Posts tagged ‘Teologia da Libertação’

4 setembro, 2014

Teologia da Libertação e PT, união indissolúvel.

O esquerdismo da teologia da libertação é obstinado: sua perfídia em apoiar Dilma, quando toda a nação começa a se manifestar contra o escândalo de um governo ditatorial e corrupto, é imperdoável, sobretudo no impasse que estamos vivendo. Graças a esta confissão explícita de fé socialista-petista, Marina Silva, desgraçadamente, pode ganhar as eleições, quando a Igreja deveria se unir para derrubá-la, tratando o mal pela raiz!

Foi graças à Teologia da Libertação que o PT chegou ao poder, e é graças à ela que esta sua filha, Marina, está às portas de alcançá-lo. Esses senhores, ao invés de continuarem professando estes mesmos erros, deveriam fazer uma pública declaração de culpa e se arrependerem de sua dureza de coração. Não arrancando o mal pela raiz, estão ainda promovendo as duas filhas de Lula.

Não somos daqueles que crêem que uma vitória de Aécio traria uma reviravolta positiva para a nação. Contudo, tratando-se de uma eleição entre três candidatos péssimos, deveria-se escolher aquele que destruirá a nação menos rapidamente, e que nos possibilitará alguma margem de contorno.

Parece mesmo que Deus está castigando a Igreja do Brasil, primeiro, enviando pastores que entregam suas ovelhas aos lobos, e, segundo, permitindo que uma presidente socialista, eco-protestante-fundamentalista e auto-suficiente chegue ao mais alto posto de comando do país, sob uma áurea pseudo-mística.

Deus tenha misericórdia da Igreja, Deus salve o Brasil!

* * *

Leonardo Boff avalia Dilma, Marina e eleições 2014

Para Leonardo Boff, “Dilma é ainda a melhor opção para o povo brasileiro”. O filósofo, que foi professor de Marina Silva, também avaliou as principais mudanças de sua ex-aluna desde que a conheceu, no Acre, até agora, candidata à Presidência da República

Líder religioso, intelectual e militante de causas sociais, Leonardo Boff acredita que a presidente Dilma Rousseff (PT) “é a melhor opção para o povo brasileiro”. Ao explicar sua resposta, ele afirma que “os fatos falam por si”. “Até hoje nenhum governo fez políticas públicas cuja centralidade era o povo marginalizado, os invisíveis, considerados óleo gasto e zeros econômicos”, avalia. Quem fez isso com sucesso deve poder continuar a fazê-lo e de forma mais profunda e abrangente”, acrescenta Boff.

Leonardo Boff, Dilma e Marina (Pragmatismo Político)

Leonardo Boff, Dilma e Marina (Pragmatismo Político)

Em entrevista concedida ao jornalista Paulo Moreira Leite (leia a íntegra aqui), ele constata haver “um mal estar generalizado no mundo”. “Todos têm a sensação de que assim como o mundo está não pode continuar. Tem que haver mudanças”, ressalta, reforçando o que diz as pesquisas, segundo as quais mais de 70% da população desejam mudanças no País, e justificando a causa das manifestações de junho, de que o brasileiro quer mais do que já consegue hoje.

“Há ainda um fator novo: as políticas públicas do PT que tiraram 36 milhões da pobreza foram incorporadas como coisa natural, um direito do cidadão. Ora, o cidadão não tem apenas fome de pão, de casa, de luz elétrica. Tem outras fomes: de ensino, de cultura, de transporte minimamente digno, de saúde razoável e de lazer. A falta de tais coisas suscita uma insatisfação generalizada que faz com que esta eleição de 2014 seja diferente de todas as anteriores e a mais difícil para o PT. Precisamos de mudança. Mas dentre os partidos que podem fazer mudanças na linha do povo, apenas vejo o PT, desde que consolide o que fez e avance e aprofunde as mudanças novas atendendo as demandas da rua. Dilma é ainda a melhor para o povo brasileiro”.

Questionado a avaliar a mudança de Marina Silva desde que a conheceu, no Acre, quando foi sua aluna, até 2014, quando se candidata à Presidência da República pelo PSB, Boff observa, como primeiro ponto, a mudança de religião. “De um cristianismo de libertação, ligado aos povos da floresta e aos pobres, passou para um cristianismo fundamentalista que tira o vigor do engajamento e se basta com orações e leituras literalistas da Bíblia”.

Para Boff, a candidatura da ex-senadora “representa uma volta ao velho e ao atrasado da política, ligada aos bancos e ao sistema financeiro. Seu discurso de sustentabilidade se tornou apenas retórico”. Em sua visão, Marina não possui a habilidade de articulação. “Se vencer, oxalá não tenha o mesmo destino político que teve Collor de Mello”, prevê. Na entrevista, ele comenta ainda sobre o pessimismo generalizado no País – “grande parte induzido por aqueles que querem a todo custo e por todos os meios tirar o PT do poder” – e dá sua opinião sobre a mídia: “hoje, com a oposição fraca, eles se constituíram a grande oposição ao governo do PT”.

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Bispo de Jales teme fundamentalismo de Marina.

No último sábado, Dilma Rousseff foi recebida pelo Bispo de Jales, Dom Demétrio Valentini. Ontem o bispo pagou a visita, em entrevista para o jornal Valor Econômico, atacando Marina Silva. O Brasil vivendo uma guerra religiosa. Pobre país!

Dilma e Dom Demétrio Valentini

Dilma e Dom Demétrio Valentini

A possível vitória na eleição presidencial da ex-ministra Marina Silva (PSB), uma evangélica da Assembleia de Deus, já reaproximou a presidente Dilma Rousseff (PT) da ala progressista da Igreja Católica. O clima, entretanto, é de pessimismo e a relação com a petista ainda é fria, como demonstra em entrevista ao Valor Pro o bispo de Jales (SP), dom Demétrio Valentini.
 
O prelado recebeu Dilma em sua diocese no último sábado, quando a presidente foi ao interior paulista para um encontro com o PMDB. Dom Demétrio é integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), instituído pela Presidência da República e que poucas vezes se reuniu no governo Dilma. O bispo se manifestou no mesmo dia em que outro expoente do pensamento progressista católico, o ex-frei Leonardo Boff, chamou Marina de “Jânio de saias”, em entrevista ao portal Brasil 247. A seguir, a entrevista concedida por dom Demétrio, por telefone, ao Valor:
 
Valor: Marina Silva é a primeira política pertencente a outra religião com chances concretas de se eleger presidente da República. Que tipo de efeito essa circunstância pode gerar para a Igreja Católica e para a sociedade brasileira?
Dom Demétrio Valentini: Caso ela seja eleita, a Marina também será a primeira governante egressa das antigas Comunidades Eclesiais de Base. Ela tem origem católica, ingressou na vida social pela sua origem católica. Agora, a gente tem medo do fundamentalismo que ela pode proporcionar. Existe na Marina uma tendência ao radicalismo, pela convicção exagerada ao defender seus valores e suas motivações, que pode derivar para o fundamentalismo.
 
Valor: O que seria este fundamentalismo?
Valentini: É o risco de fazer da religiosidade um instrumento de ação política. No Brasil, cada igreja evangélica tem seu candidato. No caso da Igreja Católica, isto é de um tempo anterior ao Concílio, isto acabou.
 
Valor: O que o senhor sente entre os fiéis da comunidade católica de Jales?
Valentini: Sinto um somatório de fatores favoráveis a Marina. A comoção pelo desastre que vitimou Eduardo Campos, a vontade de se ter algo diferente, o desejo de mudança. Estou intuindo que a situação é irreversível. A não ser que haja uma reviravolta em que comecem a pesar as fragilidades de Marina, que não estão no fato de ela não ser católica. Estão em ela ter pouca articulação política e portanto existirem dúvidas sobre como ela vai governar.
 
Valor: Surpreendeu ao senhor o fato da presidente Dilma o ter procurado?
Valentini: A você surpreendeu? Dilma foi bastante reticente com as instituições que fazem a intermediação política da sociedade. Ela não estabeleceu muitas pontes, mas comigo se sentiu acolhida, as portas para ela ficaram abertas. Em 2010 eu escrevi um artigo rebatendo posições dentro da Igreja contrárias à sua eleição. Aquilo foi importante, porque havia manifestações na hierarquia católica contra o voto em Dilma. Restaurou-se um ambiente de confiança no equilíbrio político da CNBB. Foi há quase quatro anos. Ela sabia que estava me devendo um gesto e lembrou aqui deste episódio. Para mim, todos os candidatos merecem apoio. Um candidato está sujeito a muitas ciladas, é uma posição extremamente difícil.
 
Valor: Por que o senhor diz que ela não estabeleceu pontes?
Valentini: A Dilma tem um estilo mais autoritário, ela pouco nos convocou. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o fazia com muita frequência. Em 2005, quando estourou a crise do mensalão, ele convocou uma reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o ‘Conselhão’. Era um momento em que a possibilidade de ‘impeachment’ era muito palpável. Pediram que eu abrisse a reunião, que fosse um dos três conselheiros a falar antes do presidente e eu fiz uma manifestação a favor da continuidade do governo. Dilma delegou a terceiros certas formalidades. Ela se sente muito segura em suas posições e acha que pode prescindir de certos contatos, tem um temperamento fechado. Quem se manteve firme no diálogo foi o ministro Gilberto Carvalho (da Secretaria Geral da Presidência).
 
Valor: A eleição de um novo papa no ano passado facilitou o diálogo do governo com a Igreja?
Valentini: Dilma ao chegar aqui viu o retrato do papa Francisco e falou: ‘Agora temos um papa que nos apoia”. Ela também viu o retrato do papa emérito Bento XVI. Nós tivemos no Brasil aquela circunstância dos protestos populares de junho e para Francisco foi um desafio vir ao Brasil logo depois. Ele esconjurou o temor de que iríamos para o caos e mostrou que existe uma juventude que está disposta a colaborar, a construir algo. Construiu-se um ambiente de respeito ao papa que vai muito além das fronteiras da Igreja.
 
Valor: Mas Dilma está certa em achar que Francisco a apoia e Bento XVI não o fazia?
Valentini: Não há porque fazer esta comparação e Dilma não a fez. Mas Francisco motivou a Igreja para ser mais aberta, a dialogar com setores que estão fora.
20 agosto, 2014

Renasce a inquisição. No banco dos réus, os bons padres.

Nota de Pe. Cristóvão e Pe. Williams - Fratres in Unum.com

Os marxistas são obcecados pelo poder. Em tudo, projetam apenas sua própria volúpia por ele. Acusam os outros de tal ambição, enquanto denunciam-na em si mesmos. São doentes.

D. Hélder Câmara, sempre de batina, idolatrado por seus seguidores, admirado, eloquente, com grande poder de sedução, também seria um narcisista, desequilibrado, sociopata?

D. Hélder Câmara, sempre de batina, idolatrado por seus seguidores, admirado, eloquente, com grande poder de sedução, também seria um narcisista, desequilibrado, sociopata?

Nossa equipe do Fratres in Unum reproduz, a seguir, o artigo do ex-padre José Lisboa Moreira de Oliveira, publicado por uma das maiores mídias da Teologia da Libertação no Brasil, o site “Adital”, para que nossos leitores percebam o ódio visceral que têm pelo sacerdócio católico.

De fato, está se armando uma verdadeira inquisição contra o que sobrou do bom clero católico em nosso país. Querem dar fim aos bons padres e seminaristas, e introduzir na mente dos fieis uma dúvida acerca de sua idoneidade moral e psíquica, simplesmente porque usam um clergyman ou uma batina.

O artigo está dividido em duas partes. Na primeira, o autor magoa-se pela suposta indiferença do clero ao Papa Francisco. Seu cinismo grita em cada linha, sobretudo por bradar amores ao Papa, servindo-se apenas do que lhe convém em suas palavras. Detrataram Bento XVI e agora protestam contra a atitude equilibrada de quem, não caindo em sua armadilha de colocar dialeticamente um papa contra o outro, interpreta cada palavra à luz estrita da perene tradição da Igreja.

Na segunda, dá voz a uma psicanalista, que interpreta toda sacralidade do ministério ordenado como manifestação narcisista psicopatológica, jogando no mesmo nível dos desequilibrados aqueles que simplesmente têm um amor zeloso por seu próprio ministério, a exemplo dos santos. Para essa autora, os santos de ontem e de hoje seriam todos narcisistas, sociopatas e pervertidos.

Remetemos o leitor ao livro de Michael S. Rose, Goodbye, good men (Regnery Publishing, Washington D.C., 2002), que descreve como a infiltração de psicólogos desse tipo nos seminários norte-americanos propiciou, décadas depois, a corrupção moral que eclodiu nos escândalos de pedofilia. Obviamente, um sacerdote sem apreço por seu ministério será um ente em crise de identidade, com complexo de inferioridade, que facilmente se entregará ao pecado, como a maior parte dos ex-padres que propalam este farisaico liberalismo, patrocinados por gente como aquela autora.

Conseguimos o e-mail do autor deste artigo. Caso queiram pronunciar-se a respeito, escrevam para jlisboa56@gmail.com. Pedimos apenas que partilhem conosco seus comentários.

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Os impostores do Ministério da Ordem 

Por José Lisboa Moreira de Oliveira – Adital: O meu amigo, Pe. José Antônio, do clero da arquidiocese de Mariana (MG), com quem tive a grata satisfação de trabalhar no Setor Vocações e Ministérios da CNBB (1999-2003), em recente artigo divulgado na internet, levantava a pergunta acerca do principal medo do papa Francisco. A pergunta poderia ser muito bem invertida para evidenciar quais são as pessoas que, na Igreja Católica, mais temem as audaciosas propostas de renovação apresentadas pelo papa Francisco, e que, a meu ver, estão condensadas na sua exortação Evangelli Gaudium. Quem, na Igreja Romana, teria medo de propostas como esta: “Convido todos a serem ousados e criativos nesta tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respectivas comunidades” (EG, 33)?

Com certeza estariam em primeiro lugar os grupos católicos ultraconservadores, bem representados pela Fraternidade São Pio V, fundada pelo bispo cismático Lefebvre. Porém, os conservadores católicos não causam tanto medo ao papa e nem o papa lhes provoca medo. Reagir a toda mudança na Igreja está no DNA desses grupos, os quais acreditam piamente que o único modelo histórico de Igreja é aquele construído a partir do Concílio de Trento, ou, pior ainda, a partir do espírito da Contrarreforma.

Quem, então, causaria medo ao papa Francisco, ou, melhor dizendo, quem tem medo das propostas do papa Francisco? Pe. José Antônio, sem rodeios, afirma que é o “clero camaleônico”, ou seja, aqueles padres que vendo o ministério ordenado como status, como profissão bastante rentável, como pedestal para a fama e o sucesso, temem um papa que insiste em dizer que o ministério ordenado é serviço e que os padres precisam “sentir o cheiro das ovelhas”.

Prosseguindo em sua reflexão, o Pe. José Antônio alerta para um particular assustador: a quase totalidade desse “clero camaleônico” é formada por padres jovens e por seminaristas, futuros padres, que já se comportam como se fossem ministros ordenados. É assustador porque era de se esperar que padres jovens e seminaristas, formados depois do Concílio Vaticano II, fossem capazes de acolher com entusiasmo e paixão a proposta de renovação da Igreja apresentada pelo papa Francisco. Mas não é isso que estamos vendo. Boa parte deste clero permanece indiferente ao que o papa Francisco vem dizendo. Sinal claro dessa indiferença é a falta de divulgação, de conhecimento, de estudo e de aplicação pastoral da exortação Evangelli Gaudium. Pude constatar isso pessoalmente em recente assessoria a um grupo numeroso de pessoas, na sua quase totalidade formada por leigos, sobre a exortação papal. A queixa geral era de que os padres não falam da Evangelli Gaudium. Constatou-se inclusive o caso de padres que nem sequer sabiam da existência da exortação. Há poucos dias uma senhora de uma paróquia do interior da Bahia perguntava ao jovem pároco de sua cidade porque na sacristia da igreja paroquial ainda não tinha sido colocada a fotografia do papa Francisco. Queria saber porque tudo tinha parado na foto do papa Bento XVI. O pároco respondeu-lhe que a razão era o fato de que os vidraceiros da cidade estavam sem moldura. Conversa essa que não colou, pois a senhora, do alto da sua experiência de idosa, percebeu que o pároco estava mentindo.

Mas há também aquele grupo de padres e de seminaristas que faz de conta que acolhe as propostas do papa Francisco. Age, porém, como camaleão, por mero oportunismo e para continuar levando vantagem em tudo, visando não perder as benesses oferecidas pelo acesso ao ministério ordenado. Este grupo de clericais externamente faz de conta que aderiu ao papa Francisco, mas, na prática, sempre que pode, oculta, desvirtua e desvia os ensinamentos papais, não permitindo que o povo tome conhecimento daquilo que o papa Francisco está propondo com certa insistência.

Diante do que acabamos de expor vem de imediato a pergunta: o que leva padres e seminaristas a agir desta forma? Por que temem o papa Francisco? Por que agem com indiferença ou fazendo de conta que acolhem a palavra do bispo de Roma?

Inúmeros estudos publicados nos últimos anos explicam de modo suficiente este problema. São estudos com dados incontestáveis, baseados em pesquisas sérias. A própria Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB) e a Comissão Nacional de Presbíteros (CNP) patrocinaram alguns desses estudos.

Duas causas estariam por trás desse comportamento. A primeira delas é a visão de vocação presbiteral como sendo a vocação por excelência. Ser padre é “dez”, é estar acima de qualquer coisa. Chegar a ser padre é colocar-se acima de tudo e de todos os mortais. A segunda causa seria o desejo das dioceses de suprir a falta de padres, levando-as a admitir nos seminários e no presbitério verdadeiros impostores que olham para o ministério ordenado como a forma mais fácil de adquirir poder, status, fama e dinheiro. A tais pessoas não lhes importa o serviço ao povo, mas as vantagens que vão ter com o acesso ao ministério ordenado.

A filósofa, socióloga e teóloga Arlene Denise BACARJI realizou recentemente um estudo sobre essa questão, baseando-se em dados de pesquisas feitas em diversas partes do mundo por eminentes pesquisadores. O próprio título do seu estudo é, por si mesmo, bem sugestivo: A impostura no Ministério da Ordem. Transtornos de personalidade e perversão no Clero à luz da psicanálise e da psiquiatria*. O estudo acaba de ser publicado pessoalmente pela autora. É lamentável que ela não tenha encontrado uma editora católica capaz de assumir a publicação, obrigando-a a fazer uma edição privada. Essa recusa não deixa de trazer um grande prejuízo para a própria Igreja Católica.

Em seu estudo, depois de analisar a origem do problema da impostura no Ministério da Ordem, a autora se detém cuidadosamente na reflexão sobre os transtornos e as perversões dentro dos quadros da Igreja, particularmente entre o clero. Fala dos desvios institucionais, de personalidade antissocial, narcisista patológica e sobre as perversões propriamente ditas. No final aponta algumas possibilidades de saída do impasse.

Arlene Bacarji mostra como a natureza hierárquica, uma falsa compreensão da misericórdia, a segurança que o ministério ordenado proporciona e o celibato visto como um modo de não se relacionar em profundidade com ninguém atraem com muita facilidade pessoas com transtorno de personalidade e muita gente perversa. A pessoa com essas patologias “sempre consegue um bispo desavisado, misericordioso, confiante em sua remissão, que o acolherá” (p. 36). Bacarji lembra que o sistema eclesiástico favorece tais pessoas, uma vez que “elas aprendem rapidamente como subir em postos de poder, como fazer para serem elevados a bispos, cardeais” (p. 43).

A autora apresenta o perfil do impostor no Ministério da Ordem: “O poder, o brilho, o sucesso, só dependem de sua eloquência no altar, de sua capacidade de sedução e poder de atração, e de sua capacidade retórica, persuasão, de introjetar os sentimentos e emoções na sua fala de modo que impressione o público, para que seja admirado, endeusado e adorado. O Altar se torna um palco. Pois a oficialização desse poder já está dada. A impostura no Ministério da Ordem por estas personalidades todas que tratamos neste livro se caracteriza pela grandessíssima capacidade da pessoa de fazer ‘teatro’. Elas representam muito bem” (p. 43). E representam tão bem que são capazes de camuflar a aversão ao papa Francisco e ao que ele propõe, bastando para tanto apenas um “discurso bonito” (p. 44), ou seja, aquele discurso lacunar, através do qual a pessoa fala um monte de baboseira que seduz os desprovidos de senso crítico, mas que não diz absolutamente nada.

O que fazer? Existem saídas? É claro que sim. O problema é saber se os bispos estão dispostos a colocá-las em prática. Eu aponto pelo menos três. A primeira delas é desmistificar a figura do padre, retirando dele toda auréola sacral que o envolve. Apresentá-lo como um homem comum, normal, igual aos outros, chamado por Deus a ser diákonos, ou seja, mero servidor dos demais. Homem sinal sacramental de Cristo servo de todos, que veio para servir e não para ser servido (Mc 10,35-45). Nessa perspectiva o acento deve ser colocado sobre a vocação comum batismal, como nos lembrou o Vaticano II na Lumen Gentium. O importante não é ser padre, mas discípulo, seguidor de Jesus, missionário, como enfatiza diversas vezes o Documento de Aparecida.

Uma segunda saída seria a revisão do atual modelo de ministério ordenado, focado excessivamente no padre celibatário que passa entre oito e nove anos no seminário e que sai de lá bastante treinado para ser “aparentemente normal”, mas que, na prática, é uma pessoa cindida, tendendo para a mentira crônica (Bacarji, p. 45-64). Não há como resolver o problema da impostura no ministério ordenado enquanto não se fizer uma reforma séria no ministério ordenado, incluindo nele novas formas de ministérios que descentralizem o poder e quebrem o monopólio e o autoritarismo dos padres.

A terceira proposta de saída é a mudança de comportamento com relação a essas pessoas. Bacarji lembra “que Cristo e o Evangelho não são tolerantes com a hipocrisia e com a falsidade” (p. 45). Por isso, ela afirma que “a misericórdia com estas pessoas deve ser pensada em outros moldes que não a habitual. Talvez seja mais misericordioso impedi-las de terem oportunidade de vivenciar suas perversões e patologias antissociais ou narcisistas, fazendo mal às pessoas da Igreja, à própria Igreja, a Deus e a si” (p. 67). Isso significa que a formação inicial dos candidatos aos ministérios ordenados precisa ser mais séria, capaz de identificar possíveis impostores e impedindo-os de chegar à ordenação. Mas para isso é preciso que à frente dos seminários estejam pessoas equilibradas e não seres transtornados e perversos.

Por fim, é preciso dizer que a maioria dos padres é formada por homens honestos, sérios, simples e inteiramente doados ao povo. E isso é uma grande consolação. Mas, na maioria das vezes, esses padres não são valorizados, não são apresentados pela mídia católica, sendo sobrepujados pelos impostores, geralmente midiáticos e “carismáticos” que se apresentam ao povo como os únicos modelos de presbíteros. Com isso o estrago está feito, pois o povo, iludido por “lobos vestidos com peles de ovelhas” (Mt 7,15), acaba deixando-se seduzir. “As batinas, hábitos, clergyman, para estas pessoas, representam poder e também especialidade em relação aos outros mortais, por isso muitos deles fazem questão dessas coisas já desde o seminário” (BACARJI, p. 62). Precisamos, pois, estar muito atentos, pois a impostura no ministério ordenado “costuma confundir muitos superiores e a todos nós” (Ibid., p. 70).

*O livro de Arlene Bacarji pode ser solicitado pelo e-mail arlened@uol.com.br

6 agosto, 2014

O escandaloso levantamento da suspensão a divinis de Miguel d’Escoto.

Por Yves Daoudal | Tradução: Fratres in Unum.com - « O Papa Francisco aprovou o levantamento da suspensão a divinis do Padre Miguel d’Escoto », nos deu a conhecer ontem a Rádio Vaticano.

Miguel d'Escoto

Miguel d’Escoto

Miguel d’Escoto foi um expoente da teologia da libertação, o que a Rádio Vaticano traduziu assim:

“Muito engajado em favor da justiça social, dos pobres e das populações desfavorecidas, foi um dos fundadores, em Nova York, do Grupo dos Doze, composto por intelectuais e membros de profissões liberais que apoiaram a Frente Sandinista de Libertação Nacional, em sua luta para derrubar o ditador Somoza”.

Mais tarde, foi durante mais de dez anos ministro das Relações Exteriores do governo sandinista (comunista estilo cubano). Durante a primeira visita de João Paulo II a Nicarágua, ele havia organizado para o Papa, com seus confrades [também padres] Ernesto Cardenal, ministro da Cultura, e Fernando Cardenal, ministro da Educação, uma missa revolucionária, que teve lugar diante de retratos gigantes dos fundadores da Frente sandinista de Libertação Nacional.

João Paulo II, que havia criticado publicamente a atividade política desses três sacerdotes (no momento em que o regime sandinista travava uma guerra contra os cristãos), terminou por suspendê-los a divinis em 1985.

Rádio Vaticano continua:

“Nos últimos anos, ele abandonou seu engajamento político e enviou uma carta ao Santo Padre para manifestar seu desejo de novamente celebrar a Eucaristia antes de morrer”.

Mas aqui está a verdade. Dita pelo próprio Miguel d’Escoto, entrevistado ontem na televisão da Nicarágua. Ele revelou que o levantamento das sanções foi possível graças ao apoio da Núncio Apostólico na Nicarágua, Dom Fortunato Nwachukwu, que o aconselhou a escrever ao Papa. E então declarou:

“O Vaticano pode reduzir todo mundo ao silêncio, então Deus fará as pedras falarem, e as pedras vão transmitir a sua mensagem, mas Deus não fez isso, ele escolheu o maior dos latino-americanos de todos os tempos: Fidel Castro. É através de Fidel Castro que o Espírito Santo nos envia a mensagem. Esta mensagem de Jesus, da necessidade da luta para estabelecer, firmemente e de forma irreversível, o reino de Deus nesta Terra, que é a sua alternativa ao império”.

Obrigado, Francisco.

* * *

Nota do Fratres: Ao contrário do que agências de notícias católicas divulgam, o sacerdote revolucionário não abandonou a política. Na realidade, continua sendo assessor para assuntos limítrofes e de relações internacionais do governo do presidente de Nicarágua, o sandinista Daniel Ortega.

6 abril, 2014

Foto da semana.

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Vaticano, 4 de abril de 2014 – Tirando a batina do fundo do baú, cheirando naftalina, o bispo comunista Dom Erwin Krautler, queridinho da CNBB (ele sempre tem papel de destaque nas fastidiosas Assembleias Gerais), foi recebido pelo Papa Francisco para tratar das violações aos direitos indígenas. Dom Krautler é presidente do CIMI – órgão que promove radicalmente a revolução socialista com apoio governamental e, como não poderia deixar de ser, da CNBB.

Sua Excelência, um branco austríaco cujo carisma é “ajudar e prevenir os índios a não caírem no mundo do branco, que é um mundo viciado“, vencedor de um “Prêmio Nobel” da segunda divisão dado a esquerdistas empedernidos, esteve acompanhado do Padre Paulo Suess que, não satisfeito em promover a desordem no âmbito social, quer estender sua revolução à Igreja. É ele quem conta em seu blog:

“Na recepção pelo Papa Francisco, entreguei um pequeno texto sobre o fato de que 70% das nossas comunidades estão sem eucaristia. Confrontei a realidade com textos do magistério da Igreja. O papa me respondeu: “Eu falei aos bispos no Rio que, particularmente, na Amazônia precisam ter coragem e propor soluções.”como montar uma empresa

E então Pe. Suess dá sua proposta “comunistarista”:

“A Igreja, que é sacramento de vida, assume coletivamente essa carência e a sana coletivamente: um grupo de viri probati celebra em conjunto a Eucaristia. A Igreja os convoca e encarrega para fazer comunitariamente, o que nenhum deles pode fazer sozinho.”

Ou seja, viri probati – homens provados (leigos comuns ou ordenados?) reunidos celebram a “Ceia” — pois o Santo Sacrifício da Missa isso não é nem nunca será, Sr. Suess, tal como Católicas as suas idéias e as de seus amiguinhos do CIMI não são. Por favor, Sr. Suess, seja coerente: renuncie aos privilégios do mundo branco viciado (como viajar a Roma — poderia ter ido de canoa? –, ter blog e facebook, etc), vá fundar sua igrejola protestante, isole-se no meio da Amazônia com a sua tribo e deixe a Igreja Católica em paz!

A seguir, matéria divulgada pelo CIMI:

11 março, 2014

Um herói (marxistoide) no Vaticano.

Com informações de Catapulta | Tradução: Fratres in Unum.com (destaques do original) - “Na terça-feira passada, o fundador da Teologia da Libertação, a corrente católica de inspiração latino-americana que defende os pobres, foi recebido como um herói no Vaticano, no momento em que o outrora criticado movimento continua a sua reabilitação com o papa Francisco.

O reverendo Gustavo Gutiérrez Merino, do Peru, foi o orador surpresa nessa terça-feira, no lançamento de um livro, que contou com a participação do cardeal Gerhard Mueller, chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, entidade encarregada de cuidar para que os sacerdotes não se afastem dos ensinamentos centrais da Igreja; do cardeal Óscar Rodríguez (Maradiaga) um dos principais assessores do Papa, e do porta-voz do Vaticano”

http://www.jornada.unam.mx/2014/02/27/mundo/

Vatican Insider fornece mais detalhes sobre a apresentação do livro:

“Pobre e para os pobres”. As palavras do Papa são também o título do mais recente livro de Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. (que aparece na foto vestindo um poncho). Um texto que parece ser o passo definitivo em direção a uma Teologia da Libertação “normalizada”. A edição, que conta com o prólogo de Francisco, foi apresentada em um auditório do Vaticano…

Müller é o principal artífice dessa “normalização” de uma corrente de pensamento que ainda provoca debates acalorados na América Latina. Ele é amigo pessoal de Gutiérrez, “pai” dessa teologia, há décadas. Após a apresentação do livro, o brilhante cardeal alemão explicou aos jornalistas porque ele a apoia sem duvidar.

http://vaticaninsider.lastampa.it/es/en-el-mundo/dettagliospain/articolo/teologia-della-liberazione-teologia-de-la-liberacion-32380/

Agora vamos lá, em 1973 o fundador Gutiérrez publicou Fe cristiana e cambio social, onde aparecem as seguintes pérolas “católicas” e das quais nunca se arrependeu:

 “… a luta de classes é um fato, e é impossível manter a neutralidade nesse tema”.

“… não há nada mais certo do que um fato. Ignorá-lo é enganar e deixar-se enganar e, além disso, privar-se dos meios necessários para eliminar verdadeira e radicalmente essa condição ‒ ou seja, avançar até uma sociedade sem classes“.

“Participar da luta de classes não somente não se opõe ao amor universal; hoje em dia, esse compromisso é o meio necessário e inevitável para concretizar esse amor, uma vez que essa participação é o que conduz a uma sociedade sem classes, uma sociedade sem proprietários e despossuídos, sem opressores e oprimidos”.

“… a missão da Igreja se define prática e teoricamente, pastoral e teologicamente, em relação… ao processo revolucionário. Ou seja, a sua missão se define mais pelo contexto político do que por problemas intra-eclesiais”.

“… a luta de classes existe dentro da mesma Igreja… a unidade da Igreja (é)… um mito que deve desaparecer se a Igreja é “reconvertida” ao serviço dos trabalhadores na luta de classes”.

No mundo atual a solidariedade e o protesto de que falamos têm um evidente e inevitável caráter político, tanto que têm um significado libertador. Optar pelo oprimido é optar contra o opressor. Em nossos dias e em nosso continente, solidarizar-se com o pobre assim entendido, significa correr riscos pessoais… É o que ocorre a muitos cristãos – e não cristãos – no processo revolucionário latino-americano”. (Ver Postagem de 11 de setembro de 2013 “MÁS ALIENTO A LA REVOLUÇÃO” http://www.catapulta.com.ar/?p=11414)

8 janeiro, 2014

Íntegra da mensagem do Papa Francisco ao Intereclesial das CEB’s.

Queridos irmãos e irmãs,

Dom Orani celebra missa em preparação para o Intereclesial das CEBs.

Dom Orani celebra missa em preparação para o Intereclesial das CEBs.

É com muita alegria que dirijo esta mensagem a todos os participantes no 13º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, que tem lugar entre os dias 7 e 11 de janeiro de 2014, na cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará, sob o tema “Justiça e Profecia a Serviço da Vida”.

Primeiramente, quero lhes assegurar as minhas orações para que este Encontro seja abençoado pelo nosso Pai dos Céus, com as luzes do Espírito Santo que lhes ajudem a viver com renovado ardor os compromissos do Evangelho de Jesus no seio da sociedade brasileira. De fato, o lema deste encontro “CEBs, Romeiras do Reino, no Campo e na Cidade” deve soar como uma chamada para que estas assumam sempre mais o seu importantíssimo papel na missão Evangelizadora da Igreja.

7 de janeiro de 2014 - Trem das CEBs abrem celebração de Dom Fernando Panico, bispo de Crato.

7 de janeiro de 2014 – Trem das CEBs abrem celebração de Dom Fernando Panico, bispo de Crato.

Como lembrava o Documento de Aparecida, as CEBs são um instrumento que permite ao povo “chegar a um conhecimento maior da Palavra de Deus, ao compromisso social em nome do Evangelho, ao surgimento de novos serviços leigos e à educação da fé dos adultos” (n.178). E recentemente, dirigindo-me a toda a Igreja, escrevia que as Comunidades de Base “trazem um novo ardor evangelizador e uma capacidade de diálogo com o mundo que renovam a Igreja”, mas, para isso é preciso que elas “não percam o contato com esta realidade muito rica da paróquia local e que se integrem de bom grado na pastoral orgânica da Igreja particular” (Exort. Ap. Evangelii gaudium, 29).

Queridos amigos, a evangelização é um dever de toda a Igreja, de todo o povo de Deus: todos devemos ser romeiros, no campo e na cidade, levando a alegria do Evangelho a cada homem e a cada mulher. Desejo do fundo do meu coração que as palavras de São Paulo: “Ai de mim se eu não pregar o Evangelho” (I Co 9,16) possam ecoar no coração de cada um de vocês!

Por isso, confiando os trabalhos e os participantes do 13º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base à proteção de Nossa Senhora Aparecida, convido a todos a vivê-lo como um encontro de fé e de missão, de discípulos missionários que caminham com Jesus, anunciando e testemunhando com os pobres a profecia dos “novos céus e da nova terra”, ao conceder-lhes a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 17 de dezembro de 2013

Fonte: Site oficial do 13º intereclesial das CEB’s

23 dezembro, 2013

Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Müller: “Lefebvrianos são cismáticos de facto”, o fundador da Teologia da Libertação “sempre foi ortodoxo”.

Por Rorate Caeli – Tradução: Fratres in Unum.com: De uma entrevista concedida pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Arcebispo Gerhard Müller, ao diário italiano Corriere della Sera, publicada neste domingo:

Com a falha nas discussões [doutrinais], qual é a posição dos lefebvristas?

“A excomunhão canônica devido à ordenação [episcopal] ilícita foi levantada dos bispos, mas permanece a [excomunhão] sacramental, de facto, para o cisma; porque eles se distanciaram da comunhão com a Igreja. Isso posto, não fechamos a porta, jamais, e os convidamos à reconciliação. Porém, eles também precisam mudar a sua abordagem e aceitar as condições da Igreja Católica, e o Supremo Pontífice como o critério último de adesão.”

O que o senhor pode dizer sobre o encontro entre Francisco e [Pe. Gustavo] Gutiérrez em 11 de setembro?

“As correntes teológicas passam por momentos difíceis, as coisas são debatidas e esclarecidas. Contudo, Gutiérrez sempre foi ortodoxo. Nós, europeus, precisamos superar a noção de sermos o centro, sem, por outro lado, nos subestimarmos. Para ampliar os horizontes, encontrarmos um equilíbrio: tenho aprendido isso com ele. Abrimo-nos para uma experiência concreta: ver a pobreza e também a alegria das pessoas. Um Papa Latino Americano tem sido um sinal celeste. Gustavo ficou deslumbrado. E eu também, assim como Francisco”.

17 outubro, 2013

“Müller tem o dever de defender a sã doutrina da fé na Igreja, por isso deve abandonar essa ingenuidade e ser mais prudente”.

Duras palavras do Cardeal Cipriani Thorne a respeito de Dom Gerhard Müller e sua simpatia pela Teologia da Libertação.

Por Fratres in Unum.com – Com informações de Vatican Insider: Novo ataque do Cardeal Juan Luis Cipriani Thorne, arcebispo de Lima, ao Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Cardeal Cipriani Thorne.

Cardeal Cipriani Thorne.

Além da recente disputa entre Müller e Cipriani em torno da PUCP, que terminou numa vexatória derrota de Müller após sua intervenção em favor de seus amigos da Teologia da Libertação, há um mês, Cipriani fez duras críticas a Müller e agora ratifica sua posição em nova entrevista:

« Volto a qualificar (Müller) como um ingênuo. Gustavo Gutiérrez concelebrou a missa com o Papa junto a outros vinte e cinco sacerdotes. Ao fim da missa, o Papa saudou a todos e é o que fez com Gutuierrez. Não inventamos uma audiência e uma reconciliação ».

O jornalista, então, fez referência a uma resposta de Müller de que não se importaria de “ser ingênuo”, mas que considerava necessário “reconciliar” os “partidos” que existem dentro da Igreja; ao que Cipriani retrucou: « Não estou de acordo com a afirmação sobre partidos na Igreja. Creio que esteja equivocado. Dom Müller tem o dever de defender a sã doutrina da fé na Igreja, por isso deve abandonar essa ingenuidade e ser mais prudente. Digo isso com toda humildade ».

25 setembro, 2013

Bispo de Campos em plena comunhão com a Teologia da Libertação.

Coluna de Dom Roberto Ferreria Paz, bispo diocesano de Campos, RJ, cidadão planetário, ativista do direito dos bosques e dos animaisarauto junto ao MST da “família humana sem fronteiras” e cujo diretório litúrgico deve ter sido redigido pela ONU — suas colunas semanais quase sempre repercutem a agenda dessa entidade maçônica, comemorando grandiosíssimas festas como o dia internacional da Alfabetização, o dia internacional dos Desaparecidos, etc. Ele, que vibrou com o “Flash Movíe” (?!) dos bispos na JMJ e amiúde cita artistas e filósofos modernos com toda pompa e eloquência, no alto de sua requintada cultura, agora desfralda a bandeira da Teologia da Libertação.

Revistando a Teologia da Libertação

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

Dom Roberto Ferreria Paz

Surpreendeu a muitos que o Papa Francisco celebrasse a Missa no dia 11 de setembro de 2013, na Capela Santa Marta com a presença de Dom Gerhard Muller, Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé e o seu amigo o sacerdote peruano Gustavo Gutierrez, fundador da Teologia da Libertação.

Para alguns a Teologia da Libertação beira a heresia, é uma corrente teológica refém da ideologia marxista e inocente útil do comunismo. No entanto não é assim que a vê a Igreja. As duas instruções sucessivas e complementares da Congregação da Doutrina da Fé, redigidas pelo então Prefeito o Cardeal Ratzinger, apontam para desvios ou riscos de desvios, mas de maneira alguma dá uma sentença condenatória a esta corrente teológica, que como se pode analisar tem várias nuanças e tendências e sem dúvida muitas contribuições, que o próprio Cardeal Ratzinger reconhece na segunda instrução Libertatis Conscientia como são nomeadamente: a denuncia da idolatria, a opção preferencial pelos pobres, a articulação da teologia com a evangelização encarnada dos pobres e a sua libertação, a ligação da evangelização com a promoção humana integral e a luta pela justiça, fazendo acontecer estruturas mais plenamente humanas.

O Documento de Puebla recolheu a reflexão e a produção mais integrada das Igrejas Particulares da América Latina, fortalecendo e dinamizando uma pastoral libertadora alicerçada no eixo comunhão e participação, o resgate da cultura e religiosidade popular e seu potencial evangelizador, a denuncia das ideologias idolátricas do capital e do estado, como a da segurança nacional.

A teologia da libertação gerou também uma antropologia, uma filosofia e uma ética, focalizando a alteridade do ser humano, a analética face a dialética nos relacionamentos sociais e culturais, o amor agápico ou fraternura, a política e a economia de comunhão, termos e conceitos do pensador Enrique Dussel. O Papa João Paulo II afirmou que uma verdadeira Teologia da Libertação não só era possível quanto necessária.

E como vimos o Papa Bento XVI nomeou o atual Prefeito da Congregação da Fé Dom Gerhard Muller que conheceu in loco no meio dos índios e camponeses a vivência e a prática da Teologia da Libertação testemunhada com autenticidade pelo seu amigo o Pe. Gustavo Gutierrez. Deus seja louvado!

16 setembro, 2013

“Isso pensa Müller, isso é o que ele pensa”. “Ouso dizer: a Igreja nunca esteve tão bem como hoje”.

Por Sandro Magister | Tradução: Fratres in Unum.com - Durou mais de duas horas o encontro entre o Papa Francisco e os padres da sua diocese de Roma, na Basílica de São João de Latrão, na manhã de segunda, 16 de setembro.

O encontro foi realizada à portas fechadas. E um relato parcial do que o Papa disse foi fornecido algumas horas mais tarde por “L’Osservatore Romano” e pela Rádio Vaticano.

Mas em nenhum dos dois relatos apareceram duas piadas ditas pelo Papa sobre dois altos eclesiásticos.

A primeira foi grave e cortante. A segunda irônica.

Ao formular uma das cinco perguntas direcionadas ao Papa e para falar da centralidade dos pobres na pastoral, um padre se referiu positivamente à teologia da libertação e às posições simpáticas, em relação a esta teologia, do arcebispo Gerhard Ludwig Müller.

Mas ao ouvir o nome do prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Papa Francisco não permitiu concluir a pergunta e disse: “Isso pensa Müller, isso é o que ele pensa”.

A segunda era uma flechada contra o Cardeal Secretário de Estado que está de saída, Tarcisio Bertone.

O Papa Francesco sorriu quando um padre brincou sobre aqueles que colocam na sua cabeça que a Igreja é “una, santa, católica e salesiana”. E adicionou: “Una, Santa, Católica e Salesiana, como diz Cardeal Bertone”.

* * *

Papa Francisco encontra o clero de Roma: “Ouso dizer: a Igreja nunca esteve tão bem como hoje”

E se vocês virem que eu perdi isto, por favor, me digam e se não puderem me dizer privadamente, digam publicamente, mas digam: ‘Olha, converta-te!’

Cidade do Vaticano (RV) – “Mesmo agora que sou Papa me sinto ainda um sacerdote”. Esta é uma das passagens chaves do diálogo que o Papa Francisco teve, na manhã desta segunda-feira, com os sacerdotes da Diocese de Roma, a sua Diocese, reunidos na Basílica São João de Latrão. A acolher o Papa, 20 minutos antes do previsto, foi o Cardeal Vigário Agostino Vallini, que na sua saudação comentou que este encontro foi programado pelo novo Bispo de Roma, logo após ter sido eleito.

“O que é o cansaço para um Sacerdote, para um Bispo e mesmo para o Bispo de Roma?” O Papa Francisco desenvolveu o seu pronunciamento introdutivo, detendo-se neste questionamento. E confiou que a inspiração lhe veio após ler a carta enviada por um sacerdote idoso, que justamente lhe falava sobre este cansaço, um “cansaço no coração”. “Existe – disse o Papa – um cansaço do trabalho e isto todos conhecemos. Chegamos de noite, cansados de trabalhar e passamos diante do Tabernáculo para saudar o Senhor. Sempre – advertiu – é necessário passar pelo Tabernáculo”:

Quando um sacerdote está em contato com o seu povo, se cansa. Quando um padre não está em contato com o seu povo, se cansa, mas mal e para dormir deve tomar um comprimido, não? Ao invés disso, aquele que está em contato com o povo – que de fato o povo tem tantas exigências, tantas exigências! Mas são as exigências de Deus, não? – este cansa realmente e não tem necessidade de tomar comprimidos”.

Existe, porém, um “cansaço final” – prosseguiu Francisco – que se vê antes do “crespúsculo da vida” onde “existe a luz escura e o escuro um pouco luminoso”. É “um cansaço que vem no momento em que deveria existir o triunfo”, mas ao invés disto “vem este cansaço”. Isto – afirmou – acontece quando “o sacerdote se questiona sobre sua existência, olha para trás, ao caminho percorrido e pensa nas renúncias, aos filhos que não teve e se pergunta se não errou, se a sua vida “falhou”. É justamente sobre o “cansaço do coração” de que o sacerdote escrevia na carta.

O Papa citou então, o cansaço em tantas figuras bíblicas, de Elias a Moisés, de Jeremias até João Batista. Este último, afirmou, na “escuridão da prisão” vive o “escuro de sua alma” e manda os seus discípulos perguntarem a Jesus se Ele é realmente aquele que estão esperando. O que pode fazer então um sacerdote que vive a experiência de João Batista? Rezar, “até dormir diante do Tabernáculo, mas estar ali”. E depois “procurar a proximidade com os outros padres, e sobretudo, com os bispos”:

Nós, Bispos, devemos ser próximos aos sacerdotes, devemos ser caridosos com o próximo e os mais próximos são os sacerdotes. Os mais próximos do Bispo são os sacerdotes. (aplausos). Vale também o contrário, eh! (risos e aplausos): o mais próximo dos padres deve ser o bispo, o mais próximo. A caridade para com o próximo, o mais próximo é o meu bispo. O Bispo diz: os mais próximos são os meus padres. É bonita esta troca, não? Isto, acredito, é o momento mais importante da proximidade, entre o bispo e os sacerdotes: este momento sem palavras, porque não existem palavras para este cansaço”.

A partir deste ponto, iniciou-se o diálogo do Papa Francisco com os sacerdotes, aos quais pediu para sentirem-se livres para perguntar qualquer coisa. Respondendo à primeira pergunta, o Papa Francisco disse que no serviço pastoral, não deve se “confundir a criatividade com fazer alguma coisa nova”. A criatividade – afirmou – “é buscar o caminho para que o Evangelho seja anunciado” e isto “não é fácil”. Criatividade “não é somente mudar as coisas”. É uma outra coisa, vem do Espírito e se faz com a oração e se faz falando com os fiéis, com as pessoas. O Papa, então, recordou uma experiência vivida quando era Arcebispo de Buenos Aires. Com um sacerdote, disse, procurava entender como tornar a sua igreja mais acolhedora:

Ah, se passa tanta gente aqui, talvez seria bonito que a igreja ficasse aberta durante todo o dia…Boa idéia! Também seria bonito que tivesse sempre um confessor à disposição, alí…Boa idéia! E assim foi”.

Esta – acrescentou – é uma ‘corajosa criatividade’. Também em relação aos cursos em preparação ao Batismo “é necessário superar o obstáculo dos pais e das mães que trabalham toda a semana e no domingo gostariam de repousar”. Então, é necessário “buscar novos caminhos”, como uma “missão no bairro” promovida pelos leigos. E esta é a “conversão pastoral”. A Igreja, “também o Código de Direito canônico nos dá tantas, tantas possibilidades, tanta liberdade para buscarmos estas coisas”. É necessário – destacou – procurar os momentos de acolhida, quando os fiéis devem ir à paróquia por um motivo ou outro. E criticou severamente quem, numa paróquia, está mais preocupado em pedir dinheiro por um certificado que pelo Sacramento e assim “afastam as pessoas”. É necessário, ao invés disto, “a acolhida cordial”: “que aquele que venha à igreja se sinta como na sua casa. Se sinta bem. Que não se sinta explorado”:

“Um sacerdote, uma vez – não da minha Diocese, de uma outra -, me dizia: ‘Mas, eu não faço pagar nada, nem mesmo as intenções da Missa. Tenho alí uma caixa e eles deixam aquilo que querem. Mas Padre: tenho quase o dobro do que tinha anteriormente. Porque as pessoas são generosas, e Deus abençoa estas coisas’.

“Se, ao invés disto, a pessoa vê que existe um interesse econômico, então se afasta”, observou Francisco. O Papa então, respondeu a quem lhe perguntava como ele se define agora, visto que, como Arcebispo de Buenos Aires, gostava definir-se simplesmente como ‘sacerdote’:

“Mas, eu me sinto padre, é sério. Eu me sinto padre, sacerdote, é verdade, bispo…Me sinto assim, não? E agradeço ao Senhor por isto. (aplausos) Teria medo de sentir-me um pouco mais importante, não? Isto sim, tenho medo disto, pois o diabo é esperto, eh!, é esperto e te faz sentir que agora tu tem poder, que tu pode fazer isto, que tu podes fazer quilo…mas sempre girando, girando em volta, como um leão – assim diz São Pedro, não! Mas graças a Deus, isto não perdi, ainda, não? E se vocês virem que eu perdi isto, por favor, me digam e se não puderem me dizer privadamente, digam publicamente, mas digam: ‘Olha, converta-te!’, porque está claro, não?” (aplausos)|

Após, o Santo Padre falou sobre os sacerdotes misericordiosos. Um padre enamorado – disse – deve sempre recordar-se do primeiro amor, de Jesus, “retornar àquela fidelidade que permanece sempre e nos espera”. Para mim, isto é “o ponto-chave de um sacerdote enamorado: que tenha a capacidade de voltar à recordação do primeiro amor”. E acrescentou: “uma Igreja que perde a memória, é uma Igreja eletrônica: não tem vida”. Assim, é necessário guardar-se dos padres rigorosos e negligentes. O sacerdote misericordioso – afirmou – é aquele que diz a verdade mas acrescenta: “Não te apavores, o Deus bom te espera, Caminhemos juntos”. A isto acrescentou: “devemos tê-lo sempre sob os olhos: acompanhar. Ser companheiros de caminho”. “A conversão sempre se faz assim – disse – a caminho e não no laboratório”.

“A verdade de Deus é esta verdade, digamos assim dogmática, para dizer uma palavra, ou moral, mas acompanhada do amor e da paciência de Deus, sempre assim”.

“Na Igreja – acrescentou – existem certos escândalos mas também tanta santidade e esta é maior. E existe também esta “santidade cotidiana”, escondida, “aquela santidade de tantas mães e de tantas mulheres, de tantos homens que trabalham todo o dia pela família”. Palavras estas acompanhadas de um encorajadora convicção:

“Eu ouso dizer que a Igreja nunca esteve tão bem como hoje. A Igreja não cai: estou seguro disto, estou seguro!”

O Papa então, voltou ao tema das periferias existenciais, retomando as suas palavra sobre “conventos vazios” e a generosidade para com os mais necessitados. Por fim, refletiu sobre o tema da família, e em particular, sobre a delicada questão da nulidade dos matrimônios e sobre as segundas uniões. “Um problema – recordou – que Bento XVI tinha no seu coração”. “O problema não pode ser reduzido à questão do fazer a comunhão ou não – afirmou – porque quem coloca o problema somente nestes termos não entende qual é o verdadeiro problema”.

“É um problema grave – observou – de responsabilidade da Igreja em relação às famílias que vivem esta situação”. A Igreja – afirmou ainda – neste momento deve fazer alguma coisa para resolver os problemas das nulidades matrimoniais. Um tema sobre o qual falará com o grupo dos 8 Cardeais que se reunirão nos primeiros dias de outubro, no Vaticano. E será tratado também no próximo Sínodo dos Bispos, pois é uma verdadeira “periferia existencial”.

Por fim, o Papa Francisco recordou que no próximo 21 de setembro recorre o 60º aniversário de sua vocação ao sacerdócio. (JE)