Posts tagged ‘O Papa’

18 dezembro, 2014

Papa Francisco, Obama, Cuba e a Grande Pátria Latino-Americana.

Por Fratres in Unum.com 

Será que alguém ainda não percebeu para onde caminha este pontificado?

Depois de se referir à “Grande Pátria latino-americana”, no dia da Virgem de Guadalupe, aderindo ao vocabulário dos “iniciados” do Foro de São Paulo, o Papa Bergoglio favorece, mais uma vez, um dos maiores inimigos da Igreja, o comunismo.

Ontem, Obama anunciou a retomada das relações diplomáticas dos Estados Unidos com Cuba, atribuindo os méritos da empreitada ao Papa Francisco, que se “compraz grandemente” pelo sucesso de sua intermediação. Também o mandatário norte-americano se referiu en passant à tal Grande Pátria, declarando em rede de televisão e em espanhol: “Somos todos americanos”.

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O alinhamento ideológico é flagrante em Obama que, enquanto pôde, e a exemplo de seus autoritários pares latino-americanos, buscou achincalhar o legislativo — só não foi além, eliminando de vez o embargo, porque isso extrapola as suas atribuições e esbarra em um congresso republicano nada subserviente.

Pois bem, agora que Cuba entrevê o financiamento do comunismo com dólares americanos, Dilma pôde agradecer ao Papa e comemorar a “vitória de Fidel e do povo cubano”.

Tem-se a impressão de ver o retorno do Pontífice enquanto autoridade moral mundial de outrora, intermediador neutro de conflitos aos quais acorriam países em litígio. Contudo, em vez de isenção, neste caso há o vício ideológico. Dilma, Kirchner, Maduro, irmãos Castro, toda a esquerda exulta. Reconhecem a manobra de Obama e Francisco — os laicistas falam, piedosos que são, de milagre em vida!

Curiosamente — coincidentemente… –, este grau máximo de incensamento ao Papa Francisco ocorre quando ele reenvia, persistente, após uma derrota fragorosa no sínodo deste ano, outro questionário às dioceses, em mais um passo do que parece ser uma determinada jornada fadada a abalar as estruturas na moral Católica.

Francisco, infelizmente, atende sempre mais aos anseios e expectativas da moral da Nova Ordem Mundial — não é preciso recordar a pouca importância dada a temas como aborto e moral sexual, inversamente proporcional ao vigor quando se trata de pedir fechamento de Guantánamo ou o diálogo mesmo com os terroristas do ISIS.

Naturalmente, acaba sendo alçado cada vez mais às honras dos altares globalistas — chegando agora ao ápice do culto à sua pessoa –, sendo transformado em um semi-ídolo, intocável personificação dos valores politicamente corretos, contra o qual ninguém ousará se opor, sob pena de incorrer nas excomunhões eclesial e secular.

Como disse a Virgem de Fátima, “a Rússia espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados”.

Deus tenha misericórdia da nossa geração, que pode ter a imensa desgraça de ver o levante do dragão vermelho comunista reerguendo-se em fúria, para atacar a Igreja. Como dizia a antiga oração a São Miguel Arcanjo, escrita por Leão XIII, na forma completa do exorcismo de sua autoria, “os mais maliciosos inimigos têm enchido de amargura a Igreja, esposa do Cordeiro Imaculado, têm-lhe dado a beber absinto, têm posto suas mãos ímpias sobre tudo o que para Ela é mais sagrado; onde foram estabelecidas a Sé do Beatíssimo Pedro e a Cátedra da Verdade como Luz para as Nações, eles têm erguido o Trono da Abominação e da Impiedade, de sorte que, ferido o Pastor, possa dispersar-se o rebanho. Ó invencível Príncipe, ajudai o povo de Deus contra a perversidade dos espíritos que lhes atacam e dai-lhes a vitória. Amém”.

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13 dezembro, 2014

Papa exalta legado de Mandela em mensagem aos Nobel da Paz.

Por Rádio Vaticano – “Que o legado de não violência e reconciliação de Nelson Mandela possa continuar a inspirar o mundo”. É o que se lê em uma mensagem do Papa, assinada pelo Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, enviada na manhã desta sexta-feira, (12/12) aos membros do 14º Encontro dos vencedores do Prêmio Nobel da Paz, que acontece em Roma e recorda a memória de Nelson Mandela, Nobel da Paz em 1993.

Entre os participantes estão Sua Santidade o 14º Dalai Lama, que recebeu o prêmio em 1989, o Arcebispo anglicano da África do Sul, Desmond Tutu, em 1994, e José Ramos-Horta, em 1996. A mensagem afirma ainda que o Papa “reza para que todos os premiados possam ter novo fôlego e coragem para levar adiante tão importante serviço e que os trabalhos possam se converter em uma grande colheita de paz para o mundo”.

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12 dezembro, 2014

Um momento no Espírito do Concílio em São Pedro.

Misa Criolla, uma composição argentina da década de 60, celebrada hoje, festa de Nossa Senhora de Guadalupe, pelo Papa Francisco. Justiça seja feita, tal celebração já havia ocorrido em 2011 com Bento XVI.

Perfeita hermenêutica da reforma na continuidade, não?

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12 dezembro, 2014

Papa volta a pedir opinião aos católicos sobre os desafios que a família enfrenta.

Novo questionário a enviar às dioceses mostra que Francisco quer prosseguir caminho de abertura iniciado com o sínodo de Outubro. Perguntas servirão de base à reunião prevista para o próximo ano.

Por Público – Pela segunda vez, o Papa volta a pedir a opinião dos católicos para o debate sobre as questões da família, enviando um novo inquérito às dioceses que servirá de base ao sínodo dos bispos marcado para Outubro de 2015. Mas o Vaticano deixa claro que a discussão não deve começar do zero, antes prosseguir o caminho de abertura iniciado na reunião deste ano, em que a resistência dos sectores mais conservadores travou as propostas mais polémicas sem conseguir fechar a porta à renovação pastoral defendida por Francisco.

Francisco não esconde que continua apostado em promover uma mudança na forma como a Igreja lida com os católicos que se divorciaram e voltaram a casar-se, os que vivem em uniões civis ou os homossexuais. Deixou-o claro na entrevista ao jornal argentino La Nación, publicada no fim-de-semana, em que lamentou a situação de exclusão em que vivem os fiéis recasados. “Não estão excomungados, é verdade. Mas não podem ser padrinhos de baptismo, não podem ler nas missas, não podem dar a comunhão, não podem ensinar catequese (…). Se começarmos a contar, parecem estar excomungados de facto”, disse Bergoglio, insistindo que a Igreja tem de encontrar formas de os integrar, mesmo que o sínodo de Outubro não tenha aprovado a proposta para que fossem autorizados a comungar.

Na mesma entrevista, o Papa assegurou que os bispos não debateram o casamento entre pessoas do mesmo sexo, tão-só o apoio que a Igreja deve dar às famílias católicas confrontadas com a homossexualidade de um filho. Também o parágrafo relativo à necessidade de acolher “com respeito e delicadeza” os gays não obteve a maioria de dois terços necessária à aprovação, mas, ao decidir divulgar na íntegra as propostas votadas pelo sínodo, Francisco abriu a porta à mudança e deixou claro que pretende manter o debate em aberto, apesar das críticas proferidas pelos bispos mais conservadores.

A confirmação chegou terça-feira, quando o Vaticano anunciou o envio de um novo questionário às dioceses para preparar a segunda parte dos trabalhos que, depois do sínodo sobre “Desafios pastorais da família”, terá como lema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. E se o inquérito sublinha que é necessário encontrar formas de valorizar o casamento católico e “a dignidade da família”, fica também claro que o Vaticano espera “que sejam as dioceses e os católicos a outorgarem, ou não, um impulso ao Papa no seu espírito reformista”, escreveu o diário espanhol El País, recordando que o primeiro inquérito confirmou o grande hiato existente entre as opiniões e práticas dos crentes e aquela que é a doutrina oficial da Igreja.

Na introdução que antecede as 46 perguntas agora enviadas, o Vaticano pede aos bispos para evitarem respostas baseadas unicamente na doutrina oficial e se “deixem guiar pela viragem pastoral que o sínodo extraordinário começou a traçar”. Exortando as dioceses a envolverem na discussão movimentos laicos, organizações académicas e associações religiosas, o documento insiste que no debate sobre os desafios que a família enfrenta “é necessário tudo fazer para que não se recomece do zero, mas se assuma como ponto de partida o caminho já feito”. Além da “viragem pastoral” iniciada em Outubro, o inquérito aponta como guias o Concílio Vaticano II e “o magistério do Papa Francisco”.

E, apesar do incómodo dos conservadores, o Vaticano volta a pedir a opinião dos crentes sobre o apoio a dar às “famílias feridas”: pergunta como deve a Igreja acolher os católicos que voltaram a casar-se, se os processos para a anulação do matrimónio devem ser agilizados e mais acessíveis, ou como pode contribuir para o fim da “injusta discriminação” dos homossexuais.

Mas Francisco sabe que tem de equilibrar o impulso de abertura com a necessidade de evitar rupturas. Por isso, na audiência geral desta quarta-feira, voltou a dizer que, em nenhum momento, foram postos em causa “os verdadeiros fundamentos do sacramento do matrimónio, seja a indissolubilidade, a unidade, a fidelidade e a abertura ao dom da vida”. “Tudo acontece na presença do Papa, o garante da ortodoxia [da discussão]”, sublinhou perante 13 mil fiéis reunidos em S. Pedro.

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9 dezembro, 2014

“Deus me dá uma dose sadia de inconsciência”, diz Francisco.

IHU – “Deus é bom comigo, me dá uma dose sadia de inconsciência. Vou fazendo o que tenho que fazer”. “Uma coisa que me disse desde o primeiro momento foi: “Jorge, não mudes. Segue sendo você mesmo, porque mudar nesta idade seria ridículo”.

Essas são algumas frases proferidas pelo Papa Francisco, que cumpre 21 meses de pontificado, na entrevista concedida à jornalista Elisabetta Piqué, publicada pelo jornal argentino La Nación, 07-12-2014.

O ex-arcebispo de Buenos Aires, que no próximo dia 17 completará 78 anos, disse que a reforma da Cúria não estará pronta no próximo ano, conforme se especulava. Em uma entrevista de 50 minutos, realizada na última quinta feira na suíte 201 do segundo andar da Casa de Santa Marta, no Vaticano, Francisco estava acessível, relaxado, de bom humor, e não evitou temas espinhosos, como as controvérsias em torno do recente Sínodo dos Bispos sobre a família, em outubro passado. “O que o cardeal alemão Walter Kasper fez foi dizer para que se busquem hipóteses, ou seja, ele abriu o campo. E alguns estavam com medo”, disse ele.

Nada mudou ainda. Para tranquilizar a esses setores que acreditam que o sínodo criou confusão, o Papa também recordou que o sínodo “é um processo’ e que “não se tocou em nenhum ponto da doutrina da Igreja sobre o matrimônio”.

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5 dezembro, 2014

Oração e adoração numa mesquita? Papa Francisco, mas por que faz essas coisas?

Por Antonio Socci | Tradução: Thiago Telles – Fratres in Unum.com: Ainda hoje o Papa Francisco, na Mesquita Azul de Istambul, disse: “Não devemos apenas glorificar e louvar a Deus, mas devemos também adorá-lo. Esta é a primeira coisa”.

E, com efeito, ele orou E ADOROU…

O vaticanista do Le Figaro comenta que é algo inédito, porque nunca ocorreu de um Papa fazê-lo dentro de um local de culto muçulmano, sobretudo em direção à Mecca.

http://www.lefigaro.fr/international/2014/11/29/01003-20141129ARTFIG00073-le-pape-francois-ose-prier-dans-la-mosquee-bleue-d-istanbul.php

Subitamente, Andrea Tornielli, o guarda-suíço do Vatican Insider, correu para tentar reparar  – como de costume – usando Bento XVI para cobrir as “revoluções” do Papa Bergoglio. Mas tem razão o vaticanista do Le Figaro.

Primeiramente porque no caso de Bento XVI, em 2006, aconteceu uma simples visita e – surpreendentemente (foi um pouco uma armadilha) – clérigos muçulmanos começaram a orar.

Bento XVI, por comparação, permaneceu em silêncio. E o Vaticano nunca disse que ele orou. Certamente não se falou em veneração ou adoração lá ocorridas.

Diferente é o caso do Papa Francisco… O Pe. Lombardi falou de “adoração silenciosa”. Adoração? Em direção à Mecca?

Um leitor perplexo me escreve algumas de suas considerações. Não se deve estar necessariamente de acordo, mas certamente faz refletir seriamente:

“A dúvida do dia de hoje é se o Papa Francisco apostatou ou não na mesquita em Istambul. Deixo de lado qualquer consideração sobre a oportunidade de se rezar com membros de outras religiões (muçulmanos, nda)… para focalizar atenção na terminologia usada hoje pelo Pe. Lombardi e pelo próprio Bergoglio: ‘adoração silenciosa’. Este foi um termo também usado pelo TG1. Eu entendo que a adoração é devida exclusivamente a Deus e se você vai a um lugar de adoração de outra religião e realiza uma ‘adoração silenciosa’, alguém irá questionar qual Deus está sendo adorado. Por que não foi usado o termo correto, a saber: ‘oração pessoal’? Adorar significa reconhecer que  local é habitado pela divindade. E isto seria apostasia.  É fácil enxergar que ninguém nunca viu um chefe de Estado muçulmano vir a Itália e rezar junto com o Papa diante do Santíssimo Sacramento. A cena de hoje é também um insulto a milhares de vitimas cristãs que morreram como mártires por negar qualquer tipo de sincretismo com o Islão… Estou bastante desconcertado e estou convencido de que Bergoglio mais cedo ou mais tarde fará qualquer declaração que abalará a doutrina”.

Diante das considerações deste leitor, acredito que existam grandes questões abertas, grandes como abismos…

Finja não ver isso como algo grave. Porque você pode fingir para si mesmo ou para outros, mas não para Deus.

Antonio Socci

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4 dezembro, 2014

Papa Francisco demite comandante da Guarda Suíça por excesso de autoritarismo.

Ele será substituído pelo vice, que tem reputação de ser mais afável.

O Globo – RIO – O Papa Francisco demitiu o comandante da Guarda Suíça e responsável por garantir a segurança do Vaticano por ser muito autoritário e rigoroso, segundo informações da imprensa italiana, nesta quarta-feira.

O jornal oficial da Santa Sé, L’Osservatore Romano, anunciou, sem qualquer explicação, que o coronel Daniel Anrig, comandante do corpo da Guarda Suíça Pontifícia, terminará seus serviço em 31 de janeiro de 2015, dois meses antes do fim dos cinco anos previstos.

Segundo agência francesa I.Media, especializada em notícias religiosas, ele será substituído pelo vice-comandante, Christoph Graf, que tem uma reputação de pessoa mais afável.

O comandante Anrig foi nomeado em 2008 por Bento XVI e comandou o pequeno exército do Papa, com cerca de 100 soldados, formado há 500 anos.

Armado apenas com alabardas, os soldados do Papa são responsáveis pela vigilância e da ordem no pequeno território do Vaticano, com pouco mais de 44 hectares, garantindo a segurança do Papa, bem como ajudando diariamente os turistas e peregrinos que visitam os jardins , museus e da Basílica de São Pedro.

Não basta ser suíço para se juntar a Guarda Suíça. É preciso também ser solteiro, ter entre 19 e 30 anos, medindo pelo menos 1,74m, “um católico romano” e ter “reputação ilibada” sem esquecer certa habilidades em artes marciais.

As regras rígidas surpreenderam o Papa argentino, que muitas vezes conversa com eles e ainda chegou a convidar um deles a quebrar as ordens pedindo que ele descansasse após e descobrir que o guarda tinha passado toda a noite em pé.

“É o fim da ditadura”, disse um guarda após ter sido informado da saída de Anrig.

Em maio passado, Francisco elogiou o “profissionalismo” da Guarda Suíça do Vaticano, que pediu para servir com “mansidão e fraternidade”, no aniversário do saque de Roma em 1527, quando o exército papal foi dizimado em defesa do Papa .

“Durante sua estadia em Roma são chamados a testemunhar a sua fé com alegria e amabilidade. Que importante é isso para tanta gente que passam pelo Vaticano, mas também é importante para aqueles que trabalham aqui na Santa Sé, e sua presença é um sinal de força e beleza do Evangelho “, disse Francisco durante a cerimônia.

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2 dezembro, 2014

Qual é a verdade sobre o Cardeal Murphy-O’Connor e o “TimeBergoglio”?

Por Damian Thompson – The Spectator, 25 de novembro de 2014 | Tradução: Fabiano Rollim – Fratres in Unum.com: John Bingham, o excelente editor de assuntos religiosos de The Telegraph, há alguns dias trouxe uma história em primeira mão que só agora está sendo absorvida. Espero que ele me perdoe, mas me pergunto se teria se dado conta da importância da mesma. Assim escreveu:

Cardeal Murphy O'Connor

Cardeal Murphy O’Connor

O Cardeal Cormac Murphy-O’Connor, ex-líder da Igreja Católica na Inglaterra e País de Gales, ajudou a orquestrar a campanha por trás dos bastidores que levou à eleição do Papa Francisco, assim diz uma nova biografia… [O livro,] a ser publicado no próximo mês, revela que houve uma campanha discreta, mas altamente organizada, de um grupo de cardeais europeus em apoio ao Cardeal Bergoglio.

The Great Reformer (O Grande Reformador), do escritor católico inglês Austen Ivereigh, apelida o grupo de “TimeBergoglio” e diz que seus membros realizaram jantares particulares e outros encontros de cardeais nos dias que precederam o conclave, onde apresentaram silenciosamente sua causa. 

‘Percebendo que era a hora, os reformadores europeus que em 2005 já haviam apoiado Bergoglio abraçaram a iniciativa’, explica Ivereigh no livro, ele que já trabalhou como secretário de imprensa do Cardeal Murphy-O’Connor. 

Ele diz que o Cardeal, então com 80 anos e sem direito a voto no conclave, uniu-se ao cardeal alemão Walter Kasper, cujo pedido controverso para que divorciados recasados pudessem ser admitidos à Comunhão foi um dos principais pontos de divisão no sínodo que o Papa Francisco realizou em Roma neste ano. 

O papel do Cardeal Murphy-O’Connor incluiu a formação de um lobby com seus colegas Norte-Americanos e o estabelecimento de uma ponte com outros cardeais de língua inglesa. 

‘Eles tinham aprendido a lição de 2005’, explica Ivereigh. ‘Primeiro garantiram que Bergoglio concordaria. Perguntado se estava disposto, disse acreditar que neste tempo de crise para a Igreja nenhum cardeal poderia recusar se fosse solicitado’. 

‘Murphy-O’Connor inteligentemente alertou-o para “ser cuidadoso” e disse que era a sua vez agora, tendo recebido um “capisco” — “entendo”— como resposta. 

‘Assim partiram para o trabalho, organizando os jantares com cardeais para promoverem seu homem, argumentando que sua idade — 76 anos— não deveria mais ser considerada um obstáculo, já que papas podem renunciar. Tendo compreendido em 2005 as dinâmicas de um conclave, sabiam que votos se dirigiam àqueles que tinham uma forte presença do lado de fora’.

Todas as eleições papais são acompanhadas por tais campanhas: os amigos de Ratzinger teriam sondado discretamente apoiadores antes do conclave de 2005. Todavia, um lobby organizado do tipo que Ivereigh alega ter ocorrido é perigoso, por ser fortemente desencorajado pelas regras da Igreja. Dr. Ivereigh, como gosta de ser chamado, é amigo do Cardeal Cormac e um grande admirador do Papa Francisco. Ele também ajuda a dirigir uma ufanista companhia chamada CatholicVoices, que busca preencher o vácuo criado pelos inúteis escritórios de mídia católicos. Assim, sua ingenuidade ao recontar essa história — que pode ou não ser verdadeira — é um tanto surpreendente. O Cardeal Murphy-O’Connor respondeu ao The Telegraph com uma carta escrita por sua secretária de imprensa, Maggie Doherty, que diz:

O Cardeal Murphy-O’Connor gostaria de desfazer qualquer desentendimento que surja do livro de Austen Ivereigh sobre o Papa Francisco. Ele gostaria de deixar claro que nenhuma aproximação ao então Cardeal Bergoglio nos dias que precederam o Conclave foi feita por ele ou, até onde sabe, por qualquer outro cardeal para buscar sua concordância em se tornar um candidato ao papado.

O que ocorreu durante o Conclave, o qual não incluiu o Cardeal Murphy-O’Connor por já ter mais de 80 anos, é selado por segredo.

A carta é breve e cuidadosamente redigida, ainda que distintamente vaga (‘nos dias que precederam o Conclave’). E está sendo usada por alguns dos inimigos de Francisco, que dizem que qualquer conluio entre cardeais invalidaria sua eleição. Em minha opinião, uma bobagem. Mas um blog, ‘FromRome’, se dedicou bastante à história de The Telegraphe e cita as palavras severas de João Paulo II na Constituição Apostólica de 1996:

Os Cardeais eleitores abstenham-se, além disso, de todas as formas de pactuação, convenção, promessa, ou outros compromissos de qualquer gênero, que os possam obrigar a dar ou a negar o voto a um ou a alguns. Se isto, realmente, se tivesse verificado, mesmo que fosse sob juramento, decreto que tal compromisso é nulo e inválido e que ninguém está obrigado a observá-lo; e, desde já, imponho a pena de excomunhão lataesententiae para os transgressores desta proibição. Todavia, não é meu intento proibir que, durante o período de Sé vacante, possa haver troca de ideias acerca da eleição.

De igual modo, proíbo aos Cardeais fazerem, antes da eleição, capitulações, ou seja, tomarem compromissos de comum acordo, obrigando-se a pô-los em prática no caso de um deles vir a ser elevado ao Pontificado. Também estas promessas, se porventura fossem realmente feitas, mesmo sob juramento, declaro-as nulas e inválidas.

Não estou sugerindo que o Cardeal Murphy-O’Connor tenha violado aquela constituição. Mas poderíamos dizer que a história de Ivereigh tem tudo para gerar más interpretações.

Ainda, a história de que Murphy-O’Connor teria se “unido” ao Cardeal Kasper para garantir a eleição de Francisco será usada por católicos conservadores que ainda se perguntam por que foi permitido a uma figura tão divisora como Kasper pautar a agenda para o Sínodo sobre a Família no mês passado. Aquela agenda — que incluía a Comunhão para divorciados recasados (a causa de estimação de Kasper) e reconhecimento dos relacionamentos gays — irritou bispos conservadores africanos. Ontem, no que pareceu ser um ato de controle de danos, o Papa indicou o bastante conservador Cardeal Robert Sarah, da Guiné, para o posto de Prefeito da Congregação para o Culto Divino (leia o post do Pe. Alexander Lucie-Smith no blog Catholic Herald aqui). Agora, graças a Ivereigh, ele tem algum dano a mais para controlar.

1 dezembro, 2014

Tá bom, aham! Ah, sim! Como não? Claro!

“Um conservador tem o direito de falar, você não o expulsa”. 

Palavras do Papa Francisco em entrevista coletiva dada ontem, 30 de novembro, no vôo que o trouxe de volta da Turquia para Roma.

* * *

Burke, Livieres e Franciscanos da Imaculada concordam plenamente.

Falem, hermanos, pero no mucho, han?!

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29 novembro, 2014

Turquia: Papa encontrou-se com «irmão» Bartolomeu I.

Francisco pediu ao patriarca ortodoxo que o abençoasse a si e à «Igreja de Roma»

Agência Ecclesia,  29 de Novembro de 2014, às 16:48 – O Papa Francisco encontrou-se hoje com o patriarca de Constantinopla (Igreja Ortodoxa), Bartolomeu I, para uma oração ecuménica em Istambul que encerrou o segundo dia da viagem pontifícia à Turquia.

“[André e Pedro] Eram irmãos de sangue, mas o encontro com Cristo transformou-os em irmãos na fé e na caridade. E nesta noite jubilosa, nesta oração de vigília, quero sobretudo dizer: irmãos na esperança”, disse, durante a cerimónia na igreja de São Jorge, sede do Patriarcado Ecuménico.

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O Papa foi acolhido ao som dos sinos do templo e uniu-se a Bartolomeu na oração pela unidade das duas Igrejas, recitando o Pai-nosso e abençoando a assembleia.

“Que grande graça – e que grande responsabilidade – poder caminhar juntos nesta esperança, sustentados pela intercessão dos Santos irmãos Apóstolos André e Pedro! E saber que esta esperança comum não desilude”, referiu o pontífice argentino.

O Papa, bispo de Roma, é o sucessor de Pedro; Santo André é o patrono do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla, sediado no antigo bairro grego de Istambul, o Fanar.

“Venerado e querido Irmão Bartolomeu, ao mesmo tempo que lhe exprimo o meu sincero «obrigado» pelo seu acolhimento fraterno, sinto que a nossa alegria é maior porque a fonte está mais além, não está em nós”, afirmou Francisco.

O Papa agradeceu a Deus pela oportunidade de rezar com Bartolomeu na véspera da festa de Santo André, pedindo “ a paz e a alegria que o mundo não pode dar, mas que o Senhor Jesus prometeu aos seus discípulos e lha deu como Ressuscitado, no poder do Espírito Santo”.

Depois de Bento XVI, em 2006, Francisco acedeu ao convite de celebrar na Turquia esta festa, na qual habitualmente o Papa se faz representar por uma delegação.

Ortodoxos e católicos encontram-se divididos desde o Cisma do Oriente, em 1054, data em que trocaram excomunhões o Papa Leão IX e o patriarca de Constantinopla Miguel Cerulario; as excomunhões foram levantadas em 1965, mas ortodoxos e católicos não recuperaram ainda a unidade plena.

Bartolomeu, que foi ao Vaticano para a cerimónia de início de pontificado de Francisco, um gesto inédito desde o Cisma, assinalou que o Papa “preside na caridade” e elogiou a vontade do atual bispo de Roma de manter um diálogo “fraterno e estável” com a Igreja Ortodoxa, “visando a restauração da plena comunhão”.

Nesse sentido, o patriarca disse que esta visita é “um acontecimento histórico recheado de sinais para o futuro”.

Simbolicamente, o Papa pediu a Bartolomeu que o abençoasse a si e à “Igreja de Roma” ( foto ).

Bartolomeu I é o 269.º sucessor de Santo André e ‘primus inter pares’ dos patriarcas ortodoxos, tendo ajudado a consolidar, ao longo dos últimos anos, o diálogo com a Igreja Católica.

Esta é a quarta deslocação de um Papa à Turquia, depois de Paulo VI (1967), João Paulo II (1979) e Bento XVI (2006).

Francisco e Bartolomeu estiveram junto em maio deste ano, durante a viagem do Papa à Terra Santa, assinando em Jerusalém uma declaração conjunta na qual assumem compromissos comuns em causas sociais e no diálogo entre religiões.

Apesar dos avanços verificados nas últimas décadas, persistem desentendimentos sobre o estatuto das Igrejas Católicas do Oriente, chamadas “uniatas” pelos ortodoxos; internamente, Bartolomeu enfrenta discussões relativas ao papel do primado de honra da sede de Constantinopla.

Francisco vai regressar ao Fanar este domingo, após ter celebrado uma Missa em privado, para a Divina Liturgia na igreja patriarcal de São Jorge (09h30, menos duas em Lisboa), assinalando o dia de Santo André; dado que não existe comunhão eucarística entre as duas Igrejas, o pontífice argentino não concelebrará durante a Liturgia, permanecendo numa posição de honra.

No final, o Papa e Bartolomeu vão dirigir-se aos participantes, abençoando-os, antes da assinatura de uma nova declaração comum.

Às 16h45 locais, Francisco vai despedir-se da Turquia após três dias de viagem, no Aeroporto Atatürk de Istambul, estando a chegada ao Aeroporto de Roma-Ciampino prevista para as 18h40 italianas (menos uma em Lisboa).

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