Posts tagged ‘O Papa’

30 outubro, 2014

Cardeal Burke: Eu não disse que o Papa está prejudicando a Igreja, mas sim a falta de clareza.

Por John-Henry Westen – LifeSiteNews | Tradução: Fratres in Unum.com – O Cardeal da Cúria Raymond Burke emitiu um esclarecimento relativo à deturpação de sua declaração em uma entrevista ao BuzzFeed. Enquanto a agência noticiava que o Cardeal Burke disse que o Papa está “prejudicando a Igreja”, o purpurado, na realidade, declarou que o prejuízo se origina da falta de clareza sobre as posições do papa em questões relacionadas ao matrimônio e à Sagrada Comunhão.

O cardeal acrescentou que somente um esclarecimento do próprio Papa poderia dissipar a falta de clareza.

Eis o esclarecimento completo de Burke, dado ao Instituto Dignitatis Humanae, que havia ajudado a organizar a entrevista ao Buzzfeed:

Como padre, bispo e, finalmente, cardeal, eu somente penso em servir à Igreja de Nosso Senhor em obediência humilde ao Magistério e ao Santo Padre. A confusão desnecessária com relação às minhas razões não me ajuda neste serviço, especialmente, quando questões substanciais de princípio estão em jogo. Acredito firmemente que alguém também presta um serviço com lealdade ao expressar um juízo contrário, de acordo com a busca da verdade, e que só se serve com fidelidade quando se fala de maneira obediente e clara, de acordo com a sua consciência.

Eu não disse que o Papa Francisco prejudicou a Igreja. Ao invés disso, conforme revela a entrevista textual que acaba de ser publicada, fui perfeitamente claro ao dizer que foi a falta de clareza acerca da posição do Santo Padre em questões relacionadas ao matrimônio e à Sagrada Comunhão que causou o dano. É justamente por essa razão que, posteriormente, disse que somente uma declaração do próprio Santo Papa poderia dissipar essa falta de clareza.

Infelizmente, a confusão, como a gerada por essa entrevista particular, foi usada para retratar aqueles que se opõem à tese do Cardeal Kasper como motivada por uma animosidade pessoal contra o Santo Padre. Este não é o caso, embora, sem dúvida, isso ajude a fazer com que aqueles com determinado eixo ideológico trabalhem para que pareça assim.

29 outubro, 2014

Papa: “Chamam-me de comunista, mas é Jesus que ama os pobres”.

Por Gian Guido Vecchi – Corriere della Sera | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com:  “Vamos repetir juntos do fundo do coração: nenhuma família sem-teto! Nenhum camponês sem-terra! Nenhum trabalhador sem direitos! Nenhuma pessoa sem a dignidade que dá o trabalho”. Na antiga sala do Sínodo está falando Francisco, “continuem com a vossa luta, caros irmãos e irmãs, faz bem a todos nós”, e a cena é sem precedentes.

Cento e cinquenta pessoas de oitenta países representando os “movimentos populares” do mundo inteiro, aqueles do Fórum Social, chegaram ao Vaticano para uma conferência sobre “Terra, teto e trabalho, as últimas chagas do planeta.

“Terra, teto e trabalho. É estranho, mas se eu falo disso, o Papa é um comunista”, sorri Francisco. “Não se compreende que o amor pelos pobres é o centro do Evangelho. Terra, casa e trabalho, aquilo para o qual vocês lutam, são direitos sagrados. Exigir tais coisas, de fato, não é algo estranho, é a doutrina social da Igreja”.

Muitos movimentos nasceram na América Latina, Bergoglio os conhece bem e seu discurso em espanhol parece ser o traço de uma encíclica social: “Vocês vieram trazer à presença de Deus, da Igreja e dos povos, uma realidade muitas vezes relegada ao silêncio: os pobres não apenas sofrem injustiça, mas também lutam contra ela”.

Desde seus tempos como cardeal em Buenos Aires, ele costumava ir ao encontro dos catadores de lixo vestidos de trapos, que à noite vasculhavam os depósitos de lixo, conversava com eles oferecendo-lhes seu chá de erva mate, os ajudava. O seu advogado na época, Juan Grabois, é um dos organizadores do encontro. Na platéia, como líder histórico dos “cocaleros”, senta-se o presidente boliviano, Evo Morales, que o Papa recebe durante a noite. Estão lá os “sem-terra” brasileiros [representados pelo sr. João Pedro Stédile, cujo "bem" que fazem ao povo brasileiro deve ser a luta armada, com inúmeras mortes no campo brasileiro, o vilipêndio da propriedade privada..., enfim, o crime!], os “indignados” da Espanha. Da Itália veio também a rede “Genuíno Clandestino ” e Leoncavallo, histórico centro social de Milão que elogia o Papa por ter “trazido o cristianismo de volta às suas origens.”

No geral, “aqui estão catadores de lixo, recicladores, vendedores ambulantes, alfaiates, artesãos, pescadores, camponeses, trabalhadores da construção, mineiros, trabalhadores, membros de cooperativas de todos os tipos e pessoas que realizam trabalhos mais comuns ” define o Papa: “Hoje eu quero unir a minha voz à deles e acompanhá-los em sua luta”. Enfrentar o escândalo da pobreza “não é uma ideologia”, diz Francisco, tem tudo a ver com a “solidariedade” que “em sentido profundo” significa “fazer história” e “lutar contra as causas estruturais da desigualdade”, fazer frente  “aos efeitos destrutivos do império do dinheiro”. Os pobres “não esperam de braços cruzados a ajuda de ONGs ou planos assistenciais”, articula: “Ponham os pés na lama e as mãos na carne. Tenham cheiro de bairro, de povo, de luta”.  Assim o Papa dispara sobre as falhas de “um sistema econômico centrado no deus do dinheiro”, da “grilagem”, da “pilhagem da natureza”, o “crime” da fome, da miséria daqueles que estão nas ruas e são chamados de “sem-teto”, o “excedente” da mão de obra. “Em geral, por trás de um eufemismo tem um delito”.

Francisco rejeita as “estratégias” para “cativar” os pobres e o assistencialismo. Os Movimentos “expressam a necessidade urgente de revitalizar as nossas democracias. É necessário que hajam “novas formas de participação” [no Brasil, ao menos o Congresso vetou tais iniciativas "novas" que, sob roupagem democrática, são, na realidade, totalitárias], de construir “com coragem, mas também inteligência, tenacidade, mas sem fanatismo, paixão, mas sem violência”.  A todos o Papa então presenteia com rosários feitos por artesãos e catadores de lixo. A indiferença: “O mundo se esqueceu de Deus Pai, tornou-se órfão porque O jogaram para um canto. Mas existem os movimentos populares, o “mundo melhor” esperado pelos pobres e pelos jóvens: “Que o vento se transforme em um furacão de esperança. Este é o meu desejo. “
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29 outubro, 2014

A cultura do encontro a serviço dos pobres: Movimentos Populares se reúnem a convite do Papa.

Cidade do Vaticano (RV) – A convite do Papa Francisco, líderes de Movimentos Populares nos cinco continentes estão reunidos a partir desta segunda-feira, em Roma, para três dias de intenso trabalho sobre três temas fundamentais: terra, moradia e trabalho [O Fratres havia divulgado tal evento em dezembro do ano passado].

O evento é organizado pelo Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, em colaboração com a Pontifícia Academia das Ciências Sociais.

“O Papa Francisco não se esqueceu de nós”, declarou um dos organizadores do evento, Juan Grabois, responsável pela Confederação dos Trabalhadores da Economia Popular. “Jorge Bergoglio nos acompanhou por anos no processo de organização dos recicladores, camponeses, vendedores ambulantes, artesãos e herdeiros da crise provocada pelo capitalismo neoliberal”, acrescentou Grabois.

Os temas em debate nesta segunda-feira são: desigualdade e exclusão social, dignidade humana e meio ambiente. A conclusão dos trabalhos desta jornada será feito pelo líder do Movimento dos Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile.

Na terça-feira, no Vaticano, haverá o encontro com o Papa Francisco, com a presença também do Presidente boliviano, Evo Morales, que participará na qualidade de ex-representante dos movimentos populares.

Os representantes brasileiros são numerosos, entre os quais o Movimento de Mulheres Camponesas, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil e a Coordenação Nacional de Entidades Negras.

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28 outubro, 2014

Francisco inaugura busto de Bento, enfatiza unidade de fé e ciência.

Cidade do Vaticano, 27 de outubro de 2014 / 13:46h EWTN News/CNA | Tradução: Fratres in Unum.com: Dirigindo-se à Pontifícia Academia para as Ciências, na segunda-feira, o Papa Francisco inaugurou um busto do Papa Emérito Bento XVI, elogiando seu antecessor e enfatizando a singularidade da humanidade entre o mundo criado.

O Papa Francisco inaugurou um novo busto de Bento XVI nos Jardins do Vaticano em 27 de outubro de 2014. Crédito: Bohumil Petrik/CNA.

O espírito de Bento XVI, disse o Papa Francisco, “longe de desintegrar-se ao longo do tempo, emergirá de geração em geração sempre maior e mais poderoso. Bento XVI: um grande Papa. Grande pelo poder e penetração de seu intelecto, grande por sua significativa contribuição para a teologia, grande por seu amor à Igreja e aos seres humanos, grande por sua virtude e piedade”.

O discurso do Papa em 27 de outubro na Casina Pio IV ocorreu em meio a sessão plenária da Pontifícia Academia para as Ciências, que encarregou Fernando Delia de produzir um busto do Papa Emérito para suas salas.

“Como vocês sabem, o amor (de Bento XVI) à verdade não se restringe à teologia e à filosofia, mas está aberto à ciência”, recordou o Papa Francisco ao grupo, acrescentando que Bento tinha sido nomeado para a academia e tinha convidado o presidente para participar do Sínodo de 2012 sobre a nova evangelização”, consciente da importância da ciência na cultura moderna. Certamente nunca poderíamos dizer a respeito dele que o estudo e a ciência fizeram fenecer sua pessoa e seu amor a Deus e ao próximo, mas, pelo contrário, que a ciência, a sabedoria e a oração alargaram seu coração e seu espírito. Damos graças a Deus pelo dom que Ele tem dado à Igreja e ao mundo, com a presença e o pontificado do Papa Bento XVI.”

Voltando ao tema da assembleia – a evolução do conceito de natureza – Papa Francisco incentivou a academia “a buscar o progresso científico e a melhorar as condições de vida dos povos, especialmente, dos mais pobres.”

O Papa disse que queria salientar que “Deus e Cristo caminham conosco e também estão presentes na natureza.”

“Quando lemos em Gênesis o relato da Criação, corremos o risco de imaginar Deus como um mágico, com uma varinha capaz de fazer tudo. Mas não é assim”, afirmou o Bispo de Roma.

“Ele criou os seres e permitiu-lhes que se desenvolvessem de acordo com as leis internas que deu a cada um, de modo que eles foram capazes de se desenvolver e chegar a sua plenitude de ser. Ele deu autonomia para os seres do universo, ao mesmo tempo em que assegurou-lhes sua presença contínua, dando ser a cada realidade. E assim a criação continuou por séculos e séculos, milênios e milênios, até que se tornou o que conhecemos hoje, precisamente porque Deus não é um demiurgo ou um mágico, mas o criador que dá o ser a todas as coisas”.

O Papa Francisco disse que “o princípio do mundo não é a obra de caos que deve sua origem a outro, mas deriva diretamente de um Princípio Supremo que cria por amor.”

“O Big Bang, que hoje se coloca como a origem do mundo, não contradiz o ato divino da criação, mas sim o exige. A evolução da natureza não contrasta com a noção de criação, como evolução pressupõe a criação de seres que evoluem”.

“No que diz respeito ao homem, no entanto, há uma mudança e algo novo.”

“Quando, no sexto dia da narrativa do Gênesis, o homem foi criado, Deus dá ao ser humano outra autonomia, uma autonomia que é diferente daquela da natureza, que é a liberdade”, disse o Papa Francisco.

Quando Deus diz ao homem para “designar tudo e seguir em frente com a história”, afirmou, “o que o torna responsável pela criação, para que ele possa administrá-la, a fim de desenvolvê-la até o fim dos tempos.”

“Portanto, o cientista e, sobretudo, o cientista cristão, deve adotar a abordagem de colocar questões relativas ao futuro da humanidade e da Terra, e, de ser livre e responsável, ajudando a prepará-la e preservá-la, para eliminar os riscos ao meio ambiente, tanto de índole natural quanto humana. Mas, ao mesmo tempo, o cientista deve ser motivado pela confiança que a natureza esconde, nos seus mecanismos evolutivos, potencialidades para inteligência e liberdade para descobrir e perceber, para alcançar o desenvolvimento que está no plano do criador.”

O Papa Francisco chamou os atos humanos de uma “participação no poder de Deus”, acrescentando que a humanidade é “capaz de construir um mundo adequado para sua vida dupla, corporal e espiritual; de construir um mundo humano para todos os seres humanos e não para um grupo ou uma classe de privilegiados.

“Esta esperança e confiança em Deus, o criador da natureza, e na capacidade do espírito humano pode oferecer ao pesquisador uma energia nova e profunda serenidade”, disse o Pontífice Romano.

“Porém, também é verdade que a ação da humanidade – quando a liberdade se torna autonomia – que não é a liberdade, mas a autonomia – destrói a criação e o homem toma o lugar do criador. E este é o grave pecado contra Deus, o criador”.

Concluindo seu discurso, o Papa Francisco encorajou os membros da Pontifícia Academia para as Ciências a continuarem seu trabalho e suas iniciativas para o benefício dos seres humanos.

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27 outubro, 2014

Asia Bibi escreve ao Papa.


Lahore (RV) –
“Papa Francisco, sou a tua filha Asia Bibi. Imploro-te: reza por mim, por minha salvação e minha liberdade. Neste momento, posso somente confiar em Deus, que é o Todo-poderoso, aquele que tudo pode por mim”: São palavras da cristã Asia Bibi, condenada à morte por blasfêmia no Paquistão, dirigindo-se ao Papa por meio de uma carta. O tribunal de recurso de Lahore confirmou quinta-feira, 23, a sentença de condenação à morte já emitida em primeira instância, em 2010.

“Estou ainda agarrada fortemente à minha fé cristã e tenho confiança em Deus, meu Pai, que me defenderá e me restituirá a liberdade. Confio também em ti, Santo Padre Francisco, e em tuas preces”, escreve a cristã. “Papa Francisco – prossegue – sei que estás rezando por mim com todo o coração. Sei que graças às tuas orações, a minha liberdade poderá ser possível. Em nome de Deus Todo-poderoso e de tua glória, te expresso todo o meu agradecimento por tua proximidade neste momento de sofrimento e desilusão”.

“Minha única esperança – acrescenta – é pode ver um dia minha família reunida e feliz. Creio que Deus não me abandona e tem um projeto de bem e de felicidade para mim, que se concretizará em breve. Estou grata a todas as pessoas que nas comunidades cristãs em todo o mundo rezam por mim e fazem de tudo para me ajudar”, completa.

Segundo um dos advogados de defesa, o cristão Naeem Shakir, “a justiça paquistanesa está cada vez mais nas mãos dos extremistas”.

A cristã foi condenada à morte por enforcamento em novembro de 2010, tendo sido insuficientes os apelos à libertação feitos pelo governador Salman Taseer e o ministro cristão das Minorias, Shahbaz Bhatti, ambos sucessivamente assassinados.

O observatório para a liberdade religiosa no mundo, da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), afirma que no Paquistão, “o pior instrumento de repressão religiosa é a lei da blasfêmia, que continua a causar cada vez mais vítimas”.

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25 outubro, 2014

Papa Francisco: “pela abolição da pena de morte em todas as suas formas”.

Bispo de Roma faz firmes condenações a pontos pacificamente condenados pela agenda politicamente correta. No entanto, nenhuma menção à pena de morte imposta às crianças inocentes e indefesas no ventre de suas mães. “Todos os cristãos e homens de boa vontade são chamados a lutar não apenas pela abolição da pena de morte, legal ou ilegal, em todas as suas formas, mas também para que melhorem as condições carcerárias e respeitem a dignidade humana da pessoa que perdeu sua liberdade”, afirmou o Papa ao receber no Vaticano uma delegação da Associação Internacional do Direito Penal.

Papa Francisco: o direito penal deve respeitar a dignidade da pessoa humana

O Santo Padre recebe a Associação Internacional de Direito Penal e fala de pessoas, pena de morte, prisão perpétua, tortura e tratamentos degradantes

Cidade do Vaticano, 24 de Outubro de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora – O papa Francisco recebeu nesta quinta-feira uma delegação da Associação Internacional de Direito Penal, para os quais fez um importante discurso sobre situações degradantes e dignidade humana.

Pena de morte, presos sem julgamento, “bodes expiatórios”, condições deploráveis dos presídios em boa parte do planeta, tortura, tratamento humilhante, tráfico de pessoas, escravidão e corrupção estiveram entre os males destacados pelo papa. Já “o respeito pela dignidade humana” foi indicado por ele como o ponto de referência para se limitarem as arbitrariedades.

Os meios de comunicação ressaltaram, a propósito deste encontro, “a condenação absoluta da pena de morte, que, para um cristão, é inadmissível”. Neste contexto, o papa falou também das chamadas “execuções extrajudiciais”, apresentadas como consequência indesejada do uso razoável, necessário e proporcional da força para a aplicação da lei.

Francisco recordou que a pena de morte é utilizada nos regimes totalitários como “um instrumento de supressão da dissidência política ou de perseguição das minorias religiosas e culturais”. Ele considerou ainda que a prisão perpétua “é uma pena de morte velada”.

Outro dois pontos enfatizados pelo papa Francisco foram a necessidade de se adotarem instrumentos legais e políticos que não caiam na “lógica mitológica do bode expiatório”, ou seja, do indivíduo acusado injustamente pelas desgraças que afetam uma comunidade e por eles sacrificado. O papa também pediu que se rejeite a crença de que a sanção penal conseguiria gerar benefícios, pois as mudanças só podem ser conseguidas de fato mediante políticas sociais e de inclusão social.

O pontífice não se esqueceu dos presidiários, entre os quais os presos sem condenação e os condenados sem julgamento, afirmando que a prisão preventiva, quando usada de forma abusiva, constitui mais uma forma contemporânea de pena ilícita oculta.

Francisco também falou das condições deploráveis dos presídios em boa parte do planeta: às vezes ela se deve à carência de infraestrutura, mas em muitas outras ocasiões é resultado do “exercício arbitrário e impiedoso do poder sobre as pessoas privadas de liberdade”.

O papa também falou da tortura e de outros tratamentos desumanos e degradantes, afirmando que, em nossos dias, as torturas são administradas não só como um meio para fins particulares, como a confissão ou a delação, mas constituem um sofrimento adicional aos males próprios da detenção.

A doutrina penal como tal tem importante responsabilidade por ter permitido, em certos casos e sob determinadas condições, a legitimação da tortura e dos seus conseguintes abusos.

O papa abordou ainda a aplicação de sanções penais a crianças e idosos, condenando ambos os casos, e falou de formas de criminalidade que ferem gravemente a dignidade da pessoa e o bem comum, como o comércio de pessoas e a escravidão, “reconhecida como crime contra a humanidade e crime de guerra tanto pelo direito internacional quanto por muitas legislações nacionais”.

Entre as formas de criminalidade, Francisco citou também a pobreza absoluta em que vive mais de um bilhão de pessoas, assim como a corrupção. “A escandalosa concentração da riqueza global é possível por causa da conivência dos responsáveis pela coisa pública. A corrupção, em si mesma, é um processo de morte, um mal maior do que o pecado. Um mal que, mais que perdoado, precisa ser sanado”.

“A cautela na aplicação da pena deve ser o princípio reitor dos sistemas penais”. Além disso, “o respeito da dignidade humana não só deve funcionar como um limitador da arbitrariedade e dos excessos dos agentes do Estado, como também deve ser critério de orientação para se perseguirem e reprimirem as condutas que representam os mais graves ataques contra a dignidade e a integridade da pessoa”.

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24 outubro, 2014

Dom Mario Oliveri, bispo “neo-tradicionalista” de Albenga, novo alvo do Vaticano.

Por La Porte Latine | Tradução: Fratres in Unum.com - Savona Il Secolo estampa em sua edição de 22 de Outubro:

“Diocese de Albenga-Imperia, o bispo dos escândalos ladeado por um comissário”, que “terá a função de bispo auxiliar encarregado oficialmente de o ajudar, mas que, de fato, está ali para substituí-lo.”

Dom Mario Oliveri, bispo diocesano de Albenga-Imperia (Itália)

Depois dos Frades Franciscanos da Imaculada, Roma acaba de atingir o bispo Mario Oliveri [foto acima], que errou, em primeiro lugar, ao ver com benevolência os sacerdotes e fiéis da sua diocese que permanecem fiéis ao rito de São Pio V.

Seria o próprio Papa em pessoa que assim teria disposto, após queixas de alguns fiéis e padres progressistas que acusam Dom Oliveri de ser “anacrônico e ultra-tradicionalista” e, particularmente, em seu seminário diocesano, censurando-lhe o uso de vestes pré-conciliar e de problemas diversos entre o reitor e seus seminaristas.

Inicialmente, o núncio apostólico Dom Adriano Bernardini, que tinha sido escolhido para “apoiar”, na verdade, substituir, o Ordinário de Albenga, que não demonstrou grande docilidade apesar do fechamento de dois conventos dos Franciscanos da Imaculada [em sua diocese], ordenados pelo Padre Volpi, também Comissário nomeado por Roma para disciplinar os religiosos muito “cripto-lefevbristas”!

Este novo ataque contra um bispo “neo-tradicionalista” parece totalmente surreal, no momento em que o antigo reitor do seminário em questão, padre Antonio Suetta, foi nomeado bispo de Ventimiglia-San Remo por decisão do próprio papa Francisco. Como escreveu Notions Romaines em sua edição de 22 de Outubro:

“Claramente, a incoerência parece ser a característica do governo bergogliano, principalmente pelo fato de que esta visitação foi ordenada por ninguém menos que o próprio Sumo Pontífice.”

Diante da consternação suscistada pelo desejo de descartar um bispo favorável ao Motu Propio de Bento XVI sobre a “forma extraordinária do rito chamado de São Pio V”, o Vaticano parece querer aliviar as tensões que ele mesmo provocou.

Com efeito, é necessário saber que – “indiretamente” – seria Dom Alberto Maria Careggio, bispo emérito de Ventimiglia-San Remo, Piemonte, de 77 anos, o convidado para “ajudar” Monsenhor Oliveri “muito cansado”…

Dom Carregio é “famoso” por ser o guia de montanha do falecido Papa João Paulo II. Ele também é conhecido, sobretudo, como um oponente notório ao mundo da Tradição e um verdadeiro amigo progressista de Francisco.

Se é ele o escolhido para “socorrer” Dom Oliveri, isso significaria que a Santa Sé tem uma noção por demais ambígua de “socorro ao próximo”, e pode-se facilmente compreender que sobre a futura ajuda se escreve com toda franqueza: “Timeo Danaos et dona ferentes ” ["Temo os gregos ainda quando oferecem presentes"].

* * *

Tal como feito com Dom Rogelio Livieres, no Paraguai, também a mídia anuncia supostos escândalos morais e financeiros na diocese que seriam, certamente, a razão da “solicitude paternal” do Papa Francisco… solicitude, curiosamente, só demonstrada para com conservadores, não é mesmo? De uma hora para outra, os que promovem todo tipo de depravado inveterado, tornam-se bastiões da moralidade eclesial!

Enfim, Dom Oliveri já apareceu no Fratres em outras ocasiões expressando propósitos assaz escandalosos:

20 outubro, 2014

“Onde houver dúvida, que eu leve…

Por Pe. Cristóvão – Fratres in Unum.com

… a fé”. Esta era a oração atribuída a São Francisco, deste que Bergoglio apresenta ao mundo como seu modelo, sua inspiração. De fato, um modelo, mas ao revesso. Com Bergoglio, no que se refere à Igreja, a oração do Seráfico Patriarca de Assis está em perfeita realização, ao contrário.

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“Onde houver fé, que eu leve a dúvida”, sim, pois hoje suas atitudes e palavras demonstram que ele não se preocupa nem em dissimular seu ativismo liberal. Enquanto os bispos católicos se contorciam para defender a doutrina, ele os atacava, explicitamente, impiedosamente, aplicando-lhes as mesmas palavras dirigidas por Nosso Senhor contra os mestres da Lei.

É o que vem reportado por “L’Osservatore Romano”:

“O Papa Francisco exortou a questionar-se sobre o motivo pelo qual os doutores da lei não compreendiam os sinais dos tempos, invocando um sinal extraordinário. E propôs algumas respostas: a primeira é ‘porque eram fechados. Fechados no seu sistema, tinham elaborado muito bem a lei, uma obra-prima. Todos os judeus sabiam o que se podia fazer, o que não se podia fazer, e até aonde se podia ir’. Mas Jesus surpreende-os fazendo ‘coisas estranhas’, como por exemplo ‘acompanhar com os pecadores, comer com os publicanos’. E os doutores da lei ‘não gostavam disso, era perigoso; estava em perigo a doutrina, que eles, os teólogos, tinham elaborado ao longo dos séculos’”.

Quer dizer, de repente, quem era ortodoxo passa a ser “mestre da lei”, “fariseu”, o anátema. Não lhe basta o reproche tout court, pune. O card. Burke, que se comportou nos últimos dias como heroico confessor da fé, segundo informações, está sendo removido do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica.

Bispos africanos sendo vilipendiados por Kasper, por serem mais conservadores. Grupos de bispos se manifestando contra a escandalosa traição do texto de trabalho da “Relatio” ao magistério unânime da Igreja. Manipulações gritantes, que propiciaram a elaboração de um documento que só pode ter sido escrito pelo “Exterminador do futuro”… Senão, como um texto que deveria conter o resultado de umas discussões poderia reproduzi-lo em diversas línguas antes que as mesmas tivessem acontecido? O Vaticano está contratando ciganas? Ou o card. Baldisseri é a versão curial da Mãe Dinah?

Mas os danos não param por aí. A maioria dos padres sinodais foi favorável à inclusão elogiosa aos gays e aos recasados na “Relatio Synodi” – o que é uma vergonha! –, mas, como para a aprovação é necessário o sufrágio de dois terços dos votantes, eles sucumbiram à minoria. Contudo, Bergoglio não se deu por vencido: “em um movimento audaz, o Papa não apenas pediu que se dessem a conhecer os três parágrafos mencionados, mas também deu instruções para que os mesmos façam parte da ‘Relatio Synodi’, ainda que sob a categoria de ‘não aprovados formalmente’. Assim, de fato, deixou aberto o debate sobre os mesmos. A discussão se estenderá durante mais um ano, envolverá todas as dioceses do mundo e concluirá com outra assembleia do Sínodo, em outubro de 2015”.

Este Sínodo é uma piada, e de péssimo, de blasfemo gosto! Entretanto, como dizia o Apóstolo São Paulo, de “Deus não se zomba” (Gal. VI,7). Estes homens perderam o temor do Senhor, estão chamando o juízo de Deus sobre si e, mais dia, menos dia, este virá.

A Igreja virou um inferno a céu aberto, enquanto Bergoglio diz “fazei-me um  instrumento da vossa”… “paz?”. Não!, ninguém pode ser instrumento da paz quando diz sê-lo, mas, com suas ações confessa dia após dia “onde houver união, que eu leve a discórdia”.

Diz, mas talvez também escreva, pois todo este cenário de conflito desenrolava-se sob os salpiques do correio elegante entre Bergoglio e Baldisseri, B&B – daria um lindo logo para uma nova marca de perfumes! Engraçado para quem se acha moderno… Poderiam, ao menos, usar o whatsapp. Assim, poupariam os padres sinodais do constrangimento de se verem manipulados in loco e clamorosamente.

Mas, no fim das contas, Bergoglio é o soberano absoluto, a ele se rende a opinião pública, a Igreja, a fé e…, quem sabe?, até mesmo Cristo – óbvio, não o verdadeiro Cristo-Rei, mas este hippie que eles inventaram, à margem do Evangelho.

Todavia, a desgraça das desgraças, a meu ver, é que estamos testemunhando a “Santa Sé” ensinando a “obstinação no pecado”, “negando a verdade conhecida como tal”, o que a tradição católica, lendo obedientemente a Escritura, chamou sem titubeios de “pecado contra o Espírito Santo”. E isto sem disfarces, à luz do dia.

E as almas vão para o inferno, e Nossa Senhora pede para rezarmos pela conversão dos pecadores, e Bergoglio o acha antiquado… Não! Melhor colocar todo mundo dentro. Afinal de contas, com ele, conversando a gente se entende.

O melhor presente que Bergoglio poderia dar à Igreja seria reconhecer a confusão que está criando e renunciar. Mas, enfim, a sua vaidade nada franciscana não lhe permitirá reconhecer seus erros: ele prefere corrigir os “erros” de toda a Tradição da Igreja, do Evangelho, e até mesmo de Nosso Senhor.

Cabeças vão rolar. O sínodo continua. Novidades vêm aí. E é bom estarmos preparados para a pior de todas as provas: olhar para a Sede de Pedro e encontrar novamente a negação, a recusa, o perjúrio, o grito de “nescio hominem istum quem dicitis”, “não conheço este homem de quem falais” (Marc. XV,71).

Como dizia o Profeta, “não criam, os reis da terra e todos os habitantes do mundo, que entrassem o opressor e o inimigo pelas portas de Jerusalém” (Lam. IV,12).

A São Francisco, disse Cristo: “Vai, e reconstrói a minha Igreja”. Bergoglio ouviu, e o está fazendo, mas ao contrário.

10 outubro, 2014

Sínodo da Família: “Hagan lío!”

Impressionante falta de clareza: depois da decisão de realizar o Sínodo amordaçando bispos, manobra que, segundo alguns observadores, foi realizada para minimizar a forte oposição que a linha Kasper-Bergoglio enfrenta dos demais padres sinodais, agora o porta-voz da Santa Sé se esquiva sobre o que deveria ser seu dever: esclarecer o que ocorre no Vaticano e eliminar confusões. O chamado do Papa Francisco aos jovens no Brasil parece ter sido acolhido no Vaticano como palavra de ordem: “Hagan lío!”. 

* * *

A entrevista em que o Papa se distancia dos “bispos conservadores”. 

Por Le Blog de Jeanne Smits | Tradução: Fratres in Unum.com – A entrevista com o papa publicada pelo jornal argentino La Nacion, em 05 de outubro, citada aqui por Riposte Catholique, merece ser abordada novamente, tanto que o diretor de LifeSiteNews pediu esclarecimentos hoje sobre o assunto, em uma conferência de imprensa sobre o sínodo extraordinário no Vaticano. Enquanto o Papa parece se distanciar dos “bispos muito conservadores”, John Henry Westen pediu um “esclarecimento”, referindo-se ao livro dos cinco cardeais em resposta às propostas do Cardeal Kasper sobre os divorciados recasados.

Resposta do padre Federico Lombardi: “Não tenho conhecimento desta entrevista, não sei absolutamente nada a respeito. Nós não a publicamos e, portanto, não tenho nada a esclarecer, pois mal a conheço”. O porta-voz do idioma inglês para o Sínodo reafirmou que, antes desta questão do LifeSiteNews, a Sala de Imprensa do Vaticano não tinha conhecimento dessa entrevista ou de seu conteúdo.

Trata-se em si de uma novidade. Que o Papa dê entrevistas sem que ninguém tome conhecimento é, no mínimo, curioso, ao que se deve acrescentar que ela foi escrita em grande parte de modo narrativo, sem que possamos saber, em certos pontos, se o jornalista reflete o pensamento do papa ou o seu próprio. O que é certo é que Joaquin Morales Solá deu à entrevista o seguinte título: “A sós com Francisco”. Houve gravação? Ele relata, entre aspas, palavras autênticas? Quem sabe!

Eis as declarações que Morales Solá atribui ao Papa, direta ou indiretamente. Em primeiro lugar, ele observa que o sínodo é apenas consultivo, que tem por tarefa principal aconselhar o papa sobre um tópico específico. O da família.

“Não espere uma definição para a próxima semana”, me disse o papa, ironicamente. “Será um sínodo longo, que durará provavelmente um ano. Eu só lhe dei agora um impulso inicial”, acrescenta. Preocupa-lhe o livro crítico a suas posições que acaba de sair, assinado por cinco cardeais, um deles muito importante? “Não — responde. Todos têm algo a acrescentar. A mim me dá até prazer discutir com bispos muito conservadores, mas bem formados intelectualmente”.

Note-se que Morales Solá atribui aqui as posições contestadas sobre a comunhão a divorciados “recasados” ao próprio Papa Francisco, e não ao cardeal Kasper. Mas daí a saber o que realmente disse o Papa, há uma grande distância.

“O papa soltou as rédeas do sínodo. “Eu fui relator do sínodo de 2001 e havia um cardeal que nos dizia o que devia ser tratado ou não. Isso não acontecerá agora. Até deleguei aos bispos a faculdade que tenho de eleger os presidentes das comissões. Eles farão a eleição, assim como dos secretários e relatores”. “Claro — aponta –, essa é a prática sinodal que me agrada. Que todos possam dizer suas opiniões com total liberdade. A liberdade é sempre muito importante. Outra coisa é o governo da Igreja. Isso está nas minhas mãos, depois das respectivas consultas”, enfatiza. Francisco é um papa bom, mas não um papa governado por outros. Isso está muito claro em sua noção de condução política ou religiosa”.

O que ele, o Papa, espera do sínodo?

“A família é um tema muito valioso, tão caro à sociedade como à Igreja!”, diz, e acrescenta: “Colocou-se muita ênfase sobre o tema dos divorciados. Um aspecto que, sem dúvida, será debatido. Mas, para mim, um problema também muito importante são os novos costumes atuais da juventude. A juventude não se casa. É uma cultura da época. Muitíssimos jovens preferem conviver sem se casar. Que deve fazer a Igreja? Expulsá-los de seu seio? Ou, ao invés, aproximar-se deles, mantê-los e tratar de lhes levar a palavra de Deus? Eu estou com esta última posição”, apontou. “O mundo mudou e a Igreja não pode se fechar em supostas interpretações do dogma. Temos que nos aproximar dos conflitos sociais, dos novos e velhos, e tratar de estender uma mão de consolo, não de estigmatização e não só de acusação”, assinala.

Breve observação. Quando os apóstolos se lançavam estradas e mar afora para espalhar a mensagem de Cristo em terras pagãs, eles, obviamente, estendiam a mão a todos ensinando o amor do próprio Jesus. Eles buscavam ser entendidos — senão, de que adianta? –, mas não desvirtuavam a mensagem porque os gentios não compartilhavam de sua cultura (para dizer o mínimo).

Também percebe-se que o Papa não diz (ou Morales Solá não o faz dizer) nada de preciso. Isso não impede de se prestar contas, nem de se questionar. Onde é que ele realmente quer ir?

8 outubro, 2014

É o Espírito Santo quem elege o Papa?

Eis como responde (com certa ironia) o então Cardeal Ratzinger.

Por Tempi | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – Uma vez perguntaram ao futuro Papa se o Espírito Santo seria o responsável pela eleição dos Pontífices. “Eu não diria isso, no sentido de que é o Espírito Santo que faz a escolha.  Ele é um bom instrutor.”

Hoje, o semanário Avvenire publicou uma interessante resposta de Joseph Ratzinger a uma pergunta que lhe foi dirigida, em 1997, sobre a ação do Espírito Santo no Conclave.

O Espírito Santo é o responsável pela eleição do Papa? Foi o que lhe perguntaram. Ratzinger então, não deixando de lado uma certa ironia no final, respondeu: “Eu não diria isso, no sentido de que é o Espírito Santo que faz a escolha. Eu diria que o Espírito Santo não toma exatamente o controle dessa questão, mas sim, como bom instrutor que é, nos deixa muito espaço, muita liberdade, sem nos abandonar totalmente. De forma que o papel do Espírito deveria ser entendido em um sentido muito mais elástico, não como se ele ditasse em qual candidato se deve votar. Provavelmente, a única segurança que Ele oferece é que o processo não seja totalmente arruinado. Evidentemente que há exemplos demais de Papas que o Espírito Santo jamais teria escolhido”.

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