Posts tagged ‘O Papa’

23 abril, 2014

Recordando Martini.

Segundo o porta-voz da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, ‹‹ o Papa Francisco qualificou o Padre Martini como um homem de discernimento e de paz, um profeta e homem de paz; como aquele que ajudou muito a entender a relação fé-justiça. O Papa encorajou, naturalmente, a Fundação na sua actividade, referindo o dever dos filhos de recordar os pais: aí estamos na ordem espiritual e eclesial, mas qualificou Martini como um “pai” na Igreja, pai para a sua diocese, pai para inúmeras pessoas. Recordou que também “nós, no fim do mundo – disse –, recebemos dele uma grande contribuição pelo conhecimento bíblico, mas também justamente pela espiritualidade e vida de fé, alimentada pela Palavra de Deus ››.

Ainda de acordo com o Papa Francisco, “recordar o Cardeal Martini é um ato de justiça”. É o que faz a matéria abaixo, do El País, de Buenos Aires – 10 de abril de 2014 (créditos: Secretum Meum Mihi).

La Nación Abr-10-2014 03

Traduzimos alguns excertos:

“Era um homem de Deus, mas não era necessário fazê-lo santo. Deveria ter se aposentado antes” [...] Martini foi uma das 114 testemunhas escutadas durante o processo de canonização de Karol Wojtyla (1920-2005), que será proclamado santo em tempo recorde, há tão somente nove anos de sua morte. [...] Em seu testemunho durante o processo, de fato, Martini assinalava algumas “limitações” em ações e decisões do papa polonês. Entre elas, algumas nomeações “não muito felizes” de colaboradores, especialmente nos últimos tempos; excessivo apoio aos movimentos, “relevando de fato as igrejas locais”; imprudência ao se colocar “no centro das atenções — especialmente nas viagens — com o resultado de que o povo o percebia como o bispo do mundo e ficava obscurecido o papel da Igreja local e do bispo”.  [...] “Não quis enfatizar mais do que devido a necessidade de sua canonização, porque me parece que basta o testemunho histórico de sua dedicação séria à Igreja e a serviço das almas”, indicou Martini ao dar seu testemunho na causa.

[...] Martini não é o único que teve reservas sobre a canonização de João Paulo II, o reconhecimento de santidade mais rápido da época moderna, já que Pio X foi proclamado santo por Pio XIII em 1954, 40 anos após sua morte, e João XXIII será proclamado santo em 27 de abril próximo, juntamente com João Paulo II, 50 anos após sua morte. “Este processo está avançando muito rápido, a santidade não precisa de caminhos preferenciais”, apontou o cardeal belga Godfried Danneels.

12 abril, 2014

Ainda o encontro de Francisco com Dom Erwin Kräutler. O caso dos ‘viri probati’.

A matéria abaixo dá mais detalhes sobre o diálogo divulgado, em primeira mão, pelo Fratres no último domingo.

Papa Francisco: homens casados podem ser ordenados sacerdotes se os bispos estiverem de acordo

Por Secretum Meum Mihi | Tradução: Fratres in Unum.com - Um novo tema ressurgiu a partir da audiência de Dom Erwin Kräutler com o Papa Francisco (além de sua referida colaboração na encíclica sobre a ecologia). Trata-se dos viri probati, tema esse que acreditávamos que já estivesse arquivado.

Tradução feita a partir da tradução do Secretum Meum Mihi da parte principal de um artigo publicado no The Tablet, de 10 de abril de 2014.

Papa Francisco: homens casados podem ser ordenados sacerdotes se os bispos estiverem de acordo

10 de abril de 2014 por Christa Pongratz-Lippitt - Um bispo que se reuniu com o Papa Francisco em uma rara audiência privada, no dia 4 de abril, disse em uma entrevista que os dois discutiram o tema da ordenação de homens casados “provados” — viri probati — de uma maneira séria e positiva.

Dom Erwin Kräutler, bispo de Xingu, na selva tropical do Brasil, conversou com o Papa a respeito da próxima encíclica de Francisco sobre o meio ambiente e o tratamento dos povos indígenas, porém, a desesperadora escassez de sacerdotes na grande diocese do bispo veio à tona na conversa. De acordo com uma entrevista que o bispo, nascido na Áustria, deu ao diário Salzburger Nachrichten, no dia 5 de abril, o Papa estava com a mente aberta a respeito de encontrar soluções para o problema, dizendo que as conferências episcopais poderiam ter um papel decisivo.

“Disse-lhe que, como bispo da maior diocese do Brasil, com 800 comunidades eclesiais e 700.000 fiéis, só tinha 27 sacerdotes, o que significa que nossas comunidades só podem celebrar a Eucaristia, no máximo, duas ou três vezes ao ano”, disse o bispo Kräutler. “O Papa explicou que não podia tomar tudo nas mãos pessoalmente estando em Roma. Nós, os bispos locais, que estamos mais familiarizados com as necessidades de nossos fiéis, devemos ser corajudos, ou seja, ‘valentes’ em espanhol, e dar sugestões concretas”, explicou. Um bispo não deveria atuar sozinho, disse o Papa a Kräutler. Ele deu a entender que “as conferências episcopais regionais e nacionais deveriam dar um jeito de encontrar um consenso sobre a reforma e logo deveríamos levar a Roma nossas sugestões para reforma”, disse Kräutler.

Ao ser indagado se ele havia perguntado na audiência sobre a ordenação de homens casados, o bispo Kräutler respondeu: “O assunto da ordenação de viri probati, ou seja, dos homens casados provados que poderiam ser ordenados ao sacerdócio, surgiu quando estávamos falando da difícil situação de nossas comunidades. O mesmo Papa me falou de uma diocese no México, em que cada comunidade tinha um diácono, porém, muitas não tinham nenhum sacerdote. Havia 300 diáconos ali que, naturalmente, não podiam celebrar a Eucaristia. A questão era como as coisas poderiam continuar nessa tal situação”.

“Cabia aos bispos apresentar sugestões, disse novamente o Papa”.

Então, perguntaram a Dom Kräutler se agora dependia das conferências episcopais no que tange às reformas da Igreja prosseguirem ou não. Ele respondeu que “Sim”, “Depois da minha conversa pessoal com o Papa, estou absolutamente convencido disso”.

[...]

A referência a “uma diocese no México” é precisamente a diocese mexicana de San Cristobal das Casas, onde falta tudo, menos diáconos [Nota do Fratres: Bento XVI mesmo chegou a proibir oficialmente a ordenação de mais diáconos naquela diocese, pois via-se claramente que o propósito era promover o diaconato permanente em detrimento das vocações sacerdotais]

O artigo também faz referência a uma entrevista no Salzburger Nachrichten de 5 de abril de 2014. Porém, na realidade, ele é de 8 de abril de 2014, página 9 (ver imagem acima, clique para ampliar; cópia do artigo aqui).

* * *

[Atualização - 12/04/14 às 12:37] Nota do Fratres: Dom Erwin poderia pedir umas dicas à FSSPX sobre como manter uma taxa de crescimento de sacerdotes nos últimos anos. Achamos que seu método seja um tanto ineficiente, não é Dom Erwin? Talvez seja realmente uma daquelas mazelas trazidas do Velho Mundo por Brancos Viciados

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11 abril, 2014

“O diabo existe também no século XXI. Aprendamos do Evangelho a combatê-lo”.

Cidade do Vaticano (RV) – Como todas as manhãs, o Papa Francisco presidiu à Santa Missa na capela da Casa Santa Marta.

A homilia desta sexta-feira foi toda dedicada à luta contra o demônio. “A vida de Jesus foi uma luta. Ele veio para vencer o mal”, disse o Pontífice, que advertiu: trata-se, porém, de uma luta que todo cristão deve enfrentar. 

Também nós somos tentados, também nós somos objeto do ataque do demônio, porque o espírito do Mal não quer a nossa santidade, não quer o testemunho cristão, não quer que sejamos discípulos de Jesus. E como faz o espírito do Mal para nos afastar da estrada de Jesus com a sua tentação? A tentação do demônio tem três características e nós devemos conhecê-las para não cair nas ciladas. A tentação começa levemente, mas cresce: cresce sempre. Depois, cresce e contagia outra pessoa, passa a outro, tenta ser comunitária. E, no final, para tranquilizar a alma, se justifica. Cresce, contagia e se justifica”.

A tentação, observou o Papa, parece uma sedução. Quando é rejeitada, cresce e se torna mais forte, envolvendo outras pessoas. Assim aconteceu com Jesus, o demônio envolveu os seus inimigos. Quando Ele fala na Sinagoga, seus inimigos tentam menosprezá-lo, dizendo: “Mas este é o filho de José, o carpinteiro, o filho de Maria! Nunca foi à Universidade! Mas com qual a autoridade fala? Não estudou!”. A tentação, disse, “envolveu todos contra Jesus”. E o momento “mais forte da justificação é o do sacerdote”, quando diz: “Não sabem que é melhor que um homem morra para salvar o seu povo?”: 

“Temos uma tentação que cresce: cresce e contagia os outros. Pensemos numa intriga, por exemplo: sinto inveja de uma pessoa. Primeiro é um sentimento pessoal, mas depois tenho que compartilhá-lo com o outro. Cresce e vai contagiando… Mas este é o mecanismo das intrigas e todos nós somos tentados a fazê-las! Talvez alguns de vocês não, se são santos, mas também eu sinto esta tentação! É uma tentação cotidiana. Mas começa assim, suavemente. Depois cresce e, no fim, se justifica”.

Estejamos atentos, disse ainda o Pontífice. “Quando no nosso coração sentirmos algo que acabará por destruir as pessoas, se não pararmos a tempo, esse sentimento crescerá e nos restará justificar: 

“Todos somos tentados, porque a lei da vida espiritual, a nossa vida cristã, é uma luta: uma luta. Porque o príncipe deste mundo – o diabo – não quer a nossa santidade, não quer que sigamos Cristo. Alguém de vocês, talvez, poderá dizer: ‘Mas, Padre, como o senhor é antigo, falar do diabo no século XXI!’. Mas, olhem que o diabo existe. Existe. Inclusive no século XXI! E não devemos ser ingênuos, eh? Devemos aprender do Evangelho como se faz a luta contra ele”.

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10 abril, 2014

Encontro com Francisco.

Uma conversa com o Papa sobre as Comunidades Eclesiais de Base e a reabilitação de Giordano Bruno e Mestre Eckhart

Por Frei Betto – O Globo: Em 13 de janeiro deste ano, já prevista minha ida à Itália, em abril, para uma série de conferências pastorais, escrevi ao papa Francisco solicitando um contato. Encaminhei a mesma carta por quatro vias diferentes. Talvez todas tenham ajudado, mas sei que deu resultado a remetida via meu amigo Antonio Vermigli, um dos coordenadores da Rete Radié Resch, ONG operária italiana solidária com movimentos sociais em países da periferia do mundo.

O encontro se deu por intervenção de Raffaele Luise, vaticanista da TV italiana, na audiência pública da manhã de quarta, 9 de abril, à porta da Basílica de São Pedro, na área reservada às autoridades e aos convidados especiais. Após percorrer, a bordo do papamóvel, a multidão que lotava a praça de São Pedro, Francisco veio na direção em que eu me encontrava.

Falei-lhe da carta que remeteu, em janeiro deste ano, ao 13º encontro das Comunidades Eclesiais de Base, em Juazeiro do Norte (CE), na qual se refere às CEBs como “movimento” na Igreja. Tudo indica que a carta, assinada por Francisco, foi redigida no Brasil, contrariando a visão de Igreja das CEBs:

— Santo Padre — disse eu —, as Comunidades Eclesiais de Base estão muito agradecidas pela carta que o senhor enviou em janeiro. Elas não querem ser consideradas um movimento na Igreja, e sim o próprio modo de a Igreja ser na base popular e de a base popular ser na Igreja.

Segurando a minha mão, Francisco sorriu. Prossegui:

— Como pai amoroso, dialogue sempre com a Teologia da Libertação, que é uma filha fiel à Igreja. E tenha sempre presente a defesa dos povos indígenas.

Assediado por tanta gente que o rodeava, o Papa continuou atento. Completei:

— Como frade dominicano, ponho em suas mãos a reabilitação de Giordano Bruno e Mestre Eckhart.

Poucos meses após a morte de Eckhart, em 1328, e como resultado das tensas polêmicas entre dominicanos e franciscanos da época, quinze de seus artigos foram condenados por Roma. Eckhart, em si, nunca foi condenado. Como no caso de Tomás de Aquino e outros, seus escritos superaram vários séculos de investigação escrupulosa e, hoje, são considerados aporte fundamental da teologia mística alemã medieval. A Ordem dos Dominicanos, em seu Capítulo Geral de 1980, iniciou um processo oficial para estudar e avaliar de novo os escritos, dando atenção especial aos artigos que foram condenados na bula de 1329.

Giordano Bruno tinha uma visão panteísta do mundo. Via na abóbada celeste o infinito cósmico. Foi um humanista, integrante da corrente filosófica do Renascimento, cujo principal representante é Erasmo. A filosofia do seu tempo estava baseada nos clássicos antigos, principalmente Aristóteles, e Bruno teorizou contrariamente a eles. Defendia a tese do astrônomo alemão Johannes Kepler (1571–1630) de que a Terra girava em torno do Sol, o que lhe custou a condenação. Tinha caráter místico e proclamou a seus algozes, que em 1600 o queimaram vivo no Campo dei Fiori, em Roma: “Vocês pronunciam esta sentença contra mim com um medo maior do que eu sinto ao recebê-la.”

Francisco reagiu à minha solicitação:

— Ore por isso.

Ao final, me dirigi a ele, primeiro em latim, e logo traduzi para o espanhol:

— Extra pauperes nulla salus. Fora dos pobres não há salvação.

Francisco sorriu:

— Estou de acordo — disse ao se afastar.

9 abril, 2014

Os tiros dos sermõezinhos e a anti-formalidade francisquista.

Por Padre Terzio | Tradução: Fratres in Unum.com - Desde que começaram, dizíamos o que pensávamos: que os sermõezinhos das Missas de Santa Marta eram impróprios ao Papa, inapropriados a seu ministério e a suas circunstâncias. Não me recordo de um que não tenha sido decepcionante, tratando-se de quem se trata. O Papa não é, nem pode ser, um cura de paróquia que improvisa e alinhava uma reflexão desde o ambão. Francisco não pode ser Padre Jorge. Mas, empenha-se em não deixar de sê-lo, para consternação de quem mantemos que o Papa se deve a si mesmo uma dignidade incompatível com as formas francisquistas.

Não é a primeira vez que PP Franciscus arremete contra certos supostos estilos, perfis, paradigmas, atitudes alegadamente críticas ou identificadoras de certo clero católico – ele saberá qual. Particularmente, intuo, por experiência, por trinta anos suportando esse tipo de arremetidas críticas, contra quem se dirigem. Em muitos lugares, escutei muitas vezes essas descrições, pinceladas negativas silhuetando um tipo que, mais que real, era uma colagem, uma composição de retalhos, como o monstro mal feito do dr. Frankestein, porém, com o resultado de um ser clérigo fantasmagórico, produto de uma seletiva e crítica elucubração, muito tendenciosa e preconceituosa.

No sermãozinho de outro dia, voltou ao mesmo, insistindo, a respeito do Evangelho de São João, o da cura no sábado do paralítico de Betesda.

Sempre me pareceu problemático extrapolar as censuras, muito concretas, que faz o Senhor aos fariseus, saduceus, herodianos, etc. Nos Santos Evangelhos se diz, expressamente, que Cristo se refere a eles, a seu comportamento, seus costumes. PP Franciscus, por sua parte, não tem problema em reconhecer na Igreja atual aqueles defeitos:

“… Cristãos hipócritas como estes. A eles só interessam as formalidades. Era sábado? ‘Não, não podem fazer milagres no sábado, a graça de Deus não pode atuar no sábado! Fecham as portas à graça de Deus! Temos muitos desses na Igreja, temos muitos!”

Quando o Papa diz isso, sente-se bastante mal-estar. Não somos tontos e pressentimos a onde e a quem ele aponta o tiro (porque é um tiro, um tiro que causa feridas e deixa feridos). Já disse que tenho trinta sacerdotais anos para reconhecer-me apontado, alvejado e ferido. Injustamente, irreverentemente, impiamente. Sem caridade, sem aquela caridade pastoral que se fala tanto falando tanto ao falá-la e não praticá-la.

O paradoxo é que não é verdade que ao PP Franciscus não importe tanto as formas, [tanto] que veta formas e impõe formas.  Se elas não importassem para ele, não teria enfrentado as formas desde a sua apresentação Urbi et Orbi, quando saiu ao balcão sem mozeta e sem estola. Ele, que não valoriza as formas, não repara nas formas. Informal, muitíssimo mais que o PP Franciscus, foi João Paulo II, que pulava todas as formas com uma consciente inconsciência muito longe da estudada determinação de PP Franciscus.

Nunca me senti – confesso-o – nem apontado, nem alvejado, nem ferido sacerdotalmente por João Paulo II. Com PP Franciscus, todavia, digo-o.

E digo também que a claque francisquista aplaude, também apontando, disparando e ferindo. Imagino as cenas, alfinetadas e cutucões, risadinhas e chacotas que os sermõezinhos de Santa Marta propiciarão em seminários, residências sacerdotais, reuniões arciprestais e demais foros e ocasiões clericais.

Que pena. E que vulgaridade, quanta triste vulgaridade.

Por fim, como um cômico estrambote, essa informalidade custa muito caro, pois seu preço é o respeito, o déficit de respeito.

Por exemplo, sem ir longe demais, a descortês cena de hoje mesmo [4 de abril]: a Rainha da Grã-Bretanha se atrasa por vinte minutos e faz PP Franciscus esperar, que havia agendado, previamente, um encontro “informal”. E assim foi tratado, a seu gosto, com toda uma régia informalidade.

No summum da não-formalidade, o presente da Queen ao Sumo Pontífice: uma cesta com um pote de mel, suco de maçã e uma garrafa de uísque. Para rubor e vergonha dos que estavam presentes.

E velha Queen da Grã Bretanha presenteava o Sumo Pontífice com uma cesta de comida: é o que é mel, suco, uísque. O [príncipe] consorte da Queen sorria socarrão. PP Franciscus olhava pasmo.

A visita, troca de presentes inclusive, se deu de pé, em 15 minutos.

A tão não-senhor, tal desonra.

O pior é que não se espera a mudança, não há sinais de correção dos erros (nem os superficiais anedóticos, nem os outros, mais profundos).

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9 abril, 2014

Intervenção nos Franciscanos da Imaculada: Papa encontra um casal inesperado e sugere fim da intervenção para breve.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com – No domingo, 6 de abril, o Papa Francisco celebrou uma missa na paróquia romana de San Gregorio Magno alla Magliana. O que ele não esperava era que o pároco lhe apresentasse um casal, último nome Manelli, do qual seis de seus nove filhos são membros dos Franciscanos da Imaculada (dois filhos) e Irmãs (quatro filhas) da Imaculada.

Sandro Magister relata:

Em uma conversa com o papa, o casal Pio e Annamaria [Manelli] – o pintor do ícone [de Salus Populi Romani, presenteado ao papa] –  lhe disse:

“Santo Padre, temos nove filhos, seis dos quais são consagrados dentre os Franciscanos da Imaculada. Imploramos que o senhor os tire da sepultura.”

Ao que o papa Francisco – que na homilia havia dito que Jesus remove não somente Lázaro, mas todos dos sepulcros – sorriu, um pouco surpreso, os acariciou e disse-lhes: “Breve, breve.”

Não se sabe ainda o que esse “breve” pode significar. Os mais otimistas esperam por um iminente e pacífico fim da intervenção.

7 abril, 2014

Francisco convida Ervin Kräutler, bispo do Xingu, como colaborador na elaboração da encíclica sobre ecologia.

Ufanismo austríaco-branco-viciado: o “Prêmio Nobel Série B” sai de audiência com Francisco fanfarreando – “Vou ajudar a escrever uma encíclica”. 

IHU – Erwin Kräutler, bispo de origem austríaca, missionário no Brasil, foi chamado pelo Papa Francisco para ajudá-lo na redação da próxima encíclica sobre os pobres e o cuidado do ambiente, como ele mesmo informou na entrevista concedida ao Orff Journal. A notícia foi divulgada pela agência KathPress.

A informação é de Maria Teresa Pontara Pederiva, publicada por Vatican Insider, 06-04-2014. A tradução é da IHU On-Line.

Kräutler, nascido em Hohenems (Vorarlberg), em 1939, primogênito de seis irmãos, pertence à Congregação dos Missionários do Preciosíssimo Sangue. Depois dos estudos de filosofia e teologia em Salzburg, em 1965 partiu como missionário na Amazônia e em 1980 foi nomeado bispo na maior diocese, em extensão geográfica, do Brasil: a diocese de Altamira-Xingu, tornando-se bispo auxiliar do seu tio Eurico, e, um ano depois, o seu sucessor.

De 1983 a 1991, Kräutler foi presidente do Conselho Indigenista Missionário – CIMI, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB. Em 2006, quando D. Gianfranco Masserdotti, presidente em exercício morreu num acidente, Kräutler foi reconduzido à presidência do CIMI.

Em 1997 foi um dos quinze delegados eleitos para participar do Sínodo para a América e naquela ocasião foi o porta-voz do povo brasileiro cujo território estava sendo brutalmente saqueado.

Sempre na primeira linha na defesa das populações locais ameaçadas pelo desmatamento ao longo dos rios da Amazônia, o bispo austríaco recebeu, em 2010, o Prêmio Nobel alternativo “pelo seu compromisso a favor dos direitos humanos das populações indígenas e pela sua luta pela conservação da floresta pluvial na Amazônia”.

Muitas vezes ameaçado de morte (em 1987 sobreviveu a um atentado onde foi morto o seu motorista), continuou a se posicionar ao lado das populações na defesa da dignidade humana e do ambiente da Amazônia.

A relação pobres-ambiente, muito cara a Papa Francisco desde o início do seu pontificado, para o bispo Kräutler é algo que está presente na sua ação cotidiana com a mais genuína Teologia da Libertação: a sua luta é contra a pobreza para que seja garantido a cada pessoa um trabalho e um salário justo acompanhado da promoção do reconhecimento dos direitos fundamentais, como a saúde e a defesa do território.

Kräutler, que no próximo mês de julho completa 75 anos, provavelmente apresentou ao papa Francisco, na audiência da última sexta-feira, 5-04-2014, a sua demissão. Os temas da audiência foram, segundo Orf, os direitos dos povos indígenas, as ameaças a que são submetidos os povos indígenas com a construção das grandes barragens, os impactos e as consequências da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e algumas propostas para enfrentar a falta de padres numa diocese que tem a extensão geográfica equivalente à Alemanha. Kräutler informou que o Papa esperava dele “propostas corajosas e audazes”.

Sobre a encíclica, se de um lado a nomeação de Kräutler (em alemão se fala de “Mitautor”, isto é, co-autor, mas na realidade tratar-se-á de uma colaboração estreita) faz pensar na articulação que o Papa Bergoglio  reconhece entre o cuidado da criação e a promoção da justiça (são os pobres que sofrem as mais dramáticas consequências), como o Papa lembrou na recente entrevista aos jovens flamengos, por outro lado, trata-se de um sinal que a redação da encíclica está em curso, ou, pelo menos, em fase de estudos.

6 abril, 2014

Foto da semana.

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Vaticano, 4 de abril de 2014 – Tirando a batina do fundo do baú, cheirando naftalina, o bispo comunista Dom Erwin Krautler, queridinho da CNBB (ele sempre tem papel de destaque nas fastidiosas Assembleias Gerais), foi recebido pelo Papa Francisco para tratar das violações aos direitos indígenas. Dom Krautler é presidente do CIMI – órgão que promove radicalmente a revolução socialista com apoio governamental e, como não poderia deixar de ser, da CNBB.

Sua Excelência, um branco austríaco cujo carisma é “ajudar e prevenir os índios a não caírem no mundo do branco, que é um mundo viciado“, vencedor de um “Prêmio Nobel” da segunda divisão dado a esquerdistas empedernidos, esteve acompanhado do Padre Paulo Suess que, não satisfeito em promover a desordem no âmbito social, quer estender sua revolução à Igreja. É ele quem conta em seu blog:

“Na recepção pelo Papa Francisco, entreguei um pequeno texto sobre o fato de que 70% das nossas comunidades estão sem eucaristia. Confrontei a realidade com textos do magistério da Igreja. O papa me respondeu: “Eu falei aos bispos no Rio que, particularmente, na Amazônia precisam ter coragem e propor soluções.”como montar uma empresa

E então Pe. Suess dá sua proposta “comunistarista”:

“A Igreja, que é sacramento de vida, assume coletivamente essa carência e a sana coletivamente: um grupo de viri probati celebra em conjunto a Eucaristia. A Igreja os convoca e encarrega para fazer comunitariamente, o que nenhum deles pode fazer sozinho.”

Ou seja, viri probati – homens provados (leigos comuns ou ordenados?) reunidos celebram a “Ceia” — pois o Santo Sacrifício da Missa isso não é nem nunca será, Sr. Suess, tal como Católicas as suas idéias e as de seus amiguinhos do CIMI não são. Por favor, Sr. Suess, seja coerente: renuncie aos privilégios do mundo branco viciado (como viajar a Roma — poderia ter ido de canoa? –, ter blog e facebook, etc), vá fundar sua igrejola protestante, isole-se no meio da Amazônia com a sua tribo e deixe a Igreja Católica em paz!

A seguir, matéria divulgada pelo CIMI:

5 abril, 2014

Jovens belgas entrevistam o Papa.

Cidade do Vaticano (RV) - Foi transmitida na noite desta quinta-feira pela televisão pública flamenga da Bélgica VRT, a entrevista que o Papa Francisco concedeu a alguns jovens belgas, em 31 de março passado, no estúdio do palácio apostólico, no Vaticano. A iniciativa nasceu de um projeto de comunicação da Pastoral da Juventude das Flandres: os jovens, acompanhados pelo bispo de Gent, Dom Lucas Van Looy, fizeram-lhe as perguntas em inglês e o Papa as respondeu em italiano.

Foi um encontro alegre e familiar, num clima de grande simplicidade: entre os jovens encontrava-se também uma jovem agnóstica que diz sentir-se inspirada pelas palavras do Papa Francisco.

Perguntaram-lhe, em primeiro lugar, por qual motivo aceitou a entrevista. O Papa respondeu que para ele é um serviço precioso falar à inquietude dos jovens. Depois, uma pergunta à queima-roupa: “O senhor é feliz? E por que é feliz?”

Absolutamente! Absolutamente sou feliz (disse sorrindo)!… E é também uma felicidade tranquila, porque a esta idade não é a mesma felicidade de um jovem, há uma diferença. Mas uma certa paz interior, uma paz grande, felicidade, que chega com a idade, também. E inclusive com um caminho que sempre teve problemas. Também agora existem problemas, mas essa felicidade não vai embora com os problemas, não: enxerga os problemas, sofre por causa deles e segue adiante, faz algo para resolvê-los e segue adiante. Mas no fundo do coração há esta paz e esta felicidade. Para mim, verdadeiramente, é uma graça de Deus. É uma graça! Não é mérito próprio.

Os jovens perguntaram o motivo de seu grande amor pelos pobres: “Porque é o coração do Evangelho”, respondeu Francisco:

Para mim, o coração do Evangelho é dos pobres. Dois meses atrás ouvi que uma pessoa disse, por isto, por falar sobre os pobres, por ter essa preferência: “Esse Papa é comunista!” Não. Essa é uma bandeira do Evangelho, não do comunismo: do Evangelho! Mas a pobreza sem ideologia, a pobreza… E por isso creio que os pobres estão no centro do anúncio de Jesus. Basta ler o Evangelho. O problema é que depois, algumas vezes, na história, essa postura em relação aos pobres foi ideologizada.

A jovem agnóstica perguntou ao Papa qual é a mensagem que ele tem para todos os jovens:

Todos somos irmãos, crentes, não crentes, desta ou de outra confissão religiosa, judeus, muçulmanos… todos somos irmãos! O homem está no centro da história, e isso para mim é muito importante: o homem é o centro. Neste momento da história o homem foi tirado do centro, foi jogado na periferia, e no centro – ao menos neste momento – está o poder, o dinheiro, e nós devemos trabalhar em prol das pessoas, do homem e da mulher, que são a imagem de Deus.

Hoje “entramos numa cultura do descarte”, prosseguiu o Papa. “As crianças são excluídas – não se quer crianças, queremos menos crianças, famílias pequenas: não se quer crianças. “

“Os anciãos são excluídos: muitos deles morrem em decorrência de uma eutanásia escondida, porque não se cuida deles e acabam morrendo. E agora os jovens são excluídos.”

O Santo Padre recordou que na Itália o desemprego juvenil dos 25 anos abaixo é de quase 50%. Mas recordando seus encontros com alguns jovens políticos argentinos, afirmou ter confiança neles e na vontade deles de concretude:

E fico contente porque eles, quer de esquerda, quer de direita, falam uma nova música, com uma nova música, um novo estilo de política. E isso me dá esperança. E creio que a juventude, neste momento, deve assumir a luz e seguir adiante. Que sejam corajosos! Isso me dá esperança.

Perguntado sobre a busca que o homem faz de Deus, o Papa respondeu:

Quando o homem encontra a si mesmos, busca Deus. Talvez não consiga encontrá-lo, mas segue num caminho de honestidade, buscando a verdade, por um caminho de bondade e um caminho de beleza… está num bom caminho e seguramente encontrará Deus! Mais cedo ou mais tarde o encontrará. Mas o caminho é longo e algumas pessoas não o encontram, na vida. Não o encontram conscientemente. Mas são muito verdadeiras e honestas consigo mesmas, muito boas e muito amantes da beleza, que acabam tendo uma personalidade muito madura, capaz de um encontro com Deus, que é sempre uma graça. Porque o encontro com Deus é uma graça.

Um jovem perguntou-lhe o que seus erros lhe ensinaram. O Papa Bergoglio afirmou que os erros são “grandes mestres de vida”:

Grandes mestres: os erros nos ensinam muito. Também nos humilham, porque alguém pode sentir-se um super-homem, uma super-mulher… e a pessoa erra e isso a humilha e a coloca em seu lugar. Não diria que aprendi com todos os erros que cometi: não, creio que não aprendi com alguns deles, porque sou cabeça-dura (disse sorrindo) e não é fácil aprender. Mas dos muitos erros aprendi e isso me fez bem, me fez bem. E também reconhecer os erros. Errei aqui, errei ali, errei acolá… E também o estar atento para não voltar ao mesmo erro.

Uma jovem perguntou-lhe: “Teria um exemplo concreto de como aprendeu a partir de um erro?”:

Por exemplo, na condução da vida da Igreja: fui nomeado superior muito jovem e cometi muitos erros com o autoritarismo, por exemplo. Eu era muito autoritário: tinha 36 anos… Depois, aprendi que se deve dialogar, que se deve ouvir o que os outros pensam… Mas não foi aprendido uma vez por todas! É um caminho longo.

Por fim, a última pergunta dos jovens ao Papa foi particular: “O senhor teria uma pergunta para nós?”:

A pergunta que gostaria de fazer-lhes não é original. Tomo-a do Evangelho. Onde está o seu tesouro? Essa é a pergunta. Onde repousa o seu coração? Em que tesouro repousa o seu coração? Porque onde estiver o seu tesouro será a sua vida… Essa é a pergunta (disse sorrindo), mas devem respondê-la a vocês mesmos, sozinhos, em casa…” (RL)

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1 abril, 2014

Argentina: o primeiro batizado para uma filha de um casal gay..

E o par gay será crismado no mesmo dia.

Por Andrés Bertramo Álvarez | Tradução: Fratres in Unum.com – Ela se chama “Umma Azul” e é a filha de uma dupla composta por duas mulheres. No próximo sábado, 5 de abril, será batizada na Catedral da Córdoba, cidade no centro da Argentina. Segundo a imprensa local da Argentina, sua mãe e sua parceira, Soledade Ottiz e Karina Villarroel, receberão a crisma nesse mesmo dia, antes do primeiro sacramento da pequena, celebrado pelo pároco Carlos Varas.

Um batismo (Reuters).

Um batismo (Reuters).

Na catedral, os batismos são celebrados aos domingos, porém, este será independente, por instruções do bispo Carlos Ñáñes, que também deu indicações particulares a respeito do ato batismal: “Tive uma audiência com o bispo e ele me confirmou que na catedral não haveria nenhum problema”, disse Karina. O clérigo também fez recomendações a respeito dos padrinhos, um amigo da família e duas madrinhas. Uma delas será a presidente argentina Cristina Kirchner.

O caso das mulheres está envolto em polêmica, especialmente porque Karina Villarroel, que não foi a mãe gestante, pretende que a Polícia da província, onde trabalha, lhe conceda uma licença maternidade de quatro meses.

Elas se uniram há pouco mais de um ano graças à lei do “matrimônio igualitário”. Foi o primeiro matrimônio feito no território de Córdoba. “Se Bergoglio não tivesse sido eleito papa, teria sido mais complicado o batismo”, reconheceram fontes eclesiásticas.

Já como arcebispo de Buenos Aires, o atual pontífice determinou que nenhuma criança fosse proibida de receber o primeiro sacramento, sem importar a situação de seus país. Essa solicitude foi produto de uma reflexão teológica profunda, explicou ao Vatican Insider o sacerdote Javier Klainer, responsável pela pastoral da juventude em tempos de Bergoglio e colaborador próximo dele, como integrante do Conselho Presbiteral.

“Se a pessoa vem pedir o batismo, não existe uma moção do espírito? É o que chamamos em teologia de graça atual que moveu seu coração. Assim como o etíope nos Atos dos Apóstolos quando caminhando disse: ‘há água aqui, o que impede que me batize?’”, explicou.

“Se um pai pede o batismo para seu filho, o que fazemos? Não lhe damos? Francisco disse que nós somos ministros, não administradores no sentido burocrático. Em minha paróquia qualquer dia se pode batizar, em qualquer missa. É uma loucura não realizá-lo. Depois não venham criticar que as pessoas não se batizam, porque isso também é uma contradição”, assinalou.

Ele assegurou que o Arcebispo Bergoglio “se sentia muito mal” e se enojava quando sabia que em alguma paróquia não batizavam uma criança por alguma razão. No caso das mães solteiras, somente dizia: “Achou melhor ter o filho, não abortá-lo, e nós não o batizamos. Em uma cultura que promove imediatamente o aborto, uma mãe que disse ‘não’ ao aborto e que quer batizar o filho, não consegue”.