Posts tagged ‘O Papa’

26 março, 2015

O Papa Francisco e a corrupção.

Por Hélio Dias Viana – ABIMEm sua recente visita ao bairro da máfia em Nápoles, o Papa Francisco manifestou horror à corrupção e disse que ela cheirava mal. Sendo assim, compreende-se que na projetada viagem que o Pontífice fará ao Paraguai, à Bolívia e ao Equador no próximo mês de julho, ele aconselhe os governos bolivarianos dos dois últimos países a mudarem diametralmente de direção, pois os mesmos são uma fonte permanente de corrupção, tal como acontece com o da Venezuela, e também com o da Argentina, sua pátria.

Quanto ao Paraguai, convém lembrar que o ex-bispo Fernando Lugo foi alijado constitucionalmente da Presidência da República, por querer enveredar seu país pelo mesmo caminho.

Ou seja, é através da corrupção institucionalizada que os governos bolivarianos se aparelham, e conduzem depois seus países à mais desastrosa das situações, que é aquela geradora da miséria e da opressão reinantes nos regimes comunistas de Cuba e da Coreia do Norte.

Para a consecução desse trágico fim, eles contam com o apoio de movimentos criminosos ditos sociais, do tipo do MST brasileiro, adrede criados para esse fim. Tais movimentos, entretanto, foram recebidos no ano passado no Vaticano e estimulados a continuarem sua luta demolidora da atual ordem socioeconômica em seus respectivos países.

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23 março, 2015

Ações do Sínodo. Cai Kasper, sobe Caffarra.

Também o Papa Francisco se distancia do primeiro e se aproxima do segundo. E mantém-se próximo ao Cardeal Muller. E promove o africano Sarah. Todos eles intransigentes defensores da doutrina católica sobre o matrimônio. 

Por Sandro Magister, 20 de março de 2015 | Tradução: Fratres in Unum.com – “Com isso não se soluciona nada”, disse o Papa Francisco sobre a idéia de administrar a Comunhão aos divorciados que voltaram a se casar [civilmente]. E muito menos se eles a “querem”, reivindicam-na. Pois a comunhão não é “uma insígnia, uma honraria. Não”.

Em sua última grande entrevista, Jorge Mario Bergoglio esfriou as expectativas de mudança substancial na doutrina e na praxe do matrimônio católico que ele mesmo havia, indiretamente, alimentado:

> Los primeros dos años de la “Era Francisco” en entrevista a Televisa

Francisco e Caffarra.

“Expectativas descomedidas”, definiu ele. E já não mencionou as teses inovadoras do Cardeal Walter Kasper, que ele havia engrandecido em várias ocasiões, mas das quais parece ter se distanciado.

Vice-versa, já há algum tempo o Papa Francisco olha com crescente atenção e estima a outro cardeal teólogo, que sobre o “Evangelho do matrimônio” sustenta teses perfeitamente alinhadas à tradição: o italiano Carlo Caffarra, arcebispo de Bolonha.

Como professor de teologia moral, Caffarra era especialista em matrimônio, família e procriação. E, por esta razão, João Paulo II o quis como presidente do Pontifício Instituto para Estudos sobre o Matrimônio e a Família criado por ele em 1981, na Universidade Lateranense, após o sínodo de 1980 dedicado precisamente a esses temas.

Portanto, causou impressão a exclusão, em outubro passado, de todo expoente de tal instituto — que neste ínterim se estendeu por todo o mundo — na primeira sessão do sínodo sobre a família.

Porém, agora este vazio foi preenchido: em 14 de março último, o Papa Francisco nomeou o professor José Granados, vice-presidente exatamente do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre o Matrimônio e a Família, como um dos consultores da secretaria geral da segunda e última sessão do sínodo, programada para outubro deste ano.

Quanto a Caffarra, se no próximo mês de maio não for eleito pela conferência episcopal como um de seus quatro delegados para o sínodo, seguramente será o Papa quem lhe incluirá entre os padres sinodais, como fez na sessão precedente.

O arcebispo de Bolonha é um dos cinco cardeais anti-Kasper que reuniram suas teses no livro “Permanecendo na verdade de Cristo”, publicado na Itália pela editora Cantagalli às vésperas do sínodo passado e traduzido atualmente em dez idiomas.

E foi, em seguida, um dos críticos mais decididos e melhor articulados do informe bomba lido por Kasper no consistório de fevereiro de 2014:

> El cardenal Caffarra: ningún Papa puede romper el vínculo matrimonial

Nesta ampla entrevista a “Il Folgio, de 15 de março de 2014, Caffarra disse, entre outras coisas, o que segue sobre a comunhão aos divorciados recasados:

“Quem admite esta hipótese não respondeu a uma pergunta muito simple: o que ocorre com o primeiro matrimônio rato e consumado? A solução apresentada leva a pensar que permanece o primeiro matrimônio, mas que também há uma segunda forma de convivência que a Igreja legitima. Por conseguinte, há um exercício da sexualidade humana extra-conjugal que a Igreja consideraria legítimo. Porém, com isso se nega o pilar da doutrina da Igreja sobre a sexualidade. Então, alguém poderia se perguntar: e por que não se aprovam as livres convivências? E por que não as relações entre homossexuais? Não é só questão de praxis, isso diz respeito à doutrina. Inevitavelmente. Também é possível dizer que não se faz, mas que se faz. E não só. Introduz-se um costume que a longo prazo determina esta idéia no povo, não só cristão: não existe nenhum matrimônio absolutamente indissolúvel. E isso, certamente, é contrário à vontade do Senhor”.

Abaixo, segue o texto integral do último posicionamento de Caffarra sobre o matrimônio e a família: uma conferência que proferiu no último 12 março na Pontifícia Universidade da Santa Cruz [ndr: o Fratres não teve condições de traduzir o texto; se algum leitor puder fazê-lo, publicaremos de bom grado].

Mas, antes, é útil recordar outros fatos que evidenciam a crescente aproximação do Papa Francisco do grupo dos críticos de Kasper.

O Papa continua mantendo à cabeça da congregação para a Doutrina da Fé, o Cardeal Gerhard L. Müller, o mais prestigioso dos cinco purpurados do livro anti-Kasper, muito firme em advertir sobre essa “sutil heresia cristológica” que consiste em separar a doutrina da praxis pastoral, na ilusão de que se possa mudar a segunda sem minar a primeira e, portanto, abençoar as segundas núpcias mantendo firme a indissolubilidade do matrimônio:

> Introduzione ai lavori della commissione teologica internazionale, 1 dicembre 2014

Em segundo lugar, o Papa Francisco, em uma das poucas nomeações importantes que fez recentemente na cúria, colocou na chefia da Congregação para o Culto Divino o Cardeal guineano Robert Sarah, autor de um livro entrevista  “Dieu ou rien. Entretien sur la foi”, publicado na França pela editora Fayard, no qual rejeita na raiz a idéia de dar a Comunhão aos divorciados recasados, que a seu juízo é “a obsessão de certas igrejas ocidentais que querem impor soluções que qualificam de ‘teologicamente responsáveis e pastoralmente apropriadas’ e que contradizem radicalmente o ensinamento de Jesus e do magistério da Igreja”.

Dando plena razão a Müller, o Cardeal Sarah diz ainda:

“A idéia que consistiria em pôr o magistério dentro de um belo cofre, separando-o da prática pastoral, que poderia evoluir segundo as circunstâncias, modas e paixões, é uma forma de heresia, uma perigosa patologia esquizofrênica”.

E depois de ter constatado que a questão dos divorciados recasados “não é um desafio urgente para as Igrejas da África e Ásia”, declara:

“Portanto, afirmo solenemente que a Igreja da África se oporá firmemente a toda rebelião contra o ensinamento de Jesus e do magistério”.

Efetivamente, os cardeais e bispos africanos eleitos até agora como representantes no próximo sínodo pelas respectivas igrejas nacionais, situam-se todos na posição intransigente de Sarah, com única exceção para o arcebispo de Accra, Charles Palmer-Buckle, que não só declarou ser favorável à comunhão aos divorciados recasados, mas também — em hipótese — ao divórcio, graças aos poderes do Papa de “unir e dissolver” qualquer coisa sobre a terra.

> African Archbishop Lays Down “Daring” Challenge for Synod on the Family

Há de se acrescentar que nesta posição intransigente também se alinharam os bispos da Europa Oriental, com os poloneses à frente:

> Konferencji Episkopatu Polski. Komunikat

> In English

E os quatro padres sinodais eleitos pela conferência episcopal dos Estados Unidos: Joseph Kurtz, Charles Chaput, Daniel DiNardo, José H. Gómez.

O mais “moderado” dos quatro, Kurtz, tampouco deixou de enfatizar — seguindo os passos do cardeal Müller — que “é muito importante que não haja nenhuma fissura entre o modo com que rezamos e cremos e o modo como exercemos a atenção pastoral. Há uma justa preocupação de permanecermos fiéis ao verdadeiro magistério da Igreja e esta é a atitude que adotarei no sínodo”:

> On Synod, Archbishop Kurtz Calls for Unity Between Catholic Beliefs and Pastoral Practice

 

23 março, 2015

Sangue de São Januário se liquefaz durante visita de Francisco a Nápoles.

Sangue se liquefez pela última vez em presença do Papa em 1848. 

Por Catholic Herald | Tradução: Fratres in Unum.com – O sangue de São Januário [San Gennaro] se liquefez na presença de um papa no sábado, pela primeira vez desde 1848.

O sangue do santo padroeiro de Nápoles, normalmente sólido, se liquefez parcialmente após o Papa beijar a relíquia durante sua viagem de um dia à cidade do sul da Itália.

De acordo com a AFP, o Cardeal Crescenzio Sepe, de Nápoles, mostrou a ampola aos fiéis na catedral da cidade, afirmando: “O sangue se liquefez pela metade, o que mostra que São Januário ama o nosso Papa e Nápoles”.

Ao que o Papa Francisco respondeu: “O bispo acaba de anunciar que o sangue se liquefez pela metade. Podemos ver que o santo só nos ama pela metade. Devemos difundir a palavra, para que ele nos ame mais!”

O sangue se liquefez para um papa pela última vez na presença de Pio IX. O fenômeno não ocorreu quando São João Paulo II visitou Nápoles em 1979, nem quando Bento XVI visitou a cidade em 2007.

São Januário foi um bispo de Nápoles que se acredita ter sido martirizado por volta do ano 305, durante a perseguição de Diocleciano.

Seu sangue é mantido em uma ampola de vidro selada e tradicionalmente se liquefaz três vezes ao ano: em 19 de setembro, festa do santo, em 16 de dezembro e no sábado que antecede o primeiro domingo de maio.

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20 março, 2015

O primeiro Jubileu da história que não celebrará Jesus.

O Ano Santo anunciado para breve será centralizado em Jesus Cristo, como os anteriores, ou no Papa Bergoglio?

Por Antonio Socci | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – O Papa e a Igreja terão que ser bem decisivos ao esclarecer o mal-entendido, porque ontem os títulos dos principais jornais, todos secularistas, mas entusiasticamente bergoglianos, eram unânimes.

Corriere della Sera: “O Jubileu do Papa Francisco”; La Repubblica: “O Ano Santo de Francisco;  La Stampa: “É o Jubileu de Francisco.”

Idéia absurda, porque com um Jubileu não se celebra um Papa, mas o Senhor. O Papa deve ser o “servo dos servos de Deus” e não pode ser colocado no lugar de Deus.

FRANCISCOMANIA

Alguns podem até dizer que foi a mídia que entendeu mal. E isso em parte é verdade, mas ninguém veio a público para desmentir esses jornais, que, da outra parte  – caso curioso – são braços de bancos poderosos, grandes corporações e financiadores, e todos fãs de carteirinha do considerado “Papa dos pobres”, o mesmo que fulmina críticas contra o capitalismo.

Por outo lado – além dos jornais seculares — até mesmo a corte papal, no sentido mais amplo, contribui no mundo católico para a transformação do papa em uma espécie de “divo”.

Tanto é assim, que o próprio Bergoglio, em uma entrevista, nos primeiros meses de seu pontificado, criticou a “franciscomania” dizendo: “Eu não gosto de interpretações ideológicas, uma certa mitologia do papa Francisco… Sigmund Freud dizia, se eu não me engano, que, em qualquer idealização existe uma agressão. Pintar o Papa como uma espécie de super-homem, uma espécie de estrela, me parece ofensivo”.

Bergoglio, portanto, já de início compreendeu que essa mania de fazer de sua pessoa uma espécie de “divo” é para ele um perigo.

Mas, ao invés de  de “descentralizar” a Igreja em relação a si próprio e centrá-la em Cristo, rapidamente mostrou alguma condescendência e, finalmente, muita satisfação.

De fato, hoje, a sua corte é uma fábrica de triunfalismo bajulatório e tanto a mídia Católica como a secular navegam pelos mares de uma “franciscomania” fanática.

Não só. Na Igreja, tal “franciscomania” está sendo imposta (também a bispos e cardeais) como o pensamento único ao qual todos têm que se conformar se não quiserem correr o risco de levar “bastonadas” e ser colocado no Index.

É aqui que nasce o problema com o Ano Santo.

Esperamos que não seja Bergoglio a querer fazer “o Jubileu do Papa Francisco.” Ele mesmo uma vez, no início de seu pontificado, convidou os fiéis a gritar “Viva Jesus” em vez de “Viva Francisco”. Mas ele fez isso apenas uma vez. Em seguida, permitiu que a “franciscomania” se espalhasse.

Hoje não tolera a diversidade de pontos de vista e de tons, concede prêmios e cátedras a quem o aplaude, pune os dissidentes e deixa que sua corte imponha uma papolatria de chumbo na Igreja.

Os jornais de ontem foram induzidos ao erro porque Bergoglio escolheu anunciar o Jubileu justamente no dia do segundo aniversário de sua eleição, quando todos os jornais tinham páginas comemorativas para ele.

Além disso, também saiu nas mesmas horas uma entrevista na qual ele diz que seu pontificado será curto (por força: ele tem 78 anos de idade) colocando-o, assim, no centro da atenção da mídia. Então, era natural, portanto, que os jornais fizessem esses títulos a respeito do Jubileu centralizando-se nele.

Será dito que esta não era a vontade de Bergoglio. Assim espero. No entanto, perguntamos: por que um Ano Santo Extraordinário em 2016?

CRISTO CANCELADO

O Jubileu – desde o primeiro, em 1300 – sempre foi realizado nas datas que se referem aos anos de nascimento e morte de Jesus Cristo. Mesmo os jubileus extraordinários (muito poucos).

O de 2016 é o primeiro Jubileu na história da Igreja que não está centralizado no evento histórico de Jesus Cristo, de sua vida terrena.

Uma vez que era necessário encontrar uma razão qualquer para justificar a convocação do Jubileu em 2016, Bergoglio decidiu que será por ocasião do 50º aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II.

Mas, que tipo de aniversário é esse? Jamais se fez um Jubileu para comemorar um Concílio. E, depois, que o Vaticano II terminou em 1965, portanto em 2016 não se comemora o 50º, mas o 51º ano da conclusão do 21° Concílio da Igreja.

É, portanto, um pretexto, aliás ideológico e até mesmo auto-referencial porque será centralizado em um fato eclesiástico ao invés de Cristo (se fôssemos considerar eventos semelhantes em toda a história da Igreja, a cada ano poderíamos convocar um Ano Santo).

O primeiro Jubileu da história que não terá como centro o acontecimento que é Cristo, terá, como protagonista indiscutível da mídia, Papa Bergoglio, o papa que, além do mais, não cumprimenta os fiéis com a tradicional expressão  “Louvado seja Jesus Cristo”, mas com um “Bom dia” e “Boa noite”, sendo, por isso, elogiado pela mídia como o “papa afável”.

Será, portanto, um ano de triunfalismo bergogliano. Mesmo a referência à “misericórdia” querida pelo Papa vai nessa direção. Escreve o “Corriere” na primeira página: “Será dedicado à misericórdia.”

Mas isso não passa de um pleonasmo, porque todos os jubileus, pela sua própria natureza, são dedicados à misericórdia.

A catedral de Siena tem uma lápide esculpida no portal que relata as palavras com que Bonifácio VIII proclamou o primeiro Jubileu da história, em 1300, e a palavra-chave é exatamente “misericórdia”.

Então, por que querem afirmar que o Jubileu de 2016 será particularmente focado sobre a misericórdia e caracteriza-se por isso?

O que se pretende é anunciar e doar – como em todos os outros Jubileus – a Misericórdia de Deus, ou pelo contrário, o que se quer é celebrar a misericórdia do Papa Bergoglio, que é considerada pela mídia como a maior de todas?

A questão é de grande atualidade visto que ao longo de 2014 Francisco tentou fazer, através do cardeal Kasper, uma revolução no acesso à comunhão pelos divorciados que voltaram a casar, justamente em nome de sua idéia de “misericórdia”.

O papa argentino foi substancialmente colocado na minoria tanto no consistório de fevereiro de 2014,  como no Sínodo sucessivo, porque a Igreja recordou-lhe que misericórdia não pode implicar no cancelamento da lei de Deus e das palavras de Cristo sobre o sacramento do matrimônio.

Todavia, no novo Sínodo de outubro próximo, teremos a partida de volta. Já há quem diga que o anúncio do Jubileu da “misericórdia” pode ser uma forma de pressão para conseguir passar no Sínodo as inovações bergoglianas.

E há quem retém que servirá, ao invés, para que Bergoglio ponha em segundo plano um Sínodo em que ele agora sabe que não será capaz de realizar a revolução prevista.

Assim, seria uma cortina de fumaça para despistar a decepção dos fãs e da mídia secularista.

As hipóteses são as mais diversas. Mas hoje o problema que se impõe e que o Jubileu amplifica é, antes de tudo, isto: a Igreja deve ser centrada em Jesus Cristo ou sobre o atual pontífice?

CULTO DA PERSONALIDADE

João Paulo I, em seus 33 dias de pontificado, foi cercado por um grande afeto dos fiéis. Mas foi um fenômeno que não é nem remotamente comparável a atual “francIscomania” planetária (principalmente secularista).

No entanto, o calor do povo cristão foi o suficiente para o Papa Luciani avisar a todos sobre os riscos de papolatria: “Eu tenho a impressão”, disse ele, “que a figura do papa é louvada em demasia. Existe o risco de se cair no culto de personalidade, que eu absolutamente não quero. O centro de tudo é Cristo, a Igreja. A Igreja não é do Papa, é de Cristo … O papa é um humilde servo de Cristo. “

O próprio Jesus, nos Evangelhos, advertiu aos apóstolos que tivessem muito cuidado com os aplausos do mundo e elogiou aqueles que desafiam o ódio do mundo e que buscam o consentimento de Deus.

Mesmo aos papas de hoje, os papas da era midiática, a escolha que se impõe é ainda mais dramática: entre o testemunho (heróico) da Verdade e a busca de consenso mundano. Ou Deus ou Mammon.

Até o Cardeal Ratzinger, por ocasião da morte do Papa Paulo VI, em 1978, disse: “Paulo VI resistiu à telecrazia e à demoscopia, os dois poderes ditatoriais do presente. E assim pôde fazer porque não tomou como parâmetro o sucesso e aprovação, mas sim a consciência, que é medida sobre a verdade e sobre a fé. “

Assim o fizeram, a ponto de deflagrarem o linchamento da mídia, também João Paulo II e Bento XVI. Até agora, Francisco tem feito exatamente o oposto.

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19 março, 2015

Uma mulher escreve a Francisco.

Por Le cronache di Papa Francesco | Tradução: Fratres in Unum.com – Caro Santo Padre,

é com angústia no coração que decidi escrever-lhe esta carta aberta e sincera. Falarei de coisas que, habitualmente, em condições normais, jamais tornaria públicas. Faço-o, ou ao menos me proponho fazê-lo, pelo bem da Igreja, para a maior Glória de Deus e para a salvação dos homens. O sr. me saberá julgar.

Não consegui dormir esta noite. Estou preocupada com a situação da Santa Madre Igreja. Ao longo de 2014, particularmente por causa da sua apreciação pública da proposta do Cardeal Walter Kasper, na qual os divorciados recasados poderiam receber a Santa Comunhão, o sr., Santo Padre, abriu a porta para muitas confusões acerca do ensino moral da Igreja Católica e para muitas imprudências por parte da hierarquia da Igreja.

Algumas declarações provenientes do Sínodo dos Bispos sobre a Familia, em outubro de 2014, aumentaram ainda mais esta confusão. Depois, em dezembro de 2014, o sr. mesmo, numa entrevista ao La Nación, sugeriu uma atitude laxista, por parte da Igreja, para com aqueles que se casaram fora dela depois de um divórcio, dizendo: “somente a Comunhão não é a solução. A solução é a integração”. Parece que agora o sr. tem a intenção de que eles não apenas recebam a Santa Comunhão, mas também participem da vida eclesial, como leitores na Santa Missa ou como padrinhos das crianças.

Este tipo de abordagem significaria ignorar ou contornar o pecado, ou mesmo justificá-lo. Confundiria a distinção entre quem vive em estado de graça santificante, agradável a Deus porque obedece os seus Mandamentos e conselhos, e quem vive objetivamente em estado de pecado e, então, desagradando a Deus por sua falta de respeito para com a lei e a sabedoria divina. Uma tal estrada conduziria à anarquia e à destruição do fundamento moral da Igreja Católica. Viríamos logo à regra do “tudo vai muito bem”.

Se os casais “recasados” podem receber a Santa Comunhão, por que não a pode receber qualquer outro pecador, que igualmente se nega a arrepender-se e corrigir-se? Um bêbado crônico, um marido que regularmente bate em sua mulher, um criminoso habitual, ou uma mulher que matou seu próprio filho no ventre e não se arrepende de nada? Por que qualquer católico deveria ainda escutar e seguir a lei da Igreja, ainda mais quando não haverá nenhuma sanção moral contra si, de nenhum modo?

E no que diz respeito às palavras do próprio Jesus? Elas não têm mais importância? Se a lei católica sobre o adultério fosse mudada, trairíamos o próprio Jesus. Seguindo o convite de Mario Palmaro, também eu resisto publicamente à direção na qual o sr. parece querer conduzir a Igreja.

Faço-me explicar o porquê.

Eu me converti há dez anos, nasci em 1972 e cresci na Alemanha, e agora vivo nos Estados Unidos. Vim de um mundo que hoje quer sempre mais subverter e invadir, se não penetrar, a vida da Igreja Católica, um mundo para o qual o sr. parece que se inclina e viva secundando. Eu cresci sem fé, numa família destruída, em um mundo de concubinato, aborto, divórcio e egoísmo. Eu sequer conhecia todos os Dez Mandamentos. É óbvio que não os vivia, nem tinha uma família sadia que me desse uma forte identidade, um refúgio seguro ou uma direção moral. Este estilo de vida me conduziu a um beco sem saída, e também à depressão. Foi quando eu encontrei meu futuro marido que a luz de Cristo pareceu entrar pela primeira vez em meu coração, lenta, mas de modo contínuo.

Houve dois aspectos muito importantes da vida da Igreja que foram os canais da graça para mim, e através dos quais fui fortemente atraída, e isso aconteceu antes que eu tivesse uma fé realmente sobrenatural. Em primeiro lugar, a belíssima liturgia tradicional, a Missa e o Ofício Divino cantado, com seus cantos gregorianos; em segundo lugar, o próprio ensino moral da Igreja, com a sua compreensão mais abrangente e a verdade sobre a natureza humana.

Tendo vivido uma vida desenfreada, sem nenhum cuidado com o pecado ou por qualquer fidelidade profunda, me dei conta de que esta estrada conduz só ao desencorajamento e a um pessimismo radical ante qualquer amor duradouro ou modo estável e profundo de viver. Por exemplo, quando estudei o ensino moral da Igreja sobre a castidade e a sua importância prévia ao matrimônio, e também sobre a indissolubilidade do vínculo sacramental, me dei conta, mesmo que apenas ainda na perspectiva natural, da verdade acerca disso tudo.

O ensino moral da Igreja Católica é um bálsamo de cura para todas as almas perdidas no orgulho, na sensualidade, na infidelidade e no desprezo pelo bem-estar dos próprios filhos. Este egoísmo, que leva ao abandono do companheiro amado e ao compromisso com outra pessoa quando “alguma coisa não vai bem”, deixando de lado a carência e o desejo dos filhos nascidos no primeiro casamento de ter o seu próprio lar caloroso e estável, também é danoso para as almas que cometem e permanecem nestes atos egoístas. Quando pecam deste jeito, são menos livres. O pecado não é um bem para o homem. Foi isto que eu entendi aos poucos. Compreendi que, somente quando nos mantemos castos antes do matrimônio e permanecemos, assim, distantes de um apego físico prematuro a uma pessoa querida, e somente quando se tem a consciência clara se deve assumir um compromisso para toda a vida, quando se casa, só então, com o auxílio da graça, haverá um ligame que foi preparado para ser duradouro. A consciência deve estar preparada para saber que, não obstante todos aqueles problemas que surgem em qualquer matrimônio, sempre haverá um modo de permanecer juntos, “na alegria e na tristeza”.

Também entendi que, tendo sido uma estudante zelosa do Iluminismo neo-pelagiano do século XVIII, nós, seres humanos, não temos apenas necessidade de ideais abstratos, mas também de indicações muito claras sobre como levar uma vida boa e também melhor. Não é suficiente falar da beleza do ser humano, da fraternidade, do amor, e assim por diante, deve-se saber como chegar concretamente e de perto a esses objetivos. A Igreja está aqui para nos instruir e para nos elevar além da nossa natureza humana decaída, com as nossas inclinações pecaminosas e a sua forte tendência para o egoísmo e a desesperação.

A minha vida pessoal é um testemunho disso. A Igreja, com os seus preceitos e conselhos, me tirou da lama do pecado e do egoísmo. E agora, Santo padre, parece que o sr. esteja arrastando a Igreja para a lama. O sr. diz ao pecador que aquilo que ele é e que ele faz está bem, tal como é, depois de tudo. O sr. não nos eleva ao modelo mais alto de Cristo, como a Igreja que, tal como mestra das nações, sempre fez lealmente; o sr. nos deixa estar onde estamos, nos conforta e até nos tranquiliza no nosso pecado. Aqui está a crueldade do sentimentalismo, que não é a verdadeira piedade.

Um laxismo para com os Mandamentos e conselhos de Deus levará apenas a mais pecado. Isto é o que nós experimentamos sobre nós mesmos, nós, os filhos da revolução cultural de 68, na Alemanha. Permitiram-nos jogar-nos com tudo na lama e a agir seguindo o nosso próprio prazer, a nossa acídia. A consequência foi a desumanidade. Muitos pais e professores deste momento não quiseram mais castigar suas crianças, nem corrigí-las quando se comportavam mal, e favoreceram, assim, o surgimento de comportamentos imorais e desumanos. Eu mesmo fui testemunha das consequências de tais permissivismos na escola, quando uma moça da minha classe foi perseguida pelos companheiros, também de pouca idade, pela simples razão de querer ser uma estudante competente e brilhante. A professora, no seu laxismo, não se opôs àquele mal, de modo que a própria menina teve de abandonar a escola.

Mas aqui devemos enfrentar a questão das almas e da sua salvação. Como cabeça da Igreja, o sr. ajudará as almas a chegar ao céu se lhes confirma no seu pecado? São estas as coisas que Santo Inácio de Loyola ensinou aos seus jesuítas? E é útil que o sr. torne as coisas vagas e ambíguas, pouco claras e confusas, e de modo equívoco? Quantos casais estão lutando há muito tempo pelo seu casamento, e continuaram lealmente juntos graças ao ensino integral e a verdade de Cristo, depois destas suas palavras recentes, como também depois de algumas declarações do Sínodo dos Bispos, agora começarão a escorregar para o laxismo, e abandonarão o seu matrimônio, pensando que agora para eles haveria uma “segunda oportunidade”, depois de tudo? O que acontecerá se o sr. tirar alguém de um desespero temporário, mas depois o joga numa presunção, que é, juntamente com o desespero, um dos dois principais pecados contra a virtude da Esperança? O sr. deverá um dia responder por cada uma destas almas diante de Deus, e lhe peço que medite sobre isto que estou tentando dizer. Posso dizer-lhe que o seu modo de fazer não conduz a um bom resultado. Apenas o convite à conversão e a clara indicação de como realizá-la e de como nela perseverar, segundo o exemplo do grande São João Batista, levará as almas ao Céu. Não se deve apenas ficar acompanhando o pecador; antes, deve-se levantá-lo e conduzí-lo para fora do pecado! Foi isso que um bom sacerdote católico fez comigo, e eu lhe serei sempre grata por tê-lo feito.

Peço-lhe, Santo Padre, que exorte este mundo que jaz no pecado, que está mergulhado na desumanidade, porque este mundo não tem mais ensinamento nem alimento, não possui uma mãe que lhe recorde as Leis de Deus e que, à vezes, o corrija. As leis de Deus são boas para nós! Elas mostram ao mundo pecador como se tornar melhor. Mostram a todas as pessoas amancebadas ou divorciadas o caminho para se tornarem fieis. Não nos permitem continuar rompendo aquilo que foi quebrado, mas, antes, nos ajudam a consertá-lo e curá-lo.

É preciso animar os pais a moverem-se do seu egoísmo e a pensarem mais nos filhos e no seu maior bem. O divórcio é a morte para a alma de uma pequena criança vulnerável, para as suas esperanças, as suas seguranças e os seus sentimentos. Falo por experiência. E agora falo também como mãe. Como o sr. pode pretender que eu e o meu marido ensinemos aos nossos filhos os Dez Mandamentos e que nós possamos realmente nos arrepender dos nossos pecados quando nos confessamos, quando, ao mesmo tempo, a Igreja poderia permitir que se desobedecesse abertamente as Leis de Deus e se receber a Santa Comunhão?

Console-nos, a todos nós pecadores. Chame-nos à santidade, a uma santidade que está fundada sobre um profundo amor a Cristo e à sua Mãe, e nos indique aquilo que é melhor. Concluindo, cito ainda uma vez a Mario Palmaro, cujo convite a uma aberta resistência acolho com esta carta, cujo protesto antes da sua morte bateu no meu coração e no coração de muitos outros.

«O fato de que um papa “agrade” as pessoas é totalmente irrelevante na lógica bimilenar da Igreja: o papa é o vigário de Cristo na terra, e deve agradar a Nosso Senhor. Isso significa que o exercício do seu poder não é absoluto, mas subordinado ao ensinamento de Cristo, que se encontra na Igreja Católica, na sua Tradição, e que é alimentado pela vida da Graça, através dos sacramentos».

Devo continuar a rezar pelo sr., Santo Padre, a cada dia. E ao mesmo tempo, devo, neste vale de lágrimas, continuar a dar crédito às fieis palavras de Mario Palmaro:

«Em alguma Igrejinha perdida haverá sempre um sacerdote que celebra santamente a missa; em um pequeno quarto, uma velhinha solitária sempre desfiará com fé inabalável o seu rosário; num canto perdido do Cotolengo, uma irmã sempre acudirá um menino considerado por todos uma vida sem valor. Também, quando tudo parecer perdido, a Igreja, Cidade de Deus, continuará a irradiar sobre a cidade dos homens a sua luz».

Peço-lhe, Santo Padre, que irradie a luz da fé e do amor a Deus no mundo, que diga a verdade ao mundo, pois parte da criação anda revoltada contra Deus, que mostre ao mundo qual é o seu erro, e que o faça também com o risco de perder a sua popularidade atual e aparente boa fama no mundo. O mundo precisa do pleno testemunho da Igreja Católica, hoje mais que nunca. Sem meios-termos e com a plena verdade. Então, o sr. receberá muita confiança, uma maior autoridade educativa e um respeito verdadeiro.

Dra. Maike Hickson

10 de dezembro de 2014.

14 março, 2015

Papa Francisco diz que seu reinado será breve e que não se sente só.

Pontífice afirmou que tem sensação de que ficará no cargo por 4 ou 5 anos. Ele descartou a imposição de um limite de tempo para o papado.

Por G1 – O Papa Francisco confessou que tem a sensação de que seu pontificado será breve, de quatro ou cinco anos, e que não se sente sozinho e sem apoio para governar a Igreja.

Em uma longa entrevista exclusiva com a correspondente da televisão mexicana Televisa, Valentina Alazraki, por ocasião de seu segundo ano de pontificado, o santo padre falou sobre sua eleição, dos escândalos, de seus limites como pessoa, de sua visão do papado, do México, da imigração e até brincou sobre o “ego” enorme dos argentinos.

“Tenho a sensação que meu pontificado será breve. Quatro ou cinco anos. Não sei, ou dois, ou três. Pelo menos dois já passaram. É como uma sensação vaga. É como a psicologia de quem joga e acredita que vai perder para não se desiludir (…) Tenho a sensação de que o Senhor me colocou aqui para uma missão breve”, confessou.

Francisco, de 78 anos, descarta um limite de idade ao pontificado já que considera que “o papado tem algo de última instância”, e que não deve ter um término fixado.

Questionado sobre se gosta de ser Papa, Francisco respondeu com resignação: “Não me desagrada!”

(Correção: esta reportagem foi publicada com erro de tradução no trecho em que Francisco é questionado se gostava de ser Papa. Inicialmente, a resposta foi ‘não gostava’, mas o correto é ‘não desgostava’. A agência de notícias France Presse admitiu o equívoco. A informação foicorrigida às 13h46.)

Francisco também surpreendeu com uma brincadeira sobre o ego dos argentinos e confessou que não gosta muito de viajar, que é muito apegado a seus hábitos e voltou a criticar a Cúria Romana, a poderosa máquina central da Igreja, alvo há anos de intrigas e escândalos financeiros.

“Esta é a última corte que resta na Europa. As demais cortes se democratizaram, incluindo as mais clássicas’, assegurou ao reiterar que se propõe a ‘mudá-la”.

O Papa afirmou que “não se sente sozinho” e aproveitou para acabar com a polêmica com o governo do México provocadas por um e-mail privado a um amigo onde pedia que evitasse a mexicanização da Argentina à respeito da violência do narcotráfico.

“Evidentemente que é uma expressão. Não tem nada a ver com a dignidade do México. Como quando falamos da balcanização, nem sérvios, nem macedônios, nem croatas se sentem ofendidos”, explicou.

Segundo ele, o narcotráfico que mantém o México em uma espiral de violência é responsabilidade de todos e culpar apenas o governo “é a resposta mais simplista”.

Ao fazer uma reflexão sobre as sangrentas repercussões do tráfico de drogas no México o Papa se perguntou: “Quem tem a culpa?”, uma pergunta que, sugeriu, a maioria das pessoas responde apontando o governo.

“Sempre os governos têm a culpa de tudo, mas essa é a resposta mais superficial (…) todos temos de alguma maneira a culpa (…) sei que é difícil denunciar um narcotraficante, mas todos devemos disponibilizar o ombro” para carregar a responsabilidade compartilhada, disse o Papa, que na quinta-feira completou dois anos de pontificado.

Também anunciou que visitará o México em uma data que ainda será determinada.

Em referência ao caso dos 43 estudantes desaparecidos e provavelmente massacrados depois de terem sido baleados por policiais corruptos e criminosos no dia 26 de setembro em Iguala (Guerrero, sul), o Papa disse que a indiferença ante a violência derivada do narcotráfico torna todos responsáveis.

O breve episódio de tensão do Papa com o México aconteceu em fevereiro, quando um legislador de Buenos Aires amigo de Francisco divulgou um e-mail no qual o pontífice falava de “evitar a mexicanização” da Argentina, em referência à violência do narcotráfico.

O governo mexicano considerou que estes comentários podiam estigmatizar o país, mas o caso se dissipou rapidamente com uma troca de notas diplomáticas.

Francisco reafirmou na entrevista de quinta-feira que tudo está em paz entre o Vaticano e o governo do México, o segundo país com mais católicos do mundo, atrás apenas do Brasil.

“Isso não fechou as portas do México para mim, vou ao México”, declarou o primeiro Papa latino-americano da história sem dizer quando a visita será realizada.

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13 março, 2015

Dois anos com Bergoglio. Dois anos de terror.

Como está abandonada a cidade tão povoada!
Assemelha-se a uma viúva a grande entre as nações
”.
(Lam. I,1)

Por Padre Cristóvão e Padre Williams – Fratres in Unum.com

Sexta-feira treze. Dois anos da eleição de Bergoglio. Concidência triste, mas superlativamente apropriada.

A Igreja, outrora resplandecente de beleza, ornada com a coroa da sabedoria, o esplendor da doutrina, agora jaz saqueada, banalizada, desfigurada e fútil, sob a batuta de um… papa.

Difícil era prever que chegaríamos a este ponto! Mesmo com os resvalos, pessoais e eclesiais, de Paulo VI, nunca havíamos testemunhado tamanho esvaziamento da sacralidade católica, da mínima fidelidade à fé, e, não cansamo-nos de nos pasmar, até mesmo da lucidez quanto às verdades da lei natural!

francisco

Depois do Concílio Vaticano II, foi pública a trepidação na Igreja acerca da profissão do dogma, a deserção, o silenciamento, a desinformação, a apostasia, silente ou não, grotesca em muitos casos, mas em todo orbe sentida. Contudo, também é inegável a firmeza com que os papas posteriores, quase que agarrados aos últimos destroços da nau, em meio ao mar encapelado que a tragava, quase que soçobrando à torrente, anunciaram com desassombro os “princípios inegociáveis” da vida e da família, agora desdenhados por Francisco.

Recebendo transexuais,escarnecendo dos anti-abortistas ao chamá-los de obcessionados, favorecendo o sacrilégio eucarístico aos adúlteros, ele se traveste de uma falsa misericórdia, não daquela que salva o pecador, mas desta que o diz, tergiversando as palavras do Evangelho, “vai, e continues a pecar!”.

Como não ouvir aquelas severas palavras proféticas, que parecem descrever aquilo que testemunhamos em agonia, ante nossos olhos, turvos de lágrimas?:

Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas, que tornam doce o que é amargo, e amargo o que é doce! Ai daqueles que são sábios aos próprios olhos, e prudentes em seu próprio juízo! Ai daqueles que põem sua bravura em beber vinho, e sua coragem em misturar licores; daqueles que, por uma dádiva, absolvem o culpado, e negam justiça àquele que tem o direito a seu lado! Por isso, assim como a palhoça é devorada por uma língua de fogo, e como a palha é consumida pela chama, assim a raiz deles sucumbirá na podridão e sua flor voará como a poeira, porque repudiaram a lei do Senhor dos exércitos, e desprezaram a palavra do Santo de Israel” (Is. V,20-24).

Enquanto muçulmanos assassinam brutalmente cristãos, para Papa Bergoglio, “os maiores males que afligem o mundo nestes dias são o desemprego dos jovens e a solidão dos idosos” (Entrevista a Scalfari). Há algo de muito errado em tudo isso… Uma escandalosa inversão de valores.

O que dizer de um Papa que faz continuamente uma citação que atribui aos Padres da Igreja, mas que nunca foi documentada por ninguém?… Trata-se da famosa frase dita em seu discurso aos Cardeais na Sala Clementina: “Lembro-me de um Padre da Igreja que O definia assim: ‘Ipse harmonia est’”.

O que dizer de suas homilias diárias, nas quais dispara críticas a todo mundo, fala o tempo todo de fofocas, mexericos, futilidades, colocando-se como que por cima de todos? Alguém já viu um papa que vive jogando os fieis contra os seus pastores, dividindo a Igreja?

O que dizer de um papa que despe o papado enquanto se beneficia, às custas disso, dos hosanas de toda a opinião pública, e até de uma revista semanal, na linha “Contigo”, insuflando purpurina para a sua tietagem?

O que dizer de um papa que publica uma versão personalizada dos “dez mandamentos” para uma vida feliz na qual a palavra “Deus” ou ao menos uma menção indireta a Ele não aprece sequer uma única vez?

O que dizer de uma papa para o qual a salvação da alma de uma criança vale menos que um pedaço de pão? Ou não é isso que disse em sua primeira entrevista depois da eleição, nada mais, nada menos, que para a Rede Globo?: “Se há uma criança que tem fome, que não tem educação, o que deve nos mobilizar é que ela deixe de ter fome e tenha educação. Se essa educação virá dos católicos, dos protestantes, dos ortodoxos ou dos judeus, não importa. O que me importa é que a eduquem e saciem a sua fome”. Esta afirmação não parece com a de alguém que disse a Cristo, “se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães” (Mt. IV,3)?

O que dizer de um papa que lava os pés de uma muçulmana e ainda diz, em homilia na ilha de Lampedusa, justamente o porto onde milhares de maometanos chegam, infiltrando-se na Itália com a ameaça explícita de matarem cristãos?: “um pensamento dirijo aos queridos imigrantes muçulmanos que, hoje, à noite, estão iniciando o jejum do Ramadã, com o desejo de abundantes frutos espirituais. A Igreja vos é próxima na busca de uma vida mais digna para vós e as vossas famílias. A vós: o’scià!

O que dizer de um papa que se confraterniza com mega-esquerdistas (defendendo amplamente a agenda esquerdista, e agora até o financiamento público de campanhas eletivas!) e ironiza sobre si mesmo auto-definindo-se comunista? “Terra, teto e trabalho. É estranho, mas se eu falo disso, o Papa é um comunista. Não se compreende que o amor pelos pobres é o centro do Evangelho”.

Sobre o próximo Sínodo, muitos se agitam com uma eventual apostasia formal da maior parte dos bispos e inclusive do papa, outros minimizam o problema e, quase que cruzando os dedos e fazendo um pensamento positivo, garantem que não acontecerá nada…

Mas poucos percebem que o fato mesmo de se discutir a hipótese de dar a comunhão aos adúlteros é já, em si mesma, um escândalo de dimensões devastadoras. Para parte significativa do episcopado, a doutrina católica se tornou matéria variável.

Nunca um papa foi tão blindado como Jorge Mario Bergoglio. Os novos papistas fazem-lhe histéricas declarações de amor, fingindo ao mesmo tempo veemente escândalo ante qualquer um que lhes manifeste uma mínima perplexidade! Os mesmos que crucificavam João Paulo II e Bento XVI, agora incensam Francisco com turíbulos de ouro.

Fala-se da ordenação dos padres casados e, consequentemente, da readmissão daqueles que abandonaram o ministério por amor a um “rabo-de-saia”. Imaginem. Aqueles mesmos que passaram décadas curtindo ódio pela Igreja, ensinando heresia, chafurdando-se no mais descarado anti-catolicismo, intoxicando-se do pecado e da rebelião, agora, retornando literalmente pela porta da frente, celebrando a Santa Missa, ouvindo confissões e, sobretudo, pregando sermões!

Seriam estes o novos clérigos de Bergoglio, aqueles que fariam sua nova Igreja prosperar, visto que os atuais padres, formados nos trinta e cinco anos anteriores pelos seus predecessores se manifestam pouco afeitos às suas inovações?…

Alguns aludem à hipótese do Papa herege, sustentada por São Roberto Belarmino, como possibilidade de desfecho para o caso Bergoglio. Para o Santo Doutor da Igreja, caso o Papa caísse em heresia, se deporia ipso facto do Pontificado e deixaria de ser cristão…

Entretanto, a antiga tese de São Roberto Belarmino não pode ser aplicada diretamente ao caso atual. Não sejamos ingênuos: Bergoglio não cairá em heresia formal, pois assim explanou São Pio X, na Pascendi, modus operandi modernista:

“Nos seus escritos e discursos parecem, não raro, sustentar ora uma ora outra doutrina, de modo a facilmente parecerem vagos e incertos. Fazem-no, porém, de caso pensado. É por isto que nos seus livros muitas coisas se encontram das aceitas pelo católicos; mas, ao virar a página, outras se vêem que pareceriam ditadas por um racionalista”.

Por isso, não precisamos esperar mais explícitas desgraças para a Igreja. Elas já estão em curso, devendo, porém, tornar-se mais profundamente instaladas na estrutura eclesiástica pela infiltração de clérigos com esta mesma mentalidade e pelo afastamento dos católicos, e também alastrar-se com mais amplidão pela Igreja.

Não sejamos otimistas. A única coisa que nos pode livrar deste cenário terrificante é uma intervenção extraordinária de Deus, que precisamos merecer pela nossa oração, pelos nossos sacrifícios e, sobretudo, pela nossa resistência.

Sobre Jerusalém, imagem da Igreja, continua o profeta: “Ela chora pela noite adentro, lágrimas lhe inundam as faces, ninguém mais a consola de quantos a amavam. Seus amigos todos a traíram, e se tornaram seus inimigos” (Lam. I,2).

Não abandonemos nossa Santa Madre Igreja, não nos tornemos seus inimigos pela infidelidade, pelo abandono da fé. Consolemo-la. Estamos em meio a uma convulsão, ao terror. É sexta-feira treze. “Agora é a hora e o poder das trevas” (Luc. XXII,53).

* * *

Com este post, inauguramos a página “O Pontificado de Francisco“, que trará um sumário, sempre atualizado, das publicações mais importantes da era Jorge Mario Bergoglio.

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9 março, 2015

Breve documentário da EWTN sobre a peregrinação das Irmãs Dominicanas de Fanjeaux a Roma. Mons. Arrieta: “Eles têm o coração em Roma”.

Neste mês de fevereiro, um grupo de duzentas meninas acompanhadas de freiras e alguns padres fizeram uma peregrinação singular à Basílica de São Pedro, em Roma.

As freiras são as Dominicanas de Fanjeaux, dedicadas à educação de meninas. Elas celebraram uma ocasião muito especial com crianças de suas escolas dos EUA, França e Alemanha. Trata-se do 40º aniversário da congregação.

Trata-se é um momento único na história da comunidade. As irmãs são uma congregação amiga da Fraternidade de São Pio X.

Palavras da Irmã Julia Maria: “Roma é a expressão externa da Igreja espiritual, que se materializa aqui, por assim dizer, que se torna tangível ao redor do Papa e das relíquias de São Pedro.”

Assim comentou Monsenhor Juan Ignacio Arrieta, secretário do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos: “Imediatamente após o Concílio, as relações com Roma começaram a esfriar e houve um mal entendido de ambas as partes, o que congelou a situação. Podemos dizer que o problema com a Fraternidade é somente um problema de confiança, porque eles são pessoas que rezam, que creem nas mesmas coisas que cremos. A Fraternidade tem vivido um processo de estagnação, de separação das estruturas romanas, mas eles têm o coração em Roma. Posso lhes assegurar isso, porque os conheço bem.”

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7 março, 2015

Filial Súplica – Assine!

23 fevereiro, 2015

Cardeal Kasper diz que Lutero faz parte da «grande tradição» da Igreja na qual se inclui o Papa Francisco.

O L’Osservatore Romano publicou vários extratos do novo livro do cardeal Kasper dedicado ao papa Francisco. O Papa, segundo o purpurado alemão, é um radical no sentido de colocar ênfase nas raízes da mensagem do Evangelho e na alegria que o acompanha. O Santo Padre, assegura, «não defende uma postura liberal, mas radical» e não é «tradicionalista nem progressista». Kasper situa o atual pontífice numa lista de santos e doutores da Igreja entre os quais inclui ao heresiarca alemão Martinho Lutero.

Por CatholicCulture/InfoCatólica – Tradução: Marcos Fleurer – Fratres in Unum.comCitando Nietzsche, Sartre, Heidegger e outros escritores dos séculos XIX e XX, o cardeal Kasper assegura que o homem moderno necessita de alegria. A mensagem do Evangelho traz renovação e alegria, é a fonte da qual brota «toda doutrina cristã e a disciplina moral».

LuteroAssim como o Evangelho é a fonte da doutrina, a caridade é a fonte da vida moral, indicou o purpurado. A ênfase do Papa sobre as raízes do Evangelho e da caridade, contudo, não «elimina a assim chamada verdade secundária ou incômoda,» nem muitas verdades «descartadas como menos obrigatórias».

O cardeal Kasper acrescenta que a ênfase do Papa na centralidade da proclamação da mensagem do Evangelho e da vida da caridade, situam-no dentro de uma «grande tradição» que inclui, de diversas maneiras, SantoAgostinho, São Francisco, São Domingo, Santo Tomás de Aquino, Martinho Lutero e o Concílio Vaticano II.

Opinião de Lutero sobre o Concílio de Trento

Martinho Lutero disse o seguinte sobre o Concílio de Trento, que ratificou a doutrina católica que os protestantes negavam:

“Haveria que fazer prisioneiro ao Papa, aos cardeais e a todos estes canalhas que o idolatram e o santificam; prendê-los por blasfêmias e logo arrancar-lhes a língua e colocá-los todos na fila da forca… Então se poderia permitir que celebrassem o concílio os que quisessem desde a forca, ou no inferno com os diabos”.

Tomado de “Lutero e a unidade das Igrejas (Card. Joseph Ratzinger)”