Posts tagged ‘O Papa’

26 setembro, 2014

Portas abertas.

Informação de “frei” Beto:

Líderes de movimentos populares de vários países terão encontro com o papa Francisco nos próximos dias 27, 28 e 29 de outubro, em Roma. Do Brasil estarão presentes João Pedro Stédile, pelo MST e Via Campesina, e representantes da Central de Movimentos Populares, Levante Popular da Juventude, Coordenação Nacional de Entidades Negras,  Central Única dos Trabalhadores, Movimento de Mulheres Camponesas e um indígena do povo Terena.

A carta convite é assinada por Stédile e por Juan Grabois, que representa o Movimento dos Trabalhadores Excluídos e a Confederação de Trabalhadores da Economia Popular, da Argentina.

O evento é um desdobramento do simpósio As emergências dos excluídos, realizado em dezembro de 2013, no Vaticano, do qual Stédile e Grabois participaram.

Denominado Encontro Mundial de Movimentos Populares, contará ainda com a participação de 30 bispos, “de distintas regiões, que mantêm fortes vínculos com o trabalho social e os movimentos populares.”

É, Dom Rogelio Livieres deveria ter pedido a Stédile que articulasse uma audiência com Francisco.

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22 setembro, 2014

Segurança reforçada no Vaticano por temor de ataque.

AFP – A segurança foi reforçada na praça de São Pedro, após a interceptação por serviços de inteligência estrangeiros de uma mensagem sobre um possível ataque contra o Vaticano, informa o jornal italiano Il Messaggero.

Um serviço de inteligência estrangeiro alertou durante a semana a Itália sobre a interceptação de uma conversa telefônica entre duas pessoas que falavam árabe e mencionavam uma “ação espetacular na quarta-feira no Vaticano”, afirma o jornal.

A quarta-feira é o dia em que o papa celebra a audiência geral na praça de São Pedro, diante da basílica.

Uma unidade antiterrorista italiana estabeleceu que um dos interlocutores da ligação passou pela Itália há oito meses, segundo o mesmo jornal.

O papa Francisco viajará durante a semana à Albânia. O Vaticano negou que, como especulou a imprensa, o pontífice esteja ameaçado por um ataque islamita. Mas a segurança foi reforçada no Vaticano para as audiências de quarta-feira e domingo, destacou o jornal Il Messaggero.

Em entrevista durante a semana ao jornal La Nazione, o embaixador do Iraque na Santa Sé, Habib Al Sadr, declarou que “o que o autoproclamado Estado Islâmico tem afirmado é claro: querem matar o papa, as ameaças contra o papa são reais”.

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19 setembro, 2014

O manifesto dos cardeais e a resposta de Kasper: “Combinei tudo com o Papa”.

IHU – Nunca tinha acontecido de um Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em exercício, publicasse dois livros, em poucas semanas, para declarar inadmissível qualquer mudança na postura da Igreja a respeito do tema que será discutido em uma reunião sinodal. Foi assim que agiu o cardeal Gerhard Ludwig Müller, que desde 2012 guia o ex-Santo Ofício: em julho ofereceu à impressa um livro-entrevista, no qual se declarava contrário a qualquer abertura em relação à comunhão aos divorciados em segunda união (“A esperança da família”, edições Ares), e agora seu nome é o mais destacado entre os que assinam um volume coletivo que se intitula “Permanecer na verdade de Cristo” (que já foi publicado nos Estados Unidos e que acaba de ser impresso na Itália), cujo conteúdo foi divulgado, ontem, pelo jornal italiano “Corriere della Sera”.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 18-09-2014. A tradução é do Cepat.

Kasper e Francisco.

Kasper e Francisco.

Os demais autores são outros quatro purpurados: Carlo Caffara, arcebispo de Bolonha, Raymond Leo Burke, Prefeito da Signatura Apostólica, e os eméritos Walter Brandmüller e Velasio De Paolis. Além disso, também colaboram o arcebispo Cyril Vasil, Secretário da Congregação para as Igrejas Orientais, e outros especialistas. Nos dois volumes, o tema central é a participação dos divorciados, que vivem em segunda união, na Eucaristia, algo que consideram inadmissível.

A inédita operação midiática (a que se somam também, na mesma sintonia, um texto do cardeal Angelo Scola e um livro que está para ser publicado do cardeal australiano George Pell, “ministro” de Economia vaticano) foi apresentada como uma resposta às aberturas que o cardeal Walter Kasper apresentou como uma hipótese, em fevereiro deste ano. A eleFrancisco havia encomendado a relação introdutória do Consistório. Diante de todos os cardeais, Kasper falou sobre o tema da família e, na última parte de seu articulado discurso, apresentou a possibilidade (caso por caso, em determinadas circunstâncias e após uma caminhada penitencial) de se voltar a admitir a comunhão aos divorciados em segunda união. O discurso causou muitas reações entre os cardeais e, no dia seguinte, tomando a palavra, Francisco o elogiou, dizendo que considerava que Kasper fazia “teologia de joelhos” e que em seu discurso havia encontrado “o amor da Igreja”. Durante os meses seguintes, após a publicação daquele texto, multiplicaram-se as entrevistas e as declarações. As posturas se polarizaram, o confronto e o enfrentamento se deram na arena dos meios de comunicação, assim como aconteceu durante o Concílio Vaticano II.

Francisco, que considera decisiva a mensagem da misericórdia, continua convidando a Igreja para que saia de si mesma e vá ao encontro dos homens e das mulheres nas condições em que vivem. Quis que ocorressem dois Sínodos sobre o tema da família: o primeiro, extraordinário, acontecerá entre os dias 5 e 19 de outubro deste ano. O trabalho continuará depois, envolvendo as Igrejas locais e, em outubro de 2015, um novo Sínodo (ordinário) se ocupará das conclusões.

Entrevista com o cardeal Walter Kasper.

Em fevereiro, o senhor falou a respeito do Sínodo, diante dos cardeais, e apresentou uma hipótese sobre a possibilidade da comunhão aos divorciados em segunda união. Em que consiste?

Não propus uma solução definitiva, mas, sim – após me colocar em concordância com o Papa -, fiz algumas perguntas e ofereci considerações para possíveis respostas. Este é o argumento principal: o sacramento do matrimônio é uma graça de Deus, que converte o casal em um sinal de sua graça e de seu amor definitivo. Inclusive, um cristão pode fracassar e, infelizmente, hoje muitos cristãos fracassam. Deus, em sua fidelidade, não deixa ninguém cair e, em sua misericórdia, oferece aos que desejam se converter uma nova oportunidade. Portanto, a Igreja, que é o sacramento, ou seja, o sinal e o instrumento da misericórdia de Deus, deve estar próxima, ajudar, aconselhar, animar.

Um cristão nesta situação tem uma necessidade particular da graça dos sacramentos. Não é possível conceder segundas núpcias, mas, sim – como diziam os Padres da Igreja -, após o naufrágio, uma barca para sobreviver. Não um segundo matrimônio sacramental, mas os meios sacramentais necessários em sua situação. Não se trata de uma solução para todos os casos, que são muito diferentes, mas para aqueles que fazem tudo o que está ao alcance em suas situações.

O senhor colocou em dúvida a indissolubilidade do matrimônio cristão?

A doutrina da indissolubilidade do matrimônio sacramental se baseia na mensagem de Jesus. A Igreja não tem poder para mudá-la. Este ponto não muda. Um segundo matrimônio sacramental, enquanto alguém do casal continua vivo, não é possível. Entretanto, é preciso diferenciar a doutrina da disciplina, ou seja, a aplicação pastoral em situações complexas. Além disso, a doutrina da Igreja não é um sistema fechado: o Concílio Vaticano II ensina que há um desenvolvimento, no sentido de um possível aprofundamento. Pergunto-me se é possível, neste caso, realizar um aprofundamento semelhante ao que se deu na eclesiologia: ainda que a Igreja católica seja a verdadeira Igreja de Cristo, também há elementos de eclesialidade para além das fronteiras institucionais da própria Igreja católica. Em certos casos, também não seria possível reconhecer em um matrimônio civil alguns elementos do matrimônio sacramental? Por exemplo, o compromisso definitivo, o amor e o cuidado recíproco, a vida cristã, o compromisso público, que não existem nas uniões de fato.

Qual é o seu parecer a respeito deste novo livro, com contribuições de cinco cardeais, incluindo o Prefeito Müller?

Surpreendeu-me. Fiquei sabendo, hoje, pelos jornalistas. O texto foi enviado para eles e não para mim. Em toda a minha vida acadêmica, nunca me aconteceu nada parecido.

Na história recente da Igreja, já aconteceu de alguns cardeais intervirem desta forma organizada e pública, antes de um Sínodo?

Durante o Concílio Vaticano II e no pós-concílio, existiam as resistências de alguns cardeais frente a Paulo VI, inclusive por parte do então Prefeito do Santo Ofício. Porém, se não me engano, não com esta modalidade organizada e pública. Se os cardeais, que são os colaboradores mais próximos do Papa, intervêm desta maneira (pelo menos em relação à história recente da Igreja), encontramo-nos frente a uma situação inédita.

O que o senhor espera que aconteça durante as próximas semanas, no debate sinodal?

Espero que possamos ter uma troca de experiências sincera e tranquila, de argumentos, em um ambiente de escuta. Não respostas pré-fabricadas, mas, sim, esclarecimentos sobre o “status quaestionis”, e depois haverá um ano todo para a discussão em nível local, antes das decisões de 2015.

O senhor considera que o Papa Francisco fala muito sobre misericórdia?

Como é possível falar muito de um tema que é fundamental no Antigo Testamento? Claro, a misericórdia não contradiz a doutrina, porque é em si mesma uma verdade revelada, e não cancela os mandamentos do Senhor; mas é uma chave hermenêutica para sua interpretação. O Papa João XXIII, na abertura do Concílio, disse: “Hoje, a Igreja deve usar não as armas da severidade, mas, sim, a medicina da misericórdia”. A misericórdia é, pois, o tema central da época conciliar e pós-conciliar da Igreja católica.

* * *

Kasper, pobre vítima dos carrancudos cardeais, choramingou ainda mais em entrevista ao jornal Il Mattino (créditos: Rorate-Caeli). A seguir, nossa tradução do principal excerto:

[Il Mattino:] Como se deve considerar as situações complexas? Por exemplo, o drama de uma família [sic] divorciada que violou a indissolubilidade do sacramento do matrimônio? 

[Cardinal Kasper:] “As situações complexas são consideradas uma a uma. Ninguém deve julgar, mas discernir. A luz do Evangelho nos ajuda no discernimento de toda situação concreta, à luz da misericórdia”

Voltamos ao perigo de uma guerra doutrinal no Sínodo. 

“Eu, certamente, não quero isso. Eles [os cardeais que o criticaram] talvez queiram. Penso em um sínodo pastoral”.

É isso o que o Papa também quer? 

“Com certeza. Também o Papa quer um sínodo pastoral”.

O senhor esperava essa controvérsia a respeito de seu discurso no Consistório? 

“Não sou ingênuo. Eu sabia que há outras posições, mas não pensava que o debate se tornaria, e agora também se mostra assim, sem modos. Nenhum de meus irmãos cardeais sequer falou comigo. Eu, pelo contrário, [falei] duas vezes com o Santo Padre. Combinei tudo com ele. Ele estava de acordo. O que pode fazer um cardeal, senão estar com o Papa? Eu não sou o alvo, o alvo é outro”.

O Papa Francisco? 

“Provavelmente sim”.

O que mais o senhor diria, por fim, aos seus oponentes? 

“Eles sabem que não fiz essas coisas por conta própria. Combinei com o Papa, falei duas vezes com ele. Ele se mostrou satisfeito. Agora, eles criam essa controvérsia. Um cardeal deve ser próximo do Papa, estar ao seu lado. Eles são os cooperadores do Papa”.

* * *

A testemunhar a comunhão entre Francisco e Kasper, foi divulgado ontem, pelo influente jornal católico francês La Croix, que Francisco “estaria irritado” com a publicação do livro dos cardeais às vésperas do Sínodo. Bergoglio teria solicitado ao Prefeito do antigo Santo Ofício, Cardeal Müller, um dos autores da obra, que não a divulgasse na Itália. Que liberdade de idéias nos reserva o próximo Sínodo, não é mesmo? Debate aberto, tranquilo, sereno, transparente… contanto que as conclusões sejam iguais às do Pontífice e de sua corte!

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16 setembro, 2014

Ritmo lento: em direção a uma Igreja com três papas, dois “aposentados” e um eleito?

“Papa Emérito” é uma instituição que ainda não existe. 

Por Padre Ariel S. Levi Gualdo * | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – Em uma de minhas conversas privadas com um distinto membro da nossa “reserva indígena”, meu confrade mais velho Antonio Livi, muitas vezes abordei questões de caráter dogmático, histórico e eclesiológico ligados à figura do Pontífice Romano em seu duplo papel de Doutor privado e supremo guardião do depósito da fé e da Doutrina católica.  Um tema repetido várias vezes com um outro confrade mais velho e igualmente destacado filósofo e teólogo, o dominicano Giovanni Cavalcoli que é outro ponta de lança da nossa “reserva indígena”.

Há um ano atrás, revelei a ambos um temor que eu já havia manifestado apenas a alguns amigos mais íntimos. Para dizer a verdade, mais do que manifestar, apenas me limitei a sussurrar em em voz baixa: “será que estamos correndo o risco de em breve nos depararmos com dois papas considerados “eméritos “e um terceiro pontífice eleito”? Alguns sorriram e outros se perguntavam se era mais uma das minhas provocações através do uso do paradoxo ou hipérbole, enquanto os dois confrades mais velhos formados por décadas de filosofia e estudos teológicos, bem como pela dedicação contínua aos ministérios pastorais com os quais sempre defenderam a sã e sólida fé (que hoje parece quase ter caído no esquecimento), ouviram atentamente, sem responder naquele momento, tão pesado era o alcance daquela minha perplexidade. Aquilo que me responderam então, não afetam estas linhas.

O erro que cometi naquela época foi deixar escapar da minha boca aquele pensamento que me atormentava com todas as conjecturas articuladas mais abaixo, ao conversar com uma certa pessoa que logo depois publicou minha dolorosa análise para o público, fazendo passá-la como de sua própria autoria. Até aqui nenhum problema, pois não coloco direitos autorais em meus discursos públicos ou privados. Quem o faz é meu meu editor e mesmo assim só para meus livros impressos. Todavia não sou tão ingênuo a ponto de não perceber aqui e ali o modo como alguns jornalistas e comentaristas, várias vezes desenvolveram teses depois que meus escritos foram publicados tanto na Riscossa Cristiana como na Corrispondenza Romana, sem nunca sequer terem a gentileza de mencionar quem havia formulado a análise.

4 setembro, 2014

Shimon Peres propõe ao Papa a criação de uma “ONU das Religiões”.

Durante a reunião que teve lugar esta manhã, no Vaticano, o ex-presidente israelense mostrou esta solução como “a melhor maneira de combater os terroristas que matam em nome da fé”.

Roma, 04 de Setembro de 2014 (Zenit.org) – A “ONU das religiões”. Esta é a proposta que Shimon Peres, Prêmio Nobel da Paz em 1994, juntamente com Yitzhak Rabin e Yasser Arafat, apresentou esta manhã ao papa Francisco no decorrer da conversa entre os dois que ocorreu na Basílica de São Pedro. A notícia foi divulgada em entrevista à Famiglia Cristiana.

O ex-presidente do Estado de Israel, cujo mandato terminou em 24 de julho, observa que as Nações Unidas, muitas vezes, é impotente diante das ações dos grupos terroristas “que pretendem matar em nome de Deus”. Sempre que acontece episódios brutais, as intervenções do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon – de acordo com Peres – não produzem efeito, uma vez que suas declarações “não têm nem a força nem a eficácia de qualquer homilia do Papa, que reúne meio milhão de pessoas na praça de São Pedro”.

Portanto, acrescenta Peres, “nota-se que a ONU teve seu dia, o que precisamos é uma Organização das Religiões Unidas, a ONU das Religiões”. O ex-presidente israelense acredita que seria “a melhor maneira de lutar contra estes terroristas que matam em nome da fé, porque a maioria das pessoas não são como eles, praticam a própria religião sem matar ninguém, sem sequer pensar nisso.”

Peres acredita também em uma “Carta das Religiões Unidas, assim como a Carta das Nações Unidas”. A nova Carta serviria para estabelecer “em nome de todos os credos” que “cortar a garganta das pessoas ou realizar assassinatos em massa, como temos visto nas últimas semanas, não tem nada a ver com religião. Isto foi o que eu propus ao Papa”.

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20 agosto, 2014

Vivemos a 3ª Guerra Mundial, diz papa Francisco.

Pontífice afirmou que esta guerra é marcada por fragmentações

Roma – Após uma viagem de cinco dias à Coreia do Sul, o papa Francisco voltou nesta segunda-feira (18) à Itália, mas não sem fazer duras críticas aos confrontos mundiais durante seu vôo de regresso a Roma.

“Vivemos a Terceira Guerra Mundial, mas em fragmentos”, disse o Pontífice.

Destacando que as guerras estão atingindo “um nível de crueldade espantoso”, Francisco afirmou que “é lícito interromper uma agressão, mas não bombardear”.

“Quando há uma agressão injusta, posso dizer que é lícito parar o agressor. Mas ressalto o verbo parar, porque isso não significa bombardear ou fazer uma guerra”, afirmou o papa sobre os ataques norte-americanos ao Iraque com o objetivo de destruir rebeldes jihadistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), que recentemente declarou a criação de um califado e começou a perseguir civis e cristãos.

“A tortura se tornou quase um meio ordinário. Esses são os frutos da guerra. Estamos em guerra, há a Terceira Guerra Mundial, mas em fragmentos'”, disse o papa, referindo-se aos conflitos simultâneos que atingem o mundo, como as crises na Síria, no Iraque, na península coreana, no continente africano na Faixa de Gaza.

No último mês, Francisco fez constantes apelos de paz para o Iraque e até enviou um representante do Vaticano ao país para entregar apoio financeiro e emocional aos cristãos perseguidos pelo EIIL.

Ele também promoveu um encontro entre lideranças palestinas e israelenses para incentivar o diálogo no Vaticano.

“O encontro no Vaticano entre o presidente israelense Shimon Peres e o palestino Mahmoud Abbas não foi inútil, apesar de hoje a situação na Terra Santa ter se deteriorado”, disse o papa em seu vôo da Coreia do Sul.

“Foi aberta uma porta, mas, agora, a fumaça das bombas não permite que esta porta seja vista”, completou, no mesmo dia em que um novo balanço aponta para dois mil mortos na Faixa de Gaza na última ofensiva israelense.

Ainda na conversa com a imprensa dentro do avião, Francisco contou que tem vontade de visitar a China e que, se “pudesse, viajaria amanhã”.

“Estou disposto também a ir ao Curdistão, se houver possibilidade”, disse Jorge Mario Bergoglio.

Francisco aterrissou em Roma por volta das 18h10 locais, no aeroporto de Ciampini. Ele trouxe um ramo de flores que recebeu de uma menina sul-coreana chamada Mary Sol, de 7 anos de idade.

O Pontífice pretende depositar as flores no altar da Basílica de Santa Maria Maggiore.

Pontificado

Questionado pelos jornalistas que o acompanhavam no vôo de volta a Roma, o papa Francisco comentou que tenta levar “uma vida normal” no Vaticano.

“Em 1975, sai de férias com a comunidade de jesuítas. Desde então, não tiro férias, mas mudo meu ritmo de vida: durmo mais, leio mais, ouço mais músicas… e isso me faz bem”, comentou.

Renúncia

Na mesma entrevista dentro do avião, Francisco disse que a renúncia de seu antecessor, Bento XVI, abriu um precedente na Igreja Católica e que ele mesmo pode abdicar do cargo caso sinta necessidade.

“Há 70 anos, os bispos eméritos eram uma novidade. Hoje, são uma instituição. Penso que o papa emérito será a mesma coisa. Com o tempo, a expectativa de vida aumenta e, em uma certa idade, não temos capacidade de governar bem. Mesmo se a nossa saúde for boa, não temos capacidade de levar adiante o governo da Igreja”, comentou Francisco.

“Alguns teólogos talvez digam que não é certo, mas eu penso assim: faria a mesma coisa que Bento XVI. Ele abriu uma porta que é institucional, não excepcional”, afirmou.

Conhecido por sua simplicidade, Jorge Mario Bergoglio assumiu a liderança da Igreja Católica em março de 2013, após a renúncia de Bento XVI.

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19 agosto, 2014

E finalmente o Papa Bergoglio resolveu falar!

Por Antonio Socci | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – Foi preciso que se passasse quase 20 dias, depois de muitos pobrezinhos, indefesos e inocentes mortos, mas, finalmente, até mesmo o Papa Bergoglio chegou a dizer que é preciso “parar” com esses criminosos sanguinários que esquartejam, cortam as gargantas, estupram, crucificam e outros horrores … 

Parar sim, mas — isso ele deixou claro — “não bombardear”. E como se fará então? Com tropas terrestres significaria “guerra”, exatamente o que se quer evitar. 

Então, como é que vai ser? Propor ao sangrento Califa uma partida de baralho (com os mortos), e o ganhador leva tudo? Ou o famoso jogo de futebol com Maradona? 

Dizer “parar”, mas sem o uso (obviamente preciso e proporcional) da força é um absurdo. São essas sutis hipocrisias que às vezes nos levam a suspeitar que o que se busca é salvar a própria cara ao invés da vida dos outros. Mas eu espero que seja apenas uma suspeita infundada … 

É bom que se saiba que de qualquer modo estamos gratos por esta (embora tímida e reticente) palavra: “parar os agressores”. 

Permanecem, infelizmente, as vozes da corte papal… aqueles para quem, até ontem, o simples fato de se pedir para neutralizar os assassinos significava querer de volta a guerra e as cruzadas, aqueles para quem “se o Papa se cala é para evitar retaliação mais grave”, aqueles para quem “se ele não diz nada significa que ele está operando reservadamente”.

Tudo conversa fiada. No Vaticano estavam simplesmente iludidos de que ainda havia um canal diplomático, enquanto aqueles assassinos — como denunciaram os bispos locais — só queriam conquistar, converter pela força e pelo massacre e nunca quiseram ouvir falar em “diálogos”. 

Adicione a esta ilusão, a equivocada ideologia “católico-progressista” do diálogo a todo custo, que levou Bergoglio a jamais mencionar explicitamente o Islamismo, e o desastre está feito… 

Aqueles pobres cristãos massacrados… 

A propósito, há ainda o capítulo triste daqueles que sustentam que o Califado não tem nada a ver com o Islã. Eu me pergunto por que então impoem a conversão à força ao Islã ou a morte… 

E depois ainda há aqueles tristíssimos “católicos progressistas” que ficam indignados quando alguém ainda fala em “cristãos perseguidos”… Que vergonha! 

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19 agosto, 2014

“Sei que vou durar pouco tempo. Dois ou três anos. E, depois, vou para ‘a Casa do Pai!'”

Cidade do Vaticano (RV) – O clima que caracteriza as conversas com os jornalistas nos voos papais internacionais é sempre muito informal. Os repórteres, conhecidos como ‘vaticanistas’, provêm de países diferentes, muitos trabalham em Roma como correpondentes e tratam o dia a dia do Vaticano com familiaridade. Mais de 70 jornalistas estavam no avião papal em sua volta a Roma, e como sempre, foram sorteados alguns para fazerem diretamente ao Papa suas perguntas.

Francisco e jornalistas no vôo de volta a Roma.

Francisco e jornalistas no vôo de volta a Roma.

Pela primeira vez, o Papa Francisco abordou publicamente a perspectiva de sua morte, afirmando – entre risos – que não viverá por muito tempo, e reiterando que não descarta uma possível renúncia:

Vocês podem me perguntar: se um dia não se sentir capaz de seguir adiante, faria a mesma coisa de Papa Ratzinger?”. “Sim”, respondeu. “Eu rezaria muito e faria a mesma coisa”. Bento XVI abriu uma porta, que é institucional. A renúncia de um Papa é uma instituição e não mais uma exceção, apesar disso não ser do gosto de alguns teólogos”, afirmou Francisco, lembrando que os bispos eméritos eram uma exceção há 60 anos, não existiam, e que agora esta é uma prática habitual.

Respondendo sobre sua popularidade e o efeito desta sobre ele, disse: “Eu a encaro como uma generosidade do povo de Deus. Interiormente, tento pensar em meus pecados, em meus erros, para não ficar orgulhoso, porque sei que vou durar pouco tempo. Dois ou três anos. E, depois, vou para ‘a Casa do Pai!‘”, afirmou em tom de brincadeira, provocando risadas de todos.

Aos 77 anos, o Pontífice argentino disse que vê esta popularidade “de maneira mais natural do que no início”, quando ficava um pouco mais “assustado”.

Indagado sobre suas férias deste ano, o Papa disse que vai passá-las em casa, na residência de Santa Marta, onde mora: “Sempre tiro férias, mas sou muito ‘caseiro’, então mudo de ritmo. Leio coisas de que gosto, ouço música, e acima de tudo, rezo mais”, explicou, admitindo que ser ‘caseiro’ é uma de suas neuroses”, e que a cura “tomando mate todos os dias”, brincou de novo.

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18 agosto, 2014

Papa considera «legítima» intervenção no Iraque.

Papa Francisco não dá «luz verde» aos ataques aéreos, mas salienta a necessidade de travar as ações dos «jihadistas»

Por TVI24 – O Papa Francisco considera que a comunidade internacional tem legitimidade para travar as ações dos militantes do Estado Islâmico (EI) no Iraque, mas que não deve ser um único país a decidir como agir. As declarações foram feitas durante a viagem de regresso da visita à Coreia do Sul.

«Nestes casos, quando há uma agressão injusta, apenas posso dizer que é legítimo parar esse agressor», declarou o sumo pontífice quando lhe foi feita uma questão sobre os ataques aéreos dos Estados Unidos no Iraque.

Os «jihadistas», que querem criar um califado no Médio Oriente, já controlam várias cidades do Iraque e da Síria e levaram a que milhares de pessoas de minorias religiosas, incluindo Cristãos, tivessem abandonado as suas casas.

No entanto, o Papa não dá «luz verde» aos ataques aéreos dos Estados Unidos.

«Sublinho o verbo parar. Não estou a dizer para fazerem guerra ou lançarem bombas. As condições para que o agressor pare têm de ser avaliadas. Um único país não pode julgar como o agressor deve ser travado», declarou.

Para o Papa Francisco, as Nações Unidas são a entidade ideal para decidir como travar a situação.

O Papa confessou ainda que tem intenções de se deslocar ao Iraque, mas que decidiu que, por agora, «essa não seria a melhor coisa a fazer».

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12 agosto, 2014

Papa gostaria de poder ir ao norte do Iraque, diz emissário do Vaticano.

O papa Francisco gostaria de poder viajar para o norte do Iraque para «partilhar a dor» das milhares de pessoas que foram obrigadas a abandonar os seus lares fugindo da «violência inaudita» dos jihadistasdo Estado Islâmico (EI).

Diário Digital – O anúncio foi feito hoje [dia 11] numa entrevista divulgada pela Rádio Vaticana ao cardeal Fernando Filoni, enviado pelo pontífice como emissário ao Iraque «com o objectivo de transferir» para os deslocados «o amor» do pontífice e de investir verba não especificada em sua ajuda.

«O papa queria estar ali, no Iraque, partilhando a dor das vítimas indefesas de uma cruel injustiça e de uma violência inaudita», referiu.

O cardeal manteve nesta manhã uma audiência privada com o pontífice – que lhe deu uma série de indicações pessoais – e empreenderá a viagem rumo ao Iraque hoje à tarde, às 18:00 locais (13:00 em Lisboa), anunciou hoje a Santa Sé em comunicado.

Trata-se de uma «missão de encorajamento, de confiança, de ajuda espiritual, moral e psicológica», disse Filoni.

Nomeado recentemente governador regional para a Evangelização dos Povos, Filoni defendeu que o Iraque, tradicionalmente, foi um país «onde durante centenas de anos as minorias conviveram com as maiorias».

Núncio na Jordânia e Iraque desde 2001 a 2006, o enviado é conhecido por ser o único diplomata que não abandonou o país durante toda a guerra.

Filoni mostrou-se convencido de que as autoridades iraquianas farão tudo o que está nas suas mãos para proteger estes cristãos, mas ao mesmo tempo reconheceu que estas pessoas «devem sentir que a Igreja universal está com eles, que não os abandona».

Desde que começou esta crise provocada pelo avanço do EI, que proclamou um «califado» que se estende a ambos os lados da fronteira entre o Iraque e a Síria, estima-se que cerca de 120 mil cristãos se viram obrigados a fugir daqueles milicianos jihadistas.

O papa mostrou-se comovido por estes factos em múltiplas ocasiões, a última das quais ontem quando, após a reza do tradicional Ângelus dominical, lembrou com tom e semblante sério que «não se faz a guerra em nome de Deus».

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