Posts tagged ‘O Papa’

3 fevereiro, 2016

Dia da Família – Bastidores desconcertantes.

É possível que o Vaticano tenha chegado a esse ponto? 

Por Antonio Socci | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: Como muitos já perceberam, eu não posso ser contado entre os fãs do Papa Bergoglio, no entanto, por uma esperança incurável, nunca desisto de esperar que qualquer surpresa agradável desminta minha opinião negativa. Até agora continuo pontualmente decepcionado.

12642742_1188265427852137_9116043699412535548_nSábado de manhã, argumentando com os amigos, eu dizia, se não por causa da paternidade, se não por causa dos ideais em comum, ou quem sabe pela esperteza política (que em Bergoglio nunca falha), eu esperava que o papa pelo menos desse um sinal.

No fundo, para esse povo composto por pessoas boas e corajosas bastaria apenas uma pequena mensagem e eles o teriam hosanado e enchido de aplausos filiais.

E de pensar que Bergoglio chegou a discursar para o Centro Social Leoncavallo e abençoou aqueles ativistas políticos, instando-os a continuar a luta! Pensei, então, que ele poderia dirigir pelo menos um cumprimento ou uma bênção para o povo do Dia da Família, que basicamente seria o seu povo católico.

Digo,  não falar diretamente, em pessoa, como fez com os centros sociais, mas pelo menos duas linhas de saudação por escrito. Se por nenhuma outra razão, pelo menos para não deixar transparecer com tanta evidência uma eventual hostilidade, o que seria objetivamente constrangedor e vergonhoso.

Nada a fazer. No dia 30 de janeiro, o Osservatore Romano saiu sem ter na primeira página sequer uma linha mencionando o dia da família.

Pela parte da manhã, Bergoglio fez a audiência do jubileu, sem o menor aceno àquele imenso povo cristão que estava se reunindo no Circo Massimo.

Nem um bilhete com saudações escritas e, durante o evento, nem sequer um daqueles seus telefonemas que normalmente faz ao amigo Scalfari e até mesmo Pannella.

Nos perguntamos entre amigos: é possível que um papa tenha essa hostilidade toda pelas famílias católicas, que com tantos sacrifícios testemunham a verdade, a ponto de nem sequer conseguir disfarçar?

Talvez ele esteja ressentido pelo fato de que a Igreja italiana – que ele vem tratando durante os três últimos anos com desdém – manifeste esta grande vivacidade popular que seguramente não têm as igrejas que aplicam as suas teorias. Será que ele está com raiva porque um tal Dia da Família pulveriza todo aquele seu discurso de censura à Igreja italiana, realizado em Florença?

Mas, será possível que ele não consiga sequer dissimular o rancor pelos filhos fiéis que frequentemente dão provas de verdadeiro heroísmo na vida cotidiana e não esperam mais nada dele, do que a paternidade?

Será possível que sinta um mal estar pessoal por um evento que João Paulo II e Bento XVI teriam coberto de louvores e bênçãos? Como podemos explicar tal comportamento? Por que ele é tão frio e hostil?

Confesso que – embora tenha manifestado antes muitas críticas à obra de Bergoglio – jamais cheguei ao ponto de temer que ele poderia ter essa hostilidade toda por nós católicos, sempre fiéis ao Magistério da Igreja.

Digo isso com a dor e inquietação. Mas este sentimento preciso me sobreveio quando chegou ao meu conhecimento um fato que até agora muitos desconheciam e que, infelizmente, nos permite compreender muitas coisas.

Como vocês sabem, na Basílica de São Pedro, toda manhã, são celebradas diversas missas que muitos grupos reservam com antecedência. Assim, nos dias que precederam o evento, um grupo de pessoas que estava vindo para o Dia da Família tinha reservado uma Missa às 7h no sábado de manhã. Tudo bem, tudo normal, como sempre.

Mas, no último instante, veio uma comunicação desconcertante: todas as missas estavam canceladas.

O pedido insistente de esclarecimento ao final foi respondido – segundo o que me referiram –: o motivo era que àqueles que iriam participar no “Dia da Família” não foi considerado oportuno permitir celebrar a missa…

Chegamos então a esse ponto. Acho que qualquer comentário é desnecessário. Este seria o Vaticano de hoje? Onde está a paternidade? Que tipo de pai Católico é esse que para punir os filhos (réus de viver sua fé com coragem e generosidade) chega a privá-los da Santa Missa?

Como é possível chegar ao ponto de consumar vinganças tão tolas e mesquinhas? Então seria esta a era da “misericórdia”?

Há algo urgente a fazer: orar por aqueles que hoje deveriam fazer as vezes de pastores do rebanho, por aqueles que deveriam ser “pastores”… Rezar hoje mais do que nunca. Realmente, rezar com todo o coração por nossa pobre Igreja.

Antonio Socci

31 janeiro, 2016

Foto da semana.

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Roma, 30 de janeiro de 2016: Mais de 2 milhões de pessoas marcham a favor da família na edição deste ano do Family Day.

O evento ocorre diante da ambivalência do bispo de Roma perante uma Itália prestes a aprovar o “casamento gay”: embora tenha sustentando, na última semana, perante a Rota Romana não poder “haver confusão entre a família desejada por Deus e qualquer outros tipos de união”, soou como uma verdadeira reprovação, nos meios eclesiásticos italiano, o cancelamento da audiência que Francisco concederia ao maior “patrocinador” da postura de manifestação pública da Igreja italiana nesse debate, o Cardeal Bagnasco.

Há precedentes: quando a Argentina passava pela mesma provação, ao mesmo tempo em que, privadamente, escrevia uma carta, para o seu próprio perfil, excepcionalmente clara a respeito, publicamente mandava que os católicos que planejavam fazer uma vigília de oração contra o casamento gay fossem para casa.

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30 janeiro, 2016

Reflexões sobre temas da Sagrada Escritura: Restaurar em Cristo todas as coisas.

“É n’Ele (Jesus Cristo) que temos a redenção pelo seu sangue, a
remissão dos pecados, segundo as riquezas de sua graça, a qual
derramou abundantemente sobre nós, em toda sabedoria e prudência; a
fim de nos tornar conhecido o mistério da sua vontade, segundo o seu
beneplácito, que tinha estabelecido consigo mesmo, de restaurar em
Cristo todas as coisas…” (Efésios I, 7-10).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

“… A volta das nações ao respeito da majestade e da soberania divina, por mais esforços, aliás, que façamos para realizá-lo, não advirá senão por Jesus Cristo. De feito, o Apóstolo adverte-nos que ninguém pode lançar outro fundamento senão aquele que foi lançado e que é a Cristo Jesus  (1 Cor III, 11). Só a ele foi que o Pai santificou e enviou a este mundo (S. João X, 36), esplendor do Pai e figura da sua substância (Heb. I, 3), verdadeiro Deus e verdadeiro homem, sem o qual ninguém pode conhecer a Deus como convém, pois ninguém pode conhecer a Deus como convém, pois ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo (S. Mateus XI,  27).

São Pio X.

São Pio X.

“Donde se segue que restaurar tudo em Cristo e reconduzir os homens à obediência divina são uma só e mesma coisa. E é por isto que o fito para o qual devem convergir todos os nossos esforços é reconduzir o gênero humano ao império de Cristo. Feito isto, o homem achar-se-á, por isso mesmo, reconduzido a Deus. Mas – queremos dizer – não um Deus inerte e descuidoso das coisas humanas, como nos seus loucos devaneios o forjaram os materialistas, senão um Deus vivo e verdadeiro, em três pessoas na unidade de natureza, autor do mundo, estendendo a todas as coisas a sua infinita Providência, enfim legislador justíssimo que pune os culpados e assegura às virtudes a sua recompensa”

“Ora, onde está a via que nos dá acesso a Jesus Cristo? Está debaixo dos nossos olhos: é a Igreja. Diz-no-lo com razão S. João Crisóstomo: ‘A Igreja é a tua esperança, a Igreja é a tua salvação, a Igreja é o teu refúgio’. Foi para isso que Cristo a estabeleceu, depois de adquiri-la ao preço do seu sangue; foi para isso que Ele lhe confiou a sua doutrina e os tesouros da graça divina para a santificação e salvação dos homens”.

… “Trata-se de reconduzir as sociedades humanas, desgarradas longe da sabedoria de Cristo, reconduzi-las à obediência da Igreja; a Igreja, por seu turno, submetê-las-á a Cristo, e Cristo a Deus. E, se pela graça divina nos for dado realizar esta obra, termos a alegria de ver a iniquidade ceder lugar à justiça, e folgaremos de ouvir uma grande voz dizendo do alto dos céus: Agora é a salvação, e a virtude, e o reino de nosso Deus e o poder de seu Cristo (Apocalipse XII, 10).”

“Todavia, para que o resultado corresponda aos nossos votos, mister se faz, por todos os meios e à custa de todos os esforços, desarraigar inteiramente essa detestável e monstruosa iniquidade própria do tempo em que vivemos e pela qual o homem se substitui a Deus; restabelecer na sua antiga dignidade as leis santíssimas e os conselhos do Evangelho; proclamar bem alto as verdades ensinadas pela Igreja sobre a santidade do matrimônio, sobre a educação da infância, sobre a posse e o uso dos bens temporais, sobre os deveres dos que administram a coisa pública; restabelecer, enfim, o justo equilíbrio entre as diversas classes da sociedade segundo as leis e as instituições cristãs.”

“Tais são os princípios que, para obedecer à divina vontade, nós nos propomos aplicar durante todo o curso do Nosso Pontificado e com toda a energia de nossa alma” (…)

São Pio X indica, a seguir, os meios para formar em todos Jesus Cristo e assim n’Ele restaurar todas as coisas:

– Formar Cristo nos sacerdotes;

– Daí todo cuidado com os Seminaristas;

– Cuidado com os novos Sacerdotes;

– Necessidade do ensino religioso;

– Fazer tudo isto com caridade cristã;

É preciso que todos os fiéis colaborem.

Formar Cristo nos Sacerdotes:

“Que meios importa empregar para atingir um fim tão elevado? Parece supérfluo indicá-los, tanto eles apresentam à mente por si mesmos. Sejam os vossos [dos bispos] primeiros cuidados formar Cristo naqueles que, pelo dever da sua vocação, são destinados a formá-lo nos outros. Queremos falar dos sacerdotes, Veneráveis Irmãos. Porquanto todos aqueles que são honrados com o sacerdócio devem saber que têm, entre os povos com que convivem, a mesma missão que Paulo testava haver recebido, quando pronunciava esta ternas palavras: ‘Filhinhos, a quem eu gero de novo, até que Cristo se forme em vós’ (Gálatas IV, 19).

Ora, como poderão eles cumprir um tal dever, se eles próprios não forem primeiramente revestidos de Cristo? E revestidos até poderem dizer com o Apóstolo: ‘Vivo, já não eu, mas Cristo vive em mim’ (Gal. II, 20). ‘Para mim, Cristo é a minha vida’ (Filipenses I, 21). Por isso, embora todos os fiéis devam aspirar ao estado de homem perfeito, à medida da idade da plenitude de Cristo (Efésios IV, 3), essa obrigação incumbe principalmente àquele que exerce o ministério sacerdotal. Por isto é ele chamado outro Cristo; não somente porque participa do poder de Jesus Cristo, mas porque deve imitar-Lhe a imagem em si mesmo”.

“Se assim é, Veneráveis Irmãos, quão grande não deve ser a vossa solicitude para formar o clero na santidade! Não há negócio que não deva ceder o passo a este. E a consequência é que o melhor e o principal do vosso zelo deve aplicar-se aos vossos Seminários, para introduzir neles uma tal ordem e lhes assegurar um tal governo, que neles se veja florescerem lado a lado a integridade do ensino e a santidade dos costumes. Fazei do Seminário as delícias do vosso coração, e não descureis coisa alguma daquilo que, na sua alta sabedoria, o Concílio de Trento, prescreveu para garantir a prosperidade dessa instituição”.

Em seguida São Pio X lembra aos bispos algumas advertências das Sagradas Escrituras:

‘Não imponhas precipitadamente as mãos a ninguém, e não te faças participante dos pecados dos outros’ (1 Timóteo, V, 22).  ‘Guarda o depósito, evitando as novidades profanas na linguagem, tanto quanto as objeções de uma ciência falsa, cujos partidários com todas as suas promessas faliram na fé’ (1 Timóteo VI, 20 ss). São Pio X conclui sua encíclica lembrando a misericórdia divina: “Que Deus, rico em misericórdia (Ef. II, 4), apresse, na sua bondade, essa renovação do gênero humano em Jesus Cristo, visto não ser isso obra nem daquele que quer, nem daquele que corre, mas do Deus das misericórdias’ (Romanos IX, 16). (Este artigo são excertos da Encíclica “E Supremi  Apostolatus” – 1903).

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29 janeiro, 2016

Exortação apostólica do Papa sobre a Família vai ser publicada até março.

Informação foi avançada no Algarve por D. Vicenzo Paglia, responsável por este setor na Santa Sé

Faro, 27 jan 2016 (Ecclesia) – A exortação apostólica do Papa Francisco sobre o Sínodo dos Bispos dedicado à Família vai ser publicada até ao próximo mês de março.

A informação foi avançada à Agência ECCLESIA pelo presidente do Conselho Pontifício para a Família, D. Vicenzo Paglia, durante as jornadas de atualização do clero da Província Eclesiástica do Sul, que estão a decorrer até esta quinta-feira em Albufeira, no Algarve.

O arcebispo italiano mostrou-se convencido de que o documento do Papa mostrará uma Igreja Católica “em saída” e próxima das famílias em todos os momentos da vida.

“Estou convencido que a exortação será um hino ao amor, a um amor que quer zelar pelo bem das crianças, que sabe estar perto das famílias feridas para lhes levar força, que quer estar junto dos mais idosos, a um amor que toda a humanidade precisa”, salientou.

Subordinadas ao tema “Família: Centralidade, Renovação e Continuidade”, as jornadas de atualização do clero da Província Eclesiástica do Sul têm este ano como pano de fundo o último Sínodo dos Bispos dedicado à Família.

A iniciativa conta com cerca de uma centena de sacerdotes inscritos, e respetivos bispos, vindos das dioceses do Algarve, Beja, Évora e, pela primeira vez, da diocese de Setúbal.

Na sua reflexão, D. Vicenzo Paglia destacou a importância das comunidades católicas serem mais interventivas junto dos problemas e dos desafios das famílias, sobretudo daquelas que estão a começar a sua caminhada, os jovens casais.

“Hoje infelizmente, vemos uma grande brecha entre a família e a paróquia: as famílias são muito pouco eclesiais, já que se voltam facilmente, para si mesmas, e as paróquias são pouco familiares, porque se encontram abafadas pelo peso da burocracia, ou envelhecidas pelo funcionalismo. Há pouco calor, pouco acolhimento, pouco acompanhamento”, sublinhou.

Sobre a atuação da Igreja perante casos como o das pessoas divorciadas, recasadas ou que vivem em união de facto, questão que mereceu largo destaque mediático durante o Sínodo, o responsável do Vaticano frisou que todas estas pessoas podem e devem ser integradas na vida da comunidade.

“O desafio dos cristãos é estar ao lado deles, não rotulando, não criticando (…) a Igreja tem de falar para mudar. Teria sido dramático se Jesus não tivesse falado com a samaritana. Esta é a atitude do Papa Francisco, estar ao lado, não condenar, procurar o lado positivo da questão e fazê-lo crescer”, referiu.

D. Vicenzo Paglia lembrou ainda as muitas famílias que vivem hoje momentos “dramáticos” por causa da guerra, da pobreza, do desemprego ou da instabilidade social, especialmente as que foram obrigadas a viver na condição de refugiadas.

“Muitos governos não têm uma política familiar e isso é gravíssimo”, acusou o arcebispo italiano, recordando que “a solidez de uma sociedade está na família”.

29 janeiro, 2016

Papa critica manipulação e destruição de embriões humanos.

Francisco deixa alertas em audiência à Comissão Nacional para a Bioética da Itália

Cidade do Vaticano, 28 jan 2016 (Ecclesia) – O Papa lançou hoje um alerta contra a manipulação ou destruição de embriões humanos na investigação científica e pediu que a vida humana seja respeitada em todas as suas fases.

“Temos o desafio de contrariar a cultura do descarte que tem muitas expressões, entre elas a de tratar embriões humanos como material descartável, bem como as pessoas doentes e idosas que se aproximam da morte”, denunciou, numa audiência à Comissão Nacional para a Bioética da Itália que decorreu no Vaticano.

Francisco pediu um esforço cada vez maior a nível internacional para harmonizar as “regras das atividades biológicas e médicas”, de forma a promover o reconhecimento de “valores e direitos fundamentais”.

Admitindo que existem “complexas questões humanas e éticas” neste campo, o Papa saiu em defesa dos mais fracos, em particular dos que “ainda não pode fazer ouvir a sua voz”.

O discurso realçou a importância de respeitar “a integridade do ser humano” desde a sua conceção até à morte natural, considerando a pessoa “na sua singularidade, sempre como um fim e nunca simplesmente como um meio”.

“Este princípio ético é fundamental também no que diz respeito às aplicações biotecnológicas no campo da medicina, as quais nunca devem ser utilizadas de forma lesiva para a dignidade humana”, advertiu o Papa.

Francisco condenou, por isso, as investigações que são “orientadas unicamente por fins industriais e comerciais”, sem qualquer outra referência do que “a utilidade e o lucro”.

A intervenção concluiu-se com uma referência à degradação do meio ambiente e à necessidade de promover uma reflexão bioética também neste campo, “para a proteção das gerações futuras”.

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26 janeiro, 2016

Não confundir a família com outras formas de união – Papa.

Rádio Vaticano – No discurso aos membro do Tribunal da Rota Romana, o Papa Francisco recomendou que não se confunda a família com outras formas de união…

O Papa relançou esta prerrogativa histórica ligando-a ao magistério mais recente focalizado pela Igreja sobre o tema da família e sublinhando uma certeza que não mudou:

No percurso sinodal sobre o tema da família, que o Senhor nos concedeu realizar nos dois anos transactos, pudemos fazer, em espírito e estilo de efectiva colegialidade, um discernimento sapiencial, graças ao qual a Igreja mostrou ao mundo que não pode haver confusão entre a família desejada por Deus e qualquer outros tipos de união”.

Depois retomando palavras do Papa Pio XII que considerava o Tribunal da Rota Romana, o Tribunal da Família, o Papa Francisco acrescentou que deve ser também o “Tribunal da Verdade do Vínculo Sagrado”. À Igreja toca mostrar tanto o “amor misericordioso de Deus em relação às famílias, de modo particular as feridas pelo pecado e pela provações da vida”, como também proclamar  – disse – a “a irrenunciável verdade do matrimónio segundo o desígnio de Deus”, segundo “o sonho de Deus”, aquele sonho que atribui ao matrimónio a missão de transmitir a vida e o amor recíproco e legítimo entre homem e a mulher, chamados “a completar-se reciprocamente numa doação mútua não só física, mas sobretudo espiritual”.

Por isso, concluiu, a Igreja com renovado sentido de responsabilidade continue a ajudar a compreender isso e a propor o matrimónio nos seus elementos essenciais: prole, bem dos cônjuges, unidade, indissolubilidade, sacramentalidade”.

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26 janeiro, 2016

Ecumenismo: Papa Francisco participará de celebração de 500 anos da Reforma na Suécia.

Papa Francisco visita a Suécia no mês de outubro

Rádio Vaticano – Está confirmado: o Papa Francisco visitará a Suécia no próximo mês de outubro. A informação foi confirmada nesta segunda-feira dia 25 de janeiro pelo Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, o padre Federico Lombardi.

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Francisco e uma “bispa”: Sugestiva foto escolhida pela Rádio Vaticano para ilustrar a matéria.

No centro desta visita, agendada para a cidade de Lund no dia 31 de outubro, estará uma celebração conjunta entre a Igreja Católica e a Federação Luterana Mundial no âmbito dos 500 anos da Reforma.

A Federação Luterana explica numa nota que o Papa Francisco, o Bispo Munib A. Younan e o Reverendo Martin Junge, Presidente e Secretário Geral da Federação, respetivamente, vão presidir juntos à celebração ecuménica. Uma celebração que dará destaque aos “progressos ecuménicos entre católicos e luteranos”.

Recordemos que foi recentemente publicado um guia litúrgico católico-luterano com o nome “Oração em Comum”.

O Papa Francisco seguirá o exemplo de S. João Paulo II que no Verão de 1989 visitou a Suécia e também a Noruega, a Islândia, a Finlândia e a Dinamarca.

* * *

Benção conjunta – Papa, ortodoxo e anglicano

Ontem, 25 de janeiro de 2016, por ocasião da Festa da Conversão de São Paulo, o Santo Padre celebrou vésperas na Basílica de S. Paulo fora de Muros juntamente com representantes ortodoxos, anglicanos e de outras confissões cristãs que passaram a Porta Santa Jubilar com o Papa Francisco. Ao fim, o bispo de Roma convidou os representantes ortodoxo e anglicano para dar junto com ele a benção (ver aos 2:45 do vídeo):

Convém recordar que, após diligente estudo e reflexão, o Papa Leão XIII, em sua Encíclica Apostolicae Curae, declarou, infalivelmente, serem inválidas as ordenações anglicanas:

“Por isto, e aderindo estritamente, neste caso, aos decretos dos pontífices, nossos predecessores, e confirmando-os mais completamente, e, como o foi, renovando-os por nossa autoridade, de nossa própria iniciativa e de conhecimento próprio, pronunciamos e declaramos que as ordenações conduzidas de acordo com o rito Anglicano foram, e são, absolutamente nulas e totalmente inválidas.” (Papa Leão XIII, encíclica Apostolicae Cureae, 36)

25 janeiro, 2016

Afinal, somos todos filhos de Deus?

Por João Pedro Oliveira | FratresInUnum.com – À parte o escândalo que é ter um vídeo, publicado pelas próprias fontes oficiais vaticanas e protagonizado por ninguém menos que o Papa, insinuando uma certa igualdade entre Cristo e algumas religiões pagãs, é preciso fazer uma consideração especial a respeito de uma afirmação do Santo Padre, cujo teor não parece ter sido devidamente apreciado pelos sítios católicos que visito.

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Trata-se da afirmação de que “somos todos filhos de Deus”.

Com esta postagem, não pretendo “adivinhar” as intenções do Sumo Pontífice, embora seja muito sensato que os fiéis católicos, como filhos da Igreja, procurem dar um sentido católico àquilo que ele fala, pois um Papa não tem sentido fora da Igreja e da comunhão com os seus predecessores.

Sem mais delongas, consideremos, com Santo Tomás de Aquino, que a filiação divina pode ser tomada em vários sentidos (cf. Suma Teológica, I, q. 33, a. 3).

Propriamente falando, filho de Deus é um só: Jesus Cristo. É o que confessamos no Credo, quando dizemos crer em “Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor”; é o que dizem em várias passagens os Evangelhos; é o que o Símbolo Niceno-Constantinopolitano exprime por meio da expressão “consubstancial ao Pai”. Jesus Cristo tem a mesma natureza divina do Pai, e isto o torna filho de Deus de uma forma que nenhuma criatura o é. Por isso, no Evangelho de S. João, quando anuncia aos Seus discípulos que deve partir, Cristo diz: “Subo para o meu Pai e vosso Pai”, como se dissesse: A minha filiação não é a mesma que a vossa.

A grande novidade da religião cristã – e que não está nem no budismo, nem no islamismo, nem no judaísmo – é que, através da fé, Deus vem dar ao homem o poder de se tornar filho de Deus, participando na própria natureza d’Ele.

Esse modo especial de filiação acontece pela graça e começa com o Batismo, mas só se consuma e se torna definitiva na glória do Céu e, por isso, é possível dizer que os Santos, depois de Jesus, são os que com maior razão podem ser chamados de filhos de Deus, seguidos por nós, que pertencemos à Igreja e procuramos perseverar na graça.

A lista não para por aí, pois todos os seres humanos, enquanto formados à imagem, uma vez que a semelhança se perdeu com o pecado original, também podem ser chamados de Seus filhos. Mais abaixo, vêm todas as demais criaturas, enquanto plasmadas pelas mãos do Criador, e que também podem ser consideradas Suas filhas.

O abismo que existe entre esta filiação e aquela, no entanto, é o mesmo que separa a Terra do Céu, a Criação da Redenção, o natural do sobrenatural, a razão humana da Revelação Divina. É verdade que, enquanto criaturas humanas, “somos todos filhos de Deus”, mas essa está longe de ser “a única verdade” que conhecemos: pelo Filho de Deus Encarnado, somos chamados a uma elevação, a um upgrade fora do comum, a uma felicidade para muito além de nossa natureza.

Então somos todos filhos de Deus? Somos. Santo Tomás poderia concordar tranquilamente com essa afirmação.

O que ele, bem como a multidão de santos e doutores da Igreja, certamente não aceitariam, é esse silêncio e esse reducionismo em relação à verdadeira mensagem do Evangelho, apresentada ambígua e parcialmente, que temos visto acontecer de forma muito clara dentro da Igreja, ao longo dos últimos anos.

Considerando que foi para elevar os homens à vida de Deus, à filiação divina pela graça, que o Verbo veio ao mundo e que a Igreja foi fundada, falar simplesmente que “somos todos filhos de Deus” – ou mesmo que “só há uma certeza” que compartilhamos com os membros de outras religiões –, sem maiores distinções ou nuances, é trair aos Apóstolos, é jogar no lixo as missões, é menosprezar os esforços de um São Francisco Xavier ou de um São José de Anchieta na catequização e santificação dos pagãos.

Se é apenas para dizer aos homens que eles já são criaturas do Deus que servimos, calando sobre a necessidade da Fé e do Batismo para a vida eterna, transformamo-nos em uma religião natural, como qualquer outra. Se é só para pedir o fim do aquecimento global ou o cuidado do mundo criado que gastamos a nossa saliva e a nossa ira, transformamo-nos em uma ONG há muito tempo, e ainda não percebemos.

A Igreja foi fundada para falar de Deus e levar os homens à comunhão com Ele. Se for preciso, que voltemos no tempo ou revisemos as nossas “estratégias pastorais” para devolvermos as coisas ao seu verdadeiro lugar, que seja. Mas que a Igreja seja o que é, o que Deus quis que ela fosse, não o que o mundo quer que ela seja. Isso não pode ser pedir demais.

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21 janeiro, 2016

A sinodalidade na primeira pessoa do singular.

Eis como, fraternal e sinodalmente, Francisco determina, sucintamente em 3 parágrafos:

Da qualche tempo sto riflettendo = Há algum tempo estou refletindo,

Sono giunto alla deliberazione = cheguei à conclusão,

Dispongo pertanto = Determino, portanto

Grato per il prezioso servizio di codesto Dicastero, assicuro a Lei, Signor Cardinale… = Obrigado, obedeça, faça cumprir e tchau.

A carta decreto:

LETTERA DEL SANTO PADRE FRANCESCO
AL PREFETTO DELLA CONGREGAZIONE PER IL CULTO DIVINO
E LA DISCIPLINA DEI SACRAMENTI
SUL RITO DELLA “LAVANDA DEI PIEDI” NELLA LITURGIA DELLA MESSA IN COENA DOMINI

 

Al Venerato Fratello
Signor Cardinale Robert Sarah
Prefetto della Congregazione
per il Culto Divino e la Disciplina dei Sacramenti

Signor Cardinale,

come ho avuto modo di dirLe a voce, da qualche tempo sto riflettendo sul Rito della “lavanda dei piedi”, contenuto nella Liturgia della Messa in Coena Domini, nell’intento di migliorarne le modalità di attuazione, affinché esprimano pienamente il significato del gesto compiuto da Gesù nel Cenacolo, il suo donarsi “fino alla fine” per la salvezza del mondo, la sua carità senza confini.

Dopo attenta ponderazione, sono giunto alla deliberazione di apportare un cambiamento nelle rubriche del Messale Romano. Dispongo pertanto che venga modificata la rubrica secondo la quale le persone prescelte per ricevere la Lavanda dei piedi debbano essere uomini o ragazzi, in modo tale che da ora in poi i Pastori della Chiesa possano scegliere i partecipanti al rito tra tutti i membri del Popolo di Dio. Si raccomandi inoltre che ai prescelti venga fornita un’adeguata spiegazione del significato del rito stesso.

Grato per il prezioso servizio di codesto Dicastero, assicuro a Lei, Signor Cardinale, al Segretario e a tutti i collaboratori il mio ricordo nella preghiera e, formulando i migliori auguri per il Santo Natale, invio a ciascuno la Benedizione Apostolica.

Dal Vaticano, 20 dicembre 2014

Franciscus

21 janeiro, 2016

Rito do Lava-pés: também as mulheres poderão ser escolhidas.

O Papa da sinodalidade, quando quer, utiliza sua autoridade para mudar a lei. Autoridade que também usava, sem nenhuma timidez e sem se preocupar em escandalizar os pequenos, para ignorar a lei antes de mudá-la.

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco decidiu fazer uma mudança nas rubricas do Missal Romano relativas ao Rito do “Lava pés” contido na Missa da Santa Ceia: de agora em diante, entre as pessoas escolhidas pelos pastores poderão ser incluídas também as mulheres.

O Papa explica sua decisão numa Carta endereçada ao prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Robert Sarah. Por conseguinte, o referido Dicastério vaticano emitiu um Decreto a propósito.

Expressar a caridade sem limites de Jesus

“Expressar plenamente o significado do gesto realizado por Jesus no Cenáculo, o seu doar-se ‘completamente’, para a salvação do mundo, a sua caridade sem limites”: com essas palavras, o Papa Francisco explica, na Carta ao Cardeal Sarah, a decisão de modificar a rubrica do Missal Romano que indica as pessoas escolhidas para receber o “Lava-pés” durante a Missa da Santa Ceia, na Quinta-feira Santa.

Incluídas as mulheres entre os fiéis escolhidos

A decisão do Papa, tomada “após atenta ponderação”, explica o próprio Pontífice, faz de modo que “de agora em diante os pastores da Igreja possam escolher os participantes para o rito entre todos os membros do povo de Deus”.

Efetivamente, se antes estes deviam ser homens adultos ou jovens, agora – explica o decreto da Congregação para o Culto Divino – poderão ser quer homens, quer mulheres, “convenientemente jovens e idosos, sadios e doentes, clérigos, consagrados e leigos”, incluídos casados e solteiros.

“Esse pequeno grupo de fiéis deverá representar a variedade e a unidade de cada porção do povo de Deus”, ressalta o Dicastério, sem especificar o seu número.

Explicar adequadamente aos escolhidos o significado do rito

Ademais, o Santo Padre recomenda que “seja dada aos escolhidos uma adequada explicação do significado do próprio rito”. Cabe a estes – escreve o secretário da Congregação para o Culto Divino, Dom Arthur Roche, num artigo para o L’Osservatore Romano – oferecer com simplicidade a sua disponibilidade.

“Cabe a quem cuida das celebrações litúrgicas preparar e dispor todo necessário para ajudar todos a participar frutuosamente deste momento: a vida de todo discípulo do Senhor é memorial (anamnesi) do ‘mandamento novo’ ouvido no Evangelho.”

Gesto já realizado pelo Papa Francisco

Vale recordar que o Papa Francisco já realizou o rito do Lava-pés com a participação de algumas mulheres, por exemplo, na Quinta-feira Santa do ano passado, quando celebrou, em Roma, a missa da Ceia do Senhor no Cárcere de Rebibia. (RL)