Posts tagged ‘Moral’

23 outubro, 2014

Escândalo no Céu: João Baptista descanonizado!

A principal queixa contra o dito Baptista prende-se com a sua ausência de sentido pastoral e a sua falta de misericórdia para com o rei Herodes Antipas, a quem acusou de viver em adultério.

Por Pe.  – Observador: Graças à grande trapalhada informática com o Citius, veio ter ao meu computador, procedente do Supremo Tribunal de Justiça do Céu, uma cópia da acção de descanonização de São João Baptista, intentada por alguns católicos, que se fizeram representar pelo seu advogado. Alega o causídico que o dito João, filho de Zacarias e de Isabel, foi precipitadamente elevado às honras dos altares e que, à luz da misericórdia pastoral, recentemente descoberta pelos referidos fiéis, é muito duvidosa a sua santidade.

A verdade é que a dita mãe do referido João, Isabel, era prima de Maria e, portanto, o filho desta, Jesus, era parente próximo do Baptista, o que indicia favorecimento na sua canonização, cujo processo, por sinal, não consta nos arquivos da congregação para as causas dos santos. Também se teme que o alegado santo tenha sido ilicitamente beneficiado pelo facto de dois dos seus discípulos, André e João, terem depois seguido Cristo (tráfico de influências?). Por outro lado, não se conhece nenhum milagre, comprovado científica e canonicamente, que seja devido à sua intercessão. Acresce o facto de viver nas dunas, de se cobrir com peles de animais (quiçá de espécies protegidas), comer gafanhotos (que, desde as pragas do Egipto, estão em vias extinção) e de se alimentar de mel silvestre (produto não autorizado pela ASAE), o que indicia comportamentos anti-ecológicos e, em consequência, dignos de grave censura social e eclesial.

Contudo, a principal queixa contra o dito Baptista prende-se com a sua ausência de sentido pastoral e a sua falta de misericórdia para com o rei Herodes Antipas, a quem, publicamente, acusou de viver em adultério com a sua sobrinha, Herodíade, mulher de seu irmão Filipe e mãe de Salomé. Ainda que os autos provem ser verdadeira essa convivência marital, é absolutamente lamentável que, em vez de acolher misericordiosamente o simpático governante, João o tenha condenado eticamente, incorrendo assim na santa ira de Herodíade. Ora, numa perspectiva mais inclusiva e gradual, não só se deveria ter abstido de tais pronunciamentos moralistas, como deveria ter participado misericordiosamente no banquete natalício de Herodes Antipas, segundo a famosa tese que afirma que nenhum convidado para uma ceia pode ser legitimamente impedido de nela comer.

Embora os exegetas discutam se este princípio teológico-gastronómico, muito em voga em certos jornais, já constava nas tábuas da Lei, dadas por Deus a Moisés, ou se decorre de algum sermão de Santo Agostinho, ou ainda se se encontra na Suma Teológica, ninguém duvida de que é de fé divina e católica.

Por outro lado, a união de Herodes com a cunhada era, indiscutivelmente, uma relação amorosa e, sendo a caridade a principal virtude cristã, deve prevalecer a atitude pastoral de valorizar esse amor, tendo também em conta o bem da jovem e bela Salomé, que de tão amorosa mãe e do seu extremoso consorte recebia, como bailarina, uma esmerada educação artística, que deve ser também estimulada.

Por último, a forma rude como o dito João tinha por costume dirigir-se às autoridades eclesiásticas, como os fariseus e os doutores da lei, não condiz com o estilo pastoral pós-conciliar, o qual, em vez de apelar à conversão, ou julgar, proibir ou condenar actos objectivamente contrários à doutrina cristã, acolhe, abençoa e louva todas as atitudes de quaisquer seres humanos.

Por tudo isto e o mais que fica por dizer, entendem os queixosos que a sentença não pode ser outra senão a da descanonização de João Baptista, correndo a cargo do demandado as custas processuais, sem hipótese de recurso nem apelo, excepto em sede de juízo final.

À margem, lê-se ainda nos autos: aconselha-se vivamente que seja também revisto o processo de um tal Tomás More, que se opôs ao divórcio de Henrique VIII e foi, por esse motivo, executado, sendo portanto igualmente suspeito de atitudes contrárias à misericórdia cristã. Recomenda-se ainda a abertura dos processos de canonização de Herodes Antipas, de Salomé e de Herodíade, padroeiros do amor livre, bem como de Henrique VIII, vítima do fundamentalismo católico. Assinado: o advogado do diabo, bastante procurador e representante dos referidos católicos*.

*Aviso à navegação: com este texto irónico não se pretende negar a prática da misericórdia em relação a todos os homens e, por maioria de razão, a todos os fiéis cristãos, quaisquer que sejam as suas circunstâncias pessoais e familiares, mas apenas recordar que a caridade pressupõe a justiça e que não há pior injustiça do que a de tratar todos por igual. O acolhimento misericordioso que a todos os cristãos, sem excepção, deve ser dispensado, não pode ser feito à custa da verdade moral objectiva, nem do propósito de conversão, que a Igreja a todos convida, como requisito necessário para a salvação.

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3 outubro, 2014

O Pastelão Kasper.

As fontes filosóficas de erros “bergoglianos”. Para eles, o Cristianismo é a história, mas não a justiça.

Por Roberto de Mattei – Il Foglio | Tradução: Fratres in Unum.com – O próximo Sínodo dos Bispos foi precedido por um alvoroço da mídia que lhe atribui um significado histórico maior do que o seu âmbito eclesiológico de mera assembléia consultiva da Igreja. Alguns lamentam pela guerra teológica que o Sínodo anuncia, mas a história de todos os encontros episcopais (este é o significado etimológico do termo e do seu sinônimo “concílio”) sempre foi marcada por conflitos teológicos e debates ásperos sobre erros e divisões que ameaçavam a comunidade cristã desde o seu início.

Hoje a questão da comunhão para divorciados é só mais uma vertente de uma discussão que abrange conceitos doutrinários muito mais complexos, como o da natureza humana e da lei natural. Esse debate parece refletir na esfera antropológica, as especulações trinitárias e cristológicas que abalaram a Igreja durante o Concílio de Nicéia (325) e da Calcedônia (451). Naquela época se discutia para determinar a natureza da Santíssima Trindade, que é um só Deus em três Pessoas, e para definir em Jesus Cristo a Pessoa do Verbo, que subsiste em duas naturezas, a divina e a humana. A adoção por parte do Concílio de Nicéia, do termo grego homoousios, que em latim foi traduzido como consubstantialis e, logo após com o Concílio de Calcedônia, com as palavras “da mesma natureza” da substância divina, para afirmar a perfeita igualdade entre o Verbo e o Pai, marcou uma data memorável na história do Cristianismo e encerrou uma era de perplexidade, confusão, e drama de consciência semelhante àquela em que estamos inseridos. Naqueles anos, a igreja estava dividida entre a “direita” de Santo Atanásio e a “esquerda” dos seguidores de Ário (a definição é do historiador dos Concílios Karl Joseph von HEFELE). Entre os dois polos oscilava o terceiro partido dos semi-arianos, divididos em várias facções. Ao homoousios de Nicéia, que significa “da mesma substância” foi contraposto o termo homoiousios que significa “de substância semelhante”. Não se tratava de uma mera questão de terminologia. A diferença entre essas duas palavras, aparentemente insignificante, esconde um abismo: de uma parte a identidade com Deus, e da outra, uma certa analogia ou semelhança, o que faz de Jesus Cristo um simples homem.

 A melhor reconstrução histórica deste período é a do cardeal John Henry Newman, em seu livro “Os arianos do IV século”(tr. Ele. Jaca Book, Milano 1981), um estudo aprofundado, que destaca a responsabilidade do clero e a coragem do “povo” na manutenção da fé ortodoxa. O diácono Atanásio, campeão da ortodoxia, ao ser eleito bispo, foi forçado por bem cinco vezes a abandonar sua diocese para percorrer o caminho do exílio. No ano 357 o Papa Libério excomungou Atanásio e dois anos mais tarde, os Concílios de Rimini e Selêucia, que constituíam uma espécie de grande concílio ecumênico representando o Ocidente e o Oriente, abandonaram o termo “consubstancial” de Nicéia e estabeleceram um equivocado meio-termo entre Santo Atanásio e os Arianos. Foi então que São Jerônimo cunhou a frase segundo a qual  “o mundo gemeu e percebeu com espanto que tinha se tornado Ariano”.

Atanásio e os defensores da fé ortodoxa foram acusados de ficarem presos a questões de palavras e de serem encrenqueiros e intolerantes. As mesmas acusações que agora são dirigidas àqueles que dentro e fora dos debates sinodais levantam uma voz de intransigente firmeza na defesa do ensinamento perene da Igreja sobre o matrimônio cristão, como é o caso dos cinco cardeais (Burke, Brandmüller, Caffara De Paolis e Müller) os quais, depois de terem se manifestado individualmente, reuniram suas ações em defesa da família em um livro que se tornou um manifesto, “Permanecer na verdade de Cristo: o casamento e a Comunhão na Igreja Católica”, que acaba de ser publicado pelas Edições Cantagalli Siena. A mesma editora Cantagalli foi responsável pela publicação de mais um texto fundamental, “Divorciados recasados. A práxis da Igreja primitiva” do jesuíta Henri CROUZEL.

Os comentaristas dos jornais Corriere della Sera e Repubblica rasgaram as vestes pela rixa teológica em curso. O mesmo Papa Francisco, no dia 18 de setembro, recomendou aos bispos recém-nomeados que “não desperdicem energia se opondo ou se confrontando uns aos outros”, esquecendo-se da sua responsabilidade pessoal pelo confronto, quando ele próprio decidiu confiar a tarefa de abrir os trabalhos sinodais ao Cardeal Walter Kasper. Como bem observou Sandro Magister, foi o cardeal Kasper, com a sua relação secreta de 20 de fevereiro de 2014, documentada pelo jornal Il Foglio, que deu início às hostilidades e desencadeou o debate doutrinário, tornando-se assim, para muito além de suas intenções, o porta-estandarte de um partido. A fórmula repetidamente reafirmada pelo cardeal alemão, segundo a qual o que tem que mudar não é a doutrina da indissolubilidade, mas o cuidado pastoral pelos divorciados novamente casados, tem em si a capacidade de provocar ruptura e é a expressão de um conceito teológico envenenado desde os seus fundamentos.

Para compreender melhor o pensamento de Kasper, é necessário voltar a uma de suas primeiras obras, que é talvez a principal: “O absoluto na história segundo a filosofia de Schelling”, publicada em 1965 e traduzida por Jaca Book, em 1986. Walter Kasper, de fato, pertence à escola de Tübingen, que, como ele descreve neste estudo, “começou uma renovação da teologia e de todo o catolicismo alemão ao promover o encontro entre Schelling e Hegel” (p. 53).  A metafísica é a de Friedrich Schelling (1775-1854), “gigante solitário” (p. 90), de cujo caráter gnóstico e panteísta o teólogo alemão tenta em vão libertar-se. Na sua última obra, “Philosophie der Offenbarung” (Filosofia da Revelação), de 1854, Schelling contrapõe ao Cristianismo dogmático, o cristianismo da história. “Schelling – comenta Kasper – não concebe de forma estática, metafísica e sobretemporal o relacionamento entre o natural e o sobrenatural, mas de um modo dinâmico e histórico. O essencial da revelação cristã é propriamente isso, que essa é a história”(p. 206).

Também para Kasper, o Cristianismo antes de ser doutrina é história ou praxis. Em sua obra mais famosa, “Gesù il Cristo” (Queriniana, Brescia 1974), ele desenvolve uma cristologia em chave histórica que depende da filosofia da revelação do seu mentor alemão. A concepção trinitária de Schelling é aquela dos heréticos sabelianos e modalistas, precursores do Arianismo. As três Pessoas divinas são reduzidas de três modos de “sub-existência” a uma única natureza-pessoa (modalismo), enquanto a essência da Trindade se resolve com sua sua manifestação no mundo. Cristo não é um intermediário entre Deus e o homem, mas a realização histórica da divindade no processo trinitário.

Coerente com a cristologia de Kasper é também sua eclesiologia. A Igreja é antes de tudo “pneuma”, “o sacramento do Espírito Santo”, uma definição que, para o cardeal alemão, “corrige” o estatuto jurídico de Pio XII na encíclica Mystici Corporis (“A Igreja, lugar do Espírito”, Queriniana, Brescia 1980, p. 91 ). O campo de ação do Espírito Santo não coincide, como ditado pela Tradição, com aquele da Igreja Católica Romana, mas estende-se a uma realidade ecumênica muito mais ampla, a “Igreja de Cristo”, da qual a Igreja Católica é apenas uma parte. Para Kasper, o Decreto sobre o ecumenismo do Concílio Vaticano II nos leva a reconhecer que a única igreja de Cristo não se limita à Igreja Católica, mas é dividida em igrejas e comunidades eclesiais separadas (ibid, p. 94). A Igreja Católica é “onde não há algum evangelho seletivo”, mas tudo se expande de maneira inclusiva, no tempo e no espaço (“a Igreja Católica – Essência, realidade, missão”. Queriniana, Brescia 2012, p 289). A missão da Igreja é “sair de si mesma” para recuperar uma dimensão que a torne verdadeiramente universal. Eugenio Scalfari, que se apresenta como um terceiro papa, logo após o emérito e o reinante, embora totalmente ignorante em matéria de teologia, atribui a mesmíssima concepção ao Papa Francisco, afirmando que para ele, a igreja missionária é aquela que “tem que sair de si mesma e ir para o mundo” realizando o cristianismo na história (Repubblica, 21 de setembro de 2014).

Estas teses estão refletidas na teologia moral de Kasper, segundo a qual a experiência do encontro com Cristo dissolve a lei, ou melhor, a lei é um impedimento do qual o homem deve libertar-se para encontrar a misericórdia de Cristo. Schelling em sua filosofia panteísta absorve em Deus até o mal. Kasper absorve o mal no mistério da Cruz, na qual ele vê a negação da metafísica tradicional e da lei natural que vem em seguida. “A passagem da filosofia negativa à filosofia positiva é para Schelling, ao mesmo tempo a passagem da lei ao evangelho” (“O absoluto na história”, p. 178), assim escreve o cardeal alemão, que por sua vez, vê a passagem da lei para o evangelho na primazia da praxis pastoral sobre uma doutrina abstrata.

A este respeito, o ensinamento moral do Cardeal Kasper é, pelo menos implicitamente, antinomista. O antinomismo é um termo cunhado por Lutero contra o seu adversário na esquerda, Johann Agricola (1494-1566), mas que tem suas reminiscências em heresias antigas e medievais para indicar a rejeição do Antigo Testamento e sua lei, que eram vistos como mera proibição e obrigações, em contraste com o Novo Testamento, que é a nova economia da graça e da liberdade. Em termos gerais, o Antinomismo é visto como a rejeição da lei moral e natural que tem suas raízes na rejeição da idéia da natureza. Para os “antinomistas cristãos” não existe lei porque não existe uma natureza humana objetiva e universal. A consequência é a evaporação do sentido do pecado, a negação dos absolutos morais, a revolução sexual dentro da Igreja.

A partir dessa perspectiva, é possível compreender como o Cardeal Kasper em seu recente livro: “Misericórdia. Conceito fundamental do Evangelho – Chave da vida”,  publicado em alemão em 2012 e traduzido para o italiano pela editora Queriniana em 2013, se propõe a romper com o tradicional equilíbrio entre justiça e misericórdia, fazendo desta última, contra tudo que ensina a Tradição, o principal atributo de Deus. No entanto, como observou Padre Serafino Lanzetta em uma excelente análise do seu volume, publicado pela www.chiesa.espressonline.it, “a misericórdia aperfeiçoa e cumpre a justiça, mas não a anula e sim a pressupõe, caso contrário ela não teria razão de existir”. O desaparecimento da justiça e da lei torna ininteligível o conceito de pecado e o mistério do mal, a menos que se queira reintegrá-los em uma perspectiva teosófica e gnóstica.

Encontramos esse erro no postulado Luterano da “sola misericordia.” Abolida a mediação da razão e da natureza, para Lutero o único caminho de volta para Deus é a “fé fiducial”, que tem seu preâmbulo não na razão metafísica, da qual deve ser totalmente desvinculada, mas num sentimento de profundo desespero que tem por sua vez seu próprio objeto na “misericórdia” de Deus, ao invés da verdade revelada por Ele. Este princípio, como foi demonstrado por Silvana Seidel Menchi em sua obra “Erasmus na Itália 1520-1580″ (La Costa Basic Books, Turim, 1987), desenvolveu-se na literatura herética do século XVI graças à influência do Tratado de Erasmus, “De imensos misericórdia de Deus” (1524), que escancarava as portas do céu para os “homens de boa vontade” (ibid, p. 143-167). Nas seitas de origem erasmiana e luterana que compõem a extrema esquerda da Reforma Protestante refloresceram além dos erros anti-trinitários do século IV, o arianismo, modalismo, sabelianismo, com base na negação ou perversão da idéia de natureza.

O único percurso penitencial possível para se conhecer o abraço da Divina Misericórdia é a rejeição do pecado em que estamos imersos e o reconhecimento de uma lei divina que deve ser amada e observada. Esta lei está enraizada na natureza humana e está gravada no coração de cada homem “pelo dedo do Criador” (Rm 2, 14-15). Esse é o supremo critério de julgamento de cada ação e de todas as relações humanas como um todo ou na história.

O termo natureza não é algo abstrato. A natureza humana é a essência do homem, tudo aquilo que ele é antes mesmo de se tornar uma pessoa. O homem é uma pessoa, titular de direitos inalienáveis, porque ele tem uma alma. Ele tem uma alma, porque, diferente de qualquer outro ser vivo, tem uma natureza racional. Natural não é o que nasce dos instintos e desejos do homem, mas o que corresponde às regras da razão, que por sua vez tem de obedecer a uma ordem de princípios objetivos e imutáveis. A lei natural é uma lei racional e imutável, porque imutável enquanto espiritual é a natureza do homem. Todos os indivíduos que pertencem a uma mesma natureza ou espécie agirão ou deverão agir da mesma maneira, porque a lei natural está inscrita na natureza não deste ou daquele homem, mas na natureza humana considerada em si mesma, em sua permanência e estabilidade.

O Cardeal Kasper não crê na existência de uma lei natural universal e absoluta, e no Instrumentum laboris, ou seja, o documento oficial do Vaticano que prepara o Sínodo de outubro, este repúdio da lei natural transparece com evidência, mesmo quando apresentado em termos mais sociológicos do que teológicos. “O conceito de lei natural acaba por ser como tal, hoje em diferentes contextos culturais, altamente problemático, se não completamente incompreensível” (21 n.) – se diz – mesmo porque “hoje em dia, não só no Ocidente, mas cada vez mais em todas as partes da Terra, a pesquisa científica representa um sério desafio ao conceito de natureza. A evolução, a biologia e neurociência, confrontando-se com a idéia tradicional de lei natural, chegaram à conclusão de que essa não pode ser considerada ‘científica'” (n. 22). Ainda segundo o programa kasperiano, contra a lei natural é necessário contrapor o “espírito do Evangelho, que deve comunicar os valores “de um modo compreensível aos homens de hoje”. Se torna portanto necessário “dar uma ênfase muito maior sobre o papel da Palavra de Deus como um instrumento privilegiado na concepção da vida conjugal e familiar. Recomenda-se que se faça maior referência ao mundo bíblico, sua linguagem e formas narrativas. Neste sentido, destaca-se a proposta de tematizar e aprofundar o conceito de inspiração bíblica, da ‘ordem da criação’, como a possibilidade de reler de modo existencialmente mais significativo a ‘lei natural’ (…) Também se recomenda atenção para que se faça com que a juventude assuma o papel de interlocutores diretos das propostas sobre esses temas ” (30 n.).

As consequências inevitáveis dessa nova concepção de moralidade, que serão discutidas pelos participantes do Sínodo, foram tratadas por Vito Mancuso, no jornal Repubblica de 18 de Setembro. A lei natural “é um fardo pesado demais para suportar”; é necessário, portanto, apontar para “um profundo processo de renovação em matéria de ética sexual” que possa levar às seguintes e necessárias aberturas: sim à contracepção; sim ao sexo antes do casamento e sim o reconhecimento de casais homossexuais”.

De frente a esse catastrófico itinerário em direção à imoralidade, como não causaria admiração o fato de cinco cardeais publicarem um livro em defesa da moral tradicional e que outros cardeais, bispos e teólogos, também tenham se associado a esta posição? Contra quem advoga uma nova disciplina doutrinal e pastoral, — escreveu o cardeal Pell — se levanta “uma barreira intransponível”, baseada “na quase completa unanimidade sobre este ponto do qual a  história da Igreja Católica dá provas de mais de dois mil anos” (Prefácio de Juan José Pérez-Soba, Stephen Kampowski, “Além da proposta de Kasper”, Ignatius Press, San 2014, p. 7).

É de se esperar que o confronto seja livre e transparente, sem a imposição de cima para baixo de regras que distorçam ou falsifiquem o jogo. O que está em jogo não é uma simples divergência de opiniões, mas a clarificação da missão da igreja. Há que se rezar para que os bispos fiéis à Tradição não se deixem intimidar e que sejam  capazes de suportar com paciência a virulência dos ataques da mídia e as censuras eclesiais, ainda que sejam injustas e pesadas, que podem vir a ocorrer. “A melhor canção continua a ser a nossa” (p. 8), escreve ainda o Cardeal Pell e Atanásio continua a ser um modelo, em nosso tempo, para aqueles que não se retraem diante do justo combate em defesa da verdade.

1 outubro, 2014

“O Papa não tem laringite”.

O Cardeal Burke, prefeito da Assinatura Apostólica, critica duramente o cardeal Kasper. Usa adjetivos como “ultrajante” e “enganador” para definir as declarações de seu colega. “Acho engraçado que o Cardeal Kasper afirme falar em nome do Papa. O Papa não tem laringite”

Por Marco Tosatti – La Stampa | Tradução: Fratres in Unum.com – O Prefeito da Assinatura Apostólica, o mais alto tribunal da Igreja, o Cardeal norte-americano Raymond Leo Burke, chamou de “ultrajante” que o Cardeal Kasper insinue que a crítica às suas propostas (de Kasper) sobre a comunhão para divorciados recasados seriam direcionadas ao Papa.

Burke e Bento.

Burke e Bento.

Burke, homem sem papas na língua, falou em uma conferência organizada pela Ignatius Press, grande editora americana religiosa, que hoje lançará no mercado vários livros em vista do Sínodo dos Bispos sobre a família, que será aberto em Roma na manhã de domingo.

“Acho engraçado que o Cardeal Kasper afirme falar em nome do Papa. O Papa não tem laringite”, disse Burke, falando do livro assinado por ele e por outros cardeais e especialistas no assunto para se opor à proposta de Kasper de dar a comunhão para divorciados recasados. Burke disse que Kasper “estava errado”, porque a indissolubilidade do matrimônio “é baseada nas palavras claras de Jesus Cristo e não pode ser mudada”.

Padre Joseph Fessio, jesuíta e responsável pela Ignatius Press, se perguntou se o Papa não havia encorajado a discussão sobre a proposta de Kasper, de modo a chamar a atenção para o problema e, por fim, reafirmar o ensinamento da Igreja. Questionou se “o Santo Padre astutamente não procurou mexer num cacho de abelha” em vista do Sínodo.

Em resposta a uma declaração de Kasper, segundo a qual a sua proposta prevê uma mudança na disciplina, e não a doutrina da Igreja, Burke argumenta que é um “argumento muito enganador”. “Não pode haver uma disciplina na Igreja que não esteja a serviço da doutrina”.

18 setembro, 2014

Paz com o socialismo.

“Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista” (Pio XI, Quadragesimo Anno, n.º 119).

“Entre comunismo e cristianismo, o Pontífice [Pio XI] declara novamente que a oposição é radical. E acrescenta não poder admitir-se de maneira alguma que os católicos adiram ao socialismo moderado” (João XXIII, Mater et Magistra, n.º 31).

“O erro fundamental do socialismo é de caráter antropológico. De fato, ele considera cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social” (João Paulo II, Centesimus Annus, n.º 13).

* * *

Na contramão do bom senso e do ensinamento da Igreja Católica sobre o perigo dos regimes comunistas e socialistas, Dom Roberto Francisco Ferreria Paz, Bispo de Campos e Coordenador da Pastoral dos Católicos na Política no Estado do Rio, é apresentado como cabo eleitoral de um candidato a Deputado Federal de Niterói, onde Dom Roberto foi bispo auxiliar, pelo Partido dos Trabalhadores.

Em cartaz eleitoral, é atribuído a Dom Roberto o seguinte panegírico acompanhado por pedido descarado de voto:

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“Falar do caríssimo vereador Marlos Costa é fazer referência a um dos políticos cristãos que apresentam um perfil qualificado e diferenciado pela sua ética, competência e compromisso com os pobres e excluídos. Sua gestão pública como vereador tem primado pelo respeito ao bem comum, a solidariedade e a busca da transparência, construindo um verdadeiro mandato comunitário e social. Colocar o Marlos no Congresso Nacional é agilizar o processo de reforma política, de consolidar uma legislatura em plena sintonia com o povo, com o desenvolvimento integral, solidário e responsável de aproximar os valores do Reino de Deus num espaço tomado pelo viés do fisiológico e os interesses privados. Vamos dar o nosso voto com consciência, alegria e esperança a este nosso irmão batalhador de todas as horas, presença constante na nossa pastoral de fé e política. Para a vitória da vida, da família, dos pequenos e da justiça social: Marlos Costa é uma indicação segura.”

+ Dom Roberto Francisco Ferreria Paz, Bispo de Campos.

Primeiro, esperamos sinceramente que esse apadrinhamento eclesiástico desavergonhado seja uma fraude e que Dom Roberto Paz não o tenha redigido nem autorizado sua divulgação.

Como assim, Excelência?

Por mais que o candidato possa ser bem-intencionado e tenha, dizem, propostas em prol dos pobres e excluídos, é fato público e notório que o partido ao qual se filiou obriga seus correligionários a aderirem à sua política socialista, abortista e gayzista. Conforme publicado recentemente neste blog, ‹‹ todo candidato filiado ao PT é obrigado a acatar as resoluções do partido, entre elas a resolução aprovada no 3º Congresso do PT, ocorrido em agosto e setembro de 2007, “Por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais”, que inclui a “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público”. O Estatuto do PT põe como requisito para ser candidato pelo Partido “assinar e registrar em Cartório o ‘Compromisso Partidário do Candidato ou Candidata Petista’” (art. 140, c). Tal assinatura, diz o Estatuto, “indicará que o candidato ou candidata está previamente de acordo com as normas e resoluções do Partido, em relação tanto à campanha como ao exercício do mandato” (art. 140, §1º). Se o político contrariar uma resolução como essa, que apoia o aborto, “será passível de punição, que poderá ir da simples advertência até o desligamento do Partido com renúncia obrigatória ao mandato” (art. 140, §2º) ››.

Pelo visto, a plena comunhão com seus amigos tradicionalistas em Campos não fez efeito algum sobre o bispo uruguaio que, desgraçadamente, veio fazer estrago no Brasil. Seu histórico de feitos é longo: cidadão planetário, ativista do direito dos bosques e dos animais, arauto junto ao MST da “família humana sem fronteiras”, cujo diretório litúrgico deve ter sido redigido pela ONU — as colunas semanais do bispo quase sempre repercutem a agenda daquela entidade maçônica, comemorando grandiosíssimas festas como o dia internacional da Alfabetização, o dia internacional dos Desaparecidos… — Dom Roberto Paz (que recebeu o título de cidadão do Rio de Janeiro ao lado justamente de quem?… Do vereador para quem agora faz campanha…),  que vibrou com o “Flash Movíe” (?!) dos bispos na JMJ e amiúde cita artistas (indecentes) e filósofos modernos com toda pompa e eloquência, no alto de sua requintada cultura, é conhecido defensor da Teologia da Libertação.

Pois, então, explique-nos, senhor bispo, como um candidato filiado ao PT poderá representar a vitória da vida, da família e dos pequenos, como dito no panegírico acima, se seu partido é o maior promotor da cultura da morte em nosso país? Acaso devemos esquecer que os dois últimos deputados petistas que advogavam a favor do direito de nascer — Luiz Bassuma e Henrique Afonso — foram sumariamente expulsos das fileiras petistas pelo Diretório Nacional? Deveríamos nos espelhar no semelhante apoio dado ao deputado petista Alessandro Molón por influentes clérigos da cidade do Rio de Janeiro, cuja atuação “em favor dos pobres e excluídos” nunca incluiu um repúdio claro e consistente ao aborto ou aos chamados “casamentos” entre pessoas do mesmo sexo?

E mais, até quando dioceses, paróquias, encontros diocesanos e congressos de movimentos eclesiais servirão de palanque eleitoral para candidatos de partidos socialistas e comunistas sob não só o silêncio ou complacência de seus pastores, mas em muitos casos com seu explícito apoio?

Que nossos digníssimos promotores da Igreja dos pobres e para os pobres, intrépidos defensores da ficha limpa, enfim, façam uma faxina em seus próprios quintais e promovam a tal “reforma política”, não com plebiscitos enganadores, mas, primeiramente, abstendo-se de fazer o que há de mais sórdido da velha e suja política: captar votos de pessoas humildes utilizando-se do prestígio e autoridade moral que lhes confere a Igreja. Deixem de instrumentalizar a Casa de Deus em benefício de suas próprias agendas!

Santo Tomás Morus, rogai por nós!

* * *

ERRATA: Ao contrário do que havíamos divulgado, Dom Roberto Ferrería Paz não é vinculado ao Opus Dei.

15 setembro, 2014

Em defesa da vida ou a favor do aborto?

Texto aprovado na reunião da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 – CNBB, em 23/08/2014

Em janeiro de 2014, o papa Francisco, ao dirigir-se ao corpo diplomático sediado no Vaticano, declarou que «causa horror só o pensar que haja crianças que não poderão jamais ver a luz, vítimas do aborto», pecado que o santo padre qualificou de manifestação da «cultura do descarte» contemporânea e «negação da dignidade humana» (cf.http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2014/january/documents/papa-francesco_20140113_corpo-diplomatico.html).

A dignidade inviolável da vida humana inocente, em todas as suas fases, não é apenas um princípio do Evangelho como também um fundamento para a construção de uma sociedade que promova efetivamente a dignidade da pessoa humana. É com esse pensamento, e com o propósito de atender aos apelos do papa Francisco, como também dos papas anteriores, Bento XVI e S. João Paulo II, que a Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul-1 da CNBB vem a público, neste período de eleições, propor uma reflexão sobre esse assunto de vital importância, sem medo de exercer igualmente o papel profético da denúncia, convencida de que calar-se sobre este ponto equivaleria a omitir-se gravemente no cumprimento de sua missão.
Infelizmente, ao se fazer um balanço sobre a atuação do atual governo na questão da defesa da vida, os resultados obtidos foram indiscutivelmente sombrios. Neste período de governo, podemos assinalar os seguintes fatos:

01)  A Presidente deu continuidade e renovou por três vezes o convênio com a Fundação Oswaldo Cruz, tendo por objeto o “estudo e pesquisa para legalizar o aborto no Brasil”; ao ser renovado pela presidente, o objeto passou a ser estrategicamente designado como “estudo e pesquisa sobre o aborto para fortalecer o Sistema Único de Saúde”,  mas a equipe contratada continuava sendo a mesma, constituída pelos principais ativistas e representantes das ONGs que promovem, no Brasil, o reconhecimento dos “direitos sexuais e reprodutivos das mulheres”, expressão eufemística criada na Conferência do Cairo para abrir espaço ao direito do aborto.

02) Nomeou como ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres a socióloga Eleonora Menicucci, que fez diversos pronunciamentos públicos apoiando a legalização do aborto. Em 6 de junho de 2012, essa ministra declarou à Folha de São Paulo que «o governo entende que não é crime orientar uma mulher sobre como praticar o aborto». No mesmo dia a Secretaria de Atenção à Saúde do próprio Ministério declarou ao mesmo jornal que «o Sistema de Saúde brasileiro passará a acolher as mulheres que desejam fazer aborto e orientará como usar corretamente os métodos existentes para abortar» e que «Centros de aconselhamento indicarão quais são, em cada caso, os métodos mais eficazes».

03) Em fevereiro de 2013, o então ministro da Saúde, atualmente candidato ao governo do Estado de S. Paulo, em reunião com o presidente da Câmara Federal, solicitou que fosse votado em regime de urgência, um projeto de lei de autoria da deputada Iara Bernardi (PT), reapresentado em 2013 como PL 03/2013. Tal projeto de lei, apresentado simplesmente como dispondo sobre “atendimento obrigatório e integral de pessoas em situação de violência sexual”, não menciona explicitamente a palavra ‘aborto’, mas, conforme reconheceu sua própria autora, a deputada Iara Bernardi (PT), procura dar força de lei às normas técnicas do Ministério da Saúde que dispõem sobre o aborto supostamente legal, ainda que não haja no Brasil lei alguma definindo o aborto como direito em caso algum.

Após ter sido impulsionado em todas as etapas de tramitação por parlamentares da frente governista, este PL 03/2013 foi aprovado por unanimidade na Câmara dos Deputados em 5 de março e no Senado em 4 de julho, sendo transformado na Lei Federal n. 12.845/2013 após ter sido sancionado e promulgado pela presidente Dilma Rousseff (PT) no dia 1º de agosto de 2013. Essa Lei n. 12.845, que ganhou o apelido de Lei Cavalo de Troia pela forma enganosa como foi apresentada ao Congresso, institui o aborto como prática obrigatória em todos os hospitais públicos e conveniados com o SUS, sem respeito pela objeção de consciência dos hospitais mantidos pela Igreja Católica ou outras comunidades religiosas. Exige-se que o médico pratique o aborto, mesmo contra a própria consciência, quando não houver outro médico disposto a praticá-lo.

Outra novidade da Lei Cavalo de Troia é a definição de “violência sexual” como “qualquer relação sexual não consentida”, expressão que permite ser interpretada da maneira mais ampla possível e sem necessidade de apresentação de qualquer prova, nem mesmo boletim de ocorrência. Aliás, desde setembro de 2007, o PT assumiu em seu programa estatutário a legalização do aborto e a execução dessa prática em todos os casos no serviço público. Além do PT mais oito partidos políticos, registrados no Tribunal Superior Eleitoral, incluem explicitamente em seus estatutos ou programas a legalização do aborto, a saber: o Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Partido Popular Socialista (PPS), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o Partido da Causa Operária (PCO), o Partido Democrático Trabalhista (PDT), o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e o Partido Verde (PV).

Quanto à realização de um plebiscito sobre a legalização do aborto, em 2007, quando da visita do papa Bento XVI ao Brasil, o então secretário-geral da CNBB declarou que “Colocar em plebiscito o direito de matar é um absurdo. Ninguém gostaria que seu direito de viver dependesse do resultado de um plebiscito”. S. João Paulo II na sua encíclica “Evangelium Vitae” assim se expressa: “Quando uma maioria parlamentar ou social decreta a legitimidade da eliminação, mesmo sob certas condições, da vida humana ainda não nascida, porventura não assume uma decisão ‘tirânica’ contra o ser humano mais débil e indefeso? Porventura (os crimes contra a humanidade) deixariam de ser crimes, se, em vez de terem sido cometidos por tiranos sem escrúpulos, fossem legitimados por um consenso popular? Não se pode mitificar a democracia até fazer dela o substituto da moralidade.” (EV 70).  Infelizmente, a candidata do PSB à Presidência da República apoia a realização de um plebiscito sobre a legalização do aborto no Brasil. Esse posicionamento contradiz o direito à inviolabilidade da vida humana desde a concepção até à morte natural, sempre defendido pela Igreja.

(Fontes:http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1204200718.htm
http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/marina-defende-plebiscito-para-aborto-e-maconha/)

É bom que se recorde igualmente que os serviços de aborto, supostamente legal (sendo que não há lei que defina o aborto como direito no Brasil), começaram na prefeitura de São Paulo, em 1989, durante a gestão da atual coordenadora geral da campanha de Marina Silva, com a portaria n. 692/1989, do então Secretário Municipal de Saúde, hoje candidato do PV, que também apoia explicitamente o aborto em seu programa estatutário. (Fonte: http://noticias.r7.com/eleicoes-2014/pre-candidato-pelo-pv-eduardo-jorge-defende-legalizacao-do-aborto-e-da-maconha-14062014)

Em seu artigo sobre “Fé e Política”, o Bispo de Guarulhos SP, escreve:” Se um candidato…escolheu um partido que tem posições contrárias à defesa da vida, desde a sua concepção até à morte natural, e vincula e obriga os seus membros a esta posição, seria imoral para o cristão fazer tal opção política.” (Folha Diocesana de Guarulhos, n° 212, julho de 2014).

A Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul-1 da CNBB recomenda a todos os cidadãos muito discernimento nestas eleições, para que o nosso voto fortaleça a defesa da Vida Humana em todas as suas fases e não contribua a espalhar a “cultura do descarte” de seres humanos, denunciada pelo papa Francisco.

COMISSÃO EM DEFESA DA VIDA DO REGIONAL SUL-1 DA CNBB
ASSINAM ESTE FOLHETO OS COORDENADORES DAS COMISSÕES DIOCESANAS EM DEFESA DA VIDA (CDDVS) DAS (ARQUI)DIOCESES (EM ORDEM ALFABÉTICA) DE:
CAMPINAS – DIÁCONO JOÃO VICENTE DA SILVA;

GUARULHOS – MARIA   LEÔNIA DA   SILVA;
 ITAPETININGA – IRMÃ APARECIDA REIS;
S. ANDRÉ – ROBERTO VERTAMATTI;
S. JOSÉ DOS CAMPOS – JOÃO PINHEIRO NETO;
COORDENADOR DA COMISSÃO EM DEFESA DA VIDA DO REGIONAL SUL 1- PE. BERARDO GRAZ

“Autorizam a divulgação deste texto o Presidente da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, DOM JOSÉ BENEDITO SIMÃO, e o Bispo Referencial da Pastoral Familiar do mesmo Regional Sul 1 DOM EMÍLIO PIGNOLI”

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10 setembro, 2014

Precisamos estar prontos para defender a verdade do matrimônio, mesmo ao custo do martírio.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com – São João foi chamado para anunciar a palavra de Deus sobre a santidade do matrimônio, uma vez que Deus criou homem e mulher desde o início, em vista da oposição da detestável Herodíades, que estava vivendo uma relação adúltera com o Rei Herodes. São João Batista foi indubitavelmente “um bastião de ferro” no anúncio da verdade, confiando que o Senhor nunca o abandonaria, mas faria a verdade prevalecer, mesmo ao custo do martírio.

DSC_5507 (1)O próprio Cristo, quando estava prestes a concluir Seu ministério, anunciou a mesma verdade, quando os fariseus Lhe indagaram sobre a prática do divórcio. Ele esclareceu que Sua resposta à pergunta deles não era nada menos que a exposição da verdade sobre o matrimônio, de acordo com o plano do Pai desde a Criação. Ele declarou:

Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne? Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu.

Quando os fariseus continuaram a questioná-lo, lembrando que até mesmo Moisés havia permitido o divórcio, ele respondeu com firmeza:

É por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres; mas no começo não foi assim. Eu, porém, vos digo: Quem se divorciar de sua mulher, salvo em caso de fornicação, e se casar com outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério.

Quando seus próprios discípulos comentaram sobre a dificuldade de viver a verdade sobre o matrimônio, Nosso Senhor assegurou-lhes que a graça divina é dada para viver, mesmo heroicamente, esta verdade que está na base da vida da Igreja e da sociedade, em geral: “Nem todos são capazes de entender isso, mas somente aqueles a quem foi dado.”

Mesmo acorrentado na prisão, São João Batista não perdeu a liberdade de dizer a verdade. Assim, também, não há um de nós que perca a mesma liberdade, mesmo se precisarmos entregar a nossa vida por amor à verdade.

A verdade, que nos foi revelada por Deus na Criação e na Redenção, deve sempre encontrar uma testemunha fiel em nós, pelo bem da nossa própria salvação e pela salvação do mundo. A festa de hoje deixa claro que a nossa missão de cristãos é a de sermos arautos da Palavra de Deus, mesmo em meio a uma cultura hostil, confiantes na Palavra do Senhor: “Eles lutarão contra vós; mas eles não prevalecerão, pois estou com vós, …, para livrar-vos.”

Rezemos, especialmente hoje, pela intercessão de São João Batista, para que, pela sua imitação, possamos ser arautos intransigentes da verdade acerca do matrimônio: a união duradoura, fiel e procriativa de um homem e uma mulher. O amor de Deus e de nosso próximo exige um testemunho fiel de nossa parte. Se o nosso testemunho precisar ser dado contra uma oposição hostil, como frequentemente ocorre em nossos dias, tenhamos confiança que a graça de Deus nunca nos faltará. Ela garante a vitória da verdade.

* * *

Em sua recente visita à Austrália, o Cardeal Burke, Prefeito do Tribunal da Assinatura Apostólica, dedicou praticamente todas as suas intervenções à Família, ao Matrimônio e à Verdade (incluindo o sermão acima, pregado na Festa do Martírio de São João Batista). Você encontrará todos os textos proferidos em sua visita e as imagens na página da Paróquia Pessoal dedicada ao Venerável Rito Romano da Arquidiocese de Melbourne, Beato João Henry Newman.

8 setembro, 2014

Cinco cardeais respondem em um livro as propostas de Kasper sobre a comunhão aos divorciados.

IHU – Não virá a luz antes do dia 07 de outubro, mas já é esperado com expectativa: intitula-se Remaining in the Truth of Christ: Marriage and Communion in the Catholic Church [Permanecendo na Verdade de Cristo: o matrimônio e a Comunhão na Igreja católica], que será publicado em inglês pela prestigiada editora católica Ignatius Press, e constitui uma nova prova da profundidade do debate aberto pelo cardeal Walter Kasper, em fevereiro do ano passado, ao voltar a propor que algumas pessoas divorciadas e que voltaram a se casar no civil possam aproximar-se do sacramento da Comunhão.

A reportagem é publicada por Religión en Libertad, 04-09-2014. A tradução é do Cepat.

Essas propostas estão incorporadas ao documento de trabalho do Sínodo da Família que irá ocorrer no Vaticano em 2014, o qual disparou todos os alarmes e abriu um profundo debate.

O cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que em outubro de 2013 escreveu uma argumentação completa a favor da doutrina da Igreja a partir do Osservatore Romano, continuou essa defesa em um livro-entrevista intitulado La esperanza de la familia.

Do mesmo modo, oito teólogos, sete deles dominicanos, tornaram conhecido o escrito de um grande projeto doutrinal assinalando os perigos e incoerências que implicaria dar a comunhão a pessoas que vivem maritalmente com quem não é realmente seu cônjuge perante a Deus.

E agora chega Remaining in the Truth of Christ: Marriage and Communion in the Catholic Church, escrito pelo agostiniano Robert Dorado, OSA, como “resposta em profundidade”, como explica o editorial de cinco cardeais e outros quatro professores “à proposta do cardeal Kasper em relação ao casamento, o segundo matrimônio civil e a recepção da Eucaristia”.

Cinco cardeais

Os cinco cardeais são, além do citado Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé: Raymond Leo Burke, perfeito da Signatura Apostólica; Walter Brandmüller, presidente emérito do Comitê Pontifício de Ciências Históricas; Carlo Caffarra, arcebispo de Bolonha e um dos teólogos mais próximos a São João Paulo II em questões de moral e família; e Velasio De Paolis, presidente emérito da Prefeitura de Assuntos Econômicos da Santa Sé.

Cinco “pesos pesados” do colégio cardinalício que unem seus estudos aos dos especialistas Robert Dodaro, John Rist, Paul Mankowski e o arcebispo Cyril Vasil, este dois últimos jesuítas.

Além de fundamentar-se no magistério bimilenário da Igreja, o livro recorre à fontes bíblicas e aos primeiros escritos cristãos sobre o matrimônio, e mostra, como antecipa Ignatius Press, “como a permanente fidelidade da Igreja à verdade sobre o matrimônio é o fundamento irrevogável de sua misericórdia em sua pastoral com as pessoas em segundo matrimônio”.

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2 agosto, 2014

O artigo que enfureceu a patrulha gayzista.

Propagar o homossexualismo é disseminar AIDS

Revista Catolicismo – Fevereiro de 2012 – Em notícia de 29-11-11, intitulada “Em 10 anos, o número de jovens homossexuais do sexo masculino com aids cresce 60%”,  Agência Estadoescreve: “Risco de um jovem homossexual brasileiro estar infectado pelo vírus HIV é 13 vezes maior do que o restante da população da faixa etária, divulgou o Ministério da Saúde. Em 2010 foram confirmadas 514 infecções entre homossexuais de 15 a 24 anos, equivalente a 26,9% dos casos nessa faixa etária. Entre jovens heterossexuais [...] em 2010 representam 21,5%”.

O que mais interessa saber não é que houve um aumento de 60% de AIDS entre jovens homossexuais, mas qual seja a incidência de AIDS entre homossexuais e heterossexuais em relação à população do Brasil.

Se o risco é 13 vezes maior para os homossexuais, isso significa que para cada 100 heterossexuais infectados existem 1.300 homossexuais com a doença.

Esses números mostram que a incidência de AIDS entre os homossexuais é significativamente maior.

Qual é a proporção de homossexuais na população brasileira? Não há estatísticas exatas, nem sequer dados confiáveis. Em geral, para efeito de propaganda, aumenta-se muito o índice.

Segundo a revista “Super” (Editora Abril), em julho de 2004, entre homens homossexuais e bissexuais, haveria 7,9%. A revista “Isto é Dinheiro”, de 21-6-06, fala em 10% da população. Outras fontes igualmente pouco confiáveis falam de 5% até 10%. É de se conjeturar que a proporção de homossexuais na população seja ainda bem menor.

O Censo de 2010, divulgado em 29-4-11, apresenta dados relativos apenas a duplas de homossexuais que moram juntos (masculinos ou femininas), afirmando que são 60.002. O que equivale a 0,03% do total da população.

Ou seja, constituindo os homossexuais, na hipótese mais avançada, apenas 10% da população, entretanto há 13 vezes mais risco de um jovem homossexual pegar a AIDS do que o restante dos jovens.

O recém-publicado opúsculo intitulado Homem e Mulher, Deus os criou, de autoria do Padre David Francisquini (Artpress, São Paulo, 2011), informa na sua Proposição 108 que os próprios ativistas homossexuais reconhecem que a AIDS pode ser considerada uma doença dos homossexuais, aduzindo importantes dados a respeito.

 De onde se conclui que, caso se quisesse combater de fato e eficazmente a proliferação da AIDS, o alertar a população sobre esses dados constituiria a primeira e mais urgente medida. Não se trata de discriminação. É uma realidade que o público deve conhecer para se precaver.

Ora, a política que vem sendo adotada é exatamente a oposta: “O governo instituiu a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo é promover a saúde integral da população LGBT, ‘eliminando a discriminação e o preconceito institucional e contribuindo para a redução das desigualdades e para consolidação do SUS como sistema universal, integral e equitativo’” (“Agência Estado”, 2-12-11).

Há ainda o aspecto principal da questão, posto em realce pelo Pe. David: “O pecado de homossexualismo é especialmente grave porque viola a ordem natural dos sexos, estabelecida por Deus na criação. Por isso está classificado entre os pecados que bradam aos céus por vingança” (op. cit., Proposição 18).

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30 junho, 2014

Cardeal Baldisseri: Vaticano promoverá “pastoral de misericórdia” para os divorciados e casais do mesmo sexo.

Vaticano, 26 Jun. 14 / 05:52 pm (ACI/Europa Press).- O Vaticano anunciou que promoverá uma “pastoral de misericórdia” para aqueles casais que estão em situações de irregularidade canônica, como os que convivem, os divorciados, os desquitados, os divorciados que voltaram a casar pelo civil, as mães solteiras ou casais do mesmo sexo e o cuidado a ser dado aos eventuais filhos adotivos. O conteúdo do anúncio foi feito pelo cardeal Lorenzo Baldisseri durante a apresentação do Instrumento de trabalho que será usado pelos bispos de todo o mundo durante Sínodo sobre os desafios pastorais para a Família, que se celebra entre os dias 5 e 19 de outubro.

O Instrumento de trabalho, que será estudado durante o Sínodo pelos prelados e demais participantes, constitui um diagnóstico da preocupação pelas situações familiares, fruto das respostas enviadas ao Vaticano por episcopados, congregações e movimentos de todo o mundo.

Deste modo, o secretário geral do Sínodo dos bispos, Cardeal Lorenzo Baldisseri, assinalou que serão consideradas de maneira particular as situações pastorais difíceis que se referem, entre outras, às situações de “convivência e uniões de fato, casais desquitados e divorciados (que casaram pela Igreja) e voltaram a casar”, aqueles que se encontram em condições de “irregularidade canônica” ou que pedem casar-se pela Igreja “sem ser crentes ou praticantes”.

Sobre os casais que se uniram em matrimônio religioso e após o divórcio estão impedidos de casar pela Igreja ou aceder aos sacramentos, o Secretário do Sínodo e Ex-Núncio apostólico no Brasil reconheceu que estes “vivem com sofrimento sua situação de irregularidade na Igreja” e afirmou que a Igreja “sente-se interpelada a encontrar soluções compatíveis com sua doutrina, que guiem uma vida serena e reconciliada”.

Assim, manifestou a “relevância” de “simplificar e agilizar os processos judiciais de nulidade matrimonial”.

Sobre os que se casam “sem fé explícita”, reclamou “maior atenção da pastoral eclesiástica” e uma “melhor qualidade” nos cursos de preparação do matrimônio para que os esposos possam continuar sendo “recém casados depois das bodas”.

Cuidado dos filhos de casais do mesmo sexo

Sobre os casais do mesmo sexo, o Cardeal Baldisseri distinguiu contextos, segundo a legislação civil seja “mais ou menos favorável”, e insistiu na necessidade de um “cuidado pastoral das Igrejas particulares”, sobretudo pensando em “questões relacionadas com os eventuais filhos”, referindo-se ao contexto das uniões civis de mesmo sexo que em diversos países, em um número crescente, podem adotar filhos.

“Urge permitir às pessoas feridas curar-se e reconciliar-se, encontrando de novo confiança e serenidade”, acrescentou.

Por isso, promoveu a necessidade de uma pastoral capaz de oferecer a “misericórdia que Deus concede a todos sem medida”, e evidenciou que a Igreja deve “propor e não impor”, “acompanhar e não empurrar” e “convidar e não expulsar”.

Do mesmo modo, o Cardeal Baldisseri reconheceu que “a convivência e as uniões de fato” estão em crescente difusão e atribuiu o fato a “diversas razões sociais, econômicas e culturais”.

“A Igreja sente o dever de acompanhar estes casais na confiança de poder sustentar uma responsabilidade como é a do matrimônio”, disse.

Por sua parte, o relator Geral da III Assembléia Geral Extraordinária do Sínodo de Bispos e Arcebispo de Budapest, Hungria, Cardeal Peter Erdo, comentou que o documento de trabalho oferece “uma panorâmica da situação da pastoral da família”, a partir da perspectiva do nível da consciência, que proporcional ao conhecimento, “dos ensinamentos de Cristo e da Igreja sobre o matrimônio” e do nível relativo “ao comportamento real das pessoas”, onde se apresentam as “situações críticas”.

O Cardeal Erdo expressou que muitas das respostas evidenciam que as pessoas, em geral, “casam-se cada vez se casa menos, também de maneira civil”. “Tal fenômeno se insere no contexto do individualismo e do subjetivismo prático”, acrescentou.

Sobre o tema dos divorciados que voltaram a casar, o Cardeal Erdo manifestou que em algumas partes do mundo se fala de “um sofrimento causado por não receber os sacramentos” e que a pergunta “o que pedem os divorciados à Igreja?” em outras partes do mundo a resposta mais frequente é que “não pedem nada, ou porque ignoram que não podem participar dos sacramentos ou se mostraram indiferentes tanto antes como depois do matrimônio civil, inválido desde o ponto de vista eclesiástico”.

* * *

Atenção: Blog em recesso.

14 junho, 2014

Pe. Santiago Martín: misericórdia, verdade e justiça.

Conferência transmitida pela Magnificat TV – Cisma, possibilidade real por conta do novo conceito de misericórdia.

Pe. Martin é sacerdote espanhol, ordenado em 1979, licenciado em Biologia e teologia Moral. Em 1988 fundou a congregação Franciscanos de Maria, é membro do Pontifício Conselho para a Família e colaborador da EWTN,

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