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2 fevereiro, 2016

Há ou não há um lobby para ampliar a legalização do aborto com o pretexto do Zika Vírus?

REDAÇÃO CENTRAL, 01 Fev. 16 / 07:30 pm (ACI).- No Brasil, já são 3.448 casos investigados de microcefalia, além dos 270 comprovados. Neste cenário, um grupo de ativistas indicou que apresentará ao Supremo Tribunal Federal (STF) ação para pedir o direito ao aborto em gestações de bebês com tal síndrome. Em resposta, o presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, Prof. Hermes Rodrigues Nery, denuncia que “o governo brasileiro e fundações internacionais usam o Zika vírus para alargar a agenda do aborto no país”.

Segundo entrevista concedida à BBC Brasil pela antropóloga Debora Diniz, do Instituto de Bioética Anis, o mesmo grupo de advogados e acadêmicos que apresentou em 2004 o pedido de aprovação do aborto em casos de anencefalia (aprovado em 2012) entrará agora com uma ação em relação à microcefalia.

O grupo argumentará que o Estado é “responsável pela epidemia de Zika”, uma vez que não erradicou o mosquito transmissor, o Aedes Aegypti, e que as mulheres não podem ser “penalizadas pelas consequências de políticas públicas falhas”. Além disso, alegará que a ilegalidade do aborto e a falta de políticas públicas de erradicação do mosquito ferem a Constituição Federal no que diz respeito ao direito à saúde e à seguridade social.

Entretanto, não citam o direito à vida, também expresso na Constituição, conforme explica à ACI Digital o Prof. Nery. “O direito à vida é o primeiro e o principal de todos os direitos humanos e a pessoa humana deve ser protegida, amada, defendida, desde o primeiro instante, na concepção” disse ele, ao ressaltar que “não há embasamento jurídico sólido para esse que é o pior de todos os atentados contra a vida humana”.

Confira a seguir a entrevista completa com o Prof. Nery:

ACI Digital: Quem são os atores deste cenário que quer aproveitar o Zika para promover a legalização do aborto? Que fundações ou indivíduos estão por trás disso?

Prof. Hermes Nery: O Citizen Go está com uma petição para que a OMS (Organização Mundial da Saúde) não instrumentalize o Zika Vírus para legalizar o aborto no Brasil. Na petição, o Citizen Go explica que “a estratégia parece clara. Grupos feministas, principalmente Women’s Link Worldwide, de Monica Roa (EUA-Colômbia), estão utilizando o vírus Zika para promover a legalização do aborto”. E afirma ainda que “em pouco tempo as feministas fizeram do mosquito seu melhor aliado”, mencionando declarações como as de Monica Roa, porta-voz de Women’s Link Worldwide: “Uma notícia de alcance tão massivo pôs em evidência as grandes lacunas em matéria de educação sexual que ainda existem (…) O Ministério da Saúde tem de adotar uma postura clara. Não digo que tenha de recomendar a todas as mulheres com Zika que abortem, mas que possa informá-las sobre quais são suas opções”. E ainda a de Débora Diniz, professora da Faculdade de Direito na UNB (universidade de Brasília) e pesquisadora do Instituto de Bioética Anis: “Falar do direito ao aborto no caso de um diagnóstico de microcefalia no feto significa reconhecer que as mulheres podem tomar decisões reprodutivas”. Elas pressionam o Ministério da Saúde para deixar claras “as suas opções”, num jogo e roteiro conhecidos, de sutilezas, que interessa também ao governo, que vê assim mais uma oportunidade de favorecer seu programa abortista, pois desde o PNDH3 (Plano Nacional de Direitos Humanos), o governo do PT quer aprovar o aborto no País.

ACI Digital: No Brasil, em 2012, os casos de anencefalia entraram na categoria em que o aborto destes bebês é despenalizado. Existe uma pressão sobre o Supremo para fazer o mesmo no caso da microcefalia?

Prof. Hermes Nery: Está evidentíssimo isso, como temos percebido na mídia em geral, que a máquina do governo e das Ongs financiadas por fundações que promovem o aborto já se mobilizam para repetir o que ocorreu no caso da anencefalia, em 2012, quando o STF despenalizou o aborto em casos de anencefalia, com a ADPF-54. Na época, durante a votação da referida ADPF-54, houve ministro que chegou a declarar: “Está aberta a porta para a legalização do aborto, no Brasil”, de modo gradual, por etapas. Naquele momento, eram os anencéfalos, mas viriam depois com outros casos, para assim, gradualmente irem alargando a agenda no aborto, via judiciária, até chegar ao aborto total, como ocorreu nos Estados Unidos, em 1973.

ACI Digital: Existe certeza médica de que a contaminação com o Zika vírus implica microcefalia do feto em 100% dos casos?

Prof. Hermes Nery: Não, não existe, de forma alguma. Não há comprovação disso. O Zika vírus está sendo utilizado pelo governo como estratégia para alargar a agenda no país e disseminar na mídia a mentalidade contraceptiva, com as sutilezas já conhecidas, induzindo a população a aceitar o aborto nesses casos, preparando assim as condições para que lá na frente o aborto seja reconhecido inclusive como direito humano, como querem as Fundações internacionais, como a Fundação Rockefeller, a Fundação Ford, a Fundação MacArthur e outras.

ACI Digital: O que levou os magistrados em 2012 a considerar a anencefalia razão suficiente para o aborto? Qual seria o embasamento jurídico para manter a microcefalia nos casos onde o aborto deve continuar sendo penalizado?

Prof. Hermes Nery: Essa história do STF interferir com seu abominável ativismo judicial em favor do aborto (ajudando assim a política do governo petista de Dilma Rousseff) começou quando o STF autorizou o uso de células-tronco embrionárias, em 2008, com a ADIN3510.  Naquela ocasião, o Ministro Carlos Ayres Brito, relator da ADIN3510, validou a tese de que só depois do nascimento é que a pessoa humana deve ter proteção jurídica, porque, para ele, só é pessoa depois que nasce. Foi um voto terrível e assombroso de Ayres Brito, que abriu brecha para o processo hoje em curso. O fato é que não há embasamento jurídico sólido para esse que é o pior de todos os atentados contra a vida humana, vitimando o ser humano inocente e indefeso. O direito à vida é o primeiro e o principal de todos os direitos humanos e a pessoa humana deve ser protegida, amada, defendida, desde o primeiro instante, na concepção. Ontem, o STF autorizou matar os bebês anencéfalos, hoje, poderão fazer o mesmo com os casos de microcefalia (e a mídia está afoita já na difusão disso, como que em campanha pela agenda do aborto), amanhã, serão outras categorias. São, portanto, precedentes perigosos, a favorecer um totalitarismo que vitimará os mais fragilizados da sociedade, como o Papa São João Paulo II denunciou em sua memorável encíclica Evangelium Vitae. Como ainda afirmou o Dr. Paulo Silveira Martins Leão Júnior, presidente da união dos Juristas Católicos do Rio de Janeiro, “a dignidade da pessoa humana há de decorrer, necessariamente, da própria natureza do ser humano e não de circunstâncias acessórias, adjetivas, como, por exemplo, saúde e tempo de existência, pois do contrário, cairíamos em fórmulas e critérios arbitrários e aleatórios, conforme as conveniências do momento, condicionando e aviltando a dignidade humana, e desrespeitando os termos claros dos princípios e preceitos constitucionais”.

Para assinar a petição do Citizen Go, basta acessar o site:http://www.citizengo.org/pt-pt/lf/node%3Anid%5D-oms-nao-instrumentalize-o-zika-virus-para-promover-o-aborto?tc=wp&tcid=19444650.

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1 fevereiro, 2016

Papa: a Igreja não reivindica espaço privilegiado na bioética.

O Pontífice convida a Comissão de Bioética a se aprofundar nos temas ligados à devastação ambiental, à deficiência e aos padrões a serem harmonizados. “Hoje se corre o risco de perder qualquer referência que não seja a do lucro”.

Por Iacopo Scaramuzzi – La Stampa | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: “Todos são cientes do quanto a Igreja é sensível a assuntos éticos, mas, talvez ainda não tenha ficado claro a todos que a Igreja não reivindica qualquer posição privilegiada nesse campo”.

Foi o que disse o Papa Francisco em um encontro com a Comissão Nacional para Bioética Italiana, enfatizando o risco do utilitarianismo e do lucro serem usados como únicas referências nos progressos da ciência biológica e tecnologia médica.

Ele, então, exortou este organismo consultivo do governo italiano, liderado pelo católico Francesco Paolo Casavol, para que procure se aprofundar em temas ligados à “devastação ambiental e também ao prejuízo e a marginalização de indivíduos vulneráveis”. Em suma, ele pediu para que se tomasse a tarefa de contrapor à “cultura do descartável” que nos dias de hoje assume muitas formas, inclusive aquela de tratar embriões humanos como material descartável, assim como os doentes e idosos quando se aproximam do fim da vida. O Papa também pediu para que as normas e os padrões nos campos médicos e biológicos sejam harmonizados.

“Tenho o prazer de poder manifestar o apreço da Igreja pelo fato de que, há 25 anos, foi instituído na Itália, junto à presidência do Conselho de Ministros, o Comitê Nacional de Bioética”, disse Francisco. “E todos sabem o quanto a Igreja é sensível a questões éticas, mas, talvez, nem a todos tenha ficado igualmente claro que a Igreja não reivindica qualquer espaço privilegiado neste campo, pelo contrário, ela fica satisfeita quando vê que a consciência cívica, em seus vários níveis, é capaz de refletir, discernir e agir tendo como base a racionalidade livre e aberta e os valores constitutivos da pessoa e da sociedade. De fato, exatamente, essa maturidade cívica responsável é o sinal de que a semeadura do Evangelho – esta sim, revelada e confiada à Igreja – produziu seus frutos e conseguiu promover a busca da verdade e da bondade nas complexas questões éticas e humanas”.

É necessário, para o Papa, “servir ao homem, o homem todo, todos os homens e mulheres, com especial atenção e cuidado – como já foi referido – às pessoas mais vulneráveis e desfavorecidas, que estão lutando para fazer ouvir sua voz, ou que não podem ainda ou não poderão mais fazê-la ouvir. Neste terreno comum é que a comunidade eclesial e a civil se encontram e são chamadas a cooperar de acordo com as suas respectivas competências distintas”.

A comissão “tem repetidamente tratado – disse o Papa hoje – do respeito pela integridade do ser humano e a tutela de sua saúde, desde a concepção até a morte natural, considerando a pessoa em sua singularidade, sempre como um fim e nunca simplesmente como um meio. Este princípio ético é fundamental também no que diz respeito às aplicações da biotecnologia no campo da medicina, que nunca podem ser utilizadas de uma forma prejudicial à dignidade humana, e nem tampouco devem ser guiadas apenas por fins industriais e comerciais. A bioética – disse o papa Argentino – nasceu para confrontar, através de um esforço crítico, as razões e as condições da dignidade da pessoa humana, com os avanços da ciência e das tecnologias biológicas e médicas, as quais, por seu ritmo acelerado, arriscam perder qualquer referência que não seja a utilidade e o lucro”.

O Comitê Nacional de Bioética interveio nos últimos anos em questões legislativas controversas, como na questão do fim da vida, da interrupção da gravidez, da pesquisa com células-tronco e da barriga de aluguel. O Papa, hoje, incentivou o trabalho da Comissão “em algumas áreas.”

Em primeiro lugar, “a análise interdisciplinar das causas da degradação ambiental. Espero que a Comissão seja capaz de formular linhas de orientação, em áreas que, ligadas às ciências biológicas, sejam capazes de estimular a conservação, preservação e cuidados com o meio ambiente. Neste contexto, é oportuno um confronto entre as teorias biocêntricas e antropocêntricas, em busca de caminhos que reconheçam a correta centralidade do homem em relação a outros seres vivos e todo o ambiente, até mesmo para ajudar a definir as condições irrenunciáveis para a proteção das gerações futuras”.

“Um cientista um pouco amargo e cético – acrescentou o Papa –, certa vez, quando eu falei essas coisas sobre a proteção das gerações futuras, me respondeu assim: ‘Diga-me, padre, haverá geração futura?'”. Em segundo lugar, “a questão da deficiência e da marginalização das pessoas vulneráveis em uma sociedade fundamentada na competição, na aceleração do progresso. E o desafio de combater a cultura do descartável, a qual tem muitas expressões, entre as quais aquela de tratar embriões humanos como material descartável, e do mesmo modo as pessoas doentes e idosas que estão se aproximando da morte”. Em terceiro lugar, “os esforços cada dia mais crescentes em direção a um confronto internacional com vista a uma possível e desejável, embora complexa, harmonização das normas e regras das atividades biológicas e médicas, regras que saibam reconhecer os valores e os direitos fundamentais.”

O papa finalmente elogiou a Comissão por ter sensibilizado a opinião pública, a partir da escola, sobre questões como a compreensão do progresso biotecnológico. Para Francisco, em geral, “a pesquisa sobre complexas questões bioéticas não é fácil e nem sempre chega-se a uma harmoniosa conclusão; pois esta sempre requer humildade e realismo, e não teme o confronto entre diferentes posições; e que , finalmente, o testemunho dado à verdade contribui para o amadurecimento da consciência social”.

Hoje, neste meio tempo, no escritório da sala de imprensa do Vaticano, foi apresentada a mensagem do Papa para o XXIV Dia Mundial do Enfermo, que será realizado no dia 11 de fevereiro próximo, e que foi anunciado em setembro passado. Entre os oradores estão Mons. Zygmunt Zimowski, presidente do Conselho Pontifício para os profissionais de saúde (para a Pastoral da Saúde), Mons. Jean-Marie Mate Musivi Mupendawatu e padre Augusto Chendi, secretário e subsecretário do dicastério, e padre Peter Felet, secretário-geral da Assembleia dos Ordinários Católicos da Terra Santa e referência local para a organização do Dia Mundial do Enfermo, que será sediado esse ano em Nazaré.

26 janeiro, 2016

Não confundir a família com outras formas de união – Papa.

Rádio Vaticano – No discurso aos membro do Tribunal da Rota Romana, o Papa Francisco recomendou que não se confunda a família com outras formas de união…

O Papa relançou esta prerrogativa histórica ligando-a ao magistério mais recente focalizado pela Igreja sobre o tema da família e sublinhando uma certeza que não mudou:

No percurso sinodal sobre o tema da família, que o Senhor nos concedeu realizar nos dois anos transactos, pudemos fazer, em espírito e estilo de efectiva colegialidade, um discernimento sapiencial, graças ao qual a Igreja mostrou ao mundo que não pode haver confusão entre a família desejada por Deus e qualquer outros tipos de união”.

Depois retomando palavras do Papa Pio XII que considerava o Tribunal da Rota Romana, o Tribunal da Família, o Papa Francisco acrescentou que deve ser também o “Tribunal da Verdade do Vínculo Sagrado”. À Igreja toca mostrar tanto o “amor misericordioso de Deus em relação às famílias, de modo particular as feridas pelo pecado e pela provações da vida”, como também proclamar  – disse – a “a irrenunciável verdade do matrimónio segundo o desígnio de Deus”, segundo “o sonho de Deus”, aquele sonho que atribui ao matrimónio a missão de transmitir a vida e o amor recíproco e legítimo entre homem e a mulher, chamados “a completar-se reciprocamente numa doação mútua não só física, mas sobretudo espiritual”.

Por isso, concluiu, a Igreja com renovado sentido de responsabilidade continue a ajudar a compreender isso e a propor o matrimónio nos seus elementos essenciais: prole, bem dos cônjuges, unidade, indissolubilidade, sacramentalidade”.

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16 janeiro, 2016

Reflexões sobre temas da Sagrada Escritura: Virtudes para uma família Cristã.

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

“Irmãos: revesti-vos como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, benignidade, humildade, modéstia e paciência, suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos mutuamente, se alguém tiver queixas contra o outro; assim como o Senhor vos perdoou, perdoai-vos também. Mas sobre tudo isto: tende a caridade que é o vínculo da perfeição; e reine em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos. Habite em vós abundantemente a palavra de Cristo, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando em vossos corações, com a ação da graça, louvores a Deus. E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obra, fazei tudo em nome do Senhor Jesus Cristo, dando graças por Ele a Deus Pai. Mulheres, estai sujeitas a vossos maridos, como convém ao Senhor. Maridos, amai vossas mulheres, e não sejais ásperos para com elas. Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor. Pais, não provoqueis à indignação os vossos filhos, para que se não tornem pusilânimes”(Colossenses, III, 12-21).

morning prayer family painlevre 63 rezandoNestas exortações de S. Paulo, temos os elementos indispensáveis para a felicidade das nossas famílias. Assim, o Apóstolo,  às opiniões do modernismo, destruidor dos mais sagrados vínculos, opõe os preceitos e virtudes criadores de uma felicidade e de uma paz ainda possível neste mundo. Aí está o segredo da paz familiar. Nosso Senhor Jesus Cristo afirmou que os filhos das trevas são mais prudentes nos seus negócios que os filhos da luz nos seus. Só para dar dois exemplos: O comerciante, aos clientes oferece prontamente suas mercadorias, ocultando a sua irritação quando as desprezam e sem ofender-se quando as recusam. Que “misericórdia”; que “paciência”; que “benignidade”; que ‘humildade”; que “perdão das ofensas”; que “sorrisos de amabilidade!”

O político a todos acolhe com amabilidade, tolerante com quem o importuna e prestimoso com quem lhe pede auxílio.  O comerciante faz tudo isto como se fosse um santo, mas não: é só para ganhar dinheiro. (Não quero com isto negar que há comerciante santo também).

O político parece praticar virtudes heróicas, mas, na verdade, pensa só em conseguir votos, e, consequentemente, honra e sobretudo, dinheiro. (Também aqui não pretendo negar que possa existir político santo: é difícil, mas para Deus nada é impossível).

Mas, caríssimos, qual destes motivos compara-se ao grande bem na paz familiar? Dádiva do céu, ela transforma o lar em um vestíbulo do paraíso, as agruras da vida em oásis de bênçãos. A paciência, a humildade, a benignidade, a misericórdia, ensinam aos cônjuges  a arte de se suportarem uns aos outros. Sigam os cônjuges os conselhos de São Paulo supracitados, e as divergências que pareciam separá-los virão a soldar ainda mais o vínculo matrimonial. Saibam os cônjuges perdoar-se mutuamente. Enquanto um momento de silêncio restituirá a bonança, um revide protrairá a tempestade por longos dias e semanas inteiras. Tal como Jesus generosamente perdoou nossos graves crimes, perdoem-se os esposos, com igual generosidade, as discrepâncias de temperamento e de caráter.

A caridade é o liame destinado a unir os fiéis entre si e com Deus. Nesta união consiste toda a perfeição cristã. O amor da paz deveria inspirar todos os sentimentos dos esposos como convém a membros de um só corpo. O lar verdadeiramente cristão deveria estar sempre agradecido a Deus pelos favores d’Ele recebidos. Os ensinamentos e máximas de Nosso Senhor Jesus deveriam ser a bússola em toda a sua conduta e empreendimentos. De um lar cristão são banidas e execradas as máximas do mundo.  “Exortai-vos uns aos outros por meio de salmos, hinos e cânticos espirituais”, insiste o Apóstolo, assim apontando-nos na oração a maior garantia de paz para o lar. A oração é, ao mesmo tempo, fonte de onde haurimos as energias necessárias para os momentos trágicos que não faltam na existência de cada indivíduo, como não faltam na vida de toda família. Repudiando os maus conselhos de um mundo colocado no Maligno, busquem os esposos na Santa Religião e no seu Deus o conforto que anima, e da prece fervorosa de um coração que sofre sairá a arma vitoriosa que tudo suporta. “Onde quer que dois ou três se acharem reunidos em meu nome – diz Jesus Cristo – estarei eu no meio deles” (S. Mateus XVIII, 20). Na verdade, nunca um lar se sente mais unido como quando todos os componentes se voltam para Deus repetindo todos a mesma prece divina: “Pai Nosso que estais no céu”. O lar, porém, que ignora a oração encaminha-se para o desmoronamento, enquanto o lar que ora, que reza todos dias o Santo Terço, sela com o nome de Deus e a intercessão de Sua Mãe Santíssima, a sua união e garante a sua felicidade. Seguindo, pois, os conselhos do Apóstolo São Paulo, não será difícil aos nossos lares realizar aquela felicidade que fará das famílias cristãs outros tantos vestíbulos do céu.

Para terminar, lembremos algo sobre a MISERICÓRDIA. O Rei Davi era um homem santo. A própria Bíblia mostra-o para os outros reis como um modelo de fidelidade a Deus. Mas, num momento de ociosidade e fraqueza cometeu o gravíssimo pecado de adultério e, em consequência o homicídio, outro pecado muito grave. Deus, através do profeta Natan, abriu-lhe os olhos e tocado de sincero arrependimento exclamou: “Pequei”.  Davi chorou a vida toda estes seus graves pecados. Não perdia oportunidade de fazer penitência e escreveu o Salmo 50, Miserere. Eis apenas alguns versículos deste belíssimo salmo de penitência: “Tem piedade de mim, ó Deus, segundo a tua misericórdia; segundo a multidão das tuas clemências, apaga a minha iniquidade” (vers. 1-3); “O meu sacrifício, ó Deus, é um espírito contrito, não desprezarás, ó Deus, um coração contrito e humilhado” (vers. 19).

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12 janeiro, 2016

Manifeste-se contra a Ideologia de Gênero na consulta pública sobre proposta da base curricular do MEC.

Escreve o leitor André, cuja gentileza agradecemos:

Salve Maria!

O MEC lançou desde 16 de Setembro de 2015, para “consulta pública” até 15 de Março de 2016 a proposta de uma “base curricular comum nacional”: um currículo nacional unificado para o ensino primário/secundário.

Eu, como estudante de História analisei a área referente a minha disciplina nessa proposta, resumida em 200 objetivos.

Em dois desses objetivos a ideologia de gênero é claramente incluída, embora o termo “gênero” não seja citado. São eles ainda o 1º Ano do Ensino Fundamental (quando a criança ainda tem 6 anos, portanto), no CHHI1FOA003 (“Compreender que as normas de convivência existentes nas relações familiares são construídas e reconstruídas temporal e espacialmente.”) e o CHHI1FOA009 (“identificar as várias formas de organização familiar, aprendendo a respeitar e a acolher as diversas configurações que as famílias podem ter.”).

Espero que o Fratres veja a gravidade da situação, pois se esses objetivos curriculares forem aprovados em Março desse ano, então todas as vitórias contra o “gênero” que tivemos nos municípios e unidades federativas serão inúteis e essa ideologia será ensinada em TODO o país.

Uma vez que ainda está em consulta pública é possível se cadastrar no site do MEC (http://basenacionalcomum.mec.gov.br/#/site/contribua-inicio) e ali propor a exclusão desses objetivos. Acredito que se isso for feito em massa, existe uma possibilidade de sua exclusão definitiva do documento na versão final.

Além do gênero, a proposta do MEC também excluí a história da Antiguidade, Idade Média e mesmo Idade Moderna do currículo (nada de aprender sobre Grécia, Roma, cristianismo, etc.).

Fico grato se o Fratres puder alertar seus leitores e amigos do perigo iminente da instituição dessa ideologia, além da destruição do ensino de História a serviço do comunismo.

Obrigado.

Att.

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5 janeiro, 2016

Carta a um juiz.

(“Vós sois deuses… contudo, morrereis como um homem qualquer” Sl 81,6-7)

Por Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Prezado juiz Jesseir Coelho de Alcântara.

Permite-me tratar-te por “tu” em vez de “Vossa Excelência”, sem que isso queira significar nenhuma falta de respeito.

Tu deves ter-te emocionado pelo recém-nascido encontrado no centro de Goiânia em 22 de dezembro de 2015, dentro de dois sacos de lixo, debaixo de uma árvore da Rua 01. A criança foi encontrada por um casal, socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada até o Hospital Materno Infantil, onde os servidores, emocionados, deram-lhe o nome de Manoel, “Deus conosco”. O bebê teve alta no dia de Natal, 25 de dezembro, com uma lista extensa de pessoas querendo adotá-lo[1]. Que alegria, para um juiz como tu, da 1ª vara de crime dolosos contra a vida, ver que uma pessoa foi salva de uma tentativa de homicídio!

No entanto, há três anos, também em época natalina, em 21 de dezembro de 2012, o mesmo Hospital Materno Infantil terminava de executar um aborto em um bebê com mais de 20 semanas (cinco meses) de vida, filho de uma adolescente de 15 anos [2]. Que fizera ele para merecer a pena capital? Nada. Mas, segundo informações de sua mãe, ele teria sido fruto de um estupro. No dia 12 de dezembro, tu havias mandado expedir um alvará judicial para o aborto, com a seguinte justificativa: “Se for permitido que a criança nasça, um dia ela saberá que foi fruto de um ato criminoso, o que acarretará enormes problemas em sua formação[3]. A solução para a violência sofrida (o estupro) seria, segundo teu parecer, uma violência ainda maior: o aborto. O estuprador, após um julgamento com amplo direito de defesa, se fosse condenado, não receberia pena de morte. Sofreria alguns anos de reclusão, começando em regime fechado, mas com direito a progredir para os regimes semiaberto e aberto. A criança, porém, inocente e indefesa, deveria pagar com a morte pelo crime de seu pai. Como magistrado, tu sabes que isso contradiz o princípio fundamental esculpido em nossa Constituição de que “nenhuma pena não passará da pessoa do condenado” (art. 5º, XLV, CF).

No entanto, no caso acima, houve uma peculiaridade. A indução do aborto já havia começado quando a titular da Delegacia de Proteção e à Criança e ao Adolescente (DPCA), Renata Vieira Freitas, encontrou fortes indícios de que a alegação de estupro era falsa. Segundo o pai da criança, a adolescente teria inventado a estória de violência por ódio ou vingança. Posteriormente a delegada verificaria, com a confissão da própria jovem, que o “estupro” não passara de uma farsa. No entanto, já no dia 20, a delegada tentou inutilmente comunicar-se contigo, a fim de que tu anulasses teu próprio alvará. Tu, porém, estavas descansando em um lugar longínquo… enquanto um inocente morria. Lembro-me de como o Hospital estava enfeitado com adornos natalinos. E os profissionais da saúde não enxergavam a gritante contradição entre o festejo do nascimento do menino Jesus e a provocação de um aborto. Dirás tu: “Não era o menino Jesus que estava sendo abortado”. Mas Ele te dirá no dia do juízo: “Cada vez que o fizeste a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizeste” (Mt 25,40).

Em Goiânia tu te tornaste famoso por seres o juiz que expediu o maior número de alvarás para aborto de crianças malformadas (aborto eugênico). Tuas sentenças mostram que estás ciente de que aquilo que autorizas é um ilícito. Transcrevo trechos da sentença de 16 de novembro de 2004, no qual autorizaste o aborto de uma criança anencéfala[4] (as palavras são repetidas em diversas outras sentenças):

O que a requerente almeja não se enquadra no nosso Direito Positivo, já que pleiteia o chamado aborto eugenésico […]. Poder-se-ia, no caso, preferir o formalismo e, com isso, concluir pela impossibilidade jurídica do pedido. […] É sabido que o direito à vida, abrangendo a vida uterina, assegurado pelo caput do artigo 5º do Texto Constitucional, é inviolável.

No entanto, ao arrepio da lei e da Constituição, tu dizes:

A interrupção da gravidez encontra fundamento quando o feto possuir malformação congênita, degeneração ou houver possibilidade de que venha a nascer com enfermidade incurável.

Em tua opinião, portanto, tu poderias agir como um juiz de exceção, permitindo o que a lei proíbe[5]. Sim, pois a lei não é omissa no que se refere ao distúrbio do nascituro. O aborto eugênico enquadra-se perfeitamente nos artigos 125 ou 126 do Código Penal, conforme seja feito sem ou com o consentimento da gestante. E a autorização judicial não tem nenhum efeito jurídico, a não ser o de tornar o juiz partícipe do crime, conforme diz o artigo 29 do Código Penal: “Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade”.

Mas qual procurador de justiça ousaria oferecer denúncia contra um juiz por crime de aborto? Tu estás tranquilo. De um lado, a incapacidade de a criança se defender, do outro, a omissão do Ministério Público. Curiosamente, em algumas de tuas sentenças, tu escreves a seguinte frase: “Quem se sentir lesado que recorra”. Ora, como a criança poderá recorrer? Se um cidadão quiser impetrar habeas corpus em favor dela, encontrará inúmeros obstáculos. Quando em 06/10/2015, tu autorizaste o aborto de uma criança com síndrome de body-stalk (cordão umbilical curto), o impetrante do habeas corpus não pôde fotocopiar os autos, por proibição expressa da escrivania. Foi-lhe concedido tão-somente folheá-los. A petição teve que ser redigida a mão no próprio balcão do cartório. Mesmo assim, o desembargador Aluizio Ataides de Sousa conheceu o pedido e deferiu a liminar, a tempo de impedir o aborto. A criança nasceu, recebeu um nome (Giovana) e morreu após uma hora e quarenta minutos. Foi registrada como cidadã e sepultada dignamente. Não foi descartada nem tratada como lixo hospitalar. Dize-me, senhor juiz: para ti, a curta sobrevida extrauterina torna o bebê indigno de respeito?

Nos dois alvarás para aborto expedidos em 2011 – o primeiro de uma criança normal com possível deformidade futura (eugenia preventiva)[6], o segundo de uma criança com síndrome de Edwards[7] – os funcionários da escrivania sonegaram toda sorte de informações aos impetrantes, incluindo o número do processo (!), alegando um pretenso “segredo de justiça”.

A última de tuas sentenças de aborto eugênico, dada em 17 de dezembro de 2015, foi tão sigilosa, que nem o serviço de notícias do Tribunal de Justiça de Goiás fez referência a ela! A informação só foi obtida dos jornais Opção[8] e Diário da Manhã[9]. A criança, com vinte e cinco semanas (seis meses) padecia da síndrome de Edwards, conhecida também como trissomia 18, uma anomalia genética que se caracteriza por atraso mental, atraso do crescimento e, por vezes, má-formação grave no coração. A esperança de vida é baixa, mas já foram registrados casos de adolescentes portadores da síndrome[10]. Tu afirmas que tal caso não se confunde com o de bebês apresentando deficiência física ou mental, como a síndrome de Down (trissomia 21 ou mongolismo). Não há, contudo, diferença essencial, mas apenas diferença de grau entre as duas síndromes. Crê, senhor juiz: em breve tu estarás autorizando não só o aborto de crianças “mongoloides”, mas o de qualquer bebê considerado “de má qualidade” pelos pais ou pelos médicos.

valentina

Valentina, uma criança com síndrome de Edwards,

 

Tu és cristão e dizes com acerto que “ser juiz é um sacerdócio”. No entanto, parece que tu ignoras os Dez Mandamentos – em particular o quinto: “não matarás” – quando estás oficiando no fórum. Talvez tu digas que o Estado é laico (ou louco?), de modo que, se no templo tu oras ao Senhor, na tua profissão podes olhar para um bebê e dizer: “Não conheço esse homem” (Mc 14,71).

Escrevo esta carta para que vivas, mesmo sabendo que poderás persistir na conduta que te levará à morte. Ao escrever, lembro-me do que disse o Senhor ao profeta Ezequiel:

Se digo ao ímpio: ‘Tu hás de morrer’ e tu não o advertires, se não lhe falares a fim de desviá-lo do seu caminho mau, para que viva, ele morrerá, mas o seu sangue requerê-lo-ei da tua mão. Por outro lado, se tu advertires o ímpio, mas ele não se arrepender do seu caminho mau, morrerá na sua iniquidade, mas tu terás salvo a tua vida (Ez 3,18-19).

Senhor juiz, “escolhe, pois, a vida, para que vivas tu e a tua descendência” (Dt 30,19).

Anápolis, 4 de janeiro de 2016.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Mensagens respeitosas podem ser enviadas ao
Sr. juiz Jesseir Correio de Alcântara:
1ª Vara Criminal
Fórum Dr. Heitor Moraes Fleury
Rua 10, nº 150, Térreo, sala 178
Setor Oeste,
74.120-020, Goiânia, GO.
Telefones: (62) 3216-2723 / 3216-2721.

 


[1] Pedro NUNES. Bebê comove servidores de hospital. O Popular, 25 dez. 2015, p. 3.

[2] A adolescente completou 15 anos no dia 15 de dezembro. O aborto começou no dia 19, mas o neném só foi expelido no dia 21, após aplicação de várias doses de misoprostol (Cytotec).

[3] Aline LEONARDO. “Menina de 14 anos estuprada por padrasto poderá abortar”. Notícias do Tribunal de Justiça de Goiás, 14 dez. 2012.

[4] Cf. autos do processo 200402082081.

[5] Art. 5º, XXXVII, CF – não haverá juízo ou tribunal de exceção.

[6] Processo n. 201100707390.

[7] Processo n. 201100980606.

[10] Cf. Síndrome de Edwards in Wikipedia (https://pt.wikipedia.org/wiki/Síndrome_de_Edwards)

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26 dezembro, 2015

Reflexões sobre temas da Sagrada Escritura: Direitos e deveres dos cônjuges.

“O homem é a cabeça da mulher, assim como Cristo é a cabeça da Igreja… Mas, assim como a Igreja está sujeita a Jesus Cristo, assim também as mulheres devem estar sujeitas aos seus maridos em todas as coisas” (Ef V, 23-24). “E vós, pais, não  provoqueis à ira os vossos filhos, mas educai -os  na disciplina e nos mandamentos do Senhor’ (Ef VI, 4).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

Continuando a explanação do Papa Leão XIII:

matrimonio“A perfeição e plenitude do matrimônio cristão não estão inteiramente encerrados no que acabamos de recordar [o que foi exposto no artigo anterior]. Porquanto, em primeiro lugar, a união conjugal veio a receber um fim muito mais nobre e elevado do que antes, pois o fim que lhe foi assinalado não consistiu somente em propagar o gênero humano, mas também para dar filhos à Igreja, ‘concidadãos dos Santos e familiares de Deus’ (Ef II, 19); isto é, a fim de gerarem e educarem um povo para o culto e Religião do verdadeiro Deus e de Jesus Cristo, nosso Salvador. – Em segundo lugar, foram perfeitamente definidos os deveres de cada um dos cônjuges e exatamente determinados os seus direitos, de tal sorte que têm obrigação de nunca se olvidarem de manter reciprocamente grande e profundo afeto, de guardarem uma convivência recíproca, dedicada e assídua. O homem é o chefe de família e a cabeça da mulher: esta, todavia, por isso que é a carne da sua carne e o osso dos seus ossos, deve submeter-se e obedecer a seu marido, não à maneira de uma escrava, mas na qualidade de companheira, para que não falte nem a honestidade, nem a dignidade na obediência que ela lhe prestar. E cumpre que assim ele, que é o chefe de família, como ela, que deve obedecer, tenham sempre presente a caridade divina no cumprimento dos seus respectivos deveres, porque ambos os cônjuges são a imagem um de Cristo, o outro da Igreja. ‘O homem é a cabeça da mulher, assim como Cristo é a cabeça da Igreja… Mas, assim como a Igreja está sujeita a Jesus Cristo, assim também as mulheres devem estar sujeitas aos seus maridos em todas as coisas’ (Ef V, 23-24).

Pelo que respeita aos filhos, devem submeter-se e obedecer a seus pais, honrá-los e venerá-los por dever de consciência, e, por outro lado, os pais devem aplicar todos os seus pensamentos e cuidados em proteger seus filhos e, sobretudo, em educá-los na virtude: ‘Pais… educai os vossos filhos na disciplina e nos mandamentos do Senhor’ (Ef VI, 4). De onde se depreende que os deveres dos cônjuges são graves e numerosos: mas estes deveres não só se tornam suportáveis, mas até agradáveis para os bons consortes, por efeito da virtude que recebem no Sacramento. Tendo, pois, Jesus Cristo renovado e restabelecido com tanta perfeição o matrimônio, entregou e confiou à Sua Igreja toda a disciplina que o deve regular. E a Igreja em todos os tempos e em todos os lugares exerceu este poder sobre os casamentos cristãos e tem desempenhado essa missão de maneira a mostrar que esse poder propriamente lhe pertence, e que não deriva de qualquer concessão dos homem, mas sim que lhe foi divinamente outorgado pela Vontade do seu Divino Fundador.

A atenta vigilância e solícitos cuidados que a Igreja sempre manifestou pela santidade do matrimônio e para manter intacto o seu verdadeiro caráter, constitui um fato, que, por demais conhecido, não carece de demonstração. Com efeito, sabemos que o Concílio de Jerusalém condenou os amores dissolutos e livres (At XV, 29); que S. Paulo condenou, por sua própria autoridade, um habitante de Corinto, como criminoso de incesto (1 Cor V, 5); que a Igreja sempre repeliu e rejeitou, com energia sempre igual, as tentativas de todos aqueles que atacavam o casamento cristão, tais como os Gnósticos, os Maniqueus, os Montanistas nos primeiros tempos do cristianismo e, nos nossos dias, os Mórmons, os San-Simonianos, os Falansterianos e os Comunistas. (…) A Igreja cercou esta instituição divina de tantas leis fortes e previdentes que nenhum homem dotado de espírito reto pode desconhecer que, até nesta matéria do matrimônio, o melhor guarda e o mais firme defensor e amigo da sociedade foi a Igreja, cuja sabedoria triunfou, no decorrer dos tempos, das injustiças dos homens e das inúmeras vicissitudes sociais”. (Excertos da Encíclica “ARCANUM” do Papa Leão XIII, escrita em 1880).

No Livro de Tobias o divino Espírito Santo nos mostra um exemplo belíssimo da misericórdia divina na realização de um casamento verdadeiramente santo. Meditemos um pouco estas belíssimas palavras da oração feita pelo velho Tobias:

“Tu és justo, Senhor, todos os teus juízos são justos e todos os teus caminhos são misericórdia, verdade e justiça. Agora, pois, Senhor, lembra-te de mim, e não tomes vingança dos meus pecados, nem te lembres dos meus delitos nem dos de meus pais. Porque não obedecemos aos teus preceitos, por isso fomos entregues ao saque, ao cativeiro, à morte e para servirmos de fábula e de escárnio a todas as nações” (Tobias, III, 2-4).  E ainda: “Ele (Deus) castigou-nos por causa das nossas iniquidades; e Ele mesmo nos salvará pela sua misericórdia… Convertei-vos, pois, ó pecadores, e sede justos diante de Deus. Crede que Ele usará conosco da sua misericórdia” (Tobias, XIII, 5 e 8).

Caríssimos, pelas Sagradas Escrituras não será difícil verificarmos em que consiste a verdadeira misericórdia. Afinal é a palavra da própria Verdade Eterna!

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5 dezembro, 2015

Reflexões sobre temas da Sagrada Escritura: “Não separe o homem o que Deus uniu”.

“E criou Deus o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, e criou-os varão e fêmea. E Deus os abençoou, e disse: Crescei e multiplicai-vos…” (Gênesis, I, 27 e 28).

“E da costela, que tinha tirado de Adão, formou o Senhor Deus uma mulher; e a levou a Adão. E Adão disse: Eis aqui agora o osso de meus ossos e a carne da minha carne… Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher; e serão dois numa só carne” (Gên., II, 22-24).

“Foram ter com ele os fariseus para o tentar e disseram-lhe: É lícito a um homem repudiar sua mulher por qualquer motivo? Ele, respondendo, disse-lhes: Não lestes que quem criou o homem no princípio, criou-os homem e mulher, e disse: por isso deixará o homem pai e mãe, e juntar-se-á com sua mulher, e os dois serão uma só carne? Por isso, não mais são dois, mas uma só carne. Portanto, não  separe o homem o que Deus juntou. Por que mandou pois Moisés, replicaram eles, ‘dar-lhe libelo de repúdio e separar-se’? Respondeu-lhes: Porque Moisés, por causa da dureza do vosso coração, permitiu-vos repudiar vossas mulheres, mas no princípio não foi assim. Eu pois digo-vos que todo aquele que repudiar sua mulher, a não ser por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que se casar com uma repudiada, comete adultério. Disseram-lhe os discípulos: Se tal é a condição do homem a respeito de sua mulher, não convém casar” (S. Mateus XIX, 3-10).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

2013-06-15-6858-2Atinente ao casamento, o Livro do Gênesis mostra claramente como foi desde o início do mundo segundo o que Deus mesmo fez. Na passagem do Evangelista S. Mateus, acima enunciada, constatamos que a lei evangélica não podia ser expressa mais claramente. E isto é obvio, pois, é o próprio Jesus Cristo, a Verdade Eterna que a expõe. Os próprios Apóstolos o compreenderam tão bem, que, para indicar o rigor da lei da indissolubilidade, chegaram a dizer que era melhor nem casar. Certamente os discípulos de Nosso Senhor Jesus Cristo pensavam assim: Se se é obrigado a suportar os “caprichos e defeitos” da mulher, sem recorrer ao divórcio, não vale a pena casar. Deveriam dizer também: e vice-versa.

Depois veremos São Paulo mostrando como viver bem, malgrado os defeitos que todos têm, homens e mulheres.  Mesmo que pudesse existir, o divórcio nunca seria solução. Antes, pelo contrário. Não obstante, a cláusula colocada por Jesus: “a não ser por causa de fornicação”, tanto a tradução como o alcance da mesma, gerou muita controvérsia entre exegetas e teólogos. Esta passagem era comumente traduzida por “a não ser em caso de infidelidade” (=adultério). E pior, não faltava quem quisesse interpretá-la como significando a permissão de, neste caso embora único, se quebrar o vínculo e, portanto, permitir o divórcio.

Há quase 70 anos, chegou-se à conclusão de que a palavra primitiva usada por Jesus Cristo não designa “adultério, infidelidade”, mas sim “casamento nulo, concubinato”. E é óbvio que, em caso de concubinato, a separação não só pode, mas deve ser feita. Traduzindo a palavra empregada por Jesus no sentido de “adultério”, poderia haver separação não só de leito mas até de casa, mas continuava indissolúvel o vínculo, e, portanto, mesmo nestes casos de infidelidade, nem o cônjuge fiel, poderia
casar-se com outro(a).

Estudamos na Teologia que, ainda que se conserve a tradução: “a não ser em caso de infidelidade”, não lhe podemos atribuir sentido favorável à dissolução do vínculo. Seria contra o bom senso, contra os evangelhos e contra a história. Senão vejamos: Na lei de Moisés o adultério era punido com a lapidação. Ora, se Jesus veio aperfeiçoar a lei, não iria permitir o adultério. E também a hermenêutica exige que os textos menos claros de um evangelho devem ser interpretados à luz dos lugares paralelos mais claros. E pelos textos de Marcos X, 2-12 e Lucas XVI, 18, vemos que Jesus não faz exceção alguma. Além do mais, se, porventura, as palavras de Jesus Cristo incluíssem uma exceção em favor da quebra do vínculo, assim o teriam compreendido os contemporâneos de S. Mateus e principalmente os cristãos de origem judaica, para quem foi escrito o 1º Evangelho. Ora, os cristãos primitivos jamais entenderam que fosse este o ensinamento do divino Mestre.

Resumindo: O Divino Mestre restitui o Casamento à sua virtude primitiva. O casamento é indissolúvel, porque Deus assim o quis. Tirada do homem pela mão de Deus, entra a mulher, pelo casamento, em sua unidade primitiva. Unido à mulher, assegura o homem a perpetuidade de sua raça. Tal é o plano de Deus, criando a distinção dos sexos. O homem não tem, pois, o direito de dissolver um casamento legitimamente contraído. O casamento é uma instituição divina, não pode o homem mudar as leis que Deus estabeleceu sobre esta matéria. Nosso Senhor Jesus Cristo deixou bem claro que em caso algum, mesmo nos casos de adultério, é permitido o divórcio, pois aquele que se casa com uma mulher repudiada comete adultério, o que não seria possível se a primeira união estivesse legitimamente rompida. Portanto, mesmo o adultério não dá faculdade de passar a segundas núpcias.

Comentando as encíclicas dos papas sobre a matéria, faremos, se Deus quiser, muitos outros artigos. Aqui, por exemplo, não tivemos espaço
para falarmos nos casos de casamentos nulos.

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13 novembro, 2015

Reflexões sobre a família e seu papel educativo.

Por João Marcos Viana da Costa

Em tempos de tantas confusões, de ataques velados e também descarados à autoridade da família, desde as infindas tentativas de implementação da ideologia de gênero na legislação brasileira ao recente pedido de representação[1] de um procurador do Estado do Rio Grande Do Sul declarando que “um dos primeiros objetivos da educação [escolar] é preservar os filhos de seus pais” [2], propomo-nos refletir humildemente, como simples leigo católico, um pouco sobre a Família, sobre a Educação Humana e a Educação Católica, tomando como base o ensinamento da encíclica Divini Illius Magistri[3] de Sua Santidade, o Papa Pio XI.

A encíclica papal busca responder, basicamente, quatro questões, a saber: a) quem deve educar; b) quem é o sujeito da educação; c) em qual ambiente se dará essa educação; e, d) qual é a sua finalidade e sua forma.

O texto já no seu início revela-se  assustadoramente atual. Com efeito, o papa diz: “se multiplicam os mestres de novas teorias pedagógicas, se excogitam, se propõem e discutem métodos e meios, não só para facilitar, mas também para criar uma nova educação de infalível eficácia que possa preparar as novas gerações para a suspirada felicidade terrena.” O documento todo é de uma clareza e profecia meridianas, por isso deveria ser lido, hoje, por todos católicos, sobretudo por aqueles que são ou desejam um dia serem pais de família. No entanto, nossa pretensão está muito longe de resumir a maravilhosa encíclica, gostaríamos apenas de focar nossas reflexões num único aspecto: qual é a parte da educação que cabe à família?

Primeiramente, como mostra o magistério, há três “sociedades necessárias, distintas e também unidas harmonicamente por Deus, no meio das quais nasce o homem: duas sociedades de ordem natural, que são a família e a sociedade civil; a terceira, a Igreja, de ordem sobrenatural”. A família tem precedência sobre o Estado, o seu direito à educação da prole é inviolável, como recorda o Papa Leão XIII na Rerum Novarum[4]: “o poder dos pais é de tal natureza que não pode ser nem suprimido nem absorvido pelo Estado”. Portanto, antes mesmo de debruçarmo-nos sobre a questão da educação, mais apropriado seria questionar: o que é a família cristã?

Quando os veículos midiáticos só falam dos novos “tipos” de família, quando a própria Igreja se reúne em sínodo, não para mostrar ao mundo seus erros, mas para discutir o indiscutível, é compreensível que os bravos e fiéis prelados da Igreja Católica, que tentam manter-se fiéis à Doutrina de Cristo, só consigam mesmo dizer o óbvio: que a família é a união monogâmica, indissolúvel, entre um homem e mulher, abertos à vinda da prole. E nós nos colocamos a questão: é realmente só isso?

Sim, aqui nós temos a definição da família biológica criada e desejada por Deus, porém ao meditarmos os textos das Sagradas Escrituras, da Tradição da Igreja, dos Santos Padres, e de Santo Tomás veremos que a família é o lugar onde se produz a virtude[5]; é a igreja doméstica, dizem os papas; é escola de santidade. A família é chamada a ser reflexo da Trindade Santíssima, onde o Pai ama o Filho e ambos Se amam pelo Espírito Santo.

E onde começa, qual é a origem da família cristã? Muitos se precipitariam a dizer que é como acontece em qualquer romance, que é quando um homem se apaixona por uma mulher e quer tê-la como companheira, quer ter filhos e um lar com ela. Realmente, na prática a maior parte das vezes é assim, entretanto, esse nos parece um motivo ainda muito frágil para dizer que essa família seria também cristã, além de simplesmente natural. Falta-lhe o sobrenatural que encontramos nos homens que abandonaram tudo para seguir um Antão no Deserto, para seguir um São Bento… Faltaria a uma família que assim começasse o sobrenatural que vemos em São João Cassiano quando nos conta, em suas Conferências, da procura pelos mais veneráveis abades de seu tempo. Estes homens queriam aprender o Caminho do Céu, as Escadas que nos levam e nos aproximam já nesta vida de lá; os abades queriam ensiná-lo a quem realmente fosse movido pelos mais nobres desígnios. Eram Pais sábios e Filhos diligentes. Eis o que diferencia realmente, em essência, a família cristã: a busca incessante pelo conhecimento das coisas de Deus!

Ou seja, com a família biológica deve acontecer a mesma coisa, um homem e uma mulher deveriam se unir na busca de Deus, tendo retos propósitos de aquisição de Sabedoria, Virtudes e Santidade, e, então, amando-se e auxiliando-se mutuamente, na vida de oração, de devoção e intimidade para com o Senhor, surgiria o desejo de compartilhar essa vida toda em comum e ensinar aquilo que estão aprendendo a outros: os filhos que Deus os mandar. Que belíssimo apostolado! Assim, fica claro que ambas as sociedades têm o mesmo escopo: a Igreja existe para anunciar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, santificar e salvar seus filhos; a família, igreja em miniatura, faz o mesmo.

Como o Cristo, que nutre a Sua Esposa, infundindo-lhe a Graça, de tal modo, podem os esposos católicos fazerem: crescendo na Fé, Esperança e Caridade, nutrem a si mesmos e também aos filhos. E que graça extraordinária se nutrissem os filhos não só pela força do exemplo e da retidão moral, mas também pela doutrina, pelo conhecimento da Fé, por sábios conselhos, pelo encaminhamento na vida espiritual. Assim como o Pai gera o Filho, os esposos são chamados a gerarem os filhos, não apenas fisicamente, mas são chamados a gerar, com a graça de Deus e com suas instruções, a descendência espiritual que o Cristo tanto deseja dar ao Pai.

E aqui, faz-se plausível retomar o tema de origem destas reflexões: de que maneira e até onde pode e deve a família educar sua prole? O dever dos pais para com os filhos é tão grave que a doutrina católica – infelizmente muito esquecida nesse ponto! – mostra que o pai e a mãe devem ser capazes de ter certeza moral de que seus filhos, atingindo a idade adulta, não mais perderão suas almas! Há 300 anos, em ambientes ainda não infectados pelas revoluções (seja a industrial, a francesa, ou quaisquer outras) talvez fosse possível alcançar essa certeza moral apenas passando aos filhos os bons costumes, levando-os à Igreja, enfim dando-lhes o bom exemplo. Hoje, porém, os abundantíssimos casos de pais que reclamam ter perdido os filhos após a adolescência, mostram que é verdadeiramente impossível educar um filho para o Céu sem a busca sincera por conhecimento e sabedoria. Pio XI lamentava-se tremendamente de como, já naquela época, os casais não se preparavam para a tarefa de pais, de mestres. Dedicamos anos para conquistar uma profissão, para sermos esposos e pais: um curso de noivos de dois fins de semana.

É importante perceber que nas circunstâncias atuais é impossível exigir que a Hierarquia Eclesiástica nos traga tão facilmente todo esse complexo necessário à salvação da sociedade, a crise se alastrou por toda parte do Corpo Místico de Cristo, a esmagadora maioria do clero é muitíssimo mal formada, ignora ou rejeita os verdadeiros ensinamentos da Madre Igreja, desconhecem a filosofia e teologia perenes, os bons padres são raros e muito perseguidos ou atarefados. Diante disso, parece-nos que as palavras de um santo Bispo do longínquo Cazaquistão[6] fazem-se realmente proféticas: quem irá restaurar a Igreja serão as famílias verdadeiramente católicas, as famílias santas!

Enquanto a Igreja não voltar a levar ao Altar rapazes e moças que queiram nada menos do que a perfeição da santidade não haverá solução para crise da Igreja. E esta parte cabe a nós, leigos. Não podemos mais nos desculpar em não sermos santos por causa da falta de bons padres, de sacramentos bem ministrados. Sim, isto tudo é, de fato, penoso, mas porventura não há mais o catecismo tradicional à nossa disposição? Não temos os exemplos dos santos, a Tradição da Igreja? A oração, a meditação das Escrituras, a intercessão onipotente da Santíssima Virgem?

Que alegria seria ver as famílias católicas brasileiras se unindo para construir escolas para seus filhos, escolas que fossem uma extensão de suas famílias, vidas e valores, e assim salvando-se momentaneamente da opressão da educação estatal; mas que alegria muito mais profunda seria ver as famílias católicas realmente se emancipando, decididas a não terceirizar a sua obrigação moral para com os filhos, reservando horas de seus dias, de suas semanas, ao estudo e meditação das Verdades de Fé, dos princípios da Moral, da verdadeira Filosofia e Teologia!

Como são louváveis todos os atos de valorosos leigos católicos, e também de sacerdotes e bispos, contra a implementação da Cultura da Morte em nosso país, devemos todos nos unir a eles em trabalho e oração, mas há também um dever igualmente grave e necessário, e não menos urgente, que podemos começar a perscrutar ainda hoje: o de construir a Cultura da Vida, construí-la através de nossas famílias.

[1] http://www.citizengo.org/pt-pt/sy/node%3Anid%5D-pelo-respeito-familias-e-ao-seu-direito-escolha-pelo-modelo-educacional-sua-preferencia

[2] http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=9753102&ad=s#10%20-%20Pedido%20de%20ingresso%20como%20amicus%20curiae%20-%20Pedido%20de%20ingresso%20como%20amicus%20curiae%201

[3] http://w2.vatican.va/content/pius-xi/pt/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_31121929_divini-illius-magistri.html

[4] http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum.html

[5] (Suma Teológica I-II, Q. 95)

[6] Palavras que Dom Athanasius Schneider, em sua recente (2015) passagem pelo Brasil, bem como em outros países, tem repetido continuamente: a restauração da Igreja virá através das famílias católicas tradicionais, as que buscam a santidade, que têm o mesmo catecismo, a mesma vida litúrgica das famílias de todas as épocas anteriores à recente confusão doutrinal e litúrgica dos últimos 50 anos.

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12 novembro, 2015

Para que servem as roupas?

(o hábito não faz o monge, mas a casca protege o fruto)

Por Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz – Pró Vida Anápolis

A feminista brasileira Sara Winter, conhecida por sua militância pró-aborto, após ter dado à luz, publicou em 14/10/2015 na sua página do Facebook um texto com o título “Eu me arrependi de ter abortado e hoje peço perdão”. Eis um trecho do que ela escreveu:

Amanhã faz um mês que meu bebe nasceu e minha vida ganhou um novo sentido. Estou escrevendo isso enquanto ele dorme sereno no meu colo. É a melhor sensação do mundo.

Eu ensaiei este texto milhares de vezes durante meses na minha mente e talvez ele não saia tão brilhante como eu gostaria que saísse, mas o mais importante que gostaria de que chegasse a vocês é que, por favor, mulheres que estão desesperadas para abortar, pensem muito, eu me arrependi muito, não quero o mesmo destino pra vocês[1].

Além disso, Sara passou a criticar a ideologia de gênero, tão cara às suas colegas feministas. Em seu artigo “Meu filho é XY e sou muito feliz com isso”, de 17/10/2015, ela diz:

Algumas pessoas têm comentado aqui na page sobre o que eu acho da Teoria de gênero.

Quero deixar claro que há mais de 1 ano eu mudei minha concepção de gênero.

Eu não acredito que uma pessoa possa se identificar com um gênero e a partir de então pertencer a ele. Ou seja, essa ladainha de “eu sou mulher porque me sinto mulher”, eu não acredito e não apoio.

Pra mim mulher é quem nasce com vagina e homem é quem nasce com pênis.

[…]

Não se ‘vira’ mulher quando se passa batom, coloca silicone e começa a falar fino. Ser mulher é MUITO MAIS DO QUE ISSO. Assim, como duvido muito que uma mulher que coloque roupas largas e corte o cabelo terá privilégio que homens tem, como ganhar um salário 30% maior, tem mais segurança na rua…

Como se vê, ela admite diferenças naturais entre os sexos e não aceita que tudo se reduza ao modo de falar, de cortar o cabelo ou de se vestir. Curiosamente, ao falar da diferença no vestuário, Sara não falou aquilo que espontaneamente se falaria há algumas décadas, ou seja, que as mulheres usam saias e os homens vestes calças. Hoje parece que essa diferença deixou de existir. O que ela vê de diferente é que os homens usam “roupas largas”, o que implica que as mulheres usam roupas justas ou apertadas.

Qual a função das roupas?

“Ora, os dois estavam nus, o homem e sua mulher, e não se envergonhavam” (Gn 2,25). Antes do pecado original, Adão e Eva gozavam de um dom chamado integridade. Por esse dom, os sentidos e os instintos estavam harmoniosamente submissos à razão. A visão do corpo do outro, mesmo de seus órgãos reprodutores, não era capaz de causar excitação, a menos que avontade consentisse segundo a reta razão. Por isso, não havia necessidade de se cobrir o corpo.

Sem dúvida os dois praticariam o ato sexual (“os dois serão uma só carne”), mas só quando a razão determinasse. E o instinto sexual estava perfeitamente submisso à razão.

Depois do pecado original, a integridade se perdeu. Adão e Eva “descobriram” que estavam nus e se envergonharam. A partir daí, os instintos rebelaram-se violentamente contra a razão, sobretudo o instinto sexual. A virtude da castidade – que é o controle desse instinto – passou a exigir muita luta e vigilância. Foi necessário cobrir o corpo.

Adão e Eva, envergonhados, cingiram-se (cobriram a cintura) com folhas de figueira (Gn 3,7). Deus, porém, não achou tal cobertura suficiente, e deu-lhes túnicas de peles de animais, para que se vestissem (Gn 3,21).

Hoje, portanto, as roupas são necessárias para se conservar a castidade.

Qual é a função das roupas? Segundo São João Paulo II, as roupas cobrem o corpo para nos deixar ver os valores da alma:

A necessidade espontânea de ocultar os valores sexuais vinculados à pessoa é o caminho natural para revelar o valor da pessoa em si mesma[2].

De fato, se não cobríssemos o corpo, o instinto carnal gritaria tanto, com sede de prazer, que a razão ficaria obscurecida, incapaz de conhecer a alma.

A pureza exige o pudor. Este é parte integrante da virtude da temperança. O pudor preserva a intimidade da pessoa. Consiste na recusa de mostrar aquilo que deve ficar escondido (Catecismo da Igreja Católica, 2521).

A diversidade de roupas masculina e feminina tem um fator cultural, mas não é um produto exclusivo da cultura. Homens e mulheres têm corpos diferentes e essa diferença natural influi sobre o modo de vestir que convém a cada sexo. A mulher tem a pelve (bacia) mais larga e o osso sacro mais curto e mais largo. O motivo dessa disposição óssea é abrigar o bebê durante a gravidez. Daí a conveniência de que as roupas femininas sejam largas na altura dos quadris. Por esse motivo, durante séculos consolidou-se o uso de saias pelas mulheres. De fato, a saia adapta-se perfeitamente ao corpo da mulher não apenas com decência, mas com uma particular elegância.

Esqueleto masculino e feminino

[Desenho extraído de http://www.afh.bio.br/sustenta/sustenta1.asp]

Não se pode dizer o mesmo da calça. Raramente se encontra uma calça suficientemente folgada para ser decente em um corpo feminino. Hoje, com a generalização do uso da calça jeans pelas mulheres, verifica-se o que foi observado por Sara: enquanto os homens usam “roupas largas”, as mulheres, em sua grande maioria, vestem calças tão apertadas, que põem em realce as coxas e as nádegas. O costume de vestir-se imodestamente causou a perda do senso do pudor.

Em 12 de junho de 1960, o Cardeal de Gênova, Giuseppe Siri, escreveu uma “Notificação relativa às mulheres que vestem roupas de homem”[3], referindo-se ao recente uso de calças compridas por moças e senhoras de sua Diocese. Dizia o Cardeal que esse tipo de roupa, geralmente colada ao corpo, dava-lhe a mesma preocupação que as roupas que expõem o corpo. Mas a imodéstia das calças não era o único problema para o Cardeal. Mais grave que isso, o uso de roupas masculinas causava uma alteração da psicologia da mulher, levando-a a querer “ser igual ao homem” e a competir com ele, por considerá-lo mais forte, mais livre e mais independente. Assim, ela via sua feminilidade como inferioridade, e não como diversidade. Além disso, ao usar roupas iguais às do seu marido, a mulher eliminava um dos sinais externos da diversidade dos sexos. E isso tenderia a corromper as relações entre os sexos.

Parece que o Cardeal já estava pressentindo como o uso de calças pelas mulheres favoreceria a difusão da ideologia de gênero e seus postulados, em particular o da anulação das diferenças sexuais.

Hoje assistimos a um movimento semelhante, no sentido inverso: homens advogando o direito de usar saias, a fim de libertar-se da “ditadura da calça”. Em 2008, o jornal francêsLiberation noticiava a existência da Associação Homens de Saia (Hommes en Jupe). Seu fundador, Dominique Moreau, defendia a “emancipação masculina”, reivindicando o “direito de dispor plenamente do próprio corpo, nos moldes da liberação feminina”[4].

Dominique Moreau

[Dominique Moureau]

Tudo isso nos faz lembrar o que dizia o saudoso Bispo de Anápolis Dom Manoel Pestana Filho: “O feminismo trouxe, primeiro, a masculinização da mulher; depois, a feminização do homem; por fim, a bestialização de ambos”.

Anápolis, 6 de novembro de 2015.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz


[2] WOJTYLA, Karol. Amor e responsabilidade: estudo ético. São Paulo: Loyola, 1982, p. 159-160.

[3] Cf. HAMMOND, Colleen. Dressing with Dignity. TAN, Charlotte, 2005. Appendix 3.

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