Curtas: A instrução na mesa do Papa; o lamento de Hoyos e a ascensão de Burke; o Galicanismo de volta.

  • O Cardeal Castrillon Hoyos, num inesperado pronunciamento (referências aqui e aqui) na conferência em curso em Roma sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum, lamentou o fato de alguns tradicionalistas serem “insaciáveis, enfatizando que “eles não sabem o que estão fazendo“, ao referir-se aos fiéis que, vendo suas demandas não atendidas pelo Vaticano, saem pela internet publicando suas queixas; ainda afirmou que a Comissão Ecclesia Dei já concluiu a instrução que visa esclarecer alguns aspectos do Motu Proprio e a encaminhou ao Santo Padre, aguardando agora sua decisão final; o Cardeal confirmou essas palavras pronunciadas informalmente numa entrevista concedida a Bruno Volpe (em espanhol aqui);,

  • Como bem notou Rorate-Caeli, que pode existir exageros por partes dos fiéis mais imprudentes é inegável. Entretanto, a Comissão Ecclesia Dei, que teve sua autoridade reforçada no Motu Proprio, parece não notar os exageros — muito mais freqüentes — dos bispos em suas perseguições aos fiéis e padres ligados à missa de sempre;

  • Nos estranha a afirmação do Cardeal: “O que é mais importante: o mistério de Deus que se faz pão ou a língüa em que celebramos o mistério?”. É difícil crer que Vossa Eminência, que por tanto tempo comanda o bureau Vaticano responsável pela missa tradicional, não percebeu até hoje que o problema do latim existe, mas não é o principal deles;

  • Rocco Palma informa que provavelmente o futuro Cardeal, Dom Raymond Burke, recém nomeado Prefeito da Signatura Apostólica, substituirá o Cardeal Castrillon Hoyos (que completará 80 anos) na presidência da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei. A se confirmar o boato, não poderia haver outra escolha melhor!

  • Para concluir a análise da viagem do Papa à França: o Cardeal Vingt-Trois, antes dos pronunciamentos do Papa, havia afirmado: “Não sei se o Papa vai falar [sobre o Motu Proprio], sei apenas que o sinal mais explícito sobre o assunto vai ser o fato de concelebrar com os bispos da França, em comunhão numa mesma liturgia.Depois que o Papa falou claramente, o Cardeal expressou, de maneira nada ingênua, que “o relacionamento do Papa com os bispos não é um relacionamento de chefe-empregados. Ele não é o presidente de uma corpoção multinacional que vem visitar uma filial”; “Nós o acolhemos e o ouvimos como a um irmão que vem confortar a fé daqueles com quem ele trabalha e com quem ele está em comunhão“. É o Papa que vem concelebrar com os bispos, e não os bispos com o Papa; pior, é o Papa que está em comunhão com os bispos, e não o contrário. É o velho galicanismo dando as caras…

3 Responses to “Curtas: A instrução na mesa do Papa; o lamento de Hoyos e a ascensão de Burke; o Galicanismo de volta.”

  1. “Nós o acolhemos e o ouvimos como a um irmão que vem >>>confortar<<< a fé daqueles com quem ele trabalha e com quem ele está em comunhão“.

    A função do Ministério Petrino, não seria a de confirmá-los na fé?

    Parece que temos “evoluções” das heresias. As Conferências Episcopais não possuem direito divino, mas querem igualdade ou até mesmo se colocarem acima do primado petrino. Lembram a heresia do Conciliarismo que podemos chamar de “Conferencialismo”… lamentável. Fiquem com DEUS e rezemos!

    Abraço

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