O grande plano de Bento XVI – II: Novo pallium e entrevista de Mons. Guido Marini

Rorate-Caeli noticia o retorno do tradicional Pallium Papal para as celebrações da Festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, substituindo o pallium introduzido no pontificado de João Paulo II pelo sedento de novidades Mons. Piero Marini.

Comparem. À esquerda, o substituído pallium de Mons. Piero Marini. À direita, o pallium tradicional restaurado por Bento XVI:

Pallium - Coroação do PapaNovo pallium - Bento XVI

 

Abaixo traduzimos trecho da entrevista de Mons. Guido Marini, cerimoniário do Papa — não confundir com o antigo, o arcebispo Piero Marini — ao L’Osservatore Romano (link permanente do Rorate-Caeli aqui). Também o Pe. Uwe Michael Lang, do Oratório de Londres, escreveu o artigo Quella lana bianca  para o mesmo jornal, que merece ser lido.

“Este é o desenvolvimento da forma Latina do pallium usado até João Paulo II”, explica o Mestre de Celebrações Litúrgicas do Papa, Monsenhor Guido Marini, explicando as razões históricas e litúrgicas para a nova insígnia nesta estrevista ao ‘L’Osservatore Romano’.”

Quais são os elementos de continuidade e inovação comparado com o passado?

À luz de cuidadosos estudos a respeito do desenvolvimento do pallium pelos séculos, parece que podemos dizer que o longo pallium cruzado sobre o ombro esquerdo não era vestido no Ociente do século novo em diante. Realmente, a pintura da Sagrada Gruta de Subiaco,  que retorna ao ano de 1219, e representa o Papa Inocente III com esse tipo de pallium, parece ser um “arcaísmo” deliberado. Nesse sentido, o uso do novo pallium quer ir de encontro a duas necessidades: primeiro de tudo, enfatizar mais fortemente o desenvolvimento contínuo [orgânico] que num arco de mais de doze séculos essa veste litúrgica continuou a ter; em segundo lugar, a [necessidade] prática, pois o pallium usado por Bento XVI desde o início de seu pontificado levou a diversos e fastidiosos problemas deste ponto de vista.

Permanecerão diferenças entre o pallium papal e aqueles que o Pontífice irá impor nos arcebispos?

A diferença permanece mesmo no pallium atual. O que será usado por Bento XVI na solenidade de São Pedro e São Paulo em diante tem a forma do pallium usado até João Paulo II, se bem com uma forma mais larga e mais longe, e com as cores vermelhas para as cruzes. A forma diferente do pallium papal com respeito àqueles dos metropolitas [arcebispos] ressalta a diferença de jurisdição que é significada pelo pallium.

Já sobre outras mudanças dentro Do grande plano de Bento XVI, acrescenta dom Guido:


Na recente vis
Mons. Guido Mariniita a Santa Maria di Leuca e Brindisi, o Papa distribuiu a comunhão na boca dos fiéis ajoelhados. Essa é uma prática destinada a se tornar comum nas celebrações papais?

Penso que sim. A esse respeito, não pode ser esquecido que a distribuição da cominhão na mão ainda permanece, do ponto de vista jurídico, como um indulto à lei universal, dado pela Santa Sé àquelas Conferências Episcopais que o requisitou. O modo adotado por Bento XVI tende a sublinhar a força da norma válida para a Igreja toda. Em acréscimo, uma preferência poderia talvez ser vista pelo uso desse modo de distruição, que, sem eliminar nada do outro, põe à luz de melhor maneira a verdade da presença real na Eucaristia, ajuda na devoção dos fiéis, introduz com maior facilidade o sentido de mistério. Aspectos que, em nossa época, pastoralmente falando, é urgente sublinhar e redescobrir.

Ainda hoje, o motu proprio Summorum Pontificum sobre o uso da liturgia Romana anterior à reforma efetuada em 1970 parece dar surgimento a interpretações contrastantes. Celebrações presididas pelo Papa segundo a forma extraordinária, isto é, a antiga, são previsíveis?

É uma questão que eu não sei responder agora. Sobre o mencionado motu proprio, considerando-o com atenção serena e sem visões ideológicas, junto com a carta direcionada pelo Papa aos bispos do mundo todo que o apresenta, um entendimento dúplo preciso é trazido. Primeiro de tudo, aquele de favorecer o alcance de “uma reconciliação no interior da Igreja”; e, nesse sentido, como foi dito, o motu proprio é um belíssimo ato de amor pela unidade da Igreja. Em segundo lugar — e esse é um dado para não ser esquecido — seu propósito é favorecer um recíproco enriquecimento entre ambas as formas do Rito Romano: de tal forma, por exemplo, que em celebrações conforme o Missal de Paulo VI (que é a forma ordinária do Rito Romano) “será possível demonstrar mais fortemente do que foi até aqui a sacralidade que atrai muitas pessoas ao antigo uso”.