“Bento XVI recupera uma grande parte da clientela lefebvrista como Sarkozy recuperou uma grande parte da clientela de Le Pen”

É o que diz o historiador Odon Vallet ao revelar que Bento XVI quer homens na política que dêem lugar à Igreja na vida pública. Estejamos certos: alguns sites usarão, com razão, essa notícia da AFP para propagar o retorno de Bento XVI a algumas posições tidas como pré-conciliares.

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Entretanto, outra notícia não será tão divulgada nesses meios: “Papa convida teólogos Luteranos para discussão sobre Jesus”, é o título da matéria do Catholic News Service.

O convite se deve aos trabalhos do Papa para o segundo volume do seu livro Jesus de Nazaré. Martin Hengel e Peter Stuhlmacher, professores eméritos de Novo Testamento na faculdade de teologia protestante da Universidade de Tübigen, foram convidados para discursar em 30 de agosto em Castelgandolfo, no encontro anual do papa com seus antigos estudantes, o famoso “schulerkreis”.

Bem que o Papa poderia convidar alguns teólogos da FSSPX para debater alguns aspectos controversos do Concílio Vaticano II!…

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A honestidade intelectual dos católicos deve, sem sombra de dúvidas, imperar sobre uma visão romântica da realidade muito difundida entre alguns grupos. É importante, certamente, não endurecer os corações (para lembrar a expressão usada recentemente por Dom Tissier de Mallerais) e notar os aspectos positivos do papado de Bento XVI. Mas isso não pode criar uma mentalidade romântica que vê em Bento XVI o que ele não é: um tradicionalista.

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Apenas a história nos dirá se o conjunto de medidas de Bento XVI será uma real “reforma na continuidade” ou apenas uma “continuidade nas reformas” do Vaticano II.