Pio XII e os problemas modernos (III): “Nos tempos em que é odiado pelo mundo, o cristianismo não é questão de palavras persuasivas, mas algo grandioso”.

No princípio da história da Igreja, durante o Império de Trajano, Santo Inácio de Antioquia escreveu um pensamento que fascina até os espíritos modernos, como a descoberta de um tesouro de experiência, duas vezes milenar: “Nos tempos em que é odiado pelo mundo, o cristianismo não é questão de palavras persuasivas, mas algo grandioso”.

Verdadeiramente, na crise religiosa de nosso tempo – a mais grave, talvez, que a humanidade atravessou desde a origem do cristianismo –, a racional e científica exposição das verdades da fé, embora possa ser eficaz e em realidade o seja, por si só não basta. E nem mesmo bastaria, o exemplo, infelizmente muito escasso, de uma vida cristã realizada por convenções habituais. Hoje é necessária a grandeza de um cristianismo vivido em sua plenitude, com uma perseverante constância; exige-se o esquadrão valoroso e ousado daqueles que – homens e mulheres – vivendo no meio do mundo, estão a todo momento prontos para combater por sua fé, pela lei de Deus, por Cristo, com os olhos fixos nele como modelo a ser imitado, como Chefe a ser seguido nas lides apostólicas.

Mesmo recentemente, foi dado ao cristianismo o conselho – se quer ainda conservar alguma importância, se quer superar o ponto morto –, de adaptar-se à vida e ao pensamento moderno, às descobertas científicas e às extraordinárias potências da técnica diante das quais suas fórmulas históricas e seus velhos dogmas não seriam senão luzes do passado, quase extintas.

Que erro! E como ele mesmo descobre a ilusão vaidosa de espíritos superficiais! Parecem querer fazer com que a Igreja entre em um leito de Procusto, nos estreitos limites das organizações puramente humanas. […] O pensamento e a vida moderna devem, entretanto, ser reconduzidos a Cristo, e reconquistados para Ele. Cristo, sua verdade, sua graça, não são menos necessários à humanidade de nosso tempo do que à de ontem e de anteontem, de todos os séculos passados e futuros. Tal é a única fonte de salvação.

Pio XII, Alocução ao Sacro Colégio, 24 de dezembro de 1953.

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