Aquela mulher pode dizer: “Não, eu confio em Deus”. Mas, olhe, Deus deu os meios para ser responsável. Alguns acham que — perdoe a expressão – para sermos bons católicos, temos que ser como coelhos. Não. Paternidade responsável. Isso é claro e é por isso que existem grupos de casais na Igreja, que existem especialistas nesta questão, que existem pastores que se pode procurar; e eu conheço tantos meios que são lícitos e que ajudam nisso. Você fez bem em me perguntar isso.

Outra coisa curiosa em relação a isso é que para a maioria das pessoas pobres, uma criança é um tesouro. É verdade que você deve ser prudente aqui também, mas para eles é um tesouro. Alguns diriam ‘Deus sabe como me ajudar’ e talvez alguns deles não são prudentes, é verdade. Paternidade responsável, mas olhemos também para a generosidade daquele pai e daquela mãe que veem um tesouro em cada criança.

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13 janeiro, 2015

Fraternidades de Sacerdotes em apoio ao matrimônio.

Ao concluir a segunda conferência internacional das Fraternidades do Clero Católico (grupos de sacerdotes de língüa inglesa que provêm de diversas dioceses do mundo), foi publicada uma declaração em defesa do matrimônio. A reunião, da qual participaram os cardeais Pell, Amato, Burke e o Arcebispo Di Noia, ocorreu em Roma, de 5 a 9 de janeiro.

Por Lnbq/InfoCatólica | Tradução: Fratres in Unum.com: « As Fraternidades Sacerdotais procedentes da Áustralia, Grã-Bretanha, Irlanda e Estados Unidos (…) afirmam a importância de se manter a disciplina tradicional da Igreja sobre a recepção dos sacramentos, e que a doutrina e a pastoral devem permanecer firme e inseparavelmente em harmonia ».

Na declaração final, fruto da reflexão das confraternidades e contribuição ao debate sinodal, é enfatizada também a “fidelidade indestrutível” ao ensinamento tradicional sobre o matrimônio e o verdadeiro significado da sexualidade humana «como proclamado na Palavra de Deus» e mantido «claramente no Magistério Ordinário e Universal da Igreja».

Essas fraternidades, que reúnem cerca de 1000 sacerdotes no mundo, mostram assim que estão bem arraigadas na fé e no magistério da Igreja, «dedicando-se a trabalhar para apresentar novamente a boa nova do matrimônio e da vida familiar em toda a sua plenitude e ajudar, com a compaixão do Senhor, aos que lutam para seguir o Evangelho em uma sociedade secular».

As intervenções dos cardeais foram muito acompanhadas pelos participantes do encontro romano. O Cardeal Amato falou da importância de que os sacerdotes se saibam identificar como filhos da Igreja, Pell enfatizou o papel da missão na relação com a necessidade de um claro e inequívoco testemunho de Cristo, enquanto que o Arcebispo Di Noia evidenciou a natureza e a missão específica do sacerdócio. O Cardeal Burke, na homilia da Santa Missa celebrada em São Pedro, ressaltou que «é necessário lutar todos os dias» tendo em conta os tempos «terrivelmente difíceis nos quais vivemos». A força para enfrentar os numerosos desafios, disse o cardeal patrono da Ordem de Malta, «provém exclusivamente da Santa Eucaristia, de nossa união com Cristo no sacrifício eucarístico».

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27 dezembro, 2014

Cardeal Burke: “Estou muito preocupado”.

Por Jean-Marie Guénois – Le Figaro / Tradução: Dominus Est: Nomeado por Bento XVI como prefeito do supremo tribunal da Assinatura Apostólica, um dicastério da cúria romana, o cardeal americano Raymond Burke foi retirado dessa missão por Francisco, e nomeado capelão da ordem de Malta. Fato raríssimo na Igreja, ele ousou criticar publicamente o método seguido pelo papa durante o sínodo sobre a família.

Le Figaro Magazine: Um cardeal pode discordar do papa?

Cardeal Burke: Certamente é possível a um cardeal discordar do papa sobre questões de procedimento ou de linha pastoral. Mas, por outro lado, é impossível divergir sobre uma questão doutrinal e de disciplina da Igreja. Assim, isso significa que um cardeal, em certas situações, tem o dever de dizer o que ele pensa de verdade ao papa. Certamente, ele deve sempre se expressar de modo respeitoso, pois o papa representa a cátedra petrina. Mas se o papa dispõe de cardeais em torno dele, é precisamente para lhe dar conselhos.

Le Figaro Magazine: As divergências constatadas durante o sínodo sobre a família tomaram demasiada importância? 

Cardeal Burke: O que é estranho nessa questão dos divorciados recasados é que aqueles que recordaram e sustentaram o que a Igreja latina sempre ensinou foram acusados de serem contra o Santo Padre e não estarem em harmonia com a Igreja… Isso é um cúmulo! Dito isso, a Igreja sempre conheceu disputas teológicas e fortes confrontos onde os teólogos e cardeais foram levados a dar sua opinião. Logo, se publiquei com outros cardeais um estudo sobre esse tema para expressar minha posição, foi no espírito de alimentar uma verdadeira discussão teológica e chegar à verdade.

Le Figaro Magazine: O senhor ficou chocado com o que ocorreu no sínodo?

Cardeal Burke: O sínodo foi uma experiência difícil. Houve uma linha, a do cardeal Kasper, poder-se-ia dizer, atrás da qual se colocaram aqueles que tinham em mãos a direção do sínodo. De fato, o documento intermediário parecia já ter sido escrito antes das intervenções dos padres sinodais! E segundo uma linha única, em favor da posição do cardeal Kasper… Também introduziram a questão homossexual, que não tem nada a ver com a questão do matrimônio, buscando aí elementos positivos. Outro ponto muito perturbador: o texto intermediário não fazia referência nem às Escrituras, nem à tradição da Igreja, nem ao ensinamento de João Paulo II sobre o amor conjugal. Logo, foi muito desconcertante. Assim como o fato de ter mantido, no relatório final, certos parágrafos sobre a homossexualidade e sobre os divorciados recasados que não foram, todavia, adotados pela maioria requerida pelos bispos [nota do Fratres: este último ponto, por decisão pessoal de Francisco].

Le Figaro Magazine: Qual é a questão do que se tornou uma polêmica?

Cardeal Burke: Numa época cheia de confusão, como se vê com a teoria do gênero, necessitamos do ensino da Igreja sobre o matrimônio. Ora, somos, ao contrário, levados numa  direção que visa admitir pessoas divorciadas e recasadas à comunhão. Sem contar essa obsessão em reduzir os processos de anulação do laço do matrimônio [nota do Fratres: novamente, exigência pessoal de Francisco, que criou uma comissão especificamente para estudar tal possibilidade, ainda quando Burke era prefeito da Signatura Apostólica — deixando-o de fora, obviamente]. Tudo isso vai conduzir de fato a um tipo de “divórcio católico” e ao enfraquecimento da indissolubilidade do matrimônio, cujo princípio é, todavia, reafirmado. Contudo, a Igreja deve defender o matrimônio, não enfraquecê-lo. A indissolubilidade do matrimônio não é uma penitência nem um sofrimento. É uma grande beleza para aqueles que o vivem, é uma fonte de alegria. Logo, estou muito preocupado, e chamo os católicos, os leigos, sacerdotes e bispos a se comprometerem, daqui até a próxima assembleia sinodal, a fim de realçar a verdade sobre o matrimônio.