Defender a fé dos simples contra as doutrinas ambígüas e errôneas dos pretensos sábios deste mundo

Excerto da entrevista de Sua Eminência, Cardeal Tarcísio Bertone, Secretário de Estado, ao Le Figaro:

Há um ano, a Santa Sé publicava um motu proprio para tentar resolver um problema litúrgico em boa parte francês. Esta medida não provocou uma contração?

Me permita retificar: não se pode falar “de um problema litúrgico em boa parte francês”. O Papa tomou a sua decisão em vista do bem de toda a Igreja. É certo que se esperava [o motu proprio] mais na França, pelo fato, como se sabe, de ser o país onde se viu nascer o movimento de Mons. Lefebvre e que a Fraternidade fundada por ele desenvolveu-se sobre uma grande parte do território francês. Não se pode negar, por outro lado, que, mesmo entre os bispos, haja opiniões e posições diferentes. É necessário, em todo caso, reconhecer que o episcopado francês recebeu o documento do Papa e fez, no conjunto, o que estava o seu poder para pô-lo em aplicação. Acrescento que é necessário efetivamente compreender a intenção que inspirou a decisão do Papa: a celebração da Eucaristia deve favorecer a unidade da Igreja e não a sua divisão. Perseguir outros objetivos é estar bem distante da vontade do Pastor universal e não ir nessa direção.

Você conhece bem Bento XVI por ter trabalhado com ele na congregação para a Doutrina da Fé e hoje como secretário de Estado. Como você poderia caracterizar o seu pontificado?

O seu exemplo e os seus ensinamentos constituem uma constante lição de vida! Gostaria, em primeiro lugar, de sublinhar a clareza da doutrina de Bento XVI, sempre expressa com uma nobreza de linguagem, mas ao mesmo tempo com uma eficaz capacidade de persuasão. Como prefeito da congregação para a Doutrina da fé, o cardeal Ratzinger tinha o hábito de dizer que o seu papel era defender a fé dos simples contra as doutrinas ambígüas e errôneas dos pretensos sábios deste mundo.