Posts tagged ‘Teologia da Libertação’

18 março, 2013

47 anos. O “Pacto das Catacumbas” para uma Igreja serva e pobre.

IHU – No dia 16 de novembro de 1965, há 47 anos, poucos dias antes do encerramento do Vaticano II, cerca de 40 padres conciliares celebraram uma Eucaristia nas Catacumbas de Domitila, em Roma, pedindo fidelidade ao Espírito de Jesus. Depois dessa celebração, assinaram o ”Pacto das Catacumbas”.

O documento é um desafio aos “irmãos no Episcopado” a levar adiante uma “vida de pobreza”, uma Igreja “serva e pobre”, como sugerira o Papa João XXIII.

Os signatários – entre eles muitos brasileiros e latino-americanos, embora muitos outros aderiram ao pacto mais tarde – se comprometiam a viver em pobreza, a renunciar a todos os símbolos ou privilégios do poder e a pôr os pobres no centro do seu ministério pastoral. O texto teve uma forte influência sobre a Teologia da Libertação, que surgiria nos anos seguintes.

Um dos signatários e propositores do pacto foi Dom Helder Câmara. Eis o texto.

Pacto das Catacumbas da Igreja serva e pobre

PosterMinoAsett45x65PortNós, Bispos, reunidos no Concílio Vaticano II, esclarecidos sobre as deficiências de nossa vida de pobreza segundo o Evangelho; incentivados uns pelos outros, numa iniciativa em que cada um de nós quereria evitar a singularidade e a presunção; unidos a todos os nossos Irmãos no Episcopado; contando sobretudo com a graça e a força de Nosso Senhor Jesus Cristo, com a oração dos fiéis e dos sacerdotes de nossas respectivas dioceses; colocando-nos, pelo pensamento e pela oração, diante da Trindade, diante da Igreja de Cristo e diante dos sacerdotes e dos fiéis de nossas dioceses, na humildade e na consciência de nossa fraqueza, mas também com toda a determinação e toda a força de que Deus nos quer dar a graça, comprometemo-nos ao que se segue:

1) Procuraremos viver segundo o modo ordinário da nossa população, no que concerne à habitação, à alimentação, aos meios de locomoção e a tudo que daí se segue. Cf. Mt 5,3; 6,33s; 8,20.

2) Para sempre renunciamos à aparência e à realidade da riqueza, especialmente no traje (fazendas ricas, cores berrantes), nas insígnias de matéria preciosa (devem esses signos ser, com efeito, evangélicos). Cf. Mc 6,9; Mt 10,9s; At 3,6. Nem ouro nem prata.

3) Não possuiremos nem imóveis, nem móveis, nem conta em banco, etc., em nosso próprio nome; e, se for preciso possuir, poremos tudo no nome da diocese, ou das obras sociais ou caritativas. Cf. Mt 6,19-21; Lc 12,33s.

4) Cada vez que for possível, confiaremos a gestão financeira e material em nossa diocese a uma comissão de leigos competentes e cônscios do seu papel apostólico, em mira a sermos menos administradores do que pastores e apóstolos. Cf. Mt 10,8; At. 6,1-7.

5) Recusamos ser chamados, oralmente ou por escrito, com nomes e títulos que signifiquem a grandeza e o poder (Eminência, Excelência, Monsenhor…). Preferimos ser chamados com o nome evangélico de Padre. Cf. Mt 20,25-28; 23,6-11; Jo 13,12-15.

6) No nosso comportamento, nas nossas relações sociais, evitaremos aquilo que pode parecer conferir privilégios, prioridades ou mesmo uma preferência qualquer aos ricos e aos poderosos (ex.: banquetes oferecidos ou aceitos, classes nos serviços religiosos). Cf. Lc 13,12-14; 1Cor 9,14-19.

7) Do mesmo modo, evitaremos incentivar ou lisonjear a vaidade de quem quer que seja, com vistas a recompensar ou a solicitar dádivas, ou por qualquer outra razão. Convidaremos nossos fiéis a considerarem as suas dádivas como uma participação normal no culto, no apostolado e na ação social. Cf. Mt 6,2-4; Lc 15,9-13; 2Cor 12,4.

8) Daremos tudo o que for necessário de nosso tempo, reflexão, coração, meios, etc., ao serviço apostólico e pastoral das pessoas e dos grupos laboriosos e economicamente fracos e subdesenvolvidos, sem que isso prejudique as outras pessoas e grupos da diocese. Ampararemos os leigos, religiosos, diáconos ou sacerdotes que o Senhor chama a evangelizarem os pobres e os operários compartilhando a vida operária e o trabalho. Cf. Lc 4,18s; Mc 6,4; Mt 11,4s; At 18,3s; 20,33-35; 1Cor 4,12 e 9,1-27.

9) Cônscios das exigências da justiça e da caridade, e das suas relações mútuas, procuraremos transformar as obras de “beneficência” em obras sociais baseadas na caridade e na justiça, que levam em conta todos e todas as exigências, como um humilde serviço dos organismos públicos competentes. Cf. Mt 25,31-46; Lc 13,12-14 e 33s.

10) Poremos tudo em obra para que os responsáveis pelo nosso governo e pelos nossos serviços públicos decidam e ponham em prática as leis, as estruturas e as instituições sociais necessárias à justiça, à igualdade e ao desenvolvimento harmônico e total do homem todo em todos os homens, e, por aí, ao advento de uma outra ordem social, nova, digna dos filhos do homem e dos filhos de Deus. Cf. At. 2,44s; 4,32-35; 5,4; 2Cor 8 e 9 inteiros; 1Tim 5, 16.

11) Achando a colegialidade dos bispos sua realização a mais evangélica na assunção do encargo comum das massas humanas em estado de miséria física, cultural e moral – dois terços da humanidade – comprometemo-nos:

  • a participarmos, conforme nossos meios, dos investimentos urgentes dos episcopados das nações pobres;
  • a requerermos juntos ao plano dos organismos internacionais, mas testemunhando o Evangelho, como o fez o Papa Paulo VI na ONU, a adoção de estruturas econômicas e culturais que não mais fabriquem nações proletárias num mundo cada vez mais rico, mas sim permitam às massas pobres saírem de sua miséria.

12) Comprometemo-nos a partilhar, na caridade pastoral, nossa vida com nossos irmãos em Cristo, sacerdotes, religiosos e leigos, para que nosso ministério constitua um verdadeiro serviço; assim:

  • esforçar-nos-emos para “revisar nossa vida” com eles;
  • suscitaremos colaboradores para serem mais uns animadores segundo o espírito, do que uns chefes segundo o mundo;
  • procuraremos ser o mais humanamente presentes, acolhedores…;
  • mostrar-nos-emos abertos a todos, seja qual for a sua religião. Cf. Mc 8,34s; At 6,1-7; 1Tim 3,8-10.

13) Tornados às nossas dioceses respectivas, daremos a conhecer aos nossos diocesanos a nossa resolução, rogando-lhes ajudar-nos por sua compreensão, seu concurso e suas preces.

Ajude-nos Deus a sermos fiéis.

 

8 março, 2013

Manifesto pré-conclave de teólogos da libertação, companheiros!

Declaração lamenta “não resolvida ambiguidade de alguns documentos conciliares”.

Documento assinado por teólogos como Leonardo Boff e o bispo d. Pedro Casaldáliga começou a ser elaborado em outubro do ano passado, simultaneamente na Europa, América Latina, EUA e Canadá. Texto diz que “Cúria Romana necessita de uma reforma mais radical baseada nas instruções e na visão do Vaticano II”.

Por Dermi Azevedo – Carta Maior | Já chegam a duas mil as adesões de teólogos católicos de todo o mundo ao documento publicado por ocasião dos 50 anos do Concílio Vaticano II e cuja redação final está sendo encaminhada aos 115 cardeais que, a partir de segunda-feira (4), começam a escolher o sucessor do papa Bento XVI.

O manifesto começou a ser elaborado em outubro do ano passado, simultaneamente, na Europa, na América Latina, nos Estados Unidos e no Canadá. Entre os seus autores, estão incluídos Leonardo Boff e o bispo d. Pedro Casaldáliga.

O contexto de sua publicação (concebida em meio a uma grave crise na Igreja, poucos meses antes da renúncia de Bento XVI) reforçou a decisão dos teólogos de enviá-lo aos cardeais eleitores. Esta é a íntegra do documento:

“Muitos ensinamentos do Concílio Vaticano II não foram concretizados ou apenas parcialmente traduzidos na prática. Isto é devido à resistência de alguns ambientes, mas também sobretudo, em certa medida, à não resolvida ambiguidade de alguns documentos conciliares. Uma das principais causas da estagnação moderna depende do não entendimento e dos abusos no exercício da autoridade na nossa Igreja. De modo concreto os seguintes temas exigem uma urgente reformulação.

O papel do Papado necessita de uma clara redefinição baseada nas intenções de Cristo. Como supremo pastor, como elemento unificador e principal testemunha da fé, o Papa contribui de modo essencial para o bem da Igreja Universal. Mas a sua autoridade não deveria obscurecer, diminuir nem suprimir a autentica autoridade que Cristo deu diretamente a todos os membros do Povo de Deus.

Os bispos são vigários de Cristo e não vigários do Papa. Eles possuem a responsabilidade direta sobre o povo de suas dioceses e uma responsabilidade compartilhada com os outros bispos e com o Papa, do âmbito da comunidade universal da fé.

O Sínodo central dos bispos deveria assumir um papel mais decisivo no planejamento, na orientação e no crescimento da fé em nosso mundo tão complexo.

Concilio Vaticano recomendou a colegialidade e a corresponsabilidade em todos os níveis. Isto não foi transformado em ação. Os vários organismos presbiterais e conselhos pastorais previstos pelo Concilio, deveriam envolver os fiéis de modo mais direto nas decisões relativas à doutrina ao exercício do ministério pastoral e à evangelização no âmbito da sociedade secular.

O abuso de preencher os postos de guias da Igreja apenas com candidatos com uma determinada mentalidade é algo que deveria ser eliminado. Em vez disto, deveriam ser formuladas e monitoradas novas normas assegurando que as eleições para estas tarefas sejam conduzidas de modo correto, transparente e o mais democrático possível.

A Cúria Romana necessita de uma reforma mais radical baseada nas instruções e na visão do Vaticano II. A Cúria deveria limitar-se aos seus úteis papéis administrativos e executivos.

A Congregação para a Doutrina da fé deveria ser ajudada por comissões internacionais de peritos escolhidos independentemente em função de sua competência profissional. Essas não são todas as mudanças necessárias. Devemos considerar ainda que a implementação dessas revisões estruturais exigem uma elaboração detalhada e relacionada com as possibilidades e com as limitações das circunstancias presentes e futuras. Destacamos porém que as reformas sintetizadas acima são urgentes e a sua concretização deveria iniciar-se imediatamente.

O exercício da autoridade na nossa Igreja deveria seguir o padrão de abertura, responsabilidade e democracia encontrados na sociedade moderna. A liderança deveria ser correta e confiável, inspirada na humildade e no serviço, com uma transparente solicitude para com o povo, em vez de se preocupar com as normas e a disciplina; anunciar Jesus Cristo que liberta; ouvir o espirito de Cristo que fala e age por meio de todos e de cada um”.

28 fevereiro, 2013

O jeitinho brasileiro de ser religioso da libertação.

Religiosos brasileiros fazem críticas ao papa

Folha de São Paulo – Visível em quase toda a praça São Pedro, a bandeira do Brasil presa a um mastro de cerca de 1 metro transformou a sorridente irmã gaúcha Cecilia Berno numa pequena celebridade –foram dez entrevistas em pouco mais de uma hora.

Mas a demonstração de apoio ao papa Bento 16 escondia uma avaliação bastante crítica do pontificado.

“O papa tem sido muito duro com o Brasil, silenciou muitos teólogos brasileiros da Teologia da Libertação [movimento que prega aproximação com os movimentos sociais e o marxismo] “, disse Berno, que, contrariando orientação de Bento 16, defende a flexibilização do celibato e a ordenação de mulheres.

Segundo a religiosa, que vive em Roma, o papa não levou adiante as conclusões do Concílio Vaticano 2º (1962-5), que preconizava uma abertura maior da Igreja Católica. “A sociedade cobra desse papa e da igreja essa posição. Jesus foi revolucionário, e a igreja não pode deixar de ser revolucionária, tem de responder aos anseios mais profundos do ser humano.”

O tom crítico de Berno em relação a Bento 16 estava longe de ser uma exceção entre os religiosos brasileiros –embora todos considerem a renúncia um ato de humildade.

Mestrando em história em Roma, o padre paranaense Marcos Roberto dos Santos, 35, afirma que ele foi excessivamente eurocêntrico. “Embora muito querido, ele entendeu que era hora de dar mais atenção à Europa. Mas priorizar uns é se esquecer de outros.”

Santos afirma que, na Europa, o principal problema é a “desertificação da fé”, enquanto no Brasil os desafios são o avanço do protestantismo, a corrupção, a violência e a pobreza.

Com uma bandana verde-amarela, a irmã mineira Daniela Brito, 44, também residente em Roma, disse que o papa teve “grande humildade para dizer ‘basta’”. Agora, ela espera um papa que “deixe a igreja mais jovem e coloque a casa em ordem”.

Já dom Geraldo Majella Agnelo, um dos cinco cardeais brasileiros que participarão do conclave para a escolha do sucessor de Bento 16, disse que o papa não aparentava um “estado de alma intranquilo”. “Ele tinha de tocar na sua renúncia, mas deu uma visão de futuro, que há de ser bom para a igreja”, afirmou.

18 fevereiro, 2013

Sorry, Müller.

Universidade “rebelde” do Peru e o erro do Prefeito Müller.

O ainda Secretário de Estado convocou uma reunião para avaliar a intervenção do “guardião da ortodoxia católica” junto ao ateneu peruano.

Por Andrés Beltramo Álvarez | Tradução: Fratres in Unum.com

You did it wrong!

You did it wrong!

A universidade “rebelde” do Peru permanecerá sem professores de teologia. Assim determinou a Santa Sé, após uma reunião realizada há alguns dias em Roma. Um encontro de alto nível que lançou por terra a tentativa do prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Gerhard Ludwig Müller, de intervir a favor dessa instituição educativa em seu conflito com o Arcebispo de Lima e com o Vaticano. Um apoio que foi tomado como um grave erro do “guardião da ortodoxia católica”.

A reunião interdicasterial foi convocada pelo Secretário de Estado da Sé Apostólica, Tarcisio Bertone. O objetivo? Analisar a validade de uma carta enviada pelo próprio Müller ao arcebispo de Lima, Juan Luis Cipriani Thorne, no fim de janeiro.

Na missiva, o prefeito solicitou ao cardeal peruano explicações sobre a sua decisão de não renovar a permissão eclesiástica para lecionar a todos os professores do Departamento de Teologia da “antiga” Pontifícia Universidade Católica do Peru (ex PUCP). Esta determinação, comunicada às autoridades universitárias em dezembro, foi produto do decreto emitido pela Santa Sé em junho de 2012, que proibiu à entidade ostentar seus títulos de Pontifícia e Católica.

Uma sanção aplicada com o aval do Papa e que mantém sua plena vigência jurídica pela negação contumaz  da Assembléia Universitária em reformar seus estatutos para aderir às normas vaticanas sobre as instituições de educação superior católicas: a constituição apostólica “Ex Corde Ecclesiae”.

O prefeito alemão decidiu atuar em decorrência de uma queixa enviada a Roma por aqueles professores aos quais foram revogados o mandato canônico para lecionar. Eles argumentaram que a revogação foi aplicada por “motivos doutrinais”. Müller levou em conta sua reclamação e ordenou — em sua comunicação — que a universidade continue dando cursos de teologia, enquanto a Santa Sé não resolver o conflito de fundo.

Mas a missiva estava viciada na origem. E, portanto, foi considerada inválida pela [reunião] interdicasterial. Em primeira instância, porque se tratou de uma iniciativa “pessoal” do prefeito, que não cumpriu os requisitos de consulta aos especialistas no tema dentro da Congregação para a Doutrina da Fé.

Ademais, não foi enviada aos canais institucionais da nunciatura apostólica em Lima. No Arcebispado da capital peruana, receberam-na como um simples fax. E, o mais importante, a carta ignorou o Código de Direito Canônico, que confere ao bispo diocesano a autoridade para outorgar e revogar as permissões aos professores de religião ou ciências eclesiásticas em sua circunscrição eclesiástica. ,

O resultado da análise já foi comunicado às partes no Peru através da mala diplomática. A carta de Gerhard Müller não tem validade e se mantém intacta a decisão do arcebispo Cipriani de não conceder as permissões para o ensino da teologia na ex PUCP. O que põe a instituição em sérios apuros para cobrir os cursos obrigatórios dessa matéria no próximo ano letivo.

Por ora, as conclusões da reunião vaticana presidida por Bertone, ainda Secretário de Estado, constituirão um duro revés para o prefeito da Doutrina da Fé e, na Cúria Romana, abrirão a interrogação quanto a sua idoneidade para ocupar um posto de enorme poder que não permite improvisações nem erros, nem de forma, nem de fundo.

26 janeiro, 2013

Polêmica na Folha de São Paulo: Dom Tomás Balduíno, o bispo vermelho, ataca senadora Kátia Abreu. E recebe uma resposta acachapante.

Artigo de 23 de janeiro de Dom Tomás Balduíno.

Tomás Balduino: Apreensão no campo.

Dom Balduíno foi um dos homenageados por peritos em direitos humanos do governo federal, como Dilma Roussef, Eleonora Menicucci e Maria do Rosário, na 18ª edição do Prêmio Direitos Humanos de 2012.

Dom Balduíno foi um dos homenageados por peritos em direitos humanos do governo federal, como Dilma Roussef, Eleonora Menicucci e Maria do Rosário, na 18ª edição do Prêmio Direitos Humanos em dezembro de 2012. Entre os agraciados também estavam Dom Pedro Casaldáliga e o deputado petista Padre Luiz Couto; Leonardo Boff recebeu o prêmio representando uma ONG.

Eis o quadro: o pequeno agricultor Juarez Vieira foi despejado de sua terra, em 2002, no município tocantinense de Campos Lindos, por 15 policiais em manutenção de posse acionada por Kátia Abreu. Juarez desfilou, sob a mira dos militares, com sua mulher e seus dez filhos, em direção à periferia de alguma cidade.

O caso acima não é isolado. O governador Siqueira Campos decretou de “utilidade pública”, em 1996, uma área de 105 mil hectares em Campos Lindos. Logo em 1999, uns fazendeiros foram aí contemplados com áreas de 1,2 mil hectares, por R$ 8 o hectare. A lista dos felizardos fora preparada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins, presidida por Kátia Abreu (PSD-TO), então deputada federal pelo ex-PFL.

O irmão dela Luiz Alfredo Abreu conseguiu uma área do mesmo tamanho. Emiliano Botelho, presidente da Companhia de Promoção Agrícola, ficou com 1,7 mil hectares. Juarez não foi o único injustiçado. Do outro lado da cerca, ficaram várias famílias expulsas das terras por elas ocupadas e trabalhadas havia 40 anos. Uma descarada grilagem!

Campos Lindos, antes realmente lindos, viraram uma triste monocultura de soja, com total destruição do cerrado para o enriquecimento de uma pequena minoria. No Mapa da Pobreza e Desigualdade divulgado em 2007, o município apareceu como o mais pobre do país. Segundo o IBGE, 84% da população viviam na pobreza, dos quais 62,4% em estado de indigência.

Outro irmão da senadora Kátia Abreu, André Luiz Abreu, teve sua empresa envolvida na exploração de trabalho escravo. A Superintendência Regional de Trabalho e Emprego do Tocantins libertou, em áreas de eucaliptais e carvoarias de propriedade dele, 56 pessoas vivendo em condições degradantes, no trabalho exaustivo e na servidão por dívida.

Com os povos indígenas do Brasil, Kátia Abreu, senadora pelo Estado do Tocantins e presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), tem tido uma raivosa e nefasta atuação.

Com efeito, ela vem agindo junto ao governo federal para garantir que as condicionantes impostas pelo Supremo no julgamento da demarcação da área indígena Raposa Serra do Sol sejam estendidas, de qualquer forma, aos demais procedimentos demarcatórios.

Com a bancada ruralista, ela pressionou a Advocacia-Geral da União (AGU), especialmente o ministro Luís Inácio Adams. Prova disso foi a audiência na AGU, em novembro de 2011, na qual entregou, ao lado do senador Waldemir Moka (PMDB-MS), documento propondo a criação de norma sobre a demarcação de terras indígenas em todo o país.

O ministro Luís Adams se deixou levar e assinou a desastrosa portaria nº 303, de 16/7/12. Kátia Abreu, ao tomar conhecimento desse ato, desabafou exultante: “Com a nova portaria, o ministro Luís Adams mostrou sensibilidade e elevou o campo brasileiro a um novo patamar de segurança jurídica”.

Até mesmo com relação à terra de posse imemorial do povo xavante de Marãiwatsèdè, ao norte do Mato Grosso, que ganhou em todas as instâncias do Judiciário o reconhecimento de que são terras indígenas, Kátia Abreu assinou nota, como presidente da CNA, xingando os índios de “invasores”.

Concluindo, as lideranças camponesas e indígenas estão muito apreensivas com o estranho poder econômico, político, classista, concentracionista e cruel detido por essa mulher que, segundo dizem, está para ser ministra de Dilma Rousseff. E se perguntam: “Não é isso o Poder do Mal?” No Evangelho, Jesus ensinou aos discípulos a enfrentar o Poder do Mal, recomendando-lhes: “Esta espécie de Poder só se enfrenta pela oração e pelo jejum” (Cf. Mt 17,21).

PAULO BALDUINO DE SOUSA DÉCIO, o dom Tomás Balduino, 90, mestre em teologia, é bispo emérito da cidade de Goiás e conselheiro permanente da Comissão Pastoral da Terra

* * *

Resposta da Senadora Kátia Abreu publicada na Folha em 25 de janeiro de 2013.

Não darás falso testemunho

Não é verdade que despejei um pequeno agricultor. Tratava-se de grileiro, cuja crônica de maldades qualquer morador da região atestará

Li, com surpresa, nesta Folha, um texto rancoroso e eivado de fúria acusatória e caluniosa (“Apreensão no campo”, em 23/1), assinado pelo bispo emérito de Goiás Velho, dom Tomás Balduino, atribuindo-me pecados que não cometi.

Como católica praticante, jamais imaginei um dia polemizar com um representante da mais alta hierarquia da fé que professo. Mas a fé que professo não parece ser a mesma que a dele. As palavras que me dirigiu não foram de um cristão.

Minha fé não é a do ódio revolucionário, que incita o conflito e trata como pecadores os que dele divergem ideologicamente. É a fé que o papa Bento 16, em seu livro “Jesus de Nazaré, da Entrada em Jerusalém à Ressurreição”, proclama como sendo a da paz.

“A violência”, diz o papa, “não instaura o Reino de Deus, o Reino da Humanidade. É, ao contrário, instrumento preferido do Anticristo. Mesmo com motivação religiosa idealista, ela não serve à humanidade, mas à inumanidade”.

Não há mistura mais letal que a da política com a religião. O fundamentalismo é, em si, antirreligioso. Os católicos da Irlanda, em nome de sua fé -que seguramente não é a de Cristo-, usaram o terrorismo e o sangue de inocentes como arma política, em nome de Alguém que resumiu sua doutrina numa frase: “Amai-vos uns aos outros”.

Minha mais remota lembrança de dom Tomás é diametralmente oposta ao espírito de seu artigo. Remonta a um tempo anterior à criação do meu Tocantins, então integrado a Goiás.

Ele, ainda padre, ensinava, num Sermão das Sete Palavras, na Sexta-Feira da Paixão, que Jesus, ao pedir ao Pai que perdoasse seus algozes, “pois não sabiam o que faziam”, mostrava a importância de interceder não só pelos amigos, mas sobretudo pelos inimigos.

Ao que parece, algo mudou na transição de padre Tomás para o bispo dom Balduino. Invoco, pois, o espírito cristão do padre para responder ao bispo, com absoluta serenidade, as imputações que me faz -a mim e a meus irmãos Luiz Alfredo e André Luiz. Mesmo perdoando-o desde já, cumpro o dever de desmenti-lo.

Não é verdade, dom Balduino, que tenha perseguido, despejado e feito perseguir “por 15 policiais armados” um pequeno agricultor em Campos Lindos, Tocantins. Tratava-se do grileiro Juarez Vieira, cuja crônica de violências e maldades qualquer morador da região atestará. Obtive na Justiça reintegração de posse de terra de minha propriedade legítima.

Não é verdade também que a tenha recebido de “mão beijada”. Adquiri-a em moeda corrente e a preço justo, como os demais fazendeiros. Era área inóspita e desabitada; hoje, é a internacionalmente conhecida região do Mapito, referência de produtividade em soja, milho e algodão, com infraestrutura bancada pelos produtores pioneiros.

Outra injúria atinge meus dois irmãos. O bispo acusa Luiz Alfredo de grilagem e André Luiz, de promover trabalho escravo. Mas Alfredo adquiriu com recursos próprios as terras que possui, devidamente documentadas. E André jamais foi proprietário da fazenda citada pelo bispo.

Apenas alugou dois tratores, sem os tratoristas, para o proprietário, nada tendo a ver com as denúncias, que não o envolveram. É, inclusive, funcionário do Ministério Público do Trabalho, onde jamais foi questionado.

Esclareço também que não sou responsável pela decisão da Advocacia-Geral da União de estender as condicionantes da demarcação de Raposa Serra do Sol às demais terras indígenas. Foi o Supremo Tribunal Federal que assim o determinou.

Sem seu grau de santidade e sabedoria, não lhe devolvo as insolências. E se for o caso de terminar com uma citação, tomo, com respeito, a palavra do Senhor, no Antigo Testamento: “Não darás falso testemunho contra o seu próximo” (Êxodo, 20, 16).

KÁTIA ABREU, 50, é senadora (PSD-TO) e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

18 dezembro, 2012

Boff e a sua obsessão por Lulas.

A notícia que publicamos a seguir foi divulgada em outubro último pelo grupo ACI. No entanto, a versão portuguesa da matéria omite uma informação interessante (que inserimos e destacamos em vermelho) que consta no artigo em espanhol. Não sabemos ao certo se o ser a que se refere Boff é aquele mesmo ídolo petista que se considera um “homem sem pecados”.

Leonardo Boff pede reinterpretação do cristianismo para salvar a “crucificada” Mãe Terra

boff[1]BRASILIA, 23 Out. 12 / 07:27 pm (ACI).- Leonardo Boff, considerado um dos principais impulsores da teologia marxista da libertação (TML), pediu reinterpretar o cristianismo para ajudar a “Mãe Terra” que “está crucificada” e é nossa tarefa tirá-la da cruz, como os teólogos da libertação “fizemos durante décadas com os pobres”.

Boff, que na década de 90 abandonou o sacerdócio, casou-se com uma mulher divorciada, e se afastou da Igreja Católica para converter-se no que ele chama um “ecoteólogo de matriz católica” dedicado a escrever livros sobre ecologia e temas alheios ou contrários à doutrina católica, afirmou em uma recente palestra que o grito da terra é o grito dos pobres e o grito dos pobres é o grito da terra, nossa Mãe Terra.

A reinvidicação do ex-franciscano ocorreu no marco do Congresso Continental de Teologia, realizado em São Leopoldo (RS) na universidade jesuíta UNISINOS entre os dias 7 a 11 deste mês com a intenção de equiparar o Concílio Vaticano II com a teologia marxista da libertação. Leonardo Boff assegurou que a “marca registrada” desta vertente de teologia, condenada em seguidas ocasiões pela Igreja, é “a opção pelos pobres, contra a miséria e a opressão”.

“Dentro dessa opção pelos pobres é preciso colocar o grande pobre que é a Mãe Terra, que é a Pachamama, a Magna Mater, a Tonantzin, a Gaia, é o grande pobre devastado e oprimido”, afirmou.

Para Boff, “este organismo que chamamos Terra e do qual formamos parte” pode, em qualquer momento, “expulsar-nos como se fôssemos células cancerígenas”.

Segundo o “ecoteólogo”, a “Mãe Terra” estaria preparando um novo ser capaz de “suportar o espírito” [que não seria outro que não uma lula gigante]. Citando outro conhecido promotor da teologia marxista da libertação, sancionado pela Congregação para a Doutrina da Fé, Jon Sobrino, Leonardo Boff sublinhou que “esta terra crucificada, deverá descer da Cruz, é preciso ressuscitá-la e esta é a tarefa de uma eco-teologia da libertação”.

“A teologia da libertação nasceu escutando e explicando o grito dos pobres, mas não só os pobres gritam, gritam as águas, gritam as árvores, gritam os animais, gritam os ventos, a terra grita”, disse. Segundo Boff, “o universo é autoconsciente”, tem um propósito, e a Terra “começou a pensar, sentir e amar”.

O autor disse ainda que a trindade deve ser entendida como “a grande energia fundamental”, e que trindade significa “comunhão e relações inclusivas de todos com todos”.

Boff pediu também que o conceito de Revelação seja revisado, afirmando que houve muitas manifestações de Deus na história, por isso deve-se deixar de buscar que outros se convertam ao cristianismo.

“Deus chega sempre antes dos missionários e sempre atua antes que os missionários”, assinalou.

Para o defensor da TML, o cristianismo, vai além das “margens estreitas do catolicismo atual” e que para sobreviver necessita reformular-se e entrar em harmonia com a “Mãe Terra”.

Entre os participantes no evento também se encontrava o sacerdote peruano Gustavo Gutiérrez, considerando o pai da teologia marxista da libertação, Jon Sobrino, e o Bispo de Jales (SP), Luiz Demétrio Valentini, entre outros teólogos sancionados mais de uma vez pela Igreja.

5 dezembro, 2012

Flashes do Congresso herético-libertário realizado na Unisinos.

Concluindo nossa cobertura do congresso herético-libertário realizado na Unisinos pelos anciãos teológos latino-americanos com dinheiro no banco, selecionamos algumas imagens do evento (créditos: Amerindia).

Além do silêncio ensurdecedor das autoridades locais — superiores jesuítas, diocese de Novo Hamburgo, CNBB e Nunciatura Apostólica — é estarrecedor assistir a passividade do Vaticano, calando sua suposta preocupação em nome da diplomacia para, dizem, não gerar escândalos e não dar publicidade ao congresso.

Ora, o escândalo já está aí, escancarado aos que tiverem olhos para ver. A divulgação foi mais do que reforçada pelo silêncio das autoridades romanas, enquanto a imprensa verdadeiramente católica bradava ao vento e à toa e a Rádio Vaticano fazia propaganda [uma e duas vezes] do evento. Para não falarmos do posterior convite a uma das participantes do congresso para apresentar, simplesmente, o livro do Papa!…

O que está em jogo não são as boas relações com o episcopado brasileiro, muito menos o temor de superestimar o congresso ou mesmo de inflar o coitadismo dos hereges latino-americanos, “mártires da caminhada” perseguidos pelos opressores europeus. Isso tudo é balela, tudo absolutamente secundário. O único necessário, a exclusiva razão pela qual deveriam ser moldadas as atitudes de nossas autoridades eclesiásticas é a honra de Deus. Lamentavelmente, a preocupação habitual delas é de basicamente não incomodar os inimigos da Fé, pois os filhos da Igreja já estão para lá de escandalizados.

A dra. Maria Clara Bingemer discursa no Congresso. Dias depois, seria uma das apresentadores do livro do Papa Bento XVI.

A dra. Maria Clara Bingemer discursa no Congresso. Semanas mais tarde, ela apresentaria o livro do Papa Bento XVI no Vaticano.

 

Segundo matéria divulgada pelo IHU, para Boff “Deus está continuamente criando, sempre presente em sua criação. Deus está em tudo e tudo está em Deus – é o que chamamos de panenteísmo, o que é diferente do panteísmo. É preciso repensar a criação como algo dinâmico, além de repensar a cristologia da ressurreição. O Cristo cósmico está presente em todas as realidades. E o Espírito Santo, por meio de sua ação missionária no mundo, também está dentro da criação”.

Segundo matéria do IHU, para Boff “Deus está continuamente criando, sempre presente em sua criação. Deus está em tudo e tudo está em Deus – é o que chamamos de panenteísmo, o que é diferente do panteísmo. É preciso repensar a criação como algo dinâmico, além de repensar a cristologia da ressurreição. O Cristo cósmico está presente em todas as realidades. E o Espírito Santo, por meio de sua ação missionária no mundo, também está dentro da criação”.

 

Missa celebrada durante o Congresso: leigos comungam por conta própria. Embora a Redemptionis Sacramentum (2002) proíba, eles se fundamentam em outra orientação da Congregação para o Culto Divino: "Pode-se também adotar um método mais simples, permitindo que o próprio comungante pegue a hóstia do cibório" (Memoriale Domini, 29 de maio de 1969).

Missa celebrada durante o Congresso: leigos comungam por conta própria. Embora a Redemptionis Sacramentum (2002) proíba, eles se fundamentam em outra orientação da Congregação para o Culto Divino: “Pode-se também adotar um método mais simples, permitindo que o próprio comungante pegue a hóstia do cibório” (Memoriale Domini, 29 de maio de 1969).

 

"Comunidade celebrante".

“Comunidade celebrante”.

 

A fé madura e adulta dos participantes não os impede de adotarem práticas dos carismáticos, a quem tanto criticam.

A fé madura e adulta dos participantes não os impede de adotar práticas dos carismáticos, a quem tanto criticam (ou seriam práticas das tribos índigenas dizimadas pelos colonizadores, bla, bla, bla?).

 

Estão também orando em língüas?

Estão também orando em língüas?

 

 

23 outubro, 2012

Los becerros de oro de latinoamérica.

Os bezerros de ouro da Teologia da Libertação reunidos no Congresso “Teológico” na Unisinos, de 7 a 11 de outubro:

Ao fundo, no telão, em presença virtual: Gustavo Gutiérrez e Sergio Torres Gónzalez.

Em pé, da esquerda para a direita: José Marins, Cecilio De Lora, Pedro Trigo, Elsa Tamez, Jon Sobrino, Paulo Suess, Leonardo Boff, Joao Batista Libanio, Pablo Richard, Jesus Garcia, Victor Codina, Juan Carlos Scannone.

Agachados, da esquerda para a direita: Frei Betto, Juan Hernández Pico, Carlos Mesters, José Oscar Beozzo, Eleazar López, Francisco Chico Whitaker, Diego Irarrázaval.

Supomos ser a “rapaziada que segue em frente e segura o rojão” na qual a CNBB acredita, como lembrou o leitor Luís Augusto Rodrigues Domingues.

Histeria coletiva: têelétes se aglomeraram, com suas burguesas câmeras digitais, para registrar o momento histórico.

Relíquia: a foto oficial foi vendida (por R$ 50?!). Não se sabe ainda se os fundos serão direcionados aos pobres oprimidos latino-americanos ou se engordarão o caixa da organização.

uma informação de que participaram do congresso 18 bispos católicos. Um deles sabemos ser Dom Demétrio Valentini, bispo de Jales. Outro, Dom José Maria Pires, arcebispo emérito da Paraíba — com direito a broche da CNBB. E os demais, quem seriam? Infelizmente nada é informado. Medo…?

9 outubro, 2012

“Eu sou apenas um herege latino-americano com dinheiro no banco”. Católicos pedem medidas contra Congresso, enquanto Rádio Vaticano faz… divulgação!

A reunião dos expoentes da Teologia da Libertação, normalmente idosos abastados com a venda de livrecos marxistas, é divulgada pelo departamento brasileiro da Rádio Vaticano, composto por meia dúzia de latino-americanos de idéias tortas.

Teólogos da América Latina reunidos para celebrar os 50 anos do Concílio Vaticano II

São Leopoldo | Rádio Vaticano – Está em andamento na Universidade Unisinos, em São Leopoldo (RS), o Congresso Continental de Teologia.

Hermenêutica cristã será um dos temas em destaque na programação desta terça-feira. A conferência inaugural do Congresso foi feita no domingo pelo Bispo de Jales (SP), Dom Demétrio Valentini.

Dom Valentini lembrou sua presença, 50 anos atrás, na abertura do Concílio Vaticano II na Basílica de S. Pedro e propôs que o mesmo espírito que inspirou os Padres Conciliares inspire também os participantes deste Congresso. “João XXIII soube fazer o Concílio com serenidade de espírito, concórdia fraterna, moderação nas propostas, dignidade nas discussões e prudência nas deliberações. Assim será este Congresso. Que este mesmo sentimento nos impregne esses dias para que este Congresso seja motivo de esperança.”

O evento reúne até o dia 11 de outubro teólogos da América Latina para celebrar os 50 anos de abertura do Concílio Vaticano II.

Com o novo impulso dado por Aparecida à tradição latino-americana e caribenha, “o momento atual é muito oportuno para mobilizar a comunidade teológica no Continente, depois de anos particularmente difíceis, marcados por tensões, desencantos, falta de perspectivas, dispersão e inclusive certa desmobilização dos teólogos”, é que o se lê na convocação do Congresso.

A finalidade deste evento continental é sobretudo olhar para o futuro, um Congresso prospectivo, para questionar os desafios e as tarefas futuras da Teologia na América Latina a partir do novo contexto cultural, social, político, econômico, ecológico, religioso e eclesial.

Para quem não puder estar presente no Congresso, há a possibilidade de assistir as principais conferências ao vivo, via internet, pois elas serão transmitidas, através de uma iniciativa do Observatório Eclesial do México.

Para isso, basta ir no link: http://www.ustream.tv/channel/congresoteologicobrasil

(BF)

1 outubro, 2012

Mas o que Dom Zeno Hastenteufel, bispo de Novo Hamburgo, está esperando para agir da mesma forma?

Dom Zeno Hastenteufel, bispo de Novo Hamburgo.

Dom Zeno Hastenteufel, bispo de Novo Hamburgo.

O que espera Dom Zeno Hastenteufel, bispo diocesano de Novo Hamburgo, para tomar as devidas providências quanto ao Congresso herético-libertário latino-americano, com muito dinheiro no banco e vindo do interior do RS — São Leopoldo?  O arcebispo de Rosário, Argentina, mostrou como se faz: há menos de uma semana, baniu de sua diocese Andrés Torres Queiruga — teólogo espanhol idolatrado por mentes brilhantes como Padre Fábio de Melo e Dom Redovino Rizzardo — que participará, com outras estrelas dos infernos, do congresso que preocupa o Vaticano.

Tome alguma medida, Excelência, e honre o seu episcopado: “É lamentável que enquanto nos aproximamos do ano da Fé, se promovam esses atos, que distorcem a verdadeira fé da Igreja”. Recomendamos a nossos leitores que encaminhem suas mensagens ao bispo de Novo Hamburgo e ao senhor Núncio Apostólico.

* * *

Arcebispo de Rosário proíbe as conferências de Torres Queiruga em um colégio dos maristas.

Dom José Luis Mollaghan, Arcebispo de Rosário (Argentina) comunicou ao Superior dos Irmãos Maristas em sua arquidiocese que não autoriza nem aprova as conferências que Andrés Torres Queiruga tinha pensado em proferir no colégio dos religiosos. O comunicado recorda que os ensinamentos do teólogo nem sempre são compatíveis com a fé católica e lamenta que «enquanto nos aproximamos do ano da Fé, se promovam esses atos que distorcem a verdadeira fé da Igreja.»

Luis F. Pérez – InfoCatólica | Tradução: Fratres in Unum.com -  Para seu interesse reproduzimos o comunicado da Arquidiocese de Rosário sobre uma Conferência do Senhor Professor Andrés Torres Queiruga promovida pela Fundação Civil Diálogo no Colégio Marista de Rosário:

Rosário, 28 de setembro de 2012.

Dom José Luis Mollaghan, arcebispo de Rosário, Argentina.

Dom José Luis Mollaghan, arcebispo de Rosário, Argentina.

1º. Em razão de um convite da Fundação Diálogo, presidida pelo Dr. Ariel Álvarez Valdes, sem autorização para ensinar matérias religiosas em sua própria diocese, a uma conferência do Professor espanhol Andrés Torres Queiruga, a realizar-se no colégio Marista desta Cidade, o Arcebispo de Rosário, Dom José Luis Mollaghan, comunica que a referida entidade civil não tem nenhuma autorização para organizar cursos ou promover conferências sobre a Doutrina católica em um Colégio ou em uma instituição católica da Arquidiocese.

Por este motivo, a Arquidiocese de Rosário se dirigiu oportunamente ao Superior dos Irmãos Maristas a cargo da Comunidade religiosa em Rosário e, por seu intermédio, ao Diretor Geral do Colégio Marista, dando a conhecer as disposições desta Arquidiocese e a atitude que causa confusão entre os fiéis de permitir estas atividades no âmbito do Colégio religioso.

2º Tendo em conta a Notificação da Conferência Episcopal Espanhola (30.III.2012) e, em particular, da Comissão episcopal para a Doutrina da Fé, sobre os escritos e tese do Professor Andrés Torres Queiruga, a Arquidiocese de Rosário não aprova nem autoriza que o referido Professor profira conferências sobre a doutrina católica na sede de um colégio ou instituição católica; “dado que seus ensinamentos nem sempre são compatíveis com a interpretação autêntica dada pela Igreja à Palavra de Deus escrita e transmitida“.

Isso também se aplica particularmente, entre outras posições suas, ao tema de sua exposição sobre a criação, já que sempre se deve levar em conta a clara distinção entre o mundo e o criador, e a possibilidade de que Deus intervenha na história e no mundo mais além das leis que Ele mesmo estabeleceu (CEE, Not. Nº27).

É lamentável que enquanto nos aproximamos do ano da Fé, se promovam esses atos, que distorcem a verdadeira fé da Igreja; a mesma Fé “que atua pelo amor e se converte em um novo critério de pensamento e de ação que modifica toda a vida do homem (cf. Rm 12, 2; Col 3, 9-10; Ef 4, 20-29; 2 Co 5, 17)” (Porta Fidei, nº 6).

Pbro. Juan Pablo Masramón

Secretário

Arquidiocese de Rosário

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