Tributo a um velho amigo – Quando se pensa…

Um valoroso jovem, depois de tantas tribulações, hoje ingressa no convento dominicano da Fraternité Saint Vincent Ferrier, em Chéméré-le-Roi, França. Meu caro amigo, rezo para que um dia possa eu cumprir a promessa que lhe fiz: receber, seja daqui 10 ou 20 anos, os sacramentos de suas mãos.

Quando se pensa…

Quando se pensa que nem a Santíssima Virgem pode fazer o que pode um sacerdote;

Quando se pensa que nem os anjos, nem os arcanjos, nem Miguel, nem Gabriel, nem Rafael, nem príncipe algum daqueles que venceram a Lúcifer podem fazer o que pode um sacerdote;

Quando se pensa que Nosso Senhor Jesus Cristo, na última Ceia, realizou um milagre maior que a criação do mundo com todos os esplendores, e foi converter o pão e o vinho em Seu Corpo e Seu Sangue para alimentar o mundo; e que este portento, ante o qual se ajoelham os anjos e os homens, pode repeti-lo cada dia um sacerdote;

Quando se pensa no outro milagre que somente um sacerdote pode realizar: perdoar os pecados, e que o que ele ata no fundo de seu humilde confessionário, Deus, obrigado por sua própria palavra, o ata no Céu, e o que ele desata, no mesmo instante o desata Deus;

Quando se pensa que a humanidade foi remida e que o mundo subsiste porque há homens e mulheres que se alimentam cada dia desse Corpo e desse Sangue redentor que só um sacerdote pode realizar;

Quando se pensa que o mundo morreria da pior fome se chegasse a faltar-lhe este pouquinho de pão e esse pouquinho de vinho;

Quando se pensa que isto pode acontecer, porque estão faltando as vocações sacerdotais; e que quando isto acontecer os céus se comoverão e explodirá a terra, como se a mão de Deus tivesse deixado de sustentá-la; e os povos uivarão de fome e de angústia e pedirão este pão e não haverá quem lho dê; e pedirão a absolvição de suas culpas, e não haverá quem as absolva, e morrerão com os olhos abertos pelo pior dos espantos;

Quando se pensa que um sacerdote faz mais falta que um político, mais que um militar, mais que um banqueiro, mais que um médico, mais que um mestre, porque ele pode substituir a todos e ninguém o pode substituir;

Quando se pensa que um sacerdote quando celebra no altar tem uma dignidade infinitamente maior que um rei; e que não é nem um símbolo, nem sequer embaixador de Cristo, mas o próprio Cristo que lá está repetindo o maior milagre de Deus;

Quando se pensa tudo isto, compreendo-se a imensa necessidade de fomentar as vocações;

Compreende-se o afã com que, em tempos antigos, cada família ansiava que de seu seio brotasse, como uma vara de nardo, uma vocação sacerdotal;

Compreende-se o imenso respeito que os povos antigos tinham pelos sacerdotes, o que se refletia em suas leis;

Compreende-se que o pior crime que pode cometer alguém é impedir ou desanimar uma vocação;

Compreende-se que provocar uma apostasia é ser como Judas e vender a Cristo de novo;

Compreende-se que se um pai ou uma mãe impedem a vocação sacerdotal de um filho, é como se renunciassem a um título de nobreza incomparável;

Compreende-se que mais que uma igreja, mais que uma escola, mais que um hospital, é um seminário ou um noviciado;

Compreende-se que dar para construir ou manter um seminário ou um noviciado é multiplicar os nascimentos do Redentor;

Compreende-se que dar para custear os estudos de um jovem seminarista ou de um noviço é aplainar o caminho por onde há de chegar ao altar um homem, que durante meia hora, cada dia, será muito mais que todas as dignidades da terra e que todos os santos do céu, pois será Cristo mesmo, sacrificando Seu Corpo e Seu Sangue, para alimentar o mundo.

Hugo Wast