Posts tagged ‘O Papa’

16 setembro, 2014

Ritmo lento: em direção a uma Igreja com três papas, dois “aposentados” e um eleito?

“Papa Emérito” é uma instituição que ainda não existe. 

Por Padre Ariel S. Levi Gualdo * | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – Em uma de minhas conversas privadas com um distinto membro da nossa “reserva indígena”, meu confrade mais velho Antonio Livi, muitas vezes abordei questões de caráter dogmático, histórico e eclesiológico ligados à figura do Pontífice Romano em seu duplo papel de Doutor privado e supremo guardião do depósito da fé e da Doutrina católica.  Um tema repetido várias vezes com um outro confrade mais velho e igualmente destacado filósofo e teólogo, o dominicano Giovanni Cavalcoli que é outro ponta de lança da nossa “reserva indígena”.

Há um ano atrás, revelei a ambos um temor que eu já havia manifestado apenas a alguns amigos mais íntimos. Para dizer a verdade, mais do que manifestar, apenas me limitei a sussurrar em em voz baixa: “será que estamos correndo o risco de em breve nos depararmos com dois papas considerados “eméritos “e um terceiro pontífice eleito”? Alguns sorriram e outros se perguntavam se era mais uma das minhas provocações através do uso do paradoxo ou hipérbole, enquanto os dois confrades mais velhos formados por décadas de filosofia e estudos teológicos, bem como pela dedicação contínua aos ministérios pastorais com os quais sempre defenderam a sã e sólida fé (que hoje parece quase ter caído no esquecimento), ouviram atentamente, sem responder naquele momento, tão pesado era o alcance daquela minha perplexidade. Aquilo que me responderam então, não afetam estas linhas.

O erro que cometi naquela época foi deixar escapar da minha boca aquele pensamento que me atormentava com todas as conjecturas articuladas mais abaixo, ao conversar com uma certa pessoa que logo depois publicou minha dolorosa análise para o público, fazendo passá-la como de sua própria autoria. Até aqui nenhum problema, pois não coloco direitos autorais em meus discursos públicos ou privados. Quem o faz é meu meu editor e mesmo assim só para meus livros impressos. Todavia não sou tão ingênuo a ponto de não perceber aqui e ali o modo como alguns jornalistas e comentaristas, várias vezes desenvolveram teses depois que meus escritos foram publicados tanto na Riscossa Cristiana como na Corrispondenza Romana, sem nunca sequer terem a gentileza de mencionar quem havia formulado a análise.

4 setembro, 2014

Shimon Peres propõe ao Papa a criação de uma “ONU das Religiões”.

Durante a reunião que teve lugar esta manhã, no Vaticano, o ex-presidente israelense mostrou esta solução como “a melhor maneira de combater os terroristas que matam em nome da fé”.

Roma, 04 de Setembro de 2014 (Zenit.org) – A “ONU das religiões”. Esta é a proposta que Shimon Peres, Prêmio Nobel da Paz em 1994, juntamente com Yitzhak Rabin e Yasser Arafat, apresentou esta manhã ao papa Francisco no decorrer da conversa entre os dois que ocorreu na Basílica de São Pedro. A notícia foi divulgada em entrevista à Famiglia Cristiana.

O ex-presidente do Estado de Israel, cujo mandato terminou em 24 de julho, observa que as Nações Unidas, muitas vezes, é impotente diante das ações dos grupos terroristas “que pretendem matar em nome de Deus”. Sempre que acontece episódios brutais, as intervenções do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon – de acordo com Peres – não produzem efeito, uma vez que suas declarações “não têm nem a força nem a eficácia de qualquer homilia do Papa, que reúne meio milhão de pessoas na praça de São Pedro”.

Portanto, acrescenta Peres, “nota-se que a ONU teve seu dia, o que precisamos é uma Organização das Religiões Unidas, a ONU das Religiões”. O ex-presidente israelense acredita que seria “a melhor maneira de lutar contra estes terroristas que matam em nome da fé, porque a maioria das pessoas não são como eles, praticam a própria religião sem matar ninguém, sem sequer pensar nisso.”

Peres acredita também em uma “Carta das Religiões Unidas, assim como a Carta das Nações Unidas”. A nova Carta serviria para estabelecer “em nome de todos os credos” que “cortar a garganta das pessoas ou realizar assassinatos em massa, como temos visto nas últimas semanas, não tem nada a ver com religião. Isto foi o que eu propus ao Papa”.

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20 agosto, 2014

Vivemos a 3ª Guerra Mundial, diz papa Francisco.

Pontífice afirmou que esta guerra é marcada por fragmentações

Roma – Após uma viagem de cinco dias à Coreia do Sul, o papa Francisco voltou nesta segunda-feira (18) à Itália, mas não sem fazer duras críticas aos confrontos mundiais durante seu vôo de regresso a Roma.

“Vivemos a Terceira Guerra Mundial, mas em fragmentos”, disse o Pontífice.

Destacando que as guerras estão atingindo “um nível de crueldade espantoso”, Francisco afirmou que “é lícito interromper uma agressão, mas não bombardear”.

“Quando há uma agressão injusta, posso dizer que é lícito parar o agressor. Mas ressalto o verbo parar, porque isso não significa bombardear ou fazer uma guerra”, afirmou o papa sobre os ataques norte-americanos ao Iraque com o objetivo de destruir rebeldes jihadistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), que recentemente declarou a criação de um califado e começou a perseguir civis e cristãos.

“A tortura se tornou quase um meio ordinário. Esses são os frutos da guerra. Estamos em guerra, há a Terceira Guerra Mundial, mas em fragmentos'”, disse o papa, referindo-se aos conflitos simultâneos que atingem o mundo, como as crises na Síria, no Iraque, na península coreana, no continente africano na Faixa de Gaza.

No último mês, Francisco fez constantes apelos de paz para o Iraque e até enviou um representante do Vaticano ao país para entregar apoio financeiro e emocional aos cristãos perseguidos pelo EIIL.

Ele também promoveu um encontro entre lideranças palestinas e israelenses para incentivar o diálogo no Vaticano.

“O encontro no Vaticano entre o presidente israelense Shimon Peres e o palestino Mahmoud Abbas não foi inútil, apesar de hoje a situação na Terra Santa ter se deteriorado”, disse o papa em seu vôo da Coreia do Sul.

“Foi aberta uma porta, mas, agora, a fumaça das bombas não permite que esta porta seja vista”, completou, no mesmo dia em que um novo balanço aponta para dois mil mortos na Faixa de Gaza na última ofensiva israelense.

Ainda na conversa com a imprensa dentro do avião, Francisco contou que tem vontade de visitar a China e que, se “pudesse, viajaria amanhã”.

“Estou disposto também a ir ao Curdistão, se houver possibilidade”, disse Jorge Mario Bergoglio.

Francisco aterrissou em Roma por volta das 18h10 locais, no aeroporto de Ciampini. Ele trouxe um ramo de flores que recebeu de uma menina sul-coreana chamada Mary Sol, de 7 anos de idade.

O Pontífice pretende depositar as flores no altar da Basílica de Santa Maria Maggiore.

Pontificado

Questionado pelos jornalistas que o acompanhavam no vôo de volta a Roma, o papa Francisco comentou que tenta levar “uma vida normal” no Vaticano.

“Em 1975, sai de férias com a comunidade de jesuítas. Desde então, não tiro férias, mas mudo meu ritmo de vida: durmo mais, leio mais, ouço mais músicas… e isso me faz bem”, comentou.

Renúncia

Na mesma entrevista dentro do avião, Francisco disse que a renúncia de seu antecessor, Bento XVI, abriu um precedente na Igreja Católica e que ele mesmo pode abdicar do cargo caso sinta necessidade.

“Há 70 anos, os bispos eméritos eram uma novidade. Hoje, são uma instituição. Penso que o papa emérito será a mesma coisa. Com o tempo, a expectativa de vida aumenta e, em uma certa idade, não temos capacidade de governar bem. Mesmo se a nossa saúde for boa, não temos capacidade de levar adiante o governo da Igreja”, comentou Francisco.

“Alguns teólogos talvez digam que não é certo, mas eu penso assim: faria a mesma coisa que Bento XVI. Ele abriu uma porta que é institucional, não excepcional”, afirmou.

Conhecido por sua simplicidade, Jorge Mario Bergoglio assumiu a liderança da Igreja Católica em março de 2013, após a renúncia de Bento XVI.

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19 agosto, 2014

E finalmente o Papa Bergoglio resolveu falar!

Por Antonio Socci | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – Foi preciso que se passasse quase 20 dias, depois de muitos pobrezinhos, indefesos e inocentes mortos, mas, finalmente, até mesmo o Papa Bergoglio chegou a dizer que é preciso “parar” com esses criminosos sanguinários que esquartejam, cortam as gargantas, estupram, crucificam e outros horrores … 

Parar sim, mas — isso ele deixou claro — “não bombardear”. E como se fará então? Com tropas terrestres significaria “guerra”, exatamente o que se quer evitar. 

Então, como é que vai ser? Propor ao sangrento Califa uma partida de baralho (com os mortos), e o ganhador leva tudo? Ou o famoso jogo de futebol com Maradona? 

Dizer “parar”, mas sem o uso (obviamente preciso e proporcional) da força é um absurdo. São essas sutis hipocrisias que às vezes nos levam a suspeitar que o que se busca é salvar a própria cara ao invés da vida dos outros. Mas eu espero que seja apenas uma suspeita infundada … 

É bom que se saiba que de qualquer modo estamos gratos por esta (embora tímida e reticente) palavra: “parar os agressores”. 

Permanecem, infelizmente, as vozes da corte papal… aqueles para quem, até ontem, o simples fato de se pedir para neutralizar os assassinos significava querer de volta a guerra e as cruzadas, aqueles para quem “se o Papa se cala é para evitar retaliação mais grave”, aqueles para quem “se ele não diz nada significa que ele está operando reservadamente”.

Tudo conversa fiada. No Vaticano estavam simplesmente iludidos de que ainda havia um canal diplomático, enquanto aqueles assassinos — como denunciaram os bispos locais — só queriam conquistar, converter pela força e pelo massacre e nunca quiseram ouvir falar em “diálogos”. 

Adicione a esta ilusão, a equivocada ideologia “católico-progressista” do diálogo a todo custo, que levou Bergoglio a jamais mencionar explicitamente o Islamismo, e o desastre está feito… 

Aqueles pobres cristãos massacrados… 

A propósito, há ainda o capítulo triste daqueles que sustentam que o Califado não tem nada a ver com o Islã. Eu me pergunto por que então impoem a conversão à força ao Islã ou a morte… 

E depois ainda há aqueles tristíssimos “católicos progressistas” que ficam indignados quando alguém ainda fala em “cristãos perseguidos”… Que vergonha! 

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19 agosto, 2014

“Sei que vou durar pouco tempo. Dois ou três anos. E, depois, vou para ‘a Casa do Pai!'”

Cidade do Vaticano (RV) – O clima que caracteriza as conversas com os jornalistas nos voos papais internacionais é sempre muito informal. Os repórteres, conhecidos como ‘vaticanistas’, provêm de países diferentes, muitos trabalham em Roma como correpondentes e tratam o dia a dia do Vaticano com familiaridade. Mais de 70 jornalistas estavam no avião papal em sua volta a Roma, e como sempre, foram sorteados alguns para fazerem diretamente ao Papa suas perguntas.

Francisco e jornalistas no vôo de volta a Roma.

Francisco e jornalistas no vôo de volta a Roma.

Pela primeira vez, o Papa Francisco abordou publicamente a perspectiva de sua morte, afirmando – entre risos – que não viverá por muito tempo, e reiterando que não descarta uma possível renúncia:

Vocês podem me perguntar: se um dia não se sentir capaz de seguir adiante, faria a mesma coisa de Papa Ratzinger?”. “Sim”, respondeu. “Eu rezaria muito e faria a mesma coisa”. Bento XVI abriu uma porta, que é institucional. A renúncia de um Papa é uma instituição e não mais uma exceção, apesar disso não ser do gosto de alguns teólogos”, afirmou Francisco, lembrando que os bispos eméritos eram uma exceção há 60 anos, não existiam, e que agora esta é uma prática habitual.

Respondendo sobre sua popularidade e o efeito desta sobre ele, disse: “Eu a encaro como uma generosidade do povo de Deus. Interiormente, tento pensar em meus pecados, em meus erros, para não ficar orgulhoso, porque sei que vou durar pouco tempo. Dois ou três anos. E, depois, vou para ‘a Casa do Pai!‘”, afirmou em tom de brincadeira, provocando risadas de todos.

Aos 77 anos, o Pontífice argentino disse que vê esta popularidade “de maneira mais natural do que no início”, quando ficava um pouco mais “assustado”.

Indagado sobre suas férias deste ano, o Papa disse que vai passá-las em casa, na residência de Santa Marta, onde mora: “Sempre tiro férias, mas sou muito ‘caseiro’, então mudo de ritmo. Leio coisas de que gosto, ouço música, e acima de tudo, rezo mais”, explicou, admitindo que ser ‘caseiro’ é uma de suas neuroses”, e que a cura “tomando mate todos os dias”, brincou de novo.

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18 agosto, 2014

Papa considera «legítima» intervenção no Iraque.

Papa Francisco não dá «luz verde» aos ataques aéreos, mas salienta a necessidade de travar as ações dos «jihadistas»

Por TVI24 – O Papa Francisco considera que a comunidade internacional tem legitimidade para travar as ações dos militantes do Estado Islâmico (EI) no Iraque, mas que não deve ser um único país a decidir como agir. As declarações foram feitas durante a viagem de regresso da visita à Coreia do Sul.

«Nestes casos, quando há uma agressão injusta, apenas posso dizer que é legítimo parar esse agressor», declarou o sumo pontífice quando lhe foi feita uma questão sobre os ataques aéreos dos Estados Unidos no Iraque.

Os «jihadistas», que querem criar um califado no Médio Oriente, já controlam várias cidades do Iraque e da Síria e levaram a que milhares de pessoas de minorias religiosas, incluindo Cristãos, tivessem abandonado as suas casas.

No entanto, o Papa não dá «luz verde» aos ataques aéreos dos Estados Unidos.

«Sublinho o verbo parar. Não estou a dizer para fazerem guerra ou lançarem bombas. As condições para que o agressor pare têm de ser avaliadas. Um único país não pode julgar como o agressor deve ser travado», declarou.

Para o Papa Francisco, as Nações Unidas são a entidade ideal para decidir como travar a situação.

O Papa confessou ainda que tem intenções de se deslocar ao Iraque, mas que decidiu que, por agora, «essa não seria a melhor coisa a fazer».

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12 agosto, 2014

Papa gostaria de poder ir ao norte do Iraque, diz emissário do Vaticano.

O papa Francisco gostaria de poder viajar para o norte do Iraque para «partilhar a dor» das milhares de pessoas que foram obrigadas a abandonar os seus lares fugindo da «violência inaudita» dos jihadistasdo Estado Islâmico (EI).

Diário Digital – O anúncio foi feito hoje [dia 11] numa entrevista divulgada pela Rádio Vaticana ao cardeal Fernando Filoni, enviado pelo pontífice como emissário ao Iraque «com o objectivo de transferir» para os deslocados «o amor» do pontífice e de investir verba não especificada em sua ajuda.

«O papa queria estar ali, no Iraque, partilhando a dor das vítimas indefesas de uma cruel injustiça e de uma violência inaudita», referiu.

O cardeal manteve nesta manhã uma audiência privada com o pontífice – que lhe deu uma série de indicações pessoais – e empreenderá a viagem rumo ao Iraque hoje à tarde, às 18:00 locais (13:00 em Lisboa), anunciou hoje a Santa Sé em comunicado.

Trata-se de uma «missão de encorajamento, de confiança, de ajuda espiritual, moral e psicológica», disse Filoni.

Nomeado recentemente governador regional para a Evangelização dos Povos, Filoni defendeu que o Iraque, tradicionalmente, foi um país «onde durante centenas de anos as minorias conviveram com as maiorias».

Núncio na Jordânia e Iraque desde 2001 a 2006, o enviado é conhecido por ser o único diplomata que não abandonou o país durante toda a guerra.

Filoni mostrou-se convencido de que as autoridades iraquianas farão tudo o que está nas suas mãos para proteger estes cristãos, mas ao mesmo tempo reconheceu que estas pessoas «devem sentir que a Igreja universal está com eles, que não os abandona».

Desde que começou esta crise provocada pelo avanço do EI, que proclamou um «califado» que se estende a ambos os lados da fronteira entre o Iraque e a Síria, estima-se que cerca de 120 mil cristãos se viram obrigados a fugir daqueles milicianos jihadistas.

O papa mostrou-se comovido por estes factos em múltiplas ocasiões, a última das quais ontem quando, após a reza do tradicional Ângelus dominical, lembrou com tom e semblante sério que «não se faz a guerra em nome de Deus».

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11 agosto, 2014

Massacre dos Cristãos em curso (incluindo mulheres e crianças).

Alguém no Vaticano precisa ter vergonha diante de Deus e dos homens. 

Por Antonio Socci | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – O drama em curso dos cristãos perseguidos é visto pelos laicos (até mesmo por governos anti-clericais como a França) com mais sensibilidade do que pelo mundo Católico e eclesiástico, onde se tratam as vítimas com pouca sensibilidade e até com um certo mal estar, enquanto se usa de uma reticente cautela, ou seja, luvas brancas com os algozes.

Duzentos mil cristãos (mas também outras minorias) estão em fuga, expulsos por militantes islâmicos que estão crucificando, decapitando e apedrejando quem eles consideram como inimigos. Nesse momento chegam até a mim notícias oficiosas de atrocidades indescritíveis contra mulheres e crianças (esperamos que não sejam verdade).

Considerando este martírio dos cristãos que são marcados como “Nazarenos” sem direitos, caçados, assassinados, com as igrejas queimadas e a destruição de tudo o que é cristão, a voz do Vaticano e do Papa — normalmente muito vigoroso e intervencionista — foi apenas um leve gemido.

Nem mesmo pode ser comparada com o seu estrondoso “Vergonha! Vergonha! Vergonha!” repetido cinco ou seis vezes pelos imigrantes em Lampedusa [nota do Fratres: podemos lembrar também da fortíssima condenação à máfia, recordando até a demodé "excomunhão"]. No entanto, os italianos não tinham absolutamente nada do que se envergonhar, já que haviam corrido pra salvar aqueles pobres coitados cujo barco havia se incendiado e naufragado enquanto eles estavam no mar.

UMA NOTA (fora de sintonia)

Giuliano Ferrara [fundador e diretor do jornal Il Foglio] tem razão. Diante do horror que está se desenrolando na planície de Nínive, o Vaticano deu à luz, na quinta-feira (mais do que atrasado), uma  simples “nota” através do padre Federico Lombardi, onde, em nome do Papa, se pede à “comunidade internacional” que ponha um fim ao “drama humanitário em curso” no Iraque, ou seja, uma espécie de “salário mínimo” cujo único objetivo é tentar salvar a própria cara.

Mesmo porque o que está em curso é muito pior do que uma “tragédia humanitária” e nada é dito sobre o que deve ser feito. Além do mais — observa Ferrara — “nada naquela declaração fria faz menção sobre quem é responsável por estes” eventos angustiantes”. Nem uma palavra sobre o que obrigou as “comunidade atribuladas” a fugirem de suas próprias cidades.

Parece que aquela força com a qual João Paulo II falava na defesa dos cristãos perseguidos virou coisa do passado. E aquela clareza de de Bento XVI no grande discurso de Regensburg, — que era uma mão estendida ao Islamismo para que refletisse criticamente sobre si mesmo —  também é coisa remota.

A atitude do pontificado atual é de uma reticência desconcertante diante de criminosos sanguinários, com os quais  — dizem os bispos do lugar — não há possibilidade alguma de diálogo, porque com relação aos cristãos, esses já disseram: “não há outro diálogo senão a espada “.

Uma  relutância que já se tornou habitual no comportamento do Papa Bergoglio, que não disse uma única palavra em defesa da mãe cristã condenada à morte por sua fé no Paquistão ou no Sudão (penso em Asia Bibi ou Meriam), que se recusa até mesmo a convocar uma oração pública por eles, e quando se vê obrigado fala sempre genericamente de cristãos perseguidos e chega mesmo a afirmar, como fez na entrevista à “La Vanguardia” em 13 de Junho: “Os cristãos perseguidos são uma preocupação que me afetam muito como pastor. Sei tanto sobre as perseguições que não parece prudente contar aqui para não ofender ninguém”

A fim de não ofender quem? Os criminosos sanguinários que crucificam os “inimigos do Islã”? Não é chocante?

Há milhares de inocentes correndo iminente perigo de vida, perseguidos e dilacerados, fugindo de assassinos e Bergoglio se preocupa em “não ofender” os carrascos?

Por que toda essa cautela quando se trata do fanatismo islâmico? Por que nem sequer se ousa a nomeá-los? E por que se pede à comunidade internacional para pôr fim à “tragédia humanitária” sem dizer como?

O inédito 

Além disso, Bergoglio não só não pediu a interferência humanitária, como também não lançou operações de socorro humanitário ou iniciativas de solidariedade a nível internacional, que envolvesse o vasto mundo católico. Tardia também foi a ativação da diplomacia.

No domingo passado [dia 3], durante o Angelus, não disse uma única palavra sobre a tragédia em andamento e se calou até mesmo sobre a iniciativa da Igreja italiana de convocar para o dia 15 de agosto um dia de orações pelos cristãos perseguidos.

Agora, orar pelos cristãos perseguidos também se tornou “ofensivo” para os muçulmanos?

Pelo menos a oração dos bispos italianos será uma oração cristã real e séria. Certamente que não acontecerá de revermos um imã muçulmano, como aquele convidado pelo Vaticano para a iniciativa de paz no dia 8 de junho com Abbas e Peres, que cantava um verso do Alcorão, onde Allah foi invocado dizendo: “dá-nos a vitória sobre os infiéis.”

Quase um hino à “guerra santa” islâmica nos jardins do Vaticano. Um incidente inédito.

Na oração organizada pelo Conferencia Episcopal Italiana isso não vai acontecer. Agora espera-se que, pelo menos, mais cedo ou mais tarde, o Papa se  junte à iniciativa dos bispos, talvez repetindo a oração na Praça de São Pedro do mesmo modo como fez pela paz na Síria, que, como recordamos, combinada com a diplomacia, algum bom resultado produziu.

Também seria auspicioso que se mobilizasse toda a Cristandade para iniciativas de ajuda e de solidariedade aos perseguidos.

Mas, parece realmente que esse não é o clima. Parece que retornamos ao mesmo clima sombrio dos anos 70, àquela subordinação ideológica dos cristãos, àquela escuridão que só foi dissolvida com a inauguração do grande pontificado de João Paulo II.

Antonio Socci

Publicado no  “Libero”, 10 de agosto de 2014

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6 agosto, 2014

O escandaloso levantamento da suspensão a divinis de Miguel d’Escoto.

Por Yves Daoudal | Tradução: Fratres in Unum.com – « O Papa Francisco aprovou o levantamento da suspensão a divinis do Padre Miguel d’Escoto », nos deu a conhecer ontem a Rádio Vaticano.

Miguel d'Escoto

Miguel d’Escoto

Miguel d’Escoto foi um expoente da teologia da libertação, o que a Rádio Vaticano traduziu assim:

“Muito engajado em favor da justiça social, dos pobres e das populações desfavorecidas, foi um dos fundadores, em Nova York, do Grupo dos Doze, composto por intelectuais e membros de profissões liberais que apoiaram a Frente Sandinista de Libertação Nacional, em sua luta para derrubar o ditador Somoza”.

Mais tarde, foi durante mais de dez anos ministro das Relações Exteriores do governo sandinista (comunista estilo cubano). Durante a primeira visita de João Paulo II a Nicarágua, ele havia organizado para o Papa, com seus confrades [também padres] Ernesto Cardenal, ministro da Cultura, e Fernando Cardenal, ministro da Educação, uma missa revolucionária, que teve lugar diante de retratos gigantes dos fundadores da Frente sandinista de Libertação Nacional.

João Paulo II, que havia criticado publicamente a atividade política desses três sacerdotes (no momento em que o regime sandinista travava uma guerra contra os cristãos), terminou por suspendê-los a divinis em 1985.

Rádio Vaticano continua:

“Nos últimos anos, ele abandonou seu engajamento político e enviou uma carta ao Santo Padre para manifestar seu desejo de novamente celebrar a Eucaristia antes de morrer”.

Mas aqui está a verdade. Dita pelo próprio Miguel d’Escoto, entrevistado ontem na televisão da Nicarágua. Ele revelou que o levantamento das sanções foi possível graças ao apoio da Núncio Apostólico na Nicarágua, Dom Fortunato Nwachukwu, que o aconselhou a escrever ao Papa. E então declarou:

“O Vaticano pode reduzir todo mundo ao silêncio, então Deus fará as pedras falarem, e as pedras vão transmitir a sua mensagem, mas Deus não fez isso, ele escolheu o maior dos latino-americanos de todos os tempos: Fidel Castro. É através de Fidel Castro que o Espírito Santo nos envia a mensagem. Esta mensagem de Jesus, da necessidade da luta para estabelecer, firmemente e de forma irreversível, o reino de Deus nesta Terra, que é a sua alternativa ao império”.

Obrigado, Francisco.

* * *

Nota do Fratres: Ao contrário do que agências de notícias católicas divulgam, o sacerdote revolucionário não abandonou a política. Na realidade, continua sendo assessor para assuntos limítrofes e de relações internacionais do governo do presidente de Nicarágua, o sandinista Daniel Ortega.

4 agosto, 2014

Dez dicas do Papa Francisco para a felicidade.

Entre os conselhos que deu em entrevista a uma revista argentina, o pontífice incluiu não fazer as refeições assistindo a TV e não tentar converter as pessoas.

O Globo – LONDRES – Em entrevista à revista “Viva”, publicada aos domingos pelo jornal argentino “Clarín”, o Papa Francisco deu dez conselhos para a felicidade, incluindo desligar a TV para fazer as refeições em família e não tentar converter as pessoas, seja na religião ou no modo de pensar. “As religiões crescem por atração, não por proselitismo”, ele disse, acrescentando que a melhor maneira de atingir as pessoas é com diálogo. Veja outros ingredientes da receita do Papa:

1. “Viva e deixe viver”. Cada um deveria ser guiado por este princípio, ele disse, citando uma expressão similar em Roma: “Ande para frente e deixe que os outros façam o mesmo”.

2. “Doe-se aos outros”. As pessoas precisam ser abertas e generosas com as demais, porque isso “as afastará de si mesmas, deixando de lado o risco de egocentrismo”. “E água estagnada fica podre”.

3. “Vá com calma na vida”. O Papa, que costumava ensinar literatura, usou uma imagem de um romance rural argentino de Ricardo Guiraldes, no qual o protagonista Dom Segundo Sombra lembra o passado e avalia como viveu a vida: com ética, lealdade e respeito ao próximo.

4. “Um saudável senso de lazer”. O Papa disse que “o consumismo nos trouxe a ansiedade”, e disse que os pais devem reservar um tempo para brincar com seus filhos e desligar a TV quando sentarem para comer.

5. Domingos deveriam ser feriado. As pessoas não deveriam trabalhar aos domingos porque “domingo é para a família”, ele disse.

6. Encontrar maneiras inovadoras para criar postos de trabalho para os jovens. “Precisamos ser criativos com os jovens. Se eles não tiverem oportunidades entrarão no mundo das drogas” e serão mais vulneráveis ao suicídio”.

7. Respeito e cuidado com a natureza. A degradação ambiental “é um dos maiores desafios que temos”, disse o Papa. “Acredito que não estamos nos perguntando ‘a Humanidade não está cometendo suicídio com esse uso tirânico e indiscriminado da natureza?”.

8. Deixe de ser negativo. “Falar mal dos outros indica baixa autoestima. Isso quer dizer ‘eu me sinto tão mal que em vez de me levantar vou colocar os outros para baixo’. Abandonar a negatividade rapidamente é saudável”.

9. Respeite a crença dos outros. “Podemos inspirar as pessoas por testemunho, mas a pior coisa é o proselitismo religioso, que paralisa. A igreja cresce por atração, não por proselitismo”.

10. Trabalhe pela paz. “Estamos vivendo em uma época de muitas guerras, e devemos gritar pela paz. A paz às vezes dá a impressão de ser calma, mas nunca é quieta, a paz é sempre proativa e dinâmica”, disse o Papa.

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