Posts tagged ‘Teologia da Libertação’

6 abril, 2014

Foto da semana.

papacimi2

Vaticano, 4 de abril de 2014 – Tirando a batina do fundo do baú, cheirando naftalina, o bispo comunista Dom Erwin Krautler, queridinho da CNBB (ele sempre tem papel de destaque nas fastidiosas Assembleias Gerais), foi recebido pelo Papa Francisco para tratar das violações aos direitos indígenas. Dom Krautler é presidente do CIMI – órgão que promove radicalmente a revolução socialista com apoio governamental e, como não poderia deixar de ser, da CNBB.

Sua Excelência, um branco austríaco cujo carisma é “ajudar e prevenir os índios a não caírem no mundo do branco, que é um mundo viciado“, vencedor de um “Prêmio Nobel” da segunda divisão dado a esquerdistas empedernidos, esteve acompanhado do Padre Paulo Suess que, não satisfeito em promover a desordem no âmbito social, quer estender sua revolução à Igreja. É ele quem conta em seu blog:

“Na recepção pelo Papa Francisco, entreguei um pequeno texto sobre o fato de que 70% das nossas comunidades estão sem eucaristia. Confrontei a realidade com textos do magistério da Igreja. O papa me respondeu: “Eu falei aos bispos no Rio que, particularmente, na Amazônia precisam ter coragem e propor soluções.”como montar uma empresa

E então Pe. Suess dá sua proposta “comunistarista”:

“A Igreja, que é sacramento de vida, assume coletivamente essa carência e a sana coletivamente: um grupo de viri probati celebra em conjunto a Eucaristia. A Igreja os convoca e encarrega para fazer comunitariamente, o que nenhum deles pode fazer sozinho.”

Ou seja, viri probati – homens provados (leigos comuns ou ordenados?) reunidos celebram a “Ceia” — pois o Santo Sacrifício da Missa isso não é nem nunca será, Sr. Suess, tal como Católicas as suas idéias e as de seus amiguinhos do CIMI não são. Por favor, Sr. Suess, seja coerente: renuncie aos privilégios do mundo branco viciado (como viajar a Roma — poderia ter ido de canoa? –, ter blog e facebook, etc), vá fundar sua igrejola protestante, isole-se no meio da Amazônia com a sua tribo e deixe a Igreja Católica em paz!

A seguir, matéria divulgada pelo CIMI:

11 março, 2014

Um herói (marxistoide) no Vaticano.

Com informações de Catapulta | Tradução: Fratres in Unum.com (destaques do original) - “Na terça-feira passada, o fundador da Teologia da Libertação, a corrente católica de inspiração latino-americana que defende os pobres, foi recebido como um herói no Vaticano, no momento em que o outrora criticado movimento continua a sua reabilitação com o papa Francisco.

O reverendo Gustavo Gutiérrez Merino, do Peru, foi o orador surpresa nessa terça-feira, no lançamento de um livro, que contou com a participação do cardeal Gerhard Mueller, chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, entidade encarregada de cuidar para que os sacerdotes não se afastem dos ensinamentos centrais da Igreja; do cardeal Óscar Rodríguez (Maradiaga) um dos principais assessores do Papa, e do porta-voz do Vaticano”

http://www.jornada.unam.mx/2014/02/27/mundo/

Vatican Insider fornece mais detalhes sobre a apresentação do livro:

“Pobre e para os pobres”. As palavras do Papa são também o título do mais recente livro de Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. (que aparece na foto vestindo um poncho). Um texto que parece ser o passo definitivo em direção a uma Teologia da Libertação “normalizada”. A edição, que conta com o prólogo de Francisco, foi apresentada em um auditório do Vaticano…

Müller é o principal artífice dessa “normalização” de uma corrente de pensamento que ainda provoca debates acalorados na América Latina. Ele é amigo pessoal de Gutiérrez, “pai” dessa teologia, há décadas. Após a apresentação do livro, o brilhante cardeal alemão explicou aos jornalistas porque ele a apoia sem duvidar.

http://vaticaninsider.lastampa.it/es/en-el-mundo/dettagliospain/articolo/teologia-della-liberazione-teologia-de-la-liberacion-32380/

Agora vamos lá, em 1973 o fundador Gutiérrez publicou Fe cristiana e cambio social, onde aparecem as seguintes pérolas “católicas” e das quais nunca se arrependeu:

 “… a luta de classes é um fato, e é impossível manter a neutralidade nesse tema”.

“… não há nada mais certo do que um fato. Ignorá-lo é enganar e deixar-se enganar e, além disso, privar-se dos meios necessários para eliminar verdadeira e radicalmente essa condição ‒ ou seja, avançar até uma sociedade sem classes“.

“Participar da luta de classes não somente não se opõe ao amor universal; hoje em dia, esse compromisso é o meio necessário e inevitável para concretizar esse amor, uma vez que essa participação é o que conduz a uma sociedade sem classes, uma sociedade sem proprietários e despossuídos, sem opressores e oprimidos”.

“… a missão da Igreja se define prática e teoricamente, pastoral e teologicamente, em relação… ao processo revolucionário. Ou seja, a sua missão se define mais pelo contexto político do que por problemas intra-eclesiais”.

“… a luta de classes existe dentro da mesma Igreja… a unidade da Igreja (é)… um mito que deve desaparecer se a Igreja é “reconvertida” ao serviço dos trabalhadores na luta de classes”.

No mundo atual a solidariedade e o protesto de que falamos têm um evidente e inevitável caráter político, tanto que têm um significado libertador. Optar pelo oprimido é optar contra o opressor. Em nossos dias e em nosso continente, solidarizar-se com o pobre assim entendido, significa correr riscos pessoais… É o que ocorre a muitos cristãos – e não cristãos – no processo revolucionário latino-americano”. (Ver Postagem de 11 de setembro de 2013 “MÁS ALIENTO A LA REVOLUÇÃO” http://www.catapulta.com.ar/?p=11414)

8 janeiro, 2014

Íntegra da mensagem do Papa Francisco ao Intereclesial das CEB’s.

Queridos irmãos e irmãs,

Dom Orani celebra missa em preparação para o Intereclesial das CEBs.

Dom Orani celebra missa em preparação para o Intereclesial das CEBs.

É com muita alegria que dirijo esta mensagem a todos os participantes no 13º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, que tem lugar entre os dias 7 e 11 de janeiro de 2014, na cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará, sob o tema “Justiça e Profecia a Serviço da Vida”.

Primeiramente, quero lhes assegurar as minhas orações para que este Encontro seja abençoado pelo nosso Pai dos Céus, com as luzes do Espírito Santo que lhes ajudem a viver com renovado ardor os compromissos do Evangelho de Jesus no seio da sociedade brasileira. De fato, o lema deste encontro “CEBs, Romeiras do Reino, no Campo e na Cidade” deve soar como uma chamada para que estas assumam sempre mais o seu importantíssimo papel na missão Evangelizadora da Igreja.

7 de janeiro de 2014 - Trem das CEBs abrem celebração de Dom Fernando Panico, bispo de Crato.

7 de janeiro de 2014 – Trem das CEBs abrem celebração de Dom Fernando Panico, bispo de Crato.

Como lembrava o Documento de Aparecida, as CEBs são um instrumento que permite ao povo “chegar a um conhecimento maior da Palavra de Deus, ao compromisso social em nome do Evangelho, ao surgimento de novos serviços leigos e à educação da fé dos adultos” (n.178). E recentemente, dirigindo-me a toda a Igreja, escrevia que as Comunidades de Base “trazem um novo ardor evangelizador e uma capacidade de diálogo com o mundo que renovam a Igreja”, mas, para isso é preciso que elas “não percam o contato com esta realidade muito rica da paróquia local e que se integrem de bom grado na pastoral orgânica da Igreja particular” (Exort. Ap. Evangelii gaudium, 29).

Queridos amigos, a evangelização é um dever de toda a Igreja, de todo o povo de Deus: todos devemos ser romeiros, no campo e na cidade, levando a alegria do Evangelho a cada homem e a cada mulher. Desejo do fundo do meu coração que as palavras de São Paulo: “Ai de mim se eu não pregar o Evangelho” (I Co 9,16) possam ecoar no coração de cada um de vocês!

Por isso, confiando os trabalhos e os participantes do 13º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base à proteção de Nossa Senhora Aparecida, convido a todos a vivê-lo como um encontro de fé e de missão, de discípulos missionários que caminham com Jesus, anunciando e testemunhando com os pobres a profecia dos “novos céus e da nova terra”, ao conceder-lhes a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 17 de dezembro de 2013

Fonte: Site oficial do 13º intereclesial das CEB’s

23 dezembro, 2013

Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Müller: “Lefebvrianos são cismáticos de facto”, o fundador da Teologia da Libertação “sempre foi ortodoxo”.

Por Rorate Caeli – Tradução: Fratres in Unum.com: De uma entrevista concedida pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Arcebispo Gerhard Müller, ao diário italiano Corriere della Sera, publicada neste domingo:

Com a falha nas discussões [doutrinais], qual é a posição dos lefebvristas?

“A excomunhão canônica devido à ordenação [episcopal] ilícita foi levantada dos bispos, mas permanece a [excomunhão] sacramental, de facto, para o cisma; porque eles se distanciaram da comunhão com a Igreja. Isso posto, não fechamos a porta, jamais, e os convidamos à reconciliação. Porém, eles também precisam mudar a sua abordagem e aceitar as condições da Igreja Católica, e o Supremo Pontífice como o critério último de adesão.”

O que o senhor pode dizer sobre o encontro entre Francisco e [Pe. Gustavo] Gutiérrez em 11 de setembro?

“As correntes teológicas passam por momentos difíceis, as coisas são debatidas e esclarecidas. Contudo, Gutiérrez sempre foi ortodoxo. Nós, europeus, precisamos superar a noção de sermos o centro, sem, por outro lado, nos subestimarmos. Para ampliar os horizontes, encontrarmos um equilíbrio: tenho aprendido isso com ele. Abrimo-nos para uma experiência concreta: ver a pobreza e também a alegria das pessoas. Um Papa Latino Americano tem sido um sinal celeste. Gustavo ficou deslumbrado. E eu também, assim como Francisco”.

17 outubro, 2013

“Müller tem o dever de defender a sã doutrina da fé na Igreja, por isso deve abandonar essa ingenuidade e ser mais prudente”.

Duras palavras do Cardeal Cipriani Thorne a respeito de Dom Gerhard Müller e sua simpatia pela Teologia da Libertação.

Por Fratres in Unum.com – Com informações de Vatican Insider: Novo ataque do Cardeal Juan Luis Cipriani Thorne, arcebispo de Lima, ao Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Cardeal Cipriani Thorne.

Cardeal Cipriani Thorne.

Além da recente disputa entre Müller e Cipriani em torno da PUCP, que terminou numa vexatória derrota de Müller após sua intervenção em favor de seus amigos da Teologia da Libertação, há um mês, Cipriani fez duras críticas a Müller e agora ratifica sua posição em nova entrevista:

« Volto a qualificar (Müller) como um ingênuo. Gustavo Gutiérrez concelebrou a missa com o Papa junto a outros vinte e cinco sacerdotes. Ao fim da missa, o Papa saudou a todos e é o que fez com Gutuierrez. Não inventamos uma audiência e uma reconciliação ».

O jornalista, então, fez referência a uma resposta de Müller de que não se importaria de “ser ingênuo”, mas que considerava necessário “reconciliar” os “partidos” que existem dentro da Igreja; ao que Cipriani retrucou: « Não estou de acordo com a afirmação sobre partidos na Igreja. Creio que esteja equivocado. Dom Müller tem o dever de defender a sã doutrina da fé na Igreja, por isso deve abandonar essa ingenuidade e ser mais prudente. Digo isso com toda humildade ».

25 setembro, 2013

Bispo de Campos em plena comunhão com a Teologia da Libertação.

Coluna de Dom Roberto Ferreria Paz, bispo diocesano de Campos, RJ, cidadão planetário, ativista do direito dos bosques e dos animaisarauto junto ao MST da “família humana sem fronteiras” e cujo diretório litúrgico deve ter sido redigido pela ONU — suas colunas semanais quase sempre repercutem a agenda dessa entidade maçônica, comemorando grandiosíssimas festas como o dia internacional da Alfabetização, o dia internacional dos Desaparecidos, etc. Ele, que vibrou com o “Flash Movíe” (?!) dos bispos na JMJ e amiúde cita artistas e filósofos modernos com toda pompa e eloquência, no alto de sua requintada cultura, agora desfralda a bandeira da Teologia da Libertação.

Revistando a Teologia da Libertação

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

Dom Roberto Ferreria Paz

Surpreendeu a muitos que o Papa Francisco celebrasse a Missa no dia 11 de setembro de 2013, na Capela Santa Marta com a presença de Dom Gerhard Muller, Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé e o seu amigo o sacerdote peruano Gustavo Gutierrez, fundador da Teologia da Libertação.

Para alguns a Teologia da Libertação beira a heresia, é uma corrente teológica refém da ideologia marxista e inocente útil do comunismo. No entanto não é assim que a vê a Igreja. As duas instruções sucessivas e complementares da Congregação da Doutrina da Fé, redigidas pelo então Prefeito o Cardeal Ratzinger, apontam para desvios ou riscos de desvios, mas de maneira alguma dá uma sentença condenatória a esta corrente teológica, que como se pode analisar tem várias nuanças e tendências e sem dúvida muitas contribuições, que o próprio Cardeal Ratzinger reconhece na segunda instrução Libertatis Conscientia como são nomeadamente: a denuncia da idolatria, a opção preferencial pelos pobres, a articulação da teologia com a evangelização encarnada dos pobres e a sua libertação, a ligação da evangelização com a promoção humana integral e a luta pela justiça, fazendo acontecer estruturas mais plenamente humanas.

O Documento de Puebla recolheu a reflexão e a produção mais integrada das Igrejas Particulares da América Latina, fortalecendo e dinamizando uma pastoral libertadora alicerçada no eixo comunhão e participação, o resgate da cultura e religiosidade popular e seu potencial evangelizador, a denuncia das ideologias idolátricas do capital e do estado, como a da segurança nacional.

A teologia da libertação gerou também uma antropologia, uma filosofia e uma ética, focalizando a alteridade do ser humano, a analética face a dialética nos relacionamentos sociais e culturais, o amor agápico ou fraternura, a política e a economia de comunhão, termos e conceitos do pensador Enrique Dussel. O Papa João Paulo II afirmou que uma verdadeira Teologia da Libertação não só era possível quanto necessária.

E como vimos o Papa Bento XVI nomeou o atual Prefeito da Congregação da Fé Dom Gerhard Muller que conheceu in loco no meio dos índios e camponeses a vivência e a prática da Teologia da Libertação testemunhada com autenticidade pelo seu amigo o Pe. Gustavo Gutierrez. Deus seja louvado!

16 setembro, 2013

“Isso pensa Müller, isso é o que ele pensa”. “Ouso dizer: a Igreja nunca esteve tão bem como hoje”.

Por Sandro Magister | Tradução: Fratres in Unum.com - Durou mais de duas horas o encontro entre o Papa Francisco e os padres da sua diocese de Roma, na Basílica de São João de Latrão, na manhã de segunda, 16 de setembro.

O encontro foi realizada à portas fechadas. E um relato parcial do que o Papa disse foi fornecido algumas horas mais tarde por “L’Osservatore Romano” e pela Rádio Vaticano.

Mas em nenhum dos dois relatos apareceram duas piadas ditas pelo Papa sobre dois altos eclesiásticos.

A primeira foi grave e cortante. A segunda irônica.

Ao formular uma das cinco perguntas direcionadas ao Papa e para falar da centralidade dos pobres na pastoral, um padre se referiu positivamente à teologia da libertação e às posições simpáticas, em relação a esta teologia, do arcebispo Gerhard Ludwig Müller.

Mas ao ouvir o nome do prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Papa Francisco não permitiu concluir a pergunta e disse: “Isso pensa Müller, isso é o que ele pensa”.

A segunda era uma flechada contra o Cardeal Secretário de Estado que está de saída, Tarcisio Bertone.

O Papa Francesco sorriu quando um padre brincou sobre aqueles que colocam na sua cabeça que a Igreja é “una, santa, católica e salesiana”. E adicionou: “Una, Santa, Católica e Salesiana, como diz Cardeal Bertone”.

* * *

Papa Francisco encontra o clero de Roma: “Ouso dizer: a Igreja nunca esteve tão bem como hoje”

E se vocês virem que eu perdi isto, por favor, me digam e se não puderem me dizer privadamente, digam publicamente, mas digam: ‘Olha, converta-te!’

Cidade do Vaticano (RV) – “Mesmo agora que sou Papa me sinto ainda um sacerdote”. Esta é uma das passagens chaves do diálogo que o Papa Francisco teve, na manhã desta segunda-feira, com os sacerdotes da Diocese de Roma, a sua Diocese, reunidos na Basílica São João de Latrão. A acolher o Papa, 20 minutos antes do previsto, foi o Cardeal Vigário Agostino Vallini, que na sua saudação comentou que este encontro foi programado pelo novo Bispo de Roma, logo após ter sido eleito.

“O que é o cansaço para um Sacerdote, para um Bispo e mesmo para o Bispo de Roma?” O Papa Francisco desenvolveu o seu pronunciamento introdutivo, detendo-se neste questionamento. E confiou que a inspiração lhe veio após ler a carta enviada por um sacerdote idoso, que justamente lhe falava sobre este cansaço, um “cansaço no coração”. “Existe – disse o Papa – um cansaço do trabalho e isto todos conhecemos. Chegamos de noite, cansados de trabalhar e passamos diante do Tabernáculo para saudar o Senhor. Sempre – advertiu – é necessário passar pelo Tabernáculo”:

Quando um sacerdote está em contato com o seu povo, se cansa. Quando um padre não está em contato com o seu povo, se cansa, mas mal e para dormir deve tomar um comprimido, não? Ao invés disso, aquele que está em contato com o povo – que de fato o povo tem tantas exigências, tantas exigências! Mas são as exigências de Deus, não? – este cansa realmente e não tem necessidade de tomar comprimidos”.

Existe, porém, um “cansaço final” – prosseguiu Francisco – que se vê antes do “crespúsculo da vida” onde “existe a luz escura e o escuro um pouco luminoso”. É “um cansaço que vem no momento em que deveria existir o triunfo”, mas ao invés disto “vem este cansaço”. Isto – afirmou – acontece quando “o sacerdote se questiona sobre sua existência, olha para trás, ao caminho percorrido e pensa nas renúncias, aos filhos que não teve e se pergunta se não errou, se a sua vida “falhou”. É justamente sobre o “cansaço do coração” de que o sacerdote escrevia na carta.

O Papa citou então, o cansaço em tantas figuras bíblicas, de Elias a Moisés, de Jeremias até João Batista. Este último, afirmou, na “escuridão da prisão” vive o “escuro de sua alma” e manda os seus discípulos perguntarem a Jesus se Ele é realmente aquele que estão esperando. O que pode fazer então um sacerdote que vive a experiência de João Batista? Rezar, “até dormir diante do Tabernáculo, mas estar ali”. E depois “procurar a proximidade com os outros padres, e sobretudo, com os bispos”:

Nós, Bispos, devemos ser próximos aos sacerdotes, devemos ser caridosos com o próximo e os mais próximos são os sacerdotes. Os mais próximos do Bispo são os sacerdotes. (aplausos). Vale também o contrário, eh! (risos e aplausos): o mais próximo dos padres deve ser o bispo, o mais próximo. A caridade para com o próximo, o mais próximo é o meu bispo. O Bispo diz: os mais próximos são os meus padres. É bonita esta troca, não? Isto, acredito, é o momento mais importante da proximidade, entre o bispo e os sacerdotes: este momento sem palavras, porque não existem palavras para este cansaço”.

A partir deste ponto, iniciou-se o diálogo do Papa Francisco com os sacerdotes, aos quais pediu para sentirem-se livres para perguntar qualquer coisa. Respondendo à primeira pergunta, o Papa Francisco disse que no serviço pastoral, não deve se “confundir a criatividade com fazer alguma coisa nova”. A criatividade – afirmou – “é buscar o caminho para que o Evangelho seja anunciado” e isto “não é fácil”. Criatividade “não é somente mudar as coisas”. É uma outra coisa, vem do Espírito e se faz com a oração e se faz falando com os fiéis, com as pessoas. O Papa, então, recordou uma experiência vivida quando era Arcebispo de Buenos Aires. Com um sacerdote, disse, procurava entender como tornar a sua igreja mais acolhedora:

Ah, se passa tanta gente aqui, talvez seria bonito que a igreja ficasse aberta durante todo o dia…Boa idéia! Também seria bonito que tivesse sempre um confessor à disposição, alí…Boa idéia! E assim foi”.

Esta – acrescentou – é uma ‘corajosa criatividade’. Também em relação aos cursos em preparação ao Batismo “é necessário superar o obstáculo dos pais e das mães que trabalham toda a semana e no domingo gostariam de repousar”. Então, é necessário “buscar novos caminhos”, como uma “missão no bairro” promovida pelos leigos. E esta é a “conversão pastoral”. A Igreja, “também o Código de Direito canônico nos dá tantas, tantas possibilidades, tanta liberdade para buscarmos estas coisas”. É necessário – destacou – procurar os momentos de acolhida, quando os fiéis devem ir à paróquia por um motivo ou outro. E criticou severamente quem, numa paróquia, está mais preocupado em pedir dinheiro por um certificado que pelo Sacramento e assim “afastam as pessoas”. É necessário, ao invés disto, “a acolhida cordial”: “que aquele que venha à igreja se sinta como na sua casa. Se sinta bem. Que não se sinta explorado”:

“Um sacerdote, uma vez – não da minha Diocese, de uma outra -, me dizia: ‘Mas, eu não faço pagar nada, nem mesmo as intenções da Missa. Tenho alí uma caixa e eles deixam aquilo que querem. Mas Padre: tenho quase o dobro do que tinha anteriormente. Porque as pessoas são generosas, e Deus abençoa estas coisas’.

“Se, ao invés disto, a pessoa vê que existe um interesse econômico, então se afasta”, observou Francisco. O Papa então, respondeu a quem lhe perguntava como ele se define agora, visto que, como Arcebispo de Buenos Aires, gostava definir-se simplesmente como ‘sacerdote’:

“Mas, eu me sinto padre, é sério. Eu me sinto padre, sacerdote, é verdade, bispo…Me sinto assim, não? E agradeço ao Senhor por isto. (aplausos) Teria medo de sentir-me um pouco mais importante, não? Isto sim, tenho medo disto, pois o diabo é esperto, eh!, é esperto e te faz sentir que agora tu tem poder, que tu pode fazer isto, que tu podes fazer quilo…mas sempre girando, girando em volta, como um leão – assim diz São Pedro, não! Mas graças a Deus, isto não perdi, ainda, não? E se vocês virem que eu perdi isto, por favor, me digam e se não puderem me dizer privadamente, digam publicamente, mas digam: ‘Olha, converta-te!’, porque está claro, não?” (aplausos)|

Após, o Santo Padre falou sobre os sacerdotes misericordiosos. Um padre enamorado – disse – deve sempre recordar-se do primeiro amor, de Jesus, “retornar àquela fidelidade que permanece sempre e nos espera”. Para mim, isto é “o ponto-chave de um sacerdote enamorado: que tenha a capacidade de voltar à recordação do primeiro amor”. E acrescentou: “uma Igreja que perde a memória, é uma Igreja eletrônica: não tem vida”. Assim, é necessário guardar-se dos padres rigorosos e negligentes. O sacerdote misericordioso – afirmou – é aquele que diz a verdade mas acrescenta: “Não te apavores, o Deus bom te espera, Caminhemos juntos”. A isto acrescentou: “devemos tê-lo sempre sob os olhos: acompanhar. Ser companheiros de caminho”. “A conversão sempre se faz assim – disse – a caminho e não no laboratório”.

“A verdade de Deus é esta verdade, digamos assim dogmática, para dizer uma palavra, ou moral, mas acompanhada do amor e da paciência de Deus, sempre assim”.

“Na Igreja – acrescentou – existem certos escândalos mas também tanta santidade e esta é maior. E existe também esta “santidade cotidiana”, escondida, “aquela santidade de tantas mães e de tantas mulheres, de tantos homens que trabalham todo o dia pela família”. Palavras estas acompanhadas de um encorajadora convicção:

“Eu ouso dizer que a Igreja nunca esteve tão bem como hoje. A Igreja não cai: estou seguro disto, estou seguro!”

O Papa então, voltou ao tema das periferias existenciais, retomando as suas palavra sobre “conventos vazios” e a generosidade para com os mais necessitados. Por fim, refletiu sobre o tema da família, e em particular, sobre a delicada questão da nulidade dos matrimônios e sobre as segundas uniões. “Um problema – recordou – que Bento XVI tinha no seu coração”. “O problema não pode ser reduzido à questão do fazer a comunhão ou não – afirmou – porque quem coloca o problema somente nestes termos não entende qual é o verdadeiro problema”.

“É um problema grave – observou – de responsabilidade da Igreja em relação às famílias que vivem esta situação”. A Igreja – afirmou ainda – neste momento deve fazer alguma coisa para resolver os problemas das nulidades matrimoniais. Um tema sobre o qual falará com o grupo dos 8 Cardeais que se reunirão nos primeiros dias de outubro, no Vaticano. E será tratado também no próximo Sínodo dos Bispos, pois é uma verdadeira “periferia existencial”.

Por fim, o Papa Francisco recordou que no próximo 21 de setembro recorre o 60º aniversário de sua vocação ao sacerdócio. (JE)

16 setembro, 2013

Padre é preso acusado de ter “papel destacado” em quadrilha que desviou fundos do Ministério do Trabalho. ONG fazia lobby junto a Gilberto de Carvalho, que confirma recomendação “com a chancela da Arquidiocese de São Paulo e do Rio, que atestavam o trabalho como muito consistente”.

Sem emitir qualquer juízo sobre a culpabilidade do sacerdote em questão, já que haverá um processo para tal, fazemos uma única e exclusiva questão: após o nosso post de semana passada, o PT está ou não infiltrado na Diocese de São Miguel Paulista, à qual pertence o padre preso? Mais um fruto da Teologia da Libertação e de sua opção preferencial pelos pobres?

PF detecta lobby de ONG sobre Gilberto Carvalho

Operação Pronto Emprego revela que organização acusada de desviar verbas do Ministério do Trabalho buscou apoio de secretário-geral da Presidência

Fausto Macedo | O Estado de S.Paulo - A organização criminosa que desviou R$ 18 milhões de um convênio com o Ministério do Trabalho buscou apoio e incentivo do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, para tentar obter aditamentos e novos repasses de verbas para o Centro de Atendimento ao Trabalhador (Ceat), ONG que teria se transformado no reduto da quadrilha.

Relatório da Operação Pronto Emprego, da Polícia Federal, deflagrada dia 3 em São Paulo, revela que o ministro era tratado pela quadrilha como seu “interlocutor” na pasta do Trabalho. Interceptações telefônicas mostram que, em maio, o grupo estava preocupado com perda de espaço no ministério e com uma divisão na cúpula da pasta. “Gilberto Carvalho irá resolver isso”, diz Jorgette Maria Oliveira, presidente da ONG, em ligação gravada.

Carvalho recebeu em seu gabinete muitas vezes padre Lício de Araújo Vale, a quem a PF atribui papel destacado na quadrilha, “articulador dos constantes aditamentos irregulares junto ao Ministério do Trabalho”.

Outros dois personagens centrais da trama foram recebidos por Carvalho – Jorgette e o advogado Alessandro Rodrigues Vieira, diretor jurídico da ONG.

O relatório da PF – 192 páginas com fotos, organogramas e planilhas da evolução patrimonial dos investigados – descreve os movimentos da organização e o assédio sobre o ministro. “É bastante comum a dupla (Vieira e Padre Lício) ir a Brasília para tratar da renovação junto a funcionários de alto escalão do Ministério do Trabalho e da Secretaria-Geral da Presidência da República”, diz o documento, à página 82.

A ONG foi criada pela Arquidiocese de São Paulo, em 2002. Depois, desvinculou-se da Cúria e virou Organização da Sociedade Civil de Interesse Público para capacitação de trabalhadores. Em 2008, firmou convênio com o Ministério do Trabalho.

O escoadouro do dinheiro público, diz a PF, se deu por meio de aditamentos. Nessa fase a organização pediu colaboração de Carvalho e corrompeu assessores do Trabalho – Gleide Santos Costa, da Secretaria de Políticas Públicas do ministério, foi preso em flagrante com R$ 30 mil que recebera de Jorgette.

Grampo de 20 de maio, 11h43, pegou Jorgette e Gleide. Ela diz que irá a uma reunião no gabinete de Carvalho. Às 12h42, Jorgette conversa com Alessandro Vieira. Ele conta que se encontrou com o secretário executivo do Trabalho, Paulo Roberto dos Santos – que caiu na Operação Esopo -, e que este pediu a Gleide que providenciasse a renovação do convênio. Vieira diz que “seria melhor ganhar a simpatia do ministro Manoel Dias (Trabalho) por intermédio de Gilberto Carvalho”.

Vieira diz que Paulo Roberto seria “o ‘gatilho’ do ex-ministro Carlos Lupi dentro do Ministério do Trabalho”. A PF diz que padre Lício é “sacerdote e empresário, sócio do Centro Brasil do Trabalho, que não existe de fato, e recebeu R$ 1,26 milhão do Ceat, recursos desviados por meio de prestação de serviços fictícios”.

À página 62, o relatório mostra que Jorgette foi informada de fiscalização do TCU na ONG e ficou tensa. “A minha grande questão é: eles vão só na gente ou vão nos clientes também, nos terceirizados?”

É citado Rodolfo Torelly, diretor do Departamento de Emprego e Salário do Trabalho. Ele alerta Jorgette “sobre resistências dentro do ministério, entre o grupo de Paulo Roberto e o grupo do Manoel Dias”. Ressalta a “importância de se aproximar de Manoel Dias”. Ela se diz confiante. “Gilberto Carvalho irá resolver isso.”

No dia 4 de junho, às 15h25, Jorgette comenta com o padre que Manoel Dias “não está se aproximando” do Ceat porque seriam ligados a Lupi. “Está na hora do Gilberto Carvalho falar com o Manoel Dias e informar que o Ceat é do governo”, diz a presidente da ONG. Ela orienta o religioso a falar com Carvalho e pedir que os ajudem porque “existe uma divisão no ministério e, de alguma forma equivocada, os associaram ao Lupi”. Jorgette recomenda ao padre que diga a Carvalho que “não são ligados a ninguém, a não ser ao próprio governo, ao ministro e ao ex-presidente Lula”.

Dia 5, às 11h11, da antessala de Carvalho, Lício telefona para Jorgette e diz que, enquanto aguardava ser atendido, encontrou-se com Manoel Dias e o convidou para visitar a entidade. O padre afirma que “o interlocutor do Ceat é Gilberto Carvalho”. Depois, comenta que pediu a Carvalho para “dar um toque no Manoel Dias, pois ele acha que o Ceat é ligado ao Lupi”.

Padre. A PF atribui ao padre Lício de Araújo Vale papel destacado na organização. Segundo a PF, na condição de diretor de Relações Institucionais da ONG Ceat, padre Lício batia à porta das repartições do governo Federal em busca de convênios.

Com trânsito livre em autarquias e Ministérios ele fazia contatos com gestores responsáveis pela celebração de acordos para liberação de verbas destinadas a projetos de caráter social.

Padre Lício, da Diocese de São Miguel Paulista, chegou a participar de almoço em um restaurante em Brasília, no qual levou a seus interlocutores pedido para conseguir um convênio no Ministério da Previdência.

O projeto de cunho previdenciário ainda estava em fase embrionária. Não se sabe se o religioso chegou a manter contato direto com autoridades do setor.

O rastreamento da PF aponta para o patrimônio pessoal do padre, que inclui pelo menos dois imóveis adquiridos recentemente. Um apartamento avaliado em R$ 500 mil, localizado no Tatuapé, zona Leste da Capital, comprado em 2010 à vista. Um sítio no município de Toledo (MG), comprado em 2012. Interceptação telefônica pegou o religioso pedindo instalação da Sky, TV por assinatura. Ao ser indagado por um funcionário da empresa onde fica a propriedade rural, ele deu uma referência. “É do lado do sítio do Bigode.”

* * *

Ministro diz que fez recomendação a pedido de cardeais

Gilberto Carvalho: “Esse é o típico caso em que a gente deu apoio confiando muito na posição da Igreja. O Ceat sempre foi o orgulho da Igreja. Não estou dizendo que há algum culpado, mas agimos baseados nas recomendações de dom Cláudio e dom Odilo Scherer e de dom Orani (cardeal do Rio). Quem sempre reforçou a referência sobre padre Lício foram eles. Padre Lício sempre teve comportamento irrepreensível.”

Fausto Macedo | Agência Estado - O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, admitiu que “recomendou” a ONG Centro de Atendimento ao Trabalhador aos ex-ministros do Trabalho Carlos Lupi e Brizola Neto, por sugestão de cardeais das Arquidioceses de São Paulo e do Rio. “Mas eu nunca pedi que forçassem uma barra para o Ceat.”

Ele disse que recebeu padre Lício “muitas vezes”. “Quando eu era chefe de gabinete do Lula, dom Cláudio Hummes me pediu apoio do presidente ao Ceat, falou de uma entidade realizadora na qualificação do trabalhador. O presidente Lula sempre deixou claro que, em primeiro lugar, estava a questão técnica. Foi renovado o vínculo com o Ceat com base nas informações da Igreja. A análise de contas não era e nunca foi minha função.”

“Mais de uma vez vieram pedir. Padre Lício dizia para que eu falasse que o Ceat é de gente séria”, relata Carvalho. “Falei com o Lupi, depois com o Brizolinha. Pedi que atendessem, sempre ressaltando que olhassem a prestação de contas.”

O ministro demonstra inconformismo. “Esse é o típico caso em que a gente deu apoio confiando muito na posição da Igreja. O Ceat sempre foi o orgulho da Igreja. Não estou dizendo que há algum culpado, mas agimos baseados nas recomendações de dom Cláudio e dom Odilo Scherer e de dom Orani (cardeal do Rio). Quem sempre reforçou a referência sobre padre Lício foram eles. Padre Lício sempre teve comportamento irrepreensível.”

Carvalho destaca que o Ministério do Trabalho e a CGU “não sinalizaram” com problemas nas contas da ONG. “Recomendei o Ceat sim, com a chancela da Arquidiocese de São Paulo e do Rio, que atestavam o trabalho como muito consistente.”

“Padre Lício veio me convidar para evento do dia 1.º de maio, veio com a Jorgette (presidente da ONG) e com gente respeitável. Aí pediu que eu falasse com o ministro Manoel Dias, que seria importante. Eu disse: ‘fale direto com o ministro, ele já conhece o trabalho de vocês’. Eu não fiz nenhuma interferência, até poderia ter falado com o ministro (Manoel Dias), como falei com os outros (Lupi e Brizola) porque não tinha suspeita sobre o Ceat. Assim como eu, a Igreja ficou absolutamente surpresa. Essa é a verdade.”

“Quando houve as prisões eu pensei que devia ser engano muito grave, alguma pirotecnia. Liguei para o Zé Eduardo (Cardozo, ministro da Justiça), ele disse que era coisa séria. Tentei falar com d. Cláudio, estava em retiro. Dom Odilo já sabia das prisões, muito surpreso.”

O criminalista Pedro Iokoi, que defende Jorgette, disse que o Ceat “não é entidade de fachada, promove trabalho de grande relevância social”.

16 setembro, 2013

Rapidinhas.

Francisco e Gutiérrez

Como havíamos antecipado, o Papa Francisco recebeu em audiência privada, na última quarta-feira, o teólogo peruano Gustavo Gutiérrez, considerado o “pai” da Teologia da Libertação. A audiência informal não apareceu na agenda oficial do Pontífice e sequer uma foto foi divulgada à imprensa.

Müller, o articulador

O encontro fora solicitado por Dom Gehard Müller, recebido cinco dias antes pelo Papa Francisco. Como se viu, foi atendido prontamente pelo Pontífice. Gutiérrez estava em Roma para o lançamento da versão italiana de um livro escrito em co-autoria com Müller.

Ingênuo

Müller que, para o Cardeal Juan Luis Cipriani Thorne, arcebispo de Lima, Peru, é um “bom alemão, bom teólogo, um pouco ingênuo”. Em um programa da rádio, o Cardeal peruano ligado ao Opus Dei ainda declarou: “Minha leitura é que ele [Müller] quis se aproximar de seu amigo [Gutiérrez], a quem deseja, de algum modo, ajudar a se corrigir e se inserir na Igreja Católica”. Sarcasmo?

Rusgas do passado

Algumas língüas afirmam que Gutiérrez, de 85 anos, ingressou tardiamente na Ordem Dominicana, no fim da década de 90, simplesmente para fugir da jurisdição do então recém nomeado arcebispo de Lima, considerado conservador. Vale recordar a recente disputa entre Müller e Cipriani em torno da PUCP, quando o “guardião da fé” do antigo Santo Ofício quis interceder por seus amigos peruanos. Tudo terminou numa vexatória derrota de Müller.

Instrumentalizado

Ainda segundo o Arcebispo de Lima, a audiência concedida pelo Papa Francisco a Gutiérrez “está sendo usada” para representar a reaproximação de uma corrente teológica que provocou “dano à Igreja”. Embora o Cardeal Joseph Ratzinger, então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, não tenha sancionado Gutiérrez, solicitou-lhe que “corrigisse dois de seus livros: ‘Teologia da Libertação’ e ‘A força dos pobres’, que — prosseguiu o Cardeal — prejudicaram a Igreja”. E finalizou o purpurado: “Se ele se corrigiu, não sei”.

Mas a realidade é cruel

Enquanto meios conservadores se esforçam para assegurar que a teologia de Francisco não é a mesma de Gutiérrez, com relatos de que o bispo de Roma recordou, há poucos dias e com certa mágoa, alguns atos passados do dominicano, perguntamos: como a opinião pública, os docentes, os bispos e padres interpretam os últimos atos de “reconciliação” para com a Teologia da Libertação? E como você, fiel bispo, sacerdote ou leigo “conservador” que nos lê, percebe o ambiente ao seu redor?

Não basta ser, é preciso parecer ser

O fato é que, quando se fala até de instâncias mais elevadas do magistério sendo raptadas pela mídia, não basta ser íntegro, é preciso parecer sê-lo. É necessário mais do que nunca publicamente evitar quaisquer sinais que favoreçam aqueles que, nas palavras do Cardeal Cipriani, causaram e causam danos à Igreja. E os sinais dados nos últimos meses vão exatamente na direção oposta.

Eles mesmos sabem disso…

Palavras do próprio Gutiérrez ao L’Osservatore Romano sobre as duas instruções da década de 80 lançadas pela Congregação para a Doutrina da Fé: “Às vezes estes textos não foram interpretados corretamente. Por exemplo, na primeira instrução se afirmava que depois seria elaborado um documento mais positivo. Uma forma de dizer que aquele era um texto negativo, que só considerava os erros. O dever do Magistério é fazer observações, embora no primeiro documento se fale da teologia da libertação de maneira muito geral. A teologia da libertação está feita de nomes e pessoas, não de idéias tiradas de seu contexto. A segunda instrução vaticana trata de compreender melhor o sentido desta teologia”.

Por isso, deixaram a “era Ratzinger” no passado

E conclui Gutiérrez, com a maior cara lavada do mundo: “Mas tudo isso pertence ao passado, porque hoje a teologia da libertação é mais conhecida e, portanto, mais apreciada que no passado”. E tudo isso no diário oficial da Santa Sé!

Libertados

As crias de Marx percebem que foram soltas das gaiolas e, enquanto alguns se dedicam lucubrar distinções sutilíssimas — que interessam apenas para tranquilizar as suas próprias consciências, já bastante anestesiadas – entre teologia dos pobres (o que quer que isso signifique) e teologia de matriz marxista, os progressistas agem livremente, ocupam ainda mais espaço, vencem uma nova batalha na guerra ideológica que travam dentro da Igreja e tornam o ar em nossos meios eclesiais ainda mais intragável. Os filhos das trevas perdem as almas enquanto nossas mentes “conservadoras”, complexadas em encontrar justificativa para tudo, discute o sexo dos anjos.

Até o Boff…

… está mais assanhado do que nunca. Se os louvores a Francisco já eram frequentes, agora ele fala inclusive de “diálogo à distância”. Por ocasião da visita do Papa ao Brasil, Boff declarou ter encaminhado, através de Dom Orani Tempesta, algum livro seu ao Papa. Chegou até a declarar que Francisco queria recebê-lo, mas não enquanto Ratzinger vivesse. Não se sabe, ao certo, a veracidade desses fatos. Contudo, em entrevista a Marco Bardazzi divulgada ontem, Genésio declarou sobre Francisco: “É muito inteligente. Não quer presidir a Igreja de maneira monárquica, mas colegialmente. Por este motivo elegeu oito cardeais de todos os continentes, que farão com ele a reforma da cúria e guiarão a Igreja colegialmente. Creio que chegou o momento, como lhe escrevi porque me pediu uma opinião [...] Temos uma amiga em comum na Argentina. Eles conversam todos os domingos, se falam com freqüência. Eu lhe mando algumas coisas através dela e ele me pede outras”.

13 setembro, 2013

Até quando os bispos apoiarão o “Sussurro dos Possuídos”?

Eles estão sempre se superando. No ano passado, eram mil participantes. Neste ano, dos 120 mil que visitaram o Santuário Nacional de Aparecida no último final de semana, uma vultosa massa de… oitocentos gatos-pingados se uniram para gritar fazer uns ruídos por igualdade (entenda-se comunismo), direito das minorias (entenda-se gayzismo), reforma agrária (entenda-se o pecado contra o sétimo mandamento), direito das mulheres (entenda-se a liberação do aborto), etc, etc, etc. E os ocupantes de postos importantes na Igreja, que vivem numa eterna década de 70, insistem. Por exemplo, o Cardeal Raymundo Damasceno Assis, ao mesmo tempo em que se intromete em assuntos que não são de sua  alçadaafirma:

Miado dos excluídos em Aparecida: "Bem vindos médicos cubanos!"

Miado dos excluídos em Aparecida: “Bem vindos médicos cubanos!”

“A Igreja apoia manifestações como o Grito dos Excluídos, porque acredita que a igreja muitas vezes se faz a única voz dos excluídos. Nos incluímos como um instrumento em defesa dessas minorias.”

Também Dom Odilo Pedro Scherer, Cardeal Arcebispo de São Paulo, se uniu a essa patifaria, embora colha amargos frutos  de anos de libertinagem esquerdista na PUC-SP.

Missa de Dom Odilo na Catedral da Sé em São Paulo.

Missa de Dom Odilo na Catedral da Sé em São Paulo. Créditos da imagem: https://www.facebook.com/DomAntonioDeCastroMayer

Uma leitora relata o “Grito” em Congonhas, MG, Arquidiocese de Mariana — cujo Arcebispo é o antecessor de Dom Raymundo Damasceno na presidência da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha:

‹‹ O evento estava cheio de militantes do PSTU, do PT, de feministas e até de grupos estudantis pró-gayzismo bradando pelo “fim da homofobia”… Durante o evento, houve protestos contra o “capetalismo” (é assim que eles chamam o sistema que nos garante liberdade e prosperidade), brados contra a “homofobia” (ou seja, o movimento gayzista se fez representar neste evento pseudo-católico), músicas carnavalescas que nem de longe lembravam oração e penitência (que foi o que o papa pediu que fizéssemos neste dia) e presença de militantes feministas (não sei se abortistas ou não, mas a camisa roxa que usavam era parecida com a da Marcha Mundial de Mulheres, que são abortistas irredutíveis). Além disso, não faltaram membros de partidos anticristãos e totalitários de esquerda ››.

Quando acordarão os bispos do Brasil?