Posts tagged ‘O Papa’

29 julho, 2015

A última descortesia de Bergoglio a Ratzinger: manda embora o seu médico particular.

Dispensado sem aviso prévio o médico pontifício que apoiou a canonização de Wojtyla. Antes disso, já havia mandado embora o chefe da Guarda Suíça.

Por Sergio Rame – Il Giornale | Tradução: FratresInUnum.com – Papa Francisco demitiu, sem nenhum aviso prévio, Patrizio Polisca, o cardiologista de confiança do papa emérito Bento XVI.

PapasVIIO episódio, ainda não oficializado, mas já publicado pelo sítio ItaliaOggi, poderia parecer insignificante, mas tem consequências politicas importantes dentro dos muros do Vaticano. Bergoglio, que desde os primeiros instantes mudou a direção do papado, fez saltar numerosas cabeças a fim de modificar radicalmente a linha apostólica. No entanto, algumas dessas parecem injustificadas aos olhos do próprio Ratzinger. E a demissão do protomédico, que desde julho de 2010 é também diretor dos Serviços de Saúde e Higiene do Estado da Cidade do Vaticano, é somente a última em termos cronológicos.

Foi no ano de 1986 que Renato Buzzonetti, o protomédico que cuidou do papa João Paulo II até o seu último momento, quis Polisca no Vaticano. Havia muito tempo era o seu braço direito. Tanto que desempenhou um papel central no processo de canonização de Wojtyla, presidindo a comissão científica que reconheceu como milagre a cura obtida invocando o papa polonês. No ItaliaOggi, Jasmine Foschi revela sem muito pesar as palavras que “o torpedeamento inesperado da parte de Bergoglio” deixa perplexo o papa Ratzinger, “tanto mais porque não parece haver um motivo para essa demissão”.

A demissão de Polisca não é certamente a primeiro intervenção de Begoglio sobre o “pessoal” da Santa Sé. Tão logo se tornou papa, ele mandou muitas pessoas embora. Em alguns casos, no entanto, a demissão parece ser imotivada. Um destes é o do Chefe da Guarda Suíça, o coronel Daniel Rudof Anrig, que Bergoglio demitiu (sem qualquer explicação) no fim de novembro de 2014.

“Decidi desse modo – ter-lhe-ia dito papa Francisco em audiência privada –, não tenho nenhuma intenção de motivar ou de retornar ao assunto”.

Até hoje não achou um novo trabalho. “Os mistérios daquela demissão – observa Foschi – pesam, lançando sobre o seu rico currículo sombras que parecem ter-se tornado obstáculos intransponíveis”.

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26 julho, 2015

Foto da semana.

papa

La Paz, 10 de julho de 2015: Após missa na nunciatura apostólica, Papa Francisco coloca sobre a imagem da Virgem de Copacabana, padroeira da Bolívia, a distinção Luis Espinal que recebeu do presidente Evo Morales. Nesta condecoração está a imagem de Cristo sobre a foice e o martelo, elaborada pelo falecido sacerdote jesuíta nos anos 70 e cuja réplica o mandatário obsequiou ao Santo Padre.

Comentando a respeito, o Pontífice declarou não ter se sentido ofendido com o presente — e, com o gesto, supõe-se que ele também crê que a Mãe de Deus não se ofende em receber o repasse da insígnia.

Na ocasião, rezou o Papa:

Recebe como obséquio do coração da Bolívia e de meu amor filial os símbolos do carinho e da proximidade que –em nome do Povo boliviano– me entregou o Senhor Presidente Evo Morales Ayma com afeto cordial e generoso, com motivo desta Viagem Apostólica, que confiei à tua intercessão. Eu te imploro que estes reconhecimentos, que deixo aqui na Bolívia aos teus pés, e que recordam a nobreza do voo do Condor nos céus dos Andes e o comemorado sacrifício do Pe. Luis Espinal, S.I. sejam emblemas do amor perene e da perseverante gratidão do Povo boliviano à tua forte ternura”.

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25 julho, 2015

Papa Francisco: promover aborto e eutanásia é comportamento dos mafiosos.

Vaticano, 25 de julho de 2015 – Por ACI/EWTN Noticias | Tradução: FratresInUnum.com – Em sua mensagem para a jornada que a Igreja da Inglaterra e País de Gales celebra neste domingo sobre o tema “Cultivar a vida, aceitar a morte”, o Papa Francisco denunciou a “falsa compaixão” por detrás da promoção da eutanásia e do aborto, e assegurou que quem promove estas práticas tem o comportamento dos mafiosos.

Os promotores do aborto e da eutanásia, observou, pensam: “há um problema, eliminemos isso”.

O texto também fala de outros atentados à vida como “a praga do aborto”, a desnutrição e o terrorismo.

Francisco assegurou que “não é progressista pretender resolver os problemas eliminando a vida humana”, pois esta é a forma de atuar “dos mafiosos: há um problema, eliminemo-lo”.

Pelo contrário, deve-se “cuidar da pessoa, sobretudo quando sofre, é frágil ou indefesa”.

O Santo Padre denunciou uma “eutanásia escondida” e destacou que “cada ancião, embora enfermo ou no fim de seus dias, leva em si o rosto de Cristo.

A vida humana é sempre “inviolável”, e “não há uma vida qualitativamente mais significativa que outra”, disse o Papa.

Francisco criticou que “o pensamento dominante propõe uma falsa compaixão, que considera “um ato de dignidade procurar a eutanásia”.

A opção da Igreja, notou, é “por aqueles que a sociedade descarta e elimina”. Entre eles, enfatizou, “há também as crianças por nascer, que são as mais indefesas e inocentes de todos, às quais hoje se quer negar a dignidade humana a fim de poder fazer o que se quer, tirando-lhes a vida e promovendo leis de modo que ninguém possa o impedir”.

O Papa advertiu que não é “uma conquista científica ‘produzir’ um filho, considerado como um direito, em vez de acolhê-lo como um dom; ou usar vidas humanas como objeto de laboratório para supostamente salvar outras”.

“A fidelidade ao Evangelho da vida às vezes requer escolhas valentes e contra a corrente que, em particulares circunstâncias, podem chegar à objeção de consciência”.

A defesa da vida, pontuou, não é “um problema religioso”, como pretendem alguns, mas “um problema científico, porque ali há uma vida humana”.

O aborto e a eutanásia tampouco são uma questão de modernidade, explicou, porque “no pensamento antigo e no pensamento moderno, a palavra matar significa o mesmo!”

“O grau de progresso de uma civilização se mede justamente pela capacidade de proteger a vida, sobretudo nas fases mais frágeis”, assinalou.

Francisco assegurou que “a praga do aborto é atentado à vida. É um atentado à vida deixar morrer nossos irmãos nas barcaças no canala da Sicília. É um atentado à vida a morte no trabalho, porque não se respeitam as mínimas condições de segurança. É um atentado à vida a morte por desnutrição. É um atentado à vida o terrorismo, a guerra, a violência; mas também o é a eutanásia. Amar a vida é sempre ocupar-se do outro, desejar o seu bem, guardar e respeitar a sua dignidade transcendente”.

Ao concluir sua mensagem à Igreja da Inglaterra e Gales, o Santo Padre impôs sua benção apostólica “a todas as pessoas que participam em um evento tão significativo e aos que trabalham, de diferentes modos, pela promoção da dignidade de toda pessoa humana desde o momento de sua concepção até sua morte natural”.

A mensagem foi enviada ao núncio apostólico na Grã-Bretanha, Dom Antonio Mennini, que a entregou ao bispo encerrado pela jornada, Dom John Sherrington, bispo auxiliar de Westminster, Inglaterra.

O tema escolhido para esta edição do Dia pela Vida se encontra no contexto da campanha de sensibilização organizada pelos bispos ingleses e galeses, com vistas ao debate e ao voto da Câmara dos Comuns acerca do projeto de lei sobre o suicídio assistido ou eutanásia previsto para o próximo dia 11 de setembro.

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25 julho, 2015

Só e unicamente de Cristo.

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“Na verdade, passaram reinos, povos, culturas, nações, ideologias, mas a Igreja, fundada sobre Cristo, permanece fiel ao depósito da fé, porque a Igreja não é dos Papas, dos Bispos, dos padres e nem mesmo dos fiéis; é só e unicamente de Cristo”.

Papa Francisco
Solenidade de São Pedro e São Paulo de 2015

Créditos: Rádio Vaticano

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20 julho, 2015

Cardeal George Pell golpeia encíclica sobre meio ambiente do Papa Francisco.

Por The Wanderer | Tradução: FratresInUnum.com –  O responsável pelas finanças do Vaticano, Cardeal George Pell, deu um passo incomum ao criticar a revolucionária encíclica sobre o meio ambiente do Papa Francisco, argumentando que a Igreja Católica “não tem competência particular em ciência”.

Cardeal George Pell

Cardeal George Pell

Após ser trazido, há cerca de 18 meses, ao Vaticano pelo Papa Francisco e incumbido de reformar as questões financeiras da cidade-estado, o cardeal australiano deu uma entrevista ao Financial Times, golpeando o histórico documento de seu chefe.

“Ela tem muitos, muitos elementos interessantes. Há partes dela que são belas”, afirmou. “Mas a Igreja não tem competência particular em ciência… a Igreja não recebeu mandato do Senhor de se pronunciar em matérias científicas. Nós cremos na autonomia da ciência”, Pell declarou ao Financial Times na quinta-feira (16 de julho).

Na carta papal, lançada no mês passado, Francisco instou a uma ação global sobre as mudanças climáticas e criticou os líderes globais por não abordar o assunto de modo urgente, como seria necessário. Enquanto o Papa recebeu o louvor de ativistas ambientais, outros argumentaram que ele não deveria se inserir no debate político e científico.

Até agora, Pell permanecera calado sobre o conteúdo da encíclica, apesar de gozar da reputação de “negacionista” das mudanças climáticas na Austrália. Em 2011, ele bateu de frente com o então chefe do Departamento de Meteorologia da Austrália, Greg Ayers, que afirmou que Pell estava “enganado” em suas opiniões sobre mudanças climáticas.

Apesar das críticas do cardeal à abordagem sobre o meio ambiente do Papa, Pell observou que a encíclica foi “muito bem recebida” e declarou que Francisco “lançou nossas obrigações para com as gerações futuras de nossas obrigações com o meio ambiente de maneira muito bela”.

Desde a publicação do documento, o Vaticano promoveu um encontro de alto nível sobre o meio ambiente, enquanto Francisco levou sua mensagem em sua viagem pela América Latina.

14 julho, 2015

Horas.

Por That the bones you have crushed may thrill | Tradução: FratresInUnum.com

“A Igreja vai celebrar o Sínodo Ordinário dedicado às famílias para amadurecer um verdadeiro discernimento espiritual e encontrar soluções concretas para as inúmeras dificuldades e importantes desafios que a família deve enfrentar nos nossos dias. Convido vocês a intensificar a oração por essa intenção: para que, mesmo aquilo que nos pareça impuro, nos escandalize ou espante, Deus – fazendo-o passar pela sua “hora” – possa milagrosamente transformá-lo. Hoje a família precisa desse milagre”.

A família “não pode ser substituída por outras instituições”, acrescentou o Papa. Por essa razão, “ela precisa ser ajudada e reforçada para não perder jamais o justo sentido dos serviços que a sociedade presta aos cidadãos”.

Papa Francisco, Guayaquil, Equador, 6 de julho.

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Cristo agoniza no Getsemani.

Realmente, é necessário um “milagre” para defender a Fé Católica, a família e o casamento, urgentemente. A intervenção de Deus é, com muita certeza, necessária no Sínodo para que a Igreja possa, retumbante, rejeitar aquilo que é um perigo para as almas, um perigo para a família e um ataque direto à santidade do casamento e ao Santíssimo Sacramento. Então, que “soluções concretas” Sua Santidade tem em mente e que surgiriam como parte do “milagre”? A que “hora de Cristo” ele se refere?

Hora?

“Vigiai, portanto, pois não conheceis nem o dia nem a hora”?

“Esta é a vossa hora – o reino da trevas”?

“Pai, livrai-me dessa hora”?

Ajudem-me, falo como um dos que pertencem ao rebanho do Sumo Pontífice. Estou tão confuso que é como se eu estivesse olhando para o enigma mais misterioso e complicado do mundo. A “hora” de Cristo é a derrota final de todo o mal e o pleno estabelecimento de Sua justiça, bem como a glorificação de Sua misericórdia em Seu Reino, quando Ele vier em glória como juiz e, mais do que isso, não será algo caracterizado pela “lei da gradualidade”. Dar-se-á num piscar de olhos.

Uma proposta concreta: Vá e não peques mais.

Quais são precisamente as propostas concretas que, segundo crê Sua Santidade, Nosso Senhor teria em mente? Soa como se  – mas não é necessariamente o caso – o papa Francisco estivesse dizendo que Nosso Senhor irá de algum modo endossar certas propostas no sínodo. Talvez seja por isso que o que foi redondamente rejeitado pela maioria dos bispos foi mantido [ndr: por decisão pessoal do Pontífice] em partes da Relatio e do Instrumentum Laboris. Quanto a rezar pela intenção de “propostas concretas”…

“Seja feita não a minha, mas a Vossa vontade…”

… certamente é a nossa oração! Espero que as soluções concretas pelas quais Sua Santidade está rezando, em suas intenções, estejam alinhadas com a oração que Nosso Senhor nos ensinou e a qual ousamos dizer. Infelizmente, o Papa Francisco, com a sua intenção por “propostas concretas”, nos deu causa para nos perguntarmos se é realmente a vontade de Deus que está sendo buscada.

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Uma vez que tais palavras foram pronunciadas pelo Papa no Equador, é oportuno indicar este vídeo sobre Nossa Senhora do Bom Sucesso.

13 julho, 2015

Papa leva crucifixo de Evo Morales para casa: “Para mim não foi uma ofensa”.

É o que relata o jornal argentino La Nación, sobre a entrevista coletiva no voo que levava o Pontífice de volta a Roma, após viajar por Equador, Bolívia e Paraguai. Agradecemos desde já se algum leitor puder traduzir a matéria com a fala do Papa, para publicação na íntegra no Fratres.

* * *

Em menos de uma hora, o Fratres recebeu quatro traduções! A que segue é de um leitor de Buenos Aires. Deus lhes pague, caros amigos!

A BORDO DO VÔO PAPAL – Como não podia ser de outra maneira, uma das perguntas feitas ao Papa Francisco no avião que o levou de volta à Itália foi sobre o polêmico crucifixo talhado em uma foice e um martelo que foi-lhe presenteado pelo presidente boliviano Evo Morales, cuja imagem deu volta ao mundo.

Como demonstrou sua cara, o Papa confirmou que se surpreendeu com semelhante crucifixo. Disse que ignorava que tinha sido desenhado pelo padre jesuíta espanhol Luis Espinal – assassinado pela ditadura boliviana em 1980, a quem homenageou na sua breve passagem por La Paz. Disse que considerava esse tipo de obra como “arte de protesto”, e confirmou que não se sentiu ofendido e que o levou a Roma. 

– Santidade, o que sentiu quando viu essa foice e martelo com o Cristo em cima que lhe ofereceu o presidente Morales? Onde está esse objeto agora?
 
– É curioso, eu não conhecia isso e não sabia que o padre (Luis) Espinal era escultor e também poeta, soube nesses dias. Quando vi, para mim foi uma surpresa. Em segundo lugar, pode-se classificar como o gênero de arte de protesto. Por exemplo, em Buenos Aires, há alguns anos foi exibida uma mostra de um bom escultor, criativo, argentino, que agora está morto [nota do tradutor: trata-se do artista plástico León Ferrari, falecido em 2013, conhecido por suas polêmicas obras anticlericais e anticristãs, fundador do “Clube dos impíos, hereges, apóstatas, blasfemos, ateus, pagãos, agnósticos e infiéis”]. Era arte de protesto e eu lembro que uma era um Cristo crucificado sobre um bombardeiro que ia descendo. Era uma crítica do cristianismo aliado com o imperialismo que bombardeia. Então em primeiro lugar eu não sabia nada, em segundo eu a classificarei como arte de protesto que, em alguns casos, pode ser ofensivo. Terceiro: o padre Espinal foi assassinado no ano 80. Era um tempo em que a teologia da liberação tinha muitos ramos. Um desses ramos propunha a análise marxista da realidade. O padre Espinal pertencia a este, eu sabia disso porque nesses anos eu era o reitor na faculdade de teologia e se falava muito disso. Quais eram os ramos e quem. No mesmo ano, o Superior Geral da Companhia de Jesus mandou uma carta a toda a Companhia sobre a análise marxista da teologia. Brecando um pouco e dizendo: isso não pode, são coisas diferentes, não é justo, não vão, e quatro anos depois, em 84, a Congregação para a Doutrina da Fé publicou o primeiro documento pequenininho, uma primeira declaração sobre a Teologia da Liberação, que critica isso, depois veio o segundo que abriu as perspectivas mais cristã, estou simplificando, hein? Ou seja, vamos fazer uma hermenêutica naquela época, aqui não. Espinal era um entusiasta dessa análise da realidade marxista e também da teologia usando o marxismo. Daí veio essa obra que, também as poesias de Espinal eram desse gênero, de protesto, mas essa era sua vida, era seu pensamento, era um homem especial, com tanta genialidade humana e que lutava, ele tinha boa fé. Fazendo uma hermenêutica como esta eu o entendo. Para mim não foi uma ofensa, mas tive que fazer esta hermenêutica e digo para vocês para que não haja interpretações.
 
– Onde ficou a cruz? 
– Tenho-a comigo. O presidente Morales quis dar-me duas condecorações, a mais importante da Bolívia e a outra é a Ordem do Padre Espinal, uma nova ordem. Se eu as levo? Bom, em primeiro lugar nunca recebi uma condecoração, não me convém. Ele fez com boa vontade e com vontade de me dar agradar, e pensei que isso vem do povo da Bolívia e rezei para saber o que fazer com isso. Se levo comigo para o Vaticano vão parar no museu, vai terminar aí e ninguém jamais as verá, então pensei em deixá-los com a Virgem de Copacabana, a mãe da Bolívia, e as duas condecorações que recebi irão para o santuário de Copacabana. Por outro lado o Cristo tenho comigo. Obrigado.
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13 julho, 2015

“O meu Reino não é deste mundo”.

“O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo.” (Jo 18, 36)

Por Teresa Maria Freixinho | FratresInUnum.com – Confirmado: O crucifixo comunista que Evo Morales deu de presente ao Papa Francisco foi realmente inspirado em outro idêntico, criado por um padre jesuíta chamado Luis Espinal Camps. Padre Espinal, espanhol de origem, chegou à Bolívia em 1968 para atuar como missionário. Nesse país ele trabalhou ativamente como jornalista, cineasta e escritor, engajando-se em causas sociais e na defesa da liberdade de expressão. Em 1980, ele foi sequestrado e assassinado por paramilitares incomodados com suas pregações.

BOLIVIA-POPE-MORALES

A revelação foi feita por outro jesuíta, o padre Xavier Albó, que contou que o crucifixo foi criado nos anos 70. Segundo ele, o padre Espinal teria recebido uma cruz por ocasião de seus votos religiosos e resolveu colocá-la sobre uma foice e um martelo para “refletir a necessidade de dialogar dos cristãos com o movimento operário e, em geral, com todos os setores da sociedade, incluindo os marxistas”. No entanto, padre Albó afirma que seu confrade espanhol não era comunista de modo algum.

Revelações à parte, o que pensar do episódio?

Será que o fato do Papa Francisco ter elogiado “o trabalho de evangelização” do padre Espinal em seu trajeto entre o aeroporto de El Alto e a capital La Paz muda alguma coisa em nossa apreciação do horrendo crucifixo ou do gesto de Evo Morales, que, em 2009, chegou a afirmar: “A Igreja Católica é um símbolo do colonialismo europeu e, portanto, deve desaparecer da Bolívia”?

Claro que não! Um crucifixo comunista será sempre um acinte à Fé Católica. A imagem do crucifixo que reverenciamos e respeitosamente osculamos serve para nos levar à contemplação do Sacrifício Redentor de Nosso Senhor Jesus Cristo por amor a cada um de nós e da resposta que Lhe devemos dar em vista de tão grande amor. A explicação do padre Albó de que esse crucifixo expressaria a necessidade de “dialogar com os marxistas” não apaga a infâmia do que os seguidores da foice e do martelo fizeram à humanidade, sem falar do que fizeram à Fé Católica propriamente. Em todos os lugares onde foi implantado, o regime comunista – e suas inúmeras variantes, seja qual for o matiz — só trouxe desgraças à humanidade, além de uma tremenda perseguição ao cristianismo. Não bastasse o genocídio de milhões de pessoas na Rússia, na China, na Albânia, no Vietnam e na Coreia do Norte, em alguns países, como a Romênia, esse regime nefasto foi particularmente cruel para com os sacerdotes. Como esquecer os inúmeros padres sadicamente torturados por soldados comunistas nas prisões de Pitesti e Jilava? Como esquecer as inúmeras perseguições aos cristãos da Albânia, muitos dos quais passaram anos sem os sacramentos e tiveram que restringir a prática da fé ao interior dos lares ou ainda enterrar todos os objetos litúrgicos que possuíssem para que não fossem destruídos pelos comunistas? Como esquecer a memória dos trinta mártires Franciscanos de Široki Brijeg, na Bósnia, que morreram fuzilados por soldados comunistas por terem se recusado a cuspir no crucifixo que lhes fora apresentado por seus implacáveis algozes como condição para salvar a própria pele?

Luis Espinal (à direita), dirigindo um filme, com sua equipe. Foto: Espinal Agazzi

Luis Espinal (à direita), dirigindo um filme, com sua equipe. Foto: Espinal Agazzi

Na América Latina a ideologia comunista infiltrou-se nas fileiras eclesiásticas sob a forma da Teologia da Libertação, pregando uma suposta justiça social, igualdade e fraternidade, mas minimizando grandemente o aspecto sobrenatural da Fé Católica e menosprezando conteúdos essenciais, como a liturgia, a moral e a doutrina. Esse vírus nefasto afetou grande parte do clero, dos leigos e das instituições católicas.

De acordo com a Teologia da Libertação, os pobres, ao invés de objeto de caridade e solicitude cristãs, como sempre foram, tornaram-se praticamente objeto de veneração e “protagonistas da História”. Não somente os pobres tornam-se o centro das preocupações cristãs, mas também “a natureza” como um todo – daí a ênfase na ecologia e antropologia -, invertendo-se assim a ordem natural do culto cristão, que deve ser direcionado ao Criador. A moral cristã foi reduzida a códigos de conduta humanistas e ecológicos. A luta contra o pecado individual foi minimizada em prol dos “pecados sociais”.  Em vista disso, muito raramente se ouvia algum sermão sólido sobre o aborto, o matrimônio e a castidade nas paróquias mais afetadas pela Teologia da Libertação. O Inferno seria invenção de um passado medieval ou, caso  existisse, estaria vazio, pois não combinava com a misericórdia Divina.

Para piorar o quadro, diversos seminários foram profundamente contaminados e se transformaram em verdadeiras sementeiras de padres e bispos avermelhados. Alguns deles, como Leonardo Boff e Gustavo Gutierrez, tornaram-se gurus das novas gerações. Editoras católicas venderam (e ainda vendem) milhares de publicações dos novos ditadores de paradigmas. Poucos católicos escapariam ilesos entre os anos 70 e 80. Não tínhamos mais nenhuma referência do catolicismo tradicional, que, naquela época, era considerado arcaico e, portanto, rejeitado em larga escala. Consumíamos e disseminávamos essa ideologia em nossas famílias e grupos de amigos. Até mesmo a arquitetura das igrejas foi afetada pela mentalidade revolucionária. A ordem do dia era dizer um sonoro “não aos excessos burgueses” e acolher o “despojamento” (mesmo que despojando-se, para citar um só exemplo, de 100 milhões de reais!). O minimalismo nos traços e elementos foi grandemente levado em conta na construção das igrejas e mosteiros. Em nome de uma suposta solidariedade aos “pobres da América Latina”, alguns padres chegavam a substituir seus belos paramentos – ricos em significado teológico – por vestes desleixadas quando não escandalosas. Orações e cantos foram adaptados para satisfazer a mentalidade marxista e chegamos ao ponto de substituir as veneráveis devoções quaresmais por reflexões sobre a poluição dos rios, dos mares e da atmosfera ou então sobre a ganância dos ricos e a opressão dos pobres. Consequentemente, o número de apostasias foi enorme nesse período. Muitos católicos já não mais conheciam a Fé que professavam. Outros passaram a ter uma postura relativista da religião – “o importante era tão somente buscar a paz, a justiça social e a fraternidade”.

Porém, como nos diz as Escrituras, “onde o pecado abundou, a graça de Deus superabundou”. Mesmo em meio ao caos litúrgico e doutrinal desse período conturbado, Deus suscitou bispos verdadeiramente sábios e corajosos, que denunciaram com todas as letras esse veneno mortal infiltrado na Igreja Católica. Estes, por sua vez, tornaram-se mártires da mídia secular e alvo do escárnio de seus próprios pares, que os descreviam como fascistas, retrógrados e integristas. Como faróis em mares tempestuosos esses pastores ergueram suas vozes e nos conduziram para o caminho seguro da Tradição, denunciando o perigo ao redor da Barca de Pedro.

Não, comunistas não dialogam! Qualquer tentativa nesse sentido será mero monólogo de ingênuos. A Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo não existe para “dialogar” com quem não quer diálogo, muito menos para instituir um mero Paraíso terrestre de “igualdade e fraternidade”. Sua função precípua é salvar almas e, para isso, deve apontar o Caminho do Céu. A busca da justiça social é algo muito bom e desejável, mas não pode se sobrepor à finalidade principal da Igreja.

Nossa Igreja não é e nunca foi a Igreja Dialogante. Aqui na Terra somos Igreja Militante!

Que Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus e pai dos jesuítas, e São Bento, cujo dia hoje celebramos, intercedam por todos nós!

10 julho, 2015

Papa Francisco deixa na Bolívia as condecorações que recebeu de Evo Morales.

LA PAZ, 10 Jul. 15 / 04:15 pm (ACI).- O Papa Francisco deixou na Bolívia as duas condecorações que o Presidente Evo Morales lhe deu na última quarta-feira, 9, durante o intercâmbio de presentes no Palácio de Governo, pouco depois da sua chegada ao país.

Condecoração dada por Evo Morales ao Papa Francisco.

Condecoração dada por Evo Morales ao Papa Francisco.

Morales entregou a máxima condecoração da Bolívia, a medalha Condor dos Andes, e a distinção Luis Espinal.

Nesta segunda condecoração está a imagem de Cristo sobre a foice e o martelo, elaborada pelo falecido sacerdote jesuíta nos anos 70 e cuja réplica o mandatário obsequiou ao Santo Padre, algo que gerou grande controvérsia em diversas redes sociais.

Segundo informou a Santa Sé, o Papa celebrou Missa pela manhã na capela da residência do Arcebispo Emérito de Santa Cruz de la Sierra, Cardeal Julio Terrazas.

No final da Celebração Eucarística, o Santo Padre entregou à Virgem de Copacabana, Padroeira da Bolívia, as duas condecorações presenteadas pelo Presidente Evo Morales, na última quarta-feira, durante sua visita de cortesia ao Palácio Presidencial de La Paz.

O Papa Francisco pronunciou as seguintes palavras, seguidas de uma oração: “O Senhor Presidente da Nação através de um gesto de acolhida teve a delicadeza presentear-me com duas condecorações em nome do povo boliviano”.

“Agradeço o carinho do povo boliviano e agradeço este detalhe, esta delicadeza do Senhor Presidente e gostaria de deixar estas duas condecorações à Padroeira da Bolívia, à Mãe desta nobre Nação para que Ela sempre se lembre do seu povo”.

A oração que pronunciou o Pontífice foi a seguinte:

Mãe do Salvador e Mãe nossa, tu que és a Rainha da Bolívia, do alto de teu Santuário em Copacabana, atende as súplicas e necessidades dos seus filhos, protege especialmente os mais pobres e abandonados.

Recebe como obséquio do coração da Bolívia e de meu amor filial os símbolos do carinho e da proximidade que –em nome do Povo boliviano– me entregou o Senhor Presidente Evo Morales Ayma com afeto cordial e generoso, com motivo desta Viagem Apostólica, que confiei à tua intercessão.

Eu te imploro que estes reconhecimentos, que deixo aqui na Bolívia aos teus pés, e que recordam a nobreza do voo do Condor nos céus dos Andes e o comemorado sacrifício do Pe. Luis Espinal, S.I. sejam emblemas do amor perene e da perseverante gratidão do Povo boliviano à tua forte ternura.

Neste momento, coloco no teu coração minhas orações por todas as preces dos seus filhos, que recebi durante estes dias, tantas Mãe: te suplico que as escute;

Concede-lhes teu amparo e tua proteção, e manifesta à Bolívia tua ternura de mulher e Mãe de Deus, que vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.

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10 julho, 2015

O Manifesto Comunista da Pátria Grande Latino-americana?

Nunca pensávamos ter de publicar um discurso como este, proveniente da boca de um Papa. Rezemos, o momento é gravíssimo e outubro se aproxima.

Versão integral do discurso do Papa Francisco aos Movimentos Populares reunidos na Bolívia.

(Bolívia, Santa Cruz – Expo Feira, 9 de Julho de 2015)

Boa tarde a todos!

Há alguns meses, reunimo-nos em Roma e não esqueço aquele nosso primeiro encontro. Durante este tempo, trouxe-vos no meu coração e nas minhas orações. Alegra-me vê-vos de novo aqui, debatendo os melhores caminhos para superar as graves situações de injustiça que padecem os excluídos em todo o mundo. Obrigado Senhor Presidente Evo Morales, por sustentar tão decididamente este Encontro.

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