Na festa da Exaltação da Santa Cruz

Muitos de vós levais no pescoço uma corrente com uma cruz. Também eu levo uma, como também todos os bispos. Não é um adorno nem uma jóia. É o precioso símbolo de nossa fé, o sinal visível e material da vinculação a Cristo. São Paulo fala claramente da Cruz no início de sua primeira carta aos Coríntios. Em Corinto vivia uma comunidade em turbulência e revolta, exposta aos perigos da corrupção dos costumes imperantes. Perigos parecidos com os que hoje conhecemos. Não citarei nada mais que o seguinte: as querelas e lutas no seio da comunidade crente, a sedução que oferecem pseudo sabedorias religiosas ou filosóficas, a superficialidade da fé e a moral dissoluta. São Paulo começa a carta escrevendo: “A mensagem da cruz é necessidade para os que estão em vias de perdição; mas para os que estão em vias de salvação – para nós – é força de Deus” (1 Co 1,18). […]

Queridos jovens, sei que venerar a Cruz às vezes também traz consigo o escárnio e até a perseguição. A Cruz põe em perigo em certa medida a segurança humana, mas manifesta, também e sobretudo, a graça de Deus e confirma a salvação. Nesta tarde, vos confio à Cruz de Cristo. O Espírito Santo vos fará compreender seu mistério de amor e podereis exclamar com São Paulo: “Deus me livre de gloriar-me senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, na qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo (Gal 6, 14),

Discurso do Santo Padre, o Papa Bento XVI, na Catedral de Notre-Dame de Paris, na vigília de oração com os jovens – 12 de setembro de 2008