Posts tagged ‘Vatileaks’

25 fevereiro, 2013

Relatório sobre o Vatileaks estará à disposição apenas do novo Pontífice.

De acordo com um comunicado divulgado hoje pela Sala de Imprensa, o Papa Bento XVI decidiu que os resultados da investigação sobre o Vatileaks permanecerão à disposição exclusivamente do novo Pontífice.

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22 fevereiro, 2013

Limpeza de última hora?

Foi anunciada hoje a nomeação como Núncio Apostólico na Colômbia de Monsenhor Ettore Balestrero, sub-secretário da Sessão para as Relações com os Estados da Secretaria de Estado, homem qualificado na matéria de hoje do La Repubblica como “poderosíssimo” e “braço direito” do Cardeal Tarcisio Bertone.

Sobre esta matéria, que ganhou destaque em toda a imprensa mundial, comentou hoje evasivamente o Padre Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé: “[A comissão cardinalícia] fez o seu trabalho, fez o seu relatório, o entregou nas mãos do Santo Padre. Não estamos correndo atrás de todas as ilações, fantasias, opiniões que são expressadas sobre isso. Não esperem comentários, confirmações, negações sobre pontos particulares”.

De acordo com o vaticanista Giocomo Galeazzi, Bento XVI autorizará os três Cardeais que investigaram o Vatileaks a apresentar detalhes do caso a todos os participantes do conclave.

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22 dezembro, 2012

Papa concede indulto a mordomo preso no escândalo Vatileaks.

Como antecipado em outubro, o Papa concede o perdão a Paolo Gabriele.

Papa visita Paolo Gabriele.

Papa visita Paolo Gabriele.

G1 – O Papa Bento XVI indultou o seu ex-mordomo Paolo Gabriele, que estava preso desde outubro por seu envolvimento no caso VatiLeaks, informou neste sábado (22) o Vaticano.

Gabriele estava em uma cela da Guarda do Vaticano, cumprindo pena de 18 meses de prisão imposta pelo Tribunal do Vaticano por ter furtado documentos confidenciais do papa.

“O Santo Padre, em um ato muito paternal, foi ver pessoalmente Paolo Gabriele para lhe comunicar que havia concedido sua graça”, disse o padre Federico Lombardi.

O encontro durou cerca de 15 minutos.

A possibilidade de indulto já havia sido comentada.

Gabriele, empregado mais próximo do Papa, foi preso em maio.

Mais de mil documentos -principalmente fotocópias, mas também alguns originais- foram encontrados em sua casa, retirados do gabinete dos secretários do Papa. Alguns, ultra-confidenciais, tinham sido assinados por Bento XVI.

Durante seu julgamento, o acusado, de 46 anos, cidadão e morador do Vaticano, casado e pai de três filhos, declarou que tinha a intenção de “ajudar” o Papa, que, segundo ele, não sabia dos escândalos que ocorriam no pequeno Estado. Esses documentos foram enviados principalmente para o jornalista italiano Gianluigi Nuzzi.

Ele foi considerado culpado de “roubo agravado”, crime para o qual o direito do Vaticano não prevê a possibilidade de liberdade condicional.

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3 dezembro, 2012

O Big Brother entra no Vaticano.

IHU – O monsenhor com o clergyman impecável e o passo veloz, depois de ter saudado a Guarda Suíça, lança um olhar desconsolado para as duas maquininhas para passar o crachá que se encontram do outro lado da porta emoldurada em mármore: a partir do próximo dia 1º de janeiro, quem entrar ou sair deverá passar o novo cartão de identificação magnético com um chip capaz de localizar o seu proprietário a todo momento.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no jornal La Stampa, 02-12-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Cidade do Vaticano, Palácio Apostólico, corredor ornado de afrescos do terceiro andar: aumentam os controles na sala de controle da Santa Sé, a Secretaria de Estado. E não só sobre os horários. De Rafael ao Big Brother. É apenas um dos efeitos do Vatileaks, o vazamento de documentos confidenciais do apartamento papal, que talvez mudou para sempre o trabalho cotidiano nos sagrados palácios. Arquivos blindados, mais controles para quem quiser ver os arquivos, obrigação de declarar o que se fotocopia. Novas e mais severas regras também na pequena comunidade familiar de Bento XVI, com a transformação da sala dos secretários particulares em off limits para evitar a repetição dos “vazamentos”.

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6 outubro, 2012

Condenado a 18 meses de prisão ex-mordomo do Papa.

Cidade do Vaticano | Rádio VaticanoO ex-mordomo do Papa, Paolo Gabriele, de 46 anos, foi condenado neste sábado pelo Tribunal do Estado da Cidade do Vaticano a 18 meses de prisão por roubo com agravantes de documentos reservados de Bento XVI.

O Presidente do Tribunal, Giuseppe della Torre, destacou que “Paoletto”, como é conhecido, foi condenado a três anos de reclusão porém a sentença foi reduzida a 18 meses por causa de atenuantes. O ex-mordomo terá que pagar as despesas do processo.

“A eventualidade que o Papa conceda a graça a Gabriele é concreta e verossímil. Posso dizer isso sem temer ser desmentido”: foi o que disse o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, acrescentando que o Papa já possui os atos do processo.

Após a sentença de condenação de Paolo Gabriele, o Promotor de justiça vaticano Nicola Picardi “emitiu o procedimento e Gabriele retornou à prisão dominiciliar, na mesma condição em que se encontrava até o momento”.

A advogada de defesa Cristiana Arru tem agora três dias para anunciar a decisão se irá ou não apresentar recurso. (SP)

* * *

Andrea Tornielli assegura que a decisão de conceder o perdão já está tomada pelo Santo Padre.

3 outubro, 2012

Vatileaks – Mas… o Vaticano quer, realmente, “ir a fundo nisso”?

Apresentamos nossa tradução de um trecho da coluna do Dr. Robert Moynihan sobre a sessão de ontem do julgamento de Paolo Gabriele:

Sozinho ou em uma conspiração?

Gabriele afirmou de maneira firme, hoje, que “não tinha cúmplices” ao coletar os documentos secretos, ou ao decidir o que fazer com eles.

Logo, ele mesmo deu testemunho contra a hipótese de que ele era parte de uma conspiração.

Paolo Gabriele durante julgamento no Vaticano.

Paolo Gabriele durante julgamento no Vaticano.

Todavia… todavia…

Todo conspirador pode estar desejando “simular” – permitir que toda a culpa caia sobre si, dando cobertura a outros. Assim, a negação de Gabriele de que trabalhou com outros, por si, não é prova de que ele agiu sozinho.

E hoje, pela primeira vez, Gabriele forneceu evidências em sentido contrário. Ele declarou que estava em frequente contato com várias figuras importantes no Vaticano, especialmente dois cardeais, Paolo Sardi e Angelo Comastri, e com Ingrid Stampa, uma senhora alemã, de cofiança do Papa, que é empregada doméstica e cuja residência ocorre de ser nos mesmos prédios em que Gabriele mora (Então, a família de Gabriele e Stampa são vizinhos próximos).

Contudo – e este é um ponto interessante –, enquanto Gabriele tentava, em seu testemunho, recontar detalhes de sua “rede” de contatos, ele foi repetidamente interrompido pelo juiz, Giuseppe Dalla Torre.

Esta é uma das coisas estranhas nesse caso: há um desejo expresso pelos oficiais do Vaticano de “ir a fundo nisso”, mas, em diferentes estágios da investigação, e agora no julgamento, parece haver um desejo de conter o caso dentro de limites pré-determinados – para não “ir a fundo nisso”.

Para dar outro exemplo: Gabriele disse hoje que fez duas cópias de todos os documentos secretos durante o horário de expediente, claramente à vista de seus superiores – ele dividia seu pequeno escritório com os dois secretários privados do Papa, no Palácio Apostólico.

Mas no sábado, quando seu advogado pediu para ter um croqui (planta) do escritório inserido nos autos do processo (evidentemente, para ajudar a sustentar o argumento de que Gabriele fez tudo às claras, de que ele não furtou nada discretamente, como que rastejando no Vaticano às 3 da madrugada para, nos corredores escuros do Vaticano, fotografar os documentos com um Iphone), o juiz indeferiu o pedido e recusou permitir que a planta do escritório fosse inserida como prova.

Além disso, Gabriele testemunhou hoje que, quando fazia duas cópias de cada documento, dava uma ao seu “confessor”.

Bem, este “confessor” permanece uma figura misteriosa. Ele é identificado apenas como “Padre Giovanni” e afirmou ter queimado todo a pilha de documentos após saber que eles eram roubados. Por que esta pessoa não é identificada e chamada a testemunhar? Não seria mais um “serviço pela metade” a ser resolvido neste caso, se o Vaticano realmente está interessado em “ir a fundo nisso”?

Assim, Paolo insistiu no tribunal que agiu totalmente por conta própria, sozinho. Mas ele, depois, imediatamente acrescentou que tinha “muitos contatos” no Vaticano, onde havia um “desconforto geral”.

Isso soa como se Gabriele tivesse que ter ao menos iniciado conversas com estes “contatos” (para ouvi-los expressar seu desconforto).

Portanto, durante tais conversas, essas pessoas podem também ter aconselhado Gabriele a fazer algo com os documentos que ele estava recolhendo – como encaminhá-los a um jornalista para publicação. (De fato, não temos certeza sobre como Gabriele conheceu Nuzzi, o autor do livro com os documentos secretos. Como os dois fizeram contato? Quem os uniu? Não sabemos).

O Promotor de Justiça do Vaticano, Dr. Nicola Picardi, perguntou a Gabriele se essas pessoas “desconfortáveis” no Vaticano apenas conversaram com ele, ou, na verdade, “colaboraram” com ele.

Gabriele respondeu que esta “reconstrução” das alternativas era inadequada, mas negou que alguém tivesse colaborado com ele.

Ainda, a respeito desses “contatos” que não “colaboraram” com Gabriele, não faria sentido haver o testemunho público de alguns deles? Algum está sendo chamado a testemunhar? Não, nenhum…

“Eu procurava por alguém em uma posição de autoridade a quem eu pudesse desabafar com confiança”, declarou Gabriele à corte hoje. “A situação dentro do Vaticano se tornou intolerável – não só para mim. Havia muitas outras pessoas que se sentiam da mesma forma que eu”.

A que situação “intolerável” Gabriele está se referindo? Não sabemos mais detalhes.

Sabemos, entretanto, que Gabriele, falando em janeiro a um programa de televisão italiano (seu resto estava coberto e sua voz embaralhada, de modo a não ser identificado, mas agora se sabe que era ele), se referiu, entre outras coisas, ao caso do assassinato do Comandante da Guarda Suíça em 4 de maio de 1998. Naquela noite, Alois Estermann e sua esposa, Gladys, sofreram disparos que os levaram à morte em sua residência, no quartel da Guarda Suíça, supostamente pelo jovem guarda suíço Cedric Tornay, que então, por sua vez, afirmam, cometeu suicídio. Gabriele declarou, em janeiro, evidentemente se referindo a este incidente, que o Vaticano é um lugar onde “você pode cometer um assassinato e depois desaparecer no nada”. Então, nós entendemos que Gabriele – que, não devemos esquecer, estava bem ao lado do Papa pelos últimos seis anos – tem suas dúvidas sobre a interpretação do Vaticano quanto aos acontecimentos de 4 de maio de 1998.

Nesta manhã, enquanto Gabriele estava começando a explicar mais detalhadamente porque ele sentia que o Papa Bento XVI não estava suficientemente informado sobre “certos assuntos”, o presidente da bancada de três juízes no tribunal novamente o interrompeu.

Isso não era relevante para a acusação de furto qualificado, disse o juiz.

Gabriele também disse durante seu depoimento: “Eu não fui o único, ao longo de anos, a fornecer documentos à imprensa”.

Isso soa como se outros no Vaticano tenham feito o mesmo do que Gabriele é acusado de fazer, mas não tenham sido pegos ou processados. Novamente, não se pediu a Gabriele que esclarecesse este ponto.

Motivo

Gabriele se declarou “inocente” quanto às acusações que sofre.

“Em relação à acusação de furto qualificado, declaro-me inocente”, disse Gabriele à corte nesta manhã.

“Mas eu me sinto culpado por ter traído a confiança do Santo Padre, a quem amo como um filho (ama um pai)”, acrescentou.

Eis o ponto no qual este julgamento, e todo o caso, se torna estranho, complicado.

Temos aqui uma pessoa agindo de um modo que parece prejudicar o Papa e a Igreja – ele obtém e depois permite a publicação de documentos secretos, causando um escândalo mundial.

Mas esta pessoa afirma que não tem, absolutamente, nenhum desejo de causar danos ao Papa e à Igreja; que ele, realmente, ama o Papa “como um filho”.

Como devemos entender este aparente paradoxo?

Uma forma seria propor esta hipótese: a de que Gabriele era, de alguma forma, “aconselhado” a agir desse modo por outros em quem ele confiava.

Ou seja, que ele fazia parte de um grupo maior, uma corrente ou partido dentro do Vaticano, um grupo de “conspiradores” – literamente, pessoas “animadas por uma só respiração” ou “um espírito”, pessoas “respirando juntos” – e não agiu sozinho. (Claro, outra hipótese seria a de que Gabriele não está contando a verdade, que ele não ama o Papa, mas esperava ganhar dinheiro, fama, ou qualquer outra coisa, por essa ação; ou mesmo a de que ele é mentalmente instável, como murmuraram, e escreveram, alguns em Roma, de modo que qualquer tentativa de atribuir um motivo razoável a ele seria a priori condenada ao fracasso.)

Mas a tese de uma conspiração parece ser excluída por todos os envolvidos no julgamento – quase como se a própria palavra fosse um “tabu”.

Entre as milhares de páginas de documentos encontradas em sua casa, “muitíssimas eram a respeito de maçonaria e serviços secretos”, testemunhou um dos policiais do Vaticano hoje na corte.

Foram encontrados também manuais com instruções de como manter alguém sob vigilância ou como seguir alguém pela cidade. Havia também dossiês sobre trabalhos internos da polícia do Vaticano e sobre o desaparecimento de Emanuela Orlandi, uma garota de 15 anos, filha de um residente do Vaticano, que desapareceu sem deixar vestígios em 1983 e de quem nunca mais se ouvir falar.

* * *

Na sessão de hoje (3), os testemunhos dos policiais do Vaticano asseguraram que, entre os milhares de documentos — escondidos entre livros sobre cristianismo, ioga e livros escolares dos filhos de Gabriele —  havia alguns “reservadíssimos”, marcados pelo Papa para serem destruídos. Quando este ponto foi revelado, Gabriele, que ao longo de todo o julgamento manteve um semblante sério, deu um sorriso sarcástico. A sentença deverá ser proferida no próximo sábado, dia 6.