Posts tagged ‘O Papa’

20 agosto, 2014

Vivemos a 3ª Guerra Mundial, diz papa Francisco.

Pontífice afirmou que esta guerra é marcada por fragmentações

Roma – Após uma viagem de cinco dias à Coreia do Sul, o papa Francisco voltou nesta segunda-feira (18) à Itália, mas não sem fazer duras críticas aos confrontos mundiais durante seu vôo de regresso a Roma.

“Vivemos a Terceira Guerra Mundial, mas em fragmentos”, disse o Pontífice.

Destacando que as guerras estão atingindo “um nível de crueldade espantoso”, Francisco afirmou que “é lícito interromper uma agressão, mas não bombardear”.

“Quando há uma agressão injusta, posso dizer que é lícito parar o agressor. Mas ressalto o verbo parar, porque isso não significa bombardear ou fazer uma guerra”, afirmou o papa sobre os ataques norte-americanos ao Iraque com o objetivo de destruir rebeldes jihadistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), que recentemente declarou a criação de um califado e começou a perseguir civis e cristãos.

“A tortura se tornou quase um meio ordinário. Esses são os frutos da guerra. Estamos em guerra, há a Terceira Guerra Mundial, mas em fragmentos'”, disse o papa, referindo-se aos conflitos simultâneos que atingem o mundo, como as crises na Síria, no Iraque, na península coreana, no continente africano na Faixa de Gaza.

No último mês, Francisco fez constantes apelos de paz para o Iraque e até enviou um representante do Vaticano ao país para entregar apoio financeiro e emocional aos cristãos perseguidos pelo EIIL.

Ele também promoveu um encontro entre lideranças palestinas e israelenses para incentivar o diálogo no Vaticano.

“O encontro no Vaticano entre o presidente israelense Shimon Peres e o palestino Mahmoud Abbas não foi inútil, apesar de hoje a situação na Terra Santa ter se deteriorado”, disse o papa em seu vôo da Coreia do Sul.

“Foi aberta uma porta, mas, agora, a fumaça das bombas não permite que esta porta seja vista”, completou, no mesmo dia em que um novo balanço aponta para dois mil mortos na Faixa de Gaza na última ofensiva israelense.

Ainda na conversa com a imprensa dentro do avião, Francisco contou que tem vontade de visitar a China e que, se “pudesse, viajaria amanhã”.

“Estou disposto também a ir ao Curdistão, se houver possibilidade”, disse Jorge Mario Bergoglio.

Francisco aterrissou em Roma por volta das 18h10 locais, no aeroporto de Ciampini. Ele trouxe um ramo de flores que recebeu de uma menina sul-coreana chamada Mary Sol, de 7 anos de idade.

O Pontífice pretende depositar as flores no altar da Basílica de Santa Maria Maggiore.

Pontificado

Questionado pelos jornalistas que o acompanhavam no vôo de volta a Roma, o papa Francisco comentou que tenta levar “uma vida normal” no Vaticano.

“Em 1975, sai de férias com a comunidade de jesuítas. Desde então, não tiro férias, mas mudo meu ritmo de vida: durmo mais, leio mais, ouço mais músicas… e isso me faz bem”, comentou.

Renúncia

Na mesma entrevista dentro do avião, Francisco disse que a renúncia de seu antecessor, Bento XVI, abriu um precedente na Igreja Católica e que ele mesmo pode abdicar do cargo caso sinta necessidade.

“Há 70 anos, os bispos eméritos eram uma novidade. Hoje, são uma instituição. Penso que o papa emérito será a mesma coisa. Com o tempo, a expectativa de vida aumenta e, em uma certa idade, não temos capacidade de governar bem. Mesmo se a nossa saúde for boa, não temos capacidade de levar adiante o governo da Igreja”, comentou Francisco.

“Alguns teólogos talvez digam que não é certo, mas eu penso assim: faria a mesma coisa que Bento XVI. Ele abriu uma porta que é institucional, não excepcional”, afirmou.

Conhecido por sua simplicidade, Jorge Mario Bergoglio assumiu a liderança da Igreja Católica em março de 2013, após a renúncia de Bento XVI.

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19 agosto, 2014

E finalmente o Papa Bergoglio resolveu falar!

Por Antonio Socci | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – Foi preciso que se passasse quase 20 dias, depois de muitos pobrezinhos, indefesos e inocentes mortos, mas, finalmente, até mesmo o Papa Bergoglio chegou a dizer que é preciso “parar” com esses criminosos sanguinários que esquartejam, cortam as gargantas, estupram, crucificam e outros horrores … 

Parar sim, mas — isso ele deixou claro — “não bombardear”. E como se fará então? Com tropas terrestres significaria “guerra”, exatamente o que se quer evitar. 

Então, como é que vai ser? Propor ao sangrento Califa uma partida de baralho (com os mortos), e o ganhador leva tudo? Ou o famoso jogo de futebol com Maradona? 

Dizer “parar”, mas sem o uso (obviamente preciso e proporcional) da força é um absurdo. São essas sutis hipocrisias que às vezes nos levam a suspeitar que o que se busca é salvar a própria cara ao invés da vida dos outros. Mas eu espero que seja apenas uma suspeita infundada … 

É bom que se saiba que de qualquer modo estamos gratos por esta (embora tímida e reticente) palavra: “parar os agressores”. 

Permanecem, infelizmente, as vozes da corte papal… aqueles para quem, até ontem, o simples fato de se pedir para neutralizar os assassinos significava querer de volta a guerra e as cruzadas, aqueles para quem “se o Papa se cala é para evitar retaliação mais grave”, aqueles para quem “se ele não diz nada significa que ele está operando reservadamente”.

Tudo conversa fiada. No Vaticano estavam simplesmente iludidos de que ainda havia um canal diplomático, enquanto aqueles assassinos — como denunciaram os bispos locais — só queriam conquistar, converter pela força e pelo massacre e nunca quiseram ouvir falar em “diálogos”. 

Adicione a esta ilusão, a equivocada ideologia “católico-progressista” do diálogo a todo custo, que levou Bergoglio a jamais mencionar explicitamente o Islamismo, e o desastre está feito… 

Aqueles pobres cristãos massacrados… 

A propósito, há ainda o capítulo triste daqueles que sustentam que o Califado não tem nada a ver com o Islã. Eu me pergunto por que então impoem a conversão à força ao Islã ou a morte… 

E depois ainda há aqueles tristíssimos “católicos progressistas” que ficam indignados quando alguém ainda fala em “cristãos perseguidos”… Que vergonha! 

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19 agosto, 2014

“Sei que vou durar pouco tempo. Dois ou três anos. E, depois, vou para ‘a Casa do Pai!'”

Cidade do Vaticano (RV) – O clima que caracteriza as conversas com os jornalistas nos voos papais internacionais é sempre muito informal. Os repórteres, conhecidos como ‘vaticanistas’, provêm de países diferentes, muitos trabalham em Roma como correpondentes e tratam o dia a dia do Vaticano com familiaridade. Mais de 70 jornalistas estavam no avião papal em sua volta a Roma, e como sempre, foram sorteados alguns para fazerem diretamente ao Papa suas perguntas.

Francisco e jornalistas no vôo de volta a Roma.

Francisco e jornalistas no vôo de volta a Roma.

Pela primeira vez, o Papa Francisco abordou publicamente a perspectiva de sua morte, afirmando – entre risos – que não viverá por muito tempo, e reiterando que não descarta uma possível renúncia:

Vocês podem me perguntar: se um dia não se sentir capaz de seguir adiante, faria a mesma coisa de Papa Ratzinger?”. “Sim”, respondeu. “Eu rezaria muito e faria a mesma coisa”. Bento XVI abriu uma porta, que é institucional. A renúncia de um Papa é uma instituição e não mais uma exceção, apesar disso não ser do gosto de alguns teólogos”, afirmou Francisco, lembrando que os bispos eméritos eram uma exceção há 60 anos, não existiam, e que agora esta é uma prática habitual.

Respondendo sobre sua popularidade e o efeito desta sobre ele, disse: “Eu a encaro como uma generosidade do povo de Deus. Interiormente, tento pensar em meus pecados, em meus erros, para não ficar orgulhoso, porque sei que vou durar pouco tempo. Dois ou três anos. E, depois, vou para ‘a Casa do Pai!‘”, afirmou em tom de brincadeira, provocando risadas de todos.

Aos 77 anos, o Pontífice argentino disse que vê esta popularidade “de maneira mais natural do que no início”, quando ficava um pouco mais “assustado”.

Indagado sobre suas férias deste ano, o Papa disse que vai passá-las em casa, na residência de Santa Marta, onde mora: “Sempre tiro férias, mas sou muito ‘caseiro’, então mudo de ritmo. Leio coisas de que gosto, ouço música, e acima de tudo, rezo mais”, explicou, admitindo que ser ‘caseiro’ é uma de suas neuroses”, e que a cura “tomando mate todos os dias”, brincou de novo.

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18 agosto, 2014

Papa considera «legítima» intervenção no Iraque.

Papa Francisco não dá «luz verde» aos ataques aéreos, mas salienta a necessidade de travar as ações dos «jihadistas»

Por TVI24 – O Papa Francisco considera que a comunidade internacional tem legitimidade para travar as ações dos militantes do Estado Islâmico (EI) no Iraque, mas que não deve ser um único país a decidir como agir. As declarações foram feitas durante a viagem de regresso da visita à Coreia do Sul.

«Nestes casos, quando há uma agressão injusta, apenas posso dizer que é legítimo parar esse agressor», declarou o sumo pontífice quando lhe foi feita uma questão sobre os ataques aéreos dos Estados Unidos no Iraque.

Os «jihadistas», que querem criar um califado no Médio Oriente, já controlam várias cidades do Iraque e da Síria e levaram a que milhares de pessoas de minorias religiosas, incluindo Cristãos, tivessem abandonado as suas casas.

No entanto, o Papa não dá «luz verde» aos ataques aéreos dos Estados Unidos.

«Sublinho o verbo parar. Não estou a dizer para fazerem guerra ou lançarem bombas. As condições para que o agressor pare têm de ser avaliadas. Um único país não pode julgar como o agressor deve ser travado», declarou.

Para o Papa Francisco, as Nações Unidas são a entidade ideal para decidir como travar a situação.

O Papa confessou ainda que tem intenções de se deslocar ao Iraque, mas que decidiu que, por agora, «essa não seria a melhor coisa a fazer».

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12 agosto, 2014

Papa gostaria de poder ir ao norte do Iraque, diz emissário do Vaticano.

O papa Francisco gostaria de poder viajar para o norte do Iraque para «partilhar a dor» das milhares de pessoas que foram obrigadas a abandonar os seus lares fugindo da «violência inaudita» dos jihadistasdo Estado Islâmico (EI).

Diário Digital – O anúncio foi feito hoje [dia 11] numa entrevista divulgada pela Rádio Vaticana ao cardeal Fernando Filoni, enviado pelo pontífice como emissário ao Iraque «com o objectivo de transferir» para os deslocados «o amor» do pontífice e de investir verba não especificada em sua ajuda.

«O papa queria estar ali, no Iraque, partilhando a dor das vítimas indefesas de uma cruel injustiça e de uma violência inaudita», referiu.

O cardeal manteve nesta manhã uma audiência privada com o pontífice – que lhe deu uma série de indicações pessoais – e empreenderá a viagem rumo ao Iraque hoje à tarde, às 18:00 locais (13:00 em Lisboa), anunciou hoje a Santa Sé em comunicado.

Trata-se de uma «missão de encorajamento, de confiança, de ajuda espiritual, moral e psicológica», disse Filoni.

Nomeado recentemente governador regional para a Evangelização dos Povos, Filoni defendeu que o Iraque, tradicionalmente, foi um país «onde durante centenas de anos as minorias conviveram com as maiorias».

Núncio na Jordânia e Iraque desde 2001 a 2006, o enviado é conhecido por ser o único diplomata que não abandonou o país durante toda a guerra.

Filoni mostrou-se convencido de que as autoridades iraquianas farão tudo o que está nas suas mãos para proteger estes cristãos, mas ao mesmo tempo reconheceu que estas pessoas «devem sentir que a Igreja universal está com eles, que não os abandona».

Desde que começou esta crise provocada pelo avanço do EI, que proclamou um «califado» que se estende a ambos os lados da fronteira entre o Iraque e a Síria, estima-se que cerca de 120 mil cristãos se viram obrigados a fugir daqueles milicianos jihadistas.

O papa mostrou-se comovido por estes factos em múltiplas ocasiões, a última das quais ontem quando, após a reza do tradicional Ângelus dominical, lembrou com tom e semblante sério que «não se faz a guerra em nome de Deus».

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11 agosto, 2014

Massacre dos Cristãos em curso (incluindo mulheres e crianças).

Alguém no Vaticano precisa ter vergonha diante de Deus e dos homens. 

Por Antonio Socci | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – O drama em curso dos cristãos perseguidos é visto pelos laicos (até mesmo por governos anti-clericais como a França) com mais sensibilidade do que pelo mundo Católico e eclesiástico, onde se tratam as vítimas com pouca sensibilidade e até com um certo mal estar, enquanto se usa de uma reticente cautela, ou seja, luvas brancas com os algozes.

Duzentos mil cristãos (mas também outras minorias) estão em fuga, expulsos por militantes islâmicos que estão crucificando, decapitando e apedrejando quem eles consideram como inimigos. Nesse momento chegam até a mim notícias oficiosas de atrocidades indescritíveis contra mulheres e crianças (esperamos que não sejam verdade).

Considerando este martírio dos cristãos que são marcados como “Nazarenos” sem direitos, caçados, assassinados, com as igrejas queimadas e a destruição de tudo o que é cristão, a voz do Vaticano e do Papa — normalmente muito vigoroso e intervencionista — foi apenas um leve gemido.

Nem mesmo pode ser comparada com o seu estrondoso “Vergonha! Vergonha! Vergonha!” repetido cinco ou seis vezes pelos imigrantes em Lampedusa [nota do Fratres: podemos lembrar também da fortíssima condenação à máfia, recordando até a demodé "excomunhão"]. No entanto, os italianos não tinham absolutamente nada do que se envergonhar, já que haviam corrido pra salvar aqueles pobres coitados cujo barco havia se incendiado e naufragado enquanto eles estavam no mar.

UMA NOTA (fora de sintonia)

Giuliano Ferrara [fundador e diretor do jornal Il Foglio] tem razão. Diante do horror que está se desenrolando na planície de Nínive, o Vaticano deu à luz, na quinta-feira (mais do que atrasado), uma  simples “nota” através do padre Federico Lombardi, onde, em nome do Papa, se pede à “comunidade internacional” que ponha um fim ao “drama humanitário em curso” no Iraque, ou seja, uma espécie de “salário mínimo” cujo único objetivo é tentar salvar a própria cara.

Mesmo porque o que está em curso é muito pior do que uma “tragédia humanitária” e nada é dito sobre o que deve ser feito. Além do mais — observa Ferrara — “nada naquela declaração fria faz menção sobre quem é responsável por estes” eventos angustiantes”. Nem uma palavra sobre o que obrigou as “comunidade atribuladas” a fugirem de suas próprias cidades.

Parece que aquela força com a qual João Paulo II falava na defesa dos cristãos perseguidos virou coisa do passado. E aquela clareza de de Bento XVI no grande discurso de Regensburg, — que era uma mão estendida ao Islamismo para que refletisse criticamente sobre si mesmo —  também é coisa remota.

A atitude do pontificado atual é de uma reticência desconcertante diante de criminosos sanguinários, com os quais  — dizem os bispos do lugar — não há possibilidade alguma de diálogo, porque com relação aos cristãos, esses já disseram: “não há outro diálogo senão a espada “.

Uma  relutância que já se tornou habitual no comportamento do Papa Bergoglio, que não disse uma única palavra em defesa da mãe cristã condenada à morte por sua fé no Paquistão ou no Sudão (penso em Asia Bibi ou Meriam), que se recusa até mesmo a convocar uma oração pública por eles, e quando se vê obrigado fala sempre genericamente de cristãos perseguidos e chega mesmo a afirmar, como fez na entrevista à “La Vanguardia” em 13 de Junho: “Os cristãos perseguidos são uma preocupação que me afetam muito como pastor. Sei tanto sobre as perseguições que não parece prudente contar aqui para não ofender ninguém”

A fim de não ofender quem? Os criminosos sanguinários que crucificam os “inimigos do Islã”? Não é chocante?

Há milhares de inocentes correndo iminente perigo de vida, perseguidos e dilacerados, fugindo de assassinos e Bergoglio se preocupa em “não ofender” os carrascos?

Por que toda essa cautela quando se trata do fanatismo islâmico? Por que nem sequer se ousa a nomeá-los? E por que se pede à comunidade internacional para pôr fim à “tragédia humanitária” sem dizer como?

O inédito 

Além disso, Bergoglio não só não pediu a interferência humanitária, como também não lançou operações de socorro humanitário ou iniciativas de solidariedade a nível internacional, que envolvesse o vasto mundo católico. Tardia também foi a ativação da diplomacia.

No domingo passado [dia 3], durante o Angelus, não disse uma única palavra sobre a tragédia em andamento e se calou até mesmo sobre a iniciativa da Igreja italiana de convocar para o dia 15 de agosto um dia de orações pelos cristãos perseguidos.

Agora, orar pelos cristãos perseguidos também se tornou “ofensivo” para os muçulmanos?

Pelo menos a oração dos bispos italianos será uma oração cristã real e séria. Certamente que não acontecerá de revermos um imã muçulmano, como aquele convidado pelo Vaticano para a iniciativa de paz no dia 8 de junho com Abbas e Peres, que cantava um verso do Alcorão, onde Allah foi invocado dizendo: “dá-nos a vitória sobre os infiéis.”

Quase um hino à “guerra santa” islâmica nos jardins do Vaticano. Um incidente inédito.

Na oração organizada pelo Conferencia Episcopal Italiana isso não vai acontecer. Agora espera-se que, pelo menos, mais cedo ou mais tarde, o Papa se  junte à iniciativa dos bispos, talvez repetindo a oração na Praça de São Pedro do mesmo modo como fez pela paz na Síria, que, como recordamos, combinada com a diplomacia, algum bom resultado produziu.

Também seria auspicioso que se mobilizasse toda a Cristandade para iniciativas de ajuda e de solidariedade aos perseguidos.

Mas, parece realmente que esse não é o clima. Parece que retornamos ao mesmo clima sombrio dos anos 70, àquela subordinação ideológica dos cristãos, àquela escuridão que só foi dissolvida com a inauguração do grande pontificado de João Paulo II.

Antonio Socci

Publicado no  “Libero”, 10 de agosto de 2014

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6 agosto, 2014

O escandaloso levantamento da suspensão a divinis de Miguel d’Escoto.

Por Yves Daoudal | Tradução: Fratres in Unum.com – « O Papa Francisco aprovou o levantamento da suspensão a divinis do Padre Miguel d’Escoto », nos deu a conhecer ontem a Rádio Vaticano.

Miguel d'Escoto

Miguel d’Escoto

Miguel d’Escoto foi um expoente da teologia da libertação, o que a Rádio Vaticano traduziu assim:

“Muito engajado em favor da justiça social, dos pobres e das populações desfavorecidas, foi um dos fundadores, em Nova York, do Grupo dos Doze, composto por intelectuais e membros de profissões liberais que apoiaram a Frente Sandinista de Libertação Nacional, em sua luta para derrubar o ditador Somoza”.

Mais tarde, foi durante mais de dez anos ministro das Relações Exteriores do governo sandinista (comunista estilo cubano). Durante a primeira visita de João Paulo II a Nicarágua, ele havia organizado para o Papa, com seus confrades [também padres] Ernesto Cardenal, ministro da Cultura, e Fernando Cardenal, ministro da Educação, uma missa revolucionária, que teve lugar diante de retratos gigantes dos fundadores da Frente sandinista de Libertação Nacional.

João Paulo II, que havia criticado publicamente a atividade política desses três sacerdotes (no momento em que o regime sandinista travava uma guerra contra os cristãos), terminou por suspendê-los a divinis em 1985.

Rádio Vaticano continua:

“Nos últimos anos, ele abandonou seu engajamento político e enviou uma carta ao Santo Padre para manifestar seu desejo de novamente celebrar a Eucaristia antes de morrer”.

Mas aqui está a verdade. Dita pelo próprio Miguel d’Escoto, entrevistado ontem na televisão da Nicarágua. Ele revelou que o levantamento das sanções foi possível graças ao apoio da Núncio Apostólico na Nicarágua, Dom Fortunato Nwachukwu, que o aconselhou a escrever ao Papa. E então declarou:

“O Vaticano pode reduzir todo mundo ao silêncio, então Deus fará as pedras falarem, e as pedras vão transmitir a sua mensagem, mas Deus não fez isso, ele escolheu o maior dos latino-americanos de todos os tempos: Fidel Castro. É através de Fidel Castro que o Espírito Santo nos envia a mensagem. Esta mensagem de Jesus, da necessidade da luta para estabelecer, firmemente e de forma irreversível, o reino de Deus nesta Terra, que é a sua alternativa ao império”.

Obrigado, Francisco.

* * *

Nota do Fratres: Ao contrário do que agências de notícias católicas divulgam, o sacerdote revolucionário não abandonou a política. Na realidade, continua sendo assessor para assuntos limítrofes e de relações internacionais do governo do presidente de Nicarágua, o sandinista Daniel Ortega.

4 agosto, 2014

Dez dicas do Papa Francisco para a felicidade.

Entre os conselhos que deu em entrevista a uma revista argentina, o pontífice incluiu não fazer as refeições assistindo a TV e não tentar converter as pessoas.

O Globo – LONDRES – Em entrevista à revista “Viva”, publicada aos domingos pelo jornal argentino “Clarín”, o Papa Francisco deu dez conselhos para a felicidade, incluindo desligar a TV para fazer as refeições em família e não tentar converter as pessoas, seja na religião ou no modo de pensar. “As religiões crescem por atração, não por proselitismo”, ele disse, acrescentando que a melhor maneira de atingir as pessoas é com diálogo. Veja outros ingredientes da receita do Papa:

1. “Viva e deixe viver”. Cada um deveria ser guiado por este princípio, ele disse, citando uma expressão similar em Roma: “Ande para frente e deixe que os outros façam o mesmo”.

2. “Doe-se aos outros”. As pessoas precisam ser abertas e generosas com as demais, porque isso “as afastará de si mesmas, deixando de lado o risco de egocentrismo”. “E água estagnada fica podre”.

3. “Vá com calma na vida”. O Papa, que costumava ensinar literatura, usou uma imagem de um romance rural argentino de Ricardo Guiraldes, no qual o protagonista Dom Segundo Sombra lembra o passado e avalia como viveu a vida: com ética, lealdade e respeito ao próximo.

4. “Um saudável senso de lazer”. O Papa disse que “o consumismo nos trouxe a ansiedade”, e disse que os pais devem reservar um tempo para brincar com seus filhos e desligar a TV quando sentarem para comer.

5. Domingos deveriam ser feriado. As pessoas não deveriam trabalhar aos domingos porque “domingo é para a família”, ele disse.

6. Encontrar maneiras inovadoras para criar postos de trabalho para os jovens. “Precisamos ser criativos com os jovens. Se eles não tiverem oportunidades entrarão no mundo das drogas” e serão mais vulneráveis ao suicídio”.

7. Respeito e cuidado com a natureza. A degradação ambiental “é um dos maiores desafios que temos”, disse o Papa. “Acredito que não estamos nos perguntando ‘a Humanidade não está cometendo suicídio com esse uso tirânico e indiscriminado da natureza?”.

8. Deixe de ser negativo. “Falar mal dos outros indica baixa autoestima. Isso quer dizer ‘eu me sinto tão mal que em vez de me levantar vou colocar os outros para baixo’. Abandonar a negatividade rapidamente é saudável”.

9. Respeite a crença dos outros. “Podemos inspirar as pessoas por testemunho, mas a pior coisa é o proselitismo religioso, que paralisa. A igreja cresce por atração, não por proselitismo”.

10. Trabalhe pela paz. “Estamos vivendo em uma época de muitas guerras, e devemos gritar pela paz. A paz às vezes dá a impressão de ser calma, mas nunca é quieta, a paz é sempre proativa e dinâmica”, disse o Papa.

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4 agosto, 2014

Os estranhos silêncios de um Papa tão loquaz.

Nem uma palavra para as estudantes nigerianas raptadas, nem pela paquistanesa Asia Bibi, condenada à morte pela acusação de ter ofendido o Islã. E também as audiências negadas ao ex presidente do IOR, Gotti Tedeschi, dispensado por ter desejado fazer limpeza.

Por Sandro Magister | Tradução: Fratres in Unum.com – Roma, 1 de agosto de 2014 – No dia de Sant’ana, padroeira de Caserta, o Papa Francisco visitou esta cidade. Tudo normal? Não. Porque apenas dois dias depois, Jorge Mario Bergoglio voltou a Caserta, em visita privada, para encontrar seu amigo italiano, que conheceu em Buenos Aires, Giovanni Traettino, pastor de uma igreja evangélica local.

Mais ainda, em um primeiro momento, o propósito de Francisco era ir se encontrar somente com este seu amigo, com o bispo de Caserta sendo deixado totalmente às escuras, e se quis convencer o Papa a duplicar o programa, para não descuidar das ovelhas de seu redil.

Em Francisco, a colegialidade de governo é mais invocada que praticada. O estilo é o de um superior geral dos jesuítas que, ao final, decide tudo por si só. Depreende-se isso por seus gestos, por suas palavras e por seus silêncios.

Por exemplo, há semanas que, por detrás dos bastidores, Bergoglio cultiva relações com líderes das poderosas comunidades “evangélicas” dos Estados Unidos. Na casa Santa Marta, passou horas e horas na companhia deles. Convidou-lhes para almoçar. Em um desses momentos de convivência, fez-se imortalizar fazendo um high five, entre grandes risos, com o pastor James Robinson, um dos tele-evangelistas americanos de maior êxito.

Quando, no entanto, ninguém sabia de nada, foi Francisco quem lhes antecipou seu propósito de ir a Caserta encontrar seu colega italiano e a explicar o motivo: “oferecer as desculpas da Igreja Católica pelos danos que lhes ocasionou ao obstaculizar o crescimento de suas comunidades”.

Argentino como é, Bergoglio conhece “ao vivo” a avassaladora expansão das comunidades evangélicas e pentecostais na América Latina, que continua arrebatando da Igreja Católica enorme massa de fiéis. Contudo, decidiu não combater seus líderes, mas, antes, fazer-se amigo deles.

Trata-se da mesma linha que adotou com o mundo muçulmano: oração, invocação da paz, condenações gerais do que se está fazendo de mal, mas muito atento para se manter longe dos casos específicos relacionados a pessoas determinadas, sejam vítimas ou carrascos.

Francisco tampouco abandona esta atitude reservada quando o mundo inteiro se mobiliza em defesa de certas vítimas e todos esperariam dele um pronunciamento.

Não pronunciou uma só palavra quando a jovem mãe sudanesa Meriam estava presa com seus filhinhos, condenada à morte somente por ser cristã, porém, recebeu-lhe uma vez que foi libertada graças às pressões internacionais.

Não disse nada quanto às centenas de estudantes nigerianas raptadas por Boko Haram, apesar da campanha promovida por Michelle Obama com o tema: “Bring back our girls” [Devolvam nossas garotas].

Cala-se sobre o destino de Asis Bibi, a mãe paquistanesa presa há cinco anos, a espera da apelação contra a sentença de morte que recebeu, acusada de ter ofendido o Islã.

Também a campanha pela libertação de Asis Bibi tem o mundo católico comprometido por todos os lados e foi divulgada, no início deste ano, uma dolorosa carta escrita por ela ao Papa — que não a respondeu.

São silêncios que causam muitíssima má impressão uma vez que são praticados por um Papa de quem se conhece sua generosíssima disponibilidade para escrever, telefonar, levar uma ajuda, abrir as portas a qualquer pessoa que toca a campainha, não importando se pobre ou rico, bom ou mau.

Por exemplo, sua demora em se encontrar com as vítimas de abusos sexuais, cometidos por representantes do clero, havia levantado algumas críticas. Porém, no último 7 de julho, remediou essa situação, dedicando toda uma jornada a seis dessas vítimas, trazidas a Roma desde três países europeus.

Nestes mesmos dias, Francisco avançou com a reorganização das finanças vaticanas, com algumas substituições nos cargos máximos e a demissão do inocente presidente do IOR, o alemão Ernst von Freyberg.

Inexplicavelmente, em dezesseis meses de pontificado, este funcionário jamais conseguiu obter uma audiência com o Papa.

Porém, mais inexplicável é a “damnatio” que atingiu seu predecessor, Ettore Gotti Tedeschi, despedido em maio de 2012 justamente por ter levado adiante a obra de limpeza, demitido precisamente pelos maiores culpáveis pela má administração.

Seus pedidos ao Papa Francisco para ser recebido e escutado jamais receberam resposta.

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21 julho, 2014

Bispo austríaco: Papa disse-me que a “ideologia de gênero é demoníaca”.

Por John-Henry Westen – Life Site News | Tradução: Fratres in Unum.com – O Papa Francisco condenou duramente a “ideologia de gênero” em uma conversa privada com o bispo austríaco Andreas Laun, no início deste ano, relatou o próprio bispo em um artigo.

Ao fazê-lo, o Papa segue as pegadas de seu predecessor, o Papa Bento XVI. Ao fim de seu pontificado, o papa emérito falou duas vezes sobre a ideologia de gênero como “uma tendência negativa para a humanidade” e uma “profunda falsidade”, sobre “a qual é um dever dos pastores da Igreja” colocar os fiéis “em alerta”.

Dom Laun, bispo auxiliar de Salzburg, escreveu sobre as palavras do Papa Francisco em março, em um artigo para o portal de notícias católica alemão Kath.net. Dom Laun declarou a LifeSiteNews que se encontrou com o Papa brevemente, em 30 de janeiro, como parte da visita ad limina dos bispos austríacos, um encontro que os bispos devem ter a cada cinco anos. Laun acrescentou que ele foi o último dos bispos a falar com o Santo Padre.

“Ao responder minha pergunta, Papa Francisco disse, “a ideologia de gênero é demoníaca!”. Laun escreveu em seu artigo, acrescentando que o Papa não exagerava em seu comentário. “De fato, a ideologia de gênero é a destruição das pessoas, e é por isso que o Papa tinha razão em chamá-la de demoníaca”, disse.

Escrevendo sobre a ideologia de gênero, Dom Laun explicou que a “tese central desse doentio raciocínio é o resultado final de um feminismo radical que o lobby homossexual fez seu”.

“Ele sustenta que não há apenas homem e mulher, mas também outros ‘gêneros’. E mais: toda pessoa pode escolher o seu gênero”, acrescentou.

“Hoje”, afirmou, “a ideologia de gênero é promovida por governos e pessoas importantes, e um montante substancial de dinheiro é lançado para difundi-la, mesmo em materiais de ensino de jardins de infância e escolas”.

Para mais informações a respeito, Dom Laun indicou a leitura do último livro da famosa socióloga alemã Gabriele Kuby, Die globale sexuelle Revolution: Zerstörung der Freiheit im Namen der Freiheit (“A revolução sexual global: destruição da liberdade em nome da liberdade”, tradução livre).

Kuby, uma conhecida de longa data do Papa Bento XVI, presenteou o agora Papa emérito com uma cópia do livro em novembro de 2012. “Graças a Deus que a senhora escreve e fala (sobre esses assuntos)”, disse o Papa Bento a ela.

Para Kuby, não é chocante chamar a ideologia de gênero de demoníaca.

“A ideologia de gênero é a mais profunda rebelião contra Deus possível”, declarou Kuby a LifeSiteNews. “A pessoa não aceita que é criada como homem ou mulher, não, e diz, ‘Eu decido! É minha liberdade!’ — contra a experiência, a natureza, a razão, a ciência!”

“É a última das perversões do individualismo”, explicou. “Ela rouba o homem do último fragmento de sua identidade, isto é, o ser homem e mulher, depois de ter perdido a fé, a família e a nação”.

“É realmente diabólico”, concluiu, “que uma ideologia, que toda pessoa pode discernir como uma mentira, possa capturar o senso comum das pessoas e se tornar uma ideologia dominante em nossos tempos”.

Em seu discurso de 21 de dezembro de 2012 à Cúria Romana, o Papa Bento XVI lançou uma ampla advertência quanto ao uso do “termo ‘gênero’ como nova filosofia da sexualidade”.

“De acordo com tal filosofia, o sexo já não é um dado originário da natureza que o homem deve aceitar e preencher pessoalmente de significado, mas uma função social que cada qual decide autonomamente, enquanto até agora era a sociedade quem a decidia”, afirmou. “Salta aos olhos a profunda falsidade desta teoria e da revolução antropológica que lhe está subjacente”.

Continuava o Papa:

O homem contesta o facto de possuir uma natureza pré-constituída pela sua corporeidade, que caracteriza o ser humano. Nega a sua própria natureza, decidindo que esta não lhe é dada como um facto pré-constituído, mas é ele próprio quem a cria. De acordo com a narração bíblica da criação, pertence à essência da criatura humana ter sido criada por Deus como homem ou como mulher. Esta dualidade é essencial para o ser humano, como Deus o fez. É precisamente esta dualidade como ponto de partida que é contestada. Deixou de ser válido aquilo que se lê na narração da criação: «Ele os criou homem e mulher» (Gn 1, 27). Isto deixou de ser válido, para valer que não foi Ele que os criou homem e mulher; mas teria sido a sociedade a determiná-lo até agora, ao passo que agora somos nós mesmos a decidir sobre isto. Homem e mulher como realidade da criação, como natureza da pessoa humana, já não existem. O homem contesta a sua própria natureza.

Bento XVI notou o dano dessa filosofia à dignidade humana, à família e às crianças. “Onde a liberdade do fazer se torna liberdade de fazer-se por si mesmo, chega-se necessariamente a negar o próprio Criador; e, consequentemente, o próprio homem como criatura de Deus, como imagem de Deus, é degradado na essência do seu ser”.

O Papa Bento abordou a ideologia de gênero novamente, um mês mais tarde, em 19 de janeiro de 2013. “Os Pastores da Igreja — a qual é «coluna e sustentáculo da verdade» (1Tm 3,15) — disse Bento — têm o dever de alertar contra estas derivas tanto os fiéis católicos como qualquer pessoa de boa vontade e de razão reta”.

“Trata-se de uma deriva negativa para o homem, não obstante se disfarce de bons sentimentos, no sinal de um progresso hipotético, ou de supostos direitos ou ainda de um presumível humanismo”, afirmou. “Por isso, a Igreja reitera o seu grande sim à dignidade e à beleza do matrimônio, como expressão de aliança fiel e fecunda entre um homem e uma mulher, e o seu não a filosofias como aquela do gênero se motiva, pelo fato de que a reciprocidade entre masculino e feminino expressa a beleza da natureza desejada pelo Criador”.

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