Posts tagged ‘O Papa’

23 fevereiro, 2015

Cardeal Kasper diz que Lutero faz parte da «grande tradição» da Igreja na qual se inclui o Papa Francisco.

O L’Osservatore Romano publicou vários extratos do novo livro do cardeal Kasper dedicado ao papa Francisco. O Papa, segundo o purpurado alemão, é um radical no sentido de colocar ênfase nas raízes da mensagem do Evangelho e na alegria que o acompanha. O Santo Padre, assegura, «não defende uma postura liberal, mas radical» e não é «tradicionalista nem progressista». Kasper situa o atual pontífice numa lista de santos e doutores da Igreja entre os quais inclui ao heresiarca alemão Martinho Lutero.

Por CatholicCulture/InfoCatólica – Tradução: Marcos Fleurer – Fratres in Unum.comCitando Nietzsche, Sartre, Heidegger e outros escritores dos séculos XIX e XX, o cardeal Kasper assegura que o homem moderno necessita de alegria. A mensagem do Evangelho traz renovação e alegria, é a fonte da qual brota «toda doutrina cristã e a disciplina moral».

LuteroAssim como o Evangelho é a fonte da doutrina, a caridade é a fonte da vida moral, indicou o purpurado. A ênfase do Papa sobre as raízes do Evangelho e da caridade, contudo, não «elimina a assim chamada verdade secundária ou incômoda,» nem muitas verdades «descartadas como menos obrigatórias».

O cardeal Kasper acrescenta que a ênfase do Papa na centralidade da proclamação da mensagem do Evangelho e da vida da caridade, situam-no dentro de uma «grande tradição» que inclui, de diversas maneiras, SantoAgostinho, São Francisco, São Domingo, Santo Tomás de Aquino, Martinho Lutero e o Concílio Vaticano II.

Opinião de Lutero sobre o Concílio de Trento

Martinho Lutero disse o seguinte sobre o Concílio de Trento, que ratificou a doutrina católica que os protestantes negavam:

“Haveria que fazer prisioneiro ao Papa, aos cardeais e a todos estes canalhas que o idolatram e o santificam; prendê-los por blasfêmias e logo arrancar-lhes a língua e colocá-los todos na fila da forca… Então se poderia permitir que celebrassem o concílio os que quisessem desde a forca, ou no inferno com os diabos”.

Tomado de “Lutero e a unidade das Igrejas (Card. Joseph Ratzinger)”

 

23 fevereiro, 2015

Francisco diz que a “Reforma da Reforma” está “equivocada”. Seminaristas “tradicionalistas” criticados, Papa diz que o “desequilíbrio” deles se manifesta na celebração da liturgia.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com – Grande parte da atenção da mídia ao encontro anual do Papa Francisco com o clero de Roma (realizado ontem, 19 de fevereiro) se concentrou em suas observações sobre os padres casados. De igual e possivelmente mais importância imediata foram suas observações sobre a liturgia, que acabam de ser publicadas pela agência de notícias ZENIT.

O Papa não poderia ter sido mais claro em sua visão da “Reforma da Reforma”. Ele fala da necessidade de uma ars celebrandi mais respeitosa, mas qualquer um que tenha realmente acompanhado os debates litúrgicos dos últimos 20 anos saberá que isso não é a mesma coisa que a “Reforma da Reforma”. Esperamos, sinceramente, que os “costumeiramente suspeitos” na blogosfera e nas redes sociais não ignorem essa conversa completamente nem tentem minimizar esse assunto criando explicações complexas de como o Papa “realmente queria dizer” algo diferente, ou que tudo isso não passa de boataria, uma invenção, ou seja lá o que for. Qualquer coisa que lhes permita manter as cabeças na areia!

O Papa critica a “Reforma da Reforma” de maneira notável e abertamente, mas ele não diz nada negativo a respeito do próprio Summorum Pontificum em si, muito pelo contrário. Todavia, a sua aparente condenação e palavras desdenhosas sobre os seminaristas diocesanos “tradicionalistas” não podem e não devem ser minimizadas como simplesmente fazendo referência ao comportamento imoral de alguns deles – comportamento que também pode ser encontrado, empiricamente com muito mais frequência, entre seminaristas não tradicionalistas. Ao designar especificamente as “liturgias” (Reforma da Reforma”?) celebradas pelos seminaristas “tradicionalistas”, uma vez ordenados, como a manifestação de seus “desequilíbrios” “morais e psicológicos”, fica claro que o alvo do Papa são os pontos de vista semelhantes aos tradicionais a respeito da sagrada liturgia de muitos jovens padres e seminaristas. Ao mencionar que a Congregação dos Bispos está conduzindo intervenções a este respeito, a mensagem enviada é clara e em bom tom: bispos, aceitem seminaristas com tendências “tradicionalistas” por sua conta e risco. Ao declarar abertamente que os problemas morais e psicológicos “acontecem com frequência” em “ambientes” tradicionalistas, aparentemente desprovido de misericórdia, doravante uma grande tarja poderá ser utilizada para denegrir esses jovens.

Reproduzimos abaixo a passagem relevante do relatório da Zenit, com os nossos destaques:

No entanto, alguns trechos do discurso do Papa foram liberados graças em parte a vários padres que falaram com a imprensa após a reunião. Alguns até mesmo conseguiram gravar as palavras do Papa. Além de várias frases relatadas por algumas agências de notícias italianas nesta manhã, o Pontífice de 78 anos abordou o tema, por exemplo, do “rito tradicional” com o qual Bento XVI concedeu a celebração da Missa. Através do Motu Propio Summorum Pontificum, publicado em 2007, o atual Papa Emérito permitiu a possibilidade de celebrar a Missa segundo os livros litúrgicos editados por João XXIII, em 1962, não obstante a forma “ordinária” de celebração na Igreja Católica continuar sempre aquela estabelecida por Paulo VI em 1970.

O Papa Francisco explicou que esse gesto por parte de seu antecessor, “um homem de comunhão”, foi concebido para oferecer “uma mão corajosa aos lefebvrianos e tradicionalistas”, bem como àqueles que desejavam celebrar a Missa de acordo com os ritos antigos. A chamada Missa “tridentina” – disse o Papa – é uma “forma extraordinária do Rito Romano”, aprovado após o Concílio Vaticano II. Assim, ele não é considerado um rito distinto, mas sim uma “forma diferente do mesmo rito”. (sic)

Entretanto, o Papa observou que há padres e bispos que falam de uma “reforma da reforma.” Alguns deles são “santos” e falam “de boa fé.” Mas isso “é um equívoco”, disse o Santo Padre. Então, ele mencionou o caso de alguns bispos que aceitaram seminaristas “tradicionalistas” que foram expulsos de outras dioceses, sem averiguar informações sobre eles, porque “eles se apresentavam muito bem, eram muito devotos.” Então, eles foram ordenados; porém, mais tarde ficou comprovado que eles tinham “problemas psicológicos e morais”. 

Esse não é o costume, mas “muitas vezes isso acontece” nesses ambientes, destacou o Papa, e ordenar esse tipo de seminaristas é como “hipotecar a Igreja.” O problema subjacente é que alguns bispos às vezes ficam sobrecarregados com “a necessidade de novos sacerdotes na diocese.” Portanto, não é feito um discernimento suficiente entre os candidatos, entre os quais alguns podem esconder certos “desequilíbrios” que então se manifestam nas liturgias. Na verdade, a Congregação dos Bispos – continuou o pontífice – teve que intervir com três bispos em três desses casos, embora eles não tenham ocorrido na Itália.

Durante o inicio de seu discurso, Francisco falou sobre homilética e a ars celebrandi, encorajando os padres a não cair na tentação de querer ser uma “estrela” no púlpito, talvez até mesmo falando de uma “maneira sofisticada” ou “com excesso de gestos.”

Todavia, os padres também não deveriam ser “chatos” ao ponto das pessoas “darem uma saidinha para fumar um cigarro lá fora” durante a homilia.

(Fonte: Pope Holds Two Hour Meeting with Roman Clergy)

19 fevereiro, 2015

O heroísmo dos mártires cristãos e as misérias do Vaticano.

Que o Papa faça evacuar os 300 cristãos de Trípoli, juntamente com seu bispo, para salvá-los do massacre

Por Antonio Socci (18.02.2015) | Tradução: Fratres in Unum.com - É preciso olhar de frente aqueles 21 jovens cristãos que, na Líbia, sofreram o martírio por não renegarem Cristo, e que antes de serem degolados pelo ISIS – segundo a leitura labial que foi feita – clamaram continuamente o nome de Jesus. Como os antigos mártires.

O NOME DE JESUS

O bispo deles disse:“Aquele nome sussurrado no último instante foi como que o selo do seu martírio”. Os cristãos coptas são gente forte, temperada por quatorze séculos de perseguição islâmica. São herdeiros daquele Santo Atanásio de Alexandria que salvou a verdadeira fé católica da heresia ariana, na qual tinha caído a maior parte dos bispos. São cristãos rijos, não uns invertebrados, como nós, católicos tíbios do Ocidente.

Eis aqui a verdadeira força: não aquela de quem odeia e mata os inermes (também as crianças), e crucifica quem tem uma fé diferente, e violenta as mulheres, desfraldando a bandeira negra e escondendo o próprio rosto.

A verdadeira força é a dos inermes que aceitam até o martírio para não renegarem a própria dignidade, isto é, a sua fé, para testemunharem a maravilha do “Belo Amor”, como diz uma antiga definição do Filho de Deus.

Um grande testemunho. Estes são os verdadeiros mártires: os cristãos. Não aqueles que massacram os inocentes inertes.

E esta é a glória dos cristãos: seguir um Deus que salvou o mundo fazendo-se matar e não matando os outros, como fazem todos os déspotas, agitadores e ideólogos (ou revolucionários) deste mundo, que são aclamados nos livros de história.

A LIÇÃO

Uma grande lição para um Ocidente embriagado do “politicamente correto”, que, como o desastroso Obama, se auto-impôs nem sequer pronunciar a palavra“islã” e “muçulmanos” quando fala dos massacres destes meses, desde o Norte do Iraque até Paris e Líbia. Um Ocidente nihilista, que se envergonha de suas raízes cristãs e não perde nenhuma ocasião para as cobrir de desprezo.

É uma dolorosa lição, enfim, sobretudo para a Igreja. Para uma Igreja que não testemunha mais o fogo ardente da fé.

Para a Igreja de Bergoglio que, enquanto existem homens e mulheres que dão a vida por Cristo, define como “uma solene besteira” o anúncio cristão e o proselitismo; para aquela Igreja de Bergoglio que, enquanto os cristãos são perseguidos e massacrados em todo o mundo muçulmano, faz um ato de adoração numa Mesquita, que vai atrás da ideologia obamiana dominante, evitando cuidadosamente pronunciar a palavra “Islã”, a não ser para louvá-lo (a propósito, o seu porta-voz em Buenos Aires atacou Bento XVI por causa de seu discurso em Ratisbona, sobre o Islã).

E sobretudo para aquele Papa Bergoglio que diz que a grande emergência atual da Igreja não é a fé, mas o meio-ambiente, e, depois, a acolhida aos novos tipos de casal e a comunhão para os divorciados recasados. Parece com o filme de Benigni, onde se dizia que o verdadeiro, o grande problema de Palermo é… “o trânsito!”.

É tanto assim que logo mais teremos a encíclica bergogliana sobre a ecologia e sobre as vantagens da coleta seletiva de lixo, ao invés de termos um grito de amor a Deus, neste mundo sem fé e sem esperança. Teremos um apelo contra a erosão, ao invés da denúncia do ódio anticristão em todo o planeta (pelo resto, já sabemos que em sua missa de entronização falou sobre o meio-ambiente, assim como no discurso à Expo, ao invés de falar de Cristo).

É o Papa Bergoglio que recebe e comove os centros sociais, tipo Leoncavallo, mas não os cristãos que heroica e pacificamente lutam para testemunhar a salvação, sofrendo o desprezo e as acusações do mundo.

É Bergoglio que escolhe os novos cardeais baseado em sua própria ideologia pessoal (deixando ver que, se quiser, pode inclusive decidir nomear o bispo de Ancona para o cardinalato), ao invés de conceder a púrpura, sinal do martírio, àqueles bispos que, justo nestes dias, concreta e heroicamente, vivem com as suas comunidades ameaçadas e, verdadeiramente, arriscam a sua vida com elas.

SALVAR AQUELES CRISTÃOS

Este é o caso do bispo de Tripoli, D. Martinelli, o mesmo bispo que, em 2011, quase sozinho (apenas com o apoio de Bento XVI), gritava todos os dias contra a guerra [liderada pela OTAN, no contexto do que se chamou de “Primavera Árabe”, que culminou com a queda de Muammar al-Gaddafi], explicando que aquilo abriria a“Caixa de Pandora”, exatamente como aconteceu depois.

Uma tragédia que devemos agradecer aos “Prêmios Nobel da Paz”, Obama e Sarkozy.

Hoje, na Itália e no exterior, aqueles que aclamaram a guerra se fazem de desentendidos. Enquanto nestes dias a Líbia corre o risco de se tornar uma base do Isis, o Bispo Martinelli decidiu permanecer ali, expondo-se à morte:

“Vi tantas cabeças cortadas – conta – e pensei que eu também poderia acabar assim. E se Deus quiser que meu fim seja ter a cabeça cortada, assim será […]. Poder dar testemunho é uma coisa preciosa. Eu agradeço ao Senhor que me permite fazê-lo, também com o martírio. Não sei até onde vai dar este caminho. Se me levar à morte, isso quer dizer que Deus quis assim… E eu não saio daqui. Eu não tenho medo”.

Ele não quer abandonar a sua pequena comunidade, constituída por cerca de trezentos trabalhadores filipinos, que estão compreensivelmente aterrorizados. O bispo é o único italiano que ficou em Trípoli, com alguns religiosos e religiosas não italianos.

Até ontem, não recebeu nenhuma ligação do Papa Bergoglio, habitualmente muito pródigo com os telefonemas (ligou até para Pannella [jornalista italiano de extrema-esquerda], além de ligar diversas vezes ao seu amigo Scalfari). Talvez, graças à pressão midiática, vai lhe telefonar uma hora destas…

Todavia, mais que de palavras, precisamos de fatos.

Eu queria propor uma coisa ao Papa. O Vaticano, também com a ajuda do governo italiano, poderia pedir um auxílio humanitário, uma operação relâmpago de socorro aos cristãos que ficaram lá, com o seu bispo. São apenas trezentos e arriscam a sua vida pela fé. O Vaticano poderia hospedá-los e, depois, eles decidiriam se é o caso de voltar às Filipinas.

A coisa é possível. Por que não fazê-la? Esta é a minha oração ao Papa Bergoglio: que salve do massacre toda uma comunidade cristã e o seu pastor.

Esta seria, realmente, uma coisa digna da Santa Sé. Não esse clima de caça às bruxas e de apuração, que desde alguns dias circula no establishment Vaticano, contra aqueles “grandes cardeais” (Ratzinger) que, fiéis à Igreja, ousaram se opor a Kasper no Sínodo de outubro.

Seria absurdo que o Vaticano se dedicasse às purgas, enquanto os cristãos são martirizados no mundo.

10 fevereiro, 2015

Burke resiste. E confirma o que disse.

O que o Cardeal Burke realmente disse sobre “resistir” ao Papa Francisco.

“Eu simplesmente afirmei que é sempre o meu sagrado dever defender a verdade do ensinamento e da disciplina da Igreja a respeito do matrimônio”, declarou o Cardeal Burke a CNA ontem, 9 de fevereiro.

“Nenhuma autoridade pode me dispensar dessa responsabilidade e, portanto, se qualquer autoridade, mesmo a mais elevada, negar ou agir contra essa verdade, eu seria obrigado a resistir, em fidelidade à minha responsabilidade perante Deus”.

O Cardeal Burke disse que sua entrevista ao canal de televisão francês France 2, transmitida em 8 de fevereiro, foi “fielmente relatada” quanto à questão e à resposta sobre resistir ao Papa Francisco.

Segundo uma transcrição da entrevista divulgada no blog Rorate Caeli, o cardeal enfatizou a necessidade de prestar bastante atenção ao poder do múnus do papado conforme o entendimento católico. O poder papal “está a serviço da doutrina da fé”, explicou”, “e, assim, o Papa não tem o poder de mudar o ensinamento, a doutrina”.

A jornalista então perguntou: “De um modo um tanto provocativo, podemos dizer que o verdadeiro guardião da doutrina é o senhor, e não o Papa Francisco?”

“Nós devemos, deixemos de lado a questão do Papa”, respondeu o cardeal. “Em nossa fé, é a verdade da doutrina que nos guia”.

“Se o Papa Francisco insistir neste caminho, o que o senhor faria?”, perguntou a entrevistadora.

“Resistirei. Não posso fazer outra coisa”, afirmou.

A declaração do cardeal sobre resistir atraiu grande atenção.

O Cardeal Burke continuou afirmando à France 2 que o a Igreja Católica está enfrentando “um tempo difícil” que é “doloroso” e “preocupante”.

Ao mesmo tempo, quando questionado se a Igreja enquanto instituição estava em perigo, ele manifestou confiança.

“O Senhor nos assegurou, como assegurou a São Pedro no Evangelho, que as forças do mal não prevalecerão — ‘non praevalebunt’, como dizemos em latim. Que as forças do mal não alcançarão, digamos assim, a vitória sobre a Igreja”.

Perguntando se o Papa Francisco é seu amigo, o cardeal respondeu: “Eu não gostaria de fazer do Papa um inimigo, certamente!”.

O Cardeal, arcebispo emérito de Saint Louis, trabalho de 2008 a 2014 como Prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, efetivamente a suprema corte da Igreja Católica. Ele também esteve na Congregação para os Bispos por vários anos.

O Papa Francisco o removeu de suas funções da cúria e o designou como Patrono da Soberana Ordem Militar de Malta, uma instituição de 900 anos focada na defesa da fé e no cuidado aos pobres. A ordem está presente em 120 países, com 13 mil membros e 80 mil voluntários.

Burke foi um protagonista durante o Sínodo Extraordinário sobre a Família realizado em outubro de 2014. À época, ele declarou a CNA que grande parte da mídia apresentou de modo impreciso o Papa Francisco como sempre favorável à permissão da distribuição da Sagrada Comunhão a divorciados recasados, bem como outras propostas.

9 fevereiro, 2015

“Resistirei”.

Cardeal Burke: se o Papa persistir neste caminho, “Eu resistirei, não posso fazer outra coisa!”

Entrevista do Cardeal Raymond Leo Burke ao programa 13h15 le dimanche, da tv pública francesa France2, que foi ao ar ontem.

France2:  Se o Papa persistir nessa direção, o que o senhor vai fazer?

Cardeal Burke:  Eu resistirei, não posso fazer outra coisa.  Não há dúvida de que estamos em tempos difíceis, isso é claro.

France 2: Isso é doloroso?

Cardeal Burke: Sim.

France 2: Isso é preocupante?

Cardeal Burke: Sim.

France 2:  De acordo com o senhor, a Igreja está ameaçada como instituição?

Cardeal Burke: O Senhor garantiu-nos, como ele garantiu a Pedro no Evangelho, que as forças do Inferno não prevalecerão: Non praevalebunt, como dizemos em latim. Que elas não terão a vitória sobre a Igreja.

7 fevereiro, 2015

Mensagem da revista Charlie Hebdo ao Papa: «Que as Femen façam soar os sinos de Notre Dame em nossa honra».

«Uma última coisa, importante: queríamos enviar uma mensagem ao Papa Francisco, já que ele também “é Charlie”, somente nesta semana aceitamos que os sinos de Notre-Dame soem em nossa honra, contanto que sejam as ativistas do Femen quem os façam soar». Esta é a mensagem final de um dos artigos do novo exemplar da revista ateia e blasfema Charlie Hebdo.

Por El Mundo/InfoCatólica, 14 de janeiro de 2015 | Tradução: Airton Vieira de Souza – Fratres in Unum.com: «Há uma semana, Charlie Hebdo, periódico ateu, vem realizando mais milagres que todos os santos e profetas juntos». Assim começa o artigo de Gérard Biard, em sua seção habitual L’Apéro, do número da revista difundido hoje, ao se cumprir uma semana do atentado contra sua sede em que morreram 12 pessoas, incluídos vários cartunistas e empregados da revista satírica.

«Charlie tem novos amigos, anônimos e celebridades planetárias, humildes e prudentes, não crentes e dignitários religiosos», assegura Biard.

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4 fevereiro, 2015

Vídeo do Seminário dos Franciscanos da Imaculada no dia em que foi fechado pelo Comissário Volpi.

Quando será que a grande mídia vai exigir respostas?

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.comEm 8 de dezembro de 2013, Festa da Imaculada Conceição, o Seminário Teológico da Mediadora Imaculada (STIM) dos Franciscanos da Imaculada (FI) foi fechado pelo Comissário Apostólico, Pe. Fidenzio Volpi. No mesmo dia, um dos freis realizou filmagens durante o dia todo. Essa filmagem, juntamente com imagens adicionais, apresentam o estilo de vida naquele mesmo seminário.

Volpi encontra-se com o Papa Francisco no dia em que o seminário foi fechado.

Na época, essa filmagem foi mantida em sigilo; ela testemunhava algo que não era mais tolerável aos que estão no poder, ficando oculta até agora

Neste Ano da Vida Consagrada, na Festa da Purificação, que é considerada como a Festa da Vida Consagrada, Rorate obteve este vídeo em caráter exclusivo, que revela uma contradição até agora mantida em sigilo para manter a segurança das pessoas envolvidas.

Com todos os problemas e escândalos na vida religiosa de nossos dias, que parecem ser considerados meritórios pelas mais altas autoridades, o que vocês verão neste vídeo é o que eles consideram tão inaceitável, tão terrível, tão perigoso que teve que ser pisoteado e esmagado como “especificamente ordenado pelo Vigário de Cristo,” o Papa Francisco.

Punição e supressão – e sem julgamento.

Mas, talvez Nossa Senhora, em sua festividade, esteja oferecendo uma visão muito diferente daquela que atualmente parece reinar na Igreja — uma visão da vida consagrada, que é, conforme Simeão diz de Cristo, um sinal de contradição.

Muitos freis que aparecem neste filme tiveram que fugir após o fechamento do seminário, uma vez que se encontravam em uma nova atmosfera de corrupção doutrinal e relaxamento moral, da desintegração da observância religiosa que eles prometeram a si mesmos que manteriam sob pena de pecado grave.

Dizemos “fugir” porque isso é verdade. Ouvimos de diversos FI que eles correm perigo, que outro Frei que conhecem irá falar conosco “quando eles tiverem a salvo”, ou seja, em uma nova diocese com um bispo amistoso. Vocês podem pensar que eles estavam escapando de Inglaterra e da Torre do século XVI – mas essa maneira de caça aos sacerdotes é tão mais perigosa porque vem de dentro.

Assistam o vídeo. Divulguem-no amplamente. E peçam a Nossa Senhora hoje que tire um bem deste pesadelo e finalmente conceda a paz a esses bons homens.

3 fevereiro, 2015

Um Papa que caiu em heresia: João XXII e a visão beatífica dos justos depois da morte.

Por Roberto de Mattei | Tradução: Fratres in Unum.com – Entre as verdades mais belas e misteriosas de nossa fé está o dogma da visão beatífica das almas no Céu. A visão beatífica consiste na contemplação imediata e intuitiva de Deus, reservada às almas chegadas à outra via em estado de graça e completamente purificadas de toda imperfeição. Esta verdade de fé, enunciada na Sagrada Escritura e confirmada nos séculos pela Tradição, é um dogma irreformável da Igreja Católica.

O Novo catecismo o confirma no n.o 1023: “Os que morrem na graça e na amizade de Deus e estão perfeitamente purificados, vivem para sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, porque o veem ‘tal qual é’ (1Jn 3, 2), ‘face a face’ (cf. 1 Co 13, 12)”.

No começo do século XIV, um Papa, João XXII, impugnou esta tese em seu magistério ordinário e caiu na heterodoxia. Os católicos mais zelosos de sua época reprovaram-no publicamente. João XXII – escreveu o cardeal Schuster – “tem graves responsabilidades ante o tribunal da história (…)”, porque “ofereceu à Igreja inteira o espetáculo humilhante dos príncipes, do clero e das universidades que voltaram a colocar o Papa no reto caminho da tradição teológica católica, pondo-o na dura condição de ter que se desdizer” (Ildefonso Schuster, O.S.B., Gesù Cristo nella storia. Lezioni di storia eclesiastica. Benedictina Editrice, Roma, 1996, pp. 116-117).

João XXII, aliás Jacques Duèze, foi eleito ao sólio pontifício em Lyon, no dia 7 de agosto de 1316, após dois anos de sede vacante, depois da morte de Clemente XV. João XXII teve que viver em uma época atormentada da história da Igreja, entre a espada do Rei da França, Felipe IV, o Belo, e a parede do Imperador Luís IV, da Baviera, ambos inimigos do Primado de Roma. Para reconfirmar a supremacia do Romano Pontífice contra os impulsos galicanos e laicistas que serpenteavam, o teólogo agostiniano Agostinho Triunfo (1243-1328) compôs, por encargo do Papa, entre 1324 e 1328, sua Summa de ecclesiastica potestate. Mas João XXII entrou em choque com a tradição da Igreja em um ponto de primordial importância.

Em três sermões pronunciados na Catedral de Avignon, entre 1o de novembro de 1331 e 5 de janeiro de 1332, ele sustentou a opinião segundo a qual as almas dos justos, inclusive depois de sua perfeita purificação no purgatório, não gozam da visão beatífica de Deus. Só depois da ressurreição da carne e do Juízo Final é que elas seriam elevadas por Deus à visão da divindade. Colocadas “sob o altar” (Ap. 6. 9), as almas dos santos seriam consoladas e protegidas pela humanidade de Cristo, mas a visão beatífica seria adiada até a ressurreição dos corpos e o Juízo Final (Marc Dykmans em Les sermons de XXII sur la visión béatifique,  Universidade Gregoriana, Roma, 1973, publicou os textos integrais pronunciados por João XXII; cfr. Também Christian Trottman, La vision béatifique. Des disputes scolastiques à sa définition par Benoît XII, Ecole Française de Rome, Roma, 1995, pp. 417-739).

O erro segundo o qual a visão beatífica da Divindade seria concedida às almas não depois do juízo particular, mas somente após a ressurreição da carne, era antigo e já no século XIII havia sido refutado por São Tomás de Aquino, sobretudo no De veritate (q. 8 ad 1) e na Summa Theologica (I. q. 12, ad 1). Quando João XXII voltou a propor este erro, foi abertamente criticado por muitos teólogos. Entre os que intervieram no debate estavam Guillaume Durand de Saint Pourcain, bispo de Méaux (1270-1334), que acusou o Papa de recuperar as heresias dos cátaros; o dominicano inglês Thomas Waleys (1318-1349), que por sua resistência pública sofreu julgamento e reclusão; o franciscano Nicolás de Lira (1270-1349) e o Cardeal Jacques Fournier (1280-1342), teólogo pontifício, autor do tratado De statu animarum ante generale iudicium.

Quando o Papa tentou impor esta doutrina errônea na Faculdade de Teologia de Paris, o Rei da França, Felipe VI de Valois, proibiu que a mesma fosse ensinada e, segundo conta Jean Gerson, chanceler da Sorbonne, chegou a ameaçar João XXII com a fogueira caso ele não se retratasse. Os sermões de João XXII totus mundum christianum turbaverunt [conturbaram todo o mundo cristão], disse Tomás de Estrasburgo, Mestre dos Eremitas de Santo Agostinho (cf. Dykmans, op. cit., p.10).

Na véspera de sua morte, João XXII disse que se pronunciou apenas como teólogo privado, sem impor o magistério que ostentava. Giovanni Villani transcreve em sua Crônica uma retratação da controvertida tese feita pelo Papa em 3 de dezembro de 1334, um dia antes de sua morte, pressionado pelo Cardeal Dal Poggetto, seu sobrinho, e por outros parentes. No dia 20 de dezembro de 1334 foi eleito Papa o Cardeal Fournier, que adotou o nome de Bento XII (1335-1342).

O novo pontífice quis encerrar a questão com uma definição dogmática, a constituição Benedictus Deus de 29 de janeiro de 1336, que assim reza: “Com nossa apostólica autoridade definimos que, por disposição geral de Deus, as almas de todos os Santos (…) inclusive antes da re-assunção  de seus corpos e do juízo final, estiveram, estão e estarão no Céu (…) e que estas almas vieram e veem a essência divina com uma visão intuitiva e, mais ainda, face a face, sem a mediação de criatura alguma” (Denz-H, no. 1000). Este artigo de fé foi reafirmado em 6 de julho de 1439 pela bula Laetentur coeli do Concílio de Florença (Denz-H, no. 1305)

Após essas decisões doutrinárias, a tese mantida por João XXII deve ser considerada formalmente herética, embora na época em que o Papa a negou ela não tivesse ainda sido definida como dogma de fé. São Roberto Berlamino, que se ocupou amplamente do caso em seu De Romano Pontifice (Opera omnia, Venetiis 1599, Lib. IV, cap. 14, coll. 841-844), escreve que João XXII propugnou uma tese herética com a intenção de impô-la como verdade aos fiéis, mas morreu antes de ter podido defini-la como dogma, e portanto sem minar com a sua atitude o princípio da infalibilidade pontifícia.

O ensinamento heterodoxo de João XXII era certamente um ato de magistério ordinário concernente à fé da Igreja, mas não infalível, porque carente de caráter definitório. Se a Instrução Donum Veritatis, de 24 de maio de 1990, fosse aplicada ao pé da letra, este magistério autêntico de João XXII, apesar de falho, deveria, segundo alguns, ter sido acolhido pelos fiéis da época como um ensinamento dado por Pastores que, na sucessão apostólica, falam com o “carisma da verdade” (Dei Verbum, no. 8), “revestidos com a autoridade de Cristo” (Lumen gentium, no. 25), “à luz do Espírito Santo” (ibidem). Essa tese errônea teria requerido o grau de adesão denominado “obséquio religioso da vontade e do intelecto, enraizado na confiança na assistência divina ao magistério”, e por isso “na lógica e sob o empuxe da obediência da fé” (Mons. Fernando Ocariz, “Osservatore Romano”, 2 de dezembro de 2011). Portanto, em vez de resistirem abertamente às doutrinas heréticas do Papa, os defensores da ortodoxia católica  deveriam ter-se dobrado diante de seu “magistério vivo”, e Bento XII não deveria ter oposto à doutrina de seu predecessor o dogma de fé que nos assegura que as almas dos justos, depois da morte, gozam da Essência divina com uma visão intuitiva e direta.

Mas, graças a Deus, alguns bons teólogos e prelados da época, movidos pelo seu sensus fidei, recusaram publicamente seu assentimento à suprema autoridade. Uma importante verdade de nossa fé pôde assim ser conservada, transmitida e definida. (Roberto de Mattei)

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2 fevereiro, 2015

Um pai verbal e mentalmente abusivo.

Por Traditional Roman Catholic Thoughts | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Imagine um pai que vive num subúrbio pitoresco. Ele tem um bom emprego, uma esposa amorosa e filhos lindos de várias idades. Muitas pessoas olham para este homem como um modelo exemplar dentro da comunidade. A maioria diz que ele está trilhando seu caminho para a santidade.

Para alguém que olha de fora, esta é apenas uma face da imagem completa. Agora imagine se esse mesmo pai passa mais tempo brincando com as outras crianças da vizinhança do que com os seus próprios filhos. Quando seus filhos perguntam por que o pai prefere passar mais tempo se entretendo com as outras crianças da vizinhança do que com eles, ele, por sua vez, começa a provocá-los, tirando sarro da cara deles, e rebatendo que eles estão se comportando como pirralhos chorões, ao invés de dar uma resposta amável explicando o motivo pelo qual ele está negligenciando a saúde emocional de seus próprios filhos.

Além disso, seus filhos são vítimas constantes de vários valentões no bairro que agem como algozes implacáveis,  procurando por qualquer falha ou fraqueza nestas crianças, a fim de persegui-las. As palavras e ações do pai dão a esses agressores munição para usar contra seus próprios filhos. Em seguida, os agressores se lançam sobre os filhos e usam as próprias palavras do pai contra eles.

Quando alguns dos filhos, com toda a razão, aborrecem-se e legitimamente se queixam de seu pai por apoiar os valentões, ao invés de protegê-los, seus irmãos começam a gritar com eles para forçá-los à submissão:

 _ “Você não pode criticar papai! Ele é o nosso pai! Você tem que ser obediente e submisso à sua vontade, afinal de contas, ele sabe melhor do que você”. Com isso, a família tornou-se mais dividida do que antes. Não só o pai está permitindo que o mundo lá fora abuse de seus próprios filhos do mesmo modo como ele faz, mas alguns de seus filhos cruelmente defendem suas ações abusivas.

Vocês hão de concordar que o pai do exemplo acima não é de maneira alguma um bom pai. Enquanto ele parece ser um grande exemplo para a comunidade, na realidade, ele é um desviante. Igualmente, esta é a mesma atitude com que o Papa Francisco, o Santo Padre, atua nesse Pontificado.

Seja no Vaticano ou em suas viagens ao exterior, houve inúmeras instâncias em que ele estava agendado para se encontrar com bispos ou cardeais e simplesmente cancelou sem maiores explicações. Embora seja compreensível, já que ele não goza das melhores condições de saúde, ao invés de tirar esse tempo de folga para descansar, ele prefere usá-lo para passar um tempo com os evangélicos, luteranos ou até mesmo os budistas, como ele fez durante sua viagem ao Sri Lanka. Se passar o tempo com os não-católicos é como ele escolhe relaxar, faz mal perguntar o por quê? Seu propósito não é evangelizar essas pessoas. Em nenhum momento ele discute com elas a necessidade de tornar-se católico, ao contrário, ele endossa as suas opiniões e discute solidariedade.

Enquanto faz suas viagens ao exterior, ele faz conferências de imprensa a bordo do avião papal. “Quem sou eu para julgar” se tornou o bordão com que os não-católicos obrigam os fiéis à submissão por defenderem a doutrina católica de sempre. Papa Francisco acaba de dar aos inimigos outra grande linha de ataque. “Algumas pessoas pensam que – desculpe-me por dizer isso – que, para ser bons católicos, temos de ser como coelhos”. Além disso, ele ainda fez questão de bradar para o mundo como ele repreendeu a uma mãe fiel que havia engravidado novamente. Ele a acusou de “tentar a Deus” e a criticou por aquilo que ele chama de “paternidade irresponsável”.

Esses comentários sobre coelhos e paternidade irresponsável deixaram alguns católicos com um afã de defender as declarações do Santo Padre como se fosse seu último suspiro. Eles acusam os católicos que se sentiram ofendidos com a escolha de palavras do Papa de “tomá-las fora do contexto”. Eles acusam seus irmãos que estão ofendidos de não confiarem em Deus e o que é pior: de causar divisão dentro da Igreja. “Se você tivesse olhado para o contexto, certamente você concordaria com ele!”

Enquanto olhando para o contexto poderíamos até concordar com o Papa Francisco, sua má escolha de palavras, especialmente quando está respondendo à jornalistas que buscam ativamente oportunidades para tirar suas palavras fora de contexto e demonizar a nossa religião, é onde reside a culpa. Ele sabia o que estava dizendo porque fez questão de antecipar: “desculpe-me por dizer isso”. Ele dá munição aos valentões que, por sua vez, usam suas palavras contra seus próprios filhos, os mesmos filhos que ele deveria defender e confirmar para a santidade.

Quando qualquer pai normal comporta-se desse modo destrutivo contra seus próprios filhos, ele não é visto como um herói, mas sim como um pai desviante e abusivo. Da mesma forma, se o Santo Padre se comporta segundo esse exemplo, ele não está sendo um bom pai para seus filhos. Ele está caindo nos pecados de calúnia e difamação, e sem um pedido público de desculpas por suas declarações, tudo o que nos resta é assumir o pior em relação às suas atitudes.

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31 janeiro, 2015

Foto da semana.

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Sala Paulo VI, Vaticano, 28 de janeiro de 2015: Papa Francisco cumprimenta recém casados ao fim da audiência geral (Foto: CNS/Paul Haring).

Não passa despercebida a comoção da senhora abraçada ao seu marido, após ter recebido a saudação do Santo Padre. Certamente, a imagem demonstra o quanto vale a um fiel o cumprimento, a afeição, o amor paternal do Vigário de Cristo na Terra. Inversamente, e na mesma intensidade, ferem, sobretudo no coração de uma mãe cristã, as palavras despropositadas.

Rezemos para que Pastor e fiéis se reconciliem, na unidade e na expressão clara e inequívoca da verdadeira Fé e Moral da Igreja, da qual somos todos filhos.

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