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22 abril, 2014

O exemplo da Suécia.

Um país totalmente contaminado pela ideologia de gênero

Por Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz

O Projeto de Lei 8035/2010, que aprova o Plano Nacional de Educação (PNE) para o decênio 2011-2020, trazia termos próprios da ideologia de gênero: “igualdade de gênero e de orientação sexual”, “preconceito e discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero”. O Senado Federal, porém, em dezembro de 2013, aprovou um substitutivo (PLC 103/2012) que eliminou toda essa linguagem ideológica. De volta à Câmara, o projeto agora enfrenta a fúria dos deputados do PT e seus aliados, que pretendem reintroduzir o “gênero” no PNE, a fim de dar uma base legal à ideologia que o governo já vem ensinando nas escolas. O relator Angelo Vanhoni (PT/PR) emitiu em 09/04/2014 um parecer pela rejeição do inciso III do artigo 2º do Substitutivo do Senado Federal (sem “gênero”) e pelo retorno, em seu lugar, do inciso III do artigo 2º do texto da Câmara dos Deputados (com “gênero”).

Nem todos compreendem a importância e a extensão do problema. A vitória da ideologia de gênero significaria a permissão de toda perversão sexual (incluindo o incesto e a pedofilia), a incriminação de qualquer oposição ao homossexualismo (crime de “homofobia”), a perda do controle dos pais sobre a educação dos filhos, a extinção da família e a transformação da sociedade em uma massa informe, apta a ser dominada por regimes totalitários.

Alguns Bispos já alertaram a população para o perigo: Dom Orani Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)[1], Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo de Frederico Westphalen (RS), Dom Antônio Fernando Saburido, Arcebispo de Olinda e Recife (PE), Dom Paulo Mendes Peixoto, Arcebispo de Uberaba (MG), Dom José Benedito Simão, Bispo de Assis (SP) e Dom Fernando Rifan, Bispo da Administração Apostólica São João Maria Vianey.

Se quisermos, porém, ver o que é um país dominado pela ideologia de gênero, basta olharmos para a Suécia.

Pais isolados das crianças

Os dados a seguir foram extraídos de uma entrevista feita em 2011 pelo portal LifeSiteNews a Jonas Himmelstrand[2], um experiente educador sueco, autor do livro “Seguindo seu coração: na utopia social da Suécia”[3], publicado em 2007 e ainda pendente de tradução.

Na Suécia, as crianças de um ano de idade são enviadas para as creches subsidiadas pelo Estado, onde permanecem desde a manhã até o entardecer. Enquanto isso, os pais ficam trabalhando fora do lar (a fim de arcarem com os elevados impostos cobrados), inclusive a mãe, pois a ideologia de gênero impede a mulher de ficar “trancada em casa e no fogão”, conforme uma expressão sueca. Num país de aproximadamente 100.000 nascimentos anuais, as estatísticas mostram que das crianças suecas entre 18 meses e 5 anos de idade, 92% estão nas creches.

Você não é forçado a fazer isso… propaganda é uma palavra forte”, diz Himmelstrand, “mas as informações sobre os benefícios das creches” vindas dos meios de comunicação e outras fontes “fazem os pais que mantêm seus filhos em casa até os 3 ou 4 anos de idade se sentirem socialmente marginalizados”.

Segundo Himmelstrand, “o problema central do modelo sueco é que ele está financeiramente e culturalmente obrigando os pais e as mães a deixar nas creches seus filhos a partir da idade de um ano, quer eles achem que isso é certo ou não”.

Crianças massificadas nas escolas

O currículo nacional da Suécia procura combater os “estereótipos” de gênero, ou seja, os “papéis” atribuídos pela sociedade a cada sexo. A escola “Egalia”[4], do distrito de Sodermalm, em Estocolmo, evita o uso dos pronomes “ele” (han) ou “ela” (hon) quando se dirige aos mais de trinta meninos e meninas que lá estudam, com idade de um a seis anos. Em vez disso, usa-se a palavra sexualmente neutra “hen”, um termo inventado que não existe em sueco, mas que é amplamente usado por feministas e homossexuais. A escola contratou um “pedagogo de gênero” para ajudar os professores a removerem todas as referências masculinas ou femininas na linguagem e no comportamento. Os blocos Lego e outros brinquedos de montar são mantidos próximos aos brinquedos de cozinha, a fim de evitar que seja dada qualquer preferência a um “papel” sexual. Os tradicionais livros infantis são substituídos por outros que tratam de duplas homossexuais, mães solteiras, crianças adotadas e ensinam “novas maneiras de brincar”. Jenny Johnsson, uma professora da escola, afirma: “a sociedade espera que as meninas sejam femininas, delicadas e bonitas e que os meninos sejam masculinos, duros e expansivos. Egalia lhes dá uma oportunidade fantástica para que eles sejam qualquer coisa que queiram ser”.

“Educação sexual”

Nas creches e escolas, totalmente fora do controle dos pais, as crianças são submetidas a uma “educação sexual”. Johan Lundell, secretário geral do grupo sueco pró-vida “Ja till Livet” (Sim à vida) explica que se ensina às crianças que tudo que lhes traz prazer é válido[5]. Os professores são orientados a perguntar aos alunos: “o que te excita?”. Segundo Lundell, o homossexualismo foi tão amplamente aceito pelos suecos, que “nos livros de educação sexual, eles não falam em alguém ser heterossexual ou homossexual. Tais coisas não existem, pois para eles todos são bissexuais; é apenas uma questão de escolha”.

Lundell cita uma cartilha publicada por associações homossexuais e impressa com o auxílio financeiro do Estado: “Eles escrevem de maneira positiva sobre todos os tipos de sexualidade, qualquer tipo, mesmo os mais depravados atos sexuais, e essa cartilha entra em todas as escolas”.

Perseguição estatal

Na esteira da ideologia de gênero, a Suécia aprovou uma lei de “crimes de ódio” que proíbe críticas à conduta homossexual. Em julho de 2004, o pastor pentecostal Ake Green foi condenado a um mês de prisão por ter feito um sermão qualificando o homossexualismo como “um tumor canceroso anormal e horrível no corpo da sociedade”[6].

Os pais são proibidos de aplicar qualquer castigo físico aos filhos, mesmo os mais moderados. Em 30 de novembro de 2010, um tribunal de um distrito da Suécia condenou um casal a nove meses de prisão e ao pagamento de uma multa equivalente a R$ 23.800,00. O motivo foi que os pais admitiram que batiam em três de seus quatro filhos como parte normal de seus métodos de educação. Embora os documentos apresentados não relatassem nenhum tipo de abuso e o próprio tribunal admitisse que os pais “tinham um relacionamento de amor e cuidado com seus filhos”, as crianças foram afastadas da família e enviadas para um orfanato estatal[7].

Em junho de 2009, o governo sueco tomou do casal Christer e Annie Johansson o seu filho Dominic Johansson, depois que a família embarcou em um avião para se mudar para o país de origem de Annie, a Índia. O motivo alegado é que o casal, em vez de enviar seu filho para as escolas estatais, havia resolvido educá-lo em casa, uma prática conhecida como “home schooling” (escola em casa), amplamente praticada nos Estados Unidos e outros países, com excelentes resultados pedagógicos. As autoridades suecas, porém, decidiram remover permanentemente Dominic de seus pais, alegando que o ensino domiciliar não é um meio apropriado para educar uma criança[8].

Aborto

Entre 2000 e 2010, quando o resto da Europa estava dando sinais de uma redução da taxa anual de abortos, o governo sueco divulgou que a taxa tinha aumentado de 30.980 para 37.693. A proporção de abortos repetitivos cresceu de 38,1% para 40,4%. – o mais alto nível já atingido – enquanto o número de mulheres que tinha ao menos quatro abortos prévios cresceu de 521 para aproximadamente 750. A Suécia é o único país da Europa em que o aborto é permitido por simples pedido da gestante até 18 semanas de gestação. Menores de idade podem fazer aborto sem o consentimento dos pais e os médicos não têm direito à objeção de consciência[9].

Decadência social

Segundo Himmelstrand, tudo na Suécia dá sinais de decadência: adultos com problemas de saúde relacionados com “stress”, jovens com declínio na saúde psicológica e nos resultados escolares, grande número de pessoas com licença médica e a incapacidade dos pais de se conectarem com seus filhos[10].

Para Lundell, a Suécia quis criar um “socialismo de famílias” por meio de uma “engenharia social”[11]. Os frutos são patentes: casamentos em baixa, divórcios em alta, a família assediada e oprimida pelo totalitarismo estatal.

Convém olhar para o exemplo sueco antes de se votar a reintrodução da ideologia de gênero no PNE. É a própria família brasileira que está em perigo.

Ligue para o Disque Câmara 0800 619 619 – Tecle “9”

Desejo enviar uma mensagem aos membros da Comissão que votará o Plano Nacional de Educação (PL 8035/2010).

Solicito a Vossa Excelência que vote pela rejeição do parecer do relator e pelo retorno ao substitutivo do Senado, que elimina do texto a ideologia de gênero. A família brasileira agradece.

Anápolis, 21 de abril de 2014

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Presidente do Pró-Vida de Anápolis


[1] Reflexões sobre a ‘ideologia de gênero’, 25 mar. 2014, emhttp://arqrio.org/formacao/detalhes/386/reflexoes-sobre-a-ideologia-de-genero.

[2] http://www.lifesitenews.com/news/sweden-a-warning-against-overzealous-state-family-policies/

[3] http://www.jhmentor.com/eng_follow_heart.html

[4] http://www.lifesitenews.com/news/gender-madness-swedish-pre-school-bans-him-and-her

[5] http://www.zenit.org/en/articles/secularism-in-sweden

[6] http://www.lifesitenews.com/news/archive//ldn/2004/jul/04070505

[7] http://www.lifesitenews.com/news/swedish-parents-jailed-for-spanking-children-seized/

[8] http://www.lifesitenews.com/news/archive//ldn/2009/dec/09122304

[9] http://www.zenit.org/en/articles/secularism-in-sweden

[10] http://www.lifesitenews.com/news/sweden-a-warning-against-overzealous-state-family-policies/

[11] http://www.zenit.org/en/articles/secularism-in-sweden

12 abril, 2014

Prossegue a batalha pela família – II.

Novo adiamento da votação do Plano Nacional de Educação na Câmara dos Deputados. A sessão foi tensa, pesada, difícil, um verdadeiro combate espiritual.

Por Hermes Rodrigues Nery | Fratres in Unum.com - Ainda na manhã da terça-feira (8), na Comissão de Constituição e Justiça, enquanto aguardávamos a liberação do plenário para o início da sessão de votação do Plano Nacional de Educação (PNE), o deputado petista Molon (relator na Câmara, do Marco Civil da Internet), segurou o braço do deputado Marcos Rogério, dizendo num tom meio ameaçador: “Me queira bem, deputado!, não colida comigo, divirja em alguma outra questão muito pontual e raramente, mas não colida, me queira bem!” Marcos Rogério não se intimidou com isso e continuou firme em sua posição contra a ideologia de gênero no PNE, não apenas com o uso da palavra, mas nos encaminhamentos de requerimentos que se faziam necessários.

8 de abril de 2014: Providas defendem a Lei Natural na Câmara

8 de abril de 2014: Providas defendem a Lei Natural na Câmara

O fato é que o ambiente naquele dia estava muito carregado, nunca havia sentido um ar tão pesado a prenunciar uma sessão muito tensa. O plenário estava cheio de deputados e assessores, e o pessoal da UNE foi chegando e tomando os lugares, em vários pontos. Pe. Pedro Stepien chegara cedo também, e fazia a leitura do seu breviário. Estávamos próximos da fileira permitida pelos seguranças, e o pessoal da UNE encostou-se quase colado a nós. Um brucutu deles ficou praticamente encostado comigo, de costas, enquanto ficamos aguardando acabar a sessão que estava transcorrendo, já passava das treze horas, para que pudesse começar a da votação do PNE.

Vieram nos dizer que o Presidente da Câmara dos Deputados já estava na Casa e aguardando dar quorum para começar a sessão no grande plenário e, se isso ocorresse, cessariam as sessões deliberativas nas Comissões, adiando mais uma vez a votação do PNE. Outra desinformação lançada foi a de que talvez a sessão não ocorreria mais no plenário 1, onde estávamos, mas no 2, ao lado; ao que muitos provida foram para lá, abrindo mais campo para o pessoal da UNE ir adensando volume no plenário 1. Continuamos, no entanto, no mesmo lugar, no aguardo de poder ocupar os assentos, com as nossas faixas, espaço aquele também disputado pelo pessoal da UNE, que queria ficar também bem perto dos deputados, para na hora da votação, exibir suas faixas e poder soltar seus gritos de guerra.

E aos poucos, o brucutu ia falando no seu celular e mais gente da UNE ia entrando, enquanto os provida ficaram lá fora, alguns no plenário 2, aguardando. Foi quando vieram nos dizer que o segurança avisou que éramos para deixar a sala, pois que assim que acabasse a sessão, ele fecharia as portas, e reabriria somente às 14h30, para o início da votação do PNE, como fizeram na sessão anterior. Intuímos que aquilo era um blefe, mas para não desatender o que o segurança solicitara, deixamos a sala, e ficamos no aguardo logo na entrada. Mas o pessoal da UNE não saiu, pelo contrário, não demorou muito para encherem o plenário, ocuparem quase todos os lugares, quando outro segurança, meia hora depois, questionado se a sala seria fechada, disse que não precisaria fechar, porque a sessão estava para começar. Quando questionado que haviam solicitado aos provida saírem, porque fechariam a sala, conforme feito da outra vez, o segurança respondeu que iriam fechar, mas que a sessão já começaria e não haveria necessidade mais daquele procedimento.

Os deputados já estavam na mesa, o Presidente, o relator e os demais, e quando a sessão começou, os provida entraram e se espalharam pelas laterais, uns aqui, outro ali, com o plenário já quase inteiramente tomado pelo pessoal da UNE. Muito rapidamente alguns conseguiram ainda assentos no meio deles, e não foi possível, dessa vez, ficarmos mais agrupados, daí que, ao menos no início da sessão, a UNE estava com mais força para se manifestar. E assim que o Presidente abriu a sessão, eles interromperam com seus gritos de guerra por uma educação libertária e anárquica, livre da moral cristã.

"Por uma educação que promova os verdadeiros valores da família!"

“Por uma educação que promova os verdadeiros valores da família!”

Fiquei ao lado de uma das feministas da UNE, que erguia o seu cartaz cobrindo as nossas faixas, e querendo nos provocar. Do meu outro lado estava Paola, com uma faixa assim escrito: “Sou Mãe, eleitora, represento as mães e crianças. Digam não à ideologia de gênero”. Eu estava no meio das duas, quase exprimido também por outros, quando o pessoal da UNE interrompia a fala de algum deputado para novo grito de guerra, em furor descomunal. Comentei com Paola, ao meu lado, dizendo; “Temos que encontrar um grito nosso, agora, como resposta!” E então, todos os provida começaram a rezar a Ave-Maria, bem alto e em voz uníssona, o que cobriu o grito de guerra da UNE, e, em seguida, acalmaram um pouco as coisas. “Realmente fantástico, o poder da Ave-Maria“, comentei com ela.

“O Estado é laico, o corpo é meu”, gritavam, e do meu outro lado, uma feminista ostentando um cartaz pela educação pública e laica, e que abraçou com efusão a deputada comunista Alice Portugal. No meio deles, permanecia o valente Pe. Lodi, sempre de prontidão no campo de batalha. A evangélica Rosangela Justino erguia dois pequenos cartazes: “PNE sem ideologia de gênero e a orientação sexual” e ainda: “Os cristãos vão se lembrar de V. Excia. nas eleições”. O líder LGBT Toni Reis parou para discutir com a psicóloga Marisa Lobo. Também do outro lado, duas feministas tentavam jogar suas faixas cobrindo as que a liderança provida de Minas Gerais, Adrian Paz, empunhava, com apenas duas palavras: “Gênero, não!”. Alguns jovens provida conseguiram entrar mais para dentro do plenário e foram se juntando, mesmo em meio ao pessoal da UNE, e responderam aos gritos de guerra deles, dizendo também: Educação, sim! Gênero, não!

O interessante a ser observado é que ao conversar com alguns jovens da UNE, muitos quase não sabiam explicar bem porque estavam ali. No máximo respondiam com chavões e frases feitas, dizendo que defendiam 10% do PIB para a educação pública. Sobre as questões de gênero não sabiam do que se tratava, mas que eles eram contra o preconceito, o racismo e o fascismo. “Mandaram a gente vir aqui, mas não sabia que eles querem acabar com a família na rede de ensino“, respondeu outro, interessado em entender afinal do que se tratava a questão de gênero. Lembrei as palavras de João Paulo II: “Uma liberdade sem responsabilidade constitui-se a antítese do amor”. E mais, conforme Gratissimam Sane:

“No contexto da civilização da exploração, a mulher pode tornar-se para o homem um objeto, os filhos um obstáculo para os pais, a família uma instituição embaraçante para a liberdade dos membros que a compõe. Para convencer-se disso, basta examinar certos programas de educação sexual introduzidos nas escolas, não obstante o frequente parecer contrário e até os protestos de muitos pais; ou então, as tendências pró-abortivas que em vão procuram esconder-se atrás do chamado ‘direito de escolha’ (pro choice) por parte de ambos os cônjuges e particularmente por parte da mulher”.
Ao incluir a ideologia de gênero no Plano Nacional de Educação, querem dar legalidade a esta “nova antropologia” ou pseudo antropologia que quer impor às nossas crianças nas escolas a utopia do igualitarismo, cujo hedonismo conduz à inteira desumanização. Era possível, então, mesmo aos gritos de guerra e os pronunciamentos dos deputados, conversar com eles e esclarecer algumas dúvidas, ainda também dos deputados.
O valente Pe. Lodi, sempre de prontidão no campo de batalha

O valente Pe. Lodi, sempre de prontidão no campo de batalha

Realmente, havia uma mistura e uma confusão conceitual no discurso não apenas dos jovens da UNE, como também dos deputados que fizeram uso da palavra para debater o PNE, especialmente na sessão do dia anterior, quando houve mais de 40 inscritos para falar. Um deles, o deputado comunista Chico Lopes (PCdoB/CE), disse se orgulhar de, aos 74 anos de idade, ser marxista convicto e defender as bandeiras libertárias e emancipacionistas. Era preciso, segundo os deputados governistas, combater a discriminação, o preconceito e o fundamentalismo. Com isso, fugiam do cerne da questão, que é exatamente o apelo à não-discriminação como retórica para justificar a promoção de uma ideologia que nega a natureza humana, e quer estimular nas escolas, desde a mais tenra idade, o anarquismo sexual, discriminando, sim, os princípios e valores cristãos.

As falas dos deputados se estendiam, principalmente os da base governista, interrompidas às vezes por gritos de guerra de ambos os lados, bradando: “Vota, vota!” O relator propôs primeiro a votação do PNE por inteiro, depois os destaques. Mesmo assim, havia uma impressão de que interessavam protelar ao máximo o início da votação, certamente porque haveria uma incerteza em relação ao resultado, e o governo não queria se arriscar a perder naquela matéria. Talvez também pela pressão do pessoal da UNE, em peso lá, com seus agressivos gritos de guerra, fizeram o presidente evitar colocar em votação o quanto antes, pois que o problema seria a votação dos destaques, quando novamente viria à discussão e à deliberação a questão da ideologia de gênero no PNE. Talvez o relator Vanhoni quisesse mesmo postergar, para dar mais tempo ao governo de rearticular com os deputados e buscar uma forma de garantir a aprovação do seu relatório, mantida a inclusão da ideologia de gênero.

A turba da UNE em furor.

A turba da UNE em furor.

Tudo isso tornava a sessão carregada, tensa, pesada, difícil, um verdadeiro combate espiritual. Parecia haver forças malignas no ar, tal o esgotamento físico que se abateu, estávamos de pé o tempo todo, e indo para o lado da outra lateral da sala. A todo instante havia uma tensão de que algum membro da UNE fosse provocar ou se colidir com os jovens provida, enquanto não se avançava para a votação. E novos gritos de guerra emergiam, ensurdecedores, dos dois lados, com vozes já bastante enrouquecidas. E então, ocorreu o que temíamos. O Presidente já iria colocar em votação o PNE, mas ainda houve mais algumas colocações de questões de ordem e encaminhamentos regimentais. Enfim, e, de modo súbito, ele disse que teria de encerrar a sessão, porque o Presidente da Casa comunicou a todos que iria começar a sessão no grande plenário, pois já havia quorum. Feito isso, o regimento exigiu que os deputados da Comissão fossem para lá. E novamente, tanto o pessoal da UNE, quanto os provida se movimentaram pelo plenário com gritos de guerra e posicionamentos.

Em um dos gritos de guerra da UNE, assumiram que o que querem mesmo é implantar o comunismo em toda a América Latina, enquanto o deputado Jair Bolsonaro fez ecoar um sonoro e longo “Vão pra Cuba, vão pra Cuba!” Ainda assim, naquele momento final da sessão, com os ânimos exaltados, e todos misturados por ali, foi possível ver o furor da UNE, com ativistas dispostos a voltar na próxima sessão, marcada para 22 de abril. Ainda antes de sair, lembrei-me do que o deputado petista Molon disse a Marcos Rogério, ainda antes da sessão: “Me queira bem, deputado!, não colida comigo, divirja em alguma outra questão muito pontual e raramente, mas não colida, me queira bem!”
7 abril, 2014

“Recebei a luz de Cristo! A vós pais mães e padrinhos, se confia o encargo de velar por esta luz…” O batismo da filha de duas lésbicas foi realizado na Catedral de Córdoba, Argentina.

Por Secretum Meum Mihi - Sábado, 5 de abril de 2014| Tradução: Fratres in Unum.com – Ontem, 4 de abril de 2014, a ACI publicou um artigo baseado na entrevista do bispo de Córdoba, Argentina, Monsenhor Carlos Ñañez, em que explicava a situação do batismo que  duas lésbicas realizaram para a filha de uma delas na igreja catedral, 5 de abril de 2014.

- Ele enfatizou que o direito de batismo é da menina.

- O prelado desmente ter falado com as mulheres, como foi informado previamente. Esse ponto não é de todo claro, porque o par de mulheres afirmaram que falaram com Monsenhor Carlos Ñáñez.

- Ele também negou ter autorizado que recebessem a confirmação na catedral.

- Ele disse ter explicado o assunto ao cardeal Antonio Cañizares, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos. Assim o assunto “já é de conhecimento da Santa Sé”.

- Com relação à escolha da Presidente argentina como madrinha que garantisse a educação cristã da batizada, disse: “O pároco já tem as instruções de que ao menos um padrinho tem que comprometer-se em garantir a educação”.

- Lamentou a manipulação feita pelos meios de comunicação.

Isso basicamente, porém, pode-se ler a nota completa na fonte supracitada.

Isso foi ontem, porém hoje a menina, de nome Umma, foi batizada…

… Com ampla divulgação dos meios de comunicação, incluída a secretaria de comunicação da presidência argentina. Isso aconteceu porque a madrinha de facto é a presidente, que não assistiu ao batismo.

Que lindo que desde o princípio a madrinha mostre tanto interesse, desde agora se vê que está garantindo que cumprirá cabalmente seu papel de educação cristã de sua afilhada! E as “mães”? Pois bem, vamos celebrar! (imagens de La Voz Del Interior).

* * *

Nota do Fratres: Segundo o site Página 12,  as “mães” explicaram as razões do convite à presidente: “é uma maneira de dizer obrigado a ela e ao ex-presidente Néstor Kirchner por essa lei que nos deu direitos [ao casamento igualitário]” .

Mas a audácia não pára por aí: uma delas, Carina Villarroel, destacou a “mudança social que se deu no catolicismo ao dizer sim ao batismo de uma criança de família homoparental, de lésbicas”. E a companheira Soledad Ortiz disparou: “agora esperamos poder celebrar o nosso matrimônio pela igreja e vamos lutar por isso”.

Libera nos, Domine!

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4 abril, 2014

Prossegue a batalha pela família.

Por Hermes Rodrigues Nery | Fratres in Unum.com - O que era para ser votado no dia 19 de março (dia de São José) foi adiado para o dia 26 e, posteriormente, para 2 de abril. O deputado do PT, Angelo Vanhoni afirmava, naquele dia, que manteria a inclusão da ideologia de gênero no texto do Plano Nacional de Educação. Pouco depois do meio-dia, já nos concentramos na porta do plenário 1, onde ocorreria a reunião deliberativa, mas o segurança disse que a porta de vidro permaneceria fechada, algo incomum, e as várias pessoas que iam chegando, inclusive algumas mulheres idosas, teriam de ficar esperando a ordem de abertura.

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Havia, no interior da sala uma porta, do outro lado, por onde começaram a adentrar, um aqui, outro ali, em tempo espaçado, pessoas que foram ocupando os assentos mais estratégicos, o que provocou uma reação nossa, que estávamos do lado de fora, há mais de uma hora de pé, aguardando. E não houve quem atendesse o apelo para que pelo menos as pessoas idosas ali presentes pudessem entrar. O segurança disse que os que entravam pela outra porta eram assessores especiais e consultores.

A sala foi aberta às 14h30, quase em cima da hora de começar a sessão. E muitos lugares já estavam ocupados. Não foi possível, de imediato, como na sessão do dia 19, reunir um grupo expressivo pró-família, com os cartazes e faixas que expuseram aos deputados o perigo da inclusão da ideologia de gênero no PNE. O pessoal teve que dispersar nos poucos lugares disponíveis e nas laterais.

Mais uma vez a sessão começou com a sala cheia e um grupo de estudantes da UNE ficou em uma das laterais, enquanto o grupo de jovens de Brasília, pró-vida e pró-família, se espalhou pelos quatro cantos da sala.

O debate começou acalorado, quando o relator petista, defensor da ideologia de gênero, insistiu que manteria o texto original da Câmara (rechaçado pelo Senado), e foi refutado por vários deputados, dentre eles, de modo brilhante e preciso, pelo deputado Marcos Rogério, de Rondônia, apoiado pelos deputados Stefano Aguiar, Paulo Freire e outros. Marcos Rogério ressaltou: “Discriminação é crime no Brasil e deve ser punido na forma da lei. Agora, patrocinar a promoção de práticas como metas do Plano Nacional extrapola os objetivos centrais desse Plano Nacional”. Esse é o cerne da questão, quando o governo do PT quer disseminar na rede de ensino práticas de perversão e de anarquia sexual, de acordo com sua agenda e discurso igualitarista, cuja ideologia imposta pelo feminismo radical visa não apenas subverter, mas negar a própria natureza humana, fazendo do corpo a última trincheira a ser vencida para eliminar toda moralidade e justificar assim todas as transgressões, para que cada pessoa seja mais facilmente manipulada e vulnerável ao novo totalitarismo global.

Entre aplausos e vaias, o plenário se manifestava, com os grupos pró e contra a ideologia de gênero, que não ficaram restritos apenas a exibição das faixas e cartazes. O incansável Pe. Lodi da Cruz, permaneceu quase toda a sessão com o cartaz erguido: “Não à Ideologia de Gênero!”

Foi quando o deputado Jean Wyllys, ex-Big Brother da Globo, tumultuou a sessão com sua fala confusa sobre diversidade sexual e, na falta de argumentos sólidos, em que a própria antropologia reconhece a validade civilizacional da família monogâmica e heterossexual, apelou para os reducionismos adjetivantes, acusando os representantes pró-família lá presentes de fundamentalistas, retrógrados, obscurantistas, etc. E que aquelas faixas de exortação à ordem natural não lhe intimidava, pois continuaria a defender a sua posição ideológica anarcofeminista.  Quando evocou novamente o laicismo para condenar, com veemência, a presença de religiosos na sala, foi vaiado, vaiadíssimo. O que me lembrou a sessão de 7 de maio de 2008, quando houve a deliberação do PL 1135/91 (visando a legalização do aborto no Brasil) e vencemos por 33×0, e o militante petista, então deputado mensaleiro José Genoíno, fez a enfática defesa pró-aborto, também sendo vaiado. Mas os jovens pró-vida e pró-família de Brasília não deixaram que o deputado BBB atacasse a Igreja (que é sociedade civil e tem todo o direito constitucional de se manifestar), fazendo ressoar novamente extensa e sonora vaia.

Diante disso, o presidente da sessão (certo de que há maioria de votos para rechaçar a ideologia de gênero no PNE) preferiu conter os ânimos já bastante exaltados e, para surpresa de todos, de modo súbito, encerrou a sessão, cuja votação foi adiada para terça e quarta-feira próximas.
4 abril, 2014

Caindo no conto do gênero…

Entrevista com Pe. Dr. José Eduardo de Oliveira e Silva, Professor de Teologia Moral

Brasília, 04 de Abril de 2014 (Zenit.orgThácio Siqueira - O Brasil tem protagonizado nas últimas semanas a tentativa de implantação da ideologia do gênero por meio da Votação do Plano Nacional de Educação.

Nessa última quarta-feira houve a terceira tentativa de votação na câmara dos deputados, embora mais uma vez adiada, à causa, dessa vez, de bate-boca e provocação de deputados contra os manifestantes pró-vida e pró-família presentes na sala.

“Muitos têm desviado o foco do debate para temas que não pertencem ao âmbito da ideologia de gênero”, disse à ZENIT o Pe. José Eduardo de Oliveira e Silva, sacerdote da Diocese de Osasco – SP, pároco da Igreja São Domingos (Osasco), doutor em teologia pela Pontifícia Universidade Romana da Santa Cruz e professor de Teologia Moral.

Acompanhe a entrevista abaixo:

***

ZENIT: Temos visto nas últimas semanas um crescente debate sobre a questão de “gênero” no contexto do Plano Nacional de Educação. Como o sr. avalia estas discussões?

Pe. José Eduardo: Tenho acompanhado de perto os diferentes discursos e percebo que, embora a questão esteja cada dia mais clara, muitos têm desviado o foco do debate para temas que não pertencem ao âmbito da ideologia de gênero, talvez até como um recurso para não enfrentarem um tema tão absurdo. Trata-se de um deslocamento para sabotar o discurso.

ZENIT: Em que consiste, então, a “ideologia de gênero”?

Pe. José Eduardo: Sintetizando em poucas palavras, a ideologia de gênero consiste no esvaziamento jurídico do conceito de homem e de mulher. A teoria é bastante complicada, e uma excelente explicação desta se encontra no documento “Agenda de gênero”. Contudo, a ideia é clara: eles afirmam que o sexo biológico é apenas um dado corporal de cuja ditadura nos devemos libertar pela composição arbitrária de um gênero.

ZENIT: Quais as consequências disso?

Pe. José Eduardo: As consequências são as piores possíveis! Conferindo status jurídico à chamada “identidade de gênero” não há mais sentido falar em “homem” e “mulher”; falar-se-ia apenas de “gênero”, ou seja, a identidade que cada um criaria para si.

Portanto, não haveria sentido em falar de casamento entre um “homem” e uma “mulher”, já que são variáveis totalmente indefinidas.

Mas, do mesmo modo, não haveria mais sentido falar em “homossexual”, pois a homossexualidade consiste, por exemplo, num “homem” relacionar-se sexualmente com outro “homem”. Todavia, para a ideologia de gênero o “homem 1” não é “homem”, nem tampouco o “homem 2” o seria.

ZENIT: Então aqueles que defendem a “ideologia de gênero” em nome dos direitos homossexuais estão equivocados?

Pe. José Eduardo: Exatamente! Eles não percebem que, uma vez aderindo à ideologia de gênero, não haverá sequer motivo em combater à discriminação. Nas leis contra a discriminação, eles querem discriminar alguns que consideram mais discriminados. Contudo, pela ideologia de gênero, não há mais sentido em diferenciar condições e papeis, tudo se vulnerabiliza! Literalmente, eles caíram no conto do gênero.

Para defender a identidade homossexual, estão usando uma ideologia que destrói qualquer identidade sexual e, por isso, também a família, ou qualquer tipo de família, como eles mesmos gostam de dizer.

Em poucas palavras, a ideologia de gênero está para além da heterossexualidade, da homossexualidade, da bissexualidade, da transexualidade, da intersexualidade, da pansexualidade ou de qualquer outra forma de sexualidade que existir. É a pura afirmação de que a pessoa humana é sexualmente indefinida e indefinível.

ZENIT: Então a situação é muito pior do que imaginamos…

Pe. José Eduardo: Sim. As pessoas estão pensando em “gênero” ainda nos termos de uma “identidade sexual”. Há outra lógica em jogo, e é por isso que ninguém se entende.

Para eles, a ideia de “identidade sexual” é apenas um dado físico, corporal. Não implica em nenhuma identidade. Conformar-se com ela seria “sexismo”, segundo a própria nomenclatura deles. A verdadeira identidade é o “gênero”, construído arbitrariamente.

Todavia, este “gênero” não se torna uma categoria coletiva. É totalmente individual e, portanto, indefinível em termos coletivos. Por exemplo, alguém poderia se declarar gay. Para os ideólogos de gênero isso já é uma imposição social, pois a definição de gay seria sempre relativa a uma condição masculina ou feminina mormente estabelecida. Portanto, uma definição relativa a outra, para eles, ditatorial.

Não existiria, tampouco, a transexualidade. Esta se define como a migração de um sexo para outro. Mas, dirão os ideólogos de gênero, quem disse que a pessoa saiu de um sexo, se aquela expressão corporal não exprime a sua identidade construída? Portanto, para eles, não há sequer transexualidade.

Gênero, ao contrário, é autorreferencial, totalmente arbitrário.

Alguém dirá que não há lógica isso. Realmente, a lógica aqui é “ser ilógico”. É o absurdo que ofusca nossa capacidade de entender.

ZENIT: O que dizer, então, de quem defende a ideologia de gênero no âmbito dos direitos feministas?

Pe. José Eduardo: Os ideólogos de gênero, às escondidas, devem rir às pencas das feministas. Como defender as mulheres, se elas não são mulheres?…

ZENIT: Qual seria o objetivo, portanto, da “agenda de gênero”?

Pe. José Eduardo: Como se demonstra no estudo que mencionei, o grande objetivo por trás de todo este absurdo – que, de tão absurdo, é absurdamente difícil de ser explicado – é a pulverização da família com a finalidade do estabelecimento de um caos no qual a pessoa se torne um indivíduo solto, facilmente manipulável. A ideologia de gênero é uma teoria que supõe uma visão totalitarista do mundo.

ZENIT: Como a população está reagindo diante disso?

Pe. José Eduardo: Graças a Deus, milhares de pessoas têm se manifestado, requerendo dos legisladores a extinção completa desta terminologia no Plano Nacional de Educação. Pessoalmente, tenho explicado a muitas pessoas a gravidade da situação nestes termos: 1) querem nos impor uma ideologia absurda pela via legislativa; 2) querem fazê-lo às custas do desconhecimento da população, o que é inadmissível num Estado democrático de direito; 3) e querem utilizar a escola como um laboratório, expondo nossas crianças à desconstrução de sua própria personalidade. E ainda querem que fiquemos calados com isso! Não!, o povo não se calará!

ZENIT: Falando em “Estado democrático de direito” e vendo a manifestação de tantos cristãos, evangélicos e católicos, inclusive de bispos, alguns alegam a laicidade do Estado como desculpa para desprezar os seus argumentos. O que dizer sobre isso?

Pe. José Eduardo: Esta objeção é tão repetitiva que se torna cansativo respondê-la. Numa discussão democrática, não importa se o interlocutor é religioso ou não. O Estado é laico, não laicista, anti-religioso. Seria muito divertido, se não fosse puro preconceito – e às vezes, verdadeiro discurso de ódio anti-religioso –, a insistência com a qual alguns mencionam a Bíblia, os dogmas, os preceitos… como se nós estivéssemos o tempo todo alegando argumentos teológicos. Como se pode ver acima, nossos argumentos aqui são simplesmente filosóficos, racionais. Aliás, são tão racionais a ponto de mostrar o quanto a proposta deles é totalmente irracional, posto que contradizem as sua próprias bandeiras ideológicas.

No final das contas, a única coisa que lhes resta é a rotulação – na audiência de ontem, chamaram aos gritos um deputado de “machista”, em outra ocasião de “patricarcalista” –, mas a rotulação é a arma dos covardes, daqueles que não têm honestidade e liberdade intelectuais. Como digo sempre, nestas discussões, precisamos nos comportar como filósofos, e não como maus advogados, que estão dispostos a negar até as evidências.

* * *

Comentários podem ser enviados ao autor: pe.jose.eduardo@gmail.com

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3 abril, 2014

As mentiras da Ideologia de Gênero: o gênero “mainstreaming”.

O silêncio cada vez mais angustiante por parte da hierarquia Católica frente à ofensiva homossexual e homófila está atingindo nosso país cada dia mais gravemente. Um autor alemão desmascara a ideologia de gênero o absurdo dos dois gêneros e o terrível caso de Bruce Reimer. A Teoria de Gênero nega a evidência mais contundente da natureza.

O silêncio cada vez mais angustiante por parte da Hierarquia Católica

Por Paolo  Pasqualucci - Riscossa Cristiana | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – Mario  Palmaro,  em sua recente, bela e forte carta ao Diretor do jornal “La Nuova Bussola Quotidiana”, expressou com grande eficácia, a angústia de todos nós pelo futuro da Igreja e dos Católicos, principalmente dos mais jovens. No tocante ao conteúdo de sua carta não podemos fazer outra coisa senão concordar em tudo e por tudo, especialmente quando ela denuncia o incômodo silêncio das autoridades eclesiásticas frente à ofensiva homossexual e homófila que está atingindo em cheio nosso país e cada dia mais agressivamente. Essa ofensiva parece que está para atingir sua meta, que é fazer com que sejam sancionadas leis libertinas e corruptas que se por um lado visam penalizar qualquer um em que ouse criticar o vício do homossexualismo, por outro forçará toda a sociedade civil a aceitar esse vício como algo perfeitamente normal desde o jardim da infância à universidade, nos programas de assistência social relacionados ao matrimônio e às adoções, enfim, por toda a parte.

Uma infiltração que se encontra em pleno curso sob o financiamento de Bruxelas [ndr: sede da União Europeia] e vem sendo conduzida por parte de bem conhecidas forças políticas, pessoas em altos cargos na máquina estatal que detém o poder de decidir até mesmo sobre a tutela de crianças em situações difíceis pelos chamados “casais gays”.  O panorama geral é cada vez mais sombrio enquanto a hierarquia Católica continua a se fazer de surda e muda e, quando algum deles ainda fala alguma coisa, é justamente pra dar mais munição ao adversário (como naquele incrível exemplo do Cardeal Schönborn citado por Palmaro, ou na famigerada entrevista do atual Pontífice onde ele diz “Se um gay tem bom coração, quem sou eu pra julgá-lo?”). Entrevista desastrosa, porque foi interpretada pela Mídia como se o “não julgar” do Papa fosse uma aprovação implícita do homossexualismo.

De vez enquando até sai uma nota tímida em que algum prelado reafirma que uma criança necessita de um pai e uma mãe, que tem o direito de nascer em uma família composta de um homem e uma mulher… etc.  Mas, mesmo assim, falta a coragem de dizer de modo claro e contundente: de uma família segundo a ordem natural, de uma família normal estabelecida por Deus. Creio que muitos se calam por medo. Mas, seguramente, existem aqueles que se calam porque pensam exatamente como o falecido Cardeal de Milão, Carlo M. Martini,  Jesuíta como o atual Pontífice reinante, o qual dizia pouco antes de morrer que se a Igreja quisesse recuperar “os duzentos anos de atraso”, que segundo ele havia acumulado em relação ao mundo moderno, teria que modificar seu ensinamento e abrir-se ao oportuno reconhecimento dos (corruptos) costumes contemporâneos, incluindo aí o homossexualismo e seus supostos “direitos” pelos quais o finado prelado demonstrava uma particular simpatia.  E existem outros, como o Bispo Domenico  Moavero, que muito recentemente abriu a boca pra denunciar a corrupção dominante no cenário político italiano mas que contraditoriamente, ao professar sua incompreensível noção de “antropocentrismo”, defendeu o reconhecimento estatal dos casais conviventes de qualquer tipo, porque assim exige a “misericórdia cristã e os direitos universais da pessoa humana”.

Ora, o concubinato seja de adúlteros como de sodomitas representam hoje uma das piores formas de corrupção e destruição da família e do matrimônio cristão, pregados e defendidos pela Igreja durante mais de 2000 anos.  Todos aqueles Bispos, como o Bispo Moavero, chamados por Deus para serem nossos pais espirituais e mestres para nos conduzir à vida eterna, ao fazerem apologia do erro e do pecado, se colocam explicitamente contra a ética que sempre foi ensinada pela Igreja e sobre a qual repousa a Verdade Revelada em Nosso Senhor Jesus Cristo. É, portanto, nosso dever como Católicos recordá-los sempre das severas advertências de Cristo: “Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que querem entrar” (Mt 23, 13).  Maus pastores que se tornaram perversos depois de tantos anos de impunidade, sem que a Autoridade Suprema da Igreja os chamasse à ordem e à disciplina, não fugirão da ira divina no dia do Juizo!  Pelo contrário! Eu vos digo, porém, que haverá menos rigor para os de Sodoma e  Gomorra, no dia do Juízo, do que para esses que hoje se tornaram seus paladinos e defensores  (Mt 11,24).

Um autor alemão desmascara a Ideologia do Gênero. 

Devido à trágica atualidade assumida pelo fenômeno, resolvi chamar a atenção dos Católicos para o breve, mas contundente estudo do jornalista e publicista alemão Volker Zastrow, que em três edições entre 2006 e 2010 analisa de modo crítico e exemplar a “filosofia do gênero”, uma ideologia parida pela sub-cultura feminista e gay que defende uma suposta natureza “social” e não natural do sexo. [1] Essa ideologia está sendo utilizada como se fosse algo sério, para justificar a difusão do homossexualismo tanto masculino como feminino por parte dos governos. Na Alemanha e Suíça, na área próxima aos Católicos fiéis à Tradição da Igreja, desenvolveu-se uma série de publicações com provas bem documentadas que demonstram a total inconsistência dessa ideologia [2].

Esse ótimo estudo demonstra em particular a absoluta falsidade da pretensão do pensamento homossexual segundo o qual a ciência teria comprovado a natureza “social”e “cultural” e não “natural”do sexo.  O estudo se baseia para tal finalidade numa precisa reconstrução do cruel “caso Reimer”,  o rapaz canadense que junto ao seu irmão gêmeo (ambos se suicidaram) se tornaram vítimas das experimentações da recém nascida “filosofia do gênero”.  As pretensões da Genderphilosophie, além de serem um insulto ao bom senso e à razão, representam uma ofensa grave a Deus que criou o homem e a mulher como seres complementares para que se unissem em um legítimo matrimônio, procriassem filhos em uma família constituída por eles e populassem a terra. Essa ofensa está se tornando cada vez mais grave e podemos esperar que os castigos em curso e tornem ainda piores.

Um claro exemplo de ofensa a Deus podemos encontrar até em documentos ou formulários de todo tipo pela internet, onde há algum tempo, quando se trata de declarar sua própria “identidade sexual”, são oferecidas três opções: homem, mulher e OUTRO. Pasmem! Esse incrível “outro” nos documentos é fruto da filosofia “gender mainstreaming”. O que significa “gender mainstreaming”? Todo mundo fala e ninguém sabe o que é. É uma característica clássica do “politicamente correto” servir-se de termos ambíguos que só aqueles que lhes dão origem sabem realmente o que significam e como utilizá-los para atingir um fim preciso.

Aqui no caso, os fautores do termo são as feministas e os militantes do movimento homossexual. No inglês, o termo é obscuro e quase difícil de ser traduzido ao pé da letra. Implica na idéia de conduzir ou reconduzir alguém ou qualquer coisa à corrente (stream) principal (main).  Geralmente é uma palavra utilizada como adjetivo que designa o pensamento ou gosto corrente da maioria da população. É muito utilizado atualmente referindo-se às artes em geral (música, literatura, filmes, etc.). O termo mainstream inclui tudo que diz respeito a cultura popular, e é disseminado principalmente pelos meios de comunicação em massa. O contrário do Mainstream seria chamado de underground, ou alternativo, ou seja, o que não está ao alcance do grande público, sendo restrito a cenas locais ou públicos restritos. Mas é na linguagem da revolução sexual que o termo está sendo empregado como verbo. A entidade que teria que ser reconduzida e re-endereçada na corrente principal, ou seja, que teria que cair no imaginário popular seria os “gêneros” masculino e feminino, os dois sexos. Mas pode existir uma “corrente-mestra” concernente aos dois sexos que não seja aquela que todos nós sempre subentendemos? No subtítulo da obra, eles nos dão a sua livre tradução do termo em questão. Literalmente significa “Política de desconstrução dos sexos”. “Jogar na corrente principal a noção de gêneros, reconduzi-los ou reendereçá-los representa exatamente o quê?  A perfeita igualdade entre sexos ou gêneros que representariam, por sua vez, a verdadeira sexualidade. E tal ação deve ser conduzida através de meios políticos e mediante legislação estatal e internacional (União Européia e ONU).

Trata-se, portanto, de uma radical desconstrução (Umwandlung) política  do gênero. Isto é, de uma “política de desconstrução ou inversão dos sexos”. Tal política vem sendo agressivamente imposta pelo governo alemão, embutida estrategicamente em programas sociais que fingem ter como objetivo promover a perfeita igualdade (Gleichstellung) entre o homem e a mulher. Tais programas são quase sempre elaborados por feministas. No website do Ministério da Família Alemã, a palavra “Gender mainstreaming” é frequentemente usada, sem no entanto ser jamais traduzida ou explicada. Mas é fácil entender que a noção de “Gender mainstreaming” implica na “modificabilidade” dos papéis característicos aos dois sexos, como sempre foram entendidos no contexto social e cultural tradicional (op. cit., pp. 7-10; 14-15).

Essa, sem dúvida, é a noção-chave: a modificação dos papéis tradicionais de ambos os sexos. É óbvio que a palavra inglesa “gender” acabou adquirindo um novo significado que não pode ser entendido como a simples tradução da palavra portuguesa “gênero” ou do seu equivalente em alemão (Geschlecht):  gênero humano, gênero (sexo) masculino, feminino. Mas então qual seria a origem desse novo significado? Esse é um ponto particularmente importante. O novo termo nasceu das elocubrações de psicólogos especialistas em sexologia. Eles fabricaram um termo ou um fundamento teórico que pudesse atender às exigências e sensibilidades dos transexuais. Ou seja, homens ou mulheres perfeitamente normais sob o ponto de vista biológico que alegam não se identificarem psicologicamente com seu corpo natural, o qual para eles é um “corpo falso”.

Trata-se de indivíduos que possuem uma sensibilidade anômala. Visando contentá-los, alguns desses psicólogos inventaram a teoria  segundo a qual existem dois “gêneros”, e aqui não se trata do gênero feminino e gênero masculino, mas sim o “gênero biológico”, ou seja, o sexo de nascimento como realidade física, e o “gênero no sentido psico-emotivo” como uma realidade metafísica, completamente independente (abgelösten) do sexo natural” (ivi, p. 11).

O gênero no sentido “psico-emotivo “ seria, portanto, o gênero por excelência. Aquele que deve ser aceito pelo “mainstream”. Se trata de uma identidade sexual que cada um fabricaria pra si próprio, segundo seu próprio desejo ou orientação.

O absurdo desses dois “gêneros”. 

O fundamento lógico e científico de uma teoria dessa espécie foge ao bom senso de qualquer pessoa com dois neurônios. Foge pelo simples motivo que não existe. Inevitavelmente o Movimento Homossexual se apoderou da “teoria” e dela elaborou a noção de gênero como “gênero social”. O gênero social seria o gênero que a sociedade quer impor e nesse caso seria a heterossexualidade (ivi, p. 11). A heterossexualidade (atração e relação física, afetiva e sentimental natural entre os dois sexos) está sendo concebida agora de um modo totalmente errôneo e distorcido. Segundo a teoria do gênero, a heterossexualidade ou “heteronormalidade” não faz parte da natureza humana, mas teria sido construída e imposta pela sociedade, por uma cultura patriarcal e machista.

O termo foi criado pelo ativista homossexual Michael Warner, em 1991, em uma das primeiras grandes obras sobre a teoria do gênero. Segundo ele, a heterossexualidade não seria outra coisa senão uma ideologia, uma construção política pela qual orientações sexuais diferentes da heterossexual são marginalizadas, ignoradas ou discriminadas por práticas sociais, crenças ou políticas. O componente lésbico por sua vez, sempre esteve presente no movimento feminista, mas hoje se tornou algo predominante e esse grupo em especial se jogou de cabeça nessa teoria elevando-a ao extremo. As lésbicas gritam hoje que “toda mulher é bisexual por natureza e que ser mãe e dona de casa não é outra coisa senão escravidão imposta pela sociedade, cada vez mais dominada por homens” (ivi, pp. 13-17)!

O autor destaca a íntima conexão entre o movimento feminista, o lesbianismo e a proliferação de feministas nos quadros de dirigentes políticos tanto do Governo Alemão como em Órgãos internacionais como a ONU. Mas não é de hoje que se pode notar, mesmo fora da Alemanha, a influência dessa rede homossexual-feminista em quase  todas as entidades de influência cultural e política nos países considerados “ocidentais”.

Igualmente influentes são as redes “acadêmicas” que povoam as endinheiradas cátedras das Universidades dedicadas aos considerados “estudos femininos” sobretudo no mundo anglo-saxônico.  Alguns estudos que aparentemente são inócuos se revelam fundamentais na elaboração da ideologia do gênero, já que contribuem ativamente pra difundir em grupos de estudo, pesquisas e publicações que custam milhões de dólares ao bolso do contribuinte. A subcultura feminista e homossexual se esforça para contrapor o gênero autêntico ao “gênero falso” que seria aquele fabricado pela sociedade. O absurdo da impostura é gritante. No gênero supostamente “autêntico” concebido totalmente independente do seu substrato biológico é possível expressar todas as compulsões da nossa subjetividade e fazer tudo que se deseja. Esse depende do gosto pessoal de cada um. Deveríamos portanto ser considerados como “gendernautae” [sic], ou seja neutros, livres navegantes no mainstream da sexualidade sem fronteiras, vivendo uma sexualidade livre de diferenças entre masculinidade e feminilidade (que é o ponto que interessa de fato) já que as diferenças seriam de ordem puramente psicológicas ou sociais.

A realidade biológica não interessa.

A militância homossexual finge ter encontrado na ciência médica um fundamento válido para a sua teoria. Chegam ao absurdo de se referir ao famoso caso Reimer que praticamente caiu no esquecimento. A segunda parte do estudo de Zastrow se ocupa detalhadamente desse aspecto,  colocando às claras a impostura que ainda predomina (ivi, pp. 35-58).

O caso Reimer

David Reimer nasceu na cidade de Winnipeg, no Canadá, no dia 22 de agosto de 1965. Seu nome original era Bruce e era em tudo idêntico ao seu irmão gêmeo Brian. Aos seis meses ele foi diagnosticado com fimose e seus pais o levaram pra se submeter a uma circuncisão. No dia 27 de abril de 1966, o cirurgião encarregado de fazer a operação usou um instrumento de eletrocauterização ao invés de um bisturi para retirar o prepúcio de Brian, procedimento que destruiu completamente seu órgão sexual. Pouco depois, os pais dos gêmeos Brian e Bruce viram, por acaso, na televisão canadense, uma entrevista do psicólogo Dr. John Money, da Johns Hopkins University, de Baltimore, na qual ele propunha a “teoria da neutralidade de gênero” assegurando que os bebês nasciam “neutros” e teriam sua identidade definida como masculina ou feminina (identidade de gênero) exclusivamente em função da maneira pela qual seriam criados.

Tal informação lhes pareceu muito apropriada para a resolução do problema do filho mutilado. Logo procuraram aquele especialista, que imediatamente se dispôs a atendê-los, quando indicou uma mudança cirúrgica de sexo, que, realizada, transformou Bruce numa menina, “Brenda”.

O interesse de Money no caso de Bruce não poderia ser maior. Como defendia a idéia de que as diferenças de comportamento entre os sexos eram decorrentes de fatores socio-culturais e não biológicos (nature versus nurture) – tese aclamada pelas feministas de então -, a mutilação de Bruce oferecia-lhe uma excelente oportunidade pra colocar à prova sua teoria. Havia – em sua opinião – a indicação para a mudança cirúrgica de sexo, os pais tratariam a criança conforme sua orientação e o experimento teria uma contraprova natural, pois havia um irmão gêmeo idêntico, univitelino, que serviria de parâmetro de controle. O que os pais de Bruce-Brian não sabiam era que Dr. Money – um psicólogo nascido na Nova Zelândia – era  uma espécie de guru da sexualidade e preconizava comportamentos sexuais ousados, dentro do espírito da revolução sexual dos anos 60. Defendia o casamento aberto onde os casais  poderiam ter amantes com consentimento mútuo; estimulava o sexo grupal e bissexual, além de, em alguns casos favorecer o incesto e a pedofilia. Money  tinha se tornado famoso nos procedimentos pioneiros de “realinhamento sexual” (sex reassignment) em crianças com hermafroditismo.

Mas Bruce foi a primeira criança nascida normalmente (com definição sexual masculina) a ser submetida a esse processo. As publicações de Money no decorrer da década de 70 davam a entender que a experiência teria sido um grande sucesso. Os gêmeos estariam felizes em seus papéis estabelecidos. Brian seria um menino forte e travesso enquanto “Brenda”, sua ‘irmã’, era uma doce menininha. Em função dessa experiência, Money ficou mais famoso. A revista TIME dedicou-lhe uma longa matéria e o incluiu num capítulo sobre gêmeos em seu famoso livro Man & Woman, Boy & Girl. Como inexplicavelmente deixou de publicar as evoluções do caso, o fato chamou a atenção de um pesquisador rival, Dr. Milton Diamond, da Universidade do Havaí, que procurou informações e reconstruiu a verdade sobre o caso, publicando-o num artigo em co-autoria com Keith Sigmundson, nos Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine.

A verdade descrita por Diamond era muito diferente da versão sustentada por Money. Money por sua vez havia se tornado uma celebridade no meio científico e feminista. Uma célebre feminista, a lésbica americana Kate Millet, se apoiou nas teorias de Money pra escrever seu best-seller Sexual Politics (1970), onde tentava demonstrar que a heterossexualidade não era outra coisa senão ideologia e que sexo não era outra coisa senão uma criação da cultura e da educação.  Baseando-se na experiência de Bruce Reimer, o famoso “New York Book Review” decretou que “se alguém diz a um menino que ele é uma menina e o cria como tal, ele se comportará em tudo como uma menina””(pp. 43-44).  O “caso Reimer” era citado nos livros científicos e até o ano 2004 a literatura feminista ousava usá-lo com demonstração viva de suas “teorias” sobre a natureza exclusivamente cultural do “gênero”.

Era tudo uma impostura. 

Mas na realidade como andava o experimento? Exatamente o oposto do que dizia a propaganda feminista. O pobre menino desde os dois anos como “Brenda” rasgava suas roupas de menina e se recusava a brincar com bonecas, disputava com o irmão Brian seus brinquedos. Na escola, era permanentemente hostilizado pelo comportamento masculinizado e pela insistência em urinar de pé. Queixava-se insistentemente aos pais por não se sentir como uma menina. Mantendo as orientações de Money, os pais diziam-lhe que era uma “fase” que logo passaria. Os pais levavam periodicamente os dois filhos para sessões de “psicoterapia” com Dr. Money.

Segundo consta, tais sessões foram profundamente traumáticas para ambas as crianças. Nelas, possivelmente num esforço de estabelecer as diferenças de comportamento sexual entre homem e mulher, Money lhes mostrava fotos sexuais explícitas e teria feito as crianças encenarem posições sexuais. Aos 11 anos “Brenda” já falava em suicídio e seus algozes planejavam novas intervenções cirúrgicas para aperfeiçoar sua feminilidade. Aos 13 anos, as visitas ao Dr. Money cessaram de uma vez. Aos 14 anos, quando não suportava mais aquela situação, os pais consultaram um psiquiatra de sua cidade, que sugeriu dizer toda a verdade para “Brenda”. Tal informação teve um efeito profundo e transformador. Posteriormente, “Brenda” revelou: “De repente, tudo fazia sentido. Ficava claro por que me sentia daquela forma. Eu não estava louco”.

Não obstante a administração de grande quantidade de hormônios femininos, “Bruce-Brenda” imediatamente se engajou numa busca pelo sexo perdido. Fez inúmeras cirurgias para recompor a genitália masculina com a implantação de próteses de pênis e testículos e para a retirada dos seios crescidos a base de estrógenos. Significativamente, não quis retomar seu nome inicial escolhendo chamar-se “David”. Nesse meio tempo, a mãe, que se sentia culpada e desorientada com a situação da “filha”, tinha entrado em depressão e, a certa altura, tentara suicídio. O pai desenvolveu um alcoolismo grave e o irmão gêmeo Brian começara a usar drogas e a praticar atos delinqüenciais ao atingir a adolescência.

“Brenda”, agora “David”, apesar de todas as cirurgias e da nova identidade masculina, mergulhara também numa séria depressão e tentou suicídio pela primeira vez aos 20 anos. Aos 30 anos, David foi encontrado por Diamond, que, como dito acima, desconfiara do motivo que levara Money a interromper, sem maiores explicações, o relato de um caso que reputava ser de tanto sucesso. David soube que, até então, seu caso era mundialmente conhecido, apresentado na literatura médica como um grande sucesso e usado para legitimar procedimentos de alteração cirúrgica de sexo em crianças hermafroditas ou que sofreram algum tipo de mutilação. Tal como Diamond e Sigmundsen, David ficou indignado com tal impostura, e resolveu colaborar com os dois profissionais, dando origem ao trabalho que recolocou a verdade em circulação, engajando-se numa campanha para evitar que outros passassem pelos mesmos sofrimentos que ele tivera de suportar. O trabalho de Diamond foi largamente divulgado e chegou à grande mídia, jornais e televisões norte-americanos.
Infelizmente após seu irmão Brian, (com quem estava brigado,) ter se suicidado com uma overdose de medicação para esquizofrenia, em 2004 David Rheimer também se suicidou com um tiro quando estava com apenas 38 anos de idade.

A partir de 1980, Money não mencionou mais o caso Reimer em suas publicações. Mas continuou a sustentar a validade de suas teorias, juntamente com as feministas, como era óbvio. Mas o experimento que teria servido pra provar a validade de sua teoria de gênero ( ou seja que o ser homem ou mulher depende exclusivamente da educação e da cultura) demonstrou ter sido um tremendo fracasso. A charlatania de Money se mostrava cada vez mais evidente. Seus métodos “terapêuticos” contestados e sua “Gender Identity Clinic” fechada definitivamente em 1979. Foi abandonado então o método desumano de se intervir cirurgicamente em hermafroditas antes que esses atinjam a puberdade. As intervenções são limitadas ao mínimo e apenas com o consentimento dos interessados.Quando a verdadeira história do pobre David Reimer saiu ao descoberto, assaltado pelas críticas, Dr Money se defendeu respondendo que todas as criticas dirigidas a ele não passavam de um monte de “preconceitos antifeministas”.

Ele correu pra se esconder debaixo das saias das feministas. No seu dizer, todos aqueles que sustentavam a diferença genética entre homem e mulher queriam “aprisionar a mulher em seu papel tradicional acorrentada entre a cama e a cozinha”. Suas respostas eram sempre polêmicas, privadas de qualquer base científica, por motivos bem evidentes. Todavia, a influência desse charlatão, como sublinha Zastrow, ainda se fazia sentir pelo menos até o fim do século recém passado. Sem o trabalho sujo de Money a “teoria de gênero” dificilmente teria despontado no horizonte do feminismo mundial a ponto de ser adotada  pela linguagem burocrática da República Federal da Alemanha.O que Money propagandeava em 1965, hoje pode ser facilmente encontrado no website da ministra alemã para questões femininas, onde se lê: …ao contrário do gênero biológico, o papel dos gêneros é aprendido exclusivamente no contexto social. Seria portanto, fruto da cultura e não da natureza.

E a mesma linguagem é encontrada ainda num guia para informação respeitosa sobre as pessoas LBGT, um manual publicado em 2013 pelo Departamento pela Iguadade de Oportunidades”, que não passa de outro laboratório intelectual da mesma falsidade. O vademecum da ministra, como demonstra o brilhante e corajoso estudo de Zastrow, é construído inteiramente sobre o vazio, ou seja, sobre uma mentira colossal. A mesma mentira difundida pelo ícone do feminismo mundial, a corruptíssima Simone de Beauvoir, a amante bissexual do famoso filosofo existencialista, o igualmente pervertido Jean-Paul Sartre: “mulher não se nasce, se torna” (Zastrow fala mais sobre isso nas, pp. 35-36 de seu estudo).  A essa altura sabemos de experiência que a mentira é o pão de cada dia do “politicamente corretto”.  Ao acusar o antigo regime soviético, Alessandro Solgenitsin disse, em uma celebre conferencia, que nem os povos e nem os indivíduos podem “viver na mentira”. A nossa decadente democracia euro-americana propaga hoje em dia as piores mentiras, e entre essas o “gender mainstreaming” ocupa seguramente um posto de honra. E quem, senão o próprio Demônio é o pai de todas essas mentiras ?(João 8, 44)? A “teoria de gênero” nega as evidências fornecidas pela própria natureza.

Sem a pretensão de dar por encerrada a questão é necessário que façamos algumas considerações finais. Segundo a teoria do gênero, as diferenças naturais entre homens e mulheres não seriam precisamente um produto da natureza , mas da “cultura” socialmente dominante, de modo que o sexo verdadeiro seria aquele que o indivíduo escolhe pertencer , hetero, gay , trans , etc . Essa ” tese ” implica na suposição de que na natureza os caracteres sexuais não são bem marcados ou distintos no homem ou na mulher, nem do ponto de vista fisiológico nem do ponto de vista anatômico. Mas isso é insustentável porque vai contra as evidências mais elementares.

Os aparelhos reprodutivos dos homens e das mulheres são construídos de forma diferente mas de modo interdependente, ou seja, no sentido de ser um complemento para o outro já que estão perfeitamente integrados para efeitos de concepção da prole. E são assim por obra da natureza, é claro, pois homens e mulheres nascem assim desde que existe a humanidade.Esta complementaridade não resulta apenas da fisiologia mas também anatomia. O útero da mulher é construído de modo a ser capaz de ser penetrado pelo espermatozóide masculino para ser fertilizado e dar origem e formação ao feto. Em vez disso, a parte final do intestino que chamamos reto, com a sua própria estrutura muscular (esfíncter)  demonstra ser um órgão anatomicamente construído apenas para ser um canal de evacuação das fezes  e não para outros usos. E se tal canal é utilizado para fins sexuais, seja entre homens ou entre homens e mulheres, se trata evidentemente de um uso contra a natureza como sempre foi considerada  e com razão.

Contra a natureza não só pelo caráter repulsivo da coisa, mas pelo simples fato de aliviar a própria concupiscência através de um órgão que a natureza não criou para tal uso, mas sim para a evacuação, como demonstra claramente a nossa anatomia. A condenação moral e estética desse uso perverso é portanto, baseada principalmente sobre o fato objetivo da estrutura anatômica do ser humano . E em seguida,  sobre a natureza do próprio homem criado por Deus em sua anatomia perfeita e completa . Nenhuma pessoa sensata pode de fato  argumentar que nossa anatomia de seres humanos é um produto da ” cultura”.Os sistemas de reprodução de seres humanos são semelhantes aos de outros mamíferos. Eles nos tornam semelhantes aos animais, mas somente no tocante à natureza, constituída de modo a ser capaz de se reproduzir e se perpetuar.

Esse instinto de reprodução, que, utilizando o desejo de prazer carnal, empurra macho e fêmea para o acasalamento, será que podemos ter ou não como instinto puro da mesma forma que os demais animais? Ou esse instinto nos animais deveria ser considerado como um produto da natureza ou de “cultura”? Os animais não têm nem a sociedade, nem “cultura”, então essa é a sua natureza que através dos instintos, provoca o acasalamento entre machos e fêmeas tendo em vista a reprodução. E se o que vale para os animais não vale para nós humanos, que parte da nossa natureza seria precisamente animal, subentendendo o termo no sentido puramente biológico? Além disso, a natureza não poderia ter criado uma orientação homossexual natural nos seres humanos ao mesmo tempo que os dotou com sistemas reprodutivos complementares, nas duas formas de masculino e feminino. Ela não poderia  porque a homossexualidade é, por definição inerentemente estéril. Dizer que a natureza colocou no ser humano outras formas de sexualidade da mesma forma que a tendência natural da heterossexualidade, para que pudéssemos escolher de acordo com o nosso gosto, equivale dizer  que a natureza programou sua própria extinção enquanto natureza. Isto é racionalmente insustentável. E se é verdade que a natureza colocou em nós tendências homossexuais naturais, por que razão teria nos equipado com  dois sistemas reprodutivos que se complementam um ao outro e, ao mesmo tempo, tão diferentes nos dois tipos que compõem o masculino e o feminino? Só para perder tempo? Se as tendências homossexuais fossem algo natural , a natureza seria contraditória porque por um lado ela estaria construindo indivíduos como macho e fêmea, projetando-os  fisiologicamente e anatomicamente para satisfazer o instinto natural de reprodução, o instinto de propagação da vida; mas por outro lado, estaria simultaneamente fornecendo um instinto totalmente oposto que é o instinto de morte, o qual faz com que  alguns rejeitem o instinto da vida ao usar seus órgãos sexuais em atividades homossexuais que não cumprem a finalidade de sua anatomia e nem da sua fisiologia. Uma natureza minada por uma contradição deste tipo não teria realmente sido capaz de se manter por tanto tempo e , pensando bem , nem sequer existiria.

Dizer que o sexo não existe na natureza, pois é uma livre escolha do indivíduo, seja ela qual for, e que o Estado é obrigado a reconhecer e defender tal insanidade, porque na natureza em vez do masculino e feminino (de ambos os sexos) existiria ao invés um “gênero” inteiramente psicológico em si indeterminado, que compreenderia a masculinidade e a feminilidade ou “outros” como meras possibilidades para se explorar ao bel prazer,  significa antes de tudo uma idéia errada sobre a natureza e o seu modo de funcionamento, hoje amplamente ilustrado pela ciência, a qual confirma na natureza, a existência de uma ordem baseada, (no que diz respeito ao mundo animal), na complementaridade fecunda dos dois sexos, masculino e feminino, cuja mútua atração instintiva atende ao requisito fundamental de reprodução, mediante a qual a própria natureza existe e se perpetua.

* * *

[1] Volker Zastrow, Gender.  Politische Geschlechtsumwandlung, mit Zeichnungen von Anke Feuchtenberger, Edition Sonderwege bei Manuscriptum, Waltrop und Leipzig, 2010³, pp. 58.  www.manuscriptum.de.  [Genere.  La politica dell’inversione dei sessi.  Incisioni di Anke Feuchtenberger].  In forma più ridotta una mia recensione a questo lavoro è apparsa sul trimestrale  francese Catholica, n. 112, estate 2011, pp. 92-96, con il titolo:  Le mensonge diabolique du Gender mainstreaming.  Il testo è stato da me interamente rivisto e ampliato, modificato in più punti.  Ringrazio  la direzione della rivista per aver gentilmente consentito a questa riedizione in italiano.

[2] Vedi, tra gli altri: Manfred Spreng – Harald Seubert (a cura di Andreas Späth), Vergewaltigung der menschlichen Identität.  Ueber die Irrtümer der Gender-Ideologie [La falsificazione dell’identità umana.  Sugli errori dell’ideologia di genere], Verlag Logos Editions, Ansbach, 2012, pp. 110;  Inge M. Thürkauf, Gender Mainstreaming.  Multikultur und die Neue Weltordnung [Gender mainstreaming.  Multiculturalità e nuovo ordine mondiale], Schweizerzeit-Schriftenreihe Nr. 55, “Schweizerzeit” Verlag, Flaach, 2013, pp. 47.

[3] Traduco letteralmente. Il testo dice: “[…] kastrierte und aus der Haut seines Hodensacks rudimentäre Schamlippen formte”, op. cit., p. 42. [4] Zastrow, p. 56:  “…dass Geschlechtsrollen im Gegensatz zum biologischen Geschlecht nur erlernt seien”.

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3 abril, 2014

Nota Pastoral de Dom Antonio Rossi Keller sobre a “Ideologia de Gênero”.

A questão da chamada “ideologia do Gênero”.

Novamente, como era previsto, volta a questão da ideologia do gênero, para ser incluída no PNE (Plano Nacional de Educação). Nossa Pátria vive um momento histórico crucial.

Alguns tentam empurrar goela abaixo da Nação uma visão ideológica contrária a todos os princípios de uma sadia visão do ser humano.

É preciso entender o significado desta visão ideológica, para poder entender o mal que carrega consigo, com consequências nefastas.

Nos últimos anos estamos escutando esta expressão “gênero”, e a grande maioria da população não se dá conta de que isto não é simplesmente uma maneira diferente de referir-se à divisão da humanidade em dois sexos. Por trás desta expressão esconde-se uma ideologia, um falso pensamento que pretende, segundo seus sustentadores, fazer-nos sair desta “visão antiga, simplista e preconceituosa”, que seria aquela da divisão da humanidade entre masculino e feminino.

Os defensores da ideologia do gênero afirmam que as diferenças entre homem e mulher, fora daquelas anatomicamente evidentes, não correspondem a esta visão, segundo eles, já caduca, de que a natureza determine que uns sejam homens e outros mulheres… Pretendem deixar à liberdade de cada um a escolha do tipo de “gênero” ao qual cada um queira pertencer, considerando todas as possibilidades como igualmente válidas. Ou seja, isto faz com que homens e mulheres heterossexuais, bem como homossexuais, lésbicas, bissexuais e transexuais sejam simplesmente considerados como quem escolheu para si modos diferentes de comportamento sexual, fruto da liberdade, escolha esta que todos os demais devem respeitar.

Não é preciso muita reflexão para que alguém se dê conta do quanto esdrúxulo seja este pensamento, e de que como ele carregue consigo consequências graves, sendo que a primeira consequência seja a simples e absoluta negação de que exista uma natureza genética masculina ou feminina dada a cada ser humano. O resultado desta visão é a dissolução do princípio da diferença entre sexos, considerada como uma simples “convenção” atribuída à sociedade. Na visão ideológica do gênero, cada um pode e deve “inventar-se a si mesmo”. No quadro desta visão ideológica, estão abertas as portas para as já conhecidas “opções sexuais” possíveis, bem como para qualquer outro tipo de opção, como por exemplo a zoofilia, a pedofilia e o que se quiser criar. Basta que alguém determine para si o tipo e o modo de sua opção sexual, e a Sociedade como tal deve não só aceitá-la, mas até mesmo promove-la.

Assim, toda a moral fica determinada a partir da decisão do indivíduo, desaparecendo a diferenciação entre o que é permitido e o que é proibido em tudo o que se refere à questão da sexualidade humana. O que é certo e o que é errado neste campo está submetido ao que cada um julga ser certo ou errado para o gênero que escolheu para si.

A introdução deste conceito ideológico do gênero na legislação e no sistema educacional do país significará um comprometimento irreversível do princípio e da instituição da sociedade, fundada no modelo natural, que chamamos e entendemos por “Família”.  No quadro da ideologia do gênero, a família “tradicional”, composta por pai, mãe e filhos, é entendida como um princípio opressor, cabendo a cada individuo estabelecer seu modo de ser e de formar a sua família.

A nova sociedade, preconizada pelos defensores da ideologia do gênero estará fundada na mais absoluta permissividade sexual, já que a cada um caberá estabelecer seu próprio gênero, segundo as tendências homossexuais, transexuais, bissexuais ou outras.

Dentro deste quadro absurdo de predomínio absoluto do subjetivismo, a instituição familiar tradicional é também considerada discriminatória e, portanto, nas escolas, os chamados “kits” gays, bissexuais, transexuais, etc. deverão tornar-se obrigatórios, para a superação da discriminação.

Como pastor da Igreja Diocesana de Frederico Westphalen, não posso calar, diante de mais esta aberração que tentam nos impor, usando falsamente o princípio da liberdade como desculpa para implantar em nossa Pátria valores incompatíveis com a nossa cultura.

Vivemos momentos difíceis, e devemos enfrentá-los com a oração, com a clareza das ideias e com a legítima ação cidadã de manifestar nossa opinião contrária a estes projetos iníquos, que pretendem destruir as bases cristãs de nossa Sociedade.

Convoco pois, novamente a todos os diocesanos de Frederico Westphalen e a todas as pessoas de boa vontade a que rezem pelo Brasil e a que reajam especificamente contra este projeto, dentro dos parâmetros da legalidade,  para evitar que nosso país caia nas armadilhas de princípios educacionais e de uma legislação fundada em valores imorais, que trarão consequências irreparáveis às nossas famílias, à vida de nossas crianças e de nossos jovens. Basta de agressões à instituição da família, já tão martirizada.

Que Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, com sua intercessão materna, salve o Brasil destas ideologias destruidoras dos autênticos valores cristãos.

Frederico Westphalen, 26 de março de 2014.

+ Antonio Carlos Rossi Keller

Bispo de Frederico Westphalen

Fonte: Encontro com o Bispo

29 março, 2014

Votação do PNE será em 2 de abril, quarta-feira.

Por Hermes Rodrigues Nery – Fratres in Unum.com: Os esforços do governo do PT em incluir a ideologia de gênero no Plano Nacional de Educação (PNE) comprova, mais uma vez, a inteira disposição de aplicar todas as diretrizes e metas contidas no Plano Nacional de Direitos Humanos 3, visando utilizar todos os meios e recursos para disseminar a agenda do feminismo radical, assumida pela ONU, para intensificar o processo de desmonte civilizacional, de modo especial os princípios e valores da cultura ocidental, de tradição judaico-cristã.

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O governo do PT está comprometido com este processo de corrosão, executando o que ideólogos dos países desenvolvidos gestaram enquanto experimentos de reengenharia social, a partir de muitas formas de manipulação, de modo especial o da linguagem.

A revolução em curso, de premissas anarcofeministas, posta em movimento pelas mulheres empoderadas por Dilma Rousseff em seu governo, principalmente na Secretaria de Políticas para as Mulheres, sabe que precisa instrumentalizar toda a rede de ensino para seus fins de perversão, fazendo dos professores escravos de uma ideologia, obrigados a ensinar e doutrinar as crianças, desde a mais tenra idade, de que a identidade sexual não pode estar condicionada a um determinismo biológico, pois que seria uma construção sócio-cultural, e não pode haver diferenças também nesta dimensão relacional, pois – para elas – as diferenças acentuam lógicas de dominação e poder.

Os professores serão obrigados a concordar com uma ideologia eivada de equívocos, e de efeitos sociais danosos, mas terão de repetir a cartilha igualitária do MEC se quiserem sobreviver. E as escolas particulares que questionarem o conteúdo ideológico imposto, sofrerão sanções. A forma de fechar o cerco e acuar todos na redoma será criar e consolidar o Sistema Único de Educação, para garantir a uniformização do pensamento na rede de ensino. Não se admitirá quem destoe do discurso oficial. E o governo do PT continuará dizendo que tudo isso é democracia.

26 março, 2014

A “ditadura do gênero” imposta em escala global.

“Em preparação para o Sínodo sobre a Família que será realizado em duas fases: em 2014 e 2015 , bem como o recente consistório sobre o mesmo assunto, providencialmente se chamou a atenção para esta realidade tão ‘desprezada e maltratada’, como disse o Papa. E eu diria, desprezada tanto no plano cultural como maltratada no plano politico. É surpreendente que a família é muitas vezes representada como um bode expiatório, como a fonte dos males do nosso tempo, ao invés da fonte universal de uma humanidade melhor e a garantia universal de continuidade social. Não são boas leis que garantem a boa convivência — elas são necessárias –, mas é a família que é o viveiro de uma humanidade boa e de uma sociedade justa.

Cardeal Angelo Bagnasco.

Cardeal Angelo Bagnasco.

Nesta lógica distorcida e ideológica se impõe a recente iniciativa – diversamente atribuída – em três volumes intitulado ‘Educar para a diversidade na escola’, que distribuíram nas escolas italianas destinados às escolas primárias e do primeiro e segundo grau. Em teoria, os três guias são projetados para combater o bullying e a discriminação – o que é justo – mas na realidade a verdadeira intenção é ‘incutir’ (este é o termo apropriado) nas crianças preconceitos contra a família, contra os pais, contra a religião, contra a diferença entre o pai e mãe.

Palavras doces que agora parecem não só fora de moda, mas também constrangedoras, tanto que a tendência é e eliminá-las até dos documentos. É a leitura ideológica de “gênero”– uma verdadeira ditadura – que quer decretar a diversidade, tratar a identidade do homem e da mulher como puras abstrações. É de se perguntar com amargura se querem transformar as escolas em ‘campos de reeducação e doutrinação’. Mas será que os pais ainda têm o direito de educar os seus filhos ou foram desautorizados ? Alguém lhes pediu o parecer ou a permissão explícita? Os filhos não são matéria de experimentação nas mãos de ninguém, nem mesmo de técnicos considerados especialistas. Os pais não devem permitir que sejam intimidados, eles têm o direito de responder com determinação e clareza : não há autoridade que os supere.

Palavras do Cardeal Angelo Bagnasco, arcebispo de Genova, em discurso ao Conselho Episcopal Permanente da CEI (Conferência Episcopal Italiana, da qual é presidente), em Roma. (tradução: Gercione Lima). 

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Hoje, quarta-feira, 26 de março de 2014, será votado, na Câmara dos Deputados, o PNE – Plano Nacional de Educação, que quer impôr às famílias brasileiras a Ideologia de Gênero. Não deixe de se manifestar contra!

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25 março, 2014

Bispos do Rio de Janeiro se pronunciam contra ideologia de gênero.

Leia:

Nota sobre o PNE – Cardeal Orani João Tempesta

A ideologia de gênero – Dom Fernando Arêas Rifan

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