Posts tagged ‘O Papa’

maio 18, 2012

Jornal do Vaticano explica a ‘canonização equivalente’ de Santa Hildegarda de Bingen.

Catholic Culture | Tradução: Fratres in Unum.com - O L’Osservatore Romano explicou o processo pelo qual o Papa Bento XVI declarou Santa Hildegarda de Bingen como santa.

O anúncio do Papa, em 10 de maio, foi um caso de “canonização equivalente,” explicou o jornal do Vaticano. O processo foi instituído no século XVIII pelo Papa Bento XIV. Ela ocorre “quando o Papa vincula a Igreja como um todo para que observe a veneração de um Servo de Deus ainda não canonizado pela inserção de sua festividade no calendário litúrgico da Igreja universal, com Missa e Ofício Divino”.

Uma “canonização equivalente” geralmente ocorre — como no caso de Santa Hildegarda de Bingen — quando a veneração do santo já está bem estabelecida nas tradições da Igreja, porém, por diversos motivos o processo formal de canonização não foi concluído. Outros santos que foram canonizados por esta forma incluem os santos Bruno, Margarete da Escócia, Estevão da Hungria e Wenceslaus, observou o L’Osservatore Romano.

maio 16, 2012

Os três bispos da FSSPX, um caso à parte. Resultados da reunião de hoje provavelmente com o Papa na sexta-feira.

Catholic News Service traz mais palavras do porta-voz da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, sobre a reunião de hoje da Congregação para a Doutrina da Fé para discussão da nova versão do prêambulo doutrinal apresentada pela Fraternidade São Pio X.

Lombardi indica que os Cardeais e Bispos presentes na “feria quarta”, após tomarem ciência das cartas trocadas entre os bispos da Fraternidade, pretendem apartar o dossiê sobre os bispos Tissier de Mallerais, Williamson e Galarreta: “Não que este seja um processo que necessariamente alcançará uma solução que abrace todas as posições” encontradas entre os membros da FSSPX. Mesmo se a FSSPX como um todo se reconciliar com Roma, “cada um dos bispos, individualmente, deverá assumir um compromisso”. “Não é como se houvesse uma solução que automaticamente se estenderá a todos”.

Andrea Tornielli afirma que vários Cardeais expressaram objeções e deram seu voto com reservas sobre o atual preâmbulo firmado por Fellay. O resultado desta reunião será encaminhado ao Papa, provavelmente, na próxima sexta-feira. O parecer dos Cardeais, evidentemente, não vincula o Santo Padre, que tem a última palavra sobre o caso.

Circulou nos últimos dias pela blogosfera italiana um rumor de que Bento XVI teria sido informado sobre “preâmbulo-Fellay” antes mesmo dos Cardeais, dando informalmente, de antemão, o seu “nihil obstat”. Esta comunicação, supostamente intermediada pelo secretário do Papa, Monsenhor Georg Gänswein, teria levado Fellay a lançar declarações públicas e internas sobre a importância do apelo do Papa.

maio 16, 2012

FSSPX-Roma: Comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé sobre o encontro da Congregação para a Doutrina da Fé.

Comunicado sobre a Fraternidade São Pio X

Cidade do Vaticano, 16 de maio de 2012 (VIS | Tradução: Fratres in Unum.com) – No início desta tarde [horário de Roma], a Sala de Imprensa da Santa Sé publicou o seguinte comunicado sobre a Fraternidade São Pio X:

“Como informado pelas agências de notícias, hoje, 16 de maio de 2012, uma Sessão Ordinária da Congregação para a Doutrina da Fé se reuniu para discutir a questão da Fraternidade São Pio X.

Em particular, o texto da resposta de Dom Bernard Fellay, recebido em 17 de abril de 2012, foi examinado e algumas observações, que serão consideradas em discussões posteriores entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X, foram formuladas.

A respeito da posição tomada pelos outros três bispos da Fraternidade São Pio X, sua situação será tratada separada e individualmente”.

maio 16, 2012

Dom Bernard Fellay sobre Bento XVI: “Se o reconhecimento vier, é graças a ele, e apenas a ele”.

Entrevista de Dom Bernard Fellay ao Catholic News Service, agência de notícias da Conferência Episcopal dos EUA (à qual já havíamos nos referido aqui):

Créditos: Una Voce Brasil

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maio 14, 2012

Rapidinhas do dia. Tirania na Ecclesia Dei e Fellay em Roma.

A Igreja Patriótica Chinesa, inspiração da Ecclesia Dei?

A Associação Patriótica Chinesa, inspiração da Ecclesia Dei?

O Padre italiano Stefano Carusi, sacerdote e professor do seminário do Instituto do Bom Pastor, afirmou hoje ter recebido uma ordem ameaçadora da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei para que retire do ar dois artigos do blog Disputationes Theologicae, do qual é editor.

Disputationes não se deixará amordaçar“, assim Padre Carusi intitula seu artigo. O sacerdote declara que o pedido é inaceitável por ferir os cânones 212 e  215 do Código de Direito Canônico, acrescentando: “Fornecemos esta informação por se tratar de um fato de natureza pública: a Igreja não é um regime de absolutismo jacobino e Disputationes prefere contar com a força probatória dos argumentos. Paz e Bem a todos!”.

Fogo amigo. Carusi é atacado inclusive por um confrade de instituto: “o posicionamento eclesial de certos membros [do IBP] não é claro, como se pode ver no site que se intitula Disputações teológicas”, declarou o Padre Guillaume de Tanouärn, um dos fundadores do IBP, que em passado recente na FSSPX era contrário a qualquer contato com a Santa Sé e que hoje recrimina exatamente um dos artigos execrados pela Ecclesia Dei. O problema para a Comissão Pontifícia e para Tanouärn? A defesa feita pelo Padre Carusi da exclusividade do rito tradicional e da possibilidade de uma crítica “séria e construtiva” aos textos do Concílio Vaticano II, características constitutivas de seu instituto (aprovadas pela Santa Sé em 2006, diga-se de passagem). De acordo com Tanoüarn, Carusi e outros pretenderiam fazer do IBP uma “Fraternidade dentro da Igreja”, em oposição ao mínimo exigido pela Ecclesia Dei de “formar seus seminaristas com o Catecismo da Igreja Católica” e “gozar de seu rito próprio sem lançar o anátema sobre a nova forma do rito romano”.

* * *

Dom Fellay em Roma. Por sua vez, Andrea Tornielli informa que Dom Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, esteve em Roma nos últimos dias para uma reunião na mesmíssima Comissão Ecclesia Dei. O encontro, considerado positivo pelas fontes de Tornielli, teria examinado algumas das modificações feitas por Fellay ao preâmbulo doutrinal proposto pela Santa Sé, em setembro de 2011, para uma regularização canônica da FSSPX. A primeira versão do documento foi rejeitada pela Fraternidade, que enviou como resposta um estudo do Padre Jean-Michel Gleize evidenciando a “questão crucial” que separa Menzingen e Roma. A Santa Sé então solicitou ao Superior Geral que esclarecesse esta sua manifestação, considerada “insuficiente”; Fellay teria, então, adaptado o texto inicial do preâmbulo doutrinal, enfatizando a importância da Tradição e fazendo alterações; significativas aos olhos dos “lefebvristas” e não substanciais aos olhos dos “romanos”. Esta última resposta, aparentemente, foi bem recebida pela Cúria e, segundo alguns, até pelo Papa.

Na próxima quarta-feira, 16, os Cardeais membros da Congregação para a Doutrina da Fé se reunirão para analisar estas modificações; o parecer de cada um será submetido ao Papa Bento XVI, para sua decisão final.

Apreensão. Tornielli ainda acrescenta que a carta dos três bispos — Williamson, Tissier de Mallerais e Galarreta — ao conselho geral da Fraternidade teria deixado a Santa Sé apreensiva. No Brasil, o Padre Ernesto Cardozo, sacerdote do priorado de São Paulo, anunciou hoje o seu “desconhecimento da autoridade de Mons. Fellay, dada sua pertinácia e afastamento dos princípios do Fundador” e sua “repulsa à postura deste Monsenhor, baseada em seus pareceres e políticas totalmente apartadas do sim-sim, não-não do Evangelho e dos fundamentos dados por Mons. Lefebvre”. Há cerca de três semanas, em comum acordo com seus superiores, Cardozo deixou o priorado de São Paulo tendo como destino provisório o Mosteiro da Santa Cruz. O motivo da mudança foi uma homilia em que expressou abertamente esta sua posição, causando  a admiração de uns e a preocupação de outros no Priorado Padre Anchieta. A missiva publicada hoje correu o mundo, sendo repercutida na blogosfera católica, especialmente nos sites de lingüa espanhola. Divisões se anunciam, como não deixou de reconhecer Dom Fellay, embora as proporções sejam ainda desconhecidas.

Ecclesia Dei, o grande entrave?

O Padre Michel Simoulin, um dos sacerdotes mais antigos da Fraternidade São Pio X e reitor por mais de uma década do seminário de Ecône, em artigo divulgado hoje por Tradinews, é taxativo: não aceitarão um acordo “que não garanta que sejamos livres dos bispos locais, bem como da funesta ‘Ecclesia Dei’”. Como se sabe, Simoulin recentemente defendeu Dom Bernard Fellay e sua política de aproximação com a Santa Sé. Trata-se, portanto, de um sujeito insuspeito de “radicalismo”. E por que a Fraternidade quer se ver livre da Ecclesia Dei?

Alguns falam que o verdadeiro entrave nas negociações entre Santa Sé e Fraternidade é precisamente esta Comissão. Mais especificamente o seu Secretário, Monsenhor Guido Pozzo, cuja tese de doutorado trata do assentimento devido ao Vaticano II e que supostamente teria sido “driblado” por outros oficiais vaticanos, a fim de que tudo caminhasse bem nas últimas semanas.

A carta de Pozzo ao Superior do Instituto do Bom Pastor mostra sua atuação na defesa de suas idéias, mesmo que isso custe a revisão de um estatuto aprovado pela Ecclesia Dei há pouco mais de cinco anos, na gestão Castrillón Hoyos.

A resposta do Papa ao preâmbulo reformulado de Dom Fellay deverá vir à luz nos próximos dias. A grande data para a Fraternidade parece ser o dia 27, festa de Pentecostes, quando se encerrará a Cruzada de Rosários lançada na Páscoa do ano passado. Com o desenlace das negociações com a Fraternidade, saberemos se a política de Pozzo será chancelada ou não por Bento XVI.

maio 11, 2012

Comunicado da Casa Geral da Fraternidade São Pio X. E as cartas entre os bispos.

Bispos da Fraternidade nas exéquias de Dom Lefebvre

Bispos da Fraternidade nas exéquias de Dom Lefebvre

Apesar de nosso recesso, publicamos para documentação o comunicado da Casa Geral da Fraternidade São Pio X e as duas cartas trocadas entre os bispos sagrados por Dom Lefebvre. Fazêmo-lo apenas após elas já terem circulado web afora e o comunicado não contestar sua autenticidade.

Sobre o assunto, Dom Fellay declarou hoje à Catholic News Service: ”Há algumas discrepâncias na Fraternidade. Não posso descartar que poderia haver uma divisão”. “Creio que o passo do Santo Padre é genuíno. Não parece ser uma armadilha. Assim, temos que olhá-lo muito cuidadosamente e, se possível, seguir adiante”. “As coisas não terminaram. Precisamos de algum entendimento razoável de que a estrutura proposta e as condições são viáveis. Não vamos cometer suicídio ali, isso é muito claro”. “Pessoalmente havia desejado esperar um pouco mais para ver as coisas mais claramente, mas, novamente, parece realmente que o Santo Padre quer que aconteça agora”. “Se vemos algumas discrepância dentro da Fraternidade, definitivamente há também (divisões) na Igreja Católica”.

Comunicado da Casa Geral da Fraternidade São Pio X

Um intercâmbio de correspondência privada entre o Superior Geral da Fraternidade São Pio X e os três bispos foi difundido pela internet em 9 de maio de 2012. Tal procedimento é condenável. Quem não respeitou a confidencialidade deste correio interno pecou gravemente.

Tal publicação encorajará os causadores de divisão. A Fraternidade São Pio X convida tanto os sacerdotes como os fiéis a responder aos mesmos unicamente por meio da oração redobrada, para que somente se faça a vontade de Deus, para o bem da Igreja e a salvação das almas.

Menzingen, 11 de mio de 2012.

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Carta ao Conselho Geral da FSSPX

7 de abril de 2012

Senhor Superior Geral

Senhor Primeiro Assistente

Senhor Segundo Assistente

Depois de alguns meses, como muitos dizem, o Conselho Geral da FSSPX considera seriamente as propostas romanas com vista a um acordo prático, sendo um fato que as discussões doutrinárias entre 2009 e 2011 têm provado que um acordo doutrinário é impossível com a Roma atual. Por meio desta carta, os três bispos da FSSPX que não fazem parte do Conselho Geral desejam fazer-lhes saber, com todo o respeito que convém, a unanimidade de sua oposição formal a qualquer acordo semelhante.

Claro, de ambos os lados da divisão atual entre a Igreja Conciliar e a FSSPX, muitos desejam restaurar a unidade católica. Honramos a essas pessoas, tanto de uma parte como de outra. Mas a realidade dominante, e diante da qual todos esses desejos sinceros devem ceder, é que, desde o Concílio Vaticano II, as autoridades oficiais da Igreja se afastaram da verdade católica e, hoje em dia, elas se mostram tão determinadas como sempre foram a permanecerem fieis à doutrina e à prática conciliares. As discussões romanas, o preâmbulo doutrinal e Assis III são exemplos impressionantes.

O problema colocado aos católicos pelo Concílio Vaticano II é profundo. Em uma conferência que parece ter sido como que o último testamento doutrinal de Monsenhor Lefebvre, dada aos sacerdotes de sua Fraternidade em Ecône meio ano antes de sua morte, depois de ter resumido a história do catolicismo liberal saído da Revolução Francesa, ele lembrou como os Papas sempre combateram essa tentativa de reconciliação entre a Igreja e o mundo moderno, e declarou que o combate da Fraternidade contra o Vaticano II era exatamente o mesmo combate, concluindo:

“Quanto mais se analisam os documentos do Vaticano II e sua interpretação pelas autoridades da Igreja, mais nos damos conta que não se trata de erros superficiais nem de alguns erros particulares, como o ecumenismo, a liberdade religiosa, a colegialidade, mas antes uma perversão total do espírito, de toda uma filosofia nova fundada no subjetivismo… Isso é muito sério! A perversão total!… Isto é verdadeiramente espantoso”.

Agora, o pensamento de Bento XVI é melhor em comparação ao de João Paulo II? Basta ler o estudo de um de nós sobre La Foi au Péril de la Raison [A Fé Posta em Perigo pela Razão – Mons. Tissier de Mallerais] para perceber que o pensamento do Papa atual é igualmente impregnado de subjetivismo. É toda a fantasia subjetiva do homem no lugar da realidade objetiva de Deus. É toda a religião católica submissa ao mundo moderno. Como se pode acreditar que um acordo prático possa corrigir um problema desses?

Mas, nos diriam, Bento XVI é bondoso para com a Fraternidade e sua doutrina. Por ser um subjetivista, ele pode ser bondoso, porque os liberais subjetivistas podem tolerar a própria verdade, mas não se ela se recusar a tolerar o erro. Ele [o Papa] nos aceitará no contexto de um pluralismo relativista e dialético, sob a condição de permanecermos em “plena comunhão” com a autoridade e com as outras “realidades eclesiais”. Eis por que as autoridades podem tolerar que a Fraternidade continue ensinando a doutrina católica, mas não suportarão de forma alguma que ela condene a doutrina conciliar. Aqui está o motivo por que um acordo, mesmo puramente prático, faria necessária e progressivamente calar, por parte da Fraternidade, toda crítica ao Concílio ou à nova missa. Deixando de atacar essas vitórias, que são as mais importantes da Revolução, a Fraternidade cessaria necessariamente de se opor à apostasia universal de nossa lamentável época e afundaria a si mesma. Em última análise, quem vai nos garantir que permaneceremos tal qual somos, protegendo-nos da Cúria Romana e dos Bispos? O Papa Bento XVI?

Por mais que se negue, este resvalamento é inevitável. Não se veem já na Fraternidade os sintomas dessa diminuição na confissão da Fé? Hoje em dia, infelizmente, é o contrário que seria “anormal”. Um pouco antes das consagrações de 1988, quando muitas pessoas valentes insistiam junto a Monsenhor Lefebvre para que fizesse um acordo prático com Roma que abriria um grande campo de apostolado, ele disse seu pensamento aos quatro consagrandos: “Um grande campo de apostolado pode ser, mas na ambiguidade e seguindo duas direções opostas ao mesmo tempo, o que acabaria por nos apodrecer”.

Como obedecer e continuar a pregar toda a verdade? Como fazer um acordo sem que a Fraternidade apodreça na contradição?

E quando, um ano mais tarde, Roma parecia fazer verdadeiros gestos de benevolência para com a Tradição, Monsenhor Lefebvre ainda desconfiava. Ele temia que isso não fosse nada mais que “manobras para tirar de nós o maior número possível de fiéis. Eis aqui a perspectiva pela qual parecem ceder ainda um pouco mais e ir ainda mais longe. Devemos absolutamente convencer nossa gente de que isso nada mais é do que uma manobra, que é perigoso se colocar nas mãos dos bispos conciliares e da Roma modernista. É o maior perigo que ameaça a nossa gente. Se nós lutamos há 20 anos para resistir ao erro conciliares, não foi para nos colocarmos, agora, nas mãos daqueles que professam erros”.

Conforme Mons. Lefebvre, o propósito da Fraternidade, mais do que denunciar os erros pelo seu nome, é opor-se eficaz e publicamente às autoridades romanas que os difundem. Como se poderia conciliar um acordo e uma resistência às autoridades públicas, entre as quais o Papa? E, depois de ter lutado por mais de quarenta anos, a Fraternidade deverá agora colocar-se nas mãos dos modernistas e liberais dos quais acabamos de constatar sua pertinácia?

Monsenhor, padres, prestem atenção, vocês conduzem a Fraternidade a um ponto sem retorno, a uma profunda divisão sem volta e, se vocês chegarem a um tal acordo, à poderosas forças destrutivas que Ela não irá suportar. Se até agora os bispos da Fraternidade a têm protegido é precisamente porque Mons. Lefebvre rejeitou um acordo prático. Dado que a situação não mudou substancialmente; e visto que a condição pronunciada pelo Capítulo de 2006 não se realizou (mudança de rumo por parte de Roma que permita um acordo prático), ouçam novamente a seu Fundador. Ele tinha razão há 25 anos. Ainda tem razão hoje. Em seu nome, vos conjuramos: não comprometam a Fraternidade em um acordo puramente prático.

Com as nossas mais cordiais e fraternas saudações, em Cristo e Maria,

Dom Alfonso de Galarreta

Dom Bernard Tissier de Mallerais

Dom Richard Williamson

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Carta de Dom Fellay aos outros bispos da Fraternidade São Pio X

Menzingen, 14 de abril de 2012

A NN. SS. Tissier de Mallerais, Williamson et de Galarreta.

Excelências,

A vossa carta coletiva dirigida aos membros do Conselho Geral recebeu toda a nossa atenção. Agradeço-vos por vossa solicitude e a vossa caridade.

Permiti-me, de minha parte, no mesmo intuito de caridade e de justiça de vos fazer as seguintes observações.

Em primeiro lugar, a carta menciona a gravidade da crise que agita a Igreja e analisa com precisão os erros que pululam no ambiente. Mas a descrição contém dois defeitos em relação à realidade da Igreja: falta-lhe o sobrenatural e, ao mesmo tempo, carece de realismo.

Falta-lhe, sobretudo, o sobrenatural. Lendo-a, acabamos por nos questionar seriamente se vós acreditais ainda que a Igreja visível, cuja Sé está em Roma, é a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo; uma Igreja certamente desfigurada de um modo horrível, a planta pedis usque ad vertice capitis, mas uma Igreja que, de qualquer forma, ainda tem como cabeça Nosso Senhor Jesus Cristo. Tem-se a impressão de que estais tão escandalizados que não aceitais mais o que ainda pode ser verdade. Para vós, o Papa Bento XVI é ainda Papa legítimo? Se o é, Jesus Cristo ainda pode falar por sua boca? Se o Papa expressa uma vontade legítima em relação a nós, que é boa, que não dá uma ordem contra os mandamentos de Deus, temos o direito de negligenciar, de mandar de volta esta vontade? E, caso contrário, sobre qual princípio vos embasais para agir assim? Não acreditais que, se o nosso Senhor nos comanda, também nos dará os meios para continuar o nosso trabalho? Bem, o Papa nos fez saber que a preocupação de regular a nossa situação para o bem da Igreja estava no coração de seu pontificado, e também que sabia que seria mais fácil para ele e para nós deixar a situação assim como ela está agora. Portanto, é uma vontade decidida e justa a que ele expressa.

Com a atitude que preconizais, não há mais lugar para os Gideões nem para os David, nem para todos aqueles que contam com a ajuda do Senhor. Vós nos recriminais de sermos ingênuos e de termos medo, mas é a vossa visão da Igreja que é humana demais e, também, fatalista; enxergais apenas os perigos, os complôs, as dificuldades, não enxergais mais a assistência da graça e do Espírito Santo.

Se se quer aceitar que a Providência divina conduz os assuntos dos homens, deixando a eles a liberdade, é preciso aceitar que as ações destes últimos anos em nosso favor estão sob sua orientação. Agora indicam uma linha, não completamente reta, mas claramente a favor da Tradição. Por que de repente essa linha cessaria, se fazemos de tudo para manter nossa lealdade e acompanhamos os nossos esforços com uma oração comum? O bom Deus nos abandonaria no momento mais crucial? Isso não faz muito sentido. Especialmente, não devemos procurar de impor uma nossa própria vontade qualquer, mas procuremos enxergar através dos acontecimentos o que Deus quer, estando dispostos a tudo, como Ele quiser.

Ao mesmo tempo, carece de realismo tanto no que respeita a intensidade dos erros quanto à sua amplitude.

Intensidade: na Fraternidade está-se tratando os erros do Concílio como se fossem super-heresias, torna-se como o mal absoluto, pior de tudo, da mesma forma como os liberais têm dogmatizado este concílio pastoral. O males já são dramáticos o suficiente sem que se precise exagerá-los ainda mais (cf. Roberto de Mattei, Uma história nunca contada, p. 22; Mons. Gherardini, Um discurso ainda a fazer, p.53, etc.). Não há mais qualquer distinção. E Mons. Lefebvre fez várias vezes as distinções necessárias acerca do liberal. (1) Esta falta de distinção leva um ou outro de vós a um endurecimento “absoluto”. Isto é grave, porque esta caricatura não está mais na realidade e logicamente irá resultar em verdadeiro cisma no futuro. E provavelmente esse é um dos argumentos que me leva a não mais demorar em responder às exigências de Roma.

Amplitude: de uma parte se atribuem às autoridades atuais todos os erros e todos os males que se encontram na Igreja, ignorando o fato que estas procuram, pelo menos em parte, livrar-se dos mais graves (a condenação da “hermenêutica da ruptura” denuncia erros bem reais). Por outro lado, se pretende que TODOS estejam enraizados nesta pertinácia (“todos os modernistas,” … “todos podres”). Ora, isso é manifestamente falso. Uma grande maioria foi arrastada no movimento, mas não todos.

No ponto da questão mais crucial de todos, sobre a possibilidade de sobreviver nas condições de um reconhecimento da Fraternidade por parte de Roma, nós não chegamos à mesma conclusão vossa.

Que seja registrado que NÓS NÃO TEMOS BUSCADO um acordo prático. Isso é falso. Nós não recusamos, a priori, de considerar a oferta do Papa, como vós pedistes. Para o bem comum da Fraternidade, nós preferíamos muito mais a solução atual de status quo intermediário, mas claramente Roma não tolera mais isso.

Em si, a solução proposta, da Prelatura pessoal, não é uma armadilha. O que emerge disso, acima de tudo, é que a situação apresentada em abril de 2012 é muito diferente daquela de 1988. Pretender que nada mudou é um erro histórico. Os mesmos males afligem a Igreja, as consequências são ainda mais graves e evidentes do que naquele tempo; mas, ao mesmo tempo, pode-se contatar uma mudança de atitude na Igreja, ajudada pelos gestos e atos de Bento XVI em relação à Tradição. Este novo movimento, nascido pelo menos há uma década, vai se fortalecendo. Ele alcança um bom número (ainda uma minoria) de jovens sacerdotes, de seminaristas e também um pequeno número de Bispos jovens, que se distinguem claramente de seus antecessores, que expressam sua simpatia e seu apoio, mas que são, ainda, silenciados pela linha dominante da hierarquia em favor do Vaticano II. Esta hierarquia está perdendo velocidade. Isto é objetivo e mostra que não é mais ilusório considerar um combate “intramuros”, da duração e da dificuldade de que somos conscientes. Pude constatar em Roma como o discurso sobre as glórias do Vaticano II que se via repetindo constantemente, se ainda está nos lábios de muitos, no entanto não está mais em suas cabeças. São cada vez menos as pessoas que acreditam nisso.

Esta situação concreta, com a solução canônica proposta, é bem diferente da de 1988. E, quando comparamos os argumentos que Mons. Lefebvre defendia na época, concluímos que ele não teria hesitado em aceitar o que hoje nos é proposto. Não percamos o sentido da Igreja, que era tão forte em nosso venerado fundador.

A história da Igreja mostra que a cura dos males que a afetam habitualmente ocorre gradualmente, lentamente. E quando um problema acaba, há outro que começa… oportet haereses esse. Pretender de esperar até que tudo seja resolvido para chegar ao que vós chamais de acordo prático não é realista. É muito provável que, vendo como as coisas se desenvolvem, o fim dessa crise levará ainda décadas. Mas, se recusar a trabalhar no campo porque ainda há erva daninha, que ameaça abafar, calar a erva boa, encontra curiosamente uma lição bíblica: é o próprio Nosso Senhor que nos faz compreender, com sua parábola do trabalhador, que sempre haverá, de uma forma ou de outra, ervas daninhas para arrancar e combater em Sua Igreja…

Não podeis imaginar quanto, nesses últimos meses, a vossa atitude – muito diferente para cada um de vós – foi dura para mim. Isso tem impedido o Superior Geral de vos comunicar e vos tornar partícipes destas grandes preocupações, às quais ele vos teria associado de boa vontade, se não tivesse se confrontado com uma incompreensão tão forte e apaixonada. Como teria desejado contar convosco, com vossos conselhos, para apoiar essa passagem tão delicada de nossa história. É uma grande provação, talvez a maior de toda a sua função. Nosso venerado fundador deu aos Bispos da Fraternidade uma responsabilidade e deveres precisos. Ele mostrou que o princípio que na nossa sociedade faz a unidade é o superior geral. Mas, já há algum tempo, vós tentais, cada um de forma diferente, de impor-lhe o vosso ponto de vista, até mesmo sob a forma de ameaças, inclusive publicamente. Essa dialética entre verdade/fé e autoridade é contrária ao espírito sacerdotal. Ele, pelo menos, teria esperado que vós buscásseis compreender os argumentos que o impelem a agir como agiu nos últimos anos, segundo a vontade da divina providência.

Nós rezamos por cada um de vós, para que nesse combate que está longe de terminar nos encontremos juntos, para a maior glória de Deus e por amor a nossa cara Fraternidade. Que Nosso Senhor Ressuscitado e Nossa Senhora se dignem de vos proteger e abençoar.

+ Bernard Fellay

Niklaus Pfluger

Alain-Marc Nely

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 1. “Não é porque um papa é um liberal que não existe (…). Devemos permanecer em uma linha firme, e não nos perder no curso das dificuldades que vivemos. É tentador, de fato, recorrer a soluções extremas e dizer: “Não, não, o Papa não é apenas liberal, o Papa é herético! O Papa talvez seja mais do que herético, portanto não há um Papa!”. Isso não é correto. Não é porque alguém é liberal que é necessariamente um herege e que, consequentemente, está fora da Igreja. É preciso fazer as necessárias distinções. Isto é muito importante para ficarmos em um caminho seguro, para permanecermos na Igreja. Se não, para onde iremos? Não há mais um Papa, não há mais cardeais, porque, se o Papa não fosse Papa quando nomeou os cardeais, os cardeais não poderiam nomear um Papa porque eles não são cardeais. E então? É um Anjo do céu que nos trará um Papa? É um absurdo! E não é apenas um absurdo, é perigoso! Por que então seriamos levados, talvez, a soluções que são verdadeiramente cismáticas” (Conferência em Angers, 1980). Ver também Fideliter n. 57, p.17, sobre os limites a guardar.

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maio 8, 2012

Mesmo os amigos do Papa desconfiam um pouco dos “lefebvristas”.

Por John L. Allen Jr. | Tradução: Fratres in Unum.com

Roma – Mesmo nos círculos mais simpáticos à leitura do Concílio Vaticano II feita pelo Papa Bento XVI, parece haver um pouco de ansiedade rondando o que pode significar trazer à comunhão os maiores críticos do Concílio, a tradicionalista FSSPX.

Ao menos, alguns dos defensores do papa parecem acreditar que um claro sinal de adesão ao CVII deve ser o preço do retorno.

Recentemente, esta impressão veio à tona durante uma conferência sobre o 50º aniversário do CVII realizada nos dias 3 e 4 de maio na Universidade Santa Cruz, dirigida pelo Opus Dei.

Após o CVII, a fraternidade tradicionalista – popularmente conhecida como “lefevristas” por causa do fundador, o finado arcebispo francês Marcel Lefebvre – rompeu com Roma em função das mudanças na liturgia e dos ensinamentos do Concílio a respeito do ecumenismo, do diálogo inter-religioso e da liberdade religiosa.

Em meados de abril, porém, a FSSPX assinou um preâmbulo doutrinal submetido pelo Vaticano como pré-condição para a reintegração. Isso poderia abrir o caminho para findar o único cisma formal ocorrido depois do Vaticano II, talvez como uma prelazia pessoal ou outra estrutura eclesial que permita aos lefevristas certa autonomia.

A conferência na Universidade Santa Cruz, com o tema “Vaticano II: o valor permanente de uma reforma para a nova evangelização” foi, em grande parte, uma reunião de pensadores vigorosamente empenhados na “hermenêutica da continuidade” do Papa Bento XVI para a interpretação do Concílio, notoriamente delineada em seu discurso de dezembro de 2005 à Cúria Romana.

Como o papa, vários palestrantes se distanciaram de leituras opostas que colocam, de acordo com eles, demasiada ênfase no CVII como algo que deixou de lado, ou modificou, práticas ou ensinamentos católicos anteriores.

Porém, na medida em que estes temas foram se desenvolvendo, certa ansiedade em relação aos lefevristas veio à tona. Isso de deu de forma indireta, certamente nunca tomando uma posição de oposição à reintegração [da FSSPX], mas tal ansiedade foi inequívoca.

O padre da Opus Dei, pe. Johanner Grohe, um historiador eclesiástico da Universidade Santa Cruz, pesquisou vários esforços feitos durante e após o CVII para colocar em dúvida a autoridade do concílio tanto por parte de teólogos progressistas – que argumentavam que  o CVII não era verdadeiramente “ecumênico”, pois os Ortodoxos e os Protestantes não foram representados – quanto de  críticos tradicionalistas – que apresentavam o CVII como meramente “pastoral” e, portanto, sem caráter obrigatório nas questões de fé.

De maneira ampla, pe. Grohe defendeu a autoridade do CVII, insistindo que seu ensinamento é “obrigatório” e “deve ser aceito por aqueles que querem entrar em comunhão com a Igreja Católica”.

Grahe finalizou sua palestra com um chamado a uma “profissão de fé” que explicitamente inclua os ensinamentos do CVII para qualquer pessoa que queira unir-se à Igreja.

“No diálogo com aqueles que gostariam de entrar na Igreja Católica, é impossível não pedir ‘uma adesão de fé teológica às afirmações do CVII que lembram as verdades da fé’,” afirmou Grohe, citando uma frase de outro padre da Opus Dei, monsenhor Fernando Ocáriz, que fez parte do time de negociação com os Lefevristas.

Os Lefevristas, evidentemente, são o grupo mais famoso que atualmente está envolvido num diálogo sobre sua entrada na Igreja.

Grohe argumentou que uma “profissão de fé”, um modo histórico de encapsular o cerne das crenças que alguém deve possuir para ser considerado católico, poderia ser atualizada com uma referência ao CVII.

“Uma profissão de fé que abarque uma tradição conciliar desde Nicéia até o CVII deixaria claro que os ensinamentos do último concílio estão inseridos da longa e frutífera história do magistério da Igreja”, afirmou Grohe.

Uma defesa ainda mais radical de parte do legado do CVII veio do padre franciscano David Maria Jaeger, ao falar sobre o documento conciliar Nostra Aetate, a respeito das religiões não cristãs.

Um veterano das negociações vaticanas com Israel sobre os impostos e a situação jurídica das propriedades da Igreja, Jaeger hoje atua como juiz na Rota Romana, a principal corte do Vaticano.

Jaeger lembrou do ensinamento do documento sobre o judaísmo, incluindo sua feroz rejeição ao anti-semitismo. Este também tem sido um ponto de discordância com os lefevristas; quando Bento XVI levantou as excomunhões dos quatro bispos tradicionalistas em janeiro de 2009, houve uma comoção mundial relacionada com os comentários feitos por um destes bispos em que questionava a realidade do Holocausto.

Jaeger afirmou, na conferência da Universidade Santa Cruz, que “um real e preocupante” problema com a recepção da Nostra Aetate tem sido “uma tendência, aqui e ali dentro do Catolicismo, de olhar com tolerância grupos marginais de exagerada visibilidade midiática que verdadeiramente denunciam a doutrina do concílio”, afirmou Jaeger.

Apesar de Jaeger não ter mencionado os Lefebvristas, ele expressou preocupação sobre as condições sob as quais qualquer pessoa que tenha dúvidas sobre o CVII possa achar o caminho de volta à Igreja.

“É obrigatório aqui expressar a viva esperança de que tal tolerância seja sempre firmemente rejeitada”, disse, “e que nós não nos contentemos com uma quase-adesão que é somente um engodo, acompanhada por óbvias reservas mentais e verbais ao ensinamento do CVII em geral e do Nostra Aetate em particular”.

No resto de seu discurso, Jaeger rejeitou várias leituras da Nostra Aetate, populares entre os teólogos católicos progressistas – por exemplo, que ela reconheceria a revelação em outras religiões como “paralela ou complementar” ao Cristianismo, ou que apresentaria o Judaísmo como um “meio paralelo de salvação para os judeus”, enquanto o Cristianismo seria somente para “os gentios”.

Espalhar tais idéias, argumentou Jaeger, torna inevitável que sempre que líderes da Igreja lembrem a doutrina oficial nestes pontos, muitos judeus vejam isso como um recuo à Nostra Aetate – que, insistiu, não seria o caso pois, de acordo com ele, o documento nunca desejou propor estes dois pontos.

Neste contexto, o evento da Santa Cruz sugere que não são somente os suspeitos de sempre, ou seja, os críticos do Vaticano ou do papado de Bento XVI , que se perguntam sobre o preço que poderia ser pago para receber os Lefebvristas de volta. Também aí se incluem alguns amigos de Bento XVI.

maio 6, 2012

Lefebvrianos, à espera do “sim” do Papa.

Em maio, a conclusão do processo que deve devolver à Fraternidade São Pio X a plena comunhão com Roma.

Por Andrea Tornielli | Tradução: Fratres in Unum.com

A resposta que o bispo Bernard Fellay enviou ao Vaticano em 17 de abril será examinada nos próximos dias pelos cardeais e bispos na “Feria Quarta” da Congregação para a Doutrina da Fé e, posteriormente, sua decisão será submetida a Bento XVI. Durante o mês de maio está prevista a conclusão do processo que deveria devolver à Fraternidade São Pio X, fundada por Monsenhor Lefebvre, a plena comunhão com Roma, 24 anos depois das sagrações ilegítimas que provocaram a ruptura e a excomunhão do arcebispo tradicionalista e dos quatro sacerdotes que foram sagrados bispos sem a permissão do Papa. Quando for divulgada a decisão final, também será apresentado o texto do “preâmbulo doutrinal” que a Santa Sé apresentou a Fellay e à Fraternidade, e que o superior do grupo tradicionalista devolveu a Roma propondo algunas mudanças não substanciais.

Nestes últimos dias, multiplicaram-se as declarações de alguns importantes expoentes da Fraternidade São Pio X, particularmente do ramo lefebvriano mais partidário da volta à plena comunhão com Roma. O Padre Niklaus Pfluger, primeiro assistente de Fellay, em uma conferência pública em Hattersheim, Alemanha, disse que o Superior da Fraternidade, nas atuais circunstâncias, não “considera possível rejeitar a proposta do Papa”, especificando que afastar-se do desejo do Pontífice significaria “cair no sedevacantismo”. Pfluger esclareceu que restam pontos de desacordo e que a Fraternidade reivindica a liberdade de criticar alguns pontos dos documentos conciliares. Igualmente, recordou que Lefebvre já em 1988 havia assinado um acordo doutrinal com a Santa Sé que continha “muito mais concessões da parte da Fraternidade do que as que Bento XVI pede agora”.

Também cabe destacar o editorial do Padre Franz Schimidberger, superior da Fraternidade São Pio X, que escreveu na edição de maio da revista mensal do distrito alemão: “Se Roma nos chama agora do exílio que nos impôs no ano de 1975, com a revogação da aprovação” canônica da Fraternidade, “e posteriormente, em 1988, com o decreto de excomunhão contra os bispos sagrantes e sagrados”, então “se trata de um ato de justiça e, sem dúvida, também um ato de autêntica atenção pastoral do Papa Bento XVI” . Ainda mais significativo é o artigo de outro membro histórico da Fraternidade, Padre Michel Simoulin, publicado no número de maio do boletim «Seignadou», do priorado de Saint-Joseph-des-Carmes: também ele volta a falar do acordo assinado por Lefebvre e Ratzinger em 1988, explicando que naquele momento a ruptura não ocorreu pelo preámbulo doutrinal, mas por um motivo prático. Lefebvre, de fato, não confiou nas garantias do Vaticano sobre a possibilidade de poder consagrar um bispo como seu sucessor: “Pelo que o processo foi paralizado não por uma questão doutrinal, nem pelo estatuto oferecido à Fraternidade – escreveu o pe. Simoulin – mas pela data da sagração do bispo”.

Padre Simoulin, respondendo às objeções internas daqueles lefebvrianos que não desejam o acordo com Roma, recorda que Ratzinger, “uma vez Papa, nos disse que a Missa Tridentina não foi nunca abrogada (7 de julho de 2007: “Pelo que se permite celebrar o sacrifício da missa segundo a edição típica do Missal Romano promulgado pelo beato João XXIII, em 1962, e nunca abrogada”); reabilitou os nossos quatro bispos (21 de janeiro de 2009); aceitou que realizássemos discussões doutrinais durante dois anos, coisas que Monsenhor Lefebvre não pediu em 1988. Não exageramos ao dizer que Monsenhor Fellay obteve mais do que pediu Monsenhor Lefebvre, sem possuir nem o seu prestígio nem a sua autoridade moral. Então, devemos ser ainda mais exigentes que Monsenhor Lefebvre e que Monsenhor Fellay?”. Simoulin conclui reiterando que a situação atual é distinta à de 1975 e de 1988, e quem afirma o contrário o faz porque rechaça “qualquer tipo de reconciliação com Roma”, mostrando “talvez também uma falta de fé na santidade da Igreja”. “A Fraternidade São Pio X não é a Igreja e não pode respeitar o legado de seu fundador senão conservando o seu espírito, o seu amor pela Igreja e o seu desejo de servi-la como um filho que a ama”.

Voltar a ler a parte doutrinal do “protocolo de acordo” assinado por Lefebvre em 5 de maio de 1988 pode ser útil para compreender parte do conteúdo do “preâmbulo doutrinal” do qual se tem falado nos últimos meses, cujo texto ainda não foi divulgado, pela possibilidade, prevista desde o início, de mudanças e formulações com expressões distintas. O fundador da Fraternidade prometia fidelidade ao Papa, declarava “aceitar a doutrina contida no número 25 da Constituição Dogmática Lumen Gentium do Concílio Vaticano II sobre o magistério eclesiástico e  sua devida adesão”. No que se refere à divergência sobre algumas passagens conciliares, afirmava: “Acerca de alguns pontos do Concílio Vaticano II, ou relacionados às reformas posteriores da liturgia e do direito, e que nos parecem dificilmente conciliáveis com a tradição, comprometemo-nos a adotar uma atitude positiva e de comunicação com a Sé Apostólica, evitando qualquer tipo de polêmica”. Igualmente, Lefebvre declarava “reconhecer a validez do sacrifício da Missa e dos sacramentos celebrados com a intenção de fazer o que a Igreja faz e segundo os ritos indicados nas edições típicas do missal romano e dos rituais dos sacramentos promulgados pelos Papas Paulo VI e João Paulo II”. E, por último, prometia “respeitar a disciplina comum da Igreja e as leis eclesiásticas”.

Como podemos ver, também em 1988, no documento acordado com o então Cardeal Joseph Ratzinger, era evidente a existência de “certos pontos” considerados pelos lefebvrianos como “dificilmente conciliáveis” com a tradição. Mas este desacordo não deveria ter impedido a plena comunhão. Há 24 anos os acontecimentos tomaram outra direção: houve um ato cismático e as excomunhões. Atualmente, após quase um quarto de século, esta ferida pode ser curada.

maio 6, 2012

Mãe com câncer terminal comove o Papa com sua história.

Roma, 04 Mai. 12 / 07:30 am (ACI/EWTN Noticias) Chiara, uma jovem mãe romana comoveu com sua história o Papa Bento XVI. Doente de câncer preferiu não submeter-se ao tratamento para não afetar a saúde do seu terceiro filho Francesco, cujos dois irmãos morreram há pouco: Maria, que sofria de anencefalia e viveu apenas 30 minutos; e David, que nasceu sem pernas e com problemas nos órgãos internos o que lhe causou a morte horas depois do parto.

Chiara, de 28 anos de idade, chegou a cumprimentar o Santo Padre ao final da audiência geral desta quarta-feira, acompanhada de seu marido Enrico de 33. No caso dos dois primeiros filhos já falecidos, rechaçaram a possibilidade de abortá-los logo depois de saber, pelas análise pré-natais realizadas, de suas graves enfermidades.

Conforme assinala o jornal vaticano L’Osservatore Romano (LOR), os esposos chegaram a ver Bento XVI “sorrindo, com serenidade”. “O Papa, visivelmente comovido, acariciou-os afavelmente”, assinala LOR.

Este casal de esposos afirma ser parte da chamada “Geração Wojtyla”, tendo transcorrido seus primeiros anos da fé em uma paróquia sob a espiritualidade franciscana.

Chiara foi diagnosticada com um carcinoma enquanto estava grávida do pequeno Francesco. Por isso recusou seguir o tratamento para não afetar o seu pequeno, e iniciá-lo uma vez que desse à luz. Mas, já era muito tarde.  O tumor avançou com uma violência tal que agora já não há lugar para a esperança de cura, assinala o LOR.

O projeto da família é exposto por Chiara dirigindo-se a Enrico: “quando eu já não estiver aqui me ocuparei de Maria e David, você que fica, cuide bem do Francesco”.

Ambos afirmam ter como mestre de vida no sofrimento o Papa João Paulo II. “O Papa de sua infância e adolescência (…) Sob sua escola, explicam, confiam-se cotidianamente à consagração a Maria, com a espiritualidade do Totus tuus e rezam o Rosário todas as quintas-feiras com outras famílias amigas”, conclui o jornal vaticano.

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maio 5, 2012

Vaticano: Papa diz a bispos norte-americanos que é preciso deter «aparente dissidência» dentro da Igreja.

Cidade do Vaticano, 05 mai 2012 (Ecclesia) – O Papa vincou hoje que os bispos norte-americanos têm um longo caminho pela frente para deter as discordâncias existentes no ensino universitário da Teologia e lembrou que os seus professores precisam de autorização hierárquica para exercerem a docência.

“Há muito por fazer” para respeitar a legislação da Igreja onde se determina que quem ensina disciplinas teológicas em institutos de estudos superiores precisa de “mandato da autoridade eclesiástica competente”, disse Bento XVI a um grupo de prelados dos EUA que se deslocaram ao Vaticano para apresentarem os relatórios das suas dioceses, segundo discurso publicado pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

A importância da lei em causa, o cânone 812 do Direito Canónico, “como expressão tangível da comunhão e solidariedade eclesial no apostolado educacional da Igreja torna-se claramente evidente quando consideramos a confusão criada por instância de aparente dissidência entre alguns representantes de instituições católicas e a liderança pastoral da Igreja”, afirmou.

Este desacordo, prosseguiu o Papa, “prejudica o testemunho da Igreja e, como a experiência tem mostrado, pode facilmente ser explorado para comprometer a sua autoridade e a sua liberdade”.

Bento XVI considera que “o mais urgente desafio interno” dos católicos dos Estados Unidos da América consiste em proporcionar uma “sólida educação na fé” aos alunos.

A intervenção do Papa realçou a necessidade “de harmonizar o rigor intelectual” na transmissão da fé da Igreja aos jovens com a formação do “amor de Deus, a prática da moral cristã e da vida sacramental e, não menos importante, o cultivo da oração pessoal e litúrgica”.

“Demasiadas vezes, parece, as escolas e colégios católicos não conseguiram desafiar os estudantes a reapropriarem-se da sua fé enquanto parte das estimulantes descobertas intelectuais que marcam a experiência do ensino superior”, sustentou.

A perceção de Bento XVI é sustentada pelo facto de “muitos” novos alunos se encontrarem “dissociados dos sistemas de apoio da família, escola e comunidade que antes facilitavam a transmissão da fé”, fenómeno que deve incentivar as instituições católicas a “criar novas e efetivas redes de suporte”.

“Em todos os aspetos da sua educação os estudantes têm de ser encorajados a articular a visão da harmonia da fé e razão capaz de os conduzir ao longo da vida na procura do conhecimento e da virtude”, objetivo que só se pode cumprir com o “papel essencial” dos professores, através do seu “testemunho de sólida devoção” e compromisso com a “sabedoria cristã”.

As escolas católicas constituem “um recurso fundamental para a nova evangelização e a significativa contribuição que fazem à sociedade americana como um todo devia ser melhor apreciada e mais generosamente suportada”, disse Bento XVI.

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